Finalizada em: 06/11/2018

Capítulo Único


Moon sentia seu corpo paralisado, e aparentemente seus pulmões estavam indo no mesmo caminho, pois não conseguia respirar e sentia-se sufocando mais e mais a cada segundo. Encarou o sangue daquele que por muito tempo foi seu melhor amigo escorrer em direção aos seus pés e sabia que seria a próxima.
— Ahjussi — Choramingou, suas mãos tremiam e a falta de ar era intensa, mas mesmo assim engatinhou até o senhor e tentou lembrar-se do que deveria fazer, pressionou o local do ferimento para estancar o sangue, e percebeu as lágrimas escorrendo no próprio rosto. — Ahjussi! — Gritou mais alto dessa vez, porém ele não acordava. ouviu uma voz atrás de si, seguida de um estalo metálico…
— AHJUSSI, NÃO! — A moça levantou-se da cama bruscamente, o despertador tocava, mas não conseguia se concentrar em desligar o mesmo, sentia-se sufocada, perdida. Como estivera naquele momento alguns dias atrás, suas pernas formigavam e não conseguia se mover. Sentia as lágrimas caírem no rosto, a camiseta do pijama grudada no corpo, por conta do suor, e a cabeça latejar de dor.
Quando o estômago revirou, sua única reação foi inclinar-se e vomitar ali mesmo, no chão ao lado da cama.
Nos momentos que seguiram, não existiu tempo suficiente para recuperar o ar, e quando um choro desesperador veio, não teve tempo de sequer voltar a posição que estava antes e ficou ali, sufocando na beira da cama, em meio a vômito e lágrimas, como ficara dias antes no sangue daquele que se ferira para protegê-la.

MINUTOS DEPOIS A empregada entrou no quarto, pois o despertador já tocava a algum tempo sem ser desligado. Sabia que se a moça não levantasse logo iria se atrasar para os compromissos do dia. Ao encontrar deitada com a cabeça baixa e o chão do quarto sujo, foi logo em sua direção:
— A senhorita passou mal de novo? — Perguntou aparentemente preocupada — Você deveria procurar um médico. — Completou com a mão na cintura, e ajeitou-se na cama, sentando-se. — Vou preparar seu banho, sua agenda começa cedo hoje e sua mãe já mandou separar sua roupa, como sempre. , entretanto, não teve tempo de respondê-la. Ainda atordoada demais pelos sonhos que tivera, e com a cabeça latejando mais forte que antes, seguiu em direção ao banheiro, onde a ducha de água gelada a esperava.
já não se lembrava qual tinha sido a última vez que pôde decidir qual roupa usar, ou em qual lugar iria passar seus dias. Não se lembrava, nem mesmo, de decidir qual horário acordar, já que seus despertadores diários não eram programados por ela, mas pela assessora de seus pais. Desde que a campanha para a corrida presidencial começara, seu pai vinha se dedicando exclusivamente à reeleição, e , como filha, tinha o importante papel de ficar ao lado dos pais e sorrir para as fotos em todas as aparições públicas e programas de televisão que seu pai precisava comparecer diariamente.
Depois de se olhar no espelho uma última vez, apenas para ter certeza de que as olheiras estavam bem escondidas embaixo da maquiagem, desceu as escadas cuidadosamente para não tropeçar nos saltos, já que sentia a visão ainda embaçada. Sua mãe já tomava café da manhã, e seu pai estava com o celular nas mãos, ocupado demais lendo as opiniões dos eleitores sobre ele para se preocupar em dar bom dia para a filha.
— Bom dia. — disse ao se sentar, contudo, sem receber resposta. Serviu-se de torradas e geléia, e levou a mão em direção à jarra com o suco de laranja, quando sua mãe a interrompeu.
— Acho que você deveria evitar tomar suco de laranja, . Aproveite e troque sua alimentação, torradas com geléia? Francamente, . Não é atoa que você ganhou peso depois que decidiu parar de ir à academia. — A moça apenas suspirou, decidindo por não discutir com sua mãe, não valia a pena. Preferiu apenas substituir o copo de suco de laranja por água gelada, e não entrar no mérito do motivo pelo qual parou de ir à academia, ou a qualquer outro lugar que costumava frequentar. Jeong-Suk jamais compreenderia, e sinceramente, esperava para que ela jamais compreendesse aquele sentimento.

