Postada em: 26/01/2019

Capítulo Único

“Sua sombra está longe, até agora…
Ela permanecerá na minha mente.
Ela estava impressa na minha alma, eu ainda sinto sua falta, nunca consegui me livrar desse sentimento”.


Estava há um ano e meio tentando me curar daquela dor.
Um ano e meio que não ouvia a sua voz, ou falava com ela.
Vê-la? Todos os dias eu era obrigado a ver. Até agora não entendi como e ela puderam se apaixonar. Aquele maldito comeback em que a levei… Foi ali, tenho certeza, que ele a tirou de mim. Contudo, é tão babaca culpá-lo. Nós já não estávamos tão bem assim. Não tínhamos alegria e sorriso em nossa relação desde a minha última turnê. E esta é a prova de que, se você tem uma namorada não famosa carregá-la para onde quer que você vá, não é a solução dos problemas de namorar um popstar.
Se antes eu já estava pensando em dar uma pausa na minha carreira, agora é que eu não poderia continuar. Queria realmente adiantar todo aquele processo chato de exército, mas, nem isso eu poderia mais. Por mais que ainda faltasse um tempo curto, me alistar era a melhor opção. Me afastaria um pouco da rotina louca de ser um kidol, e o melhor de tudo: não teria tempo de pensar nela.
Entretanto, que merda de destino é esse? O que eu poderia fazer agora? O que eu deveria fazer, agora? Aquele papel, com aquelas palavras… Eu ali, naquela casa tão grande e ao meu redor nada mais tinha vida, com exceção de Dongwa, meu gato siamês. Mas, Dongwa não poderia me consolar, não poderia vivenciar comigo o caos daquele momento. Talvez fosse melhor dá-lo a ela, permitir que ao menos meu gato, vivesse com sua parceirinha Sagwa, a nossa gata que ficou com ela.
Peguei além das chaves de casa, as chaves do meu carro, meu telefone e deixei comida farta para Dongwa. Dirigi em silêncio até o endereço em que eu precisava estar. Não poderia me sentir aliviado naquela casa tão grande, e tão sozinho como eu estava. A porta automática da garagem se abriu e eu estacionei lá dentro. O alarme soou naquela vaguidão silenciosa, e ouvi a trinca do automóvel travá-lo. Passos fortes ecoavam no piso liso, denunciando o atrito emborrachado com a sola dos meus tênis.
Mal havia tomado um banho ou trocado de roupa. Assim que saiu da minha casa eu vesti a camiseta fina, e o moletom surrado. Calcei aqueles tênis gastos, por serem meus preferidos e mesmo com Kai telefonando e avisando que viria, eu o dispensei para correr. Nada mais poderia extravasar o nível absurdo de adrenalina em meu corpo.
Ao passar pela porta de vidro do estacionamento da garagem, o porteiro me cumprimentou surpreso. Levantou-se rápido da cadeira onde assistia a televisão pequena, em seu balcão. Não sorri para cumprimentá-lo, entretanto, ele já conhecia meu jeito sério. Talvez se eu o sorrisse, ele se sentiria até ofendido.
— Boa noite senhor Taemin. Como tem passado?
Como tem passado? Que pergunta mais estúpida e inapropriada. Por mais raiva que eu estivesse sentindo, pelo destino ser tão cruel comigo, eu sabia que a culpa não era daquele pobre homem que só tentava ser cortês.
— Boa noite. Há alguma correspondência?
— Sim, só um instante. - ele direcionou-se ao armário atrás de si na parede, e destrancando a caixa de meu apartamento tirou os envelopes.
— Obrigado.
No elevador eu recostei minha cabeça e fechei os olhos. Queria chorar, mas, não era algo fácil a mim. O silêncio continuava me torturando mesmo após ter entrado dentro de casa. Mas, ali era diferente. A solidão daquele apartamento não era tão específica quanto o de minha casa. Joguei as correspondências sobre a mesa, juntamente com o molho de chaves. Abri as portas da sacada que havia na sala, e suspirando diante à brisa e as luzes da cidade puxei o papel dobrado no bolso de minha calça de moletom.
Eu lia e relia as palavras ali. E já não esboçava nenhuma reação sob elas. Eu continuava encarando aquele papel em minhas mãos, com uma expressão vazia quando pude ouvir chaves destrancando a porta do apartamento. Não me assustei, na verdade, me surpreendi. Levantei os olhos para a direção da porta, e lá estava aquele ser tão ingenuamente demoníaca a me encarar igualmente surpresa.
