Fanfic finalizada: 08/07/2019
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Capítulo único

- Eu achava que essas coisas só aconteciam em filmes e seriados. – falou encarando o convite que tinha em mãos.
Um papel muito bonito e texturizado, letras delicadas e extravagantes, com um ar muito chique e refinado. Mas claro, tinha que ser assim, afinal, era um convite para um baile de caridade da alta sociedade dos Estados Unidos. E isso a preocupava um pouco, já que não era o tipo de lugar ou evento que ela costumava frequentar, ainda que tivesse uma condição financeira que suportasse bem seus gastos, era um evento em que os presentes tinham empregados que ganhavam por mês mais do que ela ganhava em um ano inteiro. não parecia tão preocupado, mas estava acostumado àquele tipo de coisa, até porque conhecia quase todas as pessoas que estariam presentes e era um dos que tinha empregados que ganhavam em um mês mais do que ela ganharia durante um ano inteiro.
A tal ação beneficente seria dividida em alguns dias e teria um leilão, o baile e um festival de música em que famosos se apresentariam para arrecadar dinheiro para alguma instituição filantrópica, ela ainda não tinha se atentado para este detalhe. O que observava atentamente era que ela estava sendo convidada para o baile. Como acompanhante de .
O problema nisso?
Bom, a vida de se tornou uma espécie de comédia romântica: o garoto pobre do Brooklyn que conseguiu uma bolsa de estudos em Harvard e se tornou um executivo muito famoso e importante, daqueles que aparecem em capa de revistas e tornam-se inspiração para as pessoas, que tem o nome conhecido por todo mundo devido às façanhas no mercado econômico.
E ele estava na lista de uma outra revista, no top 5 de “solteiros mais cobiçados dos Estados Unidos”! E tinha até uma espécie de fã clube! E esse era o problema. já tinha experimentado a fúria desse fã clube, quando ele postou uma foto com ela em seu Instagram.
Não estavam fazendo nada, absolutamente nada, era uma foto antiga dos dois, ainda crianças, num “tbt” que serviu para parabenizá-la pelo aniversário havia dois meses. A legenda era simples, não tinha nenhuma conotação romântica, mas os comentários não foram muito amigáveis, ela não queria nem imaginar o que as pessoas falariam ou fariam quando ela aparecesse em fotos o acompanhando nesse evento.
não era exatamente solteiro, mas também não era exatamente comprometido. Eles tinham alguma coisa, sem rótulos e ela suspeitava que ele não ficava apenas com ela, não que fosse um problema, é claro... Tudo bem, é um problema.
Afinal gostava dele. Muito. E há muito tempo, apenas nunca teve coragem de falar nada sobre isso, porque não queria perder a amizade dele. Mas os dois não eram nada oficialmente. E aquele convite deixaria tudo muito oficial. Ou muito na friendzone. E as duas coisas assustavam , de certa forma.
Ela era apenas uma médica prestes a terminar sua residência em oncologia, trabalhava mais horas do que a Organização Mundial de Saúde e a Organização Internacional do Trabalho consideravam saudáveis e dignas para um ser humano, mas era o que ela gostava de fazer e sentia-se bem assim. Não estava preparada para ter sua vida exposta daquele jeito. E se fossem até o hospital e fizessem alguma coisa contra ela? Ou pior, contra algum paciente? E se a demitissem?
a olhava com uma curiosidade quase divertida, a expressão no rosto dela era impagável. Daria todo seu dinheiro para ouvir os pensamentos de naquele momento, porque os neurônios dela pareciam estar fritando! Não a convidou com a intenção de zombar dela, nunca, mas parecia prestes a surtar com aquele convite.
- ... – ele chamou, tentando não rir. – Você vai comigo?
- Eu nem tenho roupa pra esse tipo de evento.
- Isso não é um problema. Eu quero saber é se você quer ir comigo, mas você não parece muito certa sobre isso ser um bom convite ou não.
- Eu tenho medo do seu fã clube, . – ela falou sincera. – Depois daquela foto que você postou e eu fui escorraçada, eu comecei a ter medo de apanhar na rua por sua causa.
A gargalhada que deu foi alta, fazendo os presentes na cafeteria olharem feio e fez uma careta de desaprovação.
- Isso não vai acontecer e, em todo caso, não precisamos fazer nada como um casal na frente das câmeras, se você não quiser.
Claro que não vamos ser um casal na frente das câmeras, você não pode perder todas as outras.
- Mesmo assim. É suspeito, você não acharia suspeito? Eu acharia. E muito.
- Você é doida. – riu. – Quero muito que você vá comigo, mas só se você quiser, eu não vou te pressionar e nem nada do tipo. É uma escolha sua.
Ele foi sincero e mordeu a parte interna da bochecha. Podia ser morta pelas fãs dele na rua ou no hospital? Talvez. Podia ser mandada embora caso alguma confusão do tipo acontecesse? Provavelmente. Mas ela queria ir, parecia ser um evento interessante de comparecer, ainda que não tivesse muita certeza dos motivos de achar isso.
- Se eu não tiver plantão no dia, tudo bem. – ela respondeu e sorriu abertamente com a resposta. – Agora você vai embora e me deixa voltar pro trabalho, porque hoje sim eu tenho plantão e preciso trabalhar, minha vida não é fácil como a sua.
- Você é uma idiota que fala o que não sabe. – ele respondeu num tom emburrado.
- Você ficou trilhardário antes dos trinta e serve de inspiração para empresários do mundo inteiro, , eu tenho trinta e dois, moro num apartamento alugado e nem terminei minha residência ainda. Ou seja... – implicou, fazendo rir. – Deixa de ser escandaloso, pelo amor de Deus!
- Consulte sua agenda, doutora, e me informe se você poderá me acompanhar. – falou, levantando-se e fez o mesmo. – E sobre a roupa... podemos dar um jeito.
- Podemos? Você pode. E vai. Você vai pagar. – ela respondeu desaforada. – Não vai doer no seu bolso me comprar um vestido maravilhoso, sapatos, pagar um dia maravilhoso no salão de beleza...
- Você está ficando folgada. – respondeu rindo e os dois saíram da pequena cafeteria próxima ao hospital. – Eu posso te beijar ou você está com medo de apanhar?
- Todos os dias da minha vida eu me pergunto o motivo de ter te emprestado aquela borracha, sabe? Minha vida seria muito melhor se eu tivesse fingido que não tinha ouvido.
- Nem você acredita nisso, cheerleader. – debochou, apertando a bochecha da mulher e a abraçou pelos ombros, enquanto caminhavam. – E então, posso ou você acha mesmo que vai apanhar?
- Talvez seja você quem vai apanhar.
- Ah, é?
- É, eu nunca sei quando algum dos meus esquemas vai aparecer pra me ver.
- Eu sinceramente duvido muito, mas muito mesmo, que Chris Evans, seu namorado imaginário, apareça por aqui, .
- Eu não estou falando de quem eu gostaria muito de namorar, não de quem e... – começou a falar, mas foi interrompida pela parada brusca de , que se virou, ficando à sua frente e a olhou debochado. – O que foi?
- Você não tem um namorado.
Ouch.
- Eu nunca disse que era só um. E nem que era namorado.
- Acho que estou disposto a tomar um soco desses seus esquemas. – ele respondeu, colocando a mão esquerda às costas de e aproximou o corpo dela do seu.
- Você deveria tomar um soco pra deixar de ser um babaca. – respondeu, olhando nos olhos e ele deu um sorrisinho presunçoso, aproximando o rosto do dela.
- Eu sou um babaca, mas você gosta de mim mesmo assim. – respondeu e não esperou pela resposta atravessada.
O simples contato dos lábios tornou-se um beijo de verdade sem muita demora, porque ambos gostavam muito de se beijar, mas o beijo acabou mais rápido do que gostariam, já que o bipe dela começou a apitar, informando que sua presença era requisitada com certa urgência no hospital. encerrou o beijo e quando preparava-se para se soltar do abraço de , ele mordeu o lábio inferior dela, o puxando para si, e soltou um resmungo sofrido, antes de voltar a ser beijada por .
- Para com isso, eu preciso ir trabalhar. – ela respondeu sofrida, separando de vez os lábios dos dele e fazendo dar um sorriso provocativo. – Você é um demônio.
- Aprendi com você. – ele soprou em resposta, dando nela um selinho demorado e a soltou do abraço, enquanto o bipe ainda apitava. – Eu achava que isso sim era coisa de filme e seriado.
- Bem que podia. – ela riu cansada. – Agora eu vou virar a noite aqui enquanto você vai para o seu apartamento chique, dormir na sua cama grande de lençóis confortáveis e caríssimos.
- Eu prefiro quando tenho companhia na cama, infelizmente hoje serei só eu. - Você sempre pode chamar alguma das suas fãs, elas vão amar estar na cama do quarto solteiro mais cobiçado do país. – provocou.
- Idiota. – respondeu rindo e voltou a abraçá-la, dessa vez em despedida. – Bom trabalho, . A gente se vê amanhã?
- Sim e se você me acordar, eu vou te dar um soco.
- Prefiro que me dê outra coisa. – respondeu provocativo, mas não esperou pela resposta.
soltou um palavrão baixo enquanto ele se afastava, rumo ao seu carro que estava parado um pouco mais a frente, mas seguiu rápido para o hospital, sem esperar que ele partisse. entrou em sua confortável Mercedes, ligou o rádio, colocou o cinto e saiu rumo ao apartamento onde mora, a poucos minutos de distância do hospital. Aquele “lance” – porque ele não sabia como nomear – com tinha começado no ensino médio, ainda que os dois se conhecessem desde a segunda série, quando pediu uma borracha emprestada para e os dois acabaram tornando-se amigos quase inseparáveis. Moravam relativamente perto um do outro no Brooklyn, estudavam juntos depois das aulas, ainda que tivessem diversas atividades diferentes dentro e fora da escola, além de poucas aulas juntos, mas estavam sempre trocando resumos e materiais de estudo.
A mãe de era professora em uma escola particular muito boa em Nova York e conseguiu uma bolsa de estudos para a filha cursar o ensino médio, até tinha tentado uma para , mas não conseguiu convencer o diretor de que era uma boa ideia levar mais uma pessoa para estudar de graça naquela escola caríssima.
Apesar de não estudarem juntos, compartilhava todo material com , continuaram a estudar juntos e ela o ajudava nas matérias em que ele tinha dificuldade e ele fazia o mesmo por ela. Juntaram créditos e mais créditos, cartas de recomendação e ele tornou-se um aluno destaque na escola. Destaque suficiente para fazer com que Harvard aceitasse sua candidatura e lhe desse uma bolsa integral, que foi usada com muita sabedoria e empenho e ele se formou com louvor.
sempre fora muito estudiosa e mesmo quando se tornou líder de torcida na nova escola isso mudou. Suas notas nunca eram abaixo de A+, era curiosa e se não entendia, ela estudava o dobro até que tivesse sanado todas as suas dúvidas. Estudava e ia às festas e jogos, então quando a carta de Stanford chegou, aprovando sua candidatura e lhe dando uma bolsa de estudos, não foi uma surpresa.
Foi em uma dessas sessões de estudo entre eles, na casa de , que os dois se beijaram pela primeira vez, aos quatorze anos. Não tiveram nada sério durante a vida, nada com rótulos e de forma oficial, mas estavam sempre se beijando quando tinham oportunidade, tiveram relacionamentos durante todos aqueles anos, mas fracassados, acabavam sempre se reencontrando. Claro, passaram boa parte de oito anos sem se ver, mas não deixaram de se falar, não pararam de ser amigos e quando se viam e estavam solteiros, acabavam juntos.
ficava e transava com outras mulheres, mas nenhuma se comparava a , isso era um fato consumado que ele nem mesmo tentava refutar. Mas, pensando bem, ele não estava ficando com mais ninguém há um bom tempo... há quase três anos, pra ser mais exato. Coincidentemente desde que tinha fixado residência em Nova York de novo e ele tinha ficado solteiro...
Mas ele é um cara solteiro.
Não é?
continuou dirigindo até seu apartamento acompanhado desses pensamentos e constatações óbvias, enfrentando um trânsito muito mais intenso do que o habitual para as dez da noite de uma quarta-feira. Ele deveria ter ido à pé, teria sido mais inteligente.