OS FLASHES JÁ esbranquiçavam sua visão quando o evento finalmente chegou ao fim, não sabia dizer exatamente quanto tempo ficaram ali, fingindo ser a família perfeita do presidente Moon Jae-in, em mais um almoço beneficente. Sua mãe já escapara a algum tempo, com a desculpa de alguma apresentação onde tinha que estar presente e seu pai estava perdido em alguma rodinha de pessoas importantes, a moça procurou com os olhos e encontrou a assessora do presidente Moon, parada pouco atrás dele, andou até a mulher e a chamou discretamente.
— Tenho mais algo na agenda hoje, ou posso ir para casa? — Perguntou baixinho e a outra abriu a agenda conferindo se mais algum dos eventos do pai precisaria da presença dela.
— Nada na agenda para você hoje, . Acho que você pode ir sim. — sorriu aliviada e despediu-se dela, porém, quando estava para sair discretamente, ouviu o pai a chamar.
, onde pensa que está indo? — seu pai perguntou baixinho, ao se afastar do grupo com quem conversava anteriormente.
— Iana disse que poderia ir embora, pois não tenho mais compromissos por hoje. — A garota sentia sua cabeça começar a doer, provavelmente consequência da noite mal dormida e dos pesadelos frequentes.
— Você não pode ir embora sem que um segurança a acompanhe. — sentiu a garganta fechar ao se lembrar do motivo pelo qual ela não tinha mais um segurança particular. Ahjussi não estava em condições de trabalhar e a culpa era toda dela.
— Um dos seus seguranças não pode não levar para casa? — ela perguntou esperançosa, continuar naquele ambiente era tudo o que ela não precisava no momento.
— Você sabe que não posso ficar desprotegido, . — A moça suspirou e então, sem questionar mais o pai, apenas balançou a cabeça aceitando o fato de que teria que lidar com seus problemas mais tarde, já que teria todo o dia ocupado com os compromissos sociais do presidente.
Entre as viagens de uma emissora de televisão local e um estúdio de rádio, se pegou pensando no quão irônico era o foco e dedicação que seu pai tinha com a campanha de reeleição, enquanto o país passava por uma das maiores crises econômicas já enfrentadas. A dedicação do presidente Moon não estava em tentar consertar o país, mas apenas em continuar mostrando aos seus eleitores o quão preocupado ele e sua família perfeita estavam com a população.
— Não se preocupe, , esta é a última entrevista do dia. — Iana, a assessora de seu pai, lhe chamou a atenção quando o carro parou em mais uma emissora de televisão. — Não está com fome? Você mal tocou na comida durante o almoço. — deu de ombros.
— Estou bem, não se preocupe, Iana. — ela sorriu fraquinho. — Vou esperar no carro, ok? — Iana não contestou, deixando a moça sozinha.
Enquanto esperava seu pai terminar a última entrevista do dia, voltou a olhar suas redes sociais, as atualizações de seus amigos variavam, seu foco partiu para suas amigas da faculdade que curtiam as férias em outro país, uma viagem que planejaram juntas, onde participara de cada mínimo detalhe e até mesmo sugeriu o destino escolhido, era para ela estar ali. Porém havia se esquecido do detalhe de ser filha do presidente da Coréia do Sul, suas decisões estavam fora de suas mãos e suas escolhas não eram exatamente dela, ela não tinha permissão sequer para ir à padaria sozinha, quem dirá a outro continente.
Sem permissão para viajar, ela precisou ficar em casa no momento mais difícil da sua vida, enquanto precisava sorrir falsamente para fotógrafos e proferir discursos feitos pela assessora de seu pai, fingindo ser a filha perfeita da família perfeita
— Estamos prontos para ir. — Iana disse ao entrar no carro, logo após o presidente Moon.
O presidente estava satisfeito com as entrevistas do dia.
— Não foi tão ruim me acompanhar, não é mesmo, ? — O pai perguntou com um meio sorriso a olhando. A garota, entretanto, preferiu não responder ao pai, ocupada em esconder os olhos marejados pelas lágrimas.

O BARULHO DO despertador a acordou de mais de um pesadelo, aquilo era cada vez mais constante e assustador, seu coração batia em disparado, seu corpo coberto por suor e suas mãos formigavam intensamente. Desligou o despertador, e quando a empregada entrou no quarto no horário de sempre, desconfiou que a mesma tinha um despertador sincronizado com o seu. Ignorando totalmente a presença da mesma, se dirigiu ao banheiro e mergulhou num banho quente e demorado, tentando tirar do seu corpo toda a tensão que sentia.
Ao sair do banho, encarou a cama feita com sua roupa separada, pegou a calça esportiva na mão e revirou os olhos, ignorou a roupa e direcionou-se ao closet, pegando na gaveta um pijama confortável, já havia deixado claro para sua mãe que não iria voltar para a academia, porque ela não lhe escutava?
Após terminar de se trocar desceu as escadas para tomar café, já se preparando psicologicamente para a discussão que estaria por vir. Sentou-se na mesa sob o olhar atento e desaprovador da sua mãe.
— Preciso falar o quão inadequada está, Moon? — A garota revirou os olhos, sabendo o quanto a mãe desaprovava aquele gesto também.
— Inadequada? Mãe, eu estou na minha casa, é final de semana e papai não me colocou em nenhum compromisso dele do dia, qual o problema de eu usar o que quero? — Jeong-Suk a encarou brava.
— Você não mora sozinha nessa casa. — Respondeu com frieza — Acha que os próprios empregados não te julgam por se vestir assim, com um closet cheio das melhores marcas? — suspirou, sabendo que não adiantava discutir com a mãe, já que não adiantava tentar colocar algo em sua cabeça, pegou uma torrada com a geleia de morango que tanto gostava e viu a cara de desgosto da mãe antes dela ouvir sua voz — E vista-se para a academia, você não pode se descuidar agora que o foco da imprensa está todo na nossa família.
— Papai me proibiu de sair sem ele já que o Ahjussi está no hospital ainda. — Falou simplesmente, colocando ainda mais geleia na torrada e servindo-se de suco de laranja, não apenas pelo desejo de comer aquelas coisas, mas em parte também para provocar a mãe que estava lhe irritando profundamente.
— Seu novo segurança está lhe esperando lá fora. — sua mãe disse com um sorriso nos lábios. Moon facilmente identificava o sorriso falso de sua mãe, o mesmo sorriso que ela costumava usar quando se encontrava diante das câmeras.
— Não quero um novo segurança! - ela se viu falando mais alto do que deveria. — Ahjussi é meu segurança. Não preciso de um novo! — estava fora de si. Como sua mãe poderia imaginar que ela aceitaria ver seu segurança, seu amigo, substituído por um estranho?
Moon, dose o tom de voz! - sua mãe disse com os dentes cerrados. — Os empregados da casa não precisam ter ciência da sua falta de educação. — bufou. Pela primeira vez, não se importou com a imagem de boa moça comportada que precisava manter dentro de casa. Pela primeira vez, colocou seus pensamentos em palavras, mesmo sabendo que isso irritaria a sua mãe. Mas bem, o que não a irritava, não é mesmo?
— Ahjussi não é só meu segurança. Ele é meu amigo, mamãe. Não quero que ele seja substituído. — Jeong-Suk fez pouco caso, se limitando a rolar os olhos e voltar a cortar as frutas no prato.
— Não precisa fazer todo esse drama, . Ele está no hospital e incapacitado de continuar exercendo o trabalho dele.
— Ele salvou a minha vida! — Moon gritou e sua visão ficou imediatamente embaçada, as lágrimas grossas querendo cair. Por um segundo, acreditou que sua mãe fosse lhe entender. Pensou ter visto uma sombra de compaixão nos seus olhos. Por uma fração de segundo, a garota realmente acreditou sua mãe entenderia o seu sentimento. Mas não pôde comprovar seu pensamento, já que Iana chegou naquele momento, o que fez com que o contato visual que a garota e sua mãe haviam criado fosse rompido.
, mudança de planos. — ela disse. — Seu pai deverá comparecer a um evento político essa tarde, e você deverá estar presente. A garota mal teve tempo de contestar, quando Iana imediatamente emendou — É um evento com várias figuras políticas influentes. É importante que seu pai compareça junto à família. Mas prometo que será o único compromisso que terá esta tarde.
mal conseguia controlar a vontade de chorar, ainda se sentindo sensível por conta da contratação do novo segurança.
— Eu não quero ir nesse evento — ela contestou, mesmo sabendo a resposta que ouviria.
— Você irá do mesmo jeito. — sua mãe respondeu, conforme a garota já esperava. — Da mesma forma que você vai subir para o seu quarto e se trocar para ir até à academia. Sugiro que o faça logo, pois não temos tempo a perder.

