05. Love Bug

Capítulo Único

Flashback on
- Você tem que dobrar mais os seus joelhos. – falei, apoiando meus cotovelos na mesa.
- Nunca fui boa com isso. – ela disse, dando um breve sorriso e sentando-se em minha frente, com o mesmo aroma de morango que jamais esqueci.
- Com o tempo você aprende.
- Quem sabe... Prefiro que me ensinem. – sua voz sutil e delicada continuava a mesma, assim como seu modo de expressar. Educadamente chamou uma das atendentes para fazer seu pedido. Um simples cappuccino com rosquinhas. Seu sorriso era encantador. Não sei por quanto tempo nossa conversa durou, mas foi tempo suficiente para me perder completamente no horário.
Flashback Off


- ... ! – uma voz extremamente grossa me fez sair dos meus devaneios. Olhei para o lado e vi Joel parado ao meu lado, com uma xícara de café em mãos e uma prancheta na outra. – Dormindo novamente, cara?
- Não estava dormindo, só estava... Pensando.
- Pensando nela novamente?
- O quê? – dei um riso nada convincente.
- Ah, qual é. Tem dias que você está assim. Aéreo, fora do mundo, pensativo... E foi logo da sua viagem a Barcelona. Depois de encontrar a... Qual o nome dela mesmo? Claudia, Jéssica, Maria...
- . – sussurrei. Pior que eu estava. Desde a nossa última conversa, nosso reencontro, não consigo tirá-la da minha cabeça. É como se tudo o que eu pensasse girasse em torno dela. Eu deveria estar feliz... Deveria, se uma de suas falas não me atingisse como uma faca em meu coração.
“Eu moro aqui.”
Porra! E eu jurando que ela ainda vivia com os avôs na Flórida, mas não, ela havia se mudado para outro continente, outro país! Depois daquele dia, nunca mais a vi. Voltei no mesmo local umas dez vezes, mas nada dela. A única coisa que havia conseguido foi seu telefone, mas quem disse que eu tive coragem de ligar?
- Você é besta por não ter ligado. – John continuava falando. – Que frescura essa de ter vergonha. Ah, se fosse comigo...
- John. – o interrompi. – Não é vergonha.
- É o que então?
- Ah, sei lá. – levantei de minha mesa. Precisava de um café urgentemente. Enquanto ia em direção à sala onde ficava o café, meu amigo veio me seguindo. – Vai que ela não queira falar comigo? Vai que ela esteja namorando? Ou até mesmo casada.
- E desde quando ligar é sinônimo de pegar? Vamos acordar, meu amigo! Tudo bem que nós homens sempre queremos algo mais, porém uma boa amizade também ajuda, e melhor ainda com benefícios. Mas uma ligação? Liga para saber como ela está, o que tem feito... Você mesmo disse que não encontrou nenhum anel no dedo dela.
- Sim, mas...
- Sem mas, seu frouxo! Você vai pegar essa porra de café, voltar para sua mesa e ligar para ela. – ele deu seu último gole e saiu.
Ok, uma ligação não mata ninguém. Peguei a xícara e voltei à minha mesa. Retirei da minha carteira o pequeno guardanapo onde estava escrito seu número. A doce letra de continuava a mesma. Tremulo, disquei os números e esperei. Uma, duas, três e...
- Alô? – uma voz mais forte atendeu. Mas não era de homem, era de mulher, e com certeza não era da .
- Er... está? – perguntei, expressando nervosismo.
- Só um momento. – ouvi a mesma voz gritar por seu nome, e logo após um longo silencio tomou conta do outro lado da linha. Será que ela havia desligado? Quando minha esperança já estava começando a zerar, ouvi sua suave voz.
- Quem deseja?
- Hey, sou eu... ! – disse sem jeito.
- Oi! – ela falou animada. – Demorou para ligar, hein? Pensei que iria me dar um bolo!
- Jamais faria isso. Demorei por causa do trabalho. – menti. Havia demorado mesmo, pois como dizia o John, eu era muito frouxo.
- Trabalho... sei... – disse risonha. não havia mudado nada. Falar com ela me trazia sensações, estranhas, mas boas. Era como se uma parte do passado tivesse voltado para mim, a melhor parte do meu passado. Quando conversávamos, parecia que nunca havíamos nos distanciado, ela conseguia transmitir essa sensação mesmo sabendo que estava em outro continente. Mas não conseguia aceitar o fato dela estar tão longe.

