FFOBS - 15. New Love, por Robins

Capítulo único

PARTE I


14 de setembro de 2016


— Não. — Aaron disse, fazendo com que a igreja inteira soltasse um suspiro coletivo. — Eu não posso me casar com você, !
Virei meu rosto para o lado, olhando para ele.
— O quê? — eu perguntei, sentindo meus olhos lacrimejarem. — Como assim, Aaron?
— Meu coração não te pertence, e acho que você sabe disso, — disse, afastando-se de mim.
— E você só percebeu isso agora, Aaron? No dia do nosso casamento? — questionei, sentindo minhas lágrimas descerem por meu rosto e minha raiva começar a se espalhar pelo meu corpo. Eu sabia que nosso relacionamento não estava um dos melhores, nos últimos meses. Planejar um casamento tão grande quanto o nosso não era uma tarefa fácil, especialmente, quando Aaron parecia não estar tão interessado nos planejamentos, mas eu nunca pensaria que ele não queria mais se casar. — Aaron, eu sei que as coisas não estão as melhores, mas eu te amo. — Dei um passo à frente, o que fez com que ele desse um passo para trás. — Aaron, por favor...
— Eu não posso... Desculpe-me! — respondeu, e a única coisa que fiz foi jogar o buquê na cara dele.
— Eu te odeio, Aaron! — comecei a gritar, não me importando com quem estava assistindo. — Como é que você pôde fazer isso? Por que você teve que me humilhar desse jeito? — continuei, começando a dar socos em seu peitoral. — Por que, Aaron? Por que você fez isso?
— Desculpe-me, . Por favor, desculpe-me! — ele disse, segurando meus punhos.
— Vamos, filha. — Meu pai me segurou pela cintura, me abraçando pelos ombros.
Eu não sei exatamente como consegui chegar à sala onde dei os últimos retoques, antes de entrar na igreja, ou nem quando meu pai me colocou sentada em algum lugar. A única coisa que eu sabia era que não conseguia parar de chorar.
Não era como se eu não tivesse desconfiado de que Aaron estava meio distante, mas nunca, em um milhão de anos, eu imaginaria que ele me largaria no meio do altar no dia do nosso casamento. Eu sempre soube que Aaron e eu éramos muito diferentes. Ele, sendo um cara completamente calculista em tudo o que fazia e extremamente sério em qualquer situação em que se encontrava, e eu, sendo uma bola de felicidade ambulante que andava com um sorriso no rosto durante vinte e quatro horas por dia. Eu tinha na minha mente que, como éramos opostos, de alguma maneira, era isso que fazia com que nós ficássemos juntos, e quando ele ajoelhou-se para me pedir em casamento no topo de um dos prédios mais altos da cidade, com velas espalhadas por todo o local, eu sabia que estava certa.
Eu estava no topo do mundo. Eu estava prestes a me casar com o cara dos meus sonhos. Havia, finalmente, aberto minha clínica veterinária com minha melhor amiga e tinha acabado de terminar de mobiliar o apartamento dos meus sonhos, o mesmo que eu moraria com o amor da minha vida.
É, queridos, parecia que a única certeza que a gente tinha na vida era a morte, porque até o dia do seu casamento podia se tornar imprevisível.
?! — Escutei a voz da minha mãe me chamar e abri os olhos, levantando a cabeça para olhar para ela. Meu pai continuava ao meu lado, me abraçando forte, enquanto todos da minha família estavam na minha frente. — Você precisa de alguma coisa, minha filha?
— É, se você quiser, nós podemos dar uma surra no Aaron, não é, Austin? — Enzo disse, e Austin, o marido de Eloá, assentiu. Só esse dois, mesmo, para me fazer rir em um momento como este.
“Meu Deus! O que eu vou fazer agora?”, pensei, começando a chorar ainda mais.
— Eu gostaria tanto de transferir toda a sua dor pra mim, ! — meu pai disse, beijando o topo da minha cabeça. — Ou, pelo menos, fazer alguma coisa para essa dor melhorar.
— Se você conseguir convencer o Aaron a se casar comigo, tenho certeza de que essa dor vai embora — eu disse, porém logo me arrependi.
— Você não pode forçar alguém a se casar com você, , ou a te amar.
— Mas isso não quer dizer que eu não queira! — eu disse, afastando-me dele. — Como é que eu não vi os sinais? Como é que eu pude deixar minha vida chegar a este ponto? Abandonada no altar no dia do meu casamento?
— Talvez tenha sido para o melhor, . — Eloá, minha irmã, disse, ajoelhando-se à minha frente. — Você preferia viver em um casamento em que não seria feliz?
— Se o Aaron estivesse comigo...
— Esquece esse escroto, ! Ele nunca te mereceu, mesmo! Na minha opinião, você sempre foi muito mais entregue nesse relacionamento que ele.
— Eloá! — Austin a puxou para cima, passando um braço pela sua cintura. — Você não pode falar isso à sua irmã, especialmente, em um momento como este.
— Mas não é como se ninguém estivesse pensando! Mamãe mesmo disse que não sabia o que tinha visto nesse engomadinho sem sal.
— Eloá! — Agora, havia sido a vez da minha mãe gritar com ela.
— Mãe?! — eu perguntei, e ela olhou para mim. — É verdade? Por que você não disse nada?
— Você estava tão feliz, ... Eu não queria me meter na sua felicidade. Apenas pensei que vocês dois tinham o mundo de vocês, onde ninguém mais entendia, só vocês dois; tipo, eu e o seu pai, ou a Eloá e o Austin. Pessoas de mundos diferentes, mas que, de alguma maneira, se completavam.