-x-


- Espero que você esteja preparado para voltar a ser pobre, acabei de torrar muito dinheiro em um vestido. falou rindo ao telefone e acabou rindo junto.
- Você vai me pagar cada centavo. – ele respondeu brincando, sem tirar os olhos da tela do computador. nem mesmo estava com seu cartão e, mesmo que estivesse, sempre recebia mensagens alertando sobre compras feitas. – Almoçamos?
- Não. Vou almoçar com minha mãe.
- Ótimo, eu te encontro lá em uma hora. – falou e desligou, antes que tivesse a chance de dispensá-lo.
Adorava a comida da mãe de desde a primeira vez que tinha ido até a casa dela, quando era uma criança de oito anos que recém tinha virado amigo da filha dela. A mulher tinha um dom e qualquer coisa que se prestasse a fazer na cozinha ficava excelente. Sua mãe só não podia ouvi-lo falando aquilo, ciumenta como era, provavelmente faria um drama enorme e reclamaria que nunca saía no meio do expediente para ir almoçar com ela... ainda que ele fizesse isso toda semana.
recebeu uma porção de mensagens o dispensando, claro, mas ignorou todas e continuou o trabalho até a hora combinada de sair de Manhattan e seguir para o Brooklyn. Seguiu de táxi, sabendo que reclamaria por ter que voltar pra casa, em Lower East Side, de metrô – ainda que eles, obviamente, fossem dividir o táxi – e em trinta e sete minutos ele estava parando à frente da casa que tinha frequentado por muitos anos.

