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Finalizada em: 26/05/2017




Capítulo 1



- Vinte dólares como olham. – repetiu, estendendo a mão para o garoto a sua frente com um olhar, no mínimo, convencido no rosto. Ele gargalhou, jogando a cabeça para trás sem levar aquilo a sério e ela precisou conter sua própria risada com sua atitude, limitando-se em chacoalhar a mão a sua frente como se pedisse para que ele apertasse. Aquele era o objetivo de uma aposta, afinal. Ela achava que estava certa, ele discordava e acreditava que não. Uma aposta parecia perfeito para resolver aquele impasse e , quando terminou de rir, aceitou a mão estendida, concordando com a cabeça sem perder o humor.
- Vinte dólares como ninguém liga. – ele falou e ela revirou os olhos.
nunca, jamais, passava despercebido em qualquer lugar. Era até um crime que ele não soubesse daquilo. Talvez só estivesse fingindo não saber, falsa modéstia, mas ela não se importava. Seria os vinte dólares mais fáceis que ela já ganhara na vida.
Quando o garoto fez menção de soltá-la, no entanto, ela intensificou o aperto, mantendo a mão dele junto com a sua por um instante e ele a encarou desconfiado.
- Não quer aumentar a aposta? – perguntou, decidindo não se limitar a uma quantia tão pequena já que era fácil. Sorriu largamente, piscando algumas vezes como se fosse uma pergunta totalmente simples e indefesa e ele riu mais uma vez antes de soltar sua mão.
- Não mesmo. – respondeu e ela fez bico, contrariada.
- Frouxo. – acusou enquanto o garoto se inclinava para o banco de trás do carro, pegando suas mochilas. Entregou primeiro a dela antes de pegar a sua. – Você está fazendo isso totalmente errado. – continuou, optando por se explicar quando se voltou para ela, confuso. – A aposta. Normalmente você aposta quando tem certeza de que está certo e, nesse caso, não tem medo do que está em jogo porque sabe que vai vencer.
- Bom, eu prefiro trabalhar com estatísticas. – ele devolveu, soando orgulhoso de sua própria resposta. - Ninguém está cem por cento certo.
revirou os olhos, deixando claro o quão absurdo achava aquilo.
- Você é capitão do time, não sabe estatística.
a encarou, fingindo estar muito chocado com sua fala mesmo que não estivesse e ela deu de ombros, indicando que não era nada demais. Todo mundo pensava aquilo, ela não era exatamente a única.
E pelo pouco que havia conhecido dele na noite anterior, sabia que estava certa. Mais uma vez.
- Isso foi preconceituoso. – acusou e ela ergueu uma sobrancelha como se o perguntasse se ele realmente levava a sério o que estava dizendo. - E rude.
- Você sabe estatística? – perguntou quando ele terminou e, em resposta, apenas riu mais uma vez, jogando sua mochila sobre o ombro antes de se virar para abrir a porta. – Espera no carro, eu abro a sua. – avisou antes de sair e ela franziu o cenho. As pessoas já olhariam estranho para os dois sem isso, mas se o garoto queria ajudá-la a ganhar os vinte dólares, bom, ela não reclamaria.
Mas o fato era que , definitivamente, não sabia fazer essa coisa de apostas.
esperou enquanto ele dava a volta no carro, se perguntando em que diabos de universo paralelo era aquele em que havia se enfiado. Nunca, nem em um milhão de anos, se imaginaria em um carro com . Nunca se imaginaria nem mesmo em um mesmo cômodo que ele se este não fosse uma sala de aula, com dezenas de carteiras entre os dois, que dirá ali, tomando carona com ele, e pior, realmente apreciando sua companhia.
Um universo paralelo, definitivamente, só assim conseguia imaginar seus pais em um relacionamento. Só assim para se conhecerem, mas , de qualquer forma, precisava confessar que levou tempo demais para acreditar que ele não ia simplesmente correr dela assim que seus pais não estivessem a vista. Que ele estava apenas fingindo ser sociável para agradar o pai.
Mas não, para sua completa surpresa era realmente sociável. E pior, não era o completo clichê jogador popular que ela esperava.
“Assustador”, pensou consigo mesma.
Quando o garoto abriu a porta, ela o encarou desconfiada e ele imitou seu olhar, a fazendo revirar os olhos mais uma vez.
- Sabe em que século estamos? – ela perguntou, não esperando uma resposta para continuar. – Século XXI, meu amigo. Homens não abrem mais a porta dos carros.
a encarou chocado. Ou tentou demonstrar isso, ela não caia naquela, não quando, apesar do queixo caído, ele ainda mantinha um meio sorriso no rosto.
- Com que homens você tem andado? – ele perguntou, mas riu em seguida. – A porta está enterrada. É difícil abrir. – confessou e então foi a vez dela de gargalhar. Agora fazia muito mais sentido. – Mas ainda acho legal abrir a porta. É educado.
- É desnecessário e no mínimo constrangedor. – devolveu, realmente não muito acostumada a galanteios.
- Constrangedor? – ele perguntou, sem entender o porquê daquilo.
- Você me largou sozinha dentro do carro para abrir a porta. É constrangedor.
- Como se você fosse do tipo que se constrange fácil. Por favor. – fez pouco caso, mas desviou o olhar discretamente para o seu redor quando a garota sorriu satisfeita, indicando que ele fizesse isso.
Como o esperado, todos os olhavam ligeiramente chocados. Garotas, é claro, que se perguntavam o que diabos os dois faziam juntos. sorriu satisfeita, o abraçou de lado para contar vitória e o garoto riu antes mesmo que ela começasse, fazendo o mesmo enquanto esperava o que vinha a seguir.
- Eu acho que eu ganhei. – falou, olhando para o alto por um instante ao fingir pensar sobre o assunto. Voltou a encará-lo logo depois, ignorando os olhares que lançavam a eles e, claro, os cochichos ao redor.
, o capitão do time, com a “who” que só participava das aulas de história e literatura. Todos estavam chocados e ela só conseguia achar graça do quão idiota aquilo soava. Quer dizer, eram apenas rótulos sociais totalmente sem sentido. Por que alguém deveria respeitar ou seguir aquilo? Por que acreditavam? Ninguém seguia na vida real, por que eles tinham que seguir no colegial?
O segredo para sobreviver na fase escolar, se você não fosse alguém como , era justamente não ligar para os rótulos, até porque, “who” era apenas o termo bonitinho que ela havia aderido para “loser”. Sorte dela não se importar.
- Isso sim é constrangedor. – falou ele, referindo-se a toda aquela atenção e cochichos ao redor. Não que ele não estivesse acostumado, não que já não acontecesse por onde ele passava, mas era um tipo novo de atenção, de certa forma. - Um cara abrir a porta é só educado.
- As duas coisas são constrangedoras. – ela devolveu, só então o soltando após ouvir um comentário um tanto quanto inadequado sobre aquilo. Se quer havia se dado conta de que andavam abraçados até então, como se aquilo fosse necessário para piorar os ânimos ao redor. riu ao notar e ela lhe mostrou a língua. – É para mim que vão continuar olhando o dia inteiro. – se justificou emburrada. - Em cinco minutos você vai ser só você. Já eu, não vou conseguir passar despercebida pelo resto do dia.
O garoto riu em resposta, passando o braço ao redor do seu ombro e ela o encarou irônica já que havia acabado de lhe soltar para evitar o mesmo comentário que o fez rir.
- Você tem que admitir que é engraçado. – ele falou enquanto andavam despreocupados pelos corredores. Talvez ela não tão despreocupada assim. Iriam infernizá-la sobre aquilo por alguns dias. – Foi só uma carona e está todo mundo olhando sem disfarçar, estão falando de namoro.
- Você está abraçado comigo, não sei se notou.
- Foi você que me abraçou primeiro. Só estou dando continuidade.
- Quer se divertir com minha dor e sofrimento?
- Mas essa é a melhor parte! – provocou eu riu, esquivando-se da garota quando ela tentou beliscá-lo. – Ai, não seja cruel com seu novo namorado. Ele é , afinal. – se gabou. Era praticamente uma piada interna já que ela havia repetido aquilo dezenas de vezes durante o jantar na noite anterior.
Ela olhou feio para ele, mas acabou rindo no meio do caminho quando uma garota, após ouvir a conversa, exclamou chocada sobre estarem mesmo namorando. Aparentemente, não era alguém capaz de entender ironia.
- Viu, somos o novo “OTP” da escola.
Ela riu verdadeiramente ao ouvir.
- Você com certeza não sabe o significado de “OTP”. Sabe, não estão olhando estranho porque nos idealizam como um casal perfeito, amor. Muito pelo contrário.
- Ah, desculpe, amor. – retrucou e uma garota que passou por eles arregalou os olhos, fazendo revirar os dela.
- Te perdoo só se tomar mais um gole da poção do amor que fez você se apaixonar por mim. Até porque, comigo, meu Deus, só assim.
O garoto riu, mas foram interrompidos pelo sinal que soara. deveria ir para o terceiro andar e ela para o próximo bloco, agora as pressas devido ao sinal.
- Te vejo mais tarde, querida? – continuou e ela revirou os olhos, o empurrando para que seguisse de uma vez seu caminho. riu pela atitude, voltando para lhe roubar um beijo na bochecha e fugiu antes que ela reclamasse ou lhe agredisse, exatamente como havia tentado fazer.
- Idiota. – acusou, mas não alto o suficiente para que os outros escutassem.
Infelizmente, no entanto, não era tão discreto.
– Também amo você! – ele gritou no meio do corredor, enquanto corria até as escadas e a garota xingou baixo pela atitude, sentindo os olhares queimarem às suas costas. E, claro, gargalhou em seguida, ela pode ouvir, mas não ficou parada para assistir, saindo dali o mais rápido possível para seguir até sua sala.