MOON bateu a porta do carro com força. Seu segurança a esperava ao lado de carro, segurando a porta aberta, mas ela não se importou em olhá-lo. Tampouco se preocupou em responder o bom dia que o rapaz lhe deu, no momento em que sentou ao seu lado no banco traseiro. Em resposta, a garota bufou e soltou:
— Não se acostume com o posto de segurança, o Ahjussi logo irá sair do hospital e então voltará a trabalhar para o meu pai.
— Pode deixar, não irei me acostumar, senhorita. — A garota olhou rapidamente para o homem ao seu lado, surpresa com a resposta que recebeu. Tentou esconder a surpresa ao constatar que, ao seu lado, não se encontrava um Ahjussi, mas um homem que parecia ser pouco mais velho que ela. Apesar de usar terno escuro, e óculos de sol, mesmo com o tempo nublado do lado de fora, podia perceber que o homem ao seu lado era infinitamente mais jovem que Ahjussi.
Percebendo o olhar da garota sobre ele, o segurança, que ainda não havia se apresentado, lhe deu um sorriso educado, o que fez com que virasse a cabeça com pressa e passasse a prestar atenção na paisagem ao lado de fora.
Assim que o motorista estacionou o carro em frente à academia, seu novo segurança disse, com a voz calma e pausada, e a agenda nas mãos:
— A senhorita tem, exatamente, duas horas para terminar o treino. — simplesmente seguiu o plano de ignorá-lo, agindo com a garota mimada que todos a julgavam ser. Entrou na academia, já com os fones no ouvido para evitar ser cumprimentada e seguiu para a esteira mais afastada da entrada, suspirou brevemente e fingiu que não estava sendo observada à distância.
Apesar de ter fugido da academia na última semana, ainda abalada demais com o ocorrido, a garota gostava de praticar exercícios, pois sabia que aquele era o único momento em que ela se encontrava sozinha ou, pelo menos, o mais sozinha que era possível estar sendo filha do Presidente da Coréia do Sul. Ela aumentou a velocidade da corrida, sentindo o peito ser tomado por emoções, cada passo que dava deixava suas lembranças mais nítidas.

ouvia claramente suas passadas ecoarem no chão, o salto escolhido para ela naquele dia não era o melhor acessório para correr e lhe atrapalhava ao extremo, mas sequer poderia pensar em parar para tirá-los dos pés. Ouviu passos a seguindo e não poderia parar para saber se era alguém para lhe ajudar ou lhe capturar.
Seu coração batia em disparado, em sincronia com os saltos que batiam no asfalto, sua respiração estava falha e ela estava com muito medo, foi quando ouviu o primeiro tiro, o grito saiu de sua boca sem que percebesse e ela caiu no chão, com as lágrimas escorrendo por seu rosto. Ouviu uma pessoa se aproximar e se encolheu, sentindo o medo sair de suas entranhas, mas se acalmou quando ouviu a voz conhecida:
— Vamos, , você precisa sair daqui. — A voz de seu segurança lhe acalmou, ele a ajudou a levantar e ela se encolheu quando ele virou-se para trás e disparou duas vezes com o revólver que estava em suas mãos.
Moon não sabia dizer de onde veio ou quem fez o disparo, mas no segundo seguinte seu segurança estava no chão. Ela sentia seu corpo paralisado, e aparentemente seus pulmões estavam no mesmo caminho, pois não conseguia respirar e sentia-se sufocando mais e mais a cada segundo. Encarou o sangue daquele que por muito tempo foi seu melhor amigo escorrer em direção aos seus pés e sabia que seria a próxima.
— Ahjussi — Choramingou, suas mãos tremiam e a falta de ar era intensa, mas mesmo assim engatinhou até o senhor e tentou lembrar-se do que deveria fazer, pressionou o local do ferimento para estancar o sangue, e percebeu as lágrimas escorrendo no próprio rosto. — Ahjussi! — Gritou mais alto dessa vez, porém ele não acordava. ouviu uma voz atrás de si, seguida de um estalo metálico da arma sendo destravada e sabia que seria a próxima.
A filha do presidente não sabia dizer o que impediu que o homem puxasse o gatilho, nem como tudo o que aconteceu a seguir terminou, o homem estava no chão, e as sirenes estavam por todos os lados.
E seu melhor amigo estava no chão. Morrendo.

Da- Ainda se lembrava da última vez que correra, se lembrava do impacto dos seus pés ao atingir o chão. Se lembrava do cheiro do sangue nas suas roupas, sangue do Ahjussi que havia se colocado em sua frente para protegê-la. Podia ver claramente em sua mente do corpo daquele que a protegera no chão, sendo deixado para trás, recebendo primeiros socorros, enquanto ela era levada para um lugar seguro no banco traseiro pelos seguranças de seu pai.
O atirador, entretanto, a garota não conseguia se lembrar. Tampouco sabia de onde tinha vindo o tiro. Ficou sabendo mais tarde, porém, que o atirador tinha sido levado para a delegacia, e que estava sendo processado por tentativa de homicídio.
Voltando ao presente, percebeu que de alguma forma durante suas lembranças, puxará o freio de segurança da esteira e estava abaixada, com a testa no próprio joelho, como se estivesse passando mal em frente a mesma. Seu novo segurança estava parado ao seu lado, falando com ela ao que parecia algum tempo já, calma e tranquilamente, a instruindo a respirar e inspirar devagar.
A moça limpou os olhos, envergonhada, respirou profundamente, devagar, como ele a instruía e logo se acalmou. Olhou para o segurança, acenou levemente com a cabeça e seguiu para o saco de boxe, onde terminaria o treino estabelecido por seu couch.
Apesar de não poder nem mesmo escolher quais exercícios fazer, sentia que aquele era o único momento de liberdade que ela tinha, mesmo sabendo que o segurança a aguardava do lado de fora, não se permitindo perdê-la de vista um instante sequer, como já provara ao vê-la surtar.

