Finalizada em: 20/01/2018

Capítulo Único

Flashback!
Tentei buscar o máximo possível de ar para respirar quando voltei para o quarto o encontrei na mesma posição de uma hora atrás. estava determinado a me tirar do sério, e isso realmente acontecia todos os dias. E hoje ele estava provocando uma briga. Aquilo aconteceria se ele não ajudasse naquele jantar. Ficar deitado vendo TV enquanto eu estava me matando para fazer o jantar e arrumar a casa?
Hoje era um dia especial para minha família, e eu queria passar a noite toda com eles e comemorar o casamento dos meus pais. Vinte anos juntos era motivo de comemoração e uma noite maravilhosa. E eu queria proporcionar esse momento em família, unindo-os com o meu namorado e minha melhor amiga.
Além dessa pequena comemoração ser um bom motivo para que e se reencontrassem para conversar. Outra coisa que eu não conseguia acreditar era que, dentro de cinco anos, o contato que eles tinham um com o outro era quase nulo. sempre foi minha melhor amiga e sempre esteve ao meu lado em todos os momentos importantes, principalmente quando eu decidi que iria sair de casa e morar com . Apesar de não suportá-lo e deixar isso nitidamente claro, até mesmo para ele, apoiou a decisão e, sempre que possível, me visitava quando estava trabalhando. Quando o assunto era , ela sempre arrumava uma desculpa não tocar em seu nome ou desconversava, mudando de assunto para qualquer outro que não envolvesse minha vida pessoal ou que envolvesse diretamente ele.
O ranço e o desprezo sempre surgiam quando eu tentava conversar sobre ele. Ela tinha uma ideia fixa sobre a personalidade de , e o mínimo que falava a respeito era para me alertar e demonstrar que estava preocupada com esse relacionamento.
— Qual é o seu problema, ? — Cruzei os braços visivelmente irritados com o ser humano que estava deitado na cama. Fumando e bebendo. Hoje ele estava terrivelmente insuportável, e eu não imaginava qual estava sendo o problema da semana. Na realidade, não conseguia entender o que acontecia com ele. Uma semana estava de ótimo humor e era tudo perfeito. Na semana seguinte, ele se tornava uma pessoa totalmente diferente e descontrolada. Sem contar o mau humor e a falta de interesse por qualquer coisa.
— Que problema? — O olhar cínico dele me provocou de uma maneira que era capaz de voar com uma vassoura para cima dele. Que problema, seu idiota? Você anda sendo o meu problema nessa semana! O que aconteceu com você? Por que essa mudança brusca de humor? Onde ficaram todas as carícias e aquele sorriso maravilhoso que surgia em seu rosto toda vez que eu me aproximava?
— Você é meu problema, ! — Cuspi as palavras grosseiramente. — VOCÊ! — Gritei. Ele me olhou, ainda com aquele ar de cinismo, e começou a rir. Não era possível que ele estava dessa maneira. Eu que ficava de TPM, e era ele que mudava de humor? Ele estava ficando maluco.
— Gatinha. — Ele me chamou, batendo uma das mãos na cama para que eu fosse ao seu lado. Gatinha. Contei até dez para não jogar algo bem pesado na cabeça dele. Quantas vezes eu falei que não gostava daqueles apelidos ridículos? Parecia que ele estava falando dessa maneira com várias outras mulheres. — Paixão? — tentou novamente um apelido mais carinhoso, e eu desisti de ficar com ele num mesmo ambiente. Era capaz de perder a cabeça e quebrar alguma coisa na cabeça dele, acabando com todos os meus problemas.
. Quero você pronto em meia hora e esse quarto arrumado. — Disse firme, fazendo alguns gestos com as mãos. — Não estou brincando. Meus pais e a vão chegar a qualquer momento, e não quero que eles encontrem você jogado dessa maneira e bêbado, ainda por cima.
— O jantar. — Ele sorriu, jogando uma das pernas para fora da cama. O desprezo no olhar dele me fez sentir uma raiva extrema. — Vou tomar um banho. Colocar minha melhor roupa e ficar esperando a minha sogra e meu sogro do coração, e sem esquecer da minha querida amiga, .
— Nem preciso dizer nada, certo? — Certifiquei que ele escutou tudo ao ver que ele procurava uma roupa na gaveta. — Por favor, você e a , sem conflitos. — Logo cortei o assunto ao ver a fisionomia dele mudar. Agora o desprezo estava mais visível. — O que foi? Ela é minha melhor amiga, e eu espero que você respeite isso.
