Debí Tirar Más Fotos

Última atualização: 30/06/2026

Capítulo 1

‘Y a mi patria: Puerto Rico’
sorriu em frente a TV, apertando levemente os olhos e deixando que mais lágrimas escorressem.
‘Ahora sí!
Debí tirar más fotos de cuando te tuve
Debí darte más besos y abrazos las veces que pude Ey, ojalá que los míos nunca se muden
Y si hoy me emborracho, pues, que me ayuden’
Uma multidão de bailarinos, músicos, atores, pessoas segurando bandeiras de todos os países da América pulavam e cantavam atrás de Benito. O cantor, emocionado, abraçava alguns amigos presentes e voltava a cantar. Tinha os olhos marejados. , mais uma vez, se entregou a um choro profundo. Deixou seu corpo cair lentamente no sofá, de lado, mantendo-se olhando fixamente para a TV. Estava muito orgulhosa, muito feliz por Benito. Tinha um sorriso congelado em seu rosto desde o início do show. Seu peito queimava: de orgulho, de alegria, de amor por sua pátria… E por Benito. Era difícil não parecer uma fã com amor platônico nesse momento, uma vez que deveriam haver tantas outras pessoas, homens e mulheres, morrendo de amores por Bad Bunny em toda a América nesse exato momento. Isso a colocava numa posição confortável e, ao mesmo tempo, desconfortável. Era confortável porque podia se expressar para quem quisesse e nunca, jamais, seria interpretado como algo real. Ela poderia morrer de amores por Bad Bunny como já havia morrido de amores por tantos outros atores, cantores e ícones da cultura pop. Podia ser a fã apaixonada que seria tratada como mais uma, dentre tantos. O tamanho da fama de Bad Bunny a escondia. Por outro lado, era desconfortável saber que havia um Benito que só ela conhecia e que morria de saudades; que morava numa lembrança linda e não tão distante. Um Benito que, inevitavelmente, ela lembrava quando fechava os olhos. Que tinha um beijo com gosto de tequila e sal; um abraço tão caloroso que a transportava para um lugar seguro, como quando estava no Brasil, sentindo o sol da manhã esquentando sua pele enquanto segurava um mate gelado na beira da praia; um cheiro que perfume nenhum no mundo poderia se igualar e que era mais forte na nuca e atrás da orelha, onde com frequência, encostava a cabeça e respirava fundo, inebriando suas narinas e arrepiando sua pele, enquanto dava pequenos beijinhos. enxugou as lágrimas e se levantou lentamente do sofá, deixando de estar deitada para ficar sentada. A transmissão da TV já estava mostrando Benito nos bastidores. Ele tinha um rosto mais sério agora e parecia desconfortável com toda a atenção, mas a alegria em seu entorno mantinha-se vibrante. Antes que pudesse elaborar qual seria a razão do rosto de Benito estar com aquela expressão desconfortável, a transmissão voltou ao estúdio, onde comentaristas do esporte voltavam a falar sobre o jogo de futebol americano - que ela não se importava.
se levantou segurando o controle da TV, a desligou e jogou o controle na mesinha de centro da sala. Enrolou-se na coberta grossa que, antes, estava jogada no sofá. Caminhou até a janela, aberta, da sala. Grande, a janela dava uma ampla vista de East Village, o bairro na cidade de Nova York que morava há uns bons anos. Podia ouvir, ao fundo, comemorações, risadas e músicas de Benito. Um vento gelado acariciou lentamente suas bochechas e fechou os olhos. Enquanto na Califórnia, onde Benito tinha acabado de encerrar seu show, ainda estava claro, em Nova York, três horas à frente, já era noite. Estava cedo, mas tinha os olhos pesados. Havia chorado nesses últimos minutos tudo o que não havia chorado nos últimos anos, refletiu. Com esforço, tirou

uma de suas mãos de dentro da coberta que ela segurava em torno de si e fechou a janela. Caminhou lentamente até seu quarto e se jogou na cama. Olhou para a janela do quarto que, apesar de estar fechada, tinha as cortinas abertas, deixando uma claridade entrar. bufou. Tinha caído tão confortavelmente em sua cama que parecia um crime levantar somente para fechar as cortinas idiotas. Deu de ombros e fechou os olhos. Viu os olhos amendoados e marejados de Benito novamente. Apertou seus olhos com força, como se desejasse que esse esforço ajudasse a sumir com a lembrança. Sentiu suas pálpebras doendo e abriu os olhos, enquanto bufava. Olhou para a janela. O barulho vindo de fora, misto de músicas, vozes e risadas, começou a parecer uma cantiga de ninar para . Seus olhos percorriam as madeiras que separavam um vidro e outro da janela. Sem se dar conta, seus olhos haviam marejado novamente e desaguavam. adormeceu sem perceber.

[10 ANOS ATRÁS]
tentava equilibrar três malas de mão enquanto arrastava duas malas grandes de rodinha escada acima. Uma das malas de mão escapuliu e tudo o que pôde fazer foi assisti-la rolar escada abaixo. Bufou e continuou tentando subir com as outras que ainda conseguia carregar.
‘Ei, quer ajuda?’ Uma voz feminina simpática ecoou em meio à barulheira que fazia tentando subir com as malas. ‘Oh sim, você quer ajuda’ A menina riu antes que pudesse responder.
voltou seu olhar para a pessoa que a ajudava e sorriu. ‘Obrigada’
Uma menina de pele branca, nariz arrebitado, olhos castanhos escuros e cabelos liso e preto segurava as duas malas de mão, abrindo espaço para que pudesse, com mais firmeza, segurar as malas grandes de rodinha.
‘Sou Chelsea, a propósito’ ‘
As duas terminaram de subir as escadas. olhou com tristeza para a mala de mão caída no pé da escada, um andar abaixo, enquanto arfava de cansaço. Chelsea sorriu. ‘James, tá por aí?’ Gritou.
‘Yeap’ Uma voz masculina bem ao fundo respondeu.
‘James sempre está em casa e com a porta entreaberta. Ele não gosta de admitir, mas é um grande fofoqueiro. É praticamente o zelador deste prédio’ Chelsea sussurrou para . ‘Tem uma mala no seu andar, consegue jogar aqui pra cima?’
‘Mala? Então era isso a barulheira’ A voz de James ia ficando mais alta, dando a entender que ele se aproximava da escada. Um rapaz alto, esguio e muito branco apareceu no campo de visão. Ele tinha o cabelo loiro liso, cortado bem baixinho, estilo militar. Usava um moletom da New York Film Academy, Universidade a que pertencia essa moradia estudantil e onde ia começar seus estudos em Produção Audiovisual.
‘Oi James, desculpe o barulho’ sorria sem graça.
‘Ah não, tudo bem, é o doce som dos calouros chegando para alegrar nossas vidas’ Ele disse em tom debochado, segurando uma risadinha. Chelsea e sorriam. James pegou a mala. ‘Espero que não tenha nada de quebrar aqui’ E jogou para o alto.
, no último degrau da escada um andar acima, agarrou a mala.
‘Se tivesse, estaria quebrado muito antes de você jogá-la pra mim’ colocava a mala no chão. ‘Obrigada, James, foi um prazer. Sou
James acenou com a cabeça, sorrindo, e voltou a sumir do campo de visão, enquanto tirava do bolso um papel.

