04. Sorry

Última atualização: Fanfic Finalizada

Capítulo único

- Major . – Meu ex e pai da minha filha cumprimentou e entrou na sala onde eu estava. Eu não sentia mais ódio por ele, simplesmente o ignorava ou lhe respondia quando o assunto era .
- Capitão . – Assenti, sem tirar meus olhos do Coronel que esperava toda equipe entrar.
- Temos uma invasão a planejar, como de costume, a Major Rayssa estará no comando. O morro PPL está planejando invadir o morro Mabel, estão com um arsenal de fuzis e não deixaremos isso acontecer. Major – Ele deu um passo atrás e acenou pra mim como se me desse autorização para assumir.

- Temos três alvos de prisão importantes. Caio, mais conhecido como Blade, que é o chefe do tráfico, a esposa dele Mônica e um suspeito de estar sequestrando jovens no local. O Coronel comunicou a vocês que essa é uma operação importante, então serão necessárias várias áreas de intervenção da Polícia. Tenente Jonathan, leve seus homens pela saída frontal do morro, na rua de trás. Capitão , entre com os homens e os espalhe em cada beco e saídas. O arsenal de armas que vão precisar estará disponível, lembrando que o foco não é uma guerra, sim prender os principais e fazer a pacificação. Invadirei o morro com os outros, por isso é de extrema importância. Eles estão atentos que a polícia está de olho, por isso todo cuidado é pouco. Vocês já são acostumados com isso. Então ao trabalho! – Eu disse e caminhei pra fora dali. Seria um trabalho duro, de fato.

- ? – Ouvi a voz de e ergui a sobrancelha olhando pra trás.
- Capitão . – Respondi em questionamento.
- Tudo bem?
- Sim, o plano vai dar certo.
- , estou falando com você. Sabe, nunca pensei que você seria policial.
- Eu também não, , nunca pensei que seguiria em frente e que teria essa vida. Mas as coisas mudam, não é? E por favor me chame de Major .
- , não banque a durona. Nós nunca falamos de tudo o que aconteceu.

- Já falei muitas vezes de como foi difícil te deixar ir embora, já confessei tantas outras o quanto doeu te ver com outras pessoas e que foi horrível quando a minha ficha caiu e eu vi que você não era mais meu, nem eu era sua. A gente nunca tá preparado pro fim. Eu não tava. E teria prolongado a despedida muito mais se você não tivesse pego as suas coisas e ido embora. O silêncio do seu adeus me matou um pouco. Por muito tempo achei que essa tinha sido a pior coisa que você tinha me feito, hoje eu consigo perceber que na verdade foi a melhor. Não dava pra insistir mais. – E simplesmente sai andando entrando no carro e indo rumo à escola de . Geralmente eu não falava com ele com tanta frequência, mas hoje em especial foi impossível. E depois dessa conversa, eu lembrei, mas não foi com saudade. Foi com alívio, tanto tempo depois, a vida estava maravilhosa, eu não sabia como agradecer. Trinta e três anos, a maioria das pessoas não contam a idade depois dos trinta. Mas estar ali, buscando minha filha tanto tempo depois, me sentindo completamente realizada parecia sim, ser um sucesso. Mas bem, não estão entendendo, não é? Vamos voltar ao início.


Flashback – 16 anos atrás.

- , deu positivo.
- Deu o que?
- Positivo, . O que a gente vai fazer agora?
- Nós vamos assumir e você vai morar comigo, . Nós vamos ser uma família.

Tudo que eu precisava naquele momento era sentir que eu não estava sozinha e eu senti isso no momento em que me abraçou. Cinco dias antes de completar dezoito anos, descobri uma gravidez. Foi uma surpresa, eu estava morrendo de medo de contar para minha mãe, mas eu o tinha ali. E tendo ele, eu sabia que nada mais importava.

Fim do flashback


correu para o carro, abrindo a porta eufórica.
- Eu tô morta mãe.
- E morrendo de fome também, não é?
- Sim. – Ela riu e colocou a mochila no banco de trás.
- Como foi a aula?
- Normal, né mãe?
- Hum, sei. – Eu gargalhei da girada de olhos que ela deu. Ela era minha cópia, anos atrás. E eu era agradecida por isso. Minha vida atual era um mar de rosas, considerando tudo que já havia acontecido.


Flashback - 15 anos e alguns meses atrás.

