Última atualização: 16/04/2019

Capítulo 1

Olhei no relógio, que já marcava nove e meia. Marcus, onde você está, seu bunda mole?, pensei batendo o pé no chão. Ele sempre se atrasava, mas dessa vez ele estava passando dos limites. Isso que dava deixar seu melhor amigo no apartamento sozinho com o namorado no telefone. Provavelmente eles estavam falando de como a semana tinha sido para cada um, já que é a primeira vez em oito meses que ele e Sam ficam separados. Maldita tinha sido a hora que eu decidi deixar os dois sozinhos , pensei olhando para o lado. Uma Ferrari acabava de dobrar o caminho, chamando a atenção de todos que estavam na rua. Exibido., revirei os olhos pensando no quanto eu desprezava o dono daquela Ferrari e o quanto eu odiava as noites da semana nas quais eu tinha que sair para um bar enquanto ele fazia orgia com seus amigos e não conseguiam controlar os gritos das vadias que andavam com eles.
Eu havia me mudado para a casa de Marcus há pouco mais de seis meses e, nesse tempo, desde o primeiro dia eu desejei não ter conhecido o vizinho odioso e exibido que Marcus tinha. Eu devo admitir, ele era um dos homens mais bonitos que eu já tinha visto. Com seu um metro e noventa de altura, seus braços fortes e peitoral firme - além dos olhos esverdeados -, eu podia jurar que ele tinha saído de um dos livros de romance que eu costumava ler. Mas juntamente com um porte físico tão visto por mim em meus livros, vinha a sua tremenda galinhagem e exibicionismo exagerado.
Quando eu encontrar alguém, tomara que ele não seja tão desprezível quanto esse homem, pensei vendo-o descer do carro com uma garota em cada braço. Ele jogou a chave para o porteiro pedindo que ele colocasse o carro no estacionamento e lhe dando uma boa quantia.
- Vamos, ? – Marcus apareceu ao meu lado fazendo com que eu me virasse para ele.
- Amém! Pensei que você nunca ia descer. – Disse, olhando para ele. – Pegou tudo?
Aham. – Ele me abraçou. – Você vai ficar bem aqui sozinha? – Ele perguntou se separando de mim para me olhar.
- Mas é claro que sim, não é como se algum vizinho tarado fosse me atacar. – Falei, vendo o vizinho de Marcus virar seu rosto enquanto passava para mim. Ele me encarava como se soubesse que eu estava falando dele. Ele poderia ser um ser desprezível, mas seus olhos faziam com que minhas pernas tremessem na base.
- Eu quero que você tome cuidado, tudo bem?
- Sim, senhor, general. – Falei, batendo continência.
- Eu estou falando sério, . Você vai ficar sozinha no apartamento por quase três meses, sabe-se lá o que pode acontecer.
- Marcus, você não vai se atrasar para o seu voo? – Perguntei, começando a empurrá-lo em direção ao táxi.
- Eu não sei não, , não gosto de te deixar aqui sozinha.
- Eu sei me cuidar, Marcus. – Falei parando em frente ao táxi e abrindo a porta. – E o que pode acontecer de mal? Eu vou passar a maior parte do tempo no hospital, esqueceu que eu trabalho nele na maioria das noites da semana?
- E eu odeio que você tenha que ter de fazer isso. Você acabou com todas as nossas idas ao bar trocando de horário naquela droga.
- Você sabe que eu não gosto muito de bares, Marcus. O seu estilo de vida é totalmente diferente do meu.
- Claro. Você é praticamente uma santa e eu, bem, eu sou quase a encarnação da imoralidade. Quer dizer, depois daquele ali. – Ele apontou com a cabeça para o seu vizinho. – Eu ainda me pergunto como ele consegue.
- Você não é o único. – Respondi abaixando a cabeça. – Boa sorte com o Sam.
- Eu vou sentir sua falta. – Ele me abraçou outra vez. – Não se esquece de trancar a porta quando for para o seu precioso hospital.
- Está bem, papai. Agora vai, antes que você perca o seu voo e o Sam me ligue falando coisas não muito agradáveis.
- Eu te amo. – Ele falou antes de entrar no táxi. Marcus me jogou um beijo à medida que o carro ia se movimentando, desaparecendo na esquina.
Girei meus calcanhares, voltando para o prédio, passei pelo hall dando um breve aceno para o porteiro e continuei meu caminho até chegar ao elevador. Dez horas. Eu estou meia hora atrasada, pensei apertando o botão do elevador. Hoje era o último dia que eu iria trabalhar no turno da madrugada antes das minhas esperadas férias. Eu amava trabalhar como voluntária, mas, como qualquer ser humano, eu precisava de minutos para relaxar. Uma coisa que eu nem conseguia quando estava em casa, pois certo vizinho não conseguia entender o significado da palavra descanso e dava festas de arromba para que todo o prédio ficasse sabendo. Eu até aconselhei Marcus a se juntar com o comitê de síndicos do prédio para que essas festas parassem, mas, segundo ele, o seu vizinho não estava fazendo nada de errado. Ele não está infringindo regras, ele dizia.
A porta do elevador se abriu, fazendo com que eu levantasse meu olhar, e nele estava a única pessoa que eu desejava não ver naquela noite. Entrei no elevador sem olhá-lo.