— É, eu também achava... — Abaixei minha cabeça, limpando algumas lágrimas.
— Você não precisa se preocupar com nada. Nós vamos cuidar de tudo. — Eloá começou. — Nós vamos mandar todos pra casa, ligar para o salão, onde seria a recepção, e cancelar tudo.
— É, você pode ficar com a gente, hoje! — minha mãe disse. — Nós poderíamos assistir algum filme e comer sorvete a noite inteira.
Mas é claro que todos sentiriam pena de mim. “Pobre , abandonada no dia do seu casamento pelo seu noivo. O que ela vai fazer, agora, da sua vida? Provavelmente, chorar, até seus olhos ficarem inchados, comer um monte de porcaria que poderia imaginar e se esconder, depois de tanta humilhação’’. Eu tinha certeza de que, em algum lugar desta igreja, a mãe de Aaron, a cobra que era minha ex-sogra, estava com um sorriso no rosto, enquanto pensava isso. Porém, errada estava essa víbora, se achava que ficaria por cima. Se havia uma coisa que sabia fazer era surpreender as pessoas.
— Vocês querem saber de uma coisa? — Levantei meu olhar para eles. — Eu quero mais é que o Aaron vá para o inferno! — Levantei-me, começando a tirar o véu da minha cabeça e jogar no chão. — Você vai ligar, sim, para o salão, Eloá, mas é pra avisar que tirem todos os rastros de que Aaron Castro existiu na minha vida ou nessa festa de casamento.
— Do que você está falando, ?
— Nós vamos transformar essa festa de casamento na melhor festa de não casamento que essas pessoas já viram! — Segurei a barra do meu vestido e comecei a andar em direção às portas. Andei a passos largos de volta à igreja, ficando de frente para os convidados, em cima do altar. — Boa noite, meus queridos convidados! — A igreja caiu em um silêncio enorme. Alguns me olhavam, apavorados, e outros, com pena, especialmente, do lado do noivo, e não tinha coisa que eu odiava mais que alguém me olhando com pena. — Como vocês presenciaram, o noivo decidiu que não está preparado para se casar e me largou no altar, como quem joga um papel no lixo. — Eu ri, sem humor. — Eu sei, eu sei... Muito triste isso. Pobre ! O que vai fazer agora? E como não gosto de deixar perguntas sem respostas, lá vai a minha: eu convido todos vocês a participarem da melhor festa de não casamento que vocês já viram! Vai ter tudo o que uma festa de casamento teria, sem a parte dos noivos explodindo de felicidade por, finalmente, conseguirem seu “felizes para sempre”, é claro. Então, quem quiser participar dessa experiência única, vá ao Hotel Plazza, onde seria a recepção de casamento, exceto os convidados dos noivos. Todos vocês podem ir para o inferno junto com ele! Tchau!
Minhas duas madrinhas de casamento, Alice e Ariella, me seguiram de volta à Sacristia.
— Ei, ! Você está bem? — Ariella me segurou pelo braço, fazendo com que eu me virasse para ela.
— Mas é claro que não, Ariella. Eu acabei de ser largada no altar! É claro que não estou bem! — falei um pouco mais alto do que eu desejava.
— Desculpa. Essa foi uma pergunta estúpida.
— Não, desculpe-me. Eu não deveria ter falado com você desse jeito — eu disse, segurando sua mão.
— Que história é essa de festa de não casamento? Você acha que está em clima de festa neste momento? Você não prefere ir pra casa?
— Se eu for pra casa, vou enlouquecer! Ariella, eu preciso me distrair e fingir que essa festa de casamento é minha segunda festa de aniversário este ano. É mais fácil que aceitar a verdade. Eu não quero aceitar. Agora, não.
— Então você quer farrear como se não houvesse amanhã?
— Na verdade, o contrato só nos permite ficar até às 4 da manhã... — eu respondi, fazendo com que Ariella sorrisse. — Você sabe melhor que ninguém que abandonar alguém no altar é uma coisa horrível. — Ariella estava prestes a protestar quando eu continuei: — Tudo bem... Você não abandonou o Derek no altar, foi um mês antes do casamento, mas, mesmo assim, sabe que ele demorou anos até conseguir confiar em uma mulher outra vez o bastante para entrar em um relacionamento. Eu só preciso me distrair, Ariella. Por favor, apenas confie em mim e fique ao meu lado.
— Tudo bem.
Pulei no pescoço dela, abraçando-a forte. Alice, que, supreendentemente, não tinha falado nada, estava me encarando, chocada. Alice Monroe estava sem palavras, pela primeira vez na vida dela, e era por causa de mim.
— Alice, você ainda tem aquele vestido preto no seu quarto de hotel? — Alice apenas assentiu com a cabeça. — Você acha que consegue me transformar de noiva abandonada em rainha da porra toda, antes da recepção de casamento? — Ela assentiu novamente, fazendo com que eu e Ariella gargalhássemos. — Então acho que temos uma festa de não casamento para comparecer, meninas. Você não vai falar nada, Alice?
— Que horas eles começam a servir as bebidas? Porque eu não perco esse babado por nada neste mundo!

