Última atualização: 05/08/2019

Capítulo 1

Olhei no relógio, que já marcava nove e meia. Marcus, onde você está, seu bunda mole?, pensei batendo o pé no chão. Ele sempre se atrasava, mas dessa vez ele estava passando dos limites. Isso que dava deixar seu melhor amigo no apartamento sozinho com o namorado no telefone. Provavelmente eles estavam falando de como a semana tinha sido para cada um, já que é a primeira vez em oito meses que ele e Sam ficam separados. Maldita tinha sido a hora que eu decidi deixar os dois sozinhos , pensei olhando para o lado. Uma Ferrari acabava de dobrar o caminho, chamando a atenção de todos que estavam na rua. Exibido., revirei os olhos pensando no quanto eu desprezava o dono daquela Ferrari e o quanto eu odiava as noites da semana nas quais eu tinha que sair para um bar enquanto ele fazia orgia com seus amigos e não conseguiam controlar os gritos das vadias que andavam com eles.
Eu havia me mudado para a casa de Marcus há pouco mais de seis meses e, nesse tempo, desde o primeiro dia eu desejei não ter conhecido o vizinho odioso e exibido que Marcus tinha. Eu devo admitir, ele era um dos homens mais bonitos que eu já tinha visto. Com seu um metro e noventa de altura, seus braços fortes e peitoral firme - além dos olhos esverdeados -, eu podia jurar que ele tinha saído de um dos livros de romance que eu costumava ler. Mas juntamente com um porte físico tão visto por mim em meus livros, vinha a sua tremenda galinhagem e exibicionismo exagerado.
Quando eu encontrar alguém, tomara que ele não seja tão desprezível quanto esse homem, pensei vendo-o descer do carro com uma garota em cada braço. Ele jogou a chave para o porteiro pedindo que ele colocasse o carro no estacionamento e lhe dando uma boa quantia.
- Vamos, ? – Marcus apareceu ao meu lado fazendo com que eu me virasse para ele.
- Amém! Pensei que você nunca ia descer. – Disse, olhando para ele. – Pegou tudo?
Aham. – Ele me abraçou. – Você vai ficar bem aqui sozinha? – Ele perguntou se separando de mim para me olhar.
- Mas é claro que sim, não é como se algum vizinho tarado fosse me atacar. – Falei, vendo o vizinho de Marcus virar seu rosto enquanto passava para mim. Ele me encarava como se soubesse que eu estava falando dele. Ele poderia ser um ser desprezível, mas seus olhos faziam com que minhas pernas tremessem na base.
- Eu quero que você tome cuidado, tudo bem?
- Sim, senhor, general. – Falei, batendo continência.
- Eu estou falando sério, . Você vai ficar sozinha no apartamento por quase três meses, sabe-se lá o que pode acontecer.
- Marcus, você não vai se atrasar para o seu voo? – Perguntei, começando a empurrá-lo em direção ao táxi.
- Eu não sei não, , não gosto de te deixar aqui sozinha.
- Eu sei me cuidar, Marcus. – Falei parando em frente ao táxi e abrindo a porta. – E o que pode acontecer de mal? Eu vou passar a maior parte do tempo no hospital, esqueceu que eu trabalho nele na maioria das noites da semana?
- E eu odeio que você tenha que ter de fazer isso. Você acabou com todas as nossas idas ao bar trocando de horário naquela droga.
- Você sabe que eu não gosto muito de bares, Marcus. O seu estilo de vida é totalmente diferente do meu.
- Claro. Você é praticamente uma santa e eu, bem, eu sou quase a encarnação da imoralidade. Quer dizer, depois daquele ali. – Ele apontou com a cabeça para o seu vizinho. – Eu ainda me pergunto como ele consegue.
- Você não é o único. – Respondi abaixando a cabeça. – Boa sorte com o Sam.
- Eu vou sentir sua falta. – Ele me abraçou outra vez. – Não se esquece de trancar a porta quando for para o seu precioso hospital.
- Está bem, papai. Agora vai, antes que você perca o seu voo e o Sam me ligue falando coisas não muito agradáveis.
- Eu te amo. – Ele falou antes de entrar no táxi. Marcus me jogou um beijo à medida que o carro ia se movimentando, desaparecendo na esquina.
Girei meus calcanhares, voltando para o prédio, passei pelo hall dando um breve aceno para o porteiro e continuei meu caminho até chegar ao elevador. Dez horas. Eu estou meia hora atrasada, pensei apertando o botão do elevador. Hoje era o último dia que eu iria trabalhar no turno da madrugada antes das minhas esperadas férias. Eu amava trabalhar como voluntária, mas, como qualquer ser humano, eu precisava de minutos para relaxar. Uma coisa que eu nem conseguia quando estava em casa, pois certo vizinho não conseguia entender o significado da palavra descanso e dava festas de arromba para que todo o prédio ficasse sabendo. Eu até aconselhei Marcus a se juntar com o comitê de síndicos do prédio para que essas festas parassem, mas, segundo ele, o seu vizinho não estava fazendo nada de errado. Ele não está infringindo regras, ele dizia.
A porta do elevador se abriu, fazendo com que eu levantasse meu olhar, e nele estava a única pessoa que eu desejava não ver naquela noite. Entrei no elevador sem olhá-lo.
-Sobe ou desce? – Ele perguntou quando entrei no elevador.
- Desce. – Respondi, ficando ao seu lado e vendo-o apertar o botão do estacionamento.
Eu nunca tinha conversado com ele e muito menos ficado sozinha com ele. Eu não sabia nem ao menos seu nome, o que eu sabia é que sua presença me incomodava, e muito. Eu o odiava desde o momento em que tinha colocado os olhos nele, mesmo sabendo que não era certo julgar alguém sem conhecer, mas eu não conseguia sentir nada mais do que ódio por esse homem. Não sei se era por causa das suas festas que iam até altas horas, me arrancando o sono, ou o fato dele sempre me olhar como se quisesse descobrir cada parte do meu corpo, do mesmo jeito que ele faz com as garotas que o acompanham até seu apartamento.
Agradeci mentalmente quando as portas do elevador se abriram e eu pude sair do elevador, andando rápido até meu carro. Eu escutava passos atrás de mim fazendo com que eu virasse meu rosto para trás, vendo-o dar passos lentos e fazendo o mesmo caminho que eu. Ele sorriu e eu não pude resistir em revirar os olhos. Abri a porta do meu carro, entrando no banco do motorista, liguei-o e esperei que ele passasse pela traseira, indo em direção ao porta-malas do seu carro.
Tirei o carro da vaga tendo uma bela visão da sua bunda enquanto ele tirava algemas de lá. Revirei meus olhos arrancando com o carro e saindo do estacionamento, escutando meu celular vibrar em cima do banco do passageiro. Peguei o celular olhando no visor: Rose. Eu realmente estou muito atrasada, pensei passando o sinal antes do hospital. Estacionei meu carro na vaga dos funcionários, abrindo a porta do carro para sair logo em seguida. Acenei para o segurança que estava na porta do hospital segurando-a, esperando que eu passasse, e agradeci quando passei por ele.
- Você está atrasada. – Rose falou quando passei pela recepção.
- Desculpe-me. – Falei olhando para ela – Marcus quase não saiu de casa.
- Ele deve estar preocupado em deixar você sozinha.
- Eu ficarei bem. Ele faz tempestade em copo d’água.
- Eu entendo. Lembro quando ele entrou aqui gritando por meu nome dizendo que você tinha quebrado a bacia porque caiu no banheiro.
- Está vendo? Ele é mais histérico do que mulher em dia de promoção na Channel.
- Mas, se você quiser, você pode ficar lá em casa, sabe? Meu filho mora sozinho agora e tem uma cama sobrando.
- Rose - segurei em suas mãos –, você é um anjo. Obrigada pela oferta, mas eu vou ficar bem. E se algo der errado eu prometo que vou ficar com você, tudo bem?
- Tudo bem. – Ela beijou minhas mãos. – Agora vai lá, parece que eles não querem dormir sem dizer adeus para você.
- A enfermeira Johnson vai me olhar com tanto ódio. – Falei, fazendo careta. – Deixe-me ir lá. – Falei começando a andar pelo corredor.
- . – Rose me chamou fazendo com que eu virasse para ela. – Obrigada por vir. Eu sei que seu turno já acabou e suas férias já começaram e você não precisava estar aqui, então, obrigada.
- Basta gritar, Rose. Eu estarei aqui. – Falei antes de recomeçar o caminho.
Eu era voluntária naquele hospital há mais de dois anos, as crianças das quais eu cuidava eram crianças que estavam em estado de recuperação de cirurgias ou precisavam ficar em observação. Eu frequentava esse hospital há tanto tempo, mas o mesmo sentimento acontecia quando eu entrava naquele corredor. Esse hospital não me trazia boas lembranças e enquanto eu atravessava o corredor em direção à ala da pediatria eu sentia um calafrio percorrer toda a minha espinha. Não seja fraca, . É passado., pensei entrando na ala e vendo todas as crianças acordadas e conversando alto.
- O que ainda vocês fazem acordados? – Perguntei cruzando os braços.
- Tia . – Eles gritaram ao mesmo tempo.
Naquela sala de recuperação havia quatro crianças: Jenny, que se recuperava de um transplante de rim; Jeremy, que estava em observação porque sua alergia tinha atacado outra vez; Kyle, que se recuperava de um resfriado que quase virou pneumonia; e Sansa, uma garota que acabava de descobrir que tinha perdido o movimento das pernas. Sansa era corredora na sua antiga escola, mas seu sonho tinha sido interrompido quando ela sofreu um acidente de carro, ela tinha sido a única que tinha sido machucada gravemente. Sansa tinha que permanecer no hospital, pois seus avós não podiam ficar levando-a para o local.
Jenny, Jeremy e Kyle colocaram seus braços ao redor de minha cintura, quase me esmagando em um abraço. Sansa estava conversando com a enfermeira Johnson, quando ela me olhou com reprovação, apontando para o relógio. Sussurrei uma desculpa e a vi trazer Sansa, que estava na cadeira de rodas, para perto de mim.
- Olá, meus amores. – Falei me abaixando para ficar na altura deles. Abracei cada um separadamente. – Olá, Sansa. – Falei me levantando e dando um beijo em sua testa. – Vocês não acham que está um pouco tarde para vocês ficarem acordados?
- Tia , nós fizemos uma coisa para você. – Sansa falou me estendendo uma caixa.
- Obrigada. – Falei pegando a caixa e abrindo-a.
- É uma pulseira. – Jeremy falou enquanto eu retirava a pulseira da caixinha. – Tem a inicial de cada um daqui.
- Provavelmente você não vai estar aqui quando nós tivermos alta, então queríamos que você se lembrasse um pouco da gente. – Sansa completou.
- Eu nem sei o que dizer. – Falei olhando para eles. – Em anos que eu sou voluntária aqui, nenhuma das crianças me deu um presente desses. Claro que eu ganhei cartas, que ainda estão comigo, mas mesmo assim, esse é um dos melhores presentes que eu já ganhei. Muito obrigada. – Falei abraçando cada um deles.
- Nós é que agradecemos, tia . – Jenny falou – Se não fosse você, nós não teríamos passado por isso tudo.
- Você coloca pra mim, Kyle? – perguntei estendendo a pulseira para ele. Kyle pegou a pulseira e a colocou em meu braço. – Pronto. Agora vou ter uma lembrança de cada um aqui. E agora, todos para cama. – Falei, apontando para suas camas. – Deixe que eu levo Sansa em direção a sua cama.
- Quando todos eles forem embora, eu continuarei aqui. – Sansa disse olhando para mim.
- E você os guardará para sempre em seu coração e vai dar espaço para os novos que aparecerem. – Falei parando em frente à sua cama, dando a volta ao seu lado. Peguei-a no colo, deitando-a na maca.
- Você realmente precisa ir? – Ela perguntou enquanto eu colocava o lençol em cima dela.
- Preciso. – Falei tocando em sua mão.
- Você volta?
- Mas é claro que sim.
- Meu irmão também disse isso para mim, e no final ele acabou nunca mais voltando. – Ela abaixou a cabeça. – Ele me deixou sozinha.
- Então toda vez que você se sentir sozinha você chama a enfermeira Rose e pede para que ela ligue para mim. Eu vou vir tão rápido que você não vai poder nem terminar de falar supercalifragilisticexpialidocious . – Eu disse dando um beijo em sua testa. – E pra você nunca me esquecer - falei, abrindo o zíper da minha jaqueta de couro preta – você vai poder ficar com minha jaqueta preferida.
- Mas é sua jaqueta preferida! – Ela falou pegando a jaqueta.
- Eu sei que você gosta dela.
- Obrigada, . – Ela jogou os braços ao redor do meu pescoço.
- De nada, Sansa. Agora vamos dormir que o dia pra você é sempre cheio. Parece mais uma celebridade.
- Boa noite.
- Boa noite, meu amor.