Eu balançava , que chorava por cólica, de um lado para o outro e meu cansaço já estava fazendo meus olhos se fecharem sozinhos. não estava em casa, pela vigésima vez. E não havia desculpas, ele simplesmente dizia que tinha ido “ali” e eu ficava noites e noites sozinha com . Ele chegava geralmente bêbado, ou com perfume forte de outra pessoa. E quando eu reclamava, dizia que era ciúme demais, ou neura. Já passavam das três da manhã quando dormiu e o barulho da porta da sala me fez levantar da cama. A situação se repetia. Eu, cansada de questionar, voltei para o quarto e me deitei. Até que ele apareceu no batente da porta.
- Não vai perguntar onde eu estava?
- Não.
- Até que enfim cansou de encher o saco. – Eu ergui a sobrancelha indignada e me virei. Silêncio é menos desgastante. – Não vai me responder?
- , a dormiu agora. Não faz barulho por favor.
- Você é entediante, .

Fim do Flashback


- Mãe, hoje a Rebecca vai fazer uma social na casa dela. Posso ir?
- Que social é essa? E quem vai?
- Ah, mãe. O grupo.
- Só vocês seis?
- Sim. O Gabriel vai passar lá em casa antes de irmos.
- Hum... – Eu segurei o riso e a zoei.
- Não, mãe. Ele é meu melhor amigo.
- Aham.
- Mãe! – Ela gargalhou e fez bico virando para o vidro. – Sendo assim, você não é amiga do .
- e eu somos adultos, você e o Gabriel são amigos apaixonados.
- Eu não gosto dele, mãe.
- Eu sei, vamos almoçar Burger King hoje?
- Pensei que tinha entrado na dieta de novo.
- Eu entrei, mas um dia de Double Cheese não faz mal. – Balancei a sobrancelha em sinal de brincadeira e foquei no transito novamente. Minha relação com ela não podia ser melhor, éramos melhores amigas, eu podia corrigi-la quando fosse necessário, mas ela era a parceira que eu sempre quis. Ela era meu anjo. Desde sempre.


Flashback. – 1º aniversário de .

- , você buscou as lembrancinhas?
- Não.
- Eu te pedi há três horas, .
- E eu disse que estava ocupado.
- É o aniversário da sua filha, !
- Eu já ouvi isso dez vezes, ! Vê se dá um tempo.
- Eu vou te dar um tempo, . Um bom tempo.
- O que quer dizer com isso?
- O que você entendeu, .
- Tá me ameaçando de ir embora?
- Se for preciso, sim!
- E vai fazer o que? Ser mãe sozinha? Convenhamos , você precisa de mim.

Fim do Flashback.


Desde que começou com tais ações. Na verdade, ele sempre tinha sido dessa forma. De uma forma menos explícita, já que eu percebi o relacionamento abusivo na qual estava depois de perceber que eu tive que me diminuir tanto a ponto de caber no minúsculo espaço que permitia, era sufocante. Desde o primeiro mês de namoro, o ciúmes excessivo, a possessão. As decisões eram dele, do jeito que ele queria. Ele gritava muito, por tudo. Eu me afastei de todos meus amigos, parei de usar roupas que eu gostava e até diminui nos batons que eram a moda do momento, porque maquiagem demais era coisa de “puta”.
Ele não me batia, mas quebrava tudo ao redor. E no fim de toda discussão, eu saia como errada e ainda tinha que pedir desculpas e parar de “exagero”. Só que um dia, por algum motivo, eu cansei. Eu não tinha percebido que ele era abusivo, eu não percebi que eu estava me diminuindo demais por ele. Eu não percebi isso, mas eu precisava tentar seguir em frente. Por mim e pela .


Flashback – O fim que abriu as portas para o inicio...

Três dias.
Era o tempo exato que ele não tinha colocado o pé para dentro de casa. E três dias depois, ele simplesmente voltou achando que podia me beijar e fazermos “amor” como ele sempre dizia. Mas dessa vez não dava, não conseguia simplesmente aturar toda essa confusão. Depois de uma briga absurda, recheada de gritos e coisas quebradas, de acordar assustada chorando e de eu mesma acabar chorando, eu esperei ele bater a porta de casa gritando pela última vez que eu exagerava, que eu não mandava nele e que queria a casa arrumada quando ele chegasse, já que a culpa de ele ter ficado estressado era minha. É claro, a culpa era sempre minha. Eu tinha que tomar uma decisão e precisava sair dali. Não importava pra onde fosse. Peguei a bolsa da , coloquei a maior parte das coisas dela que eu precisava e a coloquei no carrinho. Independentemente do que fosse acontecer a partir de agora, eu voltaria para casa de um dos meus amigos e o mais próximo dali era .