- Eu não te convidei pra vir aqui, . – falou baixo, quase brava, quando abriu a porta. – Vim visitar minha mãe, isso não incluía meu melhor amigo intrometido! Só melhor amigo? Ouch.
- Se você não me deixar entrar, eu vou falar alto e chamar sua mãe. Ou pior, vou postar uma foto no Instagram e falar que somos namorados. E te marcar. – ele provocou, também falando baixo.
- Você deveria ir se foder. – ela falou baixo, fazendo um sorriso brotar nos lábios de .
- Podemos ir os dois mais tarde se você quiser. – ele piscou e respirou fundo.
- Quem é, filha? – ouviu a voz da mãe perguntar da cozinha.
- A sua pessoa favorita no mundo, Marilyn. – respondeu alto, frustrando a tentativa de de dizer que não era ninguém e enxotá-lo.
- ! Entra! – ela falou alto da cozinha, causando uma gargalhada em e resistiu à vontade de dar um tapa em e apenas lhe deu espaço para entrar.
Os dois, e Marilyn, trocaram um abraço demorado e carinhoso e começaram a conversar animados. Sempre se trataram muito bem, com muito carinho e respeito e nem mesmo os vários anos sem se encontrarem foi capaz de mudar isso.
- Não sabia que você viria, eu teria feito algo melhor. – a mais velha disse sem jeito. - Marilyn, eu adoro sua comida. Não conte pra minha mãe, mas é a melhor comida de todas! – foi sincero. – E eu não fui convidado, pra ser sincero. falou que viria e eu me convidei.
- Você sempre é convidado para vir aqui, meu querido. – Marilyn sorriu.
- Mãe, não fica dando corda, porque é um folgado e vai querer vir sempre.
- Ele agora é muito importante pra vir ao Brooklyn sempre apenas para almoçar, .
- Assim eu me sinto ofendido. – brincou. – Eu sempre venho ao Brooklyn, almoço uma vez por semana com meus pais e costumo vir em alguns fins de semana também.
- E eu preciso insistir com essa dai pra vir me ver... – Marilyn fez drama.
Sabia que a filha não ia com mais frequência, apenas por estar começando sua carreira no hospital e trabalhando mais horas do que deveria.
- Um dia eu te convenço a ir morar comigo, mãe.
- Eu não quero morar no hospital, . – Marilyn respondeu em tom de brincadeira, fazendo gargalhar.
- Eu me recuso. – a mais nova respondeu, voltando sua atenção para a comida que a mãe tinha feito.
Estava faminta.
Tinha andado a manhã quase inteira a procura de um vestido para o tal baile e não encontrara nada. Os vestidos ou eram simples demais ou pomposos demais. E os preços... Deus! Não era possível que as pessoas realmente pagassem tanto em um pedaço de pano que usariam uma única vez e depois enfiariam no closet e se esqueceriam que um dia gastaram uma fortuna naquilo. estava quase inventando um plantão ou realmente trocando de dia com algum dos colegas, porque não tinha como comprar um vestido decente para o evento sem endividar até sua sétima geração.
O almoço seguiu com provocações entre os dois mais novos, a sobremesa também e o tempo que passaram sentados à sala da casa de Marilyn também. Sob a promessa de de passar ali sempre que fosse visitar os pais, ou seja, toda semana, os dois se despediram e saíram da casa. E não estava nem um pouco surpreso ao ver que não tinha nenhuma sacola em mãos quando saíram da casa e seguiam pela rua.
- Cadê o vestido que me deixaria pobre de novo? – perguntou, enquanto caminhavam até uma rua mais movimentada em que, com certeza, encontrariam um táxi.
- Passei em casa antes. – mentiu, dando de ombros.
- Eu acho absurdo que você tente mentir pra mim depois de vinte e quatro anos juntos.
- Eu não estou mentindo, .
- Claro que não, imagina... – ele respondeu debochado e a abraçou pelos ombros, sendo abraçado pela cintura. – Você precisa de ajuda?
- Não. Não sei. Talvez. – ela suspirou. – Eu não encontrei nenhum que valesse todos aqueles números antes da vírgula.
- Conheço o lugar certo. – ele deu um sorrisinho e resmungou. – Não resmungue, você vai amar.
- Eu estou resmungando, porque já imagino o que você vai fazer e eu vou odiar.
- Confia em mim.
- Você deveria ir trabalhar. Nunca vi uma pessoa fazer cinco horas de almoço!
- Qual seria a graça de ser o mandachuva naquele lugar se eu não puder ter algumas regalias às vezes? – ele perguntou, dando um sorriso divertido. – Sério, confia em mim, eu sou bom nisso.
- Claro, você já deve ter tirado mais vestidos chiques de mulheres do que qualquer outro homem no mundo. – resmungou.
- Você tem uma visão muito errada sobre mim. – ele riu e assoviou para o táxi que passava por eles naquele momento. Embarcaram no veículo e o motorista olhou pelo espelho, esperando pelas coordenadas. – Avenue. Loja da Stella McCartney.
- Pelo menos você escolheu o lugar certo. – falou séria, fazendo sorrir e abraçá-la pelos ombros de novo.
- Eu faço tudo pela minha garota número um. – ele piscou e ela voltou a resmungar.

-x-


estava maravilhosa.
Não.
Maravilhosa não é suficiente para descrever como ela estava, usando aquele belo vestido modelo sereia longo preto de cetim, de alças finas e um decote discreto, deixando a atenção para a grande fenda na perna direita, a altura de dois palmos acima do joelho. A maquiagem era quase totalmente discreta, à exceção do batom vermelho e do belo delineado preto nos olhos. Um par de brincos pequeno nas orelhas, os cabelos soltos e as unhas bem feitas, pintadas num tom claro.
Nem ela se reconhecia, não tinha mais tanto tempo para ficar se maquiando – e nem mesmo sabia fazê-lo – ou se arrumando para sair tão bonita. Ela nem mesmo ia a lugares em que usaria aquele tipo de roupa. Tirou algumas fotos para a mãe, que tinha pedido para ver como ela ficaria, e as enviou, conferindo novamente a imagem no espelho antes de sair do banheiro. Estava ali há quase uma hora, nem mesmo tinha visto depois que chegara do salão para vestir-se.

- Eu estou pronta. – falou, quando saiu do banheiro.
- Você ficou enfiada nesse banheiro por mais de uma hora, eu qua... – a fala foi interrompida, porque ele estava admirado.
Não.
Admirado não é suficiente para descrever sua reação ao vê-la naquele vestido.
Nunca tinha visto tão elegante e bonita em toda sua vida, ainda que ele fosse totalmente suspeito para tratar do assunto “beleza da ”, já que ele a considerava linda de qualquer forma, principalmente pela manhã, acordando descabelada e com a cara amassada, mas ela estava... estonteante! Não. Mais do que isso. Ele não sabia se existia uma palavra para definir como ela estava. Sentiu-se maltrapilho, ainda que estivesse absurdamente bem vestido, não parecia digno de sair ao lado daquela mulher.
- Você precisa de um babador, ? – implicou, fazendo os olhos de subirem até seu rosto.
- Eu poderia casar com você agora mesmo.
- Primeiro você precisaria me convencer a fazer essa idiotice. E não vai. – ela respondeu sorrindo implicante. – Você está ótimo.
- E isso é uma merda.
- Por quê?
- Porque você encontrou uma palavra pra definir como eu estou, mas eu não conseguiria achar uma pra você nem se eu inventasse uma. E admito, esse é muito melhor do que aquele vermelho.
- É claro que é! – riu. – Você não sabe nada sobre vestidos, , nada.
- Mas eu sei que se continuarmos conversando, vamos nos atrasar.
- Eu espero que você consiga ingressos pro show.
- E eu espero que você não pule no Chris Evans quando ele aparecer por lá hoje. – falou sério e ficou estática. Como assim Chris Evans estaria lá? – Não, ele não vai estar lá, mas eu jamais perderia a chance de te deixar com cara de idiota.
- Filho da puta.
- O que ele tem que eu não tenho? – perguntou, cruzando os braços e ela deu um sorrisinho presunçoso.
- Se eu começar a falar, não vamos sair daqui e eu estou linda demais pra não mostrar isso pro mundo inteiro.
- Está mesmo e eu vou tirar a chance do Chris Evans te apresentar como namorada, porque eu farei isso. – respondeu, oferecendo o braço para que o acompanhasse e os dois caminharam até o elevador.
- Você avisou pras suas outras namoradas? Elas não ficarão felizes...
- Eu prefiro você. – foi sincero, arrancando um sorriso tímido de . E entre implicâncias e conversas sobre o dia de ambos, os dois seguiram no banco de trás da limusine especialmente solicitada para a ocasião. o ouviu contar sobre transações bancárias e mencionar que tinha ido almoçar com os pais e tinham falado bastante sobre ela por lá.
O caminho até o baile foi feito em vinte minutos e logo a limusine estava parada à porta da “City College of New York”, local que receberia o evento da noite. Provavelmente ninguém tão famoso como Chris Evans fosse aparecer ali, mas havia bastante gente muito rica e fotógrafos que cuidariam de dar a publicidade necessária, tanto ao evento quanto aos convidados.