+++


tomou um susto quando seu armário foi fechado bruscamente, pulando no lugar e por pouco não perdendo a mão com a delicadeza da amiga.
Claro, ela estava sendo irônica quanto a essa coisa de “delicadeza”.
Olhou espantada para , mas a garota apenas riu, encostando-se no armário ao lado com a maior inocência do mundo, por mais falsa que fosse.
- Por que nunca me contou que é uma bruxa? – perguntou, com uma dose de humor, mas saber que ela estava brincando não deixou menos confusa.
- O quê? – perguntou, franzindo o cenho para a amiga.
- Estão comentando por ai sobre essa mágica que você fez para o . Sabe, o do time. – se explicou e ergueu uma sobrancelha, agora divertida. Só não sabia se mais por terem realmente levado a sério aquela coisa de namoro ou por achar realmente necessário explicar de que estavam falando, como se não soubesse. Pior, como se não tivesse chegado no colégio literalmente abraçada com ele. Bom, em defesa da amiga, se lhe contassem há dois dias que isso aconteceria, também acreditaria que era milagre. Ou, quem sabe, magia. Era praticamente a mesma coisa. – Na verdade, vieram me perguntar se vocês estavam namorando e, sério, de onde tiraram isso?!
não conteve uma risada, trancando o armário que havia fechado e ajeitando a mochila no ombro para caminhar para a próxima aula, com ao seu lado.
- Ah, não sei... – começou, se fazendo de desentendida embora tenha notado a pitada de ironia na sua voz, a encarando desconfiada. – Talvez estejam dizendo isso porque, bom, me deu uma carona até a escola. – confessou e riu quando , sem conseguir se conter, deixou o queixo cair, a encarando com um misto de choque e surpresa.
- Como? – perguntou automaticamente, sem parecer realmente pensar sobre isso, e riu mais uma vez de sua atitude.
- Lembra o namorado misterioso da minha mãe...?
- É o ?! – a interrompeu antes que ela completasse a parou onde estava, a encarando como se fosse completamente maluca.
Sendo , bom, não seria exatamente novidade.
- Ele tem nossa, idade, ! Ficou louca?! – perguntou e a encarou de forma acusatória.
- Mas estamos falando dele! – devolveu e revirou os olhos, voltando a andar. - Não estamos? – voltou a perguntar, agora confusa.
- É, minha mãe está namorando o pai dele. – explicou, notando alguns olhares em sua direção por onde passavam. Ninguém costumava se quer notar sua presença, então aquilo era, definitivamente, uma novidade. – E para de gritar no meio do corredor. – pediu, jogando em a culpa para aquela atitude mesmo que fosse de e da carona que recebera mais cedo.
- Certo, certo. – respondeu, rabugenta, sem notar qualquer coisa minimamente fora do lugar. – Então vocês se conheceram no jantar ontem? – quis saber e concordou prontamente.
- Isso.
- E ele te deu carona hoje?
- Yep. – concordou novamente, vendo menear positivamente com a cabeça como se tentasse absorver aquele fato. - Só vou poder pegar meu carro hoje a tarde. – se justificou, como se aquilo fosse realmente necessário.
Não era. Seu carro era a última coisa na qual estava pensando.
- te deu carona. – repetiu as palavras, ignorando qualquer outra coisa que a amiga pudesse ter dito e revirou os olhos apesar de não conseguir conter uma risadinha. Nunca se sentiu realmente impressionada com . Talvez com sua beleza, mas o fato dele ser uma espécie de celebridade simplesmente por ser do time jamais foi importante para ela. Mas, querendo ou não, ainda era . - Ow. - falou simplesmente e apesar de tudo foi obrigada a concordar depois que parou para pensar no assunto.
- Ow. – imitou.
Agora que o conhecia podia dizer que era um garoto como qualquer outro, mas não deixava de ser surpreendente quando aquela era a última coisa que ela esperava. Na verdade, agora até mesmo podia ver certas qualidades que jamais havia se quer estado perto de enxergar. A simpatia que distribuía a todos, a educação, o sorriso sempre presente em seu rosto, a forma calorosa como olhava para as pessoas, como se cada uma delas fossem importantes de alguma forma mesmo que não fossem.
Parando para pensar, talvez ele realmente fosse um garoto incomum, mas não da forma como todos pensavam, longe disso. Quando falavam de pensavam apenas na beleza, jamais no que ele era, na pessoa que ele havia mostrado ser e sem se dar conta, sorriu ao pensar nisso, que tinha tido uma oportunidade que poucos teriam.
- Mas agora que você já conheceu o capitão do time... – a trouxe de volta para a realidade e a encarou com um meio sorriso, não precisando de mais do que aquilo para saber onde a amiga queria chegar. – Acho que você bem que podia pedir para que ele me apresente o Nate. Eu sempre tive um crush no Nate.
- Como se eu não soubesse. – devolveu. – Aliás, como se eu não soubesse que você ia me perguntar isso.
deu de ombros, não tinha também como a garota não saber que adivinharia o rumo da conversa.
- Você não podia ter crush em alguém melhor, não? – continuou quando a amiga não o fez e bufou com a implicância. A mesma de sempre.
- Mais bonito, você quer dizer? – perguntou, mesmo que soubesse exatamente onde pretendia chegar. Não era como se fosse a primeira vez que tinham aquela discussão. - Não acho que isso seja possível. – sorriu cínica, mas fingiu não notar.
- Menos odiável, eu quis dizer.
- Ele não é odiável. – falou, soando impaciente mesmo que não estivesse e lhe encarou com ironia. – Ser galinha não o torna odiável. – se justificou. - Até porque, eu não quero namorar com ele. Não preciso que ele seja fiel para o que eu quero. Prefiro que não seja.
revirou os olhos mesmo que aquilo, de forma alguma, a surpreendesse, mas seu celular notificou uma nova mensagem e ela o pescou no bolso para descobrir quem era. Sua lista de contatos não era lá muito extensa. Normalmente se resumia em e algumas amigas virtuais que conhecera através das histórias que publicava na internet, mas se surpreendeu, no entanto, ao ver uma mensagem de ali.
Tão espantada quanto ela, arregalou os olhos ao espiar a tela do celular.
- Porra, ele já está te mandando mensagem via whatsapp?
- Isso é tão surpreendente para você quanto para mim. – respondeu, abrindo a mensagem para saber do que se tratava.

“Acho que deveríamos patentear sua poção do amor. Black Magic é um bom nome?”

Apesar do assunto da conversa ser um tanto quanto óbvio, franziu o cenho, ligeiramente confusa por ele ter voltado a tona.
riu, claramente entendendo do que ele falava, mas já respondia antes que ela falasse qualquer coisa.

“Patentear?”


“É, sabe, pra que ninguém tente roubar nossa ideia.”

“Eu sei pra que serve uma patente, .”


“Então por que perguntou?”
“Olha ao redor, não pararam de cochichar sobre nós até agora.”
“Ridículo, eu sei. E te devo vinte dólares, mas ainda acho que devemos patentear sua suposta poção mágica antes que comecem vender pela escola.”

Ela riu verdadeiramente com o rumo da conversa. Não era como se fosse possível vender algo que não existia, especialmente uma poção mágica já que até o nome já denunciava a mentira tão explícita.

“Você quer patentear uma poção mágica. Tem certeza que está se ouvindo?”

“Não precisa me ouvir para querer vender uma poção mágica, só ouvir as conversas ao redor. Você, definitivamente, não está ouvindo.”

“Sou boa em ignorar os outros.”


“Até demais, estou vendo.”

mandou algumas carinhas rindo, mas desviei o olhar para o sinal acima de nossas cabeças quando ele tocou, fazendo com que eu e nos encolhêssemos onde estávamos.
O celular vibrou mais uma vez e, novamente, me voltei para a tela.

“Precisa de carona para ir embora? Podemos conversar sobre patentes e valores no caminho.”

, nós não vamos vender uma poção mágica. Tenho certeza que isso é ilegal.”


“Comércio não é ilegal.”

“Propaganda enganosa sim.”


“Droga, você é tão sem graça.”
“Carona? Teria que esperar terminar o treino, mas não é tão horrível quando parece.”


- Se você não aceitar eu te mano. – falou ao seu lado rapidamente, antes que respondesse, e ela abaixou o celular por um instante.
- , eu não vou ficar horas esperando o treino terminar só para ir de carona com ele. – respondeu, achando a ideia, no mínimo, idiota. Sabia o que pretendia, jogá-la para cima de . Ela tinha aquela coisa de jogá-la para qualquer cara que fosse bonito e , bom, era . – Nem ao menos tem necessidade.
- Não tem necessidade? Se está dizendo isso esperando que eu te de carona, saiba que não vou se recusar. – falou, mais uma vez não surpreendendo com a chantagem. Outra coisa típica dela.
- Também não vai se eu aceitar, não é mesmo? – retrucou.
- , é .
- E daí? – perguntou, mesmo que soubesse a resposta para a pergunta. Ela só não via qualquer coisa entre os dois como via.
E se seus pais levassem mesmo aquilo a sério, a coisa de morarem juntos como haviam deixado escapar sutilmente durante o jantar, bom, seria ainda mais estranho que qualquer coisa acontecesse.
- Você vai mesmo desperdiçar essa chance que a vida está te dando? – perguntou e riu.
- A de ter um irmão? – provocou, rindo novamente quando lhe encarou desacreditada.
- A menos que vocês se matem e nasçam de novo na mesma barriga, não são irmãos. – devolveu. - Agora aceita essa carona. – segurou a mão de para erguer o celular de volta para ela, a obrigando a responder. Queria um sim, mas apenas agradeceu a ele, dizendo que já tinha carona para a casa.
tentou evitar que ela enviasse a mensagem, mas o fez tarde demais e bufou quando viu o que havia feito.
- Você está nos condenando a essa bolha social pelo resto da vida, espero que saiba. – acusou, lhe mostrando o dedo antes de virar no corredor onde teria a próxima aula.
- Vou te esperar no mesmo lugar de sempre! – respondeu simplesmente, divertida, e lhe mostrou o dedo novamente, sem se virar para ela.
- Vá para a casa a pé! – retrucou, mesmo que não fosse sério apesar do tom.
- Obrigada, amiga! – respondeu simplesmente antes de dar as costas também, seguindo para sua própria aula.