MOON acordou com o som do seu despertador naquele dia. Apesar de estar acordando mais cedo do que gostaria, o fato de acordar ouvindo o som do próprio despertador, o som que ela mesma escolheu, lhe dava um certo prazer. A escolha da música tinha sido sua, e a escolha do horário para acordar também tinha sido sua decisão. Aquela era uma das poucas liberdades que a garota tinha, e desfrutava dela como se fosse algo grandioso, ainda que não o fosse.
Aquela tinha sido a primeira noite tranquila de . Ou, melhor dizendo, a primeira noite em que conseguiu dormir, sem acordar gritando por causa de seus sonhos.
Há exatamente duas semanas a garota havia passado pelo pior momento da sua vida até então. Há exatamente duas semanas seus pais se recusavam a responder suas perguntas sobre a saúde de Ahjussi. O presidente da Coréia do Sul, preocupado demais com a campanha eleitoral, achava bobagem a filha se preocupar com seu empregado. Sua mãe, por outro lado, não demonstrava nem um resquício de preocupação com o senhor que salvara a vida da própria filha. Para ela, se um sapato Prada podia ser substituído pela nova coleção, um simples segurança também podia ser substituído por outro.
Moon se trocou lentamente, sem pressa em escolher a roupa que usaria na academia naquele dia. Tampouco demonstrou pressa em tomar o café da manhã. Preferiu ignorar sua mãe e seus conselhos sobre não tomar sucos calóricos ou comer carboidratos, e foi até o carro onde seu novo segurança a esperava.
A moça desenvolveu certo respeito pelo novo segurança desde que ele a vira em seu momento mais frágil, em meio a um ataque de pânico. Diferentemente do que ela pensou que seria sua reação, o rapaz não insistiu em levá-la ao médico, tampouco relatou para seu pai seu momento de fraqueza. Em vez disso, ele respeitou seu momento, e demonstrou compreender o sentimento de medo que lhe apossou, sentimento este que nem mesmo ela conseguia explicar ao seu psiquiatra.
— Bom dia, senhorita. — Ele a cumprimentou, como fazia todos os dias, mesmo que soubesse que as chances de receber uma resposta educada da garota fossem poucas.
— Bom dia, .—
Se o rapaz ficou surpreso com o cumprimento da garota, ele não demonstrou.
A greve de silêncio dentro do carro, entretanto, permaneceu intacta. podia ter desenvolvido respeito por , mas isso não significava que iriam virar amigos, nem próximo disso.
saiu do carro sem esperar que ele abrisse a porta para ela. Tampouco esperou por ele para seguir até a entrada da academia. E foi nesse momento que ela sentiu um movimento atrás de si. Alguém se aproximava depressa, e quando deu por si, estava caída no chão.
Seu instinto a fez se encolher e colocar as mãos na cabeça. Não poderia estar acontecendo de novo, poderia? Em tão pouco tempo? Seu pai teria feito novos inimigos?
— Senhorita. — Ela ouviu de longe. Alguém estava gritando por ela. Seria ajuda? — !
voltou à realidade. Abriu os olhos mais rápido do que deveria, e a luz do sol deixou sua visão escura. chacoalhava seus ombros, e uma garota, com roupa de ginástica como ela, lhe pedia desculpas por ter esbarrado na garota.
levantou com a ajuda de seu segurança, e tranquilizou a garota que esbarrou nela.
— Não se preocupe, não foi nada. — Ela garantiu.
A garota pediu desculpas mais uma vez, e seguiu correndo pela calçada. então percebeu que ainda tremia. O coração batia tão rápido, que pensou que seu segurança poderia ouvi-lo a qualquer momento.
— A senhorita está bem? — Ele perguntou com a voz baixa.
sabia que a garota não estava bem, mas nem por isso ficou surpreso quando ela respondeu que sim, que estava ótima. O rapaz estava acostumado a lidar com as negações das pessoas. Negar o que sente, negar seus medos, suas fraquezas… Era mais comum do que deveria, e ele sabia que o mundo em que a Moon vivia, exigia que ela estivesse sempre bem, mesmo que não estivesse.
— Perdoe a intromissão, mas você chegou a conversar com alguém sobre o atentado que sofreu? — estava começando a sentir a respiração normalizar quando o rapaz fez a pergunta. E então a garota passou a ofegar novamente. Quem ele pensava que era para lhe fazer aquela pergunta? Sobre aquele assunto?
—Você não precisa se preocupar comigo. — Ela respondeu categórica.
— Não estou preocupado. — Ele respondeu firme. Novamente a moça se surpreendeu com a resposta dele. — Mas está. — Foi nesse momento que parou de andar e voltou toda a sua atenção para , ouvir o nome dele ainda era estranho pra ela, uma vez que sempre o tratara simplesmente por Ahjussi desde criança, e que os pais mal falavam dos empregados.
E então tudo passou a fazer sentido, somente começou a trabalhar para seu pai por indicação do senhor, ela se lembrava de ter ouvido seu pai comentar que era próximo ao Ahjussi, e que já havia até mesmo trabalhado com ele.
— Você mantém contato com ele? — Ela perguntou curiosa, o coração implorando por alguma informação sobre a saúde do seu amigo, informação que lhe era negada a todo instante.
— Sim. Conversamos todos os dias. — respondeu. E ao ver o brilho nos olhos da garota, ele continuou. — Ele costuma perguntar de você. Infelizmente não tenho muito o que contar, já que você prefere se manter em silêncio quando estamos juntos. — Ele sorriu levemente e a garota sentiu as bochechas corarem. O fato dela se manter em silêncio, obviamente, era reflexo da sua desaprovação na contratação de um novo segurança. Isso não era segredo para . Mas o que o rapaz não sabia, é que também se sentia intimidada perto dele.
Quer dizer, não podia simplesmente ignorar o fato de seu novo segurança ser muito, muito bonito. Também não podia ignorar o fato de que fazia muito tempo desde a última vez que estivera tão perto de um rapaz da sua idade. E isso tornava a aproximação de embaraçosa para ela, desconfortável.
— E como ele está? — Ela perguntou, torcendo para que o garoto não tivesse percebido o rubor nas bochechas.
— Está se recuperando bem. Ahjussi é um homem forte. — balançou a cabeça em concordância. — Podemos visitá-lo hoje, se você quiser. — A garota se surpreendeu com o complemento da frase e sentiu um nó no coração ao perceber a saudade que estava de
— É mesmo? — Ela perguntou arregalando os olhos, quase pulando para perto de . Foi a vez do rapaz ficar sem graça com a aproximação repentina.
— Claro. Conferi sua agenda hoje e vi que a senhorita só tem compromissos à noite. Posso levá-la para visitá-lo após o seu treino, se assim desejar. — podia sentir a felicidade que emanava da garota, o brilho nos seus olhos e o carinho com que tratava seu e aquilo o deixou emocionado, por ver que seu amigo tinha mais alguém que se importava tanto com ele.
— Eu quero! — Ela disse, mal esperando o rapaz terminar a sua fala, com um sorriso no rosto que fez repensar muitas coisas sobre ela.