— Olá. - ela disse depois de segundos e fechou a porta.
— Olá. - eu disse enquanto ela caminhava devagar até mais perto do sofá.
Eu continuei inerte na porta da sacada a observando. E ela retirou o casaco o colocando em cima do sofá. Sorriu para mim sem graça, e olhando de cima a baixo disse:
— Não deveria estar aí tomando essa corrente de ar.
— Você ainda tem a chave. - cortei-a.
— É… Eu tenho. Não deveria, eu sei.
— É seu apartamento também.
— Não, não mais. Mas, não é como se eu viesse sempre aqui…
Ela justificava-se e eu não estava com paciência. Não queria ver aqueles olhos de novo. Já estava sendo obrigado por causa da mídia. Mas, aquilo era a cereja da sacanagem do destino. Que raios ela havia vindo fazer, ali? Soltei um resmungo baixo, e encarei de novo o papel em minhas mãos apenas para não olhar para ela. Por me conhecer, acredito eu, o suficiente, ela pigarreou sabendo do nosso desconforto.
— Eu vim aqui porque o
Parou de falar e eu voltei a encará-la com uma sobrancelha arqueada de curiosidade. Eu deveria adivinhar que o se meteria naquilo. Tinha até demorado demais, um ano e meio para ele se pronunciar sobre o assunto. E logo mais, Kai também envolveria pessoas que não devia.
— Nossa… - ela riu de maneira nervosa e levou a mão na testa, massageando a região acima dos olhos.
Ela estava realmente nervosa por aquele momento. Não conseguiria formular frases se - como sempre – eu não desse um empurrãozinho nas palavras. Mas, eu não o faria. Talvez se ela não conseguisse falar, fosse embora. Ainda sorrindo, o sorriso do “vamos mudar de assunto” que ela tinha, completou a frase:
— Nossa… Você está diferente. Também, já faz tanto tempo…
— Você não me parece diferente, entretanto. - falei ainda sem humor.
— É… Não acho que mudei muito mesmo… Mas, você… Pintou o cabelo! Está moreno. E eu não estava acostumada - sorriu: — Preferia loiro. Não que esteja ruim ou…
Ela mordeu os lábios e fechou os olhos negando com a cabeça, levando as duas mãos à lombar, e me dando as costas. Eu não queria piorar nada, mas, não podia guardar aquele comentário:
é moreno.
Ela soltou as mãos de seu corpo e suspirou silenciosa após escutar o que eu disse. Se virou a mim e caminhou até o sofá sentando-se.
— Olha Taemin… Eu não acho que seja o momento de falar disso. Eu vim por sua causa. Assim que chegou em casa, contando para nós…
— Nós? - interrompi.
Agora eu estava furioso: Mesmo pedindo, aquele idiota não podia guardar segredo?
— Os meninos da banda, e eu… E eu sabia que você não desejava que outros soubessem, por isso pedi para que ninguém falasse nada. Até porque tem a sua carreira e…
! - interrompi novamente chamando a atenção dela: — Está fazendo o quê aqui?
— Eu sabia que você não ficaria na sua casa… Eu queria te ver.
— Por que? Por que só agora? Por causa das circunstâncias?
— Me diz que é engano, Tae… - ela abaixou a cabeça chorando fraco.
As finas lágrimas caíam em sua calça e eu pude vê-la vulnerável como não via há tanto tempo. Aquilo era demais para mim. Caminhei arrastado até ela e me sentei ao seu lado, soltando o papel na mesa de vidro à nossa frente.
— Não, não é. - respondi.
— Eu não posso ficar longe nesse momento, Tae.
— Eu não vou te impedir. Se você quer ficar perto, então…
— Eu vou ficar.
— Só acho que não devemos aprofundar muito o contato, sei que temos um ano e meio afastados, mas eu ainda não te esqueci. E não quero confundir as coisas. Eu ainda preciso me abster de você.
— Eu farei como você quiser, desde que me deixe cuidar de você.
Me mantive em silêncio e ela puxou o papel na mesa de centro. Percorreu os olhos por ele, e após ler tudo, soltou-o. Embora fosse papel, caiu como uma pedra. E chorava desesperadamente. Foi então que me recordei de sua fragilidade. Era para eu estar sendo consolado, ao invés de consolá-la.

