Última atualização: 01/12/2020

Capítulo 1

Quando fazemos a promessa de ficarmos juntos, independente do que aconteça, nós acreditamos que será para sempre. Por um momento achamos que estamos preparados para tudo e que nada é capaz de separar duas pessoas que se amam. Mas é possível que realmente o amor possa superar toda e qualquer adversidade? E podemos ter a certeza de que este amor é verdadeiro?

Naquela noite chovia brandamente na área urbana de Gwangju,cidade localizada na província de Gyeonggi, Coreia do Sul. , uma dona de casa dedicada, sentada a um bom tempo no sofá, conseguia contar as gotas da água caindo no telhado enquanto esperava seu amado marido, Seung , chegar do Trabalho. Como ele estava muito atrasado, preferiu dar o jantar ao filho deles, Shi-woo, de 6 anos e o colocou na cama logo em seguida, apesar dele insistir muito para esperar pelo pai com ela, dormiu rapidamente. Já passava de 1 hora da manhã e ainda nada dele, já bem cansada resolveu se recostar um pouco ali mesmo e acabou pegando no sono. Quando chegou o dia estava para clarear, ele pensou que a mulher estivesse na cama e não reparou no sofá indo direto para o quarto. havia acordado ao ouvi-lo destrancar a porta, mas se manteve imóvel para não chamar a sua atenção. Assim que o viu entrar no quarto, ela se levantou, não conseguia pensar no que poderia falar e seu coração estava cada vez mais apertado. No quarto, ficou surpreso em não encontrar a esposa na cama e foi olhar no banheiro, assim que voltou deu de cara com de frente para a porta.

— Querida, está acordada tão cedo, deveria descansar um pouco mais. — ele disse completamente sem graça.
— Onde você estava? — ela olhou bem para , mas ele não conseguiu encará-la.
— Eu tive um problema no escritório, precisei ficar até mais tarde.
— Mas já é quase de manhã.
— Eu sei, aconteceu que depois uns colegas me chamaram para beber e acabamos perdendo a hora. — tentando se justificar.
— Você deveria ter ligado avisando, eu fiquei preocupada. — seu rosto estava abatido, tinha pensado mil e uma possibilidades para o atraso.
— Não foi proposital, não tem com o que se preocupar.
— Como não? Eu sou sua esposa, tive medo que acontecesse alguma coisa ruim.
— Mas você está vendo, não me aconteceu nada. , eu estou muito cansado, preciso me deitar um pouco. — disse tirando o paletó e em seguida a gravata e a camisa as jogando de qualquer maneira na cadeira próxima a porta do banheiro.
— Shi-woo queria te esperar junto comigo, mas eu não deixei. — ela viu que as roupas caíram da cadeira e se abaixou pegando-as para levar ao cesto de roupa suja — Você disse a ele que brincariam depois do jantar, ele ficou chateado em ter que dormir sem que você tivesse chegado.
— Não é nada grave, ele é uma criança logo esquecerá. — tirou os sapatos na beira da cama.

foi até o banheiro colocar a roupa no cesto, ela ainda não tinha visto as marcas de batom na camisa, mas quando a levantou não teve como não reparar, era bem visível, então a cheirou e sentiu a fragrância de um perfume feminino desconhecido. Ela não queria acreditar no que estava pensando, sua garganta parecia se fechar e seu coração ficou agitado em meio a batidas violentas e sem ritmo. Ela voltou a porta com a camisa na mão, já tinha se deitado, mas ainda mexia no celular.

— Você pode me explicar o que é isso? — empunhando a camisa, não alterou o tom de voz nem por um momento, não era o tipo de mulher que brigava, mesmo que por algo justificável, por isso era considerada boba e ingênua pela maioria das pessoas que a conhecia.
— Devo ter deixado cair molho ou algo do tipo.
— Isso é batom, de quem é? — a voz começava a ficar embargada.
— Eu não sei, alguém deve ter esbarrado em mim.
— Mentira! — o interrompeu — Por favor, não estou pedindo nada além da verdade, me diga o que realmente aconteceu.
! — se levantou sentando novamente na beirada da cama — Eu tive uma noite difícil, será que um homem cansado não tem o direito de relaxar.
— Te deixarei em paz assim que me disser o que isso significa. — ao ouvi-la, se levantou e foi até ela, pegou a camisa de suas mãos e a esticou no alto olhando para as marcas.
— Havia uma mulher no bar, ela estava bêbada e me abraçou, deve ter me confundido com alguém. Não tive tempo de reagir, foi de repente, mas logo a tirei de cima de mim. — disse, mas em momento algum conseguiu olhá-la nos olhos, entregou a camisa a ela de novo e completou — Satisfeita agora? — não esperou resposta, deu as costas indo em direção a cama novamente.
— Você deve me achar tão burra, não é? — fez ele parar, mas continuou de costas — Eu queria acreditar no que está dizendo, mas não consigo. Como pode ser tão frio?
, o que você quer de mim? — se virou bruscamente irritado.
— Que seja sincero comigo, que não seja mau caráter e diga a verdade. — se segurando ao máximo para não fraquejar.
— Verdade? Você quer a verdade? Quer que eu diga que estava com outra mulher? Tudo bem. Eu estava com outra mulher e ela é muito bonita, não fica me cobrando o tempo todo e me deixa ser quem eu quero. E sabe de uma coisa , ela me faz sentir um homem, coisa que eu não sou a muito tempo com você. — preferiu não medir o que dizia.

Aquelas palavras foram como facadas aos ouvidos e ao coração de , nunca esperava ser tão humilhada pelo homem que prometeu amá-la por toda sua vida. Simplesmente não sabia o que fazer, o que falar, estava engasgada e as lágrimas iam escorrendo seu rosto sem nenhuma inibição. Por mais que tentasse a voz embargada não lhe permitia expressar sua indignação, perplexidade e decepção.

— Eu não queria que fosse assim, , mas você me pressiona, me sinto sufocado. Eu pensei muito e cheguei a dizer não no início, mas a cada dia as coisas se tornavam mais insuportáveis aqui em casa, então eu cedi. Sei que estou errado, eu reconheço, deveria ter conversado com você primeiro e saído de casa. — estava ficando ainda mais arrasada conforme ele ia tentando explicar — Mas quando eu vi, não pude mais evitar e acabou acontecendo, e eu fui ficando cada vez mais sem saber como lidar com você.

A situação era corrosiva e ela não pode mais ficar calada, reuniu as poucas forças e disse:

— Há quanto tempo isso está acontecendo? — com a voz trêmula.
— Um mês e alguns dias. — o ouvindo ela colocou a mão no rosto se agachando pela parede, suas pernas não tinham mais forças para sustentar tanto sofrimento. — Eu sinto muito, , não foi assim que eu imaginei que seria.
— E como você imaginou? Ahn? Talvez me levando ao parque, comprando um doce e por fim dizendo: ”Querida, não quero mais ficar com você, agora eu tenho uma amante e estou muito feliz.” Me diga, foi isso que imaginou? — disse com ironia entre o choro abafado — Você não percebe o quanto está me machucando? Eu amei você desde a primeira vez que te vi, e queria viver toda minha vida ao seu lado, nós temos um filho, você não pensou sequer nele. Como se tornou está pessoa tão egoísta e fria que quer jogar 8 anos de casamento pela janela? Você está destruindo a nossa família.
— Pare com isso, você deveria saber que as coisas não duram para sempre e as pessoas mudam, então não seja tão sentimental.
— Sentimental? Definitivamente você não se parece com o homem com quem me casei, por quem me sacrifiquei e apoiei todos esses anos.
— Está vendo, tudo o que eu escuto de você são só cobranças e quer saber o que mais, eu nunca te pedi nada. O que você pensa ter feito por mim, fez por conta própria, não precisava ter feito coisa alguma.
— Como pode falar assim? O que eu fiz foi por amor a você, a nossa família.
— Então, a partir de agora não precisa mais se sentir obrigada. Eu quero o divórcio, e não precisa se preocupar, pois continuarei arcando com minhas responsabilidades.

O choro se intensificou ainda mais e ela não entendia por que aquilo estava acontecendo. Enquanto ela estava no chão sem conseguir sair do lugar, pegou uma pequena mala e colocou algumas roupas, se vestiu novamente e caminhou até a porta dizendo:

— Assim que arrumar um lugar buscarei o resto das minhas coisas. Cuidarei de arrumar um advogado e tratarei de tudo rapidamente, não terá nenhum trabalho, apenas se cuide e de Shi-woo também. Até breve. — ele saiu sem olhar para trás.

estava inconsolável e tentava não fazer barulho para não acordar o filho. Desorientada, pensou por que não ficou quieta ao invés de pressioná-lo e em tudo que poderia ter feito para que chegassem a aquela circunstância e se culpou pelo término de seu casamento. Quanto mais tentava segurar o choro, mais vinha a sensação de fracasso lhe remoendo as entranhas. Com dificuldade, se apoiou de joelhos tentando se levantar, se sentia um nada e seu corpo pedia para ficar ali estirado ao chão e pensou como seria bom se entrasse em um coma de tanto chorar, mas ao levantar a cabeça avistou a foto do filho na mesinha de cabeceira, se não por ela mesma, por Shi-woo ela iria se esforçar. Respirou fundo, por pelo menos 2 minutos, se escorou na penteadeira ao lado da porta de frente a cama e se levantou devagar repetindo em sua consciência: “Eu tenho que ser forte!” Ela não tinha percebido que ainda segurava a camisa do marido até ficar completamente de pé, deu uma leve bambeada ao olhá-la, mas se apoiou no móvel e resistiu a aquela fraqueza respirando fundo mais uma vez. Ergueu a cabeça, foi até o banheiro e a jogou no cesto com as outras, em seguida se olhou no espelho e lavou o rosto manchado pelo sal das lágrimas. Se achando um pouco menos terrível, foi para o quarto de Shi-woo acordá-lo, parou um momento olhando para o rosto do filho e pensando como poderia dizer algo tão terrível para aquela criança tão doce e amável. Passou a mão no cabelo dele com carinho e ele foi despertando e sorrindo pra ela esfregando os olhos.

— Bom dia, dormiu bem? — perguntou se sentando na cama ao lado dele.
— Sim, onde está o appa?
— Ele precisou sair bem cedo, parecia que tinha uma viajem a trabalho, não pudemos conversar muito sobre isso. — tentando não demonstrar seus sentimentos.
— Por que ele não me chamou, eu queria muito vê-lo.
— Foi tudo muito rápido e ele mal teve tempo de pegar algumas coisas de que iria precisar. Por favor, não fique chateado, tenho certeza que ele vai te compensar em outra hora. — não podia jogar a bomba em seu filho naquele momento, só sujaria a imagem que ele tinha do pai, e não era isso que ela queria — Agora vamos, se levante e se troque, nós vamos dar uma volta, ok?
— Ok! — ele sorriu concordando, então a abraçou e logo foi para o banheiro.

Uma lágrima involuntária desceu o rosto de que a secou rapidamente, esticou a cama e separou uma muda de roupa para o garoto. Ele retornou em 5 minutos e ela o vestiu, depois foram para a cozinha e ela lhe preparou o café, assim que terminaram, escovaram os dentes e saíram de mãos dadas. Enquanto Shi-woo brincava nos brinquedos do parquinho, o observava do banco pensando o que iria fazer dali em diante sem o marido. Seu sonho de um casamento feliz tinha desmoronado e precisava de algo que a mantivesse firme e pudesse apoiar seu filho. Totalmente distraída, não reparou na amiga que tinha chegado com a filha e a chamava bem ao lado.

