01. Good ol days

Fanfic finalizada
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Capítulo 1

O resto das suas vidas é muito tempo, e quer saibam ou não, está sendo traçado agora. Podem escolher culpar o destino, ou a má sorte, ou escolhas erradas. Ou podem lutar. As coisas nem sempre serão justas na vida real. É assim que as coisas são. Mas na maioria das vezes, você recebe o que dá. Deixe-me perguntar uma coisa: O que é pior? Não conseguir tudo eu você sonhou ou conseguir, e descobrir que não é o bastante? O resto das suas vidas está sendo definido agora mesmo. Com os sonhos que perseguem. As escolhas que fazem, e com as pessoas que decidem ser. O resto da vida é muito tempo. E o resta da sua vida, começa agora. Haley James Scott , One Tree Hill, 02X05


2001
Sentado no alto da arquibancada, podia ver tudo que precisava. Assistia a luta acontecendo no ringue, observava as pessoas abaixo tapando os olhos quando golpes fortes e bem pensados atingiam uns aos outros, lágrimas de pessoas próximas de quem tentava destruir o outro ali dentro, lágrimas de familiares e amigos, urros dos apostadores, pessoas que não deviam estar ali. Eu na maioria das vezes era quem estava dentro do ringue. Pessoas esperando pelos melhores dias que estavam por vir. Pelos dias que sempre eram prometidos, e nunca, nunca chegavam.
McFadden foi derrotado pela primeira vez no ano! Uma luta memorável. Tanto para McFadden quanto para o cara de Ohio. O ex-grande campeão, passará a semana a lembrar-se das marcas em seu rosto e corpo, enquanto nós, meros espectadores, estaremos esperando pela próxima grande luta. – Por que você não cansa de escutar isso? Foi há dois anos!
Perguntei pegando o controle e abaixando totalmente o volume da tevê antes de trocar para o canal de clipes.
– Porque esse foi o seu grande dia. E só tem melhorado desde então.
Conor ergueu os ombros e tomou o controle de minha mão desligando aparelho antes que eu pudesse escutar alguma música.
– Levante desse sofá, , eu preciso buscar minha namorada no aeroporto, e não te quero aqui enquanto ela estiver.
– Me expulsando da sua casa? Lembrarei-me disso quando pedir por algum favor.
– Certo, certo. De qualquer forma, você precisa voltar. Para tudo. Sabe disso. Sua casa não é aqui. Não precisa de nada que está aqui. Especificamente, precisa do que deixou sair andando por aí com uma mala de rodinhas, porque seu orgulho é grande, e não sabe aceitar que a razão não é propriedade sua.
– Já estou saindo.
– Uma hora você vai escutar tudo que quero te dizer. Agora, vaze.
Nós costumávamos morar na mesma casa, dividir as despesas e tarefas, até cada um decidir que precisava de seu próprio lugar, e eu ter pego minhas roupas e dormido na camionete por três dias seguidos antes de procurar um lugar de verdade. Nos entendíamos bem, sem brigas, sabíamos escutar os problemas um do outro, e por ele ter confiado em mim quando ninguém mais confiou, por ter acreditado quando ninguém mais o fez, eu sempre estaria em dívida com ele.

1993
Terça-feira, 15h
– O que você quer que eu faça? Não vou te colocar pra brigar numa jaula.
– Não é uma jaula. É um ringue.
– E você acha que diferenciando uma coisa da outra, eu vou perder a noção e te dizer vai lá, garoto, deixe com que arranquem sua cabeça fora? Eu tenho bom senso.
– Eu já tenho idade! Pesqu...
– EU NÃO ME IMPORTO!
Conor costumava ser calmo, mesmo que dissessem que ele era arrogante, eu estava atrás dele o tempo todo, comigo ele não era o que diziam sobre ele. Ele estava por perto desde sempre, ele e meu pai eram amigos, e quando meu pai faleceu, quando eu tinha treze, ele prometeu que cuidaria de mim, e que não me deixaria perder o juízo. E eu não o tinha perdido.
– Meu pai me deixaria fazer isso!
Ele fechou os olhos por longos segundos, e quando os abriu, vermelhos, lacrimejados, ele estava prestes a chorar outra vez.
– Seu pai não está mais aqui. Eu estou.
– Só uma vez, e eu juro, juro que não peço mais, e nem falo mais sobre lutar. Por favor.
Podia fazer qualquer cara de pobre coitado, que eu sabia que ele diria não. Mas eu precisava tentar, precisava que ele dissesse que eu podia. Era só o que eu esperava. Que ele dissesse sim. Some da minha frente. E como a pessoa dura e rígida de sempre, ele manteve a primeira resposta, curta e precisa.
– Não.

