FFOBS - 05. Around U, por Li

Finalizada em: 30/11/2017

Capítulo Único



Fevereiro – 2017

Only see you now and then, but I know we could have it all


estacionou o carro na área de desembarque no aeroporto de Londres, checou o seu celular, olhando o aplicativo da companhia aérea e viu que o avião tinha aterrissado há algum tempo, então o seu namorado apareceria ali a qualquer momento. Há dez dias tinha viajado para Los Angeles, onde faria alguns ensaios fotográficos e teste de elenco para algumas produções americanas.
A mulher escutou duas batidas na janela do carro e viu o namorado, saiu do automóvel e lhe deu um abraço, que foi mais rápido do que ela desejava. Em seguida, o rapaz guardou sua mala de viagem no porta-malas e sentou-se no banco do passageiro.
- Como foi de viagem? - ela perguntou, depois que já tinha dirigido para fora da área do aeroporto.
- O primeiro voo foi uma merda, cheio de turbulência. - respondeu, coçando a cabeça que estava coberta por uma touca. - O segundo foi mais tranquilo e dormi um pouco.
- Sinto muito. - fez um bico e o fitou rapidamente.
Se ela pudesse definir o cansaço em forma de uma pessoa, esse ser seria , o redor de seus olhos estavam escuros e sua pele tinha perdido um pouco de seu brilho.
- Você pode dormir quando chegar em casa. - falou.
- Não tenha dúvidas. - riu fraco. - Como você está? - perguntou a fitando e notou que, diferente dele, ela parecia bem alegre.
- Tenho uma novidade. - confessou, mordendo o lábio inferior.
não tirava os olhos da estrada, mas podia notar que ele a encarava.
- O que é? - perguntou, curioso.
- Eu não quis te contar pelo telefone, mas eu fui promovida. - contou, sentindo-se extremamente feliz.
- Sério? - aumentou o tom de voz. - Que maravilha, meu amor. - disse, genuinamente orgulhoso da namorada. - Gerente?
- Uhum. - assentiu. - Vou ter um aumento de salário e não trabalho mais aos sábados. - o olhou por um segundo.
Se tinha uma coisa que ela detestava era levantar cedo aos finais de semana, e pelos últimos dois anos vinha fazendo isso, então estava nas nuvens com essa pequena conquista.
- Você merece. - ele colocou sua mão no ombro dela, fazendo uma carícia no local. - Já encontraram alguém para sua vaga?
- Sim, uma mocinha muito simpática, ela vai começar semana que vem.
fitou a namorada, encantado com o sorriso que ela tinha no rosto. Estava tão feliz por , ele sabia o quanto ela batalhava para ser a melhor no que fazia.
- E você? Nada dos testes ainda? - perguntou, se referindo às audições que ele tinha feito enquanto estava na cidade dos anjos.
- Ainda não. - suspirou, ainda com a mão no ombro dela. - Ficaram de me ligar, sabe como são essas coisas.
Ela fez uma careta, reconhecendo a insegurança na voz de seu namorado.
- Vai dar certo, . - falou, tentando lhe passar confiança.
- Assim espero.
Vinte minutos depois, o casal entrou na casa em que moravam. se ofereceu para desfazer a mala dele e lavar as roupas que estavam sujas, ele agradeceu a gentileza da namorada e foi tomar um banho para tentar relaxar um pouco. estava tão cansado que ao deitar na cama para descansar acabou pegando num sono profundo. A namorada entrou no quarto com as roupas dele, já limpas e secas, quando o viu deitado na cama, ela sorriu e o cobriu com o edredom, apagou a luz do cômodo e saiu do local.

estava fazendo macarronada quando escutou alguns barulhos no andar superior, provavelmente estava acordado e derrubou algo.
- Amor, precisamos de um abajur novo. - ele falou enquanto descia as escadas.
- O que aconteceu? - perguntou, se virando e notando o cabelo dele todo bagunçado.
- Fui acender a luz e calculei errado a distância, o abajur se espatifou no chão.
coçou os olhos, suspirando em seguida.
- Que cheiro delicioso, o que você tá fazendo? - parou ao lado dela, olhando para o fogão.
- Macarronada. - explicou e ele sorriu.
Ela fitou o namorado mais atentamente, reparando como ele ficava adorável com aquela cara de sono. E terrivelmente gostoso usando apenas uma calça moletom, seu peitoral parecia ainda mais definido.
- Dormiu bem?
- Apaguei gostoso. - riu fraco, a abraçando por trás e depositando um beijo no ombro dela.
aproveitou que os cabelos dela estavam presos em um coque alto e beijou o pescoço dela com cuidado, sugando a região levemente. A sentiu se contrair e sorriu satisfeito, mordiscou a pele de seu pescoço e a escutou protestar, o xingando baixinho.
- Senti sua falta. - sussurrou em seu ouvido, mordendo o lóbulo de sua orelha.
fechou os olhos, sentindo seu corpo inteiro arrepiar com os pequenos toques do namorado, fazia tanto tempo da última vez que o seu corpo implorava por . Ela se virou, o fitando nos olhos, ambos sorriram e aproximaram-se ainda mais. O primeiro contato de seus lábios foi gentil, apenas querendo matar as saudades que sentiam um do outro, segurou o rosto de com as duas mãos e aprofundou o beijo, fazendo suas línguas se reencontrarem depois de tanto tempo. Ela o envolveu pelo pescoço e fez um carinho gostoso em sua nuca, sentiu as mãos dele saírem de seu rosto e irem para sua cintura, onde ele a apertou de leve. deu alguns passos pra trás até sentir o seu quadril encostar no balcão, subiu um pouco a camiseta que ela usava, tocando a pele macia da barriga dela. Ele desgrudou os lábios dos dois e, com todo o cuidado do mundo, puxou o lábio inferior dela com os dentes, o que a fez gemer baixinho. O rapaz sorriu e beijou o queixo da namorada, descendo os toques pelo maxilar dela, até chegar em seu pescoço, onde novamente sugou aquela região.
- . - ela sussurrou, enfiando as mãos nos cabelos dele.
a puxou pelo shorts que ela usava e a pressionou contra o seu corpo, o que a fez sentir a excitação do namorado. rapidamente deu um impulso e envolveu o quadril do namorado com suas pernas, estreitando o espaço entre eles, o rapaz a colocou sentada no balcão e ela suspirou quando voltou a explorar o seu pescoço com vontade, inclinou seu corpo pra trás e acabou esbarrando em alguns utensílios de cozinha que estavam ali, o que a fez despertar de seu momento de prazer e se lembrar de algo muito importante.
- , o macarrão. - o empurrou levemente pelos ombros.
O rapaz bufou, demonstrando sua frustração em ser interrompido, se afastou dela para desligar o fogo.
- Você não está com fome? - ela perguntou.
- Sim, mas não é de comida. - respondeu, a fazendo rir.
Em um movimento rápido ele tirou a camiseta que ela usava e imediatamente voltou a atacar o pescoço dela. fechou olhos enquanto sentia a língua de explorar a pele sensível de seu colo, soltou um gemido quando ele chegou aos seus seios, beijando a parte que não estava protegida pelo sutiã.
- Merda. - reclamou, quando em um de seus movimentos, ela bateu a cabeça no armário.
- Sofá? - o rapaz ergueu a cabeça, a vendo assentir apressada.
Após se deitarem no sofá não demorou muito para que os seus corpos, finalmente, matassem as saudades que sentiam um do outro. O casal fez amor por três vezes antes de decidirem que era hora de comer para repor toda a energia que tinham gastado.


(…)


estava no último período da faculdade quando começou a trabalhar no Pet Lovers, um pet shop que ficava na região central de Londres. A mulher sempre amou os animais e acabou fazendo alguns cursos na área, o que lhe ajudou a conseguir o emprego. Poucos meses depois ela se formou na faculdade, nunca teve muita certeza do que gostaria de fazer pro resto da vida, então acabou estudando Administração, pois sabia que era um curso que abrangia várias áreas profissionais. E foi o curso superior que a ajudou na promoção para o cargo de gerência e, após os dois anos trabalhando como atendente no pet shop, ela foi promovida. Parker, o gerente da loja em que ela trabalhava, tinha sido transferido para a nova filial da Pet Lovers e a indicou para sua vaga. A carga horária era ótima e o salário melhor ainda, mas nada se comparava a oportunidade de ser responsável por aquele lugar que ela amava trabalhar. Claro que tinha um certo nervosismo por ser um cargo que exigia muito dela, mas a felicidade era tanta que a ansiedade acabava ficando de lado.
- Achou difícil? - perguntou para Emma, a jovem de dezenove anos que tinha sido contratada para ser a nova atendente do local.
- Nem tanto. - respondeu, analisando o sistema online do pet shop.
- Eu fiquei perdidinha na primeira semana, mas depois acostumei. - explicou, sorrindo. - Mas não se preocupe, se precisar de qualquer coisa é só me chamar.
- Obrigada, . - agradeceu.
Elas ouviram o barulho do sininho da porta, indicando que alguém entrava no local. Era Clive, o outro funcionário do Pet Lovers, que chegava com dois cães que tinha ido buscar na casa de clientes.
- Por que cachorros são obcecados com terra? - reclamou, o que fez as duas mulheres olharem para os animais, que estavam repletos de lama.
- Fizeram um belo trabalho aí, hein? - sorriu.
- Destruíram o jardim da casa deles. - balançou a cabeça negativamente.
Clive andou com os cães até o fundo da loja, onde ficava a parte de banho e tosa, que era separada por uma parede, devido ao barulho que fazia.
- Boa sorte. - ela desejou, se controlando para não rir do companheiro do trabalho. - Emma, quando ele terminar de dar banho no primeiro você vai lá e o seca, tudo bem? Para agilizar o processo.
- Não vai precisar de mim por aqui? - a moça perguntou.
- O movimento está tranquilo, Clive vai precisar mais de você do que eu. - afirmou, voltando sua atenção para o computador.
tinha que pedir por produtos que estavam quase em falta no estoque da loja, então focou na tarefa que precisava fazer.