-Sobe ou desce? – Ele perguntou quando entrei no elevador.
- Desce. – Respondi, ficando ao seu lado e vendo-o apertar o botão do estacionamento.
Eu nunca tinha conversado com ele e muito menos ficado sozinha com ele. Eu não sabia nem ao menos seu nome, o que eu sabia é que sua presença me incomodava, e muito. Eu o odiava desde o momento em que tinha colocado os olhos nele, mesmo sabendo que não era certo julgar alguém sem conhecer, mas eu não conseguia sentir nada mais do que ódio por esse homem. Não sei se era por causa das suas festas que iam até altas horas, me arrancando o sono, ou o fato dele sempre me olhar como se quisesse descobrir cada parte do meu corpo, do mesmo jeito que ele faz com as garotas que o acompanham até seu apartamento.
Agradeci mentalmente quando as portas do elevador se abriram e eu pude sair do elevador, andando rápido até meu carro. Eu escutava passos atrás de mim fazendo com que eu virasse meu rosto para trás, vendo-o dar passos lentos e fazendo o mesmo caminho que eu. Ele sorriu e eu não pude resistir em revirar os olhos. Abri a porta do meu carro, entrando no banco do motorista, liguei-o e esperei que ele passasse pela traseira, indo em direção ao porta-malas do seu carro.
Tirei o carro da vaga tendo uma bela visão da sua bunda enquanto ele tirava algemas de lá. Revirei meus olhos arrancando com o carro e saindo do estacionamento, escutando meu celular vibrar em cima do banco do passageiro. Peguei o celular olhando no visor: Rose. Eu realmente estou muito atrasada, pensei passando o sinal antes do hospital. Estacionei meu carro na vaga dos funcionários, abrindo a porta do carro para sair logo em seguida. Acenei para o segurança que estava na porta do hospital segurando-a, esperando que eu passasse, e agradeci quando passei por ele.
- Você está atrasada. – Rose falou quando passei pela recepção.
- Desculpe-me. – Falei olhando para ela – Marcus quase não saiu de casa.
- Ele deve estar preocupado em deixar você sozinha.
- Eu ficarei bem. Ele faz tempestade em copo d’água.
- Eu entendo. Lembro quando ele entrou aqui gritando por meu nome dizendo que você tinha quebrado a bacia porque caiu no banheiro.
- Está vendo? Ele é mais histérico do que mulher em dia de promoção na Channel.
- Mas, se você quiser, você pode ficar lá em casa, sabe? Meu filho mora sozinho agora e tem uma cama sobrando.
- Rose - segurei em suas mãos –, você é um anjo. Obrigada pela oferta, mas eu vou ficar bem. E se algo der errado eu prometo que vou ficar com você, tudo bem?
- Tudo bem. – Ela beijou minhas mãos. – Agora vai lá, parece que eles não querem dormir sem dizer adeus para você.
- A enfermeira Johnson vai me olhar com tanto ódio. – Falei, fazendo careta. – Deixe-me ir lá. – Falei começando a andar pelo corredor.
- . – Rose me chamou fazendo com que eu virasse para ela. – Obrigada por vir. Eu sei que seu turno já acabou e suas férias já começaram e você não precisava estar aqui, então, obrigada.
- Basta gritar, Rose. Eu estarei aqui. – Falei antes de recomeçar o caminho.
Eu era voluntária naquele hospital há mais de dois anos, as crianças das quais eu cuidava eram crianças que estavam em estado de recuperação de cirurgias ou precisavam ficar em observação. Eu frequentava esse hospital há tanto tempo, mas o mesmo sentimento acontecia quando eu entrava naquele corredor. Esse hospital não me trazia boas lembranças e enquanto eu atravessava o corredor em direção à ala da pediatria eu sentia um calafrio percorrer toda a minha espinha. Não seja fraca, . É passado., pensei entrando na ala e vendo todas as crianças acordadas e conversando alto.
- O que ainda vocês fazem acordados? – Perguntei cruzando os braços.
- Tia . – Eles gritaram ao mesmo tempo.
Naquela sala de recuperação havia quatro crianças: Jenny, que se recuperava de um transplante de rim; Jeremy, que estava em observação porque sua alergia tinha atacado outra vez; Kyle, que se recuperava de um resfriado que quase virou pneumonia; e Sansa, uma garota que acabava de descobrir que tinha perdido o movimento das pernas. Sansa era corredora na sua antiga escola, mas seu sonho tinha sido interrompido quando ela sofreu um acidente de carro, ela tinha sido a única que tinha sido machucada gravemente. Sansa tinha que permanecer no hospital, pois seus avós não podiam ficar levando-a para o local.
Jenny, Jeremy e Kyle colocaram seus braços ao redor de minha cintura, quase me esmagando em um abraço. Sansa estava conversando com a enfermeira Johnson, quando ela me olhou com reprovação, apontando para o relógio. Sussurrei uma desculpa e a vi trazer Sansa, que estava na cadeira de rodas, para perto de mim.
- Olá, meus amores. – Falei me abaixando para ficar na altura deles. Abracei cada um separadamente. – Olá, Sansa. – Falei me levantando e dando um beijo em sua testa. – Vocês não acham que está um pouco tarde para vocês ficarem acordados?
- Tia , nós fizemos uma coisa para você. – Sansa falou me estendendo uma caixa.
