FFOBS - 03. Blue Jeans, por Robins

Fanfic Finalizada: 20/05/2018

Capítulo único


Dei a última pincelada em minha paisagem, ficando extremamente feliz com o resultado. Quando Pixie, minha melhor amiga, sugeriu que fossemos fazer um curso de férias na melhor universidade de Artes Visuais em Oxford, eu simplesmente vi a luz no final do túnel. Não é que eu não estivesse feliz pelos meus irmãos, claro que estava, mas parecia que todos tinham finalmente conseguido o seu “felizes para sempre” enquanto eu estava estagnada no mesmo lugar, sem nenhuma percepção de futuro, proposta de emprego e, até um relacionamento sério. Arte sempre foi paixão e por anos foi tudo o que me trazia conforto, vinda de uma família onde minha mãe era pintora, pintar sempre foi uma das maneiras que eu encontrei para me expressar, isso, é claro, até eu conhecer a minha melhor amiga e descobrir que o mundo tinha muito a oferecer do que um canvas, tintas e um pincel. Pixie foi uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida, do mesmo jeito que ela me influenciou a me soltar mais e me expressar com palavras, eu a influenciei a ser uma pessoa bem mais responsável e preocupada com o futuro.
Futuro. Uma simples palavra, mas que no meu ver tinha um significado muito maior do que eu esperava, especialmente quando, para mim, ele era algo tão incerto. Claro que eu tinha ido atrás de emprego, tinha até conseguidos alguns aqui e acolá, porém toda vida que eles descobriam que minha mãe era a renomada pintora Zoe Cane, eles simplesmente tentavam tirar vantagem disso para conseguir exibir seus quadros em suas galerias.
Pixie já era o completo oposto, tinha um emprego dos seus sonhos vendendo suas esculturas e as exibindo nas galerias ao redor de Nova York, um relacionamento sério de não sei quantos anos, que segundo ela, estava prestes a virar um casamento e também um brilhante futuro pela frente.
Quando Pixie sugeriu a viagem, eu nem pensei duas vezes antes de pegar meu passaporte e arrumar minha mala, Oxford era longe o suficiente do mundo caótico que era Nova York e eu poderia fazer a coisa que eu mais amo em fazer: pintar e de quebra ainda ter paz. Claro que paz foi a última coisa que eu consegui.
Veja bem, o curso que Pixie nos inscreveu não era apenas um curso qualquer onde você aprendia tudo, ganhava um certificado, tchau, benção e até a próxima. Para falar a verdade, além de aprimorar nossos conhecimentos em arte, nós participaríamos de um projeto tendo como mentor o professor da matéria que escolhemos. Claro que Pixie, sendo a caçadora de desafios que era, me inscreveu junto com ela sem nem ao menos me dar um aviso prévio. Até aí tudo bem, porém, no dia que eu fui conhecer o professor que me ajudaria no projeto eu simplesmente quis pegar o primeiro avião de volta para Nova York e esquecer que eu tinha cogitado essa ideia.
A primeira vez que eu o vi foi como se tudo tivesse em câmera lenta, ele usava um jeans azul de lavagem escura e uma camisa branca, bem estilo James Dean, sem falar que ambos os braços eram cobertos de tatuagens, por uma fração de segundos eu pedi ao cara lá de cima que ele fosse o meu mentor, mas aí eu lembrei o quanto péssima eu sou ao redor de caras gostosos e desisti. Entretanto, o cara lá de cima parecia ter outros planos porque no minuto seguinte a coordenadora anunciou que ele seria o meu mentor. É , você vai ter que conviver que essa obra de arte em forma de homem e fingir que ele não é tudo que você não queria em um homem.

- Você precisa de traços mais precisos, . – , meu professor e mentor, disse ao meu lado fazendo com que eu respirasse fundo. Para minha infelicidade, o que meu professor tinha de homem dos meus sonhos ele tinha de arrogante e ranzinza, o cara simplesmente não sabia dar um sorriso, só fazia críticas construtivas e nenhum elogio, era como se o cara fosse incapaz de dizer uma coisa boa sobre alguma coisa. – Muito bem, Pixie, a sua paleta de cores foi a escolha perfeita para essa paisagem. – Ou talvez o problema fossem os meus quadros, eu tinha um leve sentimento de que ele não era muito meu fã com a minha cara.
- Como é que você é melhor do que eu em pinturas de realista? – Me aproximei de Pixie, sussurrando. – Você odeia pintar!