Era quase sete da noite quando chegou em casa, tinha que se apressar pois iria a um evento com , entrou no quarto dos dois e viu o namorado parado em frente ao grande espelho que tinham ali, ele analisava o próprio visual, terno preto com camiseta social branca, o terno era lindo e tinha alguns detalhes no paletó.
- Oi. - o cumprimentou.
- Oi. - sorriu e se aproximou dela, lhe dando um selinho.
- Você está lindo. - elogiou, passando as mãos pelos ombros dele.
- Obrigado. - disse e acariciou o seu rosto.
o beijou novamente e foi direto para o banheiro, tinha que ser rápida para não se atrasarem. Dez minutos depois ela saiu dali com a toalha enrolada no corpo, agradeceu por ter levado seu vestido na lavanderia pois ela certamente não tinha ideia de como lavar a peça de roupa. Pouco tempo depois já usava seu vestido preto com mangas longas, seu comprimento era na altura do joelho e ficava perfeito no corpo dela. Caprichou um pouco na maquiagem, pois não era um evento qualquer e queria estar à altura de seu namorado, que estava maravilhoso. Os cabelos ela deixou ao natural, pois estavam comportados naquela noite.
- Como estou? - perguntou após descer as escadas e encontrar sentado no sofá, mexendo no celular enquanto esperava por ela.
Ele desviou os olhos do aparelho e fitou a namorada, arregalou os olhos minimamente e se levantou indo na direção dela.
- Não sei se conheço um adjetivo bom o suficiente pra te descrever essa noite.
corou com a fala do rapaz e riu fraco.
- Obrigada.
- Vamos, o táxi já deve estar chegando. - esticou a mão para ela, que entrelaçou seus dedos nos dele.
- Vai ter comida lá? - ela indagou enquanto saíam de casa. - Não tive tempo pra comer nada.
- Sim, sempre tem alguns aperitivos nesses eventos. - explicou, notando o táxi se aproximar.
- Aperitivo não é comida, . - reclamou e ele riu.
Os dois entraram no automóvel e o rapaz só conseguia rir da namorada, que lhe perguntou o que exatamente seriam os tais aperitivos que iriam servir no evento.

trabalhava como modelo há quase dois anos, tudo começou quando a banda que ele fazia parte resolveu tirar férias por tempo indeterminado. Sua carreira de músico se iniciou quando ele tinha apenas quinze anos de idade, então boa parte da sua adolescência e vida adulta ele passou tocando nos palcos ao redor do mundo. Mas agora o ritmo era bem diferente, ele continuava viajando a trabalho, mas com menos frequência e para países não tão distantes.
Ser modelo nunca foi um objetivo de vida para ele, mas com a pausa da sua banda e falta de trabalho ele não teve muitas alternativas, e foi nesse época que um famoso agente de modelos o procurou e o rapaz acabou aceitando a oportunidade que a vida estava lhe oferecendo.
não poderia dizer que amava ser modelo, no começo teve muitas dificuldades, pois não se sentia confortável em ser fotografado e sofreu para aprender a desfilar, mas com o tempo foi se acostumando e agora sabia muito bem o que estava fazendo. Entretanto, se tinha uma coisa com a qual ele nunca se habituaria era com os eventos de moda, era extremamente difícil para o rapaz se sentir bem nesses lugares. Infelizmente, tinha a obrigação, como modelo, em ser sociável e simpático com todos, o que era complicado para , que sempre foi uma pessoa introvertida, principalmente com estranhos. Mas até que ele vinha se saindo muito bem, o sorriso era constante em seu rosto e a presença de também era um fator positivo, pois ela sempre o fazia se divertir nesses eventos.
- Não aguento mais sorrir. - ela resmungou enquanto andavam pelo pequeno tapete vermelho.
- Falta pouco. - a olhou, sorrindo.
assentiu e se esforçou para não bocejar, o cansaço do dia de trabalho tinha chegado. Andaram mais alguns metros enquanto os fotógrafos tiravam fotos do casal, um deles pediu para fotografar sozinho e o rapaz não gostou muito da ideia, mas sabia que era necessário. A namorada se afastou dele e ficou em um canto o observando ser fotografado.
- Por hoje é só. - ele se aproximou e a viu franzir a testa. - Sem mais fotos. - explicou.
- Ainda bem. - segurou a mão dele, os dois caminharam para a entrada do evento. - Me sinto nua quando eles tiram fotos, é bizarro. - balançou a cabeça negativamente.
riu do comentário dela e parou de andar por um momento, ela o olhou sem entender.
- Que foi?
- Droga, . - reclamou e a fitou.
- Fiz algo errado? - apontou para si própria.
- Agora eu estou te imaginando nua. - admitiu, a fazendo gargalhar.
Ela se inclinou, lhe dando um selinho e acariciou a bochecha dele.
- Quer ir embora? - sorriu divertida.
- Quem me dera. - suspirou, negando com a cabeça. - Mas a senhorita vai me pagar quando chegarmos em casa.
- Com todo o prazer. - piscou pra ele. - Só que primeiro tenho que me abastecer, meu dinossauro interior está quase comendo meu fígado, . - fez um bico, que ele achou adorável.
- Vem, vamos comer algo. - voltou a andar, a puxando pela mão.


Abril – 2017

I see really big things for us, we just need to break through


sentia sua cabeça latejando, foi despertando aos poucos e a dor era tão forte que ela mal conseguia raciocinar direito, abriu os olhos e cutucou o namorado, que resmungou em resposta.
- , acorda. - murmurou, gemendo em seguida.
O murmúrio dela despertou o rapaz, que acendeu abajur e se virou. estava encolhida e lágrimas saiam de seus olhos.
- Você está bem? - franziu a testa.
- Dor de cabeça. - sussurrou, respirando fundo.
Ele entendeu perfeitamente o que estava acontecendo, sempre tinha crises de enxaqueca quando se estressava, aquela dor a fazia perder a noção de qualquer coisa. Ver a namorada naquela situação incomodava profundamente, queria ser capaz de eliminar a dor que que ela sentia, tudo pra não vê-la sofrendo daquela maneira.
- Aqui, meu anjo. - sentou-se na cama e lhe entregou um analgésico com um copo de água.
A mulher nem sentou direito, tomou o remédio do jeito que deu e voltou a se deitar, desejando que aquele comprimido fizesse efeito logo. O rapaz desligou o abajur e se ajeitou ao lado da namorada, ficando de frente pra ela e esticou a mão até seus cabelos, onde começou a fazer um carinho gostoso. E foi assim que ela voltou a dormir, sentindo o afago do namorado em sua cabeça.

Ela acordou se sentindo um pouco grogue, efeito causado pelo forte remédio para dor de cabeça que tinha tomado, bocejou algumas vezes e olhou pro lado, dormia de barriga pra cima e tinha os dois braços atrás da cabeça.
- Tá melhor? - a voz dele a assustou, o que o fez rir por um momento.
- Achei que estivesse dormindo. - sussurrou e ele abriu os olhos.
- Acordei não tem cinco minutos. - explicou, a fitando. - Melhorou?
- Uhum. - respondeu, sentando-se.
Ele fez o mesmo e se encostou na cabeceira.
- Aconteceu algo no pet? - perguntou, suspeitando que a enxaqueca dela era relacionada com o trabalho.
- Um cão mordeu o Clive e foi uma loucura, literalmente. - fechou os olhos por um momento. - Ele esqueceu de colocar a focinheira em um cachorro que odeia tomar banho e acabou levando a pior, ele foi pro hospital e terminei o cão porque a Emma estava com medo.
- Ele está bem?
- Clive teve que tomar alguns pontos no braço. - contou e o viu assentir. - Vai ficar alguns dias afastado.
- E você vai fazer o trabalho dele?
- Sim, mas eu não ligo. - afirmou e mordeu o lábio inferior. - Só que foi um dia estressante e assustador.
- Imagino. - sorriu brevemente.
voltou a se deitar e a puxou para si, lhe dando um abraço apertado e a encaixando em seu corpo, beijou o topo da cabeça dela e acariciou os seus cabelos.
- Estou com fome. - resmungou e ele riu fraco.
- Vou fazer algo pra gente comer. - dessa vez beijou a testa dela. - Não precisa descer, eu trago aqui.
balançou a cabeça positivamente e sorriu, viu o namorado se levantar e sair do quarto. Ela voltou a sentar-se e pegou o seu celular, e viu que ainda estava cedo e não precisava se apressar para ir ao trabalho, o aparelho vibrou em sua mão, olhou no visor e viu o nome de seu primo.
- Oi, . - atendeu e se surpreendeu ao ouvir a voz da namorada dele em resposta.
- , adivinha o que aconteceu? - a mulher estava empolgada e deixava isso muito claro em seu tom de voz.
- Ganhou na loteria? - brincou e a outra riu.
- Não, estou noiva, sua boba.
- O quê? - praticamente gritou. - Quando isso aconteceu?
- Ontem à noite, estou tão feliz.
- Isso é maravilhoso, . - disse, genuinamente alegre pela mulher. - Demorou, hein?
- Nem me fale, o seu primo me enrolou mesmo. - zombou do noivo, que estava ao lado dela e resmungou algo, fazendo rir.
- Parabéns ao casal. - ela desejou. - Serei madrinha, né? Se não for eu me recuso a ir nessa cerimônia. - falou, divertida.
- Mas não tenha dúvidas disso. - garantiu. - Você e o estarão no altar conosco.
- Ainda bem. - respondeu. - Estou tão feliz por vocês. - sorriu e viu o namorado voltando ao quarto, segurando uma bandeja.
- , tenho que ir agora, depois a gente se fala mais.
- Tudo bem, parabéns de novo. - sorriu.
- Obrigada. - a outra agradeceu e elas encerraram a ligação.
colocou a bandeja na cama e fitou a namorada, querendo saber quem era no telefone.
- Temos um casamento pra ir. - ela o avisou, comendo alguns pedaços de fruta.
- Temos? - franziu a testa.
- e estão noivos. - sorriu.
O rapaz levou alguns segundos para processar aquela informação.
- Sério? De verdade?
- Sim, amor. - estreitou o olhar, não entendendo aquela reação dele. - Por que a surpresa?
- Estão juntos desde sempre que nunca achei que fossem oficializar, sabe?
o analisou, tentando descobrir se aquela frase tinha algum outro sentido.
- não falou nada com você? - perguntou e o viu negar.
- Então foi uma surpresa pra todos mesmo. - comentou e o viu sentar na cama.
tomou o café que tinha ali e seus pensamentos continuaram na novidade que acabara de saber, seu melhor amigo ia se casar.
- Nós vamos ser padrinhos. - escutou a namorada dizer e a fitou.
- Já tem data? - perguntou, curioso.
- Acho que ainda não. - mordeu o lábio inferior, pensativa. - Você realmente achou que eles nunca fossem se casar? - questionou, estava intrigada com o que ele tinha dito.
- Sinceramente? - arqueou as sobrancelhas. - Não. - respondeu. - Quando a engravidou achei que, talvez, a pediria em casamento. Mas como não aconteceu naquela época, pensei que nunca se casariam. - explicou e a viu assentir.
- Acho que cada um tem o seu tempo. - comentou e sentiu o olhar dele em si.
a examinou por um momento, tentando descobrir se ela estava chateada com o que ele disse, mas não conseguiu decifrar nada pois a feição da namorada continuava neutra.
- O que você vai fazer hoje? - a ouviu perguntar e balançou a cabeça rapidamente.
- Tenho um compromisso de trabalho à tarde e um evento à noite, você vai comigo?
- Acho que não consigo, . - lamentou, fazendo uma careta. - Sem o Clive o pet fica uma loucura e não tenho hora pra sair. - fez um bico. - Desculpa.
- Não tem problemas. - se inclinou, beijando sua testa. - Eu te levo pro trabalho.
sorriu em agradecimento, era tão bom ter o apoio do namorado nesses momentos.