Nossas ligações começaram a ser constantes, já imaginava o quão alto seria a conta telefônica a cada mês, mas quem liga? Se eu alegasse que nunca a amei, estaria mentindo. foi meu primeiro amor, tanto de escola, quanto da vida. Era uma sensação boa estar ao lado dela. Éramos melhores amigos, companheiros, namorados.
Era uma sexta feira à noite quando Peter, John e eu resolvemos sair juntos, como nos velhos tempos. Uma balada amiga para estrear mais um final de semana.
- Três whiskies, por favor. – John pediu ao barman. Sentamo-nos na mesa do bar enquanto esperávamos as bebidas. A música rolava a solta e as pessoas dançavam como se não houvesse o amanhã. Assim que nosso pedido chegou, como de costume, brindamos e viramos tudo de vez.
- Uou, vai com calma, cara. – John disse a mim. Não entendi o proposito da sua fala, era como uma tradição fazermos isso. – A patroa em Barcelona não vai gostar disso.
- O quê? Eu não estou com a .
- Não? E o que são todas aquelas ligações em seu celular? Até eu que me acho um cara romântico não sou assim. – peguei meu celular e percebi que não havia colocado o bloqueio. Merda. Será que ele havia lido as conversas também? – E ah, não sabia que ela estava vindo na próxima semana. – ele disse, bebendo algo em um copo. Quando ele havia pedido outra bebida? – Poderia contar para nós, somos seus camaradas.
- Eu ia, só que...
- Só que ele está apaixonado, John. – foi a vez de Peter falar.
- O quê? Não estou, não!
- Claro que está! – Peter passou o braço por cima do meu ombro, me puxando para mais perto. – Quando se está amando, fazemos coisas por impulso, como ter conversas amorosas com a pessoa, só pensar nela... Você foi pego pelo vírus do amor, novamente.
- Vírus do amor? Peter, que porra você bebeu?
- Dois copos de e meio de Whisky. – ele piscou. – E eu não estou bêbado.
- Você está louco, isso sim! Já disse, não me apaixono.
- Porque você esteve com pessoas erradas. – ele retrucou. Revirei os olhos, pedindo mais outra bebida. – Tudo bem, não está mais aqui quem falou. Só depois não diga que não lhe avisei.