‘Apartamento 201?’ Chelsea sorriu. confirmou no papel amassado que tirara do bolso. ‘Ótimo, porque se não fosse esse você estaria no prédio errado e teríamos que descer dois andares com todas essas malas’ Chelsea riu aliviada enquanto segurava uma risada de nervoso.
‘Só faltava uma pessoa chegar aqui, no meu apê… Nosso, aliás. Temos eu, agora você, Carlos Ortega - eu adoro dizer o nome e o sobrenome dele juntos, é muito sonoro - e Oliver’ ‘Oliver de que? Oliver me pareceu também bem sonoro’ arrastava suas duas malas grandes atrás de Chelsea, que carregava suas três malas de mão.
‘Não sei, nunca perguntei’ Ela deu de ombros. ‘Carlos Ortega parece muito aqueles mafiosos latinos de filme, não parece?’
rolou os olhos.
Chelsea parou abruptamente. ‘Oh meu Deus, desculpe, estou sendo racista aqui, né? Carlos Ortega já conversou comigo, mas estou dizendo isso de uma forma positiva, sabe? E você é latina também, certo?’ Chelsea voltou a andar assim que sentiu que a alcançara. ‘Chelsea, esse corredor é eterno ou o que? Achei que 201 fosse um apartamento de frente para a escada’ dizia cansada. ‘Estou exausta’
‘Oh sim, desculpe, é que essas primeiras portas não são apartamentos, são salas de convivência e atividades - estudos, computadores, essas coisas. Aqui está’ Chelsea parou em frente a uma porta de madeira com os números 201 pregados. Entregou um chaveiro com 5 chaves para e o emblema da Universidade pendurado. ‘As redondinhas e coloridas abrem as salas coletivas, essa quadrada abre a porta lá embaixo do prédio e essa quadrada com o adesivo roxo abre nosso apartamento’ Chelsea sorriu. ‘Faça as honras’ pegou a chave e abriu o apartamento. Eles realmente não estavam brincando quando chamavam de apartamento. A porta dava para uma ampla sala com piso corrido de madeira, um sofá bege e duas poltronas da mesma cor; em frente a eles, uma TV em cima de um móvel baixo também de madeira que tinham 4 porta-retratos: um conseguia identificar Chelsea com algumas pessoas mais velhas, que julgava ser sua família; os outros dois havia fotos de família, que julgava ser dos outros dois moradores da casa que ela ainda não conhecia; e um vazio. Chelsea notou que observava o porta retrato vazio e pôs a mão em sem ombro. ‘Falta uma foto sua ali’ Sorriu. retribuiu.
Chelsea tomou à frente, terminando de colocar as malas de para dentro e fechando a porta do apartamento. ‘Seguindo aquele corredor, os quartos à direita são de Oliver e Carlos Ort… Carlos. Os nossos são os do lado esquerdo do corredor. A primeira porta é do meu quarto, a segunda é o seu’ Chelsea dizia enquanto atravessava a sala e caminhava corredor à dentro, esperando ser seguida por .
‘Voilà’ Chelsea virou a maçaneta do quarto de , deixando que a porta abrisse sozinha enquanto ficava parada na porta. tomou à frente e olhava encantada para cada canto. Uma cama de casal só para ela; uma janela grande com ampla vista do jardim do campus; um armário de madeira lindo; uma escrivaninha muito parecida com tantas que ela sempre quis comprar, mas nunca pôde. adentrou o quarto sorrindo. Chelsea, parada à porta, terminou de colocar as malas de para dentro do quarto.
‘Desculpe a intromissão, eu entrei no seu quarto hoje de manhã para abrir a janela e deixar entrar um vento. Estava tanto tempo fechado que eu já chamava de quarto do espirro.’ As duas riram.
‘Obrigada, Chelsea’
A menina sorriu. ‘A última porta deste corredor é um banheiro. Coletivo, eu sei, mas Oliver e Carlos são muito tranquilos’ Chelsea ainda falava parada na porta. se sentou na cama. ‘Descansa, . Posso te chamar de ?’
‘Claro’ ainda olhava atônita para cada detalhe do quarto.
‘Mais tarde alguns amigos nossos virão aqui para te conhecer. Sempre damos uma festinha de boas vindas quando um novo morador chega no nosso prédio. Aqui somos tipo uma família, sabe?’
riu do jeito que Chelsea falava. Precisaria se acostumar com esse inglês estadunidense meio patricinha se não quisesse criar inimizades. Pouco a pouco, caiu a ficha para do que Chelsea falava.
‘Isso hoje?’
‘Claro, você não chegou hoje?’ Chelsea riu. ‘Você vai ter tempo pra descansar. São 10 da manhã, eles chegam só às 6 da tarde’
Chelsea desejou boas vindas à e fechou a porta do quarto, ficando para fora. levantou-se da cama, trancou a porta e se virou para o quarto. Deixou seu corpo arrastar porta abaixo, sentando-se no chão. Sorria e chorava ao mesmo tempo. Pegou seu celular e discou o número de seu pai. Cada clique se lembrava de cada pessoa que a ajudou a estar ali, da vaquinha que tinha feito para conseguir realizar seu sonho, dos amigos, familiares e até desconhecidos que a ajudaram. Ela tinha ganhado uma bolsa para essa Universidade e todos os fundos que levantou para a viagem e primeiros 3 meses de estadia foram frutos de um financiamento coletivo.
‘Oi, minha filha’ ouviu a voz de seu pai, em português. Foi um alívio.




