Closer

Última atualização: 06/11/2017

Capítulo 1

Disney Springs. Dezembro de 2016.

O final de tarde no espaço destinado a compras do grande complexo de parques de Orlando estava cheio. sentia seus pés doerem levemente. O dia fora a concretização da frase clichê: "Você vai aos Estados Unidos pra fazer compras, não é?". Para suas duas amigas, Julia e Luísa, a resposta era sim, mas, para ela, a viagem era para conhecer as melhores montanhas-russas da cidade. Claro que ela não deixou de comprar – seu dinheiro quase foi embora com materiais para a faculdade de Arquitetura e com acessórios para sua câmera -, porém consciente de que não precisava de milhares de cremes da Victoria's Secret.
Agora, sentada em um banco no espaço aberto de um restaurante, pôde respirar. Não poderia se cansar, afinal ainda tinha o show do The Chainsmokers para ir. Onde estão às amigas, você se pergunta. Bem, elas tiveram a ideia de jerico de andar atrás de produtos exclusivos do novo filme d’A Bela e a Fera. "Emma Watson nem é isso que dizem que por aí", pensou, "Conto de fadas? Amor é capaz de mudar tudo? Hunf". A chamavam de insensível por dizer sua opinião. Ela não ligava e continuava a enaltecer Leia Organa.
colocou seus pertences – sua mochila e suas duas sacolas - ao seu lado e observou o lugar. Dos altos falantes, uma banda folk tocava e os pisca-piscas pendurados de ponta a ponta no telhado do lugar com aparência rustica davam um toque aconchegante, mesmo que ao redor deles cores e mais cores pareciam brigar para aparecer. Tirou sua câmera do bolso frontal, tirou algumas fotos e depois passou a olhar as fotos que tirou no dia. Orlando não era exatamente bonito, porém tinha seus encantos. Concentrada demais fazendo as primeiras edições, não percebeu que um pequeno grupo sentou ao seu lado. Dois meninos e uma menina conversavam e riam algumas vezes, sem atrapalhar ninguém.

- Hey – O menino de cabelos escuros chamou-a. – Can you take off your backpack from the bench, please?

A menina deu um pulinho do banco, fazendo-o rir. olhou para o lado e sorriu sem graça.

- Sure. – Ela respondeu.

Ela tirou suas coisas, apoiando-as no chão logo em seguida. Voltou a olhar suas fotografias sem perceber que o menino ao seu lado acompanhava seus movimentos.
- Fotos bonitas. – Ele falou apontando para a que estava no visor. Nesta, aparecia sorrindo com o pé esquerdo apoiado na parede de tom rosa claro.
- Obrigada. – Respondeu envergonhada, passando a mão em seus cabelos pretos e ondulados, recém cortados na altura do pescoço.

Ele sorriu e voltou a conversar com seu amigo. manteve o pequeno sorriso no canto dos lábios. De cabeça baixa, tentou manter a atenção a que fazia anteriormente, porém sua curiosidade a fazia olhar discretamente a ele. Seu sorriso e seu jeitinho fofo estavam atraindo-a.

- You gotta go and get angry. - cantarolou a letra da música que parecia ter surgido do nada. Afinal, não tinha nada a ver com o espaço que estava.
- At all of my honesty. - O rapaz completou. - Você gosta do Justin também?
- Não, não. - Balançou a cabeça. - É que essa música é realmente viciante. Ele riu.
- Você gosta de qual estilo? - Perguntou a ela, curioso.
- Folk, indie. E você?
- Gosto de pop, eletrônico ou qualquer coisa que escute e ache legal.

A menina concordou.

- Qual seu nome?
- Christian Pulisic.
- - Estendeu a mão.

Christian apertou.