Terça-feira 23h

– Se você sair machucado, quando voltar para casa, vai ser pior.
Sentado no banco do vestiário, contando as voltas da bandagem em torno da minha mão, eu senti o arrepio quando ele parou em minha frente tapando um pouco da luz.
– Como? Como você sabe que eu saí?
– Porque eu não sou burro. Escutou bem? Você treinou o suficiente para estar aqui? Não. Tem noção do que vai acontecer? Não. Tem algum juízo? Também não. Então, preste atenção, não gosto de repetir. Se você sair machucado, quando voltar para casa vai ser pior.
Eu perdi a luta. Esquivava para o lado onde os golpes me acertavam mais fácil, base completamente errada, guarda aberta. Em casa, Conor me esperava sentado no sofá, com um jornal na mão, uma garrafa de água, e duas bolsas de gelo.
– Tomar banho. Eu vou tomar banho.
– Não. Não quer treinar? Então vai treinar. Agora, com o corpo doendo, com a cabeça cheia.
A dor no corpo me fazia urrar a cada golpe na manopla, sem luva, como ele disse, vai ser doendo que vou enfiar juízo na sua cabeça, garoto.
– Enrole a bandagem nas mãos. Coloque as luvas embaixo nos braços. Não quero ver a guarda aberta. Cada vez que deixar a luva cair, quinze flexões.
Talvez a escolha de sair de casa escondido, de ter marcado a luta sem permissão, tenha sido uma ideia ruim, mas poder ter a atenção para mim, poder treinar com ele, era o que eu queria, e talvez a ideia de sair escondido, marcar uma luta não tivessem sido tão péssima assim.
– Jab. Jab. Jab. Cruzado. Upper. Upper. Jab. Jab. Cruzado. Direto. Cinquenta vezes essa sequencia. Se errar, começa do zero.
Conor foi lutador há muitos anos, ganhou muito dinheiro, e após vencer uma luta onde apostaram contra ele, roubaram todo o dinheiro dele e quebraram seu braço direito em dois lugares, eu entendia a preocupação dele, mas era o que eu queria. Minhas próprias vontades, minha própria ansiedade. E depois de mais anos, construiu um galpão e aos poucos foi montando do seu jeito seu próprio galpão de treino, e então eu vi a vontade de ser como ele crescer em mim. Tomar gosto pela coisa.

2001

.
– Eu vim pegar meus livros.
– Eu não estava te esperando. Com...
– Será rápido. Deixei todos em uma caixa.
Ela entrou rápido, e antes que eu pudesse ter fechado a porta, ela passou saindo com a caixa nos braços, e colocando no carro, e saindo outra vez. E ali eu fiquei por minutos e minutos, esperando que ela voltasse e eu pudesse pedir pelas desculpas que não pedi antes. Eu esperava pelos melhores dias, sentado no sofá.


Três semanas antes
– Por que você fez isso?
entrou atrás chorando enquanto eu caminhava para a cozinha e pegava um copo com água.
?
De costas para ela eu sentia a raiva dela, me queimava, ela fungava e suspirava conforme se aproximava, e quando parou ao meu lado me obrigando a encara-la, eu só via as lágrimas caindo sem parar, e o rosto vermelho.
– Por que você fez isso?
– Eu vou arrumar minhas coisas para a luta, se quiser ir, esteja pronta.
Coloquei o copo vazio na pia, e beijei a testa dela, não respondendo o que ela queria. Eu tinha a resposta, e eu sabia que ela escutaria sem me estapear, sem gritar. Mas em poucos momentos eu sentia coragem de dizer a verdade. E nesse momento, eu estava com vergonha. Morrendo de vergonha da minha atitude. Porque eu não tinha o direito de golpear um cara que estava com ela. Porque eu não tinha o direito de estragar o contrato dela.
Quando eu voltei para a cozinha, pronto para sair, ela estava sentada, folhando um livro de receitas, que ela deixou ali.
– Eu não vou.
Ela disse e andou até o banheiro, trancando a porta, e ao ouvir a chave na fechadura, eu soube que talvez aquele fosse meu fim.
Naquela noite, eu ganhei a luta. Com a mente cheia, o corpo dolorido, e ao entrar em casa, ela estava no sofá, com a tevê ligada, e a caixa de curativos na mesa de centro me esperando. Sentei-me ao seu lado, e ela não perguntou quem venceu a luta. Fez o curativo no corte na minha sobrancelha, e pegou a mala de rodinhas atrás do sofá, deixou a cópia da chave na minha mão, e saiu. Sem dizer nada, sem olhar para trás.

