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Última atualização: 20/08/2020

Capítulo 1

A Confeiteira e O Investidor


Fazia tempo que ela estava sentada em um dos bancos de madeira envernizados. escutava música enquanto lia um livro de sua amiga, seus olhos desviaram do enredo e passearam por todo o parque. No fundo de seu coração, ela sentia falta daquilo, da criança que brincava com seu pai, dos casais debaixo da árvore fazendo piquenique, os vôzinhos – como ela chama educadamente – juntos. Ela sentia falta de uma família. Não que ela não tivera uma, ela teve, mas não do jeitinho Disney.
Ainda nova, – para ser mais precisa aos dezessete anos – sua mãe Selena engravidou de . Nos primeiros três meses, e os mais difíceis para a jovem, ela teve o apoio de seus pais, ao contrário de seu namorado e pai de , que rejeitou a gravidez e principalmente assumir a garota como sua filha; ao saber que ela estava grávida ele sumiu da cidade, deixando-a com uma criança em seu ventre para cuidar sozinha. Não era culpa de por sentir essa falta, essa ausência de seu pai, mas sim dele, já que o mesmo nunca se manifestou em procurá-la. Claro, que ao saber da história toda, do que aconteceu com sua mãe na adolescência, ela não se irritou, nem brigou ou gritou, apenas foi para o parque Ibirapuera refletir. Era lá que ela sempre se mantinha calma e encontrava a paz.
Seus olhos marejaram ao imaginar como seria se tudo tivesse acontecido certinho, seu pai, sua mãe e ela naquele parque conversando, comendo e brincando. A morena balançou suavemente sua cabeça para espantar seus devaneios, pegou seu livro e guardou na bolsa azul claro, pegou seu celular e aumentou um pouco mais o som, e ouvindo uma música tranquila, ela andou até a confeitaria de sua mãe, onde a mesma trabalhava.
tinha terminado sua faculdade de confeitaria fazia dois anos, e desde esse tempo, ela trabalhava com sua mãe. Na verdade, desde pequena ela gostava de confeitar e fazer doces, isso veio de avó para neta e de mãe para filha, e o que sempre foi a cativando na adolescência e na fase adulta também, quando precisou escolher uma profissão para seguir. Mesmo o curso sendo por curto tempo – apenas um ano e meio –, ela investiu com todo o coração e amor. E claro, foi ela quem escolheu o nome da confeitaria Dolce Encanto. O motivo? sempre achava os doces de sua avó extremamente encantadores, porque de uma hora para outra, doces e mais doces apareciam na cozinha de casa, como mágica.
A garota chegou, colocou seu avental rosa claro com detalhes de flores, prendeu seu cabelo em um coque frouxo e colocou sua touca de confeiteira. Deu um beijo em sua avó, que estava atendendo algumas garotas, e foi para a cozinha daquele pequeno lote.

— Boa tarde, pessoal. – cumprimentou alguns ajudantes de sua mãe.
— Oi, . – Lala respondeu, segurando um bico de confeiteiro. retribuiu com um sorriso.
— Oi, mãe, desculpa a demora, eu estava no Ibirapuera. – Ela deu um beijo na bochecha da mulher. – O que temos para hoje?
— Oi, filha, não precisa se desculpar, ainda mais porque hoje é seu dia de folga. – Ela disse olhando para sua filha, que revirou os olhos. – Não muitos pedidos, infelizmente. Temos só dois, um é para as cinco horas da tarde, o outro é para as duas horas e é o que eu estou terminando de finalizar.
— Se importa de eu começar a fazer então o segundo pedido?
— Não, filha, pode fazer. O pedido está lá naquele caderninho que você comprou.
— Ok, mãe.

O pedido era até que fácil, já que era um Naked Cake. As únicas exigências eram deixá-lo perfeito, com recheio de chocolate preto e branco não sobrando para fora do bolo, como de alguns ficavam, e apenas amoras e cerejas na decoração, desejando os parabéns para a mãe da pessoa que encomendou; era um bolo simples e até que rápido de se fazer. pegou o pedido e anotou em um papel, assim ela não teria que levar o caderno para a cozinha. Separou as quatro formas e todos os ingredientes da massa e dos recheios, e lá foi ela fazer o bolo. nunca foi fã de fazer um Naked Cake, sempre o achou bem simples e fácil de fazer, ela amava mesmo eram os bolos com mínimos detalhes, feitos com a manga de confeitar, os moldes de silicones, e também a pasta americana e o ganache.
Ela pegou uma folha de papel manteiga e escreveu o Parabéns com chocolate branco e esperou secar um pouco para colocar no bolo. Ao colocar o Parabéns no bolo, ela o levou para a geladeira e ia deixar lá até a pessoa que encomendou chegar.
Durante o tempo em que ela estava à espera do pedido para ser entregue, ela ajudou a fazer alguns cupcakes, que sempre saiam mais do que os pedaços de bolos e Cannolis; os Cannolis da vovó, aqueles que ela sempre comia desde que se entendia por gente, com vários tipos de recheio, até de morango que dona Madalena fazia para sua neta. Com os Cannolis, teve a ideia de colocá-los em uma bandeja rosa e marrom chocolate, com uma tampa transparente e uma cordinha rosa, que pendurava em seu pescoço e com seus patins azuis ela saía andando pelos quarteirões, distribuindo os Cannolis junto com o cartão da sua confeitaria, era uma ótima jogada de marketing dela.

♡ ♡


Cinco horas. atendia um casal de noivos que terminava de fazer um pedido de bolo de casamento, logo depois eles se cumprimentaram e saíram com um sorriso no rosto. voltou para o balcão, quando ela se agachou para guardar o caderno, um homem de terno, – que aparentava ser de grife, tocou o sininho que ficava em cima do balcão. O som do objeto assustou a garota, fazendo a mesma bater a cabeça e se levantar rapidamente, ainda massageando o local em que ela bateu.

— Boa tarde. – O homem falou.
— Boa tarde, seja bem-vindo à Confeitaria Dolce Encanto. – Ela tentava esconder a expressão de dor.
— Obrigado, vim retirar o meu pedido e desculpe o atraso.
— Ah sim, sem problemas, não íamos fechar sem entregar o seu pedido. Poderia falar o seu nome, por favor?
.
puxou no registro do computador, e foi retirar o pedido.
— Está pronto. – Ela terminava o laço da caixa. – Poderia assinar aqui? É apenas para dar baixa do pedido.
— É claro. – Ele assinou. – Obrigado.
— Ah espera, leva um cartão da gente, quando precisar sabe onde procurar. – deu um sorriso meigo.
— Pode deixar, e é melhor colocar um gelo.
— Ok. – Ela riu pelo nariz.

Depois que o executivo saiu da confeitaria, fechou o estabelecimento e foi lá para trás, pegou um saquinho com gelo e colocou no lugar em que bateu. Ela e sua mãe somavam as entradas e saídas da confeitaria do fim do mês. Era de se preocupar, as contas não supriam as despesas que elas tinham que pagar, e o pior, o medo maior de e de sua mãe era que com a única renda delas, fosse obrigada a fechar, já que o aluguel da confeitaria tinha que ser pago.

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colocou o bolo no banco de passageiro com todo cuidado, para não deixar que ele virasse durante todo o trajeto da confeitaria até sua casa. Edelman morava no lado ímpar da Avenida Paulista, para ser mais precisa, no Jardim Paulista. A confeitaria e seu trabalho não eram tão longe, apenas três quarteirões de distância.
Ele dirigia com todo cuidado pelas estradas desniveladas de São Paulo. Fazer o quê?! Ou era isso ou ter o bolo no assoalho do carro. Depois que sua carreira de investidor e arquiteto ambiental teve um rumo inusitado, dando várias oportunidades, ele comprou uma casa onde sua mãe tanto queria, quase perto do parque Ibirapuera, mas infelizmente era longe de sua casa e escritório, o que às vezes dificultava ele ajudá-la ou render seus irmãos, quando sua mãe estava doente.
Edelman parou no semáforo, olhou para seu relógio de pulso e bufou ao ver que já estava atrasado para a festa de aniversário, ainda mais por ele estar encarregado do bolo. Aquele semáforo parecia uma eternidade para abrir, nesse meio tempo seu celular que estava acoplado no painel de seu carro tocou, era Melane – sua irmã mais velha, querendo saber onde o mesmo estava. Avisando que não estava tão longe da casa de sua mãe e que ia chegar logo, ele desligou o celular pelo comando de voz e ficou batucando no volante de tanta irritação. Não tinha demorado muito para ele chegar à casa de sua mãe. Estacionou na frente da garagem, saiu rapidamente com o bolo em suas mãos e foi rumo ao portão.

— Melane? – Ele a chamou ao entrar na casa. – Melane eu trouxe o bolo.
. – Ela o abraçou.
— Desculpe a demora, estava um trânsito do inferno.
— Tudo bem, vem, a mãe não chegou ainda. – Melane pegou o bolo.
— É do jeito que você pediu, amora e cereja com chocolate preto e branco, mas esses parabéns vieram por vir. – Ele deu os ombros.
— Está ótimo. Você não reclamou, né? – Ela olhou para seu irmão.
— Não, apenas agradeci depois que eu a assustei.
— Você assustou a garota? Edelman!
— Eu só bati na campainha que estava em cima do balcão, era para isso que ela estava lá. Como eu ia imaginar que ela estava mexendo embaixo do balcão? – Ele riu.
— Você deveria ter perguntado se ela estava bem.
— Ela está bem, Melane, você se preocupa demais.
— Ok, não discutiremos hoje. Me ajuda, amarra aquelas fitinhas nos balões.
— Você encheu com gás hélio?
— Sim, anda logo. Para de fazer isso devagar, daqui a pouco Sara chega com nossa mãe.
— Sempre mandona. – Ele sorriu.

Os irmãos terminaram de arrumar com alguns preciosos minutos sobrando para poderem descansar. Edelman se trocou no quarto de visitas, onde ele sempre deixava uma muda de roupas mais casual e desceu com o celular em suas mãos, respondendo sobre os problemas de uma de suas clientes exigentes, um padrão americano, o que nunca cairia bem para um padrão brasileiro. Ele passou um tempo no celular, não percebendo a chegada de seus sobrinhos, Bernardo e Marcos – filhos de Melane – e só foi perceber quando sua irmã o chamou.

, a mãe está chegando, se você vai ficar mexendo no celular, que não seja aqui na cozinha, né.
— Já guardei.
Não demorou muito e pode ver seus irmãos, sua mãe entrarem e seus sobrinhos indo até a senhora.
— SURPRESA! – As crianças gritaram.

Alicia, que completava sessenta anos, ria e chorava ao mesmo tempo. Ela amou a surpresa, os detalhes e principalmente os desenhos de seus netos. Alicia se abaixou e abraçou as crianças, dando um beijo no topo da testa de cada um, abraçando seus quatro filhos logo depois, agradecendo cada um deles pela humilde festa surpresa. O bolo encheu os olhos de dona Alicia, era do jeito que ela gostava, com tudo que ela gostava, então ela se encaminhou rapidamente até a mesa, com todos cantando parabéns com uma extrema alegria.
Todos acabaram dormindo na sala depois de assistir a um filme qualquer, menos Edelman. Seus devaneios estavam mais agitados do que antes, mas não eram relacionados aos seus serviços, tanto de engenheiro civil quanto de investidor, mas sim seu lado amoroso. Ele já estava no auge dos trinta anos, trinta e quatro para ser mais precisa, desejava ter uma família, escutar as risadas suaves e o nome “papai” soando no seu ouvido. Seus relacionamentos nunca deram certo, sempre terminavam em um prazo de seis meses, e a causa era sempre o fato delas não aceitarem o serviço corrido do investidor ou por se relacionarem com o banco dele. Ele entendia, sabia que isso poderia acontecer nas duas situações, até porque, ele era um homem bem sucedido, com um sobrenome de peso, uma empresa de arquitetura e engenharia de construção em geral bem famosa por São Paulo, além de serem grandes investidores no passado.
Mas ele não podia negar que sempre tentava escolher uma mulher única, a mulher perfeita para ele. Não que seja impossível, mas a questão toda é que ele não tinha mais tempo para isso. Ele pensava em como poderia fazer para que todos esses seus desejos acontecessem um pouco mais rápido, mas foi pensando em suas vontades que ele embalou no sono, ali mesmo, deitado no chão da sala.

♡ ♡


estava sentada perto da janela com uma xícara de chá em sua mão. A preocupação com a única renda da família era tão grande, que ela não conseguiu dormir aquela noite. Sua preocupação sempre foi sua avó e sua mãe, principalmente depois que seu avô faleceu, quando a mesma tinha quinze anos de idade, já que elas também dependiam da aposentadoria do homem e do emprego de sua mãe. colocou a xícara em cima da escrivaninha, deitou-se em sua cama e esperou o sono chegar. Ela ficou pensando em tantas possibilidades que evitava o sono chegar e então a garota passou a noite em claro, se revirando na cama milhares de vezes.
O sol já entrava pelas frestas da cortina de tecido fino e claro, ela tinha acabado de embalar no sono e já precisava acordar. Durante a madrugada em claro, ela decidiu procurar um emprego, tanto na área de confeitaria quanto em qualquer outra área, um emprego que ela tivesse a certeza que ia conseguir suprir todas as necessidades de sua casa. separou uma blusa social rosa clara e uma calça flare preta, colocou em cima da cama e foi tomar o café da manhã. Não ia comunicar à família, só ia avisar que ia sair com sua amiga, , elas iriam para um evento de livros já que ambas amavam ler um livro atrás do outro.

— Bom dia! – disse empolgada.
— Bom dia, filha, que empolgação é essa? Quer ovos mexidos?
— Ah, eu vou sair com a , vamos a um evento onde estão expondo livros de autores novos. Quero sim, mãe.
— Ah sim. Sabe que horas volta? – A mulher disse abrindo a geladeira.
— Mais ou menos às três horas, eu sei que vocês precisam de mim na confeitaria, mas tento chegar o quanto antes.
— Filha, pode ir tranquila, não vamos abrir hoje.
— Ué? Por quê?
— Sua avó não passou muito bem de madrugada, eu precisei chamar uma ambulância para levá-la ao hospital.
— E porque vocês não me chamaram?! Mãe eu ajudava vocês. – Ela disse inconformada.
— Você estava dormindo, não queria acordá-la.
— Isso não faz a menor diferença, devia ter me avisado, sim.
— Filha, não vamos discutir. – Ela colocou o café da manhã na mesa. – Eu vou sair para ir ver sua avó e ver o resultado dos exames dela. Quer ir junto?
— Bem que eu queria, mas não posso, me avisa o que deu, por favor, eu não posso deixar de ir nesse evento. – Ela mentiu.
— Tudo bem, eu mando mensagem para você. Até, filha, se cuida. – Selena deu um beijo de despedida.
— Pode deixar, te amo!

terminou de tomar seu café da manhã, colocou a louça na pia e lavou, aproveitou que estava na cozinha ainda e verificou se a porta estava trancada. Depois foi para seu quarto, pegou a caixinha que deixava todas suas maquiagens, passando alguns tons leves e se vestiu. Ela imprimiu todas as páginas de seu currículo e colocou em uma pasta transparente. Antes de sair ela enviou uma mensagem para sua amiga, avisando que precisaria de um chofer para levá-la até a Avenida Paulista. Sua amiga não recusou em ajudá-la, já que tinha contado brevemente a história. Quando estacionou o carro na frente da casa de sua amiga, já a esperava no lado de fora do portão.

— Oi. – disse entrando no carro.
— Olá, desculpa o atraso.
— Sem problemas.
— Qual é a primeira parada da Avenida Paulista? – disse, acelerando o carro.
— Deixe-me ver. – Ela pegou o celular. – Primeiro lugar é uma confeitaria, depois o Starbucks e por último uma agência de engenharia e arquitetura.
— O que você vai fazer em uma agência que constrói casas e decora?
— Ser recepcionista.
— Hm, então tá, quem sou eu para falar não.
— Achou que eu ia ficar lá desenhando? Ou quando eles recebessem algum e-mail em letra maiúscula eu iria ficar lendo gritando?
As amigas riram.
— Conte mais sobre a situação lá na confeitaria.
— Ai, amiga, está horrível, mamãe mostrou as despesas e a nossa renda, não dá para comprar nada, nem sei como estamos nesse mês com tudo em ordem.
— Meu Odin, amiga, não imaginava que estava assim.
— E ainda tem mais: hoje de manhã eu descobri que minha avó passou mal e foi parar no médico. Eu não sei como vão ficar as despesas dos remédios dela, tipo, não sei como ajudar. A confeitaria pode ser fechada por conta do aluguel, não conseguimos pagar só com os doces que fazemos. Então, depois de ter passado a noite em claro, eu resolvi procurar um emprego, que pelo menos com a aposentadoria da minha avó, dá certinho o dinheiro em casa.
estacionou o carro, soltou o cinto, virou-se para sua amiga e com suas palavras mais sinceras ela confortou a mesma.
— Eu vou ser sincera, eu não consigo entender o que você está passando, mas sei que você vai conseguir. Você sempre foi aquela que levantava tudo e ia em frente e, quando eu via, voltava com todos os desejos realizados. Isso no prézinho, e não falo que durante todo o tempo que estudamos juntas não foi diferente, mas eu sei que agora não vai mudar. Seu sonho de confeiteira aconteceu, você está nessa profissão, eu sei que você vai conseguir tocar para frente sua confeitaria, com ou sem um segundo emprego. Tudo voltará ao normal, eu sinto isso, sinto que... Você vai ter uma das maiores surpresas, não sei porque eu sinto isso, mas uma intuição de melhor amiga não se deve discutir. – riu.
— Porque você é a melhor mesmo? Obrigada, eu não sei o que dizer eu agradeço de verdade. você é a melhor, obrigada por tudo, por sempre me apoiar e me ajudar nessas horas. Agora, eu vou indo, não posso perder o horário.
— Vai lá, eu espero aqui fora, ok? Boa sorte, amiga.
— Ok.

saiu do carro pedindo para Deus que tudo desse certo, e que nessa confeitaria ela fosse aceita e contratada logo de início, por conta de seu currículo e seu portfólio dos bolos e doces que ela fez. Os minutos de espera foram eternos, ela batia as unhas contra a pasta transparente, cruzava e descruzava as pernas de dois em dois minutos, até que escutou seu nome ecoar na sala de espera. Rapidamente, ela pegou sua bolsa e se levantou, entrou na sala contando até três para poder ficar mais calma. Longas conversas, assuntos e perguntas, tudo que respondia na maior tranquilidade, mas no final da entrevista, um não com total e completa educação veio acompanhado com a devolução do portfólio.
agradeceu, e saiu com os olhos marejados. Era sua profissão, a profissão que ela amava. Confeitar. Ela amava, tão igual aos clichês dos livros românticos. Saindo e indo em direção do carro de sua amiga, onde a mesma estava encostada, tomando algum líquido quente.

