Última atualização: 18/06/2017


B1


Assim que adentrou o local escuro, com poucas luzes e uma música pop ao fundo, teve a certeza que tinha se metido numa furada. Ele até gostava de uma boate, mas algo lhe dizia que havia algo errado, mesmo ele não sendo ligado a esoterismos.
Desde que ele começou a trocar mensagens com num aplicativo de namoro, ele não parou de pensar como ela seria ao vivo. Nas fotos ela parecia espetacular. Belas pernas, belas curvas, belos seios. Ele já podia imaginar sua mão encaixada perfeitamente no corpo inteiro dela. E esse desejo acabou o cegando. não pensava direito enquanto andava em direção ao bar do local, já procurando ao redor, atento a qualquer vestido de cor branca, quase transparente, que era como ela disse que estaria.
Ele não era nenhum tipo de guru do sexo, mas tinha experiência em conhecer pessoas na internet. Principalmente mulheres. Principalmente para sexo casual. Ela com certeza seria apenas mais uma.
Ele deu a volta no que parecia ser um balcão no meio da boate, onde estava mais iluminado, e começou a reparar numa mulher morena de vestido branco colado, assim como ela havia dito. Quando a mulher sentiu os olhares, fingiu que esbarrou o cotovelo na pessoa ao seu lado e olhou diretamente para , reparando que era ele. Sorriu de canto, para ele ter certeza que era ela, e ele foi em sua direção, ainda confuso.
- Você não parecia morena nas fotos. - ele disse confuso, sentando -se ao lado dela. Nas fotos que ela havia trocado com ele, ela era inteiramente branca. Talvez fosse a pessoa errada?
- Eu podia dizer que peguei sol e estou bronzeada, mas a verdade é que não era eu nas fotos. - ela indagou, tomando um gole de sua bebida pelo canudo, ainda sorrindo e o olhando de lado.
parecia ter levado um soco no estômago. Ele foi enganado, meu Deus. E se fosse um homem? Com certeza seria mil vezes pior. Pensando naquela possibilidade, ele se acalmou e respirou fundo antes de falar qualquer coisa.
- Costuma trocar fotos fakes pela internet e conhecer a pessoa depois?! - Ele mal havia chegado e já se sentia incomodado. Como cinco minutos atrás. Algo estava errado.
- Costumo. - ela respondeu, espalhando ainda mais seu sorriso pelo rosto. - Normalmente as pessoas gostam ainda mais de mim do que estava na tela do celular.
riu fraco, sem entender como alguém gostaria de ser enganado e apenas balançou a cabeça. Tudo bem que era bem bonita, mas de qualquer forma, aquilo foi um susto. Por mais que ele tivesse anos de experiência, nada como aquilo havia acontecido antes com o mesmo.
Ainda sem saber o que falar, de supetão, levantou -se da cadeira e fez o que já devia ter feito.
- Eu vou embora. - falou e, antes de se virar, olhou pro rosto dela, que agora estava sério e um tanto quanto assustado. Ele riu internamente, pensando que ela nunca devia ter levado um fora e foi andando em direção a onde ele não devia ter passado: a porta.
Enquanto andava, percebeu que o peso que sentia nos pés ao andar quando havia chegado, não estava mais lá. Talvez ele devia ficar. É, ele devia.
Ele analisou os prós e contras rapidamente e resolveu que aquilo não iria estragar sua noite. Mas foi só ele dar a meia volta que uma coisa lhe chamou atenção.
estava conversando com um homem do outro lado dela, ao contrário de onde estava. E não era de uma forma sedutora, como ela fazia com . Era algo como um choro desesperado. Como se o cara fosse um amigo dela. E foi aí que ele entendeu menos ainda. deu um abraço apertado no homem e se levantou do lugar, dando a volta pelo outro lado e entrando no que devia ser o banheiro feminino.
Intrigado, pensou em seguí -la e pedir desculpas, por ter visto como ela havia ficado. Por outro lado, ele podia falar com o cara e descobrir o que aconteceu. Ou, por último, fazer o que ele estava pensando alguns segundos atrás: aproveitar a noite que ele não devia desperdiçar fazendo qualquer coisa que não fosse se preocupar com a situação anterior.
Mas acabou que lá estava ele, de volta ao lugar que ela estava antes. Sentou -se novamente onde havia se sentado e não sentiu mais o formigamento que sentia antes. Ele fitava a porta do lugar que ela havia passado e também ao homem ao seu lado, o que havia abraçado. Ele pensou duas vezes antes de falar qualquer coisa, mas quando viu já havia falado.
- Ei. - ele esperou por uma resposta, mas o outro parecia imerso no seu próprio universo também, fitando a porta do que realmente devia ser o banheiro. - Ei! - falou mais alto, se inclinando pro lado do homem e enfim conseguiu a atenção dele. O tal amigo de possuía uma barba por fazer e uma cara séria que acabou virando uma careta quando viu ali de novo. É, ele realmente era amigo da mulher.
- Pois não? - O sujeito tentou ser o mais sério possível e até chegou pra trás.
- Você é amigo da ? - Perguntou apenas para confirmar o que parecia óbvio.
O homem sabia que não devia se meter nos relacionamentos virtuais de . Ele já havia se intrometido uma vez e não havia dado certo. Mas mesmo assim tinha de responder. Não podia dar em nada demais, era apenas uma conversa… Não uma briga.