- Esses são Logan, meu amigo, e Devyn, minha irmã. - Ele apontou. Os dois citados deram tchauzinhos simpáticos. - Ainda tem Brendan, Emma e Madison, que foram comprar batatas-fritas, nuggets e mais o que tem de gorduroso e doce. - Ele riu.
- Minhas duas amigas, Julia e Luísa, estão por aí dando dinheiro ao tio Patinhas. - Riu pelo nariz.
- É a atmosfera do lugar. – Comentou rindo.
- Tem algum componente, com certeza - entrou na brincadeira.
- É a sua primeira na Disney? - Christian perguntou e virou um pouco para que pudesse vê-la melhor.
- Sim. É a sua também?

Ele balançou a cabeça afirmando.

- Parque favorito?
- Epcot. – Ele disse.
- Gostei mais do Hollywood Studios.
- Por causa da montanha-russa do Aerosmith?
- Isso mesmo. – Ela riu. - É muito boa! É mais legal ainda por ouvir a banda enquanto você pensa que o brinquedo vai dar alguns giros.

Ele riu e sorriu para ela.

- Vai visitar os outros, tipo Busch Gardens e Sea World? - perguntou.
- Já visitamos o Busch Gardens. Talvez deixaremos o da baleia por último.
- Ah sim. – A menina respondeu. – Eu preferi não ir ao Sea World. Assisti a um documentário e odiei a forma que eles cuidam dos animais.

Christian limitou-se a apenas concordar.

- Você tem sotaque diferente... Dá onde você é?
- Brasil, e você?

O menino sorriu. Não somente por ela, mas também por se lembrar do gol que fez num campeonato que levou seu time sub-17 à vitória.

- Estados Unidos mesmo.
- Não votou no Trump, né?
- Eu não moro mais aqui. Estudo na Alemanha. – Mentiu. – Também não acompanho política, por isso decidi não votar.
- Uma pena. – Fingiu-se triste. – Adoro geopolítica.

Um silêncio constrangedor formou-se. Os amigos que faltavam de Pulisic chegaram com as comidas, quase fazendo faltar espaço no banco. guardou sua queridinha de volta na bolsa e pegou seu celular, enviando mensagens as amigas. Ela as esperava para ir para a fila das pulseiras do show daquela noite.

"Vem para frente da loja do Stitch que cospe água. Vamos esperar você aqui pra gente guardar as compras na van."

levantou-se e pegou suas bolsas. Olhou de canto para o menino, sorriu e seguiu seu caminho. Christian a olhou confuso. Mal tinham conversado. Ele queria saber mais dela.

- Ela nem se despediu. – A irmã de Pulisic comentou.
- Reparei. – Ele falou um pouco emburrado.
- Quem era ela? - Emma perguntou.
- Uma menina que Christian puxou assunto. – Respondeu Logan pelo menino. – Ela comentou sobre as amigas, não foi? Ela deve ter ido atrás delas. Talvez ela volte. – O rapaz deu um soquinho no ombro do amigo.
- É, quem sabe. – Deu ombros e bebeu um pouco de seu milkshake.

O grupo continuou conversando e terminou de comer. Olharam o relógio e faltavam uma hora e meia para que pudessem entrar. Antes da banda principal, tocariam dois DJ's, então não havia motivos para correria – mesmo sabendo que faltava pegar as pulseiras – e por isso, decidiram esperar o possível retorno de .
, por sua vez, estava rodeada de objetos amarelos e vermelhos. A euforia de suas amigas era gigante. A cada xícara modelada ou com o desenho do filme d’A Bela e a Fera era um ponto a mais nas expectativas de Julia e Luísa. As meninas estavam sentadas em uma lanchonete temática e se perguntava como elas não estavam nem aí de abrirem tudo o que haviam comprado no meio do lugar.