Capítulo 2

acordou e olhou o relógio da cabeceira. Eram quatro e meia da tarde. Antes de adormecer, tinha desfeito suas malas e ajeitado tudo no armário. Seu estômago doía de fome. A última coisa que havia comido fora o lanche no avião. Pegou sua toalha, uma roupa qualquer e voou até o banheiro para tomar um banho.
Ouvia vozes ao fundo. A de Chelsea já podia reconhecer, mas havia duas outras vozes masculinas julgava ser de Oliver e Carlos. Amarrou a toalha na cabeça, vestiu a blusa da Universidade, um short preto e seus chinelos. Atravessou o corredor até a sala.
‘Olha ela aí!’ Chelsea bateu palminhas. Oliver e Carlos se levantaram do sofá. Oliver era o mais alto entre os quatro; tinha olhos e cabelos castanhos e porte de atleta. Carlos era mais baixo, tinha a pele morena, olhos amendoados e cabelos lisos e levemente caídos na testa. Era gordinho e vestia a camisa da seleção de Porto Rico.
‘Prazer, Oliver’ O rapaz estendeu as mãos. apertou, dizendo seu nome.
‘É de que parte da América?’ Carlos agora apertava a mão de e falava em espanhol. ‘Brasil’ sorriu. ‘E você é de Porto Rico’ Ela apontou para a camisa do rapaz, que a puxou para um abraço.
‘Fico feliz de dividir o apartamento com outra latina’
‘Ei, latina dá pra entender, ok?’ Chelsea se intrometeu em tom de brincadeira. ‘Olha, não vamos nos dividir, aqui somos um só’
‘Deixe as pessoas em paz’ Oliver deu de ombros enquanto voltava a sentar no sofá. e Carlos riram, enquanto também se sentavam.

A conversa animada e risonha dos quatro foi interrompida por uma batida na porta. Chelsea olhou para o relógio na parede. ‘Oh meu Deus, já são seis horas’
‘Já passou todo esse tempo?’ deu um salto do sofá. Ela ainda tinha a toalha amarrada no cabelo. Dos quatro, era a única que não parecia arrumada o suficiente para uma festa de boas vindas em que ela era a recepcionada. ‘Preciso me trocar’
Enquanto Chelsea se dirigia até a porta, fazendo sinal para ir logo pro quarto se trocar, corria para o seu quarto. Pouco a pouco, foi ouvindo o apartamento encher, com vozes que falavam em inglês, risadas e, depois de um dado momento, ouvia vez ou outra algo em espanhol. tinha colocado um vestido florido que tinha. Ele era de um material que lembrava a seda e caía sobre seu corpo com delicadeza. Não era justo nem soltinho. Era de alça e parava numa altura um pouco acima do joelho. Como estava em casa, permaneceu de chinelo. O cabelo, amassado por tanto tempo com a toalha na cabeça, tinha uns cachos e ondulações irregulares, mas que deu uma bagunçada e lhe pareceu bonito. Colocou só um gloss na boca e pôs a mão na maçaneta de seu quarto. Estava nervosa. Sentiu a mão suando. Não era uma pessoa sem amigos, mas no Brasil suas amizades eram as mesmas desde o maternal. Nunca precisou fazer nenhum esforço para amizades. Elas simplesmente estavam lá desde que se entendia por gente. Respirou fundo e abriu a porta, saindo de uma vez. Esbarrou, sem querer, num rapaz.
‘Oye!’ Resmungou. ‘Ah, é você querida, desculpe’ Carlos riu. ‘Eu que te peço desculpas’ ajeitava o vestido.
‘Olha como está bonita! E cheia de cores!’ Carlos sorria enquanto apontava para sua camisa, que tinha uma paleta de cores parecida com a do vestido de . A menina olhou em volta. ‘Esses gringos são muito monótonos’ Carlos disse cumplice e riu. ‘Vou pegar alguma coisa para comer’ apontou para a sala.
‘Boa sorte’ Carlos riu. ‘Me encontra na cozinha em alguns minutos, quero te apresentar uns amigos’
assentiu com a cabeça e foi caminhando em direção à sala, desviando de algumas pessoas, cumprimentando outras que lhe davam boas vindas sem nunca a ter visto. Chelsea estava numa rodinha, com outras mulheres, conversando e rindo. Oliver estava próximo à janela da sala, segurando uma mulher bonita e tão alta e atlética quanto ele, pela cintura. Trocavam carícias enquanto conversavam com outras pessoas altas. , enfim, chegou à mesa e não pôde disfarçar o desapontamento. Tinha muita comida, mas a maioria eram biscoitos e salgadinhos. Estava com fome. De comida. Pegou um punhado de doritos e se adiantou para a cozinha - neste momento o lugar mais vazio da casa. Todos se reuniam na sala e corredor, a cozinha era basicamente um espaço onde estavam as bebidas. Um ou outro entrava somente para pegar uma garrafa de cerveja no cooler próximo a porta de entrada da cozinha e saía. Mastigava os doritos enquanto olhava geladeira à dentro, pegando alguns ovos, salsa, manteiga, pimentão e cebola. Agradeceu mentalmente por ter Carlos dividindo o apartamento consigo quando notou a quantidade de comida congelada que tinha. Jogou uma colher de manteiga na frigideira e assistia os pedacinhos de cebola e pimentão dourar enquanto batia 3 ovos.
‘Sabia que você não ia se contentar com salgadinhos’ Carlos riu enquanto elogiava o cheiro. ‘Quer também? Ponho mais ovos’ sorriu. Carlos negou enquanto se apoiava na pia. ‘Quero que conheça Luísa, Nato, Benito e José. Cada um é de um país, exceto Benito que conheço dos tempos em que trabalhávamos no mercado ensacando compras em Porto Rico’ Carlos deu um gole em sua cerveja. jogou os ovos na frigideira e sorriu.
‘Vou adorar conhecê-los, Carlos’
‘Mas eles estão atrasados, é claro’ Riu. ‘Exceto Benito que nunca perde uma boca livre’ gargalhou. ‘Não posso julgá-lo. Eles estudam o que?’
‘Luísa, Nato e José são de Performing Arts. Benito não estuda aqui, é músico. Mas mora perto e está sempre por aí. Por aqui, quer dizer, olha ele ali’ Carlos avistou alguém na sala. ‘Ei, aqui cabrón!’ Acenava.
desligou o fogo. Cortou, com as mãos, algumas salsas e jogou em cima do omelete. Pegou uma colher e começou a comer o omelete da panela mesmo. Carlos abraçava um homem muito mais alto do que ele, que ria.
‘Se você não me chamasse aqui eu viria de qualquer jeito, que cheiro é esse?’ Benito olhou para .
‘Omelete’ A menina tentava falar com a boca cheia.
Carlos riu. ‘ chegou do Brasil hoje e se recusou a comer doritos como refeição’
Todos riram. terminou de engolir e olhou, pela primeira vez, para Benito. Ele era alto, tinha o cabelo cacheado, olhos amendoados e lábios grossos. Era forte. Vestia uma camisa regata azul, um colar de ouro bem rente ao pescoço e uma calça jeans. Usava chinelo. Ele a encarava. Parecia olhar também cada detalhe dela, como ela fazia com ele.
‘Oi’ sorriu torcendo para não ter nenhuma salsa no dente. Estendeu a mão para um aperto. Benito apertou suavemente sua mão, puxou-a para si e deu um abraço. ‘Bem vinda’ No abraço, respirou fundo se sentindo inebriada com o cheiro doce do rapaz. Sentiu os pelos da sua coxa se arrepiarem. ‘Obrigada’ disse quando se separaram do abraço.
Um silêncio se formou.
‘Ok, eu tô sobrando?’ Carlos quebrou o gelo.
‘Q-que?’ riu nervosa. ‘O que está sobrando é esse omelete’ riu. ‘Quer, Benito?’ apontou pra panela e Benito assentiu, enquanto pegava na gaveta outra colher. Benito sentou na bancada da cozinha ao lado do fogão. Pegou uma colherada do omelete e mastigou, de olhos fechados. também comia.
‘Isso não vai segurar seu estômago por muito tempo’ Carlos deu de ombros. ‘Está uma delícia, mas preciso concordar’ Benito disse de boca cheia.
resmungou qualquer coisa que os meninos não entenderam, mas riram. Ela corou. ‘Disse que se souberem onde comprar comida, eu vou’
Benito deu um pulo da bancada para o chão. ‘Isso é comigo!’
‘Ah, eu não vou não’ Carlos pegou a colher que Benito deixou em cima da bancada e pegou uma colherada do omelete.
‘Ninguém te convidou’ Benito deu de ombros, divertido. ‘Porque, Carlos?’ sorria, fingindo ignorar Benito. ‘Porque é meio longe, já abri minha cerveja e…’
‘E Nato se desentendeu, mais uma vez, com José, e Carlos acha que pode consolar com beijos e abraços’
Carlos acertou um soco, de brincadeira mas um tanto forte, nas costelas de Benito, que tinha ficado com as bochechas vermelhas de tanto rir. observava, rindo também. ‘Percebe, , que ele me bateu, mas não negou?’
olhou para Carlos, como quem dizia que ele tinha razão.
‘E aí? Topa ir num restaurante mexicano que tem aqui perto, no campus mesmo?’
‘Antes desse omelete, eu só comi um biscoito seco e café amargo do avião, então SIM’ sorriu. Carlos observava de canto de olho. ‘Melhor eu colocar um casaco, certo? Esfria de noite aqui?’ olhou para Carlos. Benito a olhava, mas se sentiu desconfortável em sustentar o olhar daquele cara tão lindo.
‘Melhor’ Carlos deu de ombros. ‘Me dá 5 minutos, Benito?’

O rapaz assentiu e saiu cozinha a fora, para buscar um casaco e sua bolsa. ‘Benito, ela vai morar comigo pelos próximos 4 anos, você entende isso, né?’ Benito riu. ‘Eu sei, Carlos, que chatice’
‘Não é chatice. Ela chegou hoje, você sabe como é o primeiro dia num país que não é o seu’ ‘Sim, você precisa de acolhimento, comida gostosa e boas risadas’ Benito pegou a cerveja da mão de Carlos e deu um gole.
‘Você me entendeu, cabrón’ Carlos disse sério e Benito assentiu.
‘Bora?’ retornou. Manteve o vestido, mas tinha jogado por cima uma jaqueta jeans alguns números maiores que o seu. Tinha uma bolsinha preta pendurada no ombro, caída até a altura de sua cintura.
‘Agora!’ Benito sorriu.

estava sentada na mesa de um restaurante muito pequeno, decorado com bandeiras mexicanas e algumas caveiras coloridas. Tinham andado mais ou menos uns 20 minutos do prédio até lá. Benito estava no balcão, fazendo os pedidos para uma senhora.
‘Oi meu querido Benito, como está?’ Guadalupe segurava o queixo do rapaz. ‘Está bonito, como sempre’
Benito sorria.
‘Prepara dois burritos de carne de porco, por favor? E duas cocas’ ‘Claro que sim. Mas vai comer dois burritos ou está acompanhado?’
percebeu quando Benito olhou para trás apontando para ela e a senhora a olhou com cautela e lançou ao rapaz um olhar de reprovação.
‘Essa menina é nova aqui’ ‘É sim’
‘Eu não te perguntei, Benito, estou afirmando’ Guadalupe disse ríspida. ‘Olha lá, hein Benito, é a terceira que você trás, só aqui no meu restaurante’
‘Em, o que? 3 anos? Por favor, dona Guadalupe’ Ele ria. Sabia que era muito bonito e requisitado, mas a verdade é que sua fama de mulherengo era maior do que a realidade. ‘Bom, eu não sou o único restaurante de Nova York, sou?’ Ela riu.
chegou hoje do Brasil, está na moradia estudantil, no mesmo apê que Carlos’ ‘Oh, sí!’ Guadalupe se adiantou em direção à cozinha. ‘Vou caprichar então!’
Benito voltou para a mesa, sorrindo. ‘Não sou bem vinda aqui?’
Benito se assustou. ‘Porque diz isso?’
‘Não sei, a senhora me olhou de um jeito…’
‘Dona Guadalupe acha um absurdo você ser a terceira pessoa - em três anos - que trago aqui’ Benito deu de ombros, encostando o joelho no de por debaixo da mesa, como que sem querer.
‘Ah’ riu. ‘Espera, você quer que eu me sinta especial?’ Benito gargalhou.
‘Você perguntou, eu estou te dizendo o porquê da olhada que ela te deu. Mas eu não sou tão pegador quanto você tá pensando’
‘É o que todos dizem’ riu. ‘E não estou te julgando não, Benito, você é lindo’ Benito sorriu para a sinceridade dela.
‘Aliás, bem mais que lindo’ sentiu as palavras saírem de sua boca quase involuntariamente. Estava tão cansada que não se importou, agindo com uma naturalidade que deixou Benito surpreso.
‘Certo, certo, entendi’ Ele riu.

Um rapaz de, no máximo, 17 anos, se aproximava da mesa com uma bandeja com dois burritos e duas cocas. Assim que deixou as comidas na mesa, fez um aperto de mão estilizado com Benito. sorriu.
‘Muito obrigada…?’ ‘Pedro’
‘Sim, Pedro’ sorriu ‘Sou
‘Prazer’ o menino sorriu. Era magro e vestia uma espécie de uniforme do restaurante. ‘Deixa eu adivinhar… você é do Brasil?’
‘Sim’ sorriu ‘Benito te disse?’
‘Disse pra minha avó, Guadalupe, mas pedi que ela não me contasse. Queria tentar adivinhar’ Ele disse orgulhoso.
‘E como adivinhou?’
‘Você tem alguma coisa parecida com minha mãe’ Benito riu e ficou boquiaberta.
‘Olha, eu vou tomar como um elogio’
‘Mas é, é sim!’ Pedro ria sem graça, enquanto Benito e explodiram em gargalhadas. ‘Sou do Rio, sua mãe é da onde?’
‘Rio, também’
‘Ah, que legal! Ela também trabalha no restaurante?’
‘Ela passa metade do ano no Brasil e outra metade aqui. Deve vir para o natal, daqui há alguns meses. Você devia vir aqui pra conhecer ela’ Pedro sorriu.
deu uma mordida no burrito enquanto o ouvia. Sentiu a carne derretendo na boca, o tempero, a pimenta. Suspirou.
‘Olha, Pedro, eu venho com certeza. Mas voltar eu volto muito antes do Natal’
Pedro sorriu e começou a falar sobre a receita do burrito com a menina. Benito observava a conversa dos dois sem tirar os olhos de .
Dona Guadalupe fazia sinais para o rapaz, apontando para uma outra mesa. ‘Qualquer coisa me chamem, tá?’
‘Certo’ disse antes de morder novamente o burrito. Benito a olhava fixamente. o olhou.
‘Você também é linda’ Benito disparou.
‘Obrigada’ corou. ‘Sabe… quase me sinto num filme. O rapaz me leva para um restaurante onde tem uma senhora simpática que gosta dele como filho, conheço um menino legal que trabalha nesse restaurante que tem um aperto de mão específico com esse rapaz. Eu olho pra esse rapaz e ele é… Bem, perfeito. Lindo. E, pra coroar, estou em Nova York!’ riu.
‘Ei, espera aí’ Benito sorria. ‘Isso tudo não é pra te impressionar, é pra matar sua fome. E se tem uma coisa que eu gosto é de alimentar garotas bonitas’
gargalhou enquanto Benito fazia um biquinho engraçado pra não rir. ‘Certo, certo’ deu um gole na coca-cola.
‘Quando eu quiser te impressionar, você vai saber’ Benito deu de ombros. ‘Não faça promessas, a gente nem se conhece’
‘Bom, mas vamos, né? De um jeito ou de outro. Você agora mora com o Carlos’ Benito mordeu seu burrito.
‘Ah, sim. Me conta. O que acha desse pessoal que mora com a gente? Chelsea, Oliver? E, bem, me fala um pouco sobre Nato, José e Luísa. Nem os vi antes de sairmos’
‘Ah, eles estarão lá quando voltarmos’ Benito riu. ‘Não são pontuais para chegar, mas também não são pra ir embora’ Os dois riram.

‘Chelsea é meio questionável, mas é gente boa. Carlos tem paciência de ensinar algumas coisas pra ela, do tipo, não ser racista, mas eu nunca troquei mais do que três palavras com ela. Oliver é bolsista de esporte. Vou soltar um clássico aqui, tá? Ele é…’ Benito deixou o burrito no prato e fez um gesto engraçado com as mãos. ‘... jogador de futebol americano’.
gargalhou.
‘Ok’ ela deu um gole da coca, interessada.
‘Carlos é o melhor amigo que alguém pode ter e é do mesmo curso que você, produção audiovisual. Chelsea também, mas está dois semestres à frente de você e um de Carlos. Bom, Natalia, nós a chamamos de Nato, ela vive um vai e volta com José, mas eles se amam’ Benito mordeu o burrito.
‘E Luísa…?’
‘Espera aí’ Benito sorriu, arqueando uma sobrancelha. ‘Eu entendi o que você está fazendo aqui’
o olhou surpresa. ‘Oi?… O que?’
‘Você, que é tão direta, porque não me perguntou de uma vez se já tive algo com alguma das pessoas que você irá conviver?’
‘É o que?’ gargalhou e Benito aproximou um pouco sua cadeira da dela.
‘Em primeiro lugar, eu não sou direta. Você está conhecendo minha personalidade exausta, onde aparentemente perco alguns filtros e fico, sim, direta’ dizia segurando uma risadinha e Benito a olhava fixamente, sorrindo e observando seus trejeitos.
‘Em segundo lugar, e aproveitando minha personalidade temporária’ riu ‘Do jeito que Carlos falou, eu realmente tô tentando entender aqui se você é do tipo que some depois que fica com alguém, pra eu não estragar nenhuma convivência’ deu de ombros.
‘Porque nós vamos ficar? Hoje?’ Benito estava gostando do que ouvia. Disse, provocador. ‘Bom, hipoteticamente’ fingia seriedade. ‘Digo, se hipoteticamente ficarmos hoje’ Benito riu se ajeitando na cadeira.
‘Certo, se hipoteticamente ficarmos hoje eu não sou do tipo que deixa de falar com ninguém. Mas preciso saber, hipoteticamente, o que você quer. Pra gente, vamos dizer, alinhar as expectativas, sabe?’ Ele fingia a mesma seriedade que , dando o tom de um encontro de advogados. sustentou a brincadeira.
‘Ah, perfeito, responsabilidade afetiva. Gosto disso’ Ela sorriu. ‘Eu sei separar bem as coisas, Benito’ Ela limpou o rosto com o guardanapo, finalizando o burrito. Ele já tinha terminado, então juntou os pratos e colocou no canto oposto da mesa em que estavam. ‘Nem sempre eu sei, mas entendi o que você quer dizer. Então estamos na mesma página’ Ele estendeu uma das mãos, esperando um aperto de mão. Ela apertou e os dois riram. ‘Luísa tem uma namorada’ Benito disse depois de um breve silêncio ‘E nunca ficamos, antes disso. Acho que ela fica exclusivamente com mulheres e eu, particularmente, nunca me interessei por ela, mesmo antes de saber disso’ Ele deu de ombros.
‘Certo’ sorriu.
‘Vamos? Tem uma festa te esperando’ Benito levantou e estendeu as mãos para levantar . Os dois acenaram para dona Guadalupe e Pedro e saíram do restaurante.
Caminhavam lentamente pelo campus, atravessando caminhos arborizados. Postes um pouco mais altos que Benito iluminavam a rua com sua luz amarelada. Estavam de braços dados, conversando sobre comida, desde que saíram do restaurante.
‘Olha, Benito, se tem uma coisa que eu sei que posso me gabar é sobre minha comida’ ‘Sério? Bom, nunca comi nada do Brasil’
‘Não acho que nossas culinárias sejam assim tão distantes, mas…’