— Hoje você tirou o dia para me irritar. — estourou, batendo com força a porta do guarda-roupa. — Quero descansar um pouco e você fica falando e falando. — Ele balançou os braços no ar. — É jantar para lá. É faça isso para cá. É respeito, amor, e todo esse inferno que você sempre arruma.
. — Chamei a atenção dele, agora com uma mão na cintura e a outra na testa. Calma. Era tudo o que mais estava precisando agora. Como procurar a calma com meu namorado agindo de uma maneira diferente a cada semana? Eu nem ao menos era capaz de entender o porquê disso acontecer. Se eu ao menos soubesse o que acontecia na vida dele para essas mudanças de humor, mas eu era a última pessoa a saber de tudo. E ele nunca me contava nada sobre a sua vida. NADA.
— O que você quer? Eu estou fazendo o que você quer, não estou? — Ele foi estúpido abrindo novamente a porta do guarda-roupa. — Vou colocar a minha melhor roupa, arrumar essa droga de quarto e aturar a sua família como você quer. Aturar a cara de merda da sua melhor amiga e ainda tolerar você falando e falando a noite toda. — O limite. Ele tinha ultrapassado o limite essa noite. — Não aguento você dessa maneira. Acha que manda em tudo e todos. Eu tô cansado de ter você na minha vida dessa maneira, cansei dessa merda de relacionamento. É tudo sobre você, tudo o que você quer, e eu pareço que tenho que viver só quando você me permitir. — Minha vontade foi acabar tudo aquela noite. Paciência era algo que eu não tinha mais, e essas crises estavam acabando comigo.
— Então vai embora, some da minha vida! — Perdi a calma, indo em direção à porta do quarto. — Não quero mais saber de você, não quero mais sofrer por você e eu estou cansada de tudo isso também. — Algumas lágrimas começaram a escorrer por meus olhos, e eu senti minhas mãos ficarem trêmulas. — Vai embora, . Some da minha vida de uma vez. Eu que não aguento mais viver com uma pessoa inútil, com um homem que, na realidade, é uma criança mimada que precisa de atenção e, quando não tem o que quer, fica descontrolado. — Eu estava descontrolada, sem saber o que estava falando, mas estava sentindo isso há muito tempo e precisava colocar para fora. Ele continuou em pé, sem mover nenhum milímetro, observando o meu descontrole. — Você é infantil, complicado, idiota, grosso e qualquer outra coisa repulsiva que existe nesse mundo. Esse relacionamento acabou há muito tempo, esse sentimento morreu há muito tempo, e eu continuo aqui lutando sozinha por ele, e você nem ao menos se importa com mais nada.
— Ótimo, ainda bem que você entendeu que esse relacionamento é uma merda e que eu detesto ficar mais um segundo com você! — Ele foi duro, e aquelas palavras me atingiram de uma maneira que nem soube explicar. Ele esperava por essa briga há muito tempo, e hoje eu estava cansada. Não aguentava mais viver dessa maneira, triste, abatida e sem qualquer tipo de amor. — Você é uma babaca que acha que eu tenho que viver a minha vida atrás de você. Eu não sou seu cachorrinho e eu quero liberdade. Não quero ter hora para chegar em casa, não quero ter um relacionamento que me sufoca e não quero ter apenas uma mulher. Eu quero ser livre e tô cansado de ficar me escondendo durante esse tempo todo. — Ter dúvidas sobre as traições eu tinha, mas agora saber de todas elas dessa maneira foi o ponto final que estava esperando para que tudo chegasse ao fim. — Nunca gostei de me sentir preso e há muito tempo que eu não vejo você como mulher. O que eu quero de você é apenas que cuide de mim, da casa, das minhas roupas e que faça a minha comida. Por que sexo? Eu encontro todos os dias com cada mulher diferente que eu quiser.
— SEU BABACA. — Perdi a calma, partindo para cima dele. Como ele era capaz de dizer tudo isso dessa maneira? Como ele conseguia ser um babaca desse jeito? E todos os anos que me dediquei a esse relacionamento, coisas que deixei de fazer ou lutar para estar ao lado dele? E todo esse amor que ele dizia sentir por mim? Fiquei cega e tentava de alguma maneira atingir o seu rosto com algum tapa. — EU TE ODEIO, EU TE ODEIO.