— E então? – perguntou.
— Vamos para o Star. – falou com a voz trêmula e abrindo a porta. Doía mais que ler The Notebook. Ela não queria chorar e não ia chorar, e a única desculpa para não chorar é que estava sem a sua maquiagem para retocar, o que era verdade.
— Respira fundo e solta, não se esquece de transpirar. – riu e fez sua amiga rir, lembrando-a do vídeo do respira e transpira.
— Idiota. – Ela falou com a voz de choro. – Vamos, não podemos perder tempo, .
— E quem disse que vamos perder tempo?

disse acelerando o carro e indo em direção do Starbucks. Ambas pediam aos céus, que pelo menos no Starbucks as coisas dessem certo. A cada segundo, sua mente a fazia ter os devaneios mais surreais que ela poderia imaginar ter, sentir coisas que ela nunca sentiu, ter medo do que ela nunca teve. Será que ela não ia conseguir ajudar sua família?
E era essa única coisa que ela queria, ajudar sua família, e foi isso que a fez entrar determinada dentro do Starbucks. Pediu para chamar o gerente da cafeteria e esperou alguns segundos – não muito longos. Depois de uma breve conversa, ela entregou o currículo a ele. O homem folheou o mesmo tão rápido que assustou a garota. Logo em seguida, ele entrou no seu escritório agradecendo pela disponibilidade, mas eles não estavam precisando de funcionária para nenhum cargo. A morena agradeceu e se retirou. Ela apertava a pasta contra seu peito para tentar fazer a dor sumir logo. Ela sabia que não ia ser fácil achar um emprego, mas nas circunstâncias era necessário achar um o mais rápido possível.
No meio do caminho para o escritório da agência de engenharia e arquitetura, disse que ao olhar em um dos aplicativos de emprego ela achou um perto da avenida e que iria levá-la até lá para pelo menos deixar o currículo. Era uma agência de viagem, não uma das mais famosas, mas pelo menos estava procurando garotas para serem as atendentes. tentou, deixou seu currículo com eles e saiu de lá com um pouco mais de esperança. A próxima e a última parada era o escritório, ela chegou tão calma que pareceria ter tomado uns cem sucos de maracujá.

♡ ♡


Por fora daquele prédio de três andares, o nome Edelman C&A em dourado se destacava na parede verde militar. As grandes janelas de alumínio preto, deixavam o prédio com mais ar de soberano, dando até um frio na barriga de .
Por dentro, o lugar era apenas o dobro da sua casa, sem contar com os andares de cima. Milimetricamente perfeito, podia se dizer por passagem que era um lugar que apenas pessoas diplomadas – das melhores faculdades, trabalhavam ali, com suas únicas secretárias, o que há deixou um pouco para baixo. No terceiro e último andar, ficava a sala de reunião e, principalmente, algumas amostras dos parceiros da Construtora.
Ela andou até o balcão oval da recepção e com um sorriso no rosto ela chamou a recepcionista. Sem delongas a confeiteira foi diretamente sobre o assunto pelo qual ela estava ali, logo sendo encaminhada para uma sala de reuniões do primeiro piso.

— Quer um café ou uma água?
— Não, obrigada.
— Ok, o senhor Daniel já vem.
Quando a recepcionista saiu da sala, Daniel e desciam as escadas. Jessica, educadamente chamou Daniel, avisando sobre a garota da sala ao lado.
— Jessica, eu disse que não estamos contratando ninguém. – Ele disse nervoso, como sempre.
— Eu não pude a deixar ir embora, ela está precisando muito de um emprego. – A garota deu ênfase na palavra. – A vó dela está no hospital.
— Mas agora você acha que aqui é a central dos coitados e oprimidos? A não ser que você deseje que nós a coloquemos no seu lugar. – O homem a intimidou.
— Daniel, mantenha a calma, pode ir para a sua sala, eu converso com a senhorita. – Edelman falou pacificamente. – Ela deixou alguma coisa? – O engenheiro falou indo em direção da sala, com a recepcionista em seu encalço.
— Na verdade, ela falou diretamente do assunto, explicou tudo, disse que não tem conhecimento pela área, mas está à procura de um emprego por conta da avó dela. Eu falei que não estamos precisando de nenhuma secretaria ou então recepcionista, mas ela insistiu mesmo assim. Eu não quis falar para ela ir embora, até porque eu senti a dor e o desespero na voz dela. Não pude deixá-la ir, seria injusto com a mulher, e mesmo que não dê para você fazer alguma coisa, eu vou tentar ajuda-la, se você não se incomodar.
— Ela trabalha com o quê?
— Com confeitaria.
— Fazemos assim. – O homem se apoiou no balcão e começou a falar baixo. – Não temos como contratá-la, mas podemos investir no serviço dela. Peça para a Sara investir como sempre fazemos, mas você sabe que não posso deixar que meu pai descubra que estou fazendo isso por fora dos acordos da empresa. Precisamos deixar isso em segredo, e não envolva o meu nome, você sabe que eu prometi não fazer isso novamente.
Jessica riu acompanhada de seu chefe.
— Entendo, eu vou coletar todas as informações e passo para sua irmã. E, chefe?
— Sim.
— Eu não irei tomar advertência pelo fato, né?
— Não, não está errado em querer ajudar as pessoas, está errado em não querer ajudá-las. Com licença. – Ele sorriu.
Jessica respirou fundo. Depois de organizar todos os papéis para anotar sobre a , ela foi conversar com a mesma e ela tinha certeza que a notícia ia ser uma das melhores para a garota. Sentiu-se mais aliviada também, da mesma forma que a acolheu no pior momento, ela pode fazer isso por outra pessoa.
— Oi. – Jessica disse com um sorriso amigável.
— Oi.
— Vim dar duas notícias.
— Pode dizer. – A mão dela suava frio.
— Como eu falei, não estamos contratando, mas depois de conversar com meu chefe, ele disse que podemos investir em seu serviço. Aqui, além de ser um escritório de Arquitetura e Engenharia de Construção, nós também somos investidores.
— Aqueles que investem um pouco do capital próprio em lojas e serviços das pessoas que não tem condição para dar continuidade?
— Isso. – Ela riu pelo nariz. – Mas aqui temos uma política um pouquinho diferente, que vou entregar para você. Mas antes poderia passar seus dados e falar um pouco sobre sua profissão?
— É claro. – Os olhos dela brilhavam.

Mesmo aparentando ser uma mulher de nariz empinado, Jessica era um amor. Foi atenciosa, amorosa e simpática. Pegou todas as informações que precisava para eles começarem a investir na confeitaria de , mesmo com todos os problemas de finanças. Só podia ser um sonho, tudo estava correndo de uma forma tão maravilhosa, tão filme, que ela até chegou a desconfiar um pouco da ação da empresa, mas de qualquer forma ela agradeceu pelo atendimento doce de Jessica. saiu mais saltitante da sala que um filhotinho de Bambi.

! – Jessica a chamou.
— Oi. – A morena se virou.
— Eu esqueci, qual o número de contato?
Aquela voz era familiar para os ouvidos de , doce, suave e calma. Ele se virou para trás e olhou para baixo, já que estava no segundo andar. Apoiando suas mãos no corrimão de alumínio e vidros escuros, ele começou a procurar a moça. Ele pôde ter se enganado, mas seu coração palpitou extremamente rápido ao escutar a voz da garota. Será que seria possível uma atração nascer apenas por ouvir a voz da confeiteira?
Maldita hora que ela ia se virar e ele ia apreciar a beleza da pele morena da garota. O inesperado aconteceu.


Capítulo 2

O Sonho Começa


, a secretária de sua irmã Sara, veio na direção dele. Seus saltos batiam no piso de porcelanato branco, o som do salto agulha vinha acompanhado de sua fina, e um pouco irritante, voz. A ruiva tinha voltado das férias de Malibu e consigo trouxe seu alter ego mais elevado do que antes. A mulher esbanjava a marquinha do biquíni com o seu vestido de ombro a ombro em nauce vermelho vivo. Edelman fingiu estar feliz ao ver a garota com um sorriso nos lábios. o abraçou, entrelaçando seus braços no pescoço do rapaz, e o mesmo só a abraçou com um braço, já que o outro estava apoiado ainda no corrimão. Ela o beijou próximo aos lábios do homem, que virou o rosto.

, a viagem foi incrível. Nossa, eu fui para a praia, às festas de lá são incríveis. Eu quase liguei para você, assim você e eu, íamos nos divertir juntos. – Mordeu os lábios. – Quer dizer, eu te liguei, mas na verdade você não me atendeu. – Ela cruzou os braços e fechou o rosto.
— Eu estava ocupado, não podia atender. – Ele mantinha a calma e andava para seu escritório. – Sabe, os dias foram corridos.
— Mas era eu, não acha que devia ter atendido? Você não ia se arrepender. – fechou a porta e se se encostou nela.

A sala tinha sido reformada, o piso laminado tinha dado o lugar para o porcelanato preto. O grande sofá que estava de frente para a grande janela agora era de tecido em tom verde esmeralda. A grande estante tinha sido restaurada com uma madeira de carvalho golden claro, que combinava perfeitamente com a nova mesa da mesma cor e com tampão de vidro, e por fim as paredes estavam em cinza clarinho. não reconheceu o ambiente, era um ambiente clean e ao mesmo tempo frio. Ficou apenas um mês fora e já encontrou um novo Edelman. Um homem mais centrado, mais calmo, com trajes mais finos, cabelo penteado e a barba alinhada; aquele não era o homem que gostava de sair, ir para altas festa depois do trabalho e nunca usava seus ternos que ela conhecera.
pôde jurar que sentiu um calor abaixo da bainha do vestido ao ver o novo .

, se quiser eu posso trazer um pouco de Malibu para você. – Ela deu a volta na mesa e sentou na mesma perto do homem.
— Não precisa.
— Eu sei que você quer, você gosta de lá. – Ela subiu um pouco seu vestido. – Eu comprei algumas coisas lá, está no meu apartamento.

Edelman olhou as coxas desnudas da mulher, não pôde negar, era homem e solteiro, afinal, não tinha mal algum a isso. Ao mesmo tempo em que olhava, ele se lembrava dos tempos em que eles ficavam ali, naquela mesma sala; foram bons momentos ao lado dela, isso nunca negaria, entretanto não era isso que desejava, não mais. Conhecia todas as intenções dela, após ela deixar nítido na noite do aniversário dela: uma mulher que tinha um grande interesse apenas no sobrenome Edelman e por fim não te trazia a verdadeira felicidade. E aquele amor que havia sentido por ele, se foi enquanto apreciava os zeros.
Fazia mais de quatro meses que eles não se relacionavam. Melhor dizendo, seu relacionamento era mais por momentos, apenas uma única vez que passou a ser por um sentimento. Entretanto era algo quando Edelman queria passar alguns dias com alguma garota, e também quando desejava, nunca foi nada forçado, sempre respeitou e aceitou os dias que ela não queria nada com ele.
A garota passou a mão sobre o bíceps de , mas ele segurou a mão dela com um pouco de força e tirou a mesma. olhou nos olhos dela sem demonstrar algum desejo de segundas intenções.

, por favor... pare com isso. Não temos mais nada e você sabe muito bem disso, eu já deixei isso claro.
— Mas você gosta, eu sei que gosta. – Ela se aproximou. – Era isso que fazíamos várias vezes aqui, dentro dessa sala. – começava a se estressar.
— Eu gostava, , gostava disso antes e você sabe. Agora eu tenho outros planos e não pretendo me relacionar com nenhuma mulher no momento. – se levantou e foi até a janela.
— Mas eu te amo! – Ela o abraçou por trás. – Você sabe disso. Sua irmã comentou ao telefone com outra pessoa que você está pretendendo se casar, nós podemos ter uma família juntos. Imagina que lindo seria nossos filhos, ruivinhos de olhos , os mais lindos!

Ao mesmo tempo em que seu timbre demonstra um por cento de sinceridade, os outros noventa e nove demonstram falsidade; não só em seu timbre, mas em seu olhar também. Ele sabia que isso ia causar dor de cabeça para si, se não tomasse uma atitude logo. O que ele não queria fazer logo de imediato, partir o coração de uma pessoa é doloroso, para muitos é a pior coisa e não vê que é apenas para fortalecer para um grande momento, mas para Fernandes, o coração era o de menos, seu problema agora, era o ego.

para! – Ele tirou as mãos dela de seu corpo. – Você não deve ter entendido, então eu vou tentar realmente ser educado e bem claro. O que tivemos ficou no passado, foram bons nossos momentos juntos, mas não sou mais o mesmo. Eu tenho outros planos, planos que incluem decisões totalmente diferentes do antigo . Entenda de uma vez, você não está nos meus planos.
— Você tem outra garota, né? É mais nova? – Os olhos dela estavam vermelhos e marejados, de raiva. – Não, é mais velha tenho certeza. Quantos anos? Vinte? Vinte e quatro?
. – Suspirou pesado.
— Não, , você deve ter a conhecido durante minhas férias, mas você vai ver, eu vou te conquistar, eu vou ser a senhora Edelman. Vamos nos casar e seremos felizes juntos. Você vai ver . Não pense que eu vou DESISTIR DE VOCÊ!

gritou as últimas palavras. Aquela garota estava perdendo os limites em achar que estava no direito de exigir um casamento com a pessoa que nem sequer sentia atração pela mesma, nem amorosa e muito menos sexual. tinha se irritado demais, não tinha mais cabeça para ficar no escritório. Ele pegou sua maleta e a guardou na estante. Ao sair, avisou a Jessica, que também era sua secretária, que iria voltar em duas horas e não era para deixar ninguém entrar no escritório dele. A mulher não questionou, apenas concordou e pediu para que ele tomasse cuidado, já que a raiva e o nervosismo tomava conta dele e principalmente das expressões.

Edelman foi para o Trianon, já que era o mais próximo de seu escritório. Lá, ele podia refletir sobre tudo que estava acontecendo em sua vida. Ele não queria assumir para si mesmo, mas ela era a única que sentia um pouco de "alguma coisa de sentimento" por ele. Isso poderia ser loucura, mas ele iria falar com sua mãe sobre casar com a ruiva, ainda que já soubesse a resposta de sua mãe. Até porque era uma garota muito nova, estava entre seus vinte e vinte e dois anos, tinha um corpo de modelo, os fios ruivos e um rosto fino, porém delicado. Ela não era e nunca foi o tipo de mulher que ele queria ter ao lado até seu último suspiro, e a senhora Alicia sabia disso, além de ver sempre a segunda intenção nos olhos da garota. Lá ele ficou, até ter sua calma de volta dentro de si.

♡ ♡

— Então é isso, você conseguiu um investimento? – falou toda alegre, dirigindo.
— Pois bem, o Daniel que é chefe da Jessica falou que vai investir na confeitaria. Eu estou nas nuvens e mais calma, você não sabe o quão eu estou feliz. – tinha um sorriso gigante nos lábios.
— Ele é um amor então, mas isso merece uma comemoração, vamos passar em um restaurante!
— Não precisa, sua doida.
— Claro que precisa. – Ela parou o carro no encostamento. – Vamos ver no aplicativo onde podemos almoçar.
, não precisa.
, precisa sim. Quer comer onde?
— Deixo você escolher. – A garota falou, olhando para seu celular.
— Ok, não sei escolher.
— Tem um restaurante francês aberto? – questionou.
— Sim. Quer ir lá?
— Sim! Minha avó está bem, só vai ficar de observação por vinte e quatro horas, então eu vou ver se minha mãe não quer que eu substitua ela.
— Graças a Odin que ela está melhor. Quer que eu te leve para o hospital mais tarde? – Ela deu a partida no carro.
— Se não for atrapalhar você. Eu tenho que ir para casa e arrumar minhas coisas para amanhã, porque querendo ou não, eu vou ter que levar algumas coisinhas.
— Entendo, mas não vai atrapalhar não.
— Menos mal. Eu estou com fome, sabe. – Ela riu.
— Imagina se não estivesse, eu já ia estranhar.
— Olha aqui, eu não como sempre, tá legal?
— Ah sim, sei o seu sempre. Eu me lembro daquele áudio que você falava sobre a agenda, e falou que não tem horário para comer, porque é o que você sempre faz. – riu.
— O que eu fiz para ter uma amiga como você? – A morena riu.
— Chegamos.

Chegando ao restaurante, deixou o carro na pequena fila onde os manobristas estacionaram o automóvel. O lugar era lindo por dentro, uma decoração simples, mesas de madeiras com lindos assentos confortáveis, a iluminação era suave e bem disposta para cada mesa, tudo ali era bem elegante. As duas se encaminharam até o balcão, informaram que não tinha uma reserva; A recepcionista pediu um momento e analisou no tablet prata se tinha mesa vaga para as duas, alguns minutinhos e a mulher estava acompanhando as amigas até a mesa. Depois de escolherem os respectivos pratos, fez um sinal para o garçom. Ele anotou os pedidos no celular próprio para isso e se retirou, deixando uma taça de vinho para elas.

— Com licença. – O garçom falou, parando o carrinho do lado da mesa.
— À vontade. – deu a permissão.

O homem colocou os respectivos pratos – sendo de uma massa vegana – e uma garrafa de vinho em cima da mesa. Entre conversas, as duas já organizaram a nova “cara” da confeitaria, pois as duas conheciam muito bem o gosto da família Sartori e assim não ficava tão em dúvidas em certos pontos. Tinha até um novo logo para o estabelecimento, que foi rabiscado em um pedaço de papel. Elas pensavam em todos os mínimos detalhes, com o dinheiro do investimento tudo sairia extremamente perfeito, ou não, tudo dependia dela, já que conhecia muito bem o temperamento de suas matriarcas.
Ao término do almoço, levou sua amiga para casa. A ruiva contava sobre seus futuros planos, de ser uma cerimonialista e colocar em prática sua faculdade de moda.

♡ ♡

— Obrigada, amiga. Se não fosse por você hoje, quem seria minha Chofer particular?
— Engraçadinha, por nada, quando precisar é só chamar, você sabe disso. – Colocou o copo de água dentro da pia.
, oi, como você está?
— Oi, dona Selena, eu estou bem e você?
— Estou indo, como foi o evento?
— Ah, foi maravilhoso, mãe. Conhecer autores novos é maravilhoso. – disse disparando. – Não é, ?
— Sim, nem fale. – a ruiva queria rir, mas se fizesse isso ia entregar a amiga.
— Que bom, eu vou ir para o banho, vou voltar daqui a pouco para o hospital.
— A vó está sozinha?
— Sim, mas é até eu voltar.
— Quer que eu te substitua, mãe? A me leva até o hospital.
— Não precisa, filha.
— Então eu levo você, dona Selena, assim você não precisa se preocupar com o ônibus ou com o carro. – ofereceu a carona.
— Não precisa, pode ir para casa ou ficar aqui.
— Eu já ia embora mesmo, eu espero a senhora e a levo. – A garota insistiu.
— Está bem então. Não demoro.
— Ok. – As amigas falaram em um coro.