! — a mulher a balançou com um pouco de força.
— Ah, Yang Mi! — disse surpresa voltando a realidade — Eu não vi você chegar.
— Claro que não viu, parecia estar em outro planeta. — de certa forma ela estava mesmo — Cho-hee, lá está Shi-woo, vá brincar com ele, está bem? — ela disse a menininha de coque no cabelo e ela sorriu e obedeceu correndo de encontro ao amiguinho — Nossa que dia quente, nem parece que choveu noite passada. — tirava a blusa de manga comprida.
— Sim, realmente está quente. — dizia como se estivesse no automático.
— Ei, o que você tem? Está estranha, aconteceu alguma coisa?
— Não, estou bem, só um pouco distraída.
— Ser um pouco distraída você já é normalmente, vamos me diga, tem algo te aborrecendo, não é? — se preocupou.
— Na verdade...— respirou fundo meio sem jeito de falar.
— Ah, fala logo, não faça suspense. — ficando apreensiva.
— A verdade é que, em breve eu serei uma mulher divorciada. — a cabeça baixa e com muita vergonha.
— O que? — quase gritou de susto.
— Ei, fale baixo, quer que todos nos ouçam. — a repreendeu — Shi-woo ainda não sabe e eu não faço a menor ideia de como dizer a ele que o pai nos deixou.
— Minha nossa! , você não fez nada de errado, fez?
— Francamente, eu não sei. Se amar de mais for um erro, então, eu assumo a culpa.
— Mas como isso aconteceu? Vocês brigaram? Você queimou o peixe de novo e ele ficou bravo.
— Não é nada disso, eu não queimo mais as coisas. — se defendeu se sentindo ofendida.
— Então, o que houve? Um homem não sai de casa a toa, a não ser por… — ela fez uma pausa ao pensar no que poderia ser — , ele não está…? Ele não pode ter uma…?
— Sim Yang Mi, ele estava me traindo, ele tem uma amante, mas isso não é o pior.
— Não? O que pode ser pior que isso?
— Ele dizer na minha cara que se sente um homem de verdade com ela e que está muito bem com alguém que não é como eu.
— Não pode ser, que safado imprestável, quem ele acha que é para falar assim com você?
— Não sei, mas ele disse e se queria me magoar conseguiu, pois está doendo muito nesse momento.
— Ah, pobrezinha, eu nem consigo imaginar o que está passando. — se compadeceu pegando na mão dela — Eu nem sei o que faria no seu lugar, isso é tão cruel, você não merecia ser traída desta maneira. Aish, como eu gostaria de soca-lo neste momento e só parar quando ele estivesse todo quebrado no chão.
— Isso seria bom, mas me conhecendo como conheço provavelmente correria para acudi-lo e me sentiria ainda pior por causa disso.
— Nisso você tem razão. Mulheres, por que temos que ser tão burras quando se trata de amor? — comentou com frustração — , sem em casa as coisas vão ficar um pouco difíceis, já pensou no que vai fazer?
— Pra ser sincera, não. Foi tudo tão de imediato, ele me contou sobre seu caso meio que sob pressão e então pegou algumas coisas e saiu de casa.
— Mas assim, tão rápido?
— Sim, eu estou digerindo a situação neste momento, não tenho ideia do que fazer.
— Acho que a primeira coisa que deve fazer agora é contar a verdade para Shi-woo.
— Yang Mi, ele ainda é muito novo, acabou de fazer 6 anos, não quero expô-lo a algo tão repugnante.
— Eu te entendo, mas se não disser agora o que realmente está acontecendo pode prejudicá-lo bem mais no futuro e ele pode até culpá-la por omitir algo tão importante na vida dele.
— Você tem razão, mas eu mal estou conseguindo suportar tudo isso, tenho medo de piorar tudo e Shi-woo acabar ficando contra mim. Eu acho que não aguentaria mais isso.
— Você é uma boa mãe, vai encontrar um jeito de dizer tudo a ele sem causar maiores danos, mas e você? Vai precisar arcar com mais responsabilidades estando sozinha com Shi-woo, eu posso ajudar é claro, mas veja bem, você realmente nunca pensou no que poderia fazer caso fizesse o que fez hoje?
— Parece incrível e patético ao mesmo tempo, mas não, sempre pensei em passar nossas vidas juntos até o último instante.
— Eu acredito nisso, e não é nada patético se quer saber.
— De qualquer maneira, ele disse que não iria se ausentar de suas responsabilidades e que eu não precisaria me preocupar com nada.
— E você ingênua acreditou?
— Ele é meu… é o pai do meu filho, por que não acreditaria.
— Pelo simples fato de que não conseguiu cumprir a promessa que fez de ser fiel a você diante de todas as testemunhas no seu casamento. Você acha mesmo que depois disso ele merece algum crédito de confiança?
— É, você tem razão. — sentiu se ainda mais frustrada — Eu acho que posso voltar a trabalhar então, num horário de meio período até quando Shi-woo começar a estudar.
— Você não trabalha desde que se casou e não tem muita experiência no campo profissional, não acho que será tão fácil achar uma boa colocação no mercado atual.
— Achei que estivesse tentando me apoiar. — estranhou o jeito da amiga falar.
— E eu estou, mas preciso ser realista, veja o meu caso, já te contei que quase fui demitida este ano e foi por muito pouco.
— Eu sei, me desculpe não queria ser injusta.
— Está tudo bem, mas por favor, pense melhor sobre o assunto e não se precipite, ok?
— Pode deixar. Bom, está na hora de ir. — ela se levantou e chamou pelo menino que veio correndo junto com a coleguinha. — Nós nos vemos qualquer hora dessas.
— Vá lá em casa quando puder e me ligue se precisar de ajuda com alguma coisa.
— Pode deixar, até breve.

acenou para a amiga e a garotinha que corresponderam mutuamente para os dois se distanciando. No fundo, Yang Mi sentia dentro de si que a vida da amiga iria dar um salto e mudaria radicalmente depois do ocorrido.



Capítulo 2

deixou passar dois dias, para poder reunir forças e contar a Shi-woo sobre a separação, mas antes que pudesse dizer algo a ele recebeu um telefonema inesperado de enquanto preparava um lanche para o garoto na cozinha.

— Alô! — ela atendeu com receio ao ver o número do ex-marido no aparelho, lá no fundo teve uma certa expectativa de que o marido reconsiderasse e voltasse á trás no seu erro, estava machucada, mas o amava e poderia perdoá-lo.
— Alô, , sou eu .
— Eu estou ouvindo, pode falar.
— Certo, eu estou ligando para avisar que já contratei um advogado e ele já entrou com a ação de divórcio. Espero que esteja tudo bem pra você.
— Sim, eu compreendo. — tentou manter o controle da voz, mas as lágrimas saiam involuntárias, a notícia lhe quebrou o resto do coração que havia sobrado inteiro, só que o pior ainda estava por vir.
— Isso é bom, pelo o que ele disse nós devemos entrar em acordo sobre a casa, o dinheiro da poupança e a guarda de Shi-woo. 
— Você está pensando em ficar com ele? — perguntou pronta para entrar em desespero, com certeza não aceitaria isso.
— Não, contudo você é uma boa mãe, ele ficará muito melhor com você. Além do mais para onde eu vou seria muito difícil para mim cuidar dele e não poderia trazê-lo sempre para visitá-la.
— Como assim, para onde você vai?
— Eu pedi transferência para Hanam, lá eu vou ter a oportunidade de subir de cargo e ter um salário melhor, o que significa ter mais trabalho e menos tempo também.
— Mas e Shi-woo, como ele vai ver o pai se estiver tão distante?
— Ele vai entender que é um caso de necessidade, estou fazendo isso por ele, para que não falte nada para vocês dois. — disse com uma ponta de ressentimento.
— Não vê que de qualquer maneira vai faltar o que ele mais precisa, o pai dele por perto? — estava ficando angustiada com a repentina mudança.
— A vida se baseia em escolhas e não é possível conquistarmos algo sem fazer algum sacrifício, é bom que ele aprenda isso desde já. Falando nisso já contou a ele sobre nossa separação?
— Ah, não, eu ainda não tive coragem.
— Por favor, não adie mais e fale logo, não é bom que fique presa a falsas esperanças. — ele disse entoando frieza, mas por dentro não tinha segurança nenhuma do que estava dizendo.
— Eu não estou fazendo isso, eu já estava indo conversar com ele quando você ligou. — se justificou, mas suas esperanças eram reais.
— Muito bem, voltando ao assunto principal, eu pensei muito sobre isso e já que você ficará com Shi-woo, o mais certo é que fique com a casa. Podemos dividir o valor que está na poupança e farei depósitos regulares do dinheiro destinado a pensão, o advogado disse que o cálculo é feito com base no meu salário e eu terei que pagar em torno de 30%, você acha que é suficiente?
— Eu não sei, você sabe que eu nunca me dei muito bem com contas e por isso sempre resolvia estas questões financeiras.
— É verdade. — concordou com um riso curto e discreto, mas continuou sério — Mas pelos cálculos eu acredito que será o bastante, sempre fomos muito controlados e a maior parte da nossa renda acabava indo para a poupança. Você não terá tanto trabalho no fim das contas, é só continuar seguindo com este hábito.
— Sim, farei o possível. — poupou as palavras, não queria dizer algo que pudesse revelar seus sentimentos e de certa forma ele estava fazendo o mesmo.
— Claro. Bem, era só isso, eu preciso desligar agora.
— Espere, você não quer dar um oi para Shi-woo, ele está com saudades e não te vê a dias.
— Agora eu não vou poder, ainda tenho que encontrar um lugar para morar para que eu possa me mudar o mais rápido possível. Deixe para outra hora, está bem?
— Está certo, mas não demore muito a dar notícias.
— Vou tentar. Fique atenta, quando os papéis estiverem prontos o advogado entrará em contato com você para que assine. Eu realmente preciso desligar, até logo.

Ele desligou antes que ela pudesse dizer alguma coisa. estava muito triste e saber que ele iria para mais longe deles a deixava sem chão. Ao ouvir o filho chamando, limpou o rosto e secou as lágrimas, pediu para que esperasse e assim que preparou a bandeja seguiu para a sala onde ele assistia a um desenho na televisão. serviu ao filho e enquanto ele comia o observou pensando em várias maneiras de começar a conversa. Uma alternativa pior que a outra, só daria em desastre, por fim ele já estava no fim do sanduíche com patê de peito de peru e queijo e ela ainda mais apreensiva, podia se dizer até um tanto envergonhada por ter que explicar algo de adulto para ele.