(…)



sorriu brevemente se ajeitando no meio dos outros homens enquanto algumas fotos eram tiradas, ele e mais três modelos foram convidados para responderem às perguntas de jornalistas especializados em moda. Após uma hora falando sobre beleza e estilo, estava exausto psicologicamente, ele assentiu quando o fotógrafo agradeceu e dispensou todos, observou ao redor e viu os rapazes conversando sobre os planos para àquela noite, eles iam ao lançamento de uma renomada marca de relógios.
- Empolgado para hoje? - um dos modelos indagou para .
- Claro. - respondeu, sorrindo sem mostrar os dentes.
- Vai acompanhado?
- Não, minha namorada vai trabalhar até mais tarde. - falou e viu o outro assentir.
- Kelsey está na loja comprando um vestido, ela tem milhares no armário, mas sabe como são as mulheres. - riu nasalado.
apenas concordou com a cabeça, sentia que o cansaço psicológico estava lhe afetando mais do que gostaria. Então, percebeu que era hora de ir pra casa, ainda tinha muito o que fazer antes do evento, se despediu dos companheiros de trabalho e pegou seu carro, dirigindo até o bairro de Richmond, onde morava com .

tirou um cochilo e sentiu-se um pouco melhor, olhou em seu celular e viu que ainda faltavam pouco mais de duas horas para começar a se arrumar e decidiu que precisava organizar suas coisas, uma vez que vinha adiando aquilo por um bom tempo. Já tinha arrumado sua parte do guarda-roupa, seu lado da pia no banheiro e até jogado alguns produtos fora, que estavam fora da validade. Agora ele terminava de organizar sua sapateira, colocando os sapatos em ordem, sorriu satisfeito com o resultado e tirou uma foto, enviando para com a intenção de distraí-la um pouco do dia atribulado que ela estava tendo, pouco tempo depois ela respondeu:

“Você merece até um petisco depois disso”


Ele gargalhou com a mensagem dela, sempre arrumava um jeito de se divertir com qualquer coisa. E esse era um dos motivos para ele amá-la, o humor de sua namorada era bem parecido com o dele, o que o deixava confortável e tranquilo ao seu lado.

Sentiu o celular vibrar e notou que ela tinha mandado outra mensagem:

“Se você arrumar os meus sapatos, levo pizza pro jantar”


O rapaz sorriu, se preparando para responder, mas parou quando viu que ela digitava algo:

“E um petisco também”


Ele riu de novo e respondeu rapidamente:

“Fechado! Menos a parte do petisco”



cumpriu o prometido e começou a organizar a sapateira dela, por mais incrível que pareça, tinha menos sapatos que o namorado, então o trabalho seria muito fácil. Pouco tempo depois ele já tinha feito sua parte e foi se arrumar para o evento, pois agora se demorasse um pouco mais acabaria se atrasando.

Ele sentiu o celular vibrando no bolso frontal da sua calça social, deu mais um gole em sua bebida e pegou o aparelho, vendo que a namorada tinha lhe mandado uma mensagem:

“Sei exatamente o que vai acontecer, mas sempre fico apavorada haha”


riu, sem entender muito bem do que ela falava, mas então uma foto chegou e ele clicou para fazer o download, deu zoom e notou duas crianças na imagem, no segundo seguinte já sabia do que aquilo se tratava.

“Eu não acredito que você está assistindo Jurassic Park sem mim e ainda tem a ousadia de mandar uma foto da nossa cena favorita, é isso mesmo?”


Enviou, segurando o riso, pois tinha certeza que ela iria rir com a mensagem dele. Ele se referia a uma das cenas finais do filme, em que os irmãos fugiam de dinossauros e se escondiam em uma cozinha, enganando os répteis. Essa cena, inclusive, era considerada uma das melhores partes do filme de 1993.

“E o dino bateu a cabeça, que burro. Se bem que eu sou humana e também acho que o reflexo da menina é ela mesma.”


Ele leu e riu, sabendo que ela tinha escrito aquilo antes de receber a mensagem que tinha mandado, pois via que ela digitava algo.

“Fica bravinho não, estou com saudades e assisto esse filme para lembrar de você.”


Foi inevitável não sorrir, sabia exatamente como derreter o seu coração e melhorar sua noite. Naquele momento ele desejou largar tudo o que estava fazendo e correr para casa, louco de vontade de encher a namorada de beijos, mas infelizmente a obrigação falava mais alto e ele precisava estar ali.

“E eu daria tudo pra estar com você agora.”


Foi o que ele respondeu e deu um longo suspiro.

“Tá sendo fofo só pra eu deixar mais pizza pra você, né?”


balançou a cabeça, se preparou pra responder, mas ela foi mais rápida que ele.

“Te amo.”


Ele fechou os olhos após ler aquelas duas palavras, que mesmo após quase seis anos de namoro significavam tanto para os dois. Só eles sabiam o quanto se amavam e se importavam um com o outro, o relacionamento deles era algo praticamente indestrutível, por isso que vinha guardando tanta coisa dentro de seu peito, tinha pavor só de pensar em dizer algo e ver tudo o que eles tinham construído todos esses anos desmoronar.
Os últimos meses não estavam sendo fáceis para o rapaz e ele sentia que estava perdendo a cabeça, sua viagem para Los Angeles tinha sido a última esperança para sua carreira de ator finalmente decolar, mas nada saiu como o planejado pois ele foi recusado em todos os testes que tinha feito. A rejeição abalou de uma maneira que ele nem poderia imaginar, sua confiança tinha evaporado e sentia-se um lixo. Por fora ele mantinha o sorriso no rosto, mas por dentro estava completamente destruído.
Sua vida profissional parecia um carro sem freios descendo uma ladeira, nada dava certo. Ele havia falhado em praticamente todos os seus projetos, a única coisa que ainda conseguia ter um pouco de êxito era na sua carreira de modelo, porém ele não se sentia completamente satisfeito, aquilo não o preenchia o suficiente e até agora não tinha descoberto nada para ocupar o vazio que vinha sentindo.
queria dar um basta nessa confusão mental que vivia e ele sabia que precisava conversar com alguém, o seu conselheiro sempre lhe dizia para não guardar o que ele sentia e que desabafar com alguém de sua confiança era sempre a melhor opção, pois do contrário esses sentimentos poderiam levá-lo a lugares sombrios e que talvez não conseguisse sair de lá sem ajuda. Mas não queria parecer incapaz, ainda mais se tratando de , que era alguém extremamente importante para ele, por isso ele mantinha tudo em segredo, não queria que ela o visse como alguém fraco, pois tinha medo de perdê-la. Mesmo sabendo que o amava, não tinha tanta certeza assim se ela continuaria ao lado dele se a decepcionasse novamente.


FLASHBACK – Fevereiro 2011.

Stop thinking about the easy way out
There's no need to go and blow the candle out
Because you're not done
You're far too young….


estacionou seu carro, um mini cooper prata, ao lado do automóvel de , um Audi Q7 branco. Ela estranhou ao ver que o porta-malas estava aberto, em seguida, viu se aproximar carregando uma mala e depois a colocando dentro do veículo.
Ela saiu de seu carro e o seu primo acenou com a cabeça.
- vai viajar? - franziu a testa enquanto ele fechava o porta-malas.
- Não exatamente. - respondeu e soltou um suspiro. - Vocês precisam conversar. - trancou o carro do amigo e andou até , lhe abraçando brevemente.
- O que aconteceu? - o encarou.
- Vamos entrar? - indagou e ela assentiu.
Os dois caminharam até a residência de , o rapaz abriu a porta pra ela e após passarem por um pequeno corredor chegaram na sala da casa. estava absorto em pensamentos e não percebeu os dois chegando no local, só despertou quando escutou uma voz feminina o chamando e seu corpo estremeceu ao reconhecer quem dizia o seu nome.
- … - a fitou, notando que ela parecia confusa.
- Você quer que eu fique aqui? - , que estava ao lado da mulher, indagou.
- Não precisa. - o outro garantiu. - Tenho que fazer isso sozinho.
- Vocês estão me assustando. - ela admitiu, revezando o olhar entre eles.
- . - falou, a fazendo fixar o olhar nele. - Tenha paciência e seja compreensiva, tá? - pediu, a confundindo ainda mais.
Ele beijou sua testa e em seguida acenou para , deixando o local.
- Acho que é você que vai me explicar o que está acontecendo. - mordeu o lábio inferior e sentou ao lado dele no sofá.
notava que o amigo estava apreensivo, então ela esticou seu braço e puxou uma das mãos dele, a segurando entre as suas, querendo lhe passar tranquilidade e confiança.
- Amanhã vou pra rehab. - confessou de uma vez, sem coragem pra encarar sua amiga.
- O quê? - retrucou, perplexa.
- Cheguei no meu limite. - admitiu e fechou os olhos. - Eu não tenho mais controle sobre o meu vício, na verdade, eu achava que tinha, mas fui tolo por pensar assim… eles sempre me dominaram.
- Centro de reabilitação? - ela questionou, pra ter certeza se tinha escutado direito e o viu assentir. - Você tem certeza do que está me falando?
- Sim, . - confirmou.
- Pelo quê?
- Bebida… - ele ainda não tinha coragem para encará-la. - ...e drogas.
fechou os olhos, ela não era idiota, sabia que acabava exagerando no álcool, uma vez que ela mesma já tinha servido de motorista pra ele em diversas ocasiões. Porém, em sua mente inocente, pensou que o amigo tinha tudo sob controle, da mesma forma que tinha, pois esse era outro que bebia mais do que devia, mas quando decidiu que não queria mais ingerir bebida alcoólica, conseguiu parar por conta própria. Então, era chocante perceber que o mesmo não aconteceria com , pois a situação dele se tornou tão grave que ele precisava de ajuda profissional.
Ela ainda não conseguia compreender direito o fato do amigo usar drogas ilícitas, aquilo era definitivamente uma supresa pra ela, nem sabia que ele conhecia pessoas que tinham acesso a esse tipo de coisa. E jamais imaginou que ele usaria qualquer coisa ilegal. Mas, novamente, tudo aquilo era um choque para , que ainda pensava no que dizer.
- Você me odeia? - a voz de a tirou de seus devaneios.
Ela não lhe respondeu, apenas o fitou e ele entendeu o seu silêncio como uma resposta positiva para a sua pergunta. Só que ficou calada pois realmente não sabia o que dizer naquele momento, seu cérebro ainda processava todas aquelas novas informações e ela não se sentia capaz de proferir uma palavra sequer.
- Preciso te contar outra coisa. - a voz dele saiu tão baixa que ela quase não o escutou
Ele engoliu em seco, tentando criar coragem para lhe contar a verdade.
- Eu tentei me matar.
arregalou os olhos, aquilo não era possível. tentou dar um fim a sua vida?
- Você o quê? - finalmente conseguiu dizer algo.
Ela sentiu os olhos queimando e uma sensação horrível tomando conta de seu corpo.
Ele não repetiria o que tinha dito, simplesmente não conseguia. Não seria capaz de dizer aquilo novamente, ainda mais quando viu os olhos dela se avermelhando e enchendo de lágrimas.
estava desesperada, aquela notícia tinha sido um soco na boca de seu estômago, não queria acreditar, era impossível. Ele estava tão mal a ponto de tentar tirar sua própria vida? Como ela não percebeu antes? Que péssima amiga ela era, não teve a capacidade de notar que seu melhor amigo estava destruído por dentro e precisando urgentemente dela.
- Me perdoa, . - pediu, com a voz embargada. - Eu não percebi que você precisava de ajuda, eu devia ter notado algo, era minha obrigação comigo amiga e…
- Não, . - foi interrompida por ele, que segurou suas mãos. - Não tinha como você saber, eu sempre escondi tudo muito bem. - admitiu e a viu fechar os olhos, em seguida, lágrimas desciam por suas bochechas. - Por favor, não me odeie. - sussurrou, não aguentava ver sua amiga daquele jeito.
- Eu não te odeio. - garantiu, abrindo os olhos. - Se tem uma coisa que nunca vou sentir por você é ódio.
Então ela se jogou nos braços dele, o puxando para si e o envolvendo pelo pescoço, usando toda a força que conseguia. retribuiu o abraço na mesma intensidade de , apertou sua cintura e afundou o rosto no pescoço da mulher. Sentia o pequeno corpo dela tremer contra o seu, ela estava aos prantos e suas lágrimas molhavam a camiseta que ele usava, mas isso não tinha importância alguma agora. Ele estava tão grato por ter o apoio dela nesse momento difícil, era uma das pessoas mais importantes de sua vida e saber que ela não o odiava era um incentivo a mais para ficar sóbrio.
- Eu não quero te perder, . - afirmou, quando ele segurou o rosto dela em suas mãos.
- Você não vai. - assegurou, tentando enxugar as lágrimas dela e as suas próprias, pois em algum momento ele também começou a chorar.
encarou o amigo, notando como ele estava machucado, sua expressão era doída, de alguém que guardava um grande sofrimento dentro de si e o que ela mais desejava naquele momento era acabar com aquilo. O abraçou novamente, esperando que esse gesto de afeto fosse o suficiente para aliavar um pouco a dor que ele sentia.


