Finalizada em: 04/01/2018
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Capítulo Único


FLASHBACK

A chuva começou a cair do lado de fora e a janela ficou entreaberta na inútil esperança de que o vento entrasse e levasse aquele perfume que estava por todos os lados do quarto principal do casal. tinha o hábito de deixar o cheiro desse perfume espalhado durante dias, mesmo sabendo que ele não estava em casa ela conseguia saber o exato momento que ele tinha saído e usado o único perfume que ela tinha dado para ele de presente no último natal.
Talvez, fosse algo da sua imaginação, ou as vezes estava ficando impressionada e com saudades dele, mas o cheiro hoje estava tão sufocante que ela nem ao menos conseguiu respirar direito ao entrar no quarto e acender as luzes. Passou os olhos lentamente por cada parte daquele cômodo, indo da cama para o sofá e do sofá para a pequena mesa que ficava no canto esquerdo. Em cima da mesa o notebook, livros e enormes pilhas de estudos que estava fazendo nos últimos meses. Ela sentou na beirada da cama com parte do seu cabelo no ombro e a claridade dava para notar que sua pele estava muito mais pálida e os olhos inchados de tanto chorar.
Esse era o 5º dia consecutivo que fazia a mesma coisa ao chegar do hospital, colocava o jaleco para lavar e a comida para esquentar e subia para o quarto com o coração apertado na esperança que ele tivesse voltado para a casa. Nada. O que ela encontrava era apenas o vazio do lugar, a tristeza e a dor por não saber onde ele estava e nem o que levou o marido a desaparecer daquela maneira. Sua última recordação foi dele despedindo-se dela antes de entrar na última cirurgia da madrugada no Cheil General Hospital. Ele estava tão tranquilo que essa cirurgia seria um sucesso que nem ao menos preocupou-se durante a semana como normalmente fazia ao saber que seu paciente era um garoto de apenas cinco anos de idade. Ao contrário de muitos, ele sempre teve o sorriso em seu rosto antes de entrar para a sala de cirurgia e acreditava que sorrindo daquela maneira demonstrava confiança, amor e tranquilidade para o paciente e principalmente para a família que esperava por novidades sobre o fim da cirurgia. Sendo assim, desse jeito e dessa maneira ninguém questionava que fosse o melhor neurocirurgião daquele país.
Todas aquelas lembranças começaram deixar sua respiração mais pesada e ela inflou o peito, buscando por ar quando viu uma foto dele no porta retratos na cômoda ao lado da cama. Lentamente decidiu fechar os olhos, deixando que as lágrimas começassem a escorrer por toda a extensão do seu rosto. Queria buscar por um lugar onde fosse possível livrar-se de todas aquelas recordações, sensações e lembranças. Mas, tudo ali naquele quarto, naquela casa, naquele lugar, tudo lembrava ele.
Hoje depois de três meses sem , ela não sentia mais as mãos quentes e nem o corpo respondendo a sensação de frio que entrava pela janela, deixando o ambiente quase congelante. Em especial, hoje o frio não causava nenhum efeito, nenhuma dor, nenhuma sensação e tudo o que ela conseguia sentir era essa tristeza, saudades e uma frustração por não saber as razões que levaram ele a abandonar sua família. Nove anos de um relacionamento foi jogado de lado e ela não conseguia aceitar que ele nem ao menos pensou nela e nem em , filho do casal de apenas 2 anos de idade. Ao lembrar de chorando à noite chamando pelo pai foi o auge do seu desespero. Ele não conseguia dormir direito nesses últimos três meses sentindo falta do pai que insistia em todas as noites colocá-lo para dormir. A rotina na casa a noite era levando para o quarto e ficando horas ao lado do berço da criança, conversando, cantando e só saia dali quando tivesse a certeza que o garoto dormia profundamente. E essa rotina não existia mais, não existia mais para levá-lo para o quarto, cantar sua música preferida ou então ficar apenas parado acariciando sua bochecha e afagando seu cabelo para que ele pegasse no sono. estava sozinho e a única pessoa da casa que o colocava para dormir era ela e a criança sabia que não era o bastante. Ele queria o pai, era dele que sentia saudades, do pai que o abandonou.
Um soluço quebrou o silêncio do quarto e uma rajada de vento a fez acordar daquele momento inconsciente. Tudo o que sentiu e todas as alegrias que viveram estavam ali, marcadas naquela casa, ela não podia correr, se esconder ou não sentir essa angústia no peito. Tudo ali pertencia à ele, seu coração, seu amor, seu filho e todas as conquistas durante ao longo dos anos. O coração ficou a cada minuto mais apertado e a saudade surgiu como uma onda de choque por toda a parte do seu corpo.
— Idiota. Babaca. Cretino. — Ela xingou baixinho para que somente ela pudesse ouvir. Era isso que merecia, ser xingado de idiota, babaca e todos os outros xingamentos possíveis que existia no mundo. Somente uma pessoa babaca para abandonar a família dessa maneira e sumir sem ao menos explicar o que aconteceu. Só uma pessoa cretina para deixar o filho, esposa e carreira de sucesso dessa maneira. Não existe explicação, não existia limites ou compreensão para ele nesse momento.
END FLASHBACK