- Parece que você não é mais a melhor pintora de nós duas. – Pixie me deu língua. – Ou talvez, o nosso deus grego em forma de professor só não gosta de você. – Ela olhou para ele e eu fiz o mesmo. – Damn! Até eu que não gosto de homem acho ele um pedaço de mau caminho. Você não acha?
- Até que acho, mas você sabe, um sorriso pra mim é o que marca e eu nunca nem vi esse homem nem dar um sorriso de lado. – Limpei meu pincel no pano e o coloquei no apoio do cavalete. – Parece aquela gente que faz tanta cirurgia que perdeu as expressões do rosto.
- Muito bem alunos, vocês estão liberados por hoje. – disse fazendo com que eu respirasse aliviada.
- Você ainda vai pra festa da Cassandra comigo, não é, Pixie? Você sabe que eu não vou conseguir ficar nem um segundo com aquela gente.
- Claro, todo mundo fica perguntando quando a filha pintora de Zoe Cane vai seguir os seus passos. – Pixie disse, rolando os olhos. – Por que você simplesmente não aparece?
- Porque todo mundo sabe que eu estou hospedada na casa de Cassandra, ela fez questão de dizer que quem eu sou em alto bom som. – Respondi, guardando minhas coisas na bolsa. – Por favor, Pixie, por favor!
- Eu não posso, Brooke está chegando hoje e eu tenho que buscá-la na estação. – Ela olhou para o seu relógio. – E eu já estou um pouco atrasada. – Ela me abraçou forte. – Não me espere acordada e tente aproveitar a festa ao máximo, é de graça amiga. Tchau, linda. – Pixie saiu correndo na minha frente enquanto eu me andava até a posta.
- Senhorita ... – disse fazendo com que eu parasse de andar e respirando fundo. - Quando é que você vai me mostrar os quadros da sua exibição? A exposição já é amanhã e eu ainda não vi nada que vale a pena exibir.
- Senhor , os meus quadros são aqueles que eu mostrei semana passada. – Respondi, me virando para ele.
- Como eu já disse, senhorita , eles não são bons o suficiente, você precisa de mais personalidade, mais identidade. Eu sei que você pode fazer melhor! No momento, seus quadros parecem mais cópias do que originais. Seguir os mesmos passos da sua mãe talvez não seja a melhor ideia.
Foi só ele citar no nome da minha mãe pra eu perder a última linha que faltava da minha paciência. Joguei minha bolsa no chão, andando até ele a passos largos e coloquei o dedo em seu peito dizendo:
- Como você ousa falar da minha mãe? Ou o que você sabe sobre o tipo de arte que ela faz? Ou tipo de arte que eu faço? Um diploma não te dar o direito de criticar a arte dos outros baseados na compreensão teórica que você tem sobre o assunto. Você pode ser um especialista, mestre, doutor e o caralho a quatro, mas a verdadeira arte não precisa de técnica, explicação, ela só precisa de sentimentos coisa que eu tenho certeza que você não tem! Talvez não seja meus quadros que não tem personalidade ou identidade, é você que não consegue enxergar além dos que os olhos podem ver. Além do que você aprendeu em um livro estupido! Se o senhor não gosta do que eu vou exibir, faça-me o favor de nem aparecer então. Passar bem!
Sai da sala batendo à porta como uma bela garota rebelde que minha adolescência me ensinou a ser e fui para casa sem nem ao menos olhar para trás. Se tinha uma coisa que eu não suportava era quem falava da minha família, especialmente quando as pessoas comparavam o tipo de arte que eu e minha mãe fazíamos. Nós éramos duas pessoas completamente diferentes, é claro que a arte era algo que nós tínhamos em comum, até porque filha de pintora, pintora é, mas isso não queria dizer que eu seria igual a ela. Acho que ninguém podia ser comparada a Zoe Cane, nem mesmo a sua própria filha.
Não é que eu não quisesse ser uma pintora como minha mãe, claro que eu queria, porém a exposição e o sucesso não era algo que eu desejava do mesmo jeito que ela não desejou anos atrás. Para falar a verdade, o que eu realmente queria ser era professora no ramo das Artes Visuais, passar o conhecimento que eu adquiri todos esses anos vendo minha mãe fazer mágica com um pincel e andando nas galerias da minha família e do mundo junto era o que fazia meu coração bater mais forte. Claro que para isso eu teria que adquirir experiência, mas como eu vou adquirir isso se ninguém me deu uma oportunidade para mostrar o meu trabalho? Ou melhor, não tinha tentado tirar vantagem de mim para conseguir algo da minha mãe? O que me restava no momento era a aprovação do meu projeto de Mestrado, era a única coisa que poderia me dado esperança para um futuro fazendo o que eu amo.