Dirigi de volta para casa com um sorriso em meus lábios. Eu sentiria falta daquelas crianças; elas haviam marcado minha vida como nenhuma criança havia feito antes, especialmente Sansa, que, apesar de ter todos os motivos para não sorrir, sempre passava pelos corredores do hospital com um sorriso no rosto. Uma garota a qual eu admirava, mesmo tendo pouca idade. Uma garota que perdeu tudo e ao mesmo tempo tem tudo que deseja em mãos. Sansa era uma garota forte e, quando soube que possivelmente não poderia mais andar, não deixou nenhuma lágrima cair em seu rosto para que sua avó não visse o quanto ela estava triste em ter que desistir do seu sonho. Eu me lembrava bem do dia em que Sansa recebeu a notícia e me lembrava, porque eu havia a havia dado. Ela tinha agido como uma guerreira deixando sua avó chorar em seu ombro e não derramando uma lágrima, desde esse dia eu jurei que nunca a deixaria sozinha e que faria com que ela se sentisse especial.
Estacionei meu carro na vaga, batendo a porta na porta do carro do vizinho de Marcus. Com certeza, eu não vou me desculpar por isso, pensei andando até o elevador. Olhei no relógio e já passava das onze, achei estranho quando entrei pelo corredor do meu apartamento e não havia nenhum sinal de barulho, de música alta ou de vadias gritando. Acho que alguém finalmente aprendeu a frase “eu sou um incômodo” e foi, finalmente, fazer suas orgias em outro lugar , pensei, rodando a chave e destrancando a porta.
- Droga! Será que ninguém vai aparecer para me ajudar?. – Escutei um grito ecoar pelo corredor. Olhei para os dois lados, não vendo ninguém, e dei de ombros, abrindo a porta e fazendo com que ela fizesse barulho - Ei, você. Você que abriu a porta agora, você poderia vir aqui? Pelo amor de Deus, eu estou desesperado. – Coloquei meu pé direito dentro de casa ignorando a voz. – Eu sei que você está aí, por favor, vem me ajudar. - Bufei, dando-me por vencida. Estúpida foi a hora que eu decidi voltar para casa mais cedo do hospital, pensei andando em direção ao apartamento que ficava em frente ao de Marcus. Empurrei a porta, que estava aberta, e eu pude ver pela fresta que a casa estava completamente detonada – Eu estou aqui no quarto. - Escutei a voz ecoar de um corredor e me dirigi até ele.
- Oh, Deus! – Falei colocando as mãos em meu rosto. O vizinho de Marcus estava completamente pelado em cima de uma cama de solteiro com apenas o quadril para baixo coberto por um lençol e com as mãos algemadas na cama. – O que você está fazendo?
- No momento, nada. Mas antes...
- Por favor - falei abrindo os olhos –, me poupe dos detalhes. – Falei olhando em volta. – O que aconteceu aqui?
- Eu fui assaltado.
- E por que ele te deixou pelado em cima de uma cama?
- O que eu posso fazer? Eram duas loiras maravilhosas que subiram comigo e com meu amigo. Eu disse que aquele bar não era confiável, mas ele não me ouviu e acabou nisso: eu amarrado nessa cama e ele desacordado no outro quarto. Eu deveria ter desconfiado quando ela pediu aquelas algemas, eu pensei que ela...
- Entendi. – Interrompi. – Você tem péssimo gosto. O que você quer que eu faça?
- Se não for pedir muito, eu queria que você me soltasse.
- Onde está a chave?
- Ela está aqui atrás. – Ele apontou com a cabeça para a prateleira em cima de sua cama. – Mas você tem que subir pela cama. – E antes que ele pudesse pronunciar alguma outra palavra, eu subi em cima da cama colocando meus pés um de cada lado do seu corpo. Ele era praticamente do tamanho da cama de solteiro, e o pouco de espaço que sobrava eu havia colocando meus tênis sujos. Avistei um brilho em cima da prateleira ficando na ponta dos pés para pegar a chave.
- Você está sujando meus lençóis com seus tênis sujos. – Ele gritou. Sentei em cima de seu tronco, um pouco acima do lençol que cobria suas pernas.
- Seria incrível se o ser humano criasse um eletrodoméstico incrível que lava roupas, não acha? – Falei rolando com a chave entre meus dedos – Ah, é mesmo, ele já criou. – Ironizei, me inclinando um pouco para o lado para tirar a algema de uma de suas mãos. Ele deixou sua mão cair no colchão fazendo uma cara de alívio enquanto eu tirava o outro lado da algema. Levantei-me, pulando da cama e começando a andar em direção a porta.
- Ei! – Ele me chamou fazendo com que eu virasse para ele. – Obrigado.
- De nada.
- Eu não sei seu nome.
- . Meu nome é .
- Muito prazer, , eu sou . – Dei um breve aceno antes de continuar meu caminho até a saída de seu apartamento.



