09. Then there's you

Postada em: 12/11/2017

Capítulo Único

“Some girls walk in the room and everything remains
But when you opened up the door, my life completely changed”

Existe uma grande desvantagem quando sua irmã namora seu melhor amigo: Às vezes eles se unem contra você.
Em uma dessas vezes, eu perdi uma aposta para os dois e acabei em uma sala de aula vazia esperando minha primeira aula de forró começar. e estavam do meu lado e se revezavam para soltar risinhos de deboche do meu desconforto.
Veja bem, eu tenho uma banda de rock e dois pés esquerdos… Aquilo nunca daria certo! Mas quando tentei argumentar, fez que não com a cabeça.
“Eu tô na mesma banda que você e tô aqui, oras…”
“Você é pau mandado da minha irmã!” - Resmunguei. E também não era justo, porque meu cunhado era baterista, o que significava que ele tinha muito mais coordenação motora que eu!
Enquanto eu olhava para o chão e reclamava, ouvi a porta se abrir e alguém cumprimentar alegre. Meus olhos não estavam prontos para vê-la quando levantei o rosto.
A garota, que devia ser a professora, tinha mais ou menos a nossa idade e sorria e conversava alegremente com as pessoas mais perto da porta. Trazia uma caixa de som para iPhone nas mãos e uma extensão.
Mas o iPhone, a extensão, as outras pessoas, o resto da sala… Todos os detalhes pareciam irrelevantes diante da beleza dela. Eu estava hipnotizado!
Ela tinha um sorriso genuíno, parecia não haver esforço nenhum ali para demonstrar felicidade daquele jeito. Seus dois dentes da frente tinham um pequeno espaço entre eles, deixando-a ainda mais charmosa. Os cabelos cacheados caindo pelos ombros e uma margarida presa atrás da orelha, combinando com seu vestido amarelo.
E então ela se virou e fixou seu olhar em mim. Seus olhos me fizeram entender o que Machado de Assis quis dizer quando descreveu os olhos de Capitu: “Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca”. Eu me sentia tragado para dentro deles, realmente.
Eu nunca acreditei em amor à primeira vista, por isso só fiz piscar e tentar me livrar daquele sentimento engraçado que tinha tomado conta de mim em tão poucos segundos. Ela era linda mesmo, talvez a pessoa mais linda que eu já tinha visto. Mas amor era mais que aquilo, certo? Eu nunca tinha me apaixonado, então não fazia ideia…
“E você… Eu não conheço!” - Ela disse ainda me olhando. Parecia ser tão bem humorada que minha vontade de fugir dali já não existia mais.
“Esse é o meu irmão, …”
, o nome dela era .
“Ah!” - Ela disse, parecendo entender. - “O fujão!”
“O próprio! Finalmente consegui arrastá-lo!” - brincou. - “, . , .”
Minha nova professora parecia estar se divertindo com o meu desconforto. E, porque eu mal conseguia tirar os olhos dela, me senti um pouco envergonhado em estar sendo apresentado sob uma perspectiva tão negativa. Não queria que ela achasse que eu não queria estar ali.
Porque agora eu queria.
“Prazer, !” - falou, acenando. - “Fique à vontade, espero que você se divirta!”
“Ok!” - Respondi, me sentindo patético. Eu nem conseguia dizer alguma coisa inteligente para impressioná-la.
Enquanto ela se distanciava para ir ligar o iPhone na caixa de som, eu voltei a olhar para o chão. Me sentir tão desnorteado desse modo era novo para mim. Não era muito agradável.
“Vamos aquecendo com um pouco de Rastapé, pessoal!”
E assim que a música começou, um forró pé de serra que eu me lembrava ter escutado anos e anos atrás, meu estômago despencou mais uma vez. Eu não curtia aquele estilo de música, eu não sabia dançar… E para piorar, as pessoas ao meu redor se juntaram em pares para começarem a dançar e eu sobrei sozinho. Minha irmã e passaram por mim dançando e me deu uma bundada, achando tudo extremamente engraçado.
E então eu a vi me olhando de novo, lá da frente da sala. O sorriso divertido, enquanto fazia que não com a cabeça. Veio em minha direção em um balanço ritmado e parou com os braços em posição, esperando que nós dançássemos juntos. Bom, se eu queria impressioná-la, aquilo definitivamente era a última coisa que eu devia fazer.
“Vem, eu te ensino!” - disse. Seu olhar agora era terno, não havia deboche. Sorri involuntariamente.
Dei alguns passos para frente e segurei sua mão e coloquei a outra em suas costas. Ela riu e abaixou minha mão até o seu quadril, chegando mais perto de mim. “Eu não sei fazer isso…” - Falei envergonhado, como se pedisse desculpas.
“Ninguém aqui sabia. Mas não é difícil, é só seguir o ritmo…” - Ela estava conduzindo, o que não era o ideal, mas pelo menos assim nós estávamos nos mexendo. - “Dois pra lá. Dois pra cá. Dois pra lá… Isso! Não olha para baixo…”
Em uma única música, eu pisei em seu pé três vezes e me perdi no passo mais simples de todos. , porém, parecia ter toda a paciência do mundo.
E eu parecia incapaz de tirar meus olhos dela.