Depois do choque inicial do meu anúncio da reformulação da minha festa de casamento, todos da minha família, junto com meus amigos, nos dirigimos ao hotel onde deveria ser minha festa de casamento. Enquanto minha família se juntou para reorganizar tudo no salão, Alice e Ariella subiram comigo para a suíte presidencial do hotel para que eu pudesse me arrumar. Enquanto eu andava pela entrada do hotel, as pessoas me olhavam estranho. Quando entramos no elevador, um casal ainda me desejou uma vida cheia de saúde, felicidade e muito amor com meu futuro marido, e eu respondi na lata que conseguiria tudo isso sozinha. Claro que quando eu saí do elevador, corri em direção à suíte e me joguei no sofá. Alice e Ariella apenas se sentaram ao meu lado, me entregando lenços de um lado e doses de tequila do outro.
Depois que eu me recuperei, Alice começou os trabalhos para esconder o inchaço da minha cara, de tanto chorar, enquanto Ariella ia pegar o vestido “mulherão da porra” que Alice havia guardado dentro da mala. Não sei quanto tempo a minha repaginação durou, porém quando nós estávamos no elevador, a ponto de ir à festa, eu já podia sentir o álcool fazendo efeito. Minha família, como era a melhor do mundo, não tinha decepcionado em relação à minha festa de não casamento. Quando eu entrei no salão, não existia nenhum vestígio de que Aaron Castro existia, e a festa parecia mais uma segunda festa de aniversário. O salão estava lotado, cheio de alguns convidados do meu casamento e pessoas desconhecidas. Com certeza, Enzo, o meu irmão, deve ter falado com todos os seus amigos sobre a festa, e a Eloá, provavelmente, deve ter feito o mesmo.
— Você tem certeza de que quer fazer isso, ? — Alice perguntou, depois que terminei de tomar outra dose de tequila. — Nós ainda podemos dar meia volta e ir à suíte.
— Quero, sim.
— Então, que os jogos comecem!

Honestamente, eu sempre achei que álcool não era a solução para os seus problemas. A única coisa que ele trazia era uma ressaca do caralho e uma noite que, muitas vezes, você se esquece de tudo o que fez e, provavelmente, vai se arrepender no dia seguinte. Entretanto, tudo o que eu queria, nesta noite, era esquecer — esquecer Aaron, por ter sido um babaca comigo e me abandonar no altar; esquecer o quão estúpida eu fui por não ter visto os sinais, mesmo quando tudo estava escrito em seus olhos; esquecer todos os sacrifícios que eu fiz por amor, para, no final, tudo não ter valido a pena. Eu só queria esquecer o arrependimento que viesse, depois, junto com a ressaca.
— Eu vou ao banheiro e, depois, ao bar. Você quer alguma, Alice? — Já passava das três da manhã, e a festa parecia apenas crescer à medida que as horas iam passando.
Meus pais já haviam ido embora, junto com Catarina, que tinha que acordar cedo no dia seguinte por causa de alguma prova da faculdade. Enzo ainda estava muito bem, obrigada, dançando com sua namorada, a Mia, no meio da pista de dança.
Andei aos trampos e barrancos em direção ao banheiro, não me atrevendo a levantar o olhar. Era capaz de eu tropeçar nos meus próprios pés, se o fizesse. Depois que eu fiz tudo o que tinha que fazer no banheiro — incluindo fazer caretas no espelho —, saí do mesmo, tropeçando em uma parte solta do carpete e caindo sentada no chão.
É, meus queridos, parecia, mesmo, que eu tinha chegado ao fundo do poço e ainda de bunda!
— Tem como ficar pior?! — eu gritei, jogando as mãos para o alto.
— Se você contar que o zíper do seu vestido acabou de se partir em dois, e eu posso ver a tatuagem enorme que você tem nas costas, como pior. É, eu acho que pode, sim! — alguém falou, fazendo com que eu virasse para trás tão rápido a ponto de sentir uma dor no meu pescoço.
— Merda! — eu disse, passando a mão em meu pescoço.
— Você está bem? Por mais engraçado que tenha sido o seu tombo, deve ter doído para caralho. — O estranho, que eu tinha acabado de ver que era um homem, ajoelhou-se à minha frente.
Levantei meu olhar, ainda um pouco tonta, vendo que o homem que estava à minha frente era extremamente atraente e um total desconhecido.
— Você não está na lista de convidados... — eu disse, fazendo com que ele se assustasse e sorrisse de lado.
— É, meus amigos e eu entramos na festa de casamento errada, apenas pra descobrir que aqui estava muito mais interessante que a recepção café com leite do casamento do nosso amigo. Aparentemente, a noiva foi abandonada no altar, deu a louca e decidiu aproveitar a festa de qualquer maneira. — E foi só isso que foi preciso para eu me lembrar do porquê de querer esquecer tudo e começar a chorar mais uma vez.
— Eu não dei a louca, para sua informação! — comecei, enxugando minhas lágrimas. — Eu só não queria desperdiçar a fortuna que gastei nesta festa de casamento, seu imbecil!
— Merda! Você é a noiva abandonada?
— Que deu a volta por cima, devo ressaltar! — eu disse, apontando o dedo em seu peitoral. — E tudo estava indo muito bem, até você me lembrar de tudo o que aconteceu, seu imbecil! — Eu continuei a chorar, o que fez com que ele entrasse em total estado de pânico.
Bem feito!
— Merda! Tem alguma coisa que eu possa fazer para você parar de chorar? — ele perguntou, colocando a mão em meu ombro. Na mesma hora, uma corrente de ar passou, indicando que meu zíper tinha, sim, se partido no meio.