- Está tudo bem? – perguntou e assentiu, respirando fundo.
- Sua vida parece uma comédia romântica. – ela falou dando um riso nervoso. – E eu tenho certeza que eu vou cair assim que eu colocar meus pés pra fora desse carro.
- Eu te seguro. – ele deu um sorriso e o motorista abriu a porta.
foi o primeiro a descer, ajeitou o paletó e estendeu a mão para . Estavam um pouco distantes da atenção dos fotógrafos, então ela teve tempo de ajeitar o vestido e respirar fundo novamente.
- Você vai ter que aprender a lidar com esse tipo de eventos, , imagina só você travar e não conseguir ir na cerimônia do Oscar com seu namorado Chris Evans? – provocou e ela deu uma risadinha.
- Idiota.
- Você vai gostar de tudo, eu tenho certeza. Ouvi dizer que vão servir cinco pratos na refeição.
- Aposto que esses cinco não valem um. – resmungou, fazendo sorrir e assentir em concordância.
ofereceu o braço para que enlaçasse o próprio braço e os dois seguiram pelos poucos passos que os separavam da entrada do evento e dos fotógrafos. E mal chegaram e o nome dele começou a ser chamado.
- Pode ir. – ela sorriu e ele assentiu, puxando-a de leve para que o acompanhasse até o painel com a logo da empresa e das patrocinadoras daquele evento.
- Sorria e acene, soldado. Sorria e acene. – ele sussurrou no ouvido dela, fingindo dar-lhe um beijo no rosto e deu um sorriso ao ouvir aquele homem repetir uma frase de Madagascar (uma das animações favoritas de ) em um momento pouco indicado para aquilo.
a abraçou pela cintura e as fotos foram devidamente tiradas em poses que muito provavelmente dariam aos dois a imagem de casal que eles relutavam em admitir e aceitar que são, e logo entraram no amplo salão, decorado de uma maneira muito bonita e seguiram de braços dados até a mesa em que se sentariam, junto com outros quatro convidados.
- Isso é muito chique pra mim, eu sou do Brooklyn. – ela sussurrou ao ouvido de e ele deu uma risada baixa.
- Eu me sinto assim o tempo todo.
- Mentiroso, você adora essas coisas chiques e refinadas. – rebateu, bem quando chegaram à mesa e lá já estavam outros dois homens.
- Finalmente, achei que você não viria mais. – um deles, reparou que tinham quase a mesma idade, implicou antes de apertar a mão de em cumprimento. - Como você pode perceber, a perfeição não se atinge com a pressa. – falou, apontando para e os olhos dos outros dois recaíram sobre ela. – , esses são Travis e Alex. Bocós, essa é a .
puxou a cadeira para que ela se sentasse, depois de cumprimentar os dois colegas dele, e o ato foi agradecido por em um tom baixo. sentou-se ao seu lado e a conversa entre os homens começou abordando assuntos de trabalho, o que deixava totalmente alheia, mas ela não se importava, queria observar todo o salão e ver as pessoas chegando e se cumprimentando.
- ... tudo bem? – perguntou em seu ouvido e ela se virou para olhá-lo.
- Só estou olhando pra essas pessoas que gastaram uma fortuna em roupas que nunca mais vão usar. – respondeu baixo e deu uma risada também baixa. - Talvez elas façam bazares caridosos com tudo isso. – falou, novamente em seu ouvido.
- Caridade pra própria conta bancária não é caridade. – ela respondeu baixo e ele deu um sorriso, recostando a cabeça sobre o ombro de .
- E então... , o que você faz da vida? – Travis perguntou.
- Eu sou médica. – respondeu, dando um sorriso educado. – Trabalho no “NYC Health and Hospitals”, na 1st Avenue.
- Qual sua especialidade? – Alex perguntou interessado.
- Vocês já assistiram House? – perguntou e eles assentiram. – Eu faço as mesmas coisas que o Chase, ou seja: cirurgia e intensivista, mas ao invés de cardiologista, eu sou oncologista.
- Ou seja, você é uma mistura de Chase e Wilson? – Travis perguntou surpreso.
- Mais ou menos, minha residência em oncologia acaba no fim do ano, ai sim eu serei uma mistura dos dois.
- E o hospital funciona como essas séries médicas? – Alex perguntou.
- Depende. Algumas coisas são bem parecidas, há departamentos e muito do drama envolvendo médicos, enfermeiras e pacientes, mas é meio romantizado. A maior parte do tempo a gente trabalha muito.
- E os bipes são de verdade. – comentou, fazendo assentir.
- E tocam com mais frequência do que os das séries.
A conversa entre eles continuou por um tempo, até um homem de meia idade subir ao palco, ser aplaudido e começar a falar sobre o baile de gala, sobre as doações que seriam destinadas a um fundo para tratamento de crianças com câncer – e nessa hora apertou a mão de sob a mesa – e que os valores dos ingressos do baile, do leilão que aconteceria dali dois dias e do show, na semana seguinte, seriam todos revertidos para a causa, além, claro, das doações e dos produtos que seriam vendidos com a marca. Outro homem apareceu para falar, mostrou um vídeo de quase cinco minutos falando sobre os problemas que vinham enfrentando, afinal pais de crianças com câncer têm muitas despesas e muitas vezes acabam fazendo loucuras para que consigam tratar os filhos e todas aquelas doações ajudariam muito. E era verdade, sabia que o alto custo do tratamento era um problema gigantesco para a grande parte dos pacientes e odiava quando isso acontecia. Não tinha condições de patrocinar o tratamento de todos, porque se tivesse o faria.
Assim que o vídeo foi encerrado, o homem agradeceu pelas doações, disse que os valores já arrecadados eram muito bons e ajudariam bastantes famílias carentes, mas a campanha de doações duraria mais algumas semanas, além de, claro, poderem ser feitas a qualquer tempo.
Uma banda, nunca tinha visto ou ouvido falar deles, começou a tocar uma música que ela também não conhecia e se pôs de pé, estendendo a mão para ela, que o olhou curiosa. Desde quando ele sabia dançar? Ela mesma não sabia e usando um vestido daquele, duvidava que conseguiria fazê-lo sem tropeçar nos próprios pés e cair de cara no chão. Ele ergueu as sobrancelhas, intensificando seu convite e ela aceitou. E tinha se tornado um bom dançarino, ela percebeu, dançavam separados e tocavam-se poucas vezes dado o ritmo das músicas e ele sorria ao vê-la tão solta e agora parecendo mais a vontade e sem tanta vergonha como quando chegaram ao local. Quando a banda começou a tocar “Bless The Broken Road”, deu um sorriso para , que sorriu animada e se aproximou para que pudessem dançar.
- Rascal Flatts? – ela falou baixo e deu um sorrisinho de lado.
- Talvez eu tenha enviado alguns pedidos especiais pra banda. – respondeu, apertando levemente a mão que estava nas costas de e deu um sorriso antes de cantar a parte final do refrão. – Others who broke my heart, they were like northern stars pointing me on my way into your loving arms... this much I know is true, that God bless the broken road that led me straight to you...
Ele cantou a deu um sorriso para . Rascal Flatts era uma das bandas favoritas dela desde que a banda tinha surgido e de tantos outros artistas countries, o que era justificado por ter sido influenciada pelos avós a gostar de música country desde bem pequena. Não que ela não goste de outros estilos musicais, porque gosta, mas o country é e sempre será a maior parte de seu coração.
A música continuou, o vocalista da banda quase conseguia cantar tão lindamente quanto Gary LeVox e dava a devida emoção àquela música linda e da qual a mulher gostava tanto de ouvir. se lembrava de como era ótimo passar horas com os avós ouvindo músicas country quando era uma criança sem muitas atividades extracurriculares e quando a banda Rascal Flats surgiu, os avós já tinham partido, mas essa foi a primeira música da banda que ela ouviu e lembrou-se de tantas e tantas histórias que os avós tinham contado sobre sua juventude e quando se conheceram. Os dois continuaram na pista de dança, cantando e dançando outras tantas músicas – uma delas até dedicada a um casal que estava perto de fazer cinquenta anos de casamento – e se divertindo como há muito não faziam. era um homem de negócios, era uma médica finalizando uma residência e os compromissos profissionais de ambos acabavam limitando aquele tipo de diversão.
- Vão começar a servir o jantar. – falou no ouvido de e ela assentiu, mas antes de saírem da pista de dança, ele deu um selinho em seus lábios, fazendo um carinho em seu rosto, e os dois voltaram para a mesa.
E quando o jantar realmente começou a ser servido, não pode evitar olhar para e sorrir, reprimindo uma gargalhada, ao lembrar-se do comentário dela sobre as cinco refeições não valerem uma, porque era a verdade. E ele sabia que acabariam comendo em outro lugar quando saíssem.
Trocaram poucas palavras enquanto comiam, agora além de Alex e Travis, também havia um casal que trabalhava com : Andrew e Maria, e quando terminaram de jantar, outro homem subiu ao palco e falou o valor que as doações apenas do baile tinham arrecadado, arregalou os olhos. Eram muitos números. Muitos. Para aquilo parecia absolutamente normal, não ficou surpreso e nem mesmo parecia ter reparado na quantidade de números antes da vírgula.
- Você fez alguma doação? – perguntou quando os dois voltaram a dançar e ele assentiu.
- É claro. – ele deu de ombros. – E em nosso nome.
- E de quanto nós estamos falando? – ela perguntou, estreitando os olhos e ele sorriu. - De um valor que vai ajudar algumas vítimas do câncer a se tratar sem precisar se preocupar com como vão pagar seu tratamento. – deu de ombros. – Vamos sair daqui e comer alguma coisa?
- Claro. Deve ter algum restaurante aqui perto e n...
- Não. Eu quero comer em um lugar específico. – ele deu um sorriso nostálgico e o olhou surpresa. Ele não podia estar falando sério.
- Você quer sair de West Harlem e ir pro Brooklyn só pra comer cachorro-quente? – ela deu uma risada comedida e ele deu um sorriso travesso.
- Isso é um problema? – ele perguntou, girando o corpo de longe do seu.
- Só será um se você estiver falando de outro trailer de cachorro-quente que não seja o do Tuller. – respondeu e a trouxe para mais perto de si, dando um selinho demorado em seus lábios.
- Então vamos, porque ele não vai virar a madrugada aberto, já está ficando tarde e eu estou morrendo de fome.
- Somos dois. – ela respondeu e os dois saíram da pista de dança, junto com fim da música.
Não encontraram conhecidos pelo caminho, então não tiveram que se despedir de ninguém, tinha apenas que ligar para o motorista buscá-los e eles iriam para o Brooklyn para comer cachorro-quente.
O motorista respondeu que não poderia buscá-los, pois estava em outro evento e que não tinha sido contratado para fazer a ida e a volta do baile, então os dois teriam que voltar de táxi pra casa. quis xingar, mas foi impedido por , que desligou o celular e ele soltou um resmungo quase teatral.
- Podemos ir em casa, trocamos de roupa e vamos de carro. – ele falou, por fim.
- Tem uma estação de metrô aqui perto. – ela apontou e ele a olhou sem entender.
- E daí?
- E dai que nós podemos pegar o metrô e ir para o Brooklyn. – respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
- Sério? Vamos demorar o dobro do tempo! Olha nossas roupas! E eu nem tenho dinheiro pra pagar o metrô!
- A sua sorte é que eu tenho.
- , nós podemos pedir um táxi então. – ele deu um sorriso, torcendo para que ela aceitasse, mas, claro, ela não aceitou.
- E qual seria a graça de sair daqui de West Harlem e ir parar no Brooklyn se não for de metrô, usando roupas caríssimas, apenas para comer cachorro-quente? – ela sorriu e saiu puxando para a estação de metrô que ficava na rua debaixo, do outro lado do St. Nicholas Park.
Os presentes na estação olhavam curiosos para os dois, eles estavam bem vestidos demais para estarem na estação do metrô, principalmente para pegar a linha A. Tudo bem, é Nova York e coisas mais estranhas acontecem diariamente, mas não deixava de ser estranho. Os poucos passageiros que estavam no vagão naquele horário os olhavam sem entender muito bem, mas não fazia a menor diferença para os dois, que agora pareciam muito animados com a perspectiva de andarem de metrô juntos depois de tantos anos, ele agora era rico demais para precisar de transporte público.
O caminho demorou uma hora e quando, finalmente, desceram no Brooklyn, caminharam por duas quadras até o local em que o cachorro-quente mais gostoso que já tinham comido ficava. Tuller vendia cachorros-quentes ali há mais anos do que os dois tinham e os olhou estranho quando se aproximaram. Traje de gala no meio do Brooklyn à noite? Era um pedido de assalto e uma das coisas mais estranhas que ele já tinha visto em todos aqueles anos ali.