- Obrigada. – Falei pegando a caixa e abrindo-a.
- É uma pulseira. – Jeremy falou enquanto eu retirava a pulseira da caixinha. – Tem a inicial de cada um daqui.
- Provavelmente você não vai estar aqui quando nós tivermos alta, então queríamos que você se lembrasse um pouco da gente. – Sansa completou.
- Eu nem sei o que dizer. – Falei olhando para eles. – Em anos que eu sou voluntária aqui, nenhuma das crianças me deu um presente desses. Claro que eu ganhei cartas, que ainda estão comigo, mas mesmo assim, esse é um dos melhores presentes que eu já ganhei. Muito obrigada. – Falei abraçando cada um deles.
- Nós é que agradecemos, tia . – Jenny falou – Se não fosse você, nós não teríamos passado por isso tudo.
- Você coloca pra mim, Kyle? – perguntei estendendo a pulseira para ele. Kyle pegou a pulseira e a colocou em meu braço. – Pronto. Agora vou ter uma lembrança de cada um aqui. E agora, todos para cama. – Falei, apontando para suas camas. – Deixe que eu levo Sansa em direção a sua cama.
- Quando todos eles forem embora, eu continuarei aqui. – Sansa disse olhando para mim.
- E você os guardará para sempre em seu coração e vai dar espaço para os novos que aparecerem. – Falei parando em frente à sua cama, dando a volta ao seu lado. Peguei-a no colo, deitando-a na maca.
- Você realmente precisa ir? – Ela perguntou enquanto eu colocava o lençol em cima dela.
- Preciso. – Falei tocando em sua mão.
- Você volta?
- Mas é claro que sim.
- Meu irmão também disse isso para mim, e no final ele acabou nunca mais voltando. – Ela abaixou a cabeça. – Ele me deixou sozinha.
- Então toda vez que você se sentir sozinha você chama a enfermeira Rose e pede para que ela ligue para mim. Eu vou vir tão rápido que você não vai poder nem terminar de falar supercalifragilisticexpialidocious . – Eu disse dando um beijo em sua testa. – E pra você nunca me esquecer - falei, abrindo o zíper da minha jaqueta de couro preta – você vai poder ficar com minha jaqueta preferida.
- Mas é sua jaqueta preferida! – Ela falou pegando a jaqueta.
- Eu sei que você gosta dela.
- Obrigada, . – Ela jogou os braços ao redor do meu pescoço.
- De nada, Sansa. Agora vamos dormir que o dia pra você é sempre cheio. Parece mais uma celebridade.
- Boa noite.
- Boa noite, meu amor.

Dirigi de volta para casa com um sorriso em meus lábios. Eu sentiria falta daquelas crianças; elas haviam marcado minha vida como nenhuma criança havia feito antes, especialmente Sansa, que, apesar de ter todos os motivos para não sorrir, sempre passava pelos corredores do hospital com um sorriso no rosto. Uma garota a qual eu admirava, mesmo tendo pouca idade. Uma garota que perdeu tudo e ao mesmo tempo tem tudo que deseja em mãos. Sansa era uma garota forte e, quando soube que possivelmente não poderia mais andar, não deixou nenhuma lágrima cair em seu rosto para que sua avó não visse o quanto ela estava triste em ter que desistir do seu sonho. Eu me lembrava bem do dia em que Sansa recebeu a notícia e me lembrava, porque eu havia a havia dado. Ela tinha agido como uma guerreira deixando sua avó chorar em seu ombro e não derramando uma lágrima, desde esse dia eu jurei que nunca a deixaria sozinha e que faria com que ela se sentisse especial.
Estacionei meu carro na vaga, batendo a porta na porta do carro do vizinho de Marcus. Com certeza, eu não vou me desculpar por isso, pensei andando até o elevador. Olhei no relógio e já passava das onze, achei estranho quando entrei pelo corredor do meu apartamento e não havia nenhum sinal de barulho, de música alta ou de vadias gritando. Acho que alguém finalmente aprendeu a frase “eu sou um incômodo” e foi, finalmente, fazer suas orgias em outro lugar , pensei, rodando a chave e destrancando a porta.
- Droga! Será que ninguém vai aparecer para me ajudar?. – Escutei um grito ecoar pelo corredor. Olhei para os dois lados, não vendo ninguém, e dei de ombros, abrindo a porta e fazendo com que ela fizesse barulho - Ei, você. Você que abriu a porta agora, você poderia vir aqui? Pelo amor de Deus, eu estou desesperado. – Coloquei meu pé direito dentro de casa ignorando a voz. – Eu sei que você está aí, por favor, vem me ajudar. - Bufei, dando-me por vencida. Estúpida foi a hora que eu decidi voltar para casa mais cedo do hospital, pensei andando em direção ao apartamento que ficava em frente ao de Marcus. Empurrei a porta, que estava aberta, e eu pude ver pela fresta que a casa estava completamente detonada – Eu estou aqui no quarto. - Escutei a voz ecoar de um corredor e me dirigi até ele.
- Oh, Deus! – Falei colocando as mãos em meu rosto. O vizinho de Marcus estava completamente pelado em cima de uma cama de solteiro com apenas o quadril para baixo coberto por um lençol e com as mãos algemadas na cama. – O que você está fazendo?