— Primeiro, você vai me dar seu terno, por motivos que você já sabe... — comecei, apontando para as minhas costas. — Segundo, eu quero que você vá à segunda porta à direita e pegue uma garrafa de champanhe... — continuei, apontando para a porta ao lado do espelho. — Melhor, duas! — Estendi a mão para ele. — Passa esse terno para cá, estranho.
O estranho riu, começando a tirar seu terno e me entregando.
— Nenhum “obrigada”? — perguntou, levantando-se.
— Você não faz mais que sua obrigação, depois de ter zombando de mim! — respondi, me arrastando até a parede e me encostando na mesma. O estranho continuou olhando para mim, enquanto eu tirava minhas sandálias. — Eu estou esperando.
Ele apenas balançou a cabeça e virou-se para o corredor, desaparecendo pela porta que eu indiquei.
Eu estava muito serena, sentindo a liberdade dos meus pés, quando senti alguém se sentar ao meu lado. Abri os olhos, virando meu rosto para o lado e vendo que o estranho estava mais perto do que eu esperava; tão perto que nossos ombros estavam se tocando, e eu podia ver os seus longos cílios.
— Trouxe o que você pediu — ele disse, estendendo o champanhe para mim. Afastei-me da parede, pegando o mesmo, e procedi em abri-lo. — Eu trouxe umas taças também. — Eu o ignorei, começando a beber direto da garrafa. — Ou você pode beber direto da garrafa. — Ele riu, fazendo com que eu olhasse para ele de lado.
— Você quer? — Estendi a garrafa para ele, que apenas balançou a cabeça. — Tudo bem... Sobra mais para mim.
— Você realmente acha que consegue beber essa garrafa inteira?
— Você duvida? — Arqueei as sobrancelhas para ele, que arregaçou as mangas da sua camisa e afastou-se da parede.
— Quer saber? Duvido, sim.
— Não chore depois quando eu calar essa sua boquinha linda, estranho — eu respondi, antes de virar a garrafa.
O estranho estava certo. Eu não conseguiria beber tudo isso de uma vez, mas nada, neste mundo, faria com que eu desse esse gostinho a ele. Entretanto, como nada já saiu do jeito que eu esperava neste dia de merda, teve uma hora que a bebida entrou pelo caminho errado e saiu pelo meu nariz. Abaixei a garrafa, começando a tossir. O estranho ao meu lado passou a mão pelas minhas costas, o que fez com que eu olhasse para ele.
— Você é realmente uma mulher peculiar.
— Isso é um elogio?
— Você pode apostar que sim.
— Bom. — Eu me encostei novamente na parede, apoiando minha cabeça na mesma e fechando os olhos.
O estranho fez o mesmo e, como as minhas inibições já tinham ido ao espaço há algumas horas, encostei minha cabeça em seu ombro.
— Posso te perguntar uma coisa?
— Você já me viu levar uma queda, espirrar bebida pelo nariz, chorar e não vamos nos esquecer da metade do vestido aberto... Acho que uma pergunta não vai fazer diferença.
— É verdade? Você foi mesmo abandonada no altar?
— Sim, e ainda com direito a escândalo da minha parte.
— Você está triste? Digo, fazer uma festa de não casamento é algo para lá de inusitado.
— Eu só não queria me afogar na minha miséria, sabe? Eu realmente agi por impulso quando decidi. Não pensei duas vezes e apenas fiz. Eu precisava me esquecer do que aconteceu, nem que fosse por uma noite... Amanhã, eu posso me afogar em lágrimas, comer todo tipo de porcaria conhecida pela humanidade na forma de comida e assistir a comédias românticas.
— Desculpa por ter te lembrado do pior dia da sua vida.
— Sem problemas. Pelo menos, você é um gostoso... Compensa o erro! — eu respondi, abrindo os olhos e olhando para ele, de baixo para cima.
O estranho, que tinha um sorriso no rosto, colocou a mão em meu rosto e aproximou seu rosto do meu.
— Eu só tenho a dizer que ele foi um tremendo babaca por ter te deixado escapar — sussurrou, roçando seus lábios nos meus.
— Eu sei — respondi, acabando com a distância entre nós, e colamos nossos lábios. No momento em que nós aprofundamos o beijo, eu senti pequenos formigamentos nos meus dedos e suspirei alto. Este estranho, quem quer que ele fosse, sabia como deixar uma garota tonta e louca por ele. O jeito que ele beijava, mordendo meu lábio inferior toda vez que procurava um pouco de ar, acariciando minhas pernas, que tinham parado em cima do seu colo, e puxando o cabelo da minha nuca, eram sinais de que este homem era veneno na certa! E como eu queria uma garrafa inteira para a viagem, por favor! Obrigada!
— Você sabe como deixar um homem sem palavras... — ele disse, afastando meu cabelo por cima do meu ombro.
— Então não diz nada, só vem! — Eu me levantei, puxando-o junto. — Vamos!
— Aonde você está me levando?
— Eles estão tocando músicas latinas, então quer dizer que a festa está perto de acabar. — Eu empurrei a porta que dava para o salão, vendo o mesmo ainda lotado. — E eu não sei você, mas quero passar esse tempo dançando e, se for contigo, melhor ainda. — Eu me virei para ele. — A não ser que você não queira, é claro. Se não quiser, pode voltar à sua festa. Você não tem que ficar aqui, comigo, a noiva...
Ele me interrompeu, me dando um beijo de tirar o fôlego.