— Omma, você está bem? — o garoto perguntou achando a feição da mãe estranha.
— Hum… è claro, eu estou bem. — apesar de ouvi-la, Shi-woo continuou olhando para ela como se não estivesse acreditando muito, então ela viu que era a hora — Shi-woo, na verdade a omma está um pouco triste, por causa de uma coisa que aconteceu.
— Você se machucou? — perguntou com um tom inocente a deixando ainda mais amolecida.
— Não, foi uma notícia inesperada que me deixou assim, mas não foi nada grave. Eu só não sei como devo te dizer.
— Tem a ver com o appa?
— Sim. 
— Quando é que ele volta pra casa, ele disse que iria brincar comigo.
— Shi-woo — respirou fundo — o seu appa não vai morar mais com a gente, ele vai ter que ir pra longe e por enquanto será muito difícil dele vir te ver, mas é só por um tempo, você entende?
— Mas por que ele foi sem se despedir de mim? Appa não gosta mais de mim? — ele fez uma voz de choro, tudo estava a ponto de desmoronar.
— Não, não é nada disso, ele te ama muito, ele só não teve tempo de conversar com você, foi isso.
— Então diga a ele para vir me ver, diga para ele voltar, eu prometo que vou me comportar. — as lágrimas vinham ao rosto dele e tentava permanecer firme para terminar a conversar, apesar de querer chorar junto.
— Eu sinto muito, mas o seu appa não quer mais viver com sua omma, por isso ele teve que ir embora daqui, ele não estava feliz e preferiu ficar longe, ele não vai mais voltar, pelo menos não por enquanto. — não escolheu bem as palavras e as soltou sem querer, considerando sua própria tristeza e decepção.
— Você brigou com ele, por isso ele não quer ficar aqui, a culpa é sua, por sua causa o appa me deixou. — ele disse chorando e saiu correndo para o quarto.
— Não, Shi-woo espera. — não aguentou e desabou a chorar também e bateu em si mesma dizendo — Como eu sou estúpida, não podia ter falado desse jeito. Eu sou péssima até para falar.
Ela ficou ali um tempo, tentando se acalmar e esperando que ele também já tivesse se acalmado. Teria que ter paciência, não podia esperar que ele aceitasse algo tão ruim facilmente, se até ela  mesma tinha está dificuldade. Quando finalmente conseguiu se conter, foi até o quarto e encontrou o filho encolhido na cama entre gemidos curtos e quase inaudíveis. Se sentou ao lado dele e ao tocá-lo ele se encolheu mais se afastando dando a entender que não queria afago, estava claramente magoado.
— Por favor me desculpe, eu me expressei de forma errada e acabei fazendo você entender errado. Eu quero tentar explicar tudo a você do jeito certo, e eu tenho certeza que depois que você ouvir vai conseguir entender melhor, então eu posso falar?
— Você é má, mandou o appa embora, não quero falar com você. — ele cobriu o rosto com o travesseiro.
— Isso não é verdade, eu... eu não mandei ele embora, muito pelo contrário, se eu pudesse teria feito qualquer coisa para que ele não fosse embora, eu não queria que ele fosse para longe de nós. — ela disse chateada por estar sendo culpada e de repente ele se levantou descobrindo a cabeça num rompante.
— Então por que não impediu, por que deixou ele ir? — os rostinho dele estava vermelho e úmido pelas lágrimas, ela não conseguiria ser mais dura nem se quisesse.
— Essa é uma boa pergunta, eu estava tentando respondê-la para mim mesma nos últimos dias, mas só agora eu consegui enxergar a resposta. — ela pegou nas pequenas mãos dele e o olhou nos olhos continuando — Shi-woo, quando duas pessoas se amam, elas querem ficar juntas, sempre ao lado uma da outra, mas as vezes, depois de um tempo pode acontecer de uma dessas pessoas não amar mais a outra e decidir ir embora. O que eu quero dizer é que quando não tem mais amor, essas pessoas não veem motivo para continuarem juntas e acabam se separando, você entendeu?
— Quer dizer que o appa não te ama mais? 
Aquela pergunta inocente fez hesitar em responder, não estava pronta para aceitar aquela realidade apesar das evidências, e ter que responder ao filho em voz alta o que estava a perturbando já há algum tempo, antes da bomba explodir e a verdade ser revelada, fazia a dor ser ainda maior. Ela titubeou por um instante querendo se fazer desentendida, como se não soubesse a resposta, mas o olhar intrigado do menino não a deixou saída a não ser dizer o que acreditava ser a verdade.
— Sim, pelo o que eu entendi, ele não ama mais a omma e para evitar que um de nós dois sofresse ainda mais, ele achou melhor que a gente se separasse e cada um fosse viver a sua vida. Mas isso não quer dizer que ele não continua amando você, ele vai sempre ser seu appa só que a partir de agora ele não vai mais estar aqui o tempo todo com sua omma como antes, entendeu?
— Acho que sim. — com o semblante decepcionado, absorvendo a explicação.
— Eh? — sorriu tentando animá-lo — Você é o menino mais inteligente que eu conheço, eu vou sempre estar aqui pra o que você precisar e seu appa me disse que não vai deixar faltar nada para você. Eu só peço que você tenha um pouco de paciência enquanto as coisas se ajeitam, está bem? Eu prometo a você que vou fazer o impossível para tudo dar certo. Você confia em mim, não é? — ele pensou um pouco, mas logo balançou a cabeça afirmando que sim — Bom garoto, eu te amo muito, muito, muito, muito. — ela o puxou para perto e o abraçou forte e ficou ali um bom tempo o segurando até que ele adormeceu, então ela o cobriu e permaneceu ao lado dele pelo resto da noite.

O tempo começou a passar um pouco mais rápido e com precisão as coisas foram acontecendo, se mudou dois dias depois do telefonema e o advogado levou os papéis do divórcio para ela assinar duas semanas depois. Agora não tinha mais volta, se havia ainda uma ponta de esperança, aquele documento a sua frente fulminou com qualquer vestígio dela. Não podia fazer mais nada, então a partir dali era bola para frente, vida que segue. tentava ser confiante ainda que a situação não se mostrasse animadora, mas para Shi-woo foi bem mais complicado no início. Com a falta que sentia do pai estava cada vez mais abatido, ficava recluso no quarto e tinha pesadelos constantes. Quando ligava, o que era raramente, não demorava mais que 5 minutos ao telefone e rapidamente desligava com a desculpa de estar muito atarefado. Em alguns momentos, conseguia ouvir a voz de uma mulher chamando ao fundo da ligação, aquilo a perturbava bastante e por vezes perdeu noites de sono chorando ao pensar nele com a outra, algo que não conseguia evitar. Mas não se deixava abater por saber que o filho precisava muito dela e tinha que estar bem custe o que custasse para ajudá-lo a superar aquela fase de tristeza. 

Já haviam se passado 4 meses e em breve começaria o ano letivo. Shi-woo iria iniciar sua vida estudantil e frequentaria a partir da próxima semana a escola primária. Apesar de ser um pouco desatenta e por vezes distraída, era muito dedicada ao filho e se esforçava ao máximo para que ele não se sentisse tão sozinho e contava bastante com a ajuda da amiga Yang Mi, que fazia questão de estar sempre por perto para ajudá-la com o filho, entre outras coisas em que se mostrava confusa. Mesmo que o divórcio não tenha sido a melhor experiência pela qual já passou, conseguiu usar o acontecido para amadurecer como mulher e viu como poderia ser mais forte como mãe. Mas ela começou a perceber que tinha que ter uma vida fora de casa, seu círculo social se resumia a Yang Mi e com a ausência de MInseok não tinha muito com o que se ocupar além do filho que nem dava tanto trabalho, era uma criança calma e depois do acontecido se tornou mais quieto. Ela se sentia esperançosa que ao começar a frequentar a escola ele se abrisse mais e voltasse a ser uma criança mais ativa e extrovertida. Com isso ela viu que também seria bom ter uma ocupação e não se sentir tão dependente do dinheiro que depositava para eles, então decidiu que iria trabalhar no horário em que Shi-woo estivesse na escola. Pediu ajuda de Yang Mi como sempre, mas todos os lugares que ela a recomendou as vagas já haviam sido preenchidas ou já a dispensavam de cara por não ter algum tipo de conhecimento na função proposta e por fim não conseguiu marcar nenhuma entrevista para aquela semana. Se sentiu um pouco inútil, mas logo pensou melhor e considerou o fato de não ser algo tão fácil, principalmente pelo fato dela não ter muito experiência e já estar a tanto tempo fora do mercado, ou seja estava totalmente desatualizada. Contudo, não estava se importando tanto com isso, iria continuar tentando uma oportunidade para mostrar o quanto era capaz. Sem que esperasse, no fim da tarde de sábado, depois de voltar do shopping com Shi-woo com os materiais escolares que compraram, foi surpreendida com uma mensagem gravada em sua secretária eletrônica dizendo:

Senhora Seung, aqui é a senhora Park Seohyun do setor de recursos humanos da Construtora Yi Hwang, o motivo do meu contato é para agendar uma entrevista com a senhora a respeito de uma vaga a qual se candidatou. Se ainda estiver interessada deve comparecer no endereço que lhe enviei por e-mail no horário descrito e procurar por mim. Estarei aguardando sua presença, tenha uma boa tarde!
deu um salto de alegria e até assustou Shi-woo ao abraçá-lo.

— Shi-woo, sua omma finalmente tem uma entrevista, vamos orar para dar tudo certo e eu conseguir o emprego, ok? — disse animada e ele deu um sorriso simples concordando — Para comemorar, podemos comer yakisoba, o que acha?
— Yakisoba é muito gostoso, eu gosto quando tem muito frango.
— Ah, espertinho. Vou colocar muito frango desta vez então. Vamos lá, você vai me ajudar. — disse sorrindo e o pegou no colo o fazendo rir com ela indo para a cozinha preparar a tal refeição.



Capítulo 3

Em Hanam, também cidade da província de Gyeonggi, trabalhava muito e começou a chegar cada vez mais tarde em casa por causa disso. Quem não estava nada contente com a situação era sua “nova” mulher, Dae Minah, que sempre reclamava dos atrasos e sua falta de tempo para ela. Minah era poucos anos mais nova que ele, muito bonita e vaidosa, fazia questão de ter sempre tudo do bom e do melhor, tanto que assim que pegou sua parte do dinheiro da poupança que tinha com , Minah o fez gastar grande parte com ela e suas futilidades. A começar pelo apartamento onde foram morar, localizado na parte nobre da cidade lhe saindo realmente caro, sem contar que ficava distante do trabalho o fazendo gastar mais combustível do que gostaria. Mas apesar deste lado fútil, gostava dela e a achou atraente e interessante desde que a conheceu através de um colega da outra sede da empresa de exportação de cerâmica em que trabalhava. Até então nunca tinha estado com outra mulher, pois foi seu primeiro amor e única namorada, fazendo com que aquela experiência ao lado de Minah fosse estonteante a princípio, já que era tão impulsiva e determinada em seus desejos, totalmente diferente da ex-mulher, sempre recatada, cuidadosa e esforçada fazendo da felicidade e bem estar dele e do filho sua meta. Apesar das crises de ciúme e ataques de histeria de Minah quando ele chegava tarde, tentava ver o lado positivo de ter deixado sua casa e sua família por aquela mulher, que lhe dava um prazer e uma vitalidade que ele acreditava nunca ter tido com . Mas por ironia do destino, por vezes se pegou pensando na ex-mulher até mesmo em momentos mais íntimos sob os lençóis nos braços Minah, sentindo uma mistura de saudade, culpa, ressentimento e no fundo um desejo intenso de que a mulher que beijava e tocava com excitação fosse . Quando isso acontecia, ao ver Minah dormindo ao lado na cama, se sentia frustrado e se irritava com seu próprio julgamento de si mesmo, se auto acusando de estar usando a garota como válvula de escape quando nem ao menos consegue ser dela 100% do tempo em seus pensamentos e sentimentos. Mas era teimoso, não voltaria atrás na sua decisão e não desistiria daquela aventura que estava vivendo com Minah, pelo menos era no que acreditava.