- Sou sim. - finalmente falou, meio rouco.
analisou brevemente se devia mesmo perguntar o que havia com ela, mas parecia que mesmo sem álcool ele já estava meio saidinho.
- Você sabe o que aconteceu com ela? - Chegou a dar um riso anasalado ao pensar que ele estava se preocupando com uma mulher desconhecida e maluca, mas percebeu que ele apenas não era uma má pessoa.
O outro homem agora levantou uma sobrancelha tal como se estivesse espantado pela pergunta do que estava ao seu lado. franziu a sobrancelha sem entender e apenas esperou para ver se haveria alguma resposta. O cara a sua frente parecia estar analisando o que falaria, ao contrário dele que estava disparando perguntas que nem cabia a ele fazê-las.
- Ahn. - o rapaz começou. - Ela só não esperava essa reação vinda de você… - Ele parou e pensou se devia falar o que estava prestes a dizer. Mas acabou o fazendo. - Na verdade, ela nunca levou um fora.
confirmou todos seus pensamentos com aquela sentença e finalmente sentou-se confortável na cadeira. Não que fosse legal ele ter dado um fora nela, muito pelo contrário. Ele havia sido estúpido. Mas sim por ela não ser louca como ele havia pensado que era.
olhou novamente pro homem ao seu lado e reparou que ele fazia o mesmo, mas de uma forma nada discreta. Achou estranho, mas acabou rindo, achando meio bizarra a situação a qual ele estava inserido. Quem diria que aquela noite lhe daria tanta história?
- Você não vai embora ou… - O amigo de perguntou sugestivamente.
- Não. - respondeu brevemente. - Vou ficar por aqui mesmo… - Se ajeitou na cadeira, inclinando-se para frente e chamou atenção do garçom com um assovio baixo e sua mão levantada. Pediu uma uísque e por fim voltou a olhar pro homem. - Pedir desculpas a ela, talvez? - Sorriu gentilmente, já pensando no efeito que a bebida forte iria lhe causar.
O sujeitou concordou com a cabeça e sorriu também, ao mesmo tempo que sua cabeça dava um nó de muitas informações. Ele realmente estava surpreso devido os acontecimentos daquela noite. Todas as vezes que era rejeitada, os caras normalmente saíam pela porta como uma fumaça e quando não saíam, faziam cena. E estava fazendo exatamente o oposto.
Ainda assustado, o amigo nem viu quando o drinque do homem chegou e nem quando saiu do banheiro e voltou ao lugar, ao menos se dando ao prazer de sentar quando reparou que o homem do aplicativo estava lá novamente.
- . - ela chamou atenção do amigo. - Vamos embora? - Dava para perceber pela sua voz como ela estava mal.
, não perdendo a oportunidade, tossiu fracamente, chamando a atenção dela que, por mais que quisesse fingir que ele não existia, queria saber o que aconteceu para que ele tenha voltado. virou-se totalmente pro homem e cruzou os braços na altura do peito, esperando para saber o que ele tinha a lhe dizer.
- … - começou, tentando ter coragem de falar o que estava na sua mente. - Desculpa por isso, eu apenas me assustei, não sabia que ia ficar tão chateada… - Ele estava tão na defensiva que mal reparou o humor dela mudando para outra pessoa. Ela agora estava entendendo o que aconteceu.
- ! - Ela deu um tapa fraco no amigo que tentou se esquivar. - Você me paga! - E saiu varada para a pista de dança que havia em frente ao balcão, se fundindo a multidão e saindo da vista de e de .
Parecia que ela não ia perdoar , e agora, nem .
O primeiro pulou uma cadeira e sentou-se mais perto do segundo, desistindo totalmente de qualquer coisa que a vida estava lhe pregando naquele dia.
- Ela é estressada assim todo dia? - Perguntou curioso antes de tomar um gole de sua bebida. Reparou que o homem ao seu lado não bebia nada além de água e achou estranho.
- Não… - soou um tanto quanto preocupado. - Ela não costuma brigar muito comigo. -
- Ah, desculpa. - falou sem jeito, fazendo uma careta ao perceber que fez merda. logo percebeu e riu, se redimindo.
- Não! Sério, não é culpa sua. Você fez o certo em pedir desculpas à ela. Eu que falei demais. - ainda rindo completou e tentou focar na sua água, desejando que fosse álcool.
não era de ferro, apesar de naquele momento desejar ser, e notou como tinha uns traços marcantes, olhos bonitos e o maxilar perfeito. Talvez ele devia parar de jogar aqueles olhares para antes que o outro percebesse.
, por outro lado, nem havia reparado. Ele só queria beber.
Depois de alguns goles e algumas palavras sobre com , o homem resolveu que queria dançar. Ele precisava. Era questão de sentir o álcool percorrendo pelo seu sangue e indo parar em todo seu corpo. Ele adorava se sentir alto. Nas nuvens. Tentou chamar , que achou estranho, mas o novo colega disse que não, rindo. Ele o deixou no balcão e foi dançar.
finalmente pediu a droga de um energético pro garçom, já que estava de motorista da rodada, e enquanto tomava olhava para na pista de dança. Naquele momento, o dançarino parecia estar se revelando e ele não pôde conter uma risada. Ele não era de fazer amizades naqueles lugares muito menos ter boas memórias sobre, mas achou tão engraçado aquilo que resolveu tirar umas fotos. Até chegou encontrar no fundo se algumas se pegando com um cara que já estava querendo passar pra outra parte, o que com certeza já estava pensando também. A verdade é que ele estava se divertindo o mínimo que fosse e estava feliz por aquilo.