- , nós sabemos que você não gosta das princesas clássicas da Disney e que você acha um porre toda essa ideia de bela, recatada e do príncipe, mas, por favor, tira essa cara de... Entediada? Frustrada? - Julia pediu quase juntando as mãos em frente ao rosto. - Nós falamos também que iríamos na Hot Topic com você. - Relembrou uma das falas de quando estavam no Magic Kingdom na fila para tirar fotos com as princesas.
- Eu sei, dona Ju. E inclusive, estou com dinheiro guardado só para gastar com meias. – Disse ela, fazendo as amigas rirem. – O que aconteceu foi que vi um item de colecionador de Star Wars e o triste é que custa um absurdo. – Mentiu. Não contaria as amigas sobre Christian. Não naquele momento.
- Sei como você se sente - Luísa passou a mão no rosto enquanto fingia que chorava. – Vimos uma estatua baseada na animação. Maravilhosa, mas só de olhar o preço ficou feia.

riu. As meninas guardaram tudo de volta em suas sacolas e a comida chegou. Ainda faltava um tempinho para o show, então poderiam fazer o que precisavam sem se preocuparem.
Christian suspirou. Seus amigos pareciam entediados de estarem no mesmo banco. Ela não voltaria.

- - - - - - - - - - - - - - - -

Com suas bolsas guardadas no carro e somente o essencial – celular, passaporte e dinheiro – em mãos, seguiram para o local do show. Mesmo o horário sendo um pouco tarde, personagens e alguns pequenos espetáculos continuavam a encantar crianças e adultos. A maior parte dos adolescentes e jovens adultos seguia um rumo. The Chainsmokers chamava a atenção - e a cantora, Tove Lo, que finalizava a noite, também.
Na fila, as amigas conversam sobre suas expectativas para aquela noite. A música estava audível do lado de fora da casa de show, fazendo-as dançar e cantar as que conheciam.
reparou, então, que algumas pessoas saiam de seu lugar indo a uma única direção. Tentou ver quem estava formando o pequeno tumulto e sua feição mudou ao ver o menino de cabelos pretos que com quem havia conversado.

- Ele é famoso. – Comentou baixinho.
- Ele quem, ? - Julia perguntou.
- O menino que estava sentado ao meu lado no banco.

Elas a olharam, confusas.

- Você não contou isso para gente, sua safada. – Julia deu um leve tapa no braço da menina. – Qual é o nome dele?
- Christian. – Respondeu. A olharam pedindo mais informações - Christian Pulisic.

Luísa pegou o celular no bolso e digitou o nome do rapaz no Google.

- Christian Mate Pulisic, 18 anos, 1, 73 metros, joga no Borussia Dortmund da Alemanha e é de Hershey, Pennsylvania. – Jogou todas as informações. - Engraçado que ele mora na cidade do chocolate.
- O que? Ele é jogador? - parecia "indignada". - Ele falou pra mim que estuda.
- Ele é bonitinho. – Julia disse depois de puxar o aparelho para sua mão. - E mentiu para você. Mas tem jogadores mais bonitos e mais velhos.
- Gosto é pessoal, sabia? - Essa era a frase que ela repetia todas as vezes que ficava ou achava alguém atraente.
- Tá bom. – Ju deu ombros. – Você vai falar com ele?
- Não.
- Pra que essa insegurança? Já que ele inventou que estuda, ele é estrelinha? Ou vocês nem chegaram a conversar?
- Nada disso. Até conversamos, mas foi rápido. O problema foi comigo.
- Você travou no inglês? Pronunciou coisa errada?
- Eu saí sem me despedir. Sem bye, bye ou um aceno.
- , é assim que você quer arranjar um boymagia? - Lu quase surtou. – Se nós o encontrarmos ou você o encontrar lá dentro, vai falar "tenho interesse". Okay?
- Okay. - Disse sem muita escolha.