Apreensiva, peguei meu celular atualizando minha caixa de e-mails. Nenhuma resposta da Academia de Arte Visuais de Nova York sobre meu mestrado. Droga!, pensei me jogando na cama. Talvez dormir fosse a melhor saída para solucionar os meus problemas. Pelo menos por agora, é claro.

Quando eu acordei foi com os gritos de Cassandra me lembrando que eu estava atrasada para sua festa e todos os convidados estavam me esperando. Zoe Cane sempre foi de grande importância para a família de Cassandra, o corredor lotado de quadros da minha mãe pode confirmar isso então exibir uma das filhas pródiga de uma das pintoras mais famosas do mundo, mesmo quando ela se recusa a aparecer, era algo a ser exibido exatamente como uma obra de arte em uma galeria.
E foi exatamente isso que Cassandra fez comigo enquanto me carregava pelo salão dando ênfase na seguinte frase: Essa é , filha de Jane com meu enteado Kevin, também conhecida como Zoe Cane.
Eu me sentia como uma presa em um território dominado por leões.
- Como está gostando da sua estadia, querida? - Uma das amigas de Cassandra da qual eu tinha esquecido o nome, disse. - Está aproveitando o seu curso?
- Oh, tem sido maravilhoso, arte sempre foi minha paixão e poder aprofundar meu conhecimento sobre o assunto me traz imensa felicidade.
- Algum professor gatinho? – Eu engasguei com minha bebida, olhando para a senhora assustada. - Oh, não me diga que você não deve ter reparado. Na minha época, os professores de artes eram os mais gatos da universidade, tanto que anos depois me casei com um deles. - Ela levantou sua mão mostrando um anel simples em sua mãe esquerda. - Nós estamos juntos há mais de 40 anos, mas eu ainda me lembro da primeira vez que eu o vi. Ele roubou meu coração tão rápido como roubou o ar de meus pulmões.
- Bem, tem um professor que é tudo que eu pedi a Deus em um homem, mas é claro que o que ele tem de lindo e inteligente ele tem de arrogante e ranzinza. - Tomei o resto da minha bebida. - Você acredita que ele teve a audácia de falar dos meus quadros? Disse que eles não têm identidade e personalidade! Eu queria esfregar a cara dele no meu canvas e fazê-lo engolir tinta!
- Parece que ele conseguiu entrar debaixo da sua pele.
- Você não imagina o quanto! Ele só me deixa frustrada, sabe? Ele não consegue dar um sorriso. É tão estranho! - Me virei para o bar, pedindo outra bebida.
- Talvez tudo que ele precise seja alguém para mostra-lo uma pitada de felicidade. – Olhei para ela de lado tomando outra taça de champanhe de uma vez.
- Não me diga que você é daquelas pessoas que acredita que amor salva tudo?
- Não, mas pode ajudar. – Ela olhou por cima do meu ombro e sorriu largamente. – Oh, meu marido e nosso neto estão vindo. – Ela voltou seu olhar para mim, tocando em meu ombro. – Talvez quando você conhecer meu neto, vai esquecer desse professor ranzinza. Ele é um partidão! – Ela deu uma piscadela fazendo com que eu sorrisse e balançasse a cabeça.
- Isobel, eu deveria saber que você estaria no bar. – Um senhor, quase dois palmos mais alto do que ela, disse a abraçando de lado. – Você sabia que eles levam o champanhe até a mesa, não sabe querida?!
- Eu sei, querido, mas eles acabam antes de chegar a nossa mesa. – Ela se virou para mim. – Essa é , filha de Kevin. , esse é Zak, meu marido.
- É um prazer conhece-la. – Nós nos cumprimentamos. – E nós somos muito fãs da sua mãe. – Ele olhou por cima do meu ombro. – Esse é o nosso neto, .
Meu sorriso desapareceu na hora que eu vi que o neto que Isobel estava falando era o professor ranzinza que eu tinha acabado de falar mal. É, parece que carma é real e aparece onde você menos espera.
- Essa é...