Fim do Flashback.


Depois de tudo que apontou ser errôneo em mim, no meu ciúme e no meu excesso de cuidado. Depois de ter dito que eu errei tanto e ter feito com que eu me sentisse culpada pela fase ruim que estávamos passando, jamais imaginei que um dia teria que enfrentar o peso da decisão de um término após anos, mas aquele término deu início à vida que eu precisava.


- também vai? – disse ao entrarmos no shopping.
- Você quer que ele venha?
- Eu gosto dele.
- É, eu sei.
- Nós moramos com ele por quanto tempo mesmo mãe?
- Dois anos, eu acho.
- E meu pai não ficou bravo?
- Seu pai e eu não éramos próximos, .
- E nem são hoje em dia.
- Tenho meus motivos, filha. – Ela simplesmente assentiu, eu não costumava falar sobre o assunto. me acolheu de tal forma na época que eu nunca pude agradecê-lo suficientemente por isso. Ele era a única pessoa com a qual eu mantive contato do colegial e eu simplesmente agradecia por isso. Ele soube me entender quando eu disse o porquê de ter ido embora, ele me ajudou com , me arranjou um emprego na lanchonete do pai dele. Ele simplesmente virou a melhor pessoa do mundo naquela época.
- E sim, o também vem. – O encarei parado na entrada do Hakuna Batata, rindo ao ver erguer a sobrancelha para ele e o abraçar.
- Eu sabia que a minha mãe tinha chamado você.
- Sua mãe não vive sem mim.
- Eu desconfio disso mesmo. – Ela riu e ele piscou para ela.
- Você fica colocando pulga atrás da orelha da menina.
- Eu sou grande, mãe. E sei que amigos ficam.
- Eu nunca fiquei com , .
- E eu não gosto do Gabriel.
- Mentira...
- Então você está mentindo também. – gargalhou e me encarou.
- , vai pra fila faz o pedido de sempre – Entreguei o cartão a ela. – Você sabe a senha.
- Posso pegar bacon extra?
- Sim.
- E suco ao invés de refrigerante?
- Sim.
- E uma casquinha depois?
- ... – Ela deu ombros e foi pra fila enquanto eu olhei ao redor e procurei uma mesa livre na praça de alimentação.
- Então você nunca ficou comigo?
- Nos tínhamos vinte anos e estávamos bêbados.
- Foi ruim?
- Deixa de bobeira, .
- Daqui a pouco você me prende por desacato a autoridade.
- Você não enjoa dessas cantadas?
- Quem sabe um dia você me prenda de verdade. – Ele riu e depositou um beijo na minha bochecha fazendo sorrir ao observar a cena. Ela sempre fez brincadeirinhas sobre o “Tio ” ser meu namoradinho, mas não era. Podia existir tal hipótese? Poderia, mas desde o relacionamento com nunca entrei em qualquer outro relacionamento sério.
- quer ir em uma social hoje e dormir na casa da Rebecca.
- E você não quer deixar?
- Eu até deixo, mas você sabe. Eu me preocupo.
- Deixa, . Aproveita e sai comigo, vamos aproveitar a noite.
- Proposta interessante.
- E depois você vai pra minha casa.
- Você tem algum tipo de fetiche com fato de eu ser autoridade?
- Total. Eu, um mero psicólogo, estou aqui ao lado de uma delegada. Que poderia me prender a qualquer momento. – Eu topo a saída, mas sua casa, não.
- Qual o problema com minha casa?
- Tenho medo do seu apartamento, a última vez que bebemos e fomos pra sua casa não deu muito certo.
- Você definitivamente está lembrando daquela cena?


Flashback – Aquele da noite de bebedeira.

Vodca, Whisky, Caipirinha.

havia dormido e tinha comprado algumas bebidas, dizendo que me faria relaxar. Nos sentamos no sofá com alguns frios na vasilha de vidro e já havíamos acabado com pelo menos um litro de Caipirinha e misturado Whisky e Vodca. Não estávamos sãos e tampouco nos importando com o que acontecia ali.