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Cinco anos depois…

— Esse é bolo é o melhor, não é?
— Não mesmo. O da vovó será sempre o melhor.
— Ei! — resmungou para o garoto que estava sentado em seu colo enquanto ela estava em uma das cadeiras da grande mesa de vidro da sala de refeições. — Então porque você não pediu que ela fizesse o seu bolo, hein?
— Porque você é a minha mãe. E eu quero o bolo da minha mãe no meu aniversário, não o da vovó. — a respondeu com seu tom de voz sereno e baixo.
Ouvi-lo dizer que preferia as coisas que fazia, mesmo que não fossem as melhores, e tê-lo a chamando de “minha mãe” sempre fazia com que o coração dela errasse algumas batida e um sorriso imenso surgisse em seus lábios.
— Sim, eu sou a sua mãe. — Ela afirmou, dando um beijo na bochecha do garoto e o segurando ao mesmo tempo em que começou a fazer cócegas em que se encolhia, ria e tentava sair do ataque que sofria.
A casa que horas antes estava cheia de familiares, amigos da escola e alguns professores de , agora tinha apenas os dois, os enfeites que comprou para a festa simples que fez para celebrar os sete anos de idade do menino, e a risada dele que implorava a ela que parasse com as cócegas.
Com a risada de ecoando pela sala e com o garoto em seus braços, se sentia forte. era a sua força diária. Ele era quem a mantinha de pé todo esse tempo. Ele era o seu sustento. E ele nem ao menos tinha noção disso. Talvez, tivesse. Afinal, por vezes o garoto foi até o quarto da mulher a noite quando ela tinha uma crise de choro. “O que foi mamãe? Eu tô aqui. Eu cuido de você.” era o que ele falava sempre que a encontrava encolhida no colchão, antes de colocar o rosto de sem seu pequeno peitoral e abraça-la enquanto cantava do seu jeitinho, uma das músicas que ela já ouviu cantar para o filho dos dois.
. Ah, .
O pai de e marido de fazia falta principalmente em dias como aqueles; aniversários. Era difícil comemorar mais um novo ano de vida do filho que eles tanto planejavam, sem o homem por perto. Era difícil ter que contar com a ajuda do melhor amigo de , Patrick, e não com a ajuda dele. Ele que foi embora sem mais nem menos. Sem uma despedida, um “até breve” ou algum fim definido entre eles. foi embora sem aviso prévio e não importava quantos anos se passaram desde a ida dele, jamais iria se acostumar com isso. Ela, e principalmente . O menino que sempre perguntava pelo pai, no último ano bem menos do que nos anteriores. Ele que queria saber “pra onde o papai foi que não pôde nos levar?” e “nós não somos bons para ele?”. E essas duas perguntas jamais sairiam do coração de . E nem a imagem das lágrimas molhando o rosto do menino que tanto parecia com o pai.