- . – Ele interrompeu sua avó enquanto olhava para mim. – Nós nos conhecemos, a senhorita é uma de minhas alunas, na verdade, eu sou o seu mentor. – Isobel olhou entre eu e antes de arregalar os olhos e fixar seu olhar em mim. Para minha sorte o meu celular tocou na mesma hora e quando eu o peguei vi a notificação de e-mail da universidade de Artes Visuais.
- Oh, eu preciso ir. – Eu disse sem nem ao menos olhar para trás antes de correr em direção ao corredor onde ficava o corredor dos quadros da minha mãe. Me sentei no banco em frente a um dos quadros favoritos feitos pela minha mãe, “Saut”, respirando fundo e abrindo o e-mail.

Cara senhorita ,
Estabelecemos critérios para esse processo seletivo, dentre eles, formação, experiência e elaboração de projeto. Diante dos critérios avaliados para a aprovação de projetos de Mestrado da Universidade de Artes Visuais de Nova York, seu projeto foi recusado.
Agradecemos a sua consideração para com a universidade.
Atenciosamente, Unidade de Mestrado da Universidade de Artes Visuais de Nova York.


Eu senti todo o ar fugir dos meus pulmões e logo depois as lágrimas começarem a rolar pelo meu rosto enquanto meu celular caía no chão. Eu queria gritar, mas estava paralisava, e a única coisa que consegui fazer foi soluçar alto enquanto chorava até que minhas lágrimas acabassem.
Além de viver na sobra da minha mãe, rodeada de casais felizes pelos meus irmãos, eu tinha que aguentar também peso de ser um completo fracasso até na minha carreira acadêmica também, a única coisa que me permitir não perder completamente a cabeça. Talvez fosse a hora de parar de guardar tudo dentro de mim, talvez fosse a hora de exalar toda a minha raiva.
Peguei o vaso ao meu lado e o joguei na parede mais próxima. É, talvez fosse a hora de colocar tudo para fora.
Tirei meus sapatos, andando em direção a outro vaso e o jogando em outra parede. Quando eu estava com o meu terceiro vaso na mão e estava prestes a jogá-lo, dois braços me abraçaram por trás fazendo com que o vaso caísse no chão.
- Me solta! – Eu disse, tentando me soltar dos braços da pessoa que me levava pelo corredor. – Eu disse para me soltar agora! Eu vou chamar o segurança! Eu vou gritar!
- Eu não vou te soltar, . – Uma voz disse ao meu ouvido. Me virei para o lado dando de cara com nada mais nada menos do que meu professor ranzinza. – Eu não vou te soltar até você se acalmar!
- Claro que tinha que ser você! – Eu ri sarcástica vendo ele me levar em direção ao escritório do meu avô. - Mas é claro que tinha que ser você para ver a minha queda, aposto que você deve ter adoro me ver perdendo o controle.
- Isso não me deixa feliz, , na verdade, me deixa triste. – Ele me soltou e logo depois trancou a porta. – O que aconteceu? Por que você estava quebrando os vasos na sala da sua mãe?
- Porque me deu vontade. – Cruzei os braços, levantando o queixo enquanto olhava para ele. – Cassandra vai sobreviver, ela tem dinheiro para comprar mais dez iguais a aqueles.
- Essa não é a questão. – Ele colocou as mãos no bolso.
- E qual é a questão aqui, senhor ? Aliás, por que você liga? A última vez que eu chequei, você não gosta de mim.
- Isso não é verdade.
- Então por que você odeia os meus quadros? Por que você me odeia?
- Eu não te odeio, . – Ele balançou a cabeça. - Ódio está muito longe do que eu sinto. – Olhei para ele confusa e ele continuou: – É por causa do e-mail sobre o seu mestrado? Por que seu projeto foi recusado?
- Como você sabe disso?
- Eu vi o seu celular. – Ele pegou o meu celular e estendeu para mim. – Você sabe que isso acontece com todo mundo não sabe?
- É, mas todo mundo não tem uma família extremamente bem sucedida em todos os quesitos da vida e uma mãe mundialmente famosa por ser uma pintora. – Eu senti as lágrimas começarem a rolarem por meu rosto outra vez. – Você não sabe como é, todo mundo espera que eu seja igual a minha mãe, Zoe Cane, uma das maiores pintoras da atualidade com seus quadros que tiram o folego do seu público. – Eu joguei meus braços para o alto. – Eu só quero fazer minha arte nos meus termos sem ninguém tendo expectativas altas com o que eu vou fazer. Eu só quero , pintora e professora. Ponto. Finito.