De volta a Gwangju, era manhã de segunda feira e dava café a Shi-woo mais cedo do que de costume, pois era seu primeiro dia de aula. Apesar da escola ficar a alguns quarteirões, ela preferiu deixar tudo pronto na noite anterior, o uniforme e material do menino e até a roupa que usaria para ir a entrevista mais tarde, para evitar qualquer tipo de atraso. Assim que terminaram de comer escovaram os dentes e saíram, como era uma distância razoável não viu necessidade de tomar um táxi ou ônibus e foram andando de mãos dadas.

— Agora você vai poder conhecer outras crianças da sua idade, fazer muitos amigos, brincar com eles e até levá-los para dormir em casa se quiser. — ela dizia empolgada, mas ele continuava sério e sem muita vontade, o que a deixava preocupada — Eu achei uma pena pela a Cho-hee não estar na sua turma, seria legal se estudassem juntos, você não acha? — ele apenas encolheu os ombros, mostrando desinteresse, não estava nem um pouco para conversa.

preferiu deixá-lo quieto, se lembrou que ele devia estar daquele jeito por que já fazia quase um mês que não ligava nem dava notícias. Sendo assim, seria praticamente impossível animá-lo, as vezes conseguia distraí-lo por algum tempo, mas ele sempre voltava ao seu confinamento interior. Faltando um quarteirão para chegarem, fez uma pequena pausa para amarrar o cadarço do tênis dele que havia se desfeito, vendo um carro se aproximando em alta velocidade aproveitou para dizer mais algumas palavras de incentivo.

— Não se preocupe, vai dar tudo certo e você vai se divertir muito, vai ver.

Mesmo não sabendo, de certa forma ela o tranquilizou um pouco e continuaram. se despediu dele na frente da escola e aguardou que ele entrasse junto dos demais alunos ali presentes, depois tomou um ônibus e seguiu para o centro da cidade indo para o local informado no e-mail da entrevista. Estava marcada para as 8 da manhã, mas ela chegou com uns 20 minutos de antecedência, o que era bom em seu ponto de vista, mostrava interesse. Era um belo e moderno prédio com uma fachada esplêndida, assim que chegou a recepção a moça do balcão a cumprimentou com muita educação e cortesia e ao se identificar, ela se prontificou a chamar a encarregada pelo telefone. aguardou por 5 minutos então a moça sinalizou para que subisse ao 5º andar pois já estava sendo aguardada, e assim ela fez. Quando saiu do elevador deu de cara com uma sala de espera com três portas e uma secretaria atrás de sua mesa que sorriu com receptividade ao vela.

— Bom dia! — reverenciou — Eu sou Seung , estão me esperando para a entrevista.
— Bom dia, pode me acompanhar. — a moça um pouco gordinha de expressão simpática a levou até a porta do canto, deu umas batidas abrindo devagar e anunciou — Senhora Park, com licença, a candidata com entrevista marcada está aqui, posso deixá-la entrar?
— Sim, por favor, obrigada Yeonji! — a mulher disse sentada em sua cadeira com uns documentos nas mãos, então a secretaria abriu mais a porta e deu espaço acenando para entrar e assim que o fez ela fechou a porta as deixando a sós. — Bom dia, você é Seung , certo? — era uma senhora aparentando uns 50 e poucos anos, tinha uma expressão também muito agradável, se levantou e a reverenciou.
— Sim, sou eu mesma, muito bom dia. — respondeu em reverência também.
— Por favor sente se, fique a vontade. — se sentando.
— Obrigada! — obedeceu, achando tudo muito confortável — Vocês tem um prédio muito bonito. — ela de cara gostou do ambiente e da forma com que foi recebida, por dentro estava empolgada pensando como seria trabalhar em um lugar como aquele.
— Obrigada, é realmente uma obra muito bem feita. Foram os próprios donos que o projetaram, dois engenheiros e um arquiteto, sócios e também irmãos.
— É uma família de sorte por trabalharem juntos.
— Como em todo lugar, é uma maravilha até discordarem de alguma coisa. Mas você os conhecerá se conseguir a vaga, vamos começar a entrevista?
— É claro, me desculpe.
— Não tem problema é compreensivo. Você trouxe um currículo?
— Sim, aqui está. — ela retirou uma folha de papel dobrado em dois na forma de envelope da bolsa e a entregou.
— Muito bem. — foi passando os olhos e fazendo as perguntas conforme as informações da folha. — Então senhora Seung, é casada, correto
— Sim, quer dizer, eu era, me divorciei a alguns meses. — não conseguiu evitar demonstrar o pesar no tom de voz.
— Entendo, você tem filhos?
— Sim, apenas um, ele ficou comigo depois do divórcio.
— Você terminou a escola secundária e concluiu a faculdade de Marketing Empresarial, mas não exerceu a profissão, por quê?
— Eu me casei pouco tempo depois de me formar e logo engravidei, eu podia ter ido trabalhar, mas optei por cuidar da minha família. Como meu marido, digo ex-marido, sempre resolvia tudo, acabou que eu nunca precisei trabalhar fora, admito que me acomodei com a situação.
— Mas aqui consta que você trabalhou durante 6 meses em uma loja como vendedora, aliás é sua única experiência em carteira.
— Sim, mas foi ainda na época da Faculdade, para ajudar nas despesas do casamento.
— Bem, a vaga para a qual estamos buscando candidatos é de alto nível, exige muitos conhecimentos e demanda uma alta carga de responsabilidade, atenção e compromisso.
— Ah, mas eu sou muito responsável, atenciosa e me dedico 100% ao que estou fazendo, sempre busco dar o meu melhor. — relatou suas qualidades, mas sem se enaltecer.
— Eu não duvido disso, principalmente pelo fato de ser mãe, por si só já é um trabalho bem puxado.
— E como, mas também é gratificante. A senhora também tem filhos?
— Sim, três, mas já estão crescidos e bem criados, não me dão mais trabalho.
— Que bom, parabéns.
— Obrigada. Senhora Seung, eu vejo que a senhora é uma boa pessoa, de bom caráter, eu gostaria muito que a pessoa que ocupasse essa vaga fosse como a senhora.
— E isso quer dizer? — esperando uma resposta positiva.
— Infelizmente, quer dizer que eu não poderei contratá-la, visto que não poderia cumprir de imediato as funções relativas ao cargo.
— Mas eu sou muito esforçada e aprendo rápido, se me derem algum tempo eu tenho certeza que se surpreenderiam.
— É justamente este o problema, nós não temos tempo para treinar e capacitar alguém. Eu sinto muito, mas precisamos de alguém que tenha as habilidades necessárias para a vaga para início imediato, o que me deixa sem opção para cometer qualquer erro na escolha, a senhora me entende?
— Senhora Park, me desculpe os modos, mas eu preciso que a senhora me entenda. Descobri a pouco tempo que meu marido tinha uma amante e por causa dela ele saiu de casa deixando a mim e nosso filho de 6 anos, está sendo um período muito angustiante. Eu estou muito aflita e um pouco desesperada, apostei todas as fichas nesta entrevista e está oportunidade é muito importante para mim, eu sou capaz de fazer qualquer coisa pelo meu pequeno Shi-woo. Eu sei que não tenho muito experiência profissional, mas se me der uma chance garanto que darei o meu melhor no posto que ocupar.
— Eu sinto muito pela sua situação, deve estar passando um momento muito difícil, mas veja bem, atualmente a única vaga que eu tenho é para assistente executivo e deixaram bem claro que precisam de alguém com experiência e boa recomendação. Sendo assim, eu não tenho como encaixá-la em nosso quadro de funcionários. Eu sinto por isso. — se compadeceu, mas estava de mãos atadas e não tinha como ajudar.
— Eu entendo, não irei mais insistir, de qualquer forma eu agradeço e peço que me desculpe mais uma vez por tomar seu tempo. — disse com humildade.
— Não tem de quê, obrigada por ter vindo e boa sorte na sua busca. — elas se cumprimentaram em reverência e saiu da sala meio cabisbaixa e completamente afogada em frustração.

Senhora Park se sentiu mal com a situação, nunca pensou que poderia receber um caso desses nas mãos, mas a história a fez se lembra de já ter estado em uma situação parecida com a de , pois também havia perdido o marido já falecido há muitos anos e na época ficou sozinha com os filhos ainda pequenos para criar. Mas a questão era: Como posso ajudar está senhora? Mesmo sem querer, tomou as dores dela para si e além de ter que dar conta de uma pessoa para a vaga tão exigente queria também encontrar uma solução para o problema daquela pobre mulher. 

, já do lado de fora do prédio, se sentou em um banco de pedra que ficava em uma espécie de praça arborizada logo em frente. Toda a animação que tinha ao sair de casa foi dizimada e não fazia ideia do que iria fazer, pois se ali não conseguiu nem mesmo mostrar sua capacidade, provavelmente não teria chance em outras empresas podendo receber a mesma resposta. até poderia tentar um pouco mais sem muitas expectativas, mas passar pela humilhação de se expor daquela forma e quase implorar uma oportunidade, isso não faria de novo por condição alguma. Como não tinha nada para fazer, ficou ali por mais um tempo olhando as pessoas bem vestidas que passavam. Por incrível que pareça, foi tempo suficiente para que senhora Park tivesse uma ideia e precisasse descer a recepção, se surpreendeu ao vê-la ainda por ali e aproveitou para chamá-la de volta ao prédio. olhou meio confusa, achando que não fosse com ela, mas como não havia mais ninguém por perto, por via das dúvidas decidiu voltar até la para ver do que se tratava, mesmo que já sem motivação.