Por um minuto jogou seus escrúpulos no chão e foi pra pista de dança. o encontrou lá e reparou nas tacinhas que estavam na mão dele, sugerindo que havia bebido a tequila que os garçons estavam servindo por ali, o que fazia totalmente sentido levando em conta o estado do outro.
Eles começaram a pular no ritmo da música e quando repararam estavam fazendo um monte de movimento totalmente aleatórios ao invés de propriamente dançar. Eles mais se divertiam do que levavam aquilo a sério, enquanto já estava quase tirando as roupas por ali.
Depois de muito dançarem, voltaram pro lugar onde estavam sentados antes e repararam que um casal estava sentado ali quase se comendo também. Rolaram os olhos um pro outro e deram a volta procurando um lugar pra sentar, aliás, eles estavam mortos. Acabaram não encontrando e resolveram sentar no único lugar que sobrou: no chão. Foram pra um canto mais calmo da boate e se jogaram no piso já sujo, voltando a sentirem suas pernas.
- Caramba. - soltou. - fazia anos que eu não dançava assim.
riu por pensar que parecia dançarino enquanto o outro não dançava tanto quanto ele imaginava.
- Você parecia profissional lá, antes de eu aparecer. - riu ainda mais.
- Como você disse? Antes de você aparecer. - também tentou rir, mas estava cansado demais pra isso. Queria dormir e não era nem meia noite ainda.
percebeu como o homem estava morto e se levantou rapidamente, oferecendo sua mão para ele se levantar. viu a mão dele, mas fez uma careta ao pensar na possibilidade de se levantar. O outro homem rolou os olhos e falou:
- Vem. - balançou a mão. -Eu te deixo em casa.
franziu a sobrancelha e riu bêbado, indagando.
- E você sabe lá onde é a minha casa?
- Vou saber se você falar. - não conseguia parar de rir da cara do outro que estava mais bêbado do que todas as vezes que ele mesmo havia ficado.
- E ? Vai deixá-la aí? - Por Deus, pensou, é preocupado demais até bêbado! Riu ainda mais antes de responder e pegou fôlego pra aquilo.
- Depois eu volto! Só não posso deixar você aqui dormindo no chão! - Explicou rapidamente.
chegou achar estranho a atitude do outro homem, mas não estava pra pensar muito. Ele realmente precisava dormir, o que queria dizer ir pra casa, então aceitou a carona.
o ajudou a sair de lá mesmo com olhares em cima deles e o colocou dentro de seu carro, já iniciando a partida enquanto explicava onde era sua casa.
Acabou não sendo muito longe e agradeceu por isso, já que não havia reparado que a gasolina do carro estava acabando. Estacionou em frente ao prédio que o outro falou e já ia abrindo a porta quando o segurou, antes dele quase cair. Dessa vez ele tentou segurar a risada pra perguntar algo mais sério.
- Quer que eu te deixe lá em cima ou você consegue ir sozinho?
Assim que terminou a frase, o porteiro do prédio destrancou a porta e logo estava em frente ao seu carro, segurando a porta entreaberta, a abrindo e vendo um bêbado, o que não era tão raro. sorriu dessa vez mais seriamente enquanto o porteiro falava que fazia o trabalho por ele, piscando e já tirando do carro.
- Obrigado! - respondeu quando já estava totalmente fora do carro.
- Por nada! - E bateu a porta.
se perguntava se ainda veria novamente, mas apenas entrou na rua a direita pronto pra fazer o retorno e logo pensou em que estava lá sozinha. Parou num posto pra abastecer com seus meros 10 dólares que achou caído no banco alguns dias atrás e de novo estava dirigindo, voltando a boate onde tudo começou.


B2


Três dias após o fatídico dia onde conheceu não só , mas também , ele recebeu uma mensagem estranha da mulher perguntando se ele estava bem e se havia passado bem pela ressaca. Ele achou estranho, já que imaginou que ela nunca mais o procuraria, mas apenas respondeu dizendo que sim.
estava em seu trabalho, uma sala com uma mesa larga no meio e várias pessoas ao redor, tentando assinar mais um contrato com um artista que queria um compositor para seu novo álbum, o que resultava na procura por . Ele escrevia, os outros cantavam. O lugar dele era por trás das músicas, como ele costumava dizer.
- Você pode desligar esse celular? - Seu chefe perguntou na terceira vez que viu o mais novo checando o objeto. apenas sorriu ironicamente e colocou o objeto o mais longe possível dele em cima da mesa. Apesar dele ter ficado olhando pro aparelho a reunião inteira, conseguiu prestar atenção em quase tudo e pôde entender que seu trabalho ia ser redobrado daquela vez. Algo como um artista ressurgindo no mercado que queria um compositor pra escrever com ele pelo menos cinco de quinze músicas pro seu novo álbum.
deixou de prestar atenção quando a reunião já estava no fim e seu celular tocou, ao invés de vibrar como estava fazendo antes. Ele levou um susto, se levantando rapidamente, pegando o objeto e apontando pra fora, avisando que ia sair pra atender o celular, enquanto seu chefe rolava os olhos e suspirava.