Julia e Luísa logo "comemoraram”. Segundo elas, a amiga enfim não estava mais encalhada.
As pulseiras foram colocadas e entraram no local. A casa de shows era parecida com uma boate: escura, sendo somente iluminada pelos canhões de luzes de cores variadas, som alto e pessoas fazendo diversas coisas – de dançar a beijar alguém no meio da pista.
O trio olhou o local como um todo e foi para um canto perto do palco, mas que, não ficassem na multidão. tirou o celular do bolso e filmou um pouco para guardar como lembrança. As amigas já estavam mexendo seus quadris ao som da música eletrônica que tocava. Ela sorriu. A viagem estava sendo melhor do que ela imaginava.
O grupo dirigiu-se ao camarote do local. Christian, mesmo discordando, reservou um para que ele e seus amigos curtissem sem haver confusão. O menino se apoiou na mureta e observou rapidamente a pista cheia e animada. Seus amigos bebiam energéticos e refrigerantes e ofereceram para ele, que aceitou uma latinha de Coca-Cola.
Ambos aproveitavam a sua maneira, cantava e jogava levemente seus cabelos. Christian batia o pé conforme o ritmo. Mesmo com todo agito, os pensamentos dos dois estavam presos no único acontecimento no final de tarde.
estava sentada no chão com uma latinha de energético em mãos tomando fôlego. O tempo estava passando – mesmo que sua ansiedade lhe insistia em dizer o contrário - e pela movimentação de pessoas no palco, em breve a atração principal estaria no palco.
Christian, mais uma vez apoiado na mureta, olhou para baixo. Um pequeno sorriso surgiu em seu rosto quando viu que a menina-que-não-se-despediu estava no mesmo show que ele.

- Por que você está tão distante, Chris? - Devyn perguntou sem reparar na feição que ele apresentava. Sabia que o irmão era tímido e reservado na maior parte do tempo, porém com seus amigos era sempre animado.
- Nada.
- É a menina, não é?

Ele balançou a cabeça afirmando.

- Ela está na pista. – Christian comentou baixo. – Eu a vi sentada.
- Por que você não desce para falar com ela? - Ela incentivou – Pode ser que ela te dê um fora, mas você nunca vai saber se não tentar.

Pulisic, então, abraçou a irmã de lado, beijando sua testa e seguiu para a escada. Avisou ao segurança que retornaria e seguiu para o mar de pessoas.
As luzes começaram a se movimentarem e mantiverem na cor vermelha, sendo acompanhadas por uma batida forte anunciando a entrada da dupla. O público amontoou-se na frente do palco tirando a visão de Christian. , por sua vez, percebendo a "correria", levantou-se e encostou na parede na expectativa que suas amigas pudessem vê-la.
As primeiras músicas levantaram o público, que reagia com boas energias. A morena viu suas amigas se divertindo e sorriu com a cena. Era incrível que mesmo diferentes uma das outras, elas conseguiam manter uma ótima amizade.
Ela sentiu um olhar em cima de si e moveu a cabeça na direção. O menino-que-havia-mentido estava logo ali, com um pequeno sorriso no rosto. deu uma desculpa esfarrapada para as meninas e saiu dali – mais uma vez fugindo dele. Chris percebeu e decidiu segui-la.
A brasileira passou pelas pessoas e perdeu as contas de quantos sorry falou. Chegou ao canto do bar e pediu uma garrafa de água e sentou-se em um banco vago.

- Por que você foi embora sem se despedir? - Ele perguntou tocando no ombro dela.

virou e sorriu amarelo.

- Por que você não contou que é jogador? - Rebateu mesmo sabendo que a intensidade das dúvidas eram diferentes.
- Porque acho que não importa. – Christian respondeu.
- Porque achei que você não se importaria – O imitou.
- Bem, estou aqui conversando com você novamente. Então acho que me importei um pouco. - Disse ele. – Mas acredito que sua resposta não é o suficiente.
- Desculpa. – Falou desviando o olhar para o palco. - Fiquei tímida em me despedir de uma pessoa que eu acabei de conhecer. Fora que seus amigos já estavam ali. Não queria incomodar ninguém.
- Não incomodaria. Eles também te acharam legal.
- Você tá me deixando sem graça. - Riu de nervoso. - Já que te respondi, quero que faça o mesmo. Por que falou que é estudante?
- O que eu mais escuto por mais é que sou uma "salvação" para o futebol dos Estados Unidos, que sou prodígio. Não quero que as pessoas falem e conversem comigo apenas pela minha profissão.
- Entendi, mas deixo claro que não entendo de futebol. – Eles riram. – Sei reconhecer o David Luiz, Rafinha Alcântara e Neymar, no máximo.
- Se quiser, eu posso te ensinar.
- Eu aceito. – Passou a mão nos cabelos, assim como em todas as vezes que ficava sem graça.