- Tuller! – falou, dando um sorriso infantil.
- Achei que você nunca mais viria ao Brooklyn, . – o homem falou, dando um sorriso simpático para o casal. – E nem você, Homem do Milênio.
- Eu passo a maioria das minhas noites no hospital, Tuller, não posso vir sempre. Infelizmente.
- Tuller, eu ficaria ofendido se não te ouvisse falar isso quase toda semana. – respondeu, fazendo o homem sorrir.
- Só dois? – ele perguntou e negou com um aceno.
- Eu quero dois só pra mim. – ele falou rindo. – Estou morrendo de fome!
- Eu quero um, mas do meu especial de soja. – falou e o homem assentiu.
- Ainda não come carne?
- E nunca vou. – respondeu convicta. – Meu próximo passo é fazer parar de comer carne também.
- E por que vocês estão tão chiques assim? – Tuller perguntou curioso enquanto fazia os pedidos.
- Estávamos em um baile lá em West Harlem, mas queríamos o melhor cachorro-quente de toda a história dos Estados Unidos. – respondeu e Tuller sorriu agradecido. Já era tarde e os dois preferiram não se demorar tanto, então prometeram voltar em breve e num horário mais aceitável, Tuller também precisava ir embora pra casa e dormir, depois de uma despedida calorosa e do pagamento, o casal seguiu pelas ruas do Brooklyn abraçados.
- Podíamos dormir na casa da minha mãe. – ofereceu.
- Eu quero te beijar. Eu quero muito, muito mesmo te beijar. – falou e soltou uma risadinha, interrompendo a caminhada e o beijou.
Adorava o toque dos lábios de , macios e sempre tão intenso... é apaixonada pelas sensações que o toque de lhe causa, pelo jeito como ele faz seu estômago se contrair e se encher de borboletas, de como sua pele se arrepia sob o toque dele, por menor que seja, de como o sorriso dele a faz suspirar e os olhos... não tinha nem o que falar sobre aqueles olhos maravilhosos. O gosto da boca dele era sempre bom, mesmo depois de comer cachorro-quente na rua.
E olha que ela nem mesmo comia coisas de origem animal!
Parecia tão certo...
a segurava perto de si, sem nenhuma outra intenção além de beijá-la e aproveitar aquele momento. Aproveitar daquele beijo do qual gostava tanto de ganhar, adorava quando podia beijá-la por horas e mais horas, sem nada para impedi-lo de apenas desfrutar da companhia e dos lábios de , quando eram apenas os dois. Nem se tivesse pedido sob encomenda ela seria tão perfeita para ele, não apenas como um interesse amoroso, mas como pessoa e amiga. Nem todos os gênios do mundo realizariam aquele desejo com tamanha precisão.
Com muita relutância, e apenas por precisar tomar um pouco de ar, separou os lábios dos de , mas manteve o rosto próximo, os olhos fechados e contava mentalmente para não voltar a beijá-lo antes de conseguir recuperar totalmente o fôlego.
- Just a kiss on your lips in the moonlight, just a touch of the fire burning so bright. No, I don't wanna mess this thing up, I don't want push too far. cantou baixo a música que tocava em algum lugar que nenhum dos dois sabia onde.
- Começo a achar que você está tentando me conquistar fazendo músicas que eu gosto tocarem em locais aleatórios hoje. – falou, abrindo os olhos e deu um sorriso pequeno, antes de lhe dar um selinho.
- Essa não foi estratégica, apenas uma excelente coincidência. – ele deu um sorriso ao falar e o abraçou pela cintura. – Podemos ir de táxi? Vai ser mais rápido.
- Podemos ficar na minha mãe. – ela repetiu e negou.
- Já é tarde, não vamos acordar sua mãe só pra poupar tempo na volta, é melhor irmos pra casa.
- Pra sua ou pra minha?
- Pra minha.
- Tudo bem, vamos pro o castelo. – implicou e lhe deu um selinho demorado.
- Então vamos. – ele falou e a busca por um táxi começou e demoraram cerca de doze minutos até conseguirem uma corrida para levá-los para Upper East Side.
Vinte e cinco minutos bastaram para que chegassem à Park Avenue, a corrida foi paga e eles subiram para o apartamento, no oitavo andar. Era um prédio alto, bonito e exuberante que tinha sido construído há dois anos e era muito bonito e, claro, caríssimo. Contava com um apartamento enorme por andar, absolutamente lindos e com uma vista fantástica.
Os dois trocaram de roupa, tirou a maquiagem e logo estavam deitados na cama de , quase adormecidos. Ele a abraçava e fazia carinho em seu braço.
- Nunca vou entender como você consegue morar nesse apartamento enorme sozinho. Você não tem nem um cachorro pra ajudar a preencher o vazio. – implicou.
- Já te chamei pra morar aqui, mas você fica se fazendo de difícil. – respondeu sincero e deu uma risada baixa, totalmente sem graça.
O que responderia?
“Eu não vim, porque não quero te atrapalhar em nada com as outras” ou “Eu não vim, porque acho que seria estranho morarmos juntos, afinal nós não temos nada, mas eu sou apaixonada por você há um tempão!”
- Se eu for muito fácil, você vai me largar. – brincou e deu uma risada derrotada. Não era aquela a resposta que ele queria.
- Eu não te largaria nem se você, sei lá, se mudasse pra Califórnia e morasse lá por oito anos, mesmo quando Princeton, Harvard e Columbia eram opções. – alfinetou e deu uma risada.
- Eu voltei, isso é o que importa.
- Ainda bem que voltou. – falou sincero, mas antes que pudesse dar continuidade em sua fala, bocejou e voltou a falar.
- Agora vamos dormir, porque amanhã eu tenho que trabalhar.
- Cedo?
- Preciso chegar às nove.
- Você só vai dormir por umas seis horas.
- É o suficiente. – ela deu de ombros e depositou um beijo no queixo de . – Boa noite, .
- Boa noite, . – ele respondeu baixo e logo estavam os dois dormindo.

