FFOBS - 05. I Could Say, por Lord G

Finalizada em: 28/10/2019

Capítulo Único

descia as escadas rapidamente enquanto xingava a pessoa que tocava a campainha da casa sem parar.
— Mas que inferno, já vai. — Disse assim que chegou na sala.
Quando abriu a porta, arregalou os olhos ao visualizar sua melhor amiga com olhos inchados e toda molhada da chuva forte que caia.
— O que aconteceu? — Perguntou preocupada puxando a menina para dentro de casa.
— Desculpa por aparecer assim. — Ouviu falar com voz sofrida.
— Para com isso. — puxou a amiga para um abraço, sentido sua roupa encharcar por conta a umidade da outra. , por sua vez, desabou em lágrimas, se é que ainda tinha. — Você está me assustando.
— Não é nada demais.
— Não parece.
soltou o abraço, encarando a amiga mais uma vez.
— Te molhei toda. — disse rindo, tentando quebrar o clima.
— Vem, vamos subir.

arrastou a garota até o próprio quarto, que ficava no primeiro andar, pediu que a mesma entrasse no banheiro para tomar um banho enquanto ela separava roupas secas.

encarou o espelho assim que entrou no cômodo, ficou horrorizada com a visão que teve: cabelos úmidos, olhos inchados e lápis escorrido. Entretanto ao retirar as roupas encharcadas, sorriu pela primeira vez no dia ao perceber que tinha engordado um pouco. A dois meses estava tão magra que quase não reconhecia a si própria.
Entrou no box, ligou o chuveiro e deixou a água morna escorrer pelos fios de cabelo e pele.
Tentou não pensar em nada, quis esvaziar a mente por um segundo. Tinha passado por tanta coisa que poder parar os pensamentos por um momento que fosse seria perfeito.
Saiu do banho alguns minutos depois, enrolou-se na toalha que tinha a entregado e saiu do banheiro. Já no quarto, encontrou deitada na cama enrolada no edredom por conta do ar condicionado. Vestiu a roupa que a amiga tinha separado e foi deitar ao lado dela em seguida.
abraçou a garota de lado, puxando para si e pensou que não existia lugar que se sentisse mais segura que nos braços da melhor amiga.

— Você quer me contar o que aconteceu? — quebrou uns longos minutos de silêncio. Curiosa, porém com medo da resposta.
respirou fundo antes de responder.
— Encontrei o hoje.
— Ele disse alguma coisa para você? Juro que tenho uma vontade tão grande de…
— Não! — riu da exaltação da amiga. — Ele não fez nada, acho que nem me viu. Só que eu achei que tinha superado sabe? Que estava tudo bem, só que parece que não.
— Ah, , as coisas não acontecem do dia para a noite, precisa-se de tempo. Você tá no caminho certo, vai superar isso.
— Já não tenho tanta certeza.
— Não pare de acreditar em si mesma, por favor, está indo tão bem com o processo de auto aceitação. É só uma fase.
— Eu sei, é que... — A moça interrompeu a fala própria para sentar na cama e encarar a outra. — Ele não precisou fazer nada que meu mundo desabou, nem mesmo me olhar, entrei em pânico. Eu quero superar isso.
— Você vai! — encorajou, mas percebeu que não acreditou tanto. — Vamos fazer o seguinte, precisa de um recomeço.
— Recomeço? — perguntou confusa.
— Sim. — A mulher também sentou na cama. — Quero que pegue algo que te faz lembrar desse relacionamento e quero que queime. Pense que as chamas queimaram todos os sentimentos por ele, tirando-os de você.
— Acho que não tenho nada mais, joguei tudo fora.
— Hum — resmungou tentando pensar em algo. — Então escreve uma carta.
— Isso é tão ensino fundamental.
— Problema, você vai ter que fazer isso.
— Não sei…
— Quer ajuda ou não? — concordou positivamente.
— Então esse é seu dever de casa.
soltou um ar pesado que estava preso nos seus pulmões e cedeu. — Ok, eu faço.
— Ótimo. — falou animada, abraçando-a. — Agora vamos assistir algo.