Mais uma vez, o silêncio apareceu na conversa deles. distraía-se cantando. Christian distraía-se olhando para o palco. Ela olhou para os olhos dele e desceu lentamente para a boca. Ele percebeu e fez o mesmo. Tal fato se repetiu várias vezes. Oh timidez que os impedia de dar um passo à frente.
Christian se aproximou e entrelaçou seu dedo mindinho no dela, que segurou com certa força. A menina balançou os ombros sorrindo e virou-se para frente. O menino permaneceu ao lado dela, ainda com os dedos entrelaçados.

- Minha música! - Ela gritou quando o ritmo de Closer tocou nas caixas de som. - Dança comigo?

Ele riu da animação e concordou. deixou a garrafinha no balcão e levantou do banco esticando a mão para ele. Chris segurou e a puxou. Quem olhasse os achava desengonçados, afinal, estavam dançando quase colados uma música agitada. Ambos cantavam e se divertiam das caras e bocas que faziam.

- So baby pull me closer – sussurrou perto dos lábios do rapaz depois que ele a girou.

Christian apenas teve o trabalho de terminar de encostar os lábios e a segurar pela cintura. O beijo não foi rápido. Eles aproveitavam o momento e a sensação. Finalizaram com um selinho longo. Era óbvio que nenhum dos dois escondiam que tinham ficado – sorrisos bobos os denunciavam.
Passaram o resto da noite juntos, às vezes se beijando, às vezes dançando e fazendo piadas.

- Bem, preciso ir – disse depois de receber mensagem perguntando onde estava, assim como na primeira vez que se encontraram.
- Anota seu número. - O norte-americano estendeu o telefone. - Você ainda fica mais dias aqui em Orlando?
- Tenho mais três dias na cidade. – Falou enquanto digitava.
- Ah, que bom. O que acha de sairmos?
- Eu topo.
- Eu te ligo. – Ele se aproximou e beijou a bochecha dela.
- Ficarei esperando.

sorriu mais uma vez naquela noite. Topar ir aos Estados Unidos não foi tão ruim assim.



Capítulo 2 - Cool Girl

Christian cumpriu o que havia falado. Na manhã do dia seguinte, ele ligou para e perguntou se ela poderia sair com ele. A menina respondeu que, naquele momento, estava presa ao grupo da excursão, mas que de tarde poderia tentar fugir deles.
O dia estava ensolarado e com um vento frio suportável. , com a síndrome carioca 19-graus-é-frio-e-motivo-para-usar-casaco, usava uma jaqueta jeans maior do que si enquanto suas amigas usavam um moletom leve. A excursão estava em mais um outlet para o pesadelo da menina. Pulisic era a salvação para movimentar o antepenúltimo dia de viagem.
E falando nele, não parava de pensar em quanto ele beijava bem. Essa informação foi arrancada de si logo após chegarem ao hotel. Julia não sabia parar de falar de como estava feliz pela amiga e , por sua vez, perguntava sobre como eles haviam se encontrado e a ficada daria em algo mais. "Só tempo vai dizer", ela respondeu.
O universo conspirava a favor dos dois. Um encontro num banco simples de madeira, um show, uma ligação, um sim e agora as trocas de mensagens na qual o assunto parecia nunca acabar. não largava o celular nem mesmo para prestar atenção no caminho que andava. Com Christian? A mesma coisa. O tímido menino escondia a janela do WhatsApp dos amigos para evitar qualquer comentário que o deixasse sem graça.