— Senhora Seung, que bom encontrá-la ainda por aqui. — Senhora Park em tom de alívio.
— Eu estava dando um tempo antes de ir e acabei me distraindo.
— Eu gostaria de conversar sobre algo que eu acredito que vá lhe interessar, será que pode me acompanhar de volta a minha sala, se não tiver nenhum outro compromisso, é claro.
— Ah, não, eu não tenho nada programado para fazer, eu posso ir sim.
— Ótimo, então vamos subir. — ela acenou para a recepcionista e as duas pegaram o elevador voltando novamente a sala.
— Eu estou bastante curiosa, afinal por que a senhora me chamou aqui novamente? — sua pergunta transparece até uma certa preocupação.
— Bem, como eu lhe disse antes não tenho como contratá-la para a vaga de assistente executivo, mas me lembrei que daqui duas semanas a senhora que trabalha conosco como copeira vai se aposentar e pretende se mudar para o interior, e será outra vaga que vamos precisar preencher. Considerando a sua situação e tudo que a senhora me disse, gostaria de saber se estaria interessada em ocupar esta vaga?
— A senhora está falando sério? — mal podia acreditar no que ouvia.
— Mas é claro. Não é um trabalho muito difícil, mas também exige muita responsabilidade, atenção, e como você se mostrou tão disposta a aprender acredito que será proveitoso fazer isso enquanto a antiga copeira ainda está aqui e poderá ensinar todo o trabalho durante este período. O salário não é alto, mas temos alguns benefícios como auxílio transporte e alimentação, plano de saúde, cartão de compras e descontos em alguns restaurantes, lojas e até escolas. — ouviu a tudo admirada e sem reação, totalmente surpresa pensando em como era possível que em uma hora não houvesse nenhuma condição e logo depois um milagre caindo em seu colo — Então senhora Seung, o que me diz, teria vontade de se tornar nossa copeira?
— Eu… eu… isso seria muito bom, não sei o que dizer, não estava esperando.
— Eu compreendo. — deu um sorriso achando graça da confusão dela — Se quiser pensar e me dar a resposta outro dia…
— Não, não será preciso, eu realmente quero trabalhar aqui, de copeira pra mim está ótimo, posso começar agora mesmo se não tiver problema. — disse eufórica de tão feliz.
— Acalme-se, não precisa ter pressa. Vamos fazer assim, volte amanhã e me traga seus documentos e duas cópias deles, arrumarei o contrato de trabalho e então a encaminharei para o nosso médico para fazer um exame admissional, se estiver tudo em ordem poderá começar na quarta, estamos combinadas?
— Sim, eu já estou ansiosa para começar. Falando nisso, eu não queria abusar da sua generosidade, mas como eu disse eu tenho um filho, gostaria de saber se posso trabalhar num horário que coincida com o da escola dele? Me ajudaria muito já que não posso deixá-lo com outra pessoa, ainda estando muito traumatizado e sentindo bastante a falta do pai.
— Não se preocupe com isso, me traga os horários e chegaremos a um consenso sobre isso amanhã, está bem?
— Sim. Eu agradeço muito pela oportunidade e prometo que não vou desapontá-la, darei o meu melhor.
— Estou contando com isso, por hoje é só, estarei lhe esperando amanhã, pode chegar as nove. — se levantou e também.
— Então até amanhã as nove, e mais uma vez muito obrigada por tudo.
— Não há de que, mas se quer me agradecer prefiro que seja trabalhando com o mesmo entusiasmo que demonstrou hoje.
— Sim senhora. — elas apertaram as mãos e reverenciaram uma a outra e então foi embora.

A volta pra casa teve um sabor especial, estava tão alegre que passou em uma sorveteria e comprou um pote de sorvete sabor bombom, o preferido de Shi-woo e chegando em casa arrumou tudo, providenciou as cópias dos documentos e mais tarde preparou uma bela refeição antes de buscar o filho. 

Já na mesa e de banho tomado, Shi-woo achou estranho o comportamento da mãe e o fato de ter preparado tanta coisa só para os dois.

— Omma, por que fez tanta comida, hoje não é meu aniversário e nem o seu.
— Ah, é que eu tenho uma novidade e devemos comemorar. Sabe a entrevista que eu te falei, a sua omma conseguiu um emprego, não é demais?
— Uau, omma vai trabalhar. — o menino ficou contente vendo a alegria da mãe e sorriu como a muito tempo ela não via.
— É isso mesmo.  — ela ficou ainda mais contente em ver o filho sorrindo novamente — E agora vem a melhor parte, com isso teremos mais dinheiro e vamos poder até viajar.
— Nós vamos visitar o appa? — disse empolgado abrindo mais o sorriso, o que fizera bambear as pernas dela, então não pode negar.
— É claro, mas precisamos esperar um pouco até eu começar a receber, ok?
— Ok! — estava com o semblante mais alegre e isso aqueceu o coração de .
— Eu já contei a minha novidade agora é a sua vez, me diga como foi o primeiro dia de aula?
— Foi bem, eu acho.
— Mesmo? Me conta, o que aconteceu?
— Eu não queria sair da sala no intervalo, mas a senhorita Jeong precisou da minha ajuda para empurrar o balanço, então as outras crianças vieram falar comigo e nós brincamos um pouco.
— Isso é muito bom. A senhorita Jeong parece muito legal, você gostou dela?
— Sim, ela é muito bonita também.
— É? Fala mais eu quero saber tudo.

o incentivou a contar como foi todo o seu dia de aula demonstrando muito interesse e pode ver o quanto aquele momento fez bem ao seu filho e acreditava que logo a tristeza daria lugar a novos amigos e muita diversão. Após o jantar afundaram o pote de sorvete enquanto assistiam a um capítulo de um dorama que ela gostava muito, acabaram dormindo ali mesmo no sofá abraçados e cobertos por uma manta.



Capítulo 4

No outro dia, como haviam combinado, levou seus documentos e as cópias para a senhora Park. Conseguiram conciliar os horários do trabalho com os da escola de Shi-woo e após o exame médico, afirmando que estava apta para a função, assinaram o contrato de trabalho e fizeram o registro na carteira dela. Com tudo pronto, senhora Park aproveitou a ocasião para levar até seu novo ambiente de trabalho, a ampla cozinha e copa do primeiro andar que mais parecia uma lanchonete e também apresentá-la a copeira atual, senhora Byeon. Como já estava com a idade bem avançada, os filhos dela pediram para que não continuasse trabalhando e que fosse morar com eles onde teriam mais condições de cuidar dela futuramente, estando ainda mais idosa. Era muito paciente e calma no falar e exibia muita sabedoria. estava distraída na conversa com a senhora e com tudo o que via e pela primeira vez não teve motivos para pensar em . Na quarta-feira sua rotina de trabalhadora começou, levantou cedo, tomou café com o filho, o levou para a escola e foi para o trabalho. Era sem dúvidas um ambiente muito harmonioso, todos se cumprimentavam e eram muito cordiais e respeitosos uns com os outros e senhora Byeon a apresentou para todos os funcionários com exceção apenas dos sócios que estavam fora em uma viagem de negócios na Tailândia e só voltariam no fim da semana. 

Senhora Byeon foi mostrando o serviço e ensinando tudo sobre a limpeza do local, funcionamento dos equipamentos e os horários e costumes dos funcionários, principalmente as preferências dos sócios, como trabalhava ali desde a fundação da empresa sabia quase tudo sobre todos. Ela contou a que antes a empresa pertencia a outro dono, senhor Chu, e era localizada em outra parte da cidade, mas depois de uma crise financeira a empresa estava para decretar falência e foi aí que os irmãos Park compraram e com muito trabalho conseguiram pagar as dívidas e reerguer a empresa. Isso fazia mais ou menos uns 10 anos e haviam construído e se mudado para aquele maravilhoso prédio a 5 anos. até chegou a se lembrar de passar ali enquanto estavam no início das obras, na época ela ainda estava grávida de Shi-woo e tinha a levado para comprar o enxoval, acabou se sentindo nostálgica por um momento lembrando também de como o ex-marido era atencioso e carinhoso, mas logo afastou aqueles pensamentos. Senhora Byeon falava muito dos sócios/irmãos, mas tinha um que parecia ser seu preferido pela ternura que mostrava quando falava dele o comparando aos outros. O chamego (ou bajulação se preferir) era tanto que foi tecendo um fio de curiosidade em para conhecer o famoso senhor engenheiro Park , mas também queria conhecer seus irmãos é claro, a mais velha e também engenheira Park Ji-young e o caçula e arquiteto da família Park Kang-joon, que todas as mulheres do prédio consideravam o mais bonito e sexy dentre os três. Ela achou que já os conheceria na sexta, mas por uma complicação com o voo só apareceriam na empresa na próxima segunda-feira. Contudo estava se saindo bem nos seus primeiros dias e senhora Park já demonstrava confiança no trabalho dela, apesar de ser um pouco desatenta e causar pequenos desastres as vezes, como entornar a xícara se café quando ia servir alguém no balcão ou exagerar no açúcar dos sucos que preparava, mas nada que a supervisão e auxílio da senhora Byeon não conseguissem consertar e amenizar. As duas senhoras tinham certeza que com o tempo ela iria se adaptar e desempenharia bem suas funções. 

Todos os funcionários tinham folga aos sábados e domingos, exceto quando havia algum trabalho ou evento que exigisse a presença de todos no escritório. aproveitou o tempo para levar o filho ao parque e chamou Yang Mi para acompanhá-los com Cho-hee. Enquanto as crianças andavam no carrossel, as duas conversavam sobre o novo emprego de e a melhora no comportamento de Shi-woo, que já não estava tendo tantos pesadelos frequentes. Quando levaram os meninos para lanchar na lanchonete, foi surpreendida com a ligação repentina de .

— Alô, , sou eu MInseok. — a voz dele estava meio rouca.
— Oi, eu não estava esperando que ligasse, sua voz está estranha, está tudo bem?
— Sim, eu estou um pouco resfriado apenas. — para aquilo era novidade, pois sempre cuidou da saúde do marido e nunca o viu doente — Estou ligando para saber como estão as coisas.
— Está indo tudo bem, Shi-woo começou a frequentar a escola está semana e está muito animado, fazendo amigos e se divertindo bastante.
— Fico feliz em ouvir isso, e você como está? — ele perguntou a surpreendendo mais.
— Eu estou bem, eu tive uma entrevista de emprego está semana e me chamaram para ocupar uma vaga, também estou gostando muito da minha nova rotina e é bom por que posso conciliar com o horário de buscar Shi-woo na escola.
— Isso é realmente bom, parabéns, desejo que tenha muito sucesso sei o quanto é esforçada.
— Obrigada! Você deve querer falar com Shi-woo, ele está ansioso para pegar o telefone. — vendo o garoto com os olhos brilhando cheio de saudades do pai, não quis prolongar mais a conversa, até mesmo para evitar transparecer qualquer tipo de sentimento.
— Sim, por favor passe para ele. 
deu o celular ao filho que se mostrava ainda mais entusiasmado e enquanto ele conversava com ela falava baixinho com Yang Mi.
— Essa foi uma grande surpresa. — a amiga comentou.
— Se foi, mas tenho a sensação de que aconteceu alguma coisa, ele está diferente no telefone e geralmente costuma querer desligar rápido, mas veja, não parece estar com pressa desta vez, está deixando Shi-woo contar o que fez a semana toda.
— Será que a mulher que está com ele resolveu dar uma folga, por isso ele está tão à vontade? — Yang Mi ironizou.
— Pelas vezes que a ouvi pelo telefone, parece ser daquelas que exigem bastante atenção de um homem.
— Como ele reagiu quando disse que estava trabalhando?
— Pareceu contente por mim, me deu os parabéns e me desejou boa sorte, até lembrou de como eu sou esforçada.
— Ah, acho que isso não é boa coisa.
— Como assim?
— Ele deve ter dito isso com a intenção de diminuir o valor da pensão assim que você se estabelecer. Deveria ter pensado nisto antes assim não teria contado.
— Ah Yang, não seja boba, não é esse tipo de pessoa calculista que só pensa em dinheiro.
— Pode até ser, mas e a mulher que ele tem agora? As amantes costumam ser bem ambiciosas e além de roubar os maridos também querem tomar conta das carteiras deles.
— Mesmo que seja assim, agora eu tenho um trabalho e não me importo se ele diminuir o dinheiro da pensão, só não admitirei que ele deixe de arcar com suas responsabilidades como pai, afinal ele se divorciou de mim, não do nosso filho.
— Tomará que ele pense assim também.
Elas pararam de sussurrar assim que Shi-woo desligou o telefone
— E então conseguiu matar um pouco da saudade. — perguntou contente em ver o menino mais alegre.
— Só um pouquinho, mas o appa disse que assim que der ele virá me ver.
— Nossa, isso é incrível, não é mesmo Yang Mi?
— É claro, incrível. — disse num tom meio desacreditado e lhe deu um cutucão sorrindo disfarçadamente — Ai!
— A minha omma está doente. — Cho-hee respondendo a fala de dor da mãe e elas riram com a fofura dela.
— Não querida, a omma está bem, foi só uma picadinha de mosquito. — Yang Mi piscou para a filha. 
— Bom, vamos terminar logo esse lanche por que ainda vamos andar no trenzinho. —  com muita empolgação contagiou as crianças em um alvoroço, mas no fundo a notícia de que poderia aparecer a qualquer momento a deixou um pouco abalada e não sabia ao certo qual seria sua reação ao vê-lo novamente.

