1. Wild Heart

- Tried to keep you close to me, but life got in between… - cantava jogado num canto de seu quarto pensando nela. Na garota que o fez mudar. Na garota que fez ele deixar de ser um garanhão pra se dedicar apenas a ela. E pra quê? Ele pensava. Pra, no final, ele continuar tentando e ela se esquivando. Ele devia passar pra outra. Virar a página; amassá-la ou até rasgá-la.
- Levanta daí. - entrou no quarto bruscamente, olhando pro amigo que agora tinha uma cara assustada. - Vamos, . Chega disso. Vai agir sua vida. Vai atrás da .
Foi só tocar no nome da dita cuja que quis jogar todos os seus papéis daquela droga de música pra cima e entrar debaixo de sua coberta pra dormir pra sempre. Queria morrer.
- Sai daqui, . Eu não quero saber dessa garota. - falou levantando e largando o violão de lado, logo ficando com raiva e aumentando o tom de voz. - Olha o meu estado! Que porra ela fez comigo, ? Me explica, porque nem eu entendo! - ainda possesso, varou um pacote de biscoito pelo chão e resmungou quando viu a bagunça que fez.
- Isso, meu caro , se chama paixão. Acontece com todo mundo. - o rapaz falou tão calmamente que tinha vontade de esganá-lo.
- E por acaso já aconteceu com você? - falou, cada vez com mais raiva. Tentava lembrar de alguma vez que seu amigo ficara cabisbaixo pelos cantos, mas era impossível. Ele nunca havia ficado assim.
- Claro que já. Com a Briana e… - o interrompeu rindo e balançou a cabeça em negação.
- Nem vem. Você namorou com ela por meses e… - foi a vez de o intrometer, tentando o fazer entender que suas experiências foram diferentes.
- Acontece que ela também era apaixonada por mim. E no seu caso… É que você tenta de todas as formas erradas possíveis. Não acha que eu, o e o estamos esperando pelo dia que você vai dar uma dentro com a ? - disse levantando uma sobrancelha.
- Então vão esperar sentados. Pelo visto eu sou um poço de erros. - falou revoltado, mas triste, sentando na cama com seu corpo pesado.
- Porque quer. Pois podia estar fazendo a coisa certa e… - não aguentava algumas coisas estúpidas que o amigo falava. Tinha vontade de mandar ele pra China.
- Sem sermões, . Chega.
- Chega nada! Levanta dessa cama! Vai à luta, . - só não deu um tapa na cabeça do amigo porque não queria o ver mais puto.
- Não, , eu não… - ele tentava se defender, mas não estava num bom dia para aquilo.
- Para de dar desculpas. - falou já irritado. - Eu vou te dar uma chance.
- Que? Do que você está falando? - levantou o rosto pra ver o amigo.
- Eu vou te ajudar. - o garoto falou ainda pensando se era uma boa ideia.
- Com que? Eu não tenho nada…
Foi o tempo de ir até o canto que estava anteriormente e pegar alguns trechos espalhados da música que o amigo tentava compor. Depois de ler um pouco, sorriu e perguntou ao garoto, tentando não ser muito intrometido.
- É sobre o dia que se conheceram? - ainda pensou duas vezes antes de responder, mas deu um sorriso de canto e disse…
- É sim.