- Alô? - Ele atendeu, abrindo a porta e se retirando.
- ? ZaynMalik? - Uma voz de mulher, que ele conhecia, falou do outro lado.
- Eu mesmo. Quem fala?
- Sou eu, . - juntou as sobrancelhas e até tirou o celular da orelha pra ver se o nome dela não estava na tela, o que ele pôde ver que realmente não estava. - Alô? - Ela tentou falar novamente.
- Ahn… - tentava raciocinar, mas ainda estava intrigado pela ligação repentina. O que ela tinha pra dizer que não podia esperar e era tão urgente? - Oi, .
- Você está livre hoje à noite? - Ela foi direta e o homem riu disso.
- Tem certeza que está me convidando pra sair numa terça-feira? - Riu baixinho, olhando pros seus pés e os balançando, inquietos. Algo estava o incomodando, como no sábado.
- Por enquanto eu só quero saber se você está livre mesmo… - Ela falou arrastadamente, tentando tirar a informação de .
- Eu vou sair tarde do trabalho, só vou estar livre depois das dez. - o homem falou, lembrando desse fato e até choramingou no final.
- Fica tarde pra você? - perguntou.
- Um pouco. - ele respondeu, já intrigado por tanta insistência. - Não podemos nos ver outro dia? Tem o final de semana...
- Final de semana é um pouco complicado, eu e já temos compromissos. - falou, mas logo se arrependeu, percebendo que já havia falado o nome do amigo na conversa. , que não era burro, percebeu.
- Ah, também iria? – Questionou, ainda batendo os pés.
- Sim, oras. - ela tentou passar pelo obstáculo e se afundar de vez. - Nosso trio completo. -
entendeu e riu, achando graça que realmente ela não estava afim dele. Apenas amigos. Por um lado ele ficaria chateado, já que não gostava de ser dispensado, por outro, achava melhor assim. Nada de segundas intenções. Talvez ele precisasse de novos amigos mesmo.
- Tudo bem, vamos então. - ele falou impulsivamente, ouvindo a mulher comemorar no fundo.
- Te pegamos na sua casa dez e meia então. - ela falou rapidamente, já animada para desligar o celular e se preparar, já que era quase sete horas.
- Certo, ahn… lembra onde eu moro? - Perguntou confuso por não lembrar de muita coisa do fim da noite de sábado além do rosto e carro de .
- Lembra sim, estaremos lá. - confirmou com um ok e logo a ligação havia acabado. Agora ele veria o que a noite lhe prometia.
As horas demoraram pra passar e quase saiu da gravadora depois das dez, devido a um trabalho de última hora, mas assim que ele percebeu que era dez horas ele juntou tudo seu e foi correndo pra casa, pra se arrumar e esperar e .
Quando era dez e vinte e cinco, mandou uma mensagem falando que já estava na casa dela a buscando e estavam indo pra casa de , pedindo para que ele descesse em cinco minutos, já que o prédio dela não ficava longe do prédio dele.
escovou os dentes rapidamente e deu uma última olhada no espelho, logo pegando seus documentos e chave de casa, e saindo. Assim que chegou na portaria, cumprimentou o porteiro que sorriu para ele e foi esperar seus amigos na porta.
Demorou apenas três minutos para eles aparecerem com um buzinando euforicamente e uma extremamente animada.
- Eiiii, como você está? - perguntou enquanto entrava na parte de trás do carro, ela estava totalmente virada o encarando com um sorriso enorme que fez o homem rir, não entendendo de onde havia saído aquela animação toda.
- Eu vou bem, graças a Deus, e vocês? - respondeu agora olhando pra que também sorria pelo retrovisor.
- Muito bem! - A mulher exclamou virando pra frente e aumentando o som do rádio que antes estava baixo. - Amo essa música, vocês se importam? - Ambos homens balançaram a cabeça e riram de que começou a cantar WhatMakesYouBeautiful aos berros.
- Baby, you light upmy world likenobodyelse! - Ela balançava a cabeça no ritmo da música e jogou os cabelos no segundo verso. - The waythatyouflipyourhairgets me overwhelmed! But when you smile at the ground it ain’t hard to tell… Youdon’tknow oh oh - - E então foi interrompida pelos dois cantando, levando um susto.
- Youdon’tknowyou’rebeautiful! - E continuaram cantando e rindo. Nem sabendo qual era o destino daquela viagem de carro, só foi pensar nisso quando a música acabou.
- Pra onde estamos indo? - Perguntou olhando pros lados, reconhecendo o bairro após o dele.
- Pensamos em ir num cinema à céu aberto que fica na cidade ao lado. Tudo bem? - respondeu, olhando pra já que não dava pra virar totalmente estando na direção.
- Aham. - murmurou e mordeu os lábios, pensando que nunca tinha ido a esse lugar e que poucas pessoas comentavam sobre. Devia ser legal.
Assim que eles chegaram na cidade vizinha, o clima mudou. Parecia estar mais frio que o normal, então agradeceu por estar de casaco. Assim que entrou no estacionamento do lugar, ele procurou uma vaga e estacionou. já saiu do carro tentando se esquentar passando as mãos pelos braços, mesmo que não quisesse parecer muito óbvia.