— Oi – Disse baixo ao atender o celular quando viu quem era. Ela estava no horário do almoço, em uma mesa cheia de adolescentes, que incluíam aqueles que gostavam de futebol europeu.
— Oi – Respondeu no mesmo tom – Tá ocupada?
— Hum, não exatamente – Ela olhou de volta para as amigas que estavam na sua frente – Por quê?
— Porque pensei em te chamar pra almoçar e depois fazermos alguma coisa. O que acha?
— Poxa, eu já tô almoçando – Fez cara triste mesmo sabendo que ele não poderia vê-la – Mas podemos depois que eu terminar.
— Sem problemas.
— Mandarei por mensagem o endereço do hotel – Ela sorriu.
— Hotel? - Sussurrou .
— Fica quieta, . E para de ouvir a conversa dos outros – Sussurrou, também, em português.
— Você tá falando em português? – Christian perguntou rindo.
— Desculpa. Minhas amigas – Deu ênfase – São fofoqueiras e querem ficar ouvindo a conversa alheia.
— Ah... - Ele ficou levemente sem graça – Melhor eu desligar.
— Não! – Cecília falou um pouco mais alto – Não precisa.

Ela levantou-se e seguiu para o banheiro, onde se trancou em uma das cabines.

— Eu vou fazer o seguinte: vou fingir que estou com cólica e voltar para o hotel. Quando eu chegar lá, eu mando mensagem e a gente sai. Combinado?

— Combinado – O número 22 do BVB sorriu de canto de boca – Até mais tarde.
— Até.

desligou a ligação e colocou o celular no bolso. Sorriu para si mesma. Ela tinha um encontro confirmadíssimo. Abrindo a porta da cabine, tomou um susto ao encontrar suas duas amigas com as costas encostadas na parede e de braços cruzados.

— Pra quem não queria ficar com ele, armar um plano é o ápice - Julia "cutucou".
— Que meninas mais mal educadas – Comentou colocando as mãos na cintura – Eu já iria armar algum para fugir desse grupo, vocês sabem disso.
— Claro, porém não imaginaríamos que você faria isso por um menino – Lu falou.
— Vocês são de veneta, não é possível. Vocês estavam comemorando que eu não estava mais encalhada e agora estão reclamando?
— Não estamos reclamando. Apenas pontuando o fato – Julia imitou o gesto da amiga e também colocou a mão na cintura.
— Tá bem, então - deu ombros – Vou pegar minhas coisas e chamar um Uber. Vocês pagam meu almoço, que eu reverto em sorvetes e balas do walmart, pode ser?
— Desde quando você decidiu assumir seu espírito de mandona? – Julia perguntou acompanhando com o olhar a amiga sair do banheiro.
— Tchauzinho – cantarolou.
— Tudo isso é pressa de perder a virgindade. Tenho certeza – Ju sussurrou.
— Eu ouvi isso! - Ela falou alto rindo.

Depois de fazer exatamente o que planejou, a brasileira pegou sua mochila e sua sacola de livros recém-comprados e foi para frente do estabelecimento. Já dentro do carro, mandou mensagem para Pulisic avisando que o plano estava dando certo e que ela o esperaria no saguão do hotel.
Christian, por sua vez, não parava de sentir suas bochechas queimarem de vergonha. Seus amigos agora sabiam que ele sairia com ela e não paravam de fazer piadinhas, sons de beijos e avisos um tanto constrangedores como "Não se esqueçam de usar camisinha". Mesmo assim, não deixava de sorrir quando de lembrava da noite do show, há dois dias.
Com a chave do carro alugado em mãos, o norte-americano seguiu para o endereço passado por mensagem. Usando Justin como trilha sonora, as coisas pareciam dar certo. Pegou um combo no McDonalds e foi beliscando batatas-fritas. avisava que já o esperava, uma vez que o local do almoço era relativamente perto; Christian avisava que já estava chegando.
Estacionou o automóvel na frente do local, abaixou o vidro e logo a viu indo em direção a ele.