“Some girls be craving that attention to be seen
But the one I'm looking at is right in front of me”
***

“There's no words to express
When you're wearing that dress that way”

Ao contrário do que minha irmã previu, aquela não foi minha primeira e última aula de forró. É claro que ela nem desconfiava (ou desconfiava?) do motivo do meu empenho. havia me conquistado em um segundo… Mas eu me sentia um imbecil quando estava perto dela, precisaria de umas mil aulas para conquistá-la. Se é que ela estava disponível para ser conquistada.
Mas acreditem se quiser, eu estava melhorando. Já era capaz de conduzir em passos básicos, apesar de me distrair facilmente se minha parceira não fosse a professora de forró mais bonita do mundo!
Cada semana ela aparecia em um vestido diferente, uma flor no cabelo diferente, mas o mesmo sorriso encantador. O mesmo jeito de quem flutua em vez de andar.
Para minha felicidade, dessa vez ela dançava comigo por mais de uma música.
“Você acha que eu melhorei?” - Perguntei. - “Desde a última vez que dançamos?”
Ela riu.
“A última vez que dançamos foi há cinco minutos!”
“Eu aprendo rápido…” - Disse, dando de ombros. Eu a rodei uma vez e levantei uma das sobrancelhas, fazendo-a rir mais.
“Tô vendo!”
Fazê-la rir era maravilhoso! Eu queria poder passar o resto dos dias fazendo isso.
?” - A chamei, quando nossos corpos já estavam um contra o outro de novo. Respirei fundo e tomei coragem. - “Lembra que te falei que eu trabalho em um bar?”
“Lembro!”
“Eu… Queria te convidar para ir lá, você disse que não conhecia…” - Falei de uma vez. - “Minha banda vai tocar no sábado.”
Ela não respondeu de primeira e eu senti um gelado no peito.
“Eu… Não bebo.” - Ela respondeu, meio sem graça.
Nós éramos água e óleo, eu sabia disso. Mas mesmo assim, eu ainda achava que podíamos dar certo. Eu desejava muito que nós pudéssemos.
“Ah, isso não é problema… A não ser que você não se sinta confortável em um bar. Nós temos sucos e batidas não alcoólicas também.”
“Você quem prepara os drinks?” - perguntou me olhando de um jeito engraçado. Fiz que sim com a cabeça, sem conseguir responder ao perceber que ela estava prestes a aceitar um convite de me ver fora daquele ambiente pela primeira vez. - “Você prepara drinks melhor do que dança?” Foi a minha vez de rir alto e ela me acompanhou.
“Eu preparo drinks como você dança!” - Repliquei.
mordeu os lábios me encarando com seus olhos que puxavam tudo para si. E eu soube que não queria ninguém mais que não fosse ela.