“Seu nome ecoa no ar, então você não vai ouvir isso.
Se agora se arrepender de nossa separação, por favor, volte”


— Eu não acredito nisso ! Você não pode me exigir algo assim.
, eu entendo que a situação é complicada, mas, não acho que você deva acompanhar de perto.
— Por que não, ? Só por que ele é o meu ex-namorado?
mantinha os olhos arregalados e os lábios presos como uma criança assustada. E por mais que o casal não estivesse gritando, aquela cena era triste para ele. Hope e Nam Joon se entreolharam percebendo que deviam intervir, mas foi Taehyung que interferiu na verdade.
! Não é o seu estilo fazer o possessivo.
Todos olharam para Taehyung se mostrando tão maduro e sério, como não era comum.
— A vai sim acompanhar o Taemin. E você vai estar ao lado dela também, agora ele precisa de todos os amigos dele para passar por isso.
— Exatamente! - gritou apontando para Taehyung.
Nam Joon saiu do cômodo após abraçar e seu amigo . Os outros garotos rapidamente voltaram o foco para seus afazeres. Não queriam discutir aquele assunto por mais tempo. , envergonhado por seu ciúme, abraçou a namorada e lhe pediu desculpa com um beijo.
, … - aproximou-se triste, com a mão na nuca: — Eu e o Kai estamos bem mal com tudo isso, então… Se vocês puderem passar por isso juntos, vai ser melhor. Ele precisa de todos nós.
— Você é tão adorável, Park. - abraçou o dono de um dos sorrisos mais desejados do BTS.
— Ahn ! Já pedi para não me chamar assim… - ele mordeu a bochecha da garota e saiu correndo, antes que ela brigasse com ele.
O meu relógio passava os segundos devagar, e o maldito tiquetaquear do ponteiro só não era mais irritante que Kai falando sem parar em minha mente.
— Kai, sério. Você pode por favor, ficar calmo? Eu já estou apreensivo o suficiente.
— Desculpa, desculpa. Tem razão, eu estou aqui para te ajudar…
Kai estava ansioso, sacudia as mãos de maneira nervosa enquanto se desculpava sob o meu olhar entediado. De repente, Kai olhou para o corredor e parou de falar. Fechei os olhos aliviado pelo silêncio, e recostei a cabeça na parede.
— Eu acho que agora você vai se acalmar, cara… - Kai disse ainda olhando o corredor.
Segui a linha de visão dele, e pude vê-la parada pedindo informações a uma enfermeira. Ela tinha o semblante fechado de preocupação, e ao se deparar com ela, não evitei um sorriso. Afinal, ela estava ali mesmo. Ela colocou duas mechas da franja atrás das orelhas e olhou para a direção onde a enfermeira apontava. E se deparou comigo sentado na cadeira de espera, encarando-a com uma face calma demais para aquele momento. Kai também foi percebido, por . Ela sorriu, e caminhou calma até nós após agradecer a outra mulher.
Calmo não era exatamente como eu estava, entretanto, acredito que era o que meu sorriso e olhar apaixonado passavam a ela. Não duraram muito tempo, infelizmente:
— Talvez, você não fique tão menos apreensivo como eu achei. - disse Kai.
E eu entendi o que ele quis dizer, pois, estava vendo a mesma coisa que ele. Atrás de , como em câmera lenta, surgiu virando a curva do corredor. Ele vinha com as mãos no bolso, e uma expressão tranquila. Parou assim que seu olhar se cruzou ao meu, encarando-o sério. Abaixou a cabeça e pós suspiro aproximou-se de nós, como fazia. Não demorou a alcançá-la.
— Tae.