— Oi – falou assim que entrou no carro. Depositou um beijo na bochecha do rapaz, que abriu um sorriso de canto de boca.
— Oi – Ele respondeu – Podemos ir?
— Claro! - Respondeu – Isso aqui atrás é McDonalds?
— É sim.
— Perdeu - Cecília riu alto enquanto colocava o pacote em cima de sua coxa – Eu te pago uma batata-frita melhor depois.
— Que bom que o hambúrguer continua meu – Pulisic entrou na brincadeira.
— Eu não como carne, Christian.
— Sério?
— Sério. Pelos mesmos motivos que eu não vou a parque com animais, zoológicos, aquários, etc.

Chris limitou-se a sorrir.

— Eu estava pensando em irmos ao cinema ou algum parque da cidade, o que acha? – O menino perguntou enquanto dava partida no carro.

— O que acha de um parque de camas elásticas? Topa?
— Topo – Pulisic respondeu com seu típico sorriso de canto de rosto – Tem o endereço?

colocou no aplicativo e deixou que este os guiasse. No caminho, compartilharam gostos musicais e algumas músicas chicletes das paradas de sucesso.
O estacionamento do Rebouncerz of Orlando não estava tão cheio quanto esperavam. Saíram do carro ainda cantarolando – e comendo. fazia pequenas dancinhas com os ombros enquanto Chris se divertia fingindo que estava em uma discoteca dos anos 70.
O lugar era realmente tudo aquilo que a menina tinha visto em um vídeo do youtube. Trampolins ocupavam o lugar de cima a baixo, salvando apenas a área da lanchonete e da recepção. Havia quadras de basquete, espaço semiolímpico, paredes de emborrachado para serem escaladas, ou seja, mil e uma coisas que poderiam distraí-los por um dia inteiro.
Inscreveram-se e ficaram apenas com os celulares em mãos. Correram mais que as crianças que estavam no local para chegarem à primeira arena. foi a primeira a começar a pular para todos os cantos. Pulisic apenas a acompanhou.

— Olha, tive... uma... ideia – A menina falou enquanto se preocupava em tentar imitar uma ginasta. Estava há poucos minutos ali, mas já amava a sensação – A cada salto, uma pergunta. O outro tem que responder, sem fugir nem nada.
— Você gosta de liderar, não é? - Christian perguntou após perceber que ela quem dava os primeiros passos.
— Já está valendo? – perguntou confusa. Ah, menino que conhecia as brechas da brincadeira.
— Não se esquive da pergunta – Ele "rebateu". o olhou como se dissesse "Quem é você na fila do pão?"
– Você mesma quem criou essa regra.
— Sim, gosto. Algum problema? – Ela franziu a testa. Era claro que gostava de mandar. Na sua cabeça, sua vida já estava devidamente planejada e ai de quem não ajudasse para que ela continue no rumo que desejava.
— Nenhum – Christian riu – Data do aniversário?
— Bem, era minha vez, mas sem problemas, não é? Faço aniversário dia 13 de agosto, e você?
— 18 de setembro.
— Sensação maravilhosa de ser mais velha - Cecília parou de pular e jogou os cabelos para os lados.

O norte-americano riu.

— Banda favorita? - Ele perguntou parando de pular também.
— Cage the Elephant - A brasileira sorriu – Quer ir para a quadra de basquete?
— Quero.