‘Mas eu nunca comi nada do Brasil’ Benito sorria, como uma criança. Pôs a mão sobre a mão de que estava atravessada ao seu braço.
‘Certo, eu faço alguma coisa pra você. Só me dizer se tem algo que gosta mais, ou algo que não possa comer, vai ser um prazer. Podemos chamar Nato, Luísa, José para irem lá em casa e…’ riu de si. Benito a encarava com uma interrogação no rosto.
‘Eu disse “lá em casa” e pareceu esquisito estar falando desse apartamento aqui em Nova York’
Benito apertou o braço de contra seu corpo.
‘Olha’ Ele parou ‘Você vai se sentir muito sozinha aqui, sabe… Mas nesses momentos é muito importante que não fique sozinha. Quer dizer, mesmo que você tente, nós não vamos deixar’ Benito sorriu. Só nesse momento que percebeu que já estavam em frente ao prédio novamente. sorriu.
‘Mesmo se hipoteticamente nós ficarmos hoje, eu não vou deixar de estar por perto. Aliás, é mais provável que você diga ao Carlos “vem cá, esses seus amigos não vão embora daqui nunca”?’
riu.
‘Chelsea ou Oliver já disseram isso alguma vez?’ abria a porta de entrada do prédio, deixando Benito entrar primeiro. Entrou e trancou novamente a porta do prédio, enquanto o rapaz a olhava encostado na parede do hall de entrada.
‘Não… Mas eu sei que eles já pensaram’ Benito riu.
olhou para a escada e fez uma careta pensando que, depois de dois lances de uma escada como aquela, encararia novamente a festa. Eles, inclusive, conseguiam ouvir algumas vozes, risadas e música.
‘Não precisamos subir agora, se não quiser’ Benito deu um passo em direção a ela. sentiu seu coração batendo forte.
‘Não quero’ disparou. Benito sorriu. Segurou a mão da menina e a conduziu para sua frente. Pôs as mãos na cintura dela, abraçando-a por trás e foi conduzindo-a hall adentro. Passaram da escada e seguiram para um espaço mais escuro. Benito tateou uma porta na parede abaixo da escada e a abriu, conduzindo para dentro. O pequeno corredor iluminado dava, de um lado, para uma espécie de entrada dos fundos do prédio, que estava trancada com um cadeado. Havia uma outra porta mais à frente, que parecia um banheiro ou almoxarifado. Para o outro lado, tinha um vão na parede, uma espécie de beco, fornecendo um canto onde a iluminação do pequeno corredor não alcançava.
‘Para alguém que não fica com tantas mulheres assim, parece conhecer bem a arquitetura do prédio da moradia estudantil, né?’ sussurrou e Benito sorriu, com os lábios próximos à orelha dela, ainda a conduzindo com um abraço por trás. Benito trancou por dentro a porta que entraram, que tinha uma chave pendurada, e a conduziu para o lado que tinha um vão na parede, mais escuro. Em teoria, era um espaço para guardar produtos de limpeza, mas não tinha nenhum ali. Estava vazio e escuro. Benito conduziu beco à dentro, até o final. sentiu, lentamente, seu corpo encontrar o fundo e sua bochecha colar na parede. Benito imprensava seu corpo contra o dela e deixou escapar um suspiro. Benito a virou lentamente. Pouco a pouco, os olhos dos dois começaram a se acostumar com aquela penumbra e eles já se enxergavam bem. umedeceu seus lábios com a língua. Benito sentiu sede só de olhar. Aproximou-se lentamente de . Os lábios se encostaram. Benito, lentamente, colocou a língua dentro da boca de , buscando a dela. sentiu a língua quente de Benito a invadir e, quando deu por si, tinha levantado sua perna esquerda e envolvido a cintura de Benito. Ele parou o beijo para sorrir. Benito pousou sua mão esquerda no joelho de , que estava na altura da sua