Capítulo 2



Tinha gente demais no estacionamento quando chegou na escola aquela amanhã e como se todos a esperassem, começaram a dispersar quando saiu do carro, aos cochichos, como se tudo tivesse voltado ao normal.
se surpreendeu por terem levado aquela coisa com tão a sério. Sabia a repercussão que teria ser vista saindo do carro com ele, mas jamais esperaria por aquilo, por aquele nível de infantilidade. O que haveria de errado se fossem amigos ou namorassem realmente? Eram apenas um homem e uma mulher como qualquer outro. Ele popular, ela não. Ele sempre simpático com qualquer um, ela mais fechada para as outras pessoas. Ele bonito, ela provavelmente não na visão de muitas pessoas, mas estava muito bem consigo mesma e talvez fosse aquilo que faltava nos outros. Um pouco de auto confiança para correrem atrás do que queriam ao invés de ficarem ali, perdendo tempo no estacionamento só para verem se ela chegaria ou não com , se aquilo podia mesmo acontecer ou não.
Chegaram ao ponto de acreditar em magia só para não admitir que aquilo era possível e quase desejou continuar com brincadeira que havia feito só para mostrar que todos estavam errados, que aqueles rótulos eram totalmente sem fundamento, que podiam estar juntos se realmente quisessem.
Suspirando, bateu a porta do carro, a trancando antes de seguir para seu armário. Ainda haviam alguns cochichos, mas ignorou todos eles, parando ao lado de ao encontrá-la em seu próprio armário.
- Já mandou mensagem para o hoje? – perguntou imediatamente, antes mesmo de olhar para a amiga que parara ali e acabou rindo daquilo sem que pudesse se conter.
- Bom dia pra você também, querida. – ironizou, vendo fechar o armário antes de se voltar para ela.
- Não falou com ele hoje, né? – suspirou decepcionada, sem lhe dar tempo para responder mesmo que não fosse ter exatamente uma resposta positiva. A última vez que falara com o garoto fora ontem a noite, mas trocaram poucas palavras, ele basicamente só queria saber se ela precisaria de carona novamente ou se já havia pego o próprio carro no mecânico. Ela até sentiu uma pontinha de decepção, mesmo que não fosse se deixar abater ou ao menos confessar aquilo em voz alta. – Você é totalmente ridícula.
- Quem? – foi interrompida e pulou no lugar quando falaram logo atrás dela. Era , que se aproximara junto com um amigo e foi a primeira a vê-los, rindo do susto que havia tomado.
Imediatamente, se virou, mas seu olhar caiu sobre o garoto junto com , com o braço ao redor de seus ombros. Também era do time e ela pareceu corar ao vê-lo, sem jeito, o que fez estreitar os olhos.
sem jeito era, definitivamente, uma novidade e também não deixou de notar o desconforto da garota, olhando dela para o amigo, confuso, antes de voltar a falar.
- Perdi alguma coisa? – perguntou e deu de ombros, se perguntando exatamente a mesma coisa.
- Também devo ter perdido. – respondeu e riu para tentar disfarçar, mesmo soando nervosa demais, até mesmo para que não a conhecia bem o suficiente quanto para notar.
- Eu que perdi, aparentemente. – se recompôs, como se nada tivesse acontecido mesmo todos tendo notado. – Desde quando conversamos? – perguntou, apontando de si mesma e para e seu amigo, mudando de assunto.
- Com você pode ser desde hoje. – respondeu. – , né? Esse é . Ele pediu para te apresentar a ele, mesmo que eu também não te conhecesse.
pareceu ainda mais sem jeito enquanto ria e soltou para encará-lo chocado, para se dizer o mínimo.
- Nossa, cara. Você é realmente muito bom nisso. – falou, com a voz totalmente carregada de sarcasmo.
- Obrigado. – devolveu e ele lhe lançou um olhar irônico.
- Eu não terminei, . – respondeu, soando impaciente. - Ia dizer que é bom nisso de envergonhar os outros. – esclareceu e apenas riu em reposta.
- Obrigado.
- Não era um elogio! – exclamou, de forma um tanto quanto exagerada e riu mais uma vez enquanto respondia:
- Vou levar como se fosse. Obrigado.
revirou os olhos, gesticulando para que deixassem de lado.
- Já nos conhecemos de qualquer forma. – falou e olhou de um para o outro de cenho franzido, como se perguntasse de onde e porque não sabia disso. Ele não era o único, fez o mesmo.
- Seria ótimo que não. – murmurou baixinho, mais para si mesma do que para os outros, mas não teve dificuldade para ouvir, encarando a amiga brevemente enquanto tentava lembrar de algo que a ligasse a . havia surtado totalmente por conhecer alguém do time e também conhecia. Algo soava errado, especialmente o constrangimento dela em relação a ele e quando finalmente se lembrou, deixou o queixo cair.
.
Ela havia perdido a virgindade, bêbada, para um tal de . Nunca o culpou pois estava tão chapado quanto ela. havia comentado sobre o assunto com ela na época. Não reclamava de ter feito aquilo bêbada, não lembrar dos detalhes era até melhor pois sabia que havia sido humilhante, pelo pouco que lhe vinha a mente quando tentava pensar sobre e riu ao lembrar da história. De toda ela. fugira do garoto antes que ele acordasse. Soube que ele foi atrás dela, mas jamais havia dito que era, ou como havia simplesmente conseguido se livrar dele.
Aparentemente, havia feito algo certo, mesmo naquela época, pois o garoto ainda queria algo com ela e riu por isso.
- Quieta. – reclamou, empurrando com o ombro ao se dar conta de que ela havia ligado os pontos e a garota lutou para segurar o riso ao notar o olhar questionador de sobre ela.
- Não disse nada. – respondeu e franziu o cenho mais uma vez.
- Adoraria que tivesse dito, só para que eu entendesse o que está acontecendo. – falou e deu de ombros, como se não fosse nada de mais.
- É melhor deixar pra lá. – falou em favor da amiga e concordou, desviando o olhar quando notou o de sobre si.
Em silêncio, e se entreolharam, segurando o riso, mas desviaram o olhar um do outro quando uma garota passou lhes encarando, atropelando um armário aberto graças a distração. A garota segurou o nariz enquanto os quatro a encaravam e quando ela notou, arregalou os olhos, praticamente correndo para longe sem se importar com o quão estranho aquilo soaria.
- Será possível que ninguém consegue ver o quão ridículos estão sendo? – perguntou, realmente frustrada com aquilo e deu de ombros antes de se voltar para o grupo.
- Eu se fosse os dois, me aproveitava da ignorância alheia e vendia uma poção do amor. – sugeriu e acabou rindo.
- Agora eu já sei de onde veio a ideia. – falou, como se tudo fizesse sentido agora.
concordou, embora tentasse demonstrar decepção.
- É, cara. – se voltou para , se apoiando em seu ombro antes de voltar a falar. - Eu tentei, mas ela não quis.
- E daí? – perguntou. - A gente vende e divide os lucros em dois, não em três.
- Perfeito. – aprovou, erguendo a mão para trocar um high-five com o amigo.
revirou os olhos, mas se voltou para ela, os olhos animados de repente e soube que ela havia apoiado aquela loucura.
- , qual é. – reclamou, mas a garota não lhe deu ouvidos.
- ), é sério! É uma ótima ideia! – falou rapidamente e a encarou como se fosse louca.
- Não é não. – rebateu.
- , não param de falar dos dois por ai! É idiota, eu sei, mas é a realidade! – disse e concordou imediatamente, assim como .
- Quando as pessoas falam que eu devo ter feito alguma macumba para que o se aproximasse de mim, elas não estão falando sério. – observei, como se falasse com três crianças, mas nenhum deles pareceu nem mesmo perto de se importar.
- Podemos induzi-las a acreditar. – sugeriu e os outros se voltaram para ele. – e são outro casal improvável. Nós fingimos namoro, eles fingem namoro, comentamos aqui e ali sobre termos nos apaixonado de uma hora para outra e “tadam”. Feito.
negou com a cabeça assim que ele terminou de falar, mas se voltou animada para ela, como se a ideia fosse totalmente genial.
- Você pode me oferecer a poção no banheiro. Só ficarmos de olho quando alguém entrar lá e conversamos como se não soubéssemos que está lá. É perfeito. Só vamos precisar esperar a fofoca correr.
- Perfeito? – perguntou, desacreditada. - Vocês são loucos, ninguém vai acreditar nisso! – exclamou, se perguntando onde havia ido parar todo aquele receio de com . Não conseguia olhar para ele sem corar e agora queria fingir namoro.
- A gente nem fez nada e já acreditam. – deu de ombros e negou com a cabeça mais uma vez. Negar era tudo que ela fazia, mas, aparentemente, sua opinião não estava valendo muita coisa.
- Sem chances disso dar certo. – insistiu.
- A gente ainda pode tentar. – respondeu, aproximando-se para passar um dos braços sobre seu ombro. o encarou desconfiada e ele fez bico. – O quê?! Somos namorados, lembra?
- Não! – ela devolveu rapidamente. – Não lembro nem de sermos namorados e nem de eu ter concordado com essa besteira!
- )... – ele pediu, a trazendo para mais perto e a garota se esqueceu de respirar por um instante, mas olhou feio para ele assim que notou que fazia de propósito. Não para deixá-la desconcertada exatamente, mas para mostrá-los como um casal para quem passasse e ele riu. – Certo, então fazemos outra aposta. – sugeriu e ela revirou os olhos.
- Você ainda nem me pagou a anterior, .
- Paga em comida quando saírem juntos! – sugeriu antes que o fizesse. – Mas tem que ser no MiSUI’s, o pessoal da escola frequenta muito lá.
- , pelo amor de Deus...
- Ótimo! Adorei! – respondeu, interrompendo que se soltou dele para encará-lo, atônita.
O garoto apenas riu, a puxando para seus braços em um abraço e ela o estapeou antes de se soltar novamente.
- Para com isso! – bateu o pé e ele riu mais uma vez. – Eu não concordei ainda, você não pode fazer isso.
- Adorei o “ainda”. – observou e ela lançou a ele um olhar mal humorado.
- Vai se fuder. – reclamou e riu.
- faz isso dos abraços com todo mundo, relaxa. – esclareceu. – Mas ainda acho que você deveria aceitar.
- E como eu estava dizendo, podemos fazer uma aposta. – voltou a falar. – A gente tenta, se parecer dar certo, eu ganho a aposta e a gente faz.
- E se não der certo? – perguntou e gesticulou em sua direção, como se dissesse que era ela quem decidia.
Satisfeita com aquilo, parou por um instante, pensativa, e lhe encarou desconfiado, como se tentasse decidir se tinha sido uma boa ideia deixar que ela decidisse sozinha.
- Estou achando que vou me arrepender disso. – comentou e sorriu travessa ao pensar em algo. – Droga, definitivamente vou. – continuou ao ver a expressão em seu rosto.
- Você vai para o baile só de cueca. Uma brilhante. Ou talvez com glitter, até lá eu posso decidir.
fez careta enquanto e gargalhavam e o garoto olhou feio para o amigo em resposta a sua atitude.
- Eu adorei a idea! – exclamou, ainda entre risos enquanto deixava o queixo cair.
- Não mesmo! – reclamou.
- Cara, nós não vamos perder, relaxa. – o tranquilizou, mas não pareceu muito satisfeito.
- Legal você falar nós quando não tem nada a ver. – observou, mas continuou indiferente.
- Foi você que inventou isso da aposta, nada mais justo. – respondeu.
- Mas você bem que vai se aproveitar.
- A gente podia ter chegado a um acordo de outra forma, se não chegamos a culpa foi sua.
- Se chegamos foi culpa minha! – exclamou, mas como se só então se desse conta de que, na verdade, não havia dito nada, se voltou para ela. - Chegamos a um acordo? – perguntou para a garota e ela suspirou, vencida.
- Com a aposta, sim. Chegamos.
- Yey! – ele comemorou, abraçando-a mais uma vez e passou os braços ao seu redor, sem jeito. – Sabe, você vai ter que ser mais convincente do que isso se quiser que dê certo. – sussurrou em provocação e ela o beliscou por isso, fazendo com que risse ao soltá-la. – Vamos ter que trabalhar mais nisso, mas vou deixar para nosso encontro hoje a tarde.
- O quê?! – exclamou, espantada, mas não deixou que ela se afastasse como tentou fazer, a mantendo perto enquanto a abraçava de lado.
- MiSUI’s, lembra? – perguntou e ela arregalou os olhos, mas não teve tempo de dizer nada antes que o fizesse:
- E na terceira aula vamos vigiar o banheiro para por minha parte genial do plano em prática.
- Eu achava que era só pra ver se daria certo! – falou, desacreditada, e apoiou sua cabeça na dela, de lado, enquanto fazia um carinho desajeitado em seus cabelos. Ela o olhou de canto de olho, não levando aquilo a sério.
- Amor, amor. Olha o escândalo. – a repreendeu, mas parou o que fazia, rindo, quando ela tentou estapeá-lo pela atitude. – Vamos ter que trabalhar dessa agressividade também.
- , vai se fuder. – ela o xingou mais uma vez e se limitou em rir.
- Respondendo a sua pergunta feita aos berros, a gente vai ver se dá certo colocando em prática antes de comercializar.
- Eu não lembro de ter concordado! – voltou a exclamar.
- Mas concordou, agora já era. – respondeu, puxando para seu lado. – Agora nós já vamos antes que você desista.
- Como eu vou desistir de algo que eu nem concordei em fazer?! – perguntou, mas eles já davam as costas.
- Concordou sim. – repetiu, mas saiu andando quando se voltou chocada para ela. – Nos vemos em frente ao banheiro na troca da terceira aula.
- !
- Tchau, até a terceira aula! – gritou ao longe enquanto acenava, deixando plantada ali, no meio do corredor, com dezenas de alunos a encarando.

+++


Por mais irritante e absurdo que fosse, e era, o plano de havia dado completamente certo. ainda não acreditava nisso, mas havia dado. Bastou três minutos esperando para que entrassem no banheiro e como se fosse ironia do destino, a garota que entrou foi a melhor para a tarefa. Espalharia o boato em cinco minutos, no máximo, e elas nem precisaram ter muito trabalho. Entraram no banheiro como se acreditassem que não havia ninguém lá. fingiu um crush em e ofereceu a ela a receita perfeita para deixá-lo aos seus pés.
Com isso, estava feito. Todos olhavam para eles no intervalo e a fofoca só aumentou quando se juntou a mesa de e , deixando os amigos do time de lado. Aliás, até mesmo os meninos do time pareciam confusos, menos , que parecia segurar o riso com os comentários que escutava.
Por fim, em casa, estava jogada na cama de braços abertos por cerca de meia hora. Era fácil lidar com , confortável, mas ela não conseguia evitar aquele incomodo por saber que sairia com ele em duas horas. Só havia ficado sozinha com ele uma vez, por pouco tempo, e a intenção não era fingir um namoro.
Ela não sabia se deveria se vestir diferente ou se portar diferente, ou não, mas a campainha a trouxe de volta de seus devaneios, fazendo com que ela suspirasse antes de se levantar da cama, onde ela havia ficado a tarde toda.
Preguiçosamente, seguiu até a porta e franziu o cenho ao espiar no olho mágico antes de abrir a porta. A garota era familiar, provavelmente da escola pela idade que aparentava ter. não entendeu de imediato e negou com a cabeça quando uma possibilidade surgiu. A possibilidade igualmente mais provável e improvável, apesar de contraditório, e abriu a porta de uma vez após negar com a cabeça sem querer acreditar realmente que a garota estava lá pelo motivo que ela acreditava estar.
Assim que a viu, a garota congelou onde estava, mordendo o lábio inferior, insegura, enquanto esperava que ela dissesse algo. Ouviu um riso do outro lado da rua e quanto olhou naquela direção notou que a garota viera em um grupo, controlando o ímpeto de revirar os olhos.
- Vai dizer alguma coisa, ou...?
- Desculpa. – ela pediu, olhando brevemente para trás. As garotas gesticulavam para que ela fosse em frente e se perguntou se elas realmente acreditavam que aquilo era uma atitude minimamente aceitável, quer dizer, discretas elas não estavam sendo. – E... eu perdi uma aposta e elas me mandaram vir perguntar se... O que, na verdade, você fez.
- O que eu fiz sobre...? – perguntou, mesmo ciente do que se tratava. Não dava exatamente para não saber, por mais triste que fosse estar certa. E ela sabia que estava.
- O . – disse finalmente e quase riu. Estava realmente certa, mas não ficava exatamente feliz com isso.
- É sério mesmo? – perguntou, não tão desacreditava quando gostaria porque, depois de toda a repercussão no colégio, a pergunta não parecia assim tão absurda, por mais que lhe incomodasse o fato de terem chegado ao ponto de baterem em sua porta para perguntar. Quis bater a porta na cara da garota, mas ao invés disso, esperou. Queria, realmente, saber o que se passava na cabeça delas para fazerem aquilo.
Céus, não era realmente possível que estavam acreditando em mágica. Que mágica podia trazer o garoto que queriam. Era absurdo.
- É... – a garota olhou novamente para trás e dessa vez, revirou os olhos.
- Olha pra mim enquanto fala. – pediu e a garota o fez, parecendo ligeiramente amedrontada como se realmente fosse fazer algo contra ela. Patético. – Só... fala. – pediu e a garota concordou.
- Sabe, você tem isso... – começou e, pacientemente, esperou. – Que fazem os garotos quererem mais.
- Os garotos? – perguntou. Até onde sabia, só tinha um garoto, e nem era de verdade, mas ela concordou com a cabeça.
– É, de repente eles estão falando de você. Os garotos. Ninguém sabia quem você era e, de repente, todos sabem. Todos falam de você.
- Oh. – soltou, espantada, sem esperar pela notícia mesmo que fizesse sentido se parasse para pensar. A escola era grande demais para que alguém conseguisse se destacar, mas os boatos haviam feito aquilo com ela, haviam trazido a atenção. Já sabia, inclusive, que estavam falando dela, mas esperava que fossem apenas as garotas.
- Meu namorado... – ela começou novamente e voltou a prestar atenção em sua fala. – Ele diz que me ama, mas nunca tem tempo. Ele não me dá atenção e eu... Eu queria o que você tem. – completou, com todas as letras, e suspirou.
Elas estavam realmente acreditando naquilo, em uma poção mágica que não existia. A garota a sua frente era linda, porém totalmente insegura e podia apostar que uma dose de convicção em si mesma resolveria, sorrindo quando o pensamento lhe deu uma ideia. Na verdade, a ideia não era dela, era a ideia de e , mas não importava.
Ela sabia o que aquela garota precisava, e não só ela. A poção do amor podia não existir, mas não era disso que precisavam, era apenas de um pouco de confiança e podia resolver isso se fizessem tudo certo.
- Desculpe. – falou por fim, mantendo o sorriso no rosto. Um mais convicto, transmitindo a ela toda confiança que a garota deveria ter, mas não tinha. – Não estou comercializando. – dando de ombros como se estivesse se sentindo muito culpada por isso, fechou a porta, tirando imediatamente o telefone do bolso para ligar para .
Iriam comercializar a tal de poção do amor.