Capítulo 2

O sol estava tão quente que nem mesmo dentro do elevador, com o ar-condicionado no máximo e usando o mínimo de roupa possível – apenas um short e uma camiseta sem mangas – o calor dava sinais de que iria passar. Oh, eu estou quase derretendo, pensei saindo do elevador em direção à portaria.
- Olá, Alfred. – Falei, me apoiando na bancada. – Alguma carta para mim?
- Não, mas – ele se abaixou, pegando um buquê de flores – o senhor James deixou isso aqui.
- Oh, quanta preocupação a dele. – Ironizei, pegando as flores e as jogando no lixo ao lado de Alfred.
- Flores servem como uma decoração perfeita.
- E servem para enfeitar enterros.
- É a segunda vez que ele aparece aqui pedindo para falar com você.
- Ele pode insistir o quanto quiser, eu não irei atendê-lo.
James era o meu ex-namorado. Nós namoramos por dois anos e, quando eu menos esperei, o peguei transando com outra, em cima da minha própria cama, em uma das festas que Marcus insistia em fazer em seu apartamento. O chão debaixo de meus pés desapareceu e as lágrimas descerem de meu rosto. James era o homem com quem eu desejava me casar, o homem perfeito para mim. Tinha um bom emprego, um porte físico que daria inveja a muita gente e atraía muitas mulheres. Mas, mesmo toda a perfeição tem seus defeitos e o perfeito, na verdade, não era perfeito, porque perfeição não existe. Isso é apenas uma ilusão boba criada para enganar garotas como eu. Não existia homem perfeito, eu sabia disso agora.
- Hoje está muito quente, você não acha, Alfred?
- Eu devo concordar. Eu daria tudo para ter uma piscina agora.
- Ah, piscina. – Gritei, assustando Alfred. – Na cobertura tem uma piscina! – falei dando um beijo na bochecha de Alfred. – Obrigada, Alfred! – Gritei para ele antes de entrar no elevador.
Piscina, como eu não tinha pensando nisso antes? , você é mesmo uma cabeça oca, pensei saindo do elevador e correndo em direção ao meu apartamento.
Fui até meu quarto, coloquei um biquíni e peguei uma toalha. Era fim de tarde e, provavelmente, o vizinho de Marcus não estaria por lá. Eu sabia seu nome agora, mas nada me impendia de mostrar o quanto eu ainda desprezava aquele homem. Mesmo já tendo visto o que ele tem de melhor – ou pelo menos o volume – ele ainda não tinha me impressionado. Ele não passava de um depravado sem coração para mim.
Saí do apartamento olhando para os dois lados do corredor e me certificando que o meu odioso vizinho não estivesse lá. Continuei meu caminho até a porta que levava ao terraço e quando a abri só pude escutar uma risada alta e fina habitar meus ouvidos. Isso só pode ser brincadeira, pensei, olhando para os dois que estavam na piscina com lábios vermelhos. Ei, espere um segundo, aquela não era a senhora Flores?
- , minha querida. – Ela falou, nadando até a borda. – Vejo que não resistiu ao calor e pensou em dar um mergulho!?
- Parece que não fui a única. – Falei cruzando os braços. – Eu volto outra hora.
- Que isso, . – Ela deu impulso para sair da piscina. – Eu que não deveria estar aqui. – Ela pegou uma toalha, se enrolando. - A piscina também é sua por direito, eu só vim bater um papo com enquanto nos refrescávamos.
- Se a senhora quiser pode ficar, eu vou usar a jacuzzi de qualquer forma. – Falei, começando a andar em direção à jacuzzi, que estava ao lado da piscina.
- Muito obrigada, querida, mas acho que já vou indo. Meu marido já deve ter chegado.
- Eu te acompanho, Marta. - já havia saído da piscina a essa hora e ficado ao lado da senhora Flores.
- Até mais, . – Ela falou acenando para mim enquanto abria a porta para ela.
- Até mais. – Eu disse colocando minha toalha ao lado da jacuzzi.
Entrei na água fria, dando um mergulho para molhar meus cabelos e refrescar minha cabeça. Encostei-me à parede da jacuzzi, me sentando para esticar minhas pernas e fechando os olhos, sentindo o cansaço de semanas de trabalho desaparecer. Eu finalmente teria paz. Sem Marcus e Sam gritando pela casa; sem enfermeira Johnson rabugenta; sem precisar sair à noite, pois, pelo o que me aparentava, o meu vizinho tinha procurado diversão em outra freguesia.
Apenas eu, meu sofá e uma coleção de filmes clássicos e românticos esperando para serem assistidos. Mas eu havia pedido paz muito cedo, pois logo senti a água se agitar e duas pernas se esticarem ao meu lado.
- Você sabia que existe uma piscina enorme aqui do lado, a qual você estava usando, e você poderia tê-la sozinha para você agora?
- Eu gosto de companhias. – Ele falou com um tom sarcástico.
- Você já se perguntou se eu quero sua companhia?
- As mulheres gostam da minha companhia.
- Eu percebi isso. – Abri os olhos, olhando para ele. – O que te faz pensar que eu quero tua companhia?
- Eu sei que você quer. – Ele se ajoelhou perto de mim.
- Não, eu não quero. – Falei apoiando minhas mãos na borda da jacuzzi, dando impulso para me levantar e sair dali.
- Você quer sim. – Ele segurou minhas pernas fazendo com que eu me sentasse na borda. Ele se ajoelhou em minha frente, ficando na altura do meu umbigo, fazendo-me olhar para baixo. – Eu ainda não lhe agradeci formalmente por ter me salvado naquele dia.
- Você não precisa. – Eu disse, apoiando minhas mãos no chão feito de madeira.
- Mas eu quero. – Ele colocou suas mãos em meus joelhos, os afastando, fazendo com que minhas pernas ficassem abertas.
- O que você está fazendo?
E, antes que eu pudesse tentar fechar minhas pernas, ele começara a dar beijos na parte interna de minha coxa, fazendo com que eu fechasse os olhos sentindo seus beijos quentes subirem por toda extensão dela. Fazia algum tempo que eu não ficava com um homem – necessariamente seis meses – então sentir os beijos de um em uma das partes mais sensíveis do meu corpo fez com a sensação aumentasse dez vezes mais. Suas mãos seguraram meus quadris, puxando-me mais para perto e apertando minha bunda. Sua boca se alternava em dar leves mordidas e beijos e quando ele chegou perto da minha intimidade, ele deu uma mordida de leve, puxando de dele e me fazendo suspirar alto.
- Então, você gostando da minha companhia? – Ele perguntou, fazendo com que eu olhasse para ele.
- Sim. – Eu sussurrei.
- Você quer que eu continue?
- Sim.
Ele sorriu maliciosamente enquanto suas mãos desceram meu biquíni e, à medida que o mesmo descia ele ia dando beijos por minha coxa, ele o jogou em algum lugar e antes mesmo que eu pudesse falar qualquer coisa, ele enterrou sua cabeça entre minhas pernas passando sua língua por minha intimidade, fazendo com que eu mordesse meu lábio.
Sua língua explorava cada centímetro da minha intimidade fazendo movimentos para cima e para baixo, parando algumas vezes para fazer movimentos de vai e vem na minha parte mais sensível, fazendo com que eu agarrasse em seus cabelos, puxando-os. Eu não sabia se o empurrava ou se o puxava mais para perto. O desejo havia tomado conta do meu corpo de uma forma que eu mesma não conhecia e a única coisa que eu sabia era que eu não queria que ele parasse.
Suas mãos seguraram em meus quadris novamente, fazendo com que eu fosse mais para perto dele e ele enterrasse sua cabeça mais ainda em minhas pernas. Sua língua me sugou mais fundo e minhas pernas abriram-se automaticamente mais e mais à medida que sua língua fazia movimentos de vai e vem em minha intimidade. Senti sua língua acelerar os movimentos enquanto suas mãos apertavam minha bunda, me empurrando para que sua língua fosse o mais fundo possível. Eu sentia todo o meu corpo relaxar, se entregando a uma das melhores sensações que um homem poderia dar a uma mulher. James nunca havia aceitado me tocar dessa maneira, ele dizia que mulheres deveriam dar prazer aos homens como foi desde o princípio. Eu nunca imaginaria que um homem poderia causar sensações extremas em uma mulher dessa maneira e, se soubesse, teria caído nos braços do primeiro que aceitasse me dar esse prazer.
E então, sem mais nem menos, sua língua abandonou minha intimidade fazendo com que eu abrisse os olhos, vendo-o se levantar e se inclinar em direção a mim. Uma de suas mãos passou por minha cintura fazendo com que nossos corpos se colassem e ele ficasse entre minhas pernas. Dando um sorriso malicioso, ele enterrou seu rosto na curva de meu pescoço e começou a dar leves mordidas. Eu podia sentir sua ereção latejar debaixo do short de tecido fino em contato com minha intimidade, fazendo com que eu cruzasse minhas pernas em sua cintura, puxando-o mais para perto. Ele então subiu uma de suas mãos pela parte interna da minha coxa, chegando até meu clitóris, massageando de leve e fazendo círculos.
Eu pude sentir que eu iria tocar o céu e que nunca, em minha vida, eu poderia ofegar tanto. O ar parecia me faltar toda vez que ele aumentava e diminuía os movimentos, enquanto eu soltava palavras obscenas em seu ouvido, palavras que eu jurei nunca nem ao menos pensar em dizer.
E, como em um passe de mágica, ele deslizou dois de seus dedos para dentro de minha intimidade, indo até o fundo, fazendo com que eu estremecesse da cabeça aos pés. Ele me penetrava sem pressa, fazendo com que gemidos de reprovação saíssem de minha boca. Comecei então a fazer movimentos para frente e para trás com meus quadris, fazendo seus dedos penetrarem mais fundo e mais rápido, fazendo gemidos saírem de minha garganta cada vez mais alto. Ele então aumentou a intensidade de seus movimentos acompanhando os movimentos de meus quadris, sussurrando palavras maliciosas em meu ouvido.
Sorri deixando que minha boca fosse levada até sua orelha, lambendo-a por inteiro, e levei então minha boca em direção ao seu pescoço, começando a dar mordidas enquanto sentia seus dedos fazerem movimentos circulares, diminuindo o ritmo. Sua boca desceu por todo o meu colo, chegando até meu biquíni, afastando-o com a mão livre, mostrando, assim, meu seio que estava excitado e se encontrava com o mamilo duro. Sua boca então começou a sugá-lo fazendo movimento circulares com a língua em volta do bico. Ele sugava meu seio enquanto me penetrava mais rápido, enquanto os gemidos começavam a ficar mais altos e mais intensos.
E então ele deu uma última sugada e uma mordida antes de descer sua boca por toda a minha barriga até chegar a minha intimidade, a qual seus dedos haviam acabado de abandonar. Suas mãos afastaram de novo minhas pernas deixando minha intimidade exposta outra vez e seguraram meu quadril enquanto sua língua tomava conta de novo de minha intimidade, fazendo movimentos circulares. Meu corpo todo se encontrava quente e eu podia sentir que meu ar faltava novamente, fazendo com que os gemidos que se formavam em minha garganta ficarem cada vez mais alto. E, quando eu menos esperei, eu senti todo o meu corpo relaxar de uma forma que nunca fez antes. Abri os olhos e o vi se levantando para ficar em minha altura, olhando em meus olhos. O que eu havia acabado de fazer?
E antes mesmo que ele pudesse pensar em fazer mais alguma coisa, minha mão voou na sua cara, acertando em cheio sua bochecha. Levantei-me depressa, me enrolando na toalha e saindo do terraço.
Entrei em meu apartamento ofegante, girando a chave na porta duas vezes para me certificar que eu estava bem segura. O que diabos acabou de acontecer?, pensei andando de um lado por outro. Eu só podia está ficando louca. Eu provavelmente tinha perdido toda a noção do que era certo e do que era errado para deixar com que ele fizesse isso comigo.
O telefone começou a tocar interrompendo meus pensamentos.
- O que é? – Falei logo quando atendi.
- Que isso, ? – Escutei a voz do Marcus do outro lado da linha. – O que aconteceu?
- Nada. Apenas o odioso do seu vizinho acabou de me dar um dos melhores orgasmos da minha vida só usando a língua, coisa que o James não sabia fazer nem usando o pênis. – Coloquei a mão na boca quando o escutei gritar do outro lado da linha.
- Eu não acredito. Você acabou de pegar meu vizinho que você odeia tanto?
- Tecnicamente, ele que me pegou.
- E pegou de jeito, pelo o que eu vi.
- Carência, Marcus, foi só carência. Não vai acontecer outra vez.
- .
- Eu tenho que ir, Marcus. Preciso tirar o cheiro desse homem odioso de mim. – Desliguei o telefone, jogando-o no sofá.
Isso nunca mais vai acontecer. É só carência. Isso vai passar. Isso não é bom para você, , você já se meteu com um desse e veja como você acabou, pensei andando em direção ao meu banheiro, desejando nunca ter tido a ideia de tomar banho de piscina.