O trio seguiu pra dentro do grande estacionamento e logo estavam diante de uma grande tela de cinema, maior que as convencionais, e foram direto pra bilheteria, encantados pelo tamanho do lugar, que era enorme. O preço não era muito barato e arrancou algumas caretas deles, que riram indo procurar um lugar para sentar.
- Nunca mais voltaremos aqui. - riu se sentando e deixando se sentar de um lado dele e se sentar do outro lado da mulher.
- Esquecemos a pipoca. - disse mal se sentando e já se levantando vendo uns carrinhos de pipoca em volta do lugar.
- Não acredito que é hoje que eu vou falir. - falou, fazendo se virar e rir pra ele, enquanto fazia o mesmo. Demorou uns dez minutos pra voltar, o que fez e um pouco desconfortáveis, já que parecia na retaguarda pra falar qualquer coisa. Não conseguiam ter uma conversa completa, eram apenas pequenos comentários sobre o lugar e como foi esses dias que eles não se viram. Os dois estavam estranhos e só conseguia quebrar aquilo.
Depois de mais quinze minutos o filme começou. ficou contente ao ver que era Moulin Rouge mesmo, que ela havia escolhido, já que estava com medo de ter ido na sessão errada. Ela não parava quieta na cadeira, repetindo algumas falas do filme que tanto amava. e mantiveram seus olhos na tela e mal falaram.
Assim que o filme acabou, os três estavam com os olhos cansados e quase dormindo, apesar de todos terem gostado do programa a três.
- Melhor irmos logo, né? - comentou, percebendo que não aguentaria dirigir se passasse mais meia hora naquele lugar.
- Também acho. - fez uma careta olhando pro seu pulso, onde estava seu relógio, reparando que já passava da uma da manhã. - Está tarde e amanhã eu trabalho. -
só confirmou com a cabeça e fez um bico, pensando como queria ficar um pouco de tempo mais ali. Não aceitava que a noite já havia acabado.
- Deixa eu ir atrás! - falou entrando no carro e se jogando no banco de trás, não deixando passar na sua frente e apontando pro banco do carona, falando pra ele ir lá. - Ai. - ela voltou a falar. - uma pena que eu e vamos para casa da minha tia esse final de semana… Queria passar mais tempo com você, . Você é legal. -
se espantou com a revelação e até perguntou engraçado.
- Você bebeu algo? Tipo, álcool? Porque não é possível… - riu ao lado dele e falou baixinho só pro homem escutar.
- Ela é bem sincera, não liga. - riu e apenas concordou com a cabeça, já que, pelo menos, ela não tinha falado mal dele, o que seria de fato mil vezes pior.
- Você podia ir com a gente. - ela falou pensando alto, dando um susto em .
- Mas eu mal conheço você, quem dirá sua tia! - Ele realmente estava assustado e estava a nível de rir de nervoso. Quando foi que ele começou a fazer amizades tão rápido assim? Tudo bem que ele a conhecia pelas conversas que tiveram na internet, mas pessoalmente as coisas estavam indo mais rápido que o normal.
- Ela também não conhece . Vai conhecer sábado.– falou, tentando manter algum contato visual, mesmo que estivesse com muito sono.
- Mas aposto que você fala de para ela o tempo inteiro. - tentava questionar aquele convite o tempo inteiro, coisa que irritou a mulher.
- , para de inventar desculpas! Vai com a gente!
O homem já não estava mais com sono. Ele estava pilhado. Não conseguia tirar da sua cabeça as imagens deles três com uma mulher mais velha naquele fim de semana, o que era realmente assustador já que ele não os conhecia direito.
Ele tentou enrolá-los e falou que ia pensar, passando o trajeto todo da volta com os olhos vidrados em qualquer lugar que não fosse o interior do carro e tentando não pensar naquilo, o que era realmente difícil. Depois de pensar muito e já em frente ao seu prédio, ele tinha se decidido. Havia feito um plano e bastava a dupla concordar com ele.
- Ok, eu só vou se vocês concordarem em sair comigo mais uma vez e me contarem tudo da vida de vocês. - ele falou virando pro lado esquerdo e vendo a cara de achando aquilo engraçado já que estava dormindo e não escutava nada. - É, ela está dormindo, acabei de ver. - riu e balançou a cabeça, percebendo que falava apenas com .
- Por mim tudo bem. - balançou os ombros como um tanto faz e apenas concordou. Na verdade ele também achava legal e queria conhece-lo melhor. Talvez não da forma que queria, mas pelo menos já era alguma coisa.
- Avise a ela que eu encontro vocês na sexta então. - falou agora, abrindo a porta e se preparando pra sair. - podemos fazer algo aqui em casa mesmo, se não ficar ruim pra vocês. - concordou balançando a cabeça e cerrando os lábios, pensando na proposta.
- Beleza, até mais.– falou, agora dando um meio sorriso.
, no impulso, deu um meio abraço em e pra não ficar desconfortável deu dois tapinhas no ombro dele. riu e acenou, vendo ele sair apressado do carro. era uma figura e ele já estava animado para ver o que aconteceria naquele final de semana.