“There's no words to describe
Let me look in your eyes and say
There's beautiful and then there's you”
***

“Some girls, they hit me up saying, ‘What you doing now?’
But they don't really understand the masterpiece I've found”

Eu havia acabado de anotar os pedidos de e suas amigas e voltava para o balcão. Mal podia acreditar que ela tinha mesmo ido! Estava ainda mais estonteante do que eu já havia a visto, em um vestido azul marinho mais colado ao corpo e o cabelo espalhado por todo o ombro e as costas expostas.
Percebi que estava parecendo mais nervosa do que seu jeitão descontraído da aula de forró. Imaginei que estivesse se sentindo um pouco como eu me sentia lá… Fora da zona de conforto. Mas estava feliz que ela tivesse ido! Devia significar algo. Ou assim eu esperava!
“Quem são as bonitinhas?” - perguntou, quando me aproximei.
“Umas conhecidas…” - Tentei disfarçar, passando para o lado de dentro do balcão e me juntando a ela.
“Conhecidas, é? Qual delas?” - Minha amiga parou em minha frente e franziu a testa, como se tentasse ler além do que eu havia dito.
As pessoas costumavam pensar que eu e tínhamos algo a mais e eu não podia culpá-las… Nós passávamos o tempo todo um com o outro, já que trabalhávamos juntos e ela ainda era a vocalista da minha banda.
Mas o problema era exatamente esse! Por sermos tão grudados, sabíamos demais um sobre o outro. Eu sabia, por exemplo, que nós nunca teríamos nada… era apaixonada pela minha irmã. Sim, minha irmã que era hetero e namorava o baterista da nossa banda.
E porque eu era o único que sabia que a vida amorosa dessa pessoa que eu adorava não tinha muita solução, eu a deixava fazer piada e tomar conta da minha.
“A de vestido azul… É a minha professora de forró.”
Sorri envergonhado e pareceu vitoriosa diante da minha confissão.
“Eu sabia que você não tava indo nessas aulas à toa!”
se virou e, sem o mínimo de discrição, se apoiou no balcão para observar a mesa de e suas amigas, enquanto eu preparava as bebidas delas.
“Ela é bonitinha…”
“Ela é linda!” - Corrigi, mas sem tirar os olhos do morango que picava. Eu não precisava olhá-la para saber que ela devia estar parecendo um anjo.
Ouvi um ronco de risada debochado vindo da minha amiga.
“Ai, que apaixonadinho!”
Não respondi nada e continuei concentrado no que estava fazendo. Eu não podia negar que estava mesmo…
Mas então a pergunta que às vezes rodava na minha cabeça me pegou de novo e eu resolvi fazê-la à .
“Nós somos muito diferentes… Você acha que daria certo?”
Ela percebeu que o assunto era sério e se endireitou.
“Sua irmã e também são… Para eles deu certo…” - respondeu, dando de ombros ressentida. Me doía não poder fazer nada por ela. - “Acho que é uma questão de querer que dê certo.”
“E eu quero…” - Falei, fazendo-a abrir um sorriso.
“Eu te conheço o suficiente para saber que sim.” - Ela veio até mim e tirou a coqueteleira da minha mão. - “Vai lá ficar com ela, tá dispensado até a hora do show…”
Nós dois rimos e eu dei um beijo em seu rosto antes de sair.