Don't let it get the best of you
You'll make it out alive...



Um mês depois.
sentiu o coração acelerado, suas mãos tremiam e ela não conseguia ficar parada, se encostou no carro de e seus olhos estavam fixos na entrada da cliníca de reabilitação. Ela segurou a respiração quando viu a porta ser aberta, a expectativa de ver seu melhor amigo sair dali era enorme, estava difícil controlar suas próprias emoções. Soltou um muxoxo quando um casal saiu pela porta que tinha sido aberta.
- Se acalme, mulher. - murmurou e abaixou a cabeça, respirando fundo.
Mordeu o lábio inferior e ergueu sua cabeça, viu a porta sendo aberta novamente e, dessa vez, avistou saindo dali segurando uma bolsa em sua mão, o homem segurou a porta para que alguém passasse. imediamente se desencostou do carro e ajeitou sua postura, engoliu em seco ao ver , que ria de algo que o amigo tinha dito. Ela suspirou e quase sentiu seu cérebro falhar quando o olhar dele encontrou com o seu, não sabia se sorria, se chorava, se andava até ele ou se ficava parada onde estava, seu corpo não tinha reação alguma, então a última opção apareceu ser a mais apropriada. continuou no mesmo lugar, observando se aproximar cada vez mais.
- Você está bem? - ele perguntou, no momento em que parou na sua frente, o rapaz tinha um sorriso nos lábios.
- Eu… - respondeu em um fio de voz.
- Você? - a incentivou, arqueando as sobrancelhas.
esticou sua mão direita e tocou a bochecha de , fazendo um carinho gostoso ali. E o toque do rapaz fez a mulher despertar daquele seu pequeno transe, deu dois passos pra frente e abraçou o amigo pelo pescoço, a envolveu pela cintura com uma mão e com a outra acariciou os cabelos de , que tinha o rosto afundado no pescoço do rapaz.
- Senti sua falta, meu anjo. - ele sussurrou e em seguida se arrepiou com um beijo dela em uma das regiões mais sensíveis de seu corpo.
se afastou lentamente e o encarou, era visível que estava diferente, sua pele aparentava estar mais saudável e seus olhos tinham recuperado o brilho que ela não via há tempos.
- Você voltou. - ela finalmente disse algo, ficando na ponta dos pés e beijando a testa dele.

Fim do FLASHBACK

Maio – 2017


If only you’d let me in, I could be there
Just tell me where and tell me when…



e se conheceram no teste de uma banda da qual fizeram parte por uma década, tinha dezessete anos, na época, enquanto era um menino de apenas quinze anos de idade. Os dois tinham gostos musicais parecidos e moravam perto um do outro, então a amizade entre eles acabou se tornando algo natural e, quase quinze anos depois, os dois continuavam amigos.

era primo de e foi através dele que ela conheceu , foi no camarim de um show da banda que a menina de dezoito anos viu o rapaz de vinte e um anos pela primeira vez. Ela o achou meio esquisito e um tanto tímido, então mal se falaram naquele dia, mas semanas depois ela o reencontrou na casa de seu primo e só ali teve a oportunidade de conhecer melhor. Ele demorou a se soltar com ela, mas depois de algumas horas se mostrou um rapaz brincalhão e divertido, o que fez gostar dele pra valer. Os dois acabaram se tornando amigos, o que não foi uma surpresa para , afinal ele conhecia os dois bem o suficiente para saber que dali só poderia nascer uma grande amizade.

namorava há nove anos, ela também era música e os dois se conheceram quando ela tocou violino em uma das turnês da banda que ele tocava. Os dois eram a prova viva que amor à primeira vista existia, a primeira troca de olhares foi o suficiente para se apaixonarem e estavam juntos desde então. O relacionamento deles era estável e feliz, ambos eram tranquilos e raramente brigavam por algo, a conexão deles era algo de admirar.
Há pouco mais de um ano descobriu que estava grávida do primeira filha do casal, ficou nas nuvens quando soube da novidade, pois ele sempre sonhou em ser pai e o nascimento de Chloe o fez ser alguém ainda melhor, ele enfim sentia-se completo em todos os aspectos de sua vida e isso foi o incentivo final que ele precisava para oficializar a união com . Naquela altura do campeonato ele sabia que não esperavam mais que eles se casassem, mas o rapaz adorava surpreender a todos, então ficou bem satisfeito com o choque as pessoas quando ficavam sabendo que ele tinha pedido em casamento.
- Você ganhou na loteria? - olhou para o primo, enquanto analisava o anel que ele havia dado para a sua noiva.
O quarteto – e a pequena Chloe – estavam na casa de e , depois de muito tempo combinando e desmarcando, eles tinham conseguido se encontrar para celebrar o noivado do casal.
- Meu noivo tem algum tesouro escondido por aí e nunca nos contou. - a mulher riu, vendo a outra assentir.
- Da-da. - a bebê se manifestou, apontando para o pai, que estava sentado ao seu lado.
Chloe estava em seu cadeirão e esticou os braços para , que se levantou para pegá-la no colo. desviou sua atenção para o seu primo, observando como ele era um pai maravilhoso para a pequena.
- Vocês já têm uma data? - , que estava ao lado de , indagou.
- Ainda não. - respondeu. - Mas provavelmente ano que vem, a Chloe vai estar maiorzinha e poderá levar as alianças. - sorriu, com um brilho no olhar.
- Vai ser a coisa mais fofa desse mundo. - comentou, fitando a mulher e depois o namorado.
fez um barulho estranho com a boca, chamando a atenção de todos.
- Acho que alguém precisa trocar a fralda. - anunciou, fazendo uma careta.
- Deixa comigo. - a prima se ofereceu e levantou-se.
O rapaz sorriu agradecido e entregou a filha para , que a pegou no colo e saiu da cozinha, onde eles comiam alguns aperitivos.
- E você, ? - Judd aproveitou que a prima saiu do local.
O outro franziu a testa, tentando entender do que o amigo falava.
- Pretende casar com a ? - o questionou e deu uma risadinha, descrente da atitude de seu noivo.
fitou o amigo e balançou a cabeça.
- Por que não? - deu de ombros e estreitou o olhar em sua direção.
- Não vai enrolar minha priminha, hein? - brincou.
- Igual você fez comigo? - retrucou, para o espanto do homem, mas ao olhar para sua noiva viu que ela segurava o riso. - Deixe o em paz, só ele e a saberão o momento ideal para oficializarem a união deles. - defendeu o rapaz, que se surpreendeu com a atitude da mulher.
- Cada um tem o seu tempo. - falou, repetindo uma frase que tinha lhe dito uma vez. - Mas não se preocupe, , serei diferente de você. - debochou do amigo, que estava claramente indignado com os dois, que não perdiam a oportunidade de tirar sarro dele.
Os três sabiam que aquilo era apenas uma implicância entre eles, era a maneira que encontravam de zombarem um ao outro, nada mais que isso.
- Voltamos, limpas e cheirosas. - anunciou enquanto entrava na cozinha.
Ela dessa vez sentou ao lado de , que sorriu para duas e brincou com Chloe. Um apito se fez presente no local, avisando que a comida que estava no forno tinha acabado de ficar pronta.
- Finalmente. - se levantou. - Estou faminto.
O jantar foi macarronada com vegetais e salmão assado, a comida estava deliciosa e até Chloe, que não era fã de macarrão, acabou provando um pouco da massa. O papo durante o jantar foi bem agradável e descontraído, o que já era comum para o quarteto que sempre tivera muita intimidade para conversar sobre qualquer coisa. A sobremesa foi o prático e delicioso sorvete de chocolate, que comprou no mercado um pouco antes de chegar na casa dos amigos, o casal mais novo decidiu que era hora de ir embora um pouco depois que colocou Chloe para dormir. Os dois podiam imaginar como era cansativo ter um bebê em casa, então decidiram deixar os amigos descansarem um pouco, eles se despediram prometendo marcar um novo encontro o mais rápido possível.