Ela falou parando a minha frente, me levantei para cumprimentá-la e fui pego de surpresa pelo abraço apertado dela. Retribuí da mesma maneira, e quando abri meus olhos, encarava-me pelas costas dela. Embora eu pensasse que sim, não havia repúdio no olhar dele.
— Taemin. - ele estendeu a mão em cumprimento.
Kai e nos olhavam como se estivessem assistindo os representantes principais das duas Coreias, em um acordo perigoso.
. - cumprimentei-o.
— Está tudo bem? - ele perguntou.
— Não acho que, sim, seria uma resposta plausível…
Ele envergonhou-se por sua falta de sensibilidade com aquela pergunta. E tocou o braço do namorado o dando um sorriso encorajador. Como se o parabenizasse por tentar. Voltei a me sentar, e Kai cumprimentou os dois. Graças aos céus, a enfermeira chamou meu nome no exato momento em que o silêncio se faria constrangedor.
Me levantei a seguindo, e ouvi os passos de atrás de mim. Pedi para que a moça aguardasse.
, aonde vai?
— Vou entrar com você.
— Não, não vai.
— Você concordou que eu te acompanhasse!
! - olhei para e para ela novamente, e ela ignorou.
— Eu vou entrar.
Passei a língua por meus lábios observando minha ex-namorada de braços cruzados à minha frente. Quando ia me virar para continuar o caminho, fui pego de surpresa por correndo pelo corredor e gritando:
— Espera Tae! Espera!
A enfermeira o repreendeu, assim como , Kai e . E alguns outros enfermeiros que passavam no lugar.
— Por Deus, ! Isto é um hospital! - ralhou com ele e ele colocou a mão sobre a boca, só então notando o que tinha feito.
— Está vendo porque eu não vim com você? - disse para ele, de modo reprovador.
deu língua para e veio até mim, me abraçou fortemente, e me envergonhava. Eu dei batidas fracas nas costas dele e o afastei.
— O que você está fazendo, cara?
— Perdão pelo atraso, a culpa foi do que… Ah! Enfim, não importa! Eu estou aqui, Taemin e vamos passar por tudo, juntos!
— Céus… Vocês dois! - bufei encarando e : — Querem tornar um evento público?
— Vamos! - passou à minha frente me puxando pela mão.
Com a outra mão livre puxei a gola de sua camisa, e ele tombou para trás.
— É só um exame de sangue. Pelo amor de Deus.
— Não tem problema, eu vou estar com você como seu melhor amigo, cara e…
. Não. Obrigada, mas, não.
— Eu já vou com ele Park. Fique aqui com os meninos. - falou de modo autoritário e saiu me puxando junto com a enfermeira impaciente.
não gostou muito, não sei se por ela tê-lo chamado emburrou a cara e pude vê-lo sentando-se ao lado de Kai que ria. encarava e eu, que nos afastávamos. E só então me dei conta que a mão dela estava junto à minha. Quanto tempo esperei para poder segurar aquelas pequenas mãos novamente! Achei que nunca mais o faria.
Antes que entrássemos na sala de coleta, eu soltei a mão dela escondendo as minhas no bolso. me olhou confusa e insatisfeita. Cruzou os braços e entramos. A enfermeira indicou a cadeira onde eu deveria sentar, e ficou do lado oposto ao dela. Enquanto a mulher preparava tudo, eu me mantinha sério e pensativo.
Senti o toque macio dos lábios de , em minha testa.
— Vai dar tudo certo… - ela sussurrou para mim.
Eu apenas sorri. Fechei os olhos quando vi a agulha se aproximar de meu braço, eu tinha pavor daquilo e sabia. Ela novamente segurou forte minha outra mão. Apertei os frágeis dedos dela, como um pedido infantil de criança apavorada dizendo: “Não me solte nunca mais”.