Capítulo 3

- Eu já disse que está tudo bem, Marcus. – Falei, saindo do elevador. Marcus estava fora há três semanas agora, e todos os dias ele me ligava para saber das novidades e eu, como uma mera mortal de coração mole, acabei contando o que havia acontecido entre o e eu, nos mínimos detalhes. Marcus tinha ficado eufórico e ao mesmo tempo com inveja, pois ele sempre desejava que aceitasse sua proposta de fazer um ménage à trois com ele e Sam.
- Você o tem visto?
- Não. – Falei, parando em frente à minha porta. – E também não tenho escutado barulho das festas.
- Um sinal que você mexeu com ele.
- Marcus, eu só queria ser uma eterna romântica como você. – Falei colocando a chave na porta, girando-a. – Provavelmente eu fui só mais uma na longa lista dele.
- Ou você foi a última que será a única. Até os cafajestes tem coração.
- Pode até ser, mas isso não significa que vai ser comigo. Passou, Marcus, e não vai acontecer de novo.
- Nunca diga nunca. Agora, deixa eu ir que Sam está me chamando.
- Aproveite suas férias e não precisa se preocupar comigo.
- Mas é claro que não, meu vizinho gostosão está aí para cuidar de você.
- Tchau, Marcus. – Falei abrindo a porta de casa.
- Tchau, minha pegadora de vizinho gostosão. – Ele desligou o telefone na minha cara sem me dar o direito de resposta.
- Eu vou te matar, ! - Escutei um grito ecoar pela escada de emergência fazendo com que eu parasse na porta. – Não vai sobrar nem um pedacinho para contar a história. – Olhei para o lado, vendo a porta do elevador se abrir e um ofegante sair de lá correndo em minha direção. – Espero que esteja pronto, porque eu não terei perdão. – E antes que eu pudesse falar alguma coisa, me pegou pela cintura, me empurrando pela porta aberta para dentro de casa e rolou comigo para o lado, me prensando contra a parede, fechando a porta ao seu lado e passando a chave.
- Mas o que... – ele colocou o dedo em meus lábios recuperando o fôlego.
- O marido da senhora Flores está atrás de mim. – Ele falou.
- Bem feito, quem manda se meter com a mulher dos outros. – Interrompi-o.
- O quê? Você acha que eu fiquei com uma mulher casada?
- Não sei, mulher faz seu tipo, principalmente se ela der em cima de você.
- Ela que me agarrou. Ela vem dando em cima de mim faz algum tempo, e como naquele dia o sol estava muito quente, eu decidi tomar um banho de piscina e foi aí que ela apareceu. Ela me beijou a força e quando ela estava pronta pra dar o bote outra vez você apareceu.
- Abre essa porta, . Venha resolver isso como homens. – Peter Flores batia freneticamente na porta do apartamento da frente.
- Se você me tirar dessa, eu prometo que lhe recompenso.
- O que te faz pensar que eu te ajudaria?
- Eu sou muito bom quando se trata de agradecimento. Você sabe disso. - Ele falou sorrindo malicioso fazendo um arrepio passar por meu corpo. Empurrei-o para a parede, ficando de frente para ele.
- Fica aqui. – Falei apontando o dedo em sua cara. – Eu resolvo isso. – Abri a porta do apartamento, fechando-a atrás de mim assim que saí. – Senhor Flores, o que aconteceu?
- aconteceu. - Ele falou virando-se para mim. Senhor Flores era um homem alto que havia entregado sua vida à bebida. Muitas vezes podíamos vê-lo bebendo no bar da esquina. E, mais do que qualquer coisa, sua barriga de cerveja não engana ninguém.
- O que ele fez agora?
- Ele tomou banho de piscina com minha mulher.
- O quê? – Falei incrédula. As aulas de teatro no colegial serviram para alguma coisa. – Quando foi isso?
- Segunda-feira.
- Ah, senhor, isso é impossível.
- Mas é claro que não. Eu vi o biquíni da minha mulher na roupa suja. Ela sempre guardava aquele biquíni para o dia que fosse tomar banho na famosa piscina da cobertura onde o senhor mora.
- Oh, senhor Flores, o senhor está se esquecendo de alguma coisa.
- Estou? Do quê? A senhorita viu alguma coisa?
- Oh, mas é claro que não. – Falei olhando para ele – O senhor esqueceu que eu também moro nessa cobertura? Eu e Marcus moramos.
- E daí?
- E daí que, como todo condomínio, nós temos regras.
- É mesmo? – Ele cruzou os braços. Ele estava desconfiando que eu estava mentindo. – E quais são essas regras?
- Bem, uma delas é o dia da piscina.
- O dia da piscina?
- É. Nós dividimos os dias da semana que cada um fica com a piscina. Eu fiquei com segundas, quartas e sextas e o com terças, quintas e sábados.
- E no domingo?
- Nós nos alternamos. – Respirei fundo. – Está vendo, senhor Flores, tudo não passou de um mal entendido.
- Hum, sei. Mas eu ainda quero falar com o .
- Isso seria impossível, senhor. – Alfred, o porteiro, interrompeu nossa conversa. Ele sabia de tudo que acontecia nesse prédio, principalmente com seu morador mais famoso. Ele sabia que eu estava mentindo para proteger o , mas em seu olhar eu podia ver que ele não entendia o porquê de eu estar fazendo isso. E, bem, eu também não entendia. – O senhor viajou.
- Viajou? – O senhor Flores e eu perguntamos ao mesmo tempo.
- Ah, agora eu me lembrei. – falei batendo com a mão na minha cabeça. – É verdade. viajou com os amigos para Las Vegas para passar alguns dias lá.
- Ah, então, eu resolvo quando ele voltar. – Ele começou a andar em direção ao elevador. - Vejo você na portaria, Alfred.
- Até mais, senhor Flores. – O mais velho entrou no elevador fazendo com que Alfred e eu respirássemos aliviados.
- Onde ele está? – Alfred perguntou.
- Estou aqui, Alfred. – saiu de meu apartamento com um sorriso no rosto. – Obrigado por salvar minha pele.
- Eu é que agradeço, . Desde que o senhor chegou aqui, a diversão rola solta por esse prédio.
- E a depravação também, não se esqueça. – Ironizei, olhando para – Pronto então. Você agora pode ir para o seu apartamento fazer o que faz de melhor.
- E o que seria isso?
- Ser um riquinho mimado que não faz absolutamente nada da vida e promove festas e orgias.
- Pelo jeito você vem me observando há algum tempo.
- Quase impossível de ignorar com aquela música alta de mau gosto e as garotas saindo do seu apartamento vestindo as roupas pelo meio do caminho.
- Ele não pode voltar pro seu apartamento. – Alfred me interrompeu. – Você não vê que o senhor Flores vai voltar aqui a qualquer momento? Ele sabe que estamos mentindo.
- Isso já não é problema meu. – Falei andando em direção ao meu apartamento. – Boa sorte para vocês que ficaram tentando dar a voltar no senhor Flores, pelo que me lembro bem ele tem uma arma em casa.
- Você deveria ficar no apartamento da senhorita . - Alfred disse.
- O quê? – Falamos os dois ao mesmo tempo.
- Isso é absolutamente impossível. Eu não moro sozinha.
- Mas o senhor Marcus não está aqui e eu garanto que ele não iria se importar em ter em sua casa.
- Por que ele não pode ficar na sua casa?
- Porque o senhor Flores faz muitas visitas ao meu apartamento atrás de ferramentas para consertar aquela velha moto dele que nunca vai funcionar. – Ele explicou. – Senhorita , são apenas alguns dias. E se o senhor Flores souber que eu menti, ele vai contar para o comitê do prédio e eu provavelmente perderei meu emprego. – Ele falou cabisbaixo.
- Está bem. O pode ficar na minha casa.
- Obrigado, senhorita .
- De nada, Alfred. Eu não quero que você perca o seu emprego só porque o aqui não consegue se controlar ao ver uma saia.
- Eu já disse que ela que me atacou.
- E como você é a pessoa mais sincera do mundo, eu devo acreditar.
- Eu vou voltar para a portaria. – Alfred falou, entrando no elevador.
- Tchau, Alfred. – Acenei antes de entrar em casa, sendo seguida por . – Você pode dormir no sofá, ele foi feito para isso. Eu vou trazer alguns lençóis e um travesseiro pra você. – Falei começando a andar em direção ao corredor. segurou em meu braço me virando para ele, fazendo nossos corpos se colarem. Sua mão livre passou por minha cintura me puxando mais para perto enquanto sua boca se direcionou até meu pescoço. – . – Sussurrei sentindo sua língua passar em meu pescoço.
- Ah, , deixa eu te recompensar. – Ele sussurrou em meu ouvido antes de voltar a beijar meu pescoço.
Fechei os olhos, segurando em seus cabelos e sentindo sua boca passear por meu pescoço e um calor tomar contar de meu corpo. Algo dentro de mim me deixava fraca e com pernas bambas quando o assunto era , ele tinha algo que me deixava com uma súbita vontade de arrancar todas as suas roupas e fazer sexo até que nossos corpos não aguentassem mais. Ele despertava os desejos mais obscuros, que nem eu mesma sabia que existiam; ele fazia com que o tesão falasse mais alto e eu me pegava imaginando como seria pelo menos uma noite inteira com ele onde a última coisa que a gente faria era dormir.
Ele fazia eu me perguntar por que em todos esses anos eu não havia sentindo uma sensação tão boa. E por que diabos eu não sentia essas sensações com James?
Talvez eu não gostasse tanto assim de James, pensei abrindo os olhos e empurrando .
- , para! – Falei, levantando a cabeça e olhando para ele. – Você não pode fazer isso.
- Claro que posso, lembra aquele dia na piscina? – Ele deu um sorriso de lado e começou a andar em minha direção. – E eu sei que você gostou.
- , não. – Falei, colocando as mãos na frente do seu corpo, o impedindo de continuar. – , você não pode sair por aí fazendo aquele tipo de coisa com as mulheres.
- Mas você estava gostando. O que há de mal em agradecer as pessoas?
- Em agradecer não há nada de mal, é para isso que “obrigado” serve. Pessoas normais fazem isso, elas falam “obrigado”, dão um sorriso e vão embora, ou conversam por mais ou menos três encontros para depois fazerem aquilo.
- Então quer dizer que se eu te levar em três encontros eu posso fazer coisas como aquele dia na piscina?
– Boa noite, . – Falei, girando meus calcanhares em direção ao corredor. Eu me esqueci de algo, pensei, voltando até , que estava que estava com um sorriso no rosto. Levei minha mão com força ao seu rosto, acertando sua bochecha. – Agora sim, boa noite. – Falei, voltando até o corredor, podendo escutar ele gritar: Boa noite, !


