Última atualização: 29/10/2017

Capítulo Único


Um vento enorme começou da parte norte e vários trovões ao mesmo tempo começaram a surgir. Todos começaram a correr de volta para o carro mas, a chuva foi mais rápida e como se o mundo fosse acabar naquele instante, a chuva caiu com toda força, impossibilitando e molhando qualquer pessoa que estivesse fora de um abrigo.
— O QUE NÓS VAMOS FAZER? — gritou, agarrando e pelo braço e se abraçando nas duas. foi para longe delas, tentando tirar o carro de perto do barranco para evitar que algo mais acontecesse e o seguiu, fazendo o mesmo com o carro dele. Ambos estacionaram o mais longe possível do barranco e voltaram para perto de onde o resto do grupo estava. Uma pequena árvore estava servindo de refúgio para eles, mas todos sabiam que a essa altura o mais longe possível de uma árvore seria a solução exata.
! — gritou, chamando o amigo que estava com uma das mãos no rosto protegendo-se do vento. parecia atordoado e preocupado, seus cabelos estavam molhados por todo o seu rosto, tampando parte de suas expressões, mas pôde perceber que algo de ruim estava acontecendo. — PRECISAMOS FAZER ALGUMA COISA, NÃO PODEMOS FICAR AQUI. — Ele alertou.
— EU SEI. — respondeu, dando alguns passos para a frente e olhando em volta do lugar que eles estavam. Várias nuvens negras começaram a surgir pela orla da praia mostrando que a chuva não iria parar tão cedo. — Mas, nós estamos no meio de uma tempestade. Como vamos sair daqui? Não podemos usar os carros naquela pista perigosa.
Ele manteve o nível da voz ao falar tempestade para não descontrolar causando pânico entre eles, principalmente nas garotas que já estavam apavoradas.
— TEMPESTADE? — berrou, soltando de um dos braços de .— VOCÊ DISSE TEMPESTADE? — ela segurou nas roupas de , tentando sacudí-lo. — COMO VOCÊ SABE QUE É UMA TEMPESTADE? EU NÃO POSSO MORRER, NÃO POSSO FICAR NO MEIO DESSA TEMPESTADE! VOCÊ ESTÁ FICANDO MALUCO?
acertou pequenos socos e chutes nele, desesperada com o barulho que o vento fazia ao passar pela floresta e puxou a namorada, forçando o rosto dela contra o seu peito tentando acalmá-la.
— Calma, bebê. — Ele disse, acariciando o cabelo dela.
O vento começou a soprar mais forte, trazendo o clarão do trovão e barulhos ensurdecedores. As roupas aos poucos estavam ficando mais ensopadas fazendo assim todos vítimas do frio.
— Tem uma cabana não muito longe daqui. — apontou para um certo ponto da praia onde uma pequena trilha começava. Ele estava preocupado com e sabia o quanto a namorada tinha medo de tempestade.
— Como você sabe disso? — Ela perguntou, caminhando em direção a ele e passando os braços por sua cintura. contou a mesma história que o recepcionista do hotel havia lhe contado cedo. Contou a respeito que a cabana era de um dos seu avós que usava muito para trazer os netos para se distrair naquela praia. Logo que ele morreu, ninguém mais esteve nela e talvez ela nem estivesse mais em condições de uso.
fitou por alguns segundos, como se esperasse uma decisão dele, mas ficou imobilizado sentindo-se perdido.
— QUAIS AS NOSSAS CHANCES DE CONTINUAR? — saiu com parte do corpo na tempestade, olhando para a estrada que agora estava coberta por galhos e lama.
— Sem chances da gente voltar. Pode acontecer algo pior na estrada ainda mais dirigindo. — disse, passando um dos braços pelo ombro de .
— O que é pior do que estar nesse lugar com você? — Ela respondeu, retirando imediatamente o braço dele de seu ombro. — Não tem nada mais pra acontecer de pior, pra começo de conversa eu nem sei porque eu aceitei vim nessa viagem com vocês. - Ela disparou sem humor. Todos sabiam que a presença de a incomodava, mas insistiram tanto nessa viagem que foi quase impossível recusar. E agora essa situação? E agora , assim? Querendo amenizar e se aproximar?
— Vocês dois não vão começar de novo, né? — comentou, olhando de relance para e depois para . Ela começou a tremer nos braços de e ele puxou a toalha que estava em seu pescoço para enrolar em volta do corpo dela.
— O QUE VOCÊS ACHAM? — virou, olhando para as garotas procurando por uma resposta se elas estavam dispostas a sair no meio da tempestade para procurar essa cabana. Novamente ninguém se atreveu a responder tomando uma decisão definitiva. Todas estavam com a respiração forte e tremiam muito de frio. sentiu-se péssimo e prepotente olhando como estava.
— TENHO ALGUMAS COISAS NO CARRO QUE EU TROUXE POR EMERGÊNCIA SE ISSO ACONTECESSE. VAMOS PARA ESSA CABANA E PASSAMOS A NOITE LÁ. MELHOR DO QUE FICAR AQUI. — gritou sugerindo, e balançaram a cabeça concordando. Era essa opção ou então ficar debaixo daquela árvore.
— VOCÊ SABIA DISSO O TEMPO TODO, NÃO SABIA? — acusou, partindo para cima dele. cambaleou um pouco com o impacto do corpo dela inesperado. — SEU CRETINO! COMO VOCÊ PÔDE FAZER TUDO ISSO? VOCÊ QUER NOS MATAR?
— VOCÊ FICOU MALUCA? — gaguejou, prendendo os braços em volta da cintura dela para tentar conter seu impulso em derrubá-lo no chão. sentiu como se o chão faltasse naquele momento quando o seu corpo se prendeu ao dele. Suas pernas ficaram trêmulas e ela obrigatoriamente soltou o corpo, deixando assim só as mãos e a força de a deixando em pé. — O que você pensa ao meu respeito? Que eu seria maluco em trazer vocês aqui para correr esse risco todo? — ele a sacudiu, indignado com aquele tipo de acusação. perdeu o fôlego ao tê-lo tão próximo assim do seu corpo. — Me responde, . Sou tão repugnante assim para fazer esse tipo de coisa?
— Você já fez tantas coisas! Não dúvido que seja capaz de fazer tantas outras se fosse preciso. — Ela respondeu, recobrando a lucidez. — , você só pensa em si mesmo. O que você quer que eu pense sobre você?