“Amor ...
Você me deixou no silêncio do silêncio.
Querida, você me deixou,
Querida, você me deixou caótico,
Querida, estou consternado pelo desespero”.


Três semanas se passaram, e eu estava deitado àquela cama tão cansado fisicamente quanto mentalmente. , Kai e os outros meninos das bandas vinham com frequência. Mas, exatamente naqueles últimos dois dias eu estava muito cansado para visitas. E tanto o EXO quanto o BTS, estavam atarefados com suas agendas. Mas, não me deixava esquecê-los. Telefonava e mandava vídeos o dia todo.
, passou o tempo todo comigo. Ela não saiu em momento algum na falta deles, e quando eles estavam, tinha de implorar para ela aceitar deixar um dos meninos no lugar dela até que ela fosse para casa se alimentar e descansar direito.
Eu tinha acabado de acordar e ela entrava no quarto, despenteada, com olheiras profundas e devorava uma tigela de macarrão instantâneo.
— Alimente-se direito. Como quer cuidar de um doente desse jeito?
— Comendo melhor do que você, eu tenho certeza que estou.
… Não zombe de um doente.
Ela riu. Pegou um pedaço da carne em sua tigela e me ofereceu.
— Estou sob dieta restritiva, esqueceu?
— Será que faz mal? É só um pedacinho de carne…
— Se acontecer algo comigo a culpa vai ser sua. Você é uma péssima acompanhante.
— Fala assim mesmo, da mulher que não saiu do seu lado nunca!
Ela riu e eu me mantive sério. Acredito que ela entendeu, pois, o sorriso em seu rosto virou uma linha de rugas na testa.
— Não é bem assim, não é?
— Você teve seus motivos.
— Tae? Você ainda me ama?
estava séria demais para alguém que aceitaria mudar de assunto. E eu fraco demais para discutir.
— Amo. Infelizmente.
— Por que infelizmente?
— Porque eu não posso ter você de volta.
Ficamos em silêncio, e depois de um tempo me remexi desconfortável. Ela havia terminado de comer e jogava fora sua tigela.
— O que você quer? - ela perguntou sabendo que eu precisava de algo.
— Tenho sede.
pegou um copo de água e com um canudo me ajudou a beber. Ela fazia carinho em meu cabelo e percorria o olhar por minha face doente.
— Estou muito acabado?
— Não. Você é charmoso e bonito demais para se acabar.
— E você é mentirosa.
Rimos, e ela retornou o copo para a mesinha ao meu lado. Depois, retirou os sapatos, ficando de meias e sentou-se ao pé do meu leito, de pernas cruzadas.
— Por que você pintou o cabelo, Tae? Só para se parecer com o ?
— É o que parece, mas, não é. Eu pintei porque você amava meu cabelo. E eu queria esquecer tudo que me relacionasse a você.
— Por que aceitou que eu te ajudasse agora?
— Porque eu te amo.
— Eu também.
Eu não acreditava no que ela dizia. Naquele tempo me acompanhando, dissera mais de uma vez que me amava. Mas, é lógico que me amava. Ela é o tipo de pessoa que ama outras pessoas, apenas por serem humanos. Não havia motivos para me alegrar com aquilo, até porque, eu lutava contra a morte naquele momento. Não deveria me importar com palavras vazias…
— Quando isso acabar, Tae… Eu quero outra chance para nós…
E então, eu arregalei meu olhos. Aquilo era momento para ela decidir voltar atrás?
— Sério ? No meio desse caos? Depois de me deixar sem voz no silêncio?
— Eu sei, eu sei… É que...
— Não diga besteiras, e nem faça promessas por pena.
— Não é pena.
— Então é o que?
— Arrependimento.
— E o ? Vai ser ele quem vai sofrer agora? E depois? E se ele precisar de você?
— Ele realmente me ama, e eu também o amo, mas… É diferente Taemin. Eu sinto que não tivemos chance de resolver nossas coisas… E eu, eu não posso seguir em frente com outra pessoa sem ter certeza que isso… - apontou para si e para mim — Realmente teve um fim.
A porta do quarto se fechou bruscamente. E nós dois olhamos para o lado assustados, não entendemos nada até abrir a porta de novo, e entrar confuso. Atrás dele, havia um se afastando pelo corredor. imediatamente levantou-se do meu leito, calçou os sapatos e saiu correndo.
Eu nunca tinha visto correr daquele jeito por mim.
Não tive tempo de saber o que aconteceu entre eles. , tentou me fazer aceitar de volta ali. Eu não quis. Não depois dela ter saído daquele jeito com seu namoro com, por um fio. Era visível que ela não sabia lidar com aquela situação, e estava confundindo tudo.
Pedi para Kai avisar a Hyna, uma das minhas amigas e que foi minha assessora na SM, do meu estado para que me acompanhasse quando eles não pudessem.
E foi ali que Kai alertou que esconder aquilo tudo não era certo. Minha família, meus amigos, ex-equipe e fãs precisavam saber daquilo. Eu já não tinha forças para negar, então deixei na mão dele decidir tudo.
Foi a última vez que me lembro de ter visto Kai.