- Então não faça os que os outros esperam que você faça. – Ele parou em minha frente. – Faça o que você quer fazer, o tipo de arte que você quer fazer. Usa todos os sentimentos que tem dentro de você e coloca todos eles para fora transformando eles em arte.
- Pensei que meus quadros não fossem bons o suficientes.
- Isso foi completamente estupido da minha parte de dizer e por isso eu peço perdão. – Ele abaixou a cabeça e depois olhou para mim: – O que eu queria dizer era que você não precisa seguir os passos da sua mãe, fazendo algo parecido com o que ela faz, tudo o que você precisa fazer é fazer o tipo de arte que a faz e se as pessoas não gostarem, quem se importa? Você ao menos está sendo autentica, colocando o que você sente para fora de uma forma linda, é muito mais do que todos eles podem dizer de si mesmos.
- Eu quero pintar agora. – Eu disse em um impulso sentindo meus dedos formigarem. – Mas eu não tenho um estúdio. – Eu disse, sentindo meu coração se acalmar um pouco. – Ai meu Deus, a exposição já é amanhã!
- No prédio que eu estou hospedado eu tenho um estúdio, se você quiser pode usá-lo.
- Agora? – Eu perguntei e ele deu de ombros. Então eu fiz algo que eu não esperava fazer na presença do meu professor ranzinza, eu sorri largamente. – Vamos! – O peguei pela mão indo em direção ao corredor, a garagem estava a apenas a algumas portas.
- Onde você está me levando?
- Você sabe dirigir? – Perguntei assim que chegamos a garagem. Ele assentiu com a cabeça e eu joguei uma das chaves para ele.
não dirigiu por muito tempo, na verdade, eu sabia exatamente onde estávamos quando ele estacionou em frente ao loft do meu pai.
- Você está hospedado aqui? – Perguntei, descendo do carro.
- É, um amigo da minha avó tem esse lugar aqui e me deixou ficar enquanto eu tivesse lecionando o curso. – Ele andou em direção a porta e eu apenas sorrir.
- Esse amigo não seria Kevin ? – Perguntei, quando entramos no loft.
- É, como você sabe? – Ele perguntou, olhando por cima do ombro.
- Kevin é marido de Jane , Zoe Cane, que é minha mãe. – Ele me olhou como se acabasse de descobrir a pólvora.
- Oh, eu não fazia ideia. Meus avós sempre falam de Kevin e Jane que eu nunca nem me importei de ligar os pontos. – Ele sorriu de lado ligando as luzes da cozinha. – Já como você já conhece o lugar, se sinta em casa. Se quiser, pode se livrar desse vestido também. – Levantei as sobrancelhas para ele. – Não nesse contexto! – Ele se embolou tanto que acabou derrubando a panela do fogão. – Você pode pegar umas roupas minhas para não sujar seu vestido e você ficar mais confortável na hora de pintar.
Eu sei que eu tinha acabado de ser rejeitada por uma universidade, não tinha nenhuma oferta de emprego ou visão de futuro, mas foi impossível não pensar como era um gostoso. Especialmente sem seu terno, com as mangas da camisa brancas enroladas até os cotovelos mostrando suas tatuagens e sua irreconhecível calça azul. Eu podia estar no fundo do poço, mas eu definitivamente não tinha esquecido que era uma mulher e tinha um homem extremamente atraente em minha frente.
- Eu vou trocar de roupa.
- Eu vou fazer um chocolate quente pra gente enquanto você troca de roupa.
Andei em direção ao quarto dando de cara com tudo exatamente do mesmo jeito que eu lembrava, pela mala vazia no canto, as roupas de a provavelmente estariam no closet.
Depois de trocar de roupa e tirar minha maquiagem, eu saí do quarto dando de cara com no corredor segurando duas canecas.
- O estúdio fica no segundo andar, eu pensei que nós poderíamos até lá. – Ele me entregou uma caneca e começou a andar em direção a escada.
- Você não precisa vir comigo, eu provavelmente não vou dormir tão cedo. – Eu disse, o seguindo.
- Bem, eu também não estou com sono. – Ele falou por cima do ombro, abrindo a porta do estúdio. – E eu também tenho algumas perguntas para te fazer?
- Pode perguntar à vontade. – Respondi, andando em direção a mesa onde tinham algumas tintas e pinceis. – Você trouxe tudo isso para cá?