— Eu adoraria passar o resto da festa com você, mas, antes, a gente vai fazer uma parada. — Ele começou a me puxar na direção contrária à pista de dança, em direção à cabine de fotos. O estranho sentou-se no banco e me puxou para o seu colo, me abraçando pela cintura. Eu gargalhei alto quando ele apertou o botão, e a tela à nossa frente começou a fazer contagem regressiva. A primeira foi fazendo careta, o que rendeu boas gargalhadas de nós dois. Na segunda, ele fez biquinho, e eu dei um beijo na sua bochecha. Na terceira, ele escondeu seu rosto em meu pescoço, fazendo com que eu sorrisse largamente, e na última, ele virou meu rosto para ele e me deu um selinho demorado.
— Esta, definitivamente, é a melhor festa que eu já dei em anos! — eu disse, saindo da cabine e pegando nossas fotos. Estendi uma para ele e coloquei a outra dentro do meu vestido.
O estranho apenas balançou a cabeça e começou a me puxar pela mão.
— Vamos transformá-la na noite mais épica que nós dois já vivemos.
E ele, definitivamente, fez exatamente o que prometeu.

PARTE II


18 de outubro de 2017


— Zala acabou de chegar. — Alice disse, entrando em meu consultório. — Eu sei que você está cansada, e até atenderia, mas tenho que correr para casa. Steve marcou um jantar em família com os pais dele, hoje. São só algumas vacinas, nada de mais, sem falar que ela prefere você.
— Você vai conhecer os pais dele, finalmente? E você sabe que não é verdade! Zala gosta de nós duas.
— Ela corre para o seu consultório toda vez que chega aqui! — ela disse, gargalhando alto. — É, os pais voltaram daquela viagem ao mundo, e eu, depois de quase um ano, irei, finalmente, conhecê-los. Até nervosa, eu estou.
— Você não precisa ficar nervosa, Alice. — Levantei-me, andando até ela. — Você merece toda a felicidade do mundo.
— E você também. — Ela me abraçou forte pelo pescoço. — Foi por sua causa que eu conheci o Steve. Se não fosse a sua festa de não casamento, eu nunca teria o conhecido.
— Que bom que a minha desgraça trouxe felicidade a alguém. — Separei-me dela. — Eu fico feliz por você, Alice, de verdade.
— E eu fico feliz por você, . Olha o tanto que você conquistou neste último ano, o quanto a nossa clínica cresceu... Claro que, se você tivesse pegado o telefone daquele bonitão que você disse que encontrou na festa, nós duas, provavelmente, estaríamos tendo a vida perfeita. — Alice continuou, enquanto saíamos do consultório. — Você não tem nenhuma curiosidade para saber quem era aquele pedaço de mau caminho?
— Como é que você sabe que ele era um pedaço de mau caminho? Você nem viu a cara dele.
— Você acha que eu não vi que você guardou a foto que vocês tiraram na cabine?
Eu olhei para ela, espantada. Eu tinha escondido aquela foto muito bem na última gaveta da minha mesa.
— Como você sabe disso? Alice, eu já te disse para não mexer nas minhas coisas!
— Foi sem querer! Eu estava procurando uma caneta!
— Mentira sua, e você sabe! Você estava atrás de sarna pra se coçar!
— Você não pode me culpar por isso! Eu só quero que você seja feliz!
— E você acha que um estranho em uma festa pode me fazer feliz?
— Bem, se você contar que, depois que você chorou tudo o que teve que chorar por Aaron, você sentiu mais esperança em um novo amor que falta do idiota que te machucou.
— Mesmo se eu quisesse ver aquele estranho, um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, Alice.
Ela sorriu largamente, antes de dizer:
— A sua sorte é que, hoje, é um dia de chuva... Capaz até de ter uma tempestade.
Olhei para ela, confusa, que apenas deu ombros e segurou a porta para nós entrarmos na recepção.
Deixe-me dizer algo sobre Alice: ela não dizia nada que não tivesse duplo sentido, especialmente quando sorria de lado e, no momento em que eu entrei na recepção, foi aí que percebi que todo aquele papo de tempestade tinha, sim, o significado, porque, sentando na sala de espera, com uma samoieda no colo, estava o estranho da minha festa de não casamento mais lindo do que eu me lembrava. Zala, quando me viu, pulou do colo dele e correu até mim, que me abaixei para acariciá-la.
— Olá, garota! Como você está? — Zala latiu e lambeu meu rosto. — Eu também senti sua falta. Onde está sua mãe, hein?
— Na verdade, a Zala é minha — o estranho disse, fazendo com que eu olhasse para ele de cima a baixo. — Minha mãe gosta de fingir que ela é dela, apenas nas partes boas, porque quem fica com o sofá detonado e quase sem chinelos sou eu. — Eu me levantei, e ele estendeu a mão para mim. — Eu sou . Muito prazer em conhecê-la! Minha mãe fala maravilhas da veterinária favorita de Zala.
— Na verdade, Alice e eu alternamos em cuidar de todos os animais.
— Mas ele está certo... Zala prefere você. — Alice disse, fazendo com que eu cerrasse os olhos para ela.
— Você não está atrasada para um jantar, querida amiga?
— Merda! É mesmo! Fui! — Alice saiu correndo da clínica, quase tropeçando nos seus saltos.