- No momento, nada. Mas antes...
- Por favor - falei abrindo os olhos –, me poupe dos detalhes. – Falei olhando em volta. – O que aconteceu aqui?
- Eu fui assaltado.
- E por que ele te deixou pelado em cima de uma cama?
- O que eu posso fazer? Eram duas loiras maravilhosas que subiram comigo e com meu amigo. Eu disse que aquele bar não era confiável, mas ele não me ouviu e acabou nisso: eu amarrado nessa cama e ele desacordado no outro quarto. Eu deveria ter desconfiado quando ela pediu aquelas algemas, eu pensei que ela...
- Entendi. – Interrompi. – Você tem péssimo gosto. O que você quer que eu faça?
- Se não for pedir muito, eu queria que você me soltasse.
- Onde está a chave?
- Ela está aqui atrás. – Ele apontou com a cabeça para a prateleira em cima de sua cama. – Mas você tem que subir pela cama. – E antes que ele pudesse pronunciar alguma outra palavra, eu subi em cima da cama colocando meus pés um de cada lado do seu corpo. Ele era praticamente do tamanho da cama de solteiro, e o pouco de espaço que sobrava eu havia colocando meus tênis sujos. Avistei um brilho em cima da prateleira ficando na ponta dos pés para pegar a chave.
- Você está sujando meus lençóis com seus tênis sujos. – Ele gritou. Sentei em cima de seu tronco, um pouco acima do lençol que cobria suas pernas.
- Seria incrível se o ser humano criasse um eletrodoméstico incrível que lava roupas, não acha? – Falei rolando com a chave entre meus dedos – Ah, é mesmo, ele já criou. – Ironizei, me inclinando um pouco para o lado para tirar a algema de uma de suas mãos. Ele deixou sua mão cair no colchão fazendo uma cara de alívio enquanto eu tirava o outro lado da algema. Levantei-me, pulando da cama e começando a andar em direção a porta.
- Ei! – Ele me chamou fazendo com que eu virasse para ele. – Obrigado.
- De nada.
- Eu não sei seu nome.
- . Meu nome é .
- Muito prazer, , eu sou . – Dei um breve aceno antes de continuar meu caminho até a saída de seu apartamento.



Capítulo 2

O sol estava tão quente que nem mesmo dentro do elevador, com o ar-condicionado no máximo e usando o mínimo de roupa possível – apenas um short e uma camiseta sem mangas – o calor dava sinais de que iria passar. Oh, eu estou quase derretendo, pensei saindo do elevador em direção à portaria.
- Olá, Alfred. – Falei, me apoiando na bancada. – Alguma carta para mim?
- Não, mas – ele se abaixou, pegando um buquê de flores – o senhor James deixou isso aqui.
- Oh, quanta preocupação a dele. – Ironizei, pegando as flores e as jogando no lixo ao lado de Alfred.
- Flores servem como uma decoração perfeita.
- E servem para enfeitar enterros.
- É a segunda vez que ele aparece aqui pedindo para falar com você.
- Ele pode insistir o quanto quiser, eu não irei atendê-lo.
James era o meu ex-namorado. Nós namoramos por dois anos e, quando eu menos esperei, o peguei transando com outra, em cima da minha própria cama, em uma das festas que Marcus insistia em fazer em seu apartamento. O chão debaixo de meus pés desapareceu e as lágrimas descerem de meu rosto. James era o homem com quem eu desejava me casar, o homem perfeito para mim. Tinha um bom emprego, um porte físico que daria inveja a muita gente e atraía muitas mulheres. Mas, mesmo toda a perfeição tem seus defeitos e o perfeito, na verdade, não era perfeito, porque perfeição não existe. Isso é apenas uma ilusão boba criada para enganar garotas como eu. Não existia homem perfeito, eu sabia disso agora.
- Hoje está muito quente, você não acha, Alfred?
- Eu devo concordar. Eu daria tudo para ter uma piscina agora.
- Ah, piscina. – Gritei, assustando Alfred. – Na cobertura tem uma piscina! – falei dando um beijo na bochecha de Alfred. – Obrigada, Alfred! – Gritei para ele antes de entrar no elevador.
Piscina, como eu não tinha pensando nisso antes? , você é mesmo uma cabeça oca, pensei saindo do elevador e correndo em direção ao meu apartamento.
Fui até meu quarto, coloquei um biquíni e peguei uma toalha. Era fim de tarde e, provavelmente, o vizinho de Marcus não estaria por lá. Eu sabia seu nome agora, mas nada me impendia de mostrar o quanto eu ainda desprezava aquele homem. Mesmo já tendo visto o que ele tem de melhor – ou pelo menos o volume – ele ainda não tinha me impressionado. Ele não passava de um depravado sem coração para mim.
Saí do apartamento olhando para os dois lados do corredor e me certificando que o meu odioso vizinho não estivesse lá. Continuei meu caminho até a porta que levava ao terraço e quando a abri só pude escutar uma risada alta e fina habitar meus ouvidos. Isso só pode ser brincadeira, pensei, olhando para os dois que estavam na piscina com lábios vermelhos. Ei, espere um segundo, aquela não era a senhora Flores?
- , minha querida. – Ela falou, nadando até a borda. – Vejo que não resistiu ao calor e pensou em dar um mergulho!?