- O cavalete e a mesa já tinham, os canvas, os pinceis e as ferramentas eu trouxe e comprei o resto eu comprei aqui. – Eu o vi se sentar no sofá a minha frente enquanto eu me sentava em frente ao cavalete e colocava um canvas em cima do mesmo. – Então é verdade mesmo que seus pais se conheceram fugindo de um bando de ladrões?
- Sim. – Eu ri sem humor, começando a desenhar. – Minha irmã até escreveu um livro com a histórias deles dois, foi um dos mais vendidos na época que lançou. – Tomei um pouco do meu chocolate antes de colocá-lo na mesa ao meu lado. – Provavelmente você vai achar uma cópia em uma das estantes na sala, meus pais ainda vem a Oxford uma vez ou outra afim de fugir do mundo.
- E você fez o mesmo vindo para cá? – Desviei meu olhar do canvas para ele. – Eu posso não falar muito, mas eu sei ler as pessoas, .
- Não é que eu não gosto da minha vida, sabe? Na verdade, minha vida é maravilhosa. Meus pais são incríveis, meus irmãos também, quando não estamos brigando, é claro. – Respirei fundo, voltando meu olhar para o canvas. – É só que eu senti que a vida de todo mundo estava acontecendo enquanto a minha estava estagnada no mesmo lugar. Eu não tenho um emprego porque todo mundo só quer me contratar porque eu sou filha de Zoe Cane e eles querem uma chance de tê-las em sua galeria. O mesmo acontece com as exibições, eles podem até exibir o que eu faço, mas logo querem o contato da minha mãe. A única coisa que me restava era o meu mestrado e até isso não deu certo.
- Não é porque não deu certo agora, não quer dizer que não vai dar certo em um futuro. Você é extremamente talentosa, , tudo o que você precisa fazer é deixar que eles vejam quem é a .
- E como é que eu faço isso? – Olhei para ele, abaixando meu lápis.
- Primeiro você começa a desenhar com a alma, deixa sua mão ser a guia do que tem por dentro, depois você vai perceber que pintar não é um fardo é uma benção.
- Por que você não diz essas coisas em sala de aula?
- Porque eu estou em sala de aula para passar o meu conhecimento teórico sobre as coisas, não falar sobre os sentimentos.
- Mas se arte é uma expressão do que vem de dentro, talvez falar de sentimentos não deve ser algo tão ruim assim.
- É, talvez não seja. – Ele sorriu largamente para mim. E, minha senhora, das bicicletinhas, eu agradeci arduamente por ele manter sua expressão séria em sala de aula, porque eu provavelmente não me concentraria em mais nada.
- E os seus pais? Como eles se conheceram? – Desviei do assunto voltando minha atenção para o quadro.
- No modo convencional, no colégio. Meu pai era um bad boy e minha mãe era a garota inteligente que teve que ser sua tutora. – Ele riu sem humor. – É como eles dois dizem, os opostos se atraem e pareciam imãs. Foi inevitável! Eles estão juntos até hoje, agora estão na sua terceira lua de mel enquanto eu passo minhas férias trabalhando.
- Você poderia ter ido passar as férias com eles.
- E passar o tempo inteiro com os dois pombinhos? Eu acho que não, prefiro muito mais dar aula. – Ele colocou a caneca em cima da mesa de centro. – Aliás, do meu ponto de vista, eu tive uma vista e tanto.
Foi naquele momento que eu olhei para o meu quadro e percebi que eu tinha desenhado na posição que ele estava no momento sem a menor intenção.
- O que você desenhou? – Ele se levantou andando em direção a mim.
- Nada. – Puxei meu quadro para perto, porém me parou na mesma hora segurando o quadro e olhando para o mesmo. Ele sorriu de lado voltando seu olhar para mim. – Foi totalmente não intencional. – Eu disse, levantando minhas mãos. – Eu só desenhei, não pensei nem ao menos no que estava fazendo.
- Traços mais precisos, . – Ele ficou atrás de mim, levantando minha mão em direção ao quadro. – Não tenha medo de trazer mais forças ao seu traçado, isso é que dá o diferencial do seu modo de pintar dos outros. – Ele começou a guiar minhas mãos pelo desenho, mas eu estava muito ocupada sentindo o calor do seu peitoral atrás de mim para prestar atenção. – Entendeu? – Ele sussurrou em meu ouvido.