cintura. Alisou a coxa perna adentro, por debaixo do vestido, enquanto voltava à beijá-la. Encontrou, com a mão, a calcinha de . Enrolou o dedo indicador na lateral da calcinha e a puxou para si, fazendo os corpos se chocarem com mais intensidade. soltou um gemido baixo.
‘Ai, mami…’ Benito sussurrou, derretido com o gemido.
começou a sentir, roçando em sua calcinha, o pau dele enrijecendo. Arrepiou-se e Benito sentiu. Ele começou a rebolar lentamente, fazendo movimentos que faziam respirar cada vez mais fundo, mesmo estando ele de calça e ela, de calcinha. Benito a olhou nos olhos. tirou a perna esquerda da cintura dele e o encarava. Benito, lentamente, desabotoou a calça. mordeu os lábios.
Repentinamente, foi invadida por um pensamento: será que devo?
Benito percebeu a vacilada e não abaixou o zíper da calça, apenas a deixou desabotoada. O rapaz se ajoelhou lentamente, de frente para , e ela perdeu o compasso de sua respiração. Benito pôs as mãos na bunda de por dentro do vestido e afundou seu rosto na calcinha dela. Com o dente, puxou a calcinha pro lado. segurava o vestido enrolado com uma das mãos. Benito observou cada detalhe da intimidade de ; sentiu sua boca aguar. Beijou-a. tremeu. Muito devagar, introduziu sua língua quente, fazendo movimentos circulares, tentando alcançar a maior superfície de contato que conseguia com sua língua. Com a boca, começou a chupar e levantou novamente sua perna esquerda, passando por cima do ombro de Benito. Ela gemia baixo, olhando para ele. Ele sustentava o olhar dela.
‘Ai, Benito…’ sussurrou com dificuldade, quando se deixou levar por aquela sensação imensa de prazer. Tombou a cabeça para trás e gozou. Benito sentia seu pau cada vez mais duro e, com urgência, levantou procurando os lábios de . Se beijaram. inverteu as posições, colocando-o contra a parede. Por sua vez, se agachou na frente dele. Abaixou o zíper logo abaixo do botão já desabotoado. Benito a olhava. tentava não se julgar. A verdade é que nunca, em seus vinte e poucos anos de vida, nunca tinha feito algo ao menos parecido com isso. De joelhos para ele, abaixou a cueca e sorriu ao sentir a grossura e o tamanho do pau. Com uma das mãos, a segurou com firmeza e lentamente passou a língua na cabeça. Estava melada, muito rígida, deliciosa. pôs a boca somente na cabeça e ouviu Benito gemer de prazer. Lentamente, foi colocando-o, centímetro a centímetro, em sua boca. Mesmo com tudo na boca, ainda sobrava. Então, com uma das mãos, segurou o que não cabia na sua boca. O chupou com muito prazer, com muita vontade, enquanto sua língua dançava. Fazia movimentos intensos. Benito sentia que a qualquer momento podia gozar. Entrelaçou seus dedos no cabelo de pela nuca e, antes que isso pudesse acontecer, levantou a menina, olhando-a nos olhos.
‘Eu não tenho camisinha’ Benito disse, arfando.
‘Nem eu’ também arfava. Ele inverteu os lados e a colocou contra a parede de novo, encostando a testa na parede, acima da cabeça de - já que era mais alto que ela.
brigava contra seus pensamentos. Queria, queria muito. Mas não estava nem 24h nesse novo país. Todo o papo tinha sido legal, mas ela sabia que Benito estava sendo um querido porque queria chegar a esse ponto. Bom…E eu também não quero?, pensou.
‘Foda-se’ sussurrou.
‘Que?’ Benito deixou escapar uma risada.
‘Foda-se’ disse um pouco mais alto. ‘Corro o risco de você pensar coisas que não são verdade sobre mim, mas to me agarrando a minha personalidade direta e cansada de hoje’ Ela tentou fazer piada, mas Benito a encarava, sério. Ele fez menção a subir a cueca. o impediu, colocando a mão sob a sua.
‘Eu não vou conseguir dormir hoje se não sentir você dentro de mim, Benito’ disse séria e cheia de tesão, finalmente, conseguindo retribuir o olhar de Benito, sustentando um olho no olho por 30 segundos. Benito sentiu o pêlo de sua nuca arrepiar.
‘Eu também não, mami…’ Ele sussurrou. Queria muito . Muito. Naquele momento, parecia que o mundo não existia. Só existia ela, ele, e o universo de possibilidades nos poucos centímetros que separavam seus corpos.
Benito segurou pelo queixo. A menina subiu sua perna esquerda, envolvendo a cintura dele. Benito deu um selinho e podia sentir a cabeça de seu pau bem na entrada da sua intimidade. Mordeu o lábio. Benito se sentiu momentaneamente nervoso, de tanto que queria aquilo. Beijou a menina bem lentamente e adentrou um pouco mais. gemeu baixinho, sem deixar de beijá-lo. Com o pé, fazia um pouco de força em suas costas, na altura da bunda dele, como quem implora pra ele colocar tudo. Benito sorria entre o beijo. ‘Pede…’ Ele sussurrou.
‘Quero você’ respondeu, sorrindo.
‘Quero você, papi’ Benito a corrigiu. riu, afetuosa.
‘Quero você, papi’ disse lentamente, saboreando cada palavra. Enquanto ela falava, Benito adentrava mais , até que colocou tudo. Ficou parado, ciente do tamanho, para que se acostumasse. Benito estava apenas sentindo que seus corpos, por aquele instante, eram um só. tinha seus braços envolvendo o pescoço de Benito e o olhava nos olhos. ‘Meu deus’ ela disse e revirou os olhos com o pequeno movimento que ele começou a fazer, com a cintura. Benito riu.
desejou estar deitada, não em pé, numa posição em que pudesse se entregar por completo. Estava se sentindo completa, inteira, e dele. Toda dele. Podia, naquele momento, falar as maiores loucuras. Queria dizer que ele era um gostoso, que era a melhor foda de sua vida, que não saberia mais viver sem transar com ele. Riu de si e Benito percebeu, juntando as sobrancelhas.
‘Estou me segurando pra não falar besteira, Benito’ riu.
‘Ah não, não se segure, mami’ Benito fez biquinho enquanto rebolava lentamente dentro dela. sentiu seu joelho vacilar, enquanto Benito intensificava os movimentos. Ela entrelaçou seus dedos no cabelo do rapaz, subindo pela nuca. Puxava forte e Benito sorria, sentindo a dor de ter seus cabelos puxados. Ele estava se mantendo concentrado porque poderia gozar a qualquer momento. Então, sentiu algo que nunca havia sentido: chegou ao ápice, gozou e sentiu jorrar. Sentia-se desaguando em um orgasmo longo, maravilhoso, líquido. Respirou fundo pelas narinas, tentando roubar todo o cheiro de Benito para si. Sentindo aquilo, Benito não pôde mais se segurar e gozou, dentro dela. sentiu o jato quente preenchê-la e aquilo fazia tudo ficar mais gostoso. Se tremeu toda e, por fim, sentiu que perdeu todas as suas forças, de uma vez. Benito a segurava, num abraço, mas sentiu que ela estava completamente sem forças. Ele sorria por conta disso. Ela tinha o rosto enfiado em seu peitoral e sentia seu cheiro. Benito percebeu que ela se inebriava com seu cheiro e a abraçou mais forte, encostando seu lábio na testa da menina e colocando seu nariz no cabelo dela. Respirou um cheiro cítrico, provavelmente do shampoo que ela usava. Também se arrepiou, tentando guardar na memória aquele cheiro dela.
Quando Benito sentiu que parecia um pouco mais segura para ficar em pé, a soltou do abraço. ajeitou sua calcinha e Benito fechou sua calça. Quando subiu o olhar de volta para ela, encarava um ponto fixo que não era seu rosto. Benito abaixou um pouquinho e se colocou no campo de visão dela.
‘Ei… Alou?’ Ele riu.
‘Não posso te olhar agora’
‘É o que?’ Benito juntou as sobrancelhas.
‘Li um estudo duvidoso que dizia que depois de um sexo gostoso os minutos seguintes são cruciais pra se apaixonar. Não posso te olhar agora’ Ela dizia divertida, mas com um fundo de verdade. Benito gargalhou.
‘Mas um estudo duvidoso não pode ter razão, pode?’
continuava sem olhá-lo. Na verdade, tinha medo, vergonha. Ele continuava buscando seu olhar. se deu por vencida, certa de que, ao menos 1 minuto já havia passado e o olhou nos olhos.
‘Ah, olá’ Ele sorriu. Beijou levemente os lábios dela. ‘Olá’ Ela sorriu sem graça. ‘Aqui tem algum banheiro?’ ‘Sim, do outro lado’
Benito a conduziu para um banheiro de serviço, até bastante grande e limpo. Entrou. ‘Vou só lavar o rosto e…’
entrou junto com ele, fechou a porta com os dois lá dentro. Acendeu a luz, abaixou a calcinha e sentou na privada. O vestido a cobria, não permitindo que Benito visse mais do que uma pessoa sentada. Ele deu de ombros e lavava o rosto. sentia o líquido quente dele escorrer de si, emendando num xixi.
‘Bom, é isso, oficialmente temos intimidade’ riu enquanto se limpava. Benito não via. Tinha passado sabão no rosto todo e, agora, enxaguava. levantou no mesmo instante que ele terminou. Enquanto lavava seu rosto, Benito abaixou a tampa do vaso e sentou, observando-a. Tinha notado que , em vários momentos, parecia brigar com seus pensamentos. Queria falar sobre isso, mas não sabia como. Enquanto enxugava seu rosto, Benito ficou de pé, apoiando-se na porta fechada do banheiro. enrolava para terminar de secar seu rosto para não ter que encará-lo.
‘Não vai me dizer que, no final das contas, você é que é a pessoa que nunca mais fala depois que hipoteticamente fica com outra’ Benito cruzou os braços, sorrindo.
riu enquanto jogava fora os papéis que tinha enxugado seu rosto. Se virou para ele. Sorriam, em silêncio.
‘Não pude deixar de notar que você parecia brigar com alguns pensamentos e…’ ‘Nenhum deles era sobre querer ou não querer’ disparou, objetiva. ‘Certo’
‘E minha personalidade cotidiana é mais assim mesmo, com mil pensamentos por minuto, tentando dar conta de todos eles’ Ela encostou na parede, de frente pra ele. Benito descruzou os braços e estendeu um para ela, para que se aproximasse.
‘Mas aproveitando que ainda estou do jeito de hoje’ Ela e ele riram. continuou. ‘Tenho medo que pense que eu, bem, sou assim’
‘Gostosa? Tarde demais’ Benito a abraçou. riu. Ficaram abraçados, em silêncio. ‘Não me importo que você ache que minha vida sexual é monótona, mas isso, agora, foi a coisa mais gostosa que já me aconteceu’ disse baixo, com o rosto apoiado no peitoral de Benito. Ele, encostado na porta, olhou para o teto, sorrindo. Sentiu um quentinho no seu peito. Ele concordava.
‘Não acho nada sobre sua vida sexual, ’ Ele deu de ombros ‘E pra mim também foi’ não soube como reagir. Buscou o olhar dele.
‘E eu quero ser sua amiga, sabe?’
‘Tipo… só minha amiga?’ Benito se assustou.
‘Não disse isso’ Ela riu. ‘Quero dizer que não quero que isso defina qualquer que seja nossa relação daqui pra frente. O que você falou quando estávamos entrando, sobre ficarmos todos juntos e tal. Quer dizer, cada um tem as suas amizades, mas…’