— Você me ama. — Ele riu, debochando e segurando com forças minhas mãos. havia ultrapassado todos os limites hoje, e a força dele fez com que eu sentisse uma dor enorme. — Me ama tanto que não consegue viver um segundo sem, por isso eu posso fazer o que eu quiser com você que nada vai acontecer. — Ele continuou rindo, e eu senti o cheiro do álcool muito forte. — Olha como você é vulnerável e eu consigo fazer o que eu quiser, . O que eu quiser com você e, no fim do dia, você volta. — estava errado. Não iria voltar, nunca mais voltar e nunca mais queria vê-lo novamente. Ele me empurrou com força quando eu menos esperei, e minhas costas bateram contra o guarda-roupa. O impacto fez com que eu soltasse um gemido, e ele voltou a me pressionar, segurando minha garganta com uma das mãos. — Amor, eu te amo também e não consigo viver sem você, mas eu preciso me sentir livre, e você é muito chata. — Agora a outra mão dele começou a deslizar para meu corpo, e eu sentia os meus olhos ficarem embaçados com as lágrimas. Eu queria ser capaz de gritar, correr e pedir por ajuda.
— Me solta…
— Claro, você tem que fazer uma coisa primeiro. — Ele pediu, e eu sabia que ele estava completamente transtornado. Sua fisionomia mudou de repente, e agora ele tinha nos lábios um sorriso malicioso. O medo percorreu por todo o meu corpo naquele exato momento, quando senti a mão passeando por cima da minha calça. — Quero de você algo que você há muito tempo não faz, quero sentir você, tocar cada parte do seu corpo e beijar tudo o que é meu por direito. — tocou levemente a minha intimidade e eu chorei, implorando que ele me soltasse. Fechei uma das mãos, desesperada, esperando que somente esse soco fosse necessário para que se afastasse de mim. Por mais que eu tivesse lúcida que isso iria causar uma raiva nele, era minha melhor saída para correr o máximo que conseguisse para fora do apartamento. — Amor, eu estou te sentindo…
— Eu nunca vou te perdoar por isso. — Sussurrei, olhando dentro dos olhos dele pela última vez. Fechei o punho e, numa atitude desesperada, empurrei o corpo dele com o meu e soltei um golpe, sem ao menos saber onde havia acertado. caminhou alguns passos para trás com a mão no rosto e começou a xingar e a gritar bem alto. O momento era aquele e, sem ao menos esperar abrir a porta, desesperada, corri para fora do apartamento, gritando por ajuda. Meu corpo não respondia mais aos meus instintos, e eu precisei controlar minha respiração descendo as escadas rapidamente. Tudo o que eu queria era correr, correr para bem longe de , para longe daquele monstro.
...End!

’s POV

FRIO! MUITO FRIO! Fechei em volta do pescoço o enorme cachecol e esfreguei uma mão na outra, lutando para manter o calor do meu corpo contra o pesado agasalho.
Perdi completamente a hora ao ficar parado naquela mesma posição esperando em algum momento contemplar o seu lindo rosto. Ou simplesmente ficar parado observando a maneira dela movimentar o corpo olhando para cada lado da rua. Eu precisava de qualquer visão que fosse possível daquela garota, qualquer coisa que trouxesse novamente algum tipo de esperança.
Esperança.
Soltei um suspiro longo, imaginando que aquilo teria que acabar em algum momento, e eu seria obrigado a ir embora de uma vez por todas da vida dela. O tempo não foi o bastante para que eu pudesse esquecê-la. Nem mesmo vê-la com diminuiu o ritmo desenfreado que meu coração batia toda vez que a via. Nem ao menos sabia se ainda lembrava de mim, ou se imaginava que eu ainda a amava dessa maneira. Logo, a minha situação era um pouco mais complicada. Eu a via através de algumas lembranças e de algumas remotas fantasias. Todas essas fantasias que minha cabeça perturbada acabava criando para manter viva sempre a imagem dela em minha cabeça.
Era isso que me restava naquele momento. Fantasiando tudo aquilo, eu era capaz de sentir que fazia parte da vida dela novamente, que ela me amava e que estava ao meu lado a todo momento.
Essas fantasias me davam esperanças, felicidade e vontade de acordar todos os dias. Eu fantasiava na minha cabeça uma realidade que não existia. Minha maior e melhor fantasia era acordar e vê-la ao meu lado na cama, o sol entrando pela janela e ela se espreguiçando, usando uma camisola de seda rosa e aquele sorriso, o maldito sorriso todas as manhãs, que fazia com o que meu coração batesse de maneira descompassada. Esse mesmo sorriso que eu mantinha em minhas memórias para suportar a sua ausência, a triste realidade de nunca ter sido homem o suficiente para fazer aquela garota feliz. Por ter sido um idiota e um babaca com a mulher que era o meu mundo.