ficou parado como se aquelas palavras fossem farpas entrando pelo seu corpo. Seu rosto ficou pálido e suas mãos se afrouxaram um pouco. — SIM, VOCÊ É O SER MAIS REPUGNANTE DA FACE DA TERRA! — ela berrou, sentindo uma raiva invadir seu corpo. Sem pensar muito, juntou toda sua força tentando se livrar dos braços dele. — ME SOLTA PORQUE VOCÊ ESTÁ ME MACHUCANDO! — gritou, sentindo dor e falta de ar.
— Eu vou te soltar e não quero você partindo assim de novo para cima de mim. — desprendeu um dos braços da cintura de e com o dedo indicador passou pelo rosto dela. — Nós temos muito o que conversar pelo jeito, mas não vai ser agora e não nessas condições que você está.
eu juro que te mato se você me encostar mais um dedo. — prometeu, abrindo os braços esperando que ele a soltasse por completo. sorriu timidamente, a soltando.
— Nós vamos morrer! — choramingou do outro lado, afundando o rosto no peito de . — Eu vou morrer e ainda tenho que fazer isso do lado da e do , por quê? O que eu fiz pra merecer isso?
— Amor, eu vou te proteger. Não se preocupe. — disse bem perto do ouvido dela como um sussurro. Ao vê-la daquela maneira assustada seu coração disparou por alguns segundos preocupado em encontrar uma maneira rápida para protegê-la. — Eu te amo, vou ficar com você, ok? — Sabia que em todas as situações que estava sua escolha era sempre , amava a garota de todos os jeitos e em todas as situações. Era ela, sempre ela. — Me abraça e não solta. — tentou controlar-se para não fazer nenhum outro comentário que a assustasse.
— Mas o que… — ficou perdida olhando para todos eles perplexa com aquela cena de violência em minutos. Um raio caiu de repente ao lado da árvore e vários gritos de pânico começaram a surgir delas. se esqueceu completamente de sua raiva por e o abraçou, tremendo de medo de algo a acontecer.
, preocupado com , empurrou parte dos cabelos molhados da garota para trás de sua orelha e em seguida segurou o queixo dela, levantando para acalmá-la.
— Eu estou bem. — Ela respondeu, fazendo uma careta.
— Erm...? — chamou que ainda estava abraçada em . — Amiga, você percebeu com quem está abraçada?
voltou a si e olhou para assustada, começando a gritar. — É, você não sabia com quem estava abraçada. — Ela riu ao ver o desespero dela.
— Vem, bebê. — disse abraçando carinhosamente.
— Vamos logo para essa cabana. — cortou a conversa dando um chute em . — Fique longe!
— Vamos pegar algumas coisas no carro primeiro. Fiquem quietas aqui! — disse, beijando o topo da cabeça de . , e se entreolharam preocupados com a chuva forte e contaram até três antes de entrarem na tempestade, indo em direção aos carros.
abriu o porta malas, tirando todas as mochilas importantes para começar a subir a trilha para a cabana. e correram para o outro carro aflitos, buscando por algo que pudesse ajudar naquela sobrevivência de uma noite em um lugar desconhecido. Ao fechar o porta malas, se lembrou de uma mochila térmica que estava no banco de trás com alguma comida que ele antes de sair separou caso tivessem fome no meio do dia. Ele sorriu satisfeito ao abrir a mochila e se deparar com comida o suficiente para todos eles. Jogou todas as mochilas nas costas e travou o carro, rezando para que nada de ruim acontecesse com ele abandonado ali.
O grupo foi dividido conforme a necessidade de cada pessoa estar acompanhada. Todas as mochilas estavam com os garotos enquanto subiam pela pequena trilha escorregadia. Na maior parte do caminho a densa floresta se fechada e ficava quase impossível de se atravessar. estava na frente liderando o grupo tirando do meio do caminho galhos e troncos derrubados, era o último formando uma barreira de proteção das três garotas que estavam no meio. andou ao lado de , segurando firme em suas mãos. Na frente dela, um pouco mais aflita com aquele caminho, apenas observou atentamente o tempo se fechando a cada segundo. O céu começou a ficar mais escuro enquanto eles caminhavam e algumas lanternas precisaram ser acesas para iluminar alguns pontos da trilha. Meia hora de caminhada por entre a floresta e nenhum sinal de alguma cabana ali. lançou um olhar nervoso para que olhava atentamente para frente, preocupado em achar logo alguma lugar de abrigo. A chuva foi ficando mais forte a cada segundo e o vento assoprava como se estivesse anunciando que algo pior estava por vir.
— Ali está ela. — disse, apontando o dedo para uma cabana um pouco mais a frente. Escondida em volta de alguns arbustos ela não parecia estar caindo aos pedaços conforme a informação de . Não era uma cabana enorme, do lado de fora aparentava ter no máximo três cômodos, não mais do que isso. Algumas janelas estavam quebradas e pedaços de madeiras espalhadas pelo chão. — Bom, já é alguma coisa. — Ele rolou os olhos pelo local, parecendo contente por ainda ter um lugar coberto para passar a noite.
— Finalmente. — sorriu dando um pequeno tapa no ombro do amigo.
— Ela está melhor do que eu imaginava. — ficou surpreso ao vê-la em boas condições. Alguns resmungos e cochichos das garotas puderam ser ouvidos ao longe. Nada contentes com o resultado que estaria por vir naquele lugar. Não havia escolha e nada mais do que pudesse ser feito, a tempestade desta vez chegou forte e eles foram obrigados a correr imediatamente para dentro da cabana, esquecendo assim qualquer que fosse o incômodo e diferenças daquele momento. Passar a noite juntos. Em um único lugar, juntos todos eles. Essa sim era a noite que ficaria marcada em todos.