- Não. – Eu sussurrei de volta quando ele se afastou de mim. – Quero dizer, sim. – Eu disse, me recompondo e olhando para o desenho a minha frente. – Muito obrigada pela ajuda.
- Eu vou buscar mais chocolate. – Ele pegou minha caneca, desaparecendo pelo corredor.
- Está louca, ? – Falei para mim mesma começando a procurar pinceis e tinta para terminar o quadro.
Balancei minha cabeça concentrando totalmente no quadro a minha frente, até que entrou novamente no estúdio e minha atenção ficou dividida entre pintar e continuar um conversa com ele. Para falar a verdade, conversar com enquanto eu pintava, eu tinha acabado de descobrir era algo terapêutico, pela primeira vez em muito tempo, eu não sentia como se eu tivesse o peso do mundo em meus ombros ou que eu estava a ponto de arruinar o legado da minha mãe. Eu era só , pintando alguns quadros na presença do seu professor que tinha um dos sorrisos mais lindos que eu já tinha visto.
Em algum ponto da noite, no meio da conversa de quem era o melhor em aquarelas, pegou outro cavalete, um novo canvas e jogou a camisa em um algum canto do estúdio. Eu fiquei paralisada por alguns minutos até que ele jogou um pincel em mim e eu voltei a atenção para o meu quadro. Se alguém me perguntasse como eu esperava passar uma das minhas ultimas noite em Oxford, eu com certeza não esperaria passar com o meu professor ranzinza, sem camisa enquanto nós apostávamos quem pintava mais rápido o melhor quadro.
Depois eu nós decidimos que eu era a pintora mais rápida, porém nossos quadros estavam empatados no quesito beleza, nós dois sentamos no sofá gargalhando alto.
- Eu acho que tenho mais quadros que eu esperava para a exposição amanhã. – Eu disse, olhando para ele. – Esse é o melhor sentimento do mundo.
- Saber que você vai exibir alguma coisa?
- Não, saber que eu pintei algo que é completamente da minha autoria. Sete quadros inteiramente de corpo e alma feito por .
- Quer dizer que você não está lingando para os que os outros vão pensar de você?
- Nem um pouco. – Dei de ombros. – Falem o que quiserem, eu estou feliz com o resultado.
- Que bom, ! Eu não te disse que quando você faz tudo de corpo e alma as coisas se tornam muito mais simples. – Olhei para ele sorrindo, porém logo bocejei.
- Eu acho melhor a gente ir dormir, está quase amanhecendo. – Me levantei, me espreguiçando.
- Você prefere dormir aqui ou lá no quarto? . – Ele perguntou, se levantando junto comigo.
- Eu posso dormir aqui mesmo caso a inspiração volte.
- Então boa noite. – Ele disse andando em direção a porta.
- Boa noite, . – Ele desapareceu pelo corredor e o estúdio caiu em um silencio até um pouco assustador. Está tudo bem , não precisa ter medo., pensei sentando na cama. A árvore do lado de fora bateu na janela e eu soltei um grito correndo em direção ao quarto onde ficava. Ele estava arrumando a cama, apenas com uma calça de moletom azul quando eu entrei no quarto.
- Olha, eu odeio dormir sozinha, especialmente num apartamento assustador como esse.
- Você pode dormir na cama, eu durmo no chão.
- A gente pode dividir a cama, não tem problema. – Andei até o outro lado da cama. – É grande, dá para nós dois dormirmos.
- Tem certeza?
- Sim. – Me deitei na cama e se deitou ao meu lado. – Não precisa parecer uma estátua, .
- Eu posso listar das várias maneiras que isso é inapropriado.
- Nós não estamos fazendo nada de errado. – Eu disse gargalhando alto. – Ai meu Deus, eu poderia tirar uma foto.
- Eu prefiro que você não fizesse isso. Boa noite, . – Ele se virou para o outro lado.
- Boa noite, senhor Barker.


Quando eu acordei, os braços de estavam ao redor da minha cintura forte, eu sorri involuntariamente antes de olhar para o relógio e perceber que faltavam menos de duas horas para a exposição. Eu pulei da cama o que fez com que acordasse também, eu o arrastei para fora da cama e nós dois juntos arrumamos todos os quadros dentro do meu carro.