- Beber, comer e conversar. Tem alguma coisa melhor? – Eu disse, jogando a cabeça pra trás.
- Beijar, sexo, transar, foder, fazer amor.
- Você não presta.
- Você se acostuma. Há quanto tempo você não transa?
- Sei lá, desde que as coisas desandaram em casa.
- Muito tempo. – Ele disse, me analisou de cima a baixo e me fez sentir um calafrio ao ver o sorriso sacana que meu melhor amigo deu ao ficar satisfeito com que via.
- Perdeu algo aqui, ?
- Felizmente não perdi nada. Mas posso ganhar – Ou eu estava imaginando coisas ou ele tinha acabado que flertar comigo. Me deitei com os pés para o alto escorados na parede e o encarei, em um minuto ele ria de alguma coisa aleatória e no outro ele curvou-se e encostou os lábios nos meus. O choque inicial me fez querer sair correndo dali. Era , meu melhor amigo e depois de tudo que havia acontecido, nunca pensei que rolaria algo com outra pessoa, podia parecer exagero, mas eu preferia ficar sozinha, evitar de me machucar novamente. Sair, me divertir e beijar caras por aí era plausível, mas namorar não era o plano. Tampouco me casar.
Só que pensar naquilo e naquele momento não era uma opção, quando a língua dele entrou em contato com a minha, eu prontamente ergui as mãos para envolver os cabelos curtos dele, mas ele me impediu, segurando minhas mãos para o alto e soltando-se da minha boca, desceu os lábios para meu pescoço, fazendo uma trilha lenta ali. Mas a orelha era meu ponto fraco, bastava um sopro ali e porra!
A boca dele mordiscou a ponta da orelha e meu gemido foi espontâneo, o olhar dele no meu também foi. Ele parou o que fazia e me encarou com a boca semi aberta, respirando forte depois do gemido. Aquela troca de olhares podia significar várias coisas, mas eu não conseguia decifrar nenhuma. Então depois de quase trinta segundos ou mais ali me encarando, ele simplesmente investiu contra mim com entusiasmo e eu senti... Aquela parte gigante e imponente se roçando contra o fundo molhado da minha calcinha fina de renda, estimulando a região que começou a gritar por contato, gritava pelo contato dele.
Eu tentei me manter concentrada no olhar dele no meu esboçando puro desejo e o sorriso sacana que ele dava, mas não deu. Já que no segundo seguinte meu calcanhar empurrou a bunda dele sobre mim de novo e ele roçou em mim novamente, fazendo o sorriso desfazer-se novamente. Há tempos eu não sabia o que era aquilo. Desde que nasceu, nunca mais tentou novamente e eu simplesmente me contentava com meus próprios dedos durante a madrugada. E aquilo pareceu rondar a mente de , que se abaixou, depositando beijos languidos sobre meu pescoço e subiu ao ouvido sussurrando:
- Se você disser que quer, eu me certifico de fazer você gritar.
- Não força, .
- Diz que quer, . – Ele disse rebolando levemente o membro e com todas as roupas a sensação já era boa demais.
- Eu quero... – Eu disse baixo, soando como um sussurro.
- O que você quer?
- Você, . Apenas você. – E então ele sentou-se me puxando para o colo dele e brincando com a barra da minha blusa e a puxando pra cima. O sutiã não estava ali e fez com que ele sorrisse, e fizesse todos meus órgãos chacoalharem. A boca foi com prontidão pro meu seio esquerdo, enquanto massageava o direito e eu entrei em trabalho, desabotoando a calça jeans e a comecei a massagear o membro pulsante do meu melhor amigo. Ele mordiscava meus seios e eu fazia um movimento de vai e vem. No momento que ele largou meu peito, eu ajoelhei-me abaixando a boxer e o envolvi com minha boca.
...
Depois de movimentos lentos e rápidos sendo alternados e dele gozar, senti ele me puxar pra cima com uma declaração mais do que calorosa.
- Eu preciso foder você agora. – Eu não hesitei, simplesmente fiquei do modo que ele tinha ficado e o senti entrar dentro de mim. E o resto da noite foi recheado de beijos, caricias e muito sexo.