xxx

A lareira ao canto da sala estava acesa e parte de algumas madeiras velhas estavam jogadas em um canto, provavelmente seriam usadas para manter o fogo aceso durante a madrugada toda que iria se arrastar. Não foi difícil achar madeiras naquele lugar e por sorte com um isqueiro ela estava acesa em minutos, esquentando o lugar e dando a luz necessária para enxergar o que mais poderia ser feito para minimizar essa péssima noite em algum possível conforto.
Dentro a cabana parecia bem mais aconchegante e impressionante do que do lado de fora. Era espaçosa e bem decorada, nem com o tempo fez perder o clima rústico e quente que ela proporciona ao primeiro contato. Alguns móveis estavam empilhados perto da porta da cozinha e uma pequena porta do lado oposto anunciava ser o banheiro. Como o imaginado, apenas sala, cozinha e banheiro. A cozinha era bem pequena, sendo impossível movimentos se estivessem mais de duas pessoas ali dentro. Uma mesa para dois lugares, uma pia e um armário minúsculo de um lado era somente o que dava para se encontrar. Na sala, dois enormes sofás cobertos por alguns panos e outra mesa com lugar para quatro pessoas. Uma cômoda de mogno enfeitava a parede ao lado da porta de entrada e ao seu lado uma enorme janela com seus vidros quebrados. Esse certamente era a descrição do lugar que seria o refúgio de todos.
Com a maior parte das roupas em uma das mochilas, sentou-se em um dos sofás delicadamente para não levantar poeira. Antes de começar a se aventurar por entre as coisas perdidas daquele lugar. Um bom banho e roupas secas seriam o principal.
— Eu não sei o que falar. — girou o corpo em 360º graus, olhando tudo muito impressionada. — Realmente é algo que eu não esperava, talvez não seja tão desastroso essa noite, aqui. Mas precisamos de algumas modificações, aliás, muitas modificações.
— Melhor isso do que ficar na tempestade. — retrucou, olhando torto para a garota. — Todo mundo precisa tomar um banho e tirar essas roupas molhadas antes que alguém pegue um resfriado.
— Vou ver se encontro alguma panela para esquentar água. — disse, olhando para o lado da cozinha automaticamente e se arrependendo de ter comentado algo. — Talvez alguém queira ir comigo... — Ela apontou, aparentando medo. deu um pequeno passo para a frente, segurando em sua cintura. — Melhor companhia do mundo.
— Vocês dois me dão dor de barriga. — suspirou com o amor que exalava cada vez que um deles abria a boca para falar algo. — Já que vou ser obrigada a ficar aqui com vocês dois, por favor, esse amor me sufoca.
— Nada mal. — balançou a cabeça, gostando do que estava vendo. — Podemos passar a noite aqui tranquilo, mas vamos ficar de olhos abertos. Caso a tempestade caia muito forte. — Ele preveniu, olhando para e .
— Vou procurar por alguma velas. — comentou, apontando para a cozinha. Ao passar por olhou para a garota como se esperasse alguma coisa da parte dela. ficou parada procurando por algo ainda dentro da mochila, ignorando simplesmente que ele estava parado ali.
abaixou a cabeça mudando a fisionomia e foi até a cozinha.
— Uma boa faxina nesse lugar seria bom antes de alguém pensar encostar em algo. — passou o dedo pela mesa, saindo uma enorme crosta de pó de cima dela. — , melhor momento de você usar aquela coisa bizarra de faxineira.
— Aquilo se chama bandana! — respondeu do outro lado.
— Tanto faz, coloca aquilo e começa a arrumar esse lugar. — perturbou, sabendo o grande toque que ela tinha com coisas sujas e outras fora do lugar. Não era preciso nem duas horas para que ela colocasse essa cabana em ordem e limpa.
e , me ajudem a procurar alguma coisa para trancar essa porta direito. Assim o vento não abre e também não temos o perigo de sermos surpreendidos por nenhum animal a noite. — pediu ajuda para os amigos, preocupado com o bem estar deles. — Acho que encontrei uma madeira lá fora que seria o certo para travar a porta do lado de dentro.
— Qual o problema dos animais lá fora? Somos obrigadas a ficar com um aqui dentro. — disse, olhando ironicamente para que surgiu com um pacote de velas da cozinha. Ele levantou o dedo para expressar alguma reação, mas abaixou na sequência não querendo arrumar nenhum outro problema com a garota.
— Travar? — tossiu com a poeira subindo. — Mas porque tudo isso? E se eu precisar correr da e do ?
— E por que exatamente seria preciso a gente correr deles? — franziu a sobrancelha, olhando torto para a amiga. deu uma pequena tossida, fazendo começar a ter um surto de espasmo.
— Eu vou embora. — Ela pegou uma mochila e jogou nas costas, desesperada para sair debaixo do mesmo teto que . — Eu encontro vocês em algum lugar. Mas, não fico aqui com ele, não mesmo. Nem pensando.
— Você ficou maluca? — bloqueou a frente dela, cruzando os braços. — Olha a tempestade, como você pensa em sair assim? Só para evitar passar a noite comigo?
— Vão começar a se pegar de novo. — cochichou por entre o barulho da chuva do lado de fora e pareceu ser a única que escutou, pois soltou pequenas risadas logo em seguida. — Mas não é verdade? Qualquer coisa que acontece eles estão se pegando.
— Depois vem jogar que são ex-namorados. — debochou, vendo a briga se iniciar no meio da sala. — Desde quando ex-namorado tem essa tensão toda no ar?
— PASSAR A NOITE COM VOCÊ? — atirou a mochila com força no chão pisando firme até onde estava. — Você ficou completamente maluco. — ela apontou o dedo indicador para a própria cabeça.