- Parece que não fui a única. – Falei cruzando os braços. – Eu volto outra hora.
- Que isso, . – Ela deu impulso para sair da piscina. – Eu que não deveria estar aqui. – Ela pegou uma toalha, se enrolando. - A piscina também é sua por direito, eu só vim bater um papo com enquanto nos refrescávamos.
- Se a senhora quiser pode ficar, eu vou usar a jacuzzi de qualquer forma. – Falei, começando a andar em direção à jacuzzi, que estava ao lado da piscina.
- Muito obrigada, querida, mas acho que já vou indo. Meu marido já deve ter chegado.
- Eu te acompanho, Marta. - já havia saído da piscina a essa hora e ficado ao lado da senhora Flores.
- Até mais, . – Ela falou acenando para mim enquanto abria a porta para ela.
- Até mais. – Eu disse colocando minha toalha ao lado da jacuzzi.
Entrei na água fria, dando um mergulho para molhar meus cabelos e refrescar minha cabeça. Encostei-me à parede da jacuzzi, me sentando para esticar minhas pernas e fechando os olhos, sentindo o cansaço de semanas de trabalho desaparecer. Eu finalmente teria paz. Sem Marcus e Sam gritando pela casa; sem enfermeira Johnson rabugenta; sem precisar sair à noite, pois, pelo o que me aparentava, o meu vizinho tinha procurado diversão em outra freguesia.
Apenas eu, meu sofá e uma coleção de filmes clássicos e românticos esperando para serem assistidos. Mas eu havia pedido paz muito cedo, pois logo senti a água se agitar e duas pernas se esticarem ao meu lado.
- Você sabia que existe uma piscina enorme aqui do lado, a qual você estava usando, e você poderia tê-la sozinha para você agora?
- Eu gosto de companhias. – Ele falou com um tom sarcástico.
- Você já se perguntou se eu quero sua companhia?
- As mulheres gostam da minha companhia.
- Eu percebi isso. – Abri os olhos, olhando para ele. – O que te faz pensar que eu quero tua companhia?
- Eu sei que você quer. – Ele se ajoelhou perto de mim.
- Não, eu não quero. – Falei apoiando minhas mãos na borda da jacuzzi, dando impulso para me levantar e sair dali.
- Você quer sim. – Ele segurou minhas pernas fazendo com que eu me sentasse na borda. Ele se ajoelhou em minha frente, ficando na altura do meu umbigo, fazendo-me olhar para baixo. – Eu ainda não lhe agradeci formalmente por ter me salvado naquele dia.
- Você não precisa. – Eu disse, apoiando minhas mãos no chão feito de madeira.
- Mas eu quero. – Ele colocou suas mãos em meus joelhos, os afastando, fazendo com que minhas pernas ficassem abertas.
- O que você está fazendo?
E, antes que eu pudesse tentar fechar minhas pernas, ele começara a dar beijos na parte interna de minha coxa, fazendo com que eu fechasse os olhos sentindo seus beijos quentes subirem por toda extensão dela. Fazia algum tempo que eu não ficava com um homem – necessariamente seis meses – então sentir os beijos de um em uma das partes mais sensíveis do meu corpo fez com a sensação aumentasse dez vezes mais. Suas mãos seguraram meus quadris, puxando-me mais para perto e apertando minha bunda. Sua boca se alternava em dar leves mordidas e beijos e quando ele chegou perto da minha intimidade, ele deu uma mordida de leve, puxando de dele e me fazendo suspirar alto.
- Então, você gostando da minha companhia? – Ele perguntou, fazendo com que eu olhasse para ele.
- Sim. – Eu sussurrei.
- Você quer que eu continue?
- Sim.
Ele sorriu maliciosamente enquanto suas mãos desceram meu biquíni e, à medida que o mesmo descia ele ia dando beijos por minha coxa, ele o jogou em algum lugar e antes mesmo que eu pudesse falar qualquer coisa, ele enterrou sua cabeça entre minhas pernas passando sua língua por minha intimidade, fazendo com que eu mordesse meu lábio.
Sua língua explorava cada centímetro da minha intimidade fazendo movimentos para cima e para baixo, parando algumas vezes para fazer movimentos de vai e vem na minha parte mais sensível, fazendo com que eu agarrasse em seus cabelos, puxando-os. Eu não sabia se o empurrava ou se o puxava mais para perto. O desejo havia tomado conta do meu corpo de uma forma que eu mesma não conhecia e a única coisa que eu sabia era que eu não queria que ele parasse.
Suas mãos seguraram em meus quadris novamente, fazendo com que eu fosse mais para perto dele e ele enterrasse sua cabeça mais ainda em minhas pernas. Sua língua me sugou mais fundo e minhas pernas abriram-se automaticamente mais e mais à medida que sua língua fazia movimentos de vai e vem em minha intimidade. Senti sua língua acelerar os movimentos enquanto suas mãos apertavam minha bunda, me empurrando para que sua língua fosse o mais fundo possível. Eu sentia todo o meu corpo relaxar, se entregando a uma das melhores sensações que um homem poderia dar a uma mulher. James nunca havia aceitado me tocar dessa maneira, ele dizia que mulheres deveriam dar prazer aos homens como foi desde o princípio. Eu nunca imaginaria que um homem poderia causar sensações extremas em uma mulher dessa maneira e, se soubesse, teria caído nos braços do primeiro que aceitasse me dar esse prazer.