B3


Durante o resto da semana, entrou num acordo com e , que fizera um grupo com eles dois no whatsapp, com o nome OT3, o que fez ele rir. Eles combinaram de ir todos pra casa de na sexta, ver filmes, pedir pizza e conversarem muito sobre suas respectivas vidas, já que eles não tiveram muito tempo no whatsapp pra falar devido a seus trabalhos/faculdades. Pelo menos isso havia descoberto, que estava no último período da faculdade de Música, o que o surpreendeu um pouco já que ele também havia feito a mesma faculdade e estaria terminando no mesmo lugar que se não tivesse transferido pra uma faculdade particular, o que fez o processo ser mais rápido, sem as greves da faculdade pública. Mas ele ainda não sabia de muita coisa sobre a vida de ambos e estava até ansioso para aquele final de semana.
Quando deu oito horas, já estava saindo do trabalho e indo pra casa pra fazer sua mochila de dois dias longe de casa e esperar os dois amigos, que iam dormir lá e os três iriam juntos de manhã para casa da tia de , que se chamava Adélia.
Faltando poucos minutos para as nove horas, ele escutou o interfone tocando, com o porteiro avisando que seus amigos estavam lá. falou que eles podiam subir e logo e estavam em sua porta.
- Olá, gatinho! - riu quando ouviu aquilo vindo de , ainda não acostumado com o jeito dela. Sobre ela, ele já sabia que ela era graduada em Publicidade, estava muito bem empregada na área de pesquisa psicológica, em uma empresa nova no mercado.
- Oi, . - ele falou a abraçando e rindo para que imitou o que ele havia feito na terça, dando um meio abraço e dando dois tapinhas no ombro dele.
Os dois entraram no apartamento e foram já procurando um sofá pra deixar suas coisas e se sentarem, o que não aconteceu e eles ficaram esperando para falar algo.
- Ah. - ele reagiu, rindo. - deixa eu explicar pra vocês como é minha casa, antes de qualquer coisa. - ele falou pedindo espaço e foi explicando que não havia exatamente uma sala, era um apartamento de apenas um cômodo com um banheiro e uma cozinha minúscula, que mal cabia duas pessoas.
- Então onde podemos colocar nossas coisas? - falou sem entender como cabia tanta coisa naquele apartamento sendo que era menor que um galinheiro.
- Pode pôr aqui. - apontou para uma cadeira onde deixava algumas roupas sujas que naquele dia não estavam ali graças a visita deles dois. Ambos colocaram suas mochilas ali e esperaram até dar outro sinal para onde iriam, o que ele logo fez apontando para cama de casal que havia ali e falou que eles podiam aproveitar.
- Vocês preferem pizza ou comida japonesa? - perguntou já com o celular na mão.
- Pizza! - falou rapidamente enquanto a amiga falava a outra opção:
- Comida japonesa!
Ele riu e levantou as sobrancelhas, não sabendo o que fazer.
- Agora a decisão está com você. - riu e viu a careta que fez.
- Vamos de pizza então, que aí todo mundo come bastante e ainda dá pra pedir uma pequena de chocolate, tudo bem? - Ele perguntou olhando pra que balançou a cabeça concordando após ouvir a palavra chocolate. Ela às vezes parecia uma criança no corpo de uma mulher, mas não atraía a como outras mulheres já fizeram. Ele gostava da amizade que eles estavam construindo e gostava de ter no meio disso também, mas ainda não sabia porquê.
ligou para uma pizzaria e pediu uma pizza metade quatro queijos e metade calabresa, já sabendo o gosto deles dois que não calavam a boca enquanto ele fazia o pedido falando daquilo, fazendo ele quase cair nas gargalhada.
- Meu Deus, vocês são terríveis! Nem parecem que tem vinte e três anos. - ele riu, se jogando na cama no meio deles, os olhando de baixo. Era uma sensação boa ter amigos novos. Ele poderia falar tudo da vida dele sem eles encherem o saco falando que já sabiam de tudo.
- Certo, o que vocês querem fazer agora? Preferem ver um filme na netflix ou começar a sessão verdades que eu não sei? - Ele riu dando aquela sugestão.
- Filme na netflix! - Os dois falaram ao mesmo tempo, rindo e se olhando, como se eles quisessem adiar aquilo o máximo possível.
concordou e colocou no serviço de stream rapidamente. Eles escolheram um filme bem água com açúcar, As Patricinhas de Beverly Hills, que havia entrado há pouco tempo na plataforma. Com meia hora de filme e muitas risadas, já que eles não conseguiam ficar parados, a pizza chegou. Eles começaram a comer as salgadas e foi só dar mais vinte minutos de filme que não tinha mais nada dentro da caixa de papelão. serviu algumas cervejas para eles antes de irem para pizza de chocolate, que também acabou rápido. Eles tinham comido tanto e tão rápido que ainda faltavam quinze minutos pro filme acabar.
- Vamos acabar de ver o filme logo porque se eu continuar rindo das palhaçadas de vocês eu vou vomitar tudo aqui! - reclamou, dando um apertão na coxa de , que olhou para ele o fuzilando.
- Problema é seu, querido. - ela falou dando de ombros. - A cama é sua.
começou a rir da cara que eles estavam fazendo, mas concordou com , colocando o filme para rodar novamente. Assim que ele acabou, pegou mais latinhas de cerveja e falou que era hora da verdade. Ele queria tudo sendo jogado na mesa, como ele mesmo havia dito e tirado risadas deles.
- Nada de mentiras, só aceito verdades. - disse com uma carinha inocente, mas que na verdade queria saber até da vida sexual deles.