♡ ♡

tinha chego em sua casa, jogou seu terno e gravata em cima do sofá de tecido marrom. Se encaminhou até a adega que ficava embaixo da escada e escolheu um vinho qualquer, não estava com cabeça para saber qual garrafa abrir. Sua ideia era abrir e tomar um bom gole de vinho e depois olhar algumas coisas na internet, mas mudou depois de algumas taças. Ele fechou os esboços que o mesmo fez para os clientes, não queria se preocupar com eles agora, passou meses e meses focado apenas no trabalho, e agora só queria um instante em paz.
Precisava se preocupar com ele mesmo, era difícil fazer isso? Sim era, e era estranho, era mais fácil cuidar dos desejos de seus clientes do que os desejos pessoais.
Mesmo assim, ele colocou os esboços no grande mural que ficava na parede branca atrás da sua escrivaninha, deixou lá e prometeu para si mesmo que só ia mexer naqueles esboços depois de tirar aquela incógnita de sua mente. Abriu o notebook prata, esperou alguns minutos até que o eletrônico ligasse, enquanto colocava mais vinho em sua taça de cristal e a partir daí sua pesquisa foi centrada. Ele já tinha ouvido falar sobre Casamento Arranjado, mas nunca no Brasil. Isso até poderia acontecer, mas não era tão popular quanto lá fora, em países como Canadá, Reino Unido, entre outros. Ok, agora ele tinha certeza que isso era não tão antigo quanto sua ideia proporcionava o período.
No texto que estava à sua frente, ele descrevia bem sobre o “evento”, e que até mesmo Dom Pedro I e Maria Leopoldina tiveram um casamento arranjado. Era para um bom propósito, os pais escolhiam a noiva depois de uma grande, detalhada e cautelosa seletiva das meninas e por fim os pais do noivo iriam escolher cada detalhe, mas sempre colocando um gosto de cada um dos noivos para ficar do jeito que eles gostassem. A questão total não era fazer e falar sobre o casamento arranjado com seus pais, era saber quem iria participar. Uma garota ele tinha certeza. ia ser a primeira a se candidatar para ser a noiva dele, mesmo tendo vinte e um anos – alguma coisa assim, sua mãe não ia aceitar, não pelo fato dela ser mais nova, mas sim por não ter uma mente bem estruturada.
A ruiva tinha um grande potencial, uma futura arquiteta, seu corpo de modelo e linda, beirava seus vinte e um anos de idade. Sua beleza era deslumbrante e seus interesses sempre eram mais grandes do que suas atitudes. Querer tudo fácil e rápido era o que ela mais queria, mas nada dela chamava a atenção do homem, não tinha o que ele queria em uma mulher. A simplicidade, a delicadeza, o modo menina mulher, entre outras qualidades que ele poderia ficar listando, que passaria dias e dias falando dessa mulher impossível de ser encontrada. Ele não desejava aquela mulher que ficava colocando limites para o que comer, nunca saía aleatoriamente e comía um delicioso hambúrguer, queria aquela mulher natural, que ao mesmo tempo em que se cuidava não ligava muito para os descuidos. Poderia existir essa mulher nos livros que ele não lia, mas, na vida ela nunca iria existir.
Edelman olhou para o relógio do computador e viu que já era meia noite. A garrafa de vinho estava vazia e suas têmporas doíam com efeito do álcool e da claridade do computador. Levantou-se sem mesmo desligar o eletrônico, andou até seu quarto com o celular em suas mãos, e mais uma vez era o assunto do momento. Parecia que ela gostava de tomar todos os segundos dele para mostrar que ela estava ali, esperando um “Venha” do investidor. Ignorou a mensagem, colocando o celular em cima do criado mudo, e foi para o banho rápido, apenas para relaxar os músculos e se sentir renovado. O sono era tão grande que não pensou em mais nada, apenas dormiu em questão de segundos.
Na manhã seguinte, ele acordou com seu despertador tocando às quatro e meia da manhã. Levantou com uma leve dor de cabeça, que poderia ser denominada mais como um incômodo. Ao pegar seu celular, ele notou que haviam mais de cinquentas mensagens de e apenas duas de sua mãe. Sem ler, ele apagou as mensagens da jovem e apenas leu as de sua mãe e colocou o celular na cama, rindo da última mensagem. Andou até seu guarda roupa, pegou uma blusa social – branca como sempre – e um terno azul marinho. Deixou pendurado no ganchinho que tinha em sua parede de cinza suave e foi para um banho extremamente rápido, se vestiu e foi analisar as plantas que tinha deixado em seu escritório particular.
Era o projeto da mulher que desejava um padrão americano para um país tropical. A proposta era linda, bonita de se planejar, mas péssima para as condições brasileiras. A cliente tinha se formado nos Estados Unidos, porém não tinha se informado ou até mesmo estudado sobre a fauna brasileira, e já que seu serviço era Engenharia Civil ele teria que avaliar isso com sua irmã, que era da área de urbanismo e a moça o ajudaria. Ele pensou bastante, desenhando mais esboços, até chegar a um padrão que ao mostrar a irmã ela aprovaria e adicionaria mais alguns detalhes.
chegou cedo na agência e foi conversar com sua irmã. Com tudo certo, ele foi para seu escritório, colocou o desenho na lousa que havia ali, e saiu para comprar um café.

— Bom dia, Jessica.
— Bom dia, senhor .
— Temos algum? – Ele parou em frente ao balcão.
— Não senhor, a agência está do mesmo jeito, que nem na semana passada.
— Ok, então. Ah Jess, leve para minha sala as papeladas sobre aquele assunto.
— Pode deixar, senhor . Mais uma coisinha: a chegou enquanto você saiu.
— Obrigado pelo aviso.

Jessica sabia que seu chefe não gostava muito da jovem, e que aquela fixação deles havia terminado. Os dois eram bem próximos, sempre compartilhavam todos os segredos ou pediam ajuda para a vida amorosa; e foi em uma dessas conversas que ele a contou.
suspirou antes de abrir a porta, aquela conversa de ontem iria render milhares de ideias desagradáveis e ignorantes para que eles ficassem juntos. Sabia que ela estava de olhos em sua porta e que no exato momento em que o visse, iria direto falar com ele, ou fazer mais um de seus joguinhos “sexys”.

— Oi, . – Aquela voz fina e irritante veio acompanhada de um sorriso.
?! Mas, o que você está fazendo dentro da minha sala?! – Ele falou perplexo, afinal ele havia trancado a porta.
— Eu fiz uma cópia da sua chave, bobinho.
— Que porra você quer? Não percebe que estamos no horário do expediente? – Se exaltou com a audácia da mulher, estava prestes a perder totalmente sua calma com ela.
— Ah, amor, você não falava palavrão. – Ela se aproximou e mexeu em sua gravata a afrouxando. – Era educado, calmo e dizia a quão gostosa eu ficava em um vestido vermelho.
, me dê essa chave. Eu vou repetir mais uma vez:, eu não quero mais nada com você, entende isso de uma vez. Eu mudei, mudei meus conceitos de pensar e agir agora, por favor, se contenha e se retire de minha sala. – Ele a empurrou educadamente para fora.
— Não, espera, você sabe que eu te amo, não faz isso comigo, eu posso te fazer feliz e ajudar na administração do seu dinheiro. Edelman, por favor, não faz isso comigo.

O investidor revirou os olhos e deu uma risada sarcástica. A única coisa que se mantinha igual e firme era a educação. Ele mais uma vez a pegou e afastou ela da porta, para que ao fechar ela não se machucasse. Sentou-se em sua cadeira jogando todo o peso de seu corpo no encosto. Sua mente trabalhava a milhões, sem dar descanso para focar em algo que ele realmente amava ou apenas gostava. Mas o que estava corroendo seus devaneios era o fato de ter uma mulher ao seu lado, uma que estaria ali até mesmo quando ele resolvesse jogar tudo para o alto e sobreviver com o dinheiro de venda de missangas na calçada da 25 de março. Só que ela nunca apareceu e nunca iria aparecer.
“Qual mulher ia querer um homem, aos trinta e quatro anos de idade?” – Pensou consigo.
Edelman recebeu um telefonema de sua secretaria, avisando que a senhorita Alcântara tinha chego e perguntou se ela poderia subir. Autorizou, depois de respirar fundo. Ele se levantou ajeitou a cadeira onde a senhora – apenas por estado civil, pois aparentava ter seus vinte e cinco anos – iria sentar e colocou um copo com água para a mesma.

— Senhora Alcântara, sente-se, por favor. – Ele abriu a porta como um cavalheiro.
— Obrigada, senhor Edelman. O que temos para meus planos?
— Eu tentei de todas as formas trazer o clima mais agradável para a senhora, vemos nitidamente aqui. – E apontou. – Veja como o ambiente se adequa com o seu trabalho. Há harmonização de folhas e flores típicas dos Estados Unidos, que conseguem se adaptar com mais facilidade nas estações da primavera e no inverno. As pequenas mudas de árvores que trazem o aconchego do outono.
— Sim, eu gostei. – Ela o cortou. – Ficou melhor do que eu esperava. Mas me diga uma coisa: como você conseguiu juntar os dois? Eu te pedi tão fortemente que fosse igual no Estados Unidos, como você conseguiu?
— Bem, a senhora não especificou o local, então eu apenas fui atrás de cidades que tem o clima mais aproximado do Brasil e foi assim que vi que Orlando é o que mais se aproxima, além de ter a ajuda da engenheira Sara.
— Não é à toa que o senhor é o melhor de São Paulo.
— Ah, obrigado, senhora. – Ele disse acanhado. – Deseja mais alguma coisa?
— Não, apenas acertar nossos negócios. Onde eu assino?
— Siga-me, por favor. – Ele a guiou até a mesa. – Aqui está o contrato. Nós trabalhamos com uma empresa terceirizada, claro, depois que a prefeitura aprovar todo o projeto. São produtos de ótima qualidade, além de ter validade por um ano. A empresa também oferece o serviço de cuidado com as plantas, mas isso é apenas um acordo com a terceirizada, nós ainda não temos esse serviço disponível.
— Sem problemas. – Ela disse assinando. – Eu confio no seu trabalho. – Ela se levantou.
— Eu agradeço pela confiança, senhora Alcântara. – E a guiou até a porta. – Obrigado. – Estendeu a mão.
— Eu que agradeço, senhor Edelman. – Ela retribuiu o gesto.
— Jess. – A chamou perto da escada. – Poderia acompanhar a senhora Alcântara até a porta?
— Claro, senhor .

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“Encantado”, era essa palavra e o toque que faltava em sua confeitaria. aproveitava que não tinha aberto o estabelecimento hoje, para ficar anotando e analisando cada parte que precisava de uma mudança. Ela anotou até mesmo a nova decoração da chave do lugar, tudo precisava de uma nova mudança, até mesmo os eletrônicos precisavam ser renovados. Mesmo não avisando sua mãe e avó que a confeitaria iria passar por uma breve reforma, ela ia fazer mesmo assim, sem a autorização das duas. queria que fosse uma surpresa e seria uma surpresa, só não sabia qual seria a reação das mulheres.
Mandou uma foto para sua amiga e a mesma falou algumas coisas que poderiam ter – já que conhecia tudo por lá – e com isso ela acrescentou. O hábito de escrever receitas era tão grande que ela descreveu o que a confeitaria precisava em forma de receita. Finalmente havia acabo, ou ela achava que era só aquilo, mesmo depois de andar para todos os lados, verificando se tudo que precisava arrumar estava na lista; Jessica iria pegar sua lista em dois dias. Sentou-se em uma cadeira que estava por perto, olhou para aquele lugar, lembrando-se de cada felicidade e conquista que teve com ele, daquele jeitinho todo chocho. Respirou fundo e secou a lágrima que teimou a cair. Pegou sua bolsa e guardou o caderninho, logo voltando para a casa.
Os dois dias se passaram. estava na confeitaria com sua mãe e a avó; Dona Madalena terminava de fechar um potinho de isopor com um Cupcake dentro para um casal de namorados. A mais velha sorriu ao ver Jessica – sem saber quem ela era – entrar com uma mulher loira ao seu lado. As duas foram até o balcão e perguntaram sobre e a mulher, que não entendeu muito, foi até sua neta para chamá-la.

— Oi, Jessica. – Ela enxugava as mãos.
— Oi, , tudo bom? – Cumprimentou. – Essa é a Sara, ela que está tomando conta de todo investimento de sua confeitaria. Meu chefe aprovou, mas pediu que ela tomasse conta, espero que entenda.
— Entendo sim, sem problemas. – Sorriu.
— Prazer, sou Sara.
— Oi, Sara, sente-se aqui, por favor. – Ela as guiou até uma mesa afastada.
— Vocês não têm escritório? – A loira indagou.
— Não, queríamos muito ter, não é agradável atender aos pedidos aqui.
— Bem, agora vamos colocar, tudo bem? – Ela pegava seu tablet. Abriu o aplicativo com as medidas do estabelecimento que já tinha passado. – Essa é a planta digital de como é hoje. – Mostrou.
— Sim, parece ser menor do que é aqui. – a confeiteira riu.
— Sim. – Também riu. – Todos os clientes com que investimos dizem isso, mas, enfim, vamos expandir mais para o fundo. Eu pesquisei e vi que tem um terreno vazio atrás e que pertence a esse estabelecimento. Vamos deixar a cozinha mais dinâmica para você e os funcionários se locomoverem, automaticamente aqui também crescerá. Vamos mudar de lugar o balcão, tirando-o do lado esquerdo e colocando de frente para a porta de entrada, assim as pessoas que passam do lado de fora irão também ter uma boa visualidade do produto de vocês. As cadeiras vão ser de sua escolha, assim como todo o resto, porém, será distribuído de uma forma mais aconchegante para os clientes. A porta de entrada da cozinha, para a área do balcão, eu pensei em fazer de em estilo faroeste, mas apenas com uma aba, pois assim não terá problema da outra bater nos doces e afins. O desenho da mesma, deixo para que vocês escolham e avise a Jessica, vocês têm que se sentir em casa, eu só faço do jeito mais prático e moderno para vocês.
— Eu estou sem palavras, está do jeito que eu sempre sonhei. – A voz de estava trêmula.
— Nós vamos começar amanhã, como a Jess já tinha te avisado. – Sara a lembrou.
— Ok, sem problemas. Aqui está a listinha que foi pedida, eu coloquei tudo que foi pedido, mas sobre o balcão e a vitrine vocês podem escolher o tamanho, não só aqui, mas lá da cozinha também. Deixei algumas informações básicas para vocês terem um pouco de noção e tudo mais, as cores também estão aí.
— Eu agradeço, muitos não exemplificam e quando vão ver depois da reforma, falam que não era desse jeito que queria. Também está no gosto de sua família?
— Sim, está, eu conheço bem as duas e vão amar.
— Eu agradeço, , por ter acreditado no nosso investimento e cuidado.
— Eu que tenho que agradecer por terem acreditado no meu serviço. Ah, uma dúvida.
— Pode dizer. – Sara a olhou.
— O aluguel daqui e o terreno, como fica? Vamos ter que pagar?
— Então, eu tinha me esquecido desse detalhe e esqueci-me de pedir a Jess avisar você. O terreno e o aluguel não vão mais existir, nós compramos os dois lugares e colocamos no seu nome.
— Agora pertence a minha família? – Estava boquiaberta.
— Sim, e não se preocupe, já está tudo quitado. – Sorriu.
— Obrigada, eu nem sei como agradecer.
— Imagina, nós vemos logo, . Até.
— Até, e obrigada. – disse, ainda em transe com a notícia.

respirou fundo, teria que dar a notícia para sua família ainda hoje e não queria que fosse na confeitaria; ela esperou o tempo certinho de fecharem o lugar e irem para casa para dar a notícia. No fundo, ela sabia que iria ser loucura e que sua mãe ia lhe falar muitas coisas, mas, ao mesmo tempo, ela ia receber um agradecimento gigante da parte das duas – principalmente de sua avó. No caminho, ela enviou uma mensagem para cada ajudante, que eram apenas dois, que fossem até a frente da Livraria da Avenida Paulista, amanhã, pois iria dar o recado para eles.

♡ ♡

enxugava o último prato e o guardava no armário. Foi até a sala e se sentou na poltrona que ficava um pouco de lado, para dar um ar de proximidade entre os outros sofás. Ela olhou para televisão, que passava um programa de culinária e olhou para Dona Madalena e Selena. Contar a novidade era uma tarefa tão fácil, tão simples, e ela não sabia como começar.

Mamis, vó, tenho uma notícia para dar a vocês.
— Diga! – Madalena falou animada.
— É sobre a confeitaria.
— Você conseguiu fechar um pacote com o cliente, filha? – Ela deu ênfase na palavra, uma ênfase de uma grande venda.
— Não é isso, mãe, é algo melhor. Eu consegui um investidor para nossa confeitaria.
— Um investidor? Como assim? Em troca do quê? – Selena arqueou a sobrancelha.
— Se esse “em troca” se refere a mim pode ficar calma, não teve troca nenhuma. Eu fui procurar emprego depois daquele dia que fechamos, eu vi que não dava para aguentar só com a confeitaria, que também corria o risco de fechar... Enfim, mãe, eu sei, é estranho e complicado e, ele vai ter o retorno dele é claro, mas pense comigo isso é um...
— Minha neta, você fez tudo isso para manter o seu sonho de pé? – Madalena a interrompeu.
— Não só o meu sonho, vó. – Ela se levantou e se ajoelhou perto de sua avó, segurando a mão quente da senhora. – Mas o nosso sonho, o que nós três gostamos de fazer. Eu nunca deixaria acabar sem tentar todos os meios possíveis para mantê-lo de pé.
— Eu agradeço. Você é o segundo melhor presente que Deus me deu. – Madalena chorava.
— Segundo?
— Sim, pois o primeiro foi sua mãe, e depois você, essa neta maravilhosa que eu tenho. Não que seu avô não esteja incluído nessa. – A senhora riu.
— Ah, mãe, só você mesma. Mas, filha, isso não pode ser preocupante? Não temos muitos clientes, não tem muita saída de entrega, você sabe bem disso.
— Sim, mãe, eu sei, mas é isso mesmo que eles vão fazer. Em uma das partes eles vão ajudar a gente, não se preocupe, ok? Vai dar tudo certo, você vai ver.
— E como vai ser?
— Bem, eles vão começar a reformar a confeitaria. Eu dei uma listinha de tudo que precisava ser feito, com todos os nossos gostos, eles não vão fugir do tema, só arrumar tudo. Pode ser que mexa no sistema de fluxo de caixa, alguma coisa assim, mas para o bem dele, que precisa de retorno, e para o nosso, que temos que ter nosso dinheiro. Confie em mim, vai sair melhor do que nós sonhamos.
Selena olhou para sua mãe e a mesma sorriu.
— Nós confiamos, filha.

Após longas horas conversando sobre o caso, elas foram dormir tarde, menos sua avó que já tinha se retirado. As duas estavam mega empolgadas, mesmo Selena com um pé atrás com o investidor. foi para o banho antes de dormir, ainda que fosse quase duas horas da madrugada, ela precisava relaxar, para ver se o sono chegava logo e junto relaxasse verdadeiramente.
Em seu quarto, com a televisão ligada em um canal de desenho, ela imaginava como seria o mais novo chefe dela. Daniel. Não, ela não estava apaixonada, ela só queria agradecer aquele coração nobre; mas não deixou de passar a possibilidade deles se apaixonarem igual em livros que ela leu. Era apenas uma possibilidade que ela estava levando muito a sério e talvez – apenas talvez – não teria ninguém que tirasse esse pensamento dela.