O final de semana passou tranquilo, mas em compensação a segunda-feira começou bem agitada. estava na cozinha com senhora Byeon passando o café e preparando as guloseimas como tortas, bolos, sanduíches entre outros, que chegaram por encomenda e eram servidas no balcão nos horários de intervalo do café da manhã, almoço e lanche da tarde. Uma pequena regalia da empresa que descontava uma mínima porcentagem de todos os funcionários que opcionalmente desfrutavam deste benefício. A agitação começou assim que a sócia e irmã mais velha Park Ji-young chegou, ela estava um tanto mal humorada, pois pelo que andavam dizendo nos corredores e na copa o irmão não havia concordado com alguns termos do contrato com os tailandeses, o que a deixou irritadíssima e dando ordens pelo ladrão. No prédio foi uma correria só em todos os setores e não conseguia sair da cozinha, pois pediam café o tempo todo e sempre havia algo para limpar, acabou não podendo ver os outros dois sócios chegando. Com aquela agonia toda, Ji-young pediu que levassem cappuccino para ela em seu escritório e para evitar qualquer acidente senhora Byeon preferiu levar e deixou sozinha na cozinha, mas logo uma das secretarias ligou pedindo uma bandeja de café para dois urgente para o escritório do senhor Park Kang-joon. viu uma oportunidade de finalmente conhecê-lo, aproveitou que a movimentação lá havia diminuído e foi preparar tudo, mas como a outra copeira estava usando o carrinho para levar o pedido da sócia, não teve opção e precisou colocar os utensílios na bandeja e levar nas mãos mesmo. Caminhou com cuidado até o elevador e uma alma gentil que passava apertou o botão para ela e brincou com a situação a distraindo. Assim que ouviu o barulho da porta se abrindo deu um passo maior do que a perna olhando ainda em outra direção, no mesmo momento uma figura apressada saia correndo do elevador e deram um encontrão entornando todo o café do bule no chão e também no terno italiano de muito bom gosto. ficou estática enquanto o rapaz se abanava com os envelopes que carregava.

— Caramba! Isso dói. — ele disse sentindo o liquido queimar sua pele tentando desgrudar o tecido de seu corpo.
— Eu sinto muito, por favor me perdoe, eu não vi o senhor. — não sabia o que fazer e no desespero tentava abana-lo sem muito sucesso. — Ai que vergonha!
— Tudo bem, não precisa ficar tão nervosa, isso deve sair com água eu acho, e devo ter perdido a sensibilidade, pois não sinto mais minha pele. — ele brincou mantendo a parte molhada da roupa um pouco longe do corpo, mas levou tão a sério que estava entrando em pânico.
— Meu Deus, o que eu faço, devo chamar uma ambulância?
— Não, eu estava brincando, eu estou bem, molhado e um pouco grudento, mas bem. — ele não conseguia controlar o riso, não ficou nem irritado.
— Por favor me deixe concertar isso, eu posso limpar e deixar como novo.
— Isso eu acho impossível, por que ele é novo. — tentou complicar, rindo da cara dela por dentro.
— Ai, eu sou um desastre. Olha, mesmo assim se puder me acompanhar até a cozinha eu posso ajudá-lo a se secar e pelo menos retirar essa mancha. Por favor me deixe fazer isso, como um pedido de desculpas, se não vou me sentir ainda pior. — quase implorando.
— Tudo bem, eu vou aceitar seu pedido, mas por que te achei muito bonita. — ele sorriu e ela corou um pouco tímida — Não precisa ficar com vergonha, com esse rosto deveria estar acostumada. — disse e olhou em volta reparando que um dos motoboys e a secretaria da senhora Park se aproximavam — Ei, Do-hyun, que bom encontrá-lo.
— Chefe está tudo bem? — o rapaz o olhou e a bagunça que estava ali.
— Está sim, foi apenas um acidente. Eu preciso que você leve este envelope para postagem no correio e este para a Prefeitura, eles irão carimbar e você deve trazê-lo de volta, entendeu? — lhe entregou os envelopes um em cada mão.
— Sim senhor, agora mesmo. — fez reverência a eles e saiu.
— Yeonji, por favor chame a equipe de limpeza para dar um jeito em tudo isso o mais rápido possível.
— Pode deixar. — a secretaria também reverenciou e se afastou.
— Acho que agora podemos ir.
— Sim, sim. — concordou e foi na frente com a bandeja toda revirada, mas por sorte nada havia se quebrado, ele foi logo atrás.

Assim que chegaram na cozinha, enquanto ela estava de costas colocando a bandeja na pia e umedecendo uma toalha para limpá-lo, ele tirou o paletó e a camisa. tomou um susto discreto e engoliu seco quando se virou e o viu encostado no armário como um pavão exibindo aquele abdômen bem definido. Ele esticou a mão olhando para ela naturalmente, caindo em si lhe entregou a toalha umedecida. Estava claro seu constrangimento, também não era para menos, já fazia um bom tempo que não olhava para o corpo de um homem sem roupas, ou pelo menos sem uma parte delas. Mesmo sem ter muito controle sobre seus olhos, ela tentou evitar olhar enquanto ele deslizava a toalha sobre o peitoral de uma forma bem sensual, pois sim ele sabia que ela estava olhando e não hesitou em provocar. começou a olhar dentro de todos os armários procurando algo para ocupar os seus olhos teimosos e também para ajudar a remover a mancha de café da camisa.

— Parece que não tem nada aqui que possa tirar essa mancha, mas eu posso levar para casa e trago amanhã mesmo lavada e passada.
— Sério? Então acho que terei que trabalhar nu. — fingiu falar a sério e ela não conseguiu responder, então ele começou a rir — Nossa, você não tem nenhum senso de humor.
— Ah, por um momento eu achei que… deixa pra lá. — meio sem graça.
— Em todo caso não há pressa, costumo ter uma camisa limpa no armário, não vai combinar muito, mas deve servir.
— Me desculpe mais uma vez.
— Sabe de uma coisa, até que você tem sorte.
— Sorte, por que? — confusa pela situação totalmente contrária.
— Era outro cara que iria descer, mas decidi vir no lugar dele, se fosse ele do jeito que está nervoso, você provavelmente estaria demitida. — ao ouvi-lo se assustou — Por favor cuide bem da minha roupa. — disse sorrindo e saiu sem deixá-la dizer nada.

A princípio não entendeu nada, mas nem teve tempo para isso pois senhora Byeon chegou com o carrinho a apressando em arrumar a copa e ajeitar tudo para a hora do almoço que se aproximava. Felizmente os nervos já estavam mais controlados e durante a tarde tudo se estabilizou, os funcionários voltaram ao ritmo normal de trabalho e a copa ficou vazia por um tempo e pode contar a colega sobre o acidente, pegou até algumas dicas de como tirar mancha de café. Senhora Byeon perguntou de quem era a camisa, mas como ela nem atinou em perguntar o nome do rapaz não soube responder. Antes do fim do expediente senhora Park apareceu por lá.

— Está tudo bem por aqui?
— Está sim senhora, a estava me contando sobre um acidente que teve mais cedo, mas não foi nada grave. — senhora Byeon guardava os utensílios limpos nos armários.
— Estava distraída de novo? — ela brincou.
— Desta vez não foi culpa minha, ele que saiu correndo do elevador e não me viu. — preferiu não confessar que estava sim distraída.
— Ele quem?
— Ela não sabe, não perguntou quem era, cabeça de vento. — senhora Byeon caçoando dela e riu acompanhada da senhora Park.
— Não tive tempo de perguntar, foi tudo muito rápido e todos estavam numa correria tão grande hoje que eu só pensei em resolver logo a situação.
— Está certo. Eu já vou indo, vejo vocês amanhã. — senhora Park se despediu delas e saiu, logo e senhora Byeon terminaram de arrumar tudo e também foram embora.

buscou Shi-woo na escola e aproveitou para passar na casa de Yang Mi, acabou ficando para jantar e enquanto as crianças brincavam com a supervisão de Byung-ho, marido dela, elas conversavam na cozinha ao lavar a louça. Yang Mi ficou perplexa e com uma ponta de inveja da amiga ao ouvi-la falar do pequeno acidente com o café e o homem misteriosos, isso fez se lembrar que ainda teria que lavar a camisa e o paletó ao chegar em casa. Assim que terminaram, ela se despediu de Yang Mi e sua família voltando rapidamente para casa. Como Shi-woo estava muito cansado acabou dormindo no sofá no curto tempo em que ela tirava a roupa que havia lavado no dia anterior do varal. aproveitou para colocar as roupas do desconhecido de molho, antes deu uma cheirada constatando que o perfume dele era muito bom e pensou: “Bonito, bem vestido, simpático e cheiroso, não é possível, ele deve ter algum defeito.” Voltou ao que estava fazendo e depois foi chamar Shi-woo para tomar banho e se deitar, mas ao se deparar com ele praticamente desmaiado no sofá preferiu não acordá-lo e o levou para a cama sem banho mesmo e o cobriu dando um beijo de boa noite. Após alguns minutos, retirou a roupa de molho e deu graças a Deus que a receita da senhora Byeon deu certo, as manchas tinham saído, terminou de lavar e colocou para secar. Por fim também estava exausta e caiu na cama apagando facilmente no sono.

Quando o despertador tocou, parecia mais uma gralha de tão barulhento e quase não conseguiu desligá-lo com o atordoamento que teve ao acordar no susto, o que a proporcionou uma dor de cabeça logo cedo. Foi ao quarto do filho o acordar e em seguida foi para a cozinha arrumar o café e voltou ao quarto para ajudá-lo a se arrumar. Enquanto ele tomava o café ela passava a camisa do desconhecido com muita atenção, pois como ela se conhecia bem qualquer distração poderia fazê-la queimar a camisa. Assim que terminou e dobrou tudo em uma sacola de papel, colocou Shi-woo para escovar os dentes e tomou banho em tempo recorde, se arrumou meio que de qualquer jeito, pegou a bolsa, a sacola e o filho e saiu mais que depressa. O deixou na escola e correu para o trabalho, estava uns 15 minutos atrasada e quando chegou a recepção da empresa parecia sem ar. Passou rapidamente dando bom dia a recepcionista Heejin e ao ver a porta do elevador quase se fechando gritou para que a pessoa lá dentro o segurasse, e assim o homem o fez. Correu até ele e entrou agradecendo puxando o ar como se estivesse para morrer.