Apoiei uma das mãos contra o enorme pilar, buscando novamente o olhar de . O pouco contato visual que eu tinha dela foi o suficiente para enxergar a sua vaga expressão de cansada. Ela não tinha mais aquele sorriso nos lábios e, daquela distância, percebi que estava muito mais magra. Meu coração se entristeceu por vê-la daquele jeito. O que estava acontecendo com , que não estava cuidando dela? Cadê o cara perfeito? O homem? O conquistador? O porto seguro? E toda aquela baboseira?
Todas aquelas coisas que ela tinha me dito em nosso último contato. Onde estava esse porto seguro, se nem um brilho nos olhos ela tinha? Em nenhuma parte do seu corpo era visível a felicidade, o amor, o fascínio. Ela estava triste, cansada, deprimida, e eu sabia de tudo isso por ter tido a oportunidade de viver cinco anos ao seu lado. Era eu, eu era o seu brilho. O seu amor, o seu porto seguro, e era só comigo que ela iria ser feliz novamente. Eu, , era seu namorado, seu homem, seu companheiro para toda a vida. Mas eu também era a sua infelicidade. O garoto que não entendia, a criança que não respeitava e o ser humano mais desprezível que um dia existiu. O homem que não era capaz de fazer a sua mulher feliz, o homem que manteve um relacionamento durante cinco anos e, em todos aqueles anos, só fez a garota que tanto amava sofrer. Em cinco, eu conseguia contar nos dedos todas as vezes que eu realmente a vi feliz ao meu lado, e em todos os outros era dor e sofrimento. Esse era eu, essa era a realidade. E ? Meu melhor amigo? Ele era tudo o que nunca fui capaz de ser na vida dela. era felicidade, alegria, companheirismo, fidelidade e, por mais que eu tentasse esconder, sentia inveja de todas essas qualidades.
E mais inveja ainda por saber que agora estava em um relacionamento justo com .
O ar frio não foi capaz de controlar a temperatura que surgiu do meu corpo naquele instante. Ela estava há poucos metros, e, se eu me esforçasse, era capaz de tê-la em meus braços. A minha necessidade estava me levando ao máximo da insanidade, e eu não aguentava mais controlar todos aqueles sentimentos e vontades que eu tinha em relação a . Pensei que fosse possível controlar todos os meus impulsos, mas eu estava prestes a ignorar qualquer coisa e ir até ela de uma vez por todas. Aquilo tinha que acabar em algum momento, e eu não podia mais viver daquela maneira, sofrendo por esse amor. Aquela dor estava me consumindo aos poucos. Eu precisava pedir desculpas por todos os erros, pedir e implorar que ela voltasse para mim. Sabia que ela iria ceder, que ela iria voltar a me amar e que somente pedindo desculpas era o necessário para que ela entendesse que eu errei e que estava arrependido. Uma adrenalina controlou o meu cérebro, e eu estava ficando completamente atordoado.
Controle.
Eu não tinha mais controle do meu corpo. Por mais que eu quisesse buscar esperanças naquele contato visual, eu estava me enganando. Buscava por mais.
Por um contato real.
Carnal.
Qualquer coisa que pudesse ser capaz de controlar toda aquela necessidade que surgia cada vez que eu pensava nela. De repente, eu me vi atravessando a rua sem me importar com nada. Eu precisava acabar com isso de uma vez por todas ou ficaria louco.
Senti minhas pernas ficarem trêmulas a cada passo que eu dava em direção a ela. Meu coração não sabia que ritmo seguir, e eu senti que fosse capaz de perder por completo a lucidez. estava parada, olhando para cima, como se estivesse pensando em algo ou se despedindo de alguma coisa importante. não estava com ela, e esse era o momento que eu buscava há tanto tempo. Em minha mente, por diversas vezes eu estava fazendo esse caminho, e ela me recebia com o seu melhor sorriso e seu melhor abraço. O beijo dela seria de saudades e, ao mesmo tempo, violento trazendo um choque para o meu corpo, e eu busquei essa fantasia enquanto me aproximava ainda mais do local onde ela estava.