Dois anos atrás…

Perdido. Era o que estava naquele momento.
Olhava de um lado pro outro, desesperado, à procura de seus amigos.
Certo. Eles tinham ido pra uma rave. Bebidas, luzes, garotas… Tudo o que eles mais gostavam. Mas o que, diabos, eles estavam pensando quando deixaram o amigo sozinho? Realmente, eram muitas as opções, porém nada que merecesse tanto a atenção deles como um amigo como .
Ele saiu andando no meio de várias pessoas, com seu copo de plástico azul escuro na mão, metade cheio com a melhor cerveja de seu gosto. Nem lembrava daquilo já que seu foco era encontrar pelo menos um de seus amigos pra continuar sua noite. Depois pensava em garotas.
Tinha que assumir: uma boa amizade nunca se compararia com uma boa garota em sua cama. Uns ainda tentavam o chamar de gay, como se aquilo fosse realmente um xingamento, mas outros, como ele, concordavam. Nada substituiria uma velha e longa amizade.
O garoto sentiu alguém esbarrando em seu ombro e quase deixou passar. Quase.
- Você não olha pra frente? - uma garota um tanto quanto interessante, como ele pôde observar, o fitava tirando os olhos de seu rosto e observando a própria blusa, agora encharcada pelo líquido que anteriormente estava no copo do garoto. a olhou rápido, viu a sujeira e a pegou pela mão assim que viu alguém com o cabelo igual de passando a alguns metros dele.
- Me desculpa. - falou e levantou um pouco a cabeça procurando o garoto, mas o perdeu de vista. Droga, pensou. Deu mais uma olhada ao redor e chegou mais perto da garota, sem entender o porquê de estar fazendo aquilo. Achava que podia ser desespero. É, com certeza era desespero. - Estou perdido. Será que você poderia me ajudar a encontrar meus amigos? - mordeu os lábios e escutou ela, a princípio, negando, já que mudou rapidamente seu discurso.
- Mas eu nem conheço seus amigos e… - engoliu em seco ao ver os dentes brancos dele pressionados contra seus lábios macios. Ela podia jurar que eram muito macios. - Tudo bem. Mas me diz, pelo menos, como eles são.
começou a puxá-la e descrever rapidamente cada um de seus amigos, mas parou bruscamente quando viu prensando uma garota contra o muro do local, dando um beijo de tirar o fôlego de quem observava.
- Esquece o . - ele falou puxando a garota pela mão, continuando a andar. Ela olhou pro casal se beijando, como o garoto que tinha seu punho esquerdo em mãos fez, e cerrou as sobrancelhas, perguntando, sem entender.
- Por quê?
- É o que estava se beijando com a ruiva. Aquele casal ali. - mexeu a cabeça e o ombro na direção que eles estavam e pôde escutar um ‘hm’ da garota. Riu e percebeu que ainda nem tinha notado muito ela. Tinha que encontrar e , pois não via a hora de parar aquela busca e dar atenção pra garota que ainda o seguia. Aliás, porque ela fazia isso mesmo?
Afastou aqueles pensamentos quando viu o garoto com o cabelo igual de novamente. A estatura era a mesma. Com certeza era ele.
- , onde você foi parar… - parou a fala no meio quando notou que o garoto olhou pra trás com uma expressão como quem pergunta “quem é você?” . - Foi mal, pensei que era um amigo meu… - sorriu amarelo e saiu de perto do garoto que realmente era muito parecido com seu amigo, mas, ainda assim, não era ele.
- Porque não desiste? - escutou a menina retrucar, rindo baixinho do mico que ele pagou.
- Estou cogitando, linda.
fechou os olhos calmamente quando percebeu o outro mico que acabara de pagar. Quer dizer, um king kong. Mas não era culpa dele, ué. Pensava, tentando não se sentir tão constrangido. Ainda não sabia o nome dela. E ela era realmente linda. Claramente era o único modo de se referir a ela no meio de tantas pessoas. Não era?
A garota riu ainda mais, mas ainda continuou a ser puxada. Até que estava sendo divertido.
- , pelo menos o … - ele ainda pensava, refletindo se deixaria os amigos realmente de lado e ia aproveitar a música agitada pra colar seu corpo no da garota e aproveitar cada curva dele. Era sua última tentativa. Última.
Passou por mais e mais pessoas até chegar perto da onde o som começava a ser emitido: a grande caixa de som, que agora servia pra apoiar copos e papéis sujos. E lá estava ele. , conversando animado com outros caras. , por alguns segundos, não entendeu quem eram, mas logo percebeu que eram conhecidos dele também, de sua antiga escola.
Deixou sua mão escorregar, sem querer, da garota e foi até eles, falando um “hey” e fazendo toques. Assim que sentiu falta de algo, percebeu que a linda garota não estava mais com ele. Mas foi só mirar pra frente que viu ela estática de braços cruzados, como quem não acreditasse no que ele havia feito. E era exatamente isso que ela pensava. Como ele a arrastava pela festa toda e a deixava plantada ali? Tudo bem que eles nem se conheciam, mas era justamente por isso! Garoto sem noção… Pensou a garota ainda sem nome.