Quando chegou em casa, assim que entrou no quarto olhou para escrivaninha e lembrou do que a melhor amiga tinha falado mais cedo. Não iria matá-la escrever em um papel, iria? Sentou na cadeira, puxou um caderno qualquer que tinha por lá e arrancou uma folha em branco.
A mulher passou mais de quinze minutos encarando a folha pautada e nada, não tinha ideia do que colocar. Puxou um lápis do objeto cilíndrico que tinha em cima da mesa e ajeitou-se na cadeira.

— Vamos, , você consegue. — Incentivou a si mesmo respirando fundo.


"Eu, sinceramente, nem sei o que escrever, mas se isso significa seguir em frente, vou tentar.
A quase dois meses atrás achei que nunca fosse conseguir superar tudo que passei, mas aprendi que o fato de ter 22 anos, ser jovem, posso enfrentar e passar por cima de qualquer coisa. É uma vida diante de mim. Analisando esses dois meses vejo que amadureci, que parei de guardar rancor, aprendi a socializar mais e lutar pelo que é meu.
Por dois anos senti-me presa, nada nunca estava bom, seja roupa que vestia, seja no trabalho, seja as amizades que tinha. Nada. Como um passarinho preso na gaiola querendo voar.
Eu achei por muito tempo que meus amigos não eram bons o suficiente para mim, mas adivinha? Você não era bom o suficiente para mim.
Ouvi palavras horríveis da sua boca todo os dias, mudei meu corte de cabelo três vezes, não fiz a tatuagem que tanto queria por conta da sua reprovação, mas adiantou de que?
Deixei de ser eu, deixei você levar em essência e minha autoestima. Por dois anos, fui quem quis que fosse e não quem eu queria ser.
Perdi 10kg em poucas semanas, entrei em uma dieta tão rígida que achei que meu corpo não fosse aguentar.
Eu poderia dizer que, mesmo depois de tudo isso, continuaria te amando, mas não posso prever o dia de amanhã. Tudo nessa vida é um processo, reconheci onde estava e quis mudar. Aprendi que os amigos são as pessoas que você mais deve confiar e de que não posso submeter a tudo que passei contigo novamente.
Eu poderia dizer que tudo que aconteceu nos últimos dois anos juntos foi minha culpa, mas não foi e aprendi isso depois de algum tempo, depois de chorar e errar bastante.
Estou escrevendo para poder seguir em frente.
Eu poderia dizer que você não vai mais me abalar, porém isso leva tempo.
A única coisa que sei é que me libertei.


Isso é um adeus, ."




A garota encostou as costas na cadeira, aliviada com tudo, sentia seu coração ficar mais leve aos poucos. Olhou para o pedaço de folha e sorriu, estava satisfeita.
Andou até a cozinha, ligou uma das bocas do fogão no mínimo e aproximou a ponta do papel, assim que o escrito começou a virar cinzas, desligou o fogão e foi até a pia, observando as pequenas chamas tomarem conta. Agradeceu por não morar mais com sua mãe, uma hora dessa ouviria um "Ficou doida? Quer colocar fogo na casa?", riu dos pensamentos e negou com a cabeça, soltando o resto do papel na pia e molhando em seguida.
Correu para pegar o celular, ligando para a melhor amiga.
Alô?
— Eu fiz!
Iaí?
— Estou me sentindo melhor. — soltou um suspiro de alívio depois de ouvir aquilo, por que significava que a garota iria ficar bem.


Now you're gone it's like I've been let out of my cage
(E agora que você se foi é como se tivessem me tirado da minha gaiola.)


Fim



Nota da autora: Eu nem sei o que dizer nessa nota final k, a única coisa que eu sei é que fiquei muito animada pra escrever, peguei a música em cima da data de entregar e conseguir mesmo assim (uma vitória pessoal). Enfim, espero que tenha gostado e não se esqueça de comentar ❤





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