Capítulo 3



Essa coisa toda de mágica podia não existir, mas estava quase acreditando em destino. Ou nas ironias dele, no caso, já que aquilo definitivamente era uma. Fazia tanto tempo que não tinha uma aula vaga que se quer lembrava de como era e a estava aproveitando da melhor forma, lendo o mesmo livro pela terceira vez, quando recebeu uma mensagem de . Ele tinha aquele tempo vago e descobrira, através de , que também estava livre.
Os dois, e , vinham se falando muito nos últimos dias. Isso, é claro, graças ao empenho da amiga em juntar os dois, o que na opinião de , estava longe de acontecer. Mas não importava. usava os planos sobre a poção mágica como desculpa para colocá-los juntos sempre que podia e mal esperava para ver a desculpa que ela havia usado para colocá-la junto com mais uma vez.
Descobriria logo, de qualquer forma, já que o garoto estava indo até lá e deixou o celular de lado após lhe dizer onde encontrá-la, voltando a se concentrar em seu livro no instante seguinte.
Uma sombra a sua frente, no entanto, fez com que ela erguesse o olhar. Por um segundo se perguntou como havia chegado até o jardim tão rápido e, principalmente, lhe encontrado, mas deveria ter imaginado simplesmente que não era ele. havia dado um jeito de espalhar que a convencera a vender a suposta poção e, desde então, ambas eram abordadas hora ou outra. tinha até medo de pensar como fariam para realmente vender aquilo. Já tinham uma fórmula doce para colocar nos frascos que arranjara, mas sair pela escola realmente vendendo aquela farsa soava preocupante. Ela não tinha muita certeza de que era cara de pau o suficiente para isso.
- Você vai falar alguma coisa, ou... – começou quando a garota a sua frente não disse nada, apenas permaneceu ali. Ela usava uniforme das líderes de torcida e já imaginou que boa coisa, não era. Podia ser o mesmo preconceito que ela tinha com os garotos do time até conhecer e , mas a cara de poucos amigos e a postura superior da garota parecia indicar que não. apostaria nisso.
- Eu não sei o que você está fazendo, mas é bom parar. – falou em tom de ameaça e não conseguiu segurar o riso debochado.
- Como é? – perguntou. Sabia do que a garota estava falando, mas querer ameaçá-la a parar era ainda mais ridículo do que todos estarem, de fato, acreditando em uma poção mágica.
- Eu disse que é bom parar. Não ouviu? – a garota repetiu e não foi capaz de controlar a expressão de pouco caso em seu rosto. Não conseguindo se sentir nem mesmo um pouco ameaçada, como a outra certamente estava tentando fazer.
O motivo da abordagem era tão absurdo que ela não podia deixar de achar cômico.
- Preferia não ter ouvido, com certeza. – devolveu sem pensar muito no que dizia, preferindo ignorá-la ao voltar seu olhar para o livro novamente. Quando a garota não disse nada, suspirou, virando uma página. – Suas queixas já estão anotadas, pode ir embora agora.
- Eu não terminei. – a morena a sua frente retrucou e fechou o livro, voltando a encará-la.
- Seria menos humilhante pra você mesma se tivesse, mas se quer continuar, vai em frente. – provocou, agora propositalmente e a garota lhe fuzilou com o olhar pela resposta. , é claro, lutou mais uma vez para segurar o riso, antes que ficasse realmente ruim para ela.
Se perguntou se a garota estava ouvindo a si mesma. Tudo parecia tão ridículo aos seus ouvidos, como a garota não conseguia se dar conta?
- Eu ouvi os boatos e se você realmente fizer o que estão dizendo por ai, eu vou dar um jeito de te pegar por isso. – ameaçou e apenas concordou com a cabeça, sem se abalar apesar daquilo ser ligeiramente preocupante já que realmente não era legal. Podia não ser como vender drogas, mas com certeza não seria muito bem visto.
Isso se alguém acreditasse que tinha gente vendendo uma poção do amor.
- Já pode me considerar avisada. – respondeu, sentindo-se realmente mais tranquila com seu último pensamento. - Só isso?
- Eu vou adorar tirar esse sorrisinho debochado do seu rosto. – ameaçou mais uma vez e apenas concordou com a cabeça.
- Boa sorte com isso.
- Está tudo bem aqui? – perguntou ao se aproximar, sério de uma forma que ainda não o tinha visto. Ele era bons vinte centímetros mais alto que a garota e apesar de jamais ter parecido intimidador para , naquele momento ela quase me sentiu mal pela outra. Quase, porque ela certamente merecia o olhar duro que ele direcionou a ela.
- S... só estávamos conversando. – gaguejou, como se tivesse sido pega fazendo algo muito, muito errado.
- E você já pode ir. – devolveu, acenando para ela quando esta lhe encarou novamente. – Tchau. – provocou mais uma vez, sorrindo largamente, e se divertiu internamente quando a outra trincou os dentes, claramente irritada. Ela olhou para , como se ele fosse fazer algo para defendê-la, mas ele apenas a encarou como se perguntasse o que ainda estava esperando.
- Você ouviu. – repetiu e, bufando, a garota deu as costas, sem dizer mais nada ao se afastar dos dois que a acompanharam com o olhar.
Apenas quando decidiram que ela já estava longe o suficiente, e começaram a rir, sem que ninguém precisasse dizer nada. deixou a mochila cair no chão, próxima a de antes de se jogar ao seu lado, sentando-se com ela embaixo da árvore.
- Está ai um momento que ela jamais vai esquecer na vida. – comentou e apenas riu mais, negando com a cabeça antes de encostá-la no tronco atrás de si. Ele fechou os olhos por um instante, como se aproveitasse o sol, e o encarou, não podendo deixar de notar o quão bonito ele era, especialmente daquela forma, com os olhos fechados. E ela gostava da cor dos seus olhos, gostava de olhar para eles também, mas algo lhe atraiu na forma como ele ergueu a cabeça na direção do sol, a luz iluminando sua pele, destacando todos os traços de seu rosto, os lábios avermelhados. Era um momento totalmente simples, um gesto simples, mas ela desejou poder gravá-lo de alguma forma. Uma foto, uma pintura. Ele parecia totalmente digno de uma pintura.
Apenas dois segundos se passaram antes que voltasse a abrir os olhos e desviou o olhar imediatamente, condenando-se pelo que havia feito. Sentia-se totalmente orgulhosa por ser a única a não cair nos encantos do garoto e seria ótimo se continuasse assim.
- Pode olhar, ainda não estou cobrando. – ele caçoou, deixando claro que o gesto não passara despercebido. Imediatamente, sentiu as bochechas esquentarem por ter sido pega no flagra, mesmo que isso não a tenha impedido de lançar um sorriso irônico em sua direção, como se ele fosse totalmente louco por insinuar aquilo.
- Você deveria pelo menos arrumar o cabelo se quiser cobrar. Ele está bagunçado de um jeito totalmente esquisito. – provocou, como se aquele fosse o único motivo para encará-lo e apenas riu, nenhum pouco preocupado com seu penteado e, menos ainda, levando a sério sua desculpa.
- Vai se sentir melhor se eu fingir acreditar que estava me olhando só por isso? – ele ergueu uma sobrancelha para ela, ainda sem se afastar da árvore e espelhou o ato.
- E eu estaria olhando por quê? – ela riu debochada, virando-se em sua direção. – Para toda essa sua beleza sobrenatural?
- É, exatamente por isso. – respondeu sem se mover e ela concordou, com se apreciasse sua coragem em pensar aquilo.
- Claro, continue acreditando nisso. – retrucou, voltando para a posição inicial, encostada no tronco da árvore, lado a lado com ele. - Amor próprio nunca é demais.
– Amor próprio, sei. – ironizou, passando um dos braços por seu ombro. Não era privilégio dela, sabia. fazia muito aquilo, mesmo já havia alertado, mas o encarou desconfiada mesmo assim, era inevitável para ela que não estava acostumava com todo aquele contato. Em resposta, escondeu o rosto em seu pescoço e riu divertido, perto demais de seu ouvido para ser saudável. – Estão olhando. – explicou ali, baixo o suficiente para que só ela ouvisse mesmo que não tivesse ninguém tão perto a ponto escutá-los, mas a impediu de procurar quem olhava, a segurando delicadamente pelo queixo para isso quando tentou olhar ao redor. Por um instante, perdeu o ar ao encontrar seus olhos, perto demais dos dela e não foi capaz de se dar conta de que uma de suas mãos havia ido para o peito dele até que fosse tarde demais. Quando notou, se afastou rapidamente e riu de sua atitude, fazendo com que ela o encarasse, chocada, ao se dar conta do que havia acontecido.
- Não tinha ninguém olhando! – acusou e ele apenas riu mais uma vez, cruzando os braços atrás de sua própria cabeça, despreocupado. – !
- Você jamais vai saber se tinha ou não. – respondeu e ela deixou o queixo cair.
- Ah, eu tenho certeza que sei!
- Tem? – ele perguntou, se fazendo de desentendido e ela o estapeou, o levando a rir mais uma vez. – Agora pelo menos sabemos que não é só amor próprio. – completou e se odiou por corar ainda mais com sua fala, querendo, mais uma vez, socá-lo, mesmo que aquilo fosse apenas lhe entregar. Ainda mais do que ela já havia feito, alias.
Não que precisasse realmente disso. Não achava que ainda existia muita dignidade ali.
Ela abriu a boca para xingá-lo novamente, não conseguindo acreditar que ela, em algum momento, pode ter desconfiado de que ele não sabia a beleza que tinha. Coitada, ela é que não sabia de absolutamente nada e antes que pudesse realmente falar, o fez, mudando completamente de assunto como se o que tivesse feito não fosse nada demais.
Exceto que, bom, era.
- Acho que deveríamos vender nossa poção só para garotas que realmente precisem. – sugeriu repentinamente, olhando um ponto qualquer a sua frente.
- Você vai mesmo só falar de outra coisa? Mudar de assunto, assim? – perguntou, chocada, e ele voltou a lhe encarar com um olhar um tanto quanto sugestivo.
Ela, definitivamente, se arrependeu da pergunta.
- A gente pode continuar se você quiser. Não sou eu que tenho problema com ele.
- Vamos seguir. – ela respondeu rápido, até demais, e ele riu, apontando com a cabeça para um ponto mais a frente. acompanhou seu olhar, vendo a mesma garota com quem falavam há pouco aborrecer uma segunda menina, que se encolhia timidamente enquanto ela falava.
- Com certeza. – concordou ao ver a cena. Ambos sabiam que a poção não existia de verdade e não podia realmente trazer o efeito desejado devido a isso, no entanto, acreditar que podiam era tudo que garotas como aquela, que se deixavam intimidar, precisavam para se sentirem confiantes. imaginava, sinceramente, que poderia ajudar, mesmo receosa de que ainda assim, tudo podia dar errado.
- Isso quer dizer que já podemos trabalhar em um slogan? – perguntou, chamando sua atenção novamente e riu, sem levar aquilo muito a sério.
- Slogan?
- Se você quiser, pode ser um feitiço para que a poção funcione, mas ai seria meio humilhante. – sugeriu, voltando a fechar os olhos enquanto aproveitava o sol da manhã.
- O que você cheirou? – perguntou enquanto o encarava, mesmo que ele não pudesse vê-la.
- Sua poção mágica, aparentemente. – respondeu e ela revirou os olhos, mas ele continuou, voltando a abrir os seus. – Cheias de mel, só para deixá-lo mais doce. – começou aos sussurros, para conquistar um ar mais misterioso, e ela o encarou de forma um tanto quando cômica. Na verdade, era mais com se perguntasse se ele estava mesmo falando sério e, divertido, se inclinou em sua direção. - Bola de cristal, para ajudá-lo a enxergar o que está perdendo... – continuou no mesmo tom.
- Você definitivamente cheirou alguma coisa. – o interrompeu e ele riu, segurando os dois lados de sua jaqueta para trazê-la para mais perto. Ela estreitou os olhos, desconfiada.
- Então venha, venha pegar enquanto ainda tem tempo. – aumentou o tom de voz, finalmente a soltando para abrir os braços enquanto ria de si mesmo e olhou ao redor para se certificar de que ninguém havia visto aquilo. – Foi o , na verdade. E ele realmente estava bêbado. – voltou a se apoiar na árvore, rindo.
- Agora faz sentido. – ela respondeu, tentando decidir se era para ter parecido engraçado.
- Mas a gente ainda pode usar o slogan: “Deixe seu garoto de joelhos”. Até porque a ideia do se quer é um slogan. – sugeriu.
- , os dois slogans são péssimos. – deixou claro, o fazendo rir novamente e dessa vez ela o acompanhou. - Sem slogan, por favor. Não vamos fazer disso ainda mais humilhante.
- Humilhante para os outros, não pra gente. – retrucou e ela concordou imediatamente.
- Exato, mas vai ser um problema a menos quando descobrirem.
- Não vão descobrir. – falou com convicção e ela fingiu acreditar nele. abriu a boca para continuar, mas seu celular vibrou no bolso e o garoto o procurou para olhar o que era. – É , tenho que ir. – avisou, aproximando-se dela para lhe roubar um beijo na bochecha.
revirou os olhos.
- Não tem ninguém olhando, . – o lembrou e ele apesar sorriu enquanto pegava sua mochila no chão para se levantar.
- Eu sei. – respondeu, piscando para ela antes de se afastar.