‘Eu entendi’ Ele riu. ‘Também quero ser seu amigo’ Se olhavam, sorrindo.
‘Certo’ Ela disse. ‘Certo’ Ele confirmou.
e Benito deram um longo abraço antes de saírem do banheiro. Antes de destrancar a porta que lhes colocariam novamente no hall do prédio, Benito a beijou lentamente. correspondeu, sentindo sua perna ficar trêmula. Ele percebeu.
‘Bom, voltaremos pra festa, afinal’ Ela disse enquanto atravessava a porta. Benito vinha logo atrás.

e Benito foram recebidos com comemorações quando retornaram à festa. Chelsea rapidamente tirou de perto dele e a apresentou a todos que ainda estavam presentes. Deixou por último o grupo que estava junto de Carlos, pois sabia que iria preferir tomar um pouco mais de tempo ali. Carlos recebeu com uma cerveja. Nato, Luísa e José se apresentaram. Eram todos muito legais. Nato tinha a pele morena, olhos levemente puxados e cabelo liso, preto. José tinha a pele mais clara, com lábios grossos e era um pouco mais baixo que Nato. Luísa era branca, magra, tinha muitas tatuagens e algumas mechas coloridas no cabelo. Estava acompanhada de uma menina chamada Kim, muito simpática e com quem conversou bastante. Kim era de Chicago e tinha visto um documentário no avião sobre o último ano de Michael Jordan no Chicago Bulls, onde descobriu várias coisas legais sobre a cidade. Kim estava feliz em falar sobre isso e todos participavam da conversa. Benito tinha sumido na festa, aparecendo minutos depois com uma cerveja na mão e um pote cheio de doritos, para o grupo. Ofereceu um a um, deixando por último, com quem trocou olhares demorados enquanto ela se decidia entre pegar um ou um monte. Carlos observava cauteloso a interação dos dois.



Continua...



Nota da autora: Sem nota.



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