— Você está bem? — o homem a encarava meio incomodado por ela estar com os botões da camisa abertos aparecendo uma parte do sutiã, que na correria se soltaram e ela nem viu.
— Estou, obrigada. — tentando pegar fôlego.
— Se eu fosse você ficaria mais atenta ao horário, se tem algo que desprezamos são atrasos e pessoas desleixadas. — disse sério em tom rígido.
— Eu sinto muito, não foi minha intenção, eu tive alguns problemas e não consegui me adiantar hoje.
— Seu trabalho deveria ser sua prioridade. — disse com altivez.
— Desculpe senhor, eu gosto muito do meu trabalho e sempre vou me esforçar muito para fazê-lo bem, mas prioridade pra mim é certamente o meu filho, por ele sim sou capaz de qualquer coisa. — disse com orgulho e ele surpreso achou graça gostando da resposta, mas continuou bem sério e sisudo.
— Se é mãe tem mais um motivo para ser mais atenta e se dar ao respeito.
— Desculpe, mas não entendi. — não viu lógica no comentário dele.
— Está é uma empresa séria, então se vista com um pouco de dignidade. — ao ouvi-lo olhou para suas roupas e percebendo o decote juntou mais que depressa os lados da camisa tentando se esconder totalmente envergonhada, no mesmo momento as portas do elevador se abriram no 6º andar — Espero ter sido claro, não quero ter que alertá-la sobre isso novamente. 

Ele saiu do elevador e ela apertou o botão em desespero até que a porta se fechou, entrou tão despercebida no elevador que nem havia reparado que não apertou o botão do seu andar, se atrasou um pouco mais ao esperar que ele descesse novamente. Chegou na cozinha sem saber onde colocar a face que queimava de tanta vergonha e pedindo a senhora Byeon que a ajudasse com a camisa, pois perderá 2 botões. Felizmente a colega era boa de costura também e sempre carregava um kit com linha, agulha e botões sobressalentes na bolsa, consertou a camisa dela rapidamente e logo puderam começar suas atividades corriqueiras.

Aquele foi um dia bem tranquilo e por incrível que pareça não houveram pedidos de café para o 6º andar de nenhum dos sócios/irmãos. Coincidentemente, não conseguiu encontrar também o rapaz da camisa e paletó e não pode lhe entregar as peças. Mais um dia de trabalho chegava ao fim novamente, terminou de limpar a cafeteira e quando ia se despedir de senhora Byeon ouve um chamado para pegar umas xícaras que estavam na sala de projetos, que também ficava no 6º andar. Para evitar que se atrasasse em buscar o filho, senhora Byeon se encarregou de ir buscá-las. De todo jeito, já que teria que esperar o elevador descer, a acompanhou na subida do elevador e quando a senhora saiu indo em uma direção, da outra pareceu uma mulher bonita e muito elegante sobre um sapato de salto alto finíssimo e entrou no elevador já falando:

— Nossa, por que as mães tem que ser tão chatas as vezes? — reclamou colocando o óculos escuro no rosto.
— Elas estão sempre muito preocupadas, podem exagerar um pouco, mas só querem nosso bem.
— Eu sei, mas é muito cansativo, queria que ela pegasse menos no meu pé, sabe como é.
— Sei sim, apesar de ter perdido minha mãe a apenas 2 anos sinto falta de tê-la por perto, mesmo que para me dar uns puxões de orelha de vez em quando.
— Ah, eu sinto muito. — toda sem graça.
— Está tudo bem.
— Eu falo assim, mas eu amo minha mãe, se não fosse por ela eu provavelmente não seria quem sou e nem estaria aqui hoje.
— Isso é muito bonito. Eu também penso assim e quero fazer o mesmo pelo meu filho.
— Oh, você já tem filho, parece tão nova? — surpresa.
— Sim, ele se chama Shi-woo, tem 6 anos e é muito fofo. — disse toda orgulhosa.
— Ah, que mãe coruja! — elas riram — Sabe, eu queria muito ser mãe, até tentei uma vez, mas não deu certo. Eu fui muito julgada por querer ter um filho sem ter um marido, como se tivéssemos que depender de um homem para tudo, na verdade só iria precisar na hora de fazer o bebê, que vamos concordar é a melhor parte. — ela disse fazendo corar de vergonha e começaram a rir, as portas do elevador se abriram e saíram caminhando juntas até a porta principal — Bom, hora do descanso, comida congelada e cama vazia aí vou. Até amanhã! — disse descontraída e sorrindo.
— Até! — se despediram e foram uma para cada lado.

No caminho para a escola do filho, ficou pensando na moça do elevador e o quanto era simpática e divertida, acabou se repreendendo, pois mais uma vez se esqueceu de perguntar o nome de alguém que acabou de conhecer.



Capítulo 5

No outro dia, na empresa, fazia o relatório de compras e gastos da cozinha com supervisão de senhora Byeon, para entregar a contabilidade, era uma das últimas coisas que precisava aprender, pois já era próxima a saída da colega. Quando terminaram, iria levar o relatório ao escritório no 3º andar, mas antes dela sair receberam uma chamada do 6º andar com um pedido de 2 cafés e um cappuccino para a sala de reuniões, para os sócios. praticamente implorou a senhora Byeon que a deixasse levar desta vez para que pudesse finalmente conhecê-los, com muito custo conseguiu convencê-la, mas ela a encheu de recomendações para que não fizesse nada errado e não houvesse acidentes como o anterior. Sendo assim prepararam tudo no carrinho e enquanto senhora Byeon foi entregar o relatório, foi levar os pedidos a sala de reuniões. Ela bateu na porta e anunciou “Serviço de copa!” e uma voz no interior deu permissão para que entrasse. Ela abriu a porta e empurrou o carrinho para dentro a fechando em seguida, ao levantar a cabeça e ver os três sentados à mesa focados falando de alguns contratos de trabalho, levou um susto os reconhecendo a cada um conforme os episódios passados. Mesmo estando tão quieta os olhando, atraiu os olhos da mulher que estava sentada à esquerda da extensa mesa oval.

— Oh, é você! — Ji-young ao reconhecê-la disse fazendo com que os irmãos também a olhassem, Kang-joo, a direita em frente a irmã deu um sorriso saliente enquanto , na cabeceira entre eles, ficou um pouco desconfortável.
— Olha é a moça do café, a que me deu um belo banho. — Kang-joo disse ao reconhecê-la.
— Sério? Que coincidência, era justamente dela que eu estava falando hoje cedo. Nem dá para acreditar. — completou Ji-young.
— Então ela é a moça do elevador? — Kang-joo surpreso.
— Isso mesmo. Agora, só falta ela ser a moça do decote profundo também. — assim que ela disse começou a tossir engasgado, os dois olharam para ele e então se olharam concluindo e disseram juntos rindo — Moça do decote profundo! — a situação era cômica, mas assistiu a cena muito envergonhada, com uma vontade imensa de sair correndo, mas suas pernas estavam paralisadas.
— Vocês são ridículos. Não veem que estão a deixando constrangida? — tentando os fazer parar.
— Pelo visto não é só ela que está. — Ji-young ao reparar o rosto dele corando também.
— Por favor, parem com isso, é vergonhoso. Ei você, qual seu nome? — perguntou sério.
, Seung , sou a nova copeira. — gaguejou de leve, muito tímida. 
, é um belo nome, combina com você. — Kang-joo esbanjando charme.
— Kang-joon, melhor tomar um banho de água fria. , por favor não se assuste, meus irmãos tem problemas mentais. Venha chegue mais perto,não precisa ter medo.

mesmo sem jeito, empurrou o carrinho caminhando para perto deles e os serviu com as mãos trêmulas. Enquanto Ji-young e Kang-joo tentavam ao máximo segurar o riso pela situação, cobria o rosto com a mão de tanta vergonha dos irmãos, até que perdeu a paciência.
— Senhora Seung, por favor nos perdoe por lhe causar tamanho constrangimento. Infelizmente, meus irmãos ainda não tem maturidade suficiente para saber o limite do respeito, mas lhe dou minha palavra que isso não irá se repetir. — ao ouvi-lo pronunciar com altivez e uma certa irritação, os dois se endireitaram e ficaram sérios.
— Meu irmão está certo, , por favor aceite nossas sinceras desculpas.
— Faço das palavras de Ji-young as minhas, sinto muito tê-la exposto desta maneira.
— Está tudo bem, não foi nada demais, eu os desculpo.
— Ah, que bom, aproveitando a oportunidade, deixe-me nos apresentar, eu sou Park Ji-young, o rapaz super educado a minha esquerda é Park — os olhos dele encontraram os de por um minuto, mas os desviou meio sem jeito — E este belo e empolgado rapaz a minha frente é Park Kang-joo, o caçula da família — ele piscou um dos olhos pra ela sem nenhum constrangimento — Em nome de todos nós quero dar lhe as boas-vindas a empresa, espero que possamos contar com seu apoio e com sua ajuda fazendo um bom trabalho.
— É um prazer e obrigada, podem ter certeza que me esforçarei muito e darei o meu melhor.
— Não disse que ela era fofa. — Ji-young não se conteve.
— É sim e também muito prestativa, além de linda. — Kang-joo a fez corar de novo.
— E já que trabalha aqui, também deve ter muito o que fazer. Senhora Seung, não precisaremos de mais nada no momento, pode se retirar, obrigado! — disse com autoridade, mas dessa vez sem alterar a voz, muito educado.
— Sim senhor, com licença. — fez reverência e saiu com o carrinho meio tensa.
— Agora que já se divertiram, vamos voltar ao trabalho.
— Como queira senhor engenheiro chefe, mas antes vai nos dizer o que achou dela, e não vale mentir. — a irmã disse com malicia.
— Ji-young, as vezes você é um saco sabia? Não tenho nada o que achar.
— Ah, para de enrolar e fala logo. — Kang-joo também cobrando resposta.
— Tudo bem, ela é… — pensou um pouco antes de falar, pois não iria se entregar — interessante, satisfeita?
— Interessante? Não tem nada melhor para dizer? — Ji-young ficou inconformada.
— Esse cara é cego, vai por mim, melhor não insistir. Ele só tem olhos para os projetos, o que é bom, assim aumentam minhas chances. — o caçula se achando.
— Convencido. — ela disse lhe jogando o lenço.
— Aish, vocês podem se concentrar? — o irmão os repreendendo.
— Tudo bem, que mau humor. — Kang-joo jogou o lenço de volta para a irmã, por fim os três se olharam e sorriram um para o outro.