Fim do Flashback


- Não penso naquilo.
- Jura?
- Claro. – Eu disse e girei os olhos.
- Eu penso sempre. – Ele disse e eu arregalei os olhos. – Qual é, ? A noite foi boa.
- Eu não me lembro nem de metade, .
- Ah não? Posso te lembrar qualquer dia desses.
- Lembrar o que? – chegou com os lanches e sentou-se sorridente na mesa. – Mãe, eu não queria dizer, mas tem um homem hiper gato te encarando, deve gostar de policiais.
- Ei! Eu sou um homem gato. – disse e girou os olhos.
- Mas você já olha todos os dias e a mamãe disse que vocês são amigos e que amigos adultos não ficam um com outro.
- Ah sua mãe disse? – Ele ergueu a sobrancelha e me encarou.
- Sim, eu disse.
- Interessante.
- Mãe, vai me liberar hoje?
- , amanhã eu te busco as 09:00.
- E você vai me dar dinheiro?
- Você vai pra casa da Rebecca, precisa de dinheiro?
- Qual é, Mãe?
- Não, nada de bebidas, ouviu?
- Não vou beber, mãe.
- Espero que não, .
- E você vai trabalhar amanhã?
- Não, eu cobri o Nicholas hoje, então amanhã estou livre.
- E você, ? – disse e encostou a mão no rosto se escorando.
- Não, vou tirar essa noite pra sair com sua mãe e amanhã acordar tarde.
- Sair com a mamãe, é?
- ... – Eu disse e ela ergueu a mão em rendição.
- Vamos que você tem curso de inglês ainda. – Eu disse e me levantei, sendo acompanhada pelos dois. deu um abraço em e entrou no carro. Parei de frente com ele, o abraçando e o puxei pra perto de mim. Ele depositou um beijo na minha bochecha.
- Quando quiser, eu te lembro de como foi.
- Eu sei como foi, bobinho. – Eu disse baixo e ele riu baixo, me causando um arrepio.
- Então eu te mostro como pode ser melhor. – Ele depositou um beijo no meu pescoço e se afastou. – E continua com esse uniforme, é sexy. – Ele piscou e saiu andando.
- Merda! – Eu praguejei pra mim mesma e para o úmido em minha calcinha, aquilo seria um problema. Ou a solução.

(...)


Deixei no curso e voltei para a delegacia. Eu detestava ficar parada ou em casos internos. Eu tinha plena noção do risco que corria com tal profissão. Tive essa certeza desde o inicio, quando decidi o que queria seguir. Mas tive também a paixão pelo o que eu fazia.
- Major .
- Sim, Coronel Bem
- Chegou a hora. Temos que ir
- Tudo bem, Coronel. Vou me preparar.
Peguei o celular na gaveta à esquerda da escrivaninha e digitei uma mensagem pra .

“Estou indo para um caso perigoso, já sabe né? Peça proteção por mim e qualquer coisa cuide da

Não esperei a resposta e caminhei pra fora da delegacia. Eu ficava nervosa diante de todos os casos, independente da gravidade. Era minha vida e de centenas de pessoas em risco. Então me restava arriscar e pedir proteção a qualquer força divina que pudesse me proteger.
- É o seguinte, eu quero pedir novamente para que redobremos o cuidado. O cuidado com a comunidade, com nossos cães, com nossa vida. Nós somos insubstituíveis, insubstituíveis na nossa família. Nós temos muito a perder e a possibilidade de um confronto é grande. Por isso, eu peço, redobrem o cuidado. Eles não tem nada a perder, são humanos? Sim, mas são bandidos e entraram nessa vida dispostos a tudo. Aqui estão as fotos dos focos da operação. Então vamos lá, vamos vencer e acabar com isso.
Adentramos as viaturas com o armamento necessário e eu olhei para os céus. Minha mãe sempre disse que o socorro vinha de lá. Então eu só pedia que me protegesse para que eu conseguisse seguir a vida com

(...)