O som da chuva embalava aquela vontade de ficar mais alguns minutinhos na cama, mas ela precisava levantar, mesmo com toda aquela preguiça a fazendo querer sua cama. Mas não fazia mal, o dia de hoje seria só de alegrias e felicidade. Quem sabe Daniel estaria lá quando ela chegasse? Quem sabe ela ia olhar para ele, sentir as borboletas na barriga e levantaria seu pé ao beijá-lo pela primeira vez. Ok, ela já estava entrando em um nível extremo com sua imaginação e ela tinha que parar com isso outra vez, mas nem ela mesmo sabia o porquê daqueles pensamentos imaginários naquela ocasião.
Se trocou, tomou seu café e foi de encontro aos outros dois confeiteiros ajudantes, na livraria. Ao chegar, os dois estavam conversando. Layla ao avistar acenou para a garota.

— Oi, gente.
— Oi, , tubo bom? – Layla perguntou.
— Tudo maravilhoso.
— Aconteceu alguma coisa? – Lucas perguntou.
— Sim, mas é coisa boa não se assustem. A confeitaria vai passar por reforma, eu ainda não sei por quanto tempo, mas quando me falarem eu aviso. Para resumir, eu consegui um investidor e ele vai ajudar nossa confeitaria.
— E o nosso emprego? Eu não quero ser chato, mas eu tenho uma filinha para alimentar e tudo mais. – Lucas falou.
— Não se preocupe, Lucas, aproveite esse tempo para curtir sua pequena Clara, nós não vamos demitir vocês. Também não vou descontar das férias de vocês, eu nunca faria isso.
— Obrigado, .
— Eu nunca duvidaria de vocês. Lá foi onde tudo começou, minha carreira. Vocês me aceitaram de bom grado e estou muito feliz por vocês. – Layla foi sincera.
— Enfim, eu mando mensagem para vocês, e o pagamento vai ser normal, ok?
— Ok. – Falaram juntos.
— Até mais, tenho que ver a confeitaria.
— Até.

saiu da pequena reuniãozinha toda alegre, e feliz por Lucas ter um tempinho com sua filha. Lucas se tornou pai no auge da idade, ele e sua esposa tinham planejado tudo para o enxoval da pequenina, entretanto, no dia do nascimento sua esposa teve complicações, o que custou ficar internada. Mesmo a pequena tendo apenas seis meses de vida, Lucas trabalha incansavelmente para manter tudo para as duas mulheres da vida dele, deixando sua pequena na casa da avó materna.

♡ ♡

chegou junto de Jessica, Sara e um homem de terno de linho, que analisando poderia ser Daniel. Eles conversaram com sua família calmamente, o que era maravilhoso, assim não teria que ficar sendo a ponte de tudo. Assim que Jessica viu se aproximar deles, abriu um sorriso de orelha a orelha e entregou um copo de café para ela.
— Oi, gente.
— Oi, . – Jess disse.
— Esse aqui é o Daniel. – Sara apresentou. – Daniel, essa é a .

Ele nada falou, apenas fez um sinal com a cabeça, deixando com a mão estendida para cumprimenta-lo. Era nítido, ele não era como ela imaginava. Foi aí que sua ficha caiu, ela sempre se empolgava onde não devia.
Todos entraram no encalço de Sara, que explicava atentamente cada parte do que ia ser mudado. Realmente seriam feitas mais mudanças que as três poderiam imaginar, só pelo que Sara falava. A confeiteira foi para fora junto de Jessica, já que agora Sara e as mulheres – sua mãe e avó – conversavam o prazo e entre outras coisas. Jessica ficou no celular, enquanto apenas observava a movimentação da rua. Ao olhar para o lado, viu Daniel encostado na porta de seu carro, mexendo no celular com um sorriso de lado. A confeiteira se aproximou dele lentamente, pensando nas palavras que iria dizer ao homem em forma de agradecimento, só que a expressão de poucos amigos e a concentração no celular, fez com que o homem não percebesse que ela estava ali.

— Oi. – Ela falou meiga e um pouco tímida.
— Oi. – Falou seco.
— Eu queria agradecer.
— Pelo o quê? – Desviou a atenção do celular.
— Por investir na minha confeitaria. – Ela disse em um tom óbvio.
— Eu apenas vim acompanhar a Sara, ela que está na frente de tudo.
— Mas não foi você que...
— Não, eu não ia perder meu tempo e meu dinheiro investindo nisso aí. – Ele falou com desgosto e pouco caso.
— Sem problemas, senhor Daniel. Eu só vim agradecer, mas vejo que só estou agradecendo a pessoa errada.

era respeitosa demais para ser áspera igual Daniel; deixando bem claro que ela era áspera em momentos certos, mesmo sendo de Áries, de um gênio forte, mas ela sabia moderar, afinal teve que aprender lidar com seu temperamento irritadinho. Mas também, é o que dá imaginar mil e uma coisas e não manter os pés no chão. Ela voltou até onde estava anteriormente e esperou sua avó e sua mãe saírem junto de Sara.
Daniel olhou para , que se aproximava da fachada da confeitaria. De costas, ela tinha lindas curvas, e ele ficou a imaginar como seria ter essas curvas em suas mãos. Se xingou, dizendo a si mesmo que devia ter sido mais sutil com ela, até porque, se tivesse sido, nesse segundo ela poderia estar no carro dele.

A garota se informou do tempo de duração da reforma e automaticamente se assustou, com o prazo de apenas duas semanas de prazo de reforma total, duas semanas de descanso; por outro lado duas semanas de descanso e sem preocupações eram bem-vindas. Foi para casa, e enviou uma mensagem para seus ajudantes e outra para sua amiga. Elas iam se encontrar depois que voltasse de viagem, que também seria por duas semanas. Agora a única coisa que ela tinha a fazer era ficar em casa ou ir para o Ibirapuera.

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A vida é linda com seus altos e baixos, mas principalmente quando ela tem a fase que te mostra as surpresas na medida certa; esse sim é o momento mais lindo de todo o universo. tinha pego sua garrafinha d’água, ele ia fazer seu cooper matinal, mas seria naquela manhã que ele poderia se encantar pelo olhar doce de alguma garota.
Quando falam que o dia amanhece e sentimos a melhor brisa do vento, o perfume das flores e até mesmo quando olhamos para um céu nublado e nos sentimos tão bem, é que vamos ter uma das melhores felicidades de nossas vidas. E isso inclui aquela manhã para os dois, e . O único desejo que eles tinham podia vir a florar no meio daquele dia.


Capítulo 3

A tão Sonhada Confeitaria


andava tranquilamente de patins pelo parque, ajeitando seu macacãozinho jeans com o cropped justo, enquanto escutava um grunge. Fazia um tempo que não escutava um álbum antigo tipo aquele, mas naquela manhã, o tempo e a brisa macia, pediam pela banda, com suas canções românticas.
Com o embalo sutil da guitarra e a melodia doce da canção, ela patinava pelo caminho de ciclismo, entretanto algo estava errado pelo caminho. A garota sentiu seus patins tremerem um pouquinho, fazendo-a estranhar, já que não estava passando pelo caminho de pedregulho, muito menos em lugares que poderiam ter restos de pedrinhas. ia patinando e a sensação só piorava, e muito, ela sentia que ia cair a qualquer momento e junto vinha o medo de se machucar toda; bem no dia que ela não colocou nenhuma proteção antes de sair de casa. Mentalmente ela se xingou com todas as palavras possíveis.
Foi no exato momento em que ela pegou uma leve descida que sentiu a rodinha do patins soltar, com o som do ferro raspando com muita velocidade no chão se tornando irritante para ela. Logo, ela fechou os olhos, se preparando para a queda e tentando o máximo proteger algumas partes de seu corpo. Entretanto sentiu duas mãos grandes a segurando e caindo junto dela, amortecendo a queda da menina. Ela olhou para o lado e viu o homem sentado ao lado dela, enquanto ela estava deitada, recuperando o ar.

— Você está bem? – O homem perguntou, não deixando ela se mexer muito. estava em choque, não por vergonha, mas pela situação. – Não se mexe, calma.
— Não sei, eu estou sentindo meu joelho arder muito e estou com dor na canela, calcanhar, não sei, esqueci o nome. – Ela mantinha a voz firme para não chorar e ignorava a dor.
— Só isso? – Ele mantinha calma.
— Sim, acho que só. Seria besteira falar isso? Ai, não acredito que caí, ando minha vida toda de patins.
— Não, não é besteira. – Sorriu. – Vou ajudar você a sentar, ok? Se sentir alguma dor, me avisa.
— Aviso. Você é médico? – olhou nos olhos .
— Não, mas aprendi muito com minha mãe, cuidando dos meus avôs. Ela era enfermeira.
— Compreensível.
— Vem, devagar. Está sentindo alguma dor? – Ele perguntou, enquanto sustentava as costas da garota.
— Não, nenhuma, só a do calcanhar. Olha meu joelho, o estado dele. – riu. – Eu machuquei você?
— Não, estou bem. – Edelman riu. – Eu vou levá-la ao médico.
— Não precisa se preocupar com isso, eu vou sozinha.
— Nesse estado? Não, eu faço questão de te levar ao hospital. Você tem convênio? – perguntou meio acanhado, já que ter convênio hoje em dia era complicado.
“O que não é complicado hoje em dia?” – Pensou consigo.
— Tenho sim. Conhece o hospital São Carlo?
— Sim, conheço, vou levá-la até lá. Vem, eu te ajudo a levantar.
— Está bem, só me deixe tirar meus patins. - fez um gesto com a cabeça como quem não se importasse com o ato -claro, no bom sentido. tirou a bolsa das costas, aquelas que parecem um saquinho, pegou seu tênis, calçou e guardou os patins, junto com a rodinha que fugiu. a ajudou a se levantar, segurando uma das mãos dela e a segurando pelas costas.

A aproximação dos dois foi um tanto que constrangedora. Eles não se conheciam, muito menos sabiam o nome um do outro, mas, aquele contato, aquele calor de São Paulo, aqueles lábios de e aquele olhar azul de ... Odin, isso só piorava as coisas! Era para ser um momento de ajuda, de solidariedade -por que não?- e não um momento de “estou sentindo uma atração por você”, com um abraço.
se afastou dele, mantendo uma distância maior, mesmo assim era possível sentir o toque e o compasso da respiração do homem. Os dois andaram até o carro dele, que estava em um estacionamento perto do parque. Ele tinha colocado o nome do hospital no GPS, o que ajudava ele caso estivesse trânsito ruim, por conta de um acidente ao algo assim. Não conversaram muito, pouca coisa, mas o principal eles não conversaram, talvez por receio ou então por medo; mas não falaram seus respectivos nomes.

— Chegamos. Só tire o cinto, não sai do carro. – Ele praticamente ordenou. – Eu vou ajudar você do lado de fora.
— Está bem. – Sorriu.
— Vem, se apoie em mim. – Pediu, depois de abrir a porta do carro.
— Obrigada.

Caminharam até a entrada do hospital e foram em direção à recepção. Porém, uma mulher, enfermeira, que chegava mais cedo para seu turno viu os dois, também entrando no hospital e perguntou:
— Oi, precisam de ajuda?
— Ela caiu dos patins, machucou o joelho e está sentindo dor no calcanhar.
— Me sigam, por favor. A senhorita tem convênio com o hospital?
— Sim.
— Ok, eu preciso que o seu namorado espere você aqui. Desculpe o transtorno, o hospital está atendendo algumas pessoas que estão envolvidas em um acidente. – A colocou em uma cadeira de rodas.
— Eu espero. – Ele sentou na cadeira cor de creme.

entrou no consultório e foi examinada dedicadamente pela médica e a enfermeira. Ela concluiu, depois de alguns exames, que a garota só teve uma luxação e que teria que passar uma semana em repouso, além de que teria que fazer três semanas de fisioterapia; era quase o tempo certo da reforma. Apesar de que não foi isso que a preocupou e sim o seu trabalho. Contando com ela, eles eram em quatro, o que já não é uma equipe grande, e agora ela teria que ficar no caixa, enquanto poderia estar fazendo um bolo. A médica receitou um medicamento para ajudar na recuperação e um intravenoso antes dela ir embora, é claro. A confeiteira não gostou muito, afinal, não gostava nem um pouco de agulha, mas já que era para melhorar rápido, não teria como negar. encaminhou-se com certa dificuldade até a ala de medicação, esperou por um curto prazo pela sua vez, e logo a enfermeira passava-lhe as instruções.

— Os efeitos colaterais do remédio são só uma leve tontura e a visão turva. Quando terminar pode apertar esse botão – A senhora apontou. – que eu ou algum enfermeiro vem atendê-la.
— Está bem. – Sorriu em agradecimento.

ficou mexendo no celular, acessando suas redes sociais. Contou sobre o acidente para a sua amiga – que se esforçava para não rir da mesma, dentro do salão do casamento. Era incrível que as coisas mais cômicas aconteciam quando estava longe da amiga.
Mesmo sabendo que tinha que tomar todo cuidado com o seu braço, ela se ajeitou na poltrona creme. Aquele ar condicionado do ambiente a fez encolher, mesmo estando calor, de uma forma confortável. Quando já estava devidamente ajeitada, fechou os olhos e esperou que seu medicamento terminasse o mais rápido possível.
De fundo, ela pôde escutar uma voz masculina falando seu nome. abriu os olhos, escondendo-os com a mão livre, por conta da luz clara, e olhou para o lado procurando o tubinho do soro, mas ela já estava sem ele, um sinal que seu remédio havia terminado.

— Oi. Está se sentindo bem? – O homem da voz questionou.
— Sim, só um pouco sonolenta.
— Um homem veio aqui perguntar sobre você. – Disse o enfermeiro. – Avisei que você ainda estava no soro e logo terminava. Pronto. – Retirou o acesso.
— Obrigada. Ele está aqui ainda?
— Sim, está esperando por você lá fora. Precisa de ajuda?
— Não, obrigada.
— Melhoras. - Ele desejou e agradeceu com um sorriso.

Como na outra vez, ela andou devagar, parou um pouco para localizar o homem do parque e logo foi na direção dele. Ao perceber que a garota estava se aproximando, ele sorriu e riu dela, até que estava engraçadinha andando igual a uma pata e a cara de sono entregava que estava dopada. Carregando a bagpack e a ajudando, entraram no carro. Edelman pediu para que ela colocasse o endereço no GPS do seu celular, que tinha lhe entregado desbloqueado. A sorte de era que sua amiga tinha um igual e isso a ajudava, e muito, a mexer no aparelho; podia não parecer, mas ela se perdia muito mais que outra pessoa em “aparelhos novos”.
Não que ela fosse xereta, mas era impossível não se assustar com a quantidade de mensagem que o rapaz tinha, de uma única pessoa. Cuidadosamente, ela abaixou a aba de notificações... ele era comprometido?! respirou fundo, sem dar muitos alertas. Se ele fosse namorado ou marido da tal garota das mensagens, ela nem queria saber o porquê dele ter evitado as duzentas mensagens. Com muito cuidado, ela leu apenas a última mensagem; ela só queria saber se era ou não algo dessa garota. Apesar das mensagens não serem muito autoexplicativas, apenas as três que ela leu deram a entender que sim, aquela garota, que cujo nome era , era, sim, a namorada dele e que tinham brigado seriamente.
a olhava de soslaio. A garota estava havia um tempinho no celular dele e parecia ainda não ter colocado a rota. Ao esboçar que iria questioná-la, a jovem foi mais rápida.

— Aqui está, desculpe a demora, eu não sei mexer em IOS. – Ela deu um sorriso amarelo, corada, e entregou o eletrônico.
— Eu me esqueci de perguntar se você precisava de ajuda, sei que é um celular não muito acessível. Eu não quis dizer isso, eu sei que você deve ter seus motivos para não ter, eu não quis mencionar que você não tem dinheiro para comprar um. – Falou em meio ao desespero, apertando o volante, em uma situação de puro constrangimento.
— Calma. – Riu. – Eu sei, eu entendi, mas só vê se está certinho. Não sei se teria outro lugar para colocar, então coloquei no Maps. – Ainda ria.
— Está sim, eu me guio por ele mesmo tendo outro aplicativo. E desculpe mais uma vez.
— Está tudo bem, de verdade. E se eu falar alguma coisa estranha, ignore, é efeito do remédio. – disse, constrangida.
— Não irei reparar. – Prometeu.

Era para ser um sorriso mais normal, um sorriso qualquer, mas aqueles lábios desenhados milimetricamente e os olhos eram a combinação mais perfeita que ela tinha visto em toda a sua vida. Isso era sinal que ela poderia estar sentindo uma afeição. Contudo, sabia que ela estava errada, aparentemente ele estava comprometido, tinha uma vida feita e ela não podia se apaixonar. Não tinha sentido nada que era descrito nos livros e afins que ela lia sobre o amor. Seu estômago estava calmo, sua mente não planejava um futuro e seu coração tocava no ritmo sutil da música que tocava no rádio. Será que era isso? O amor não causa sensações, mas apenas momentos?
Apenas olhar para ele, e para aquele sorriso, o homem, que ela nem sequer fez esforço para saber o nome, tinha tomado conta do seu coração, com um sorriso minuciosamente inocente. Era isso e ia ficar por isso, tinha uma companheira. Ela não tinha certeza, mas não ter uma certeza e apenas uma única mensagem, podem ser, às vezes, sinal de que é melhor não arriscar e voltar com o coração intacto. Acreditar muitas vezes em amores de livros podia ser pior do que imaginar que um dia poderia ter a chance de ficar com alguém que tinha acabado de conhecer.
Ao parar no semáforo, Edelman a olhou e a admirou enquanto dormia. A garota estava encolhida, a brisa que entrava pela janela a deixava com frio, afinal, já estava de noite; no começo da noite, para ser mais específica. Ele esticou o braço, prestando atenção no semáforo e na rua, e apalpou o assento traseiro, em busca de uma jaqueta que ele tinha certeza que estava lá. Ao achar, cobriu a garota. Ele a olhou temporariamente, não podia demorar. Merda de semáforo tinha que abrir justo naquela hora que teve a vontade de acariciar o rosto dela.
seguiu o caminho que o aplicativo indicava, a casa dela até que era bem “longe” do hospital. Ainda bem que ele permaneceu ao lado da... que vacilo! Ele não sabia o nome dela, nem prestou atenção quando a enfermeira a chamou. o infernizava com as milhares de mensagens, que nem para um simples nome ele prestou atenção.
Estacionou o carro na frente da suposta casa da garota, soltou seu cinto, olhando para ela, e a pergunta veio exatamente naquele momento foi: “Como a acordar?”. Era uma incógnita que não saía de sua mente. Poderia tocar a campainha e chamar os pais dela, explicar o que houve e depois deixar o pai da garota levá-la para dentro, ou, apenas acordá-la. O homem se ajeitou no assento, ficando com o corpo mais virado para . colocou um fio de cabelo que estava sobre o rosto dela para trás e acariciou o local, ele a apreciava. Era cômico como tudo aconteceu e como ele acabou sentindo um intenso sentimento -se é assim que ele poderia nomear- por ela, depois de um leve acidente.
Ele a chamava, porém, ela não acordava. Era o efeito do remédio, afinal de contas, ela já tinha o alertado. se aproximou mais perto da garota, depois de soltar o cinto dela e guiar o mesmo, para não machucá-la. Quando estava prestes a terminar de guiá-lo, estando bem perto dela, se mexeu, ficando a poucos centímetros do rosto de . A respiração de falhou, um frio que era para ser só na barriga tomou conta de seu corpo todo. Ela não podia acordar agora, ia pensar coisas inadequadas que nem sequer ele se atreveu a pensar.
Rapidamente ele se afastou, evitando que suas respirações se misturassem mais e que seus pensamentos ficassem um pouco mais desnorteados pelo perfume gracioso que usava. Parecia que ela sabia, pois quando ele se afastou, ela despertou.