“Nossa separação foi há muito tempo,
E o fio que nos liga quase quebrou.
Até que eu encontre você, este final ainda será como um pesadelo em meus sonhos. Amor, eu estou de volta, onde eu estava no início da estrada…”.


andava de um lado para o outro. E todos estavam ali. Todos da família dele. Amigos. EXO. BTS. . Ela. O médico se aproximou do grande grupo de pessoas naquela sala, com os resultados em mãos:
— Só um de vocês é compatível. Senhorita… ?
— Eu! Sou eu.
— Preciso que me acompanhe, para os procedimentos iniciais, tudo bem?
— Espera Doutor! - disse , chamando a atenção de todos ali: — Quais as chances?
— Não podemos esconder os fatos a esta altura do quadro… Ele tem 25% de chances de recuperação a partir da doação.
— Então é nesses 25% que nos agarraremos.
falou confiante e seguiu o médico sem falar ou fazer mais nada. A mãe e o pai de Taemin choravam desesperados. chorava afastado de todos. Kai estava na capela religiosa do hospital, acendendo incensos. E os outros todos concentrados que tudo desse certo.
depois de um tempo seguiu pelo mesmo caminho feito pelo médico e por . Ele os alcançou e disse ao médico que acompanharia . A mulher sorriu para ele, e segurou firme em sua mão.
Depois de tudo pronto, estava apreensiva deitada na maca. estava à sua frente agachado, vestido com as roupas cirúrgicas como as dela, e segurava forte a mão da namorada. sentiu uma dor absurda e desconfortável, mas, entendendo a importância de não se mexer nenhum milímetro suportou a tudo calada, com as lágrimas correndo de seus olhos. O médico coletou o necessário, e depois encaminhou a medula para o paciente. recuperou-se aos poucos. Inicialmente deitada e só depois pode se sentar.
Seus amigos vieram vê-la e encorajá-la, também parabenizaram a garra, e a confiança dela. não se afastou nenhum minuto.
— Agora ele vai acordar e se recuperar.
Todos olharam uns para os outros e sorriram para ela.
— Ele vai acordar e ficar bem, não é? - ela perguntou novamente aflita e olhando .
— Vai sim, meu amor. - ele respondeu e beijou-a de maneira calma.

“Você leva todas as minhas lembranças.
Não consigo nem pegar no sono esta noite.
Este dia foi apenas o casco do colapso que ocorreu na noite.
Estou sendo puxado para o fundo, eu pareço sufocar no pântano”.



A minha própria voz ecoava em meu pensamento. E era o nome dela que eu chamava. Eu queria abrir os olhos, mas, não conseguia. Sentia-me quente por dentro. Sentia o fio frio da agulha adentrando minha veia. Como era possível? Como eu poderia sentir aquilo de maneira tão latente? O que estava acontecendo?


“Nossa confiança foi destruída, não restava vestígio.
E apenas uma pergunta preenche o vazio, então, por favor, responda-me. Fale-me, se você fizer isso... não posso cair, como os anjos? ”.


Eu sentia uma velocidade absurda e ouvia o som de meu próprio sangue percorrendo minhas artérias. BUM. Uma batida. BUM. Duas batidas… E uma repetição sincronizada da minha própria frequência cardíaca. Meu corpo estava mais quente do que eu poderia suportar.
Eu senti o cheiro dela. Eu senti o toque dela. Eu senti a força dela dentro de mim. Eu a ouvi.
Meus olhos abriam-se calmos, e meu sorriso se alargava. Eu me sentia muito bem. Eu abri os olhos e vi o rosto de desfocado. Eu sorri, ela sorria. Os cabelos dela estavam longos. Quanto tempo eu passei sem vê-la?
— Eu te amo Taemin, e amo o tom loiro do seu cabelo! - ela disse bagunçando meus cabelos.
? Ela se afastou com um sorriso grandioso.
? Aonde você vai? Ela corria para longe de mim…
E eu tentei correr atrás dela, mas, não conseguia, então gritei com toda a força dos meus pulmões:
!