— Então, vamos vacinar essa linda?! — Zala latiu, o que fez com que seu dono sorrisse largamente. Eu indiquei com a cabeça para que ele me seguisse pelo corredor, até o consultório. Claro que minhas pernas pareciam feitas de gelatina durante o caminho inteiro. Não é como se eu não tivesse pensando nele desde a última vez que a gente se viu, há mais de um ano, completamente bêbados e sem nenhuma preocupação no mundo. Na verdade, ele era exatamente o que Alice disse que era: uma esperança para algo novo. No dia da festa do meu desastroso casamento, onde a gente se conheceu, ele me mostrou que, mesmo na miséria, no fundo do poço, ainda existia algo de bom no fim do túnel. — Você pode colocá-la em cima da mesa. Você tem o cartão dela? — Virei-me para ele logo quando ele terminou de colocar Zala em cima da maca de metal.
Ela olhava para ele com adoração, enquanto ele a acariciava. Há coisa mais fofa que um homem lindo e maravilhoso com uma cadela igualmente linda e maravilhosa que mais parecia um floco de neve gigante? Mi corazón de veterinária e mulher não aguenta assim!
— Tenho, sim. Minha mãe disse que só faltavam algumas, as únicas que você não conseguiu dar porque Zala ficou com medo.
— É verdade. Acho que ela viu os outros cachorros chorando e acabou ficando com medo. — Virei-me para o frigobar, a fim de procurar as vacinas que faltavam de Zala. Lavei minhas mãos, colocando minhas luvas logo em seguida. — Vamos lá, Zala?! Eu sei que você já é uma mocinha e não vai fugir de mim, desta vez. — Coloquei as seringas em cima da maca e procedi a aplicá-las.
— Sabe, você ainda não me disse seu nome... — ele disse, logo quando eu terminei a primeira e peguei a segunda.
Zala continuava olhando para o seu dono, enquanto ele a acariciava na cabeça.
— É — eu respondi, depois que terminei de aplicar a terceira.
— Outra coisa que você também não me disse foi o seu telefone e, por esse, estou esperando há, mais ou menos, um ano.
Eu dei graças a Deus que eu tinha terminado de aplicar todas as vacinas, porque, provavelmente, teria errado e acertado o meu dedo. Eu olhei para ele, não sabendo o que dizer e sentindo minhas bochechas esquentarem. “Que isso, ? Que comportamento de adolescente com a sua primeira paixãozinha é esse?”
Zala latiu, chamando nossa atenção e, depois, pulou da maca, desaparecendo pelo corredor.
— Zala! — nós dois gritamos ao mesmo tempo, andando em direção aonde ela desapareceu.
A clínica era de um tamanho médio, cheia de salas diferentes para os tipos de serviços que nós ofertávamos, que iam desde a veterinária, banho e tosa, venda de produtos, até, às vezes, uma espécie de hotel para cachorros por um curto período de tempo. O primeiro lugar em que nós procuramos foi a recepção, depois, por algumas salas perto do consultório de Alice, até que eu tive a brilhante ideia de que Zala poderia estar na sala dos brinquedos, um dos seus lugares favoritos.
— Não disse? Zala adora este lugar! — eu disse, apontando para Zala, que estava agarrada a um boneco, deitada no chão. Empurrei a porta, fazendo menos barulho possível. — Cuidado com a porta! Ela só tem trinco por fora! Você segura a porta, e eu a pego, okay?
— Por quê?
— Porque os cachorros abriam a porta e acabavam soltando todos os que estavam esperando para ser atendidos. A clínica inteira virava uma zona com a gente correndo atrás dos animais.
— O que não deve ser um desafio pra você. Pelo que eu me lembro, você corre bem até de salto! — ele disse, sorrindo de lado, o que fez com eu risse, sem graça. “Ai, meu Deus! Os meus nervos!” — Zala! — ele gritou, soltando a porta e fazendo com que ela batesse como um estrondo, e corresse atrás dela.
Zala correu em direção à sala onde ficava o estoque de ração e água, levando consigo o peso que segurava a porta.
— Não! — gritei, o que foi completamente em vão, já que a porta fechou com um estrondo. — Não, não, não! — Andei a passos largos até a porta, tentando abri-la.
— Essa porta também não tem trinco?
— Até tem, mas está quebrado! — Olhei pela porta de vidro. — Zala, não! — eu gritei, o que fez com que ficasse ao meu lado para olhar pelo vidro da porta.
Zala tinha acabado de empurrar o saco aberto de ração no chão e começado a comer.
— Zala, não come isso! — Zala apenas ignorou os comandos de e continuou comendo. — Zala, você vai passar uma semana sem passear, se continuar comendo!
Ela nem, ao menos, levantou a cabeça, o que fez com que eu soltasse uma gargalhada.
— Acho que você não está com muita moral com ela, não... — eu disse, me afastando da porta e procurando alguma forma de sair dali.
— Isso é o que dá deixar Zala com minha mãe por quase um ano! Ela mima essa cachorra mais do que me mimou a vida inteira!
Abaixei-me pelo balcão, procurando o telefone, que, normalmente, ficava nesta sala.
— Você estava viajando?
— É, uma viagem pelo mundo para fotografar as praias mais lindas espalhadas pelas Américas.
Levantei-me, vendo que ele estava do outro lado do balcão, apenas a alguns centímetros de mim.
“Acalme-se, coração! Isso não é competição de ginástica rítmica!”

— Deve ter sido uma viagem e tanto!
— Teria sido, se eu não tivesse o tempo todo pensando em uma garota que conheci da maneira menos convencional possível.
“Calma, ! Ele deve conhecer garotas o tempo todo! Com esse rostinho, não deve ser nada difícil!”
— Você está com o seu celular?
— Sim, por quê?