— Hora de segurar alguém. — começou a andar até e o segurou pelo braço. Quando o assunto era e o melhor a fazer era simplesmente ignorar.
— Não nesse sentido. — afastou-se, protegendo o corpo de qualquer agressão que resultasse a aproximação de . — Você entendeu o que eu quis dizer, não precisa tratar sempre o assunto com toda essa violência.
— Vocês precisam de sexo! — deu uma piscadinha irônica para ele e passou uma das mãos pelo ombro de . — Vamos tirar essas roupas e depois eu deixo você fazer o que bem entender com ele, mas primeiro estou preocupada com a sua saúde.
— Vou ligar o fogão e colocar a água para esquentar. — levantou-se, jogando a mochila no chão indo para a cozinha.
— Bebê, eu te acompanho. — disse caminhando rapidamente para o lado da namorada. Não ficaria naquele fogo cruzado dessa maneira.
— Eu vou arrumar esse lugar. — riu nervosa, olhando em volta vendo tudo bagunçado e sujo. — Temos um pouco de comida, precisamos nos arrumar e sobreviver a essa noite.
rolou os olhos frustrados e chamou para ajudá-lo a achar algum tronco que pudesse servir de trava para a porta. ficou encarregado da comida e de ajustar a cabana limpando cada lugar que fosse possível para dormir.
Uma hora depois a noite caiu profundamente e nada mais lá fora dava para se ver. Apenas o barulho forte da chuva caindo fazia algumas vezes a cabana soltar pequenos rangidos. Algumas velas estavam espalhadas pela cabana, clareando um pouco mais o lugar. A lareira estava enorme aquecendo ainda mais o ambiente espantando o frio que ficava pior a cada segundo. A cômoda que estava ao lado da janela foi usada para tampar o pequeno estrago sem vidros que ela estava. achou vários lençóis e cobertas dentro de um baú, ficou feliz ao ver que aos poucos aquela noite poderia ser uma das melhores que todos estavam imaginando.
Na cozinha tentava cozinhar um pouco de sopa para eles, o único tipo de comida que podia mantê-los aquecidos por longo período. Sem imaginar como, tinha pego várias barras de chocolate e com um pouco de leite não sabendo o porque ela levaria leite para a praia, pôde fazer chocolate quente. O cheiro delicioso invadiu a cabana e aos poucos eles foram se soltando. As brigas haviam parado e nenhuma provocação mais foi feita por um longo tempo. e acharam um enorme tronco e com um pouco de dificuldade travaram a porta impossibilitando assim qualquer pessoa entrar na cabana, do outro lado terminava de limpar a enorme mesa. Tudo estava aparentemente limpo e bom para ela. Os sofás estavam cobertos com vários lençóis e cobertas para as garotas dormirem mais confortável possível. Do lado da lareira alguns colchonetes e cobertas espalhadas mostrando que ali seria o lugar onde eles teriam que dormir. e arrumavam suas coisas para começar a dormir, enquanto terminava de pentear os cabelos no minúsculo banheiro.
— Então… — fez um movimentando, desvencilhando-se de . — Você e o não podem parar com todo esse clima?
— Hum? — engasgou virando para encarar a amiga.
— É, esse clima entre vocês é insuportável. Será que não rola parar com isso? — Ela perguntou naturalmente.
— Como você pede isso? — ficou espantada. — O que você quer que eu faça? Ele é insuportável e eu não me sinto confortável do lado dele.
— Insuportável que você fica toda sem ar quando ele chega perto.
— Sem ar? — riu, soltando um pequeno gritinho abafado. — Você ficou maluca mesmo, só pode.
— Sei bem. — Ela rolou os olhos, fingindo acreditar. — Mas, que ele sente alguma coisa ainda por você, ah isso sente!
— Eu não vou dormir essa noite. Tanta coisa acontecendo e você acha que eu tenho cabeça pra pensar no ? — disse, terminando de ajeitar o cabelo em um pequeno rabo de cavalo no alto da cabeça. — Por mais que eu esteja acabada sem dormir, não vou conseguir pregar o olho com essa tempestade desse jeito. E ele desse jeito me incomoda muito.
— E você acha que eu vou? Não sei do que tenho medo. Da tempestade ou de encontrar você e o , mortos no chão da sala. — encostou-se no braço do sofá aflita. — , todo mundo sabe que vocês dois se amam ainda. Então por que não tentam conversar? — ela perguntou pela primeira, preocupada com a situação. levantou um pequeno olhar para ela e não soube ao certo o que responder. Ela também estava preocupada com que pudesse acontecer estando tão próxima assim dele.
e se entreolharam no mesmo instante, não sabendo o que falar a respeito. Tudo estava bastante confuso, e por mais que quisesse ver novamente e juntos, entendia que a separação deles foi tão complicada e dolorosa que tinha medo que todo esse contato pudesse trazer novas cicatrizes. largou o prato que estava em sua mão parando para analisar atentamente a garota que estava fascinante aos seus olhos. sentiu-se um pouco incomodada com aquele olhar e baixou a cabeça constrangida.
— Vou tomar um banho também e colocar roupas secas. — anunciou, pegando uma toalha. — Calma, . Eu vou ficar bem, não preciso de companhia. — Ele provocou, tirando a camisa molhada e entrando no banheiro.
— Eu disse alguma coisa? — Ela cutucou , esperando respostas. balançou a cabeça, rindo. — Que idiota, ele acha que eu ainda gosto daquele ABS maravilhoso!
Passando das 23:00 horas todos estavam aconchegantes em volta da lareira, se esquentando o máximo que podiam. e estavam enroladas em uma coberta e ao lado e dividiam uma outra.
cruzou as pernas perto do fogo, fechando os olhos meditando. Tudo estava em silêncio e ninguém ao menos pensou em quebrá-lo para iniciar uma conversa que não caísse novamente em uma discussão.

xxx

A tempestade não deu trégua pelas horas que iam se arrastando pela madrugada. Já se passava das duas horas da manhã e ninguém ainda havia demonstrado sinal que fosse ceder de sua postura e finalmente dormir. Todos nitidamente estavam cansados, nem com um pouco de maquiagem as garotas conseguiram disfarçar pequenas bolsas pretas que estavam surgindo debaixo dos seus olhos. estava com uma aparência péssima, seu olho estava inchado e parte do seu rosto todo vermelho. Os cabelos de estavam molhados ainda e por mais insignificante que ele fosse naquele momento não pôde deixar de notar que ele estava diferente. Seus músculos mais definidos e seu rosto bem mais jovem e angelical do que ela se lembrava, por mais que quisesse esconder esse sentimento ela sabia que ainda sentia o coração disparar toda vez que o encontrava.
percebeu que estava sendo analisado e girou o rosto para ela. Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios, fazendo com que se sentisse uma tola por estar pensando nele. Não somente tola como algo bem pior, seu corpo pulsava em um ritmo estranho toda vez em que ele se aproximava. Ondas de raiva e desespero surgiam e uma vontade descontrolada de falar coisas despejando todo o seu sofrimento e frustração que guardou durante todos esses seis meses. Ela sabia que não podia guardar mais o que estava sentindo, de toda maneira não conseguia esconder esse sentimento que ainda existia por ele. Esse amor descontrolado e essa paixão que não tinha limites. Seus sonhos, seus pensamentos. Dias e noites sonhando com ele, querendo e lutando contra esse amor que crescia no decorrer dos anos. Ela o conhecia acima de qualquer pessoa, conhecia pelo seu toque, sua voz e a maneira que ele respirava quando estava frustrado. Pequenas coisas que lembrava dele, sentimentos desconhecidos, olhares sinceros e profundos.
O toque suave e macio da sua pele contra a dela. Os lábios com gosto doce e quente toda vez que a beijava.
Saudades.
Ela sentia saudades de todos aqueles sentimentos, de todos aqueles olhares e todos aqueles beijos.
Seus pensamentos foram interrompidos por um barulho que fez ao se mover da posição em que estava.
Ficando em uma posição mais confortável, deitou-se em seu colchonete perto da lareira e cruzou os mãos atrás da nuca, olhando firme para um ponto no teto da cabana. deitada em um dos sofás dormia tão profundamente que se sentiu aliviado por vê-la dormir daquela maneira. Sem dúvidas o amor que sentia por ela dava para ser notado e admirado por todos os outros amigos, raramente acontecia alguma discussão ou desentendimento entre os dois. Em seus olhos era fácil notar essa paixão pela garota e às vezes nem ele conseguia entender como era intenso o que sentia por ela.
percebeu pelo olhar dela que não precisaria muito para adivinhar em quem ela estaria pensando. Um momento passado que ele gostaria de apagar, explicar. Desejando nunca mais ser um fraco por ter errado tão absurdamente assim, errado dessa forma monstruosa o que trouxe hoje várias mágoas entre os dois. Tentava se aproximar de quando ela abria um certo espaço entre uma cochilada e outra. deixou em todas as palavras em um único momento que eles ficaram sozinhos na cozinha os seus pensamentos e desejos. Ao falar tudo em poucas palavras passou por grandes apuros naquela madrugada, quando tentou abraçar para esquentá-la. A difícil briga foi a separação deles e não os enormes troncos de madeiras que tentava jogar com a finalidade de acertar a cabeça do garoto.
Resolveram não fazer muita coisa naquele restante da madrugada, acharam lugares confortáveis e quentes ao lado da lareira e finalmente depois daquela tensão todos os seis tentaram dormir um pouco.