— Eu estava soltando seu cinto, ia tocar a campainha da sua casa. – Disse disparado.
— Eu dormi o percurso todo? – Sua voz estava sonolenta.
— Sim. - Ela sorriu acanhada.
— Eu vou indo, obrigada pela ajuda. – Pegou suas coisas.
— Eu te ajudo a descer.
— Não precisa, de verdade, você foi muito gentil comigo hoje. – A garota foi sincera. – Boa noite.
— Boa noite.

saiu do carro rapidamente, pegando a chave em sua bagpack. Sabia que teria que falar para sua mãe o ocorrido, ainda mais porque ela tinha demorado. Mancando, ela entrou na sala, colocou os patins quebrados no cantinho da porta e sentou-se no sofá, colocando seu tornozelo para cima. Seus olhos estavam pesados, mas mesmo assim, se forçou a tatear sua bolsa em busca de seu celular. Seu desânimo veio mais intenso, ao sentir a tela cheia de risquinhos. Torceu para ser somente a película e não o celular por inteiro. Era bom para ser verdade.

— Eu não acredito que perdi meu celular. – esfregou a mão em seu rosto. – Terei que comprar outro. Adeus meu amor, foi bom enquanto durou. – Disse olhando para o aparelho.
— Filha o que aconteceu?! – Selena disse, enxugando suas mãos no pano de prato e indo cuidar da garota.
— Eu caí dos patins, na verdade a rodinha soltou ou quebrou, não parei para ver direito. Aí um moço me ajudou, me levou até o hospital e depois me trouxe até aqui.
— Um moço? – Ela disse em um tom brincalhão para a filha.
— Sim, mãe, não é nenhum namorado ou ficante, além do mais, ele tem namorada. – lembrou. – Foi só um moço legal que me ajudou.
— Sabe pelo menos o nome dele? - pensou rapidamente, tentando puxar em sua memória o nome do rapaz, mas não lembrava. Na verdade, ela lembrou que nem sequer perguntou o nome dele.
— Não.
— Filha! – Ela parou de mexer no curativo.
— Mãe! Desculpa eu não perguntei o nome dele, nem sei de onde ele é. Ele só foi gentil.
— E se fosse o homem da sua vida? – Riu.
— Eu leio livros românticos e vejo filmes românticos, mas tenho certeza que isso não existe. – Ela omitiu.
— Não sei como você não acha que isso pode acontecer. – A senhora tirou a faixa. – Mas não vamos discutir. Vai pro seu quarto, toma um banho e me chame, vou refazer seu curativo.
— Ok, mãe.
— Precisa de ajuda? – A mais velha disse, enquanto se direcionava para a cozinha.
— Não, mas obrigada. Ah, mãe, você poderia me emprestar seu celular?
— Sim. O seu quebrou?
— Não. – Pensou em algo rapidamente. – Eu deixei no hospital, amanhã eu passo lá e pego, vou ter que pegar a guia da fisioterapia. – Mentiu para a mãe.
— Sim, pode pegar.

Selena entregou o aparelho para sua filha e voltou a fazer o jantar para elas. Ela queria agradecer esse anjo da guarda por ter cuidado de sua filha, nem que ela fosse até o hospital e pedisse para a recepcionista o nome e o contato do rapaz. A mais velha terminou o jantar, colocou a mesa, avisou sua mãe que estava pronto e foi até o quarto de sua filha, para ver como ela estava.
A mulher bateu na porta e viu sua filha terminando de se ajeitar na cama. Como ela já tinha passado em seu quarto e pego os itens de curativos, refez a faixa, passando uma pomada e o curativo do joelho de sua filha. Avisou que iria trazer o jantar dela e ver se tinha os remédios que a médica havia passado, assim ela já se livrava desse tratamento por remédio.
Logo após de uma boa janta, ligou para sua melhor amiga, , para contar a única novidade, e também, que estava sem celular. Seria a pior parte, já que dependia do aparelho para muitas coisas, além dos contatos perdidos.

Então é isso? Você nem sequer perguntou o nome dele?
— Não, como eu ia poder imaginar que tinha que decorar a frase “Qual o seu nome?”.
— Menina, você tem problemas.
— Eu sei, um deles se chama sem celular.
— Não isso. Estou falando de você não saber o nome dele. Já parou para pensar que vocês poderiam ficar juntos?
— Então, isso é outra coisa que não lhe contei.
— VOCÊS SE BEIJARAM?
gritou do outro lado da linha.
Meu ouvido, garota. – Riu. – Não, nem chega perto disso.
O que é então?
— Quando ele pediu para colocar o percurso até minha casa, eu vi as mensagens dele, e bem, ele tem uma namorada ou esposa, não sei.
— Você viu aliança no dedo dele?
— Não.
— Então não é esposa.
— Mas eram mil mensagens e ela estava muito puta com ele.
— Então pode ser que ele tirou.
concluiu.
Foi o que eu pensei também.
— Eu não sei o que faço com você. Enfim, amiga eu vou dormir, prometo que essa semana passa rápido e que eu volto para você.

Elas riram.
Vai lá, eu também vou, tomei os remédios e eles me deram sono. Até daqui alguns dias.
— Até e vê se não cai de novo.
— Tentarei não cair. Boa noite, amiga.
— Boa noite.


♡ ♡

Sua cabeça explodia, suas têmporas doíam mais que qualquer dia e, para piorar, aquela voz fina não parava de falar atrás dele. queria que ela saísse logo de sua casa, por bem, senão iria sair por mal. Ele ia mandá-la embora, mas antes ia fazer algo para ela parar de perturbá-lo por um bom, e talvez, longo tempo. Ele respirou fundo antes de fazer o ato e, então, a beijou, um beijo calmo, porém indesejado apenas da parte dele. Já , estava amando cada milésimo de segundo daquele beijo.

— Por favor, amanhã nós conversamos. Vá para sua casa, eu envio uma mensagem para você, está bem?
— Sim, perfeito.

Ela respondeu como se estivesse hipnotizada, como se ele tivesse controle cem por cento de . A garota pegou sua bolsa e antes de sair, deu um selinho em seu amado que acompanhou ela até a porta, assim se certificaria que ela realmente tinha ido embora.
Um banho morno, pensamentos em ordem. Agora sua única coisa em mente era a garota que tinha feito sua tarde a mais surreal que pudesse imaginar. Queria encontrar com ela novamente, faria isso independente se tivesse que ir ao Ibirapuera ou então até ir a casa dela. Por que não? Era fácil, ele tinha o endereço dela em seu celular, chegaria como alguém que só queria saber como ela estava e assim oferecia a amizade dele a ela, não faria mal algum a eles. Levantou rapidamente da cama, pegou o mesmo e procurou o endereço. Maldito aplicativo que não salvou! Por que teve que dar problema bem na hora de salvar?! Ele não lembrava como fazia para ir até o local e a única ideia que lhe restou foi de tentar encontrá-la no Ibirapuera. Voltou para a cama pensando nela, e unicamente nela, adormecendo com aquele sorriso doce.

As duas semanas se passaram rápidas e devagar ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo em que queria que passasse o mais rápido possível, para ter a sua confeitaria pronta, terminar sua fisioterapia e conseguir disfarçar para sua mãe que ela estava sem celular, queria que a semana passasse devagar, para assim, poder ter mais tempo e criar um bom discurso sobre Casamento Arranjado, quando seu pai voltasse de viagem.

♡ ♡


Segunda-feira. Entrega da “nova” confeitaria e, claro, não teria um mês mais amável e comemorativo para isso do que o doce dezembro, tão doce e frio. O dia estava lindo, com um sol tímido e algumas nuvens cinzentas, uma leve garoa caía sobre São Paulo. A garota terminava de passar o batom rosa quando seu telefone fixo tocou. Se levantou rapidamente e correu para atender. No outro lado da linha, era ninguém mais que sua amiga. A mesma anunciava que chegaria em quinze minutos e que estava levando um presentinho que tinha recebido da noiva, afinal, foi ela que tinha feito o bolo, aos quarenta e cinco do segundo tempo, já que a outra confeitaria resolveu que não entregaria, e quem o tinha levado para a festa. Nesse meio tempo, terminou de se arrumar e colocou sua sapatilha rosa clara.
Ficou deitada em sua cama, esperando chegar, sem fazer nada e com muita preguiça de ligar seu notebook. Ela apenas ficou pensando alto em tudo que aconteceu esse ano todo, desde as dificuldades, até mesmo as vitórias, mesmo sendo poucas. A campainha soou, fazendo-a despertar de seus pensamentos. Se levantou amarrando o cabelo e abriu o portão para uma garota com duas caixas grandes que chegavam a cobrir o rosto dela.

— Oi, meu amor. Só não te abraço pois estou ocupada.
— Oi, . – Deu um beijo no rosto. – Sem problemas, coloca tudo no sofá.
— Colocarei.
— E como foram as festas?
— Foram tranquilas e maravilhosas. A primeira festa, a que você fez o bolo, saiu tudo certinho, do jeitinho certo. O bolo chegou lá são e salvo, sem nenhum defeito. A segunda festa só teve um probleminha que o noivo não quis entregar a aliança para nós e aí na hora da troca ele não sabia onde estava. Por fim, ele tinha deixado no quarto e tivemos que ir até lá. Não foi por falta de aviso. – Ela estava se arrumando no sofá, com as caixas entre ela e sua amiga.
— Tapado. – Riu. – Deveria ter deixado com vocês. – Ajeitou os óculos.
— Resolveu criar vergonha na cara e está usando ele agora?
— É, agora que eu estou sem celular, eu vou usá-lo.
— Percebe-se. O que sua mãe falou sobre o celular?
— Ela não sabe ainda, mas ela acha que estou com ele, ainda assim, eu tenho que comprar um outro.
— Isso não é problema, acredite. Vamos abrir essa caixa, porque estou ansiosa, ela entregou e eu nem tive tempo de abrir. Segundo ela, o que tem um adesivo de bolo é seu e o sem adesivo é meu, vai entender a lógica.
— É porque sou confeiteira. - Elas gargalharam. As duas abriram a caixa e tiveram uma surpresa indescritível. Cada uma ganhou um par de botas de veludo, eram lindas demais. As duas amaram e calçaram logo e sem delongas. Ambas serviram direitinho, não iam precisar trocar, muito menos perguntar para a noiva onde ela comprou. pegou a carta que estava dentro de sua caixa e leu em voz alta:
“Para e . Em agradecimento por terem conseguido o tão desejado e sonhado bolo, sem vocês eu não teria conseguido. Muito obrigada por tudo! Mesmo você, , sendo de uma agência de casamento, a sua dedicação para pedir a sua amiga realmente me cativou e , que bolo! Nunca comi nada igual!
Com amor, Lucia.”

— Não sei se eu choro ou rio. – colocava a bota.
— Amiga combinou com seu vestido. Você está linda, não muda nada nesse look, entendeu?
— Ok, pode deixar não mudarei. – Sorriu. – Não quero ser estraga prazer, mas temos que ir para a confeitaria.
— Eu levo você e depois vamos passar no shopping, ok?
— Ok, sem discussão, vou pegar minha bolsa e já volto.

♡ ♡

Edelman terminava de analisar a confeitaria e como tudo tinha ficado no estabelecimento. Ele conversava alegremente com dona Madalena e sua filha, pareciam ter se conhecido há anos, já que a conversa fluía docemente. Ela explicava a arte da confeitaria, o amor que sempre era passado com o doce do sabor, era uma lição de vida e era o que ele precisava para sua decisão.

— Então você e seu marido não se amavam e não se conheciam. – Ele refletiu, aquilo não era muito comum em contos de amor.
— Sim, mas nem por isso deixei de ter a melhor história de amor, eu aprendi a amá-lo cada dia que se passava. Minha mãe sabia que eu não queria casar e eu não tinha um outro amor igual os livros de Nicholas Sparks, eu só queria fazer todos os cursos e abrir minha confeitaria. Achei que sozinha tudo ia ficar mais fácil, que o amor era só besteira, mas não foi tudo como eu planejei. – A avó de se sentou em uma das cadeiras cor de creme. – Sente-se. – Ela o convidou. – Depois que abri minha confeitaria, bem piccola na Itália, eu vi que, com o tempo, não me sentia completa, eu fazia o que eu amava, mas meu coração não estava bem sozinho. Minha mãe percebeu e aí me levou para dar uma volta pelos arredores das escolas e praças. Nós conversamos tanto, até ela arrancar algumas informações minhas, do modo discreto que ela sempre foi, mas ela conseguiu, digamos, montar um garoto que eu queria namorar, apenas namorar, como deixei bem claro para ela. E então, no mês seguinte, ela me apresentou meu falecido marido, o Matteo, disse que ele era meu mais novo pretendente e não tinha tudo que eu queria em um namorado, mas pelo menos era de pele morena. Eu ri tanto e chorei tanto quando minha mãe falou isso, e fiquei duas semanas sem falar com ela. Acabou que quando eu estava voltando para casa, ele me parou e disse que não queria casar também, que queria dar a volta no mundo todo, aprender mais ainda sobre arquitetura e só depois voltar para seu país de origem, o Brasil. – Bebericou sua água. – Mas Matteo também estava bem decepcionado com a família dele, já que eles não aceitaram a escolha dele conhecer o mundo e não casar. Então, com isso, a duas famílias conversaram e fizeram um casamento arranjado para nós.
— Mas mesmo assim vocês casaram. – Ele sorriu.
— Sim, mas juramos que não íamos nos relacionar como marido e mulher, seríamos melhores amigos e viajaríamos pelo mundo. Quando nos casamos, ele me trouxe pra cá. – Se referiu ao Brasil. – Eu me apaixonei por esse país tropical. Ficamos morando aqui por quatro lindos anos, até que um dia eu e Matteo ficamos como vocês, jovens, falaram. – Os dois riram. – E alguns dias depois, eu descobri que estava grávida de Selena, foi aí que começamos a nos amar. Se eu soubesse que sentir o amor verdadeiro e puro é a maior gratificação da vida, eu teria ido atrás de Matteo anos antes. – Ela sorriu, olhando para a aliança que ainda usava.
— A senhora é maravilhosa. – segurou a mão dela. – Obrigado por compartilhar sua história comigo, você não sabe o quanto a senhora abriu meus olhos e meu coração. – Seus olhos brilhavam mais, por conta das lágrimas.
— Você tem um coração puro, . Não deixe seu serviço ou o capricho consumir seu tempo. O que mais temos de precioso é o amor, e não queira perder isso por um capricho. Lembre-se: a única medida que deve transbordar é a do amor.
— Eu lembrarei, muito obrigado.

se levantou e deu um beijo na bochecha da senhora. Saiu determinado em ir direto para a casa de sua mãe e falar sobre o casamento arranjado, mas ele não contava que seu pai chegaria tão cedo da viagem. Ele entrou, olhou para a garagem e notou que o carro estava brilhando e o chão molhado. O chofer de seu pai saía da garagem, o cumprimentou com um aceno com a cabeça e entrou na casa. Olhou a sala à procura de seus pais e nisso pôde ouvir a voz dele, vindo do escritório. Como a porta estava entreaberta, ele apenas empurrou a porta de correr e entrou com um sorriso amigável nos lábios.

— Oi, pai. – Foi em direção para abraçá-lo.
— Meu filho! Como está a minha empresa? – Perguntou, sem delongas, durante o abraço.
— Bem, pai, muito bem.

Era esse, um dos fatores que não gostava. Seu pai sempre se preocupava mais com a reputação da empresa, o lucro e até mesmo com as ações e depois, só depois, vinha a preocupação com a família. Um dos momentos mais desesperadores que ele passou, foi quando sua mãe recebeu o diagnóstico, Anemia Hemolítica. No caso dela, a doença foi desencadeada pelo o autoimune, quando o os anticorpos atacam as hemácias. Haviam momentos em que Alicia sentia fadiga, fraqueza e até mesmo ficava pálida e eram nesses dias, que ele largava tudo para poder cuidar da mulher da sua vida.

— E como foi a viagem? – indagou, tentando manter a calma.
— Foi excepcional, fechei contrato com uma vinícola lá na Itália. – Disse calmamente e bem satisfeito com a conquista.
— O quê?! Pai, não temos nem condição de pagar a cirurgia da mamãe e você fecha um contrato com uma vinícola? Eu não acredito que estou escutando isso do senhor. – Ele se controlava.
— Mas com que dinheiro? – Alicia disse aflita, entrando na conversa.
— O que ia dar entrada para sua cirurgia. – Disse, pegando a garrafa que trouxe consigo e colocando o líquido na taça. – Prove filho. – Entregou. – Depois de vendermos, muitas garrafas terei o dobro da ação que apliquei na vinícola.
— Não, obrigado. – Respirou fundo e apoiou uma de suas mãos na cintura. – Eu entendo que queira investir em algo que nossa família gosta, mas agora, nesse exato momento, nós só devemos nos preocupar com a saúde da mamãe.
, meu filho. – A voz doce de Alicia ecoou no escritório. – Não se preocupe, eu entendo o seu pai. – Acariciou o ombro do mais velho. - Ele sabia que ela entendia, mas não aceitava as atitudes dele, não tinha mais como aceitar isso.
— Tudo bem. – Não queria mais discussão. – Eu, na verdade, vim aqui para dar uma notícia.
— E qual seria? – Arthur deu um gole farto.
— Eu estava pensando por esses dias, até que formulei uma ideia. – Parecia que ele estava apresentando um seminário. – Como os senhores sabem, eu venho com certas complicações relacionadas a relacionamento, então pesquisei e cheguei na conclusão que um casamento arranjado seria uma boa escolha para mim. Vocês escolhem a noiva, claro, ela tem que ser ideal para mim e eu não posso conhecê-la até o dia do casamento, como eu conheço bem vocês, sei que vão em busca uma mulher que me faça feliz.
— Mas, . – Sua mãe foi interrompida.
— Alicia. – Arthur falou em um tom reprovador. – Nós aprovamos a ideia, vamos escolher a mulher ideal para você e para nossa empresa. – Arthur mais uma vez pensava no dinheiro.
— É isso mesmo que você deseja, meu filho? – Alicia questionou.
— Sim, mãe, e eu confio na sua escolha. – Ele confirmou e enfatizou o final.
– Está bem, .
— Eu vou indo, tenho que terminar umas papeladas e então vou ir a uma festa de um amigo.
— Se cuida e vai com Deus. – Alicia desejou e o abençoou.
— Até mais, pai. – Edelman falou seco e ainda revoltado.
— Mande os números ao chegar lá.