Agora

– Ela saiu da cidade, Sean. É isso. – Eu perdi, não é? – Não. E eu sou o pior irmão do mundo. Eu vou te passar o endereço. – Ela vai te matar. – Se ela não te matou até agora... Anote. – Anotado. – Essa é sua única chance. Eu espero que você saiba o que dizer. Porque ela chorou muito. Saiu daqui chorando para o aeroporto, e a casa dela deve estar uma bagunça, e ela odeia bagunça. Estou contando que você vai trazer os melhores dias de volta.
Dois anos antes, ela me levou para Dublin, para conhecer a casa dela, e passamos um ano inteiro lá, um ano inteiro que me dediquei apenas para treinar, enquanto eu treinava, ela escrevia, sentava no canto da sala de academia, e me observava golpear o saco de pancadas, enquanto digitava sem parar no notebook, histórias das quais eu nunca pude ler. Foi um ano inteiro nosso, onde em todas as noites, ela me levava para algum bar com karaokê, gostava de escutar música ao vivo.
Eu me hospedei em algum hotel perto de um bar. E existiam três bares nos quais ela me fazia ir, apenas três. Eu me lembrava dos nomes. Em frente ao hotel, estava um deles. Aquele era o que mais frequentamos durante aquele ano, e ainda sem tomar banho, sem trocar de roupa, e descalço na janela, observei ela sair do táxi com um notebook na mão, uma bolsa nos ombros, e entrar ali. Com os tênis calçados, atravessei a rua, rápido, e entrei no bar, sentindo a temperatura quente, e passei os olhos nos cantos, ela gostava de ficar nos cantos para escrever, e poder observar sem ser notada.
E antes que eu pudesse me aproximar, ele estava ali, com algumas manchas roxas no rosto, conversando com ela, enquanto lia o texto no notebook. Ela olhou para a onde eu estava parado ao lado da porta, e eu acenei, seguindo para o balcão, para a possiblidade de beber uísque. Por duas horas, eu permaneci sentado, esperando que ele saísse para que eu pudesse pedir minhas desculpas, e torcer para que ela quisesse me ouvir. Observei ele se levantar depois de se despedir com um aperto de mãos, e seguir para fora do bar. E então, eu fui. Com o coração apertado.
– Não era pra você ter vindo.
Ela fechou o arquivo com o texto aberto quando puxei a cadeira para me sentar.
– Eu precisava vir.
– Por que você fez aquilo, ? – Porque eu confio em você. Porque eu te dei tudo que podia dar, e eu me senti burro quando disse que eu não entenderia nenhuma palavra do seu livro. Por que eu não entenderia nada, ? Você nunca me disse nem o título do livro. Eu não sei nada sobre o que você escreve, mas eu deixo que cuide de mim, porque isso é importante para você, e é importante para mim que você me deixasse ler.
Ela desviava os olhos dos meus para a tela do notebook, e eu me sentia melancólico por querer chorar por não ter uma resposta. Sendo que eu não tinha esse direito, não quando fiz o mesmo com ela. Quando a deixei sair pela porta da nossa casa sem dizer nada.
– Porque nós estamos juntos há sete anos, e eu demorei todos esses anos para escrever um único livro. Uma única história. Outras surgiram no decorrer dessa, mas... Essa é a mais importante. E eu não pensei que era tão importante assim para você. Eu não sabia se estava preparada para te deixar ler uma coisa minha. Isso é muito mais pessoal e sentimental do que qualquer outra coisa, mais importante que qualquer vontade de ter essa história nas livrarias. , porque você tem a mania de esperar que eu entenda tudo pelos seus olhos. Pelo seu olhar. Sem que você precise dizer qualquer coisa. – Me desculpa. Eu não tinha que ter, feito aquilo. Ele não merecia uma sequencia no rosto. Quanto eu te prejudiquei por isso?
Eu segurei a mão dela sob a mesa, e ela suspirou, guardando o notebook na bolsa, e pegando uma caixa com um laço.
– Ele não merecia nem um soco sequer. Você não me prejudicou. E a história que ele leu é outra. Vai ser publicada.
– Eu não merecia isso.
Ela me entregou a caixa com um laço, e soltou minha mão.
Dublin to see(an)* – Isso é...
– O que eu demorei sete anos para escrever. Para você. – Tenho muita coisa para fazer agora. Trezentos e noventa e nove páginas. Uau.
– Pode chorar. Estou vendo essa lágrima prestes a cair.
– Você me perdoa?
– Pelos bons e velhos dias.
– Eu amo você.




Fim!



Nota da autora: Sem nota.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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