xxx

acariciou lentamente a bochecha de e continuou parado bem ao lado do sofá onde ela estava dormindo. Olhou para o relógio do celular e viu que faltava apenas algumas horas para clarear, e ele não tinha conseguido pregar o olho em nenhum momento. Estava bastante preocupado com a situação lá fora e também com medo de alguém aparecer de repente do nada. Aparentemente, estava tão cansada que nem ao menos acordou quando ele tocou seu rosto. Estava há exatamente à meia hora parado naquela mesma posição apenas observando como a garota dormia. A expressão de seu rosto estava tranquila e ela parecia finalmente estar dormindo profundo, apesar de todo o barulho da chuva lá fora. Separados por uma distância segura, ele ainda alisava carinhosamente o rosto da garota e o cabelo para que ela pudesse se sentir protegida. Mesmo separados ele sabia que ela gostava daquele carinho enquanto dormia, sete anos de relacionamentos era o suficiente para que pudesse ser capaz de decifrar a garota até na maneira de respirar.
Mentalmente ele não conseguia parar de se amaldiçoar por ter perdido esse amor. Maldito sentimento que ainda queimava dentro do seu peito, esse amor, essa paixão. Tudo ainda estava ali! Tão presente. Tão marcado, tão profundo. Ele não entendia a necessidade doentia que sentia de ficar ao lado dela e apenas se conformar em ser odiado daquela maneira. Enquanto o coração, corpo, pensamento, sentimento, tudo nele pertencia exclusivamente à ela. O que o deixava mais atordoado era a forma que ele deixou isso chegar nesse fim. Sabia que não tinha motivos e nem esperanças para lutar novamente por aquele amor.
Já sentindo que estava fugindo da realidade novamente com aquele turbilhão de pensamentos, ele se forçou a voltar para a realidade e encarar aquilo de uma vez por todas.
… — segurou a mão dele e lentamente abriu os olhos, encarando a expressão assustada que ele fez ao sentir o toque da mão dela na sua.
— Oi, amor… — Ele disse, sabendo que aquele era o movimento para que parasse de fantasiar coisas e encarar a realidade que tanto esperava.
— O que você está fazendo? — Ela perguntou, segurando firme a outra mão dele. — Por que você está fazendo isso? Não faz isso, .
Ela ainda segurava a mão dele, sentindo o calor naquele pequeno toque.
— Eu precisava disso!
… — Ela levantou-se, olhando para ele sem expressão. Ela sabia o que ele estava dizendo e não poderia pedir para que ele parasse.
— Eu sinto muito tudo o que eu fiz para você. — Uma simples desculpa. Ele pensou quando viu os olhos dela refletindo na pouca claridade. — Não posso lhe pedir desculpas porque seria pouco para a nossa história.
— Nossa história… — Ela sorriu sarcástica, soltando a mão da dele.
— Por favor...
— Não quero ouvir você me pedindo desculpas. Porque não existe isso, não tenho o que te desculpar. Tudo aconteceu daquela forma, fim de assunto. — foi rígida e ao mesmo tempo indecisa ao falar aquilo. Por mais que não quisesse no momento escutar qualquer desculpa que ele pudesse inventar. Talvez precisasse disso para seguir em frente com a sua vida e esquecer por completo o que aconteceu entre eles. Apenas uma explicação, era isso que ela precisava. Apenas um porquê. Por que esse fim? Qual era o problema?
— Eu sei o que você espera ouvir. — Ele foi rude no tom de voz para que prestasse atenção no que ele estava dizendo. — Eu não sei. Não sei porque eu te deixei, não sei porque fui tão idiota. Não sei como fui capaz de deixar você sem ao menos te explicar o porquê. — Algumas lágrimas começaram a rolar de seus olhos e ele sentiu uma pontada no coração ao falar tudo aquilo. — Você era perfeita demais, . Perfeita demais para eu conseguir ser o homem que você estava esperando. Para ser o homem que iria passar o resto da vida com você. — Ele soltou um soluço agudo sem ao menos se mexer no local onde estava.
— CHEGA! — Ela tampou os ouvidos, não querendo ouvir mais nada.
correu para a porta e desesperada tentava tirar a madeira enorme que estava bloqueando a passagem, ficou parado, não entendendo nada daquele surto repentino.
— O que você vai fazer? — Ele perguntou preocupado ao vê-la agora toda descabelada e respirando fundo.
— Abre essa maldita porta, eu preciso respirar.
— Eu vou com você. — passou por ela e com certa dificuldade retirou a madeira da porta. Ela olhou pelo canto do olho para ele e em seguida abriu a porta com força, andando em direção para uma árvore que estava um pouco mais à frente. —
— Me deixa, .
— Não vou te deixar, caramba! — Ele andou até ela e a abraçou por trás, envolvendo sua cintura com suas mãos. — Não quero te deixar e nunca mais quero deixar você sair da minha vida.
A chuva estava pior do que eles imaginavam, nessa altura os pingos começaram a ficar mais intensos e envolveu a garota mais ainda em seus braços para protegê-la daqueles pingos gelados. Seu rosto estava em seu ombro e ela sentia a respiração dele colada ao seu pescoço, mas não fez menção de estar incomodada com aquele contato. Ao contrário, seu corpo parecia reconhecer esse toque e uma calmaria de repente invadiu seu peito. desligou por alguns minutos o cérebro e apenas voltou a sentir o impacto que o corpo dele trazia contra o seu. Aquela sensação, aquele perfume e a maneira exata que eles se encaixavam. O vento ainda estava forte e ela tremeu com o frio congelante da madrugada, mas sabia que ele estava ali envolvendo seu corpo para que não passasse frio.
— Pra mim você era perfeito. Sempre foi perfeito, sempre foi meu amor. Grande e enorme amor. — Ela rebateu, agora controlando a respiração para não parecer desesperada ao escutar aquilo. Depois de meses, justo hoje ele estava disposto a conversar. não se sentia pronta para ouvir o que levou ele a terminar tudo daquela maneira. O coração estava batendo em ritmo acelerado e ela sabia que em questão de minutos o próximo passo era o rosto estar coberto por lágrimas.
— Amor…
— Não! , não! — Ela o interrompeu.
— Por favor…