Edelman não respondeu, mas fez um sinal com a cabeça. Sua cabeça estava a mil, inconformado com o que aconteceu. Arthur não tinha direito de fazer isso com sua mãe, usar o dinheiro da cirurgia e deixar por assim, como se fosse algo normal. Antes da viagem de Arthur para Itália, a família toda precisou verificar a finança da família e eles estavam no negativo, o que soou muito estranho para . E então, a partir dessa nova informação, todos passaram a ficar mais focados na agência dos Edelman, para sair do negativo também, no tratamento de sua mãe.
Ele estacionou na vaga adequada e entrou furioso. Precisava se restabelecer antes do seu próximo cliente. Passou as mãos em seus olhos, os pressionando levemente. Pensou em sair dali e ir para um outro lugar, entretanto ele não podia. Pediu a Jessica que desse cinco minutos, ele ia descansar um pouco.

— Senhor ? Senhor , acorde anda. – Jessica o balançava delicadamente. – , não me faça jogar um pouco de água em você. – Falou um pouco mais alto. – Ok, você que pediu. - A secretária pegou o copo de plástico que tinha levado até o escritório, molhou os dedos e, de certa uma distância, jogou água no amigo. Ela riu escandalosamente, junto de sua risada era possível escutar o som do impacto da cadeira e do homem no chão. Ele olhava seriamente para a garota, que gargalhava a ponto de não omitir nenhum som.
— Você vai ficar rindo e não vai me ajudar?
— É lógico, o seu tombo foi hilário. – Recuperava o fôlego.
— Péssima amiga você, Jessica. – Ele brincou com ela. – Ao invés de ser gentil e me acordar com carinho, você joga água em mim. – Segurava a risada.
— Sem drama, por favor. Eu vim aqui, tentei o acordar como uma boa amiga, mas você que não acordava, parecia que estava hibernando.
— Problemas. – Disse, ajeitando o terno. – Fecha a porta, eu conto tudo. – Puxava uma cadeira para perto dele.
— Diga-me. – Jessica falou, voltando para perto dele. – O que deixa esse coração aflito?
— Minha mãe, com a doença dela, precisa de um tratamento. E você acredita que meu pai usou o dinheiro para comprar uma vinícola? – Disse, servindo café para a amiga.
— Eu não posso acreditar. Como ele teve a coragem? – Estava incrédula.
— Minha mãe disse que estava tudo bem. – Se sentou. – Mas sei que falou isso para eu ficar mais calmo e não discutir com meu pai.
— E já sabe o que vai fazer? Incomoda-se se eu tirar o salto?
— À vontade. Eu tenho uma economia guardada, pode ser que eu use para a cirurgia da minha mãe.
— Pode contar comigo, para o que for preciso. Mas, , eu sei que não é só isso. Nós estudamos juntos e trabalhamos juntos, te conheço desde ensino médio, algo mais está atrapalhando você. – Deu um gole no café.
— Estou com medo.
Edelman com medo? Me belisca se for um sonho. – Brincou com amigo, porém, não conseguiu tirar um riso dele. – , fala logo, quem sabe eu posso te ajudar.
— Tenho medo de ficar sozinho. Eu estou com trinta e quatro anos já, e não tenho uma família, muito menos uma mulher que me ame e apoie em todas as minhas escolhas. Olha para você, você já é casada há quatro anos, está tentando ficar grávida. Você me entende?
— É claro que entendo. Eu fiquei anos à procura do Caio, até achá-lo e, quando achei, nossa, foi a melhor sensação que eu tive em toda a minha vida. A gente sente isso só de ouvir a voz da pessoa, quando lemos ou vemos algo que faz ligação a ela. É fácil saber, eu soube na hora que era ele. – Foi extremamente sincera.

Edelman pensou um pouco enquanto ela falava, e sem querer lembrou-se de e da garota do parque. Ele podia ter se apaixonado por duas garotas e não ter percebido isso antes, e só agora o tapado percebeu que seu coração poderia ter dona.

— Você o conheceu como? - Queria ter a certeza dos seus sentimentos e só ela ia poder falar de uma forma indireta. Mas bem no momento que ela ia começar a contar, abriu a porta e não acreditava que Jessica estava na mesma sala que ele e do outro lado da mesa.
— Então é ela! Eu não estou acreditando no que estou vendo, você me trocou por uma secretária? – estava quase fazendo um escândalo. - Os amigos se olharam, aquele olhar que só amigo entende, e, claro, que não ia deixaram de passar aquele momento, não com a fazendo todo aquele drama.
— Nossa. – Ele tentava segurar a risada. – Como você descobriu? Eu disfarcei tão bem. – fingia estar surpreso.
— Eu disse para você que aqui iam descobrir tudo se a gente ficasse na sua sala. – Jessica escondeu o rosto em suas mãos e fingiu estar chorando.
— EU SABIA! COMO VOCÊ PÔDE? ME TROCOU POR UMA SECRETÁRIA! – Gritou.
, e você é o que? – Sara perguntou, surgindo no ambiente. Seus braços estavam cruzados na altura do busto. – Dona daqui que não é. - Sara tinha entendido o que seu irmão estava fazendo e como ela não gostava da sua secretária forçando um romance com seu irmão, não pode evitar a leve raiva em sua voz, entretanto não quis fazer parte da brincadeira. Não ia julgar ele, já que a ruiva sempre forçava para ter algo com seu irmão e o mesmo estava bem cansado daquilo.
— Secretária, mas é diferente.
— Não existe nível de diferença, .
— <, é sério mesmo que você acha que eu e o temos alguma coisa? – Jess se ajeitou. – Claro que não, né? Eu e ele somos amigos há muito tempo, e, quer saber, , ele não deve satisfação para você. Se enxerga garota! Se ele quisesse ser seu namorado, noivo, marido, sei lá o que mais, ele já seria, ok? Deixe-o em Paz! - Jess falou tudo que estava desejando há um bom tempo, e ver a garota boquiaberta foi a melhor sensação do mundo. Não importava se Sara iria brigar com ela ou mandar ela voltar para o lugar dela, a única coisa que estava importando era que seu amigo não ia ter a ruiva azeda -palavras da própria Jess- o perturbando por um longo tempo.
— Agora que você já sabe a verdade, pode voltar ao que estava fazendo. – Edelman falou curto.
— Como pôde me enganar?
— Não enganei, você que vê coisas onde não tem e não existe. – Ele falou.
— Vamos, , temos muito que fazer. – Sara a puxava pelo braço.
— Jess. – Edelman foi fechar a porta. – Obrigado. – Gargalhava. – Já falei que você é a melhor amiga que eu tenho?
— Eu sou a única amiga que você tem. – Ela recuperava o fôlego. – E por nada, independente do que precisar, pode contar comigo.
— Eu vou casar. – Falou disparado.
— Mas o quê?!
— Um casamento arranjado, eu conversei com os meus pais já, tenho que falar com meus irmãos, mas precisei falar para você. – Ele segurou a mão de Jess. – Eu não quero saber porque meu pai tomou uma atitude dele, e você sabe do que estou falando, mas quero que você ajude minha mãe e seja a madrinha do meu casamento. – Quase suplicou.
. – O abraçou. – Eu não vou deixá-lo fazer um casamento por bens materiais, e nem o deixar atrapalhar seus planos. Se é assim que você vai achar a felicidade eu vou te apoiar e ajudar.
— Acho que vai ser assim mesmo. – Passou a mão em seus fios castanhos. – Eu conheci uma senhora, e resumidamente, ela, simplesmente, teve um casamento arranjado e aos poucos foi conhecendo o marido dela e se apaixonou, só que ela não queria ter casado e nem ele.
— Sua inspiração. – Concluiu. – Eu te ajudo. A única coisa que eu quero é ver você feliz, . – Segurou a mão do amigo.

♡ ♡

admirava cada cantinho dentro daquela loja, tinha ficado tão lindo que era inevitável não se apaixonar pela confeitaria. O logo no tapete de entrada tinha ficado tão fofo. A luminária central era de cristal, o que dava um toque de luxo para o local. A bancada de atendimento estava de frente para a porta com os tons rosa quartzo e tom de chocolate em alguns detalhes. O branco também predominava o local. Em uma das janelas, uma grande poltrona na cor rosa, onde duas mesinhas e cadeiras brancas ficavam de frente, ambas dando um contraste perfeito. Já ao lado da parede, duas poltronas, uma de frente para outra, cor de chocolate, davam um toque a mais, já que elas lembravam um tablete do doce. O assoalho de piso laminado combinava com tudo. Era realmente maravilhoso.
O mais novo escritório carregava consigo a foto de família, , sua mãe e seus avós. Uma mesa redonda e branca, com duas cadeiras rosas, decorava o ambiente, era onde ela podia sentar e olhar a movimentação do pequeno parque que havia atrás da confeitaria, e assim criar novas receitas ou então ler alguns pedidos. A parede azul carregava consigo o logo da confeitaria. Uma mesa branca com o tampão de vidro, com uma cadeira de couro sintético macio, combinava perfeitamente com o restante da sala. Realmente, não tinha como ficar mais perfeito.

— Não tem outro adjetivo que define sua confeitaria, amiga, a não ser magnific.
— Está perfeito, não é? Nem parece que era aquele lugar de antes.
— Eles fizeram um trabalho incrível. Já sabe como vai ser o novo cartão?
— Novo cartão? – arqueou a sobrancelha.
— Sim, seu novo cartão. – Sara disse, adentrando no escritório, juntamente com Jess. – Você agora tem um novo cartão de visita. – Sara pegou o pacotinho com todos os cartões de visita e entregou. - abriu e pegou o primeiro cartão, tinha ficado a coisa mais linda, melhor que aqueles que ela tinha feito. O tom azul, rosa e chocolate. Nas bordas superior e inferior, uma textura que lembrava glacê azul. O fundo rosa e com bolinhas cor de chocolate. O nome da confeitaria também estava na cor rosa, porém em um tom mais escuro e com um fuê e espátula ao lado.
— Eu não sei o que dizer. – Chorava. – Eu agradeço do fundo do coração por vocês terem confiado no meu trabalho, eu não sei o que seria do sonho da minha família sem vocês. – Segurou a mão de Sara e Jess. – E sei que deveria agradecer também ao chefe de vocês, mas as duas foram espetaculares comigo. Então, eu me dei ao trabalho de fazer esses minis suspiros e cupcakes para vocês. Ah, e leve para o seu chefe também.

Selena entregou a pequena caixinha para Jessica, que agradeceu com um sorriso largo. Posteriormente, elas se despediram das garotas e saíram com satisfação por ter agradado a confeiteira e sua família. Uma pequena oração foi feita dentro da nova confeitaria, sendo puxada pela matriarca da família, e também participou. Seria assim que tudo iria começar.
permaneceu no mais novo escritório com sua amiga, enquanto Selena, Madalena e os funcionários iam para seus lugares para dar início aos preparativos para abrir a loja.


Capítulo 4

A Festa Socialite



— Eu tenho uma oferta e um convite a fazer para a senhorita.
— Pode falar. – A confeiteira sentou-se na poltrona, como uma verdadeira rainha dos doces.
— Mas eu mereço, agora está se achando a dona do mundo. – sentou-se na frente da amiga, rindo.
— Sou um amor viu. – Riu.
— Ah, não falo nada. A oferta é... trabalhar comigo, mas calma, não ache que vou tirar você da confeitaria. Como você sabe, foi difícil eu chegar onde eu cheguei e eu sempre tive a sua ajuda. Eu não vou dizer que você não me ajudou porque vou estar negando, mas agora queria algo bem mais profissional e por favor, não ache que é pela nova estética da confeitaria. Mas agora... – Tirou o contrato da bolsa. – Eu tenho uma própria agência de casamento!
— Eu não acredito! A prefeitura aprovou?! – Ela deu pulinhos de alegria na cadeira e bateu palmas suavemente. Estava radiante pela amiga de infância.
— Sim, eu recebi a notícia quando voltava para casa, aí já sabe né, fechei contrato com o lugar que vai ser meu escritório já e com todos os lugares que vou precisar de afiliação, e eu não podia deixar esses doces de fora, então, eu vim aqui também saber se você quer fazer parte da, Sonho de Noiva – Assessoria de Casamentos? Não pensei direito no nome.
— Mas é claro, só me fala onde eu assino. E o nome assim está bom, eu gostei amiga.
— Não vai querer ler? Obrigada, quem sabe fica esse mesmo. – Entregou o contrato e sorriu.
você é a minha melhor amiga, e eu acredito em você, desde pequena. – Disse assinando. – Aqui, é um prazer trabalhar com você. – Sorriu.
— Obrigada , agora o convite. – Se ajeitou na cadeira. – Na verdade são dois. Um, é o presente de aniversário bem adiantado. Nós vamos ao shopping, você escolhe e eu pago. O segundo convite é, vamos em uma festa? Vai ser bem legal eu prometo. Uma amiga me chamou, são as famosas festas de fim de ano e aí como só você sabe que vou abrir à assessoria, poderíamos ir para comemorar.
— Podemos ir ao shopping, mas quanto a festa eu não sei. Você sabe que não gosto de sair. – Ajeitava algumas papeladas.
— Por favor, você vai gostar. Também não sou de sair assim, porém, a ocasião pede não acha? – Fez cara de cachorro abandonado.
— O que você não pede chorando que eu faço sorrindo?
— A festa é de uma socialite. – Se ajeitou toda empolgada na cadeira. – Eu a conheci enquanto eu trabalhava para as meninas. Ela e o marido romperam, mas logo voltaram e quando falei que planejava abrir uma assessoria de casamentos, ela topou fazer comigo.
— Eu não tenho roupa para ir.
— Empresto uma das minhas.
— Eu tenho mais corpo que você. – Segurou a risada. – Sabe, sou mais abundante e mulher de peito. – Gargalhou.
— Você vai achar algo que sirva, vai por mim. – Ria junto. – Leva uma blusa, acho que as saias servem em você. – Disse o óbvio enquanto guardava o contrato.
— Está bem, que dia e que horas vai ser?
— Aqui sua cópia. – entregou à mulher. – Vai ser hoje, acho que começa nove horas, mas podemos ir às dez e meia o que acha?
— Acho bom, eu vou fechar a loja as seis horas, mas posso ver se minha mãe fecha e eu vou para casa.
— Gostei, passo na sua casa, ok?
— Ok.
— Bom. – Se levantou. – Eu vou indo, tenho que correr atrás de algumas coisas ainda.
— Vai lá amiga. – Se levantou e foi até ela. – Até mais. Se cuida viu. – A abraçou.
— Pode deixar, e vê se não fica namorando a confeitaria. – Disse se soltando do abraço.
deixou sua amiga na confeitaria cuidando das papeladas e dos gulodices, se despediu da sua “mãe” e “avó” . Ela poderia considerar, já que conhecia desde pequena. Saiu de lá com um cupcake de cenoura vegano que Selena tinha feito especialmente para ela, e que ficou de passar a receita na versão bolo, mas enquanto ela saia, recebeu uma mensagem de sua amiga avisando que talvez não pudesse ir, na verdade, sabia que sua best estava com receio de ir e não era “preguiça” de sair de casa.
Ela não respondeu, começou a dirigir e passou nos lugares que precisava, logo, ela foi para casa de seus pais. Agora seu medo, que tinha escondido muito bem de sua amiga, era contar para seus pais que ela iria abrir uma assessoria de casamentos. Respirou fundo e entrou no quarto. Sua mãe estava sentada na cadeira em frente da penteadeira, enquanto uma mulher fazia hidratação em seu cabelo, e a outra as unhas da mulher.
— Oi mãe. – Sentou na cama.
— Oi filha. – Sabrina disse normalmente. – Chegou de viagem, como foi lá com aquela sua amiga? – Se referiu à .
— Foi tranquilo, nós gostamos. – Continuou com a mentira. – O pai vai demorar?
— E ela pagou a parte dela? Daqui a pouco ele chega.
não respondeu, apenas ficou sentada na cama enquanto esperava seu pai chegar. Fazia tempo que ela tinha saído da casa de seus pais e havia ido morar em um apartamento, tudo por um único motivo: ser independente, sem ter que viver sempre com o dinheiro de seus pais, tanto que, ela omitiu sobre o trabalho e as viagens que ela fazia, afinal, os mesmos eram ricos. Sua mãe não era tão a favor da amizade dela com , pelo fato de ela ser de baixa classe. Não demorou muito e seu pai chegou.
— Pai, mãe, tenho uma coisa para contar a vocês.
— Você vai casar? – Sabrina questionou alegre. – Ele é dono de alguma empresa?
— Não mãe, eu vou abrir uma assessoria de casamentos. Já está tudo pronto e já estou trabalhando no ramo, até tenho clientes.
— Como? Nós te damos dinheiro e você vai trabalhar? – Ela se controlava. – O que você fez com todo esse dinheiro?
— Depositei em uma poupança, e pedi para o gerente da minha conta colocar na sua conta, não se preocupem, eu sei me cuidar muito bem. Eu sobrevivi todo esse tempo com o dinheiro que eu ganhei do meu trabalho.
— Filha, eu. – Alberto foi interrompido.
— Acredite eu estou mais feliz do que nunca.
— Eu não acredito que você fez isso com sua família. – Sabrina chorava. – Foi a sua amiga que te incentivou a isso, não é?
— Não mãe, eu mesma escolhi isso. – Abriu a porta. – Mas eu agradeço do fundo do coração tudo que vocês fizeram para mim.
Foi difícil, mesmo sendo algo “banal” , mas para ela, foi o maior passo que deu depois de sair da casa deles. Mostrar que era mais independente do que eles imaginavam.
♡ ♡