— Eu posso ligar pra minha mãe e pedir pra que ela venha nos salvar... Ela mora por perto e tem uma chave extra. — Ele tirou o celular do bolso e estendeu para mim. Depois de mandar uma mensagem para ela, entreguei o celular de volta e continuei: — Agora, é só esperar! Não tem como ficar pior do que já está.
E foi nesta hora que eu aprendi que deveria ter escutado minha mãe quando ela disse para manter pensamentos positivos em uma situação ruim, porque quando eu fechei minha boca, as luzes se apagaram. segurou o riso, mas não por muito tempo, pois, segundos depois, ele estava gargalhando alto, enquanto segurava sua barriga.
— Eu não acredito nisso! — Joguei as mãos para o alto. — E você ainda ri, ?! Como é que você pode rir em um momento como este?
— Isso foi épico! A verdadeira pergunta é: “Como você pode transformar os momentos mais inusitados em únicos?”? Você realmente tem o poder, !
Sentei-me no chão, encostando minhas costas na parede do balcão e vendo fazer o mesmo. Nós dois ficamos de frente para a porta, onde Zala olhava para a gente, deitada no chão.
— Pelos poderes de Grayskull, volta, energia! — Abri meus braços e fechei os olhos. Abri os olhos, olhando para ele e me encostando na parede de novo. — É, parece que eu não tenho poderes como você disse, .
— Você é realmente uma mulher peculiar.
Encostei a cabeça na parede, olhando para ele. Era a mesma coisa que ele tinha dito a mim no dia em que nos conhecemos.
— Isso é um elogio?
— Você pode apostar que sim.
— Bom. — Apoiei-me em uma das minhas mãos, aproximando nossos rostos. passou a mão por meu rosto, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. — Acho que Zala conseguiu o que ela queria quando fugiu do meu consultório. — Nós dois viramos em direção a Zala, que estava sentada, balançado o rabo.
riu de lado e disse:
— Acho que ela já não me aguenta mais falando de você em toda chance que eu posso. Mesmo que a gente tenha ficado tão pouco tempo juntos, você, simplesmente, não saiu da minha cabeça no minuto que acordei sozinho na minha cama. Eu queria ir atrás de você... Ah, como eu queria! Mas eu sabia que você precisava de tempo para se curar de tudo o que aconteceu. Eu não queria ser apenas um cara qualquer pra você... Eu queria ser o cara.
— No momento, eu estou esperando esse cara tomar coragem e me beijar — eu sussurrei perto dos seus lábios.
— Esse cara não vê a hora de conceder o seu desejo.
me puxou pelo pescoço, encostando nosso lábios, antes de aprofundar o beijo. O beijo de era ainda melhor do que eu me lembrava! Talvez o fato de eu estar sóbria e ter sonhado com este momento diversas vezes tenha adicionado para triplicar o que eu sentia. Quando ele me puxou pela cintura, me aproximando mais dele, eu coloquei minhas pernas em cima das dele. De imediato, ele começou a acariciá-las, enquanto eu o abraçava pelo pescoço, puxando-o para perto. Eu tinha decidido, naquele momento, que não fugiria de mim assim, tão fácil, como foi da última vez, especialmente quando ele me beijava desse jeito e me fazia sentir algo que eu não sentia desde a última que a gente se encontrou.
Nós nos separamos, ambos sem fôlego. me abraçou forte pela cintura, enquanto enterrava seu rosto em meu pescoço.
— O seu beijo é ainda bem melhor do que eu me lembrava. Você é muito melhor do que eu esperava! — ele disse, acariciando meu rosto.
— Você não acha que dizer algo assim a alguém que você acabou de conhecer pode assustá-la?
— Você está assustada?
— Um pouco, mas você é tão bonito que, às vezes, eu esqueço que nem te conheço direito.
— Mas nada te impede de conhecer. — Ele me deu um selinho. — Sabia que eu não parei de pensar sobre a garota incrível que conheci na melhor festa de não casamento que nem fui convidado? Eu sei que pode parecer papo de cafajeste, mas é verdade! Você não é o tipo de mulher que um cara esquece facilmente.
— Bem, uma noiva abandonada no altar, que transformou sua recepção de casamento em uma festa, não é difícil de se esquecer.
Ele balançou a cabeça e respondeu:
— Não é por isso. Você é excepcional, ! Sabe quando você conhece uma pessoa e, simplesmente, já se dá bem logo de cara? Foi desse jeito com você. Eu sentia como se já tivesse te conhecido, entende? E não é todo dia que você encontra alguém que acha uma faísca de esperança dentro de um momento de miséria.
— Você foi essa faísca, . Encontrar você em um dos piores dias da minha vida e ter uma das melhores noites que eu já vivi me mostrou que a vida podia melhorar. Tudo o que eu precisava era me deixar levar por um estranho, do mesmo jeito que minha mãe fez. — me olhou, confuso, e eu apenas me inclinei, dando um selinho nele. — Quem sabe, quando a gente sair daqui, podemos dar uma volta e eu te conto a história dos meus pais.
— Primeiro, você vai ter que me dar o seu celular. Eu não vou cometer o mesmo erro de deixar você escapar.
— Se depender de mim, você vai ver esse rostinho muitas vezes.
— Acho que Zala vai fazer muitas visitas à sua veterinária favorita nas próximas semanas.
— E ela não vai reclamar nenhum pouco, pode ter certeza.
?!
Separei-me de , dando de cara com meus pais na porta, com Zala ao seu lado.
— Mãe! — Levantei-me, andando até ela e a abraçando pelo pescoço. — Obrigada por me salvar.