Minha respiração ficou pesada, e eu parei exatamente há alguns centímetros dela. Daquela distância, era possível esticar os braços e envolver sua cintura contra a minha. O melhor reencontro que eu teria com a pessoa que eu amava tanto. Naquele momento, eu não estava pensando racionalmente e não me importava se estava sendo certo ou errado. estava tão próxima, e isso era a única coisa que eu conseguia pensar naquelas frações de segundos que me levaram para chegar até aquele lado da rua. Irracionalmente, eu conseguia sentir contra a minha pele o calor do corpo dela. Tentei recuperar o fôlego com todos aqueles sentimentos invadindo o meu corpo, e nada do que eu fizesse era capaz de controlar a sensação e o fogo que queimava dentro do meu peito. Eu estava com ela novamente. E isso era irracional.
Voltei a perder o controle dos meus atos, e um formigamento surgiu de toda parte do meu corpo. Meu coração começou a palpitar, e a coragem de tocá-la mostrou-se presente quando me vi esticando o braço e tocando gentilmente em seu ombro. Soltei a respiração imediatamente e respirei fundo, tentando levar oxigênio ao meu cérebro. Não tinha como fugir daquilo. Eu tinha quebrado a barreira, e agora era o momento para que isso tivesse um fim. Cada parte do meu corpo gritou com aquele contato, e, no momento que ela virou e eu a olhei dentro dos olhos, um sentimento de desespero invadiu meu corpo. Ao julgar pela maneira com que ela olhou, notei que estava em estado de choque e completamente atordoada da mesma maneira que eu estava. Sustentei o seu olhar, sem dizer nada, e ficamos parados naquela mesma posição sem desviar o olhar um do outro. Ela tentava entender o que estava acontecendo, e eu lutava contra o meu instinto de tomá-la em meus braços de uma vez por todas e acabar com aquela agonia.
— O que você faz aqui, ? — Ela perguntou, e, pelo tom da sua voz, eu consegui notar o desprezo e a fúria ao me ver novamente. — O que você quer? Não acha que está um pouco longe de casa?
— Eu pensei…
— Você não tem que pensar, não tem ao menos aparecer na minha frente dessa maneira. — Ela me cortou imediatamente, e eu consegui sentir toda a amargura e o rancor em sua voz. — Não gosto de nenhum contato com você, não suporto olhar na sua cara e nem ao menos respirar o mesmo ar que você, . — Novamente, o desprezo, e aquilo fez com que meu coração ficasse apertado. Como ela conseguia dizer tudo isso com tanta facilidade? Com tanta certeza? Será que em nenhum momento sentiu a minha falta? Ela precisava me perdoar por isso.

— Não! , não. — Ela caminhou para longe, pegando distância considerável de mim. — Some da minha vida, me deixa em paz de uma vez por todas. Vira homem de verdade e segue a sua vida, como eu estou seguindo a minha. Procura uma pessoa que tem os mesmos pensamentos e atitudes que você e finge que eu nunca existi. — Outro choque com aquelas palavras, e eu parei, respirando fundo, tentando controlar o choro que estava parado na garganta. Ela não entendia o quanto eu estava arrependido durante todos aqueles anos, o tanto que eu precisava pedir perdão por todos aqueles erros. Eu só precisava de alguns segundos, de algumas palavras, e ela não estava disposta a me dar esse espaço. Ela precisava ao menos me escutar, escutar meus motivos, minhas desculpas, e aceitar que eu estava errado e perdido.
, eu preciso pedir desculpas por ter sido um filha da puta com você todos os anos que estivemos juntos. — Disse, por fim, não dando espaço para que ela tivesse qualquer reação. Ela apenas balançou a cabeça, cruzando os braços. Como eu poderia esperar outra reação a não ser essa? Fria. Totalmente fria e despreocupada com esse sentimento. Com essas palavras e com a maneira que eu estava me sentindo. Essa não era a minha , não era a mulher da minha vida e, se fosse, ela estava totalmente diferente. A outra teria entendido, me abraçado e iria embora comigo para casa. — Me desculpa por ser esse lixo humano que conviveu com você durante cinco anos, desculpa por ter tratado você daquela maneira absurda. Por ter forçado você daquele jeito. Eu estava descontrolado. — O choro, que antes eu tentava controlar, agora era possível ver escorrendo pelo meu rosto e invadindo a minha voz. Chorei. Coloquei aquela dor de anos para fora, e ela nem ao menos conseguiu olhar em meus olhos ou esboçar alguma preocupação. — Eu sei que te decepcionei e sei também que sou um ser humano cheio de erros e defeitos, mas preciso de uma chance de ter você novamente comigo. Volta para casa, volta para a minha vida. Volte a ser a mulher que eu preciso.