tinha se despedido de sua mãe e sua avó. Correu rapidamente para sua casa, tomou um banho e colocou a roupa de confeiteira na máquina para lavar. Separou as melhores blusas e camisas que ela tinha, colocou na mala juntamente de seu pijama, afinal, sabia que iria voltar tarde e pelo menos iria dormir na casa da garota.
Ela ficou andando de um lado para o outro esperando a amiga, até que estava animada para a festa. chegou e mal terminou de buzinar quando já estava no lado de fora da casa. Entrou no carro e ambas foram cantarolando músicas e mais músicas. O caminho foi curto por conta de tanta animação para a festa. Eram seis e meia ainda, então dava muito tempo para se prepararem.
As amigas foram ao shopping, como tinham combinado. Desceram as escadas rolantes e foram para a loja de celular. estranhou, já que tinha comprado seu celular a alguns meses, então não teria como e nem motivo para ela trocar o mesmo, até porque, o dela era de outra marca. conversou com um vendedor enquanto as duas ficavam esperando na pequena mesinha do atendente.
— Lembra que eu falei que tinha algo para lhe dar?
— Sim. – respondeu.
— É seu presente de aniversário adiantado. – Apontou para as três caixinhas na mão do vendedor.
— Eu não posso aceitar.
— Não só pode, como deve, ok? Você já fez muito por mim e não digo só com a ajuda, quando eu precisei de uma casa e não queria usar o dinheiro dos meus pais, e quando você me ajudou a mobiliar ela todinha.
— Não tem como eu dizer não?
— Claro que não. – Sorriu.
— Eu vou aceitar. – Sorriu de volta.
— Esses são os modelos, tem no Ouro Rose, Azul Noturno e o Platinum. Sua amiga disse que você estava só na dúvida da cor e que já tinha o modelo definido.
— É, todos são lindos. – Ela admirava o Ouro Rose. – Mas esse é o escolhido. – Entregou para o vendedor.
— Eu vou lá no caixa e então passamos na operadora. – se levantou com sua amiga no encalço.
Depois de acertar tudo do celular – até mesmo com a operadora, elas compraram um sorvete. pegou um de fruta, nada com leite ou derivados do mesmo e como uma boa amiga, acompanhou a garota.
Elas passaram no supermercado para comprar ingredientes para fazer um jantar light e vegano. As duas chegaram em casa, trocaram de roupa e foram preparar o jantar. apenas fazia o que a assessora pedia, e não é que no final a comida ficou excepcional?
— Meu Odin, isso aqui está maravilhoso! – disse depois de uma garfada.
— Eu sei, fui eu quem fiz.
— Hei, não vai ficar assim não, eu ajudei viu. Sério, nunca comi uma comida vegana tão boa, e imaginar que a Paella ficaria assim.
— É, a culinária vegana tem lá suas mágicas. – Riu.
— Só não como mais porque temos uma festa, e pretendo comer ou beber algo lá, não quero ser a antissocial.
As amigas riram.
— Eu vou lavar a louça, você seca e guarda ok? – se levantou.
— Está bom, mãe. – Riu.
e terminaram de lavar a louça e foram assistir a um filme de comédia no site de streaming, enquanto a hora não passava. Depois de um tempo, elas começaram a se arrumar para ir à festa. Enquanto Andrade refrescava-se em uma ducha, – Dezembro realmente estava quente –, realçava os cachos com o creme que dividia com sua amiga, que na verdade, pegava emprestado sem pedir.
Sombra clara nos olhos em um tom perolado, o delineador preto como sempre não podia faltar. Passou o blush e um batom vermelho. Não era de passar muita maquiagem e também não sabia muito sobre a mesma, então, colocou o cropped azul escuro, com alças largas e com um zíper decorativo, sentou-se na cama e ficou zapeando os canais enquanto esperava sair e se arrumar.
Carol saiu do banho com um vestido vinho colado e de manga comprida, o mesmo tinha alguns detalhes de pedra na parte da gola. A vegana abriu seu closet e pegou um salto preto e o colocou ao lado da cama. Logo se sentou em frente a penteadeira, pegou suas maquiagens e as deixou aberta na ordem em que iria usar. Nos olhos, passou um marrom médio e um delineador – que ficou perfeito. Um batom cor de vinho, quase próximo ao tom do vestido. E por fim, amarrou o cabelo em um coque rosquinha.
— Eu já falei que você está incrível? – comentou admirando a amiga.
— Eu sei que sou. Vem comigo, vamos escolher a saia para você.
Segurou na mão de e a levou para o closet onde ela deixava as saias. Pegou todas que havia gostado e que também que combinasse com o cropped dela. provou todas as saias fazendo poses engraçadas, o que fazia as duas rirem. Quando a confeiteira vestiu uma saia longa com uma fenda no lado direito até o meio da coxa dela, ela se olhou no espelho que tinha dentro do closet e ficou apaixonada pelo todo.
— O que acha? – Disse saindo de dentro do local.
— Acho que você vai achar um namorado hoje. – Arremessou uma almofada na amiga.
— Besta. – Pegou o objeto. – Eu não vou lá para achar um namorado, vou lá para fazer companhia a você. – Arremessou de volta.
— Eu não falo nada, vamos logo, não quero voltar tarde. – Disse prendendo o salto.
— E eu vou descalça? – Apontou para os pés.
— Me esqueci, perdoe-me. – Entrou no closet. – Olha, prova esse. Por sorte usamos o mesmo tamanho.
— Agradecida. – Disse colocando o salto dourado. – Podemos ir.
As amigas pegaram suas respectivas bolsas e foram para o carro. Antes de ir até o local da festa, passou no posto para abastecer, ou melhor, para colocar ouro no carro, já que o preço estava muito alto. Logo, elas saíram e foram para a festa.
♡ ♡

Era uma casa, a mais linda que ela já tinha visto por toda São Paulo e que supera a casa dos pais de . A casa estava toda decorada com dourado e prata. No primeiro andar, os garçons circulavam com trajes cinzas, segurando a bandeja de comes e bebes – com um pano branco no braço. No centro da sala, havia uma grande e luxuosa fonte de água, com leds iluminando a mesma. Os convidados estavam elegantes demais a ponto de fazer olhar para seu reflexo no grande espelho e achar que não estava adequada para aquela festa.
viu lhe chamando logo a mais com um sinal airoso. A garota seguiu graciosamente até a amiga, esperou a mesma terminar de conversar com a mulher – que diga-se de passagem era a mulher mais elegante da festa. Ao término, a mulher saiu e pegou três taças de bebidas – não alcoólicas – e entregou para as meninas.
eu queria apresentar a você minha amiga, Maethe Paiva. Ma, essa é a , minha melhor amiga de infância.
— Prazer em conhecê-la. – Cumprimentaram-se. – A disse muito de você, principalmente por ser uma ótima confeiteira.
— Obrigada. – Disse acanhada. – Mas não sou tudo isso.
— Claro que é, você tem que experimentar os doces dela. Ah, eu nem falei, Maethe e eu nos conhecemos em um evento de casamento, então ficamos amigas e acho que essas taças são para confirmar uma coisinha. – disse com um sorriso nos lábios.
— Sim, eu vou me casar no religioso agora. – Seus olhos brilhavam. – Eu estava conversando com sua amiga, sobre ela fazer o meu casamento, e ela comentou que é você quem faz os bolos e doces.
— Sim, nós duas agora trabalhamos juntas. – Sorriu honrada.
— Tudo bem você ir na minha casa e acertarmos sobre os mesmos? – Maethe questionou .
— Sim, mas pode ser que eu demore para chegar.
— Eu levo você, . – falou.
— Bom, então é isso. – Maethe levantou a taça. Vamos brindar o meu casamento.
— Ao casamento! – Andrade disse em comemoração.
As três levantaram as respectivas taças e brindaram. Andrade deixou se divertir enquanto ela conversava com alguns amigos da família e de faculdade, e depois as duas iriam ficar juntas. andou até o bar revestido de mármore preto e com uma iluminação mediana. O bartender estava com a vestimenta despojada, aparentava ter seus vinte e três anos. A garota se aproximou do mesmo e pediu o cardápio de drinks.
— E o que a senhorita deseja? – Disse colocando um porta copo na frente da moça.
— Um Tropicalíssimo, por favor. – Entregou o cardápio.
— Só vai demorar apenas cinco minutos. – Sorriu galanteador.
— Com licença. – Um homem parou ao lado de . – Um Drink Manhattan, por favor. – Pediu em um tom extremamente alto. – Perdoa-me por gritar perto de você, a música ficou alta.
— Sem problemas, não vou culpar você. – Sorriu.
— Amiga da noiva? Ou do noivo?
— De nenhum dos dois. – Soltou a bolsa no colo.
— Penetra? – Arqueou a sobrancelha.
— Não. – Riu colocando a mão na boca. – Eu vim com uma amiga, que é amiga da noiva.
— Achei que teria que chamar os seguranças.
— Não precisa. – Gargalhou junto do rapaz. – Eu nem sei porque aceitei vim aqui.
— Aqui está senhorita. – O bartender entregou a bebida. – E o do senhor.
— Obrigada.
O homem apenas agradeceu com um singelo gesto, logo, bebericou o drink.
— Não gosta de festas fechadas?
— Não é isso, eu não sou muito de sair.
“Mais que raios estou fazendo? Conversando com um estranho sobre o que eu gosto e não gosto?! É sério isso ?” – Pensou.
O homem balançou a cabeça demonstrando que entendia. Os dois conversavam aleatoriamente sobre a festa, as músicas que tocavam, os donos das festas, tudo. Eles achavam assuntos para falar de qualquer coisa, mesmo sendo algumas brincadeiras com as decorações.
— Você quer mais uma bebida? – Indagou para a moça.
— O que? – Se aproximou dele.
— Você quer mais um drink? – Disse mais alto.
— Desculpa, eu realmente não estou entendendo, a música está alta.
Então, ele desceu da banqueta e se aproximou dela, e logo falou em um tom razoável ao pé do ouvido dela. O perfume dele era tão suave e ao mesmo tempo instigante – em todos os sentidos –, e aquela voz que saiu um pouco rouca de tanto falar alto a fez se arrepiar toda. concordou com a cabeça. O moço segurou na mão da jovem e pediu dois coquetéis de morango, sem álcool. Entregou para ela e a guiou para uma porta vermelha. Eles subiram dois lances de escadas até chegarem ao terraço da casa de festa. A vista era maravilhosa. São Paulo à noite com as luzes dos prédios acesas era uma bela visão para se ter. estava encantada e mancando.
— Aqui dá para a gente conversar melhor. – Ele disse. – Está tudo bem?
— Sim, só o salto que está incomodando um pouquinho.
— Sente-se. – Apontou para um banco de concreto que ficava perto do para peito.
— Como conhece esse lugar? – Questionou ao se sentar.
— Eu trabalhei aqui. – Sorriu. – E quando era a hora do meu descanso, ou almoço eu subia aqui e ficava olhando tudo daqui de cima.
— Compreendo. – Deu um gole no coquetel, desviando o seu olhar dele.
Ele se levantou e acendeu as luzes do terraço. A luz era fraca, mas iluminava bem os dois. Ambos sustentaram aquele silêncio por um longo tempo. olhava a cidade acesa enquanto bebericava seu drink. Já ele, o dono do perfume suave e instigante, ficava a admirá-la enquanto o vento soprava de leve os fios soltos. Ele deu o último gole em seu drink e umedeceu os lábios.
— É lindo não é? – Comentou .
— Sim, eu já fui para New York, mas nada ganha da beleza de São Paulo.
— E lá é como? – Virou-se com curiosidade. – Eu sempre quis ir, mas nunca consegui.
— É muito bonito. A cidade nunca dorme mesmo e é agitado demais e a noite muito acesa. Mas te digo, você pode ir até lá, mas no fundo, vai sentir falta dessa vista. – Olhou para os prédios.
— Quero poder ir lá um dia. – Suspirou e mexeu em seu tornozelo soltando o salto e deixando o mesmo em um cantinho.
— Está tudo bem? – Se referiu ao tornozelo.
— Sim, só uma dorzinha. Eu torci ele e não era para estar usando salto.
— Compreendo.
Ele a olhava. Depois que a garota disse do tornozelo, tudo fazia sentido. Estava ótimo bom demais e não podia ser verdade. Seu coração acelerou de uma forma que nunca jamais sentiu. O que aquela noite lhe guardava para trazer a jovem até ali? Respirou fundo, não acreditava que era possível.
— Eu nem apresentei, sou , mas pode chamar de . – Estendeu a mão.
, mas pode chamar de . – Apertou a mão do jovem, tirando uma mecha da frente de seu rosto.
Ele a fitava enquanto acariciava delicadamente a mão da garota. Era um sonho ou um sentimento parecido, mas no fundo, ele sentia que a conhecia de algum lugar de um momento não tão distante. Com flores, sol... Patins.
— Desculpa a pergunta, mas você é a garota que eu ajudei com o patins?
— Acho que sou. – Ruborizou. Estava sem jeito até para confirmar que era ela.
— Você está bem? – Se preocupou.
— Sim, se não fosse por você, não estaria aqui e sim em casa de molho. – Sorriu acanhada. – Obrigada. – Se ajeitou esticando a perna.
— Pelo menos eu pude ajudar você. – Se aproximou dela. – Não imaginei encontrar com você outra vez. – Mentiu. Ele desejava perdidamente vê-la novamente.
— E aqui estamos, na festa que cogitei inúmeras vezes em não vir.
“Agora, justo agora, depois que decidi meu casamento você me aparece, !” – Pensou.
Era como se todos os assuntos que eles tinham, houvessem se acabado no exato momento em que eles se conheceram, ou melhor, lembraram quem era quem. Ele estava perto demais, ela apenas se afastou um pouco, tirou o outro salto e colocou as duas pernas em cima do banco de cimento – sem deixar que sua saia subisse ou algo parecido – e apoiou no parapeito para poder admirar mais a vista. Já ele, permanecia a admirá-la, era como se estivesse hipnotizado por ela.
— Eu não quero mais sair daqui. – Ela se manifestou.
— Pode ficar aqui por quanto tempo quiser, ou quando precisar fugir dos problemas.
— Você vem aqui sempre? – Olhou para ele.
— As vezes, quando eu mais preciso. Se não estou aqui, estou no Ibirapuera.
— Você invade aqui e vem para o terraço? – Ela disse em um tom brincalhão.
— Não. – Riu. – Como eu trabalhei aqui, então digamos que, eles me deixam entrar. – Tirou o cabelo do rosto dela. – Mas se quiser, eu ajudo você a vir aqui. Eu posso passar meu número para você e, bom. – Aproveitou a deixa. Entretanto, hesitou, ela se lembrou das mensagens.
— Não precisa, de verdade. – Não queria confusão com a mulher, namorada, ou seja lá o que fosse dele.
— Você tem certeza? – insistiu.
— Sim, quando tiver outra festa aqui e minha amiga vir, pode ter certeza que vou me auto convidar. – Riu.
— Então darei um jeito de vir também. – Sorriu.
— Eu não quero ser estraga prazeres, mas tenho que voltar para a festa, já está tarde e tenho que ver se minha amiga já quer ir embora. – Disse colocando o salto.
— Sem problemas, vamos descer então. Quer ajuda?
— Se eu precisar na hora das escadas, eu vou agradecer.
Os dois desceram as escadas sem dizer uma palavra sequer. Ele desceu atento, já que ela estava com o tornozelo dolorido, mas a mesma fez questão de não pedir ajuda a ele. Seu receio era grande demais, não sabia se a “esposa” dele estava na festa ou pior, se a “esposa” era a dona da festa, – mesmo com ele lhe perguntando de quem ela era conhecida, nunca se sabe quando um homem quer fingir que não conhece e quer dar em cima –. Agradeceu por ter levado ela para o terraço e se despediu, mas não queria que ela saísse e fosse de encontro a amiga, delicadamente e sem grosseria, segurou o braço dela e se aproximou da garota por conta do som.
— Eu sei que você precisa ir, mas aceita um último drink? – A fitava com aqueles olhos .
Ela sorriu e colocou o cabelo para o lado, não tinha como dizer não para ele. A verdade? Tinha sim, mas no fundo não queria ir embora tão cedo.
— Sim eu aceito, mas traga algo sem álcool, por favor. Eu vou ficar sentada nos banquinhos de Glitter. – Lembrou da conversa.
— Ok, eu já volto.
Saiu rapidamente para pegar os drinks e deixou a menina sentada no banco de Glitter. Queria que o bartender fosse mais rápido que qualquer outro, só para voltar e ficar mais alguns segundos com ela ou até mesmo levá-la até a amiga dela, ou até mesmo levá-la até a casa dela. Era tanta vontade de passar mais tempo com a ela que até mesmo esqueceu da garota da confeitaria. Quando recebeu os drinks sem álcool, ele foi rapidamente até , mas parou no exato momento que viu ela acompanhada de outro homem com um meio sorriso nos lábios vermelhos, um homem que ele conhecia muito bem.
— Aqui. – Disse estupidamente e entregando-lhe a bebida quase derrubando neles.
— Obrigada . – Pegou e estranhou a atitude dele.
— Vocês se conhecem?
— Sim. – puxou uma cadeira. – A um bom tempo. – O encarava.
— Eu e nos conhecemos a alguns meses, não é ? – Mentiu descaradamente.
— Parcialmente. Apesar de que o Daniel não foi muito amigável no dia. – Deu uma indireta que não estava gostando dele ali. Porém Edelman não compreendeu.
— Foi um prazer te reencontrar, Daniel. – Mentiu mais do que ele mesmo com um largo sorriso falso. – Eu tenho que ir . – Levantou. – Gostaria de ficar mais, mas não posso, até qualquer dia.
Segurou na mão dele acariciando a mesma de uma forma suave e deu um beijo na bochecha do mesmo.
— Obrigada por hoje, por tudo, foi um dos melhores dias da minha vida. – Foi sincera. – E pela vista também, nunca irei esquecer.
Ele sorriu. O sorriso mais lindo que ela tinha visto em toda sua vida. Era como se ela estivesse lendo os livros de romances e aquela bendita parte do livro fizesse com que ela sorrisse pelo casal. foi calmamente até sua amiga, que dançava com um rapaz bonito e elegante. Fez um gesto para ela, que a mesma pediu licença para o rapaz que dançava. A confeiteira explicou brevemente a ocasião e apressou a menina para ir embora da festa. entregou a chave do carro para sua amiga, assim ela já saia da festa, que a mesma parecia a Cinderela correndo para a carruagem antes da meia noite. se despediu de Maethe e do garoto com quem dançava. Saiu olhando para o bar e viu e Daniel juntos, porém não trocavam nenhuma palavra.
— Cheguei baby, está mais calma?
— Sim, eu achei que os dois iam brigar no meio da festa. – Bloqueava o celular.
— Quem diria, conquistando o coração de dois príncipes. – Cutucou a amiga, a fazendo rir e pegou a chave.
— Calma ai, um até pode se dizer que é príncipe e outro é um ogro. – Riu. – Eu parecia a Cinderela correndo para não saberem que sou uma borralheira. – Ainda ria.
— Amiga, eu sou um dos camundongos? Quero não. – Gargalhou. – Deixou alguma coisa cair ou ficar para trás?
— Não, eu só parecia, mas não fiz nada igual. – Deixou um sorriso bobo aparecer.
— O Daniel pediu desculpas por aquele dia? – Parou no semáforo.
— Acredita que não? Ele não fez nada, nem falou daquele dia. Quando o chegou, eles praticamente disputaram quem me conhecia há mais tempo, ele mentiu descaradamente que me conhecia há meses. – Falava gesticulando com as mãos.
— Que filha da... – Respirou. – E o ? – Olhou para a amiga com um sorriso nos lábios.
— Eu conheço esse olhar, não vem com essa de que eu gostei dele.
— Mas não falei nada. – Riu.
— Mas eu conheço minha amiga. – Acompanhou a risada. – Ele não questionou da onde, mas pelo jeito eles se conhecem da faculdade.
— Faz sentido, mas ele ficou enciumado ele ficou.
— Queria amiga, eu só não vou te dá um tapa pois você está dirigindo. – Elas se entreolharam e riram.
As amigas chegaram ao apartamento, se despiram em seus respectivos quartos e foram tomar um chá antes de dormir. O assunto não foi os meninos, muito menos o jovem que dançou com , o único assunto foi o casamento da Maethe. explicou como a garota desejava a festa e tudo mais, mas não saiba como auxiliar o gosto do noivo com os doces, já que ele era alérgico e também intolerante à lactose. Era mais fácil avisar sua nova sócia antes do casamento do que avisar quase que em cima da hora. As amigas se despediram e foram dormir.
Não havia como não se recordar da festa, e da melhor parte que foi ver São Paulo a noite ao lado de . Aquela sensação de estar deitada na nuvem mais fofinha do céu olhando para aquela imensidão azul, entretanto levar que ele tinha alguém era a pior queda daquela nuvem. Talvez não foi a melhor escolha ter deixado algo para trás, mesmo se sentindo culpada por aquilo.
Será que ele iria fazer o que ela pensava?
♡ ♡