Assim que comecei a andar pelo bar, encontrei aquela que procurava indo na direção contrária. Ela abriu um sorriso a me ver.
“Hey, eu estava… Hum… Indo te procurar.”
“Ah, me desculpa, eu me enrolei preparando os drinks de vocês, mas já tá quase pronto! Prometo que não vai demorar nada!” - Tentei justificar o atraso no atendimento à mesa dela, achando que esse era o motivo.
riu e ajeitou o cabelo de um jeito encantador.
“Não, eu…”
Senti borboletas no estômago ao entender por que ela estava corando. Aquele era o momento certo para dar um passo à frente no que quer que aquilo pudesse ser.
“Vem comigo!” - A interrompi, conduzindo-a para a área de fumantes que naquele momento estava vazia.
Era um dia gostoso de primavera e o céu não podia estar mais estrelado. também pareceu estar admirando aquele início de noite, os olhos ternos e um sorriso de lábios fechados no rosto.
“Que noite gostosa!” - Disse e, abaixando a cabeça de novo, passou a me encarar. - “As meninas adoraram o bar. Estão doidas para voltar!”
“Que bom!” - Respondi. Meus olhos estudando seus detalhes que eu já parecia ter decorado. - “Espero que vocês gostem da banda também!”
“Tenho certeza que sim… Eu sei que minha amiga Gigi já adorou a vocalista!”
“Hum!” - Levantei as sobrancelhas enquanto nós dois ríamos. - “Vou me lembrar de passar essa informação adiante!”
“Isso!”
Ficamos em silêncio por um momento, nos encarando.
“E você?” - Perguntei. - “Algum interesse na banda?”
mordeu os lábios e abaixou a cabeça, tímida.
Resolvi continuar falando até que ela dissesse que sim ou me mandasse à merda.
“Porque eu tenho interesse em você, para ser sincero. Você é a garota mais linda que já vi! E seu jeitinho… Eu estou completamente envolvido!”
Ela levantou os olhos e sorriu.
“Quer dizer que você não estava indo às aulas por amor à dança, não é?” - Disse, num tom brincalhão.
Eu ri e fiz que não com a cabeça.
“Mas não posso reclamar. Tinha a chance de dançar com você duas vezes por semana!” - Dei de ombros, ainda nervoso porque ela parecia estar mudando de assunto.
“Você é uma graça!” - respondeu rindo.
“Mas?” - Parecia ser uma situação de “mas…”. - “Mas você só quer ser minha amiga…” - Completei para ela.
“Não, sem “mas”. Eu… Eu só não achei que ia acabar me sentindo assim por um roqueirinho…”
“Roqueirinho?” - Fingi estar ofendido.
“Sim… Sempre soube que caras de banda são problemáticos demais e, mesmo assim, olha onde eu fui me meter?!”
Eu estava tão feliz com a resposta dela que, meio involuntariamente, acabei dando um passo para frente e passando meus braços por sua cintura. não se esquivou. Pelo contrário, subiu os braços até meu pescoço. Senti o corpo todo arrepiar enquanto ela me olhava de tão perto.
“Eu não sou problemático. Não vou fazer nada para te machucar, pode confiar!”
“Eu espero que não… Porque acho que não tem mais volta...” - Ela falou.
E eu soube que só havia uma coisa a fazer, quando tive certeza que ela sentia o mesmo. Beijá-la foi a sensação mais surreal que eu já havia sentido.
Me lembrei de quando eu estava confuso sobre como era se apaixonar por alguém, se era daquele jeito. Não, era ainda melhor! Era quente e fazia formigar cada pedaço do meu corpo. Eu me sentia vivo e extremamente feliz. era apaixonante até quando eu estava diante dela de olhos fechados.

Naquela noite, minha banda tocou como nunca antes. Eu era um roqueirinho tentando impressionar minha professora de forró, que parecia estar gostando e balançava a cabeça no ritmo das músicas. e tinham feito a maior festa ao nos ver entrando de volta no bar de mãos dadas e já haviam se elegido os maiores responsáveis por aquela novidade. E tinha sido apresentada a uma garota muito bonita e, mais importante, disponível e interessada nela.
E eu estava mesmo rindo à toa, como já dizia aquele velho forró pé de serra…

“Those girls be wondering why I haven't been around
And if they haven't figured out, I bet they hear me now
There's no words to express
When you're wearing that dress that way
There's no words to describe
Let me look in your eyes and say
There's beautiful and then there's you”



Fim.



Nota da autora: Essa é a primeira vez que escrevo uma fic com personagens brasileiros e acho que eu ainda tenho muito a melhorar! Quero desde já pedir desculpas para quem tem Then there’s you como música favorita, porque eu acho que essa fic não é meu trabalho mais brilhante. Então fiquem a vontade para mandarem comentários com sugestões e críticas para a próxima sair melhorzinha haha...

Nota da beta: Ah, Lary, para de inventar moda, a fic ficou muito boa! Nossa, to apaixonadinha nesses dois e muito triste porque queria muito mais deles. Sério, amei amei amei a fic, parabéns Lary!
Quero ver lindos comentários aqui embaixo pra nossa autora que escreveu essa lindeza e ver todo mundo indo ler as outras fics desse ficstape maravilhoso. Xx-A

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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