Depois de chegar em casa em tempo recorde, eu me arrumei com a velocidade da luz, ignorando todas as perguntas que Cassandra estava gritando pela casa. Nada que ela fizesse ia tirar o sorriso do meu rosto, sorriso do qual eu sabia que era muito mais do que orgulho de ter pintado os meus primeiros quadros como . Talvez eu estivesse errado sobre todo esse tempo, existia muito mais sobre alguém do que as camadas que elas usam para se defender do mundo, tudo o que você precisa é tira-las uma por uma para poder ver o que menos esperava.
Eu fui a última a chegar na exposição levando ainda mais broncas da organizadora, Pixie e Brooke me ajudaram a tirar os quadros de dentro do carro e a expô-los na minha parte da galeria antes de irem atrás do champanhe de graça.
- Eu não te disse que você podia fazer melhor. – disse, fazendo com que eu me virasse para ele. – Seus quadros são incríveis, você fez um trabalho impecável, eu só ouvi elogios de todos.
- Muito obrigada. – Eu disse, o abraçando forte pelo seu pescoço. – Você foi de uma ajuda tremenda para mim.
- Eu só te dei um empurrão, foi tudo você.
- Vem, eu quero te mostrar uma surpresa. – Peguei em sua mão, o arrastando para o final da galeria. Eu coloquei as mãos em cima dos olhos de o guiando em direção ao quadro. – Eu coloquei dentro do carro quando você não estava olhando. – Tirei minhas mãos para que ele olhasse para o quadro que eu pintei dele. – Eu tive tempo de terminar ontem a noite mesmo, eu espero que você goste.
- Isso é incrível, . – Ele se virou para mim. – É o maior elogio que eu já recebi, muito obrigado.
- De nada. – Eu sorri largamente.
- ... ... – Nós dois falamos ao mesmo tempo.
- Tem algo que eu quero fazer desde o dia que você entrou na minha sala de aula com tinta no cabelo. – Ele pegou uma rosa de papel de dentro do bolso e continuou: – , você quer sair comigo?
- O que? – Olhei para a rosa em sua mão e depois para ele. – O que?
- Eu sei que é totalmente antiético, eu sou seu professor e você é minha aluna, mas como o curso acabou eu pensei que...
Eu não deixei com que ele terminasse, apenas peguei a rosa e o abracei pelo pescoço, dando um selinho nele. se separou de mim, sorrindo largamente, antes de aprofundar o beijo. era tudo que eu pedi a Deus em um homem e o jeito que ele me beijava era a certeza de que ele era o que eu sempre precisava mesmo não sabendo. Talvez, eu finalmente tivesse encontrando o meu final feliz, pelo menos por agora.
- Isso é bem melhor do que qualquer sonho que eu tive com você. – Ele disse, me dando um selinho.
- Você sonhou comigo? Eu não te culpo, eu sou maravilhosa demais. – Dei de ombros. – Uma beleza dessas, é difícil de ignorar.
- Não só a beleza. – Eu mordi meu lábio antes de dar um selinho nele.
- , por que você está agarrada no pescoço do nosso professor? – Pixie disse, fazendo com que eu me afastasse de . Pixie estava me olhando completamente chocada junto com Brooke. – Professor que até ondem você disse querer um oceano de distância?
- Professor? – Brooke, perguntou com os olhos arregalados. – Eu sabia que tinha uma garota malvada dentro de você , só não sabia que ele era tão assanhada.
- Espere um segundo, eu pensei que você o odiasse.
- Ah, Pixie, ódio está bem longe do que eu sinto. – Eu disse, entrelaçando meus dedos com os de . – Agora se você nos dar licença, nós temos um encontro para comparecer. – Eu comecei a puxar em direção a saída da galeria.
- Eu espero um relatório completo desse encontro! – Pixie gritou fazendo com que eu gargalhasse.
- Então , pronto para o melhor encontro da sua vida?
- Com você, , sempre.


Fim



Nota da autora:Grupo: Fanfics da Rô




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Ficstape #042: Save The Rock and Roll – Fall Out Boy
03. Hands To Myself
Ficstape #044: Revival – Selena Gomez
03. Kiss It Better
Ficstape #047: ANTI – Rihanna
Bônus: Why Do You Love Me?
Ficstape #048: 25 – Adele
06. Grown
Ficstape #053: Little Mix – Get Weird
08. Colors
Ficstape #054: Halsey – Badlands
06. Only Angel
Ficstape #059: Harry Styles – Harry Styles
12. Forever Halloween
Ficstape #063: The Maine – Forever Halloween
15. Devil in Me
Ficstape 073: Halsey – Hopeless Fountain Kingdom





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