— Com você eu me sentia segura, desejada, eu sentia a famosa sensação de borboletas no estômago toda vez que você me olhava. Meu coração batia forte e toda parte do meu corpo desejava o seu toque. O seu corpo contra o meu, eu queria você em todos os momentos. Queria você todos os dias e em todos os segundos. — não conseguiu parar. Estava prestes a chorar, mas tentou manter a sua respiração da maneira que pudesse continuar falando com ele. — Como você me deixou desse jeito? Eu te amava de todas as maneiras. Não me importava com nada e ninguém a não ser esse amor. Nunca duvidei um momento se quer que eu estava completamente apaixonada por você e que você, era o homem da minha vida.
— Eu sou perdidamente apaixonado por você, amor. — Ele disse suave, controlando um pouco a emoção e sentido o peso daquelas palavras. — Me obriguei a ficar longe de você por medo. Eu sentia esse medo dentro de mim, de não conseguir lidar com todas as obrigações. Fiquei sem chão, me senti perdido.
Ela escutou a respiração dele acelerar bruscamente. Manteve a cabeça baixa e não moveu nenhuma parte do corpo.
...
— Você merecia alguém que pudesse te amar da maneira que você buscava. Aquele amor antigo e profundo, aquele amor certo. Da maneira desenhada e do jeito que você sempre sonhou. O que eu fui capaz de fazer em todos esses anos? Quanto tempo mais eu estaria me enganando e enganando você nessa relação?
— Você não entende… — Ela tentou falar, mas lágrimas começaram a escorrer por seus olhos nesse instante. Ele apertou ainda mais os braços em volta da cintura dela. E ela se deixou perder naquele abraço que tanto sentiu saudades, não negou como ela se sentia segura e feliz por ter novamente aquela sensação. Por estar novamente completa com o homem que sempre amou e desejou ter ao seu lado.
— Eu entendo, entendo que no momento que eu te vi tudo pareceu diferente. Você é a única que consegue me completar. Sabe quantas vezes eu me senti um nada e ao olhar você dormindo eu sabia que era o homem mais feliz do mundo, porque você estava ali em meus braços?
— Pare! — ordenou, não querendo mais ouviu nada do que ele tivesse para falar. — Pare, agora! — Ela resmungou nervosa agora empurrando o corpo dele para trás. — Era isso? No fim era isso? Você me amava dessa maneira e mesmo assim terminou tudo? Por medo? — Ela tentou conter a fúria que estava dominando seu corpo.
, você não entende. Não me julgue, não julgue o meu medo. Não seja tão hipócrita ao ponto de achar que foi fácil pra mim deixar você. — A vontade dele era sair daquele lugar infernal. A chuva ainda caia e ele não conseguiu nem sentir mais o frio, a adrenalina percorreu por todo seu corpo e ele só conseguia sentir a vontade de beijá-la.
— Eu não sou a mulher perfeita que todo mundo pensa que eu sou. Eu tenho tantos defeitos e tudo o que eu sempre quis foi amar alguém dessa maneira, e então eu encontrei e amei você. — implorou que ele parasse de falar todas aquelas coisas. — Por que você simplesmente não confiou em mim e me disse que tinha medo? Por que não me deixou te ajudar? Ficamos sete anos juntos, dividimos alegrias e tristezas e você devia ter confiado em mim.
— Eu confiei!
— Você não confiou.
— Você é meu mundo, amor. — Ele confessou, dando passos curtos em direção a garota que agora estava parada totalmente descabelada e molhada. Nem e muito menos foram capazes de dizer qualquer palavra. Ambos tentavam absorver que rumo aquela conversa estaria tomando. — Eu sinto muito por feito essa escolha. Não consigo deixar de te amar, não consigo te esquecer. Não deixo de pensar em você um segundo. Tudo o que eu faço é me arrepender de ter largado você dessa maneira. Por ter sido fraco, por ter tomado essa decisão por nós dois.
— Por que você fez isso com nós dois? Eu te amo, droga! — Por mais que quisesse lutar contra esse sentimento, não podia deixar de sentir seu coração acelerar toda vez que olhava dentro de seus olhos. Não conseguia deixar de amar por completo, amar tão intensamente que seria capaz de esquecer qualquer mágoa e apenas voltar a viver esse amor. — Dia após dia, noite após noite… — Ela respirou fundo pensando se não iria se arrepender mais tarde por ter dito aquilo. — Você sempre teve o melhor de mim, amor.
— Eu não sei se isso é sonho ou realidade, não importa. — levantou o rosto dela com a mão e, sem ao menos pensar, a beijou. não tentou impedir, apenas se entregou. Suas línguas se cruzaram e ele a puxou com força contra o seu corpo. Lentamente todas as barreiras e pensamentos foram esquecidos. Qualquer mágoa estava ficando no passado dando espaço apenas para aquele sentimento que ainda existia tão forte e intenso.
— Fique comigo, eu só preciso dessas palavras. — Ela sussurrou afastando um pouco dos lábios dele.
— Eu fico. — Ele respondeu. segurou o rosto dela entre as mãos e tomou seus lábios novamente em um beijo que era doce e gentil. — Eu te amo. — confessou sentindo-se completa. Não foi preciso dizer muita coisa, sua respiração estava tão ofegante que nenhuma palavra iria conseguir explicar o tamanho da sua felicidade em novamente estar nos braços de .
— Eu quero falar uma coisa com você. — De repente ele ficou sério e a encarou. sentiu o estômago revirar com aquele olhar. — De repente não é o melhor momento, nem estamos na nossa melhor situação… — Ele disse pausadamente ajoelhando-se no chão molhado. — O que eu quero dizer é que eu não vivo sem você. Sou completamente, loucamente apaixonado por você, . E tudo o que eu mais quero na minha vida é viver todos os minutos, segundos dela com você.
— O que? — Ela levantou uma sobrancelha assustada.
— Casa comigo? Torne-se a mulher da minha vida? Mãe dos meus filhos? Minha amiga, companheira e amante? Todos os dias? — Ele pediu agora segurando a mão dela delicadamente e com a outra encontrou com dificuldade o bolso da calça para retirar algo importante que sempre levava consigo em todos os lugares. sentiu suas pernas ficarem trêmulas e com a pouca claridade notou que os olhos dela começaram a ficar curiosos quando abriu a palma da mão mostrando um anel.