Com uma certa dificuldade, conseguiu trazer a atenção deles de volta ao trabalho. Já na cozinha, estava bastante distraída, enquanto lavava os utensílios seus pensamentos ainda estavam na sala de reuniões questionando como podiam ser tão diferentes sendo irmãos, e acabou deixando senhora Byeon falando para as paredes sem prestar atenção a nenhuma palavra do que dizia. Quando deu por si já estavam encerrando o expediente e estava sendo sacudida pela colega.
, você está se sentindo bem? Ficou estranha de repente, parada olhando para o nada e eu estou te chamando a um tempo.
— Ah, me desculpe, eu estou bem sim, não se preocupe.
— Se você diz, então vá pegar suas coisas, já terminamos nosso horário devemos ir.
— Sim, não posso deixar Shi-woo esperando muito tempo. — ela se levantou e foi logo pegar suas coisas e as duas saíram juntas, mas tomando caminhos opostos.

não conseguiu chegar no ponto a tempo de pegar o ônibus que estava acostumada, pois ele se adiantou alguns minutos. Naquele dia não tinha dinheiro suficiente para pegar um taxi e teve de esperar o próximo ônibus que só passaria em 20 minutos. Passado o tempo estimado conseguiu pegar o ônibus e quando estava a alguns pontos da escola, sentiu o celular vibrando na bolsa e ao olhar para a tela, seu coração deu uma leve palpitada, era chamando, logo atendeu.
— Alô.
— Oi, , sou eu, .
— Ola, tudo bem com você?
— Sim, tudo, e com você?
— Estou muito bem, obrigada.
— Que bom, e Shi-woo?
— Ele também está bem, na verdade estou a caminho para buscá-lo na escola, você queria falar com ele? Eu já estou quase chegando, se puder esperar um pouco...
— Ah, não, não é necessário, não se preocupe, eu só liguei para saber como estavam, fiquei com saudades de repente. — ela ficou sem palavras para responder, ele disse no plural — De qualquer maneira, ligarei novamente no fim de semana, assim teremos mais tempo para conversar, pode ser?
— Sim, fique à vontade.
— Obrigada, vou desligar agora, tchau.
— Tchau.
Ela desligou o aparelho meio confusa e atrapalhada em suas ideias, ao olhar para fora do ônibus constatou que havia passado do ponto em que deveria descer, levantou rapidamente pedindo para o motorista parar e assim que ele o fez correu para fora seguindo para o interior da escola. Procurou até achar Shi-woo sentado sozinho em um balanço da área de lazer e foi até ele se sentindo mal pelo atraso.
— Shi-woo? — se agachou em frente a ele que não estava com uma carinha muito boa — Está chateado por que eu me atrasei, não é? — ele só a olhou sem responder e abaixou a cabeça — Por favor me perdoe, eu me distraí um pouco e acabei perdendo a hora.
— Eu achei que tinha esquecido de mim e iria me deixar aqui sozinho, que nem o appa. — disse com uma voz chorosa de cortar o coração.
— Não diga mais isso, eu nunca deixaria você, por nada nesse mundo, você sabe que a sua omma é um pouco desligada, mas não poderia esquecer de você que é a pessoa mais importante na vida dela, então não fique assim ou eu vou ficar muito triste também.
— Desculpa, omma! — ele praticamente pulou do balanço a abraçando forte e ela se segurou para não chorar.
— Eu quero te pedir outra coisa, me prometa que não vai mais dizer que seu pai o deixou, isso não é verdade. — dizia enquanto limpava o rosto dele — Ele teve que se mudar e por isso não pode estar aqui, mas ele também senti muito a sua falta. Tanto que me ligou agora mesmo querendo saber de você, se estava bem.
— É sério? — o coração dele se encheu mais de esperança.
— É claro que é, e ele disse que ligaria de novo no fim de semana para poderem conversar bastante. Agora, me prometa que não dirá mais essas bobagens.
— Está bem, eu prometo.
— Bom menino! Vamos pra casa, já está tarde e eu sei que você deve estar morrendo de fome. — se levantou dando a mão para ele.
— Podemos comer soondubu hoje? Eu estou com muita vontade.
— Hum, acho que somos realmente muito parecidos, também estou com muita vontade de comer soondubu. — ela disse com uma voz engraçada e riu o fazendo rir com ela, certamente estava bem mais alegre na volta pra casa.

Nada como uma noite tranquila para renovar as forças, mas no caso de as coisas pareciam tão confusas que ela demorou um pouco a pegar no sono devido aos fatos que ocorreram naquele dia. Apesar da situação nada sutil na sala de reuniões, ela até começou a achar graça e por um momento ao se lembrar do olhar de se sentiu estranha, de repente olhou para a sacola com as roupas de Kang-joo que ainda não tinha tido a oportunidade de entregar e sorriu pensando no seu jeito tão desinibido e seus elogios, mas rapidamente ao se lembrar da conversa com o ex-marido ao telefone, ficou se perguntando se haveria alguma esperança para uma reconciliação, sentiu seu coração se apertar um pouco e se agarrou aos travesseiros adormecendo logo depois.

A quinta-feira passou tranquila apesar da notícia de que senhora Byeon já iria deixá-los naquela semana, e como na sexta-feira seria seu último dia de trabalho os funcionários combinaram de lhe dar uma festa de despedida depois do expediente. Para poder aproveitar a festa, pensou em pedir a Yang Mi para pegar Shi-woo na escola quando buscasse Cho-hee e o levasse para a casa dela até que pudesse buscá-lo. Então, depois do jantar enquanto o filho terminava o dever na sala com sua supervisão, ligou para a amiga.

— Yang Mi, sou eu , desculpe ligar a essa hora.
— Está tudo bem, eu já tinha terminado o que estava fazendo, aconteceu alguma coisa?
— Não, pelo menos nada grave, na verdade eu liguei para pedir um favor. Sabe a senhora que eu falei que estava me ensinando as tarefas no trabalho?
— Sim, você disse que ela iria se aposentar em breve.
— Isso mesmo, eu fiquei sabendo hoje que amanhã será seu último dia e todos estão planejando dar uma festa de despedida pra ela depois do expediente, então eu pensei se você poderia buscar Shi-woo e ficar com ele na sua casa para que eu pudesse participar, se não tiver nenhum problema é claro.
— Problema nenhum, pode deixar comigo.
— Ah, Yang Mi, nem sei como agradecer, eu só pretendo ficar um pouco para marcar presença, de certa forma é um jeito de agradecer a paciência que ela teve em me ensinar durante esses dias. Eu prometo que não vou demorar.
— Por favor , deixe de ser boba, fique o quanto quiser e aproveite bastante, você quase não sai, vai ser bom passar um tempo descontraído com pessoas da sua idade.
— Você acha?
— É claro, e se quiser o Shi-woo pode dormir aqui já que não terão aula no dia seguinte, assim você se diverte sem a preocupação de voltar correndo para buscá-lo.
— Nossa, você realmente faria isso por mim, Yang Mi?
— Eu não seria sua amiga se não fizesse e além do mais você está precisando conhecer alguém, quem sabe nessa festa você não desencalha, ham?
— Ah, não diga isso, eu não estou procurando por isso agora, aquele assunto ainda é muito recente. — mediu as palavras pois o filho estava perto, então se levantou e foi para a cozinha e ficou vigiando de esquina para que ele não a ouvisse falando.
— Pois eu acho que você deveria procurar sim. Você é uma mulher jovem, bonita vai me dizer que não tem ninguém interessante no trabalho?
— Pra ser sincera, até que tem sim, mas é que… — ficou com um pouco de receio de falar.
— O que, o que foi?
— Eu andei pensando no jeito com que tem falado comigo nesses últimos tempos e …
— Não , espere um momento, você ainda tem esperanças que vocês dois voltem, depois de tudo que ele fez e as coisas horríveis que te disse? — ela disse em tom reprovador.
— Eu sei que não deveria, mas eu ainda penso muito em .
— Então você o perdoou?
— Não posso dizer que já o perdoei, mas ainda sinto algo muito forte por ele e as vezes tenho a impressão que ele também não deixou de me amar, só se esqueceu por um tempo.
, me responda com sinceridade, se ele te pedisse para voltar pra casa, melhor dizendo se ele te pedisse para ficarem juntos de novo, você aceitaria?
— Na verdade eu não sei, as vezes penso que gostaria disso e outras vezes penso que não conseguiria confiar nele novamente, e no fim não sei o que quero e o que acho que seria melhor: dar uma chance ou esquecê-lo de uma vez por todas.
— Você sabe o que eu penso sobre traição. Eu gostaria de poder ajuda-la nesse dilema, mas desta vez você terá que resolver isso sozinha e deve estar preparada para arcar com as consequências do que escolher.
— Eu sei, em todo caso obrigada por me ouvir e por me ajudar.
— Não tem de quê, estarei aqui sempre que precisar e pode dormir tranquila que amanhã Shi-woo ficará por minha conta.
— Sim, obrigada. Boa noite.
— Pra você também.

Antes de dormir, preparou a mochila do filho e mais uma bolsa com tudo o que iria precisar e roupas para poder ficar confortável na casa de Yang Mi e por fim conversou com ele sobre a necessidade de dormir na casa da amiga. Shi-woo gostou da ideia e foi super compreensivo, topou sem nenhum questionamento, com tudo em ordem foram dormir tranquilos. 

Já na casa de , em Hanam, as coisas não estavam tão tranquilas assim, pois apesar de sempre fazer as vontades da amante, a mulher parecia insaciável a ponto de pedi-lo para parar de enviar dinheiro para a ex-esposa e o filho. podia ser muita coisa, mas não poderia ser canalha a tal ponto e isso fez com que discutissem feio e entre um insulto e outro, Minah debochou dele dizendo que não era homem o suficiente para ela e se parecia mais com um cachorrinho implorando atenção do dono. Isso foi a gota d’água para ele, que já tinha deixado passar muitas coisas que não o agradavam, desde que a assumiu deixando . Dessa vez não teve como ignorar a situação atual e resolveu juntar suas coisas e sair de lá se hospedando em um hotel barato. Mal dormiu a noite e na manhã seguinte pediu dispensa do trabalho por dois dias, não queria demorar a resolver aquela pendência e de certa forma revidar o desaforo que escutou. Voltou até a casa e como não tinha nenhum vínculo de matrimônio ou algo parecido com Minah, não se preocupou em mandá-la para fora, de início se fez de sonsa, mas vendo que não iria convencê-lo, Minah pegou suas coisas e saiu as colocando no carro que ele a deu fazendo um escândalo, chamando a atenção de todos os vizinhos. E para completar disse em alto e bom tom que estava o traindo com outro homem que podia lhe dar o que queria.

Naquele momento o sangue dele ferveu e teve vontade de lhe esbofetear a cara, mas se controlou, pois também não era aquele tipo de homem, o que o fez se lembrar de quando saiu de casa pela primeira vez. A forma com que disse todas aquelas palavras para , e ela mesmo tendo todo o direito de brigar, gritar e até ofendê-lo não o fez, sendo totalmente passiva e contida. Ele agora estava recebendo de volta o que fez de mal a ela, ouvindo tudo aquilo como se fossem arames farpados lhe cortando a pele e no fundo sentiu que merecia passar por toda aquela vergonha a que foi exposto por Minah. Assim que ela foi embora, contatou a imobiliária de quem comprou a casa e perguntou se havia alguém interessado em comprá-la, mesmo que por um valor abaixo do mercado, pois tinha urgência em vendê-la. A imobiliária ficou de verificar e negociar o melhor preço para ele, para que não saísse no prejuízo já que a comprou por um valor considerável e lhe dariam uma resposta até o dia seguinte.

Por mais que não queria esperar, não teve outra alternativa, contudo estava se sentindo um pouco aliviado e começou a pensar no que faria dali em diante e até mesmo cogitou a possibilidade de voltar para Gwangju para ficar perto do filho, surpreendentemente também se sentiu à vontade para pensar em tentar um retorno com .



Continua...



Nota da autora:
Olá sou a Pri unnie, estou aqui mais uma vez, espero que gostem deste novo romance. Fiquem à vontade para aproveitar dessa fic com seus bias/preferidos de outros grupos e para deixar seus comentários!!!
"Obrigada Deus pela criatividade que o Senhor me dá e pela paciência que o Senhor tem para me ensinar a usá-la da forma que te agrada.
Louvado seja Deus! Amém."

*-* By: Pri



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