— Cala a boca, . — Ela caminhou, agora apontando o dedo contra o meu peito. Mesmo sabendo que o sentimento era amargo, eu consegui sentir novamente o contato dela. — Eu perdi cinco anos da minha vida nesse relacionamento, perdi CINCO anos amando uma pessoa que só me humilhava, um ser humano que não tinha amor nenhum e nem coração. — Ela disparou a falar, e eu não tive nenhum reação, apenas escutei, balançando a cabeça, sabendo que tudo aquilo era verdade. A única coisa que eu conseguia fazer era chorar e sentir a dor da verdade me atingir novamente. — Você sabe quantas noites eu passei em claro esperando você chegar? E quando você chegava estava bêbado? Quantas noites eu esperei você para conversar e você aparecia só no outro dia, e eu sabia que estava com outras mulheres? — Agora ela estava chorando e começando a tremer de raiva. Daquela distância, eu senti o seu perfume, e minha cabeça pesou. A vontade de abraçá-la foi mais forte que qualquer outra reação. — Eu sofri, tinha medo e nojo de você me tocar. Me obriguei a ficar com você por um medo idiota de deixar você sozinho no mundo. Hoje em dia, o único sentimento que eu tenho por você é de desprezo, e, se você morresse, eu não iria sentir nenhum remorso. Pelo contrário, iria torcer para que tivesse sido uma morte bem dolorosa.
— Amor, não fala assim. — Fiquei chocado com aquela revelação e pressionei os lábios, sabendo que ela estava mentindo. Que aquilo era tudo mentira e que eram palavras do momento. Na realidade, eu sabia que ela gostava de me irritar, e hoje não estava sendo diferente. — Me abraça, fica comigo. — Abri os braços, e ela, com pouca força que tinha, me empurrou para longe.
, não me toque nunca mais.
— Desculpa, amor. Desculpa por fazer você sofrer desse jeito. — Tentei inutilmente pedir desculpas, tentei abraçá-la, e nada do que fizesse estava dando certo. Ela parecia não aceitar minhas desculpas, e aquilo começou a mexer com minha cabeça. tinha que aceitar de qualquer jeito, ela sempre aceitou. Por que estava tão relutante assim? — Eu te amo, o nosso amor é maior que tudo isso. Por favor, volta para mim.
, apenas me poupe de todas essas palavras. — voltou a se afastar e tirou o celular do bolso. Não era preciso ser um expert para saber que ela estaria ligando para e que, em questão de segundos, ele estaria surgindo de algum lugar para me ameaçar. — Olha para mim, . — Ela voltou a sua atenção para o meu rosto depois de trocar algumas palavras com ele ao celular. — Olha como eu estou bem. Como eu estou feliz e como eu me sinto a mulher mais completa e feliz do mundo. Olha dentro dos meus olhos e enxerga a felicidade que eu sinto todos os dias por saber que eu tenho o na minha vida. — Eu queria gritar. Gritar e arrastá-la para um lugar longe daquela realidade. Ela não podia estar falando a verdade, era mentira, não estava feliz dessa maneira e eu sabia. Eu lutava em acreditar nisso. — Eu amo ele com todas as minhas forças e sou amada todos os dias. Ele é o homem da minha vida. é o homem que me respeita, que me compreende, que me apoia e o homem que me completa por inteira. — Comecei a perder o controle e minha respiração ficou ofegante com cada informação que ela começava a soltar sobre o relacionamento dela com . Eu sentia o formigamento percorrer por toda a extensão do meu corpo. — O meu amor é dele e eu me sinto livre, livre para amá-lo todos os dias e todos os dias ele faz questão de deixar bem claro que eu sou a mulher da vida dele e que, acima de tudo e de todos, ele vai estar comigo, ao meu lado, e que nunca mais vai deixar ninguém me machucar.
— CALA A BOCA! — Gritei, arrancando a toca da minha cabeça, sentindo uma raiva explodir. Ela ficou maluca. não era tudo isso, ele não era esse cara que ela imaginava. Eu, eu era esse cara. E ela tinha que ficar comigo de todo o jeito. — Cala a boca! Você não é feliz com ele, não sou eu e nunca vai ser. E sua felicidade só vai ficar completa quando estiver comigo. , você vai ficar comigo.