“Amor ...
Você me deixou no silêncio do silêncio.
Querida, você me deixou.
Querida, você me deixou caótico.
Querida, estou consternado pelo desespero.
Nossa separação foi há muito tempo, e o fio que nos liga quase quebrou.
Até que eu encontre você, este final ainda será como um pesadelo em meus sonhos. Amor, eu estou de volta, onde eu estava no início da estrada...
Não posso dar um único passo.
Estou tentando avançar com todo o meu poder, mas, na verdade, ele nem sequer surgiu.
Eu gritei, rasgando os pulmões, até que a respiração parasse”.


Aquele grito foi a válvula final. Eu me sentia sendo puxado para a realidade. Era uma lembrança, não era . Abri os olhos finalmente, em desespero, e me ergui daquela cama do hospital. Finalmente, eu estava de volta.
Estava tudo escuro. Era noite? Levantei-me do leito, e abri a porta do quarto.
Não havia nada ligado a mim. Eu estava curado. Quanto tempo eu passei ali? Onde estava ela? Onde estavam todos? Caminhei pelos corredores agitados do hospital, a procura de qualquer rosto em comum. E avistei com a cabeça encostada na janela.

“Então, sem ter ouvido a resposta à minha pergunta.
Eu quis te jogar fora do meu coração.
Você me deixou sozinho com tanta crueldade...
Quando chegar a manhã, sentirei sua falta de novo, como se o ontem não existisse”.


Me aproximei devagar. Ele chorava. E então ele se virou para mim, e me olhava como se estivesse surpreso. Todos olhavam em nossa direção, e apesar de eu ter sorrido como poucas vezes fazia, ninguém sorriu de volta.
era amparada por minha mãe, e por . Afinal, o que estava acontecendo? Era um sonho? Mas, e me encarando daquela forma?
? - ele sorriu, no meio das lágrimas.
? - chamei-a e quando fui me aproximar, ouvi meu amigo dizer:
— Não, Tae.
E novamente todos olharam para sem entender porque ele estava agindo daquele jeito. Nem eu entendia. Ele chorou. Caiu ajoelhado no chão e abraçou o próprio abdômen.
O que estava acontecendo?
Vi o médico se aproximar de meus pais e minha cabeça rodou.
Cai no chão, deitado de costas.
BUM. Uma batida.
BUM. Duas batidas.
…?
O que está acontecendo?
Tudo rodava e as lâmpadas daquela sala de espera começaram a piscar. Eu me sentia bem, mas me sentia triste. Fechei os olhos. E nada entendia. Abri os olhos e tudo entendi.
Eles se esforçavam sobre mim, vieram enfermeiros, médicos, desfibriladores. Bombas de oxigênio. E minha voz não conseguia sair. Eu não conseguia me mexer.
Ouvi o choro de minha mãe. Ouvi o desespero de meu pai. Senti as batidas do coração de todos ali. E de repente, tudo se silenciou.
Eu estava no escuro daquele quarto de novo, deitado em meu leito. Um médico entrou sorrindo para mim, tocou em minha mão e disse:
— Vamos?
Assenti, e retirando todos os fios de meu corpo ligado àquelas máquinas, ele me libertava daquela condição pouco a pouco.
Ele abriu a porta do quarto, e tudo o que vi à minha frente foi a luz do sorriso dela, como numa lembrança antiga.
— Taemin.
Ouvi ela me chamar, e não mais a vi. O corredor do hospital estava movimentando como antes, mas, calmo. As lâmpadas pareciam brilhar com mais força. Ouvi as palavras dela, dizendo para mim, bem baixinho, como num choro sussurrado:

“Amor ... Você me deixou no silêncio do silêncio. Querido, você me deixou. Querido, você me deixou caótica. Querido, estou consternada pelo desespero. Nossa separação foi há muito tempo, e o fio que nos liga quase quebrou.
Até que eu encontre você, este final ainda será como um pesadelo em meus sonhos. Amor, eu estava de volta, onde eu estava no início da jornada. Deus...”.


Mas não a encontrei.




Fim



Nota da autora: Eu sei que ficou curtinha. Mas, quando eu peguei essa música do Tae que deixa a gente jogada na BR, o enredo veio como mágica na minha mente! Não pude não escrevê-la desse jeito. Fiz o que pude para ser poético, para ser amoroso e para ser uma leitura agradável a vocês. Mesmo sofrendo! Então, por favor, deixa seu comentário para eu saber o que você achou da fic, tá? Espero com todo meu coração, e carinho, que vocês amem a história. Beijos, com afeto.



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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