Capítulo 4

- , acorda. – Alguém me balançava. – , acorda.
- Vai para o inferno. – Falei, colocando o travesseiro em meu rosto.
- , a casa está pegando fogo. Acorda. – Abri os olhos rapidamente e me sentei na cama. estava sentado ao meu lado gargalhando alto enquanto olhava pra mim. – Sua cara foi hilária. – Olhei para ele, incrédula, dando um soco em seu ombro. – Ouch! Precisava ser tão forte?
- Precisava sim, . – Olhei para o meu despertador ao lado da cama, que marcava oito e meia. – Que tipo de brincadeira é essa? Por que você me acordou a essa hora? Você tem noção do quanto eu esperei para poder acordar tarde? Eu vou te matar, . – Falei, ficando ajoelhada na cama e começando a dar socos em seu braço. Inclinei-me para cima dele dando socos por todo seu peitoral nu.
Eu não tinha percebido logo de primeira, mas estava sem blusa, usando apenas a boxer de ontem.
Não que eu quisesse ter visto – o que obviamente eu não queria –, mas o que eu podia fazer se eu tinha ido buscar um copo d’água na cozinha e por acaso estava tirando a blusa e mostrando aquelas costas perfeitamente definidas e musculosas e, depois, tirando as calças e ficando apenas de boxer em um segundo? Que mulher resistiria a um homem extremamente charmoso ficando com pouquíssimas roupas em sua sala de estar? Eu sei, o não era o homem que todas as mulheres desejavam para passar pelo resto da vida, mas nada evitava o fato de que quando seus pais o estavam fazendo, fizeram com muito amor. Eu já havia visto homens bonitos, mas superava qualquer um deles com aquele corpo de deus grego e aquele olhar penetrante que parecia descobrir os seus segredos mais obscuros.
Falando em olhos, os seus poderiam atrair qualquer mulher para sua rede de conquista e, por um instante, eu até pude entender porque as mulheres se jogavam pra cima dele. Não era apenas o corpo que fazia dele um objeto de desejo, eram seus olhos também. E eu podia jurar que todas as vezes que ele olhava em meus olhos, todo o meu corpo entrava em colapso e eu logo estava boba, sorrindo para ele. Eu me jogaria em cima dele com toda a certeza, pensei, balançando a cabeça.
- Isso dói, . – Ele falou segurando meus pulsos, fazendo com que eu o olhasse em seus olhos.
- Espere até eu usar o abajur que está na sala. – Falei entre os dentes.
- Que mulher marrenta.
- Seu... – Antes que eu pudesse terminar a frase, se levantou, ficando em minha frente na cama e ainda me segurando pelos pulsos e fazendo com que eu ficasse em pé. – O que você está fazendo?
- Tentando dizer obrigado. – Ele se aproximou de mim, ficando a altura da minha barriga, fazendo com que eu sentisse sua respiração perto de meu umbigo. Prendi minha respiração enquanto sentia todos os pelos do meu corpo se arrepiarem, já imaginando o que viria pela frente, mas antes que eu pudesse sentir sua língua fazer as mesmas maravilhas que aconteceram na jacuzzi, seus braços rodearam meus joelhos, me colocando em seus ombros e fazendo com que meu rosto encontrasse com suas costas.
- O que você está fazendo? Me coloca no chão! – Falei, dando socos nas suas costas. – , quando eu descer daqui, eu vou arrebentar a sua cara.
- Eu quero ver você tentar. – Ele riu enquanto me carregava pelo corredor.
- Eu estou começando a me arrepender de ter te ajudado! Por que diabos eu decidi escutar Alfred?
- Porque você não queria que Alfred perdesse o emprego dele.
- Ou eu poderia só deixar o senhor Flores te pegar, o comitê do condomínio iria ver que era melhor que você fosse expulso do prédio e eu não teria que sair todas as sextas porque você não consegue controlar o seu pinto.
- Sabia que moças não deveriam ter um vocabulário de baixo calão? – Ele falou, parando em frente à mesa da cozinha.
- Agora você quer se fazer de cavalheiro? – Dei um sorriso sarcástico.
- Eu sou um cavalheiro. – Ele me colocou no chão fazendo com que eu ficasse em sua frente. Cruzei os braços olhando para cima, era muito mais alto que eu e bem mais forte, ele poderia me agarrar e fazer coisas bem piores do que fez comigo dias atrás... O que não seria má ideia, pensei.
- Oh, mas é claro que é. – Falei, libertando-me dos meus pensamentos e me virando para trás. Meus olhos percorreram toda a mesa da cozinha, eu estava abismada. – O que é isso? – Perguntei, olhando para ele. Havia uma variedade de comidas em cima da mesa, havia pedaços de bolos, sanduíches, sucos, frutas e outras coisas que eu não consegui analisar no momento. O meu café da manhã não passava de um pão com alguma coisa ou um pacote de bolachas, o que estava em cima da mesa estava mais para um café da manhã de hotel. – Como você fez isso?
- Eu sou chef de cozinha. – Ele andou até a mesa e pegou algumas vasilhas onde tinham sanduíches, pedaços de bolos e frutas, diminuindo o número de comida que tinha na mesa.
- Chef de cozinha? Desde quando?
- Eu sempre fui apaixonado por cozinhar, eu fiz faculdade de Gastronomia e costumava trabalhar em um restaurante.
- E não trabalha mais?
- Não, faz um bom tempo que eu não entro em uma cozinha. – Ele riu pelo nariz. – Enfim, eu só achei outra maneira de dizer obrigado pelo o que você fez. – A campainha tocou. – Deixa que eu atendo. – Ele falou, andando em direção à porta, abrindo-a.
- Bom dia, senhor . – Alfred falou, entrando em meu apartamento. – Bom dia, senhorita .
- Bom dia, Alfred. – Falei, acenando para ele.
- Está tudo aqui, Alfred, espero que eles gostem. – Ele entregou as vasilhas para Alfred, que deu um breve aceno antes de sair pela porta do apartamento.
- Por que você deu aquelas vasilhas para o Alfred?
- Ah, você sabe. – Ele passou a mão pelos cabelos e eu pude jurar que ele estava envergonhado.
- Você está com vergonha? – Perguntei, sorrindo. – Marcus não vai acreditar quando eu disser isso para ele.
- Eu faço lanches para as crianças do bairro de Alfred. – Ele ignorou meu comentário. – Alguns dos pais delas não têm como pagar por seus lanches, então eu faço.
- Você? – Apontei para ele. – Fazendo lanchinho para crianças? – Peguei um prato em cima da mesa colocando alguns sanduíches. – Mãe de quem você está pegando para fazer isso? – Falei, colocando café em uma xícara. Peguei o prato e a xícara e fui em direção ao sofá, me jogando por lá mesmo. Liguei a televisão comendo o primeiro sanduíche.
- O que te faz pensar que eu estou dormindo com alguma mãe pra poder fazer isso? – Ele se sentou ao meu lado no sofá. – Eu posso ser um mulherengo, mas mulher casada não é comigo, principalmente se ela tiver crianças e especialmente se elas são pequenas. Por que você nunca confia em mim?
Olhei para ele.
- Por que eu deveria acreditar em você?
- Você sempre julga as pessoas sem nem ao menos conhecê-las?
- Não. Eu julgo pessoas que não fazem nada da vida e tiram o meu sono porque suas vidas são tão vazias que pensam que bebidas e garotas é a melhor forma de preenchê-lo.
- Desculpe por isso, mas isso também é sua culpa.
- Minha culpa? – Olhei incrédula para ele.
- É sim. Se você tivesse falado que as festas lhe incomodavam, eu...
- Iria parar? – Completei.
- Iria pensar sobre o assunto. – Rolei os olhos. – Eu iria pensar com carinho, se serve de consolo.
- Por que você não vai viver em uma casa nas montanhas? – Ele olhou para mim, cruzando os braços e jogando a cabeça para trás, soltando uma gargalhada e fazendo com que eu sorrisse também. Controle-se, . Sem mais cafajestes na sua vida, pensei antes de continuar: – Eu estou falando sério, . Seria perfeito. Você poderia dar as festas que você quisesse, trazer as garotas que você quisesse e deixaria todos os moradores daqui felizes.
- Você é sempre tão chata assim?
- Eu sou adorável, você é o inconveniente aqui.
- O que eu fiz pra você não gosta de mim tanto assim?
- Eu só não gosto de você por perto, só isso. – Respondi, virando-me para a televisão novamente.
- Eu sou tão repugnante assim? – Olhei para ele. – Ou é por que eu faço você se sentir diferente? – Ele aproximou o rosto do meu, inclinando seu corpo para frente. – Vamos lá, eu sei que você sente algo diferente por mim. – Ele falou, colocando uma de suas mãos em minha cintura. Prendi minha respiração tentando não me deixar afetar por ele, enquanto seus lábios mexiam lentamente. Como seria bom se eu pudesse mordê-los nem que fosse por um segundo, pensei balançando a cabeça. Oh, o que diabos está acontecendo comigo? – Eu sei o efeito que eu causo nas mulheres, você não é tão diferente. – Ele colocou uma de suas mãos em meu rosto, aproximando seus lábios dos meus. – Por que você não admite que me quer o tanto que eu lhe quero?
Olhei para seus olhos e eles brilhavam como eu nunca tinha visto antes, nem mesmo quando ele estava levando aquelas garotas para o seu apartamento. Era algo diferente, algo que eu me negava a aceitar.
- Nem todo mundo quer dormir com você, algumas pessoas só querem ser suas amigas.
- Quem te disse que eu te quero como amiga? – Ele disse dando um sorriso. Eu estava pronta para dar uma tapa em sua cara quando o interfone tocou, fazendo com que eu me levantasse o mais rápido possível do sofá e fosse atendê-lo – Alô? – Falei com a voz meio rouca.
- Senhorita , James acabou de subir. – Alfred falou do outro lado.
- O QUÊ? – Gritei, sentindo toda a raiva ferver por entre minhas veias. – O que esse filho da puta está fazendo aqui? Como isso aconteceu?
- Eu deixei o faxineiro aqui enquanto eu ia ao banheiro e James se aproveitou disso. Você quer que eu chame a segurança?
- Não, eu mesma vou expulsar ele daqui e dessa vez vai ser para sempre. – Joguei o interfone no canto e bufei com raiva. – Idiota, eu vou... – Virei para o lado e vi me olhando assustado. – Perdeu alguma coisa, ? – Escutei a campainha tocar, fazendo com que eu revirasse os olhos.
- , abre a porta, meu amor. – James falou do outro lado da porta.
- Você tem um namorado? – perguntou, levantando-se.
- Eu... – Fui interrompida por James abrindo a porta do meu apartamento. Ele sabia que a primeira coisa que eu fazia pela manhã era abrir a porta do apartamento para ir à portaria conversar com Alfred.
- , meu amor, você não acha que deveria fechar a porta? – Ele disse, entrando em meu apartamento e fechando a porta pela qual havia acabado de passar.
- E você não acha que deveria me deixar em paz?
- Meu amor, eu já não lhe expliquei que aquilo que você viu não foi importante? Aquilo que aconteceu com Stacie não foi nada importante, não é ela que eu amo, é você.
- E eu pensei que eu era um idiota. – se pronunciou pela primeira vez, fazendo com que nós virássemos para ele.
- Você me chamou de quê?
- Idiota. – respondeu, cruzando os braços. – Você quer que eu soletre?
- E você pensa que é quem para me chamar de idiota?
- Eu sou o viz...
- Meu novo namorado. – Falei, interrompendo
- O quê? – Os dois gritaram olhando para mim.
- Meu namorado. é meu... – Respirei fundo. – Namorado. – Completei, andando em direção a ele e parando ao seu lado. Passei um de meus braços pela cintura de , abraçando-o de lado.
- Mas nós terminamos um dia desses.
- Nós terminamos há seis meses, James.
- Você precisava de, pelo menos, um ano pra se recuperar do nosso término, é sempre assim.
- Desculpe, amigo. – começou, passando o braço por meus ombros. – não é que nem as outras. O erro foi seu em deixá-la escapar.
- É impossível. – James começou a andar de um lado para o outro. – Você estava devastada quando terminamos, você ainda gostava de mim.
- Isso mudou quando ela me conheceu, acho que você não é tão inesquecível assim. – falou com um sorriso no rosto. – Bem... – Ele se separou de mim, andando até James parando em sua frente. – Acho que você deveria ir agora. Você interrompeu um momento muito importante, se é que você me entende. – cruzou os braços, olhando para James com um sorriso de lado.
Olhei para James, que me olhava incrédulo, e subitamente uma vontade de rir tomou conta de mim.
James – de certa forma – estava certo. Se ele houvesse me procurado há alguns meses atrás eu, provavelmente, estaria sentada no sofá chorando enquanto assistia Titanic pela décima vez no mesmo dia, mas algo havia mudado dentro de mim desde que eu tinha me mudado para a casa de Marcus. Algo que eu me negava a aceitar.
olhou para mim, deu um sorriso de lado e uma piscadela, fazendo com que eu sorrisse para ele, mas logo o meu sorriso se transformou em uma cara assustada quando o punho de James foi com tudo em direção ao rosto de .
- James! – Gritei, incrédula, andando em direção a , que massageava o local que James tinha acabado de acertar. – Você perdeu a cabeça? – Falei, levantando o rosto de entre minhas mãos vendo o que estrago que James tinha acabado de fazer. – Está vendo o que você fez?
- Ele desrespeitou você, .
- Não, James, você me desrespeitou no dia em que me traiu com outra na minha própria cama. – Falei, olhando para ele. – Eu quero que você saia da minha casa e faça o favor de nunca mais voltar. – Andei até a porta e a abri. – Você pode viver sua vida sem mim a partir de agora.
Ele andou até a porta e parou em minha frente.
- ... – Ele chamou baixinho.
- Nem tente, James. – Olhei para ele. – Acabou.
- Na verdade... – falou, fazendo com que olhássemos para ele. – Não acabou ainda. – E, com um movimento rápido, pegou James pelo colarinho arrastando-o para fora do meu apartamento, dando um soco em seu rosto em seguida. – Agora sim acabou. – entrou de volta em meu apartamento, fechando a porta com força. Olhei incrédula para ele, que andou em direção à cozinha. – Você namorava esse cara? – Ele perguntou, parando em frente à geladeira, abrindo-a. – Sério, ? – Ele virou o rosto para mim antes de meter a cabeça dentro da geladeira e tirar uma cerveja de lá. – E depois você sai por ai criticando o que eu faço.
- Você é igual a ele, nem tente argumentar.
- Não, eu não sou igual a ele. Eu não sou nada parecido com ele. – Ele falou, colocando a cerveja em seu rosto.
- Os dois são mulherengos do mesmo jeito.
- Não, , o seu namorado é um verdadeiro idiota. – Ele parou em minha frente. – Se eu namorasse alguém, eu não trairia. Qual é o ponto de ter um relacionamento se você vai trair? Nenhum!
- Isso não muda o fato de que você sai por aí transando com qualquer uma.
- Eu saio por aí “transando” com “qualquer uma” porque eu sou solteiro, é isso que todos os solteiros fazem. E não são só homens, mas mulheres também. E eu posso até ficar com qualquer uma, mas, pelo menos, eu sei os valores de um relacionamento. – Ele abriu a cerveja e tomou um gole andando até o sofá. Virei meu rosto para ele e o vi colocando as calças.
- Aonde você vai? – Perguntei, vendo abotoar os botões.
- Vou fazer aquilo que eu sei fazer de melhor. – Ele calçou os tênis. – O que foi mesmo que você disse que era? – Ele andou até a porta do meu apartamento. – Ah, lembrei. Ser um riquinho mimado que não faz absolutamente nada da vida e que promove festas e orgias. Foi isso, não foi? – Ele completou, abrindo a porta.
- ... – Tentei falar, mas ele já tinha batido a porta do apartamento.