- Já vai dormir? - perguntou à assim que entraram em casa.
- Vou deitar, mas dormir ainda não. - respondeu, tirando os sapatos que usava.
Ele assentiu e trancou a porta da casa, ao se virar notou que a namorada o encarava com a testa franzida.
- Que foi?
- Você vai dormir? - devolveu a pergunta.
- Não, eu ia perguntar se você queria assistir um filme. - deu de ombros e agora foi a vez dele tirar os sapatos.
- Ah… - mordeu o lábio inferior. - Pode ser…
a fitou novamente, estranhando a resposta da namorada.
- Tá tudo bem?
Ela o encarou, ponderando se falaria sobre o que estava pensando desde que saíram da casa de seu primo.
- ? - a chamou, praticamente lhe incentivando a dizer algo.
- Não é estranho? - franziu a testa. - e estão noivos, vão se casar. - riu fraco.
- Como assim?
- Eles vão ser marido e mulher. - continuou, ainda o olhando.
- Meu amor, você não está fazendo muito sentido.
estava confuso com o que ela dizia, sem entender o propósito daqueles comentários.
- Eu sei. - ela riu de si própria. - Mas sabe quando você percebe que é um adulto?
- Não? - ele fez uma careta.
- Ai, ...quando eu era criança e via os adultos se casando achava tão mágico, sabe? Quase algo inalcançável e agora os nossos melhores amigos vão se casar, acho que estou percebendo que crescemos. É meio louco e surreal.
O rapaz assentiu, porém sem a certeza se tinha entendido corretamente o que a namorada tinha dito. Sua mente adorava lhe pregar peças e o fez se questionar se aquilo significava que também queria casar, se esperava que ele fizesse a famosa pergunta.
- Que filme? - a voz dela o tirou de seus devaneios.
- Passageiros, já ouviu falar?
Ela franziu a testa, tentando se lembrar de qual filme ele estava falando.
- Acho que não. - mordeu o lábio inferior. - Ainda aguenta comer pipoca?
balançou a cabeça, sabendo que a namorada raramente dispensava assistir filme sem pipoca.
- Claro. - assentiu.
- Ótimo. - sorriu e deu os primeiros passos na direção da cozinha. - Vai colocando o filme enquanto eu faço a pipoca.

sabia que tinha algo errado, mas seu coração insistia em dizer que ela estava vendo coisas onde não existiam. Porém, sua razão a fazia enxergar o problema nas entrelinhas, ela sentia que estava incomodado com algo, que o rapaz disfarçava muito bem suas emoções. Mas com as coisas eram diferentes, pois depois de quase seis anos de namoro era quase impossível esconder qualquer coisa dela, a mulher o conhecia tão bem que sabia dizer como o humor dele estava apenas pelo olhar ou o tom de voz usado em uma conversa, ninguém era capaz ler e entender tão bem como ela.
Uma de suas maiores suspeitas para o problema dele eram as constantes rejeições que o rapaz andava sofrendo em seu trabalho, era extremamente difícil lidar com a situação e era visível que escondia o quão chateado ele realmente estava, talvez por medo de admitir que sua carreira como ator não estava indo tão bem como ele esperava.
respeitava o seu espaço, tinha consciência que ele precisava de um tempo para assimilar tudo o que acontecia em sua vida, só que ver a angústia do namorado a matava por dentro, porém não queria forçá-lo a se abrir com ela, pois isso não faria bem a ninguém.

(...)

Still looking up and down while you're being mysterious…


- Você está de parabéns, . - sentiu alguns tapinhas em suas costas.
- Muito obrigado. - agradeceu, olhando para o estilista que tinha acabado de lhe elogiar. - É uma honra desfilar para o senhor. - sorriu, vendo o homem assentir.
- Quero você no próximo desfile.
- Estarei lá, com toda certeza. - garantiu, observando o mais velho se afastar.
suspirou, sentindo o corpo pedir por descanso. Aquele era o seu terceiro e penúltimo dia em Milão, onde tinha sido contratado para desfilar na coleção de um estilista conhecido internacionalmente. Os seus dias na cidade eram caóticos, apenas no primeiro dia que conseguiu sair para turistar um pouco, o restante de seu tempo foi consumido por ensaios de passarela, ensaios fotográficos e algumas entrevistas para a televisão local, quando chegava no quarto do hotel a única coisa que fazia era tomar um banho e caía na cama, morto de sono.
O rapaz finalmente tinha conseguido um tempo para olhar em seu celular, havia duas ligações perdidas de e algumas mensagens dela:

“Boa sorte no desfile, vai lá e arrasa. Depois me conte como foi.”


Ele sorriu ao ver essa e continuou descendo a tela, notando que duas horas depois da primeira mensagem ela tinha mandado outra:

“E aí, como foi? Tô curiosa, haha :)”


E a última mensagem tinha sido enviada há vinte minutos:

“Amor? Imagino que esteja ocupado e não quero te atrapalhar, mas quando puder me liga? Queria ouvir sua voz... Tô com saudade.”


O rapaz fechou os olhos, sentindo-se culpado por não conseguir dar atenção alguma à sua namorada. Desde que chegara na cidade só tinha conseguido fazer uma chamada de vídeo com ela e conversado poucas vezes pelo telefone, sabia que não estava brava com ele, apenas sentia a falta dele, da mesma forma que ele sentia a dela.

“Anjo, me perdoa a demora... Aqui está realmente uma loucura, assim que chegar no hotel eu te ligo, ok?
Te amo.”


Ele enviou e menos de um minuto depois recebeu a resposta dela:

“Tudo bem, vou esperar por você.
Te amo.”


suspirou e bloqueou a tela de seu celular, ela estava no sofá assistindo uma de suas séries preferidas. Sentiu-se aliviada quando , finalmente, respondeu suas mensagens, pois já estava começando a ficar preocupada com a demora dele. Pois quando conseguia falar com ele, percebia que o rapaz não estava bem, talvez fosse apenas o excesso de trabalho, mas era difícil não se preocupar e achar que pudesse ser outra coisa. E essa preocupação lhe trazia péssimas memórias de um momento que ela não desejava reviver nem em sonho, seu coração doía só de imaginar que pudesse ter uma recaída, não queria acreditar nessa possibilidade, mas da primeira vez falhou em ver os sinais então agora estava mais atenta do que nunca, por isso o medo lhe dominava tanto. Só que tinha medo de dizer algo e afastar o namorado, não sabia como ele poderia reagir a tal pergunta.

Ela cochilava no sofá quando sentiu o celular vibrar em sua barriga, sentou-se de qualquer jeito e pegou o aparelho, ainda meio confusa por causa do sono. Notou que era pedindo por uma chamada de vídeo, ela aceitou rapidamente e o viu aparecer na tela.
- Oi. - ele sorriu.
- . - ela retribuiu o sorriso e ajeitou seus cabelos. - Como você tá?
reparou a expressão de cansaço do namorado, o viu bocejar algumas vezes e notou como os olhos dele estavam vermelhos, o que a fez sentir um frio na espinha.
- Morto. - riu fraco. - Me sinto um zumbi daquela série que você adora.
- Até parece. - afirmou, sorrindo toda boba. - Tá no hotel? - perguntou, já que não conseguia ver nada atrás dele
- Sim, sentado na cama. - explicou e ela balançou a cabeça positivamente.
- Como foi o seu dia?
passou a mão no cabelo, que insistia em cair no seu rosto.
- Cansativo, mal tive tempo para sentar e comer. Acho que estou muito velho pra ser modelo. - brincou, mas ela sabia que aquela era a típica brincadeira com um fundo de verdade.
- E o desfile? Deu tudo certo?
- Sim, eu não tropecei. - garantiu, a fazendo rir brevemente.
mordeu o lábio inferior, era visível que o rapaz lutava para se manter acordado.
- Quer ir dormir? - questionou, e ele franziu a testa. - Parece que você vai capotar a qualquer momento.
- Não, eu tô bem. - balançou a cabeça. - E quero conversar com você, como foi o seu dia?
- Menos cansativo que o seu. - brincou. - Nada de muito diferente na loja, não tenho novidade, . - fez um bico e ele riu. - Quem tem a vida agitada aqui é você.
- Quem me dera se eu pudesse ter um trabalho tão calmo quanto o seu. - suspirou e fechou os olhos por um segundo.
- Você tá exausto, né? - ela fez uma careta.
O rapaz sabia muito bem o sentido daquela pergunta, ela queria saber se ele estava cansado da profissão de modelo, daquela vida louca de desfiles e ensaios fotográficos.
- O que eu posso fazer? - deu de ombros. - Faz parte, mas não se preocupe.
- Impossível pedir isso. - se justificou e o viu sorrir. - Amor, eu vou deixar você dormir, tá? Amanhã você já está de volta e teremos tempo de sobra pra conversar.
- E fazer outras coisas. - piscou pra ela, que riu.
- Pode ser. - zombou. - Boa noite, .
- Boa noite, , dorme bem e sonha comigo. - desejou.
- Você também. - ela mandou um beijo e os dois encerraram a chamada.
encarou o seu celular por algum tempo, sentindo-se mal e apreensiva pelo namorado, temia que toda essa pressão da carreira de modelo o fizesse sucumbir aos seus vícios do passado. Era terrível pensar algo assim, mas ela tinha uma ideia como a vida profissional de modelo podia ser, e também sabia como era uma pessoa sensível e que a pressão para estar sempre perfeito poderia afetá-lo de alguma forma negativa.


Junho – 2017

I just wanna be around you, is that too much to ask?
Don’t tell me I’m wrong, I could be there



- Merda!
Ela escutou uma voz distante dizendo, mas ela não saberia dizer se aquilo era real ou fazia parte de um sonho.
- . - sentiu o namorado a chacoalhar de leve.
Então teve a certeza que não era sonho.
- Oi? - resmungou, se virando pra ele.
- Fiz besteira. - ela abriu os olhos devagar e o viu com as duas mãos no rosto.
- Que foi? - franziu a testa.
- Qual loção de rosto é a sua? Branca ou azul? - a questionou.
Demorou alguns segundos para responder, não funcionava muito bem de manhã, ainda mais segundos depois de acordar.
- Branca. - respondeu e ele balançou a cabeça negativamente, voltando ao banheiro da suíte.
A mulher se levantou, ainda meio cambaleante pelo sono e foi atrás do namorado, que estava em frente ao espelho e segurava a loção dela.
- ? - parou ao seu lado.
- Estava com tanto sono que acabei usando a sua. - explicou, colocando a embalagem de volta no lugar. - E já está pinicando. - passou as mãos no rosto.
- Não coça. - segurou as mãos dele. - Lave seu rosto com água fria, vai ajudar.
- Que droga, justo hoje fui fazer essa besteira. - reclamou, em seguida lavou o rosto na pia.
tinha uma sessão de fotos às sete da manhã naquele dia, era para uma revista de moda de grande circulação no país.
- Como tá? - enxugou o rosto e olhou pra , que mordeu o lábio inferior, notando como o rosto dele estava vermelho.
- Como é possível sua pele ser tão sensível? - indagou, franzindo a testa.
- Está tão horrível assim? - se virou, para olhar-se no espelho.
- Horrível não, mas dá pra ver a reação alérgica.
tinha a pele extremamente seca e delicada, então havia poucos produtos que ele poderia usar. , por sua vez, tinha a pele oleosa e que se dava bem com qualquer loção. E foi aí que o rapaz se confundiu, juntou a pressa com o sono e ele acabou usando o produto da namorada, que fez sua pele rejeitar de imediato.
- E agora? - mordeu o lábior inferior.
- Não vou cancelar a sessão pelo telefone, vou lá pessoalmente mostrar o que está acontecendo. - suspirou, se olhando no espelho de novo. - Pode voltar a dormir, meu anjo. - afirmou e ela assentiu.
- Se precisar de algo, só me chamar, tá? - falou e ele sorriu fraco.
voltou para a cama, mas o seu instinto dizia que algo não estava certo e sentia um aperto em seu peito, como se algo de ruim estivesse acontecendo.