-x-


- Acho que não sou capaz de colocar em palavras o quanto eu te amo, . – falou cansada quando se sentou no banco do passageiro e colocou o cinto.
- Há quantas horas você não dorme, ? – perguntou preocupado e arrancou.
- Eu dormi por uma hora, eu acho, entre os dois plantões.
- Você está acordada há dois dias? – ele perguntou exasperado.
- Um pouco mais que isso, umas cinquenta e duas horas, talvez. Tive problemas pra caramba, você não vai nem querer saber. – ela respondeu, dando um bocejo em seguida. - Se você quiser contar, eu quero saber. – respondeu sincero. – Mas você precisa dormir, então quando acordar eu posso ouvir você falar bastante sobre tudo.
- Eu te amo demais. – ela respondeu sonolenta.
- Só não dorme agora, já entrei na rua do meu prédio e vou colocar o carro na garagem, subimos e você pode dormir confortável na cama, .
- Você sabia que minha mãe sempre odiou que as pessoas me dessem apelidos? Ela sempre fala que foi um nome que ela sempre gostou, porque não conseguia pensar em como poderiam não me chamar assim. Claro que existem formas de dar apelidos, você estudou comigo e sabe disso. E ela sempre brigava com quem me chamava por algum apelido, até minha avó era proibida, mas você... ela acha uma gracinha você me chamar de . Sempre achou. – falou, no momento em que entrava com o carro na garagem do prédio.
- Eu sou diferenciado. – ele falou dando uma risada e os dois logo estavam a caminho do apartamento. – Toma um banho, vou fazer alguma coisa pra você comer e depois ir descansar.
- Casa comigo?
- Interesseira.
- Sou mesmo. – ela voltou a bocejar. – Tem alguma coisa minha aqui?
- Mandei suas roupas que estavam aqui pra lavanderia junto com as minhas, pega qualquer coisa na gaveta e vem comer.
- Faz aquele queijo quente, que não é de queijo animal, que só você sabe fazer? – ela pediu e assentiu, ganhando um selinho demorado e logo ela estava caminhando para o quarto.
O banho foi rápido, mas sabia que se ficasse mais alguns minutos debaixo da água quente acabaria dormindo e não era uma boa ideia cair pelada no banheiro para dormir seu sagrado sono pós plantão. Depois de procurar por alguma coisa que não fosse social demais para usar em casa, ela vestiu uma camisa dos Giants e uma boxer de e foi para a cozinha. Ele estava entretido fazendo o queijo quente e nem mesmo notou a presença de ali, o observando.
Ela se anunciou, sentando-se sobre a ilha no meio da cozinha e ele a olhou de lado, atento à frigideira para não deixar o sanduíche queimar.
- Minha camisa do Fowler...
- Ou era essa ou a dos Knicks, porque você só tem camisas sociais e seus pijamas e camisas de malha provavelmente estão todos na lavanderia, e acho que a dos Knicks seria uma péssima escolha, os buracos de colocar os braços são grandes e eu ficaria mais pelada que vestida.
- Essa me parece ser a melhor opção. – ele deu um sorriso safado em sua direção e desligou a frigideira.
- Palhaço.
estudou a expressão cansada de enquanto ela começava a comer o sanduíche que ele tinha lhe entregado. Comeu os dois, tomou o suco de laranja e desceu da bancada, seguindo para o quarto sem demora e se jogou na cama. Ela, provavelmente, não tivera tempo de olhar suas redes sociais naqueles últimos dias, mas quando olhasse, surtaria. Fotos tinham sido tiradas e eles nem mesmo tinham visto, uma matéria tinha sido feita em um site de fofocas sobre a saída de da lista de solteiros mais cobiçados e a entrada dele na lista de “homens comprometidos, mas ainda sim muito cobiçados”, porque agora era oficial, ele estava namorando.
Descobriram o nome completo, a profissão, o local de trabalho e até mesmo o histórico escolar de em Stanford, sem contar que também descobriram – ou especularam, ele não se lembrava das palavras exatas que foram usadas – que a doação feita no baile foi em nome dos dois, como um casal. E como ela não tinha surtado assim que se viram, significa que ela não tinha mesmo visto nada. Ou apenas achava tudo bem que as pessoas achassem que eles eram um casal. E eles tinham até ficado bonitos nas fotos, mas tinha sido um desrespeito sem tamanho que aquelas fotos fossem tiradas e espalhadas na internet com aqueles boatos.
Ele deveria desmentir.
Mas ele queria desmentir?
Claro que não queria.
Deixou dormindo e foi trabalhar, tinha passado boa parte do dia em uma reunião exaustiva com investidores alemães e pouco foi decidido, então tinha que adiantar algumas coisas, além de resolver outras que ficaram de lado e se preparar para mais horas exaustivas de reunião no dia seguinte, mas esperava que as coisas terminassem bem.
Passava das duas da manhã quando ele foi dormir. estava esparramada na cama, a boca aberta, tinha babado um pouco e roncava baixo, mas aquele era o cenário ideal para : dividir a cama com e que ela se sentisse confortável daquela forma. Ele se deitou devagar para não acordá-la e não demorou a cair no sono também, acordaria cedo e já estava arrependido de ter demorado tanto a ir dormir.