E então, sem mais nem menos, sua língua abandonou minha intimidade fazendo com que eu abrisse os olhos, vendo-o se levantar e se inclinar em direção a mim. Uma de suas mãos passou por minha cintura fazendo com que nossos corpos se colassem e ele ficasse entre minhas pernas. Dando um sorriso malicioso, ele enterrou seu rosto na curva de meu pescoço e começou a dar leves mordidas. Eu podia sentir sua ereção latejar debaixo do short de tecido fino em contato com minha intimidade, fazendo com que eu cruzasse minhas pernas em sua cintura, puxando-o mais para perto. Ele então subiu uma de suas mãos pela parte interna da minha coxa, chegando até meu clitóris, massageando de leve e fazendo círculos.
Eu pude sentir que eu iria tocar o céu e que nunca, em minha vida, eu poderia ofegar tanto. O ar parecia me faltar toda vez que ele aumentava e diminuía os movimentos, enquanto eu soltava palavras obscenas em seu ouvido, palavras que eu jurei nunca nem ao menos pensar em dizer.
E, como em um passe de mágica, ele deslizou dois de seus dedos para dentro de minha intimidade, indo até o fundo, fazendo com que eu estremecesse da cabeça aos pés. Ele me penetrava sem pressa, fazendo com que gemidos de reprovação saíssem de minha boca. Comecei então a fazer movimentos para frente e para trás com meus quadris, fazendo seus dedos penetrarem mais fundo e mais rápido, fazendo gemidos saírem de minha garganta cada vez mais alto. Ele então aumentou a intensidade de seus movimentos acompanhando os movimentos de meus quadris, sussurrando palavras maliciosas em meu ouvido.
Sorri deixando que minha boca fosse levada até sua orelha, lambendo-a por inteiro, e levei então minha boca em direção ao seu pescoço, começando a dar mordidas enquanto sentia seus dedos fazerem movimentos circulares, diminuindo o ritmo. Sua boca desceu por todo o meu colo, chegando até meu biquíni, afastando-o com a mão livre, mostrando, assim, meu seio que estava excitado e se encontrava com o mamilo duro. Sua boca então começou a sugá-lo fazendo movimento circulares com a língua em volta do bico. Ele sugava meu seio enquanto me penetrava mais rápido, enquanto os gemidos começavam a ficar mais altos e mais intensos.
E então ele deu uma última sugada e uma mordida antes de descer sua boca por toda a minha barriga até chegar a minha intimidade, a qual seus dedos haviam acabado de abandonar. Suas mãos afastaram de novo minhas pernas deixando minha intimidade exposta outra vez e seguraram meu quadril enquanto sua língua tomava conta de novo de minha intimidade, fazendo movimentos circulares. Meu corpo todo se encontrava quente e eu podia sentir que meu ar faltava novamente, fazendo com que os gemidos que se formavam em minha garganta ficarem cada vez mais alto. E, quando eu menos esperei, eu senti todo o meu corpo relaxar de uma forma que nunca fez antes. Abri os olhos e o vi se levantando para ficar em minha altura, olhando em meus olhos. O que eu havia acabado de fazer?
E antes mesmo que ele pudesse pensar em fazer mais alguma coisa, minha mão voou na sua cara, acertando em cheio sua bochecha. Levantei-me depressa, me enrolando na toalha e saindo do terraço.
Entrei em meu apartamento ofegante, girando a chave na porta duas vezes para me certificar que eu estava bem segura. O que diabos acabou de acontecer?, pensei andando de um lado por outro. Eu só podia está ficando louca. Eu provavelmente tinha perdido toda a noção do que era certo e do que era errado para deixar com que ele fizesse isso comigo.
O telefone começou a tocar interrompendo meus pensamentos.
- O que é? – Falei logo quando atendi.
- Que isso, ? – Escutei a voz do Marcus do outro lado da linha. – O que aconteceu?
- Nada. Apenas o odioso do seu vizinho acabou de me dar um dos melhores orgasmos da minha vida só usando a língua, coisa que o James não sabia fazer nem usando o pênis. – Coloquei a mão na boca quando o escutei gritar do outro lado da linha.
- Eu não acredito. Você acabou de pegar meu vizinho que você odeia tanto?
- Tecnicamente, ele que me pegou.
- E pegou de jeito, pelo o que eu vi.
- Carência, Marcus, foi só carência. Não vai acontecer outra vez.
- .
- Eu tenho que ir, Marcus. Preciso tirar o cheiro desse homem odioso de mim. – Desliguei o telefone, jogando-o no sofá.
Isso nunca mais vai acontecer. É só carência. Isso vai passar. Isso não é bom para você, , você já se meteu com um desse e veja como você acabou, pensei andando em direção ao meu banheiro, desejando nunca ter tido a ideia de tomar banho de piscina.



Capítulo 3

- Eu já disse que está tudo bem, Marcus. – Falei, saindo do elevador. Marcus estava fora há três semanas agora, e todos os dias ele me ligava para saber das novidades e eu, como uma mera mortal de coração mole, acabei contando o que havia acontecido entre o e eu, nos mínimos detalhes. Marcus tinha ficado eufórico e ao mesmo tempo com inveja, pois ele sempre desejava que aceitasse sua proposta de fazer um ménage à trois com ele e Sam.