As escadas eram estreitas e diversos policiais se dividiam entre a comunidade. O alerta já tinha começado e várias famílias entravam para as próprias casas fechando tudo que podiam. Alguns foguetes ou sinais de fumaça eram soltos para avisar os bandidos sobre a invasão e deixá-los de prontidão.
- Avança. – Eu disse enquanto os policiais que estavam comigo subiam a escadaria – Divide. Patrulha A pela direita e B, vamos pela frente.
Todos subiam atentos apontando as armas ao redor tentando se proteger e encontrar quem deveriam. Ouvi tiros em direção a nós e olhei pra cima, vendo Blade encostado no telhado de uma das casas enquanto mirava em um dos policiais.
- ‘Cês querem guerra, é? – O traficante gritou e a policial curvou-se, se escondendo enquanto os outros me davam cobertura para subir. A perseguição na ala frontal estava grande. Tinham encontrado Mônica e a prendido. Faltava Robert e Blade.
- Metade da patrulha C, entrem pela esquerda em busca de Robert. O resto venha pra cá junto com a patrulha B. O chefe tá aqui.
Cheguei pelo telhado atrás do chefe e me escondi nos lugares possíveis.
- Eu vou largar o aço. – Ele gritou enquanto um de nossos policiais subiu atrás de mim e ele o viu. Atirando em seguida. O tiro que era pra acertar em mim acertou no outro e eu posicionei a arma atirando de volta. O tiro quase acertou a perna, mas ele pulou para baixo, chamando reforços.
Desci as escadas atrás dele e encontrei um dos traficantes o protegendo. Ele apontava a arma pra mim, o que fez meu coração acelerar e o suor frio apossar-se de mim. Ele riu com sarcasmo e preparou para puxar o gatilho. Um de nossos cães desceu correndo a escadaria o atacando e me dando segurança pra preparar a arma e apontar para cabeça dele. O obrigando a se render.
- Bom garoto. – Passei a mão na cabeça do nosso cão e continuei descendo as escadas. O susto foi espontâneo quando uma bala passou próximo a mim. Aquilo não era novidade, mas não estavam atirando para se proteger e sim para me matar. Eu não iria morrer ali. Não agora.
Matar um dos fugitivos era o último plano a ser seguido, mas precisava colocar isso em pratica ali.
Escondi-me no canto da parede e vi Blade escondido do outro lado.
Ali éramos somente nós dois. Ou eu o matava, ou o pretendia. Ou morria, o que não era pra ser considerado uma possibilidade.
Arrisquei e me movi, atirei, recebendo uma bala de volta. Peguei toda coragem que eu tinha e saí de trás da parede, me aproximando. Vi Blade parar na minha frente e me encarar, parecia que ele tinha sangue nos olhos.
- Então a senhorinha tá querendo cobrar de mim?
- Eu estou fazendo o certo. É a consequência de se entrar nessa vida.
- Então vamos ver quem morre primeiro, tia. – Ele disse levantando a arma me dando apenas tempo de puxar o gatilho, acertar o peito dele e vê-lo cair em seguida. Sem possibilidade nenhuma de estar vivo. Era o que tinha de ser feito. Os policiais desceram e encararam ele deitado no chão. Eu respirava fortemente enquanto eles o levavam para viatura. Iríamos levar para o IML e dali pra frente já não era trabalho meu. O rádio tocou e me informaram que haviam pegado Robert, o algemado e me esperavam na saída da comunidade.
Ainda alerta, saí do local apontando as armas para onde deveria até chegar na entrada e encontrar Robert sendo colocado na viatura.
- E agora mulher, acha que pode? – O sujeito disse com deboche, enquanto me encara, rindo sarcástico.
- Seu direito é permanecer calado. De preferência.
- Se não vai fazer o que?
- Nada, nem eu e nem você. Já que seu lugar agora é apodrecer na cadeia. – Eu disse e não dei tempo dele responder.
O trabalho havia sido cumprido.
E eu estava feliz. Por bastante tempo.

(...)


- Gabriel, cuide bem da minha garotinha.
- Mãe, não sou criança. – Ela disse e eu ergui a sobrancelha rindo.
- Sim, Senhora. – Gabriel disse e acenou olhando pra baixo.
- Sou tão velha assim?
- Claro que não, Senhora.
- Então me chame de .
- Ou . – Ouvi a voz de parado com uma blusa social rosa claro dobrada até os cotovelos e uma calça jeans preta que combinava com o sapato.
- Cuidem-se. Mocinha, te busco as 9h amanhã.
- Ta bom mãe. Eu amo você. – Ela disse e me abraçou.
- Também amo você, boneca.
- E me ama também. – disse fazendo bico. – Não, espera! Estou extremamente bravo, como me manda uma mensagem daquela? Eu quase não consegui atender o resto dos pacientes.
- Eu precisava te avisar.
- Avisar nada mulher. Eu não iria perder você.
- Eu sempre corro esse risco.
- Por que ainda está de uniforme?
- Eu cheguei cansada e já estava saindo. Estava ajudando-a a se arrumar.
- E porque eu pedi.
- Nós vamos sair?
- Sim, você tem exatos. – Ele pensou e olhou para o relógio. – 43 minutos para se arrumar. – Ele se jogou no meu sofá e cruzou as pernas, eu subi as escadas pensando se aquilo era certo ou não. Mas depois de hoje, o que importava era viver. Independente de qualquer coisa. Desde que terminei com , minhas noites se resumiam em sair ou em filmes com . Aproveitei a época que consegui, beijava, bebia e fiz tudo o que tanto me privou. E agora eu estava ali, flertando com meu melhor amigo, a ponto de levar aquilo a diante, mas eu não queria impedir que isso acontecesse.
Eu queria contar até três e seguir em frente. Seja o que fosse aquilo, era bom demais pra fugir.