Capítulo 5

Já passava da meia-noite e ainda não havia chegado. Provavelmente, deve estar com alguma garota sortuda por aí, enquanto eu estou aqui pensando em quanto queria que a garota fosse eu, pensei, pegando um punhado de pipoca e colocando na boca. Desde que tinha saído pela porta – às nove da manhã – eu estava sentada nesse sofá, com uma bacia de pipoca no colo e uma garrafa de Coca-Cola do meu lado, tendo apenas uma única pausa para tomar um banho e colocar o meu pijama mais velho dentro do guarda-roupa. A minha coleção de filmes clássicos e românticos com um punhado de tragédia estava vindo a calhar naquele dia. Eu não entendia porque eu estava agindo dessa maneira, a única coisa que eu sabia é que Titanic nunca havia sido um filme tão triste quanto hoje.
Valores de um relacionamento. Essa frase se repetia na minha cabeça desde que ele havia saído daquela porta me odiando. Valores de um relacionamento, como alguém poderia falar sobre valores de um relacionamento quando, provavelmente, nunca esteve em um? Tudo bem, James não era a pessoa mais fiel desse mundo e eu sabia disso quando comecei a sair com ele, mas que culpa tinha eu se não conseguia me esquivar daquele papinho de cafajeste que ele tinha? Relacionamentos nunca são perfeitos e, mesmo antes de começar a namorar James, eu me certifiquei de conhecê-lo melhor primeiro exatamente por conta da sua fama de cafajeste. Foram meses de conversa, muitos encontros e James me tratava como uma rainha. Por um momento eu havia pensando que James tinha mudado, principalmente quando ele começou a falar sobre casamentos e filhos e logo depois nós estávamos morando juntos. Aparentemente, as aparências enganam.
Voltei minha atenção para a televisão deixando todos os pensamentos de lado. Eu estava assistindo Titanic pela décima vez naquele dia e caía bem na parte onde Rose estava em cima do pedaço de madeira junto com Jack, o que me fazia pensar por que essa vadia não tinha dado espaço para ele ao lado dela.
- Rose, tinha espaço para ele! – Joguei a bacia de pipoca na televisão.
- Eu concordo. – Dei um pulo do sofá quando escutei a voz de ecoar pela sala. Virei meu rosto para a porta enquanto ele a fechava.
- O que você está fazendo aqui?
- Você se esqueceu de que eu estou ficando aqui até o senhor Flores esquecer do ocorrido da piscina? – Ele falou, trancando a porta do apartamento.
- Pensei que você não ia mais voltar, que você estava muito ocupado com suas ami...– Ele cruzou os braços, me reprovando com o olhar. – Seus amigos.
- A maioria deles está fora da cidade. – Ele disse andando em direção ao sofá. – A maioria deles deve estar em Las Vegas se divertindo enquanto eu estou aqui com você. – Ele se sentou ao meu lado. – Triste fim esse meu.
- E o que você quer dizer com isso?
- Deve ser difícil para você ter que conviver comigo.
- E por que isso? – Cruzei os braços olhando para ele.
- Cafajestes, , você deixou bem claro que os odeia.
- E você deixou bem claro que não é que nem James. – Respondi, ajoelhando-me no sofá, ficando ao lado dele de modo que ele apenas virasse o rosto para me olhar. – E por isso eu te devo desculpas, não é porque James foi um completo idiota sem coração que todos os homens da face da terra também serão. E você tinha toda a razão, você é solteiro, tem direito de ficar com todas as garotas do mundo se quiser, e eu não estou em posição de julgá-lo. A vida é sua, no final das contas, e você faz dela o que quiser. – Terminei de falar vendo o seu olhar surpreso em minha direção. – Desculpe por ter falado todas aquelas coisas horríveis para você sem nem ao menos lhe conhecer. – Ele olhou para frente com o olhar fixo para a televisão.
- Você estava certa. – Ele disse.
- Estava? – Perguntei, surpresa.
- É. Quando você disse que minha vida era vazia e a melhor maneira de preencher esse vazio é com bebidas e garotas. – Ele sorriu sem humor. – Eu fiz algo ruim, muito ruim, e isso deixou um vazio dentro de mim que eu achava que era preenchido quando eu estava por aí com meus amigos.
- Nunca é tarde pra reparar um erro, . – Falei, vendo-o virar o rosto na minha direção com um sorriso. – O quê?
- Você nunca me chamou de .
- É o primeiro passo para uma convivência amigável entre nós dois. Não pense que eu esqueci, você ainda tirou várias das minhas noites de sono, . – Falei, vendo-o sorrir. Ele se ajeitou no sofá, sentando com a coluna reta agora e deixando um de braços pousar no encosto do sofá próximo a mim. Senti sua mão deslizar levemente por meu braço.
- Tem algo sobre você, marrentinha, que não me deixa ficar com raiva de você nem quando você está me xingando.
- Eu gosto de pensar que é a minha carinha de anjo, não tem como não gostar de um rostinho lindo desses.
- Não, não. Tem algo em você, algo que eu realmente não consigo saber o que é, eu só sei que eu gosto. E muito. – Ele começou a se aproximar de mim. – Talvez seja o jeito que você não tem medo de me colocar no meu lugar e, pode acreditar, é algo que eu procuro a minha vida inteira, mas que ninguém nunca fez. E, Deus, eu só penso em te beijar o tempo inteiro. Eu quero muito te beijar, , eu posso? – Logo depois que eu assenti a cabeça, um de seus braços rodeou minha cintura me puxando para perto, fazendo com que eu caísse, com uma perna de cada lado, em seu colo.
Senti sua respiração em meu rosto enquanto nossos narizes se tocavam levemente fazendo com que eu fechasse os olhos e logo em seguida sentisse seus lábios chocarem-se nos meus. Segurei seu rosto entre minhas mãos enquanto sentia seu outro braço rodear minha cintura, me puxando para perto enquanto sua língua pedia passagem para invadir a minha boca. E quando elas se tocaram, eu pude jurar que uma corrente elétrica havia percorrido desde o dedão do meu pé até o último fio de cabelo, fazendo todos os pelos do meu corpo levantarem automaticamente. Meu corpo todo tinha estado em frenesi e quando pensei que eu não poderia provar algo tão delicioso quanto aquele dia na jacuzzi, me beijava com seus lábios carnudos com gosto de mel. Agora eu entendo porque sua cama nunca fica vaga, pensei levando uma de minhas mãos até a sua nuca e puxando os cabelos que lá tinha.
desceu suas mãos até minhas coxas, apertando-as e dando um sorriso entre o nosso beijo, fazendo com que eu sorrisse também. Antes que eu pudesse reagir, se levantou do sofá segurando minhas pernas, fazendo com que eu soltasse um grito e me agarrasse em seu pescoço. Soltei uma gargalhada gostosa sentindo a boca de descer por meu pescoço deixando um rastro de mordidas até chegar em meu ombro, dando uma mordida forte para finalizar. Isso era algo que definitivamente eu não iria me arrepender, pois mesmo sem querer admitir, despertava em mim os desejos mais obscuros que apenas minha mente e coração sabiam que eu tinha.
Olhei em seus olhos com um sorriso no rosto antes de juntar nossos lábios mais uma vez. Senti minhas costas baterem em uma superfície dura e uma de suas mãos abandonar minha perna, fazendo com que eu perdesse o equilíbrio e caísse em pé. Coloquei minha mão na maçaneta da porta, abrindo-a e puxando para dentro pelo colarinho. Escutei soltar uma gargalhada enquanto eu o puxava e o jogava na cama sentado.
Sentei-me em seu colo colocando uma perna de cada lado do seu quadril. Segurei a barra da sua camisa e a puxei-a para cima, jogando-a em algum lugar do quarto; levei minha boca até seu pescoço começando a depositar beijos por toda a região. Suas mãos levantaram minha camisa para cima fazendo com que nos separássemos por instantes, e essas mesmas mãos apertaram minhas coxas antes de ele me jogar na cama e ficar em cima de mim, entre minhas pernas. Seus lábios começaram a beijar toda a região do meu colo enquanto suas mãos tiravam o meu sutiã jogando-o para longe, depois traçando um caminho por toda a região da minha barriga chegando até meu short, fazendo-o descer por entre minhas pernas. Sua boca fez o mesmo caminho daquele dia na jacuzzi, onde seus beijos subiram pela parte interna de minha coxa até chegarem a minha intimidade. Ele tirou minha calcinha lentamente e suas mãos afastaram minhas pernas, e antes que eu pudesse falar alguma coisa sua cabeça se enterrou entre minhas pernas e sua língua brincou com minha intimidade. Arqueei o corpo na cama e agarrei seus cabelos quando senti sua língua penetrar minha intimidade de uma forma em que eu nunca poderia ter imaginado que faria de novo.
Senti suas mãos segurarem minha bunda ao mesmo tempo em que sua língua se movia explorando cada canto da minha intimidade, fazendo com que gemidos roucos saíssem da minha garganta. Fechei os olhos sentindo todo o meu corpo queimar como um fogo ardente que nunca iria se apagar. sabia o que fazia e, principalmente, sabia como levar uma garota à loucura sem nem ao menos usar o seu melhor instrumento.
No segundo seguinte, sua boca abandonou minha intimidade subindo os beijos por minha barriga até chegar em meu seio, sugando-o por inteiro, e então, seus dedos deslizaram por minha intimidade até o fundo, fazendo com que um gemido rouco saísse de minha garganta. Seus movimentos eram devagar, fazendo com que aquilo se transformasse em praticamente uma tortura, mas aí, como se lesse meus pensamentos, ele aumentou os movimentos de seus dedos indo até o fundo e tirando-os por inteiro, fazendo com que gemidos cada vez mais altos saíssem de minha garganta. Segurei em seus cabelos puxando sua cabeça para cima, fazendo sua boca abandonar meu peito e habitar meus lábios; passei minha língua por entre seus lábios fazendo com que ele abrisse os mesmos, deixando minha língua explorar sua boca do mesmo jeito que a sua havia feito com a minha. Os movimentos de seus dedos foram se intensificando a medida que nosso beijo se tornava mais quente, fazendo com que eu cravasse minhas unhas em seus ombros e um gemido saísse de seus lábios.
então separou nossos lábios e foi travando o mesmo caminho até chegar em minha intimidade, suas mãos apertaram minha bunda fazendo com que sua cabeça se enterrasse em minha intimidade outra vez. Senti sua língua habitar o local, sugando-a com mais rapidez e fazendo com que os gemidos ficassem cada vez mais altos. Meu corpo estava quente e minhas mãos conseguiram apenas agarrar os lençóis antes de um último gemido de alívio sair da minha garganta e um sorriso formar-se em meus lábios.
Senti sua boca fazer o mesmo percurso de volta até meus lábios, fazendo com que eu abrisse os olhos e encarasse aqueles adoráveis globos esverdeados. Sorri antes de juntar nossos lábios mais uma vez, sentindo todo o seu corpo cair sobre o meu e seu membro rígido debaixo da calça entrar em contado com minha intimidade. Desci uma de minhas mãos por seu peitoral passando por seu abdômen, dando um leve arranhão antes de chegar ao cós da sua calça e desabotoar o botão. Desci o zíper lentamente e, antes que ele pudesse perceber, coloquei minha mão dentro da sua boxer segurando seu membro. Senti-o gemer entre os meus lábios e então, sorrindo entre o beijo, comecei a fazer movimentos para cima e para baixo. separou nossos lábios, fechando os olhos lentamente enquanto eu aumentava os movimentos da minha mão em seu membro, eu podia ver o prazer em seu rosto e logo pude senti-lo quando escondeu seu rosto na curva de meu pescoço, deixando sua boca ali mesmo. Aumentei os movimentos da minha mão sentindo arfar entre meu pescoço e soltar gemidos e palavras obscenas em meu ouvido, fazendo com que eu sorrisse.
Dando uma última mordida, segurou minha mão com o único resto de sanidade que lhe restava e tirou-a de seu membro, e antes que eu pudesse dizer alguma coisa ele havia juntado nossos lábios mais uma vez, agora de uma maneira brutal. Suas mãos desceram a calça que estava aberta, jogando-a em algum lugar, e logo depois o mesmo aconteceu com sua boxer.
Antes que eu pudesse gesticular alguma palavra, seu membro deslizou para dentro da minha intimidade, fazendo com que eu fechasse os olhos sentindo tamanho prazer. começou a se movimentar para frente e para trás lentamente fazendo com que eu jurasse que nunca em minha vida iria provar sensação tão deliciosa. James, na maioria das vezes, nunca havia sido tão gentil e doce comigo. Ele sempre fora um idiota que não se importava se me dava prazer ou não, só se importava com si mesmo, totalmente diferente de . Oh, se importava se estava dando o prazer o suficiente a uma mulher, pois cada estocada dele era dada de uma forma diferente e suas palavras doces – e, às vezes, maliciosas – entre mordidas no lóbulo de minha orelha provavam isso. estava me levando à loucura.
Mais uma vez.
E quando pensei que ele não poderia melhorar, ele fez com que eu tocasse o céu aumentando a velocidade de suas estocadas, fazendo com que seu membro entrasse até o fundo de minha intimidade. Senti seus lábios irem de encontro com os meus fazendo com que meus gemidos fossem abafados; abracei pelo pescoço e, em um movimento rápido, fiquei em cima dele. Separei nossos lábios ficando sentada em cima de seu tronco, sorri para ele começando a me movimentar para frente e para trás em seu membro, vendo-o fechar seus olhos. Apoiei-me em seu peito aumentando a velocidade dos movimentos do meu quadril em cima de seu membro, e me puxou pela cintura, fazendo com que eu me deitasse em cima dele sentindo seus braços rodearem minha cintura e ele me girar, minhas costas encontrando a cama de novo. Quando eu menos esperei, ele havia se tornado um homem sem coração e havia pensado só nele por um instante, aumentando a velocidade das suas estocadas dentro de mim e fazendo com que eu gemesse cada vez mais alto. Ele havia perdido o controle e, bem, eu estava gostando disso.
Os gemidos que saíam da minha garganta aumentavam a cada estocada e quando eu menos esperei todo o fogo que passava por entre minhas veias havia cessado. Abri os olhos sentindo deixar todo o peso do seu corpo cair sobre mim, tirando a conclusão que eu não tinha sido a única a chegar ao orgasmo. Nós estávamos ofegantes e sem nenhuma posição de falar alguma coisa, mas havia feito algo que valeria por mais de mil palavras. Ele olhou em meus olhos, tirando uma mecha do meu cabelo da testa, e sorriu antes de me dar um selinho. Caiu do meu lado na cama e me puxou para o seu peito, dando um beijo em minha testa e, mesmo sem querer, eu estava sorrindo e pedindo a Deus que esse momento se repetisse.