Virou as costas, já decidida a voltar pra onde suas colegas de faculdade estavam, mas lembrou como elas não eram tão legais assim. E como ela achava que o garoto que a estava puxando podia ser pelo menos um pouquinho melhor que elas. Pois estava enganada. Ele era ainda pior.
Sentiu uma mão em seu ombro e ouviu a voz dele de novo.
- Ei! - a virou pra ele e a menina o olhou incrédula, ao ver que ele tinha um sorriso no rosto.
- Você tem algum problema? - ela perguntou batendo o dedo indicador na lateral da cabeça, fazendo rir, quando, na verdade, ele não sabia o que pensar nem como agir.
- Me desculpa, eu só… - ia responder mas ela o cortou bruscamente.
- Não, tudo bem. Você só… - fingia pensar, mas logo deu uma resposta certeira - me achou bonita, não queria me perder de vista e me arrastou com você. Bom, isso não acontece comigo todo dia, mas não é difícil de sacar. - ela sorriu e ia saindo quando deixou o queixo despencar, ainda assim morrendo de vontade de saber quem era aquela garota e da onde ela surgiu.
- Ei, não é nada disso! - ele a puxou de novo pelo ombro, lembrando da blusa dela suja, pensando que aquela era uma boa desculpa pra continuar ao lado dela. - Deixa eu pelo menos te ajudar com essa blusa molhada, você pode ficar grip…
- Pode deixar, eu sei me virar sozinha.
ia se dar por vencido mas quando percebeu já estava a puxando pra área externa dos banheiros, a qual também era coberta, mas tinha uma pia. Não das melhores, mas tinha. Ela tentava se desvencilhar, mas assim que percebeu que ele não ia se render, foi junto, batendo o pé e fazendo caretas. Ele era mesmo insistente.
tentou fazer tudo sozinho, mas parou de se movimentar quando escutou a voz dela, fraca.
- Tudo bem, - ela tirou a mão dele de sua blusa assim que percebeu que ele fazia muita força e o tecido era fino demais pra aquilo - deixa que eu faço isso. - o olhou rapidamente e notou que ele estava apreensivo. O que teria acontecido?
- Eu só… - ele ia falar, mas fechou os olhos rapidamente recuperando algumas lembranças que às vezes lhe incomodavam, principalmente em situações como aquela. - Desculpa pela blusa. Não foi minha intenção. Eu estava perdido e…
- Ei, calma. - agora era ela que ria do nervosismo dele. Tudo bem que era uma de suas blusas preferidas, mas ele realmente tomou todas suas dores. - É só uma blusa…
a olhou singelamente, como quem diz um “obrigado” apenas pelo olhar e ela sorriu, aproveitando pra tirar um sorriso dele também. Respirou fundo quando encarou os dentes brancos dele de novo e aquele desejo de ter os lábios macios dele contra os dela voltou. Forte até demais, mas ela se controlou. Era um desconhecido, ora essa! Ela era um tanto quanto didática naquele assunto, pois nunca foi do tipo de beijar pessoas na primeira vez que as encontra. Isso é, muito menos em festas agitadas onde corria o risco de estar um pouquinho bêbada e se esquecer do rosto de alguém que trocou saliva com ela. Como passaria uma vida toda sem lembrar de coisas importantes como aquela?
Depois que passou um pouco de água e secou bastante com os papéis nem tão limpos dali, viu o garoto olhando pra pista de dança, como se desejasse estar ali no meio. Foi quando ela teve uma ideia.
- Quer dançar um pouco? - ele sorriu pra ela e a pegou pela mão, puxando de novo.
- E eu lá iria recusar um pedido desses? - sorriram cúmplices e foram pro local, começando a dançar no ritmo da música eletrônica, que dava pra perceber que era um remix de uma música que os dois gostavam muito. Eles tinham os corpos bem próximos e às vezes esbarravam quadril com quadril ou uma perna na outra. O que eles realmente queriam era estar grudados, estavam longe até demais.
No primeiro refrão, a puxou pelo braço e colou mais seus corpos, juntando seus rostos, bochecha com bochecha e cantando um trecho da música no ouvido da garota.
- Lay down your arms and surrender to me... - ela continuou, com um sorriso triunfante no rosto.
- Lay down your arms and love me peacefully...
E quando ele achava que não podia ser mais direto, seus lábios já estavam grudados. Os deles eram macios, como a garota supunha, e os dela sorriam entre o beijo. O que antes era um selinho e tentou algo mais profundo, logo virou num empurrão, já que a garota percebeu que ela estava quebrando todas suas regras mentais.
- Fiz algo errado? - perguntou com os olhos um tanto arregalados. Ela estava constrangida e também estava com uma expressão assustada.
- Não, é que…
- Tudo bem, já saquei. - ele riu, tirando as palavras da boca dela. - Não beija desconhecidos, certo? - ela acalmou os batimentos de coração, que, de repente, se aceleraram, e sorriu. Talvez ele a entendesse melhor do que ela mesma.
- É. Isso mesmo. - pôs uma mecha de seu cabelo pra trás e até pensou em voltar no tempo e fazer o beijo dar certo. Fingir que era qualquer uma só pra ter os lábios dele nos seus novamente. Na verdade, profundamente. Agora tudo que ela mais queria era sentir o gosto dele.
- . . - ele estendeu sua mão a ela, que sorriu e a apertou.
- . .