+++


- Tudo parece certo para mim. – deu de ombros, se jogando para trás na cadeira de balanço onde ela estava sentada junto com . – Podemos começar as vendas amanhã.
- Não acredito que realmente vamos fazer isso. Só eu consigo ver o tamanho da loucura?
- Você concordou com ela. Não dá mais pra voltar atrás agora. – respondeu, deixando de lado a caixinha onde haviam colocado as supostas poções. Era uma caixa pequena, com apenas seis vidrinhos tão pequenos quanto. Haviam decidido restringir o público. gostava de pensar que isso era por cautela, mas de acordo com era apenas uma estratégia de venda. As pessoas se empolgam mais com o que é exclusivo, restrito a um pequeno público. Todos iam querer o que tinham, mas poucos poderiam ter. Era bom, de certa forma, para controlar o público. Distribuiriam para garotas que não sabiam o quão lindas e especiais eram, que mereciam uma dose de segurança e então tudo daria certo. Pelo menos esperava que sim.
- Adoraria não ter concordado. – se lamentou, pensando inevitavelmente em tudo que poderia dar errado e jogou os braços para o alto, desacreditada.
- Ah não, de novo não. – a empurrou com o pé para que deixasse de ser chata, mas fez o mesmo e ambas riram ao iniciar uma briguinha que não tinha como dar certo. Não sobre uma cadeira de balanço que, como o esperado, passou a balançar.
- , vamos cair! – a repreendeu, entre risos, mas não parou o que fazia, empurrando a amiga com os pés mais uma vez.
- ! – reclamou também, mas já era tarde e como esperado, a cadeira virou, fazendo com que fossem ao chão. tentou amenizar a queda com as mãos, evitando bater o rosto no chão, mas dificultou o trabalho quando caiu por cima. Riu por ter tido sua queda amenizada pelo corpo da amiga, mas o banco voltou em sua cabeça, a fazendo gemer e rir enquanto ela levava as mãos até a região atingida.
- A melhor cena do dia, definitivamente. – ouviram uma segunda voz e arregalou os olhos ao reconhecê-la, erguendo a cabeça apenas para comprovar que era realmente ali, junto com , para sua surpresa.
- Filmou? – perguntou e , que ainda não erguera a cabeça, o fez, encarando os dois assustada. – Não estamos filmando! – falou ao notar seu desespero, rindo em seguida enquanto erguia as mãos em sinal de rendição.
- Vocês vão levantar, ou... – perguntou e só então se deram conta de que ainda estavam jogadas no chão, uma sobre a outra e praticamente embaixo da cadeira de balanço. Rindo, se aproximou, afastando a cadeira para que conseguisse sair de cima da amiga.
- Vocês não deveriam ter batido na porta antes de entrar? – perguntou, olhando de um para o outro enquanto estendia a mão para , que a aceitou de bom grado apesar de se levantar ligeiramente sem graça pelo ocorrido. Ele sorriu e ela fez o mesmo, por mais constrangedora que fosse a situação.
- Se vocês não estivessem tão ocupadas atacando uma a outra teriam ouvido a campainha. – acusou. – E sua irmã é ótima. A agradeça depois por ter aberto a porta.
- Se você não agradeceu, por que eu deveria fazer? – retrucou rapidamente.
- Pra fingir que tem educação. – ele respondeu como se fosse obvio e ela apenas revirou os olhos ao invés de responder, vendo o garoto se aproximar da caixinha com as poções. Ele tirou um vidrinho de lá, o entregando a antes de pegar outro. – Ficaram ótimos. – falou, analisando o vidro e precisava concordar que haviam feito um ótimo trabalho, por pior que fosse aquilo.
Os frascos eram como pequenos tubos de vidro com uma rolha de tampa. Para deixar mais artesanal, haviam prendido um lacinho roxo no topo da tampa, um do tom exato do líquido dentro do frasco. Era apenas água, corante artificial e um pouco de mel.
- Você que vai distribuir? – perguntou a e ela concordou. Ninguém estava realmente confiando no poder que tinha para mentira. – Começamos amanhã?
- Amanhã. – ela concordou enquanto o garoto devolvia o frasco para que o guardasse no lugar e o fez, deixando a caixinha sobre a mesa em frente a cadeira, onde estava antes.
- Se já está tudo pronto, por que exatamente tivemos que vir? – perguntou ele, sentando-se no balanço. deu impulso na cadeira para que começasse a balançar e quanto olhou feio para ele pela atitude, a puxou para se sentar junto com ele, fazendo com que a garota caísse por cima dele.
- ! – ela o empurrou e ele riu, limitando-se em parar o balanço antes que ela o agredisse.
- Eu estava com uma dúvida. - os interrompeu, mas não foi para eles que olhou ao continuar e sim para . – Nós dois, sendo namorados, eu preciso realmente te convidar para o baile ou é algo que já está certo sem que seja necessário o convite? – perguntou, com uma careta de confusão que qualquer um saberia ser forjada. Não que tenha se surpreendido menos com a pergunta por isso.
- Chamei essa manhã. – respondeu o amigo e concordou com a cabeça, como se o agradecesse pela resposta, mas encarou , abismada por não saber daquilo.
- Chamou? – ela perguntou para a amiga, de forma acusatória. - E você não me disse?
- Eu achei que era bem óbvio já que estamos namorando, supostamente. – respondeu e negou.
- Não é não! – devolveu.
- E você esperava o quê? – perguntou. - Ficar em casa no dia do baile?
- É. Eu normalmente fico. – respondeu e revirou os olhos.
- Totalmente triste, eu sei. – fez pouco caso de , que roubou uma almofada do outro banco para jogar nela. Sem dificuldade, pegou a almofada no ar, rindo pela atitude.
- Agora você namora o capitão do time, não fica mais. – falou, lançando a ela um largo e falso sorriso. Quando estreitou os olhos para ele, deu de ombros mais uma vez. – E eu duvido que ela te deixaria ficar em casa. – apontou para que meneou positivamente com a cabeça.
- Certamente não. – sorriu em resposta e a encarou, desacreditada, mesmo que aquilo fosse um tanto quanto óbvio. Estavam falando de afinal. A garota era capaz de lhe arrastar pelos cabelos. – Vamos amanhã procurar um vestido?
- Por que parece que eu não tenho realmente uma escolha? – perguntou, a fazendo rir, mas quem respondeu não foi e sim :
- Porque não tem. – devolveu e se voltou para ele, com as mãos na cintura. – Não me olha assim. Eu vou e não vou sozinho.
- E como namorada você tem a obrigação de acompanhá-lo. – continuou e mesmo ciente de que já havia perdido aquela discussão, se voltou para a amiga.
- Só que não é de verdade! – exclamou.
- Ninguém sabe disso, então você vai. – decretou por fim, voltando a sorrir. – E amanhã vamos procurar nossos vestidos. – insistiu, fazendo suspirar vencida antes de se deixar cair no banco atrás de si. Aparentemente, ela tinha um baile para ir.




Capítulo 4



tirou uma folha de seu caderno, a utilizando para fazer um envelope improvisado e, fingindo uma descrição que ela realmente não se importava em ter, colocou dentro dele o último frasco que tínhamos da poção.
E aquela já era a segunda leva.
Esperou o professor se virar novamente para o quadro e como se não tivesse notado os olhares curiosos sobre si, entendeu a mão para a garota ao seu lado, a entregando o envelope que ela, imediatamente, guardou no bolso da jaqueta antes de entregar outro envelope a , que meneou com a cabeça sem encará-la, como se estivesse dentro de um filme da máfia.
sabia que estava adorando arquitetar aquilo tudo, estavam contrabandeando poções mágicas, realmente parecia cena de filme e abaixou a cabeça para rir daquilo sem que ninguém visse.
Elas eram loucas, definitivamente. Tão loucas quanto as pessoas que estavam acreditando naquilo.
A tela de seu celular, sobre a mesa, se iluminou com uma notificação nova no whatsapp e desbloqueou a tela para ver quem era, mas o número não estava nos seus contatos.

“Eu avisei para não fazer isso.”

Assim que leu a mensagem, soube exatamente do que e de quem se tratava. A garota do outro dia, a líder de torcida, também estava naquela aula e mesmo que não fosse realmente uma surpresa estarem vendendo, foi ali que ela teve sua prova.
Um dos requisitos para adquirir a poção mágica era o silêncio, a discrição, mas elas sabiam que espalhariam, queriam assim. O problema era que, a menos que você fosse do círculo de clientes escolhidos pelas duas, não podia entrar e, logo, também não tinha como conseguir qualquer prova do que estava acontecendo.
Foi justamente por isso que inventou de fazer aquela troca no meio da aula, aquele era o objetivo desde o início e sabia que a garota estava naquela aula, foi justamente por isso que escolheu justamente aquela. Não tinha medo de suas ameaças e queria que ela soubesse.

“E eu disse que sua sugestão estava anotada, não que iria seguí-la.”


Após enviar, tirou um print da tela e mandou para enquanto, embaixo da foto, perguntava onde a outra havia conseguido seu número. leu e respondeu imediatamente, com emojis enjoados e verdes e riu, mas decidiu, apesar disso, se manter como desentendida para o caso da garota decidir usar aquela conversa como prova.

“Você vai ser pega, . Eu já te avisei.
Mas se eu fosse você, estaria mais preocupada com os próprios alunos, quando descobrirem sua farsa, do que com a suspensão que você vai tomar por isso.”


concordou com a cabeça, mantendo um sorriso debochado no rosto apenas porque sabia que a garota a estava observando, vendo sua reação, mas ficara verdadeiramente preocupada. Não que acreditasse, realmente, que a garota tinha poder para fazer qualquer coisa e sim porque sabia muito bem do que ela estava falando e aquela já era uma preocupação um tanto quanto constante quando ela, e os meninos conversavam sobre aquele assunto. achava que já tinham clientes o suficiente, que não era necessário ir atrás de mais, mas os outros ainda não estavam satisfeitos.
O problema era que não existia qualquer possibilidade de não serem pegos pelo que estavam fazendo em algum momento e ela nem queria ver o que aconteceria quando descobrissem a mentira.
E quanto mais clientes, mais perto da mentira estavam.
Ainda assim, mostrando-se indiferente, digitou uma nova resposta:

Ser pega? Mas do que é que você está falando agora? Não fiz nada de errado para “ser pega”

Após desmentir a história, enviou a mensagem e abriu a conversa com para ver o que a amiga havia dito nesse meio tempo:

“Ouvi dizer que ela está desesperada atrás de um frasco, mas as meninas que compram não estão cedendo a ela e as amigas dela também não conseguem comprar.
Essa coisa de escolhermos quem compra não podia ser melhor.”