Meu celular começou a tocar anunciando que algum desocupado estava me ligando. Abri os olhos lentamente olhando para o despertador que marcava 07:45. Um filho da puta de um desocupado, pensei, virando-me para o lado e encontrando o mesmo vazio. Sentei-me na cama em um pulo olhando para o lado, tendo a certeza que não estava mais ali, então levantei o lençol um pouco encontrando meu corpo do mesmo jeito do dia em que vim ao mundo. É, não foi mais um sonho erótico com o meu vizinho irritante, pensei levantando-me da cama e segurando o lençol em meu corpo.
Olhei em volta do quarto procurando as roupas de que deveriam estar espalhadas pelo meu quarto. Por favor, por favor, não tenha feito comigo o que fez com as outras, pensei indo em direção ao banheiro. Empurrei a porta devagar tendo a certeza do que eu mais temia, ele tinha ido embora. tinha transado com a vizinha irritante dele e ido embora, como ele fazia com as outras garotas que eu já vi saindo do seu apartamento. Escutei o meu celular tocar a última vez antes do silêncio tomar conta do meu quarto outra vez.
Eu deveria saber. Eu deveria saber que ele só estava me usando para mostrar por amiguinhos ridículos deles que até a vizinha que mais o odiava poderia cair na sua conversa de homem arrependido. Eu deveria saber que todo aquele eu estou arrependido era só uma fachada para amolecer meu coração para deixar que ele entrasse nas minhas calças. Burra. Burra. Mil vezes burra! Eu tinha sido pior do que as garotas que ele trazia do bar para o seu apartamento, eu sabia o que ele fazia com essas garotas, sabia que ele faria o mesmo comigo e mesmo assim deixei-me cair em seus encantos pensando que seria diferente. Mas é claro que não seria diferente, , você não vai ser a mocinha que mostra ao vilão que ele tem bom coração, pensei indo em direção ao meu guarda-roupa. Peguei um short, uma calcinha e uma blusa e fui em direção ao banheiro, entrei logo debaixo do chuveiro deixando a água descer por meu corpo, tirando todo o cheiro dele que havia impregnado em mim, mas algo me dizia que seria preciso mais do que um banho para tirá-lo de mim, eu precisaria fazer muito mais. Marcus que me desculpasse, eu o amava muito, mas eu já deveria ter feito isso há muito tempo.
Mudar, do latim não quero cair nos encantos do vizinho do Marcus outra vez. Era o que eu iria fazer, faziam seis meses que Marcus me sustentava sem nem ao menos me deixar pagar o supermercado que eu comia, ele era como o irmão que eu nunca havia tido e mesmo que eu tivesse não se compararia ao amor que eu e o Marcus sentíamos um pelo outro. Por anos, e só eu sei, por anos eu estive com Marcus, desde que éramos pirralhos que brincavam com massinhas até quando entramos na faculdade. Era muita história para ser jogada fora, mas como minha mãe sempre dizia: um dia temos que nos desapegar daquilo que mais amamos, e por mais que eu amasse Marcus, eu teria que partir, pois eu não aguentaria ver seu vizinho odioso nunca mais.
Desliguei o chuveiro escutando o toque do meu celular ecoar pelo quarto outra vez, me enxuguei rapidamente colocando minha roupa logo depois. Corri até o quarto e peguei meu celular olhando no visor: Rose. Franzi o cenho pensando no que Rose poderia querer comigo aquela hora da manhã.
Engoli em seco, preparando-me para o pior.
- Rose? O que foi? Aconteceu alguma coisa com minhas crianças? Eles estão todas bem? Ai, meu Deus. – Despejei tudo de uma só vez e logo escutei uma gargalhada ecoar pelo outro lado da linha. – Por que você está rindo?
- Ora, mas por quê?! Se todas as vezes que eu ligar para você, você me atender com esse desespero, eu deixo para ligar só dois dias antes de você voltar. – Ela falou, tranquila, com um ar risonho do outro lado da linha. – Parece até que eu só ligo para dar notícia ruim.
- Então não aconteceu nada com minhas crianças?
- Não, não. Na verdade, aconteceu uma coisa. Oh, , você deveria ter visto.
- O que aconteceu, Rose? Fala, você está me deixando curiosa!
- Sansa, .
- O que aconteceu com ela?
- Ela está andando, , ela recuperou os movimentos das pernas. – Rose falou, e eu pude escutar gritinhos de alegria do outro lado da linha. O sorriso do meu rosto não se conteve e logo percebi que lágrimas escorriam pelo meu rosto. Sansa, minha menina, aquela que achava que nunca mais iria se recuperar do seu acidente, estava andando.
- Eu não acredito. – Falei pausadamente. – Eu não acredito que perdi isso.
- , você tinha que ver, ela desejou ardentemente que você estivesse aqui quando ela estava começando a dar os primeiros passos.
- Então por que vocês não me ligaram?
- Não queríamos atrapalhar suas férias, é a primeira vez em dois anos que você se afasta do hospital, você merecia um descanso.
- Pois meu descanso acaba de terminar. – Desliguei o celular antes mesmo de ouvir a resposta. Calcei meus tênis e corri para a porta da frente, abrindo-a e saindo em seguida. Coloquei a chave no bolso de trás e apertei freneticamente o botão do elevador. Agradeci mentalmente por ele estar vazio, porque seria bem capaz de eu sair espalhando minha felicidade ao abraçar algum vizinho.
Esperei o elevador chegar no hall e antes mesmo da porta se abrir por completo passei correndo até chegar a frente do prédio, sinalizando para algum táxi que poderia passar por ali. Vamos, vamos, táxis malditos, apareçam, pensei olhando não reparando no carro que estava parando em minha frente.
- Querendo uma carona, gatinha? – Escutei uma voz sair do carro.
- Olha aqui, seu atrevido, você pode ir indo para... – Abaixei meu olhar vendo o dono da voz e reconhecendo aquela Ferrari, o ar faltou em meus pulmões e por um segundo esqueci o porquê da raiva que eu sentia dele – Esquece. – Virei meu rosto para a rua procurando por um táxi que provavelmente não iria aparecer.
- Eu não ganho nem um bom dia?
- Olha aqui, , eu estou muito apressada agora e não tenho tempo para os seus joguinhos ridículos.
- Por que isso soou como uma indireta?
- Você sabe que isso foi uma direta. – Vi-o bufar e logo sair de dentro do carro parando ao meu lado.
- O que aconteceu, ? – Ele parou ao meu lado com os braços cruzados.
- Não é da sua conta, , agora dá licença e me deixa em paz que eu tenho que ir ao hospital.
- Hospital? Você está bem? ‘Tá sentindo alguma coisa?
- Não, , eu apenas preciso estar lá o mais rápido possível.
- Eu te levo.
- Não precisa, eu estou bem.
- Isso não foi uma pergunta. – Antes que eu pudesse rebater, ele já havia me pegado no colo e me jogado no banco do passageiro, ele deu a volta e sentou ao meu lado. Fiz menção de abrir a porta, mas ele já havia dado a partida no carro.
- Para o carro, , e me deixa sair. – Falei, tentando manter a calma.
- Você não quer ir ao hospital, então eu estou lhe levando ao hospital.
- Você não precisa fazer isso, você não é nada meu.
- Eu não sou nada seu? – Ele me olhou de relance. – E ontem foi o quê? Não foi nada?
- Você que deveria me dizer, já que saiu de fininho pela manhã sem nem deixar um rastro.
- Eu deixei um bilhete na geladeira avisando que eu iria comprar o nosso café da manhã, já que no seu apartamento não tem nada além de enlatados. – Olhei para o lado e pude ver um pequeno saquinho e dois copos de café da minha padaria preferida no banco de trás. – Você realmente achou que eu iria sair de fininho?
- É isso que você faz com todas as outras. – Falei baixo, quase como um sussurro.
- , pensei que você tinha entendido que ninguém me faz se sentir do jeito que você faz. – Peguei a bandeja que tinha os copos de café e peguei um, tomando um gole em seguida.
- Capuccino, meu preferido.
- Eu sei.
- Sabe? – Perguntei, confusa, olhando para ele.
- Sei. – Ele estacionou o carro no estacionamento do hospital. – Toda manhã eu via você e Marcus chegando com suas sacolas e eu podia ouvir você proclamar do outro lado da porta que amava capuccino e como poderia se casar com a pessoa que o inventou. – Olhei para ele mordendo a borda do meu copo. Oh, aqueles terríveis olhos me olhando com aquele brilho que nem em uma década eu poderia decifrar e que me colocariam na cadeia por tão perigosos que eram quando me encaravam por tanto tempo.
- Escutar conversa atrás da porta é feio. – Falei, abrindo a porta do carro, saí do mesmo e comecei a andar em direção a porta do hospital. Senti um puxão em meu braço e logo quando percebi os dois braços de rodeavam minha cintura, me segurando firme e me puxando para perto.
- Sabia que é feio dar as costas para as pessoas enquanto vocês estão conversando? – Ele disse enquanto eu passava meus braços por seu pescoço.
- Pensei que nossa conversa tinha acabado.
- Garota, nem um milhão de anos, eu conhecerei alguém tão marrento que nem você.
- O que eu posso fazer? É um dom que poucos têm. – Ele sorriu e aproximou nossos rostos.
- Eu nunca faria algum mal a você e, se um dia eu não te quiser mais ou você não me quiser mais, eu sei que vamos ser honestos um com o outro. – Ele disse e deu um longo selinho.