Voo 501, voo 501... Olhava atentamente o painel de voos do aeroporto. Cadê aquele bendito voo? Avião na pista. Corri em meio à multidão que estava no local. Final de semana em aeroporto é um inferno, mas valia muito apena estar ali. Quando finalmente cheguei na aera de desembarque, algumas pessoas já começavam a sair. Minhas mãos estavam tremulas e o nervosismo já começava a se intensificar. Calma , mostre-se calmo. Comecei a andar de um lado para o outro, segurando o pequeno buquê de rosas. Céus, só de pensar naquele sorriso próximo a mim, de ver novamente aqueles olhos , de tocá-la, beij... Não, isso ainda não estava ao meu alcance, ainda. Logo senti aquele doce perfume de morango mais próximo, e uma mão suave tocar em meus ombros. Virei-me rapidamente vendo sua figura ali, em minha frente. Céus, eu estava sonhando? Fiquei tão focado em meus pensamentos que esqueci de vê-la chegando. Com um impulso a abracei, tirando-a do chão.
- Meu Deus, isso tudo é saudades? – ele disse, olhando para mim quando parei de roda-la.
- Um pouco. – a coloquei de volta no chão, entregando o buquê. – Um pequeno presente.
- Que lindo. Como lembra que minhas flores favoritas são rosas? – delicadamente ela cheirou as flores, fechando os olhos calmamente, como se aproveitasse cada parte daquele aroma.
- Boa memória. – peguei suas malas, caminhando com ela ao meu lado para a saída. – Está com fome? – assentiu.
- O lanche que eles dão no avião não é capaz de saciar meu estômago.
- Então já sei onde vamos.
A mãe do Peter era dona de um dos melhores restaurantes da cidade. Realmente, a comida de lá magnifica, por isso que sempre estava lotado. Por sorte, conseguimos uma mesa perto de uma janela. A bela vista para a cidade melhorava ainda mais o clima. Acabamos pedindo uma macarronada à bolonhesa com carne ao molho de madeira. Lembro que era apaixonada por massa. Enquanto nosso pedido não chegava, aproveitamos o momento para por os papos em dia. Ela ainda morava com a avó, então provavelmente a moça que havia atendido o telefone foi ela. Sua irmã já estava cursando faculdade de medicina e a mesma optou por biologia. Já estava formada e trabalhava para uma revista de pesquisas marinha. Impressionante o quanto ela havia mudado, havia conquistado tantas coisas. A antiga que conheci no internato, que sentia falta da família, que se sentia frágil, não existia mais. Ela agora era forte, independe e bem de vida. Logo nosso pedido chegou e a mesma não perdeu tempo ao colocar a primeira garfada na boca. Fechou os olhos e suspirou.
- Nossa, que delicia! – ela disse comendo mais ainda. – Meu Deus, como não conheci isso antes?
- Viu, eu disse que não iria se arrepender. Melhor comida da cidade é aqui.
- Diga ao seu amigo Peter que a mãe dele é a melhor! Ela pode me adotar? Não ligo de morar no porão.
- Vou perder você para a mãe dele?
- Idiota. – ela deu um tapa em meu braço. – Você nunca me perdeu. – disso baixo, porém o suficiente para eu ouvir. – Então... – tentou mudar de assunto. – Me surpreendi ao saber que virou um homem de negócios.
- Ué, pensou que eu seria o quê?
- Sei lá, jogador de basquete. – ri com seu comentário.
- Basquete é só meu hobby.
- E você gosta do que faz?
- Muito. E você?
- Também. – ela tomou um pouco do suco, olhando a vista através da janela. – Aqui é lindo.
- Que bom que gostou. – sorri quando ela me olhou. Porém estranhei quando ela passou um bom tempo me encarando. – Algum problema?
- Não, só estava lembrando que você me deve uma aula de basquete.
[...]
- Você inclina mais os joelhos, mira no centro e arremessa. É fácil.
- Ah, sim, fácil. Tão fácil que nem depois de anos eu aprendi. – me aproximei por trás dela, ajudando-a a ficar na posição correta. Passei meus por cima dos seus ombros, apoiando a mão em cima da dela, dando mais estabilidade. Aquele perfume estava me tirando toda a concentração, assim como sua respiração bem próxima a minha. Já era o segundo dia que estava aqui na cidade, aproveitei que era um domingo e a chamei para uma partida de basquete na quadra da minha casa. É claro que ficou boquiaberta por eu ter aquela quadra em casa. Convenhamos, todo trabalho merece uma recompensa.
- Você vai, abaixa um pouco, flexiona os joelhos... E joga. – com minha ajuda, conseguimos fazer uma cesta.
- Com sua ajuda é bem fácil. – ela saiu dos meus braços e foi correndo em direção a bola. Logo lembrei do primeiro dia em que a conheci. Jogando bola sozinha na quadra de esportes do internato. Tão sozinha, tão linda. – Quero ver se consigo sozinha.
- Tudo bem. – coloquei uma das mãos na cintura, a vendo tentar e tentar. Não sei quantas tentativas foram, mas graças ao bom Deus ela havia conseguido acertar uma.
- Consegui! – ela gritou, correndo em minha direção e pulando em meus braços.
- Finalmente. – sussurrei.
- O quê? – ela me olhou ainda em meus braços.
- Ótimo, perfeito, uhu! – tentei modificar o que eu havia dito.
- Ah, sei. – ela saiu dos meus braços, pegando a bola que estava no chão.
- Quer ir na piscina?
- Não dá, não trouxe roupa de banho.
- E quem disse que precisa de uma? – quando ela percebeu minhas intensões, começou a correr em meio ao gramado. A segui e consegui pega-la no colo. se debatia em meus braços e gritava por socorro. A única coisa que fazia era dar risada. Quando finalmente cheguei na borda, contei até três e pulei na piscina. Seus tapas quando subimos na superfície eram consecutivos.
- Seu idiota, estou sem roupa. – ela gritava, rindo.
- Caralho, seu tapa arde!
- Não xingue na minha frente! – ela aumentava mais os tapas. Segurei seus pulsos, puxando-a para mais perto.
- Não xingue o quê?
- Perto de mim. – cada vez que ela falava um desejo imenso de beijá-la surgia. Ela estava me deixando totalmente louco.
- E se eu xingar?
- Eu te bato. – seus olhos estavam em uma batalha para não olhar em meus lábios.
- E se isso não me parar?
- Eu paro.
- Como?
- Assim. – senti seus lábios tocarem os meus em uma velocidade extrema. tinha uma cara de santa, mas mesmo assim ela era sexy demais. O beijo, seu toque, tudo estava me enlouquecendo naquele beijo. A saudade, as lembranças vieram em minha mente e logo o nosso primeiro beijo. Depositei as mãos em sua cintura, a trazendo para mais perto. Com dificuldade, consegui a imprensar sobre a borda da piscina, enquanto ela me beijava com desejo. – Senti saudades. – ela disse, quebrando o toque aos poucos. Minhas palavras sumiram depois daquela frase inesperada. Suas mãos acariciavam lentamente meus cabelos, uma leve calmaria se iniciou, mas o desejo de tê-la mais só aumentava.
- Eu também. – finalmente consegui falar. – E eu acho que fui pego pelo vírus do amor outra vez.




Fim.



Nota da autora: Oi oi, pessoas, tudo bem? Não sei se algumas de vocês já chegaram a ler, mas ano passado escrevi uma história chamada Two Pieces da Demi e consequentemente vi essa música como uma boa continuação. Mas não se preocupem, caso não tenha lido, não vai fazer muita diferença, mas para entender tudo mais completo, caso queiram... Então é isso, espero que gostem, desculpem pela história curtinha :x
E é claro, sou aberta a comentários sz
Beijoocas!







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