— Eu guardei isso durante todos esses meses e eu tenho certeza que a dona dele está bem na minha frente. — Ele parou por um momento analisando a maneira que ela estava reagindo à conversa. — Mulher que eu amo e que eu sonho todos os dias acordar ao lado.
— Amor, porque você faz isso comigo? — soltou um suspiro pelo canto da boca. Ela sabia que era delicada a situação e que realmente era um pedido de casamento. A razão e a emoção entraram em conflito e sua cabeça ficou confusa por segundos não sabendo o que responder. — O que você quer que eu fale? Não estava esperando por isso, e eu…
— Casa comigo? — Ele insistiu agora segurando o dedo dela.
. Eu te amo. — Ela confessou novamente.
— Não consigo imaginar minha vida sem você ao meu lado, por mais que eu tente ficar longe, é você que eu quero. — agora lentamente colocou o anel em seu dedo e beijou a mão da garota na esperança que ela esquecesse tudo e dissesse o famoso “sim”.
— É você que eu quero, também. — limitou-se a pensar somente naquele momento. Surpreendentemente o anel era do tamanho exato e seu coração agora não sabia mais o ritmo certo para bater. — Eu aceito, eu quero ser a sua mulher para sempre.
— Eu te amo, amo, amo e amo. — Ele levantou rapidamente e puxou a garota pela cintura. — Amo, amo e amo e vou continuar amando. — Feliz com a resposta ele distribuiu beijos por toda a extensão do rosto dela. — Amo e não me canso de falar isso.
— Tem duas coisas que eu estou certa no mundo. — Ela falou pausadamente olhando para a boca dele. — A primeira é que eu te amo e que sempre vou te amar. — abriu um sorriso beijando levemente os lábios dele. — E a segunda é que eu quero ser a sua mulher, hoje, amanhã e para sempre.
— Sempre. — Ele concordou balançando a cabeça.
Eles, olharam-se por alguns segundos nos olhos, com aquele olhar de desejo, carinho e amor. girou os corpos sem aviso, tomando conta da situação, e pressionou o corpo dela contra a árvore. Naquele momento, seu coração seguia em ritmo tão acelerado que lhe faltava até mesmo o ar. Sentia que somente eles conseguiam entender aquela ligação que existia entre os dois. Até mesmo em silêncio sentia que era possível amá-la ainda mais.
— Hoje eu sou o homem mais feliz do mundo. — Ele disse por fim sabendo que tudo o que sempre quis estava agora em seus braços e nada mais importava a não ser essa garota.


Fim.



Nota da autora: Eu amo essa música, eu amo essa fanfic e eu amo tudo o que envolve BTS no momento.

MUITAS EMOÇÕES COM BTS NO #MAMA2017 E #MMA2017. Não sei lidar com esse lado ARMY na minha vida.

Espero que vocês gostem da fanfic e que comentem bastante (L)




SHORTFICS:
01. Call Me Baby [Ficstape #062: EXO – Exodus]
03. Best Of Me [Ficstape #070: BTS – Love Yourself: Her]
03. This Is How I Disappear [Ficstape #068: My Chemical Romance – The Black Parade]
04. Permanent Vacation [Ficstape #067: 5SOS -Sounds Good Feels Good]
07. Let’s Dance [FICSTAPE #065: Super Junior – Mamacita]
Hug Me [Doramas – Shortfics]

EM ANDAMENTO:
Love Is Not Over [KPOP – Restritas – Em Andamento]
Let Me Know [KPOP – Restritas – Em Andamento]
I NEED U [KPOP – Restritas – Em Andamento]


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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