MOON terminou o treino mais rápido que de costume. Preferiu simplesmente ignorar o fato de que havia “se esquecido” de algumas séries de exercícios. Ela sabia que já conhecia seu treino o suficiente para perceber isso, mas, conforme o esperado, ele nada disse quando a garota se apresentou, dizendo que já poderiam ir embora.
não estava apenas ansiosa para reencontrar seu amigo e receber notícias dele. Ela percebeu que estava ansiosa para fazer algo que seus pais desaprovavam. Algo que seus pais não planejaram para ela. Pela primeira vez, estaria indo a um lugar sem avisar seus pais antes ou, melhor ainda, sem ter sido planejado por eles. A expectativa de estar desobedecendo seus pais, aquele pequeno ato de rebeldia, a deixou em êxtase.
Estava tão animada em vê-lo novamente, que mal percebeu o caminho longo que percorreram quando pararam em frente ao hospital privado, com uma leve felicidade, pensou que os pais ao menos tiveram a decência de colocar seu segurança num dos melhores hospitais da cidade.
se dirigiu à recepção para fazer o cadastro de visitantes com os documentos de ambos, enquanto a garota observava o local, Logo ele voltou e ambos se direcionaram aos elevadores que os levariam para o quarto onde Ahjussi estava internado.
Quando viu o nome de na porta, ela alegremente bateu na porta e entrou em seguida. Os olhos do Ahjussi brilharam, deixando-a emocionada por finalmente vê-lo bem.
— Ahjussi! — Exclamou sentindo as lágrimas nos seus olhos e se aproximando da cama em que ele estava aconchegado, esquecendo todos os regulamentos e abraçando o senhor. sorriu, emocionado por ver sua menina pela primeira vez depois de tudo aquilo. Moon e eram o que ele tinha de mais próximo de família, eram mais parecidos um com o outro do que imaginavam e ver os dois ali ao seu lado fazia com que pudesse finalmente respirar e descansar,
— Minha menina — Ele segurou seu rosto com carinho a observando — Você está bem? — Perguntou com preocupação.
— Ahjussi, quem está numa cama de hospital aqui é o senhor, eu estou muito bem. — Respondeu em tom de brincadeira, o que chocou que nunca a tinha visto usar aquele tom sequer com os próprios pais.
! — O senhor respondeu com seriedade. — me contou que teve um ataque de pânico na academia. — A filha do presidente rolou os olhos e virou-se para o homem mais novo soltando um “dedo-duro” pra ele, o mais velho riu e a mandou olhar pra ele, que logo obedeceu. — Você tem que se cuidar, , tem que se manter firme e forte, como a menina que sempre foi, certo? — A moça assentiu, com firmeza. Prometendo que iria se cuidar e que aquilo não iria acontecer mais.
Os dois conversaram por um tempo e logo também entrou na conversa, os três sentados naquele quarto rindo de coisas bobas que o Ahjussi contava, fosse sobre as coisas que aprontava quando criança - coisas que descobriu que também tinham em comum já que acompanhara a infância de ambos -, fosse histórias sobre o tempo que fora seu segurança.
Conversaram até uma enfermeira aparecer para informar o fim do horário de visitas. O Ahjussi os olhou e segurou a mão de entre as suas, encarou quando aconselhou:
— Você tem que ser muito esperto para manter essa aqui na linha, , sabe ser rebelde quando quer, e tem um gênio… — arqueou a sobrancelha para o segurança e fez cara de chocada quando o mais novo entrou na brincadeira:
— Você acha que eu ainda não percebi? — deu risada e olhou para a garota com uma falsa cara de bravo.
— Não dificulte o trabalho de , . — A filha do presidente rolou os olhos e deu risada quando o Ahjussi completou: — Mesmo tendo essa pose travada e insistir em nunca sorrir, ele é um bom rapaz. — Foi a vez de rolar os olhos.
— Vou me esforçar, Ahjussi. — A menina beijou a testa do senhor e levantou-se. Ele, porém, segurou sua mão e olhou fundo em seus olhos, quando assumiu uma expressão séria:
, você precisa parar de desperdiçar sua vida, de perder tempo fazendo tudo o que os outros mandam, isso não é viver, minha filha, você não merece isso. — A moça assentiu, sorriu para e partiu.
No caminho de volta para casa, as palavras do Ahjussi não saiam de sua cabeça, a forma como ele a aconselhara, realmente preocupado com ela, a fazendo perceber que realmente não estava vivendo. O que ela era a não ser uma boneca que seus pais comandavam e indicavam cada passo que deveria dar?