- Você não falou nada sobre verdades! - foi logo falando se fazendo de desentendido, completando. - Só disse que quer saber sobre nós.
- Ué, e por acaso você falaria mentiras sobre você? – Rebateu, vendo a cara de que estava meio fechada, talvez não gostando muito do rumo que a conversa estava indo.
- Não, claro que não. - disse olhando pra baixo, pensando que teria de dizer algo pessoal demais, cedo ou tarde. E por aquele motivo, ele terminou sua latinha de cerveja o mais rápido possível e pegou outra, a abrindo e já dando uns grandes goles. riu do amigo enquanto mal prestava atenção na amiga que já falava algumas coisas sobre a faculdade e a época dela. acabou percebendo que parecia muito mais sentimental que naquela amizade e começou a ter pensamentos estranhos demais para ele mesmo, resolvendo deixar pra lá e focando mais no momento.
-... mas foi só isso, graças a Deus eu nunca mais fiquei com meninas. Às vezes acho que posso ser bi, mas acho que não… Ah, não sei. Enfim, já falei demais, vamos falar de vocês. - levou um susto com aquele final de frase, não percebendo que ele estavam falando sobre isso e olhou pra , já que fazia o mesmo.
- Porque vocês estão olhando pra mim?! - perguntou com um olhar estranho, como se eles tivessem o acusando de algo.
- Por nada, ué. Você fala o que quiser. - falou, dando de ombros e tomando o resto de sua latinha, pegando outra assim como havia feito alguns minutos atrás.
- Ai, que merda. - falou rolando os olhos e pensando que devia falar logo, antes que ficasse tarde demais para certas revelações. - Ok, , eu vou falar. Mas para de me entregar só com olhares, pelo amor de Deus.
só seguia eles com os olhos sem entender muito bem o que estava acontecendo, mas já imaginando no que aquilo daria.
- Eu… eu sou… - foi falando tímido, com medo de ter alguma má reação. - Ah, lá vai: Eu sou gay! - Falou rápido fechando os olhos fingindo que não falou aquilo. Ele odiava ter que se assumir pra todas as pessoas que ele ficava próximo. Achava meio absurdo ter que fazer aquilo, já que os héteros não tinham que assumir nada.
Ele tentava não olhar para , tentava não fingir que queria uma aprovação. O amigo compositor ainda não tivera uma reação e ele ficava cada vez mais nervoso. Mas o que se passava pela cabeça de é que ele talvez já tivesse reparado naquilo, apenas não queria admitir pra si mesmo. Talvez porque ele não conhecia muita gente homossexual, por aquilo ser uma novidade na sua vida. Ele estava confuso, então só sorriu e falou que aquilo não era um problema. E nunca seria, o que deixou mais tranquilo. Não cem por cento tranquilo, pois algo dentro dele ainda dizia que eles ainda não haviam chegado no fundo daquele assunto. Foi apenas uma revelação rápida, não uma conversa profunda sobre o que o achava sobre sexualidade. Talvez ele quisesse uma confirmação que era realmente hétero. Talvez ele pressentisse que tinha caroço naquele feijão, como sua mãe diria. Mas ficaria quieto para ver até onde aquilo iria dar. E se iria dar.
A noite seguiu mais rápida depois daquele assunto e quando eles foram ver já passava da meia noite, o que teria passado do horário pra eles dormirem, já que sairiam antes das dez da manhã no dia seguinte. Logo, os três estavam dormindo na cama de casal, sem pista do que aquela noite havia significado na amizade deles.

B4


O fim de semana estava o mais doido possível. , e estavam aproveitando o máximo possível da casa da tia dela, que era um amor e os acolheu muito bem. A princípio, a mais velha achou que era algum namoradinho de sua sobrinha, mas logo percebeu que havia algo estranho entre ele e . Ela tentou suspeitar de algo, mas nada lhe vinha à cabeça. estava avoada demais pra perceber que algo estava acontecendo com os amigos, já que preferia passar mais tempo na hidromassagem da casa e fazendo qualquer coisa que envolvesse os jogos que sua tia ainda guardava, que ela conhecia todos por ter passado tanto tempo na casa dela quando era pequena.
Ambos homens da casa tentavam equilibrar o tempo que passavam juntos e afastados para parecer que não havia algo estranho. Não que soubesse que estava em conflito interno, talvez pelo que o graduando contou na noite de sexta pra ele, mas achava que era algo como não ficar confortável na sua presença, apesar de todas as vezes que eles estavam fazendo algo juntos, tentava ter contato corporal com ele, o tocando mais que o normal baseando-se nas vezes que eles já haviam se visto.
até se arrependeu de ter contado aquele fato sobre ele mesmo um tanto quanto cedo, mais por causa da reação estranha que estava tendo do que outra coisa.
Naquele minuto, os três estavam na hidromassagem tão amada pela mulher do grupo e a tia dela estava na beira da piscina alimentando seu cachorro Magnus. Eles estavam conversando sobre como o nome do cachorro os lembrava sorvetes e começaram a falar sobre seus sabores preferidos, o que fez eles ficarem com vontade de comer algo doce.
- Pode deixar que vou comprar as coisas pra gente fazer um fondue hoje à noite! - Adélia falou fazendo carinho no cachorro da raça labrador.