FLASHBACK – Março, 2011.

Ela não tinha ideia que aquilo poderia ser tão doloroso, mas se para a mulher já estava sendo horrível, não poderia imaginar como estava sendo para ele. Era a primeira semana de fora da reabilitação e uma de suas missões seria se livrar de qualquer bebida alcoólica e droga que tivesse em sua casa. foi a primeira a oferecer ajuda para tal tarefa e o rapaz não negou, pois não queria fazer aquilo sozinho, precisava da sua melhor amiga naquele momento.
abriu o forno e encontrou outra garrafa de bebida alcoólica escondida ali, observou o amigo retirar mais uma garrafa do fundo de um dos armários, ela suspirou e o fitou, que analisava a garrafa em sua mão.
- E eu achava que escondia tão bem. - balançou a cabeça negativamente.
Ela permaneceu quieta, não queria dizer algo que pudesse magoar o rapaz, até qualquer tipo de brincadeira poderia soar errada naquela hora.
- Você achou mais alguma? - a fitou, apontando a garrafa que ela tinha em mãos.
negou com a cabeça, esticando a bebida na direção dele.
- Me ajuda a procurar no quarto? - perguntou, enquanto jogava tudo em um saco de plástico, ela assentiu.
franziu a testa, estranhando o silêncio de , ela era sempre tão falante, parecia até que não queria estar ali.
- Tá tudo bem? - perguntou, ao mesmo tempo em que andavam para o quarto dele.
- Vai ficar. - respondeu, o fazendo parar no mesmo instante e se virar.
- O que foi? - colocou as mãos nos ombros dela, analisando o seu rosto cuidadosamente. - Você está quieta de mais.
- Eu… - suspirou, abaixando o olhar por um segundo.
- , nesse último mês eu aprendi que preciso me abrir com as pessoas em quem eu confio, não posso guardar tudo pra mim. - admitiu, a vendo o encarar. - Sei que tem alguma coisa te perturbando e eu quero saber o que é.
a viu morder o lábio inferior, ela parecia procurar pelas palavras certas.
- Não quero ser egoísta. - confessou, o surpreendendo.
- Como poderia ser? - indagou.
- Tenho medo, . - suspirou, sentindo lágrimas se formarem em seus olhos.
- Do quê? - perguntou, a interrompendo.
- De te perder. - sentiu as bochechas ficarem úmidas. - Sabe essa dor que você sente aqui? - colocou a mão direita no peito dele, indicando o coração do homem. - Eu queria poder arrancar daí, para que você nunca mais pense que sua vida não vale a pena. - afirmou, com a voz embargada.
- , eu…
- Me deixe falar. - pediu, o interrompendo, e colocou o dedo indicador nos lábios dele. - Você precisa saber que não está sozinho, . Eu estou aqui e sempre vou estar. Não importa o que aconteça você pode contar comigo. - respirou fundo, segurando o rosto dele com as duas mãos. - Quando você se sentir triste, quando pensar que nada está dando certo, se ver sem saída... Por favor, me procure, fale comigo. - acariciou as bochechas dele. - Mesmo que você ache que os seus problemas são pequenos, que ninguém vai se importar, que vão dizer que é drama, saiba que eu não penso assim, eu me importo, . - suspirou, tentando controlar as lágrimas que saíam de seus olhos. - O melhor ainda está por vir, você precisa acreditar nisso, não deixe a escuridão te levar pra longe de mim.
se aproximou ainda mais, grudando o seu corpo no dele, o abraçando pelo pescoço, sentiu as mãos dele envolverem em sua cintura e estreitando o abraço dele.
- Só me deixe entrar, que eu vou estar lá por você. - sussurrou no ouvido dele.
deixou um soluço escapar de sua garganta e no segundo seguinte ele chorava feito um bebê. O último mês tinha sido complicado para o rapaz, ficar longe de sua família e amigos foi difícil, mas ficar distante de foi a pior parte, ele sentia falta da voz dela, da risada escandalosa que ela tinha, dos olhares que ela lhe dava toda vez que ele fazia uma piada besta. Sentia falta das conversas malucas que os dois tinham sobre dinossauros, sobre o significado da vida, sobre música ou qualquer outro assunto que surgisse na mente deles. sempre considerou a sua melhor amiga, entre os dois não havia segredos, julgamentos e constrangimento, então esconder os seus problemas dela foi torturante e ele perdeu a conta de quantas vezes tentou revelar tudo, mas sempre desistia no último minuto. Não queria que tivesse pena dele, ou ficasse brava por omitir isso por tanto tempo, então sempre adiou o dia em que contaria tudo para ela, adiou tanto que perdeu a coragem por completo.
No dia em que ele saiu da clínica e a viu no estacionamento, esperando por ele, seu coração saltitou de felicidade, sua barriga gelou e suas mãos suaram frio, era a primeira vez que se sentia assim em muito tempo. era essencial para e tinha esperado por ele, não tinha o abandonado, como ele temeu uma vez quando a crise de abstinência bateu forte. Ela estava ali, não tinha desistido dele.
- Obrigado, . - disse, fungando.
- Pelo quê? - perguntou, ainda abalada com tudo que estava acontecendo.
- Por não desistir de mim. - afirmou, a apertando contra si.
Ela afastou a cabeça de seu pescoço, apenas para fitá-lo nos olhos.
- Nunca. - garantiu.

Fim do Flashback

bocejou algumas vezes antes de despertar por completo, ela agradeceu mentalmente por ser sábado e poder dormir até mais tarde, apesar de seu sono ter sido interrompido mais cedo, ela tinha conseguido descansar. Mas aquele sentimento estranho continuava ali, era uma angústia que não sabia explicar ao certo o seu significado.
Escutou uma movimentação no corredor ao lado de fora do quarto e chamou pelo namorado, querendo saber como ele estava.
- Oi. - abriu a porta, acendendo a luz.
Ela sentou-se na cama e o fitou minunciosamente.
- Melhorou? - indagou, o chamando com a mão.
- Sim, pinica um pouco. - fez uma careta e sentou-se na frente dela.
se inclinou, lhe beijando delicadamente e o encarou, soltando um suspiro em seguida. Fechou os olhos e sentiu o aperto novamente em seu peito, ela não aguentava mais, não conseguia mais guardar aquele sentimento apenas para si. Precisava perguntar, necessitava saber a verdade, caso contrário seria incapaz de viver tranquilamente.
- Você está bem? - questionou.
- Sim, . - assegurou e ela o encarou. - De verdade.
- Tem certeza que está tudo bem? - manteve os olhos fixos nos dele. - Você nunca confundiu as loções antes. - falou baixo.
Ele suspirou e sabia que a namorada se preocupava com o seu bem-estar, ainda mais com todo o seu histórico, deveria estar enlouquecendo tentando imaginar o que estava acontecendo com ele e isso o destruía por dentro, pois se tinha uma coisa que não queria fazer era machucá-la, logo ela, que sempre esteve ao lado dele em todos os momentos, não era justo continuar fazendo isso, precisava resolver essa situação de uma vez por todas.
- Não é o que você está pensando. - garantiu e ela franziu a testa.
engoliu em seco, entendia perfeitamente onde ela queria chegar.
- Só estava com muito sono. - ele explicou.
- Você sabia que eu tinha minhas suspeitas? - indagou, perplexa.
assentiu e ela suspirou.
- A gente se conhece muito bem, . - afirmou. - Você percebeu que eu não estava bem…
- E você notou isso. - completou a frase dele.
- Sim, mas eu não sabia ao certo o que dizer. - ele deu de ombros.
- Nem eu. - concordou, mordendo o lábio inferior. - Estranho pra quem está há tanto tempo junto, né? - fez uma careta.
- Mais cedo ou mais tarde a gente ia pecar na comunicação.
o fitou, eles tinham tanto para conversar e era tão bom estar, finalmente, acertando os ponteiros com .
- Então, você está sóbrio mesmo? - perguntou, em expectativa.
- Estou limpo desde o dia em que você foi me buscar na cliníca. - falou, mencionando um pouco do passado deles.
- Mas você não está bem, por que não se abriu comigo?
analisou aquela pergunta e o tom de voz usado por . Ela não parecia brava com ele, mas ainda era extremamente difícil conversar sobre aquele assunto. Sentia-se sufocado, preso por todos os sentimentos que rondavam sua mente e coração.
- Eu não quero que você me veja como alguém fraco, . - admitiu.
O homem abaixou a cabeça, fechando os olhos por um segundo.
- Do que você está falando? - franziu a testa, não compreendendo direito o que ele tinha dito.
Ele erguei a cabeça, fixando seus olhos nos dela.
- Eu não me acho bom o suficiente pra você. - confessou, e a viu arregalar os olhos. - Você tem um emprego estável e faz o que ama, nossos amigos vão se casar e oficializar sua família... e eu estou aqui, perdido profissionalmente, tentando encontrar uma carreira que me satisfaça, que me faça feliz. - soltou um longo suspiro e sentiu as mãos de segurarem as suas. - Estou ficando pra trás e tenho medo que você me abandone por me achar um perdedor.
- , pare com isso, pelo amor de Deus. - ela disse, um pouco desesperada e apertou as mãos dele. - Eu nunca pensaria isso de você. Jamais! Vejo diariamente o quanto você luta para fazer dar certo, eu tenho um orgulho imenso de você, meu amor. - garantiu.
- Não precisa dizer essas coisas pra me agradar, eu sei que…
- Fique quieto, . - alterou o seu tom de voz, o surpreendendo. - Você é o amor da minha vida, . E se você decidisse parar de trabalhar e ser sustentado por mim, eu continuaria te amando da mesma forma. Quero que você seja feliz, isso é o que mais importa pra mim. - soltou as mãos dele e segurou o seu rosto. - Não ligo se você é modelo ou um músico famoso, eu quero que você esteja bem e satisfeito com a sua carreira. E eu, definitivamente, não penso em casamento ou em ter filhos tão cedo. - lhe assegurou.
- Você não está decepcionada comigo? - perguntou.
não conseguia acreditar nas palavras do namorado, a insegurança dele era ainda maior do que ela poderia imaginar.
- Não, nunca. - se inclinou, lhe dando um beijo rápido, como se quisesse confirmar sua resposta. - , você devia desabafar comigo, me contar os seus medos para eu tentar te ajudar.
- Eu sei. - abaixou a cabeça. - Foi errado não te contar já que você é a pessoa mais importante da minha vida, mas também é a que menos quero desapontar.
- Eu jamais ficaria desapontada com você por causa disso.
Ele colocou suas mãos sobre as dela, que permaneciam no rosto dele.
- Me desculpa. - pediu, fechando os olhos.
- Não tem o que desculpar só me promete que dá próxima vez você vai conversar comigo. - ele assentiu em silêncio. - E nunca mais pense que você não é bom o suficiente pra mim, viu? Você é tudo o que eu preciso e quero.
balançou a cabeça positivamente, silenciosamente concordando com o que ela tinha dito. Ele a puxou para si em um abraço carinhoso, envolveu sua mão esquerda na cintura dela enquanto sua mão direita se embrenhou nos cabelos da mulher, lhe fazendo um afago gostoso. retribuiu o abraço, lhe envolvendo pela cintura e afundando seu rosto no peitoral de .
- Obrigado por ser tão boa pra mim. - ele disse, sem se afastar dela.
- Isso só é o reflexo do bem que você me faz. - afirmou.
- Eu te amo, .
- Eu te amo, .