- Você o tem visto?
- Não. – Falei, parando em frente à minha porta. – E também não tenho escutado barulho das festas.
- Um sinal que você mexeu com ele.
- Marcus, eu só queria ser uma eterna romântica como você. – Falei colocando a chave na porta, girando-a. – Provavelmente eu fui só mais uma na longa lista dele.
- Ou você foi a última que será a única. Até os cafajestes tem coração.
- Pode até ser, mas isso não significa que vai ser comigo. Passou, Marcus, e não vai acontecer de novo.
- Nunca diga nunca. Agora, deixa eu ir que Sam está me chamando.
- Aproveite suas férias e não precisa se preocupar comigo.
- Mas é claro que não, meu vizinho gostosão está aí para cuidar de você.
- Tchau, Marcus. – Falei abrindo a porta de casa.
- Tchau, minha pegadora de vizinho gostosão. – Ele desligou o telefone na minha cara sem me dar o direito de resposta.
- Eu vou te matar, ! - Escutei um grito ecoar pela escada de emergência fazendo com que eu parasse na porta. – Não vai sobrar nem um pedacinho para contar a história. – Olhei para o lado, vendo a porta do elevador se abrir e um ofegante sair de lá correndo em minha direção. – Espero que esteja pronto, porque eu não terei perdão. – E antes que eu pudesse falar alguma coisa, me pegou pela cintura, me empurrando pela porta aberta para dentro de casa e rolou comigo para o lado, me prensando contra a parede, fechando a porta ao seu lado e passando a chave.
- Mas o que... – ele colocou o dedo em meus lábios recuperando o fôlego.
- O marido da senhora Flores está atrás de mim. – Ele falou.
- Bem feito, quem manda se meter com a mulher dos outros. – Interrompi-o.
- O quê? Você acha que eu fiquei com uma mulher casada?
- Não sei, mulher faz seu tipo, principalmente se ela der em cima de você.
- Ela que me agarrou. Ela vem dando em cima de mim faz algum tempo, e como naquele dia o sol estava muito quente, eu decidi tomar um banho de piscina e foi aí que ela apareceu. Ela me beijou a força e quando ela estava pronta pra dar o bote outra vez você apareceu.
- Abre essa porta, . Venha resolver isso como homens. – Peter Flores batia freneticamente na porta do apartamento da frente.
- Se você me tirar dessa, eu prometo que lhe recompenso.
- O que te faz pensar que eu te ajudaria?
- Eu sou muito bom quando se trata de agradecimento. Você sabe disso. - Ele falou sorrindo malicioso fazendo um arrepio passar por meu corpo. Empurrei-o para a parede, ficando de frente para ele.
- Fica aqui. – Falei apontando o dedo em sua cara. – Eu resolvo isso. – Abri a porta do apartamento, fechando-a atrás de mim assim que saí. – Senhor Flores, o que aconteceu?
- aconteceu. - Ele falou virando-se para mim. Senhor Flores era um homem alto que havia entregado sua vida à bebida. Muitas vezes podíamos vê-lo bebendo no bar da esquina. E, mais do que qualquer coisa, sua barriga de cerveja não engana ninguém.
- O que ele fez agora?
- Ele tomou banho de piscina com minha mulher.
- O quê? – Falei incrédula. As aulas de teatro no colegial serviram para alguma coisa. – Quando foi isso?
- Segunda-feira.
- Ah, senhor, isso é impossível.
- Mas é claro que não. Eu vi o biquíni da minha mulher na roupa suja. Ela sempre guardava aquele biquíni para o dia que fosse tomar banho na famosa piscina da cobertura onde o senhor mora.
- Oh, senhor Flores, o senhor está se esquecendo de alguma coisa.
- Estou? Do quê? A senhorita viu alguma coisa?
- Oh, mas é claro que não. – Falei olhando para ele – O senhor esqueceu que eu também moro nessa cobertura? Eu e Marcus moramos.
- E daí?
- E daí que, como todo condomínio, nós temos regras.
- É mesmo? – Ele cruzou os braços. Ele estava desconfiando que eu estava mentindo. – E quais são essas regras?
- Bem, uma delas é o dia da piscina.
- O dia da piscina?
- É. Nós dividimos os dias da semana que cada um fica com a piscina. Eu fiquei com segundas, quartas e sextas e o com terças, quintas e sábados.
- E no domingo?
- Nós nos alternamos. – Respirei fundo. – Está vendo, senhor Flores, tudo não passou de um mal entendido.
- Hum, sei. Mas eu ainda quero falar com o .
- Isso seria impossível, senhor. – Alfred, o porteiro, interrompeu nossa conversa. Ele sabia de tudo que acontecia nesse prédio, principalmente com seu morador mais famoso. Ele sabia que eu estava mentindo para proteger o , mas em seu olhar eu podia ver que ele não entendia o porquê de eu estar fazendo isso. E, bem, eu também não entendia. – O senhor viajou.
- Viajou? – O senhor Flores e eu perguntamos ao mesmo tempo.
- Ah, agora eu me lembrei. – falei batendo com a mão na minha cabeça. – É verdade. viajou com os amigos para Las Vegas para passar alguns dias lá.