— CALA A BOCA, . — Ela, alterada, caminhou para perto, agora acertando vários socos contra o meu peito. E eu segurei ambas as mãos dela com força e a puxei para o meu corpo. Uma lembrança surgiu nesse momento, e eu me lembrei da nossa última briga, lembrei de como a pressionei contra o guarda-roupas. Mas eu não conseguia soltá-la, precisava desse contato. Precisava mostrar para ela tudo o que estava acontecendo e o quanto ela estava errada. — ME SOLTA, ME SOLTA. — lutou, e eu notei que estava perdendo a lucidez dos meus atos, mas eu precisava só dizer algumas palavras. O contato com o corpo dela fez o meu reagir de uma maneira que nunca pensei que fosse reagir, alguma parte dele gritou na esperança de tê-la novamente por uma última vez. Só dessa vez, só esse beijo.
— NÃO, EU TE AMO. EU PRECISO DE VOCÊ. — Continuei gritando, agora segurando-a com uma mão e a outra segurando sua nuca. Tentei puxar o rosto dela para perto do meu, e ela gritava, fechando os olhos e inutilmente me empurrando. — OLHA PARA MIM, FALA QUE ME AMA. FALA QUE ME DESCULPA E QUE EU SOU O HOMEM DA SUA VIDA. — Eu não iria soltar, ela não iria conseguir sair daquele lugar. O limite já estava ultrapassado, e eu não me importava com mais nada, precisava dela. Precisava daquela insanidade e desesperadamente busquei por seus lábios. Ela chorou quando encostei meu rosto ao dela.
— Eu te odeio… — A voz dela começou a ficar fraca por conta do choro e ela tremia bastante, desesperada para sair dos meus braços. Parte do meu coração queria tudo aquilo, mas a outra parte sabia o quanto estava sendo errado forçá-la daquela maneira. — Eu te odeio, eu te odeio…
— Eu te amo, eu te amo mais que tudo… — Beijei-a novamente e, de repente, senti o impacto de alguém puxando minha jaqueta com força.
— O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO, ? — surgiu repentinamente no meu campo de visão. Que droga! Como ele conseguiu chegar tão rápido? Atrapalhando esse mínimo contato e essa saudade? — O que você tem na cabeça? Ficou maluco? — Ele me empurrou mais algumas vezes, e correu para os braços dele, afundando o rosto contra o peito de . —Perdeu a noção? — Ele visivelmente estava irritado, e eu nunca tinha visto-o daquela maneira. passou a mão no cabelo dela e, aos poucos, deixou-a de lado e andou em minha direção.
— Fica na sua, . — Apontei o dedo para ele, tentando recuperar o fôlego. Minha cabeça começou a girar, e escutava o soluço desesperado do choro dela. — Eu a amo, e você sempre soube disso. Eu quero a de volta.
— ELA NÃO É UM BICHO DE ESTIMAÇÃO, . — Ele cruzou a linha, e eu apenas senti suas mãos segurando a gola da minha camisa. Ele acertou um soco na minha boca, e eu comecei a rir, sabendo que ele precisaria de mais do que um soco para me derrubar. Revidei, fechando a mão e também acertei em cheio o soco em seu rosto. cambaleou, desnorteado, e eu parti para cima dele, sem ao menos esperar que ele reagisse. começou a gritar por ajuda e, de repente, começou a surgir pessoas de todos os lados, tentando separar a briga.
— ELA É MINHA, , E EU NUNCA VOU DEIXÁ-LA. — Gritei, lutando contra alguns braços que estavam me segurando. Eles tinham que me soltar, ela precisava de mim. — ME SOLTA, EU QUERO A MINHA MULHER. — Continuei gritando, e andou em minha direção, lançando outro golpe contra o meu rosto. Na sequência, eu senti o sangue escorrer pela minha boca e o meu rosto queimar com o soco. Seguraram-no para longe de mim, e eu tentava avançar para me aproximar dela, para segurá-la e dizer que tudo iria ficar bem.
— Eu não sou sua, . — Ela, ainda tremendo, abraçou na minha frente, e aquilo foi a gota d'água para que eu perdesse novamente o controle. Como ela ainda era capaz de abraçá-lo daquele jeito? — Você me humilhou, abusou e me machucou todos esses anos. Nunca, entenda de uma vez por todas. Nunca e nenhum pedido de desculpas vai me fazer voltar para você. Nada do que você fez tem desculpa, e eu sinto muito por você ter se transformado em uma pessoa maluca, debilitado dessa maneira.
— É AMOR! — Todos ali tinham que entender que o que eu estava fazendo era por amor, tudo era por amor, e também sabia disso. Que meu amor era tão intenso que era capaz de cometer várias loucuras. O meu amor era único, verdadeiro e só eu sentia isso por ela. era um inútil, não sabia de nada sobre ela. Eu sim, eu sabia, conhecia e amava acima de tudo nesse mundo. Um amor que beirava à loucura e à insanidade.