Edelman terminou de enxugar seus fios castanhos escuros, jogou a toalha no box e foi para a janela. Aquela noite tinha ficado mais do que marcada. Era como um enredo escrito pelo melhor escritor de romances, e que sempre acaba com uma notícia ruim ou saía do encanto do amor. Sentou-se no chão encostando-se na cama e pegou o pedaço de papel da carteira que estava no criado mudo. A letra desenhada, os números bem apostos simetricamente um do lado do outro, o pequeno pedacinho sem nenhuma linha mostrava o quanto ela era perfeccionista até para recortar o papel sem uma tesoura. Gravou o número no eletrônico, mas a verdade é que nem o papelzinho ele queria jogar fora, ele queria deixar guardado ali por um bom tempo – muito tempo –. Pegou o mesmo e entrou no aplicativo, onde clicou na foto dela. Por sorte ela não tinha deixado visível apenas para seus contatos. Pensou inúmeras vezes se a chamava ou não e então se deu conta que já se passava das três horas da madrugada, ignorou sua vontade e deitou-se.
No dia seguinte, Edelman já estava pronto para ir até a casa de seus pais já que durante a festa, o homem recebeu uma mensagem de seu pai, pedindo para que ele fosse à casa dele para conversar sobre o Casamento Arranjado. Terminava de passar seu perfume e pegou as chaves do carro. Antes de ir para a casa deles, passou em uma floricultura e comprou um pequeno buquê para sua mãe. Ao chegar, entregou o carro para o chofer de seu pai que insistiu em estacionar o automóvel.
— Oi mãe. – Deu um beijo no topo da testa da senhora. – Como a senhora está?
— Oi meu filho, estou bem, estou até bordando. – Mostrou a pequena toalha.
— Isso é ótimo, aqui está... são para você. – Entregou.
— Obrigada, vou colocar em um vaso. – Se levantava.
— Porque não pede para a Rosa? Temos empregada para isso. – Arthur saia da área de lazer. – Entrega para a empregada e vamos conversar sobre o casamento do . – Fez um sinal chamando os dois.
Alicia entregou o buquê para Rosa e seguiu seu marido até o escritório, acompanhada de seu filho. Eles esperaram uma hora para começar a conversar sobre o casamento, já que ele tinha pedido a presença de todos aqueles que eram importante para ele, seus irmãos e sua amiga, Jess. Nem todos, ou melhor, nenhum deles aprovaram a ideia de ter um casamento arranjado, mas também não deixaram de apoiar ele na sua decisão. Já o mesmo agradeceu seus irmãos e sua amiga, que bateu de frente todas às vezes necessárias já que também era madrinha. E Arthur queria fazer apenas e unicamente do jeito dele.
Jessica se impôs, avisou e alertou como teria que ser o casamento de seu amigo. Não se importou com os cortes e tentativas de dizer o que era certo do pai do mesmo, apenas mostrou que a escolha e a última pessoa que iria decidir seria – e é – a mãe do .
— Então vai ficar por isso, mesmo vocês escolhendo a noiva, eu, a Mela e Sara e é claro a dona Alicia, vamos organizar a festa e a decoração e fornecer o vestido. Tenho certeza que isso o senhor não vai conseguir deixar bem organizadinho. – Alfinetou.
— Vai ficar lindo , pode ter certeza. – Sara disse alegre a irmã mais nova.
— Lindo? Vai ficar deslumbrante com elas organizando. – Thiego falou.
— Eu poderia conversar a sós com o meu filho? – Arthur pediu já irritado.
Todos se retiraram e foram para a área de lazer, já que a mesa estava posta para o almoço em família e amigos. Apenas os dois ficaram ali. Edelman mantinha sua respiração tranquila e serenidade naquele ambiente. Arthur rodeou o assunto que ele tanto queria conversar.
— Filho. – Colocou o charuto no canto. – Você realmente quer que aquelas mulheres cuidem do seu casamento? Você sabe que eu vou fazer um bom casamento.
Edelman entendeu onde ele quis chegar.
— Sim pai. – Respirou fundo. – A mamãe e as meninas vão fazer um bom casamento, eu confio nelas e no Thiego.
— Bom, para que você saiba, a sua futura noiva vai ser a altura do nosso sobrenome.
— Está bem. – Sabia que não teria como e nem porquê dele discutir com o mais velho. – O que o senhor achar que é melhor, para a família é claro. – Alfinetou. – Eu estou de acordo.
— Está amadurecendo filho. – Se ajeitou na cadeira. – Estou orgulhoso de você, está se tornando um homem de negócios.
respirou fundo, não queria mais ter aquelas discussões fervorosas com seu pai, e fingir que concordar era a melhor saída de tudo.
— Obrigado pai, estou aprendendo com o senhor. Agora vamos, não vamos deixar todos esperando nós para o almoço.
A família Edelman e seus amigos, sentaram-se à mesa depois que os dois adentraram ao ambiente. Fizeram uma prece, mesmo sendo algo que Arthur não gostasse muito. Tradição da família da Alicia, na verdade, depois de um tempo, Arthur já não se importava com nada – o que já foi ressaltado inúmeras vezes por . Não tinha explicações para as atitudes do senhor, muito menos para o que ele se tornou. O único medo da família era o que poderia acontecer mais para frente, tanto com eles quanto a mãe, dona Alicia. Além dele voltar ao seu vício em jogos e bebidas.
Rosa terminou de servir a sobremesa e retirava a louça usada. O assunto era um só, e todos os comentários Edelman aprovava e aceitava, principalmente as ideias para a festa e como seria a futura senhora Edelman.
♡ ♡

Já estava em casa e a essa hora era para estar dormindo, estaria se aquele pedacinho de papel não estivesse na mente dele ainda. Para que se importar com uma pessoa que já estava com o seu amigo de trabalho? Só queria ser amigo dela e nada mais e sabia que isso não era nada de mais. Pegou o mesmo e discou lentamente para o número. Ficou olhando para ele no visor do celular por longos dois minutos, o que já era muito tempo para um coração desesperado. Da mesma forma que ele colocou o número para discar, ele apagou lentamente. E o que restava, era se encontrar com ela e o resto era deixar acontecer naturalmente.
Na manhã seguinte, colocou uma roupa de frio pra corrida, já que a manhã resolveu acordar um pouco fria. Pegou o molho de chaves e a garrafa d'água e foi até o parque com seu carro. Ao chegar, viu que os terciários terminavam de arrumar o parque para o natal. Esse ano, a decoração era de doces – todos os tipos, de todas as formas mais suculentas, inspirados nas cores ambientais. Era como se aquele clima descrevesse algo para ele, mas o que exatamente?
Ele andava mais preocupado procurando pela garota dos patins brancos quebrados do que realmente em se exercitar. O homem se aproximou do lago, onde a árvore de natal ainda não estava acesa e, lá estava ela, mexendo no celular e anotando algumas coisas no caderno de girafa. Respirou fundo umas mil vezes, talvez mais. Ajeitou sua roupa e discretamente verificou suas axilas. O que foi? Ele não podia estar desagradável nessa parte. Ok, estavam bem cheirosas por sinal, graças ao desodorante para homens incríveis.
— Oi. – Disse atrás do banco, mas ela não tinha escutado. – Oi. – Dessa vez cutucou o ombro dela.
— Ah, oi. – Tirou os fones. – ! – Seu coração se alegrou. – É tão bom te ver. – Deixou sair a frase espontaneamente.
— Como você está? Posso? – Apontou para o lugar vago.
— Pode sim, estou melhor. – Corou. – Então, correndo mais uma vez?
— Sim, manter a forma. – Forçou os músculos dos braços, o que tirou um sorriso da garota. – E você?
— Fazendo umas anotações do meu trabalho, já que não posso vir aqui para andar de patins.
— Ele quebrou ou desmontou?
— Quebrou infelizmente. – Guardou o caderninho e pegou a garrafinha. – Vou ter que comprar outro.
— Que pena, são muito caros?
— Não muito, mas eu consigo desconto. – Riu.
E então o silêncio pairou mais uma vez entre eles.
— Você vai ficar aqui no natal? – Ele começou a perguntar. – Ou vai passar com o Daniel? – Seu tom mudou.
— Como assim? Que Daniel? – Realmente não se lembrava.
— O da festa.
— Ah sim, não. Eu não tenho planos com ele. Vou passar em casa com minha família e talvez minha amiga, e você?
— Passarei com minha mãe, já que meu pai vai trabalhar. – Disse desanimado.
— É a primeira vez que ele vai trabalhar? – Olhava fixamente para aqueles olhos .
— Não, já faz um bom tempo. A gente se acostuma, mas não é a mesma coisa sem a presença dele.
— Eu não posso te ajudar muito com isso, mas saiba que logo ele estará com vocês. – Sorriu amigável.
— Sim. Quer tomar um sorvete ou comer um bolo? – mudou de assunto.
Hm, pode ser eu aceito.
sorriu por ela ter aceitado, ficou pensativo quanto onde leva-la, já que ela não especificou direito o que ela aceitava. Teria que escolher no meio do caminho e torcer que ela gostasse dos dois lugares.
Sabia que na confeitaria os doces eram maravilhosos, ela iria amar o lugar, ainda mais agora que estava com nova fachada, e também, um sorvete às sete horas da manhã não era tão agradável assim, ainda mais com o tempo meio frio. A única escolha seria...
? – Ela o chamou.
— Sim. – Revezou o olhar entre ela e a rua.
— Tudo bem nós irmos tomar um sorvete? Tem uma sorveteria aqui perto que vende sorvete de passas ao rum.
— Claro, aqui mais uma vez coloque o endereço. – Entregou o eletrônico.
— E a senha é?
— 0202.
— Desbloqueado com sucesso, vamos ver se eu não apanho para usá-lo. – Eles riram.
Alguns segundos depois.
— Acho que vamos precisar parar. – Ela ria. – Não presto para mexer nesse celular.
— Vamos lá eu te ensino. – Desligou o carro.
tirou o cinto e se aproximou mais de , deixando seu braço passar pelo banco, dando apoio para seu corpo não cair sobre a confeiteira. E então ele explicou para ela. Mesmo com sua amiga tendo um celular igual – pouco mais atualizado – não se dava trabalho para poder entender o mesmo, ela era amante do bom e velho Android.
— Ai aqui você coloca o endereço. Esse aplicativo é um pouco complicado, mas é melhor, o caminho é mais exato, além da voz ser personalizada. – O engenheiro explica olhando nos olhos castanhos da garota.
— Mil vezes mais fácil. – Sorriu.
— Quando sairmos juntos você já vai saber como colocar a rota. – Deu a deixa.
— Quando sairmos juntos. – Aceitou. – Vou usar meu celular isso sim. – Deu uma piscadela.
— Ok, faremos do seu jeito. Agora vamos para a sorveteria.
— Vamos. – Concordou em um tom baixo.
Sartori tinha se esquecido da garota que havia deixado mil mensagens para ele no dia em que ela caiu. Também não fazia questão de se lembrar da mesma. Conversaram e cantaram como se já tivessem se conhecido a tanto tempo. Entre idas e vindas de assuntos inacabáveis, poderiam passar mais de horas conversando.
Quando chegaram à sorveteria, esperou por ao lado do carro, assim entraram juntos no estabelecimento. A garota pegou o cardápio e depois se sentaram em uma mesinha de vidro quadrada. A mesma indicou os melhores sorvetes e também acompanhantes para as bolas coloridas e geladas. E ele parecia uma criança prestando atenção no herói favorito.
— Bom dia, qual o pedido do casal? – Uma senhorinha se aproximou deles.
— Quero duas bolas de sorvete, uma de passas ao rum e uma de morango, por favor.
— E o senhor?
— Uma bola de Kiwi, e outra de leite em pó, por favor.
— E para a cobertura?
— Você quer ? – Edelman perguntou.
Fez um sinal negativo com a cabeça, enquanto tomava água.
— Não obrigado. Leite em pó, esse é novo para mim, é realmente bom?
— Sim, é o meu segundo favorito, mas não consigo ficar seu meu sorvete de morango. – Sua expressão era de apaixonada pelo doce.
— Por que não te conheci antes? Assim saberia desse sorvete. – Disse a si mesmo em outro sentido.
— Não sei, quem sabe a vida fez você passar um bom tempo sem saber a maravilha desse lugar.
— Aqui está o pedido de vocês. – Colocou na mesa.
— Obrigada. – Agradeceu. – Agora você vai provar o melhor sorvete de São Paulo. – Disse ela pegando uma colher farta de passas ao rum, e ficou o encarando, esperando pela reação dele. – E então o que achou?
— O melhor sorvete.
— Eu disse, agora prova o meu. – Empurrou a tigela.
Ele pegou um pouco de passas ao rum e provou separadamente do morango, e depois os dois juntos. Ele olhou para ela que sustentava o olhar curioso sobre a resposta dele, e a única coisa que fez foi puxar para mais perto o sorvete de , fazendo assim, ela gargalhar e mudar de cadeira para chegar mais perto do homem e do sorvete. Quem passava do lado de fora e olhava os dois daquele jeito, imaginava que era um casal apaixonado por anos e anos, mas na verdade eles mal tinham se conhecido.
— Tá legal, deixa eu pegar de volta meu sorvete senhor . – Estava próxima dele.
— Está bem, mas só mais um pouco.
— Desse jeito eu terei que pedir outro. – Fingiu estar brava, entretanto riu.
— Eu pago dois se quiser. O que você está fazendo?
Ela passou o dedo no sorvete de morango, e sorria ao falar.
— Saco sem fundo você. – Passou no nariz dele. – Eu sei não temos muita intimidade para isso, mas a culpa foi sua. Você quem começou.
— Está perdoada dessa vez. Vamos terminar e voltar para o parque, eu... – Edelman parou de olhar para o celular que tocava em seu bolso.
— É importante? – Ela indagou.
— Não, podemos continuar a conversar.
— Ok então. O que você ia falar mesmo? – Comeu um pouco de morango.
— Eu ia dizendo que... – Seu telefone tocou mais uma vez.
— Sério, pode atender.
— Não é nada importante, acredite.
. – Tocou novamente. – Não ignore a ligação, eu vou lá pagar os sorvetes, você já tinha deixado o dinheiro aqui na mesa mesmo. Eu me encontro com você lá fora, ok? – Disse se levantando.
A jovem pagou os sorvetes enquanto conversava no celular. Ela saiu do local e viu nitidamente que ele estava irritado. Sua expressão demonstrava isso já que ele se mantinha muito educado nas palavras. se aproximou dele, que a olhou em nervos. Ela sabia que não era consigo, mas mesmo assim, pensou duas vezes se devia se aproximar dele ainda conversando ou se esperava ele desligar. Optou por ficar e esperar.
Não , eu já disse que não! Tenho que desligar. Tchau!
Foram as únicas palavras que ela pôde ouvir, depois que Edelman percebeu que a patinadora já estava à sua espera.
O nome era familiar para , era o mesmo nome da garota das mensagens. Não podia ser, ele tinha namorada? Noiva? Esposa? Seus pensamentos começaram a criar tantas histórias. E a teoria da amiga poderia estar certa. Estava tão distraída que não viu o engenheiro se aproximar.
— Me desculpa, podemos ir ou quer mais sorvete? – Sorriu de lado.
— Eu tenho que ir para casa, ajudar minha mãe em alguns afazeres do emprego.
— Eu te levo então.
— Não precisa, eu insisto, eu vou de ônibus, não é tão caro.
— Por favor, , deixa eu levar você. Você mal se recuperou e já vai sair andando assim.
— Eu estou bem, não perdi meu tornozelo, e não se preocupe, eu sei me cuidar. – Forçou um sorriso.
, fazer você gastar dinheiro com ônibus quando eu posso dar uma carona. Não me sinto bem. – Passou a mão no cabelo e depois cruzou os braços.
. – Se aproximou. – Eu vou ficar bem, acredite. – Acariciava o braço do rapaz. – E é só quatro e cinquenta a passagem. – Sorriu sincera. – Se alguma coisa acontecer eu consigo me defender, mamãe me ensinou alguns truques.
Era verdade, afinal, sabia muito bem se comportar com situações de risco e desconforto, e isso tudo dentro de um ônibus.
— Eu posso te ligar?
Sim. – Disse mesmo querendo falar um “Não, você tem uma mulher!” .
Mas qual o problema dela ser amigo de um homem?
— Ok, as dezoito horas eu ligo para você. Vou resolver tudo e aí eu ligo o mais rápido possível.
— Estarei aguardando, vou indo. Até .
— Até .
Ele a envolveu pela cintura, deixando aquele perfume floral adentrar junto do ar, no mesmo momento em que depositava um beijo – um pouco melado, no rosto dele. A garota se afastou daquele abraço sorriu, acenando para ele enquanto caminhava em direção ao ponto de ônibus.
♡ ♡

estava nas nuvens. Mesmo sabendo que era errado sentir atração por um homem comprometido, outra parte de si se alegrava apenas por poder olhar para ele e sentir se bem e algumas vezes segura, porque você nunca se sabe quando vai cair novamente dos patins ou por ser estabanada – quando se falava de , tudo era possível.
A menina deu um beijo em seus familiares e foi trocar de roupa no mais novo vestiário da confeitaria. Fez um rabo de cavalo alto e sentou-se na cadeirinha ao lado de seu armário. Mandou uma mensagem antes de entrar e começar a fazer os pedidos. A mensagem era para a única garota que sempre esteve ao seu lado, Andrade, mas para os íntimos, . A essa altura, até todos aqui estão íntimos dela.
A ruiva deu um grito do outro lado do aparelho, assustando o trabalhador que tirava a medida do ambiente. Ela se desculpou e foi para um cantinho mais reservado, e lá advertiu a amiga – por mensagem – por ter permanecido em uma conversa enquanto ela sabia que o homem tinha uma companheira. A amiga se despediu, ainda brava com a confeiteira, mas entendia o lado dela, não podia obrigar ela não sentir nada por ninguém, como Madalena havia falado em uma das conversas ninguém escolhe por quem vai sentir aquele calor aconchegante no coração, e não havia escolhido. Sim, gostar. Andrade conhecia muito bem a garota e sabia que a mesma estava começando a gostar do homem comprometido.
Depois de ter bloqueado o celular e o colocado no armário, amarrou o avental na cintura e quando estava prestes a sair, escutou seu celular tocando. Revirou os olhos e automaticamente atendeu o celular sem ler o nome.
Meu amor, isso tudo é saudades? Mal conversamos e você já me liga.
Um silêncio pairou no outro lado da ligação. só escutava a respiração um pouco pesada. Nem passou por sua cabeça em tirar o celular do ouvido e ver se era uma emergência da amiga, mas foi aí no exato momento que pôde ouvir um som bem diferente, nada igual ao local de trabalho da


Continua...



Nota da autora:
“Comentem o que acharam, obrigada pelo seu gostei, e nos vemos no próximo capítulo” — Alanzoka.

Vou deixar aqui os lugares onde vocês têm acesso a cada informação da Fic e também minha Página da Autora, com todas as Minhas Fanfics e informações sobre mim.



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber se a história tem atualização pendente, clique aqui


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