Julho – 2017

You are all I want
So take me home


estacionou o carro em frente sua casa, notou que a luz da sala estava acesa, indicando que estava ali, provavelmente assistindo algo na televisão.
Abriu a porta de casa e acertou em cheio ao ver que ela assistia uma de suas séries preferidas, mas que ele não gostava tanto assim. Fechou a porta atrás de si e ela o fitou, acenando para ele, já que sorrir estava impossível no momento. estava com o rosto coberto de argila, o que fez rir fraco.
- Oi, Fiona. - provocou, e ela rolou os olhos.
- Vou fingir que não ouvi isso. - voltou sua atenção para televisão.
se aproximou e se inclinou para beijar o topo da cabeça dela.
- Vou tirar essa roupa e já volto. - a informou, e ela assentiu.
o viu subir as escadas e sentiu o rosto coçando, passou a mão no mesmo, notando que a argila já estava praticamente seca, então era hora de tirar. Se levantou, indo até o banheiro, lavou o rosto diversas vezes até conseguir limpá-lo por completo, se olhou no espelho e suspirou, satisfeita com o resultado que tinha obtido, sua pele já aparentava estar mais limpa e saudável. Voltou para sala no momento em que sentava-se no sofá, sorriu pra ele e se aproximou, sentando de lado em seu colo.
- Oi. - o abraçou pelo pescoço, o beijando rapidamente.
- Quem é você e o que fez com a minha ogra favorita? - indagou, com a testa franzida.
Ela riu, fazendo uma careta em seguida.
- Besta. - apertou as bochechas dele, pois sabia o quanto ele detestava aquilo.
fez um barulho estranho com a boca e mordiscou o queixo dela, a fazendo se afastar dele.
- Você pare com isso, Spot. - riu, mencionando o personagem do filme O Bom Dinossauro.
e tinham disso, eles viviam se dando apelido de algum filme que gostavam. O que para alguns poderia soar estranho, para eles era a coisa mais normal do mundo.
- Como você está? - perguntou, a envolvendo pela cintura.
- Eu? - franziu a testa. - Ótima, por quê?
- Nada não. - lhe beijou rapidamente, a provocando.
- . - balançou a cabeça negativamente.
- Que foi? - ele riu, se fingindo de inocente. - Não estou fazendo nada.
- Por que eu não acredito em você? - ela sentiu as mãos dele acariciando suas pernas, de um jeito que só ele sabia fazer.
- Você está no clima? - piscou pra ela, que se controlou para não gargalhar.
- Que tipo de pergunta é essa? É claro, né. - deu de ombros.
Ele se inclinou, lhe dando um beijo de esquimó, a fazendo rir de leve e aproximou sua boca dos lábios dela, os tocando levemente. Ela sorriu por sentir o toque dele de novo, sua língua passou pelos lábios dele e finalmente cederam ao beijo que tanto desejavam. Sentir os lábios de nos seus era como o paraíso na Terra, ele deixou um gemido escapar quando ela se mexeu e envolveu as pernas em seu quadril, aumentando o contato entre eles.
- Você acaba comigo, mulher. - comentou, interrompendo o beijo brevemente.
- E você não sabe o que faz comigo. - ela sorriu, mordiscando o lábio inferior dele.
O rapaz riu e apertou a cintura da namorada, juntando mais os corpos dos dois. Há muito tempo ele não se sentia tão bem como naquele momento, era fantástico ter alguém como ao seu lado. Os dois se olharam intensamente, ambos sorrindo um para o outro, aquele olhar dizia coisas que jamais seriam capazes de expressar em palavras.


(…)


Everything that you say, god I wish I had said it first
And forgetting I had ever hurt
Your love is pulling me through, me through, me through



saiu da joalheria com um sorriso no rosto, tinha encontrado o presente perfeito e sabia que ia amar a surpresa. E então decidiu que ia aproveitar que não estava muito longe do Pet Shop em que ela trabalhava e iria até lá.
- Isso, daqui quinze dias você dá a segunda dose. - a escutou falar para um cliente, ele tinha acabado de entrar no local e ainda não tinha sido notado por ela. - E depois ele já pode ser vacinado.
Ela sorriu para a cliente, que tinha uma pequena sacola em mãos.
- Muito obrigada. - a mulher agradeceu.
a observou sair da loja, viu Clive conversando com outro cliente e olhou ao redor, se surpreendendo com quem estava ali.
- . - sorriu para o namorado. - Veio me buscar? - perguntou, olhando para o relógio de pulso. - A loja fecha em quarenta minutos.
O rapaz se aproximou, apoiando as mãos no balcão.
- Vim te ver. - se inclinou, lhe dando um selinho. - Mas posso esperar.
- , você consegue entender o que está escrito aqui? - Clive chamou pela mulher, só então notando a presença de ali.
- Deixe-me ver. - ela deu a volta no balcão, andando até o colega. - É um antibiótico, mas é de humano. - franziu a testa, sabia que na loja em que trabalhava eles só vendiam remédios de uso veterinário. - Você pode encontrar na farmácia mesmo. - explicou, devolvendo a receita para o cliente.
- Oi, Clive. - cumprimentou o rapaz, que acenou brevemente pra ele.
A mulher sorriu e se aproximou do namorado, reparando que ele segurava uma sacola de papel.
- O que é isso? - perguntou, curiosa como sempre.
- Mais tarde você vai saber. - piscou e riu com a careta que ela fez.
- Isso não se faz, . - colocou as mãos na cintura, balançando a cabeça.
a analisou com calma, ele tinha um sorriso divertido no rosto.
- Prometo que a espera vai compensar. - garantiu, e ela voltou para atrás do balcão, indo atender o telefone que tinha acabado de tocar.

Uma hora depois os dois entravam na casa em que moravam, subiu para tomar um banho enquanto preparava algo para eles comerem. O rapaz se deu conta que precisavam passar no mercado, pois a dispensa de comida estava quase vazia, então acabou pedindo por delivery. descia as escadas quando viu o namorado na porta de casa, ele conversava com alguém e quando se virou ela sorriu abertamente.
- Você leu os meus pensamentos. - falou, andando até ele.
sorriu e andou até a cozinha, colocando as caixinhas de comida chinesa no balcão. já foi pegando os pratos e guardanapos, sentou-se na banqueta.
- Mas antes de comer… - ele disse, o que a fez franzir a testa. - O seu presente.
Ele andou até o sofá, pegando a sacola e entregando para .
- O que você aprontou? - perguntou, tirando o que tinha ali dentro. -
Ela olhou para a caixa em suas mãos e depois para o namorado, que tinha um sorriso no rosto.
- Foi feito para você, meu anjo. - reforçou a última palavra.
tirou o colar de prata da caixa e segurou o pingente entre os seus dedos, analisando cada detalhe da jóia, o pingente tinha o formato das asas de um anjo.
- É lindo. - elogiou, fitanto . - Coloca pra mim? - pediu, e ele assentiu.
Ela ergueu os cabelos para ajudar e com facilidade ele fechou a pequena travinha do colar.
- Muito obrigada. - agradeceu, tocando as pequenas asas com os dedos. - Tem algum motivo especial? - perguntou, virando o corpo e ficando de frente pra ele.
- Uma maneira de dizer o quanto sou grato por ter você em minha vida.
segurou o rosto dela com as mãos e lhe deu um beijo.
- Quando você sorri pra mim eu esqueço de todos os problemas, tudo fica muito mais fácil com você, . O seu amor me faz tão bem e eu não sei o que seria de mim se não tivesse você ao meu lado. - admitiu, lhe beijando novamente.
Ela envolveu os braços na cintura dele, o puxando para mais perto de si.
- Você é um anjo em minha vida. - fitou os olhos dela. - Eu te amo.
depositou um beijo na testa dela.
- Eu te amo e sempre estarei aqui. - beijou o queixo dele, em seguida os lábios dos dois se encontraram.

I’m sticking to you like a glue



, infelizmente, tinha sido rejeitado em outro teste de elenco que tinha feito, dessa vez em Londres mesmo. O rapaz começava a suspeitar que o problema era ele, que não tinha talento algum para atuar, era extremamente frustrante perceber que aquilo não estava dando certo, ele bufou e passou as mãos no rosto.
- Amor? - escutou a voz de , que descia as escadas. - Tá tudo bem?
Ele a fitou e balançou cabeça negativamente.
- O que aconteceu? - indagou, preocupada.
- Não passei no teste que fiz.
- Eles não sabem o que estão perdendo, . - afirmou, sentando ao lado dele no sofá.
- Talvez saibam que não sou talentoso, só isso. - deu de ombros.
franziu a testa, indignada com o que ele dissera.
- Não começa, amor. - ralhou com ele. - O que podemos fazer se eles não reconhecem o talento em você.
se virou, a fitando e sorriu sem mostrar os dentes.
- Vem, levanta. - estranhou o pedido dela, e franziu a testa. - Nada de baixo astral, vamos fazer algo que você gosta.
observou o namorado se agachando enquanto tirava fotos de todos os ângulos possíveis, ele estava tão concentrando que parecia estar em sua bolha particular. Ela pegou o celular, desbloqueou a tela e abriu a câmera do aparelho, fez um pequeno vídeo do momento do namorado e sorriu ao ver que agora ele tinha se virado e tirava uma foto dela.
- Como estão? - ela indagou, assim que se aproximou, analisando as fotos que tinha tirado.
- Boas. - mostrou a câmera pra ela, que entregou o celular pro namorado.
- Deixa de modéstia, . - falou, olhando as fotos. - Estão maravilhosas.
- Só diz isso porque me ama. - riu fraco, e ela rolou os olhos.
- Eu te amo, isso é fato. - se aproximou, devolvendo a câmera pra ele. - Mas não estou te bajulando, reconheço uma vocação de longe. - elogiou, o fazendo corar levemente.
achava adorável a timidez de , apesar de toda intimidade que tinham, ele ainda ficava com vergonha quando era elogiado.
- Vamos? - esticou o braço pra ela, que se enganchou nele rapidamente.
- Claro.

percebeu como estava triste por não ter passado no teste e resolveu que ele deveria distrair a cabeça e fazer algo que gostasse, então o chamou para ir ao parque que ficava ao lado da casa deles, que era um dos lugares preferidos do rapaz. Ela também sabia que ele sempre gostou de tirar fotos como hobby, por isso levou a máquina fotográfica dele consigo e dois minutos depois que chegaram no local, já começou a fotografar tudo o que via pela frente.
- Eu queria saber mais sobre fotografia. - ele comentou, enquanto analisava as fotos que tinha tirado, os dois estavam sentados em um banco do parque.
- Sério? - perguntou, espiando as fotos dele.
apenas assentiu.
- Por que não faz um curso na área?
- Mais um curso, ? - desligou a máquina e a encarou.
A mulher deu de ombros.
- Você é novo, . E tem todo o tempo do mundo para encontrar algo que te realize. Você não precisa focar em uma profissão, sabe? Pode fazer de tudo um pouco.
Ele manteve o olhar fixo no dela, era incrível como ela tinha o poder de lhe dar o incentivo que ele precisava.
- Não custa nada pesquisar alguns cursos de fotografia e ver se te agrada. - sorriu e lhe deu um selinho.
- Bendito o dia que te beijei pela primeira vez. - afirmou, e devolveu o beijo dela.
- Melhor presente de aniversário que você já recebeu na vida. - se gabou, o ouvindo rir.

