EXITUS

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Última atualização: 21/03/2021

O que tem começo, tem fim.

— Maquiavel



Incipit prologus

O homem levou a xícara de café até os próprios lábios, não se importando nenhum pouco que o líquido quente tenha queimado a sua língua. Ele não estava focado em nada no momento, exceto em uma mulher com uma criança do outro lado da mesa, a qual ele tomava o cuidado excessivo de não parecer que ele estava observando ela o tempo todo — apesar que estava mesmo.
Seu principal objetivo era a mulher. A criança era um efeito colateral da consequência que ele não tinha previsto em lidar, mas, no fim, sempre conseguia o que queria.
Ele não agia por impulso. Não. Tudo era devidamente calculado e se ele dizia que as coisas sairiam do jeito que ele queria, elas sairiam.
O desconhecido — que mais tarde seria descoberto —, bebeu mais um gole do café amargo, desviando o olhar para observar a rua devidamente calma, mas mantendo a sua atenção concentrada no objetivo. Ele não conseguia ouvir, da distância em que estava, o que ambas conversavam uma com a outra, mas a criança sorria para a mãe, que devolvia o sorriso de volta, sujando a bochecha da mais nova do que parecia ser sorvete.
O desconhecido estava ficando entediado. Embora fosse paciente na maior parte do tempo, estava começando a ficar ansioso para que ele chegasse finalmente a uma ação. Fazia tanto tempo que vinha planejando aquilo, que ele sequer podia cogitar dar errado.
Suas mãos formigavam de prazer, ao se permitir vagar pela lembrança de tocar a pele dela. Ele queria aquilo de novo. Desejava-a tanto, que aguentou ficar meses e meses no escuro, só para ter a oportunidade de fazê-la reviver tudo de novo. Não podia chegar até ela, ele sabia, mas podia abrir o caminho para que aquilo ocorresse.
Ele só precisava que aquela maldita mulher do outro lado da mesa cooperasse com os seus planos.
— Mamãe! — A criança deu um gritinho, seguido de uma risada bastante infantil.
Quando o homem observou, a mais nova estava com as bochechas completamente sujas de chantilly.
Ele deixou o copo de café de lado e ajeitou a própria postura, livrando-se do chapéu que usava para esconder parcialmente o seu rosto. Infelizmente, para ele, ser um dos mais procurados pelo FBI, fazia com que existisse a constante chance de ser reconhecido pelas ruas e acabar sendo pego. Ele não podia ser pego agora. O mesmo tinha planos antes desse momento inevitável chegar.
— Venha, vou te limpar! — A mais velha disse para a mais nova, que concordou com um aceno de cabeça positivo.
As duas tinham uma união impecável de mãe e filha. A menina se inclinou para a mãe, que pegou um pedaço de guardanapo e passou pela região das bochechas dela, nas partes em que havia a sujeira. O celular em cima da mesa apitou, indicando uma nova mensagem. A mulher abriu a notificação e emitiu um suspiro cansado, olhando para a mais nova, pedindo a conta em seguida.
Sally sabia que aquilo podia acontecer, mas, mesmo assim, alimentou a esperança que a irmã podia ainda aparecer no encontro marcado. Ultimamente, não havia muitos encontros das duas e Sally achava aquilo um absurdo, visto o quão próximas elas já haviam sido antes.
— Ela não vem de novo? — Ava perguntou.
Sally balançou a cabeça negativamente, respondendo à pergunta da filha.
Quando terminou de limpar as suas bochechas, livrou-se do guardanapo sujo e pegou a conta que o garçom lhe entregara, já puxando a carteira da bolsa.
— Eu te disse, mamãe! — Ava comentou. — A tia nunca vem quando tem palestras.
Sally estreitou os olhos em direção à filha, que mantinha um ar superior, como se gostasse de estar sempre certa.
Balançou a cabeça, sorrindo.
— Fique aqui, espertinha. — A mais velha disse. — Vou pagar a conta e vamos embora.
— Cinema? — A menina sugeriu.
— Como quiser! — Sally concordou, levantando-se.
Tudo teria sido evitado, se ela tivesse sido mais atenta naquele dia em específico. Ela teria percebido o homem observando os seus passos e em como ele sorriu tão sombriamente, que os pelos da sua nuca teriam se arrepiado. Ela teria percebido que ele se levantara em sua direção, os passos calculados e frios contra o chão. Teria notado que, com o pouco movimento que restava daquele café ao ar livre, ninguém perceberia o momento em que ela tinha sido capturada.
Foi tudo muito rápido e sutil.
Quando Sally começou a caminhar em direção à porta de entrada do café, o homem desconhecido cruzou o seu caminho, simulando um tropeço. A mulher murmurou um pedido de desculpas baixo e travou quando ele ergueu os olhos na direção dela, exibindo discretamente uma arma presa à sua cintura.
Sally engoliu a seco.
— Você vai vir comigo. — O homem ordenou.
Sua voz não era gentil. Sally percebeu que seu toque era ainda pior, quando os dedos dele se fecharam ao redor do pulso dela com força demais, mas ela não emitiu nenhum som, engolindo a seco.
Aos olhos dos outros, parecia um toque gentil, quase como se eles fossem amigos ou namorados e simplesmente estivessem trocando um carinho em público.
Sally arriscou um olhar para Ava, que parecia entretida demais no próprio celular.
— O que você quer? — Sally perguntou, sendo forçada a andar.
Ele não respondeu. Guiou-a para longe do café, para uma rua mais estreita e vazia. Sally queria ser corajosa, como a sua irmã era, e enfrentar quem quer que fosse aquele homem. Mas ela não era. Ela simplesmente não conseguia pensar em reagir, seu corpo todo sendo combustível do medo. Seus pensamentos iam diretamente até Ava.
— Vai viver o suficiente para descobrir o que eu quero... — ele finalmente respondeu, parando ao lado de uma van preta.
Sally abriu a boca para dizer algo, mas não conseguiu. Quando ele soltou o seu pulso, seu corpo inteiro foi tomado por impulso e a mulher tentou chutá-lo no meio das pernas, mas acertou a sua canela.
Ele a olhou com raiva e ela tentou correr, mas o homem foi mais rápido, puxando-a pelos cabelos soltos.
— Sua vadiazinha! — Ele xingou, irritado.
Sally não teve tempo de se defender, quando o homem bateu a sua cabeça contra a porta da van, fazendo-a perder a consciência.
Ele a jogou na parte de trás do veículo, satisfeito consigo mesmo.
E, então, foi atrás de Ava.



Unus
veniens ad angulum

ㅤ📍 Unidade de Análise Comportamental - UAC às 11:30:

— O que está acontecendo? — A pergunta de David Rossi ecoou para o resto da equipe, que estavam parados um ao lado do outro, observando atentamente à porta fechada do escritório de Hotchner.
— Não temos certeza ainda... — Prentiss quem respondeu, sem desviar o olhar. — Aaron está há trinta minutos trancado com o diretor lá dentro.
— Isso é ruim, não é? — Garcia questionou, a expressão franzida em preocupação.
Ninguém respondeu imediatamente. Todo mundo ali sabia que uma visita do Diretor do FBI ao departamento não era exatamente um bom sinal, mas ninguém gostava de pensar que também era algo ruim.
Quando Derek abriu a boca para responder, a porta do escritório abriu e Aaron Hotchner saiu primeiro, sendo acompanhado por um homem de estatura mediana e a expressão séria demais. Os dois murmuraram algo e apertaram as mãos em despedida. Ele passou pelo resto da equipe, murmurando um cumprimento educado e Aaron logo chamou a atenção de todos.
— Reunião. — Ele anunciou.
O restante da equipe concordou. Em menos de cinco minutos, todos já estavam acomodados na sala de reunião de costume. Geralmente, JJ ou Garcia apresentavam o caso, mas, daquela vez, nenhuma das duas tinham informação de qual era o caso aberto da vez.
A expressão de Hotchner estava calma, porém, preocupada, e ele esperou até que todos estivessem sentados.
— O Diretor estava aqui, porque temos a abertura de um caso arquivado... — ele começou a explicar, mantendo as mãos cruzadas sobre a mesa, acima dos arquivos. — E temos que resolver com extrema urgência e cautela.
— Por que o caso foi reaberto? — Morgan questionou primeiro.
Aaron respirou fundo, mantendo a expressão séria.
— Há dois anos, Carl Courtner era um dos homens mais procurados do FBI... — ele começou a explicar, procurando uma maneira que não se estendesse muito, mas que fosse o suficiente para que todos eles entendessem. — Foi uma caçada extensa e tanto a equipe responsável pelo caso e o diretor, estavam sofrendo pressão para resolverem o mais rápido possível. As mortes estavam acelerando e a popularidade dele crescendo. — Continuou, começando a distribuir os arquivos para cada um deles presente ali. — O desfecho do caso foi a agente ser sequestrada, e ele, morto.
— Se ele foi morto, por que estamos com o caso? — Prentiss indagou.
— Porque ele não está morto de verdade. — Aaron respondeu. — O FBI não quis lidar com o fracasso de sua fuga, então forjou a morte dele e encerrou o caso. Principalmente depois que a agente pediu o desligamento.
O silêncio recaiu sobre todos eles. Reid tomou a atitude de abrir o arquivo e ler as informações que tinham ali. Eram todas informações sobre o caso, relatórios e fotos das cenas de crime.
— Aqui não diz o que aconteceu com ela. — JJ comentou, ainda olhando o arquivo.
— Seja lá o que for, foi o suficiente para ela. — Rossi completou.
Ninguém rebateu. Eles, mais do que ninguém, entendiam que aquele trabalho esgotava. Haviam coisas que uma pessoa podia lidar e algumas não. Tinha um certo limite do que alguém podia aguentar ver e passar.
tinha chegado perto desse limite e dois anos depois de todo o ocorrido, não tinha sido o suficiente para ela se recuperar.
— Isso quer dizer que ela não sabe que seu sequestrador está vivo? — Reid questionou, o tom quase genuíno na voz.
Ele não conseguia imaginar como ela se sentiria diante daquela informação. Achar que o pesadelo tinha acabado, para dois anos depois ser despertada por ele era cruel demais para alguém com um trauma daquele tamanho.
— Ainda não! — Hotchner respondeu, parecendo pesaroso. — Mas ela vai descobrir. Hoje de manhã, o assassino sequestrou a sua irmã e deixou um recado com a sua sobrinha. Ava está sob tutoria da assistente social no momento, até que alguém consiga entrar em contato com .
— O que ele dizia? — JJ perguntou.
— Ava diz que somente pode falar com a tia. — Aaron respondeu. — Garcia, você consegue localizá-la?
— Um momento, senhor! — Garcia respondeu, prontamente abrindo o seu notebook.
Ela tinha dedos ágeis contra os teclados e em menos de um minuto, estava com a localização certa.
— Ela ainda é uma agente? — Rossi indagou.
— Sim, mas ela desistiu de ser agente de campo. — Foi Garcia quem respondeu, tendo todas as informações na tela do notebook naquele momento. Nada passava despercebido para a mulher. — agora trabalha com a integração dos novatos e ministra seminários.
— Garcia... — Aaron chamou. — Onde ela está?
— Na academia, senhor! — Garcia respondeu.
— Prentiss e Reid, vocês vão atrás da Agente . — Hotchner começou a ordenar, recebendo um aceno positivo dos dois. — Rossi e Morgan irão comigo para o local do sequestro. JJ, traga a menina para cá. Garcia, procure tudo sobre os e Carl Courtner. Quero saber qualquer coisa que nos dê uma pista de onde ela está.
Todos assentiram, levantando-se para cumprir as novas ordens. Naquele caso específico, não havia a necessidade deles se deslocarem para outra cidade. Aaron Hotchner só esperava que pudesse concluir o mais rápido possível, e, de preferência, com Sally viva.


ㅤ📍 Academia do FBI em Quântico, Virgínia/EUA às 12:42:

não achava possível que pudesse estar se sentindo tão cansada ultimamente. Sua rotina, por mais incrível que pudesse parecer, tinha dobrado e seus horários não estavam batendo com os da irmã, o que a fazia se sentir culpada na maior parte do tempo.
Naquela manhã, ela deveria ter encontrado Sally, mas quando viu que a palestra se estenderia muito mais do que ela tinha contado, mandou uma mensagem se desculpando e prometendo que a compensaria em um jantar à noite. Seu peito se esmagava de saudade principalmente da sua sobrinha, mas ela tinha sorte que Ava era a criança mais compreensiva que ela já tinha conhecido. costumava achar que a garota era esperta demais para a própria idade.
? — A voz atrás de si chamou.
Quando ela se virou para descobrir quem a estava chamando, encontrou Peter com as mãos escondidas no bolso da calça. Ela guardou o celular, dando-se por vencida por um momento, vendo que sua irmã não estava respondendo as mensagens e nem atendendo as suas ligações. A agente precisaria caprichar no jantar à noite, percebeu, se quisesse que sua irmã a perdoasse por mais um encontro cancelado.
— Oi, Peter. — Ela murmurou, um sorriso gentil cobrindo os lábios.
Peter Olly ministrava alguns seminários ao lado dela e era um bom amigo, mas começava a suspeitar que o homem estava querendo ultrapassar essa linha de amizade. Torcia para que ele nunca tocasse no assunto, seria constrangedor recusar tão diretamente e ainda precisar continuar trabalhando com ele. Mas Peter parecia nunca ter coragem, o que deixava aliviada em partes.
— Estava pensando se você não quer almoçar... — ele convidou, parecendo ansioso pela resposta.
mordeu o próprio lábio, verificando o horário no relógio. Ela mal tinha percebido que já era hora de seu almoço, tendo sido sugada a manhã toda com compromissos para cumprir. Definitivamente, ela estava cansada.
— Com você? — Assim que a pergunta saiu de sua boca, ela se arrependeu.
Claro que era com ele. O rapaz estava ali, parado na sua frente com uma timidez gigante e o receio de ser rejeitado por um simples convite de almoço, todo seu corpo tenso. Às vezes, a mulher odiava saber a linguagem corporal de alguém tão bem daquela maneira, mas Peter especificamente era um livro aberto.
— Sim! — Ele finalmente respondeu.
deixou os ombros caírem, o sorriso ainda presente no rosto, prestes a aceitar o convite, já que não via mal nenhum em um almoço, mas os dois foram interrompidos por uma voz feminina desconhecida.
— Agente ?
virou-se novamente. A dona da voz estava acompanhada por um homem magro e ambos tinham uma expressão séria. Ela se demorou demais em analisar o rapaz que acompanhava a mulher, uma sensação de familiaridade tomando conta de si, mas ela tinha certeza que nunca o viu na vida, então aquilo não fazia sentido.
Balançou a cabeça, afastando os pensamentos e ignorou a sensação, certamente culpando o cansaço.
— Sim? — esperou.
— Sou a agente Especial Emily Prentiss — Apresentou-se, sentindo que não havia necessidade de mostrar a identificação. — Esse é o doutor Spencer Reid. Nós estamos aqui…
levantou um dedo educadamente, pedindo um minuto para Emily. Ela se calou no mesmo instante e aproveitou para virar-se para Peter.
— Peter, você se importa em deixar o almoço para outro dia? — Questionou.
O rapaz fez que “não” com a cabeça, concordando em adiar.
— Obrigada. Eu te encontro depois.
Ele assentiu, acenando em despedida e seguiu direto pelo corredor, deixando os três sozinhos.
desfez o sorriso gentil dos lábios e voltou a olhar para Prentiss, sua intuição gritando que ela sabia do que se tratava antes dos dois agentes informarem.
— É a Sally, não é? — perguntou.
Emily abriu a boca para responder, mas o som não saiu. Reid, que até então estava em silêncio ao seu lado, foi quem tomou a atitude.
— Sim. Sua irmã foi sequestrada hoje de manhã. — Spencer informou, o tom de voz calmo e firme o suficiente para entender que ele fazia aquilo há muito tempo. Certo cuidado emanava dele.
A academia também ensinava como eles deveriam se comportar ao darem notícias daquele tipo aos familiares das vítimas. E o doutor Reid, ela notou, já era muito acostumado com tal coisa.
A notícia tinha a pegado de surpresa. Seu corpo prendeu a sua respiração sozinha e ela piscou os olhos repetidas vezes rápido demais, como se esperasse que eles corrigissem e falassem que ela ouvira errado. Sally estava segura e salva, mas a expressão dos dois agentes mostrava que eles estavam falando bem sério.
Sally. Sua Sally tinha sido sequestrada e naquela manhã ela tinha cancelado o encontro das duas.
Culpa esmagou o seu peito e ela tentou puxar a respiração para os pulmões, obrigando-os a funcionarem.
— Você está bem? — Prentiss questionou, observando-a.
trincou os dentes.
— Quem a sequestrou? — A pergunta pulou dos lábios da mulher, sentindo a necessidade de saber a quem ela deveria direcionar toda a sua raiva.
Sally não deveria ser arrastada para aquilo. Ela tinha uma vida completamente diferente da sua e, no entanto, estava completamente envolvida como vítima no trabalho de .
— Acho que deveríamos ir para um lugar mais reservado... — Emily disse.
percebeu que ela tinha mais cuidado com as palavras. E daquela vez, o doutor parecia concordar com ela, pois não tomou a atitude de responder à pergunta da ex-agente de campo novamente. Seja quem fosse, sentiu que tinha muito mais do que ela sabia.
— Tudo bem! — Ela finalmente concordou, apontando com a cabeça para que a seguissem.
A agente seguiu o caminho reto pelos corredores. Cumprimentou alguns novatos por quem era responsável em integrar pelo caminho todo, até chegar no fim de um corredor e passar por uma porta que levava a um escritório pequeno e confortável. esperou que os dois agentes entrassem e fechou a porta atrás de si.
— Por favor, sentem-se! — Indicou o sofá com as mãos e sentou-se na poltrona de frente para eles. — Algo para beber?
— Não podemos demorar muito... — Reid apressou-se.
assentiu, a sensação lhe invadindo novamente, mas ela ignorou mais uma vez.
— Vocês são da UAC? — A mulher questionou, vendo ambos assentirem. — O que eu deveria saber agora?
— Agente ... — Emily começou, trocando um olhar breve com Reid, que assentiu, incentivando-a.
Ele não queria ser o portador da má notícia.
— Sei que vai parecer muito confuso agora, mas o sequestrador da sua irmã é Carl Courtner.
O quê? — O espanto de saiu em um sussurro quase inaudível, todo seu corpo tremendo. — Mas ele está morto!
— Eu sei, eu disse que ia parecer confuso, mas… — Emily continuou, soltando um suspiro.
— Ele só estava morto no papel. — Spencer Reid tomou a situação para si. — Quando você foi resgatada, ele fugiu no meio da perseguição, não foi morto.
— Mas eu li o relatório! — disse.
Seus lábios tremiam. Emily sentiu-se mal por ela. Não sabia exatamente o que ela estava sentindo no momento, mas entendia o suficiente para saber que não estava sendo fácil.
— O relatório foi alterado por ordem do diretor. Ele não quis aceitar o fracasso do caso e comunicou que Carl Courtner morreu em perseguição, dando finalmente um encerramento que tanto pressionaram. — Prentiss informou.
A respiração de falhou novamente.
Ela encarou os dois agentes à sua frente, mas não achou que os enxergou. Sua memória lhe traiu, enviando lembranças que ela tentou por tanto tempo esquecer. O rosto daquele homem ainda era nítido em sua memória e ela se odiava por isso. Quase podia ouvir a voz dele. Saber agora que ele estava vivo esse tempo todo…
— Vão embora! — Ela murmurou, levantando-se. Tentou mais uma vez puxar a respiração de volta, sentindo seus olhos lacrimejarem.
— O que disse? — Emily questionou.
sentiu seu peito ser esmagado. Parecia que alguém estava tentando a todo custo lhe roubar o ar. Ela sabia o que estava acontecendo. Às vezes passava as noites em claros, porque toda vez que iria dormir, não conseguia respirar.
— Estou pedindo para vocês irem embora. — Ela respondeu, a voz falhando.
A agente não olhava para os outros dois agentes. Ela encarava um ponto qualquer da parede, seus pensamentos confusos, querendo urgentemente ficar sozinha. Talvez pudesse gritar, chorar em paz, caída no chão, abraçando os próprios joelhos.
— Agente , nós não podemos…
Por favor, eu estou implorando! — pediu, os olhos marejados. A voz continuava falhando e ela se virou de frente para eles de volta, encarando-os. — Não posso… Eu simplesmente não posso…
O ar sumiu novamente. Emily olhou-a preocupada. Hesitante, Reid se aproximou da mulher. Ele sempre costumava evitar contato físico daquele tipo, ainda mais com pessoas desconhecidas, mas havia algo nela que o comovia.
Ele sentia a sensação lhe esmagando confortavelmente, quando parou na frente dela e pediu que ela o olhasse.
— Respire! — Aconselhou, demonstrando. Ele respirou o ar ao mesmo tempo que ela.
sentia-se a pior pessoa do mundo. Odiava a forma como aquele homem tinha poder sobre ela e sobre as suas lembranças, quase como se gostasse de obrigá-la a reviver quase tudo.
Tudo era um pesadelo.
— Respire! — Reid repetiu.
o olhou com compreensão. Seu corpo inteiro estava tenso, mas ela respirou, exatamente como ele tinha pedido, relaxando quando seus pulmões pareciam deixá-la em paz. Ele não a tocava, mas estava a centímetros de distância dela, o suficiente para ver os lábios dela tremendo. Ele não se preparou para o impacto do corpo dela abraçando o seu, surpreso demais quando notou que ela estava chorando.
Spencer buscou Emily com os olhos, que deu de ombros, sem saber exatamente o que dizer. Com as mãos suspensas no ar, Reid abraçou a mulher, meio desconfortável, deixando-a chorar sobre o seu ombro. Ela parecia frágil e ele estava desacostumado a lidar com situações do tipo, mas tudo o que sabia era que não podia deixá-la desabar sozinha.
E ele não deixou.
Daquele dia em diante, Spencer Reid nunca mais deixou.



Continua...



Nota da autora: Essa fanfic, assim como In Dark, estava na gaveta há muito tempo e chegou a hora de eu dar o momento de estrela dela também, dessa vez com o amor e mais querido de todo mundo: Spencer Reid! *suspiros* Espero que embarquem nessa jordada comigo. Boa leitura! <3



Outras Fanfics:
05. Break Free (Ficstapes Perdidos #2/Originais)
In Dark (Restritas/Seriados (Criminal Minds)/Em Andamento)
Operação Bebê (Originais/Em Andamento)

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