-x-


- Eles fecharam. – falou aliviado e ouviu uma comemoração de do outro lado da ligação. – Você está em casa?
- Se por casa você se refere ao seu palácio, não. Estou no meu apartamento.
- Queria te ver hoje, você podia ir dormir comigo de novo.
- Eu te vi todos os dias dessa semana, , chega. – implicou.
- Por mim eu te veria todos os dias, você sabe disso.
- Você me ama muito.
- Muito. – ele respondeu sincero. – Tudo bem, eu durmo ai hoje.
- Passa no Dirty Candy e traz comida. E um bom vinho.
- Mais alguma coisa, madame?
- Sim. Vá trabalhar e me dê um pouco de sossego. – ela respondeu e desligou.
Já tinha visto as fotos e sabia que não adiantaria surtar, não mudaria nada, na verdade apenas pioraria, só estava realmente feliz por ninguém ter ido ao hospital ou, sei lá, cercado seu carro na rua para ameaçá-la. Parecia exagero pensar assim, mas dada a quantidade de fotos em que foi marcada e do nível de alguns comentários, ela quase queria uma medida protetiva!
Era engraçado, porque é apenas um excelente empresário que ficou rico cedo e que tinha um dom sobrenatural para fazer os negócios darem certo, ele não é famoso, não canta, não atua, não dança, não é político... mas é bonito, jovem, bem-sucedido e que costuma aparecer sempre em jornais e revistas que comentam seu desempenho exemplar e prodigioso. Ele é um prato cheio para todo tipo de assédio midiático.
Por sorte, tem seu perfil no Instagram privado e não usa Facebook ou Twitter, não teria problemas com pessoas lhe xingando em suas fotos para que sua mãe lesse e ficasse assustada ou preocupada.
voltou sua atenção para a televisão, mas acabou dormindo, ainda estava cansada, dormiria muito, o máximo que conseguisse para compensar as mais de cinquenta horas acordada. Acordou com a campainha tocando e seguiu até o interfone apenas para abrir a porta para subir. Ele reclamaria de ter que subir quatro andares de escada, sempre reclamava, mas ela não se importava. Lavou o rosto rapidamente, prendeu o cabelo e abriu a porta antes mesmo que ele tivesse a chance de bater.
- Eu reclamaria por ter que subir quatro andares de escada, mas hoje não. – ele falou, dando um sorriso enorme.
Estava com uma expressão cansada, mas parecia feliz por ter fechado negócio com a empresa alemã.
E ele realmente estava.
Falou por mais de uma hora, deu detalhes da reunião e até imitou um dos alemães, fazendo gargalhar. Gostava de vê-lo tão falante e gostava mais ainda que ele ficasse falante quando estavam juntos, sabia que ele só era assim com quem gostava muito e confiava.
- ! – ela ralhou quando pegou o próprio celular e viu que ele tinha feito um stories para o Instagram e postado.
Ela estava bebendo vinho, distraída, e ele tirou uma foto e postou com um emoji de coração.
- Acho que deveríamos assumir logo. – ele falou, fazendo olhar em seus olhos.
- Assumir o quê?
- Que somos namorados.
- Nós não somos namorados.
- Mas podemos ser.
- ...
- É sério, . Nós somos melhores amigos há anos, nós temos esse... lance há vários anos também e é sempre muito bom quando a gente fica junto, falamos sobre qualquer coisa sem ser estranho ou forçado, você me conhece melhor que qualquer pessoa, eu te conheço muito bem também, é fácil estar com você e eu gosto de você desse jeito. Você não se importa se eu sou rico e conhecido, você não quer saber do meu dinheiro e me trata da mesma forma que sempre tratou. Você foi num baile absolutamente chique comigo e depois nós fomos de metrô pro Brooklyn comer cachorro-quente! Nem os oito anos separados pela distância nos fez mudar, não te tirou do meu coração e nem me tirou do seu. Tivemos relacionamentos e nenhum durou ou deu certo, nós sempre ficamos juntos e... bom eu realmente gosto de você assim; você me leva ao céu, e parafraseando alguém que eu não me lembro o nome, estar com você me leva pro alto, pra lua junto com Apolo, basicamente, e sei, pelo jeito como você tá me olhando agora, que você também gosta de mim assim. Já passamos da idade de ficar sem compromisso com as pessoas, eu quero ficar só com você pelo resto da minha vida, . – soltou e suspirou.
Tinha falado demais, sabia disso, mas precisava falar pra ela, porque desde que parara pra realmente pensar sobre o assunto, no dia em que a convidou para o baile, ele vinha apenas confirmando que era apaixonado por há mais tempo do que tinha percebido.
Ele estava certo, se sentia da mesma forma e ouvir aquelas palavras fazia seu coração se aquecer, bater mais forte e seu estômago parecer o refúgio de todas as borboletas do mundo.
- Você sabe que Apolo, na verdade, é o deus do Sol, além de ser considerado o deus da luz e da juventude, não sabe? Não tem nada a ver com a Lua. – pontuou e rolou os olhos.
- Eu abri meu coração pra você e você só vai falar dessa parte? Sério? – perguntou quase incrédulo, fazendo rir.
- Eu estava fazendo a introdução para a minha fala, mas você me atrapalhou.
- Ah, perdão, continue. – respondeu quase debochado.
- E já que estamos falando de astros... posso dizer que ouvir isso fez com que as estrelas se alinhassem, há tanto tempo eu me sinto assim e... bom, eu tinha medo de falar alguma coisa e perder sua amizade, além do fato de nunca termos sido claros com a questão da exclusividade e eu achava que você estava saindo com outras pessoas e...
- Você está?
- Não.
- Eu só fico com você desde que você voltou e eu fiquei solteiro, . Há uns três anos ou mais. Nós estamos namorando sem estar namorando há anos. – ele deu uma risadinha.
- Eu gosto muito de você , de verdade, sempre gostei e tenho certeza que sempre vou gostar. Sinto que sou a mulher com a maior sorte do mundo, porque você conquistou tudo que sempre quis e não se corrompeu e nem mudou a forma de agir e de ser, é o melhor tipo de pessoa pra se apaixonar. Você come em restaurantes chiques, mas também gosta de dirigir por meia hora e ir comer um cachorro-quente no Brooklyn como se fosse a coisa mais normal do mundo pra uma pessoa trilhardária. Você trata as pessoas bem, de forma igual e não importa se elas são suas empregadas ou seus superiores. E você me escuta falar de procedimentos cirúrgicos, atendimentos no PS e um monte de coisa que não te importa e que você nem entende; você não apenas ouve, você escuta e se interessa por qualquer detalhezinho, isso é uma coisa tão rara...
- Eu sei que se um dia eu cair, você é a primeira mão que vai se estender pra mim, , você é minha amiga e minha parceira. Como isso pode ser errado?
- E não é.
- Você acha que a gente pode tentar? – ele perguntou.
- Eu tenho certeza. – deu um sorriso de lado e sorriu do mesmo jeito.
- Ótimo, ainda bem que te convenci antes de te apresentar o Chris Evans!
- Mas eu nunca disse que não te largaria pelo Evans. – respondeu rindo.
- Jamais te apresentarei pra ele. – respondeu num muxoxo. – Enfim, como eu estava falando antes... o festival é na semana que vem, você vai estar disponível?
- Não tenho certeza, mas acho que sim, vou plantonar esse fim de semana inteiro.
- Você precisa fazer isso tudo de plantão?
- Teoricamente não, mas quando meus pacientes precisam da médica deles, eu preciso ficar por lá. – deu uma risadinha sofrida. – Mas um dos plantões é só no PS.
- Já que estamos resolvidos quanto nosso status de relacionamento e eu realmente preciso acordar cedo amanhã, podemos dormir?
- Primeiro você vai tomar banho, eu troquei os lençóis da cama hoje quando cheguei e você não vai sujá-los.
- Não quero mais ser seu namorado. – ele resmungou, ficando de pé.
- Chris Evans toma banho. – ela respondeu implicante.
- Você bem que podia vir tomar banho comigo também.
- Tomei banho antes de você chegar aqui, , não vou tomar outro banho agora e sem nenhuma razão aparente além de sexo no chuveiro. – ela deu de ombros, fazendo rir. – E vai logo, eu quero dormir.