UM MÊS SE passou desde o fatídico dia do atentado. Após a ida ao hospital e da conversa com , sentia-se mais leve. Percebeu também que os dias que passava ao lado de já não eram tão enfadonhos, e passou até mesmo a responder seus “bom dias”.
A garota resolveu baixar um pouco a guarda, apenas para sanar uma dúvida que martelava na sua cabeça desde o dia em que foram no hospital.
— Como você conhece Ahjussi? — O segurança não conseguiu esconder a surpresa de ver a garota se dirigir a ele. Apesar de estarem vivendo em um clima muito mais leve e educado, não parecia ser o tipo de garota que conversaria com ele sobre assuntos pessoais.
— O conheço desde pequeno, e quando entrei para o exército foi meu comandante. Foi uma bela coincidência, na verdade.
— Você deve ter gostado. Quer dizer, Ahjussi deve ter pego leve com você. — Ela disse petulante e o rapaz riu fraco da afirmação da moça.
costumava pegar pesado comigo. Três vezes mais pesado do que com qualquer outro soldado. Ele não queria que eu parecesse privilegiado, aos olhos dos outros soldados, por ter um conhecido como seu superior. — tentou esconder sua surpresa, mas não foi capaz de tanto. Era realmente a cara de Ahjussi fazer algo deste tipo. — Depois de três missões decidi sair do exército para cuidar da minha mãe. — A moça ficou preocupada. Por um momento pensou que sua mãe pode ter falecido, e por este motivo decidiu não perguntar mais nada. Falar desse assunto deveria ser doloroso para .
O segurança, entretanto, imediatamente percebeu a apreensão da garota, e deduzindo a lógica que deveria ter feito, esclareceu:
— Minha mãe sempre foi muito dramática, sabe. Ela sempre desejou que eu saísse do exército para seguir meu sonho. — deixou o pesar de lado e foi tomada pela curiosidade.
— E qual era o seu sonho? — O segurança demorou alguns segundos para responder, e ela pensou que talvez teria ido longe demais nas suas perguntas sobre sua vida pessoal, não estava muito acostumada a ser tão informal com alguém, ainda mais com um funcionário que trabalhava diretamente com ela - a não ser Ahjussi, claro.
— Eu sempre gostei de desenhar. Meu sonho é ser arquiteto, quando me indicou eu estava com a faculdade trancada, pois as mensalidades são muito altas, mas o valor que estou recebendo por trabalhar com você vai me ajudar muito com isso. Quando seu pai me liberar, eu vou conseguir quitar minhas mensalidades e voltar pra faculdade. — novamente fica surpresa com a resposta dele. Não poderia imaginar sua paixão por desenhos.
Por um instante a moça ficou triste, pois percebeu, naquele momento, que seus dias com como seu segurança, estavam contados. Ela ainda sentia saudades de Ahjussi, e nunca deixaria que ele fosse substituído, mas percebeu que passara a gostar dos dias com ao seu lado, se tornara uma rotina fácil de suportar com ele ao seu lado.
O segurança era bom em diverti-la ao fazer comentários sobre as roupas das pessoas nos eventos sociais em que a era obrigada a comparecer, e sempre a ajudava a fugir por alguns minutos dos olhos dos seus pais e das câmeras dos jornalistas, apenas para que a garota pudesse ficar descalça e esticar os dedos dos pés por alguns minutos, além disso, ele também a ajudara a superar o trauma com o atentado e com o auxílio do psicólogo, estava voltando a dormir normalmente e a ser ela mesma.
— Deve ser realmente muito bom ter tantas opções. De faculdade, eu digo. Você pode escolher fazer o que quiser. — A moca sorriu, imaginando o que faria com tantas opções. não ré, ficou a observá-la. tinha os olhos voltados para a janela do carro, observando os borrões na rua, frutos da velocidade do carro.
— O que você quer fazer? — A garota se assustou com a pergunta, estava distraída demais.
— Acho que nunca pensei nisso, na verdade. — ela respondeu ainda pensativa. — Meu pai sempre disse que eu faria faculdade de Direito e que seria uma ótima juíza, mas não sei se gosto dessa ideia. — respondeu ainda pensativa, chacoalhou a cabeça.
— Não perguntei que faculdade você deseja cursar. Quero saber o que você quer fazer agora. — ficou confusa com a pergunta.
— Não sei ao certo… Não tenho acesso à agenda. — parou o carro no farol, virou-se no banco, ficando de frente para ela.
, preste atenção na minha pergunta: o que você quer fazer? — A moça então entendeu o que ele dizia.
— Não sei. Eu realmente não... Nunca tive a chance de querer fazer alguma coisa. — Ela percebeu então que não tinha vontades, tampouco sonhos. Ela nunca precisou ou teve oportunidade de ter nada disso. não tinha nada, ela não era nada.
— Todos querem fazer alguma coisa. — o rapaz disse firme. — pensou por alguns segundos, e então surpreendendo a si mesma, disse:
— Quero comer um hambúrguer, como os que passam na televisão. — entendeu que a garota gostaria de comer em um fast-food, e achou graça do seu desejo, mas não disse nada, tampouco riu da sua vontade.
Depois de fazerem um pequeno desvio, levou a garota para um fast-food. Não sugeriu o que ela deveria pedir, deixou que escolhesse o que quisesse comer.
— Eu nunca comi nada tão gorduroso. — ela disse rindo como uma criança fazendo uma travessura, encarando o hambúrguer a sua frente e um copo grande de Coca-Cola. A quanto tempo ela não bebia refrigerante?
Para , a filha do presidente da Coréia do Sul, fugir do cronograma de sua agenda pessoal, a qual nem mesmo ela tinha acesso, para comer algo feito por um desconhecido, em um restaurante de comidas industrializadas, provavelmente aquele deveria ser o maior ato de rebeldia que a garota já fizera.
Ao saírem do restaurante, pensou em perguntar o que mais a moça gostaria de fazer, mas não precisou. Ela mesma tomou a iniciativa dessa vez.
— Quero comprar roupas, ! — O rapaz franziu a sobrancelha. Estava arriscando seu emprego, desafiando as ordens que recebera de seu patrão, e escolhia passar o tempo comprando roupas? — Quero poder eu mesma comprar as minhas roupas. Ir nas lojas que eu quiser, e escolher os modelos que eu quiser. Não quero ir em lojas de grife, quero ir nas lojas do centro da cidade.
O motorista ficou preocupado com o novo desvio, e principalmente com o destino deles, mas garantiu que tomaria para si toda a responsabilidade pelos atos daquele dia. já tinha saído do hospital, e logo voltaria ao seu posto de origem. O trabalho de , como segurança, não duraria muito de qualquer forma, então se fosse demitido naquele dia, não faria muita diferença.
Em determinado momento do dia, percebeu que a garota já não olhava mais para o celular, pois ela havia o desligado, incidindo em mais um ato de rebeldia imperdoável.
, eu quero viajar. — estavam andando no centro da cidade, enquanto levava nas mãos algumas sacolas de roupas, sacolas estas que não possuíam nem mesmo o logo da loja em que havia entrado. — Quero viajar com as minhas amigas, sem ter um segurança do lado o tempo todo. Quero ir para o Peru ou para a Indonésia. Quero fazer faculdade de publicidade e propaganda, e quero trabalhar tirando fotos. Quero fazer um curso de fotografia. Quero morar sozinha e aprender a cozinhar em um fogão de verdade. Quero… — percebeu, pela primeira vez, quantas vontades tinha. Mais do que isso, percebeu que sempre tivera todas elas, apenas não tinha tido a chance de exteriorizá-las. Ela nunca tinha tido permissão para fugir do que perfeitamente planejado por seus pais e assessores de imprensa. Suas vontades haviam sido totalmente anuladas, como se nunca tivesse existido. Mas elas existem.
… Acho que não tenho objetivos para a vida. Não sei o que quero fazer, nem sei como devo fazer o que quero. Meus sonhos são tão… bobos — Assumiu envergonhada. — Estou confusa.
O rapaz sorriu de lado, de forma modesta, sem mostrar os dentes. Com a voz terna, então, respondeu:
— Sonho não precisa ser algo grandioso, só precisa te fazer feliz — Ele sorriu para ela que sorriu de volta, aliviada — Não se preocupe, , você vai descobrir seus objetivos com o tempo. Você tem todo o tempo do mundo, você só precisa viver por você mesma.