- Ah, então, eu resolvo quando ele voltar. – Ele começou a andar em direção ao elevador. - Vejo você na portaria, Alfred.
- Até mais, senhor Flores. – O mais velho entrou no elevador fazendo com que Alfred e eu respirássemos aliviados.
- Onde ele está? – Alfred perguntou.
- Estou aqui, Alfred. – saiu de meu apartamento com um sorriso no rosto. – Obrigado por salvar minha pele.
- Eu é que agradeço, . Desde que o senhor chegou aqui, a diversão rola solta por esse prédio.
- E a depravação também, não se esqueça. – Ironizei, olhando para – Pronto então. Você agora pode ir para o seu apartamento fazer o que faz de melhor.
- E o que seria isso?
- Ser um riquinho mimado que não faz absolutamente nada da vida e promove festas e orgias.
- Pelo jeito você vem me observando há algum tempo.
- Quase impossível de ignorar com aquela música alta de mau gosto e as garotas saindo do seu apartamento vestindo as roupas pelo meio do caminho.
- Ele não pode voltar pro seu apartamento. – Alfred me interrompeu. – Você não vê que o senhor Flores vai voltar aqui a qualquer momento? Ele sabe que estamos mentindo.
- Isso já não é problema meu. – Falei andando em direção ao meu apartamento. – Boa sorte para vocês que ficaram tentando dar a voltar no senhor Flores, pelo que me lembro bem ele tem uma arma em casa.
- Você deveria ficar no apartamento da senhorita . - Alfred disse.
- O quê? – Falamos os dois ao mesmo tempo.
- Isso é absolutamente impossível. Eu não moro sozinha.
- Mas o senhor Marcus não está aqui e eu garanto que ele não iria se importar em ter em sua casa.
- Por que ele não pode ficar na sua casa?
- Porque o senhor Flores faz muitas visitas ao meu apartamento atrás de ferramentas para consertar aquela velha moto dele que nunca vai funcionar. – Ele explicou. – Senhorita , são apenas alguns dias. E se o senhor Flores souber que eu menti, ele vai contar para o comitê do prédio e eu provavelmente perderei meu emprego. – Ele falou cabisbaixo.
- Está bem. O pode ficar na minha casa.
- Obrigado, senhorita .
- De nada, Alfred. Eu não quero que você perca o seu emprego só porque o aqui não consegue se controlar ao ver uma saia.
- Eu já disse que ela que me atacou.
- E como você é a pessoa mais sincera do mundo, eu devo acreditar.
- Eu vou voltar para a portaria. – Alfred falou, entrando no elevador.
- Tchau, Alfred. – Acenei antes de entrar em casa, sendo seguida por . – Você pode dormir no sofá, ele foi feito para isso. Eu vou trazer alguns lençóis e um travesseiro pra você. – Falei começando a andar em direção ao corredor. segurou em meu braço me virando para ele, fazendo nossos corpos se colarem. Sua mão livre passou por minha cintura me puxando mais para perto enquanto sua boca se direcionou até meu pescoço. – . – Sussurrei sentindo sua língua passar em meu pescoço.
- Ah, , deixa eu te recompensar. – Ele sussurrou em meu ouvido antes de voltar a beijar meu pescoço.
Fechei os olhos, segurando em seus cabelos e sentindo sua boca passear por meu pescoço e um calor tomar contar de meu corpo. Algo dentro de mim me deixava fraca e com pernas bambas quando o assunto era , ele tinha algo que me deixava com uma súbita vontade de arrancar todas as suas roupas e fazer sexo até que nossos corpos não aguentassem mais. Ele despertava os desejos mais obscuros, que nem eu mesma sabia que existiam; ele fazia com que o tesão falasse mais alto e eu me pegava imaginando como seria pelo menos uma noite inteira com ele onde a última coisa que a gente faria era dormir.
Ele fazia eu me perguntar por que em todos esses anos eu não havia sentindo uma sensação tão boa. E por que diabos eu não sentia essas sensações com James?
Talvez eu não gostasse tanto assim de James, pensei abrindo os olhos e empurrando .
- , para! – Falei, levantando a cabeça e olhando para ele. – Você não pode fazer isso.
- Claro que posso, lembra aquele dia na piscina? – Ele deu um sorriso de lado e começou a andar em minha direção. – E eu sei que você gostou.
- , não. – Falei, colocando as mãos na frente do seu corpo, o impedindo de continuar. – , você não pode sair por aí fazendo aquele tipo de coisa com as mulheres.
- Mas você estava gostando. O que há de mal em agradecer as pessoas?
- Em agradecer não há nada de mal, é para isso que “obrigado” serve. Pessoas normais fazem isso, elas falam “obrigado”, dão um sorriso e vão embora, ou conversam por mais ou menos três encontros para depois fazerem aquilo.
- Então quer dizer que se eu te levar em três encontros eu posso fazer coisas como aquele dia na piscina?
– Boa noite, . – Falei, girando meus calcanhares em direção ao corredor. Eu me esqueci de algo, pensei, voltando até , que estava que estava com um sorriso no rosto. Levei minha mão com força ao seu rosto, acertando sua bochecha. – Agora sim, boa noite. – Falei, voltando até o corredor, podendo escutar ele gritar: Boa noite, !




Continua...



Nota da autora: Sem nota.



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