- Desculpa por ter te tratado mal, é que eu não tive as melhores experencias com relacionamentos.
- Eu entendo, mas, por favor, me promete que da próxima vez não vai se precipitar?
- Prometo. – Dei outro selinho nele. – Agora vamos, eu preciso ir. Senti meu celular vibrar dentro do bolso e lembrei porque eu estava na porta do hospital tão conhecido por mim, então me afastei de e o peguei pela mão, arrastando-o pela entrada do hospital. Nada havia mudado, o corredor que me levaria até a ala da pediatria continuava o mesmo, calmo e sereno. Os médicos que ali passavam me cumprimentavam, já éramos amigos de longa data e só Deus sabe o quanto eu vaguei por esses corredores enquanto esperava meu turno acabar ou, muitas vezes, esperando que Marcus me ligasse e dissesse que a festa no apartamento do lado tinha acabado. E, olhando para trás, vendo onde estou agora e, especialmente, com quem estou agora, eu nunca imaginaria que estaria de mãos dadas com o ser mais detestável da face da terra. Se Marcus estivesse aqui ele acharia que tinha bebido demais ou estava perdendo a consciência e eu, com certeza, lhe responderia que um pouquinho dos dois. Quem um dia imaginaria que eu estaria sorrindo e quase babando por alguém como ? Eu prometi que não iria cair no encanto daqueles olhos suplicantes e naquele corpo que fazia cada pedaço do meu esquentar como nunca antes, mas toda promessa, por menor que seja, podia ser quebrada, e eu havia quebrado a minha, não por birra ou pelo desejo de me contrariar, mas apenas pelo simples fato de que eu havia me deixado sentir outra vez. Talvez possa até acontecer de eu quebrar a cara e meu coração outra vez, mas não iria me arrepender ou me lamentar, eu iria agradecer por ele ter me feito sentir pela primeira vez em muito tempo.
- ? – Escutei a voz de Rose do outro lado do corredor. Ela parou em minha frente, me abraçando logo em seguida. – Você veio. – Ela se separou de mim. – E veio acompanhada. – Ela olhou em direção a , franzindo o cenho. – Eu não te conheço de algum lugar?
- Acho... – Ele deu uma pausa. – Acho que não.
- Tenho certeza que já vi esse rosto lindo em algum lugar.
- Eu tenho um rosto muito comum, senhora. – Ele disse dando um sorriso de lado.
- Oh, deve ser isso mesmo. – Ela voltou-se para mim novamente. – Vamos, ela vai adorar a surpresa. – Rose falou, recomeçando a andar pelo corredor do qual ela tinha vindo.
Seguimos Rose até a ala pediátrica na parte em que as crianças se recuperavam. E lá estava ela, de frente para a janela contando sua história para as crianças novatas que a encaravam com olhos atentos. Ela falava enquanto se exibia andando de um lado para o outro com a jaqueta que eu havia lhe dado no dia em que fui embora. Soltei-me de e fui andando em direção a ela sem fazer barulho para que ela não me visse e, antes que ela percebesse, coloquei minhas mãos em seus olhos para que ela não me visse. Sansa, assustada, colocou as mãos sobre as minhas e as apertou, ela então parou de falar e antes que eu pudesse falar alguma coisa ela pulou em meu pescoço me abraçando tão forte que a respiração me faltou.
- Você veio. – Ela falou em meu ouvido e me soltando aos poucos.
- Antes tarde do que nunca. – Falei, abaixando-me à sua altura.
- Pensei que você nunca mais ia voltar.
- São apenas férias, Sansa, é claro que eu ia voltar, não agora, mas daqui a alguns meses.
- Mas em alguns meses eu posso não estar aqui. – Ela se afastou de mim. – Você não vê? Eu estou melhor, eu estou andando agora.
- Mas isso não significa que eu não vá te visitar uma vez ou outra, aposto que sua avó permitiria. – Sorri, vendo-a pular mais uma vez em meu pescoço. – Agora, deixa eu te apresentar uma pessoa. – Falei, separando-me dela.
- Seu namorado?
- Pode-se dizer que sim. – Falei, colocando-me em pé outra vez. Segurei na mão de Sansa levando-a até onde e Rose estavam, Sansa apertou minha mão fazendo com que eu olhasse para ela, que olhava para frente sem ao menos mexer a cabeça – Sansa, esse daqui é o...
- . – Sansa completou, e eu olhei surpresa para ela.
- Vocês se conhecem? – Perguntei, olhando para , que não tirava os olhos de Sansa. – Alguém pode me responder?
- , ele é... – Sansa olhou para mim com os olhos cheios de lágrimas. – Ele é meu irmão.



Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Outras Fanfics:
Reminiscência
Outros/Em Andamento
Flawless Curse
McFly/Finalizada
Come Away With Me
McFly/Finalizada
14. Easy Way Out
Ficstape #011: McFly — Memory Lane
06. The Mighty Fall
Ficstape #042:Save The Rock and Roll — Fall Out Boy
09. Young Volcanoes
Ficstape #042: Save The Rock and Roll — Fall Out Boy
03. Hands To Myself
Ficstape #044: Revival — Selena Gomez
03. Kiss It Better
Ficstape #047: ANTI — Rihanna
Bônus: Why Do You Love Me?
Ficstape #048: 25 — Adele
06. Grown
Ficstape #053: Little Mix — Get Weird
08. Colors
Ficstape #054: Halsey — Badlands
06. Only Angel
Ficstape #059: Harry Styles — Harry Styles
12. Forever Halloween
Ficstape #063: The Maine — Forever Halloween
15. Devil in Me
Ficstape 073: Halsey — Hopeless Fountain Kingdom13. I Know What You Did Last Summer
Ficstape 073: Shawn Mendes — Handwritten Revisited15. New Love
Ficstape 093: Dua Lipa — Dua Lipa

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus