Última atualização: 30/04/2020

Capítulo 1

“De todas as dores do mundo, pode se dizer que a maior é a de perder a quem se ama e com certeza é incomparável e irreparável a sensação de impotência ao ver alguém partindo.”

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Seu rosto estava umedecido pelas lágrimas incontroláveis que escorriam de seu rosto por toda a noite passada. A manhã estava fria e aquele local tornava tudo mais rígido e menos fresco. Aos poucos, as pessoas que estavam ali presentes prestando sua última homenagem, se dispersaram até que ela ficou sozinha diante da lápide. E então pode soltar um último gemido mais intenso seguido de uma lágrima fria, afinal havia prometido a mulher naquela cova que seria forte e não choraria mais depois do enterro. Apesar dela e a mãe terem estado distantes nos últimos anos, por causa de seus estudos na Escola de Artes na Inglaterra em que se formou e seu medo de voltar para casa e não conseguir mais sair de lá, ao saber da fragilidade da saúde de sua mãe, largou tudo para passar com ela seus últimos dias no Hospital de sua terra natal, Jongno-gu, na cidade de Seoul, Coreia do Sul.

A senhora Nae Yujin era uma mulher forte e determinada, admirada por todos e aquele fim inesperado pois ainda era jovem, com uma morte tão prematura era injustificável. Limpando o rosto pela última vez, cumprindo a vontade de sua mãe, respirou fundo e se dirigiu para fora do cemitério, pensativa e nada consolável, mas ainda assim mantinha um semblante tranquilo e sereno, apesar de triste não estava abatida. Do lado de fora se aproximou de uma moça bonita e elegante, que aparentava ter de 23 a 25 anos como ela, e um homem de boa postura e bem apessoado que deveria ter por volta de uns 30, que estavam esperando próximo a um carro modelo Nissan Kicks grafite metálico, de frente para o portão.

— Senhorita Nae, está tudo bem, precisa de algo? — a moça perguntou com gentileza e presteza.
— Estou bem sim, Eun-ji, obrigada. A única coisa que preciso agora é descansar um pouco, mas por favor não seja tão formal comigo, já nos conhecemos a um bom tempo, me chame apenas por , eu ficarei mais confortável assim. E além do mais não estamos no escritório, não é? — com simpatia e simplicidade.
— Sim, é verdade, farei como me pedi. Bom, se não precisam mais de mim por hoje, eu também irei para casa, esses dias tem sido muito pesados para todos.
— Isso é visível, mas nada como um dia e uma noite de descanso e bom sono. — disse o homem com a voz altiva, mas sem ser indelicado.
— Tem razão Kwang-jo, isso nos fará muito bem. Se quiser podemos lhe deixar em casa Eun-ji, até onde me lembro fica no caminho. — ofereceu.
— Ah, eu não quero atrapalhar, a senhorita... digo você, deve estar muito cansada. — Eun-ji ficou sem jeito.
— O que é isso, não vai atrapalhar em nada, eu faço questão.
— Será um prazer levá-la e além do mais, nesta área é mais difícil conseguir um transporte nesse horário. — Kwang-jo considerou, pois estava próxima a hora do almoço.
— Está bem, sendo assim eu aceito.
— Será bom ter a sua companhia mais um tempo, afinal vamos trabalhar juntas de agora em diante. — sorriu de canto satisfeita com a declaração e Eun-ji correspondeu igualmente — Falando nisto, onde estão Hyewon e Subin, eu não as vejo a um tempo?
— Elas foram na frente, ficaram por pouco tempo e eu aconselhei que fossem organizar as coisas antes da senhorita voltar. — disse Kwang-jo, mostrando serviço, já que era o mordomo e motorista da família.
— Sendo assim, vamos indo, meus sapatos estão me matando. — relatou a jovem patroa.
Kwang-jo assentiu e abriu a porta do carro para elas e seguiu. Alguns quilômetros depois parou o carro em frente a um prédio claro, onde Eun-ji morava.
— Mais uma vez muito obrigada pela carona, e quero que saiba que poderá sempre contar comigo, para o que precisar, não só como secretária, mas também como amiga.
— Eu sei, e sou muito grata por você ter cuidado e ajudado tanto a minha mãe. Tenho certeza que poderei contar com seu apoio. — sorriram uma para a outra e se abraçaram no banco de trás do carro sob o olhar atento de Kwang-jo — Descanse bem!
— Nos vemos amanhã de manhã. Obrigada Kwang-jo, como sempre foi muito gentil.
— Não foi nada de mais, por favor, permita-me? — ele saiu do carro e abriu a porta para ela sair, Eun-ji se despediu mais uma vez e entrou no prédio, então eles seguiram.
Um pouco mais a frente, parando em um sinal, Kwang-jo não conseguir mais ficar em silêncio, por mais que estivesse distraída em seus pensamentos.
— Já sabe o que vai fazer amanhã? — a voz dele ecoou dentro dela com aquela pergunta que particularmente não pensava ter que responder. — Para ser sincera não.
— É melhor começar a pensar então, pois assim que aquelas senhoras colocarem os olhos em você, vão querer te arrasar. — disse constatando a ela sua opinião.
— Do jeito que você fala nem parece que são as sócias da minha mãe e sim duas víboras. — ela brincou.
— É uma comparação até muito razoável, mas o que me preocupa de verdade é elas constatarem que você é uma criança mimada e inexperiente tentando se passar pela mamãe. Vão passar como um trator sobre você. — não media as palavras com ela.
— Eu devo ficar com medo? Quero dizer, eu não pedi isso, não pedi nada disso.
— Eu entendo, mas querendo ou não sua mãe se foi, você é a única herdeira e deve tomar conta do seu patrimônio. Afinal foi pensando em você que ela não deixou que tomassem totalmente a empresa que seus avós fundaram. Senhora Yujin suportou tudo depois da morte do seu pai, para que você tivesse tudo. — disse firme e em tom mais áspero.
— Eu sei está bem. Se quer que eu me sinta culpada está conseguindo. — disse um pouco alterada com a voz embargada, ele havia conseguido atingi-la.
— Está vendo, não disse nem meia dúzia de palavras e você já ficou fragilizada, o que fica claro que você não está preparada para ficar a frente da empresa. — o ouvindo, acabou dando razão às suas palavras, então respirou fundo e se acalmou enquanto ele continuava — Então, eu te pergunto: tem certeza que quer ir até lá amanhã, sabendo que as senhoras Sodan e Naum não vão te tratar com tanta delicadeza e não se sensibilizaram com você pela perda de sua mãe?
— Eu não queria ter que lidar com está responsabilidade agora. — disse mais contida e concentrada — Mas eu não tenho escolha, não tive tempo de me preparar e não faço ideia de como administrar uma empresa do porte da Sensation, mesmo assim eu farei de tudo para honrar o nome dos meus pais.
— Isso não se trata de honra ou nome, mas sim de empregos, e eu não quero perder o meu. — foi irônico.
— E você não vai. Afinal, você está do meu lado ou contra mim? — sem entender o jeito com que ele falava.
— Do seu é claro, sabe que pode contar comigo para o que precisar, mas não vou passar a mão na sua cabeça e sinceramente não tenho muita confiança nas suas palavras.
— Nossa, se isso é estar a favor, nem quero saber o que é estar contra.
— Mas vai saber amanhã, quando se reunir com as sócias e então sentirá o que estou falando. Mas mudando um pouco de assunto, pretende fazer alguma mudança na casa?
— Não, pelo menos por enquanto. Mamãe amava aquela casa, principalmente o jardim, era o lugar preferido dela, onde trabalhava e se distraía dos problemas. Ela iria querer que tudo continuasse no devido lugar.
— Não exatamente. Com a doença ela já não tinha condições de cuidar do jardim e todo o trabalho que ela teve se perdeu. Você ainda não teve a oportunidade de ver, mas posso dizer que está em péssimo estado.
— Isso é triste, era tão bonito e bem cuidado por ela.
— É realmente uma pena. — Kwang-jo era sério mas seu rosto refletia calmaria, era de poucas palavras e não deixava de falar a verdade doa a quem doesse.

Em pouco tempo, finalmente chegaram em casa. A entrada era bem simples com um grande portão de grade e trepadeiras um pouco ressecadas nos muros, ao entrar com o carro se contornava uma pequena fonte com pedras sob a água e toras grossas de bambu interligadas em espiral sustentadas por cordas suspensas de onde saia água. A casa era grande, cor de palha com adornos em madeira escura, as janelas bem grandes de vidro apenas e uma larga porta de entrada de madeira também escura, apesar do tamanho haviam apenas 2 andares com cômodos espaçosos e bem decorados misturando o clássico e o moderno da cultura coreana. Do lado direito da casa estava a garagem que comportava até 3 carros estilo caminhonete e do outro lado se iniciava o jardim que passava pela lateral esquerda da casa e se estendia aos fundos onde também ficava a lavanderia e a porta da cozinha.

Com tudo o que estava acontecendo com a senhora Yujin e o seu falecimento, nem havia notado o quão desleixado e sem vida que estava o jardim até que Kwang-jo parou o carro em frente a casa e abriu a porta para ela descer. Ela foi olhando com tristeza enquanto caminhava até o lado esquerdo onde costumava ter um caminho de pedras e flores na extensão do corredor lateral até os fundos, mas estava tudo tão sujo e mal cuidado que nem conseguia se ver as formas das pedras no chão e não havia nem sinal das flores.

— Nossa, eu realmente não tinha percebido o quanto este lugar está acabado.
— Nós tentamos limpar e regamos as plantas, mas acho que o estado delas deixa claro que não nascemos para isso. — ele disse em tom irônico — Parece até que elas sentiram a ausência da senhora Nae.
— Bem, eu acho que seria uma boa homenagem a ela trazer o jardim de volta, eu não tenho muito jeito para isso também, mas podemos contratar um jardineiro.
— Eu já havia pensado nisto e já tenho algumas entrevistas marcadas para amanhã. Espero que não se oponha.
— De jeito nenhum. Você sempre pensa em tudo e está a nossa frente. Minha mãe teve sorte em ter você por perto e seu pai ficaria muito orgulhoso.
— Não mais que eu, foi uma honra poder servir sua mãe e seguir o ofício do meu pai. Mas deixemos isso de lado, é melhor você entrar e ir descansar, Subin já deve ter arrumado seu quarto e Hyewon terminando o almoço, eu vou guardar o carro.

Sem mais ele se afastou então, sorrindo em gratidão, ela entrou a porta passando pela sala à esquerda, iluminada por uma extensão de vidro em boa parte da parede do lado da porta com cortinas enormes, uma lareira na parede do lado entre janelas menores verticais com visão para o corredor externo (do jardim) de frente para ela um extenso sofá e duas poltronas de cada lado, uma mesinha de vidro circular no centro e uma mesinha alta com gaveta perto da porta e subiu por uma escada em L de piso de madeira e corrimão de vidro que ficava de frente ao lado direito da porta. Adiante passou por duas portas no corredor (um banheiro e um quarto que servia de escritório) e entrou na terceira havendo mais uma de frente ao seu quarto (a suíte que era de seus pais). O ambiente era claro e de tons suaves, bem arejado por uma grande janela e cortinas do teto ao chão, era uma suíte com closet a parte, com uma cama de casal, as mesinhas de cabeceira, uma penteadeira com um puff, prateleiras com livros e mimos nas paredes e uma chaise em forma de S na cor areia perto da janela.

Imediatamente ela correu para o banho para se refrescar e tirar o peso que sentia. No andar de baixo na cozinha planejada e arejada nos tons de madeira e aço inox com uma mesa de quatro cadeiras, a cozinheira Hyewon e a empregada Subin conversavam enquanto preparavam o almoço até que Kwang-jo adentrou o local.

— Vocês demoraram a chegar, onde está minha menina? — perguntou Hyewon misturando um caldo na panela.
— Deve estar no banho, o que quer dizer que vai demorar. — Kwang-jo despreocupado pegando uma maçã da cesta com frutas sobre a mesa e se sentando na cadeira ao lado de Subin que picava alguns vegetais no balcão.
— Ah, não fale assim, ela merece relaxar um pouco depois de tudo o que passou, foi muito sofrimento.
— Eu realmente não consigo entender por que de tanto cuidado com ela. Até parece que rico sofre. Basta fazer uma viagem ou ir a um SPA e pronto já esqueceu. Pobres como nós é que temos de suportar a dor todos os dias e ainda ter que trabalhar. — Subin em um tom meio revoltado.
— Nossa Subin, como você pode ser tão insensível? Ela acabou de perder a mãe. — Hyewon a repreendeu.
— Uma mãe que precisou ficar doente para ela vir visitar depois de 4 anos morando fora. Se isso é amor nem quero saber do resto. A senhora Nae era muito boa e não merecia o descaso da filha e agora para completar ela vai ter cuidar da empresa, que Deus nos ajude. — sem nenhuma credibilidade para a moça.
— Senhorita!? — disse Kwang-jo ao olhar para a porta e avistar se aproximando bastante séria.
Ao ouvi-lo Subin se virou e ficou pálida ao vê-la, temendo perder o emprego com a possibilidade da patroa ter ouvido o comentário.
— Menina , nós não a vimos chegando. Estavamos falando da sua mãe. — Hyewon tentando moderar a situação.
— Eu sei, eu ouvi o que diziam. — disse olhando para Subin que engolia seco.
— Por favor, senhorita perdoe Subin ela não falou por mal. — Hyewon mais uma vez.
— Não precisa se preocupar Hyewon, na verdade Subin tem razão. Eu devia ter vindo antes para ajudar minha mãe na Sensation, ficar mais tempo com ela. Meu pai morreu, quase perdemos a empresa e a casa para pagar suas dívidas de jogo, minha mãe se levantou para defender nosso patrimônio enquanto eu fugia das minhas responsabilidades indo para longe. Só Deus sabe como me arrependo e peço que me perdoem pela minha covardia, prometo fazer o que for preciso para ganhar a confiança de vocês outra vez se me derem uma chance. — estava calma e suas palavras foram fortes e sinceras.
— Ora o que é isso, nós acreditamos em você e estamos do seu lado. — Hyewon a apoiou emocionada a abraçando de lado, era uma senhora de 60 e poucos anos um pouco mais baixa que .
— Me perdoe senhorita Nae, eu me expressei mal. Eu também perdi minha mãe a um tempo e gostava muito da senhora Nae Yujin. Eu irei apoiá-la no que precisar.
— Obrigada, eu realmente preciso de vocês. Você não vai dizer nada Kwang-jo?
— Foi um bom discurso, mas ainda não estou convencido. Espero realmente que consiga resolver os problemas que herdou com a empresa e estarei a seu dispor. — ele fez reverência com a cabeça e deu uma boa mordida na maçã.
— Ah, ele diz isso para te chatear. No fundo Kwang-jo te apoia e acredita em você.
— É, eu sei. Ela o olhou e ele lhe deu um sorriso de canto e depois virou o rosto na direção da janela. — Mas enfim, estou morrendo de fome e este cheiro está me matando.
— Uhm que bom, pois estou preparando seu prato favorito: Soondubu, com muita carne e apimentado como você gosta.
— Nossa já estou com água na boca. — disse com doçura na voz se derretendo por dentro — Pois então vá para a sala de jantar que eu já irei levar para minha pequena criança. — Hyewon dizia como se ela ainda fosse aquela criança que costumava brincar junto dela no chão da cozinha.
— Eu vou sim, com licença. — ela sorriu e se retirou para a copa.
Subin deu uma espiada para ter certeza que ela não estava por perto e perguntou.
— E então, o que vocês acham, devo começar a enviar meu currículo agora ou espero ao menos uma semana? — com um pouco de sarcasmo.
— Acho difícil ela ter como nos pagar por esta semana, é melhor não esperar e se puder envie os meus também. — Kwang-jo disse sem credulidade.
— Aish, vocês dois são muito cruéis e a situação não é para tanto, agora deixem de bobagem e me ajudem a servir a menina.
— Do jeito que você vive mimando ela, acho díficil ela crescer, mas esperemos um milagre.

Sem mais discussão eles ajudaram a Hyewon a servir . O restante do dia ela descansou e deu uma lida em algumas pastas referentes a empresa, não estava muito confiante, mas tinha que estar minimamente preparada para o que viria. No outro dia levantou bem cedo e saiu logo depois do café com Kwang-jo. Parando em frente ao prédio da Empresa Sensation, o mordomo abriu a porta e ela saltou do carro com um leve embrulho no estômago de tão nervosa e ansiosa ao mesmo tempo.

— Você está bem? — ele perguntou vendo que seu semblante estava meio carregado.
— Estou sim, só um tanto apreensiva.
— Faça o que fizer — ajeitou a gola da blusa dela — seja firme e não mostre que está com medo, tente dar respostas rápidas e mantenha a calma, elas devem ver uma leoa em você como viam em sua mãe. Confie em si mesma, boa sorte.
— Obrigada.
— Eu venho te buscar no fim do dia.
Ela assentiu e então ele retornou ao carro e seguiu. entrou no prédio comprimentando seus funcionarios e subiu para o 4° andar onde ficava o escritório de sua mãe, das sociais e a sala de reuniões. Ao sair do elevador já deu de cara com Eun-ji que a aguardava ansiosa.
— Bom dia, senhorita Nae.
— Bom dia Eun-ji.
— As senhoras Sodan e Naum já a aguardam na sala de reuniões, vieram direto do aeroporto.
— Certo, eu não as farei esperar mais.

Sem mais delongas, seguiram para a sala de reuniões e o coração de estava acelerado, mas mal sabia que a partir dali seu coração iria ter muitas outras surpresas.


Capítulo 2

No seguinte momento, a secretária retornou a sala de reuniões com algumas pastas e as entregou para .

— Aqui estão todos os balanços da empresa, referente ao último ano e o relatório de vendas do último trimestre.
— Obrigada, Eun-ji. Bom, indo direto ao assunto principal desta reunião, eu já havia visto alguns papéis que estavam em casa e agora, folheando essas pastas não vejo nada de diferente.
— Que bom que você pode ver que está tudo em ordem, principalmente com as finanças.
— Ao contrário Sodan, as vendas caíram muito e o último perfume lançado foi muito criticado e até agora não teve nenhum retorno. Minha mãe não deixaria uma coisa dessas passar.
— Sua mãe sempre foi muito minuciosa e tudo sempre tinha que estar do jeito dela, mas nos últimos dias com a evolução da doença e a internação, ela já não estava 100% focada.
— O estranho é que esses números são de antes dela ficar realmente mal. Não acredito que minha mãe, sendo tão minuciosa como disse, não tenha tomado nenhuma medida. No mínimo ela retornaria o produto para a fábrica e mandaria suspender a produção, até encontrar uma solução.
— Mas nós todos decidimos que o perfume precisava de mais tempo, para que o público pudesse conhecê-lo e começar a dar retorno, além disso nós não conseguiríamos repor todos os gastos que tivemos, desde o desenvolvimento até seu lançamento no mercado.
— É compreensivo que você não entenda, já que nunca participou ativamente dos assuntos da empresa.
— Ao contrário Naeun, eu compreendo muito bem e é por isso, que minha primeira decisão aqui é que retornem os lotes do perfume das lojas para a fábrica e suspendam a produção do mesmo, por tempo indeterminado.
— Mas isso seria loucura. — Sodam questionou, demonstrando preocupação.
—  É o mais sensato a se fazer, a fim de evitar mais gastos desnecessários com um produto que já comprovamos ser ruim.
— Sinto muito, mas não podemos concordar com isso, até porque estaríamos desrespeitando também uma decisão de Yujin. Afinal, era ela quem dava a última palavra por aqui.
— Disse bem, Naeun, era. Agora sou eu quem possui a maior parte da empresa e portanto, dou a última palavra.
— Minha querida, nós só queremos o melhor para a empresa, você não precisa ser tão hostil. — Sodam as defendeu tentando parecer amigável voltando as palavras contra ela.
— Me desculpe se foi assim que soou minha resposta. Eu não quero ser rude e nem pretendo desrespeitá-las ou a memória da minha mãe, mas por favor, entendam que a minha presença aqui é para o melhor de todos nós e em hipótese alguma, faria algo que pudesse prejudicá-las ou a empresa. Por isso, eu conto com a colaboração e a experiência das senhoras, nesta nova etapa que se inicia. E então, eu poderei contar com as duas?
— É claro, nós daremos o suporte necessário, não é mesmo Sodam?
— Sim, com todo prazer.
— Ótimo, eu agradeço muito. Por hora, é só isso. Eu não irei segurá-las por mais tempo, devem ter trabalho esperando.
— Certamente. Estaremos em nossas salas, nos chame se houver alguma dúvida.
— Chamarei, fiquem tranquilas.
— Com licença. — elas a reverenciaram e saíram não muito satisfeitas.
— Nossa, por um minuto eu poderia jurar que era sua mãe falando. — Eun-ji comentou se recordando da falecida chefe.
— Não sei se fico feliz ou frustrada em ouvir isso. Acho que vai ser mais difícil do que imaginei.
— Não se preocupe, está se saindo bem. — Eun-ji se sentou ao lado dela e disse mais baixo. — Eu não quero causar intrigas, mas você deve tomar cuidado com essas duas, não são nem um pouco confiáveis.
— Realmente, elas não me passaram nenhuma confiança, mas você sabe de alguma coisa? — estava curiosa em saber de algo mais.
— Não, pelo menos nada conclusivo, só algumas suspeitas mesmo.
— Que tipo de suspeitas?
— Esse último perfume por exemplo, sua mãe fez vários testes e eu cheguei a sentir a fragrância, antes de lançarem. Era maravilhoso, não essa coisa que estão produzindo agora, não entendemos o que aconteceu com a fórmula.
— Você acha que pode ter sido sabotagem?
— É algo a se considerar, mas não teríamos como provar.
— Mas porque minha mãe aceitou permanecer com o produto no mercado, sabendo disso ou considerando essa hipótese?
— Isso eu não sei dizer, eu não participei da última reunião com ela, logo depois houve a internação e ficou tudo por isso mesmo.
— Seja como for, agora eu estou aqui e não pretendo deixar as coisas como estão.
— É bom ouvir isso, pode contar sempre comigo.
— Obrigada Eun-ji, eu vou precisar mesmo e para começar, gostaria que me ajudasse a entender como funcionam as coisas e me mostrasse tudo por aqui.
— É claro. Bom, vamos levar um bom tempo com isso, então melhor eu trazer um café antes. — ela riu.
— Boa ideia, faça isso pois, nós duas vamos precisar.

A secretária a deixou por um momento e sozinha ela refletiu um pouco sobre aquela conversa, até que a moça voltasse e assim começassem com o trabalho.



Capítulo 3

A tarde passou rápido e , auxiliada por Eun-ji conseguiu entender e aprender muito sobre a empresa, tanto referente a fábrica como também as três lojas próprias para seus produtos. Geralmente, Yujin tomava conta diretamente do setor de perfumaria, enquanto as sócias eram responsáveis pelo setor de maquiagem, mas tudo passava pelas mãos dela antes de ser aprovado. Yujin se sentiu mal pelo desastre do lançamento daquele perfume, que tinha tudo para ser o melhor fabricado pela empresa até aquele momento. Agora aquela responsabilidade estava nas mãos de , e ao saber da real situação da empresa viu que, não estavam nada bem já que não estavam tendo o lucro esperado.
voltou para casa com o sol se pondo, assim que entrou pelo portão avistou o mordomo conversando com um rapaz e se aproximou.

— Senhorita, chegou cedo. Porque não me avisou para que eu fosse buscá-la?
— Não tinha necessidade Kwang-jo, na verdade não foi nada planejado. E este, quem é?
— Ah, perdão senhorita. Este é , ele será o novo jardineiro, atendendo ao seu pedido. Esta é a senhorita Nae , dona da casa.
— Muito prazer, seja bem-vindo. — o analisou discretamente.
— Obrigado, o prazer é meu. — ele fez o mesmo.
— Você deve ter visto a situação do jardim, espero que possa dar um jeito.
— Não se preocupe, vou fazer o melhor que eu puder.
— Você tem muito tempo de experiência, alguma indicação? — ela perguntou.
— Trabalho desde pequeno na floricultura dos meus pais e nos últimos quatro anos, fui jardineiro da senhora Kwong.
— A senhora do fim da rua. — completou o mordomo.
— Sim, eu sei quem é. Nossa, ela tem o jardim mais bonito da vizinhança. — admirada.
— Depois da sua mãe, é claro. — Kwang-jo sinalizou.
— Tem razão, mas tenho certeza que nosso novo jardineiro verá isso, quando o jardim estiver restaurado. Bem, mais uma vez foi um prazer, agora preciso entrar, nos vemos amanhã, com licença. — ela reverenciou, ele assentiu e então, ela entrou.
O mordomo dispensou o rapaz e entrando logo em seguida a encontrou olhando as correspondências que estavam sobre a mesinha ao lado do sofá.
— E então, o que achou?
— Acho que ainda é muito cedo para dizer.
— Nem uma primeira impressão?
— Interessante, simpático, bonito talvez.
— Sério? Então, elas te trataram bem? — tentando confundi-la.
— Elas? Do que você está falando? — parou para lhe dar atenção.
— Do seu primeiro dia na empresa, o que mais seria? — irônico se fingindo de bobo.
— Ah, sim foi bom. Cansativo e você estava certo, as sócias são bem estranhas.
— Imaginei que acharia isso, tanto das sócias quanto do jardineiro.
— O que?
— Vou avisar a Hyewon que você já chegou. Descanse um pouco, eu a chamarei quando o jantar estiver pronto. — sem mais, ele saiu em direção a cozinha, a deixando um pouco confusa.

subiu para o quarto e depois de um banho relaxante, se deitou na cama e ficou pensando sobre os acontecimentos do dia e também, tentando ter alguma ideia para mudar a situação gerada pelo perfume Reflection.
Na manhã seguinte, enquanto tomava seu café, ela ouviu o barulho de batidas vindo do lado de fora, no jardim. Então, parou imediatamente e foi ver o que era. Ao chegar lá fora, levou um susto ao ver o jardineiro quebrando uma grade de madeira que continha trepadeiras com flores totalmente secas.

— Ei, você. — ela chamou, mas ele não ouviu devido ao barulho e só reparou que ela estava lá, quando se virou para jogar os pedaços naquela direção.
— Senhorita. — disse com surpresa e por um instante, contemplou o rosto dela iluminado pelo sol, então a reverenciou e ela retribuiu — Bom dia.
— Bom dia. Desculpe, mas o que está fazendo? Dá pra ouvir o barulho lá de dentro. — agora com a claridade, ela pôde percebê-lo melhor. Deveria ser alguns anos mais velho do que ela, de semblante sério, mas com um olhar meigo e encantador.
— Eu sinto muito, não queria incomodá-la, mas será necessário retirar toda a estrutura, pois, a madeira está podre e pode cair a qualquer momento. A maioria dos vasos estão trincados e as plantas morreram.
— Tudo bem. Eu não imaginava que estivesse tão ruim assim, mas você pode deixar como era antes, não é?
— Na verdade não. — ele disse, um tanto frio.
— Não, como assim?
— O piso também trincou e os tijolos que usavam no caminho, são de má qualidade e estão danificados pelo tempo, sem falar na terra que apesar de ser boa, precisa ser tratada e bem adubada. Boa parte das plantas e flores morreram, não dá pra salvar, vou precisar substituí-las.
— Mas minha mãe sempre cuidou tão bem do jardim. — disse, indignada.
— Da parte estética pode ser, mas o ambiente em si está um lixo.
— Bom, já que você não vai conseguir consertar o jardim, é melhor eu dispensá-lo. — disse com ironia, muito discordante com as palavras dele a respeito dos cuidados da mãe com o jardim.
—  Eu não disse que não conseguiria consertar, disse que não posso deixar como era antes. — ele foi se aproximando dela, enquanto falava. — Primeiro, não adianta estar bonito, mas ser mal feito e segundo, eu posso fazer este lugar ficar melhor do que era antes. A senhorita pode me dispensar se quiser, mas saiba que eu sou o melhor da região e se me der a chance de provar isso, vou mostrar o que sei fazer. Eu confio no meu trabalho e peço que confie também, se no fim, não ficar satisfeita, nem precisa me pagar. — ele disse, confiante com um ar desafiador, já face a face com ela.
— Pois bem, se é um desafio, eu aceito. Temos um acordo. — disse ela, olhando nos olhos dele e se afastou um pouco sem jeito, dando um passo atrás. — Fique e faça o seu melhor, só tente não fazer muito barulho.
— Como quiser. — disse com um leve sorriso. assentiu com a cabeça e voltou para dentro, ele a observou achando graça e depois voltou ao trabalho.
Dentro da casa, resmungava o quanto o achou petulante e cheio de sí, sem dúvidas ele a deixou nervosa e um tanto desconcertada, tanto que em sua distração, nem viu o mordomo se aproximar.
. — ele tocou no ombro dela, que se assustou.
— Kwang-jo, você quer me matar do coração?
— Não, me desculpe se a assustei. — disse ele, mas não estava muito preocupado, segurava a bolsa e o casaco e os entregou para ela. — Está na hora de irmos. A senhorita está bem?
— Ah, sim estou, é aquele cara, o jardineiro. Nós discutimos agora a pouco, tão esnobe e arrogante, sabe? Odeio esse tipo.
— Se quiser, eu posso dispensá-lo, apesar de ter as melhores referências, mas devem haver outros que sejam qualificados.
— Não, não precisa. Fizemos um acordo e se eu não gostar do trabalho dele, ele mesmo disse que não precisarei pagar. — ela disse, enquanto caminhavam para o carro.
— Hum, muito seguro de si e do seu trabalho. — ele gostou.
— Pois, pra mim é pura exibição e se você quer saber, estou louca para que ele acabe logo, para eu poder dizer que odiei tudo. — Kwang-jo abriu a porta de trás, entrou e se sentou rapidamente, então logo em seguida ele ocupou o assento do motorista e disse:
— Ficar de birra não combina muito com você. — enquanto colocava o cinto de segurança.
— Não é birra, só acho que ele deveria ser menos metido.
— Se você diz. — sem acreditar em nenhuma palavra que ela havia dito, preferiu não render assunto, pois, reparou no quanto ele á deixou contrariada.

Kwang-jo a levou até a empresa e a acompanhou ao escritório, aproveitando para rever Eun-ji. O mordomo não era de demonstrar sentimentos e escondia bem os que tinha por aquela moça, que fazia seu coração acelerar e as palavras praticamente sumirem da sua boca, assim que aparecia em sua frente.

— Bom dia, Eun-ji! — disse , ao sair do elevador e entrar no saguão, pois, a mesa da secretária ficava bem ao lado da porta de seu escritório.
— Bom dia, senhorita . Kwang-jo, como vai? — ela sorriu com doçura, enquanto ele engoliu em seco, mas manteve a pose.
— Eu vou bem, obrigado. E a senhorita?
— Estou bem, mas por favor, já disse que pode me tratar por você.
— Sim, eu sei. Mas não consigo me acostumar.
— Faça um esforço, está bem? — disse ela, com simpatia e ele assentiu com a cabeça, enquanto adentravam na sala. — Senhorita , entregaram as tabelas com os números do estoque do perfume Reflection, os que retornaram das lojas e os que foram fabricados até ontem. Devo alertá-la que é um lote com uma grande quantidade de vidros do perfume e foi necessário abrir um espaço maior que o de costume para armazená-lo, o que acabou atrapalhando na produção e estocagem dos perfumes, batom e blush da linha Florença. É bom que a senhorita saiba, que a senhora Sodam está um pouco alterada, pois, afetou diretamente o setor dela e a sua criação.
— Bom, acho que isso já era mesmo de se esperar.
— Começou bem, está até estreitando os laços de amizade. — disse o mordomo, em tom irônico e ela o olhou séria, sem achar graça alguma.
— O que a senhorita pensa em fazer? — Eun-ji chama novamente a atenção dela.
— Eu andei pensando em transformar o perfume Reflection, sua composição, nome reaproveitar a embalagem, talvez lançá-lo novamente com algumas melhorias, mas isso pode levar um tempo que nós não temos e prejudicar ainda mais o setor de armazenamento.
— Sem contar os custos, que seriam bem altos. — completou Eun-ji.
— Porque não fazem a locação de um lugar menor, mas que possa suportar o lote do perfume a um baixo custo, até que possam resolver esse dilema? — Kwang-jo deu a ideia, sem entender muito do assunto.
— Pode ser uma saída. O que você acha Eun-ji?
— É uma excelente ideia. — ninguém percebeu que o elogio, o fizera suar. — Seria um paliativo e realmente o custo não seria muito alto e nos daria o tempo necessário para tentar uma solução definitiva e favorável para a empresa.
— Então, é isso. Secretária Eun-ji, você ficará encarregada de encontrar o melhor lugar para locação, contrato e o transporte da mercadoria, tudo bem?
— Sim, senhorita . Eu devo avisar as senhoras Sodam e Naeun agora ou espero retornarem da loja?
— Nenhum dos dois, pode deixar. É melhor que eu mesma fale com elas, obrigada. Só me avise quando elas chegarem da loja.
— Precisa de mais alguma coisa?
— Não. Você já pode ir, quanto antes fizermos isso, melhor. Se houver necessidade eu te chamo.
— Tudo bem, com licença. — ela sorriu satisfeita, enquanto saía da sala.
— Eu acho que a sua ideia, salvou minha vida. Muito obrigada.
— Não se acostume, eu não estarei sempre por perto. — disse o mordomo, ajeitando o paletó.
— Pode deixar, eu vou saber me virar. Agora eu preciso que você vá fazer compras e pegar meus vestidos na lavanderia. Ah, pode vir me pegar às seis, por favor.
— Mais alguma coisa?
— Sim, você poderia sorrir de vez em quando, isso seria realmente bom.
— Engraçado, muito engraçado. Nos vemos às seis. — ele a reverenciou com o rosto naturalmente sério e ela assentiu sorrindo, vendo-o sair logo em seguida.
Kwang-jo não viu a secretária em sua mesa, mas deu de cara com ela ao se aproximar do elevador.
— Eu ia te oferecer um café, mas você deve estar bastante atarefado, vejo que já ia embora sem ao menos se despedir.
— Eu gostaria de poder tomar um cafezinho, mas nossa jovem patroa me designou algumas tarefas. Quem sabe um outro dia?
— Ficarei esperando. — ela disse e sorriu mais uma vez gentilmente e ele ficou paralisado por alguns segundos, até que ouviu a campainha do elevador e as portas se abriram.
— Eu já vou, tenha um bom dia. — disse ele, acenando com a cabeça e entrou rapidamente no elevador, apertando o botão para o térreo.
— Você também, volte sempre. — disse ela, enquanto seus olhares se cruzavam mais uma vez, antes que a porta se fechasse.

Enquanto descia, Kwang-jo respirava aliviado e com uma certa raiva de si mesmo, por não conseguir se expressar e demonstrar o que realmente sentia pela moça. Quanto a ela, voltava para sua mesa e seus afazeres sem nem ao menos imaginar que, o homem a quem tinha tanta admiração e respeito, era apaixonado por ela.



Capítulo 4

Assim que a secretária conseguiu a locação e o envio do contrato para o locatário devidamente assinado por , ela foi informá-la da retirada do lote do perfume do galpão de armazenamento e seu transporte para o novo local. Assim que ela terminou de passar as informações, Sodam entrou na sala “cuspindo marimbondos”.
— Eu não sei o que está tentando fazer, mas quero que pare imediatamente.
— Senhora Sodam, não pode invadir meu escritório dessa maneira. Está descontrolada.
— A sua atitude irresponsável de parar a produção do perfume, atrapalhando a minha linha de ser distribuída, justifica perfeitamente o meu descontrole.
— Senhora Sodan, eu estava indo até a sua sala neste momento para informá-la que, o problema foi solucionado. Não terá que se preocupar com nada.
— Por causa da sua intervenção, os caminhões ficaram ocupados trazendo a carga do perfume Reflection, para a fábrica ao invés de estarem entregando os produtos da linha Florença, nas lojas e no aeroporto, para embarque à China.
— Acredito que um atraso não pode ser algo tão grave.
— Um atraso?! — ela deu uma risada seca. — Você só pode estar de brincadeira. Nesta empresa nós temos contratos milionários, horários a serem cumpridos e decisões críticas que devem ser tomadas minuciosamente, porque não é apenas nosso nome, é a nossa palavra, então não me venha dizer que foi apenas um atraso. — lhe dando lição de moral como se fosse a dona do lugar e ela uma mera funcionária.
— Me perdoe, não foi o que eu quis dizer. Não se preocupe, eu assumirei toda a responsabilidade.
— Isso é o mínimo que você pode fazer. — ela se virou para sair, mas voltou completando. — Eu não sei o que sua mãe tinha na cabeça quando resolveu deixar a empresa nas suas mãos, mas pode estar certa de uma coisa, eu não vou deixar que uma garota mimada e imatura destrua o trabalho de uma vida e quando digo isso, falo por Naeun e Yujin também. Espero que tenha entendido. — sem mais, ela saiu com seu ar de superioridade e dessa vez, conseguiu desestruturar .
— A senhorita está bem? — perguntou a secretária, preocupada ao vê-la estática e com os olhos marejados, se aproximou tocando em seu ombro e então, ela piscou deixando que as lágrimas se libertassem de seus olhos.
— Eu estou bem. — disse, limpando rapidamente o rosto ao encará-la com um pouco de vergonha.
— Não ligue para o que ela disse. Está se saindo muito bem.
— Acho que não tão bem quanto gostaria. — disse ela, ao sentar-se.
— Vou lhe trazer um copo d’água, vai te fazer bem.
— Obrigada, Eun-ji.
observou a moça sair da sala e antes que pudesse chorar de verdade, se lembrou de sua mãe e também da promessa que fizera em sua lápide. Então, limpou o rosto novamente e se recompôs. Por mais difícil que fosse aquela situação, ela precisava ser forte e resistir a vontade de desistir e ir embora. Algo que já havia pensado várias vezes em fazer, naquele período. A partir dali, ela decidiu fazer algo para si mesma e quando a secretária voltou, foi logo dando ordens.
— Eun-ji, eu preciso que me traga os arquivos com todos os estudos e pesquisas que minha mãe fez, até o último teste antes do lançamento do perfume Reflection. Eu quero ver tudo.
— Mas senhorita , são muitas pastas e grande parte do material, está no laboratório junto com as amostras.
— Não tem problema, me traga o que conseguir, as anotações dela, cálculos, o que for mais importante. O resto, eu posso ver depois. E eu quero que tudo seja feito com sigilo absoluto, isso também é muito importante.
— Sim, é claro, pode deixar. Eu vou providenciar isso agora mesmo.
— Eu agradeço. Bem, a essa altura com certeza, Sodam já deve ter dito o que aconteceu a Naeun, então é melhor eu não mexer com elas por enquanto.
— Tudo bem, vou fazer o que me pediu. Com licença.
— Toda.
Eun-ji demorou um pouco para organizar toda a papelada que encontrou e foi levando aos poucos discretamente para , que não arredou o pé do seu escritório totalmente envolvida e empenhada em formular uma estratégia plausível para reverter a situação do perfume Reflection. A secretária foi muito prestativa e atenciosa, ajudando a entender o processo de produção e também não se esquecia de fazê-la comer. passou a semana praticamente trancada em sua sala, enquanto estava na empresa. Já que não havia nenhum compromisso para aqueles dias, houve uma mudança de planos e pediu para que Eun-ji ligasse para casa e avisasse ao mordomo que, voltaria mais tarde e que por isso não precisaria buscá-la. 
As horas foram passando, ela dispensou Eun-ji e ficou ali mais um pouco, quando deu por si já eram 11:00. Pegou algumas das pastas na mesa, o casaco, a bolsa, apagou as luzes e saiu trancando a porta, para evitar ser espionada. Ela se despediu do segurança noturno e saiu do prédio, pretendendo pegar um táxi, mas não passou nenhum. Conforme os minutos passavam, ela começou a se preocupar principalmente, porque a rua estava deserta. Decidiu se movimentar em direção à avenida principal, passaram alguns carros, mas nada de táxi. O lugar estava mal iluminado, o que a deixava mais apreensiva e então, a figura de um homem surgiu da esquina e ela engoliu em seco, não era possível ver o rosto dele que, se aproximava rapidamente. Então, ela decidiu ir em frente, pois, estava com medo. Insistentemente, quanto mais rápido ela andava tentando se afastar, mais o homem parecia acelerar seus passos para alcançá-la. De repente, ao chegar na próxima esquina, ela deu de cara com outro homem e gritou, antes mesmo de olhar para o seu rosto.
— Ei, fique calma. — reparando bem, ele a reconheceu. — Senhorita Nae? — disse surpreso.
— Você me conhece? Espere. — olhou melhor e também o reconheceu. — Jardineiro? — nesse momento ela olhou para trás e percebeu que o sujeito que a seguia, ainda estava lá. — Por favor, me ajude. Aquele cara está me seguindo. — disse bem baixinho para ele, que ao ver o homem se aproximando, ficou em alerta.
— Está tudo bem por aqui? — o estranho perguntou.
— Está sim. — respondeu com firmeza, enquanto , nem conseguia levantar a cabeça para encarar o sujeito.
— Eu ouvi a moça gritando, pensei que pudesse estar precisando de ajuda.
— Ela viu um rato, só isso. Agora se nos der licença, precisamos ir, não é mesmo querida? — disse ele, pegando em sua mão e entrelaçando seus dedos aos dela, o que a fez olhar para ele.
— Sim, vamos. — foi a única coisa que ela conseguiu dizer.
— Boa noite. — a puxou para mais perto e começaram a caminhar.
— Boa noite. — o sujeito ficou olhando, enquanto se afastavam.
— Não solta a minha mão, ele ainda está olhando. — sussurrou ele ao ouvido de , que instintivamente quis olhar para trás, mas ele a impediu. — Não se vire, ou ele vai desconfiar. — então, ela obedeceu e quando estavam um pouco mais longe, puderam olhar e não estavam mais sendo seguidos. O homem havia desaparecido.
— Nossa, eu quase parei de respirar.
— Imagino. Você é muito corajosa.
— Obrigada, apesar de achar que não seja uma verdade.
— Não foi um elogio, só estava sendo sarcástico. Não sabe que é perigoso para uma moça ficar andando por aí sozinha, a essa hora da noite? Ele provavelmente deve ter te confundido.
— Olha, não foi de propósito. Eu estava tentando pegar um táxi e aquele cara apareceu do nada. E você, o que estava fazendo aqui a essa hora? Também me parece muito suspeito.
— Eu estava em uma festa aqui perto e moro atrás daqueles prédios.
— Você poderia ter ido de carro.
— Sorte a sua, eu preferir caminhar. — foi consistente na declaração.
— Ah... — não conseguiu retrucar.
— Viu, o seu silêncio só confirma que minha lógica é irrefutável.
— Você com esse seu nariz em pé, se acha o dono da verdade não é?
— Não seja mal agradecida e com essa, estamos empatados. Passar bem. — ele começou a andar mais rápido, deixando-a para trás.
— Ei, você não pode me deixar aqui assim.
— Posso sim. — ele continuou caminhando.
— Jardineiro? , por favor. — ele deu mais alguns passos, aumentando o medo dela. Então, fingiu reconsiderar, na verdade nunca chegara a cogitar a ideia de deixá-la sozinha, mesmo que merecesse. Ele parou e olhou para ela, já com o rosto aflito olhando para os lados e tremendo. não percebeu sua aproximação, até que sentiu ele pousar seu casaco sobre os seus ombros.
— Você pode ir pra minha casa e se não achar confortável o suficiente, o que eu duvido, posso pegar o carro e dirigir uma boa parte da madrugada, só para levá-la pra casa. Está bem pra você? — ela concordou, balançando positivamente a cabeça. — Muito bem, então vamos. — ele fez sinal para que ela passasse a sua frente e começaram a caminhar.
— Obrigada, por não me abandonar. — murmurou, um pouco sem graça.
— Não tem de que, faria isso por qualquer pessoa. E então, doeu?
— O que?
— Demonstrar um pouco de gratidão.
— Depende. Doeu ser um pouco gentil?
— Tudo bem, ponto pra você. — ele se segurou e ela sorriu discretamente e ficaram em silêncio até chegarem no apartamento dele. 
Assim que entrou, deu uma boa olhada pelo ambiente simples, mas muito aconchegante. A sala conjugada com a cozinha dividida apenas por um balcão com três banquetas, em frente um corredor à direita  que levava a dois quartos e o banheiro.
— Está com fome? — perguntou ele, entrando na cozinha e abrindo a geladeira.
— Já que perguntou, fico feliz em dizer que seria ótimo comer alguma coisa agora.
— Entendo. — ele tirou algumas vasilhas de dentro da geladeira e as colocou no micro-ondas.
— Até que não é ruim. — ela disse, sentada na banqueta de frente para ele, que estava escorando os braços no balcão.
— O que?
— Sua casa não é ruim, mas ainda prefiro a minha.
— Não seja por isso, vou pegar o carro. — antes que ele pudesse se erguer, ela segurou o braço dele.
— Espera, se acalma está bem? Eu não disse que sua casa não era boa pra mim e além do mais, eu seria uma pessoa horrível se fizesse você dirigir a essa hora. Olha, eu estou muito cansada, nós dois estamos, então relaxa. Hum?
— Está bem. — um pouco mais tranquilo, então, ela o soltou.
— Você sempre age assim, na defensiva com todo mundo?
— Ah, não. Só com pessoas especiais.
— Ok, eu já entendi.
— Pode ficar tranquila, dessa vez foi um elogio. — por um segundo, os olhos deles ficaram conectados um no outro até o sinal do micro-ondas apitar e atrair a atenção dele, que foi de imediato retirar o alimento aquecido e o trouxe para cima do balcão, entregando a ela também o hashi e uma colher.
— Obrigada! Você não vai comer? — perguntou, ao reparar que a porção era só para ela.
— Não, eu acabei de vir de uma festa, lembra? Fique à vontade.
— Então, está bem. Nossa, eu estou com tanta fome que poderia comer até capim. — Os dois riram e por um momento, pela primeira vez, ele foi atraído pelo sorriso alegre e sedutor dela, o que o deixou sério e confuso ao mesmo tempo. Ela percebeu e perguntou:
— O que foi?
— Nada. — ele desviou o olhar e deu a volta no balcão. — Eu vou arrumar o escritório, que surpreendentemente hoje, servirá de quarto de hóspedes. — ele disse, se afastando.
— Sorte a minha. — ela disse e ele continuou dando um sorriso discreto, aproveitando que estava de costas e não poderia ser visto. 
Assim que ela terminou de comer, foi ver onde ele estava e abriu a primeira porta à direita, se deparando com ele que, havia acabado de tirar a camisa.
— Desculpe, eu achei que era o banheiro. — disse, meio tímida.
— Última porta, no fim do corredor. — ele disse, também um pouco sem graça.
— Eu vou lá, então. — ela fechou a porta devagar e depois levou a mão ao rosto que chegava a queimar de tanta vergonha, então foi para o banheiro. Com ele não foi diferente. Quando saiu do quarto, tinha um cobertor e uma muda de roupa nas mãos, a encontrou saindo do banheiro.
— Eu já deixei tudo pronto pra você, mas achei melhor trazer mais este e algo para se trocar e ficar mais à vontade. — disse, entregando a ela. — Costuma fazer muito frio aqui durante a madrugada.
— Ah, é gentileza sua, obrigada.
— É só isso, boa noite. — ela o viu entrando rapidamente e fechando a porta do quarto.
seguiu para o escritório também fechando a porta, se trocou e se deitou, evitando pensar naquele clima estranho que pairou no ar. Deu uma olhada no celular e se assustou com a quantidade de chamadas de sua casa, tinha se esquecido completamente de avisar a Kwang-jo e Hyewon, que com certeza deviam estar super preocupados. Já era tarde, mas preferiu ligar e no mesmo instante, foi atendida pelo mordomo.
— Onde você está e porque não atendeu o celular? — disse ele, apreensivo.
— Calma, estou na casa de um amigo, esqueci de tirar o celular do silencioso, por isso não atendi antes.
— Você está bem, aconteceu alguma coisa?
— Aconteceram muitas coisa, mas não se preocupe porque, eu estou bem e segura.
— Disse que está com um amigo. Que amigo?
— Bom, na verdade não é bem um amigo, é o jardineiro.
— Espera um pouco, como vocês se encontraram?
— É uma longa história, mas eu prometo que te conto tudo quando chegar em casa de manhã, tudo bem?
— Tudo bem, eu vou avisar a Hyewon que você ligou ou é capaz dela nem dormir esta noite.
— Me perdoe, não queria deixar vocês preocupados.
— O importante é que você está bem e com alguém de confiança. Agora, vamos dormir e nos falamos de manhã.
— Boa noite.
Eles desligaram o telefone e conseguiu dormir um pouco mais tranquila.



Capítulo 5

Pela manhã, já estava de pé preparando o café, quando a campainha tocou. Imaginou que pudesse ser o síndico, então foi atender despreocupado, mas assim que abriu a porta, veio a surpresa.

— Sun-Young! — disse meio estarrecido, ao ver a bela mulher na sua porta.
— Bom dia, achei que depois do que aconteceu ontem, nós deveríamos conversar com calma, então quis fazer uma surpresa. Não vai me convidar para entrar?
— Ah, desculpa, eu... por favor, entre. — ele estendeu a mão, para que ela entrasse e assim que o fez, também surgiu do corredor esfregando os olhos, vestida com uma camisa enorme e descalça, mas ele não a viu.
— Eu vou querer saber, quem é essa mulher? — a visita inesperada perguntou, encarando de cima a baixo, deixando ela completamente sem jeito.
— Desculpe, eu não sabia que tinha visita.
— Sun-Young esta é Nae , minha patroa. Senhorita Nae, esta é Bin Sun-Young.
— A noiva dele. — a mulher em trajes sofisticados, completou sua apresentação envolvendo o braço ao redor do pescoço dele, deixando o rapaz ainda mais sem graça.
— Noiva? Nossa, parabéns. — disse meio que no automático, mas por dentro havia uma certa surpresa e decepção incompreendida. 
— Obrigada. — respondeu ela, com um sorriso sínico.
— Bom, é melhor eu ir me trocar, com licença e me desculpem. — nunca sentiu tanta vergonha. Foi rapidamente para o banheiro com suas roupas, para se arrumar.
— Vai me explicar o que aquela mulher faz aqui, vestindo apenas a sua camisa? — ela perguntou, assim que ele retirou seu braço do pescoço dele, bastante constrangido.
— Ela precisou de ajuda e não tinha como voltar pra casa, só isso. — ele respondeu, voltando à cozinha e passando o café.
— Só isso, não é? Acho um pouco estranho, principalmente pelo fato de termos discutido ontem à noite, aí de repente aparece uma mulher pra dormir na sua casa?
— Sim, exatamente isso, nós dois brigamos, eu a encontrei por acaso, ela estava com problemas, então eu a trouxe pra casa e ela dormiu no escritório. Mas se não estiver satisfeita, já sabe onde é meu quarto, fique à vontade para cheirar os lençóis. — disse ele, com raiva já não aguentando mais as desconfianças dela e seu jeito autoritário, como se ele fosse sua propriedade.
— Não precisa me tratar assim, eu não vim brigar. — disse se fazendo de ofendida.
— Me desculpe, eu não quis dizer isso. — ele respirou fundo tentando se acalmar, mas ela o deixava fora de si. — Eu acho melhor você ir embora e mais tarde, eu vou até sua casa para conversarmos.
— E ela? — perguntou, aparentando controle.
— Vou levá-la pra casa dela, que também é meu trabalho inclusive. Você pode ficar bem com isso?
— Acho que não tenho muita escolha, então não se atrase. Vou preparar o jantar. — ela disse, se esforçando para transparecer conformidade.
— Pode deixar.
— Bye, bye! — ela piscou um dos olhos e foi embora, logo em seguida reapareceu toda arrumada, com suas coisas à mão.
— Ela já foi?
— Sim. — ele disse, colocando a xícara de café sobre o balcão.
— Me desculpe, eu não queria te deixar e uma situação ruim.
— Está tudo bem, ela exagera as vezes, mas é uma boa pessoa, não tem com o que se preocupar.
— E vocês estão juntos a quanto tempo?
— Mais tempo do que, eu possa me lembrar.
— Nossa! — ela achou estranha a forma com que ele dissera aquilo.
— Nossas mães são amigas desde a infância, crescemos juntos até a faculdade. Enquanto fiz paisagismo no Japão, ela fez moda nos Estados Unidos. Depois nos reencontramos e aconteceu, foi isso.
— Legal. Vocês devem saber muito um sobre o outro.
— Você deve ter alguém assim também, não é?
— É claro, você já até o conhece.
— Mesmo? — disse ele, um pouco decepcionado, mas disfarçou bem.
— Não, estou brincando. — ela riu e ele também mais aliviado, sem saber o porquê. — Tenho uma pessoa que me conhece melhor do que eu mesma, ele é como se fosse um irmão mais velho.
— Acredito que já sei quem é. Kwang-jo, acertei?
— Ele mesmo, também nos conhecemos desde crianças.
— Entendi, mas eu me referia a alguém como um namorado.
— Não, eu ainda não tive a oportunidade de conhecer alguém tão especial com quem pudesse dividir tudo. — os olhos dela pareciam querer dizer algo mais, enquanto dizia aquilo e no fundo ele também estava esperando o mesmo, mas desviaram os olhos um do outro, tentando encontrar outro assunto menos envolvente. — Nossa, as horas estão passando muito rápido, eu preciso ir para casa e resolver algumas coisas antes de voltar pra empresa.
— Sim, eu vou pegar minhas coisas e já saímos. — ela assentiu e foi tomando o café enquanto ele foi para seu quarto, pegar o casaco, a carteira e as chaves do carro. Ao voltar, percebeu que ela já o aguardava com a bolsa e as pastas nas mãos. — Podemos ir?
— Sim.
Meia hora depois, eles chegaram na casa dela e o mordomo já os aguardava na porta.
— Sentiu saudades? — perguntou, enquanto saía do carro.
— Morri, não vê como estou pálido. — ele respondeu sério, mas ainda assim ela achou graça.
— Bom dia, Kwang-jo. — disse o jardineiro.
— Bom dia, . Devo agradecê-lo pelo imenso sacrifício de acomodar a senhorita, em seu humilde lar.
— Realmente, um grande sacrifício, principalmente pelo fato de eu não ter dormido direito, com a altura do ronco dela.
— O que? Eu não ronco. — disse , indignada.
— Sem tirar a cena constrangedora que passei com minha noiva, resumindo foi um tempo difícil. — ele disse, dando um tapinha no ombro do mordomo, enquanto o rosto dela corou de vergonha sem conseguir se defender.
— Eu posso imaginar. — Kwang-jo olhou para ela que, logo abaixou a cabeça.
— É melhor eu ir pra minha verdadeira função. — o jardineiro os deixou, seguindo para o jardim.
— Estou com dificuldade em não imaginar o que aconteceu. 
— E nem precisa, não aconteceu nada disso que está pensando.
— Então, me diga exatamente o que houve para que tenha ido parar na casa dele.
— Eu me distraí e acabei saindo mais tarde do que pretendia do escritório, então enquanto eu esperava um táxi, apareceu um cara estranho e veio atrás de mim, daí nós nos esbarramos, ele se livrou do outro cara e me levou pro apartamento dele, nada de mais.
— E a tal cena constrangedora?
— A tal noiva apareceu do nada e eu tinha acabado de acordar, estava totalmente sonolenta e sem querer apareci na sala vestida com uma camisa que, ele gentilmente me emprestou para dormir. Mas eu juro que não aconteceu nada, ele só ajudou a patroa dele, só isso.
— Tudo bem, acredito em você. Agora entre e vá falar com Hyewon, antes que ela tenha um infarto.
— É melhor começarem a fazer um check up, estão ficando velhos. — disse , o perturbando.
— Eu trabalho para uma garota irresponsável, se morrer não será de velhice mesmo. Vá logo. — ele ordenou.
— Está bem, não precisa ser rude. — ela entrou e Kwang-jo a seguiu. 
Assim que passou a porta, a senhora veio lhe dando um abraço apertado.
— Fique calma Hyewon, eu estou bem.
— Nós ficamos tão preocupados, quase liguei para a polícia.
— Não exagera, eu só passei a noite fora e mesmo que tenha demorado um pouco pra dar notícias, avisei Kwang-jo onde estava.
— Ainda assim, você poderia ter pedido para que ele a buscasse. E se te acontecesse alguma coisa grave?
— Mas não aconteceu nada, não é? Não se preocupe tanto, eu sei me cuidar. — disse , lançando um olhar pesaroso para o mordomo, que balançou a cabeça negativamente.
— Menina tola, espere um pouco antes de sair, vou preparar algo forte para você comer. — após receber um sorriso desanimado da garota, ela voltou para a cozinha.
— Eu passei bem a semana, já ouvi pelo menos umas quatro vezes que sou uma criança irresponsável. — disse ela, demonstrando profunda tristeza e com os olhos umedecidos, depois deu um profundo suspiro.
— O que você quer dizer com isso? — Kwang-jo percebeu que ela ficara estranha de repente.
— Nada, eu só estou me sentindo um pouco cansada. — disse, tentando não olhar para ele.
— Desde criança, você mente muito mal. Vai me dizer logo o que está acontecendo.
— Eu não te contei antes, mas eu e a senhora Sodam, discutimos no início da semana. Ela me disse coisas horríveis, tenho a impressão de que tudo o que eu faço vai atrapalhar alguém. Eu atrasei o trabalho dela, quase envolvi o jardineiro em uma briga e o deixei em uma situação ruim com a noiva. Deixei você e a Hyewon preocupados, sem dormir.
— Pode parar. — disse ele, se aproximando e a abraçou, recostando a cabeça dela sobre o seu peito. — Você não tem total controle sobre o que dará certo ou errado, e mesmo que escolha os melhores caminhos, não significa que neles também não haverão pedras.
Enquanto isso, do lado de fora o jardineiro os viu ao passar pela janela e tentou não se incomodar, apesar de se sentir meio estranho.
— Então, só levante a cabeça e a mantenha erguida. — aconselhou o mordomo, a soltando e fazendo com que ela olhasse para ele. — Não se importe com o que dissermos pra você, apenas prove que estamos errados e que você é capaz. — ele foi se distanciando e continuou. — É melhor tomar um banho e se trocar ou está pretendendo sair assim?

Ela sorriu e se virou, mas ele já estava longe e fora do alcance de seus olhos. Sem mais, ela seguiu o conselho do mordomo e foi para o seu quarto, bem mais motivada por aquelas palavras sinceras e incentivadoras que recebeu.



Capítulo 6

Nos dias seguintes, ficou totalmente focada em sua pesquisa pelos relatórios de sua mãe, participava das reuniões com as sócias, mas não se intimidava com uma palavra ou outra ofensiva que Sodam lançava e tentava não interferir nas decisões de seus setores, contanto que elas a deixassem trabalhar livremente no projeto de transformação do perfume Reflection. Não tinha muito tempo livre em casa, mas sempre dava um jeito de ir até o jardim com a desculpa de estar descansando ou fiscalizando a obra. Ela tinha tirado o resto da tarde de sexta-feira de folga e pôde voltar mais cedo para casa. Assim que chegou próximo das portas, ouviu um barulho vindo do jardim e soube que o jardineiro estava lá, não pensou duas vezes e deu volta na casa indo para lá. Quando chegou na esquina da parede daquele estreito corredor, ela se encolheu para espiá-lo, aproveitando que estava de costas distraído batendo pregos no painel de madeira trançado, junto ao muro onde subiriam os galhos das trepadeiras de rosas. nem piscou, enquanto olhava para a camisa molhada de suor colada ao corpo dele, sua pele bronzeada pelo sol ainda forte sobre sua cabeça, sem contar também aqueles braços que por um momento fizeram seu corpo desejar ser abraçado. Mas por um descuido, na inquietude de suas pernas, chamou a atenção dele ao derrubar uma telha escorada ali próxima ao chão e não teve mais como se esconder, precisando urgentemente de uma desculpa para estar ali.

— Oi. — disse ele com mansidão.
— Oi, eu não quis atrapalhar. — ela disse, meio sem jeito.
— Precisa de alguma coisa?
— Não, eu só estava passando e resolvi ver o que estava fazendo.
— Encolhida num canto como um espião?
— Eu não estava assim, só não queria tirar sua atenção do trabalho.
— Então, estava mesmo me espiando. — disse ele, demonstrando serenidade.
— É claro que não, eu estava inspecionando a obra, você é meu funcionário e eu precisava saber se estava fazendo o que faz direito.
— Eu vi você pelo reflexo do alumínio das latas. — ele apontou para os objetos que estavam ao lado, deixando ela sem reação. — Me pareceu que estava espiando.
— Eu já disse que não estava, mas que implicante. — ela meio que rosnou e bufou ao mesmo tempo e deu meia volta para o corredor.
— Ei, não precisa ficar nervosa. — ele disse, mas ela não deu confiança e continuou seguindo para a frente da casa. Ele não conseguiu resistir e riu do jeito que ela ficou.
passou como um foguete pela sala indo direto para seu quarto, fazendo aparecer pulgas atrás da orelha de Kwang-jo, que vinha da cozinha e a viu passar transtornada, mas preferiu não incomodá-la, pois, sabia que na hora certa descobriria o motivo. 

Enquanto a cozinheira preparava um lanche para todos com a ajuda da empregada, o mordomo se intrigava ao observar pela janela, o jardineiro rir sozinho enquanto cortava algumas tábuas e sem as duas repararem, ele deslizou os pés sorrateiramente até o jardim.

— Me parece um trabalho bem exaustivo. — disse o mordomo, se aproximando e então, o rapaz o notou.
— É sim, mas como todos os outros quando concluído, é gratificante.
— Com certeza, posso crer que fará um exímio trabalho aqui. Vendo como as coisas já estão tomando forma, não tenho dúvidas.
— Bom, é pra isso que estão me pagando não é?
— Certamente. A senhorita gosta de acompanhar os progressos, mas ultimamente tem andado bastante ocupada, creio que ela iria gostar de ver os resultados mais de perto. — disse ele, jogando verde e constatou pelo sorriso incontrolado de que, com certeza tinha algo a ver com a falta de humor de , pois, já vinha notando um jeito diferente no comportamento dela quando estavam próximos, desde a noite que passara na casa dele.
— O jardim é dela, pode vir quando e como quiser. — ele sorriu de forma travessa, mas se conteve ao notar que o mordomo, o estava analisando.
— Pois bem, pare um pouco e se refresque. Hyewon preparou um lanche, é muito bem vindo.
— Obrigado. — ele agradeceu, mas olhou meio desconfiado para Kwang-jo enquanto ele voltava para a cozinha.
As mulheres estavam com a mesa da cozinha já posta e a empregada iria levar uma bandeja para no quarto, mas Kwang-jo a pegou e disse que ele mesmo a levaria, no mesmo momento em que entrou no ambiente e assim o fez. Deu algumas batidas na porta e ao sinal dela, ele entrou e colocou a bandeja sobre um baú que ficava aos pés da cama onde ela estava sentada, cercada de papéis e super concentrada no que lia.
— Hora do lanche. — disse ele, se sentando na beira da cama e tirando delicadamente das mãos dela, a folha que estava lendo pousando a ao lado.
— Eu não estou com fome.
— Pode repetir isso se quiser, depois de comer é claro. — ele claramente não ligava para o que ela queria quando se tratava de comida.
— E eu ainda me pergunto, porque as pessoas me acham mimada.
— Pare de reclamar, muitos não tem nem a metade do que você tem. por exemplo, tem um trabalho mais pesado que o seu e mesmo assim parou para comer, porque saco vazio não para em pé.
— Ele que coma mesmo e termine logo esse bendito jardim. — ela disse, com a voz um pouco alterada e se aproximando da bandeja para pegar um bolinho, sem nem sequer reparar que a sua reação reveladora, fora absorvida pelo mordomo.
— É impressão minha ou esse rapaz, está te deixando bastante nervosa ultimamente.
— Eu, nervosa? Está de brincadeira, não é? Eu lá vou perder meu tempo com um jardineiro, paisagista, metido a sabe tudo bonitão? Só na sua cabeça mesmo.
— É, você está coberta de razão. Ele é tão cheio de si, arrogante, inteligente e bonitão. — ele foi dizendo e ela caiu feito um patinho, concordando com o que ouvia.
— É, e também tem aqueles braços enormes e... — quando finalmente olhou para Kwang-jo, percebeu aquele olhar de “te peguei”, então voltou a si e tentou contornar a situação sem muito sucesso, claro. — Ele é uma pessoa horrível, totalmente horrível.
— Gostaria de dizer que você me convenceu, mas não acho que seja possível.
— Isso é tudo culpa sua, fica falando um monte de coisas na minha cabeça, me confundindo e eu acabo falando, nem sei mais o que.
— Tenho motivos para crer que, não sou eu quem está te confundindo. — disse ele, se levantando e indo em direção a porta. — Só não se esqueça de uma coisa, ele é noivo. — o mordomo saiu, fechando a porta em seguida.

soltou o bolinho no prato e respirou fundo, limpando as mãos no guardanapo. Aquela recomendação seria no mínimo instrutiva, se levasse em consideração o sentimento que já vinha crescendo dentro dela, sem ao menos perceber. Mas naquele momento, o achou desnecessário até porque, o seu foco estava em ser reconhecida no trabalho.

No domingo, foi almoçar com Eun-ji. Há muito tempo não tinha um momento tão descontraído com uma amiga, mesmo que em uma hora ou outra acabaram falando sobre o trabalho, o que não a impediu por vezes de pensar naquele rosto encantador e naquele olhar que parecia atraí-la compulsivamente em suas lembranças do jardineiro. De vez em quando, resistia um pouco, mas por pouco tempo, então acabava por deixar seus pensamentos vagarem até que aparecesse a forma dele, a distraindo e tirando  um pouco do prumo. Em seu apartamento sozinho, tentava se distrair com um filme na televisão, aproveitando o sossego em que Sun-Young o deixara, ao viajar a trabalho. Os pensamentos dele também eram confusos remoendo as lembranças de quando ela estivera lá e aquele jeito de menina assustada com a brincadeira anterior. Se lembrou até mesmo da sensação que teve ao pegar a mão dela, afastando o perigo e chegou a imaginar o toque dos lábios dela, o que fez seu corpo se aquecer automaticamente. “Era um erro” pensou consigo mesmo e não aguentando o calor que começou a sentir do nada, desligou a TV, pegou o casaco e as chaves e saiu sem rumo, indo parar em uma praça com um belo chafariz. A noite vinha chegando e enquanto voltava de táxi para casa, vendo as luzes da cidade, resolveu descer ali e caminhar um pouco pelo Parque de Sejongno. O jardineiro, sentado em um banco, tentava clarear as ideias e focar no casamento que seria daqui a alguns meses, lembrando da conversa que tivera com sua noiva poucos dias atrás, mas nada daquilo fez mais sentido no momento em que levantou a cabeça e olhando para o lado, vislumbrou a face radiante daquela que, anteriormente tomou seus pensamentos. Ele sentiu imediatamente um frio na barriga e percebeu aquele calor retornar. Andando totalmente distraída, sentindo a brisa em seu rosto, ela se virou na direção dele, como uma ação natural e seus olhos se fixaram nos dele e se sentiu paralisada da cintura para baixo, mas seu coração estava bem vivo e acelerado, sentiu uma leve ardência no rosto. Em uma ação inesperada, ele se levantou e caminhou até ela, que não conseguia sair do lugar.

— Espero que não esteja sendo seguida novamente. — ele brincou, para quebrar o gelo, se é que existia algum.
— Ah, não. Eu acho que não. — ela deu uma olhada para trás, como se procurasse alguém e retornou os olhos para ele. — Definitivamente, não. — ela sorriu um pouco retraída, nunca imaginaria que seus lábios fossem alvo de desejo.
— Já que estamos aqui, coincidentemente, gostaria de dar uma volta?
— Sim, na verdade já estava fazendo isso, mas não é educado recusar uma companhia. — disse ela, com um sorriso mais ousado, pode se dizer que até um tanto provocativo e começou a caminhar ao lado dele, com um sorriso de canto arrebatador.
— Então, o que fazia aqui perto? — perguntou como quem não quer nada.
— Eu fui à casa de uma amiga e enquanto voltava pra casa, decidi caminhar um pouco, respirar ar puro, ajuda a pensar. E você, estava com sua noiva? — ela sondou.
— Não, ela viajou ontem para a galeria de moda onde trabalha.
— Ah, que bom. Quero dizer, legal. Deve ser legal. — ela disse, meio confusa e desconcertada, sem saber o que dizer.
— É sim. — ele respondeu, achando graça.
— A lua nessa época do ano, parece mais próxima não é? — ela tentou mudar de assunto, parando para observar o céu. — É sensacional.
— Sim, extremamente linda. — disse ele, olhando atento para ela, mas disfarçou quando foi notado. 
Ventava um pouco e algumas folhas das árvores em volta, caíram sobre eles. Ambos se abanaram, mas uma folha pequena ficou agarrada ao cabelo dela.
— Ainda ficou uma, deixa que eu tiro pra você. — ele levou a mão ao cabelo dela fazendo com que a folha caísse, mas não conseguiu se afastar e sua mão desceu suave e carinhosamente pelo rosto dela, que ao sentir aquele toque olhou diretamente nos olhos dele, com o coração ainda mais agitado. Ele levou a outra mão ao rosto dela, numa ação involuntária, segurando delicadamente sua face e se deixou levar pelo pensamento que tivera mais cedo em sua casa e teve uma sensação sublime e extasiante, quando seus lábios tocaram os dela. Como se o tempo tivesse parado e ouvissem uma única música tocando em seus ouvidos, fazendo com que as batidas de seus corações entrassem em sintonia, se emparelhando em um só ritmo. Naquele momento, durante aqueles poucos segundos, não existia empresa, nem noivado ou qualquer outro problema que os fizesse sair daquele sonho, até que ele afastou seu rosto um pouco e sem entender o porquê, sentiu medo.
— Me desculpe, eu... eu preciso ir. — sem deixá-la falar, ele saiu apressado e afobado.

ficou ainda mais confusa do que de costume, sem entender o que havia acontecido e voltou para casa, com os sentimentos embaralhados. Não sabia se ficava contente ou frustrada e de mil coisas que passaram em sua mente, uma pergunta a afligia: “Se me beijou é porque sente alguma coisa ou será que não sente nada e por isso se arrependeu?” Ela virou a noite nesse dilema conflitante e não conseguiu dormir.

O mesmo aconteceu com , que não conseguia entender sua própria atitude, afinal porque tinha fugido, se foi a melhor coisa que lhe acontecera em toda sua vida, mas então se lembrou de seu compromisso com sua noiva e ficou ainda mais perturbado. Não queria magoá-la de forma alguma, principalmente considerando o tempo que estavam juntos, mas no fundo sabia que aquilo não fora apenas um beijo e o que sentia, apesar de confuso, dizia muito mais. Então, sabia que deveria tomar cuidado para não partir o coração de ninguém, inclusive o próprio.



Capítulo 7

Aquela segunda-feira seria pesada para os dois. Ele foi trabalhar, mas não a viu sair e quando ela voltou para casa, ele já havia terminado o trabalho. Foi um verdadeiro desencontro, durante a semana, daria a entender que ambos estavam se evitando, mas ficava ansiosa só de pensar na possibilidade de vê-lo e o jardineiro ficava nervoso, pensando no que poderia dizer se de repente ela aparecesse. Ela no entanto, tinha uma situação mais urgente nas mãos, que precisava de sua máxima atenção e tentou se envolver o máximo que pôde, sem perder tempo. Assim que teve tudo o que precisava da pesquisa, projeto inicial e formulação do perfume Reflection, ela construiu um novo conceito elaborando outro projeto para o novo lançamento. Com a ajuda de Eun-ji e todo projeto em mãos, inclusive as contas no papel, levou o conteúdo completo à reunião.

— Estou no mínimo, um tanto curiosa para saber o motivo dessa reunião fora de pauta. — Naeun disse, com um ar intrigado.
— Eu só espero que ela não venha com mais bobagens, nos fazendo perder nosso precioso tempo. — Sodam concluiu, sem paciência e então, entrou na sala seguida pela secretária que, imediatamente entregou uma pasta para cada uma com o conteúdo pretendido.
— Bom dia, senhoras. Eu as convoquei para essa reunião para decidirmos de uma vez por todas o futuro do perfume Reflection. Para evitar que percamos mais tempo, por favor, abram suas pastas. — disse, com a voz altiva e com cara de poucos amigos, não iria permitir que a humilhassem dessa vez.
— Como quiser. — Sodam disse, sem fazer muito caso e todos abriram as pastas com o nome Love Garden.
— Mas o que é isso? — Naeun perguntou, sem entender do que se tratava. — Um perfume novo?
— Na verdade não, é o mesmo perfume Reflection, porém com algumas modificações. Mantivemos as embalagens para reaproveitá-las, mas alteramos o designer do nome, sua fragrância e o melhor, que acredito ser a maior preocupação de vocês, não terá um custo alto sendo então, bem considerável para os caixas da empresa. Eu fiz questão de detalhar tudo nestas pastas, como ele era e como vai ficar após a transformação, e nossos engenheiros químicos já estão trabalhando na fórmula, para melhorá-la e alcançarmos a fragrância que minha mãe queria.
— Era só o que me faltava, então teremos mais trabalho e o laboratório ficará encalhado com mais uma ideia que não dará em nada. — disse Sodam, olhando para as demais.
— Que bom que tocou no assunto, Sodam. Quero que saibam que, estarei ligada diretamente neste projeto e me encarregarei de tudo sozinha, o que quer dizer que não terão absolutamente nada com que se preocupar. E referente ao laboratório, contratei mais uma químico para ficar responsável pelo perfume, ele receberá algum auxílio dos outros, mas não estarão envolvidos no projeto, ficando à inteira disposição das senhoras para os outros produtos já em estudo e análise.
— Você tem tudo pronto e mesmo que não concordássemos com o projeto, como acionista majoritária teria a última palavra, podendo executá-lo de qualquer jeito. Então, exatamente porque ou para que nos chamou aqui? — perguntou Naeun, sendo coerente.
— Espero que continue sendo plausível. — Sodam disse, com ironia.
— Pois bem, como eu disse estarei envolvida diretamente e assumirei os custos do perfume Reflection, tanto da primeira versão quanto da segunda que acabei de lhes apresentar. Sendo assim, formulei um contrato de proteção para vocês que se encontra no final da pasta, onde ficam isentas de qualquer colaboração ou responsabilidade, caso algo dê errado. Eu e somente eu, estarei assumindo todos os riscos, sendo bem sucedida ou falhando, irei arcar com todos os custos do projeto e seja qual for o resultado, só eu serei beneficiada ou crucificada.
— Está dizendo então, que se der tudo certo somente você receberá os lucros e a fama?
— Sim Naeun, e em contrapartida se der errado, eu irei dispor das minhas ações para cobrir todas as despesas e desfalques que a empresa possa vir a sofrer.
— A senhorita está sendo bem ousada, e realmente arriscando perder uma fortuna em ações, devo questionar a sua sanidade mental? — Sodam provocou.
— Garanto que estou gozando de perfeito juízo, senhora Sodam. Eu estudei todos os meios e possibilidades, agora é com as senhoras se aceitaram os termos do contrato ou não, mas é bom lembrá-las que não perderão nada assinando, assim como também deixarão de ganhar, caso eu consiga um resultado positivo.
— Dizem que é melhor um pássaro na mão do que dois voando. Estou considerando a sua proposta e quero pedir que nos dê um dia para pensar, apenas 24 horas. Assim poderemos analisar calmamente as cláusulas do contrato e nos certificar de que não corremos nenhum risco. Você também não pensa assim, Sodam? — perguntou Naeun, inclinando a cabeça em um sinal sutil para a sócia.
— Sim, é uma decisão que precisa ser tomada cautelosamente e ter um tempo pra pensar nisso, é a direção mais sensata.
— Muito bem, eu lhes darei o tempo que pediram, 24 horas e amanhã, neste mesmo horário aguardarei sua resposta, então concluiremos essa reunião.
— Está muito bem para nós. — Naeun concluiu.
— Era só isso, as senhoras podem voltar aos seus afazeres. — as duas assentiram e saíram juntas da sala, com as pastas nas mãos então, pôde respirar mais aliviada.
— Nossa, elas não são brincadeira. — disse Eun-ji, depois de acompanhar toda aquela situação.
— Só espero que elas se decidam por assinar o contrato.
— Você tem certeza de que quer seguir em frente com isso? Ainda dá tempo de desistir.
— Eu não vou desistir, não posso voltar atrás agora.
— Mas você pode perder tudo que sua mãe conquistou com tanto esforço.
— É um risco que eu preciso correr, mas estou confiante que terei êxito. Elas acham que por ser filha de Nae Yujin, eu seria como ela e poderia cometer os mesmos erros que ela, mas estão enganadas. Eu estarei pronta para provar isto.
Já na sala de Sodan, as duas sócias confabulavam:
— Então, o que você acha? — Naeun perguntou, se sentando na cadeira de frente para Sodam.
— Essa garota é esperta, mas não tanto quanto nós e por isso, não sabe no que está se metendo.
— Em uma coisa eu tenho que concordar com ela, nós duas não temos nada a perder, ela porém pode perder tudo com essa ideia maluca. Não vejo porque não assinarmos.
— Eu também, mas em todo caso é bom que tenhamos uma garantia de que esse projeto estapafúrdio, venha a ser um total e completo fracasso.
— Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.
— Isso depende de onde o alvo está e nesse momento está onde queremos. Não precisamos de um novo raio, apenas usaremos o efeito do primeiro. — ela sorriu e as duas se olharam como se compartilhassem a mesma ideia, que com certeza não seria para o bem de outros a não ser o delas próprias.

Mais tarde, chegava em casa acompanhada de Kwang-jo e chovia bastante. Assim que entraram, ele recebeu a ligação de Subin que por causa da chuva ficara presa no mercado, junto com a cozinheira e praticamente suplicou para que ele fosse buscá-las. Sob o olhar de caridade de , ele não teve como negar e saiu novamente, a deixando sozinha na casa. Ela foi para seu quarto e tirou as roupas, um pouco úmidas e do nada ouviu um barulho vindo da sala, então vestiu seu hobby depressa e foi averiguar. Assim que chegou a sala, deu de cara com todo ensopado e engoliu seco, pois, estavam sem se ver desde aquela noite na praça, foi uma surpresa e tanto para ambos.

— Desculpa, eu achei que não tinha ninguém em casa.
— E não tinha mesmo, eu cheguei a pouco e Kwang-jo teve que sair de novo pra buscar Hyewon e Subin, que ficaram presas no mercado.
— Eu sei, vi ele passando enquanto voltava pra cá.
— O que aconteceu? Porque está assim? Parece que pegou toda a chuva.
— O carro quebrou a dois quarteirões daqui, eu ia pedir ajuda, mas meu celular ficou sem sinal, então pensei em voltar para usar o telefone da casa, se não tiver problema, claro.
— Não, de jeito nenhum. Pode usar sim, fique à vontade. — disse , apontando o telefone próximo a ele, sobre a mesinha de canto ao lado do sofá.
— Obrigado. — ele pegou o aparelho, mas também estava sem sinal, totalmente mudo. — Não está funcionando também.
— Como assim?
— Com essa tempestade, as torres devem estar com problemas de transmissão ou algo do tipo.
— É verdade, assim que a chuva diminuir tudo deve voltar ao normal. — de repente ouviram um barulho estrondoso e as luzes se apagaram. se assustou de sobremaneira que, deu um grito e pulou para o lado do jardineiro, agarrando-lhe o braço.
— Fique calma, deve ter queimado algum fusível de um transformador próximo. Deve ter alguma coisa que possamos usar para iluminar, você sabe onde eu posso encontrar?
— Kwang-jo costuma deixar algumas velas no armário, perto da porta. — disse ela, apavorada com os flashes dos relâmpagos que, invadiam a escuridão através da janela.
— Eu preciso ir até lá, você poderia me soltar?
— Não, por favor, eu não quero ficar aqui sozinha.
— São apenas alguns passos, eu não vou te deixar sozinha, prometo. — ele disse fazendo uma força enorme para tentar desprende-la dele, mas com gentileza.

Foi a soltando e se apoiando nos móveis indo na direção da porta, até achar o tal armário enquanto , estava de olhos fechados e em lágrimas de tanto pavor. conseguiu achar as velas e também uma caixa de fósforos, deixou uma delas acesa sobre o armário perto da porta e pegou outras duas, voltando para perto dela. Então, colocou uma em cima da mesinha de canto e ficou segurando a outra. O medo não deixava que , abrisse os olhos mesmo já havendo alguma claridade, então o jardineiro pegou na mão dela e disse suavemente, preocupado com o seu estado.

— Eu estou aqui, você já pode abrir os olhos. — mas ainda assim ela não conseguia, então ele chegou mais perto e encostou sua testa na dela e falou: — Você não está sozinha, olha pra mim, por favor. — ela deu um suspiro profundo e lentamente foi abrindo os olhos. Olhando para ele e ainda chorando, o abraçou forte. 
Ao sentir aquele corpo quente e delicado o apertar daquela forma tão indefesa, ainda que estivesse molhado ele a aconchegou sobre o seu peito, colocando o queixo sobre a cabeça dela. 
— Está tudo bem.
Quando , finalmente se acalmou, ele a conduziu para se sentar no sofá e aproveitando os fósforos acendeu a lareira para que pudessem se aquecer.
— Você devia tirar essas roupas ou pode pegar um baita resfriado. — ela disse, com a voz mais tranquila.
— É você tem razão. — ele tirou a blusa de manga comprida completamente encharcada, mas quando ia tirar a camisa desistiu, ficou constrangido por estar na frente dela. — Pensando bem, já estão quase secas, não tenho com o que me preocupar.
— Você pode usar isso. — ela se levantou, puxou a manta que estava sobre o sofá e lhe entregou. — É melhor e ajudará a se aquecer. — ela disse, ao se sentar novamente no sofá.
— Obrigado. — ele retirou a camisa rapidamente e se envolveu na manta. Tirou também as botas, deixando as meias que estavam secas e se sentou ao lado dela, um pouco tímido. Ainda que também estivesse, não pensou muito e segurou na mão dele e se virou o olhando.
— Obrigada. Eu não sei o que faria se estivesse sozinha.
— Não precisa agradecer, só quero que se sinta segura.
— Eu perdi meu pai em um dia assim, por um momento tive medo de perder você também. — ela deixou uma lágrima rolar por seu rosto.
— Você nunca vai me perder. — ele olhou fixamente nos olhos dela e com a outra mão, limpou delicadamente seu rosto então, não resistiu mais e lhe deu um beijo.

Inicialmente de leve como se fosse uma flor de pétalas finas e frágeis, mas foi se intensificando junto ao calor de seus corpos. As mãos dele deliberadamente a envolveram pela cintura e a prenderam em uma pegada mais firme, o que a deixou mais relaxada e à vontade para abraçá-lo também. Com mais desejo, ela passou as mãos no cabelo dele descendo pela nuca e deslizou pelo pescoço, depois pelo seu peito nu debaixo da manta. Pararam por um minuto, separando seus lábios em uma respiração ofegante e viram nos olhos ardentes um do outro, uma chama incandescente de paixão e ternura. De repente, as luzes se acenderam, nem haviam notado que a chuva havia diminuído e não se viam e nem ouviam mais, relâmpagos e trovões. Olharam em volta, sentindo uma mistura de alívio e decepção, então seus olhos se voltaram um para o outro, mas não conseguiram dizer nada e quando finalmente tomaram coragem, ouviram o destrancar da porta e se separaram, ficando cada um em uma ponta do sofá, tentando aparentar normalidade e serenidade. Kwang-jo os viu, assim que entrou com as colegas de serviço, mas não foi convencido daquela cena tão pacífica. se levantou depressa e foi até eles.

— Que bom que finalmente chegaram, eu estava preocupada.
— Houve um acidente na estrada, derrubaram até um poste. Tivemos que ficar parados no trânsito por um tempo. E aqui, como foi tudo? — o mordomo olhou para ela e então lançou um olhar desconfiado para ele, que se aproximava sem jeito.
— As luzes se apagaram de repente, ficou tudo escuro e não conseguíamos ver nada. Foi muita sorte estar aqui, eu não saberia o que fazer.
— Realmente, foi muita sorte, muito obrigada por tomar conta da nossa menina, . — disse Hyewon, abraçada a .
— Eu só acendi algumas velas, nada de mais, não precisam me agradecer por isso.
— Precisamos sim, a senhorita tem um trauma muito forte de tempestades, desde a infância, seria bem perigoso se ela estivesse sozinha, o que me leva a questão de porque motivo, o senhor está aqui se já havia saído quando nós dois chegamos. — indagou o mordomo, fazendo uma certa pressão.
— Realmente, antes de sairmos você disse que estava quase terminando o trabalho e que iria embora logo em seguida. — completou Subin.
— E foi justamente o que eu fiz, mas assim que saí a chuva começou e quando estava a dois quarteirões daqui, meu carro quebrou, meu celular ficou sem sinal, então pensei em voltar e pedir ajuda pelo telefone da casa, mas também estavam sem linha.
— Foi aí que a luz acabou e ele ficou preso aqui comigo, gritando como uma louca.
— Interessante. — Kwang-jo disse pensativo.
— Pobre rapaz, eu sinto muito por isso, mas pelo menos sua volta não foi em vão e vocês dois ficaram em segurança. — disse a cozinheira, pegando as sacolas e indo em direção à cozinha.
— Providência do destino, isso sim. — concluiu Subin, seguindo com ela.
— Bom, é melhor ver se a linha já está funcionando, assim poderá chamar um guincho. — disse, meio sem graça.
— Sim, eu vou fazer isso. — foi até o telefone e começou a testá-lo. — Está chamando.
— Que bom. — disse ela, fingindo alívio e evitando olhar diretamente para o mordomo, que só observava o jeito estranho no comportamento de ambos. 
Por fim, conseguiu um guincho para rebocar seu carro até uma oficina.
— Eles já virão buscar meu carro. É melhor que eu vá esperar, agora que a chuva parou. Muito obrigado e até amanhã. — ele estava com tanta pressa de sair daquela situação desconfortável que, não reparou que ainda estava enrolado na manta e sem botas.
? — o mordomo chamou, o fazendo se virar para trás. — Não está esquecendo de nada? — disse, apontando para os ombros dele.
— Ah, sim. É mesmo, eu não posso sair assim. — ele voltou para perto da lareira e vestiu a camisa e a blusa de manga comprida por cima.
— Ele estava todo molhado quando chegou aqui. — explicou, meio nervosa enquanto, o jardineiro lhe entregava a manta em mãos.
— Aqui está, e mais uma vez obrigado e boa noite. — ele fez uma reverência e saiu.
— Nossa, agora me deu uma fome. — disse , como quem queria se livrar de um interrogatório.
— Eu vou ajudar aquelas duas na cozinha, você também deveria se trocar. — disse Kwang-jo, se dirigindo para a cozinha e com uma cara de quem sabia mais do que aparentava.
olhou para si mesma de hobby e levou as mãos ao rosto de vergonha, indo para o quarto em seguida. Depois do jantar, a empregada e a cozinheira se recolheram. Kwang-jo costumava ler até tarde na cozinha e por volta de meia noite, a jovem patroa apareceu por lá.
— Oi, eu não sabia que ainda tinha alguém acordado. Bem que eu estranhei a luz acesa.
— Eu costumo ficar acordado até mais tarde, me surpreende você ainda estar acordada.
— Eu não consegui dormir, com tudo o que está acontecendo na empresa, a reunião de amanhã, acabei perdendo o sono.
— Pra mim, parece consciência pesada. — disse ele, passando os olhos no livro que lia.
— O que, do que você está falando? — disse, se fazendo de desentendida, ao pegar um copo de água na geladeira.
— Pode ter enganado aquelas duas, mas sabe muito bem que a mim, não consegue enganar. A não ser que esteja tentando enganar a si mesma. Está?
— Você deve estar passando muito tempo acordado e isso está afetando seu raciocínio. — ela disse, se virando para voltar ao quarto.
— Só te lembrando, mais uma vez. Ele tem uma noiva. — disse com os olhos no livro.
— Eu sei. — ela olhou para trás, alterada e atraiu a atenção dele. — O que você quer que eu faça? Eu não estou sabendo lidar com tudo o que estou sentindo, eu não pedi pra me apaixonar por ninguém, mas aconteceu e eu estou com medo, então se for pra ficar me julgando e não tiver uma boa ideia que possa me ajudar, é melhor ficar calado. — ela ficou olhando para ele, esperando alguma reação, mas ele não conseguiu dizer nada, diante daquela atitude tão inesperada da parte dela. — Foi o que pensei. — ela concluiu e foi se afastando novamente.
— Espere. — ele disse, então, ela parou e se virou novamente. — Me perdoe, eu não queria que se sentisse dessa forma. Pode parecer que não, mas eu sei bem o que está sentindo.
— Sabe mesmo? — em tom de dúvida.
— Você me conhece a muito tempo, mas tem algo que não sabe. Eu me casei enquanto estava na Inglaterra.
— Se casou? Mas eu não vejo você com ninguém.
— Depois de quatro meses do casamento, eu a perdi em um acidente entre um caminhão e o ônibus onde ela estava. Desde então, eu tenho medo de me relacionar com alguém e perder essa pessoa também. Tanto que pedi que não comentassem nada com você.
— Eu nunca poderia imaginar isso. Por favor, me perdoe pelo que eu disse antes.
— Não, você tem razão. Estar apaixonado e ter medo de ficar com a pessoa que você quer, é completamente frustrante. — disse ele, com pesar.
— Você também está apaixonado, não é?
— Posso dizer que te entendo profundamente. — ele se levantou e foi até a pia, encheu uma chaleira de água para fazer chá.
— Espera um pouco. É pela Eun-ji? — diante da pergunta, ele se desequilibrou e quase derrubou a chaleira no chão, dando a entender que , estava certa. — Eu sabia, bem que eu notei como você fica diferente quando ela está por perto. Menos chato, pelo menos. — ela fez graça.
— Tudo bem, você já sabe, mas ela não vai saber, você entendeu? — disse ele, colocando a chaleira para esquentar.
— O que? Você tem que contar pra ela, não vê que pode ser uma segunda chance, uma nova oportunidade de ser feliz?
— Você não entende. — disse ele, enquanto pegava duas xícaras e colocava os sachezinhos de erva doce dentro.
— Não, eu não entendo e acho que você está jogando sua felicidade pela janela. Se pelo menos ela tivesse um noivo, até seria uma desculpa pra não lutar.
— Não reclama, você pelo menos sabe o que ele sente por você. Não sabe? — a pergunta dele, deixou pensativa e meio na dúvida.
— Na verdade não sei. Quero dizer, não sei se o que ele sente é o mesmo que eu sinto, sabe? O jeito que ele me olha, a maneira com que me beijou.
— Ah, eu sabia que tinha acontecido alguma coisa antes de chegarmos, aquele clima estava muito suspeito.
— Nem me fale, mas aquilo não foi nada planejado, não estávamos esperando. Parece até que a tempestade, a escuridão, as velas e a lareira, faziam parte de um cenário montado especialmente para nós dois, pra que ficássemos juntos. Foi inevitável.
— Nem quero pensar o que poderíamos ter encontrado se, demorássemos mais alguns minutos. — a chaleira apitou e ele a buscou, despejando a água fervente nas xícaras.
— Eu sei que não foi o meu melhor comportamento, mas sinceramente também não sei o que teria acontecido, se vocês tivessem demorado um pouco mais. Confesso que fiquei aliviada quando os ouvi entrar.
— Eu só espero uma coisa, que se ele realmente estiver apaixonado por você, que tenha caráter e dignidade para desfazer o compromisso que tem com a noiva ou que deixe você em paz, se não tiver coragem para fazer isso. — disse ele, ao se sentar e pegar a xícara. — E eu a aconselho a estar preparada para as duas coisas. — ele tocou de leve, sua xícara na dela e bebeu o chá, sem dizer mais nada. o acompanhou, refletindo sobre aquelas palavras.



Capítulo 8

Mais um dia tenso começando e precisava se manter concentrada para dar sequência a reunião mais tarde, então não queria distrações e foi bem cedo para a empresa, ficando bem atenta ao processo de desenvolvimento de seu projeto. Kwang-jo voltou rapidamente para casa, para encontrar o jardineiro, assim que ele chegasse.

— Bom dia, Kwang-jo. — o rapaz disse, ao vê-lo na frente da porta, enquanto tirava suas ferramentas do carro.
— Bom dia, . Será que podemos conversar por alguns minutos, antes de você começar? Não vou demorar.
— É claro, eu só preciso colocar as ferramentas e materiais lá atrás, está um pouco pesado, você me acompanha?
— Sim. — o mordomo o seguiu. — Seu carro parece estar funcionando bem, qual foi o problema? — perguntou curioso.
— Eu também não entendi o que aconteceu direito, o mecânico disse que tinha entrado água em algum lugar da parte elétrica que fez o carro parar. Mas até que não foi grave, ele conseguiu resolver em uma hora e me entregou funcionando novamente.
— Interessante, que bom que não foi algo mais sério, que pudesse lhe causar algum acidente.
— Sim, com certeza, mas não foi para falar do estado de saúde do meu carro, que você me pediu para conversar, estou enganado?
— Não, não está e acho até melhor irmos direto ao ponto. Eu sei que não é da minha conta, mas um homem que está noivo não deveria se preocupar com o seu casamento ao invés de estar tentando seduzir a jovem patroa solteira?
— Se isso é uma indireta pra mim, a carapuça não serviu e você não sabe de nada. — disse ele, chegando bem próximo de Kwang-jo o encarando.
— Ao contrário, eu sei exatamente o que está acontecendo. Apenas uma pequena questão está me incomodando. — disse ele, com firmeza, não se intimidou e não se afastou.
— E qual seria?
— Se vai deixar sua noiva ou vai parar de brincar com os sentimentos da senhorita ? — o mordomo o encarou de volta, eram altos e seus olhos ficaram paralelos um de frente ao outro.
— Eu não estou brincando com ela, nunca foi uma brincadeira para mim. Eu só... — ele se afastou e deu uma volta, parando de costas totalmente confuso e perdido, respirando fundo, ainda sendo analisado pelo mordomo. — Eu não sei o que fazer. — disse finalmente, se virando de frente para ele. — Me dói pensar em magoar minha noiva, mas eu não conseguiria viver em paz sabendo que deixei a mulher que amo, sofrer por minha causa, por causa da minha covardia. E isso está me matando por dentro.
— Então, você realmente a ama?
— Por vezes, eu disse não pra mim mesmo. Tentei ficar distante, mas ontem...  aquela situação fugiu completamente do meu controle e quando eu percebi, já era tarde demais.
—  Eu entendo.
— Entende mesmo? — disse o jardineiro, em tom de dúvida.
— Nossa, porque será que eu sou tão desacreditado? — Kwang-jo se fez de injustiçado.
— Você não me parece do tipo que, demonstra sentimentos.
— É, talvez seja por isso. Enfim, voltando a minha questão, você já pensou no que não quer, fazer ambas sofrerem por sua causa, mas o que você quer de verdade? Pode dizer com clareza, sendo sincero consigo mesmo e com seus sentimentos, quem você realmente quer manter na sua vida? — perguntou ele, sério e firme e depois lhe deu um ultimato. — É melhor pensar bem sobre isso, não são apenas seus sentimentos que estão em jogo. Agora vou deixá-lo com seu trabalho, me parece que ainda tem muito o que fazer, com licença. — sem mais, o mordomo se virou e foi para dentro, o deixando pensativo a respeito de sua última pergunta, até então seria inevitável que nenhum deles sofresse, mas se fizesse a escolha errada provavelmente quem mais sofreria, seria ele mesmo.

Enquanto isso na empresa, tentava demonstrar tranquilidade e segurança, mesmo que por dentro estivesse temerosa pelo o que haveria de vir. Deu uma passada rápida no laboratório, depois no escritório de marketing e de contas, falou com todos pelos corredores referente aos trabalhos desenvolvidos na empresa. Fez isso meio que, para passar o tempo e não se afogar em ansiedade, até a hora da reunião. Aquelas 24 horas finalmente acabaram, já as aguardava na sala de reuniões e foram surpreendidas quando entraram.

— Aquele com certeza não é o melhor café do mundo. — dizia Naeun, distraída enquanto abria a porta.
— Eles não tem culpa de serem tão medíocres. — antes que dissesse mais alguma coisa, Sodam avistou sentada pacificamente no fim da mesa. — Oh, senhorita , não sabíamos que já nos aguardava.
— Nós resolvemos vir antes de sermos chamadas, realmente uma surpresa, por acaso você não dormiu por aqui, não é? — Naeun comentou, com um ar de ironia e deu um curto sorriso, não demonstrando sua indignação e desprezo pela falta de respeito delas.
— Não, senhora Naeun. Minha casa costuma ser mais confortável. Bom, já que estão aqui não vejo porque não começarmos essa segunda etapa da reunião, que para ser honesta só existe devido a necessidade das senhoras de terem mais tempo para pensar. Espero que já tenham minha resposta.
— Nossa, pelo que vejo, você está com pressa. — Sodam provocou.
— No meu lugar a senhora também estaria, quanto mais tempo perdemos com debates infundados aqui, mais dinheiro deixamos de ganhar e não é esse o objetivo principal, não é? — a confrontou.
— Está certo, é melhor que todas nós pensemos assim. — Naeun ponderou, de forma amigável. — Você deve estar no mínimo ansiosa, pela nossa resposta e não vamos fazê-la esperar mais, aqui estão os contratos devidamente assinados por mim e por Sodan. Nós aceitamos a sua proposta e não vamos nos meter no seu projeto e ou qualquer outra coisa que esteja ligado a ele, deixamos tudo em suas mãos.
— Eu agradeço, por tomarem essa decisão.
— Esperamos profundamente que dê tudo certo para você, porque do contrário o tombo será bem forte e irrecuperável. — Sodam não mediu as palavras e não fez questão de parecer amigável.
— Quanto a isso, não precisam se preocupar, seja como for não serão afetadas em nada dentro da empresa.
— Pois muito bem, há algo mais que necessite da nossa presença? — Naeun questionou, meio sem paciência.
— Não, senhoras. Já podem ir.
— Obrigada. — Naeun se levantou, seguida de Sodam e saíram. 
Logo depois, a secretária entrou na sala.
— Me desculpe por não te acompanhar na reunião, achei que elas ainda não tinham chegado. — ela se explicou.
— Não se preocupe, foram só as farpas de sempre, não perdeu nada. — disse, ajeitando os papéis nas mãos.
— E então, elas assinaram?
— Aparentemente sim, mas não confio nelas, por isso, quero que primeiro você chame um perito para que compare essas assinaturas com as de outros documentos e estando tudo certo, envie para o advogado registrar em cartório. — deu as orientações, enquanto assinava os contratos também. — Quando estiver tudo pronto, devolva as cópias para elas, eu preciso de duas cópias, uma ficará arquivada aqui e a outra deve ser enviada para minha casa, entendeu? — ela organizou os papéis dentro de uma pasta e a entregou para Eun-ji.
— Sim senhorita, farei tudo como pediu.
— Por enquanto é só isso. Obrigada.

A moça assentiu e saiu da sala, deixando-a sozinha com seus pensamentos. 

Aquele dia não fora tranquilo para ninguém. pensava sobre os últimos acontecimentos, enquanto trabalhava, então ao final da tarde pediu dispensa ao mordomo, dizendo apenas que iria resolver uma questão pessoal. O homem imaginou o que seria e o liberou.



Capítulo 9

O rapaz saiu do trabalho e depois de trinta minutos chegou à uma belíssima floricultura que pertencia a seus pais. Assim que entrou, sua mãe veio eufórica recebê-lo, deixando de lado o arranjo de margaridas em que estava trabalhando.

— Olhe appa, quem veio nos visitar. — a mulher o abraçou atraindo a atenção do marido, que fazia contas atrás do balcão.
— Como a senhora está? Appa? — ele cumprimentou o homem, que acenou de volta.
— Eu estou muito bem e seu pai também. Mas e você? Está comendo direito? Espero que sua noiva, esteja te alimentando bem, hein.
— Eu estou bem, mãe. Não tem com o que se preocupar. E como vão os negócios?
— Crescendo, graças aos seus clientes, depois que você recomendou nossa loja, não paramos de vender, obrigado por isso, meu filho. — disse o pai, muito contente.
— Esta é uma boa notícia e é bom que saibam que, logo farei novas encomendas de vasos, mudas de plantas e flores para uma casa em que estou trabalhando. Vocês me darão um bom desconto não é? — disse o jardineiro, sorrindo.
— Mas é claro, tudo para o nosso melhor cliente. — disse a mãe, passando a mão sobre o cabelo dele. — Ah, estávamos com muita saudade de você, bem que poderia aparecer mais vezes.
— Eu estou trabalhando muito agora, mas prometo que tentarei visitá-los mais vezes.
— Sim, faça isso. E sua noiva, porque não veio com você?
— Ela deve estar muito ocupada, na verdade ela não sabe que eu estou aqui. Eu também não tinha planejado está visita.
— Mas o que aconteceu? Vocês dois não estão se falando? — a mãe perguntou, preocupada.
— Não é nada disso, nós estamos nos dando bem. — ele deu uma boa olhada na loja e alguns clientes, estavam entrando.— Será que podemos conversar melhor em casa?
— Sim, mas porque você está agindo assim, está estranho? — disse a mãe.
— Querida, me parece algo sério, é melhor subirmos. — o pai disse, indo para os fundos.
— Tudo bem. Você, atenda bem os clientes e você, termine os arranjos, por favor. — ela disse, apontando para os dois funcionários e depois seguiu o marido e o filho. 
No fundo da loja tinha uma escada  para o segundo andar, onde moravam. Assim que entraram, a mãe fechou a porta e foi se sentar ao lado do marido no sofá, enquanto , se sentou numa poltrona diante deles.
— Então, o que pode ser tão sério, para você estar com essa cara? — a mãe perguntou, morrendo de curiosidade.
— Durante os últimos dias, eu andei pensando muito sobre a minha vida e principalmente, sobre meu futuro. Algumas coisas aconteceram, me colocando em uma situação insustentável, e ao refletir sobre isso cheguei a uma conclusão.
— Você me parece muito confuso mesmo, do que exatamente está falando? — ela ficou aflita, por não conseguir entender o que o filho estava dizendo.
— Fique calma querida, deixe ele falar.
— Mãe, pai... eu vim até aqui pra dizer que vou terminar meu noivado.
— Como? Você ficou louco? Depois de tanto tempo juntos, o que deu em você? Não pode fazer isso, com que cara vou olhar pra minha melhor amiga Eun-ju? Como eu vou explicar que não seremos mais parentes?
— Me desculpe mãe, mas eu não posso me casar com ela. Não conseguiria passar o resto da minha vida com alguém, apenas para cumprir um compromisso.
— Sua atitude é equivocada e irresponsável.
— Ao contrário mãe, eu pensei muito bem e seria muito mais irresponsável se arrastasse essa situação até um casamento infeliz e sem amor.
— Ah... — a mãe suspirou profundamente. — Eu sempre fui uma boa amiga para Eun-ju e ela já me ajudou tanto, mas eu seria uma péssima mãe, se te obrigasse a se casar com a filha dela só para ver o nosso desejo de vê-los juntos, realizado. Então, seja lá o que pretende fazer, evite um sofrimento maior e faça rápido.
— Obrigado por me entender, mãe. — percebendo que seu pai, estava calado e pensativo, ele o chamou. — Appa, o senhor não vai dizer nada?
— Dizer o que? Você não veio aqui para pedir nossa opinião, já deixou isso bem claro, então faça como sua mãe disse. — respondeu ele, com a voz grave e altiva.
— Sim. — assentiu de cabeça baixa e com respeito.
— Só me responda uma coisa, você gosta dela?
— Ela sempre será muito importante pra mim.
— Não estou falando de sua noiva. — o pai interrompeu, rispidamente. — Estou falando da mulher que virou sua cabeça.
— Ah, isso é complicado. — ele ficou um tanto constrangido com aquela pergunta inesperada, como se não tivesse palavras para descrever o que sentia por , pois, nunca havia sentido nada parecido por sua noiva, em todos aqueles anos.
— Olhe para seu filho. — disse o pai, olhando para a esposa. — Ele que sempre tem as respostas na ponta da língua, dessa vez nem consegue dizer que está apaixonado.
— Ora, não seja tolo. Pra mim já chega, vou me deitar.
— Uma hora dessas?
— Sim, essa conversa me deu dor de cabeça. — então, a mulher se levantou do sofá com um ar de cansaço e decepção.
— Mãe. — também se levantou, preocupado foi apoiá-la.
— Tudo bem, eu estou bem. Só preciso me deitar um pouco, não me trate como uma inválida. — a mãe, não deixou que ele a tocasse e foi para o quarto, emburrada.
— Babaca. — o pai se levantou do sofá, se espreguiçou e disse: — Não demore pra trazer a moça aqui. — deu-lhe um tapinha nas costas e seguiu a esposa para o quarto, o deixando sozinho com seus pensamentos.
Um tempo depois, foi para seu apartamento, ligou para a noiva e pediu que ela fosse até lá, para que conversassem. A moça chegou minutos depois, toda animada falando sobre o enxoval e a viagem de lua de mel.
— Acabei de vir da agência de viagens, nos ofereceram pacotes maravilhosos. — ela estava com os panfletos nas mãos, super empolgada. Ele ficou quieto, ouvindo tudo e esperando que ela lhe desse a oportunidade de falar. — Eu fiquei entre Atenas e Veneza, disseram que são lugares muito românticos, mas preferi deixar para escolhermos juntos, já que será nossa primeira viagem como casados. Mal posso esperar.
— Sun-Young. — ele a chamou, mas ela nem lhe deu atenção, pois, estava completamente envolvida em suas ideias.
— Também andei vendo uma decoração nova para este apartamento, já que você cismou que quer continuar morando aqui depois do casamento. Quero que ele tenha um pouco da minha personalidade, com cores mais vibrantes.
— Sun-Young. — dessa vez, ele chamou com mais firmeza e sem paciência, o que chamou a atenção da moça. — Nós precisamos conversar.
— Mas nós já estamos conversando, sobre o nosso casamento. Não foi por isso, que você me chamou? — ela percebeu uma certa tensão no ar, mas fingiu normalidade.
— Eu preciso que você preste muita atenção no que eu tenho para dizer.
— Ah, já entendi. Você não quer ir pra fora do país, não é? Por mim, tudo bem. Nós podemos ir pra um lugar aqui perto mesmo.
— Por favor, me deixa falar, isso é muito importante. — ele interrompeu novamente respirando fundo e tentando manter a calma.
— Querido, não precisa se preocupar. Faremos o que você quiser. — parecia que ela estava tentando impedir que ele falasse, pois, já suspeitava do que se tratava. — Se não se sentir à vontade, não precisamos reformar o apartamento agora, podemos deixar pra quando as crianças vierem.
— Eu quero terminar. — ele soltou de uma vez, fazendo com que ela ficasse muda e depois de uma pausa, respirou fundo e continuou. — Eu não queria que fosse assim, dizer isso desse jeito, você não merece, mas eu não via outra forma, ouvindo você dizer essas coisas, me impedindo de falar. Eu, nós não podemos mais nos casar. Eu sei que estamos a poucos meses da data marcada e que você já providenciou muita coisa para a cerimônia, mas seria um erro ir adiante quando...
— Já não me ama mais? É isso o que você ia dizer? — ela interrompeu, com a voz embargada, prendendo o choro ao máximo, mas ainda assim algumas lágrimas não puderam ser contidas e escorreram pelo rosto.
— Sim. Eu não vou mentir pra você. Não fiz isso antes e não vou fazer agora.
— É por causa de outra mulher? Foi algo que eu fiz? — ela olhou para ele, com o rosto molhado.
— Por um momento achei que sim, mas ao ser confrontado hoje, percebi que deveria tomar esta decisão por mim mesmo e não por outra pessoa. Já tem um bom tempo que, não vinha me sentindo bem do seu lado e reconheço que só estamos juntos até agora, porque não tive coragem de romper o compromisso antes. Achei que era o certo a se fazer, por você e por nossas mães.
— Você está sendo muito cruel comigo.
— Durante esse tempo, eu fui cruel comigo mesmo ao me forçar a manter um relacionamento que já não me fazia mais feliz. Se continuasse assim, acabaria fazendo você infeliz também e mais tarde, você com certeza me culparia por isso e magoaríamos ainda mais um ao outro.
— Mas eu ainda o amo. — as lágrimas começaram a sair com mais intensidade.
— Eu queria poder dizer o mesmo pra você, mas estaria sendo desleal com meus sentimentos. Você foi e sempre será muito importante pra mim, por todos esses anos que estivemos juntos e espero sinceramente, que possamos continuar amigos.
— Eu não quero sua amizade, quero o seu amor. — ela se levantou do sofá, gritando e soltando o choro de uma vez. — Não deve ser difícil pra você, já me amou antes. Pode voltar a me amar de novo.
— Sun-Young. — ele se levantou, ficando de frente para ela. — Não controlamos os nossos sentimentos.
— Não faça isso. — ela disse, passando as mãos pelo colarinho e segurando a lapela do casaco dele. — Por favor, pense melhor no que disse, não pode terminar comigo depois de todo esse tempo, eu sei que nós seremos felizes. — ela apoiou a cabeça sobre o peito dele. pensou em abraçá-la, mas estaria lhe dando falsas esperanças. — Me dê outra chance de entrar em seu coração.
— Isso não será possível. — ao ouvi-lo dizer isso, ela levantou a cabeça e o olhou diretamente nos olhos. — Eu estou apaixonado por outra pessoa.
— É por ela, não é? A mulher que esteve aqui outro dia, sua patroa? Eu reparei como vocês dois se olharam, mas não quis acreditar que tivessem alguma coisa. — ela o soltou e se afastou.
— Até aquele momento, não havia acontecido nada entre nós. Eu ainda não tinha certeza do que estava sentindo.
— E quando teve certeza, se nem ao menos sabe quando deixou de me amar? Me diz, como pode ter certeza?
— Porque eu tentei ficar longe dela, mas não consegui. Eu achei que estivesse me enganando, que aquilo não era real.
— E não é. — disse ela, tentando persuadi-lo.
— Sim, é real e eu a amo. — ele disse abertamente e sem medo, a deixando sem argumentos. — Me desculpe, mas é o que eu sinto e não tenho como mudar isso.
— Acho que depois disso, não há mais nada que eu possa dizer. — ela pegou a bolsa e caminhou em direção a porta, as lágrimas não cessavam, por mais que limpasse o rosto.
— Eu levo você.
— Não se incomode, não é a primeira vez que volto sozinha pra casa. — ela disse com um tom de acusação e em seguida, bateu a porta.

Agora não havia mais volta, sabia que iria arcar com as consequências, mas valeria a pena, se fosse pra ficar com sua amada. , naquele momento já estava em casa tentando relaxar, enquanto tomava um banho caprichado de espumas em sua banheira. Nem passava por sua cabeça o que estava acontecendo com o recém descoberto, amor da sua vida.



Capítulo 10

O sábado amanheceu ensolarado, sem nenhum traço daquela chuvarada da noite de quinta-feira e o céu estava claro e límpido. não tinha nenhum compromisso na empresa para aquele dia, então saiu logo cedo antes mesmo do café, para fazer uma caminhada e quando voltou uma hora depois, ao entrar na cozinha encontrou todos tomando café, inclusive o jardineiro.

— Bom dia. — ela cumprimentou a todos, um pouco surpresa.
— Bom dia. — todos responderam juntos.
— Nós achamos que você ainda estivesse dormindo. — disse Hyewon, meio confusa.
— É mesmo. Eu bati na porta do quarto, mas a senhorita não atendeu, então achei melhor não incomodá-la. — justificou Subin.
— Não se preocupem, eu me levantei bem cedo e saí para fazer uma caminhada, já faz um bom tempo que não me exercito. Já tinha me esquecido o quanto é cansativo.
— É melhor se sentar e comer algo então, no seu lugar eu estaria faminto. — disse Kwang-jo, apontando para a cadeira ao lado de .
— Realmente estou. — respondeu, com um sorriso meio constrangido e se sentou ao lado do jardineiro, então a cozinheira a serviu, sorrindo de canto a canto.
— Me desculpe, mas não consigo me acostumar a ver a patroa comer na cozinha com os empregados. — comentou Subin, que não se adaptava aos hábitos de .
— Já deveria estar acostumada, vocês apenas trabalham pra mim, isso não significa que sou melhor que vocês.
— Eu sei, senhorita. É que muitos diriam que esse comportamento não é adequado. Até mesmo sua mãe, apesar de nos respeitar muito, mantinha uma postura discreta.
— Eu não entendi. — ficou confusa com o comentário.
— O que ela quis dizer, é que sua mãe não partilhava da mesma visão que você. — explicou o mordomo, enquanto se levantava para levar a xícara até a pia. 
— Mas também pudera, não é? Foram criações completamente distintas. — Hyewon salientou.
— Verdade, ainda me lembro de quando voltava da escola e vinha direto pra cozinha, brincar de ajudante enquanto Hyewon preparava o almoço.
— Isso quando não tirava Kwang-jo de seus afazeres, para brincar com você. Lembro-me que de vez em quando, ele te deixava engraxar os sapatos do seu pai, pra tentar te manter entretida. — Hyewon também revelou algumas recordações.
— Resumindo, é uma plebeia de alma. Cresceu entre a cozinha e o jardim, no meio da criadagem. — disse o mordomo, um pouco irônico.
— Quem olha pra você, até pensa que é o patrão. — comentou , com graça.
— Não posso fazer nada se tenho classe desde o berço. — Kwang-jo se defendeu, fazendo todos rirem.

Aquele momento descontraído, proporcionou ao jardineiro descobrir mais coisas sobre e admirá-la ainda mais por sua simplicidade e humildade. De tão espontâneo que foi, ele não se conteve e discretamente, por baixo da mesa pegou na mão dela com gentileza e carinho. se surpreendeu, com aquele toque suave e seu coração se aqueceu. Olhou para ele rapidamente com descrição e continuou sorrindo, já sem prestar tanta atenção na conversa. Ele permaneceu ali ainda por alguns instantes, desfrutando da oportunidade que tivera e então, se levantou.

— A conversa está boa e as companhias agradáveis, mas o trabalho não se faz sozinho. Se me dão licença. — ele caminhou até a porta e parou ao ser indagado por Kwang-jo.
— Conseguiu resolver a questão que o tirou mais cedo do trabalho ontem? — disse ele em bom tom, atiçando a curiosidade de .
— Consegui sim, não é bom ficar arrastando os problemas por tempo demais.
— Fez bem. — o mordomo acenou positivamente com a cabeça e o rapaz assentiu.

Enquanto estava saindo para o jardim, olhou para que o encarava desconfiada e piscou um dos olhos para ela, colocando uma pulga ainda maior atrás de sua orelha.

Após aquele café da manhã animado, cada um voltou aos seus afazeres diários e , aproveitando a folga foi fazer um tratamento de beleza em um spa e depois foi fazer algumas compras. Com toda aquela agitação e pressão que ela estava passando na empresa, Kwang-jo pensou em fazer algo para distraí-la um pouco e teve uma ideia que, envolveria cem por cento da participação do jardineiro e foi falar com ele, logo após o almoço.

— Quando disse que resolveu aquela questão, significa exatamente que? — Kwang-jo indagou, o induzindo a completar a frase.
— Eu desfiz o meu noivado.
— Foi justamente o que imaginei. — ele mentiu, pois, na verdade não fazia a menor ideia.
— Então, porque perguntou? — estava confuso.
— Eu tive uma ideia para animar a senhorita e o sucesso dela, depende consideravelmente do seu empenho, mas precisava ter certeza sobre a sua escolha.
— Entendi. E qual seria essa ideia?
— Pensei em uma noite agradável, sem preocupações ou problemas, um jantar a luz de velas com boa comida e um pouco de romance.
— Muito romance será bem melhor. — corrigiu .
— Que seja. — Kwang-jo preferiu não contestar. — Contanto que tudo esteja pronto aqui, essa noite.
— Quando você diz “aqui”, quer dizer aqui no jardim? — perguntou, tentando esclarecer se aquilo se tratava de um desafio.
— Que bom que você é mais inteligente do que eu pensava. — disse o mordomo irônico.
— Espera, Hyewon e Subin já sabem disso?
— Vou comunicá-las, até então eu tinha que me certificar primeiro se poderia contar com a outra parte fundamental do meu plano, ou seja, você.
— Tudo bem, mas eu não acredito que vamos conseguir arrumar tudo antes dela chegar. Está muito em cima da hora e , pode aparecer a qualquer momento.
— Quanto a isso, não se preocupe. Se a conheço bem e certamente conheço, ela vai comprar quase tudo que ver pela frente e então, vai ligar pra que eu a busque. O que nos dá tempo suficiente, se pararmos de conversar e começar a organizar tudo agora.
— Se você diz, pode contar comigo. — aceitou, sem hesitar mais.
— Excelente.

O mordomo entrou, parou o serviço das mulheres e as orientou quanto ao que aprontariam para aquela noite. Hyewon se assustou com a novidade, mas ficou super empolgada e acabou animando a Subin, que após aquele momento descontraído do café, conseguiu ver a patroa com outros olhos. teve ajuda na arrumação do jardim, enquanto a cozinheira decidia o que iria cozinhar e a empregada tirava a louça que usariam, escolhia o forro da mesa e as peças de decoração.

encomendou várias flores na floricultura de seus pais, que as entregaram em menos de uma hora, agilizando a montagem dos vasos ornamentais. Em pouco tempo e com muito esforço, todos conseguiram criar o cenário romântico que o mordomo, havia imaginado. Vasos de flores e castiçais com velas circundavam a mesa localizada no meio do jardim, devidamente preparada com a louça e o castiçal que a empregada escolhera. Enfim, começou a escurecer e o mordomo achou estranho o fato de , ainda não ter ligado. Estava quase tudo pronto e a comida já exalava um cheiro apetitoso vindo da cozinha, então Kwang-jo ouviu o barulho de um carro parando na frente da casa e quando foi verificar, viu que era a moça que estava chegando. Ela resolvera tomar um táxi e o motorista a estava ajudando a retirar as sacolas do porta malas. O mordomo se apressou em ir ajudar, pegando as sacolas e tentando agir naturalmente, para que ela não desconfiasse de nada.

— Achei que iria me ligar, pra eu ir te buscar. — disse ele, carregando as sacolas.
— Eu ia mesmo, mas decidi vir de táxi na última hora. Quando vi que já não aguentava carregar mais nada, percebi que era hora de parar e por sorte, havia este senhor por perto e me ofereceu a corrida.
— Incrível, sua sorte muda como a direção do vento, num dia não consegue um táxi sequer e no outro, aparece um motorista oferecendo o serviço. — comentou ele, passando pela porta.
— Leva tudo pro meu quarto, por favor, eu vou pra cozinha. — disse, se virando rapidamente naquela direção.
— Não. — Kwang-jo quase gritou de susto.
— Nossa, o que foi?
— É que, Hyewon está muito ocupada e além do mais, você tem um compromisso importante esta noite e precisa se arrumar. — explicou ele.
— Compromisso?
— Sim, um jantar de negócios.
— Mas Eun-ji disse que eu não tinha nada agendado pra hoje.
— Vai ver ela se enganou. Não faz muito tempo, ela ligou e disse que você tinha um compromisso com um empresário tailandês.
— Logo hoje, não dá pra desmarcar? — disse ela, sem a menor vontade de sair.
— Infelizmente, não senhorita. Aconselho que vá se arrumar o mais rápido que puder e eu estarei pronto para levá-la ao seu destino.
— Pelo visto, não tenho escolha, ainda bem que pelo menos tenho um vestido novo, já estava pensando em uma ocasião qualquer para usar. — disse ela, se dirigindo ao quarto, seguida pelo mordomo.

Depois de deixá-la no quarto com as sacolas, o mordomo desceu rapidamente para avisar a todos que, já tinha chegado. Como não haveria tempo para ir em casa se arrumar, Kwang-jo mandou que usasse o seu banheiro e lhe emprestou um terno cinza com uma gravata lilás que, cairia bem para a ocasião. Enquanto o jardineiro se arrumava afoitamente, ansioso pela situação, em contra partida , se aprontava tranquilamente, penteou os cabelos, passou uma maquiagem leve, colocou um vestido cor de vinho com um detalhe trançado do busto até as costas. Por um momento, ao esguichar o perfume, imaginou como seria bom se aquele jantar fosse com , mas logo achou a ideia absurda, por se tratar de um homem comprometido e disse para si mesma, que da próxima vez que o visse, daria um basta de vez naquela situação. Então, sem mais demora ela pegou a bolsa e uma echarpe do mesmo tom do vestido e desceu para a sala, chamando o mordomo. Não havia sinal dele, então ela reparou em um cartão sobre a mesinha de canto, escrito: “Estou esperando lá fora.”

saiu e olhou para os lados, mas não o encontrou em lugar nenhum, nem mesmo no carro. Então, algo chamou a sua atenção. Havia uma vela no chão e ao se aproximar dela, avistou outras formando uma espécie de caminho iluminado, seguindo o corredor e indo até os fundos do jardim. Curiosa, seguiu as velas, reparando também nas flores que acompanhavam o trajeto, então ao chegar no fim do corredor, seus olhos se deslumbraram com a visão de acendendo a última vela do castiçal que estava sobre a mesa. Foi inexplicável a emoção de , ao ver aquele gesto tão simples e romântico ao mesmo tempo. Seu coração se encheu de tamanha alegria que, chegou a ficar paralisada admirando aquele cenário maravilhoso, tirado de seus sonhos. Sem falar de , que estava realmente encantador, e seu olhar ao vê-la, ainda mais envolvente. Ele estava inebriado pelo perfume de , que parecia ter sido levado por uma brisa de propósito até ele, fazendo com que seus sentimentos se exaltassem dentro do peito. Com certa dificuldade, ele caminhou até ela, olhando em seus olhos e prendendo a sua atenção.

— Você está linda. — disse , pegando sua mão com gentileza e beijando com carinho.
— Obrigada, eu não sei o que dizer. Isso tudo é... lindo.
— Foi feito especialmente pra você. Gostou?
— Se gostei? Eu estou emocionada, eu amei. Foi você quem fez tudo isso?
— Sim, mas eu tive uma grande ajuda, todos se empenharam bastante.
— Eu posso imaginar.
— Vem, vamos nos sentar. — ele a conduziu pela mão e puxou a cadeira para que ela sentasse, depois se sentou em frente a ela.
— Nossa, eu não esperava por isso, estou muito surpresa mesmo, vocês pensaram em tudo.
— Eu gostaria de ter tido essa ideia, mas desta vez o crédito é todo de Kwang-jo. Ele que nos reuniu, para te fazer essa surpresa.
— Uau! Esta é uma surpresa ainda maior.
— Eu só consegui imaginar a oportunidade de estar perto de você. Se eu pudesse te daria mais que isso.
— Pois, pra mim já está sendo o suficiente. Simplesmente maravilhoso. Eu nunca vou esquecer essa noite, esse momento. Mas... — se lembrou do que tinha decidido antes. — Estarmos aqui juntos desse jeito, não é certo. Você é noivo e por mais que eu goste de você, não acho justo viver essa felicidade as custas de uma traição. Então, mesmo que isso me cause dor, acredito que nós dois devemos...
— Espere. — ele a interrompeu. — Antes que diga qualquer coisa, quero que me escute. Se eu tinha alguma dúvida do tipo de pessoa que você era, essa atitude só me fez te admirar ainda mais. , eu não sinto mais nada por ela, já faz bastante tempo e de certa forma estava... me envergonho por dizer isso, mas estava com ela por conveniência, por hábito. Por mais que ela me amasse, eu já não conseguia retribuir esse sentimento. Por fim, se não tivesse te conhecido, acabaria me casando somente pelo compromisso.
. — tentou interromper, pois, não achou certo ele dizer aquilo a respeito da noiva.
— Por favor, me deixe terminar. Mesmo contrariado, eu estava obstinado a me casar, ainda que brigássemos com frequência, devido ao controle dela. Confesso que também cometi meus erros, principalmente em não ter sido honesto com ela, sobre meus sentimentos antes. Mas tudo mudou quando te conheci, tivemos um começo meio turbulento, mas conforme o tempo foi passando eu fui me sentindo cada vez mais atraído e quando percebi, estava completamente apaixonado por você. Eu tentei negar de início e me afastei por isso, mas depois me dei conta que, não poderia continuar fingindo que nada estava acontecendo. Então, ontem eu conversei com meus pais e com ela e rompi o noivado, não tenho mais esse compromisso. Eu estou livre para amar você, se você me quiser do mesmo jeito que eu quero você.

Todas aquelas palavras encheram o coração de , que ficou estarrecida e por um momento acho que ainda pudesse estar dormindo e que aquele dia só estava acontecendo em seu sonho. Ela ficou sem voz e seus olhos lacrimejavam, só conseguia olhar para ele, sentindo aquele imenso amor que a envolvia. a olhava de volta, com medo de ter dito algo errado ou não estar sendo correspondido. Ansioso e receoso ao mesmo tempo, pela resposta dela, por uma reação dela, qualquer que fosse.

— Você está bem? — ele perguntou, preocupado e simultaneamente preocupando também Kwang-jo e as colegas de trabalho, que aguardavam na cozinha sem saber direito o que estava acontecendo. Eles observavam pelas frestas da janela e mal conseguiam ouvir o que o casal conversava.
— Estou. Eu não sei se deveria, mas eu queria muito ouvir isso, então eu estou muito bem por ter ouvido tudo o que você disse. — sorriu ternamente, tomada pelas lágrimas de emoção e alegria.
— Eu estava com um medo enorme que, você dissesse outra coisa. Eu fico muito aliviado em saber disso. Então, quer dizer que você aceita namorar comigo?
— Namorar? — ela disse, ainda sorrindo.
— Sim. Agora que te achei, não quero perder tempo. Não consigo mais ficar longe de você.
— Acredito que nem eu consiga. Eu aceito sim, isto me faria a mulher mais feliz do mundo.
— Esteja certa também que, você está me fazendo o homem mais feliz do mundo. — ambos sorriram um para o outro, enquanto pegava carinhosamente a mão dela, sobre a mesa. — Então, é melhor jantarmos, senão a comida vai esfriar.
— Jantar? — ela disse, remetendo à memória o compromisso de última hora. — Eu me esqueci completamente, fiquei tão maravilhada e surpresa com tudo isso, que não me toquei.
— Do que você está falando? — perguntou ele, meio confuso.
— Eu tinha um compromisso de trabalho e já estou bem atrasada.
— Na verdade senhorita. — disse Kwang-jo, ao se aproximar sem que eles o percebessem. — Isso foi apenas uma distração, para que a senhorita fosse se arrumar e tivéssemos tempo para terminar os preparativos para esta noite.
— Então, não tenho nenhum jantar de negócios agendado pra hoje?
— Não. Somente este jantar, para descontraí-la e para que pudessem se acertar de vez. E posso crer que, isso já aconteceu, como o planejado, estou certo?
— Está sim. — respondeu , confiante.
— Eu tenho muito a te agradecer. — disse, o olhando com admiração. — Vou te recompensar por isso, eu prometo.
— Nada do que eu fiz, foi com alguma expectativa de recompensa, mas aceitarei de bom grado. Agora, servirei o jantar para vocês.
Kwang-jo fez um sinal para Hyewon, que ainda estava na janela observando, então ela veio auxiliada por Subin, empurrando um carrinho com os pratos que havia preparado, elas sorriam com satisfação. Assim que se aproximaram da mesa, ambas receberam de , um sorriso de gratidão e uma reverência com a cabeça, então o mordomo destampou os pratos e os serviu, com toda a elegância e requinte que a noite exigia.
— Esperamos que vocês gostem. Tenham um bom apetite.
— Obrigado. — o casal respondeu ao mesmo tempo e em seguida, Kwang-jo e as duas mulheres fizeram uma reverência e os deixaram a sós novamente.
— O cheiro está divino.
— Eles gostam muito de você, deram o seu melhor para tornar essa noite possível.
— Estou vendo e já posso até imaginar, como será o nosso casamento. — disse, contagiada pela empolgação, mas ao perceber suas palavras, voltou atrás. — Ah, me desculpe. Acho que me empolguei de mais, você acabou de desmanchar um noivado de anos e com certeza, pensará bem antes de assumir um compromisso assim novamente. Além do mais, nós acabamos de começar...
— Não se preocupe, apesar de tudo o que aconteceu, eu penso sim em me casar e desta vez, com a mulher certa. E não pretendo adiar muito essa decisão. — ele disse, arrancando um sorriso meio constrangido de .
— Por falar nisso, eu queria saber se Sun-Young aceitou bem o término do noivado. — perguntou ela, com um tom de preocupação.
— Ela resistiu um pouco no início, mas acabou entendendo e acredito que também deve ter achado os motivos dela para aceitar o fim do nosso compromisso. Ela é uma mulher forte, tenho certeza que ficará bem, quando o impacto da notícia passar. — ele explicou, sério e pouco à vontade.
— Ah, certo.
— Agora, por favor, não vamos mais falar dela, este é um momento pra nós dois, seria uma pena desperdiçá-lo com esse assunto.
— Sim, você tem razão. Então, vamos comer. — disse ela, com animação para contagiá-lo e não deixar que ficasse aborrecido. Ele assentiu mais tranquilo, então agradeceram a comida e começaram a jantar.

As estrelas pareciam brilhar mais na presença do casal apaixonado, havia um certo calor naquela noite e só passava um brisa fresca entre eles, fazendo as chamas das velas dançarem, mas não forte o suficiente para apagá-las. A cozinheira e a empregada, ficaram da janela admirando e fofocando, sobre o quanto eles eram fofos, enquanto isso Kwang-jo sentado à mesa, tomava uma xícara de chá e pensava se teria coragem algum dia, de fazer algo parecido para Eun-ji, pois, nem mesmo sabia de seus sentimentos, se era correspondido ou visto apenas como um bom amigo. Seu medo de tentar ser feliz era tanto, que perturbava seus pensamentos, com ideias muito pessimistas sobre o que aquela moça de olhar tão doce e gestos tão gentis, pensava dele.

A noite começou a ficar mais densa e fria então, os dois foram para dentro e ficaram na sala conversando e tomando vinho branco, enquanto eram aquecidos pelas chamas da lareira. Eles não perceberam, mas Kwang-jo estava atento as horas e na visão dele, já estava ficando tarde para que o rapaz ainda estivesse tão despreocupado em voltar pra casa. No exato momento em que o casal se sentiu mais à vontade, sem tantos olhares espionando, Kwang-jo apareceu pigarreando como um pai rabugento e super protetor.

— Me desculpem atrapalhar a privacidade do casal, mas devido ao adiantado da hora, eu achei que já estariam se despedindo. — disse ele, sem rodeios.
— É claro. — o jardineiro entendeu o recado. — A conversa estava tão boa, que nem sentimos o tempo passar. Eu vou indo, apesar do dia ter sido maravilhoso, também foi bastante corrido e cansativo. — disse ele se levantando e ajudando a se levantar também.
— Você está certo, eu não devo segurá-lo mais. Vou levá-lo até a porta.
— Não precisa, senhorita. Eu mesmo faço isso. — o mordomo interrompeu, seguindo para a porta. Sem opção, o jardineiro deu um sorriso e uma piscadela para e foi em direção a porta. Reverenciou o mordomo, que assentiu e saiu em seguida, com ele fechando a porta a suas costas.
— Eu deveria brigar com você por isso, mas não vou. — disse , chateada pela interrupção.
— Bom saber que ainda é sensata. Boa noite, senhorita. — Kwang-jo a reverenciou e saiu deixando ela sem ação. Então, ela resolveu ir se deitar também, apesar de saber que com aquele alvoroço todo em seu coração, provavelmente não conseguiria dormir aquela noite.



Capítulo 11

No domingo, em agradecimento ao esforço e dedicação de seus três funcionários e também amigos, os convidou para aproveitar a folga, almoçando todos juntos e chamou Eun-ji para participar da comemoração da nova etapa de sua vida. Kwang-jo tentou demonstrar tranquilidade, apesar de por dentro estar em agonia, por não saber o que fazer diante da amada. pediu toda a comida em um restaurante que frequentava, para que ninguém tivesse nenhum trabalho e pudessem aproveitar ao máximo. As mulheres ficaram super empolgadas, enquanto contava detalhes de sua conversa com e demonstrava o quanto estava feliz, por finalmente estarem juntos. Mas contudo, ainda havia algo que a preocupava e dependia da sua máxima atenção pelos próximos dias: o projeto Love Garden. Por um lado, estava imensamente feliz, mas por outro estava bastante aflita e só descansaria, quando tudo estivesse finalizado e principalmente, bem sucedido. Mas aquele era um almoço alegre, então, logo mudaram de assunto e falaram sobre tudo. , sempre dava um jeito de fazer Kwang-jo falar, vendo que ele estava muito calado, concluiu que só poderia ser por vergonha de Eun-ji, então resolveu ajudá-lo. Em um momento que ele se ausentou para buscar água gelada na cozinha a pedido de , Hyewon e Subin o acompanharam para trazer a sobremesa, então ela aproveitou a oportunidade, para conversar com Eun-ji.

— Bom, já que estamos sozinhas, eu gostaria de fazer uma pergunta, se não for problema pra você.
— Não, de jeito nenhum, pode perguntar.
— Eu sei que é uma questão pessoal, mas gostaria de saber se você está interessada em alguém ou talvez, tenha algum pretendente?
— Ah, não. Eu não tenho ninguém. — disse ela, tímida. — Na verdade, até existe uma pessoa que eu admiro muito e penso que seria um bom marido, mas eu acho que ele não tem olhos pra mim.
— Sério, mas porquê?
— Ele é sempre simpático e respeitoso comigo, mas é muito reservado. Eu nunca teria coragem de me declarar, provavelmente ele me acharia atrevida e me rejeitaria.
— Você não pode pensar assim, está sendo muito negativa. Se não pode ter certeza do que ele sente, então há uma chance de que ele também goste de você. Se você quiser, eu posso te ajudar a descobrir.
— Você faria isso por mim?
— É claro que sim.
— Não posso te incomodar com isso. Você já tem tanta coisa com que se preocupar.
— Ei, nós somos amigas ou não? Eu estou tão feliz, quero isso pra você também, é o mínimo que posso fazer. Então, me diga, eu conheço ele?

Antes que a secretária pudesse responder, o mordomo voltou da cozinha com as companheiras de trabalho tagarelando em seu ouvido sobre casamento. achou melhor entrar no assunto com elas, visto que não seria de bom tom continuar discutindo a intimidade de Eun-ji, que ficou constrangida ao vê-los de volta. Mas certamente, elas voltariam ao assunto em um momento mais oportuno.

Ao cair da tarde, faltando umas duas horas para o pôr do sol, Kwang-jo se desculpou e pediu licença, pois, precisava sair para resolver um assunto pessoal. Subin aproveitou a carona do mordomo e saiu para se encontrar com o namorado e Hyewon, aproveitou o resto de folga para visitar o filho e seus netos, dividindo um táxi com a Eun-ji. se despediu de todos e como estava sozinha em casa, resolveu ligar para , mas o telefone só dava sinal de “fora de área”, então organizou toda a cozinha e passou o resto da tarde lendo um livro, até que pegou no sono. fora visitar seus pais, pois, precisava dar satisfações a eles sobre o fim do seu noivado. Embora já soubesse que, provavelmente ambos já estavam a par da situação, preferiu esclarecer tudo pessoalmente e acabou lhes contando também sobre o jantar especial que tivera com . Sua mãe não ficou muito contente, mas disse que não seria contra a decisão dele e que não iria interferir em sua vida. Seu pai teve a mesma opinião, mas ao contrário da mãe, achou admirável a atitude do filho em assumir seus sentimentos por e não esconder nada deles. Eles passaram o dia todo juntos e já era tarde da noite, quando ele voltou para seu apartamento, daí percebeu que deixara o celular no apartamento e ele havia descarregado. Assim que o aparelho obteve energia suficiente para ligar, ele recebeu a mensagem de chamada de , então tentou retornar sem sucesso, pois, o celular tocou até a última chamada e em seguida começou a gravação da caixa postal. Ele deduziu que , estivesse dormindo e preferiu não insistir, tomou um banho e foi se deitar também. Pensou consigo mesmo que, embora agora fossem namorados, ele ainda tinha muito trabalho pela frente com aquele jardim e um desafio para ganhar.

Na segunda feira de manhã, madrugou na casa de , pois, precisava desmontar o cenário do jantar de sábado, para dar continuidade ao seu projeto para o jardim. acordou, pensando que não se lembrava de ter dormido assim tão bem a bastante tempo, se arrumou e desceu para tomar café, mas quando a empregada disse que já havia chegado, ela foi falar com ele imediatamente.

— Bom dia. — disse ela, se aproximando.
— Bom dia, como a senhorita está? — ele respondeu formalmente, deixando-a meio confusa.
— Eu estou bem, mas você não precisa me chamar de senhorita agora que estamos namorando.
— Me desculpe se soar um pouco ríspido, mas acredito que devemos separar as coisas. Temos um compromisso de homem e mulher agora, mas antes disso firmamos um compromisso de patroa e empregado e devemos respeitar isso. Então, enquanto eu estiver trabalhando aqui, por favor, me trate apenas como um funcionário.
— Eu não entendo, o porquê de agir assim.
, por favor, faça como eu estou pedindo. Se agir de outra forma vou me sentir mal, como se estivesse me aproveitando da situação. Este é meu trabalho e quero ser visto, por todos como uma pessoa de boa postura profissional, você pode me entender não é? — ele estava sério e por mais que doesse um pouco falar daquela forma, precisava ser claro e compreendido, pois, ser reconhecido em sua profissão era muito importante para ele.
— Sim, eu entendi. — ficou um pouco decepcionada e até mesmo frustrada, mas concordou com o pedido. — Farei como você quer. — concluiu abaixando os olhos, seriamente.
— Eu fico muito grato por isso. — o jardineiro ficou aliviado e lhe deu um sorriso curto e fechado.
— Você está atrasado, achei que a essa altura já conseguiria ver as formas de um jardim, mas só vejo um monte de entulho. — disse ela, em tom de crítica, estava claramente chateada.
— Ei, vai com calma. Ele só está assim por causa do nosso jantar, lembra?
— Então, anda trazendo a namorada para jantar aqui? Isso é péssimo. — disse expressando indignação.
— Tudo bem, a senhorita está coberta de razão.
— Que bom que você concorda, por favor, não faça mais isso. Meu jardim não é ponto de encontros amorosos. Então, se concentre e termine logo o trabalho. Ah, não se esqueça que temos um acordo, se eu não gostar, não pagarei nada. Isso é tudo, tenha um bom dia. — se virou rapidamente e foi embora, entrando cozinha afora e achando graça de toda aquela situação.

A princípio, achou que ela tivesse realmente ficado chateada, mas depois começou a rir daquele jeitinho dela que o atraía tanto e voltou ao trabalho, torcendo para que o dia passasse rápido e logo pudesse encontrá-la novamente, só que dessa vez como namorado. De certa forma, também pensou assim, mas aquela situação na empresa, o clima desagradável quando se encontrava com as sócias e o fato de tudo estar nas suas mãos, não a deixava ficar com o raciocínio livre para sequer se lembrar daqueles momentos maravilhosos e nem mesmo imaginar qualquer coisa que não estivesse relacionada ao seu projeto.

Daquela semana em diante, ficou cem por cento focada no trabalho, já tinham um novo conceito para o relançamento do perfume e os designers da equipe de marketing conseguiram a aprovação dela, para o novo layout do nome que seria colocado nos frascos reciclados da versão anterior. A única coisa que faltava, era o químico finalizar o preparo da essência e concluir os testes do produto, junto aos órgãos responsáveis pela liberação do mesmo para uso e comercialização. Assim que ela teve a previsão de quando tudo estaria pronto, designou a equipe de marketing que marcassem a data para o relançamento e incumbiu Eun-ji que fizesse a locação de um lugar próprio para o evento e que organizasse todos os detalhes, como buffet, lista de convidados, imprensa, etc… As sócias, como ficou acordado, só observavam a distância, mas faziam questão de saber cada passo que faltava para a conclusão do projeto e aparentavam muita calma, como se já previssem o resultado de todo aquele esforço.

Quanto mais o prazo se aproximava do fim, mais se dedicava ao trabalho e sobrava cada vez menos tempo para dedicar ao seu novo relacionamento. Ás vezes ficava tão exausta, que chegava a pegar no sono encostada no ombro de , enquanto conversavam. Apesar dele entender o que ela estava passando, cada dia parecia mais difícil namorar alguém que estava ausente o tempo todo, mesmo estando bem ali ao lado e como tudo uma hora cansa, ele também chegaria ao seu limite.



Capítulo 12

Havia se passado um mês e meio, o jardineiro estava a poucos dias de terminar o projeto do jardim. Mas , muito ocupada, fazia algum tempo não ia até lá, pois, sempre chegava à noite e cansada demais para pensar em outra coisa que não fosse um bom banho e uma boa noite de sono.
Porém naquela noite, ela apareceu animada, porque tinha recebido a aprovação dos testes e o aval dos órgãos responsáveis com o selo de qualidade, tornando o produto apto a entrar no mercado. entrou em casa com Kwang-jo e ao ver na sala, sorriu como não fazia a um bom tempo e foi até ele para abraçá-lo.

— Ah, que bom que está aqui. Tenho ótimas notícias que quero compartilhar com você. — disse ela, empolgada sem perceber que o jardineiro, não estava tão animado quanto, mas o mordomo percebeu.
— Será que podemos conversar? — ele disse, sério olhando para Kwang-jo, que entendeu a mensagem imediatamente.
— Estarei na cozinha, com licença. — e se retirou.
— Você está tão sério, aconteceu alguma coisa?
— Você deve estar cansada, melhor se sentar. — ele estava calmo e inquieto ao mesmo tempo.
— Não estou entendendo, você está muito estranho.
— Acho que não sou eu, mas você. Não é a mesma pessoa que eu conheci. Não tem mais tempo pra nada, não fala de outra coisa além do trabalho.
— Isso não é verdade.
— Não? Então, me diz qual é a ótima notícia que você quer compartilhar comigo?
— Bom, nós finalmente conseguimos a aprovação e o selo de qualidade que precisávamos para comercializar o Love Garden.
— Está vendo, nada mais tem importância pra você, além desse bendito perfume.
— Você está sendo injusto. Este é o meu trabalho, o legado da minha mãe, o sucesso desse projeto só depende de mim, é o meu patrimônio que está em jogo, não posso simplesmente dar as costas.
— Mas isto está consumindo você, não tem tempo pra mais nada, inclusive pra nós. Às vezes, sinto como se não tivesse uma namorada. Nos tornamos literalmente só a patroa e o empregado.
— Como é que é?
— Não me lembro da última vez que saímos juntos, nem consegui te apresentar aos meus pais ainda, você não responde minhas mensagens e nem aparece mais no jardim, nem tem ideia de como está agora.
— Então, é isso? Como você pode ser tão egoísta?
— Eu, egoísta? — retrucou ele, indignado.
— Será que você não consegue entender? Eu sou uma empresária, tenho grandes responsabilidades e decisões importantes pra tomar todos os dias, não posso ficar perdendo tempo com coisas fúteis. — quando deu por si, já tinha falado. — , me perdoe. Eu não quis dizer isso.
— Mas disse e quer saber, você está certa. Eu não vou mais tomar seu precioso tempo. Me desculpe.
— Não, você não sabe o que está fazendo. O que eu quis dizer, é que eu só preciso de um pouco mais de tempo pra que tudo isso se resolva.
— Eu entendi muito bem. — ele a interrompeu. — E fique sabendo que o meu trabalho é tão importante pra mim quanto o seu é pra você, mas talvez tenhamos começado na hora errada mesmo.
— O que? O que você está dizendo?
— Fomos imprudentes, apressados e está claro que agimos de forma inconsequente, principalmente eu.
— Está querendo dizer que está arrependido de ter terminado seu noivado pra ficar comigo? — ela sentiu um aperto no peito, cerrou os dentes e as lágrimas brotaram no canto dos olhos involuntariamente.
— Não disse isso, por favor, não coloque palavras na minha boca. Só disse que foi uma decisão precipitada ficarmos juntos nesse momento.
— Tudo bem. — , não conseguia conter as lágrimas. — Você disse o que queria e eu ouvi o que precisava. Será melhor se pararmos com tudo isso agora, antes que saiamos mais feridos.
... — ele ficara surpreso com a forma com que ela falou.
— Por favor, assim como eu, você deve ter muitas coisas pra fazer. Está livre agora, então apenas vá embora. — ela segurou as lágrimas que estavam a ponto de despencar, passando as mãos pelo rosto. Pensou naquelas últimas palavras, tentando controlar a respiração que parecia perder a cada segundo. Ele a olhava como se pedisse desculpas pelo que havia dito, como se implorasse para que aqueles últimos minutos não tivessem acontecido e prevendo que, se ocorresse um pedido de perdão ou mesmo uma simples aproximação da parte dele, provavelmente ela cederia, resolveu colocar um fim naquela angústia e alterando um pouco tom de voz disse:
— Vá logo!

O jardineiro reagiu, como se tivesse tomado um susto e saiu rapidamente. Assim que a porta se fechou, caiu de joelhos em um pranto que lhe doía as entranhas. Não saia nenhum som dos seus lábios e parecia não ter forças suficiente para puxar o ar para dentro, pois, o choro estava demasiadamente descontrolado. Kwang-jo veio até a sala, poucos segundos depois que ouviu o barulho da porta e ao se deparar com aquela cena, no chão devastada pelo sofrimento, aquilo lhe corroeu a alma. Ele correu até ela, que soluçava e gemia sem controle de suas próprias ações, então a pegou nos braços e a levou para o quarto, a colocando na cama. Do lado de fora, entrou no carro e ficou como que, estático ao volante. Ele também não pôde mais se conter, não tinha mais força para isso e enfim, desabou. As lágrimas tomaram conta do seu rosto e seu coração parecia querer parar, se sentia sufocado, queria voltar lá e dizer a ela que não queria deixá-la, mas isso não seria possível e tornaria tudo ainda muito mais difícil. Do nada, o mordomo apareceu e abriu a porta do carro, o arrancando para fora pelo colarinho, disposto a lhe dar um soco, mas ao olhá-lo tão abatido, rosto encharcado de lágrimas e sem força alguma para tentar revidar ou se soltar, se lembrou que já estivera numa situação bem parecida, quando perdeu sua esposa. Então, Kwang-jo sentiu compaixão, vendo o sofrimento através dos olhos do rapaz e o soltou. Colocou uma mão na cintura e a outra no rosto, sentindo vergonha e sem saber o que dizer, já que a intenção com a qual fora até lá, ficara bem clara a princípio. Depois de alguns segundos, pensou bem e disse:

— Eu não sei o que aconteceu e sinceramente, acho melhor não saber, já que os dois estão neste estado. Então, o que direi pra você agora, vou dizer a ela também. Não pensem nesta situação como algo definitivo. Aproveitem esse tempo, para deixar as coisas se normalizarem e voltarem ao seu devido lugar. Vocês não entendem agora, mas na hora certa verão que este momento só serviu para tornar mais forte o que sentem um pelo outro. Agora vá pra casa e tente descansar, você tem trabalho amanhã.

Kwang-jo colocou a mão sobre o ombro dele e ele assentiu com a cabeça mostrando que, ouvira o conselho, depois entrou no carro e foi embora um pouco mais contido, refletindo sobre o que acabara de ouvir. Kwan-jo, por sua vez entrou, foi até a cozinha e contou sem muitos detalhes, o que estava acontecendo para suas colegas de trabalho e pediu a elas que, não incomodassem a patroa naquele momento. Logo em seguida, ele levou uma xícara de chá calmante para . Ela parecia estar fora do ar, meio que em choque de tanto chorar. Ele colocou o chá entre as mãos dela que estavam sobre as pernas, se sentou ao lado na beira da cama e disse exatamente o mesmo que dissera ao jardineiro, finalizando com uma ordem:

— Tome o chá e durma. Amanhã será um novo dia.

não respondeu, apenas encostou a cabeça no ombro dele por alguns minutos, depois obedeceu tomando o chá e se deitou em seguida. O mordomo a cobriu, pegou a xícara e saiu do quarto pensando que, não conseguiria passar por nada parecido de novo, todo aquele sofrimento, o lembrou da sensação de vazio. Então, de certo modo sentiu um alívio por não demonstrar seus sentimentos a Eun-ji, pois, esse era o meio mais viável para evitar situações como a que presenciou aquela noite.



Capítulo 13

Aquela seria mais uma semana complicada para , mas apesar de estar sofrendo, se manteve com uma postura profissional impecável, com uma resistência inabalável diante de todos. O jardineiro também se dedicou ao trabalho e para evitar encontros que pudessem deixá-los ainda mais fragilizados, começou a chegar uma hora mais tarde e saía meia hora mais cedo. Sabia que isso prolongaria um pouco o tempo de conclusão do seu projeto, mas foi o meio que encontrou para não deixar , desconfortável com sua presença. Ela, por não encontrá-lo, conseguia se manter firme e pode dar toda a atenção que seu projeto exigia naquele momento. 

Com o selo de qualidade liberado, fixaram a data de lançamento do novo produto, reservaram o espaço para o evento e começaram a enviar os convites. Nada passou despercebido aos olhos dela e infelizmente, nem aos olhos das sócias que, não estavam gostando nem um pouco das notícias positivas que receberam sobre o tal projeto. foi bem cautelosa e mandou que produzissem uma quantidade de frascos do perfume suficiente para ser exibido e distribuído entre os convidados vips do evento, programado para o fim da semana seguinte. Com o prazo apertado, ela mal parava em casa, era da empresa para um salão de hotel super requisitado que, conseguiram para a data que precisavam. Um lugar lindo e muito organizado, onde costumavam realizar principalmente, recepções de casamento devido ao fato de ser na cobertura do edifício e proporcionar uma vista fantástica e privilegiada de toda a cidade.

Finalmente, faltava apenas um dia para o lançamento do novo perfume. fazia o último ensaio do discurso de apresentação junto ao cerimonialista e dava as últimas orientações sobre o que deveria ser feito no dia seguinte, durante o evento. Ela se certificou que confirmassem até a presença do DJ, que animaria o ambiente e todo o equipamento seria devidamente posicionado logo pela manhã. Todo o resto já estava organizado, o buffet, as mesas, os pedestais onde os perfumes ficariam expostos, funcionários da empresa e terceirizados que trabalhariam no evento. Enfim, com tudo em ordem, voltou para casa e teve uma surpresa, quando chegou com Kwang-jo. Ele pediu que ela aguardasse na sala, enquanto buscava a cozinheira e a empregada na cozinha, então vieram juntos trazendo uma caixa grande enfeitada com laços dourados.

— Nós vimos o quanto você esteve ocupada nos últimos dias e como não teve tempo para comprar nada especial para a grande noite, então decidimos lhe fazer essa surpresa. — disse Hyewon, emocionada ao entregar a caixa.
— Esperamos que a senhorita goste, escolhemos com muito carinho. — completou Subin.
— Eu nem sei o que dizer. — ficou muito encantada com aquele gesto dos três.
— Então, não diga nada. Apenas abra e veja se gosta. — Kwang-jo, como sempre, foi direto ao ponto.

Ela sorriu para eles, assentindo e apoiou a caixa no encosto do sofá, desfazendo os laços. Abriu a embalagem e levantou um belo vestido longo amarelo com apenas uma alça bordada de flores do mesmo tecido que, contornavam o decote sobre o busto. Bem acinturado e com a saia rodada, composta por duas camadas sobrepostas. ficou maravilhada e o colocou na frente do corpo, para ver como ficaria.

— Modéstia à parte, eu acho que acertamos, vai ficar lindo em você. — Hyewon comentou.
— Estou impressionada, ele é lindo e parece ser exatamente o número do meu manequim.
— E ele é, nós escolhemos de acordo com suas medidas e a cor, é para combinar com o perfume.
— Nossa, vocês pensaram em tudo mesmo não é? — ela sorriu, mas tentava com grande esforço conter as lágrimas que insistiam em querer brotar no canto dos olhos. — Obrigada, muito obrigada mesmo. Eu não tenho como recompensar tudo o que vocês tem feito por mim, mas gostaria de dar algo a vocês também. guardou o vestido com cuidado na caixa, auxiliada por Subin e pegou sua bolsa, retirando dela três envelopes. — Isso aqui é pra vocês. — continuou, entregando um para cada. — Eu quero que me deem o prazer da presença de vocês na festa de lançamento do perfume Love Garden.
— São convites vips! — disse Subin, surpresa.
— Sim, tem até os nossos nomes. — Hyewon se sentiu muito chique.
— A compreensão e o apoio de vocês, foi o que me deu forças para concluir este projeto e sendo tão importantes pra mim, não poderiam ficar de fora. Eu me recuso a aceitar um não como resposta.
— É claro que nós vamos. — Subin, era pura empolgação.
— Não perderíamos isso por nada. — completou Hyewon, limpando algumas lágrimas.
— Não. — disse o mordomo sério, fazendo com que as três o olhassem espantadas e confusas. — Não poderei ir à lugar algum se... meu melhor terno estiver todo amassado. Peço que me deem licença, devo passá-lo e engomá-lo imediatamente. — ele sorriu para as elas e saiu. Após alguns segundos, entendendo o ocorrido, as três caíram na gargalhada.

Um ar descontraído era o que, precisava para aliviar a tensão da expectativa da noite seguinte. Depois do jantar, ela se recolheu para o quarto deixando o vestido esticado no cabide para que não amassasse. Inesperadamente, ela se pegou pensando em como seria usá-lo para um encontro com , mas logo voltou a si, forçando sua mente a sair daquele devaneio e foi rapidamente para a cama, pegando no sono logo em seguida.



Capítulo 14

Na manhã seguinte, foi cedo para o hotel, para acompanhar de perto a chegada dos itens que faltavam, a montagem e organização de toda a aparelhagem, retoques finais da decoração e pequenos detalhes quanto à entrega das amostras. Fez questão de ficar e receber pessoalmente os vidros de perfume e orientou sua distribuição pelos pedestais ao longo do salão. Vendo que estava tudo harmoniosamente organizado, decidiu voltar para se aprontar, mas antes passou pelo laboratório da empresa e com a ajuda de Kwang-jo, colocou duas caixas lacradas no carro. Ele perguntou o que era, porque estavam pesadas, mas disse apenas que eram coisas do trabalho e que não tirasse do carro, pois, poderia precisar para o lançamento, então foram pra casa.

Enfim, a noite chegou bem estrelada com uma lua cheia e alva no meio do céu. Kwang-jo parou o carro e abriu a porta para descer. Na entrada do hotel já estavam vários fotógrafos e paparazzi aguardando, pois, cobririam o evento do lado de fora. Assim que a viram tão deslumbrante naquele vestido amarelo e usando um par de brincos de diamantes que foram da sua mãe, correram ao seu encontro, com muitos flashes e perguntas curiosas como: “Como a senhorita está se sentindo, com essa nova aposta em um produto que fracassou com sua mãe?” e “A senhorita está seguindo os passos da respeitável senhora Nae Yujin, para fazer este trabalho?” e ainda “O que acontecerá com a empresa se este novo produto também fracassar?” e por aí vai. Mas ela não tinha tempo e nem cabeça para aquelas perguntas maliciosas, então foi bem cortês e lhes pediu licença, entrando no hotel e seguindo para o salão. A imprensa convidada, já estava devidamente posicionada pelo cerimonialista e não perderam tempo, assim que entrou no salão, eles a receberam com muito respeito, agradecendo pela consideração ao convidá-los. Quando os demais convidados começaram a chegar, ela ficou mais livre para fiscalizar como estava o trabalho de toda a equipe. Os garçons estavam alinhados, o DJ operava a cabine de som, a recepcionista recebia os convidados conferindo os convites, os seguranças disponibilizados pelo hotel, como cortesia pela publicidade que receberam com o evento, também estavam bem equipados e elegantes. Na cozinha, tudo ia bem quanto ao menu e já estavam servindo as bebidas. Em pouco tempo o lugar ficou cheio e quase todos os convidados já haviam chegado. Hyewon e Subin, chegaram juntas e foram cumprimenta-la, estavam muito bem vestidas também. estava muito empolgada, mas quando viu as sócias entrarem no salão, parecia que uma nuvem negra e carregada tinha tomado conta do lugar. Ela pediu licença para suas funcionárias e foi recebê-las.

— Boa noite, senhoras. Sejam bem vindas. — ela disse, reverenciando ambas, com uma postura bem rígida.
— Obrigada. Ora, ora, que organização, que capricho. — comentou Naeun, espantada.
— Eu acredito que isso tudo, deve ter custado bem caro não? Um belo e alto investimento. — Sodam, começou a soltar o seu veneno.
— Não se preocupem, está tudo sob controle. Bem, eu preciso falar com algumas pessoas, mas fiquem à vontade. Com licença. — , saiu rapidamente evitando responder a qualquer provocação da parte delas, pois, não queria se aborrecer aquela noite. Ficou o mais distante que pôde, mas não se sentia bem. Kwang-jo atento como sempre, reparou que havia algo errado, porque mudara seu semblante, então se aproximou degustando uma taça de espumante.
— Você ficou estranha de repente, o que aconteceu?
— Não sei, não estou com um bom pressentimento. — o rosto dela tentava disfarçar a apreensão interna.
— Devo fazer algo a respeito?
— Ainda não, mas na hora certa eu quero que me traga as caixas que estão no carro. Precisa ser muito discreto e deve entrar pelo elevador de funcionários. Achei que não seria necessário, mas com essas duas aqui com esse ar de tranquilidade, algo não me cheira bem e não posso me dar ao luxo de pagar pra ver. Então, posso contar com você?
— Sua pergunta me ofende, apenas me dê o sinal quando for a hora e buscarei o que precisa. — ele sorriu e se afastou calmamente.
não precisava de muito, para saber em quem podia confiar e uma dessas pessoas acabava de chegar inesperadamente. Atenta aos seus convidados, ao lançar os olhos para a entrada do salão, avistou aquela bela figura em um terno grafite com gravata amarelo ouro. Ela ficara paralisada por alguns segundos e engoliu seco quando, os olhos dele a encontraram. Ambos se entreolharam por alguns instantes, até que Eun-ji se aproximou desviando sua atenção.
, me perdoe pelo atraso. Acabei ficando presa no trânsito por causa de um show, do outro lado do centro da cidade.
— Está tudo bem. Me diga, o que faz aqui?
— Kwang-jo pediu que eu enviasse um convite para ele. Eu pensei que você soubesse. Me desculpe, ficou brava comigo? — disse ela, com receio.
— Não, tudo bem. Só estou um pouco surpresa.
— Boa noite. — se aproximou, sem que elas percebessem, deixando sem ação.
— Boa noite, eu vou dar uma volta por aí e ver como estão as coisas, com licença. — a secretária sabia mais ou menos da situação, saiu à francesa.
— Lindo. — disse ele, completamente deslumbrado.
— Como? — , tentava se conter.
— O evento, está tudo muito bonito.
— Ah, você achou? Obrigada. Eu não esperava que você viesse. — disse ela, tentando regular o ritmo da respiração.
— Tenho que admitir que, não estava esperando receber um convite. Fiquei surpreso quando o encontrei no meio da minha correspondência.
— Mesmo assim, poderia simplesmente ter ignorado, mas você está aqui. Porque? — perguntou, o confrontando.
— Sei que esta noite é muito importante pra você e você é muito importante pra mim, então não poderia deixar de vir.

não conseguiu responder e na mesma hora o cerimonialista, se aproximou chamando ela para o momento do discurso de apresentação, pois, todos os convidados já estavam aguardando. fez uma reverência e ela retribuiu, seguindo até a cabine de som que ficava dois degraus mais alto, onde poderia ser vista de todo o salão. Assim que ela subiu, o DJ abaixou a música chamando a atenção de todos. Ela olhou para todos, dando um foco maior no rosto das sócias, em e depois em Kwang-jo, que assentiu com a cabeça e se retirou do lugar, então ela reuniu as forças e começou a falar.

— Primeiramente, boa noite a todos e sejam muito bem vindos ao lançamento do nosso mais novo produto, o perfume Love Garden.

O público aplaudiu e de repente, as luzes se apagaram e os pedestais até então cobertos, foram revelados recebendo sobre eles, feixes de luz que refletiam sobre os vidros de perfume expostos dentro de uma caixa acrílica, deixando todos os convidados impressionados, principalmente os fotógrafos que não cessavam os flashes de suas câmeras. Passados alguns segundos, holofotes foram direcionados na cabine de som onde, se encontrava, para que continuasse o discurso.

— Acredito que todos aqui devem se lembrar do nosso último lançamento, ainda sob a direção de Nae Yujin, minha mãe. Puderam também acompanhar o péssimo desempenho do produto. Infelizmente, minha mãe não teve tempo para reverter a situação, como vocês bem sabem, ela faleceu fazem alguns meses devido à problemas cardíacos. Esta noite eu gostaria de homenageá-la, com um novo lançamento do perfume que, por uma falha, manchou o seu bom nome e reputação no mundo da perfumaria e beleza. Através de vários testes realizados com a fragrância original, desenvolvida por minha mãe, nossos profissionais chegaram a composição perfeita. Seu conceito foi direcionado para a maturidade feminina, tendo como público alvo mulheres de faixa etária entre 25 e 55 anos. Após muitas horas de estudo, conseguimos combinar essências finas, que dão ao mesmo tempo a sensação de frescor e calor à pele. Feito de matérias primas naturais, tem em sua formação toques de flor de baunilha, a suavidade da hortelã, notas de canela e outros. Agradeço por poder compartilhar com todos vocês, a realização do grande sonho de minha mãe, que também se tornou o meu. Recebam agora com exclusividade, uma pequena amostra do Perfume Love Garden, fruto do trabalho e dedicação de Nae Yujin e toda a equipe Sensation. Obrigada.

Todos aplaudiram com muita empolgação, admirados pelas belas palavras em homenagem a CEO falecida. Em seguida, belas moças vestidas de conjunto social amarelo, entraram com cestos de vime enfeitados com flores e distribuíram pequenos frascos do perfume. Tudo estava indo bem, até que ao começarem a abrir os frascos, os convidados exibiam expressões de nojo ao sentirem o cheiro repugnante do líquido. olhando aquilo, mal podia acreditar, desceu imediatamente até seus convidados e quis conferir o tal cheiro. Eun-ji foi até ela, completamente perdida.

, o que está acontecendo?
— Eu não sei, tudo estava perfeito, não mexemos mais na fórmula depois que voltou do teste final com os órgãos reguladores, já tínhamos recebido o selo de qualidade, não faria sentido algum.
— Eles aprovaram o perfume assim?
— É claro que não, eu senti a fragrância antes de ir e depois que voltou também, inclusive antes de ser embalado na Segunda-feira.
— Então, aconteceu de novo.
— Do que você está falando?
— Que dejavú. Com sua mãe, foi a mesma coisa. Me lembro como se fosse ontem, ela entrou em choque, eu não gosto de pensar, mas acho até que foi por isso que ela adoeceu. Ficou tão envergonhada, que caiu em depressão e acabou perdendo as forças. — Eun-ji disse, com um profundo pesar.

Enquanto, ouvia aquele relato, olhava ao seu redor as pessoas completamente decepcionadas, após tanta expectativa acumulada até aquele momento e depois daquele discurso tão sincero e nostálgico. Então, seus olhos pararam nas sócias, que permaneciam tranquilas e serenas, sentadas em suas mesas. Não pareciam nem um pouco surpresas ou indignadas ou até mesmo decepcionadas, como os outros. viu, claramente naqueles rostos a satisfação de quem ganha algo sem se preocupar com os meios. Pensou em ir falar com elas, estava com as palavras entaladas na garganta, mas antes que fizesse qualquer movimento, Eun-ji chamou a sua atenção para os convidados, que após a péssima surpresa estavam caminhando em direção a porta. 



Capítulo 15

engoliu seco e se concentrou novamente em fazer daquele evento, um grande sucesso e avistando Kwang-jo na porta da cozinha, balançou a cabeça fazendo um sinal. Ao ver que fora entendida, ela voltou à cabine de som.

— Senhoras e senhores, eu peço um momento de sua atenção. Depois, se ainda quiserem se retirar que assim seja, mas por favor, me deem a oportunidade de explicar o que acabou de acontecer. E sinto dizer que já era algo que eu esperava. Preciso apenas de alguns minutos para convencê-los.  — a forma com que falou, atiçou a curiosidade de todos e até aqueles que já estavam nas portas dos elevadores, decidiram voltar para o salão. As sócias ficaram surpresas com o que acabavam de ouvir e seus sorrisos foram se apagando, enquanto os outros convidados tomavam seus lugares novamente.
— Ouçam bem e tirem suas próprias conclusões. Muitos que estão aqui hoje, estiveram também no lançamento da primeira versão deste perfume e acredito que, o episódio desta noite não foi muito diferente daquele dia. Minha mãe apresentou sua criação e foi surpreendida com uma situação semelhantemente desastrosa. Por um tempo, depois que tomei posse como herdeira, acreditei que pudesse ter sido apenas um acidente, mas agora que senti na pele o que ela passou, poderia dizer que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, a não ser que esteja sendo conduzido. E afirmo aqui, diante de todos vocês que, assim como Nae Yujin, eu Nae fui alvo de sabotagem. — todos se assustaram com a denúncia feita, mas alguns principalmente da imprensa, começaram a ligar os pontos. — E que fique claro que, os responsáveis pagarão caro por essa desonestidade. — ela disse, olhando fixamente para as sócias. — Como disse anteriormente, eu já estava receosa que algo assim acontecesse e tomei medidas preventivas. Gostaria de pedir que devolvam os vidros de amostras que lhes foram entregues. Por favor, senhoritas recolham todos. 
Rapidamente todos os frascos foram devolvidos e enquanto isso, acenou para que Kwang-jo viesse e acompanhado de um dos garçons, colocou as duas caixas ao lado dela. Após deixarem os cestos na porta da cozinha, as moças retornaram para a frente da cabine de som. Então, ela continuou:
— Peço que, por favor, me perdoem por este inconveniente, estou um tanto constrangida com essa situação, mas ainda assim assumo inteira e total responsabilidade pelas consequências deste evento. E para mostrar minha boa fé e compromisso com a verdade, aqui está a prova. A verdadeira fragrância do Perfume Love Garden. Por favor, podem distribuir.

As moças de amarelo, foram ainda mais ágeis que da primeira vez e em poucos segundos, todos os convidados tinham em mãos uma amostra. Agora sim, realmente saberia se o fruto do seu árduo trabalho, teria sucesso ou não. Ela ficou da cabine, observando enquanto todos abriam curiosos as suas pequenas embalagens, mas a que tinha nas mãos, preferiu não abrir de imediato. Para seu alívio, as expressões de bem estar e surpresa, eram unânimes entre os convidados, que demonstravam estar completamente impressionados com tamanha diferença do conteúdo daquele frasco para o anterior. Começaram a balbuciar elogios, até que por fim, se viram na obrigação de reconhecer aquele excelente trabalho e começaram a aplaudir , deixando transparente a admiração e o respeito que ela, apesar de não ser tão experiente, conquistou dignamente em tão pouco tempo.

— Eu agradeço por me darem essa oportunidade e fico imensamente feliz com o reconhecimento de vocês. Muito obrigada. — reverenciou a todos, muito emocionada. — Aproveitando a ocasião, anuncio a todos que a partir da próxima semana o Love Garden, já estará disponível para compra nas nossas lojas. Por favor, aproveitem a festa e não deixem de experimentar o nosso buffet. Boa noite!

Ela desceu da cabine sob uma chuva de aplausos e sorria incansavelmente para todos. De longe, Kwang-jo a reverenciou como a uma rainha e ela respondeu assentindo. Fora recebida com muitos elogios e fortes abraços da Eun-ji, Hyewon e Subin, que se sentiram super inspiradas pela força e coragem demonstrada por ela, diante de tamanha adversidade. Mal sabiam que o coração de , esteve a ponto de saltar pela boca, inúmeras vezes de tão nervosa, mesmo parecendo completamente tranquila por fora. Quem por outro lado já não tinha nenhuma tranquilidade, eram as sócias que vendo a drástica mudança no rumo das coisas, agora não mais a seu favor, aproveitaram a distração de com os jornalistas e saíram discretamente. Apesar da discrição, não foram capazes de fugir ao olhar de Kwang-jo, sempre atento, que parecia se divertir com aquela situação. 

A noite foi passando, e a vontade de se aproximar para falar com ela só aumentava, mas como estava sempre cercada pelos outros convidados e a imprensa, nunca surgia uma oportunidade então, lhe restava apenas se contentar em observar sua amada, recebendo o merecido fruto de todo aquele tempo de trabalho. Estava tão distraído e hipnotizado com a beleza e alegria de , que nem percebeu o mordomo se aproximando.

— O que você está esperando?
— Nada, só estou admirando.
— Isso eu já sei e confesso que, já está me deixando entediado. — disse Kwang-jo, com uma cutucada.
— O que você quer que eu faça?
— Que se mexa rapaz. Comece indo até o buffet. — disse ele, impaciente e se afastou indo na direção de .
entendeu a dica e obedeceu. 
— Com licença, me desculpem a intromissão, será que podem me emprestar a nossa jovem anfitriã, por um momento? Obrigado. — antes que qualquer um pudesse dizer alguma coisa, Kwang-jo lhe deu o braço gentilmente e se afastou de todos com ela.
— Obrigada. Já estou com o maxilar doendo de tanto sorrir e quase sem voz, de tanto responder as mesmas perguntas. — confessou , exausta.
— Imaginei e por isso, creio que deva fazer uma pequena pausa e ir ao buffet, precisa comer alguma coisa e molhar a garganta.
— Agora que você falou, bateu uma fominha mesmo. Você vem comigo?
— Não, preciso verificar uma coisa na cozinha. — Kwang-jo se virou.
— Ei, você não está aqui para trabalhar.
— Eu sei, mas esse trabalho está longe de acabar. — rapidamente ele se afastou.
se dirigiu ao buffet e começou a rodear a mesa, enquanto colocava alguns petiscos no prato. Quando esticou a mão para pegar um enroladinho, sentiu o toque familiar de outra mão e levantou os olhos no mesmo instante, confirmando quem era.
— Eu estava mesmo te procurando.
— Me procurando? — um pouco retraída.
— Na verdade, estava esperando por uma oportunidade de falar com você, sem tanta gente em volta.
— Acho que o buffet, deva ser o lugar certo então. — disse , entendendo o plano de Kwang-jo.
— É... — sorriu. — Bom, eu quero lhe dar os parabéns, você fez um trabalho e tanto.
— Obrigada, mas eu tive muita ajuda e com certeza não teria conseguido sozinha.
— Sim, mas a ideia foi sua e se não tivesse se empenhado tanto, esse evento e o projeto do perfume, não teriam todo esse sucesso agora. Você está feliz, não está?
— É claro que estou. — disse ela, mas seu tom não foi muito convincente. queria dizer o que realmente estava sentindo, mas seu orgulho jamais permitiria.
— Isso me deixa muito feliz também. Saber que você está bem e que tudo está dando certo pra você.
— Você também parece estar bem. Eu não tenho tido tempo de ir ao jardim nos últimos dias, como está o seu projeto?
— Falta pouco agora, só alguns detalhes e poderei finalizar o trabalho.
— Ah... — suspirou ela, meio desanimada. — Eu não vejo a hora de ver tudo pronto.
— Tenho certeza que você terá o maior prazer em me pagar, pelo excelente trabalho que realizei. — disse bastante confiante, tentando descontrair.
— Se eu fosse você, não contaria vitória antes da hora. Convencido. — ela sorriu, mais à vontade com a brincadeira e sendo correspondida, sentiu o seu coração se aquecer um pouco mais. Mas o momento olhos nos olhos foi breve, pois, uma socialite se aproximou com um fotógrafo, pedindo que posassem juntas para uma foto que seria capa de uma revista de moda e beleza.

Enquanto, lhes dava atenção, se afastou e desapareceu no salão. Quando ela finalmente ficou livre de novo, procurou por todo o lugar sem sucesso, então fora falar com Kwang-jo que, estava distraído observando Eun-ji discretamente.

— Kwang-jo, você por acaso viu ? Estávamos conversando e de repente ele sumiu.
— Não, não vi. Se ao menos ele fosse tão bonito quanto ela, eu certamente teria reparado. — disse ele, se referindo a secretária e se virou para onde ele estava olhando, entendendo do que se tratava o comentário. — Se tivesse prestado um pouco mais atenção nele, não o teria perdido, pela segunda vez.
— Não entendi. — disse ela, completamente confusa.
— Da primeira vez, a justificativa foi a falta de tempo, mas isso já não é mais um problema. Então, qual é o motivo que a está prendendo aqui comigo, ao invés de ir procurá-lo?
— Mas foi exatamente isso que eu vim fazer, já o procurei por todo o lugar.
— Procurou mesmo? — Kwang-jo olhou para ela, com um ar duvidoso e incrédulo, então voltou sua atenção para a dama que estava a admirar.

não disse mais nada, se afastou e continuou a procurar, mas como não conseguia encontrá-lo, pediu ao cerimonialista que tomasse conta de tudo e desceu ao saguão do hotel. Perguntou na recepção se tinham visto um homem conforme ela o descrevera e uma das recepcionistas identificou e disse que um rapaz de aparência semelhante a informada, havia passado por ali a poucos minutos. Ela agradeceu e correu para fora, olhando para todos os lados, procurando por ele. 

Os paparazzi correram até , assim que a avistaram e começaram a disparar seus flashes, a deixando desnorteada. Ela pensou ter visto ele do outro lado da rua e mesmo sem enxergar direito, correu naquela direção. Houve uma freada repentina e o estrondo de uma batida, todos que estavam na porta do hotel e as recepcionistas correram para ver o que tinha acontecido. Ouviram gritos pedindo que chamassem uma ambulância, enquanto no quarteirão seguinte o jardineiro observava toda aquela movimentação, então resolveu ir até lá também. O desespero e a agonia, tomaram conta dele ao ver estirada no chão desacordada. Tentaram segurá-lo para que ele não mexesse nela e com isso, piorasse a sua situação. Além dela, haviam mais dois feridos, a motorista do carro em que batera e o motorista de vinha logo atrás e que também não conseguira frear o veículo a tempo. Logo a notícia chegou ao salão e Kwang-jo desceu rapidamente, acompanhado da Hyewon e Subin, enquanto Eun-ji tentava acalmar os convidados que ainda estavam presentes no evento. Quando chegaram na entrada do hotel, já haviam duas ambulâncias posicionadas, uma atendendo aos dois motoristas enquanto os paramédicos da outra imobilizaram e a colocavam na maca para transportá-la ao veículo. ficou ao lado dela o tempo todo e quando Kwang-jo o viu, foi até ele com as duas colegas de trabalho ao lado.

— O que foi que aconteceu? — perguntou ele, com um tom de voz meio alterado, devido ao susto.
— Eu não sei, foi tudo tão rápido. Eu só ouvi um barulho horrível e quando cheguei, ela já estava no chão. — o rapaz estava super nervoso, mal conseguia pensar direito. — Eu vou junto com ela. — disse ele, ao paramédico que assentiu com a cabeça.
— Seguiremos vocês de carro, nos vemos no hospital. — Kwang-jo foi para o carro, com Hyewon em prantos, enquanto Subin tentava acalmá-la.

Eles chegaram ao hospital praticamente juntos. Levaram para a ala de emergência, enquanto eles ficaram aguardando aflitos na sala de espera. Até aquele momento, ela não tinha acordado o que a princípio, dava a entender que era algo grave. Meia hora depois, Eun-ji chegou à procura de notícias. Após o acidente, não fazia sentido alguém continuar com o evento, então só lhe restou explicar o que acontecera de fato e encerrar tudo, dispensando os convidados, uma vez que o objetivo principal fora alcançado. 



Capítulo 16

No Hospital, o grupo ficou aguardando por mais ou menos umas duas horas, Kwang-jo se afastou de todos, o que ninguém entendeu, até que uma médica veio falar com eles.

— Boa noite, vocês são da família da senhorita Nae ? — ela perguntou, segurando uma prancheta.
— Sim. — responderam em coro.
— Eu sou a médica de plantão, Dra Seung Dahae e estou cuidando do caso. Seguimos todos os procedimentos padrão de primeiros socorros em caso de atropelamento. Tiramos um raio-x completo e fizemos uma tomografia da face e do lado esquerdo do crânio, por causa de um inchaço que eu acredito ter sido causado pela queda. Ele teve algumas escoriações leves e uma pequena torção no braço direito, mas não é nada grave. Alguns dias de gesso e logo ficará bem. O que realmente nos deixou preocupados, foi a demora dela em acordar. Inicialmente, achamos que fosse devido à pancada, mas não achamos nada na tomografia, então resolvemos fazer exames de sangue e os resultados indicaram que ela está com uma anemia bem acentuada.
— O que? Como isso é possível? — Hyewon demonstrou indignação.
— Bem, a fraqueza que provavelmente ela estava sentindo a algum tempo e a imunidade baixa, prolongaram o desmaio, por isso ela não acordava. Podemos dizer que ela estava em stand by, ou seja, o corpo está aparentemente bem, mas sem a fonte de energia e nutrientes essenciais para funcionar, ela desligou por completo depois da batida. — explicou a médica.
— Mas ela já acordou? — perguntou Eun-ji, aflita.
— Ela está correndo algum risco? — Hyewon interrompeu, com lágrimas nos olhos.
— Ela acordou sim, mas voltou a dormir devido aos medicamentos. Por se tratar de anemia, não posso afirmar de imediato que não esteja correndo nenhum risco.
— Como assim? — questionou Subin.
— Vejam bem, anemia pode matar dependendo do grau em que se encontra, e pode facilitar uma enfecção a partir de um leve ferimento. O ferro é um nutriente essencial para o bom funcionamento do nosso corpo e a taxa de ferro no sangue dela, está muito baixo, mas já estamos cuidando disso. Embora ela tenha que ficar aqui em observação, recebendo o tratamento adequado pelos próximos dias, ficará bem. — Dra Seung tentando tranquilizá-los.
— Dias? — perguntou , preocupado.
— Sim, depois vamos refazer os exames e somente se estiver tudo bem, ela receberá alta e será liberada com uma prescrição médica de alguns medicamentos que deverá usar e alguns que terá que evitar, além de uma dieta rigorosa elaborada por nossos nutricionistas, especificamente para seguir em casa e no trabalho.
— Dra Seung, não consigo entender como ela pode estar anêmica. come praticamente de tudo, desde criança ela nunca deu trabalho com a alimentação. — Hyewon declarou, já que sempre cuidou desta parte.
— Existem vários fatores que podem tê-la levado a essa situação. Talvez ela não esteja se alimentando direito como imaginam, talvez esteja passando muito tempo sem comer e quando come, talvez não esteja ingerindo a quantidade necessária dos nutrientes corretos. Além da má alimentação ou falta dela, o estresse e a falta de sono, são fatores que também contribuem bastante para baixar a imunidade do nosso corpo. O que preciso que entendam, é que anemia é um problema sério que pode levar a óbito. — ela os advertiu.
— Mas a não corre esse risco, não é mesmo? — interveio, tentando descartar a ameaça.
— Felizmente não, mas acredito que foi por pouco. Pode parecer estranho, mas ela teve sorte de sofrer esse acidente.
— O que a senhorita está dizendo? — Hyewon se exaltou um pouco com o comentário.
— Por favor, fiquem calmos. O que eu quis dizer é que, geralmente pessoas jovens e muito ocupadas como a , costumam negligenciar a própria saúde, se automedicam evitando consultar profissionais e não fazem exames regulares. Se não fosse pelo acidente, não teríamos descoberto essa anemia a tempo, pois, poderia já estar em um quadro mais avançado quando começasse a sentir os sintomas, ai sim poderia virar uma leucemia e seria tarde demais.
— Entendemos o que quis dizer, Dra Seung. — Subin interveio, tentando acalmar a colega.
— Eu preciso ver outros pacientes agora. só vai acordar amanhã, então aconselho que voltem pra casa e tentem descansar um pouco.
— Os outros podem ir se quiserem, Eu não vou sair daqui. — disse .
— Fiquem à vontade e se precisarem de mim, é só chamar. Com licença.
— Obrigado. — disseram em coro, com exceção de Kwang-jo que, apenas assentiu com a cabeça e continuou calado no canto.
percebeu que havia alguma coisa errada, pois, o comportamento dele não era aquele nem de longe, então resolveu verificar o motivo.
— Você está muito quieto. Não se preocupe, ela vai ficar bem e em breve estará em casa.
— Foi tudo culpa minha.
— O que?
— Se eu tivesse a ajudado quando me pediu, nada disso teria acontecido, mas ao invés disso eu a ignorei e a deixei sozinha.
— Você não sabe o que está dizendo. Foi um acidente.
— Não, você é que não sabe de nada. Porque tinha que sair de lá? Porque não esperou pra conversarem?
— Do que você está falando afinal? — não conseguia entender aquela reação.
— Ela foi atrás de você, estava te procurando. Ela me perguntou se eu tinha te visto, mas estava tão distraído com a... não importa. Eu fui rude com ela e não lhe dei atenção. Eu deveria tê-la ajudado.
— Não seja idiota, você não ouviu o que a doutora disse? Se não fosse pelo acidente, jamais saberíamos que ela está doente, até que fosse tarde demais. Nós a perderíamos para sempre.
— Você não entende mesmo não é? Poderíamos ter perdido ela hoje. Se a batida tivesse sido mais forte. — Kwang-jo se exaltou.
— Mas não perdemos. Será que ao invés de dizer bobagens, você pode apenas agradecer. — respirou fundo e notou que as mulheres estavam olhando para eles, assustadas devido ao tom de voz de ambos que ficava cada vez mais alto. — Me desculpem. — disse ele, sem jeito.
— Eu me excedi, por favor, me perdoem. — Kwang-jo as olhou, envergonhado, principalmente porque Eun-ji estava com um semblante triste.
Nenhum deles quis voltar para casa, decidiram passar a noite no hospital e assim o fizeram. Fora uma noite longa, a base de café e aperitivos retirados das máquinas. Hyewon fez questão que todos comessem para que não ficassem anêmicos também.
— Não precisamos de mais ninguém doente. — disse ela, como quem dava uma ordem universal.

Enfim, amanheceu e a doutora, liberou a visita pouco antes da hora do almoço. já estava devidamente acomodada no quarto, com o braço direito engessado, recebendo soro e medicamento na veia. Assim que eles entraram, ela os recebeu com um largo sorriso de satisfação, por ver aqueles rostos familiares e todos corresponderam igualmente, exceto Kwang-jo, que ainda se sentia muito culpado pelo ocorrido.

— Mocinha, você nos deu um tremendo susto, sabia? — disse Hyewon, pegando sua mão. — O que foi que te deu pra você parar de comer?
— Eu estava tão concentrada naquele projeto, tão ansiosa pelo lançamento e tão preocupada por causa das tais sabotagens, que acabei me esquecendo de outras coisas, tão importantes quanto. — disse ela, lançando um leve olhar de arrependimento para .
— É, mas agora que deu tudo certo e seu sonho está concretizado, sua única preocupação a partir de hoje, deve ser sua saúde e seu bem estar. — comentou Eun-ji, com alegria e alívio.
— Farei isso sim, com certeza. Mas ainda tem uma coisa que preciso fazer em relação ao projeto.
— Por favor, a senhorita acabou de sofrer um acidente, passou uma noite inteira sedada em observação e já está pensando em trabalho? — Subin se fez a voz da razão, visto que Kwang-jo permanecia quieto, só observando.
— Ela tem razão. Você terá muito tempo para isso depois que se recuperar, então se concentre apenas em ficar boa logo, para poder voltar pra casa, está bem? — concluiu, mostrando seu cuidado, sem desrespeitar a vontade dela.
— Tudo bem, eu acho que posso fazer isso. — ela disse, dando um sorriso travesso, mas mesmo com o clima descontraído, ela percebeu algo estranho no ar. — Eu agradeço muito por estarem aqui comigo e peço que me perdoem por preocupá-los tanto.
— Ora, deixe disso. Somos seus amigos acima de tudo. — Eun-ji disse, um tanto emocionada.
— Na verdade, são muito mais que isso pra mim, e eu não sei o que faria sem vocês na minha vida. — se comoveu, deixando todos no mesmo estado, mas era um clima gostoso, familiar.

Uma enfermeira entrou no quarto e pediu gentilmente, que se retirassem, pois, ela precisava comer e descansar. Mas antes que saíssem, pediu que ficasse mais dois minutos a sós com Kwang-jo. Mesmo um pouco relutante, a enfermeira permitiu e então, todos saíram do quarto, os deixando sozinhos.

— Ei, você não me parece bem.
— Passei a noite inteira em claro, o que queria? — as palavras saíam como farpas, mas o tom de voz dele não era grosseiro e nem ríspido.
— Não justifica. Pelo que sei, todos passaram a noite aqui, mas ninguém estava com essa cara de quem comeu e não gostou.
— Você não deveria estar aqui.
— E você acha que poderia, de alguma forma ter impedido isso? Talvez ter colocado uma capa e parado o carro com sua super força, ou simplesmente ter me tirado voando de lá?
—  Pare de dizer besteiras.
— Aconteceu o que tinha que acontecer e ficar se culpando por isso, não vai me ajudar a melhorar. Eu preciso de você, por favor.
— Eu prometi, à sua mãe em seu leito de morte, que cuidaria de você. Quando te vi naquela maca, desacordada, estática. Senti que tinha falhado com ela, que ela havia depositado sua confiança na pessoa errada.
— Para uma das pessoas mais sensatas que conheço, você pensa muita besteira, sabia? — ela acabou lhe arrancando um sorriso, com o comentário.
— E eu que achei que, com a pancada na cabeça você finalmente se tornaria uma pessoa mais madura. Pelo que vejo, me enganei. — ele retrucou, se sentindo um pouco mais aliviado.
— Eu tenho plena convicção de que, onde quer que a senhora Nae Yujin esteja, ela com certeza aprova todos os seus esforços, assim como eu.

Kwang-jo sorriu e a reverenciou, saindo logo em seguida. A enfermeira já estava voltando para o quarto, com a bandeja do almoço, suco natural e alguns remédios e teve a ajuda dele, que gentilmente segurou a porta, para que passasse. Ao chegar na sala de espera, foi perceptível a todos que, o velho mordomo estava de volta e agora mais confiante.

— Acho melhor irmos almoçar uma comida decente, afinal uma pessoa doente já é mais do que suficiente aqui. — disse ele, seguindo em direção a entrada.
— Ele voltou. — Subin sorriu, referindo-se ao ar de superioridade do colega.
— Já estava na hora. — concluiu Hyewon, levantando-se imediatamente da poltrona e o seguindo porta a fora.

Caminharam rumo à um restaurante que havia próximo do hospital. A comida nem se comparava a que ela fazia, segundo sua opinião, mas mesmo assim, eles fizeram uma boa refeição. 



Capítulo 17

Todos queriam voltar para o hospital, mas Kwang-jo não permitiu, dizendo que deveriam voltar à rotina, pois, ali nenhum deles seria de grande ajuda, que logo estaria de volta em casa e tudo deveria estar em perfeita ordem, inclusive a empresa e o jardim. Embora fosse domingo, com certa relutância todos concordaram, então Subin fora visitar o namorado e a família dele. Eun-ji foi para casa descansar e revisar algumas ordens de , para que o trabalho na empresa não parasse em sua ausência. Hyewon voltou para casa e ajeitou tudo com carinho, ela também ficou incumbida de levar algumas mudas de roupa e pertences pessoais para sua patroa e também para Kwang-jo que, se negou a sair do hospital até que tivesse alta. , mais contrariado que qualquer um dos outros, resolveu visitar seus pais e lhes contou o que havia ocorrido.

Durante os dias que ficou internada, o mordomo só ia para casa tomar banho e retornava imediatamente, os outros se revezavam para visitá-la no horário apropriado. a visitava todos os dias, mas como nunca ficavam sozinhos, não conseguiam conversar sobre seu relacionamento. Ela nem imaginava como tinham pessoas à sua volta que realmente gostavam dela e se importavam com o seu bem estar. Além das visitas costumeiras de Hyewon, que chegou a levar os netos uma vez, Subin também apareceu com o namorado e aproveitou para comunicar que ficariam noivos, tão logo a patroa melhorasse. Alguns funcionários mais chegados do trabalho, que a admiravam muito também apareceram, além de alguns colegas antigos da escola e vizinhos mais próximos. Na empresa, Eun-ji seguia à risca as instruções de . Mandara fiscalizar a produção do perfume para que não houvesse mais erros na fabricação e finalmente, o Love Garden foi para as lojas fazendo muito sucesso, alavancando as vendas três vezes mais do que o período anterior e obtendo mais lucro que o setor de maquiagem e beleza. As sócias estavam furiosas e reclamavam o tempo todo, ás vezes tirando Eun-ji do sério, mas ela sempre dizia a mesma coisa para elas:

— As senhoras devem aguardar o retorno da senhorita Nae, para tirarem qualquer dúvida ou esclarecer qualquer questão iminente, pois, não estou autorizada a lhes passar informação alguma referente ao projeto Love Garden.
Em resumo, ela não via a hora de voltar, para que aquelas mulheres fossem colocadas em seu devido lugar. 

Os dias passaram rápido, como se houvesse uma certa urgência do tempo, por algum acontecimento, e ao décimo segundo dia de internação, a doutora já tinha os resultados dos novos exames que fizera, confirmando sua melhora quanto a baixa incidência de ferro no sangue e seu sistema imunológico estava mais forte, ou seja, ela já não corria mais nenhum risco, então receberia alta e poderia continuar seu tratamento em casa, voltando a rotina desde que fosse com o devido cuidado. Todos estavam preparados para a volta de e a aguardavam em casa. Quando ela chegou, acompanhada de Kwang-jo, teve uma grande surpresa ao abrir a porta e ver uma pequena recepção dos amigos mais íntimos a aplaudindo, com uma faixa suspensa escrito: “Bem vinda ao lar Nae ”. Mais uma vez, ela ficou super emocionada com tanta demonstração de carinho daquelas pessoas tão queridas. A mesa de jantar estava repleta de guloseimas e Hyewon, fizera questão de ressaltar que todos os pratos estavam nutricionalmente corretos, como Dra Seung havia recomendado. estava morrendo de saudades do tempero dela e provou e aprovou tudo o que fora feito. 

Foi um momento muito alegre com todas aquelas pessoas queridas à sua volta, mas não podia deixar de sentir ainda mais felicidade, pelo fato de estar ali também. Mesmo não estando juntos, a chama do amor nos olhos de ambos, toda vez que ficavam frente à frente, era perceptível e admirável a qualquer um.
Depois de algum tempo, o clima totalmente descontraído, aproveitou a distração de todos e discretamente fez sinal para que o seguisse até a cozinha.

— Oi. — disse ela, meio sem jeito.
— Oi.
— Está tudo bem? — perguntou, se aproximando.
— Sim, eu só queria roubar a sua atenção um pouco.
— Então, você conseguiu. — ela sorriu e seus olhos brilhavam. — E o que pretende fazer agora?
— Uma coisa que imaginei como seria, várias vezes durante todos esses dias.
— Nossa, fiquei curiosa agora.
— Tenho uma surpresa pra você, me permite? — ele disse, mostrando um lenço com a clara intenção de lhe vendar os olhos.
— Tudo bem. — sem titubear, permitiu que ele amarrasse o lenço em sua cabeça, cobrindo completamente sua visão e então, pegou sua mão para que pudesse guiá-la.

Ela deu alguns passos, mas não conseguira identificar a direção para onde estava indo, até que em certo momento parou. Posicionado ao seu lado, desamarrou o lenço lentamente, depois orientou que ela abrisse os olhos. O coração de , quase deu um salto de tanta alegria. Era fim de tarde e os últimos raios de sol iluminavam as flores e ressaltavam suas cores vibrantes, ao longo do novo jardim. Ela ficara perplexa ao se deparar com tamanha beleza e não podendo conter sua emoção, começou a chorar. Havia uma fonte junto à parede que ficava entre duas grades de madeira carregadas de mini roseiras, e a escultura de uma dama, segurando um jarro do qual a água caía cristalina. No centro, havia uma mesa com tampo de vidro e cadeiras de ferro fundido, pintadas de preto. No canto esquerdo, na direção do corredor, havia um carrinho de mão de madeira rústica, repleto de flores do campo e algumas samambaias suspensas em varais, cujas folhas se arrastavam feito grandes tranças para fora do vaso. caminhava por todo o jardim, reparando em cada detalhe, sem ter palavras para descrever o que estava sentindo. Havia um novo caminho feito de pedras claras e tijolinhos serviam de beirais para cercar as flores que circundavam um belíssimo exemplar de glicínia, localizados no canto direito do jardim. Era um trabalho magnífico, pois, o jardineiro não se utilizou apenas dos conhecimentos técnicos que possui, mas principalmente do amor que sentia por ela. Como percebeu que, ela não dissera uma só palavra desde que chegou lá, resolveu quebrar o silêncio.

— Assumo que saí um pouco do projeto inicial, mas assim que finalizei, pude ver que ficou bem melhor e ao julgar pela sua expressão, acredito que fiz a escolha certa, não é?
— Eu não disse nada até agora, porque não encontro palavras. — ela disse, se virando para ele. — Sinto como se minha mãe estivesse aqui. Por um minuto, eu achei até que tinha ouvido a voz dela, me mandando ir lavar as mãos sujas de terra.
— Você sente muito a falta dela, não é?
— Sim. Este sempre foi o nosso lugar, onde passamos nossos melhores momentos. Eu ficava brincando com as ferramentas dela, enquanto ela trabalhava na terra plantando seus lírios. Ver esse lugar assim, é como se ela nunca tivesse partido e isso, não tem riqueza no mundo que pague.
— Eu preciso te dizer uma coisa e já faz um bom tempo. — ele disse, se aproximando um pouco mais.
— Se é sobre o nosso acordo, não se preocupe. Eu jamais deixaria de te pagar, por algo tão perfeito.
— Não. Isso não tem nada a ver com o acordo e nem com o jardim. Com tudo o que aconteceu, eu acabei adiando com medo de talvez estar te pressionando, mas agora eu não vejo por que não dizer, não consigo mais guardar isso dentro de mim. Naquele dia em que discutimos, eu fiquei perdido, disse coisas que não queria ter dito e senti que tinha perdido o chão.
— Eu também me senti assim, mas no fundo sabia que a culpa era minha e me arrependo por isso.
— Eu também tive minha parcela de culpa, vi você carregando todo aquele fardo sozinha e ao invés de te apoiar e ficar do seu lado, banquei o egoísta. Por isso, preciso pedir que me perdoe.
— É claro, mas só se você também puder me perdoar. Eu realmente achei que pudesse fazer tudo sozinha, que era minha responsabilidade e acabei dando mais atenção ao meu projeto do que para as pessoas que estavam ao meu lado, se preocupando comigo. Dei um mergulho tão profundo em minhas obrigações que adoeci sem perceber e com isso, só consegui dar mais preocupação a todos vocês. Pode me perdoar?
— Eu seria um tolo, se não a entendesse e perdoasse. Demorei um tempo para compreender o que Kwang-jo me disse aquela noite. Mas quando te vi no chão depois do acidente, eu senti a pior sensação do mundo, pensar que poderia te perder, fez com que aquelas palavras fizessem sentido. A distância só conseguiu fortalecer o que eu já sentia por você e eu não vejo propósito em viver uma vida na qual você não esteja ao meu lado. — disse ele, olhando fixamente para ela e pegando suas mãos.
— Pensar em todo o tempo que ficamos separados, eu não consigo entender como consegui suportar. Quando te vi no lançamento, minha vontade foi de sair correndo, pra te abraçar e não deixar que você se afastasse de novo. Ali eu tive certeza, que não poderia viver longe de você, mas o orgulho ainda me impedia de admitir isso.
— Acho que eu também. — disse ele, em meio as lágrimas. — Você me daria a felicidade de voltar a ser minha namorada?
— Eu nunca deixei de ser, e pretendo continuar sendo pelo resto da minha vida. — ela disse, emocionada. 

Ambos sorriram, então a segurou firme porém com delicadeza e eles se beijaram com constância e sincronismo. Depois de alguns segundos, interromperam o beijo, para dizer juntos: “Eu te amo”. E voltaram a se beijar.
Lá dentro, as mulheres conversavam incansavelmente e Kwang-jo sorria e dava alguns palpites, agora um pouco mais relaxado com a presença de Eun-ji. Quando finalmente, perceberam a ausência do casal, Hyewon disse:

— Eles estavam aqui nesse instante.
— Ficamos tão distraídos, que nem percebemos que saíram. — comentou Eun-ji.
— Eles devem estar por aí mesmo, talvez tenham ido ao banheiro. — especulou Subin.
— Não se preocupem. — disse Kwang-jo, tranquilo e seguro de suas palavras. — Eles estão no jardim.
— Verdade, o jardim. Como não pensamos nisso. — retrucou Subin.
— Desde que ele terminou a reforma, não teve a oportunidade de ver como ficou o trabalho. Se tudo estiver saindo como eu imagino, eles devem estar reatando neste exato momento. — afirmou ele, como se o assunto fosse algo corriqueiro.
— Como você é insensível. Uma coisa tão importante como essa e você fala assim, como se não fosse nada. — Hyewon contestou.
— Não sou insensível, apenas vejo a situação com naturalidade. — disse ele, se justificando.
— Não podemos perder isso, vamos. — disse Subin, empolgada correndo até a janela da cozinha. Todos a seguiram, mas antes que Eun-ji saísse da sala, Kwang-jo a chamou.
— Eun-ji? — disse ele, sério.
— Sim. Precisa de alguma coisa? — ela se demonstrou prestativa, como sempre fazia.
— Preciso. Na verdade, é algo que preciso dizer. — da forma que ele disse, parecia alguma coisa grave.
— Você está me assustando, deve ser algo muito sério. — ela já começava a ficar aflita.
— E é. Eu deveria ter dito isso antes, mas meu medo me tornou um homem covarde e me mantive em silêncio todo esse tempo. Mas agora finalmente, tomei coragem. Depois de perceber o quanto somos frágeis e bobos, desperdiçando nossas vidas com besteiras e deixando de aproveitar as melhores oportunidades que nos são dadas.

Enquanto, o mordomo falava com a secretária, os outros chegaram na janela a tempo de presenciarem o beijo apaixonado entre e , ao que fizeram um tremendo alvoroço, aplaudindo e os deixando completamente constrangidos. Com tudo, o casal sorria ao receber os cumprimentos e ao notar a ausência de Eun-ji e de Kwang-jo, chamou a todos para dentro. Como ela estava na frente e viu ambos primeiro, pediu a todos com um sinal, que fizessem silêncio e ficaram ali, espiando da sala de jantar.

— Eu não estou entendendo o que você quer dizer. — disse a secretária, completamente confusa.
— Eu decidi que, a partir de agora aconteça o que acontecer, não vou mais esconder meus sentimentos. Eun-ji, eu gosto muito de você. — ele foi direto ao ponto.
— Isso é bom, porque eu também gosto muito de você. Por isso, somos amigos não é? — ela claramente, não havia entendido.
— Não. Quero dizer sim, mas não. — disse ele, se aproximando e segurando em seus braços gentilmente, fazendo com que seus olhos ficassem fixos um no outro. — Eu disse que gosto muito de você, mas não só como amigo, você me entende? — ele passou o braço pelos ombros dela, se aproximando ainda mais e de surpresa lhe beijou.

Nunca em toda a sua vida, Kwang-jo havia sido tão ousado, causando espanto em Eun-ji e também na plateia que assistia escondida. Quando finalmente a soltou, ele esperava alguma reação, mas a moça permaneceu estática olhando para ele. Sem conseguir conter um pouco mais a emoção, Hyewon enfim, saíra do esconderijo seguida pelos demais. Estavam todos muito entusiasmados e felizes pelo novo casal, principalmente por ver que Kwang-jo, apesar de toda aquela carapaça de durão e não ser do tipo que dá o braço a torcer, conseguiu finalmente confessar seus sentimentos. Com o susto, Eun-ji voltou ao normal e logo, seu rosto foi corando de tanta vergonha.

— A palavra “privacidade” significa alguma coisa pra vocês? — o mordomo reclamou. — Preciso me retirar, com licença. — ele saíra ainda mais constrangido.
— Kwang-jo? — chamou, sem sucesso.
— O que deu nele? — perguntou Subin, sem entender o mau humor do colega.
— Ele só está envergonhado. Deve ter sido muito difícil pra ele, se expor dessa maneira. — compreendia bem a situação.
— Você tem razão. Ele não é dessas coisas. — concordou Hyewon, e vendo que a secretária permanecia quieta, se aproximou dela. — Você está bem?
— Sim. — ela respondeu, sem convencer muito. Então, resolveu chamá-la para um canto, para que conversassem mais reservadamente.
— Tem certeza que está tudo bem? Está meio pálida. — reparou .
— Sim, eu estou bem. Só um pouco confusa. Não estava esperando que ele fizesse isso. — confessou Eun-ji, cabisbaixa e ainda muito envergonhada.
— Mas você não gostou da surpresa?
— Não é isso. É que eu não consegui dizer nada e agora estou com medo que, ele pense algo errado e tire conclusões precipitadas a meu respeito.
— Você tem razão. Não devíamos ter interrompido desse jeito. Mas tenho uma dúvida, no outro dia eu perguntei a você, de quem gostava mas não me respondeu, então poderia dizer agora? — ela perguntou, com o único intuito de ajudar.
— Naquele momento, eu tive receio de dizer, mas era justamente de Kwang-jo que eu estava falando.
— Isso é sério?
— Sim.
— Na verdade, eu perguntei porque sabia que ele gostava de você, mas não sabia o que fazer. Então, eu precisava ter certeza de que você estava livre, para saber se ele tinha alguma chance.
— Entendo. Juro que nunca imaginei que ele também gostasse de mim, porque sempre foi tão sério comigo, super reservado e discreto. Jamais sonhei que ele fosse capaz de se declarar como fez.
— É, fomos todos pegos de surpresa na verdade, mas e agora, o que você pretende fazer?
— Eu não sei.
— Não acha que seria melhor, dizer a ele o que sente também? Assim vocês poderiam se entender de uma vez. — completou .
— Sim. Você tem toda razão. Eu vou falar com ele. — Eun-ji recebeu um abraço caloroso de e um sorriso que, lhe deram coragem para fazer o que precisava.
 Então, ela foi em direção a cozinha, enquanto todos ficaram o mais quietos que podiam na sala, pois, não queriam estragar o clima de novo. Quando chegou à porta, respirou fundo ao vê-lo sentado na cadeira próximo a janela, perdido em seus pensamentos, olhando para fora. Então, ela se aproximou e o chamou:
— Kwang-jo?
— Oh, me desculpe. Não a vi entrar.
— Tudo bem, não tem problema. Será que podemos conversar por um minuto?
— Claro. Sobre o que aconteceu, eu preciso que saiba que...
— Espere. — ela o interrompeu. — Por favor, me deixe falar primeiro antes que eu perca a coragem, ok? — ele assentiu e ela continuou. — Bem, essa situação toda é nova pra mim, acredite. Admito que me assustei um pouco com o que você disse. — ao ouvir isso, ele esboçou uma certa frustração. — Mas, por favor, não se sinta mal. Eu fiquei tão surpresa que não tive tempo de dizer o quanto foi especial pra mim e aquele beijo, nossa, eu já tinha imaginado acontecendo em tantos outros momentos. O que eu quero dizer na verdade, é que eu também gosto muito de você e só não disse antes, por acreditar que nunca seria correspondida. Você consegue entender, não é?
— Sim, é claro. Eu também tive muito medo de me apaixonar de novo e acabar perdendo a pessoa amada, por isso, resisti o quanto pude. — ele continuava sério e um pouco retraído.
— Sobre aquilo que você disse, de não se esconder mais, eu achei super corajoso da sua parte e por isso, vim falar com você. — ela se sentiu um pouco mais à vontade, então tomou a liberdade de sentar na cadeira ao lado dele e continuou. — Eu sempre o admirei. Sua integridade, lealdade e cuidado com a , como um irmão mais velho, sempre me fizeram imaginar, como seria tê-lo como namorado, ou até mesmo marido. Eu soube através da Hyewon, o que aconteceu com sua falecida esposa e pensei, que sorte ela teve em ter um homem como você, ao lado dela. Mesmo que tenha sido por um breve tempo.
— Eu é que tive sorte por fazer parte da vida dela, naqueles curtos dois anos e meio. E conhecendo o grande coração que ela tinha, tenho certeza que gostaria de me ver feliz e aberto ao amor de novo.
— Eu não quero ser atrevida, mas gostaria de saber se eu posso ser a mulher, com quem você vai dividir sua felicidade e amor, pelos próximos anos? — Eun-ji perguntou, meio sem jeito enquanto, esfregava suas mãos sobre o colo.
— Eu não consigo imaginar ninguém melhor. — ele se aproximou, pegando suas mãos e completou. — Na verdade, será uma honra receber o amor de alguém tão especial como você, e prometo que vou me esforçar ao máximo para fazê-la a mulher mais feliz do mundo. — aquelas palavras sinceras, aqueceram o coração de Eun-ji, eliminando de vez qualquer dúvida ou medo que restasse.
— Quanto a isso, você já está fazendo. — dessa vez, fora ela quem tomou a iniciativa, pegando em sua face o aproximou lhe dando um beijo bem caloroso. Ele não estava esperando, mas retribuiu de muito boa vontade. Então, se afastaram um pouco olhando-se fixamente nos olhos e sorriram um para o outro e voltaram para a sala de mãos dadas.

A reunião na sala corria bem, na expectativa geral de que Kwang-jo e Eun-ji, voltassem como um casal. Assim que os viram entrar pela porta, a cozinheira não conteve sua ansiedade e perguntou se estava tudo bem. Nenhum dos dois disse nada, apenas deixaram evidente as mãos dadas, trocaram olhares apaixonados e sorriram um para o outro, como se aquele gesto fosse a resposta. E realmente, não precisou de mais nada, pois, todos os presentes entenderam o recado e começaram a parabenizá-los. Então, comandados por Kwang-jo, todos se serviram de uma taça de vinho e se posicionaram para um brinde em comemoração.

— Um brinde à recuperação de . À sua reconciliação com . Ao noivado de Subin. À família de Hyewon. E por último, mas não menos importante, um brinde a essa mulher maravilhosa, que eu pretendo manter ao meu lado, pelo resto da minha vida. Tim, tim.

Todos brindaram e a comemoração seguiu noite a dentro, num clima de alegria e descontração.



Capítulo 18

Embora estivesse bem, resolveu ficar ainda aquela semana em casa, mantendo o controle de tudo através de Eun-ji e se preparando psicologicamente, para o que iria enfrentar quando voltasse. Porém, agora ela estava mais tranquila, mais forte e ainda contava com o apoio incondicional de , que não saiu do seu lado, por todos aqueles dias.

Na segunda-feira da semana seguinte, apareceu na empresa, com advogados que a assessoravam e solicitou uma reunião em caráter de urgência, com as sócias.

— Nós entendemos que você acabou de se recuperar de um acidente, mas isso não quer dizer que nosso trabalho parou, enquanto não estava aqui. — reclamou Naeun.
— Isso é uma falta de respeito muito grande conosco. Sua mãe ficaria envergonhada. — Sodam atacou.
— É melhor limpar a boca, antes de falar da minha mãe. Se fosse pra sentir vergonha de alguma coisa, com certeza ela sentiria de ter trabalhado com duas pessoas tão baixas como vocês duas.
— Com se atreve a falar conosco assim? Quem você pensa que é? — replicou Sodam, ofendida.
— Com certeza, alguém com mais caráter do que você. — respondeu , com autoridade, na mesma hora, Eun-ji entrou na sala com uma pasta cheia de papéis nas mãos.
— Com licença, senhorita . Aqui estão as cópias dos relatórios que me pediu. — disse, entregando a ela. — Devo pedir que os advogados entrem?
— Sim, por favor. — disse olhando fixamente para as sócias, e Eun-ji assentindo foi logo chamá-los.
— Advogados? O que você pretende? — Naeun questionou, receosa.
— Quero que conheçam meus advogados. — se levantou, assim que os dois homens de terno entraram na sala e os apresentou. — Dr. Yang e Dr. Sang estas são as senhoras Baek Sodam e Min Naeun, minhas sócias e detentoras de 40% das ações da Sensation.
— Muito prazer, senhoras. — disseram ambos.
— Infelizmente, não podemos dizer o mesmo, mas afinal o que estão fazendo aqui? — Sodam não gostou nada daquela surpresa.
— Muito bem, então vamos ao que interessa. — disse Dr. Sang, enquanto retirava alguns papéis de sua maleta. — Como as senhoras puderam ver, eu e meu colega estamos aqui representando legalmente a senhorita Nae , com a finalidade de entrar em acordo com ambas, a respeito das ações da empresa e um possível processo criminal, que tentaremos evitar é claro.
— Processo criminal, do que vocês estão falando? — Naeun não conseguia entender do que se tratava, mas preferiu não demonstrar mais hostilidade.
— O que eu disse no lançamento do Love Garden, foi bem sério. Os responsáveis pela sabotagem dos dois perfumes, iriam pagar. — respondeu.
— Mas nós não temos nada a ver com isso. — Sodam se defendeu.
— Não mesmo, senhora Sodam? É no mínimo estranho, ter fotos de vocês duas no laboratório mexendo logo nos arquivos e tubos de ensaio das amostras do perfume, que pertenciam ao meu projeto. — ela rebateu, tranquilamente.
— Grande coisa, só estávamos fazendo o que sempre fizemos. Inspecionando o laboratório e o trabalho que estava sendo feito. É um dever e também um direito nosso. — Naeun tentou justificar.
— Acontece senhoras, que este direito não se estendia ao projeto em questão. — informou Dr. Yang. — As senhoras abriram mão de qualquer direito ou obrigação, sobre tudo o que dissesse respeito à ele, quando assinaram este contrato. — disse ele, lhes passando uma cópia do documento. — O que significa dizer que, se tivessem qualquer tipo de contato com o produto ou arquivos relacionados ao mesmo, isso implicaria em quebra de contrato, cabendo assim um processo criminal, o que é o caso.
— Demorou um pouco, mas conseguimos as gravações da época em que o primeiro perfume foi produzido, também temos os arquivos e amostras de antes e depois, das senhoras serem vistas no local. — revelou Dr. Sang, e ao ouvir isso, as sócias ficaram com um nó na garganta.
— O que eu achei mais interessante, foi vocês fazerem tudo exatamente igual a primeira vez. Estavam tão seguras de si, que não se preocuparam em mudar nenhum detalhe do plano. Esperaram o laboratório ficar vazio, depois da última inspeção do órgão responsável, daí entraram e alteraram no sistema, um único número da quantidade de um ingrediente específico da composição do perfume e esperaram friamente, pelo espetáculo que teriam vendo o lançamento se tornar um completo fracasso. Tiveram sucesso com minha mãe, mas não comigo. — sem titubear e de cabeça erguida.
— Isso é uma calúnia, um verdadeiro embuste. Você está dizendo tudo isso, que tem provas provavelmente forjadas para nos incriminar. Nós é que deveríamos processá-la por injúria e difamação. — Sodam tentou bancar a inocente.
— Eu não seria burra de vir aqui na frente de vocês duas, com advogados apenas para criar intriga, isso é coisa de criança, estou certa? — foi firme, com um ar intimidador.
— Qual é o intuito por trás dessas acusações, senhorita Nae? — perguntou Naeun, sensatamente.
— Evitar um escândalo que possa manchar a reputação da Sensation e colocar em dúvida, a qualidade de nossos produtos. — respondeu ela, visando os interesses da empresa.
— Senhoras, o objetivo dessa reunião é chegarmos a um acordo. — disse Dr. Yang, retirando dois envelopes de sua maleta e os entregando as sócias. — As provas que reunimos contra as senhoras, são incontestáveis e caso ainda seja pouco, temos algumas testemunhas também. Resumindo, estamos lhes apresentando duas alternativas: a primeira é a que recomendamos, onde todos sairão ganhando.
— E a segunda? — Naeun questionou, meio irritada.
— A segunda não é tão favorável, principalmente para as senhoras, mas a senhorita ainda ficará em vantagem. — esclareceu Dr. Sang.
— Falando mais claramente, vocês podem vender suas ações pra mim por um preço abaixo do mercado e sair da empresa, levando sua submarca e os produtos englobados por ela, sem a ficha suja pelo delito que cometeram. Ou se preferirem o caminho mais difícil, estarei no meu direito de entrar com um processo por danos morais e patrimoniais, sabotagem industrial e por causarem a morte da minha mãe, uma vez que a depressão que a deixou doente, foi causada pelo golpe de vocês, pela ambição em ficar com toda a empresa. Mas não se preocupem, eu compreendo que essa é uma decisão muito importante pra se tomar sob pressão, então lhes darei vinte e quatro horas para pensarem e até consultarem um advogado, caso achem necessário.
— Não será preciso. — Sodan a interrompeu. — Aceitamos o acordo.
— Mas Sodan, não podemos simplesmente deixar todos os anos de trabalho que dedicamos a essa empresa. — Naeum contestou.
— Você não vê que essa é a única saída? Não há o que pensar, se formos processadas perderemos tudo, nossos bens, nossa reputação e provavelmente até nossa liberdade. Não somos mais jovens, as portas se fechariam para nós, viveríamos do que? — ela disse, olhando para a amiga e tentando manter o autocontrole, pois, não queria demonstrar fraqueza na frente de . — Aceitamos o acordo, contanto que este assunto morra aqui nesta sala e não sejamos mencionadas em qualquer tipo de especulação, por parte da imprensa ou quem quer que seja.
— Devo entender isso como uma confissão? — perguntou , jogando verde.
— Não. Não posso confessar o que não fiz, apenas aceitarei o acordo para evitar um escândalo, pois, isso traria uma péssima repercussão para a imagem da empresa e acredite a senhorita ou não, eu me importo. — Sodam, tentou sair por cima. — Naeun também pensa assim, não é mesmo?
— É claro, então quando podemos assinar? — ela perguntou, deixando evidente que, queria sair logo dali.
— Faremos os ajustes necessários no contrato de sigilo e retornaremos ainda essa tarde, com o contrato de venda das ações e de transferência da submarca para o nome das senhoras. Depois disso, estarão todas livres de qualquer envolvimento. — esclareceu Dr. Yang mais uma vez.
— Muito bem. — Sodam se levantou, seguida de Naeun e reverenciaram os advogados, que as corresponderam. 
E voltando-se para , Naeun perguntou: 
— Só mais uma coisa. Aquelas amostras que você entregou depois, as verdadeiras, como fez?
— Eu imaginei que tentariam me sabotar, como fizeram com minha mãe, então assim que o perfume foi aprovado e recebeu o selo de qualidade, mandei que produzissem uma boa quantidade para as amostras de lançamento em segredo num outro laboratório e as mantive escondidas, usando caixas de outros produtos. Estiveram ao seu alcance o tempo todo, mas sua obsessão em me prejudicar as cegou por completo.
— Realmente, senhorita Nae, devo admitir que não tem nenhuma semelhança com sua mãe. — reconheceu Sodam
— Na verdade, eu não teria a capacidade de pensar em tudo isso, mas ela pensou. Só coube a mim, executar o plano dela.
— Como assim? — Sodam perguntou, confusa.
— Tudo o que eu fiz, o projeto e o contrato de responsabilidade e todos os termos a que foram apresentadas, foram idealizados por Nae Yujin, minha mãe. — vendo que ambas não entendiam, continuou a explicar. — Ela já sabia de tudo o que tinham feito e mesmo doente, juntou provas e criou esse plano, a fim de se vingar pela vergonha e humilhação que sofreu e para que a empresa voltasse a pertencer totalmente a nossa família. Graças ao vício do meu pai em jogos de azar, minha mãe precisou vender uma parte da empresa, a que vocês compraram por um valor ridículo, já que estávamos com muitas dívidas. Mas ela nunca desistiu do sonho de ter a empresa totalmente em nossas mãos, só não pode ver este momento, mas lutou até o fim. — as sócias ouviram a história, estáticas e então, resolveu fazer uma última pergunta. — Porque fizeram isso com minha mãe? Ela as considerava e admirava muito.
— Você jamais entenderia, criança. Acabou. — dizendo isso, Sodam e Naeun saíram juntas da sala.

agradeceu aos advogados, que também sairam imediatamente para preparar as clausulas dos contratos. Ela só queria ir pra casa, mas tinha que esperar que os advogados voltassem com os documentos necessários, para finalmente assinarem juntas os termos de sua liberdade, o que lhe trazia alívio a alma por nunca mais precisar conviver com aquelas duas mulheres horríveis. Ninguém poderia saber daquele acordo além delas e dos advogados, principalmente pelo fato de ter sido ideia de sua mãe, que ainda no leito do hospital a um dia de seu falecimento, deu a primeira missão a , para que procurasse tudo que estava relacionado ao perfume Reflection. Pois, a partir daqueles registros, seguiu todas as orientações que Yujin deixou, já prevendo a ação das ex-sócias. Pode se dizer que a parte mais difícil foi suportá-las todo aquele tempo sem poder dizer nada e se fingindo de tola, mas naquele dia, o sabor da vitória valeu muitíssimo a pena e foi feita justiça a memória de sua mãe. Agora, para todos, inclusive a imprensa, as sócias sairiam da empresa por livre e espontânea vontade, a fim de abrirem seu próprio negócio. Enquanto elas, organizavam suas coisas para irem embora, aguardava em sua sala, conversando com Eun-ji sobre o que acontecera na reunião, omitindo estes detalhes é claro.

Aquelas foram as horas mais longas de toda a sua vida, até que no finalzinho da tarde, os advogados retornaram com toda a documentação em ordem e cópias autenticadas para ambas as partes interessadas. Então, pediu Eun-ji que chamasse as sócias, para se reunirem novamente. Quando elas chegaram na sala, os documentos que deveriam ser assinados, já estavam posicionados na mesa em frente a cadeira que costumavam se sentar e os advogados, deixaram claro que se surgisse quaisquer dúvidas, estavam ali para esclarecê-las. Naeun priorizou as cláusulas que as beneficiariam. Sodan foi mais rigorosa e leu todo o conteúdo de cada documento. Elas levaram cerca de uma hora e meia para ler e assinar tudo, mas finalmente a transação fora concluída com sucesso.

— Apesar de tudo, foi bom fazer negócio com você. — Sodam lhe estendeu a mão, com cinismo.
— Desculpe não poder dizer o mesmo, não costumo mentir. — respondeu, ignorando sua mão levantada, então a ex-sócia a recolheu e com seu nariz empinado, saiu da sala.
— Acredito que com isso, estejamos quites. — disse Naeum, sem muita certeza.
— Na verdade não. O meu desejo era que vocês duas saíssem daqui sem nada e fossem direto para cadeia, mas ainda assim estariam em débito comigo, porque minha mãe morreu e não vai mais voltar.
— Então, você acha que eu e Sodan, deveríamos te agradecer por abrir mão do seu desejo?
— Não. A mim não. Eu apenas segui as orientações da minha mãe. Ela ainda teve muita compaixão, apesar de tudo o que fizeram. Se quiser agradecer, leve flores ao túmulo dela. — disse , friamente.
— Boa sorte com a sua empresa. Passar bem! — Naeum fez uma reverência e saiu da sala.

agradeceu ao advogados, mais uma vez e ambos saíram satisfeitos da sala, garantindo a ela que na primeira hora do dia seguinte, aqueles documentos seriam devidamente registrados em cartório, validando oficialmente sua posse como única dona da Sensation Perfumaria e Beleza LTda, e assim o fizeram. 
Dois dias depois, teve contato com os advogados confirmando a autenticidade da transação, e então, pode comemorar. Para demonstrar o quanto se parecia com sua mãe, resolvera dar até o fim daquela semana, para que as ex-sócias retirassem todos os produtos assinados por elas, da submarca Florença e sua linha, da empresa e também das lojas. Mesmo que ficasse com algumas prateleiras vazias, ela não estava preocupada, pois, já tinha planos para preenchê-las novamente. 

Ao findar da semana, pôde perceber um clima menos pesado na empresa, devido à saída definitiva das ex-sócias e ficou grata, por não terem causado nenhum problema enquanto o fizeram. Agora com autonomia completa, ela realizou todas as melhorias que sua mãe planejara e também, estava colocando em prática algumas ideias, como a fabricação de produtos específicos para crianças. Mas o projeto que se sobressaiu foi a criação do Kit da linha Love Garden, composto pelo perfume, um sabonete e um creme corporal, que fora um total sucesso de vendas, tanto que os valores arrecadados chegaram a cobrir três vezes o valor pago para as ex-sócias, por suas ações.

Ia tudo bem na empresa e o namoro com , melhor ainda. Enfim, ele a levou para conhecer seus pais. De início a senhora estava irredutível, mas com o tempo foi amolecendo e passou a exigir visitas regulares do casal. O senhor era mais condescendente e algumas poucas horas de conversa, foram suficientes para convencê-lo, e ele se agradou muito de . Tanto que depois de quatro meses, ele apoiou o filho em seu pedido de casamento.

— Se vocês se amam tanto, o que qualquer um pode ver claramente, não fiquem enrolando e se casem de uma vez. — disse ele, em uma das visitas do casal.

O conselho fora ouvido e seguido não só por e , mas também por Kwang-jo que, se encheu de coragem e pediu Eun-ji para trocarem alianças. O resultado foi um casamento duplo, ao completarem ambos os casais um ano de namoro. fizera questão que fosse assim, porque considerava muito a Kwang-jo e queria compartilhar com ele, aquele dia tão feliz de uma maneira muito especial. As noivas estavam deslumbrantes em seus vestidos de renda bordada com pérolas e cristais. Elas tinham passado o dia num spa, curtindo todas as regalias que uma mulher merece no dia do seu casamento. Após a cerimônia, seguiu-se uma festa maravilhosa em um clube de golfe muito prestigiado, onde revelou a surpresa que ainda guardava para o casal de amigos.  Era um presente muito especial, ela os convidara para serem seu braço direito na empresa, tornando ambos diretores e sendo os segundos, no comando depois dela. Kwang-jo, apesar de estar habituado a função que exercia com perfeição a tanto tempo na casa, resolveu pensar no futuro de sua nova família e aceitou a proposta. Já Eun-ji, não pensou duas vezes, ficando eufórica com a grande oportunidade. Para completar o presente, ambos ainda receberam uma semana de lua de mel no Japão. e , estenderam sua viagem por mais uma semana e passaram por Londres, Paris e fechando com chave de ouro, pela Grécia. Os dias que passaram lá, foram com certeza inesquecíveis, pois, o lugar tinha um clima romântico por natureza. De dia visitavam os pontos turísticos da cidade e de noite, se aconchegavam em uma praia deserta, sobre uma manta, cobertos apenas pela brisa morna que vinha do mar, observados pelas estrelas, enquanto trocavam beijos e promessas de amor eterno.

Para Sodam e Naeun, as coisas não iam muito bem. Elas começaram a se desentender alguns meses depois de saírem da empresa de , porque seus produtos não estavam vendendo tão bem quanto imaginavam, por fim entenderam que a maior renda das vendas sempre viera dos perfumes elaborados por Nae Yujin. Conforme o tempo foi passando, não conseguiram se reerguer, como o dinheiro que investiram não deu o retorno necessário e o que sobrara em suas contas estava no fim, não tiveram outra escolha a não ser decretar a falência do seu negócio e procurar emprego. Ambas voltaram ao estágio inicial de suas vidas, trabalhando como vendedoras em uma loja de cosméticos no centro da cidade.
Dois anos depois, e tiveram dois filhos. O mais velho se chamava Ji-hum e o caçula Chang Hyun e ambos completaram a felicidade do casal, podendo-se dizer que, eles se amaram até o fim dos seus dias.



FIM!!!



Nota da autora:
Olá sou a Pri unnie, estou aqui mais uma vez, espero que gostem deste novo romance. Está fic tem como base referencia a peça teatral da fic Independent Woman e faz menção a personagens da fic Islands. Espero que tenham gostado! Até a próxima história.
“Agradeço muito a Deus por mais está inspiração em forma de fic, por poder me emocionar e a todas as minhas leitoras com está pequena expressão de doçura em forma de palavras!
Louvado seja Deus! Amém."

*-* By: Pri



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