Quando chegaram em casa naquele dia, carregados de sacolas e um sorriso que preenchia o rosto de numa felicidade que não cabia dentro de si, a mãe dela os esperava na porta de casa, sequer sua expressão e os gritos que se seguiram foram o suficiente para deixá-la desanimada. O que lhe dera tinha sido a si mesma, ele a fizera descobrir seus sonhos e objetivos, a fizera saber e experimentar aquilo e ninguém mais faria com quem ela desistisse e se afastasse daquilo que almejava.

ESTAVA NO aeroporto há mais de uma hora. Seu segurança, Ahjussi, havia voltado para seu posto há pouco mais de duas semanas, e aguardava a garota terminar de digitar uma mensagem no celular. Depois do dia mais rebelde, e também mais revelador, que a garota tivera, havia sido demitido. Seu pai até mesmo ameaçou processá-lo por sequestrar a sua filha, mas veio em defesa do rapaz. Ela havia escolhido mudar seu itinerário, não e após uma séria conversa com o pai e algumas palavras jogadas de maneira correta o rapaz foi demitido da mesmo forma, porém com uma bela carta de indicação do Presidente e, além do salário que lhe era de direito, um ótimo bônus.
também tornara-se dona de si mesma, naquele dia se impôs e diante da ameaça de não ajudar os pais em mais nada, tomava conta da própria agenda, decidia em quais eventos políticos compareceria e de quais projetos sociais faria parte. Jeong-Suk não falava com ela desde que o Presidente Moon lhe contara o que havia decidido para si mesma. E, mesmo que sentisse falta de sua mãe, não sentia falta da pressão e das palavras irônicas e rudes que ela lhe dirigia.
O novo segurança que substituiu tivera muita dor de cabeça com a que conheceu, a garota não podia sequer pensar mais em deixar de viver da forma que aprendera, não podia mais pensar em fazer coisas que ela não escolhia e não sabia como vivera daquela forma antes. Era bom ter escolha. E ela escolhia todos os dias conhecer um lugar que ainda não conhecia e experimentar uma comida que ainda não experimentara, e podia contar com um ótimo guia para todas as coisas incríveis que nunca fizera, tornara-se seu companheiro de uma forma que ninguém nunca havia se tornado e ela não podia estar mais contente com isso.
guardou o celular no bolso e observou o aeroporto, observou as famílias se despedindo e sentiu falta do apoio da sua, mas seguiu firme, observou as amigas despachando as próprias malas e sorriu, sua certeza se concretizando naquele momento. As eleições tinham acabado na semana anterior, o pai fora reeleito com recorde de votos, aparentemente, a população adorava o fato de ter um presidente tão dedicado a família. Claro que eles nunca saberiam da guerra que fora quando anunciara que iria viajar, não pedira permissão e sequer se preocupou com a opinião dos pais, simplesmente lhes informara da data em que sua passagem estava comprada, o dia e o horário do voo, sem previsão de volta.
Sorriu contente por ter tido a coragem necessária e ajustou a mochila nas costas, não tinha malas, simplesmente colocara a câmera fotográfica na mochila, junto com duas trocas de roupa e alguns itens de higiene pessoal e o carregador do celular. Decidiu que o resto compraria pelo caminho e concretizaria a nova mulher que estava se tornando.
a chamou e ela sorriu para ele.
— Sim, Ahjussi? — Ele a olhou com carinho e apontou para a entrada do aeroporto atrás dela. virou-se e observou o rapaz correr em sua direção, os cabelos bagunçados e desgrenhados, enquanto a procurava com o olhar. Ele então a encontrou e ela sorriu, contente por ele ter conseguido chegar.
estava realizando seu sonho, finalmente voltara para a faculdade e ele a inspirava a cada dia, a incentivando e a ajudando a descobrir e realizar os próprios sonhos. O rapaz por fim a alcançou e ela apenas estendeu os braços para abraçá-lo. Ele puxou seu corpo contra o dele e a moça relaxou no seu abraço, deixou que a respiração ofegante do rapaz voltasse ao normal e se sincronizasse com a sua, como sempre acontecia quando se abraçavam.
Nos meses que se passaram ela também descobrira um novo vício: . E percebeu que ele também fazia parte dos seus sonhos e ela não era mais aquela garota que deixava de correr atrás do que queria.
— Como foi a aula? — Perguntou sem se afastar para olhá-lo.
— Foi ótima, já conversei com o coordenador sobre a semana pós feriado e ele só pediu para eu entregar o projeto do semestre antes, claro que eu já imaginava isso e até a semana do feriado já vai estar finalizado. — sorriu quando se afastou e tirou os fios do cabelo da testa dele, podia sentir o amor dele pelo que fazia ao falar da faculdade — No fim do mês eu te encontro — Completou.
— Eu não sei onde vou estar no fim do mês — A moça refletiu, pensando no itinerário, estava indo para Indonésia com as amigas, em seguida partiriam para Tailândia, onde iriam se separar, e dali o mundo a aguardava, Japão, China e Filipinas, e quem sabe numa próxima viagem a Europa e as Américas? Seu coração se preenchia e saltava de felicidade apenas de pensar no que estava realizando e quando ela achava que nada a podia fazer mais feliz, lhe respondeu:
— Não importa. — Ele deu de ombros, acariciando sua bochecha — Vou te encontrar em qualquer lugar do mundo em que você escolher estar. — sentia-se boba ao lado dele, não conseguia parar de sorrir e sentia-se amada de uma forma que nunca se sentira antes, quando seus lábios encontraram os de e aquela sensação tão boa e conhecida tomou conta de si teve certeza de que aquilo era a única coisa na qual queria se prender a partir de agora.