Dois anos se passaram, sempre com tentativas falhas de conquistá-la. Depois de, coincidentemente, entrarem na mesma escola, ele virou um admirador dela e até parou de pegar outras garotas só por causa da garota da festa. Mas por todo aquele fascínio, cansou daquilo. Ele sempre ficava atrás dela, mas com milhares de garotas a seu encalço. Mesmo que fosse perdidamente apaixonada por aqueles lábios que selaram apenas uma vez os seus, ela não se renderia assim tão fácil a .
Mas dois anos se passaram. Dois anos. E eles continuaram parados no tempo.
De qualquer forma, ele continuava tentando. Ele não se daria por vencido. Ele a teria. Nem que custasse mais dois anos. Nem que custasse mais uma vida. Ele tinha garra, e ele iria conseguir.
Por isso, se juntou aos amigos, cada um com um instrumento, e começaram a dar melodia à música que eles o ajudaram a terminar. Chamava-se Wild Heart. Aliás, quem poderia ter um coração mais corajoso que o dele?
Estavam todos sentados no porão da casa dele e discutindo algumas partes da música.
- Ainda não entendi a parte do “I know it’s cold” . - indagou quicando uma bolinha de golfe que havia achado por ali.
- Um verso completa o outro, … - o respondeu. - I know it’s late, I know it’s cold. Está tarde e frio. Esqueceu que o vai fazer a serenata num dia frio?
- Serenata? - perguntou sem entender algo. Eles só tinham pensado em cantar, mas não tinham pensando como seria. Se bem que… - , você é um gênio! - o garoto pulou e foi pro lado da bateria. - Tá vendo isso aqui? Então, não vamos precisar disso… Peguem seus cajons, ukuleles e pandeiros. Faremos uma serenata!