“Ela vai conseguir alguma coisa eventualmente e seremos pegas de qualquer forma.”


“Não começa com isso.”
“Ela pode até tentar, mas nunca vai provar para os professores que estamos vendendo poções mágicas e enquanto tudo der certo entre os alunos, ninguém vai abrir a boca, não com medo de perder a fonte.”


Até o momento, sempre que não conseguiam o que queriam, as garotas que haviam comprado a poção acreditavam apenas que o efeito estava se perdendo e compravam outra. Parecia um plano perfeito, mas não era. Nenhum plano era.

“Se ela perguntar, apenas negue. Finge não saber do que ela está falando e ficaremos bem.”

não tinha tanta certeza disso, mas concordou antes de voltar a abrir a conversa da líder de torcida, ficando satisfeita em ver que ela respondera quase imediatamente e ficava esperando uma resposta enquanto ela conversava com .
Independente do que acontecesse, saber que a estavam colocando em seu lugar era totalmente gratificante.

“Não se faça de desentendida, você sabe muito bem do que eu estou falando.”
Eu disse, no outro dia, para você não fazer isso.”
Vender poções do amor? É ridículo.”


Quando não respondeu, conversando com , a garota voltou a enviar:

“Eu estou falando com você. Me responda.
Se você pensa que eu não vou fazer nada sobre isso, está muito enganada.”


teria rido, só para provocar, se o professor não tivesse se voltado mais uma vez para a frente e escondeu o celular atrás do estojo para digitar uma resposta.

“Poções de amor? Você acha que eu estou vendendo poções do amor?”
“Você sabe que isso não existe, não sabe?”


- Tracy, eu achava que já havia sido muito claro sobre celulares na sala de aula. – o professor falou, repreendendo a líder de torcida que, só então, soube o nome. Rapidamente, enquanto o professor seguia em direção a garota, bloqueou seu contato e em seguida, a tela do celular antes de guardá-lo em sua bolsa, trocando um olhar com que sorria tão satisfeita quanto ela com o resultado. – Vamos, me dê isso aqui. – ele estendeu a mão para que a garota entregasse o aparelho e bufando, sem ter exatamente como se opor, ela simplesmente entregou a ele, olhando por sobre os ombros, revoltada, em direção a .
Provocar novamente não era, nem de longe, uma boa ideia, não agora que a garota estava no mínimo duplamente motivada em acabar com ela, mas ainda assim, sem que pudesse se conter, ergueu a mão para acenar para ela, rindo junto com ao ver a garota espumar de raiva, bufando antes de se virar novamente para frente e decidiu, aquele dia não tinha como melhorar.

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havia acabado de contar as novidades para e , ambos sentados junto com as duas durante o intervalo. estava sentado ao lado de , o braço sobre seus ombros enquanto a garota segurava sua mão ali, mas de alguma forma, apesar da farsa que por trás daquilo, nenhum dos dois pareciam incomodados, muito pelo contrário. Nenhum deles parecia ao menos ter notado o que faziam e trocou olhares com por isso, sorrindo junto com ela ao notar a proximidade dos dois.
Eles já viam dormido juntos e estava, de fato, tentando se aproximar dela novamente. Se ainda não eram um casal de verdade, seriam em breve e só não dizia que qualquer um era capaz de notar porque, para os outros, já era verdade.
- Todas elas estão se mordendo por não conseguirem por as mãos em um frasco. – falou. – É sobre isso que elas cochicham durante todo o treino. Para a Tracy, dizem que só querem para poder provar que estamos mentindo, mas realidade é que todas querem provar. Estão com medo de ficar sem par para o baile com todas as outras garotas espalhando a poção por ai. – ele riu e olhou para ele enquanto fazia isso, sorrindo também. – Tem pelo menos umas três sondando o .
- Não há mais tempo para arrependimentos, . Não aceito mais um não. – falou com humor, chacoalhando a sua frente uma batata frita que o garoto acompanhou com o olhar antes de simplesmente mordê-la, a roubando para si. – ! – ela reclamou, rindo, e ele deu de ombros.
- Isso foi por acreditar que eu voltaria atrás. – ele respondeu, mas roubou outra de seu prato em seguida. o empurrou e ele riu, mas já havia colocado na boca também e ela afastou seu prato dele. – Isso foi porque a primeira estava ótima. – o estapeou pela atitude e o garoto apenas riu mais uma vez. – Já fui ao baile com líderes de torcida o suficiente por uma vida inteira.
- Com uma vida inteira ele quer dizer duas. – corrigiu.
- E as duas só sabiam falar das mesmas coisas. – ele respondeu, voltando-se para . – Na pior das hipóteses, a gente senta em uma mesa e ri de quem passa. – falou e a garota riu.
- Perfeito. – concordou, trocando um high-five com ele.
- Vocês dois são igualmente patéticos. – retrucou. – Nem fudendo que eu te deixo ficar sentada durante o baile.
- É verdade. – falou com certo pesar enquanto apontava uma batata em direção a , olhando para , e o garoto desviou o olhar para a comida em sua mão. Rapidamente, escondeu a batata dele, o fazendo rir.
Bandejas caíram do outro lado do refeitório e uma agitação se instalou entre os alunos, fazendo com que interrompessem o assunto para olhar ao redor, tentando descobrir o que havia acontecido. Logo mais a frente duas garotas de pé se encaravam com uma badeja entre as duas. Uma delas usava uniforme de líder de torcida e a outra reconheceu como sendo a garota que bateu na sua porta no outro dia. Haviam vendido a poção para ela. Tinha sido, inclusive, uma das primeiras clientes.
A líder de torcida olhou ao redor, parecendo muito mais incomodada com a atenção do que a outra garota e não conseguiu evitar um sorriso satisfeito por isso.
- Eu não vou desistir do baile só porque você quer isso! – falou, exasperada. – Você não tem nenhum poder sobre mim, especialmente o de me intimidar.
- Foi apenas uma sugestão. – desconversou a outra, a líder de torcida e a loira a sua frente riu debochada. – Estava querendo o melhor pra você.
- Ah, o melhor pra mim, claro. – respondeu, sem levar aquilo a sério. – Estava pensando em mim, não em você mesma. Ou no meu par.
- É tão triste que tudo sempre se resuma a isso. – comentou e não pode concordar mais. Estava satisfeita com a confiança que a poção estava gerando entre as garotas, mas ainda era deprimente que tudo ainda se resumisse sempre a um garoto, como se realmente precisassem disso, ou deles, para viver.
- Eu não quero o seu par. – a líder de torcida respondeu, com uma risadinha nervosa e quase sentiu pena. Sentiria, na verdade, se não estivesse tão acostumada em vê-las apavorando as outras meninas.
- Sim, você quer. E da próxima vez, chame antes que outra pessoa o convide porque isso de tentar me fazer desistir do baile para que ele fique livre é totalmente triste. E patético. – falou antes de dar as costas, afastando-se da garota sem mais nenhuma palavra.
Os outros estudantes aplaudiram e então realmente sentiu pena dela, que correu para longe o mais rápido que pode.
- Não, . Essa cara não. – falou, a repreendendo antes mesmo que dissesse qualquer coisa. – Ela mereceu isso. Tentou fazer a garota desistir do baile, só não esperava que ela estivesse preparada para contra atacar.
- Estava na hora de alguém mudar a ordem das coisas e o que a garota fez com ela foi exatamente o que ela sempre fez com as outras. – concordou. – Já vi isso vezes demais para que eu possa contar.
- Eu sei disso. – respondeu, voltando-se para os amigos. – Mas apavorar garotas menores só prova que ela é tão insegura quanto as outras.
- E você queria dar seguranças para uma cobra como essa? Ela domina o mundo.
- A gente pode até dar segurança com a poção, mas ainda não podemos dar caráter e nem educação. Isso não está ao nosso alcance. – respondeu e nem precisou pensar muito sobre o assunto para ser obrigada a concordar com ele também. Ou com . Se dessem confiança para uma garota como aquela, tinha até medo de imaginar o que ela faria para conseguir o que queria. Ou no caso, por cima de quem passaria. – Se os pais nunca ensinaram, agora ela só vai aprender tomando surra da vida e quanto antes, melhor.
- Ela acabou de tomar a primeira e eu adorei assistir. – retrucou, fazendo os outros rirem pelo comentário. – Temos que concordar, é lindo ver a ordem das coisas mudando por aqui.
- E mais ainda saber que é culpa nossa. – respondeu. – Sinceramente, não me importaria em ser pego agora pelo que estamos fazendo. Não podia ter dado mais certo.
- Não vamos ser pegos. – retrucou rapidamente, mas já fazia uma careta. Com poucos dias as coisas já haviam sim mudado consideravelmente, para a melhor, mas não tinha certeza de que se manteriam assim se fossem descobertos. Queria, sinceramente, que tivesse uma forma de manter tudo como estava, mesmo sem a poção, mas não imaginava como.
- Nós vamos, eventualmente. – repetiu. – Mas qualquer um pode ver o que fizemos, mesmo os mais idiotas.
- Idiotas para acreditarem em uma poção do amor. – riu e fez o mesmo, concordando com ele.
- Eu só quero dizer que os efeitos disso foram positivos, mesmo que a poção não exista de fato. – continuou. – É só olhar ao redor. Olhar para as garotas que receberam um frasco. Elas fizeram tudo isso por um namorado, mas uma delas acabou de enfrentar uma líder de torcida no meio do pátio, com dezenas de alunos, e não se abalou, se quer olhou para o lado. E se isso não for o suficiente, todas elas já tem um par e todas elas que fizeram o convite. Ninguém esperou que o cara chegasse e chamasse, elas tomaram o poder e fizeram isso por si mesmas. Foi um grande feito e eu não me importaria em ser pego agora. Não estava pensando em nada disso quando falei sobre vender a poção, mas me dou por satisfeito.
sorriu para sua fala, apesar de ainda não ter certeza de que aquilo seria mentido se fossem pegos e concordou com a cabeça enquanto encarava .
- Passou quanto tempo ensaiando esse discurso em frente ao espelho, amor? – provocou e os outros, inclusive , acabaram rindo por isso.
- Nenhuma vez na verdade, estava com a cola anotada no braço, eu só li. – respondeu no mesmo tom de brincadeira e dando o assunto por encerrado, finalmente desceu a mão para suas batatas. Quando não encontrou nenhuma, abaixou o olhar, deixando o queixo cair, e os outros três riram mais uma vez.
- ! – ela o repreendeu.
- Eu estava me perguntando quando ela ia perceber. – falou e ela olhou chocada para ele também.
- Você!
- Eu não fiz nada, foi ele! Eu assisti e ri em silêncio.
- Minhas batatas! – ela exclamou, voltando-se para mais uma vez. – Minhas batatas! – repetiu e ele riu, jogando os braços ao seu redor em um abraço apertado do qual ela não conseguiu se esquivar.
- Me solta, me solta! – o estapeou, tentando, sem sucesso, se afastar enquanto ria, o fazendo apenas depois de morder seu ombro. – Ai, agressão! Me solta! – reclamou, torcendo para que ele não tivesse notado quando se arrepiou pela atitude. – Eu te odeio! – mostrou a língua quando finalmente se afastou, rindo.
- Mas corou. – ele provocou e ela virou o rosto para que ele não visse que só corou mais depois disso.
- Não corei não.
- Corou sim. – repetiu e ela mostrou a língua pra ele também, que se inclinou sobre a mesa como se fosse tentar pegá-la.
- Sai! – estapeou sua mão, mas virou-se rapidamente para trás quando pensou ter escutado um barulho.
- O que foi? – perguntou, virando-se para trás também, mas nenhum dos dois viu nada.
deu de ombros, decidindo ter imaginado, mas um pouco mais a frente viu Tracy com o celular na mão e sentiu algo em sua mente disparar como um alarme.
Não existia nenhuma possibilidade de Tracy ter estado escondida todo aquele tempo, gravando a conversa que tinham, existia? Haviam falado, com todas as letras, sobre a poção não ser real então torceu silenciosamente para que tivesse realmente imaginado o barulho antes de se voltar para a mesa com os amigos, ignorando aquilo simplesmente porque sabia que a pediriam para fazer aquilo mesmo ciente de que aquela possibilidade não sairia tão cedo de sua mente.




Capítulo 5



adoraria dizer que não estava nervosa, mas estava e sentia-se totalmente ridícula por isso. Era , só e estavam indo ao baile como amigos. Bom, não que qualquer um desconfiasse disso, mas era. Amigos indo ao baile e ele nem ao menos tinha tido muita escolha, afinal, estava indo com ela apenas para manter as aparências, o falso namoro. Duvidava que ele a chamaria se não fosse por isso.
Ouviu seu celular vibrar sobre a cama e correu até lá, lendo a mensagem que acabara de enviar dizendo que já estava a caminho. Levaria no máximo quinze minutos para que ele chegasse até sua casa, mas saber que ele estava chegando não ajudou, de forma alguma, a controlar sua ansiedade. Apenas tornou tudo muito pior e ela se virou para o espelho após deixar o aparelho onde estava, logo após respondê-lo.
Tudo parecia perfeitamente no lugar. O vestido, o cabelo, a maquiagem e por um instante, enquanto olhava seu próprio reflexo, sorriu. Ela estava, de fato, linda e qualquer que dissesse o contrário era um completo idiota. Desejou ter mais chances para se vestir daquela forma. O longo vestido rendado caia como uma luva em seu corpo, justo do busto até a altura de seus joelhos. O cabelo permanecia solto, odiava prendê-los, mas as ondas estavam mais comportadas, modelados com o babyliss. Desejou se sentir mais tranquila ao ver o resultado, mas ainda tinha aquela sensação incomoda de que algo daria errado. Não exatamente por , mas por Tracy. Ela tinha certeza que a garota estava preparando alguma coisa.
Havia tentado tirar da cabeça que Tracy havia gravado a conversa de outro dia, mas quando a garota não tentou mais nada, soube que estava certa. Ela havia gravado, planejava algo e o baile não podia ser melhor para isso. já havia mencionado aquilo à , mas como o esperado, achou que era besteira de sua cabeça, sempre achava. Nem havia sido surpresa aquela reação.
Negando com a cabeça para afastar o pensamento, apenas pegou a pequena bolsa sobre a cama e colocou o celular dentro dela antes de pendurá-la no ombro para descer. Quanto antes falasse com sua mãe, antes poderia sair quando chegasse e não sabia se estava psicologicamente preparada para aquilo. Para que a mulher soubesse que ela estava indo para o baile com seu novo enteado.
- Mãe, ele está chegando. – avisou assim que desceu o último degrau. Não estava acostumada com saltos, odiava usá-los, mas não tinha como combinar aquele vestido com all star ou sapatinhas, infelizmente. Especialmente quando o tecido era ligeiramente tule.
Rapidamente, a mulher correu até a sala. Tinha apenas trinta e cinco anos, havia sido mãe jovem demais, mas não se incomodava, muito pelo contrário. Com a roupa certa e um sorriso no rosto, a mulher conseguia facilmente se passar por uma irmã e ela gostava disso. Especialmente porque, com o pai de , aquilo acontecia com uma frequência muito maior.
- Meu Deus, você está linda. – Adeline falou, olhando deslumbrada para a garota a sua frente. – ), você... – começou, mas se interrompeu enquanto se aproximava, estendendo a mão para a garota que a pegou sem se opor. – Está linda. – repetiu apenas, fazendo a menina rir.
- Acho que você já disse isso. – brincou, fazendo a mulher lhe acompanhar com uma risada.
- Estou começando a ter ciúmes dessa garoto. E, alias, eu nem sei quem é. Por que eu não sei quem é?
Meu Deus foi tudo no que ela conseguiu pensar antes de morder o lábio inferior, um tanto quanto receosa.
- Ah, sobre isso...
- Sobre isso? – sua mãe perguntou, agora desconfiada graças a atitude da filha. – Ele é bonito? – quis saber e ela riu mais uma vez.
- Sim, ele é. – respondeu, sentindo as bochechas corarem só de pensar sobre isso. era bonito até demais e sua mãe estreitou os olhos, sem deixar que o gesto passasse despercebido.
- Ele não usa drogas ou, não sei, é um traficante ou coisa do tipo, é? – perguntou e riu.
- Mãe, não! – respondeu rapidamente.
- É alguém de quem eu gostaria se conhecesse? – questionou novamente, o que não pode achar menos irônico. “Ah, você o adorou quando conheceu”, pensou sem que pudesse se conter, mas sem ter certeza de que era uma boa ideia dizer aquilo, apenas se limitou em responder a pergunta, concordando com a cabeça.
- Sim, gostaria.
- Então por que eu não conheço?
- Mãe... – ela o repreendeu, rindo, e a mulher ergueu os braços.
- Eu preciso saber com quem estou lidando!
- Com um amigo. Apenas isso. – respondeu, e nem precisou mentir para isso.
- Ele vai continuar sendo um amigo depois de te ver nesse vestido?
- Mãe! – a repreendeu novamente, mas não pode ir mais além pois uma buzina soou do lado de fora e não pode se sentir mais satisfeita por isso, apontando para o lado de fora para exemplificar sua deixa.
- Está na hora! – exclamou, dando as costas para sua mãe enquanto a mulher ria.
- Olha, só estou falando porque eu não me contentaria com isso se te visse assim. – insistiu no assunto e fez uma careta, se voltando para ela antes de abrir a porta.
- Se ele não me quer nos outros dias da semana, não tem o direito de me querer hoje só porque me vesti assim. – respondeu, fazendo o sorriso da mulher se alargar ainda mais.
- Acho que agora você já está pronta para ir. – falou e a garota riu, fazendo uma pequena referencia antes de finalmente abrir a porta. – Só não espere que eu não vá espiar pela janela para ver quem é o rapaz.
Novamente, fez uma careta, fechando rapidamente a porta quando viu já do lado de fora do carro, esperando por ela do lado do passageiro. Não estava com seu carro, era a Range Rover preta de seu pai, mas ela já esperava por isso de certa forma. era educado demais para esperar dentro do carro.
- É o ? – ouviu sua mãe pronunciar do lado de dentro e desejou poder simplesmente correr em direção ao garoto, mas os saltos não permitiam e mesmo que tivesse dado um jeito de usar tênis por baixo do vestido, sabia que não teria muitas condições para aquilo após vê-lo de roupa social. Terno preto com o blazer aberto e uma camisa também preta por baixo. Ele estava ainda mais bonito do que ela se lembrava.
- , você está... – ele começou, mas apenas negou com a cabeça enquanto sorria, analisando sua vestimenta antes de se voltar para ela. – Está linda. – completou, pegando sua mão quando ela parou a uma distância segura dele, fazendo com que se aproximasse. – Na verdade eu estou quase certo de que “linda” é muito, muito pouco.
Sem ter certeza do que dizer por um instante ela apenas concordou com a cabeça, um tanto quanto sem jeito antes de se lembrar de que não deveria ficar daquela forma. Se quer costumava ficar, na verdade, a não ser que estivesse perto dele, mas tomou as rédeas da situação assim mesmo, sorrindo ao dar mais um passo em sua direção, os colocando próximos o suficiente para beijar sua bochecha antes de lhe encarar.
- Você também não está nada mal. – falou, sem se afastar e sorriu, satisfeito com sua atitude antes de abrir a porta para que ela entrasse. – Essa porta também está enterrada? – perguntou ao passar por ele para entrar no carro, recordando-se do outro dia e limitou-se em manter o sorriso no rosto.
- Na verdade, hoje eu só estou sendo educado. – respondeu, fechando a porta após se certificar que todas as partes do vestido estavam para dentro. Enquanto o esperava dar a volta, olhou para a janela de sua casa para conferir se sua mãe ainda estava lá, mas a mulher já havia sumido. Se por decidir que estava tudo bem ou para ligar para o pai de , não saberia tão cedo e se limitou em focar no garoto quando ele sentou ao seu lado, sorrindo para ela mais uma vez antes de dar a partida no carro.