Flashback – Novembro, 2011.

abriu a porta da casa de com todo o cuidado do mundo, ele tinha o sono pesado, mas nunca era demais ser silenciosa. Foi até a sala rapidamente e deixou sua bolsa no sofá, voltou até o seu carro e pegou o pequeno bolo que tinha feito na noite passada, o deixou na mesa de centro da sala e retornou ao automóvel para pegar o presente do amigo. Era aniversário de , o primeiro que ele estava sóbrio em anos, então não era um aniversário qualquer, era diferente, era especial e eles tinham motivos de sobra para celebrar.
- É hoje. - mordeu o lábio inferior, fitando as escadas que levavam para o andar superior, ela suspirou e subiu os primeiros degraus.
A mulher segurava o presente que tinha comprado para o amigo, era uma coleção limitada dos filmes de Potter, que ela sabia que estava doido para comprar, mas toda vez que entrava no site o produto estava indisponível, o que ele não sabia era que ela tinha comprado a última opção, e torcia para que demorasse a voltar para ao estoque do site, pois assim ele não conseguiria comprar antes do aniversário.
chegou na porta do quarto dele e abriu vagarosamente, e notou como o quarto estava escuro, deixou a porta aberta para que a luz do corredor iluminasse mais o local, conseguiu ver que ele estava deitado de bruços e engoliu a seco ao ver que ele usava apenas uma cueca boxer para dormir. Ela sentou-se na cama e cutucou a perna dele, em seguida chacoalhando devagar, ele permaneceu imóvel.
- . - o chamou, apertando sua panturrilha. - Acorda, velhinho.
se mexeu, soltando um resmungo em resposta e virou o corpo lentamente.
- Bom dia. - sorriu em sua direção, e ele esfregou os olhos com as mãos.
- Que horas são? - franziu a testa, esticando o braço e ligando o abajur.
- Sete horas. - ela respondeu, o analisando.
Ele se preparava para dizer alguma coisa muito mal educada, mas mudou de ideia com a próxima coisa que ela disse:
- Feliz Aniversário, .
O rapaz ainda estava sonolento, mas tinha plena consciência que era o dia de seu nascimento, só não esperava por essa surpresa de .
- Pra você. - ela esticou uma caixa pra ele, que a pegou com a testa franzida.
- Não precisava… - falou sem graça e sentou-se.
o fitava em expectativa, queria ver a reação dele quando visse o que ela tinha lhe dado.
- Co-como? - a encarou com os olhos arregalados. - Meu... , onde? - era visível que ele estava sem palavras e ela riu ao perceber isso.
- Acho que comprei o último que tinha disponível no site. - deu de ombros, sorrindo brevemente.
- Isso é fantástico! - afirmou, com um sorriso enorme no rosto. - Vem cá, me dá um abraço. - ele se aproximou dela, a puxando pelos braços.
riu, devido a posição deles o abraço acabou saindo completamente desajeitado, o que fez os dois rirem.
- Fiz bolo também. - avisou, quando a soltou e voltou a admirar o seu presente.
- Sério? - arqueou as sobrancelhas. - Nem sei se mereço tanto, .
- Para de besteira, vai colocar uma roupa e me encontra lá embaixo. - se levantou, o fitando. - Não demore.
- Sim, senhora. - fez continência pra ela, que rolou os olhos e saiu do quarto.
desceu as escadas rapidamente, indo até a cozinha de , onde pegou dois pratos, dois garfos e uma faca. Ajeitou tudo na mesinha de centro e abriu sua bolsa, pegando duas velas em formato de ponto de interrogação.
- Meu bolo preferido? - o ouviu perguntar e se virou, o vendo encostado no batente da porta.
Ela mordeu o lábio inferior, foi inevitável. Pois usava apenas uma calça moletom preta.
- Não tem blusa, não? - indagou, e ele riu.
- É meu aniversário e a minha casa. - deu de ombros, a fazendo balançar a cabeça negativamente, sabia muito bem que o rapaz só estava a provocando.
deu alguns passos e sentou no sofá, passou o dedo na cobertura de glacê e lambeu o mesmo em seguida.
- Não faz isso. - ela reclamou, sentando ao seu lado. acendeu as velas e sentiu a abraçando pelos ombros, depois lhe dando um beijo na bochecha, ela sorriu com o ato.
- Faz um pedido. - indicou o bolo com a cabeça, o rapaz fechou os olhos e pensou no que mais desejava naquele momento.
Ele abriu os olhos e se inclinou, assoprando as velhas e riu ao escutar a amiga bater palmas.
- Quer que eu corte? - perguntou, segurando a faca e ele assentiu.
pegou os pratos e cortou dois pedaços grandes, colocando um em cada prato, pegou os garfos e entregou para .
- Isso tá maravilhoso. - elogiou, após a primeira garfada.
Ela sorriu sapeca, passou o dedo na cobertura do próprio pedaço e apontou para o amigo.
- O que você tá pensando em fazer? - estreitou os olhos, reconhecendo o sorriso de quem ia aprontar algo.
rapidamente esticou a mão, passando o dedo no nariz dele.
- Você não fez isso.
Ela riu, se encostando no sofá.
- Fiz sim. - deu de ombros.
colocou o prato dele na mesinha de centro.
- Péssima ideia, . - voltou o seu olhar para ela. - Péssima ideia.
Ela arregalou os olhos quando ele pegou a fatia do bolo dela com as mãos.
- Não, . - choramingou, já prevendo o que ia acontecer.
O rapaz deu uma generosa mordida no bolo, demorando algum tempo para comer aquele pedaço, notou que a amiga o fitava com receio, provavelmente esperando que ele a sujasse de bolo, que era o exatamente o que ele iria fazer.
pegou o prato que ela ainda segurava e colocou na mesa de centro, sua mão direita estava repleta da cobertura branca.
- Por favorzinho? - suplicou, fazendo um bico que ele achou adorável, mas não o suficiente para o fazer desistir.
Ela se encolheu no canto do sofá, fechando os olhos e segurando o riso. Sentiu a mão dele em sua bochecha, depois em seus lábios e passando para o outro lado de seu rosto. Soltou um grunhido e abriu os olhos, notando como ele estava próximo dela.
- Você exagerou. - fez um bico, e ele riu. - Ah, . - resmungou quando ele lhe deu um beijo de esquimó, limpando a ponta do nariz dele nela. - Isso é injusto e nojento, eca. - fez uma careta, que o fez rir ainda mais. passou o dorso da mão em seu nariz, limpando pelo menos aquela parte de seu rosto.
- Não quer saber qual foi o meu pedido? - perguntou.
- Não é segredo? - devolveu, percebendo que ele tinha se inclinado um pouco.
- Mas você é curiosa que eu sei. - piscou pra ela.
- O que você pediu? - mordeu o lábio inferior.
Os olhos de se encontraram com o de , que a fitaram por longos segundos, ele desviou o olhar para os lábios dela, o que a fez prender a respiração por um momento.
- Você quer que eu te conte ou te mostre?
sentiu o mundo parar naquele instante. Ela tinha entendido direito? estava realmente sugerindo aquilo?
Seu cérebro voltou a funcionar e ela conseguiu lhe responder à altura.
- O que você preferir.
deu um risinho sacana e assentiu, se inclinou ainda mais sobre ela, beijou sua bochecha lentamente, limpando o glacê que tinha ali. fechou os olhos e se afundou ainda mais no sofá, sentiu uma mão de em sua cintura, enquanto a outra a segurava pela nuca. Os lábios dele passaram por seu queixo e ela gemeu baixo quando ele mordiscou aquela região.
- . - sussurrou, e ela abriu os olhos imediatamente.
a fitava com tanta intensidade que ela jurava que ele poderia ver o seu interior e decifrar tudo o que ela sentia naquele exato momento, o rapaz lhe deu outro beijo de esquimó e no processo sua boca tocou levemente na dela.
- Posso te beijar? - ela se surpreendeu com essa pergunta.
- Com certeza. - afirmou, e sentiu seu coração se aquecer com o brilho que viu nos olhos deles. - Você é tudo o que eu quero, .
Aquelas palavras foram o último incentivo que ele precisava, tocou os lábios dela com cuidado, querendo sentir sua maciez. envolveu os braços no pescoço dele, o puxando mais para si, gemeu baixo quando sentiu a língua dele tocando a sua, numa carícia lenta e gostosa. Um simples toque de era capaz de lhe causar sensações completamente novas para ela, era inexplicável. E ele não estava muito diferente dela, cada contato da sua pele com a de o arrepiava por inteiro.
- Acho que agora não tem mais como ser só sua amiga. - comentou quando finalizaram o beijo.
- Não mesmo. - lhe deu um selinho. - Acho que ultrapassamos todos os limites de amizade aqui.
- Você tem dúvidas? - perguntou, acariciando a nunca dele.
- Não.
- Nem eu.
- Eu poderia te beijar o dia inteiro. - a encarou, com um sorriso no rosto.
- E está esperando o que pra fazer isso? - riu, adorando o toque dele em sua boca.
se inclinou, voltando a beijá-la com vontade.


Fim.



Nota da autora: Oi gente, essa é a primeira Ficstape que estou participando e preciso confessar que estou bem nervosa.
Eu já tinha metade dessa história pronta quando surgiu a oportunidade de pegar a música Around U, então não perdi tempo e mergulhei de cabeça.
Estou curiosa para saber o que acharam do que escrevi, comentem, por favor hahaha




Outras Fanfics:
Minha Garota (Restrita/Finalizada)
12. Army (Ficstape Ellie Goulding)
14. River (Ficstape Charlie Puth)


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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