cruzou o portão de embarque, virando-se apenas para acenar para Ahjussi e mandou um beijo para que sorriu. A amiga a encarou, sorrindo também quando comentou:
— Ele te mudou. — a encarou, com a sobrancelha arqueada e um sorriso de lado no rosto — Pra melhor, claro… Ele te fez perceber o quanto você é incrível. — Ela completou e sentia as bochechas corarem. Ela era muito agradecida a por ajudá-la, mas era dona das próprias decisões e era livre para ser quem quisesse.
Respirou fundo e seguiu o corredor para a sala de embarque, onde subiria no primeiro avião para seu primeiro destino. Aquilo era o início de tudo e ela estava mais do que pronta. Pronta para o primeiro dia da sua vida de verdade, onde ela viveria completamente por si mesma e seria dona do seu próprio destino.
*Ahjussi: Forma respeitosa de tratar um homem mais velho, geralmente entre os 35 e 50 anos.


Fim...?



Nota da autora - Larys: Oi, Oi, ! Olha, essa fic foi suada, viu? A gente bateu na tecla, mudou de roteiro, mudou a fic de novo e de novo, mas no final valeu muito a pena! Estou muito feliz por ter compartilhando essa história com a Maria, que é maravilhosa e sempre me entende e completa as milhões de ideias que eu tenho com mais uns 3 bilhões e meio de ideias... Obrigadaaa, Maria ♥ Te amo. Aqueles agredecimentozinhos clássicos de sempre: Minhas meninas, Ju, Clarinha, Vicky e Biscoita, amo vocês! Clarinha pela capa e pela aesthetic maravilhosa e a todo mundo por existirem. A você que tá lendo e se vai deixar um comentário bem bonito aqui em baixo eu dou um chocolate haahha. Enfim, espero que tenha gostado e que nos encontremos mais vezes nas fanfics da vida. Beeeijão!


Outras Fanfics Larys:

FICSTAPES:
6. 내게 (To Me) [Ficstape #104: GOT7 – 7 for 7 ]
7. Runaway [Ficstape #108: Super Junior – Replay]
8. The Winner Takes it All [Ficstape #115 – Abba Gold – Greatest Hits]
9. Flower [Ficstape #120: Seventeen - Teen Age] 9. [Special Track] So Amazing [Ficstape #112 – Shinee – 1 Of 1]
10. Jenny [Ficstape #084: The Maine – Pioneer]
11. Lonely [Ficstape #071: The Maine – Lovely, Little, Lonely]

MUSIC VIDEOS:
MV: Runaway - Bobby [Music Video: KPOP]

SHORTFICS:
O Casal Favorito [Outros – Shortfics]
The Midnight Train [K-Pop – Restritas – Finalizada]


Nota da autora - Maria: Oi oi, gente! Depois de muita conversa, mudança de roteiro e reescritas, essa fanfic saiu! Devo dizer que foi a minha primeira experiência escrevendo em dupla, e grazadeus foi com a linda da Larys <3 Confesso que fiquei com medo dela querer colocar sofrimento demais na fanfic, mas no final deu tudo certo e conseguimos parir UM FINAL FELIZ! AÊE! Espero que todxs tenham amado a fanfic como eu amei escrever, deixem um comentário fofo no final e indiquem a fanfic prazamigas <3 Espero que tenham gostado, e que tenham se apaixonado por esse casal que merece todo o amor e sorte do mundo <3 Beijos de luz
Angel


Outras Fanfics Maria: Longfic
Tempo Certo (Outros – Em Andamento)

Shortfics:
21 Months (Atores – Shortfics)
Babá Temporária (Outros – Shortfics)
Café com Chocolate (Outros – Shortfics)
Elemental (The Originals – Shortfics)
Rumor (Kpop – KARD – Shortfics)
Sorry Sorry (Kpop – Super Junior – Shortfics)
Welcome to a new world (Mcfly – Shortfics)

Ficstapes:
06. Every Road (Ficstape #58 - The Maine)
07. Face (Ficstape #104 – GOT7)
10. What If I (Ficstape #36 - Meghan Trainor)
12. Epilogue: Young Forever (Ficstape # 103 - BTS)

15. Does Your Mother Know (Ficstape #115 – Abba Gold – Greatest Hits)

Music Videos:
MV: Change (MV: Kpop)
MV: Run & Run (MV: Kpop)
MV: Hola Hola (MV: Kpop)


comments powered by Disqus