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Bailes estudantis onde mais de noventa por cento dos alunos eram menores de idade, certamente, não permitia bebida alcoólica, mas isso não queria dizer que os alunos ali estavam sóbrios. Poucos deles estavam, na verdade. e Nate haviam se garantido que disso e ninguém estava reclamando.
Mesmo já sentia que havia excedido um pouco os limites. Jamais havia sido fraca para bebida, mas nunca havia misturado tantas delas e se quer sabia o que exatamente havia misturado. Só sabia que tinha e junto com , pulava e dançava sem se importar com onde estava.
Ficou satisfeita de não ter deixado o baile passar e nem se importava se quisesse jogar aquilo na sua cara no dia seguinte. Estava realmente se divertindo, com a amiga, com , com . Havia até mesmo conhecido outros garotos do time, alguns suportáveis, outros não, mas não ligava.
Quando mais uma música terminou, riu junto com a amiga, decidindo que já estava na hora de parar, não só de beber, mas também de dançar. Seus pés mereciam um descanso.
- Vou procurar água. – gritou para a amiga, fazendo-se ouvir sobre a música e lhe estendeu o copo, recebendo um olhar irônico da outra. Aquilo podia ter cor da água, mas cheirava a vodka e apenas riu, dando de ombros antes de voltar a dançar, sozinha.
se deu conta de que há bons quinze minutos havia sido “abandonada” por seu par e saiu a sua procura. Desejou que ele não tivesse bebido o suficiente para colocar toda aquela coisa de namoro a perder, mesmo que não existisse, e tentou se fazer acreditar que aquele era realmente o único motivo pelo qual não o queria com alguma outra garota por ai.
Distraída olhando para os lados, trombou com alguém, mas sorriu ao erguer a cabeça e ver que era o próprio .
- Acho que alguém já bebeu demais. – provocou e ela lhe mostrou a língua, fazendo com que ele risse antes de lhe estender o copo.
- E você está me oferecendo mais bebida? – ela perguntou, olhando para dentro do copo enquanto ele erguia uma sobrancelha. Tinha cor de cerveja e ela estreitou os olhos, mas ele apenas riu mais uma vez.
- É refrigerante. – explicou. – Eu estou dirigindo, lembra?
- Você não bebeu? – ela perguntou, tentando se lembrar de tê-lo visto beber. Não era possível que o time estivesse cuidando do álcool e ele não tivesse bebido.
deu de ombros, ligeiramente culpado.
- Uma ou duas cervejas. – confessou, mas chacoalhou o copo de leve em seguida. – Por isso agora estou no refrigerante. Vai querer?
Concordando com a cabeça, a garota aceitou antes de pegar o copo, tomando um longo gole ao se dar conta da sede que sentia, mas antes que terminasse seguraram em sua cintura para beliscá-la, fazendo com que pulasse no lugar e, por pouco, não derrubasse a bebida. riu enquanto ela se voltava para trás para ver o responsável, mesmo que já imaginasse.
- ! – reclamou e o outro apenas riu. – Sério?! – perguntou desacreditada. Não que fosse exatamente uma surpresa que ele estivesse bêbado.
- Eu sei o que está pensando. – falou, antes que ela realmente falasse qualquer coisa. – E não estou bêbado.
- Ah, não. – ironizou e ele riu.
- Ligeiramente alterado, apenas. Ainda tenho consciência dos meus atos.
- Eu quase tomei um banho de refrigerante! – protestou, tentando usar aquilo como prova e o garoto apenas riu mais uma vez.
- Exatamente. E seria muito divertido.
- ! – o advertiu e ele apenas riu mais uma vez.
- Eu falei, tenho consciência dos meus atos. – repetiu, a fazendo revirar os olhos apesar das risadas. – Viu a ? – perguntou e a apontou com a cabeça, vendo concordar com a sua ao encontrá-la.
ainda dançava, agora sozinha e com um copo de vodka na mão. se afastou para encontrá-la, mas de repente preocupada, manteve os olhos sobre ela. Vinham passando tempo demais com e nas últimas semanas, tinha quase certeza de que já havia rolado algo entre e apesar da garota ainda não ter comentando. Uns amassos, talvez, mas ainda não tinha certeza de que era uma boa ideia deixá-la sozinha com qualquer um em seu atual estado de embriagues.
- não é desse tipo de cara. – o defendeu ao acompanhar seu olhar e, de fato, tudo que fez ao chegar até foi tirar o copo de seu alcance. Ela se jogou sobre ele e o garoto a segurou antes que ambos caísse, entregando o copo na mão de uma garota aleatória que passava. Ambos riram, e , mas tudo que fizeram foi começar a dançar. – Podemos ficar por perto se você quiser, de olho nos dois.
- Não, acho que... tudo bem. – falou, mesmo ciente de que, de qualquer forma, ficaria sim de olho neles, só para garantir.
- Então... dançar? – perguntou, lhe estendendo a mão, e mesmo estando totalmente cansada ela aceitou. Era difícil negar qualquer coisa olhando para seus olhos e mesmo assim, ela não queria negar, especialmente quando a música agitada mudou repentinamente para uma música lenta.
Os dois riram com a coincidência e ela não se importou quando ele a segurou pela cintura, a trazendo para mais perto. levou uma das mãos para seus cabelos e só enquanto imiscuía os dedos nos fios que se deu conta do quanto queria fazer aquilo. Do quanto queria tocá-los para se certificar de que era tão macios quanto pareciam.
Sentiu os dedos de se enlaçarem nos seus quando ele buscou sua mão livre com a dele e deixou que ele colasse suas testas, aproximando-se mais um passo mesmo que aquilo parecesse errado de certa forma. Não por eles, não por serem quem eram, mas pelos seus pais. Sua mãe, com o jantar de apresentação, estava tentando preparar o terreno para juntar de uma vez as famílias e, se o fizesse, qualquer coisa que pudesse ter com superaria todos os limites do estranho.
Tentando não pensar no assunto, fechou os olhos, deixando-se guiar por ele e pela música enquanto se moviam lentamente em seu ritmo. Nenhum deles era bom em dançar daquela forma, mas por um instante ela se esqueceu de absolutamente tudo, não ao ouvia se quer os sons aos seu redor, não via mais as pessoas. Era apenas ela e ali, dançando muito mais próximos do que poderia ser considerado seguro. podia sentir sua respiração calma em seu rosto, seu cheiro, e se aproximou mais dele sem que pudesse notar, arranhando sua nuca enquanto soltava a mão do garoto para levar a sua até os ombros dele.
Se estivesse pensando no que fazia, certamente saberia que a atitude jamais passaria despercebida por ele, que teria uma reação, mas só notou quanto a mão de , agora livre, foi para seu rosto, acariciando sua bochecha com delicadeza.
- Eu quero muito te beijar agora. – ele sussurrou e de olhos fechados, ela só pode perceber a proximidade de seus lábios quando os dele já estavam a centímetros mínimos dos seus. E ela já podia senti-los, antes mesmo que se tocassem. Desejou que se tocassem, mas como em um timing perfeito, a música foi interrompida com um chiado totalmente desnecessário de microfone que os fez se afastarem rapidamente, assustados com o barulho ao se voltarem para o palco.
- Desculpe. Ah... Desculpe a interrupção. – o homem falou de forma desajeitada sobre o palco, soando verdadeiramente culpado por ter interrompido a música. Era o professor de história, o conhecia bem das aulas e podia dizer, só de olhar para ele, que o homem não queria estar ali, de forma alguma. – Sei que foi um péssimo momento, mas está na hora de anunciar o rei e a rainha do baile. – como se esquecessem imediatamente que ele havia atrapalhado a música, todos ao redor começaram a gritar enquanto e batiam palmas. Ela um tanto quanto desajeitada depois do que quase havia acontecido.
Mas o pior de tudo, com certeza, era a frustração. Podia não ser certo que fossem adiante, a interrupção podia até ter vindo no melhor momento para evitar o que aconteceria, mas independente de tudo, ela queria, queria demais que tivesse acontecido e não conseguiu simplesmente deixar de odiar o professor por não ter ao menos esperado o final da música para a droga do pronunciamento.
O professor ergueu o envelope em suas mãos. não o havia notado ainda, mas agora pode ver, um pequeno envelope rosa que o homem abriu sem cerimônias, sorrindo para o conteúdo antes de anunciá-lo.
- Todos prontos? – perguntou e, mais uma vez, as pessoas ao redor gritaram. – E então, o rei e a rainha do baile são...
- Não! – gritaram ao longe e todos olharam ao redor para identificar a dona da voz. Quando encontrou, se aproximando do palco, sentiu as mãos gelarem imediatamente. Era Tracy e ela não precisou de mais nada para saber que estava encrencada, olhando para de canto de olho como se perguntasse se ele pensava o mesmo.
- Está tudo bem. – o garoto sussurrou, a puxando para perto ao abraçá-la de lado, mas sabia que não estava. Seu pressentimento ruim havia voltado. Agora com força total.
- Ela não pode ser a rainha do baile! – a garota acusou, subindo as escadas até estar junto com o professor, tomando dele o microfone.
- Tracy, o que está fazendo?! – ele perguntou, mas ela se afastou quando ele tentou tomar o microfone de volta.
- Ela está mentindo para todos vocês! Não merece ser a rainha do baile! – falou, em alto e bom som enquanto olhava diretamente para . – Eles não merecem! Se quer são um casal de verdade, é ridículo! – exclamou e, de repente, todos sabiam de quem ela falava, todos procuraram por e e ninguém teve qualquer dificuldade de encontrá-los.
quis se encolher com todos os olhares, mas se manteve firme, esperando que a outra apenas dissesse de uma vez o que tinha para dizer, mesmo quando ela se virou para o professor antes de continuar.
- Sabia que estão comercializando poções mágicas na escola? – perguntou para o homem. – Poções do amor.
- Tracy, você bebeu? Achei que tínhamos sido claros quanto a bebidas alcoólicas no baile. – mais uma vez, ele tentou tirar o microfone de sua mão, mas ela desviou.
- Você não acha que eu estou me esquivando bem demais para quem deveria estar bêbada? – perguntou. – Mas tudo bem, eu entendo. A história é realmente absurda. Quem compraria algo que obviamente não existe, não é mesmo? – falou em tom de deboche antes de se voltar para os alunos. – Magia não existe. Poções mágicas não existem. Onde estavam com a cabeça? É só um vidrinho bonitinho com corante e mel e eu a ouvi falar isso. – apontou na direção de enquanto os cochichos começavam. – Olhem seus celulares, mandei o áudio para todos os números que consegui. É tudo mentira, ela admitiu. Ela usou todos vocês. Estão acreditando em uma farsa, votaram em um casal de mentira para rei e rainha do baile!
- Vem, vamos sair daqui. – sussurrou, tentando puxá-la para longe, mas negou, saltando-se dele para se manter ali.
- Isso é verdade? – uma garota para quem haviam vendido a poção perguntou e respirou fundo antes de falar, aumentando o tom de voz para ser ouvida dali mesmo, sem um microfone.
- Contos de fadas não existem. – começou, em alto e bom som e com uma confiança que ela não tinha ideia de onde podia ter saído. – Não existe essa coisa de magia ou poções do amor, mas existem finais felizes se vocês fizerem algo para alcançá-lo. Existe o amor se vocês saírem para procurá-lo, se lutarem por isso. As coisas não são fáceis, não acontecem sozinhas e tudo bem, a poção nunca existiu, mas todos que tomaram conseguiram exatamente o que precisavam para lutarem pelo que queriam. Confiança. – falou, voltando-se para a garota que falara a pouco. – Com quem você veio ao baile? – perguntou a ela e a garota segurou a mão de seu acompanhante. – Foi você que o chamou, não foi? – insistiu e a garota concordou. – Teria chamado se não acreditasse que a poção faria com que ele dissesse sim? – ela negou e ergueu os braços como se aquilo explicasse tudo. – O teria deixado passar por falta de confiança. Por não saber que sempre teve tudo que precisava para ter o que queria e só não tinha porque nunca fez nada. Essa é a questão. Todas vocês, que receberam a poção, conseguiram o que queriam. Eu sei disso porque acompanhei os resultados e mesmo sem existir a poção fez efeito simplesmente porque acreditaram que faria. Acreditar em si mesmo é tudo o que todos nós precisamos e eu só dei um empurrãozinho para que conseguissem.
- Isso não muda o que você fez! – Tracy acusou ao notar os efeitos causados pelo discurso da garota e negou com a cabeça.
- Não, não muda. Aceito receber qualquer castigo ou punição que mereça por isso, mas não me arrependo e faria de novo se fosse ter os mesmos resultados. Tenho certeza que ninguém se arrependeu de ter acreditado que a poção existia.
Murmúrios de negação se fizeram audíveis, pessoas concordando com suas palavras e Tracy, irada, abriu a boca novamente para falar, sendo impedida, no entanto, pelo professor, que finalmente tomou o microfone de sua mão.
- Eu acredito que isso seja mais do que o suficiente. – falou ele e o público concordou. olhou para mais uma vez e ele sorriu, orgulhoso, e a puxou para si novamente. – A noite ainda é de festa e acredito que na segunda-feira possamos resolver tudo isso. Por enquanto, vamos ficar com o rei e a rainha do baile que, ao contrário do que nossa colega pensou, são Robinson e Thompson! – anunciou e arregalou os olhos para o resultado, surpresa e ao mesmo tempo feliz pela a amiga, a procurando com o olhar enquanto batia palmas junto com os outros estudantes.
deixou o queixo cair no primeiro instante, mas passou a sorrir animada em seguida. a abraçou de lado para guiá-la até o palco, se para interagir ou apenas para se garantir de que ela não cairia no caminho, jamais saberiam, mas agarrou ao passar por ela a caminho do palco, fazendo com que fosse junto.
- Ficou maluca?! – perguntou enquanto era arrastada, não soltando a mão de para isso, esperando que ele a impedisse, mas rindo, ele não o fez. Ela se voltou para ele, com expressão de claro desespero, mas o garoto ignorou completamente.
- Você vem comigo. – falou e negou.
- Não! ! – mas apesar dos protestos, não conseguiu evitar e o público aplaudiu quando os três subiram no palco.
- Você está esperando o quê? – perguntou para e ele subiu também.
- Ahn... Só temos uma coroa pra cada. – o professor começou, mas negou quando ele tentou colocar a coroa em sua cabeça.
- Não precisamos disso. – falou e o homem se afastou, rindo apesar da surpresa com a reação da garota. Nunca antes uma garota recusou a coroa de rainha do baile, mas sempre existia uma primeira vez para tudo afinal. – Eu gostaria de acrescentar que a história por trás dessa poção não foi ideia da . – falou no microfone, ainda de mãos dadas com que a encarava com toda atenção do mundo enquanto falava. Quase como se a admirasse e sorriu por isso enquanto esperava que a amiga dissesse o que tinha a dizer. – Nós decidimos fazer isso ao notarmos o quão absurdo pareceu, para todos vocês, que e estivessem juntos só porque são de grupos diferentes. Isso porque a existência de qualquer grupo social também é culpa de vocês. – falou. - Que se fodam esses grupos, podemos fazer o que quisermos! – exclamou em seguida, aumentando o tom de voz e recebeu aplausos da platéia, erguendo o microfone como se fosse um troféu enquanto o pessoal aplaudia, entre risos e assovios. Após uma risada, entregou o microfone para , a fazendo arregalar os olhos por isso. – Fala de uma vez, eu sei que você tem algo a acrescentar, sempre tem. – revirou os olhos, mas para sua surpresa o pessoal realmente parou de falar, diminuindo o volume de suas vozes para que pudessem ouvi-la de fato.
Com isso suspirou, levando o microfone até a boca para finalizar.
- Ninguém precisa de uma coroa, um baile ou um príncipe. – falou, olhando para o público enquanto se perguntava se um dia teria imaginado estar ali, discursando em cima de um palco. - Somos todas rainhas, todos os dias, e se querem saber o que é isso que faz os garotos quererem mais, bom, é você. Quer deixar seu garoto de joelhos? O faça se ajoelhar. Não precisa de mágica.
Quando ela terminou de falar, foi o primeiro a iniciar os aplausos e o resto do pessoal o seguiu, inclusive o professor sobre o palco junto com eles.
A mensagem estava dada para quem quisesse e estivesse pronto para ouvir. Não precisava de formula mágica ou magia negra. Segurança, confiança. Duas palavras simples que juntas, eram melhores do que qualquer receita ou poção.



Fim.



Nota da autora: Mais um ficstape, yeeeey! Na verdade, não sei se é bom ou ruim estar tão focada nos ficstapes ultimamente, mas, de qualquer forma, espero que tenham gostado! Hahahaha
Bjão!

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