— Eu já disse que você deveria consertar essa porta. Se bem que, pelo o que eu vi, você não estava se importando muito. — Ela olhou por cima do ombro para , que brincava com Zala. — Ele é o maior gatinho, .
— Mãe! — eu a repreendi.
— O quê? — Ela se fez de desentendida. — Eu só estou fazendo uma observação, que, a propósito, está vindo pra cá. Olá! Eu sou Jane , mãe da , e este é meu marido Kevin. — Minha mãe estendeu a mão para , que a cumprimentou, fazendo o mesmo com meu pai depois.
Eu olhei para o meu pai, que apenas deu de ombros.
— Muito prazer! Eu sou o .
, hum? Como vocês dois se conheceram?
é veterinária de Zala. — Ele apontou para a cadela. — Ela é a sua favorita, pra falar a verdade.
— Aparentemente, não só ela.
— Mãe, pai, obrigada por me salvarem, mas, agora que está tudo sob controle, podem voltar às suas vidas.
— Não sei se isso é possível... Você meio que atrapalhou nosso jantar especial.
— Mil desculpas por isso!
— Mas é claro que isso pode ser resolvido, se vocês dois vierem jantar conosco.
— Pai, você não vai dizer nada sobre isso? — Virei-me para ele.
— Você conhece sua mãe, . Quando ela quer alguma coisa, ela consegue. Eu fecho o resto da clínica, enquanto vocês vão lá para fora. — Meu pai deu um beijo no topo da minha cabeça e desapareceu pela porta que dava para o corredor.
— Vem, ! Você vai adorar nosso jantar em família! Bom que você vai logo se acostumando cedo! — Minha mãe o puxou pelo braço, levando Zala junto.
— Mãe, pelo amor de Deus! — eu disse, seguindo-os em direção à saída.
— Ai, , deixa de ser careta! — Eu apenas fechei os olhos, balançando a cabeça, quando chegamos à calçada. — Nós só queremos conhecer o seu namorado. — Ela olhou para Zala, abaixando-se. — E esta cadela linda, a coisa mais fofa do mundo, que parece uma ursa polar! — Ela virou-se para o meu pai, que havia acabado de fechar o portão. — Amor, a gente deveria adotar um cachorro, você não acha? Olha que fofa! — Ela apertou o rosto de Zala, que apenas soltou um latido.
— Nós já temos dois cachorros, Jane — meu pai respondeu, olhando para minha mãe com adoração.
— Então a gente adota mais dois, pra suprir a saudade dos nossos quatro filhos.
— Jane, o que eu vou fazer com você? — Ele balançou a cabeça, enquanto minha mãe levantava-se.
— Me amar incondicionalmente para sempre. — Ela deu um selinho nele, e eu fiz uma careta.
— Por favor, na minha frente, não.
— Não é como se você não beijasse seu namorado, .
— Mãe, nós acabamos de nos conhecer.
— Eu havia acabado de conhecer o seu pai quando soube que queria beijar essa boquinha linda dele.
— Eu vou me mudar pra China, pra longe dessa família! — Virei-me para . — Desculpe-me! Ela se esqueceu de tomar a dose diária de limite, hoje.
— Você deveria ter feito Teatro ao invés de Veterinária. Você tem uma coisa pelo drama, minha filha. — Ela segurou na mão do meu pai e continuou: — Então vamos logo! Você atrapalhou nosso jantar, antes mesmo de começar. , pode vir com a gente, se quiser. Zala vai adorar brincar com a Pixie e o Zeus.
— Você não precisa vir, se não quiser, — eu disse, me virando para ele.
— Eu adoraria. — disse, sorrindo de orelha a orelha.
“Que homem do sorriso lindo! Meu Deus, manda ajuda!”
— Viu, ? Eu estava completamente certa. — Ela puxou meu pai, virando-se de costas para a gente e começando a andar em direção à sua casa.
— Sobre o que, minha querida mãe? — eu perguntei, começando a andar atrás dele com e Zala ao meu lado.
— Tudo o que você precisa fazer pra ser feliz é pular e dar uma chance a um estranho. Ela pode te levar a uma das maiores aventuras da sua vida. — Ela olhou por cima do ombro e deu uma piscadela. — Mas sem pular de trens e penhascos! Eu não aconselho ninguém a fazer isso.
— Trens? Penhascos? — me olhou, confuso, de um jeito mais fofo, que chega me deu vontade de apertar suas bochechas.
— É, meus pais se conheceram do jeito menos convencional que você pode imaginar — eu respondi, rindo de lado. — Você tem tempo para uma história extremamente longa, mas cheia de comédia e aventura?
— Com você, , sempre. — Então, entrelaçou nossos dedos, enquanto eu contava a história dos meus pais.
E, no final das contas, eu consegui a última coisa que imaginei que conseguiria de uma das noites mais desastrosas da minha vida: um novo amor.




Fim



Nota da autora: (20/02/2018) Pra quem não está no grupo das minhas histórias do facebook, eu falei que essa short junto com mais três shorts futuras que vão ser escritas e postadas, vão fazer parte de um projeto novo chamado “Come Away With Me: O Legado ”, onde elas vão contar as histórias dos filhos do casal de principais de CAWM. Então se você é fã de CAWM e está com aquela saudade do nosso casal puladores de penhasco favorito, vem matar um pouquinho da saudade deles enquanto eles fazem aparições especiais.
Muito obrigada por ler e segue aquela velha listinha de histórias postadas no site e o link do grupo.
Grupo: Fanfics da Rô





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