- Te amo, tia! - falou fazendo os meninos rirem.
sentiu um jato de água quente nas costas deles, fazendo a hidromassagem ficar mais quente, e sentiu sua bexiga inchada, o que significava que ele precisava ir no banheiro.
- Eu vou no banheiro que me deu muita vontade de fazer xixi. - ele anunciou, pegando uma toalha que estava jogada por ali e enrolando na sua cintura, já correndo pelo piso de madeira e adentrando a casa, ficando um pouco confuso por não lembrar onde exatamente era o banheiro, mas logo o achando.
Fez o xixi calmamente e lavou sua mão, logo pondo ela na maçaneta, mas parando ali mesmo por ter ouvido passos. Ops, pensou. Ficou com medo de quem estaria ali, mas contou até três e a abriu, se deparando com ninguém. Ok, ele só estava ficando maluco mesmo. Foi só ele sair dali e fechar a porta que deu de cara com um apoiado na parede esperando que ele saísse. Fingiu que não levou um susto e tentou perguntar calmamente.
- Quer usar o banheiro? Já está livre.– falou, dando espaço.
- Não. - disse sério. - Quero falar com você.
engoliu em seco e tentou se afastar mais do homem, sem saber como reagir.
- O...ok. Pode falar.– disse, gaguejando. demorou alguns segundos para começar a falar, mas quando o fez sentiu como se tivesse tirando um peso de suas costas.
- Olha, , desde sexta à noite você anda meio estranho e eu notei, mas não quis falar perto delas sobre isso. Acho que tem mais a ver sobre você e eu isso. Mas, certo. - ele focou novamente no assunto. - só quero saber se você tem algo contra minha sexualidade, porque eu conheço muitas pessoas que têm e tiveram que se afastar de mim por não concordar com isso. E se você tem mesmo um problema com isso, é só se afastar, não precisa me confundir, sério, porque isso não é legal.
ficou assustado com aquela atitude de e ao mesmo tempo que tinha muito a dizer, ele não sabia como se expressar, saía tudo embolado.
- Tudo bem, deixa. - falou, percebendo que não estava falando nada com nada, já se virando dando sinal que iria andar. - Nós realmente não seremos amigos.
Por um minuto, o deixou ir, mesmo pensando totalmente ao contrário do que o outro falou. Não, ele não era contra a sexualidade dele. Não, ele não queria deixar de ser amigo de . Por Deus, aquilo só fez ele ficar ainda mais confuso, como se algo estivesse ligado dentro dele e falando para não deixar o homem ir. Então, num ato rápido, correu atrás dele e assim que estava o mais perto possível, agarrou o pulso do amigo, o puxando, o que fez o amigo travar e ficar sem fazer um gesto se quer.
- O que foi, ? - disse, ríspido.
- Eu… - tentava dizer novamente, dessa vez tentando falar de verdade, dando a volta e ficando de frente pro homem. - Me perdoa por ter te deixado confuso, é que… eu também estou confuso. - olhou nos olhos dele enquanto ainda sentia a pele de contra a sua, tentando entender o que se passava com o outro.
- O que você quer dizer? - estava com a testa enrugada, intrigado. Droga, o coração dele também batia a forte como se o homem à sua frente fosse falar algo que não poderia ser mudado. Ele já não sabia se aquilo estava parecendo tão real, um sonho ou um pesadelo.
- Quero dizer que… - olhava pra baixo agora e subiu o olhar, com medo de encarar e sua coragem de falar sumir. - Eu g -gosto de você. Eu acho. - ele tentou consertar o que disse, mas apenas se embolou mais já que começou a falar e falar e dizer que ele tinha de ser mais seguro de si mesmo, que se aquilo quisesse dizer alguma coisa, ele já teria dito e não o enrolado como fez no sábado inteiro deixando ele mais confuso, e antes de tomar qualquer atitude, ele falou algo que deu um choque em .
- É uma pena você não falar isso na minha cara. - os olhos deles se fuzilavam e segurou o pulso de mais forte, encostando fortemente sua boca na dele, e sentindo uma série de sentimentos dominarem seu corpo. , gostando que finalmente fez algo, andou com os dois corpos até uma parede e trancou entre seus braços, afundando o beijo e sentindo a língua do homem na sua boca, o que fez ele morder levemente os lábios e girar seu pulso que estava na mão de , agora ele segurando ambos os pulsos do homem. Eles arfaram juntos depois do beijo e se olharam nos olhos, já sabendo que aquilo não tinha mais volta. realmente estava atraído por a semana toda e apenas não queria aceitar aquele fato, por ser algo novo pra ele. estava imerso no momento imaginando que aquela era a primeira vez que beijava um homem, o que fez ele sorrir e o beijar novamente, confirmando que realmente queria aquilo.
sorriu entre o beijo, agora abraçando o homem e sentindo a mão de em sua lombar e pensando como ele já havia feito aquilo outras vezes, com mulheres, mas nunca daquele jeito. Nunca com um homem. E ele iria aproveitar aquilo o máximo de tempo que pudesse. Com e , e mais ninguém.





FIM.




Nota da autora: Outras fanfics:
01. Wild Heart06. Nothing To Lose09. I Would13. History15. Room On The Third Floor30. DisconnectedA Song About LoveWe’re On Fire

Qualquer erro nessa fanfic e reclamações somente no e-mail.






comments powered by Disqus