-x-


- O line-up é bom. – falou, olhando para a tela do celular e voltou a morder o sanduíche que tinha na outra mão. – Vai encher
. - A intenção é essa. – respondeu rindo. – E então, vamos?
- Eu estou livre no sábado a partir de meio dia, mas os shows são na Califórnia e é impossível voar por quase oito horas e chegar lá a tempo.
- Você não pode, sei lá, trocar isso?
- Não tem como. – ela respondeu, dando um suspiro. – Eu não consigo nem sair daqui mais cedo, porque não vai ter médico plantonista ainda, caso seja necessário.
- Como faremos? – perguntou quase frustrado e terminou de mastigar seu sanduíche, encarando o grande relógio na parede do refeitório do hospital. Tinha, exatamente, mais oito minutos e nove segundos até voltar ao trabalho.
- , você pode ir sem problemas, eu vou trabalhar e passar o fim de semana com minha mãe.
- Mas vai ter Rascal Flatts! Foi difícil pra caramba fazer isso. – ele soltou num resmungo e lhe deu um sorriso.
- Fico feliz de saber que você fez isso por mim, mas não tem como. A não ser que eles estejam no fim do dia.
- Não, eles são uns dos primeiros. – resmungou. – Alguma coisa envolvendo outros shows em outros lugares e pediram pra se apresentarem cedo.
- Você pode ir e gravar a apresentação deles pra mim.
- Queria que você fosse. – ele resmungou. – Para de olhar pra esse relógio.
- Preciso voltar pro hospital, tenho algumas coisas importantes pra fazer.
- Tudo bem, então a gente se vê na semana que vem, amanhã tenho balanço trimestral pra fazer na empresa, você trabalha de dia, tem plantão depois...
- Desculpa. – pediu, levantando-se da cadeira. – Eu queria muito ir, muito mesmo, mas não vai dar.
- Não precisa pedir desculpas, , eu entendo. – ele ficou de pé, pegando-a pelas mãos e lhe deu um selinho. – Teremos outras chances de ir a festivais e shows juntos. Antes que pudesse responder, seu bipe começou a tocar em urgência e ela mal teve tempo de lhe dar um selinho e sair correndo na direção do elevador. deu um sorriso num mix de paixão e orgulho e saiu do refeitório, seguindo a pé até seu apartamento. Precisava dormir cedo, acordar mais cedo que o habitual e passar muitas horas na empresa para o balanço trimestral – e ele odiava aquilo com todas as forças que tinha – e ainda teria que trabalhar na sexta-feira e viajar bem cedo no sábado.
Enquanto caminhava para seu apartamento, ouvia o relato do socorrista sobre o homem que era levado para o centro cirúrgico, então tinha que atentar-se a todos os detalhes enquanto fazia a higienização das mãos e enfermeiras lhe enfiavam em luvas e máscaras. Respirando fundo, ela entrou na sala de cirurgia.

-x-


Quando, finalmente, conseguiu chegar ao próprio apartamento, tomou um banho e jogou-se em sua cama. Não tinha forças nem mesmo para comer, tinha virado quase sessenta e sete horas no hospital e isso, além de muito errado, tinha sido cansativo em níveis jamais atingidos por ela antes. Tinha feito três cirurgias, atendido na clínica por trinta e duas horas, além de atender uma urgência de uma paciente da oncologia, e preferiu voltar de táxi pra casa, porque se dormisse no metrô, teria problemas. Ela precisava dormir por três dias, pelo menos, para compensar tudo aquilo.
E foi o que fez.
Não por três dias, claro, mas dormiu por dez horas seguidas e dormiria mais, mas foi acordada pelo toque insistente do interfone. Cambaleante e praguejando todos os palavrões que conseguia lembrar, ela seguiu até a sala e atendeu o aparelho, sem abrir os olhos direito.

- Se o mundo não estiver pegando fogo, você que acordou uma médica que fez sessenta e muitas horas de plantão é quem estará pegando fogo em alguns minutos. – falou mal humorada.
- Se você parar de falar e me deixar subir, pode dormir de novo, médica que fez sessenta e muitas horas de plantão. – a voz do outro lado respondeu e ela abriu os olhos surpresa.
- O que diabos você está fazendo em Nova York, ? – perguntou surpresa.
- Você pode, por favor, abrir o portão? Obrigado. – ele respondeu.
não demorou a abrir o portão e abriu a porta do próprio apartamento, sem nem mesmo pensar sobre o fato de estar com uma blusa de malha velha, reusada, com alguns pequenos furos na gola e uma mancha que, provavelmente, era de algum molho, um short largo de pijama e os cabelos totalmente bagunçados, além da cara amassada de quem tinha acabado de acordar. não demorou a aparecer no andar e deu um sorriso divertido ao vê-la ali, naquela situação.
- O que você está fazendo em Nova York? – repetiu quando ele estava perto o suficiente para que não fosse preciso falar alto.
- Eu moro aqui, sabia? Além disso, sou um cidadão americano e eu sou livre para ficar onde eu bem entender.
- Estou com sono demais pra isso. – ela respondeu, dando as costas a e entrou no apartamento. Ele não demorou a segui-la e fechou a porta quando entrou.
- Mas, respondendo sua pergunta, eu estou em Nova York, porque não fazia sentido estar na Califórnia sem você. – ele deu de ombros. – Então eu não viajei.
- E por que você está aqui dez horas da noite?
- Eu vim mais cedo, mas ninguém atendeu e eu achei que você ainda estava trabalhando. Resolvi voltar agora, porque eu estava de passagem.
- Você? De passagem por Lower East Side? – ela perguntou debochada.
- Sim, de passagem entre meu apartamento e o seu, porque senti sua falta e queria te ver.
- Eu achava que essas coisas só aconteciam em comédias românticas. – implicou, mas sorriu ao ouvir o que ele tinha dito.
- Você mesma disse que minha vida parece uma. – ele deu de ombros e voltou a sorrir, mas acabou bocejando de novo.
- Você é um amor, mas eu realmente preciso dormir mais. – falou, apontando com a cabeça na direção do quarto.
acompanhou pelo pequeno corredor que os levou ao quarto e depois de se desfazer rapidamente da camisa, da calça e dos sapatos, estava deitado ao lado dela.
- Now I'm just rollin' home into my lovers arms, this much I know is true that God blessed the broken road that led me straight to you. cantou, desafinado, fazendo dar uma risadinha e abraçá-lo.
- Obrigada por ficar comigo, enquanto poderia estar na Califórnia. – ela agradeceu, dando nele um beijo em seu rosto.
- É como diz aquela música... “It's all different, no one compares, and if you never change I'm gonna stay right there, I'll always be right there”...
- Você está citando Ariana Grande pra mim? – ela riu baixo. – Sério, eu te amo.
- You got it, baby.






Fim.



Nota da autora: Peguei essa música no resgate e lendo a letra eu vi diversas formas de desenvolver um plot de fanfic, porque é uma música ótima. Minha ideia inicial era que essa história se desenvolvesse de outra forma, mas por nada na vida eu conseguia colocar no papel o que estava na minha cabeça, então deixei que eles fluíssem sozinhos. E fluíram desse jeitinho ai e eu gostei do resultado.
Tem outras duas fanfics minhas nesse ficstape (controle mandou abraços), a 06. Piano (um spin-off de “Trato Feito”) e 08. The Way (original fofinha toda vida).
Enfim, era isto, pra mais fanfics que eu escrevo, entra lá no grupo do Facebook. Prometo que eu sou legal (tá, nem tanto).
Espero que vocês tenham gostado, não esqueçam de comentar e me dizer o que acharam 😉
P.S.: ouçam Rascal Flatts. E Lady Antebellum. E música country num geral, porque é sensa.




Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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