- Não acredito, ! Você ficou com ele? - tinha os olhos arregalados quando a amiga confessou que Richard tentou lhe beijar.
- Não! - percebeu que deu a entender que ela não queria mesmo que ele tivesse a beijado e, assim, tentou consertar o erro. Suas amigas não podiam saber que ela ainda estava em outro… - Digo, eu queria, mas não daquela forma! Estávamos trancados na casa do Christian!
As garotas a reprovaram, dizendo que podia ter rolado muito mais que um beijo, que ela devia ter aproveitado e até falaram que ela devia ser mais aventureira e beijoqueira. Aliás, na concepção delas, antes beijar muitos do que não beijar.
- Vocês sabem que eu não sou assim… - ela falava cabisbaixa, pensando no momento em que finalmente daria chance pra outra pessoa.
- Você sabe que a gente só quer seu bem… - falou ficando pendurada em seus ombros e a abraçando, caridosamente. não podia negar. Suas amigas eram as melhores. Tanto que estavam fazendo uma festa do pijama em plena quarta feira, enquanto teriam aula no dia seguinte. Pelo menos já estavam nas últimas semanas de aula.
Do lado de fora, o estômago de gelava. Sim, estava frio como ele queria. Mas não era esse o motivo para aquilo. Ele estava nervoso. E por sua cabeça passava milhões de hipóteses. E, em todas, saía correndo, mandando ele ir embora.
- Relaxa. - falou repousando as mãos no ombro do amigo que fez uma careta e falou.
- Se ousar me fazer suas massagens eróticas, eu dou um tapa na sua mão e não vai conseguir tocar mais instrumento nenhum. - falou com raiva e ficou a postos.
- Ui. - zoou o amigo. - Quem vai sair prejudicado é você, querido. - foi irônico.
ficou com vontade de mandar o amigo pastar, mas seu nervosismo o impediu, já abraçando seu ukulele e mandando seu outro amigo fazer o mesmo com o violão.
- Vamos, antes que o tenha um infarto. - cutucou e eles concordaram, contando a três e começando.
- I was walking away, but she’s so beautiful, it made me stay…
- O que é isso? - , que estava mais próxima da janela, perguntou as amigas.
- Isso o que? - perguntou.
- I don’t know her name, but I’m hoping she might feel the same…
- Essa música! - saiu dos braços da amiga e foi pra onde estava. Colando a orelha contra o vidro, pôde perceber a música que vinha do lado de fora.
- So here I go again, she got my heart again.
- Ok, agora até eu estou escutando. - foi pro lado das amigas e fez um gesto com as mãos sinalizando pra que elas saíssem dali. Abriu rapidamente e pôs a cabeça pra fora, fazendo o som dos instrumentos e das vozes soarem mais fortes.