— Amor não é isso. — Agora foi a vez de falar, e, só de escutar a voz dele, meu corpo começou a tremer. Dois homens estavam me segurando com toda força para que eu não fosse capaz de partir novamente para cima dele e acabar com aquele assunto. — , você não pode simplesmente achar que ama alguém e tratá-la como se fosse um bicho de estimação, maltratar, humilhar, trair e abusar. Ela nunca foi a sua mulher, nunca vai ser sua mulher e ela é livre para ser o que ela quiser e amar quem quiser e também ser amada. — Nojo. Senti nojo com o que ele falava. Cada palavra, cada vírgula e cada entoação fazia com que meu estômago embrulhasse. — Amo-a com todo o meu coração e nunca me senti dono dela, amo-a mais do que tudo nesse mundo, mas nunca vou ser capaz de sufocá-la ou desrespeitá-la como você fez. Em nenhum momento eu deixei de amar, sentir saudades ou pensar em outras mulheres. A única mulher na minha vida é ela e sempre vai ser. É disso que nosso relacionamento é construído. Amor, carinho e respeito. Acima de tudo, respeito.
— EU VOU TE MATAR, EU VOU MATAR VOCÊS DOIS. — Ameacei, escutando ao longe barulho de sirenes surgindo. não iria ficar feliz, não iria ficar com ela, e isso não era o fim para esse assunto. Independente de qualquer coisa ou palavra, era minha, e levaria o tempo necessário para que ela percebesse o grande erro que estava cometendo. Trocando o seu grande amor, o único e verdadeiro amor, por ele. , que nunca soube de nada sobre amor e que nem ao menos a conhecia da mesma maneira que eu. — EU VOU TE MATAR, . EU VOU TE MATAR! — Ao longe, vi dois policiais se aproximando da aglomeração, e eu me debatia de um lado para o outro, tentando me livrar dos dois homens. Um deles pediu para que ficasse calmo e me surpreendeu de repente, colocando uma das mãos no meu ombro, e, sem ao menos perceber, meu corpo estava batendo contra o chão. O outro policial foi mais rápido do que eu e colocou as algemas, trancando rapidamente as duas em volta dos meus pulsos. — Para, não. Por favor, é um engano. — Tentei reagir, contorcendo-me no chão, mas tudo se tornou inútil, e eu sabia que quanto mais lutava, mais a algema apertava.
— Nós escutamos tudo. — O policial disse, aproximando-se de e . Ele ainda a abraçava, e agora eu senti a necessidade de pedir perdão para ela, sabia que estava em uma situação delicada e que nunca mais iria vê-la novamente. — Espero que vocês me acompanhem até a delegacia para prestar a queixa contra esse agressor. Ele não merece ficar solto dessa maneira, você tem que denunciar essa agressão e esse abuso. Antes que qualquer outra pessoa sofra do mesmo jeito que você sofreu durante todos esses anos. — Abuso? Agressor? Minha cabeça girou, e eu comecei a ficar desesperado, querendo que eles me escutassem. Quando me virei para dizer alguma coisa, a última cena que me marcou foi de tirando uma mecha do rosto de e lentamente beijando-a. Uma dor voltou a invadir meu corpo, e eu chorei, sentindo que meu mundo desabou e que havia a perdido para sempre. Voltando um pouco para a realidade e voltando a ser racional, chorei e sofri em silêncio, sendo levado para a viatura. Não neguei, não menti e não escondi de ninguém sobre a agressão e o abuso. Eu merecia tudo isso. Merecia pagar por esse erro, merecia pagar por todos esses anos que fui um babaca. Por todas as humilhações, tapas, socos e carícias forçadas. Eu era, sim, um monstro de verdade. E ela? Ela merecia ser amada e protegida de pessoas assim. Pessoas tóxicas. E, mesmo sendo tarde demais para isso, desejei que ela fosse feliz todos os dias da sua vida.





FIM.



Nota da autora: Nunca escrevi nada que tenha relação com um tema complicado desses. Confesso que fiquei bastante em alerta. No fim eu gostei do desenvolvimento e da situação, tenho um carinho muito grande por I'm Sorry, ela foi escrita como um desafio para testar se eu consigo lidar com todos os temas e histórias. Espero que vocês gostem.

Fiquem bem e não deixem de comentar!





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