Saíram saltitando – literalmente – pelo lugar. Chris entrelaçou sua mão na dela, que sentiu suas bochechas queimarem. Ele olhou para ela e sorriu também quando a viu toda tímida.
Basquete era algo que o rapaz amava. Sempre depois dos treinos, jogava um pouco com os companheiros de time e era engraçado que, às vezes, levavam mais a sério do que os exercícios que os faziam serem bons em sua profissão.
sofria para roubar a bola dele. Ela não podia se aproximar que Christian já arremessava a bola em direção à cesta e acertava, comemorando em seguida. A brasileira o empurrava de leve e repetia que não queria mais brincar com ele. Já ele? Apenas ria e voltava a jogar.
Mesmo que de vez enquanto alguém vinha pedir fotos ou autógrafos, não deixaram de aproveitar.
Já cansados, os dois decidiram sentar na borda da "piscina" de paralelepípedos de emborrachados. O braço direito de Pulisic estava ao redor da cintura da menina, fazendo leves carinhos. , por sua vez, estava com a cabeça apoiada no ombro dele, com a mão em cima da coxa. Ambos estavam em silêncio, mesmo que o lugar estivesse recheado de gritos, músicas altas e barulhinhos do cotidiano.

— Christian? – o chamou baixinho. Estava com vergonha de ir direto ao ponto.
— Oi.
— Se eu te beijasse agora, o que você faria? – Ela levantou a cabeça para que ficassem na mesma altura. Ela alternava o olhar entre os olhos castanhos claros e a boca perfeitamente desenhada do rapaz. Suspirou um pouco profundo esperando a resposta.
— Eu te beijaria de volta – Nem ele mesmo sabia da onde tinha saído a coragem de dizer isso.

, então, colou seus lábios no dele num selinho demorado. Puli a apertou contra ele e depois subiu e desceu as mãos pela área entre o quadril e a cintura dela. A brasileira aprofundou o beijo. Tinha um leve gosto de gordura, mas naquele momento nada importava. A menina segurou o rosto dele e sorriu durante o beijo.
A respiração de ambos era fraca e ficaram um tempinho com testas coladas. aproveitou para morder o lábio inferior do rapaz, que riu sem graça.
Christian não sabia onde enfiar a cara. sabia muito bem manter o sorriso sapeca.

— Chris...
— Oi – Dessa vez ele riu. Reparou que a menina adorava fazer isso.
— Se eu fosse sua namorada, eles encheriam o saco?
— Depende – Respondeu.
— De que?
— Do que você faz, do estilo de roupas que você usa... - Ele disse olhando para ela – E talvez seria chamada de WAG.
— WAG?
— Wifes and girlfriends.

só conseguia pensar em o quanto idiota era o termo.

— Não existe o BAH? – Ela perguntou arqueando uma das sobrancelhas.
— BAH?
— Boyfriends and husbands – respondeu como se não tivesse acabado de criar a palavra – Eu sou tão importante quanto você.

Ele concordou com a cabeça, mas mídia era um assunto delicado. Ele era bem quieto nessa área já que só usava o Instagram para divulgar coisas a respeito do time e raramente algo sobre seus amigos. E como já havia reparado que a brasileira era um pouco cabeça dura, decidiu desviar. Definitivamente, não era algo a ser conversado em público.
A tarde passou rápida e já eram quase 19 horas quando foram embora.
Cansados, um pouco suados, porém felizes. Não conversavam, deixavam o rádio manter o clima. Às vezes, ele a olhava e entrelaçava as mãos. Ela, por sua vez, colocava a mão atrás do pescoço dele e fazia leves cafunés no cabelo dele. Era como se já tivessem algo há um tempo e não apenas beijos.
Chegaram à porta do hotel e sentiu os ombros pesarem. Ela voltaria ao Brasil em um dia e nem sabia se manteria contato ele. Pegou suas coisas no banco de trás e fez biquinho. Puli respirou fundo e tomou a iniciativa de beijá-la novamente. Não era um beijo de despedida e sim, de até mais.
A brasileira sorriu tristonha e saiu do carro. Deu tchau e só entrou depois que perdeu o carro de vista.
Que o universo nos mantenha próximos, ela pediu. Pois não queria e nem sonhava perder contato com seu novo jogador favorito.





Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus