Fanfic finalizada

Capítulo 1

estava entediada. Batia com a caneta em sua escrivaninha, com os pensamentos em nada específico. Só sabia que o fim das aulas na Tisch School of the Arts não era o melhor dos momentos para ela. Férias significavam passar um bom tempo em Lima com os pais, e ela não tinha amigos naquela cidade, seriam somente os três.
Não entendam mal! Ela ama seus pais. Mas depois de um tempo conversando e contando tudo que aconteceu em seus primeiro ano escolar, chegaria um momento em que não haveria muito a compartilhar. Ela não era mais uma princesinha do papai! Chegaria o momento em que suas férias se resumiriam a ver e rever musicais, encher-se de pipoca e sorvete vegan, esperando ansiosamente o retorno das aulas para rever os amigos que, finalmente, ela tinha em NY.
entrou no quarto que as duas dividiam em uma das muitas repúblicas repletas de estudantes universitários em NY e anunciou:
“Nós duas iremos comemorar o final de nosso primeiro ano hoje! Coloque sua melhor roupa porque a night nos espera, !”
não queria estragar os planos de nem tirar o sorriso do rosto da amiga, mas não sabia se era uma boa idéia saírem para uma night. Tudo bem que havia mudado muito depois de sua chegada em NY. Já não vestia mais roupas que lembravam uma mistura de avó com jardim da infância, se sentia mais na moda e até sexy! E também tinha melhorado muito seu temperamento, convivendo muito bem com os colegas e fazendo amizades que poderiam se tornar duradouras. Ainda assim, tinha dúvidas se iriam sentir-se ou não deslocada na noite, bebendo, dançando, olhando e sendo olhada.
“Eu não sei, . Ainda não fiz minha malas e preciso tam-“
“Não, . Não me vem com essa! Você vai! Eu prometo que não vou passar todo o tempo com o e que vamos dançar a noite toda. E também vai ter mais gente conhecida lá: a Mischa vai, o Tony...”
“Ok, ok. Eu não sei dizer não para você quando você faz essa sua carinha!” Riu.
As duas se abraçaram. se encaminhou para o armário, para procurar o que vestir e fez o mesmo. Já que iria sair, sairia linda! Colocou um vestido preto e sapatos de salto alto matadores que ela escutou uma vez uma das líderes de torcida, uma morena de tipo latino, dizer no banheiro da escola, serem sapatos que gritam “faça sexo comigo agora!”
Ao entrar no club naquela noite, não se sentiu tão mal quanto temia. O lugar era lindo, as pessoas eram bonitas e bem vestidas, e alguns rostos conhecidos foram logo vistos por ela e . As duas cumprimentaram Mischa, Tony e os demais estudantes de arte dramática, indo em seguida falar com , que apresentou alguns rapazes, os quais imaginou serem do curso de dança que ele fazia em Julliard.
e se serviram de bebidas, dançaram um pouco e, quando o primeiro drink de ambas acabou, foram retocar a maquiagem no banheiro feminino. Ao voltarem de lá, encontraram sentado em uma mesa num canto, acompanhado apenas de um amigo. observou que este não tinha sido apresentado a ela e quando chegaram. imediatamente cumprimentou-o, calorosamente, com um abraço e o apresentou.
, este é o , o colega de quarto do ”.
e se cumprimentaram rapidamente com beijos no rosto, exatamente como havia cumprimentado todos os demais anteriormente, enquanto se sentava ao lado de em um daqueles bancos duplos e continuava a falar. “Os dois estudaram juntos também, o era da banda que o tinha na escola, aquela sobre a qual te falei.”
acenou positivamente, sem perceber que , por sua vez, a observava, maravilhado.
deu um beijinho rápido no namorado, enquanto dirigiu seu olhar para a pista de dança e sorriu vendo os amigos, e tomou um gole de sua bebida sem tirar os olhos dela. A asiática, então, voltou a falar, na esperança de que suas próximas palavras pudessem, enfim, quebrar o gelo.
, estudou no St. Paul’s High School também. Nos mesmos anos que você e os meninos.”
“De jeito nenhum!” afirmou, o que fez olhar para ele com a expressão confusa e ele perguntar, dirigindo-se a ela própria “Isso é verdade?”, ao que ela apenas respondeu com um aceno de cabeça positivo. “Não é possível, eu me lembraria”, ele completou.
“É o que você diz... mas não se lembra!” disse, finalmente. “Não se sinta mal, também não me lembro de você”, falou, tentando manter-se indiferente, apesar de também não entender como pode ignorar alguém tão alto e tão... lindo!
“Isso é difícil também. Eu era o quarterback do time de futebol, o capitão do time de basquete...”
“Eu nunca fui ligada a esporte”, ela disse sorrindo.
De fato, nunca tinha prestado a menor atenção aos esportes e aos esportistas do colégio. Ela sempre esteve totalmente focada em suas atividades curriculares e extracurriculares porque queria entrar para a NYU: os musicais, o jornal e a rádio da escola.
Além de não gostar de esportes, não tinha vida social alguma na época, não ia sequer aos bailes que aconteciam durante o ano escolar. Sempre foi solitária, sendo a única exceção o momento em que seu par romântico na montagem escolar de A Bela e a Fera se apaixonou por ela e resolveu dar uma chance ao rapaz, apesar de não ver os fogos de artifício, as faíscas e todas essas coisas de que falam nas comédias românticas, quando ficava com ele. Isso aconteceu já no último ano e durou uns oito meses, mas a menina resolveu terminar tudo quando, mesmo depois de se entregar algumas vezes ao namorado, continuava não sentindo nada intenso acontecer em seu corpo e em seu coração.
era o extremo oposto: cheio de amigos, cheio de meninas interessadas nele, cheio de atividades sociais durante quase toda a sua vida escolar, o que só mudou um pouco no último ano, quando passou a se dedicar mais à música e começou, inclusive, a compor. Ele decidiu que iria estudar música e o fato de ter uma banda e de ter estudado muita coisa sozinho (tocava vários instrumentos, sabia alguma teoria musical, cantava) fez com que conseguisse ir para Julliard.
Vendo que e se perdiam um no outro neste momento, aproveitou para perguntar se não gostaria de ir até o bar com ele buscar bebidas para ambos, e ela aceitou, levantando-se do banco que dividiam.
No bar, ele perguntou o que ela queria beber e ela quis saber o que ele iria beber. “Uma cerveja”, “Uma cerveja para mim também, então!”
Eles receberam as cervejas, que fez questão de pagar, e voltaram á mesa conversando. Ambos perguntaram sobre o que o outro estava estudando ali em NY e ficaram extremamente surpresos (ela mais do que ele) e maravilhados (ambos mesmo, neste caso) com a escolha de carreira do outro. Parece que afinal eles tinham alguma coisa em comum: a arte, principalmente a música.
A conversa fluiu naturalmente e eles voltaram ao bar para pegar mais uma cerveja, mas dessa vez não voltaram juntos à mesa, pois disse amar a música que começava a tocar, perguntou se ele se importava que ela se juntasse aos amigos na pista, ao que ele respondeu que não, então a estudante foi dançar.
não conseguia tirar os olhos dela, mexendo-se na pista de dança. Era tão sexy, tão linda! Seu sorriso iluminava mais do que as luzes daquele lugar, sua gargalhada era contagiante e, mesmo de longe, só de vê-la rindo tão espontaneamente de alguma piada dos amigos, ele se pegou sorrindo como bobo.
Sem nem perceber, já tinha tomado toda a sua cerveja e se levantava para pegar outra. A noite, afinal, estava apenas começando.


Capítulo 2

viu que estava novamente no bar, pegando outra cerveja e que, após receber a bebida, olhou na direção dela e assim permaneceu, consumindo-a com o olhar. Normalmente, ficaria tímida, mas quando percebeu, dançava para ele, como se somente os dois estivessem ali. No início, somente dançava, sabendo que ele observava seus movimentos. Depois, começou também a encará-lo, como ele fazia. Em pouco tempo, nenhum dos dois disfarçava mais aquela atração intensa dos olhos de um pelo corpo do outro.
Depois de algum tempo, foi chamada por uma das amigas, que falou alguma coisa, distraindo-a, mas quando ela voltou a olhar para , percebeu que ele mantinha a atenção ainda fixa nela. Decidiu, então, ir até o bar, até ele. Aproximou-se como se tivesse ido apenas pegar mais uma cerveja, a qual ele fez questão de providenciar e pagar, novamente. No entanto, depois que recebeu a bebida, eles fizeram um brinde rápido e seus olhares se encontraram, não se separando mais.
Olhando fixa e intensamente um para outro, dos olhos para a boca e de volta para os olhos, eles foram se aproximando. puxou-a com uma das mãos pela cintura, praticamente encaixando-a entre suas pernas, enquanto se apoiava no banco do bar. Com a outra mão, ele a puxou pela nuca, enfiando, ao mesmo tempo, os dedos em seu cabelo. Como era macio, pensou. E como era macia também aquela boca que, a essa altura, já estava pressionada contra a sua e suaves as mãos que estavam em seu pescoço.
sentia o coração bater tão forte dentro do peito que pensou que talvez fosse possível ouvi-lo, mesmo com toda a música alta típica de um club como aquele. As mãos dele no corpo dela eram perfeitas, segurando forte na medida certa, nos lugares certos. Contudo, em pouco tempo, já não pareciam tão perfeitas assim, porque ela já as queria em outros lugares, ela já as queria em todo o seu corpo.
A respiração de ambos estava forte pelo desejo e o ar começou a faltar também pela intensidade do beijo, que tinha virado já uma batalha de línguas, e lábios, e até dentes que mordiscavam provocativamente. Então pararam em busca do oxigênio que faltava, mas os corpos permaneceram próximos e ele aproximou a boca do ouvido dela.
"Eu sempre procuro ser um cavalheiro e talvez eu devesse ter perguntado se eu podia te beijar... mas você...” ele beijou atrás da orelha dela “... você é tão...” outro beijo naquele mesmo lugar, que fez com que ela se arrepiasse inteira e ele, percebendo, sorriu, orgulhoso de provocar aquilo nela “tão linda e sensual e...” ele, então voltou a olhar nos olhos dela “e esse olhar... eu simplesmente não agüentei! Eu precisava te beijar.”
“Ok! Você quer ser um cavalheiro?” ela falou em tom brincalhão, sorrindo “Tudo bem... Você sabe... você pode me beijar se quiser.”
“Eu quero.”
Assim, eles se beijaram novamente, começando devagar, mas não demoraram a encontrar de novo o ritmo acelerado de antes. Não demorou também para ambos sentirem o corpo falar, ou melhor, gritar, desesperar-se. Ambos perceberam que precisavam se separar, que precisavam de um tempo. Pararam, tomaram um pouco de suas respectivas cervejas, que tinham sido esquecidas no bar, logo que eles tinham começado a se aproximar para o primeiro beijo, e ele pegou a mão dela e a levou de volta à mesa, onde e os receberam com sorrisos maliciosos.
Os quatro conversaram um pouco, mantendo por um tempo uma das mãos na perna de , logo acima do joelho. Até o momento em que ele resolveu provocar e fui subindo lentamente os dedos, em direção à barra do vestido dela. foi ficando tensa com aquele contado, mas deixou subir um pouco. A verdade é que ela queria que ele subisse e subisse e não parasse, enfiando as mãos por debaixo de sua saia e encontrando o lugar onde ela realmente queria o toque dele. No entanto, eles estavam conversando: não era hora! Ela segurou sutilmente o pulso dele e ele entendeu, voltando a pousar as mãos próximo ao joelho dela.
Assim permaneceram até o momento em que e resolveram se beijar. Foi a deixa para virar-se e puxá-la, falando em seu ouvido “Eu já estou com saudades dessa sua boca” e iniciando uma nova sessão de beijos que demorou bem mais do que as outras duas e durante a qual as mãos dele, que antes tinham conhecido cintura, costas, pescoço, rosto e cabelo, passaram por todos estes lugares novamente, mas logo se cansaram deles e procuraram outros caminhos, encontrando um dos seios.
tirou a mão dele de lá, apesar de todo o prazer que sentia com aquele toque, um prazer totalmente novo, desconhecido, mais poderoso do que qualquer outro que já tinha sentido em sua vida. Ela não era esse tipo de garota.
“Me desculpa, ... eu não quis desrespeitar você, te expor, eu só...” ele respirou fundo e olhou dentro dos olhos dela “... eu te quero tanto!”
Com isso, ela se perdeu. O olhar dele, as palavras tão diretas, sinceras, o desejo que ela própria estava sentindo a venceram. Ela beijou-o novamente, apertando seu corpo contra o dele, ficando meio de lado e roçando o joelho dela na coxa dele. Ofegando, foi a vez de ela procurar pelo ouvido de e sussurrar, rápido, antes que pudesse não ter coragem suficiente.
“Eu também quero você.”
Ele buscou novamente os olhos dela e, com cautela, perguntou se ela queria ir para outro lugar, recebendo como resposta aquele sorriso que deixava ele sem fôlego e um aceno de cabeça quase imperceptível. Segurou a mão dela e levantou, trazendo-a consigo. Ambos se despediram de e , e saíram o mais rápido que puderam do lugar, pegando um dos muitos táxis que, felizmente, estavam parados na porta.
O motorista perguntou para onde iriam e tudo tinha acontecido tão rápido que nem havia realmente pensado nisso. Percebendo, deu uma risadinha e deu um endereço ao motorista, explicando em seguida que aquele era o endereço dela e que ela iria mandar uma mensagem a , para que a amiga fosse passar a noite com seu namorado, já que ele ficaria sem colega de quarto de qualquer maneira.
A atitude de arrancou risos de , que em seguida a beijou, iniciando um amasso e tanto. Ali mesmo dentro do carro, as mãos deles começaram a percorrer o corpo um do outro, ainda que as roupas estivessem sendo mantidas em seus devidos lugares, por enquanto. Eles estavam tão excitados a essa altura que sequer se importaram com a presença do motorista. Ao chegar à porta da república foi que levou o choque de realidade: não somente estava levando alguém que até algumas horas era um total estranho para seu quarto, como tinha feito uma cena e tanto na frente de um motorista de táxi. O que estava acontecendo com ela?
pagou o táxi, enquanto ela escrevia a mensagem à amiga asiática. Não dava mais para voltar atrás, ela iria ter uma transa de uma noite, o que sempre tinha sido uma coisa tão fora de questão para ela. Os dois andaram de mãos dadas até o quarto dela, sem trocar nenhuma palavra e, assim que a porta se fechou, ele a levantou, empurrando-a ao mesmo tempo contra a parede e ficando no meio das pernas dela, com as quais ela, por sua vez, envolveu o quadril dele. Ele a beijou na boca mais uma vez, depois atrás da orelha, no pescoço todo, descendo para o colo, enquanto ele agarrava os ombros dele e se entregava a todas aquelas sensações inéditas.
Depois de um tempo, ele a carregou e a depositou na cama, parando na frente dela e tirando a camisa e a calça, enquanto ela se livrava do vestido. Quando ficaram os dois quase nus, ela apenas usando uma calcinha bem pequena de renda preta e ele uma cueca boxer branca, um não podia tirar os olhos do corpo do outro. Ficaram paralisados por alguns segundos, em razão do que viam, até que ele avançou para ela, suas mãos indo diretamente ao encontro de seus pequenos, mas perfeitos, seios, cobrindo-os completamente com as mãos primeiro e depois usando os dedos para brincar com os mamilos. Gemendo baixinho, ela deitou-se, puxando-o pelos ombros, sem que ele tivesse parado um só segundo de tocá-la e, pouco depois, a boca de substituiu seus dedos, primeiro beijando os mamilos de devagar e levemente, depois os provocando com a língua e os lábios, até que ouvi-la dizer seu nome num sussurro o fez ficar mais faminto e ele começou a sugar e a lamber com mais força, provocando reações mais intensas na garota.
não podia mais. Mesmo que não fosse de sua natureza agir por impulso, aquele rapaz de mãos grandes e fortes e olhar penetrante a estava fazendo agir de um modo estranho e ela não iria lutar contra isso, não agora.
“Por favor, ” ela praticamente implorou.
“O que você quer, babe?” ele falou, sorrindo maliciosamente e beijando sua barriga “Me diz, babe! O que você quer?”
“Eu quero você.”
Ainda sorrindo, ele olhou para ela e acenou positivamente. Saiu da cama e foi procurar algo nos bolsos da calça. Encontrou facilmente a carteira e tirou de lá o preservativo que estava procurando. Voltando à cama, colocou a camisinha, beijou-a e se posicionou entre as pernas dela, deslizando uma de suas mãos entre os corpos do dois para tocá-la antes de penetrá-la.
“Parece que você realmente me quer mesmo, babe... tão molhada... tão quente.”
Ele dizia isso tocando-a, e ela não aguentou e precisou falar novamente.
“Eu quero você, ... eu preciso de você dentro de mim... agora...” falou em uma súplica manhosa.
Então eles finalmente se conectaram. Devagar, ele a preencheu por completo e depois começou a fazer movimentos, lentos primeiro e depois mais e mais rápidos, sentindo que ela acompanhava seu ritmo. Não demorou muito tempo para que ambos estivessem perto e ele ainda segurou-se um pouco, somente chegando ao orgasmo depois que sentiu que ela tinha tido o dela.
Foi uma coisa muito intensa para ambos. Os dois permaneceram calados por um tempo, deitados lado a lado, até que ele quebrou o silêncio.
“Isso foi... bom demais!”
Ela concordou, silenciosamente e deu uma risadinha, e ele começou a beijá-la, puxando-a para que ela ficasse em cima dele. Depois de pouco tempo, eles começaram tudo de novo e a segunda vez conseguiu ser ainda melhor que a primeira, levando os dois à exaustão e a sucumbirem ao sono.
No dia seguinte, ele a acordou com carinhos e o terceiro round teve início rapidamente, tão bom quanto aquilo que eles tinham experimentado á noite. No entanto, já nem era mais manhã, já passava do meio dia, e ambos tinham compromissos.
“Eu te ligo”, disse, abraçando , na porta da república.
“Você não precisa fazer isso, ”.
“Eu não preciso?” Ele perguntou, confuso “Eu quero te ligar, ... eu quero te ver de novo.”
“O-ok...” ela falou, sem jeito “Mas... mas eu vou passar férias em Ohio... eu vou pra Lima ver meus pais, eu vou passar as férias lá...”
“Ok, . Eu te ligo” ele reafirmou, dando um beijo nela e indo para o táxi que já o esperava.
Ela acenou, um pouco desconfortável. Sabia que ele tinha dito isso para ser agradável, cavalheiro, educado, mas, como todos os caras com quem todas as amigas dela já tinham tido transas no primeiro encontro (eles nem sequer tinham tido um encontro), ele não ligaria.

Capítulo 3

é dessas pessoas que não costumam se enganar. Considera ser até um pouco vidente. No entanto, não poderia estar mais errada sobre o que pensou de : ele realmente ligou, logo no dia seguinte, quando ela ainda desfazia suas malas em Lima. Pareceu um pouco decepcionado por ela já estar tão longe e mais decepcionado ainda quando descobriu que a garota só voltaria na véspera da volta às aulas.
“Quando você disse que passaria férias, não pude imaginar que você quisesse dizer toooooooodo o tempo de suas férias... afinal... é Lima... e quem quer passar tanto tempo em... Lima?” Ele suspirou “Não tem nada para fazer, isso eu sei, porque eu também sou de Lima.” Ele estava tagarelando e ela não conseguiu conter o sorriso que se formava em seu rosto.
“Eu gosto de passar um tempo com meus pais, .” Verdade, um tempo, não necessariamente tanto tempo “e escapar um pouco dessa loucura que é Nova York.” Não poderia estar mentindo mais: se sentia entediada e daria tudo para escutar o barulho da Grande Maçã, mas sabia que não era uma opção, pois seus pais ficariam decepcionados demais, muito mais do que uma garotinha dos papais como ela era capaz de suportar.
“Ok, eu entendo.” ele disse e, depois de um silêncio de alguns segundos, mas tão incomodo para ambos que pareceu uma eternidade, acrescentou “Você me liga quando chegar? Me liga, eu quero te ver.”
“Ok” ela escutou a respiração forte dele e foi percorrida por um arrepio ao se lembrar daquela respiração em seu pescoço há pouco mais de 24 horas “Tchau, .”
“Tchau, .”
Quando ambos desligaram o telefone, tiveram a mesma sensação. Sentiram seus corpos quentes, um desejo tão grande que era como se eles não estivessem a quilômetros de distância, mas no mesmo cômodo.
Para se acalmar e procurar esquecer a imagem de e todas as lembranças que ela trazia, foi assar alguns muffins, cantando todo o tempo sucessos da Broadway, escolhendo aqueles que menos tinham relação com qualquer coisas relacionada a sexo. , por sua vez, pegou seu violão e começou a tocar. Uma melodia começou a se formar em sua cabeça, então ele resolver pegar seu material para trabalhar em uma nova composição. Do meio dos papéis em que escrevia as letras das músicas, caiu um dos papéis e, logo que se abaixou para pegá-lo, reconheceu-o: era fácil pois de todos era o menos rabiscado, tinha sido a letra mais fácil que tinha escrito em toda a sua vida, tinha simplesmente surgido completa em sua mente.
Descartando todo o restante do material em cima da cama, sentou-se no chão, encostando-se na parede, com apenas aquele simples papel em sua mãos, lembrando-se, como se estivesse acontecendo agora, do dia em que escreveu “ The Magnet” (O ímã).
Era dia da festa de formatura do último ano no St. Paul’s. e todos os seus companheiros de banda e amigos, Peter, Zach, , Ed e Anne estavam jogando vídeo game na casa de Peter.
“Você tem que ir, cara. Vai ser a única festa de formatura que a gente vai ter.”
“Eu concordo com Peter”, disse Anne. “É a minha festa de formatura, pelo amor de Deus! Eu não posso ir sem meu melhor amigo!”
“Não faz drama, Anne.” respondeu, já meio irritado “Você vai com a sua namorada, sequer vai se lembrar de mim durante esse estúpido baile.”
Anne, com a ajuda de , que tinha se tornado seu melhor amigo, depois de um namoro rápido e desastroso, durante o qual ele percebeu que ela gostava muito mais de Belle e, principalmente, de fazer sexo com a loira do que com ele, tinha assumido sua sexualidade e começado a namorar a até então melhor amiga, no começo daquele ano.
“Não seja estúpido, . É óbvio que eu vou sentir sua falta. Todos nós vamos.” viu todos os amigos acenarem positivamente.
“Tudo bem, tudo bem. Eu acredito que vocês vão sentir minha falta. Mas, desculpa, gente... eu não vou. Ninguém vai ao baile sozinho!”
Anne iria com Belle, Peter com Lisa (tinham finalmente se entendido, depois de algumas idas e vindas), Zach com uma líder de torcida chamada Valerie, , que só conheceu ao se mudar para NY, por intermédio dos pais de ambos, iria com Jenna, uma menina asiática que estudava com eles e que ele tinha tomado coragem para convidar, mas mais tarde acabou se mostrando uma chata e sequer foi convidada para um segundo encontro, Ed iria com Sugar, que decidira se consolar nos braços dele depois de seu pai ter cortado sua mesada e acabou virando sua namorada havia alguns meses e Ken, seu meio irmão, iria com o namorado, Jim.
“Você sabe que poderia ter convidado várias garotas que teriam dado tudo para ir com você, ”, protestou a menina.
“Eu sei, Anne... eu só não encontrei nenhuma que valesse a pena...” ele disse, desanimado.
Anne deu um sorriso de simpatia, passando uma das mãos pelo braço do amigo. Os meninos começaram a “zoar” , chamando-o de um bobo, romântico, mulherzinha, e iniciaram uma guerra de travesseiros. Ninguém mais tocou no assunto e passou a noite em casa, com seus instrumentos, partituras, cadernos de músicas e muita cerveja e salgadinhos.
Foi durante esse momento de isolamento que escreveu aquela música. Letra e melodia. Tudo muito fácil, porque estava dentro dele e queria sair. Basicamente falava que estava faltando alguma coisa na vida dele, uma coisa maior, alguém, alguém que finalmente o atraísse como um ímã, que tivesse o corpo quente, que se encaixasse perfeitamente no dele, alguém em cujo olhar ele pudesse se perder, alguém de quem ele não se cansasse nunca.
relia aquela letra de mais ou menos um ano atrás e ele sentia que as coisas tinham mudado: ainda faltava alguma coisa na vida dele, mas ele agora já sabia o que era. Soube desde o momento em que aparecera no club com uma desconhecida a seu lado, e apresentara os dois. Aquele era seu ímã! Ele foi atraído à noite toda para ela de uma forma que só poderia ser descrita como o magnetismo de dois ímãs de polos opostos. Não conhecia bem para saber se eles eram polos opostos, mas a atração? Forte, intensa... Definitivamente magnética!
E teve certeza quando a beijou, quando a envolveu com seus braços, quando sentiu sua pele, seu cheiro. Eram aquele calor e aquele encaixe perfeito de que falava sua música, escrita enquanto os amigos se divertiam em um tolo baile de formatura ao qual, ironicamente, ele podia tê-la levado. Ela sempre esteve lá, esteve sempre tão perto... E ele não sabia, não imaginava.
Ela, provavelmente, tinha até ido ao baile com algum garoto idiota do St. Paul’s! sentiu uma coisa... “será que é isso o que chamam de ciúmes? Estou com ciúmes dela?”. Ele não sabia o que era, mas sabia que não era nada boa a sensação de imaginar aquele corpo sendo tocado por qualquer outra pessoa, mesmo de uma forma inocente, em uma simples dança em um baile, em frente a um monte de pessoas.
O seu ímã sempre esteve tão perto e ele nunca soube. Mas agora, ele sabia! E ele tinha uma certeza: ele precisava ter em seus braços, da forma menos inocente possível, nem que fosse só mais uma vez.


Capítulo 4

Assar muffins e cantar distraiu por um tempo e, com a chegada de seus pais, sua noite foi ocupada por assuntos relativos aos trabalhos de ambos, substituídos em seguida por comentários sobre cinema, TV, teatro, música, viagens, as aulas dela e fofocas sobre a vida dos parentes. No entanto, após vestir sua camisola, apagar as luzes e deitar-se na cama, não pode mais evitar : as lembranças das mãos dele tocando seu corpo, do corpo nu dele deitado em sua cama, o sorriso malicioso que dava quando percebia o efeito que estava provocando nela. Sentiu seu corpo começar a queimar por dentro.
decidiu tomar um banho, acreditando que um pouco de água fria resolveria o problema, mas estava lá, fazendo companhia a ela também no chuveiro, não saindo de seus pensamentos onde quer que ela fosse, pensamentos estes que iam ficando cada vez mais e mais e mais cheios de luxúria, até o momento em que percebeu que estava se tocando. Aquilo a deixava confusa! Não que nunca tivesse tocado a si mesma antes, mas nunca o havia feito pensando em ninguém especificamente, nem mesmo durante qualquer momento de seu namoro com Tom. No entanto, ela se deixou levar pelo momento, até chegar ao máximo prazer, pensando todo o tempo nele e em como seria ainda mais forte aquela sensação se fossem as mãos dele tocando sua intimidade.
Após recompor-se, terminou seu banho, vestiu novamente a camisola e voltou para a cama. Novamente, tentou dormir em vão. O que tinha acabado de acontecer só mostrava o quanto aquela atração era perigosa. Era uma atração capaz de tirá-la do controle e nunca fica fora do controle de suas emoções e ações.
Além disso, não era desse tipo de relação que ela precisava, não era esse tipo de envolvimento que ela queria, e pelo qual vinha esperando há tanto tempo. queria mais! Mais do que uma coisa física, de pele, de corpos, desejo, calor, ondas de prazer, ainda que fossem de um prazer mais forte do que ela jamais pudera imaginar. Ela queria romance, carinho, companheirismo. Queria formar um elo com alguém, exatamente como ela tinha descrito em uma de suas letras de música, um tempo atrás.
A estudante levantou-se, acendeu a luz, pensando que, afinal, era vã aquela tentativa de dormir, então, talvez fosse melhor usar o tempo de forma produtiva. Abriu uma das gavetas de sua escrivaninha e pegou o material que mantinha na casa dos pais: partituras, folhas repletas de rabiscos musicais, anotações sobre peças em que atuou durante o ensino médio, etc. Sabia que a letra de que lembrara estava por ali, precisando ainda ter a sua melodia melhorada.
Logo a encontrou e começou a tentar trabalhar na melodia, sendo, no entanto, impedida pelas lembranças daquele dia não muito agradável em que a tinha escrito.
Era a noite da festa de formatura de seu último ano no St. Paul’s, mas estava em casa de pijamas, comendo sorvete vegan e assistindo Funny Girl com seus pais. Tinha garantido a eles que tudo estava bem, afinal, nunca fora uma garota de festas. A única coisa nas festas que lhe agradava era a música, mas não havia nenhuma chance de ela cantar no baile e nem de dançar, uma vez que o único menino de toda a escola que dançaria com ela tinha sido dispensado algumas semanas antes.
Contudo, bem no fundo, ver os colegas combinando de irem à festa, as meninas bonitas sendo convidadas, algumas recebendo convites especiais, com flores, bombons, bichos de pelúcia ou outros presentes típicos de namorado, dos rapazes, tinha despertado em um sentimento novo. A garota crescera com seu pensamento voltado para a carreira, a fama, os prêmios que iria conquistar, mas percebeu, naquele momento, que todas essas coisas a fariam, sim, feliz, mas só seria plenamente feliz se tivesse com quem compartilhar tudo isso. Alguém para levar flores para ela no camarim depois de sua estreia, alguém a quem agradecer, além de seus pais, ao receber um prêmio, alguém para quem reclamar de colegas pouco talentosos, alguém a quem encontrar quando voltasse para casa, cansada, precisando de um abraço.
pediu licença aos pais, dizendo estar com sono, e subiu para seu quarto, sabendo que somente duas coisas poderiam ajudar naquele momento: transformar os sentimentos em arte... e chorar. Então, ela fez as duas coisas. Pegou papéis e canetas, sentou-se na cama, chorou e escreveu, escreveu e chorou, e ficou assim por algum tempo, até ter chegado à letra final de “My Perfect Link” (Meu Elo Perfeito), aquela mesma que permaneceria guardada na gaveta por mais ou menos um ano.
A música falava do quanto aquela queria alguém que estivesse sempre a seu lado, em momentos bons e ruins, sempre apoiando-a e recebendo seu apoio, sempre sabendo exatamente o que dizer, como fazer as coisas ficarem melhores, como se pudesse ler seu pensamento. Um homem que tivesse força e delicadeza, que a fizesse rir e sorrir, com que fosse fácil conversar, de quem fosse confortável estar perto. Alguém feito para ela, com quem ela tivesse um elo perfeito.
Olhando aquela letra tanto tempo depois, suspirou, cansada, triste, decepcionada, frustrada. Até agora, não havia conhecido ninguém que fosse nada parecido com esse elo, e a sensação que tinha era de que nunca o encontraria.
Mas não perderia as esperanças! Afinal nunca desiste daquilo que quer. E, acima de tudo, não se contentaria com menos. Não se entregaria a uma relação puramente carnal, quando queria amor, ainda mais uma relação carnal com potencial tão grande para tirá-la do controle de sua própria vida.
De uma coisa tinha certeza: ela dissera que sim, mas jamais ligaria para .


Capítulo 5

voltou a Nova York no domingo e as aulas começaram na segunda. Durante toda a semana ela teve que lutar contra sua vontade de ligar para ) e simplesmente deixar as coisas acontecerem, já que durante todo o tempo em que ficou na casa dos pais teve sonhos quentes com ele, nos quais passava o dia todo pensando depois, além de lembrar o tempo toda da noite e do comecinho de tarde que tinham passado juntos, o que só a fazia querer mais.
, por sua vez, esperava ansiosamente aquele prometido telefonema. Queria tanto levar para a cama novamente que não tinha conseguido fazer sexo com nenhuma outra menina durante todo o verão, apesar de muitas terem se insinuado, algumas nada sutilmente.
“Eu não entendo... não somos nós, homens, que não ligamos no dia seguinte? Eu liguei pra ela, cara! Eu pedi pra ela me ligar quando chegasse...” suspirou, frustrado “... nada!”
“Ah, cara, eu não sei... pelo que você contou, vocês dois curtiram. Vai ver que ela até ta a fim, mas acha que você pode não estar mais, que você pode ter ficado com outra menina nas férias e tal... aí, ela fica sem graça de ligar.” respondeu. “Liga você pra ela, cara. Não vai doer.”
“É, você tem razão. Não tem problema eu ligar. Ela... ela não pode não estar a fim... eu... eu vou ligar... agora!”
Se afastando do amigo, procurou o número de na memória e esperou que ela atendesse, andando nervosamente de um lado para o outro, em frente à lanchonete em que ele e o asiático iriam almoçar. , por sua vez, sentiu o coração disparar ao ler o nome de no display do celular. Como se livraria dele? Seria tão mais fácil se ele simplesmente entendesse a falta de contato da parte dela como desinteresse. Seria uma grande mentira, porque ela estava mais do que interessada, cada parte de seu corpo sentia falta dele. Mas seria mais fácil do que ter que dizer não ou enrolá-lo, que era o que ela estava determinada a fazer.
“Alô.”
“Oi... é... ?... , é... é o .”
“Ah! Oi, ... como você tá? Tudo bem? Como foram as férias? Ficou por aqui mesmo?” Estava tagarelando. As coisas não estavam indo bem!
“S-sim, fiquei. Fiquei por aqui mesmo. É... foi tudo bem, foi normal.”
Os dois ficaram em silêncio por um tempo. Ambos se sentiam estranhos. Não era para ela ficar nervosa, tagarelando, se não só queria dispensá-lo e mais nada. Não era para ele ficar tenso, se tudo que ele queria eram mais algumas noites de sexo com ela.
“Eu te liguei porque você ficou de me ligar e... você sabe, você... não ligou”, ele riu de sua própria estupidez. “Não importa. Eu estou te ligando para a gente marcar de se encontrar. Tomar uma cerveja, pegar um cinema... o que você quiser fazer. Você pode esse sábado?”
“Ah, , me desculpe. Eu adoraria, mas não posso. As aulas mal começaram, mas eu já tenho um monte de coisas pra fazer, eu já tô envolvida em vários projetos. Eu... desculpa, não vai dar.”
“Você não pode dia nenhum? Hora nenhuma?” Ele não sabia se ficava chateado ou irritado com aquela resposta que, claramente, era para dispensá-lo, da forma menos indelicada possível, mas, ainda assim, dispensá-lo. E ele não queria, não PODIA ser dispensado por ela. Ele precisava sentir de novo tudo aquilo que tinha sentido na noite em que eles se conheceram.
“Nã-não por agora, . Desculpe, eu estou realmente enrolada”.
Frustrado, ele só respondeu: “Ok. Então, tchau, . Um beijo.”
“Um beijo, . Tchau.”
sentiu orgulho de si mesma, por ter conseguido resistir. Entretanto, sentiu-se mal por , pois ele parecera genuinamente interessado e, consequentemente, verdadeiramente decepcionado. Sentiu-se mal também porque queria, e muito, sentir mais uma vez o seu corpo ser tomado pelo forte clímax que ele tinha provocado nela por três vezes, em menos de doze horas, e que não poderia ser sequer comparado com o prazer sexual que ela tinha experimentado com Tom. Tom sempre fora extremamente carinhoso e atencioso com ela e, por isso, o sexo era bom, gostoso. No entanto, tanto no sexo, como no relacionamento deles, sempre faltara algo. Em termos de sexo, ela, com certeza, havia encontrado esse algo quando a tinha tocado e penetrado.
se sentiu muito mal. Em primeiro lugar, não estava acostumado com esse tipo de rejeição porque sempre foram as meninas que estiveram mais interessadas nele do que ele nelas. Em segundo, porque ele queria , precisava dela, e não sabia o que fazer. Provavelmente, teria que aceitar que ela era como um ímã para ele, mas que ele não despertava a mesma sensação na garota.
contou a como tinha agido e o companheiro de banda disse que ele deveria esquecer e partir para outra, afinal o que não faltavam eram universitárias gatas e muito gostosas querendo passar um tempo com o ex quarterback. O amigo nunca entenderia o que estava sentindo, então, ele preferiu concordar a tentar explicar alguma coisa.
Mais de um mês se passou e tanto quanto ainda se pegavam pensando um no outro de vez em quando. As lembranças eram mais fortes quando ele tentava ficar com uma garota e no final achava tudo um tanto quanto sem graça. Tentava dar o seu máximo, mas as sensações físicas que tinha não tinham metade da força que havia experimentado com aquela menina baixinha e difícil. As lembranças eram mais vivas quando ela ensaiava uma cena mais ousada, quando um de seus colegas de curso a pegava em cena, e era fácil demais ver a diferença entre o toque falso de cada um deles e a pegada cheia de desejo daquele estudante de música que mais parecia um artista de cinema.
agora trabalhava na montagem de West Side Story, que sua turma iria ensaiar ao longo dos próximos meses e depois, encenar por mais alguns meses no teatro da universidade. Seria uma montagem universitária, mas bastante próxima das montagens tradicionais, inclusive, com orquestra ao vivo e cobrança de ingressos, ainda que com preços muito mais acessíveis que os da Broadway e até das produções off-Broadway. iria representar Maria, contracenando com alguns de seus melhores amigos, como John, no papel de Tony, e Mischa, no papel de Anita, e também iria dividir a direção com Tony, que teve seu nome escolhido pelos pais em razão do personagem, mas entendeu que seu namorado era a melhor escolha para aquela adaptação do musical.
, esse é o Charlie. Ele vai fazer a direção musical, se você não se opuser. Ele tem experiência, já trabalhou com isso antes, já dirigiu musicais aqui junto com o Prof. Sandler.”
“Claro! Não teria porque fazer nenhuma objeção. Eu confio nas suas escolhas, Sr. Anthony O’Brian.” Tony revirou os olhos, mas não falou nada. Já estava acostumado com aquela brincadeira que , Mischa e tinham começado a fazer logo que ele e John foram morar juntos, usando o sobrenome de seu companheiro como se fosse também dele. “É um prazer, Charlie.”
“O prazer é meu, .” O músico disse, apertando a mão da estudante. “Eu queria falar sobre a orquestra...”
“Tony, será que vocês dois podem resolver isso sem mim? Eu preciso encontrar . Ela quer me apresentar o figurinista...”
“Não há problemas, babe. Um beijo meu para aquela fofa!”
, por sua vez, estava entediado. Não estava compondo muito, a banda não se reunia há muito tempo porque só ele e estavam em NY, e os outros estavam estudando espalhados pelos EUA, as aulas da faculdade iam bem, mas eram, em sua maioria, teóricas. Ele queria trabalhar em algum projeto, mas não tinha aparecido nada até aquele momento, por isso ele passava grande parte de suas horas livres na própria Julliard, tocando algum instrumento em uma das muitas salas de estudo, e era exatamente isso que ele estava fazendo naquele momento.
“E aí, ?” Perguntou Roy, o melhor amigo que ele tinha feito em NY.
“E aí, cara?” Respondeu , dando um abraço no rapaz irlandês.
“Tudo bem. E vai ficar melhor ainda!”
“Por que o entusiasmo?”
“Você sabe que o professor Reagan é maestro, não sabe?”, vendo assentir com a cabeça, ele continuou “Ele está montando uma orquestra, preferencialmente com alunos daqui... haverá testes, mas ele disse que dará preferência pra gente... é uma orquestra para um musical, desses da Broadway, que vai ser montado pelos alunos da Tisch. Eu vou lá amanhã fazer o teste, cara. Você não ta a fim?”
“É claro, cara. Que horas?”
não conseguiu prestar tanta atenção ao restante das palavras de Roy, porque sua cabeça estava a mil. O projeto era tudo que ele queria e de que precisava: trabalhar tocando e convivendo com um dos músicos que mais admirava e em que mais se inspirava, que era o maestro Reagan. Seria realizar um de seus muitos sonhos.
Além disso, iria trabalhar na Tisch school of the arts e talvez isso fosse uma oportunidade para encontrar por acaso. Quem sabe ela não estava mesmo ocupada naquela época e agora eles poderiam sair? Ele tinha pensado muito e não havia chance de ela não estar interessada! Ele sabia que ela também tinha sentido muito prazer com ele: o jeito como ela respirava, se contorcia, virava os olhos, tremia, o jeito como as mãos dela agarravam com força a pele dele. Ela não estava fingindo... Estava?
Só este pensamento já foi suficiente para sentir tesão, sentir seu membro duro, a pressão de suas calças sobre ele, mas afastou o pensamento a fim de se recompor e voltou a conversar com Roy. Por hora, iria se concentrar apenas em ser aceito na orquestra de Reagan.



Capítulo 6

tinha feito testes para tocar vários instrumentos da orquestra e também para a banda que tocaria junto a ela, a pedido do próprio maestro que já o conhecia, sabia que ele tocava muitos deles, e queria garantir que o teria na melhor posição possível. O rapaz acabou sendo contratado para bateria e percussão, que era justamente o que ele mais queria. A bateria sempre foi a sua maior paixão, era o espaço que ele ocupava em sua própria banda e, por isso, também era o instrumento do qual tinha maior domínio. Havia um lado ruim porque o desafio era menor, mas o lado bom seria impressionar cada vez mais seu maestro.
Nas três primeiras vezes em que visitou a Tisch, teve que ir direto para o teatro porque já estava em cima da hora, e também saiu direto do teatro para casa porque estava acompanhado de Roy e alguns outros componentes da banda e da orquestra que também estudavam com ele em Julliard. Nas outras quatro vezes em que foi ensaiar, conseguiu dar algumas voltas por corredores da universidade, mas não teve a sorte de encontrar . Temendo estar ficando obcecado pela garota, esteve mais duas vezes no local e oportunidade para ficar quanto tempo quisesse, mas não a usou. Disse a si mesmo que era melhor esquecer. Tudo aquilo tinha sido um maravilhoso sonho pornográfico ou talvez todo homem tenha esse momento de êxtase na vida, mas ele não possa se repetir, para o seu próprio bem, por ser intenso demais.
, por sua vez, divertia-se com os amigos, ensaiava com eles, tomava todas as providências para que a montagem fosse um sucesso e, se enterrando assim no trabalho, esquecia tanto de sua busca pelo elo perfeito, quanto de seu ex-colega de colégio, esquecimento este que se tornara ainda mais necessário quando encontrou uma foto do rapaz em um dos anuários que achou, por acaso, durante uma arrumação de seu quarto. Vestido com a jaqueta do time de futebol, ele posava junto a outros quatro jogadores e três líderes de torcida, em uma foto que mostrava quão entrosados eles estavam uns com os outros, enquanto aparecia no anuário com os nerds do jornal da escola, sendo que nem com eles ela trocava uma palavra que não fosse sobre a publicação. Estava claro que era o popular e ela não era ninguém. Eles não poderiam ser mais opostos!
“A banda e a orquestra já estão ensaiadas no seu tom... eu acho que o ideal é começar por A Boy Like that, já que a Mischa já chegou também. O John vai demorar um pouco...”
“Ok.” respondeu ao amigo Tony no camarim que dividia com Mischa, e mais uma menina do elenco, continuando seus exercícios de aquecimento vocal.
Tony saiu, gritando que a esperaria no palco e, sem seguida, avisando o mesmo a Mischa, que estava no corredor.
Poucos minutos depois, com um sinal de Tony, Reagan começava a reger a orquestra e depois de alguns acordes, ouvia-se uma bela voz feminina, de tom grave, forte. Após alguns versos, a voz forte dava lugar a uma outra, mais suave, mais delicada, mas não menos poderosa, não menos bela, ao contrário. Era a voz mais bela que já tinha escutado, uma voz de anjo, que tocou que mexeu com ele imediatamente. Além disso, havia alguma outra coisa naquela voz, uma certa familiaridade. Não podia ser... é CLARO que podia ser! Ele era estúpido ou o quê? Ele estava na Tisch, pelo amor de Deus! E ela era estudante de arte dramática... Era tão óbvio!
Não sabendo sequer como, conseguiu manter-se calmo e concentrado em seu trabalho. Foram ensaiadas aquela e várias outras músicas, muitas e muitas vezes cada uma. Os diretores e atores, pelo que ele escutava daquilo que eles falavam, posicionado no espaço abaixo do palco, eram bastante exigentes quanto à performance de todos. Quando ouviu falar, ele teve certeza de que era ela quem estava ali e não sabia direito o que pensar. Trabalharia perto dela nos próximos meses e não tinha certeza se isso era bom ou mau. Conviver com ela poderia ser uma segunda chance. Ser rejeitado por ela, mais uma vez, poderia ser sua perdição.
esperou o ensaio acabar e procurou por , perguntando por ela a todos que estavam por ali nos bastidores do teatro, e a encontrou, enfim, conversando com um rapaz em um dos corredores que davam para alguns camarins.
“Você é terrível, John. Eu não quero que você marque nenhum encontro meu com ele... eu falo sério!”
, ia te fazer tão bem! Há quanto tempo você não sai com ninguém?”
Percebendo que tinha sido notado pelo outro cara e que escutar mais poderia criar uma situação ainda mais embaraçosa quando ele se revelasse, escolheu esse momento para chamar o nome de .
?”, ela responder após virar-se e vê-lo, definitivamente surpresa.
Ele foi até ela e os dois se cumprimentaram com “oi” e um abraço, dado com certa hesitação por ambos.
“Em estou tocando na banda... a banda da sua peça. Aliás, eu ouvi você. Sua voz... é... linda... sua voz é linda!”
“Obrigada, .” Ela fez uma breve pausa, pois se sentia estranha assim tão próxima a ela, mas entendeu que era ela quem deveria falar. Ele a elogiara, ela não poderia deixar de comentar sua presença na banda. “Que bom que você está na banda. E que coincidência louca, não? Você ta gostando do trabalho?” ele tinha o dom de fazê-la tagarelar.
“Estou gostando bastante. O maestro... ele é meu professor. Um dos melhores... quem eu quero enganar? Ele é CARA, ! Tudo que eu sempre quis foi trabalhar com ele, ele tem tanto pra ensinar, eu posso ir tão longe...” Ele estava realmente animado agora e já não havia nenhum desconforto entre eles. Ela não podia deixar de sorrir, enquanto ele continuou a falar sobre Reagan, a experiência que ele estava tendo e como isso tudo fazia bem pra ele.
A partir desse dia, e começaram a conviver no teatro. Sempre se cumprimentavam e algumas vezes conversavam sobre alguma coisa relativa à peça ou sobre alguma outra coisa relacionada à música. Ele decidiu que não tentaria chamá-la para sair ainda, até porque nesse momento a desculpa de estar ocupada seria ainda mais fácil de ser utilizada. Mais ou menos quinze dias se passaram, até que um dia surpreendeu , indo procurá-lo na sala onde os músicos ficavam reunidos antes de tomar suas posições.
“Oi, . Você tem uns minutinhos pra mim?”
“Claro, . Pode falar, ele disse, levantando-se da cadeira onde estava sentado e aproximando-se dela, mas mantendo uma distância segura suficiente para controlar a vontade permanente que tinha de beijá-la.
“Eu tenho trabalhado em uma música... eu tenho a letra completa, mas a melodia... essa melodia simplesmente não sai e isso está me deixando louca!” Ela riu de si mesma, mas retomando o tom sério, acrescentou “Não que eu vá gravar isso agora ou coisa do tipo, mas eu tenho essa... essa necessidade de que as coisas estejam sob controle e... ai, , desculpa, eu sei que isso é completamente insano!”
“Calma, . Eu entendo. Quando eu não consigo terminar uma melodia ou um letra por muito tempo, eu também meio que piro!” Ele riu e ela sorriu por ele estar sendo tão... doce. “Ou, no mínimo, eu fico bem irritado. O que você quer que eu faça pra te ajudar?”
“Eu queria que você levasse com você a partitura... e a letra... que você tocasse, visse se faz sentido pra você o que eu fiz até agora... se tem alguma coisa errada e é por isso que eu não saio do lugar... qualquer ajuda é bem vinda! Pensei em você porque você vai ser músico de verdade, eu sou totalmente amadora, eu brinco...”
“Eu ainda não decidi se essa súbita modéstia cai bem em você, senhorita, mas eu vou ajudar!”
Ela agradeceu com o maior sorriso que ele já tinha visto no rosto dela e com um abraço que, dessa vez, foi um verdadeiro abraço entre amigos, sem nenhum constrangimento. Ele pegou o material e eles se despediram, pois ele iria tocar e ela cantar, nas próximas horas.
gostava de ser amigo dela, conversar, poder dar a opinião dele sobre o trabalho dela, comentar sobre os artistas que os dois amavam e que, surpreendentemente, descobriram ser muitos, ensinar algumas coisas sobre teoria musical e aprender sobre teatro. Mas havia uma parte dele que continuava tendo que fazer uma força hercúlea para não agarrá-la, beijá-la, arrancar suas roupas e tocar cada parte de seu corpo, antes de penetrá-la, com força, até os dois gozarem de novo um nos braços do outro.
Afastando esses pensamentos, que só faziam sua calça apertar dolorosamente, ele juntou-se aos companheiros para mais um ensaio. Mais tarde ele resolveria isso, de um modo ou de outro.



Capítulo 7

Mais tarde, resolveria o problema de um jeito ou de outro. De fato, ele resolveu o problema de sua dolorosa ereção, fazendo sexo casual com uma colega de faculdade que sempre dera mole para ele, mas, mais uma vez, não sentiu nada de especial. Não o entendam mal, por favor; em primeiro lugar, não queria nada com ele, não tinha dado qualquer abertura para que ele a chamasse para sair, todos os seus assuntos envolviam trabalho e música; em segundo lugar, não é que ele estivesse apaixonado por ela para dispensar outras garotas. Ainda assim, ele dispensaria todas, todas sem exceção, mesmo que elas quisessem fazer sexo com ele juntas (e olha que o ménage é uma das fantasias de todo os homens que ele conhece!), se a primeira e única Srta. quisesse dividir uma cama com ele de novo... ou um sofá, ou um carro, ou uma mesa...
tinha que parar de ter esses pensamentos ou ele ia enlouquecer de vez. Ele tinha acabado de deixar a garota com quem ficara em casa e já estava todo excitado de novo, imaginando todos os lugares em que ele poderia transar com , todas as posições em que ele queria tê-la. Isso ainda iria matá-lo!
Ao chegar a seu quarto, fez a única coisa que poderia para se distrair: pegou seu violão e o material que havia entregue a ele e começou a tentar encontrar uma forma de ajudar aquela canção a ficar pronta.
Não tão longe dali, pensamentos não muito diferentes dos de atormentavam . O cheiro dele havia ficado nela depois do abraço dos dois, e ela se pegara cheirando sua roupa, antes de colocá-la para lavar, sendo invadida por imagens dela tirando a roupa na frente dele ou mesmo com a ajuda dele. Dos dois nus de novo, dele encostando o corpo dela contra a parede, dos dois tomando banhos juntos. Era um inferno ficar pensando aquilo tudo, ela tinha prometido a si mesma que não se masturbaria novamente pensando nele, mas não estava mais aguentando, precisava de algum alívio.
Decidiu, então, telefonar para o tal amigo de John que estava doido por ela, um ator, já formado na Tisch, cinco anos mais velho, moreno, 1,95 de altura, olhos verdes, charmoso. Pela segunda vez, ela iria fazer sexo no primeiro encontro, só para provar para si mesma que tudo que ela tinha sentido com tinha sido justamente graças a essa adrenalina de primeiro encontro, que é normal sentir isso quando se está com um homem alto, forte, bonito, gostoso, atencioso, interessado em você. Que ela só não tinha sentido nada daquilo antes porque quando transara com Tom era uma menina e Tom também era pouco experiente, coisa que certamente não era.
Algumas horas depois, voltava para o quarto que dividia com arrasada. Não que o encontro tivesse sido ruim: o amigo de John era atencioso, interessante, estava totalmente na dela, tinha feito de tudo para dar prazer a ela antes de alcançar o seu próprio e, eventualmente, até tinha feito com que ela gozasse. Mas com tinha sido simplesmente tão... fácil, tão... natural. Eles não tinham precisado fazer esforço algum para sentir a onda de prazer chegar e tomar conta dos corpos deles. A intensidade do orgasmo com Paul também não tinha sido sequer próxima a de nenhum dos três que ela tivera em sua própria cama.
Aquela experiência tinha servido apenas para demonstrar que o que ela sentira com tinha sido algo muito, muito, muito intenso, que ela só podia torcer... E rezar!... Para, aos poucos, esquecer, a fim de que sua vida voltasse ao normal, suas sensações voltassem ao controle. E, esta noite, tudo o que restava a ela era torcer para conseguir dormir, o que aconteceu apenas algumas horas depois, tornando difícil o despertar no dia seguinte.
Três dias depois, em uma sexta-feira, esperou o ensaio terminar e foi procurar nos camarins. Ele soube que ela estava no camarim que dividia com as meninas e bateu na porta, recebendo uma ordem para que entrasse como resposta, e a encontrou fazendo algumas anotações.
“Oi, . Não quero te atrapalhar. Eu queria falar da sua música, se você estiver terminando aí, mas não quero atrapalhar, não.”
“Você não atrapalha, . Eu só fazia algumas anotações sobre o ensaio de hoje. Estamos na reta final e eu tenho esse hábito de manter... uma espécie de diário, eu acho”. Os dois sorriram um para o outro. “Sobre a minha música, é?... Senta aqui!” Ela falou, entusiasmada, batendo no espaço ao seu lado no sofá.
Ele sentou ao lado dela, oferecendo os papéis que estavam em suas mãos para que ela olhasse. Ela se desfez dos papéis que segurava, colocando-os em uma mesa no canto do sofá e pegou os que ele trouxera. Ele começou, então, a explicar coisas sobre a melodia, o que ele imaginava que ela poderia fazer. Apresentou mais de uma opção, e se ofereceu para tocar as opções para ela no violão, se ela preferisse. Elogiou a letra da música, a profundidade dos sentimentos ali expostos e teve vontade de fazer perguntas, mas achou que seria impróprio e se conteve. Ela agradeceu todos os elogios e todo o esforço dele em ajudá-la, disse que gostaria que ele tocasse para ela, sim, pois seria bom ter um verdadeiro músico dando vida àquela melodia. Afirmou que cantaria enquanto ele tocasse.
Enquanto conversavam, os dois não perceberam o quanto foram se tornando fisicamente próximos e quando ficaram em silêncio, um podia ouvir e sentir a respiração do outro, respiração essa que foi ficando cada vez mais pesada. Os olhos de um mergulharam nos do outro, sem se desviar por um segundo e assim permanecendo durante alguns, até pousar uma das mãos no rosto dela e enterrar os dedos da outra naqueles longos cabelos castanhos, puxando-a para si e beijando-a, já pedindo espaço para que sua língua entrasse e não encontrando qualquer impedimento da parte dela.
por sua vez não tardou em colocar as mãos no pescoço dele primeiro, depois descendo para os ombros e apertando-o mais contra si. Querendo diminuir o espaço entre eles o máximo que pudesse, ela largou os papéis que segurava e subiu no colo dele, colocando uma perna de cada lado. As mãos dele, então, começaram a percorrer o corpo dela, apertaram a cintura, deslizaram pelas costas, pelos quadris, pelas coxas, ficando assim por um tempo, enquanto os beijos só paravam por segundos suficientes para que se mantivessem respirando.
Não demorou também para que ela chegasse seu quadril para frente, a fim de sentir a ereção dele e, sentindo-a, iniciasse uma fricção deliciosa entre suas intimidades, arrancando gemidos dele e retribuindo à altura. afastou-se dela o suficiente para colocar sua mão entre os dois e tocar aqueles perfeitos seios dos quais sentira tanta falta. Então, ela parou de beijá-lo, olhou nos olhos dele, não escondendo o prazer que estava sentindo com seu toque, e o surpreendeu, abrindo os botões da blusa que usava, sem qualquer sutiã por baixo, para a total satisfação do rapaz. Ele tocou seus mamilos, fazendo com que um arrepio percorresse todo o corpo dela e ela se curvasse, o que fez com que ele sorrisse, maliciosa e orgulhosamente.
Eles voltaram aos beijos e a fricção lá embaixo voltou, com mais pressão da parte de ambos, até que não aguentou mais, parou de beijar a boca de , e traçou um caminho de beijos até sua orelha, mordendo-a e sussurrando.
“Eu quero você dentro de mim, ... eu quero você, aqui e agora”.
Tendo dito isso, ela se afastou e o ajudou a abrir a calça e abaixá-la, juntamente com a boxer preta que ele estava usando. Enquanto ela puxava a roupa dele, ele esticava a calcinha dela para o lado e a tocava.
“Você tá tão molhada, ...” ele falou e tirou os dedos da intimidade dela, chupando-os “... e o seu gosto é bom demais!”
“Me diz que você tem camisinha, .” Ela falou, preocupada com a possibilidade de ver aquele momento ir por água abaixo.
Ele acenou positivamente, tentando encontrar sua carteira no bolso de trás da calça, o que não foi muito fácil, mas ele conseguiu fazer, depois de algum tempo. Então, ela pegou a camisinha da mão dele, colocou uma de suas mãos em volta do membro dele, masturbando-o por alguns segundos, depois deslizou o preservativo nele e se posicionou para que ele a penetrasse.
ainda provocou-a um pouco, friccionando a ponta de seu membro no clitóris dela e próximo a entrada da vagina, até que os dois, já gemendo e ofegantes, uniram seus corpos em um só. Os dois se movimentaram em um mesmo ritmo, comandado por ela, que foi se acelerando, acelerando, até que os dois atingiram praticamente juntos o orgasmo, uma vez que ele só estava esperando por ela.
Os dois ficaram parados um tempo, se recuperando, até que ela saiu do colo dele e sentou ao seu lado no sofá. Os dois não tiravam os olhos um do outro e, assim que a respiração dele atingiu um ritmo mais próximo do normal, ele beijou os lábios dela.
“Eu quero mais, . Eu quero TANTO você que eu nem sei explicar... Passa a noite comigo?”
E por razões que ela também não sabia explicar, disse sim.



Capítulo 8

Enquanto esperava arrumar suas coisas para irem embora dali juntos, decidiu que os dois teriam uma noite especial. Ele já tinha recebido o primeiro pagamento pelo trabalho no musical e não havia nada em particular com o que quisesse gastar, então, nada melhor do que usá-lo para passar a melhor noite possível, com aquela garota incrível, que o fazia sentir-se, ao mesmo tempo, poderoso como um super-herói (o Superman do Sexo) e vulnerável como um garotinho, que os adultos pegam pela mão e levam para onde querem (ela, definitivamente, poderia levá-lo a qualquer lugar e ele iria, sorrindo).
Eles saíram do teatro lado a lado, ambos em dúvida se deveriam ou não andar de mãos dadas, acabaram esperando que o outro tomasse a iniciativa e, então, não se tocaram até conseguirem um táxi e embarcarem nele. deu ao motorista um endereço que não conhecia e, questionado por ela, esclareceu que se tratava de um hotel.
“Eu quero passar a noite com você. Eu tenho esperado por isso, sabia?” Ele disse bem baixinho no ouvido dela, em seguida beijando-a atrás da orelha e no pescoço, de um jeito bem suave, algumas vezes, o que a fez fechar os olhos e respirar fundo. Voltando a olhar para o rosto dela e a falar em um tom normal, ele explicou “Eu acho que a gente merece um ambiente legal, confortável, silencioso... sem interrupções. Eu não quero ter hora pra liberar o quarto porque o ou a precisam entrar pra pegar alguma coisa... Amanhã é sábado, eu não tenho nenhum compromisso. Você tem?”
Ela acenou que não com a cabeça e ele deu um sorriso encantador, que, ela poderia jurar, se não fosse mais esperta do que isso, estava reservado só para ela. O sorriso foi seguido por ele se inclinando para ela, colocando uma de suas mãos no rosto dela e beijando-a, enquanto a outra mão pousava em sua coxa nua, que ele apertou levemente quando o beijo se tornou mais apressado, mais sensual.
Os dois se separaram não muito tempo depois, porque ambos sabiam como as coisas evoluíam entre eles e nenhum dos dois queria fazer nada mais ousado dentro do táxi.
“Esse lugar... óbvio que não é nenhum hotel cinco estrelas e tal... mas eu acho que você vai gostar. É um ambiente legal, é onde meus pais e meu irmão ficam quando eles vêm à NY.”
“Eu tenho certeza que sim, .”
iniciou um assunto qualquer sobre os ensaios, a fim de conseguir manter suas mãos e boca longe de sua acompanhante, até que chegassem a seu destino, o que, felizmente, não demorou mais que cinco minutos. O rapaz pagou o táxi, ambos entraram no hotel, ele solicitou um quarto, eles subiram de elevador, com ela comentando a beleza do lugar, que passaria facilmente por um cinco estrelas, caminharam no corredor, em silêncio, até a porta do quarto e, assim que ficaram definitivamente sozinhos, atacaram um ao outro com beijos, enquanto ele a levantava contra a parede e apertava o corpo contra o dela, que reagiu colocando as pernas em volta dele.
Em meio aos beijos e carícias, falava do quanto ela era linda... e sexy... e gostosa... do quando ele a queria... de como ela o deixava maluco. Ainda ali perto da porta, os dois começaram a se livrar das roupas. Quando alcançaram a cama, já estavam completamente nus e, dessa vez, não esperou que ela dissesse nada, pois sua respiração e gemidos, e o jeito como ela mordia o lábio inferior e olhava nos olhos dele, deram-lhe a certeza de que ela estava pronta.
Então, ele colocou a camisinha que já havia tirado da carteira, antes de descartá-la em algum lugar do chão, junto com as roupas de ambos, enterrou-se nela o mais fundo que pode e, ouvindo os “ohs” e “ahs” que eram música para seu ouvido, não conseguiu se conter e alcançou imediatamente o ritmo mais acelerado que o levaria rapidamente ao ápice. O orgasmo, como todos os outros que teve dentro dela, foi alucinante, capaz de fazer o mais racional dos homens quase perder a capacidade de raciocinar.
Porém, apenas quase: segundos depois de ter gozado, se deu conta de que não tinha esperado por e do quando isso era rude de sua parte. Ficou extremamente constrangido, não sabia o que fazer, o que dizer, como olhar para ela.
“Meu Deus, , me desculpe... eu... eu perdi o controle. Oh, meu Deus, eu não tenho mais 16 anos, eu não tenho mais esse tipo de problema” ele dizia, agora mais para si mesmo do que para ela. “Eu... desculpe-me, eu não sou assim... eu... eu não sou insensível assim, eu queria te esperar, te dar prazer... eu... eu não consegui me controlar... me perdoa, .” Ele terminou, enterrando o rosto nas mãos, envergonhado.
Ela também sentou-se na cama, tirou as mãos dele de seu rosto, procurou os olhos dele e sorriu.
, calma”, ela disse, muito serena. “Não é esse bicho de sete cabeças, ok? Eu não te acho um insensível...” ela riu “e... de certa forma, eu fico até mais... eu acho até excitante saber que eu posso provocar essa reação toda em você.” Agora era ele quem estava sorrindo, olhando nos olhos dela e acariciando a lateral de seu rosto. “E você sempre pode me compensar, sabe?” Ela completou, sorrindo maliciosamente e deitando-se na cama.
Entendendo muito bem o recado, ele tomou sua posição sobre ela, beijando atrás de sua orelha, seu pescoço, o queixo, o espaço entre os seios, toda a extensão do abdômen, parando para colocar a ponta da língua em seu umbigo. Quando chegou perto da intimidade dela, respirava fundo de antecipação, mas foi surpreendida por ele recomeçando a beijá-la, dessa vez nos joelhos e subindo, até chegar à virilha.
“Para de me provocar, pelo amor de Deus, e...” teve seu protesto interrompido quando ele, obediente, chegou ao lugar ao qual ela queria que ele desse atenção. Primeiro, usou os dedos para acariciar toda a sua intimidade, depois enterrou um dos dedos nela, que respondeu com um movimento lento do quadril, o que o incentivou a substituir um dedo por dois e, logo em seguida, usar o polegar para massagear o seu clitóris, bem de leve, até que ela suplicou por mais. O pedido dela fez com que ele aumentasse a pressão de todos os dedos, mas pouco depois ele resolveu que aquilo não era suficiente.
Quando ele parou o que estava fazendo, para mudar de posição, ela levantou a cabeça e olhou para ele com olhar questionador, mas ele logo esclareceu as coisas. “Eu quero provar você, ... não o seu gosto nos meus dedos... você!” Então, ela voltou a deitar-se completamente e se entregou a sensação da língua dele nela, penetrando-a, pressionando seu clitóris, saboreando-a, como se ela fosse a coisa mais gostosa que ele já tinha provado na vida – e era! Ele tinha a sensação de que poderia fazer aquilo por horas, e sempre... de que nunca se cansaria.
Mas tinha se comprometido a compensá-la por seu deslize e era isso que ele iria fazer. Não iria torturá-la mais. Então ele envolveu o clitóris dela em seus lábios e sugou, e sugou, e sugou, cada vez mais forte, até ouvir o volume dos gemidos dela aumentar, e aumentar, e parar, dando lugar somente à sua respiração descontrolada.
Sorrindo, ele se deitou ao lado dela e a observou, enquanto ela, de olhos ainda cerrados, se recuperava de um de seus orgasmos mais intensos. Como ele conseguia fazer isso com ela? Ele era perfeito demais para ser de verdade! Quando ela abriu os olhos, o viu deitado ao seu lado e virou-se, a fim de ficarem de frente um para o outro, olhos nos olhos.
“Viu? Eu tinha certeza que você saberia me compensar”.



Capítulo 9

Depois de sorrir e trocar alguns beijos com , decidiu ligar para o serviço de quarto e pedir alguma coisa para eles comerem. Enquanto ele fazia isso, resolveu tomar um banho, deixando-o tentado a se juntar a ela, o que ele, infelizmente, não pôde fazer porque não sabia quanto tempo seus pedidos demorariam a chegar.
Pouco depois de a garota voltar ao quarto - vestindo um roupão do hotel, secando os cabelos com uma toalha e sentando-se na cama, enquanto ele estava admirando a vista de NY pela janela, os dois escutaram as batidas na porta, anunciando a chegada da comida, tão necessária para a recuperação da energia que tinham gasto no camarim do teatro, e ali mesmo naquele lugar.
havia pedido queijos, frios e frutas, além de uma garrafa de vinho branco bem gelado. Mais tarde, ele ficou grato por ter seguido o conselho de seu irmão, que sempre dizia que o paladar começa a ser incitado pela cor, que as refeições precisam ser coloridas. Esta tinha sido a razão para ele pedir as frutas, o que salvou o dia, uma vez que descobriu que não comia queijos e frios; tinha adotado, há alguns anos, uma dieta vegan.
Eles comeram quase tudo que havia sido entregue, e beberam toda a garrafa de vinho. Ele brincava. Fingia que daria uma fruta para ela, e a comia ele mesmo; outras vezes, colocava-a entre seus próprios lábios e a fazia pegar a fruta ali; em outros momentos, dava a fruta a ela, tocando seus lábios no final, na esperança de que ela os lambesse ou chupasse, mas nessas horas, ela parecia estranhamente tímida - para alguém que acabara de transar com ele, e de, em seguida, gozar em sua boca.
Ela também deu comida na boquinha de , algumas vezes. E ela não comia mais queijos e frios, então ele usou essa desculpa para “limpar” os dedos dela, cada vez que ela lhe oferecia um pedaço de uma daquelas preciosidades. Quando ele o fez pela terceira ou quarta vez, ela soltou um leve gemido, que não passou despercebido por ele, e que foi suficiente para ele avançar para cima dela e iniciar mais um round - o último daquela noite.
No dia seguinte, antes de deixar o hotel, por volta das seis da tarde, ainda transaram algumas vezes - sendo uma delas no chuveiro, depois de ele ter invadido o banho dela (apesar de já ter tomado banho antes, ele não resistiu), levando uma camisinha consigo, por saber bem demais o que queria. Foi a primeira vez em que fizera sexo naquela posição, em que tantas vezes já tinha se imaginado e, como relatado por várias de suas amigas, aquilo era bom demais!
, como um perfeito cavalheiro, deixou na porta da república em que ela morava, antes de seguir para seu próprio lar. A noite de sábado e o domingo foram de total preguiça para ambos, que só ficaram em seus próprios quartos, deitados, ouvindo música, mexendo em seus laptops, assistindo TV. Essas coisas triviais. E, é claro, pensando nas horas deliciosas que tinham passado juntos, sem qualquer arrependimento, mesmo que, da parte dela, permanecesse, ainda, um pouco de medo de uma coisa tão intensa.
Na segunda-feira havia ensaio para ambos, e com certeza absoluta de que iriam se encontrar, nenhum dos dois sabia o que esperar do outro. riu quando encontrou no chão de seu camarim, os papéis que ele tinha entregue a ela, com as sugestões para a melodia de “The Perfect Link”, e que haviam ficado totalmente esquecidos no chão. Ainda bem que ela mesma os havia encontrado, ou haveria milhões de indagações por parte das outras meninas, e somente sabia que ela e tinham dormido juntos. , por sua vez, teve vontade de parar de tocar para poder ver o palco uma vez na vida, ver aquela pequena em ação. Ele sabia que sua voz era grande, mas queria ver se ela tomava conta do palco como ele imaginava. No entanto, era um profissional e permaneceu em sua posição na banda. Ele a veria mais tarde.
E foi o que de fato aconteceu: ele foi procurá-la mais tarde, encontrando-a no camarim, outra vez, já sozinha. Os dois não precisaram dizer nada. Ela somente trancou a porta e os dois se agarraram, deixando os corpos falarem por eles. Era tanto desejo ainda! Nem parecia que eles tinham curtido horas de prazer intenso apenas dois dias antes.
Os dois transaram ali mesmo no camarim, novamente; e não uma, mas duas vezes! Não sentiram medo de ser pegos em flagrantes ou o receio. A adrenalina, talvez, estivesse contribuindo para aumentar ainda mais o prazer. Enquanto se recuperavam, enroscados um no outro no sofá, acabou perguntando, mais por curiosidade, do que por considerar isso importante àquela altura, por que não tinha ligado para ele no início das aulas e não aceitara sair com ele quando ele a convidou.
“Eu não sabia muito bem como agir com você. Era uma experiência nova pra mim. Eu... Eu nunca tinha transado com alguém, que até algumas horas antes, era um completo estranho.”
apenas ouvia , passava os dedos pelos cabelos dela, sentindo o corpo dela contra o dele; o cheiro inebriante do perfume dela, misturado ainda com os hormônios que o corpo dela exalava.
“Eu... Antes de você, ... Eu não... Eu não sou propriamente uma mulher sexualmente experiente, sexualmente ativa e tal. Eu só tinha ficado assim, íntima de alguém, quando eu estava namorando.”
pensou bem em sua frase. Não queria dizer que tinha tido um namorado e transado com apenas um cara antes dele, mas também não queria mentir, então deixou no ar. Usar “quando estava namorando” era a estratégia perfeita. Eles estavam só transando, então ele não precisava saber tanto assim sobre ela. Talvez até o que ela estava falando já fosse muito!
“Isso assustou você... Ter ficado com um desconhecido?”
“É... De certa forma. E também tanta intensidade!” Droga! Talvez fosse melhor, também, não ter dito isso. Se ela não queria ficar vulnerável, certamente não era a melhor tática do mundo dizer que tudo tinha sido tão intenso para ela.
“Não sei se serve de consolo, mas... Também me assusta essa... Intensidade. Eu... Eu posso ser mais experiente que você, já ter transado com garotas no primeiro encontro, mas, sinceramente, foi mais porque elas estavam ali, muito disponíveis. Meus amigos sempre insistindo que eu tinha que viver mais... Nunca foi por eu ter me sentido... Irremediavelmente atraído... Como eu me senti por você naquela noite.”
“Eu mexi tanto assim com você, foi?”, ela perguntou, em tom implicante, na verdade disfarçando o quanto a confissão dele tinha importância para ela.
“Você mexe tanto assim comigo... Mexe! É um desejo que não se satisfaz... Que só aumenta. Por isso ele me tira do controle, e isso me assusta, sim, às vezes, mas é tão bom! É tão bom, ! Pra que eu quero controle?”, ele riu do que disse e ela riu com ele, e só não começaram tudo de novo porque o celular dele tocou. Ken gritava do outro lado da linha, pois já estava esperando por ele há algum tempo. Droga! Ele tinha esquecido completamente.
Durante todo o resto dessa semana e na próxima, eles fizeram sexo todos os dias: mais umas duas vezes no camarim, uma vez no carro dele, estacionado estrategicamente em um canto escuro da garagem da Tisch, algumas vezes no quarto dela, outras no dele.
Eles não se beijavam em público, não andavam de mãos dadas, não dormiam juntos. Eles não estavam namorando, não era um relacionamento. Eles gostavam - na verdade, adoravam - fazer sexo um com o outro, tinham uma química do outro mundo, mas era só isso! Pelo menos eles agiam como se assim fosse.
Na verdade, secretamente, ambos desejavam e tinham esperanças de que pudessem ser mais, mas nenhum deles tinha tido, pelo menos até aquele momento, coragem de dar um passo à frente, de tentar a sorte.
Na sexta-feira da segunda semana, depois de uma tarde inteira de ensaio, os dois foram direto para o quarto dela, uma vez que iria jantar com os pais e dormir por lá. Ela estava pensando até em convidar para passar a noite dessa vez, mas ainda não o tinha feito, mesmo depois do segundo round. Enquanto ela tomava banho, ele pensava em algo que o vinha incomodando há uns dias.
Ele e experimentavam de tudo, faziam sexo em várias posições, provocavam um ao outro de todas as maneiras. Ele já conhecia bastante bem os pontos mais sensíveis dela, e o que deveria fazer para ter cada reação que ele queria (como, por exemplo, quando ele queria que ela falasse o nome dele bem baixinho, ele acariciava um ponto exato atrás da orelha dela com o nariz), e a essa altura, ele também já se sentia encorajado a falar obscenidades para ela durante o sexo. No entanto, ele percebia, algumas vezes, que ela não parecia tão à vontade quanto ele.
já havia pensado que talvez ela não gostasse desse tipo de coisa, mas as reações dela ao que ele falava eram mais do que positivas. Ela somente não tomava iniciativas, parecia tímida. , tímida? Não parecia muito provável, então, ele resolveu que a melhor opção seria conversar, e foi o que ele fez quando ela voltou para o quarto.
, eu queria te perguntar uma coisa... Quero que você seja totalmente sincera, ok?"
“Ok.”
“Você, às vezes, parece pouco à vontade comigo... Mesmo na cama... Parece que você se segura, fica travada... Não faz exatamente tudo que você tem vontade de fazer. Mesmo depois de nós estarmos fazendo isso todo dia há duas semanas!”, ele parou, mas ela estava em silêncio e olhando para as próprias mãos, em seu colo. “Eu queria ter você inteira nisso... Porque, pra mim... Eu me jogo completamente, eu exponho todo o meu desejo por você, todas as reações que você provoca em mim... Tudo. ... Você... Você fica... Tímida?”, ele terminou, levantando o queixo dela, para que ela, enfim, o encarasse.
“Eu... É... Um pouco, . Eu fico um pouco. Como eu te falei outro dia, isso tudo é novo... Muito novo pra mim.”
“Existe alguma chance de você, por acaso, É... Pensar que eu posso te achar... Vulgar?”
“Huuum... Talvez?”
...”, ele falou, um misto de irritação e preocupação por ela pensar uma coisa dessas. “Eu nunca pensaria isso de você. Eu posso ter te conhecido há pouco tempo, mas eu tenho todas as razões do mundo pra ter certeza que você é a chamada ‘moça de família’.”, ambos riram. Ele pegou a mão dela. “Você é amiga da , que nunca teria uma amiga vulgar. Você não tem nenhum comportamento vulgar em público e eu trabalho com você todos os dias, eu te vejo. Você se veste de uma forma sensual, mas romântica ao mesmo tempo... E não se esqueça que eu li a letra de uma das suas músicas. Eu sei que você quer mais do que sexo na sua vida.”
, eu não que...”
“Espera”, agora que ele tinha começado, ele iria em frente, então, ele pousou um dedo nos lábios dela, a fim de interrompê-la. “Na verdade, há alguns dias, eu já venho pensando... Eu adoro... Você sabe o quanto eu adoro transar com você... Mas eu acho que a gente deveria fazer outras coisas também. Se você aceitar, eu quero sair com você... Cinema, teatro, um jantar... O que você me diz?”
Ela foi pega de surpresa, mas era, definitivamente, uma boa surpresa.
“Eu... Claro! Vamos sair... Eu acho que vai ser legal a gente sair. Vamos, sim.”
“Então está combinado, Srta. . Amanhã, oito horas da noite, eu vou passar aqui e te pegar. Vá muito bem vestida, senhorita. Isso é um encontro!”


Capítulo 10

pegou de táxi em frente à república porque pretendia tomar um vinho e não queria se preocupar com direção. Ficou maravilhado ao ver que ela estava especialmente linda naquela noite e não deixou de dizer isso a ela, enquanto abria a porta para que ela entrasse no veículo - como um perfeito cavalheiro. Ele entrou em seguida, fazendo um carinho no rosto dela, beijando-a de um jeito doce, um jeito diferente dos beijos que ela estava acostumada a receber dele, sempre tão cheios de um urgente desejo. Os dois sorriram.
“Aonde vamos?”
“É surpresa. Já, já, você vai saber e eu acho que não vou decepcionar. Na verdade, eu devo confessar que não foi uma escolha fácil e eu acabei pegando umas dicas com Ken.”
“Ken é o seu irmão?”
“Sim, meu irmão... Na verdade, ele é filho do primeiro casamento do meu padrasto. Minha mãe e o George se casaram quando tínhamos dezesseis anos. A gente já se conhecia da escola, mas não éramos amigos. Na verdade, ele não gostava nem um pouco de mim, porque eu tinha amigos que... Bem, você sabe, às vezes algumas pessoas acham que têm que fazer coisas estúpidas com outras para serem populares, posarem de superiores, para se sentirem bem... Então alguns amigos meus infernizaram a vida dele por um tempo, por ele ser homossexual.”
“Hm... Chato.”
“É, muito... E então, para o Ken, a gente ter ido morar na mesma casa, ter que conviver e tal, não pareceu uma boa ideia no início. Mas ele logo viu que, na realidade, não tinha motivos para se preocupar. Ao contrário: depois que a gente se aproximou, eu não deixei fazerem mais nada com ele. Eu não era de me meter, de modo geral, mas era o meu irmão! E família é uma coisa sagrada pra mim.”
estava mostrando um lado definitivamente novo para . Um lado que, sem sombra de dúvida, ela queria conhecer mais e o fazia ainda mais irresistível a seus olhos.
“Acho que me lembro de Ken... Acho que ele estava em um coral que a gente tentou montar no primeiro ano, mas não durou mais do que uma semana...”
“Novas Direções, com o Sommer, professor de espanhol... Eu sei. Eu até lamento só ter me aproximado do Ken no segundo ano. Talvez eu pudesse ter ajudado... O pessoal da banda pudesse ter entrado pro coral... Não sei, né?”
“E ele agora está fazendo o quê?”
“Ele estuda Moda na Califórnia. Mas ele vive vindo pra cá, porque o namorado dele estuda aqui... A gente sempre se vê...”
Nesse momento, eles chegaram ao local que tinha escolhido para o primeiro encontro deles.
“Aqui? Jura? Nossa, seu irmão é bom mesmo!” Os dois riram.
Dessa vez, não teve dúvidas em pegar a mão dela e caminhar assim, de mãos dadas, - com aquela morena encantadora com quem ele teria orgulho de ser visto -, em direção ao restaurante e à mesa que ele havia reservado. A mão dela era tão pequenininha na dele, tão macia, tão perfeita. Se pudesse, ele nunca a deixaria ir.
“Então... Sardi’s? O que tem de especial nesse lugar, afinal? Porque é certo que, acertar, o Ken acertou. Você tá com cara de criança que ganhou brinquedo novo”, os dois riram, sentados um de frente para o outro, em uma mesa muito bem localizada do famoso restaurante.
“É verdade. Eu simplesmente amo esse lugar, . Eu venho sempre que posso. O seu irmão estuda Moda, mas certamente deve conhecer muita gente de Teatro e deve saber o quanto esse lugar nos inspira. Quando eu estou desanimando, pensando em desistir, achando tudo muito complicado, difícil... Se posso, eu venho aqui. Eu olho para essas caricaturas na parede e pronto! Eu me lembro de onde eu quero estar, aonde eu quero chegar.”
“É muito legal ver como você sonha grande, !”
“Ah, , mas pelo que eu vejo você também tem seus sonhos. Você queria trabalhar com o Reagan pra poder aprender com ele, você parece trabalhar duro pra ser um grande músico, assim como eu trabalho pra chegar à Broadway.”
“Eu tenho sonhos... Objetivos, sonhos. Eu quero viver de música, aprender cada vez mais. Emocionar as pessoas. Só que eu nunca pensei numa caricatura minha num dos restaurantes mais conhecidos de NY, ao lado de artistas conhecidos até internacionalmente... Isso é... Graaaaande!!” eles riram juntos e ele pegou a mão dela.
“É muito bom estar aqui pela primeira vez, estando com você, .”
“Pra mim também é muito bom estar aqui com você, ”, os dois se olharam de um jeito novo.
O jantar foi maravilhoso. Os dois ficaram sabendo bem mais da vida um do outro, dos sonhos, das expectativas, dos obstáculos que cada um já tinha encontrado pelo caminho, dos amigos, da família. Depois do jantar, ele a convidou para “esticar” a noite tomando mais um vinho em um piano bar ali perto, e o assunto continuou por horas. Quando finalmente os dois resolveram que era hora de ir para “casa”, já estava quase amanhecendo e já não havia praticamente nada que um não soubesse sobre o outro.
informou a que tinha ido dormir com no quarto das duas e que ela, portanto, iria dormir com ele. Ela fingiu protestar, disse que ele não podia decidir as coisas assim, sem falar com ela. Porém, no fundo, ela estava mais do que feliz em passar ainda mais tempo com ele e em, finalmente, ficarem sozinhos e poder fazer coisas que ela já estava com vontade de fazer havia algumas horas, mas não eram nada próprias para um piano bar.
Essa noite, o sexo entre eles foi algo diferente, o que não passou despercebido por nenhum dos dois, mas também não foi mencionado por qualquer um deles. Continuava havendo o mesmo desejo, o mesmo tesão. Mas, dessa vez, havia mais carinho, mais entrega. E estava completamente à vontade, livre de quaisquer inseguranças e pudores que pudesse ter antes. Depois de duas rodadas, os dois adormeceram e, no dia seguinte, já no começo da tarde, abriu os olhos para uma das imagens que mais lhe trouxera prazer até aquele momento na vida.
trazia uma bandeja repleta de frutas, suco, leite de soja, café, tofu, cereais e com um pequeno vasinho no meio com uma orquídea. Era o gesto mais romântico que alguém já tinha feito para ela. Tudo bem, ela ainda não tinha tido grandes oportunidades de receber café da manhã na cama de nenhum outro rapaz, mas, ainda assim, ela estava encantada. Além de trazer o café, dava para ver que ele tinha pensado nos detalhes, tinha prestado atenção no que comprara; era um café para , para uma mulher vegana. E para completar, melhor do que tudo aquilo, havia o sorriso dele, aquele rosto lindo, aquelas covinhas perfeitas. O que mais ela podia querer?
Se ela podia ou não ela não sabia, mas, incrivelmente, ainda haveria mais. Haveria uma tarde inteirinha juntos, abraçadinhos na cama, ouvindo música, assistindo “Across the Universe”, depois da revelação de que os Beatles eram uma das - surpreendentemente muitas - paixões que eles tinham em comum, trocando carinhos que evoluíram, eventualmente, para dois rounds de sexo, conversando e rindo muito das histórias um do outro e até de histórias do colégio St. Paul’s de que os dois se lembraram juntos.
No final do dia, levou para a república onde ela morava e se despediram, ambos carregando consigo um mesmo sentimento composto de sensações opostas: o encontro tinha sido simplesmente perfeito e o encontro tinha acabado de deixar de ser perfeito porque tinha chegado ao fim.

Mas aquele seria apenas o primeiro de muitos encontros.


Capítulo 11

Desde o momento em que se encontraram na segunda-feira, a atitude dos dois para com o outro mudou em relação às duas últimas semanas anteriores. Eles passaram a se cumprimentar de forma mais íntima, com, no mínimo, abraço e beijo no rosto demorado, se havia muita gente em volta, ou carinhos e selinhos, se as pessoas que estavam em volta eram poucas e mais próximas dos dois, como John, Tony, , Roy e os outros colegas de da Julliard. Também andavam de mãos dadas quando iam fazer um lanche juntos no intervalo dos ensaios ou quando se encaminhavam para o carro dele, que passou a levá-la para casa todos os dias, mesmo quando não havia tempo para ficarem juntos, em razão de algum compromisso.
descobriu que na sexta-feira o ensaio terminaria mais cedo e imediatamente mandou uma mensagem para . “Amanhã você é minha depois do ensaio. Até o dia seguinte. Não marque nada!”
O telefone dele vibrou pouco tempo depois. “Aonde vamos?”
“Segredo, mas se quer saber o que vestir, será algo no mesmo estilo de sábado”. tinha lido seu pensamento. Ela não se importava nem um pouco com o lugar, contanto que estivesse com ele, mas não queria fazer feio quanto ao modelito.
“Nós vamos a um lugar diferente hoje, nada convencional.” Disse , após beijar demoradamente já dentro do carro dele, antes de dar a partida.
“Como assim diferente, ? Veja lá o que você vai aprontar comigo!”
“Relaxa, babe! Não é nada perigoso, ilegal ou imoral... Eu não sei se você vai achar legal ou não, mas preocupada você não precisa ficar. E, se você não achar uma boa ideia, a gente sempre pode ir embora e escolher outro lugar, ok?”
concordou e deu partida no carro, enquanto ela ligava o rádio e escolhia uma pasta do iPod conectado a ele, para deixar tocando, conforme ele havia dito para ela fazer. Durante todo o caminho eles foram conversando e ela rindo muito dele, que contava as aventuras amorosas do atrapalhado Roy. A última tinha acontecido naquela mesma semana, quando ele ficou com uma menina que estava convencida de que ele era um Leprechaun e saiu do encontro correndo ao descobrir que não.
Pouco tempo depois, o casal entrava em um bar, mas era realmente algo diferente. Não era um bar convencional, do tipo que pessoas da idade deles frequentam. Era um bar em estilo antigo e com música antiga e romântica, do tipo que as pessoas dançam juntinho. E não era somente isso: havia, de fato, casais dançando agarradinhos, ao ritmo daquela música tão convidativa.
olhava , apreensivo, mas logo ele relaxou, porque ela abriu um daqueles seus sorrisos largos.
, que lugar incrível. Você é sempre tão cheio de surpresas! Quem poderia imaginar que você conheceria e gostaria de um lugar assim?”
, na verdade, não conhecia o lugar, mas conhecia os músicos, que sempre comentavam sobre o local. Ele realmente nunca tinha imaginado frequentar o bar, não porque não gostasse do tipo de música, mas porque não era bom dançarino e também nunca tinha saído com nenhuma garota que ele achasse que poderia curtir tal programa. Ele tinha ficado temeroso em relação à possibilidade de não gostar de sua escolha, mas isso, na verdade, tinha sido só um sentimento normal, que ele teria independentemente do lugar, porque era importante para ele agradá-la, fazê-la feliz. No fundo, ele achava que era o lugar perfeito para os dois terem seu segundo encontro oficial.
“Quem imaginaria dançando, isso sim”. Ele riu, oferecendo uma das mãos. “Dança comigo?”
“É uma honra!” Ela disse, sempre sorridente.
Os dois dançaram juntos durante várias músicas. Uma dança bem lenta, mais como um abraço com movimento do que como uma verdadeira dança. A dança não era realmente o forte dele, como ele dissera, então era melhor fazer dessa maneira. De vez em quando eles trocavam olhares, sorrisos, um carinho no pescoço dele, um nas costas dela, uma palavra ou outra sobre a música que estava tocando.
Depois de um tempo, foram para um canto do bar, para ela tomar um drinque e ele uma água, já que estava dirigindo. Escolheram também algo para comer e aguardaram, sentados lado a lado, dessa vez, em um pequeno sofá.
“E pensar que poderíamos ter dançado juntinhos assim há tanto tempo, hum? Eu podia ter te levado ao nosso baile de formatura...” Ele falou perto do ouvido dela.
“Não, você não iria querer me levar ao nosso baile de formatura!” Ela falou, rindo.
“E por que não?” Ele perguntou, genuinamente surpreso com a afirmação dela.
, a gente era muito diferente! Eu não era como eu sou hoje, eu era uma ninguém e você provavelmente era o estereótipo do popular, já que você me contou que era o quarterback do futebol, o capitão do basquete. Você deve ter tido uma namoradinha cheerio, levado ela ao baile e vocês devem ter sido eleitos o rei e a rainha. É assim que as coisas funcionam, não você indo com a ‘judia maluca dos musicais’, aquela que ninguém sabe nem o nome.” ria e ela, então, foi quem ficou confusa.
“Eu era popular, mas, sinceramente, eu nunca fui do tipo estereótipo, que joga as pessoas na lixeira, atira raspadinha ou ovo nelas, tranca meninos indefesos em banheiro público. E eu deixei de me importar completamente com a minha popularidade depois que eu conheci o Ken e percebi que quase todos os populares eram uma fraude. Tinha um cara que se dizia o machão, era do time de futebol, era quem mais aprontava com meu irmão e um dia, simplesmente, beijou o Ken na boca! O cara era tão gay quanto ele e era um babaca que maltratava os outros pra se esconder.”
Ele respirou fundo e continuou.
“No último ano, eu cheguei a pensar até em sair do futebol e do basquete, só não fiz isso porque os caras da banda também eram do time e eles queriam que nós estivéssemos juntos no nosso último ano.” Ele deu um beijo nela e rui de novo, lembrando das palavras dela. “Eu tive duas namoradas cheerios, sim, e várias outras queriam sair comigo porque eu era popular e tal, mas eu não levei nenhuma delas ao baile de formatura. Se você quer saber, , eu sequer fui ao baile de formatura. O rei e a rainha foram o Peter e a Lisa, a propósito, mas você nem deve saber quem eram esses.”
“É sério? Você não foi ao baile?”
“Aham.” Ele começou a beijá-la e ficaram assim um tempo, até que ele se deu conta de algo.
, se você não sabe que eu não fui coroado, você também não foi à festa?”
“Não. Eu também não fui. Eu só poderia ter sido convidada por um cara. E eu terminei com ele um tempo antes, então...” Ela deu de ombros e ele sentiu uma estranha satisfação por ela também não ter ido.
“Hoje é o nosso baile, então. Nós não fomos e, pra mim, só teria valido a pena se eu tivesse ido com você. Nenhuma daquelas garotas valia a pena e foi justamente por isso que eu não fui.“
“Eu ainda acho que você não iria ao baile comigo se tivesse me conhecido, com tantas meninas lindas lá, você não foi...”
, você é linda! Linda. Eu... Eu perco a noção do tempo olhando pra você, eu fico até com medo de parecer um louco, paralisado olhando pra você. Eu só não gosto mais de olhar para você do que eu gosto de tocar você, de te beijar... você sabe, tudo que a gente faz... que é tão, tão bom!”
Ele fez um carinho no rosto dela e a beijou mais uma vez e os dois combinaram de dançar mais, depois de comer a salada que tinham pedido e que acabara de chegar, para que aquela noite fosse o baile que ambos haviam perdido. E foi o que eles fizeram, até o momento em que a banda parou de tocar e os garçons começaram a fechar as contas dos poucos clientes que ainda estavam por lá.
Obviamente eles passaram a noite juntos, dessa vez no quarto dela, por iniciativa da própria , que estava gostando muito também dessa história de poder dormir tantas vezes com o namorado. De manhã, acordou, sentiu falta de na cama e, escutando o barulho do chuveiro, se deu conta de que ela tomava banho e resolveu se juntar a ela.
A estudante cantava...

Strangers waiting, up and down the boulevard
Their shadows searching in the night


Até ouvir alguém se juntar a ela, nos próximos versos, e ficar paralisada.

Streetlights people, living just to find emotion
Hiding, somewhere in the night
Working hard to get my fill
Everybody wants a thrill


Então, entrou no chuveiro, terminando.

Payin' anything to roll the dice,
Just one more time


"Por que você parou de cantar, babe?” Questionou, abraçando-a pela cintura.
! Que talentos você não tem?” Ele riu e ela o acompanhou.
“Babe, eu tenho alguns, sim, modestamente. Mas...” Ele se aproximou do ouvido dela e falou o resto pontuando palavras com beijos, bem atrás do lóbulo da orelha. “O talento que eu mais gosto de usar é o de fazer você gozar para mim, hum? Fazer você tremer, gemer...” Ele agora já passava as mãos por todo o corpo dela e ela já tinha a respiração alterada, sentia um calor entre as pernas. “Por que eu não pratico esse meu talento agora, hein?”
“Ok, babe. Esse seu talento também é incontestável. Mas não pense que eu vou esquecer esse assunto, ok?” Ela segurou no membro dele que já estava visivelmente duro. “E uma outra coisinha: hoje é sábado e vamos ter nosso terceiro encontro oficial. Dessa vez, a surpresa é toda minha!”


Capítulo 12

“Sério, ?” ele suspirou. “O bar é legal, mas Noite do Karaokê, babe?”
“Ah, , vai ser divertido”, ela disse, mais pedindo para ele concordar, do que afirmando. “E não é um karaokê qualquer. Esse lugar é frequentado pelos alunos da Tisch. Os futuros profissionais vêm aqui pra desafiar uns aos outros, pra mostrar a concorrência que eles vão enfrentar no futuro.”
“Ah, então você me trouxe aqui pra te ver cantar... menos mal”, ele disse, aliviado.
“NÃO! De jeito nenhum, ! Com a sua voz, você humilha pelo menos oitenta porcento deles!” Ela riu. “Por favooor, vai ser divertido.”
“Ok, babe” ele se deixou vencer.
Eles ocuparam um lugar no balcão do bar, pedindo logo dois drinques. sentia que precisava beber para enfrentar aquela noite. No entanto, umas duas horas depois, o encontro tinha se mostrado muito melhor do que ele imaginara.
Primeiro, os dois tinham feito três duetos: ela escolheu “Don't Stop Believing”, porque achou que não tinha erro, já que ele a havia acompanhando nessa música no chuveiro, então seria bom para ele começar a se soltar; em seguida, ele escolheu “Don't Go Breaking My Heart” e, por fim, eles cantaram, ainda, “One”, que escolheram juntos no catálogo de músicas. Depois, ela cantara “Somewhere”, evitando olhar para ele enquanto cantava, porque não queria que parecesse uma declaração de amor. Ele, por sua vez, não conseguia tirar os olhos dela, que se iluminava a cada nota; parecia maior ao cantar, e fazia todos a sua volta simplesmente desaparecerem.
Por fim, após ter recebido os elogios dele, que incluíam “fantástica”, “sensacional”, “maravilhosa”, “uau”, e um beijo de tirar o fôlego, ela o convenceu a cantar uma, sozinho, e ele escolheu “Just The Way You Are”, que parecia a música perfeita para dedicar a ela, considerando as inseguranças que ela tinha demonstrado na noite anterior. Como ela podia não saber o quanto era linda, era algo que ele não compreendia, e ele iria fazer tudo que estivesse ao seu alcance para provar que ela não era só linda, mas a mulher mais deslumbrante do mundo para ele.
Depois de cantarem, eles aproveitaram o ambiente descontraído, e não formal como o da noite anterior, e trocaram muitos beijos, alguns bem suaves, outros que começavam devagarzinho e iam ficando intensos, com direito a mordidinhas nos lábios e uma necessidade de parar para recuperar o fôlego no final.
Poderia se dizer que era mais um encontro perfeito, até o momento em que voltou do banheiro e encontrou conversando animadamente com um rapaz. Imediatamente, ele ficou nervoso, não gostou de dividir a atenção dela com o desconhecido, mas respirou fundo e disse a si mesmo para manter a calma, pois ela não estava fazendo nada demais, não havia nada entre eles além de troca de palavras.
!” Disse , quando ele já estava ao lado dela, pegando, ao mesmo tempo, em sua mão. “Babe, esse é o Tom. Tom, esse é o .”
“Eu conheço o , ! Eu também estudei naquele inferno chamado St. Paul’s”, o tal rapaz respondeu, fechando a cara imediatamente. “Só não entendo o que você, , faz aqui com ele.”
“Como?” Foi a resposta de .
“TOM! O que é isso? Você está sendo extremamente grosseiro!” disse, ao mesmo tempo.
“Ora, ! Pelo amor de Deus! Pessoas como ele e pessoas como nós não se juntam! É como tentar juntar água e óleo.”
“Parece que ninguém te informou que o ensino médio acabou...” retrucou, em um misto de irritação e ironia, “...e mesmo se ainda estivéssemos no ensino médio, eu nunca acreditei nessa coisa de populares versus perdedores. Isso é uma grande BOBAGEM!”
“Que seja, então!” Tom riu, debochado. “, que tal um dueto pelos velhos tempos, linda?”
As palavras e o cinismo de Tom tiraram a paciência de , definitivamente. Contudo, ele não era adepto da violência, então fez a única coisa que lhe restava naquele momento.
, eu vou nessa. Pra mim, já deu. Você vem comigo ou vai fazer um dueto pelos velhos tempos com o seu amiguinho aí?”
disse um “é claro que eu vou com você” que passou despercebido por ele, diante do peso das palavras seguintes de seu ex-colega de escola: “na verdade, é ex-namorado, a propósito”. foi andando diretamente para a saída do bar, uma vez que não havia conta a ser paga porque tudo era pago no balcão, e foi atrás dele, após lançar um olhar de total desaprovação para Tom. Ele chamou um táxi, abriu a porta do veículo para ela e entrou em seguida, só quebrando o silêncio para dar os endereços dos dois ao motorista.
... É... Eu sei que você está nervoso e parece não querer falar comigo, mas eu não posso ir pra minha casa e você pra sua... a disse que ia dormir com o no seu quarto.”
Ele informou ao motorista que os dois ficariam, na verdade, no primeiro endereço que ele tinha passado, enquanto passava uma das mãos pelos cabelos e pelo rosto, nervosamente. Em seguida, sem olhar para , pediu que ela lhe desse um tempo para se acalmar, ou eles acabariam brigando. Ela concordou, apenas assentindo com a cabeça. Mesmo que ele não estivesse vendo, ele saberia que ela concordara em esperar, uma vez que ela não pretendia dizer mais nada, por enquanto.
Ainda em silêncio, eles entraram na república, depois no quarto dela, e ele tirou a roupa, ficando somente de cueca, deitando na cama e olhando para o teto, como se de repente este tivesse se tornado a coisa mais interessante do universo. Desanimada e sem saber como contornar a situação, ela trocou de roupa, colocando uma camisola preta de cetim e renda, tirou a maquiagem do rosto no banheiro, e juntou-se a ele debaixo dos lençóis, virando de lado e observando-o, sem fazer questão de ser discreta, demonstrando que não queria dormir deixando a situação daquele jeito.
“Você não fez nada, . Eu não tô irritado com você. Nem chateado com você eu tô, aliás! Você não tem culpa da atitude babaca do seu ex... namorado”, ele disse essa última palavra com repulsa. “Eu imagino que ele não tinha essa atitude arrogante, grosseira, debochada, com você”, esse respirou fundo. “Mas eu fiquei irado com ele... eu queria socar a cara dele! E eu não sou assim, eu sou da paz”, pela primeira vez, ele olhou nos olhos dela e a viu balançar a cabeça concordando. “E também... quando ele ainda disse que tinha sido seu NAMORADO... Eu, simplesmente... Eu... não posso aguentar isso, . Não posso nem pensar em outro cara tocando você, te beijando... Eu...”
...”
Ela não conseguiu terminar o que ia dizer, porque sua boca foi atacada por um beijo faminto. Era como se ele dependesse daquele beijo para viver, como dependia de ar, de alimento. As mãos dele começaram a correr todo o corpo dela, não de forma suave, mas como quem quer ter tudo de uma vez, explorar tudo ao máximo, mas urgentemente. Sua boca deixou a de , indo para aquele ponto atrás da orelha, para o pescoço, a mandíbula, o pescoço de novo, o ombro, onde ele a mordeu, como se quisesse, ainda, marcar território.
“Você é MINHA!”
Ele a beijou na boca, mais uma vez, sua língua em um ritmo frenético. As mãos continuavam sua exploração, agora levantando a camisola dela, que levantou os braços e terminou de tirar a peça, enquanto ele já assaltava um de seus seios com a língua, e, no outro, a palma da mão friccionando o mamilo devagar, provocativamente.
“Diz que você é minha. Que só eu posso te tocar assim. Que só eu posso beijar essa boca gostosa, lamber você toda, fazer você gemer desse jeito”, ele disse, voltando aos seios dela, colocando um dos mamilos entre os lábios e chupando devagar, enquanto a ouvia dizer o que tanto queria.
“Eu sou sua, babe. Só sua... eu sou toda sua.”
Agora ele desenhava um traçado de beijos molhados pela barriga dela, em direção à sua intimidade.
"O que você quer que eu faça com você, babe? O que você quer que SÓ eu faça com você, hm?” Ele disse, tirando a calcinha de renda mínima que ela vestia.
“Coloque as suas mãos em mim, ... A sua língua, a sua boca. Me faz gozar na sua boca, babe, faz?”
Ele sorriu para si, satisfeito, vaidoso, cada vez mais excitado.
“Eu vou fazer você gritar meu nome, ... Grita meu nome, babe. Grita porque você é minha, só minha!”
Ele já pontuava sua frase com lambidas na intimidade dela, que depois se intensificaram. Em seguida, ele enfiou a língua na vagina da garota, que gemia cada vez mais, e mais alto, e mexia os quadris em direção a ele. Depois, ele trocou a língua por dois dedos e, enquanto os movimentava, começou a sugar o clitóris dela que, em pouco tempo, gritava, de fato, o nome dele, com os olhos cerrados e o corpo tomado por fortes e incontroláveis espasmos, seguidos por uma sensação de total relaxamento e vontade de rir como uma criança.
Com um sorriso malicioso no rosto, dele deitou ao lado dela e ficaram assim alguns minutos, até que ela se sentiu recuperada. Beijando-o, carinhosamente, ela alcançou o membro dele e ele, sentindo a carícia dela, agarrou seus cabelos, aumentando a intensidade do beijo.
“E quem faz isso com você, hein? Quem deixa você assim... Tão duro, tão quente?” Ela disse, atiçando-o.
“É você, minha pequenininha”, ela sorriu, gostando daquele novo “apelido”.
“Eu acho que é a sua vez de gritar meu nome, babe.”
Então ela se ajoelhou entre as pernas dele, tirou sua cueca e começou usando as mãos, bem devagar, logo recebendo o protesto dele, que pedia mais. Dando um sorrisinho cheio de segundas intenções, ela começou a lambê-lo. Primeiro, somente a pontinha do pênis, depois todo ele, como se fosse um picolé sendo saboreado devagar, para prolongar a sua duração.
“Droga, ! Por favor, não tortura.”
Finalmente, ela colocou o pênis dele todo dentro de sua boca, indo bem fundo, o que era fácil graças às sua falta de reflexo faríngeo, movimentando-o para dentro e para fora, cada vez mais rápido, até que ele explodiu e ela tomou tudo que ele lhe oferecia.
Depois de um dar prazer ao outro, assim, ambos estavam ansiando, ainda, por mais. Ambos queriam os corpos colados, a penetração, o cheiro de um misturado ao do outro, as bocas unidas, os corações “tocando” uma mesma melodia, em um mesmo ritmo. E foi isso que eles fizeram, antes de, enfim, praticamente apagarem de cansaço, ambos satisfeitos com mais um encontro que terminava perfeito.
Nenhum deles sabia de onde tinha vindo tanta possessividade, mas, no fim do dia, ela tinha sido um bom combustível para o fogo daqueles dois.


Capítulo 13

O próximo mês passou rápido demais, entre muitos ensaios, uma vez que se aproximava a data da estreia do musical, e muitos encontros especiais e intensos de e .
Entre os encontros mais quentes? Um amasso que eles deram em uma das salas de música de Julliard, no dia em que ela foi encontrá-lo, porque tinha pego o carro dele emprestado para buscar parte dos figurinos, e que acabou resultando em sexo dentro do carro, ainda parado no estacionamento do campus. A ida a uma festa com e , quando eles beberam bastante e não conseguiram se controlar, indo parar em um dos quartos da casa da aniversariante, uma velha amiga de . Um final de semana que eles passaram interirinho trancados no quarto dele, porque viajara para ver os pais em Lima, tendo rolado até uma brincadeira com leite condensado (de soja, é claro).
Entre os encontros mais românticos? Um passeio pelo Central Park, com direito a passar um tempo preguiçosamente deitados na grama. Uma ida à praia, com direito a ver o pôr do sol; ela sentada entre as pernas de , com as costas encostadas no peito dele, os dedos deles entrelaçados, em meio a um silêncio confortável. Uma ida ao cinema, regada por muita pipoca e beijos roubados no meio do filme. Uma noite em um parque de diversões, no qual se beijaram no alto da roda gigante, comeram maçã do amor e algodão doce, e ele ganhou um bicho de pelúcia para ela em um jogo de dardos.
Nenhum dos dois falava em amor ou compromisso, mas os dois se divertiam muito juntos e eram tão atenciosos um com o outro, tão carinhosos, que não queriam dar a esse pequeno detalhe maior importância, ainda que, eventualmente, um deles pensasse que poderia, sim, estar apaixonado e que poderia, talvez, querer que eles estivessem namorando. Indagar, no entanto, estava fora de questão, por enquanto.
Um dia, e foram almoçar juntos em um restaurante perto da faculdade dela, antes de irem para o ensaio, e , enquanto esperavam pelos pedidos, cantava no ouvido dela.

Something in the way she moves
Attracts me like no other lover
Something in the way she woos me
I don't want to leave her now
You know I believe and how
Somewhere in her smile she knows
That I don't need no other lover
Something in her style that shows me
I don't want to leave her now
You know I believe and how

“Eu ainda fico impressionada por você não querer cantar, com todo o potencial que você tem, !”
“Eu canto pra você, pequenininha, não canto?” Ele disse, fazendo carinho no rosto dela e colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
“Odeio quando você se faz de desentendido, . Você sabe que eu estou falando em público, em você incluir isso na sua carreira.”
“Isso não é pra mim, . Eu gosto dos instrumentos, dos arranjos, até das letras... Mas eu não ligo pros holofotes e, se eu ligasse, eu ia voltar a montar uma banda e tocar bateria. Eu não tenho técnica vocal e eu gosto de dominar a técnica, quando se trata de música... Eu levo música muito à sério.”
, eu também levo música à sério, você sabe que eu levo. Mas você é bom! Você não cantava nem na sua banda da escola? Eu não posso acreditar!”
“A vocalista da nossa banda era a Anne. Eu fazia backing vocal e alguns duetos com ela. Todos nós fazíamos, aliás.”
“Então todos vocês cantavam?” Ele confirmou com a cabeça, já mastigando sua massa, que tinha chegado. “Todos eram bons?” Ele novamente confirmou. “Nossa, eu tinha que conhecer tanta gente de talento, vinda diretamente do St. Paul’s... Quem diria!”
“A propósito, você vai conhecer todos eles no feriado”, ele viu a expressão dela mudar, mas não conseguiu decifrar se ela achava aquela informação boa ou ruim. “Nós fomos convidados para passar os quatro dias nos Hamptons, na casa da família da Sugar, namorada do Ed.”
, eu não sei...”
, o que é?” Ele respirou fundo. “Sério, não me venha com essa história de perdedores e populares, de água e óleo... Eu quero você lá comigo e você vai”, a voz dele mudou, então, de séria para zombeteira. “Você ainda não entendeu que você é minha, pequenininha? Que eu simplesmente coloco você no bolso e te levo comigo?” Ele deu um beijinho delicado nos lábios dela.
“Okay, . Se você acha boa ideia, eu vou. Eu vou mesmo precisar relaxar. O feriado acaba exatamente 10 dias antes da estreia do musical.”
“É uma ótima ideia!”
passou os próximos dias apreensiva. Não sabia se era realmente boa ideia conhecer os amigos de . Ou melhor, rever os amigos dele que, apesar de ela não associar nomes e pessoas, eram muito provavelmente gente que, um dia, tinha submetido a garota a bullying.
No entanto, as coisas até que tinham começado bem, porque ia levar , então, no mínimo, ela teria uma amiga com quem ficar, se não fosse bem recebida. E as coisas ficaram ainda melhores quando e ela pegaram Ken no aeroporto, e ele a reconheceu, cumprimentando-a com um caloroso abraço e querendo, de cara, saber tudo que tinha acontecido na vida dela, depois da tentativa frustrada de formar um coral, em que ambos tinham se envolvido no passado.
havia contado a que Ken viria passar o feriado com eles porque rompera com o namorado, Jim, em razão dos problemas que relacionamentos à distância envolvem. Ela achou, contudo, que ele parecia muito bem para alguém que tinha recentemente terminado um namoro longo. Provavelmente estava em período de negação, como declarou achar, quando, mais tarde, ela comentou suas impressões com ele.
A viagem de carro até os Hamptons foi super agradável, os três ocupantes do veículo conversaram animadamente, cantaram ao som das músicas que iam selecionando juntos no iPod, riram de recordações que tinham sobre a escola, como, por exemplo, o dia em que a treinadora das líderes de torcida quis colocar uma das meninas (que soube, então, tratar-se de Belle, que estaria dali a algumas horas com eles na casa de veraneio) em um canhão, para incrementar a apresentação, ou os hábitos higiênicos da orientadora da escola, a Srta. Helga.
Ken não pôde deixar de perceber, e de se deliciar, com a felicidade do irmão, com o jeito como ele sorria para , a maneira como eles interagiam, com uma cumplicidade natural, os carinhos que os dois trocavam de vez em quando, mesmo enquanto o rapaz dirigia. Aquilo fazia com que ele sentisse falta de Jim, mas ele não iria deixar isso atrapalhar seu feriado e também não havia em seu coração nenhuma inveja, porque ele não desejava nada menos do que o melhor nesse mundo, para aquele que ele considerava o melhor irmão do universo.
Ao chegarem à casa – não uma simples casa, mas uma grande e lindíssima mansão, foram recebidos, ainda na grande garagem, por Ed e Sugar, a quem foi apresentada, agradecendo, sinceramente, o convite. Ambos foram bastante receptivos e a fizeram sentir muito à vontade. Em seguida, entraram na casa e, na sala, havia duas garotas, uma morena e uma loira, que imediatamente correram até , a morena pulando no colo dele, enquanto ele se equilibrava e colocava sua mala e a de no chão.
! Só assim nos vemos, hein! Você nunca nos visita”, a menina deu um beijo na bochecha dele, que fez o mesmo, deixando à beira de um ataque de ciúmes. Ela já tinha aguentado muitas coisas daquela latina, mas quem ela pensava que era para se atirar assim em ? E ele? Ele havia esquecido da presença dela?
Depois que a morena desceu do colo de , foi a vez da loira, mais comedida, mas também íntima, abraçá-lo, enquanto sua amiguinha parecia perceber a presença de , finalmente, com uma expressão de surpresa no rosto.
, estas são Anne...” ele disse, apontando para a bela latina. “...e a NAMORADA dela, Belle”, terminou, dando ênfase à palavra namorada, pois não queria que já começasse aquela viagem achando que tinha qualquer razão para ter ciúmes. Ele viu o rosto dela relaxar, mas apenas por segundos.
?” Perguntou Anne, apesar de sequer precisar de qualquer confirmação de que se tratava de , uma das meninas que ela infernizou nos tempos da escola. Ela começou a rir e teve medo de que se tratasse de um riso de deboche. “Meu Deus, como esse mundo é pequeno!” Sem nem pedir licença, ela tomou sua antiga vítima em um abraço apertado, enquanto continuava falando. “Lembra dela, Belle? Quantas vezes eu joguei raspadinha nela e a chamei de várias coisas horríveis, e você sempre dizendo que eu não deveria fazer isso porque ela era um hobbit, hobbits tem poderes mágicos, e ela poderia me transformar numa rã?” Todos riram, inclusive . “, eu espero que você me desculpe, eu era horrível!”
“Tudo bem, sem mágoas”, enquanto falava, era a vez de Belle abraçá-la.
“Eu ainda acho que ela se parece com um hobbit”, todos riram novamente e, em seguida, foi a vez de as namoradas cumprimentarem Ken, enquanto Ed encaminhava e ao quarto que eles ocupariam.
Após deixarem as malas no quarto, tanto o casal quanto Ken, desceram e se juntaram à Anne, Belle, Ed e Sugar, que os esperavam para almoçar. Logo após o almoço, chegaram e e, no final da tarde, todos os outros convidados: Lisa, com Ashley, que era a melhor amiga de Sugar, além de sua colega na faculdade de Jornalismo, e, em outro carro, Joe, primo de Ed, Peter e Zach.
Todos foram apresentados a e, apesar de a maioria lembrar dela, quase ninguém mencionou o fato. No entanto, havia uma pessoa que faria o seu sobrenome se destacar na conversa, pela segunda vez naquela única tarde.
!”
“Peter...”
“Quanto tempo, não?” Ela assentiu com a cabeça. “Me dá um abraço, garota!” E, vendo a interrogação nos olhos de , depois de abraçar , completou. “Nós, judeus, temos uma tendência a nos proteger, graças ao nosso passado, cara.”
“O Peter, de fato, me livrou de algumas raspadinhas... Ele até levou uma no meu lugar uma vez”, ela disse, rindo da lembrança, sendo acompanhada por ele.
“Você sabe que só você me chama de Peter, né, ? Mas tudo bem, pelo meu amigo aqui...”, disse, dando uma cutucada com o cotovelo no braço de . “...eu aturo”.
O clima no restinho daquele dia, e naquela noite, foi de total descontração e pensou que, enfim, as pessoas realmente podem mudar. Os amigos de , hoje, eram gente do bem, simpática, carinhosa, amorosa, e ela começava a acreditar que aquelas pessoas ali poderiam se tornar também seus amigos.
O problema é que havia um certo alguém ali que não estava gostando nada daquilo e não estava disposto a deixar nada disso acontecer.


Capítulo 14

Os dias nos Hamptons passaram bem rápido, como sempre acontece quando estamos felizes, nos divertindo.
O grupo tinha se distraído com esportes na praia, jogos de cartas, tabuleiro e até mímica à noite - brincadeira que, inclusive, tinha levado todos eles às gargalhadas, além de muita cantoria ao som dos violões levados por Peter e Joe, e de uma festa improvisada na beira da piscina, na qual Ed mostrou seus dotes de DJ profissional, e durante a qual, a maioria deles ficou irremediavelmente bêbada.
tinha se aproximado bastante de Ken e ouvido até algumas confidências do garoto, que, afinal, mostrou não estar passando por uma fase de negação, como imaginara, mas apenas não querer demonstrar seu sofrimento, para não ter de lidar com a visão da piedade nos olhos das pessoas. Também tinha conversado bastante com Anne, que realmente tinha mudado muito desde os tempos da escola, e até revelara à latina que, se por um lado ela tinha sido realmente má com todo o lance do bullying, por outro lado devia a ela o que aprendera sobre sapatos de salto alto matadores.
O mesmo tipo de sapatos que ela usou no dia da tal festinha entre amigos e que deixaram enlouquecido a noite toda, querendo a todo custo escapar para o quarto, algo que ele só conseguiu muito mais tarde, mas que valeu a pena esperar. Foi uma madrugada especialmente barulhenta naquela suíte e eles riram muito, depois, porque certamente alguns amigos teriam escutado os gritos, de seus quartos.
estava mais do que feliz em ver a interação entre os amigos e . Tudo o que ele precisava era ter a certeza de que seria possível a convivência entre pessoas que ele tanto amava, que eram tão importantes em sua vida, e sua pequenininha. Só ficaria faltando a benção de sua mãe e de George para tudo ficar perfeito, mas ele tinha convicção de que isso não seria um problema. Depois daquele feriado, ele tinha percebido, enfim, que tudo que ele queria e de que precisava na vida eram da música e de sua pequena estrela.
Era domingo e, antes de ir embora, a turma jogava uma última partida de vôlei de praia. não tinha altura e nem desenvoltura, então optou por ficar na casa, à beira da piscina, tomando sol e lendo um livro. Foi nesse momento que Lisa se aproximou dela, pronta a executar o plano que vinha arquitetando desde a noite passada, depois de ter escutado uma conversa interessante entre e Anne.
O rapaz e a melhor amiga estavam na sala de TV, aguardando os demais que se arrumavam para as atividades daquela noite, e colocando o assunto em dia, quando a loira, que pretendia juntar-se a eles, escutou o nome de e resolveu ficar perto da porta e ouvir o que o ex-namorado estava dizendo.
“...perfeita, Ann! Eu tô apaixonado pela primeira vez na minha vida! Eu finalmente achei alguém que vale a pena, alguém que eu sei que é pra mim, sabe? ”
“Eu vejo o jeito como vocês se olham, como você tá feliz. E eu conversei muito com ela também... Ela é uma pessoa maravilhosa mesmo, meu amigo. Eu fico muito feliz por você!” Anne abraçou , que retribuiu. “Você merece. Já estava na hora!” Eles riram, se separando.
“É... Já tava na hora! Ela é... Ela é tudo, Ann!” Ele respirou fundo, parecendo preocupado de repente. “Só é uma pena que ela não saiba disso. ” A amiga o olhou de forma questionadora. “É... Ela é um pouco insegura... Insegura com a aparência dela...”
“Acho que eu tenho uma certa culpa nisso, eu falei algumas vezes que ela precisava de uma plástica no nariz... Eu sinto muito, !” Anne disse, verdadeiramente arrependida por ter feito aquilo no passado.
“Está tudo bem... Eu só temo que essa insegurança dela com a aparência... Que isso faça ela se sentir insegura quanto a nós dois... Entende?”
“Você não falou pra ela como se sente ainda, não é?”
“Não, eu ainda não tinha certeza do que realmente era esse sentimento...”
“Fale, . Uma mulher gosta de ouvir essas coisas, de saber que é amada.”
Era suficiente para Lisa e ela decidiu deixar os dois conversando e ir para outro lugar da casa. Sabia que, afinal, nem seria realmente bem vinda ali. Não precisava da companhia deles. Tinha um sorriso triunfante no rosto agora, pois sabia qual era o calcanhar de Aquiles de e era exatamente ali que ela iria chutar.
fechou o livro e abriu um sorriso ao ver Lisa se sentar ao seu lado e a loira sorriu também.
“Que bom que todos estamos tendo a oportunidade de te conhecer de novo, ... De deixar o passado pra trás, começar de novo.”
“Ah, sim... Também fico feliz com isso.”
“E que bom que você e estão se divertindo. Parece que finalmente ele encontrou alguém na mesma vibe que ele, sem aquele lance de se apaixonar e tal...”
“O quê?” Disse a morena, um misto de preocupada e totalmente pega de surpresa.
“Oh, Deus! Desculpa, ... Você tá apaixonada por ele?” A ex-líder de torcida falou, fingindo preocupação e não falhando.
“Hã... Não, Não... Eu só queria saber por que isso é assim tão bom... E como você sabe e tal, que estamos na mesma... Vibe... e tal.”, por sua vez, falhava violentamente, mas Lisa sabia falsificar também a sensação de alívio.
“Ai, ainda bem. Por um momento, pensei ter dado uma mancada daquelas... Mas, enfim, , respondendo à sua pergunta, eu percebi, porque nenhuma menina que estivesse apaixonada iria ficar com um cara que não está, por tanto tempo. E nem topar na boa conhecer os amigos dele... E isso é bom porque... ora porque ninguém sai machucado, não é, ? Eu já vi algumas meninas saírem machucadas de histórias com o .”
Ela respirou e continuou o seu teatro, vendo que a outra não esboçava reação a suas palavras.
“Não que ele tenha feito nada disso por maldade. Pelo amor de Deus, o é uma pessoa maravilhosa! Ele só não... Ele não leva as coisas a sério, ele é leve, gosta que as coisas também sejam leves, gosta de curtir, se divertir. Não é nada demais, ele é carinhoso e tem respeito pelas meninas, mas simplesmente se alguém se apaixona numa circunstância dessas, por mais que essa não seja a intenção dele, vai ficar mal no final, né?”
Vendo sua companhia, na espreguiçadeira ao lado, apenas fazer um gesto positivo com a cabeça, confusa demais para dizer o que quer que fosse, ela se deitou na sua própria espreguiçadeira, colocou os óculos escuros e deu o golpe de misericórdia, completando, como se apenas pensasse alto, com indiferença.
“Eu me pergunto se um dia esse maluco vai saber o que é se apaixonar... Ele saiu com algumas das meninas mais bonitas que eu conheço e elas não conseguiram isso... Quem vai ser a sortuda que vai conseguir?”
Se fosse um pouquinho mais atenta e esperta, no que diz respeito às pessoas, ela saberia que não poderia haver boas intenções por trás de palavras tão rudes. Porém, ela acreditava no ser humano, apesar de tudo que já tinha passado, e jamais imaginaria que Lisa tivesse falado aquelas coisas de propósito. Além disso, ela estava cega por suas inseguranças.
Em primeiro lugar, era realmente uma pessoa insegura quanto a sua aparência. Gastava toda a autoconfiança com a certeza que tinha de possuir enorme talento artístico, e só. Em segundo lugar, estar apaixonado é algo que deixa o ser humano mais vulnerável, com medos e pensamentos irracionais (apesar de isso ser uma contradição entre termos).
Então passou o resto do dia pensando nas palavras de Lisa e em tudo que levava a crer que elas faziam sentido: nunca a apresentara como namorada, nunca falara sobre relacionamento, não fazia planos para o futuro com ela, jamais se declarara apaixonado. Sempre falava do quanto a desejava, do quanto o sexo entre eles era maravilhoso e de como se divertia ao lado dela, em todos os encontros e no dia-a-dia. Pensando bem, ele devia achar que eles eram amigos com benefícios.
Algumas vezes, vinha um ou outro pensamento que a fazia pensar que não. Não era possível que ele não estivesse nem um pouquinho envolvido com ela! Não era! Ele a apresentara aos melhores amigos, ao irmão, a trouxera a uma viagem em que poderia conhecer um monte de garotas, vivia fazendo gestos de carinho, como comprar o seu café e as suas revistas preferidas e levar para o teatro, fazia-lhe milhões de elogios de todo tipo e a chamava de sua pequenininha...
...Mas todo esse carinho poderia ser amizade e o apelido possessivo poderia ser um jeito que ele tinha encontrado para as coisas continuarem, e até ficarem cada vez mais, apimentadas na cama. Se todas as meninas lindas com quem ele tinha ficado não tinham feito com que ele se apaixonasse e quisesse um relacionamento, por que ele iria querer isso logo com ela? Logo com uma mulher com uma beleza tão pouco convencional?
Foi atormentada por esses pensamentos que ela trocou de roupa, fez as malas, se despediu dos novos amigos, que ela agora já não sabia mais se continuariam sendo seus amigos nem por quanto tempo, entrou no carro e voltou à NY com e Ken. Os pensamentos, obviamente, não permitiam que seu comportamento fosse o de alguém animado e tanto quanto Ken perceberam a mudança abrupta no comportamento dela.
No entanto, ela afirmou estar com dor de cabeça e, durante a viagem, fingiu dormir todo o tempo. Em nenhum momento a confusão dentro dela diminuiu e era como se houvesse em seu cérebro um diabinho e um anjinho brigando, para convencê-la de que as coisas eram de um certo jeito e de que ela deveria agir de uma determinada maneira.
Infelizmente, como acontece com todo mundo que está sob o domínio das emoções, o diabinho ganhou aquela luta.


Capítulo 15

Era sábado à noite, e entrou em seu quarto, após ter passado o dia dando aulas de dança, para tomar um banho, trocar de roupa e sair com a namorada. O quarto estava escuro e, ao acender a luz, viu um de seus melhores amigos deitado na cama, cobrindo os olhos, ao mesmo tempo em que protestava pela súbita mudança no cenário. estava pálido, olhos vermelhos, grandes olheiras, barba por fazer. Era o terceiro dia em que o encontrava daquele jeito.
, você precisa sair dessa, cara. Não pode agir como se sua vida tivesse acabado. ”
“Cara, pelo amor de Deus, me deixa em PAZ! Eu só quero ficar na minha. A minha vida pode não ter acabado, mas eu não tenho vontade de fazer qualquer coisa agora! ”
“Mas, , tem coisas que você TEM que fazer. Você foi às aulas esses dias? Foi trabalhar? Eu sei que você tá triste, mas você não pode perder o semestre por isso, perder a grande oportunidade da sua carreira... ”
“Eu disse que estava doente, cara. Tá tudo bem... Eu... Segunda-feira eu volto, ok? Agora eu só quero ficar na minha... Por favor!” Ele falou, suplicante, e não disse mais nada. Fez o que tinha ido fazer ali e foi embora, deixando o amigo de infância sozinho com seus problemas, outra vez.
não conseguia parar de pensar nos acontecimentos dos últimos dias. Tudo tinha sido muito rápido e ele tinha sido pego de surpresa. Exatamente no momento em que ele se sentia mais feliz do que em qualquer outro da sua vida, as coisas tomaram um rumo inesperado e o levaram para o extremo oposto, para um sentimento de total vazio e falta de esperança.
Depois de voltar dos Hamptons, na segunda-feira, não respondeu algumas das mensagens que ele lhe mandou, ao longo do dia. As mensagens respondidas, por sua vez, eram diretas e objetivas. Ele sabia que ela estava muito ocupada com a proximidade do musical, mas ainda assim estava achando seu comportamento estranho.
Ao terminarem os ensaios do dia, ele foi direto procurar por ela no camarim e a encontrou conversando com e Mischa, que logo se despediram de e dele próprio, deixando os dois sozinhos.
“Estava louco pra te ver, ” ele disse, aproximando-se, mas ela se afastou.
, eu quero conversar com você. Senta? ” Apreensivo, ele fez o que ela pediu. Será que ele tinha feito alguma coisa?
, a gente têm se divertido muito, você é uma pessoa maravilhosa, mas eu tô precisando de um tempo. ”
“O... O quê? ”
“Eu... É... Eu tô precisando ficar sozinha por um tempo... Retomar a minha vida, cuidar melhor dos meus estudos, do meu trabalho... Eu passo muito tempo com você... Eu... Eu só preciso mesmo ficar sozinha, . Espero que você entenda, okay? Seremos sempre amigos... ”
“Amigos, ? Eu não quero ser seu amigo!” Ele não sabia o que pensar ou o que sentir, então deixou a irritação falar.
“Eu sinto muito, . Vai ter que ser assim”, ela ficou de costas para ele, fingindo arrumar suas coisas. “Será que agora você pode ir? Eu preciso trocar de roupa.”
...”
“Por favor, . Não torne isso difícil, okay? Nós somos adultos. Foi legal... Mas acabou. ”
saiu, batendo a porta. Não viu, nem imaginou o quanto ela chorava lá dentro. Ela tinha pensado mais e mais e mais na noite anterior, depois que ele a havia deixado na república, e tinha remoído o assunto também durante todo aquele dia. Não via alternativa que não se afastar de vez, cortar o mal pela raiz. Quanto mais tempo ela passasse com ele, mais difícil seria no dia em que ele se cansasse da diversão e procurasse um parquinho novo.
As lágrimas dele também escorreram imediatamente, silenciosamente. Aquilo não podia estar acontecendo! No feriado eles eram quase como um casal em lua de mel, sempre de mãos dadas, abraçados, sempre trocando carinhos mútuos, sorrisos cúmplices, um completando o que o outro falava, um cuidando do outro. Tinha sido tão bom acordar e olhar para ela dormindo, como um anjo a seu lado. Tinha sido tão maravilhoso dormir saciado pelo prazer que só era capaz de encontrar no corpo dela. TUDO tinha sido tão indubitavelmente fantástico! Como ele poderia ficar sem isso agora? Como, meu Deus?
Nos dois dias seguintes, ele tentou conversar com ela, mas ela pediu, com ar sério, que ele respeitasse sua decisão, que não insistisse. Nos três dias seguintes, então, tinha escolhido a solidão de seu quarto e estava ali até aquele momento.
não ficou sabendo que, por dois dias, não tinha ido trabalhar. O elenco e a direção nem sempre viam os músicos, pois se arrumavam e preparavam em locais separados do teatro, então ela assumiu que ele tinha simplesmente escolhido trabalhar e ir embora logo em seguida, para não vê-la.
Ela não lamentava, era melhor assim. Dizem que o que os olhos não veem, o coração não sente, não é? Apesar de ela duvidar um pouco dessa máxima, porque a única coisa que estava fazendo com que ela não sentisse a dor tomar completamente conta do seu coração, de uma vez por todas, era o trabalho.
O restante do sábado de transcorreu exatamente como o início, até ele conseguir adormecer. O sábado de não foi muito diferente. Não tendo nenhum trabalho a fazer ficava mais difícil esconder de si mesma o quão miserável ela se sentia. O domingo foi um espelho do sábado: duas pessoas infelizes, com pena de si mesmas, habitando suas camas, levantando-se apenas para ir ao banheiro, tomar um banho e mais nada. A única diferença entre tais criaturas era que o rapaz não conseguia engolir nada e a garota devorava tudo que podia alcançar.
Na segunda-feira, voltou às suas atividades, como prometera a . O amigo tinha razão quanto à necessidade de ele não abandonar sua carreira, ainda mais agora que ele ia precisar tanto dela, visto que ela era tudo que ele tinha. Durante os primeiros dias dessa semana, no entanto, ele viveu no piloto automático e vendo o mundo em câmera lenta à sua volta. Ele e se viram rapidamente, mas tinham voltado completamente para o “modo colegas de trabalho”.
Chegou, então, o dia da estreia do espetáculo. estava menos apático porque a música tinha um poder grande sobre ele, aquecia seu coração, ao menos um pouco. estava feliz pela estreia, apesar de lamentar, no fundo de seu coração, o fato de que, ao final da peça, não poderia abraçar e beijar aquele por quem estava irremediavelmente apaixonada.
Foi pensando nisso que ela entrou no camarim naquela tarde, encontrando-o mais colorido do que jamais havido visto.
“Nossa! Recebemos tudo isso? ”
“Você recebeu”, disse .
“É... São todas pra você!” Confirmou Mischa.
Não podia ser. Havia pelo menos seis grandes arranjos de tulipas, de várias cores, espalhados pelo local. Eram a coisa mais linda! Seria o gesto mais romântico do mundo, se tivessem sido mandadas por um rapaz para sua namorada, no dia de sua estreia, mas esse não era o caso, se as flores eram mesmo para ela.
“Tem um cartão em um deles”, disse Mischa, enquanto começava a se maquiar. “Também estamos ansiosas para saber quem é esse seu fã.”
As amigas, na verdade, desconfiavam, pois não tinham entendido o repentino afastamento de e , que pareciam tão felizes juntos. Para , especialmente, aquilo tudo era muito estranho, já que ela tinha visto o jeito dos dois durante o feriadão. , no entanto, não se abrira com ela e ela resolvera respeitar. Também não tinha mencionado nada sobre o que o namorado havia comentado, em relação ao estado patético de , afinal ele só tinha contado por confiar nela e pedira segredo. Imaginava que nenhum homem iria gostar que uma mulher soubesse que o tinha deixado tão arrasado.
“Só podem ser dos meus pais, gente” disse, não porque quisesse disfarçar nada, mas porque realmente acreditava naquilo. Não havia razão para que ninguém além deles lhe mandasse flores. Não havia ninguém para quem ela fosse tão especial a esse ponto.
Depois de ler o cartão, no entanto, sentiu como se o ar lhe faltasse e o mundo girasse a sua volta.

Quebre a perna. Saudades... .


Capítulo 16

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Capítulo 17

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Capítulo 18

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Capítulo 19

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Capítulo 20

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Capítulo 21

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Capítulo 22

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Capítulo 23

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Capítulo 24

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Capítulo 25

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Capítulo 26

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Capítulo 27

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Capítulo 28

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Capítulo 29

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Capítulo 30

e tinham se formado há pouco tempo e era o primeiro final de ano que passavam em Lima, depois da formatura. Esse final de ano seria especial porque, pela primeira vez em anos, todos os membros da antiga banda de estariam na cidade, e, em razão disso, eles tinham decidido reviver os velhos tempos e fazer um pequeno show em um bar local, para o qual todos os amigos e familiares, deles e dos respectivos namorados e namoradas, maridos e esposas, tinham sido convidados.
Finalmente, havia chegado a noite da apresentação e todos estavam muito ansiosos, excitados. estava sentada em uma das mesas mais próximas ao palco, com seus pais, os pais do namorado e , enquanto, na mesa ao lado, conversavam animados Ken, Jim, Lisa, Belle e Sugar. Havia, ainda, a mesa ocupada por Ellen, que segurava no colo o pequeno Bruce Altman, de apenas dez meses, de frente para a Sra. Green, que tinha a neta Beth em seu colo. No palco, tratando dos últimos preparativos, , Anne, Ed, Zach, e Peter.
O show começou e nem parecia que os amigos tinham ficado tanto tempo sem se reunir para tocar. A banda, mesmo não tendo tido tempo para ensaiar mais do que três vezes, durante aquela mesma semana, tocou super bem, se divertiu bastante e divertiu também todos os presentes. E não era somente porque todos ali formavam uma espécie de grande família. Eles eram realmente bons e, se tivessem escolhido assim, poderiam ter sido, inclusive, profissionais do ramo.
Após uma música animada, que todos estavam dançando, Anne pegou o microfone e agradeceu a presença de todos. Disse que eles, infelizmente, iriam tocar a última música e pediu, ainda, desculpas por não se tratar de uma música dançante. Segundo afirmou, não teve escolha quanto àquele momento do encerramento do show.
Depois de terem se acalmado os aplausos, gritinhos e assobios dos presentes, os integrantes da banda trocaram alguns olhares e recomeçaram a tocar e, nesse momento, veio a maior surpresa da noite. Deixando a bateria, que foi ocupada por Joe, se dirigiu ao microfone, enquanto o olhava, já sentindo a respiração presa na garganta, porque ela conhecia muito bem aqueles acordes iniciais.

Highway run Into the midnight sun Wheels go 'round and 'round You're on my mind
começou a cantar, confirmando que se tratava da canção que tinha se tornado a música do casal, já havia bastante tempo.
tinha voltado da Inglaterra, exatamente seis meses e treze dias depois da visita do namorado àquele país. tinha ido buscá-la no aeroporto e os dois tinham chegado ao apartamento em que voltariam a viver juntos, tirando suas roupas em tempo recorde, e matando as saudades imensas que sentiam um do outro, sem nem ao menos terem conseguido chegar ao quarto ainda.
Depois, tinham passado quatro dias inteiros sem sair de casa, fazendo amor, conversando, ouvindo música ou sendo, simplesmente, preguiçosos. tinha conseguido convencer o chefe a substituí-lo em duas apresentações, para poder ficar mais tempo com , e fez valer cada minuto da folga concedida.
Em um dos momentos de preguiça, os dois escutavam música, deitados na cama, quando Faithfully começou a tocar. Eles sempre tinham compartilhado uma paixão pelo Journey, mas, naquele momento, prestando atenção na letra daquela balada em particular, achou que a canção era perfeita.
"?"
"Huuum?"
"Você já prestou atenção na letra dessa música?"
"Uhum... eu adoro essa música, meu amor."
"Eu sei que a gente já escreveu músicas um pro outro, e letras, juntos, que falam da gente... mas essa música, , ela é perfeita!" Ele a olhava, mexendo em seu cabelo. "Você é um homem da música, eu também sou da música... do teatro e da música. Em vários momentos, é provável que um de nós pegue a estrada, e se afaste de casa, se afaste do outro. Mas agora eu sei que a gente vai estar sempre juntos, que a gente vai sempre SER um do outro, fielmente."
"Essa, definitivamente, pode ser a nossa música." Concordou, beijando apaixonadamente a sua pequenininha, de quem só se separaria novamente se fosse sempre por pouco tempo, sempre com a certeza da volta.
Enquanto cantava no palco, com sua velha banda formada de amigos, de verdadeiros irmãos, que também tinham se tornado a família dela, pensava não só naquele momento, mas em outros que vieram depois dele.
Ainda durante a faculdade, ela tinha conseguido um papel na Broadway. Um papel de coadjuvante, mas, mesmo assim, era a Broadway, o seu sonho! Era um primeiro passo na carreira que ela queria abraçar. Também ainda antes de formado, já vinha substituindo o mestre, com quem tanto aprendera, nos ensaios da orquestra e em outras ocasiões em que o grande maestro tinha compromissos com outras orquestras maiores. Era um primeiro degrau que ele estava subindo e o levaria muito alto, ela tinha certeza.
Em razão dos compromissos, muitas vezes, eles tinham ficado sem desfrutar de algum tempo juntos, tinham discutido, discordado, derramados algumas lágrimas. As coisas não tinham sido sempre fáceis, mas de uma coisa ela tinha certeza: depois do "episódio Londres", nenhum dos dois jamais tinha pensado em desistir do outro novamente.
Quando a música acabou, o homem de quem não havia tirado os olhos por um só momento, mesmo tomada por suas lembranças, estava parado bem na sua frente e segurava sua mão.
", você sabe o quanto eu te amo." Disse a ela, mas sem largar o microfone porque queria que todos ali escutassem o que tinha a dizer. "Você sempre me falou que eu deveria cantar em público, não é?" Ela concordou e ele riu, sem jeito. "Eu nunca serei um cantor profissional, porque onde eu me sinto em casa é perto dos instrumentos... é na frente de uma orquestra, principalmente, e você também sabe disso." Respirou fundo e continuou. "Outra coisa que nós dois sabemos é que eu também só me sinto em casa com você... ao seu lado. Por isso, PRA VOCÊ, eu sempre vou cantar." Beijou a mão dela e trocaram um sorriso. "Então eu escolhi cantar a nossa música, aqui, na nossa cidade, na companhia de todas as pessoas que amamos, pra te dizer, de novo, que eu sou seu... fielmente... e pra sempre, se você quiser."
Tirando do bolso uma pequena caixa, abrindo-a e expondo um delicado anel, ao mesmo tempo em que se colocava de joelhos à frente dela, ele disse as palavras que ela mais gostou de ouvir, em toda a sua vida, até aquele momento.
" , você gostaria de se casar comigo?"


Epílogo

e saíram do carro e adentraram o teatro de mãos dadas, sob os holofotes dos muitos fotógrafos que não queriam perder a oportunidade de registrar aquele momento. Alguns jornalistas tentaram fazer com que os dois, ou pelo menos um deles, desse alguma declaração, mas ambos afirmaram não se tratar do momento de glória de nenhum dos dois.
Às vésperas de completar quarenta anos de idade, tinha certeza de que podia afirmar ser uma pessoa de sorte. Noites felizes e repletas de emoção, como aquela que estava começando, tinham sido inúmeras na vida dela e de seu marido.
A primeira delas foi a da festa de casamento, que aconteceu pouco mais de um ano depois do pedido, porque os dois quiseram, antes das bodas, encontrar um apartamento maior, onde poderiam, quando chegasse o momento, criar seus filhos.
A celebração aconteceu na primavera, em Lima, em um grande jardim, com toda a família de sangue e a de coração reunida. Junto com o cunhado, havia cuidado de cada detalhe, pessoalmente, mesmo tendo que fazer tudo de Nova York, porque estava trabalhando em um musical novo. Tudo foi perfeito e, mesmo que não tivesse sido, provavelmente ela sequer teria reparado, pois teve seus olhos grudados em por toda a noite, a partir do momento em que caminhou em direção ao altar.
As noites em Paris, a "cidade luz", onde passaram a maior parte da lua de mel, e em Londres, onde fizeram questão de visitar alguns amigos dela e alguns lugares que povoavam a lembrança de ambos, também foram repletas de momentos inesquecíveis, de muitas declarações de amor eterno, de muito prazer a dois.
Outras noites vieram, ao longo dos anos, como a da primeira apresentação de como maestro titular de uma grande orquestra, ou aquela em que ele ganhou seu primeiro prêmio como regente, ou a da comemoração do lançamento do DVD comemorativo de aniversário da orquestra, durante o qual foi homenageado por seus colegas de trabalho.
Houve, ainda, as muitas noites de estreia de espetáculos de , e os lançamentos de seus trabalhos como cantora, quando apresentou ao público músicas que já eram especiais para o casal, e se tornaram grandes sucessos de crítica e de venda, como "My Perfect Link", "Get it Right", "The Magnet" e "Pretending".
Assim como o Sr. , a Sra. também havia se tornado uma profissional reconhecida e premiada. Colecionava dois Tony Awards como melhor atriz em musicais, sendo um deles por sua atuação na, também premiada, montagem musical de "Orgulho e Preconceito", de Jane Austen, com trilha sonora assinada pelo maestro e direção musical de Roy Finegan. Além disso, ganhou um Grammy de melhor canção por "You", uma das muitas composições inspiradas no marido.
Isso sem contar as noites maravilhosas que passavam juntos, surpreendendo um ao outro com jantares românticos, simplesmente pelo prazer de aproveitarem o momento a dois, ou para comemorar o aniversário de casamento, ou dar alguma notícia, como a de que havia um herdeiro a caminho.
Aliás, era também noite quando o primogênito, Aaron, chegou, e havia tanta gente no hospital que mais parecia uma festa. Os pais e a mãe dela disputavam espaço com os dele, mas de uma forma engraçada. Lisa segurava a mão de e dizia que tudo ia ficar bem, sabendo que era verdade, pois tinha sido assim nos partos de Beth, Bruce e Beatrice. Peter oferecia charutos a , Zach e Ed, enquanto o futuro papai quase furava o chão, de tanto andar em círculos.
É claro que a vida em comum não foi feita só de alegrias. e também tiveram que superar obstáculos.
Antes de se tornar uma artista premiada, ouviu muitos "nãos" em audições, recebeu recusas de gravadoras, teve que trabalhar em produções que pagavam mal, para ter alguma visibilidade, ou que pagavam bem, mas não tinham qualidade nenhuma. teve que fazer viagens com a orquestra, deixando sozinha, como eles mesmos tinham previsto, um tempo antes. Também teve que trabalhar muito duro para ter seu trabalho reconhecido e deixar de ser considerado só um protegido do antigo professor.
O nascimento dos filhos foi uma sensação indescritível, mas também trouxe responsabilidades inéditas, medos e emoções desconhecidos. Durante os primeiros meses, chorava junto com Aaron, sempre que ele chorava, deixando ora desesperado, ora irritado, até o momento em que ele começou a fazer piada da situação.
Aaron era uma criança calma, mas deu bastante trabalho, porque teve praticamente todas aquelas doenças infecto contagiosas que são super comuns nas crianças, mas desesperam os adultos. Depois veio a menina, a princesinha de , que, desde cedo, mostrou ter herdado o gênio forte e a garganta poderosa da mãe, enlouquecendo e , tirando muitas de suas noites de sono.
De qualquer maneira, , tendo acabado de completar quarenta anos, tinha certeza de que era um homem de sorte e essa noite no teatro só vinha para reforçar que todas as suas escolhas tinham sido as melhores, as mais perfeitas. Sentado na plateia, entre a esposa e o filho, provavelmente um futuro esportista, visto que, com apenas doze anos, já demonstrava vocação para o basquete, tinha, ainda, os pais, os sogros, o irmão e o cunhado, próximos a ele.
A cortina finalmente se abriu, tirando tanto quanto de seus devaneios muito similares. Começava a apresentação da adaptação musical de "As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e o Guarda-roupa", com músicas de Jacob Sullivan. No papel da pequena Lucy Pevensie, a filha de nove anos, a princesa da casa, Lea , começava cedo a seguir os passos da mãe.
Levada por Ken às audições, a garota encantara todos os diretores e produtores do espetáculo, com sua linda voz e talento nato para a atuação, tendo sido escolhida imediatamente. Somente depois de terem informado ao tio da menina que precisariam da presença dos pais, para assinar os contratos e discutir detalhes sobre o trabalho, os envolvidos na grande produção ficaram sabendo que a novata, apresentada como Lea , era, na verdade, a filha mais nova dos .
A estreia foi sensacional, levando toda uma família, e não só ela, às lágrimas, e agradou até mesmo Elijah, que se movimentou como nunca na enorme barriga de . Ela e sentiam muito amor e orgulho pela família que formavam, uma corrente com quatro elos perfeitos e a espera de mais um.
A história dessa corrente tivera início com uma forte atração, mas, quando nossos corpos falam, às vezes é preciso ouvir o que dizem os instintos, eles podem ser um jeito torno de as almas se comunicarem.
Talvez, o magnetismo entre dois corpos seja, em alguns casos, a linguagem que as almas gêmeas, separadas pelos deuses, escolheram para se reconhecerem e se reunirem, finalmente, aqui na Terra.
Juntas, sua longa jornada está apenas, e sempre... recomeçando.


Fim!



Nota da autora: Oi, geeente!! =) Essa fic foi postada aqui depois de muitas outras, mas foi a primeira que escrevi. Às vezes fico pensando que ela é bem "bobinha" perto das demais. O que vocês acham? Gostaram de lê-la? Quero saber, DE VERDADE!! Me contem, por favor!! (Fazendo os olhinhos do Gato de Bodas)
Beijo grande da Mari <3



Outras Fanfics:

Shortfics
03. The guy who turned her down | 03. Earned it | 05.All you had to do was stay | 05. Up all night | 07. Night changes | 07. In your pocket | 09. Fire Starter | 10. Better Than Revenge | 11. This Moment | 14. Blue | 15. Starlight | A bruxa tá solta, Insane Mardi Gras e Easter game (em continuidade) | Corações em pedaços | Fly me to the moon e Moonlight serenade (continuação) | Nem tudo é relativo | Provocadora gratidão | Season of love
Longas
A chave para o coração e Momentos chave de nossas vidas (continuação) | Dos tons pastel ao vermelho | Herança de Grego| No teu corpo | Quando nossos corpos falam | Segura, peão | Um (nada) santo remédio e O que não tem remédio (continuação)

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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