Tonight we’ll dance
I’ll be yours and you’ll be mine
We won’t look back
Take my hand and we will shine
Ohhh, she needs a wild heart…
She needs a wild heart...
I’ve got a wild heart

- Essa não é a voz do… - foi cortada.
- ! - falou tirando a cabeça da janela. Ela pulou empolgada batendo palminhas rápidas. - Ele está lá embaixo! Fazendo uma serenata pra você!
- É o que ? - perguntou com os olhos arregalados. Não podia ser…

Stay here, my dear
Feels like I’ve been standing right here for years
My mind’s beat up
Tell me that you feel this then I won’t give up
I won’t give up…

- Que música fofa! - se pronunciou.
- Não só a música como ele também é um fofo! - completou olhando de rabo de olho pra , que roia os cantos de suas unhas da mão. - Se você não ficar com ele, eu fico!
rolou os olhos e fez sumir todos os seus pensamentos. Não, ela não iria dar mais uma chance pra . Mesmo que ele estivesse embaixo de sua janela, lhe fazendo uma serenata. Ela não daria. Certo?

And I know it’s late, I know it’s cold
But come right here, I swear I’ll never let you go
The way you move, it’s wonderful
Let’s do it now cause one day we’ll both be old…

- Chega. - falou. - Eu vou acabar com isso e é agora!
Ela falou já abrindo a porta do quarto quando notou que estava de pijama. Seu short era bastante curto, mas ela só pegou um casaco por ali jogado e foi o colocando enquanto descia a escada. Assim que chegou em frente a ele, já estava com a roupa no corpo, uma cara fechada e a música também já havia terminado. Só o sorriso de estava lá. O sorriso que ela tinha se apaixonado. O sorriso que ela nunca conseguiria tirar de sua cabeça.
- O que deu em você? - falou dando uns passos raivosos na direção dele.
- Eu quero te provar que… - cortou o garoto e falou com um tom mais rude.
- Que consegue ser cada dia mais louco? Inconsequente? É isso? - estava com seus olhos bem abertos e dando certo medo em . Mas ele não esperava por mais nada a não ser vários sermões. Ela estava certa em reprová-lo.
- Não, , eu quero que você veja que eu não sou mais o de antes. - ele ia continuar a falar, mas, assim que percebeu as seis pessoas olhando-o descaradamente, resolveu puxá-la pelo braço um pouquinho pra longe.
- O que você está fazendo? - ela rapidamente tirou seu punho da mão dele.
- Nos dando mais privacidade. Ou você quer que a gente tenha uma quase briga na frente de nossos amigos? - ia, realmente, discordar, mas resolveu rolar os olhos e seguir o garoto, pra alguns metros depois, dando a ele a tal privacidade.
- O que você quer, ? - cruzou os braços diante do corpo, tentando fitá-lo na escuridão da noite. Era um tanto quanto impossível, mas ela queria saber o que os olhos dele diziam. Só assim ela poderia saber a verdade.
- Você! É tão difícil de entender? - berrou, gesticulando.
- Difícil sou eu! É tão difícil de entender que eu não sou fácil? Que eu não sou qualquer uma que você sai beijando e depois põe pra escanteio? Se toca, garoto! - ela ia se distanciando quando ele a tomou pelo punho e a virou bruscamente, trazendo ela pra perto do rosto dele e, antes que ela percebesse, misturando suas respirações.
- Eu sei que você me quer, … - ele passou o nariz pelo dela, causando alguns arrepios antigos pelo corpo da garota. Arrepios aqueles que apenas ele trazia.
- Eu… eu não…
- Jura que vai tentar negar? Mesmo se eu fizer isso? - ele roçou de leve seus lábios, a fazendo fechar os olhos e desfrutar daquela sensação. Por alguns segundos, não existia mais , , , … Mais ninguém. Era apenas ela e no mundo. Como eles se conheceram. Como se tivesse tocando Soldier of Love ao fundo, apesar de ser tudo coisa da cabeça dos dois. Eles se queriam e não tinha mais como negar, estando com seus corpos tão perto assim. Por isso, se rendeu ao péssimo moço que era e juntou seus lábios aos dele. Aqueles lábios macios que ela nunca devia ter tirado do contato com os seus. Que ela queria todo dia no mesmo lugar que no momento estavam.
O beijo foi se intensificando. Eram anos reprimidos ali. Era aquela tensão sexual que tinha crescido e eles ao menos reparado. Era aquele ar pesado cheio de respirações que eles queriam misturadas na hora de um beijo delicioso como aquele. Suas línguas eram pura sincronia. E eles só queriam entrelaçá-las e nunca mais beijar nenhum outro alguém.
- Me desculpa. - ele disse entre selinhos rápidos depois que o beijo terminou. - Por favor, me desculpa por todos esses anos. Por todas as mancadas. Eu te prometo, , que eu nunca mais ouso fazer qualquer burrice que eu já tenha cometido com você um dia. Eu só quero que você seja minha namorad…
- Namorada? - ela falou muito alto e deu um passo pra trás, assustada.
- Muito cedo? - ele coçou a nuca. - Tudo bem, eu vou entender se você neg…
- Não, ! Quer dizer, sim! Eu quero ser sua namorada! - ela disse passando os dois braços pela nuca dele e dando muitos selinhos na boca dele. Boca que agora era dela. dela.
Ele sorria, mas queria entender como ela tinha mudado de ideia tão rápido.
- Me explique essa mudança de ideia repentina, então.
- Não foi repentina… - ela falou, sem graça. Ele a observou, indicando que ela devia continuar. - Ok, , você venceu. - descansou seus ombros e começou a falar uma coisa que ela nunca esperava falar pra mais ninguém além de suas amigas. - Você me conquistou desde aquela festa. Desde que me ajudou a limpar minha blusa. Desde aquele primeiro beijo desajeitado que a gente teve. Mas eu não esperava te encontrar no ano seguinte na High Gates. Não esperava que você fosse o maior garanhão do colégio. E que, muito menos, fosse ficar correndo atrás de mim. Por isso, sempre fugi de você. Sempre tive medo. Sempre fui fechada. E sempre tive o pressentimento que você não fosse me fazer feliz como eu merecia.
- Mas eu pretendo,
- Shhh. Deixa eu falar. - ela repousou o dedo indicador nos lábios dele e começou um carinho ali, pensando naquela boca, em como ela queria beijá-lo. Controlou-se e continuou a falar. - Então, eu não quis me envolver. Eu não quis ser mais uma. Eu não quis sofrer. Quando, na verdade, eu já estava sofrendo. Mas, como você citou nessa música, eu podia até não ter esse coração selvagem. Então, daqui em diante, eu quero ter.
Por fim, envolveu seus lábios mais uma vez num dos beijos viciantes de .
Ele não poderia estar mais feliz. Segurou pela cintura e, enquanto sorria entre o beijo, tirou-a do chão. Ela aproveitou pra dobrar as pernas e sorriu como nunca havia sorrido antes. Sincera, alegremente e… Selvagem.



Fim.




Nota da autora: Vou nem contar pra vocês minha aventura com esse ficstape! Vamos pular pra parte boa que é... CONSEGUI! HAHAHA. Vibrem comigo! Se vocês também gostaram, deixem um comentáriozinho pra essa autora carente? Dessa vez não vou abusar dessa nota, quero só agradecer a Anny que tem sido uma beta linda que eu não largo mais! E agradecer a quem leu tudinho também. E as amigas que sempre leem tudo que eu escrevo e opinam. Vocês são perfeitas! Beijinhos, beijos, beijões. Fiquem com a Thams porque ainda tem muuuitos ficstapes pra rolar ;)



Nota da Beta: Tham autora mais fofa, socorro ♥ E falando em fofa... essa fic é pura fofura, um amor! Ela fez jus à música, com certeza. Que casal mais complicado! Tava me deixando agoniada já hahaha Parabéns Tham, adorei! E não se esqueçam de comentar mesmo eim gatas! Xx-A


Qualquer erro nessa fanfic e reclamações somente no e-mail.






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