(...)


Depois de me arrumar, desci as escadas e não encontrei , apenas senti-o atrás de mim. Colocando as mãos na minha cintura e a respiração mais perto do que deveria. E um beijo lento no meu pescoço.
- Eu perderia toda a noite se fosse pra mostrar a você que pode ser ainda melhor. – Ele encostou a mão na alça fina da blusa preta que eu usava e a desceu levemente. Depositando um beijo ali e mordendo levemente. – Pra me certificar de fazer você gritar. – Ele colocou a mão esquerda por baixo da blusa, me puxando pra perto dele. – E mesmo que essa frase seja repetida, eu sei o efeito que ela causa em você. Sei cada coisa que você sente e como você gosta de sentir. Sei onde tocar. – Ele desenhou círculos na minha barriga e mordeu o lóbulo da minha orelha. – Sei onde beijar. – Ele me virou de frente pra ele e mordeu meu lábio inferior. – Sei exatamente como fazer você dizer sim. Mas eu não vou insistir, . Quero ver você dizendo que quer.
- Você não é mais um jovem, . Se quer fazer e se eu não o impedi até agora, simplesmente faça.
- Eu sei como fazer tudo relacionado a você, . É isso que você não entendeu. Eu tenho sentido tanta coisa nos últimos anos. Tenho reprimido tantas coisas, mas você está aqui agora. À minha mercê. E eu digo que eu preciso saber se você quer, porque se você quiser tentar, eu vou tentar com você. Eu vou ser diferente do idiota do seu ex. Eu vou ser teu se você quiser ser minha. – Os olhos dele encontraram os meus e eu não pude deixar de sorrir. E beijá-lo, com toda vontade que eu tinha.
- Isso foi um sim? - Ele perguntou, se afastando.
- Sim, . Sou tua. – Ele não hesitou em me puxar de volta e me beijar. Nada importava, mas tinha algo que sempre quis. E nada me impediria de realizar desejos de alguém que era meu. Interrompi o beijo e o encarei, o empurrando. – Vá para o quarto e me espera lá. – Ele riu, pensou em protestar mas somente subiu as escadas. Enquanto eu ia em busca do que precisava meu celular tocou e o identificador mostrou um número desconhecido.
- Alô?
- ?
- , o que foi? Aconteceu algo na delegacia?
- Não, . É sobre nós dois. Nós precisamos conversar, eu estou arrependido.
- Desculpe, mas eu não estou arrependida de nada disso. Passar bem.
E após desligar uma sensação de alívio apossou-se do meu corpo e da minha alma. Peguei as algemas no escritório e passei no banheiro para me trocar. Encontrar o sorriso de ao me ver vestida de Policial foi ótimo.
- Você pode usar essa roupa?
- Não vou ficar com ela por muito tempo. E você tem o direito de manter-se calado. Já que quem iria gritar hoje, segundo você, sou eu. – Ele não pensou, apenas me puxou pra perto de si e me beijou. Aquilo era o início de uma coisa que não precisava de desculpas ou de arrependimento. Um novo começo. E eu simplesmente não estava arrependida.





Fim



Nota da autora: Ui bebês, eu nunca sei o que escrever aqui, mas eu preciso, não é? Vamos começar pedindo desculpas, desculpem-me por qualquer erro, eu não sei nada sobre a profissão, mas me esforcei então qualquer erro. Relevem. Eu não levei a musica ao pé da letra, pois eu pensei muito antes de escrever. Quis retratar a vida de uma mulher forte que superou tudo que precisava e que é mãe solteira. Por quê só Deus, eu e outras milhares por ai sabem como é. Eu quero agradecer por terem lido e pela oportunidade. Eu amo vocês leitoras e obrigada pela chance Mands! <3.



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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