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E naquela noite do dia do aniversário de , foi uma daquelas noites em que o menino pegava e a deixava sem chão. Depois de terem comido a fatia de bolo que a mulher cortou para os dois, terem tomado banho e terem colocado seus pijamas com a promessa de que iriam limpar a casa no dia seguinte, e se deitaram na cama de casal do quarto dela e viraram de frente um para o outro como sempre faziam todas as noites. Ela passou sua mão levemente pelo rosto do menino que fechou os olhos por alguns segundos. Ele era lindo. Inteiramente lindo. Assim como ele.
— Você acha que hoje eu vou sonhar com ele, mamãe? Acha que eu vou poder ver o papai no meu sonho? Que ele vai me dar parabéns?
As lágrimas tornaram turva a visão de no exato momento em que ela ouviu lhe perguntar tudo aquilo com um tom de voz como de quem implora por algo. implorava para sonhar com na noite de seu aniversário.
E implorava, silenciosamente, para que o motivo que fez com que fosse embora de casa, fosse algo imensamente forte porque responder as perguntas de a deixava fraca.

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retirou algumas caixas de cima do guarda-roupa e sem ao menos esperar um álbum fotográfico caiu no chão, espalhando todo o conteúdo pelo quarto. Ele correu os olhos por todas as fotos no chão, não recordando o motivo que o levou a guardá-lo naquele local.
Não seria novidade ele não recordar de muitas coisas, mas o motivo exato para esconder algo dessa maneira foi o que deixou mais ansioso. Ele não seria capaz de esconder algo assim se realmente não fosse importante ou então algo que ele estivesse tentando proteger dele mesmo. Essa confusão mental e essa ansiedade começou a percorrer o seu sistema e uma tremedeira surgiu em suas pernas, não deixando que ele fosse capaz de continuar naquela mesma posição.
— O que é tudo isso? Por que eu não me lembro? — Questionando os motivos e buscando em sua curta memória, ele apenas observou com as mãos no queixo todas as fotos espalhadas, pessoas estranhas, crianças estranhas, jovens, adultos e lugares que nunca tinha visto na vida. E de repente uma breve olhada para uma foto de uma garota sentada em um balanço, o sorriso lindo e perfeito fez seu coração bater rapidamente e todos os seus músculos ficaram tensos com aquele contato visual. Quem era? Por que estava ficando dessa maneira com os passar dos minutos?
— Quem é você? — Ele perguntou em voz alta, não conseguindo coragem para tirar aquela foto do chão. O olhar dela e aquele sorriso fizeram o seu mundo girar e precisou de apoio do corpo no guarda-roupas para que não caísse. — Você é a garota dos meus sonhos? Da voz na minha cabeça? É você? — Ele não a conhecia ou talvez apenas não se lembrava dela. E agora aquele sorriso estava fazendo todos os seus sentidos ficarem confusos e sua cabeça latejar. Uma voz, apenas uma voz conseguia recordar em meio a multidão e ele não tinha certeza se era a mesma voz dessa garota, parte do seu coração gritava que todos os seus sonhos e pesadelos estavam bem diante do seus olhos, e aquele olhar. Aquele olhar era familiar, doce e eterno. Naquele olhar ele sabia que conseguia se perder e viajar em todas as vagas lembranças que restou do seu passado. Ela? Ela era uma lembrança? Sua melhor lembrança?
— Como eu posso sentir meu coração doer dessa maneira e sentir essa saudades por alguém que não conheço? Como é possível eu ficar impressionado com esse sorriso? — Confuso e perdido ao turbilhão de sentimentos que começaram a percorrer do seu cérebro para toda a extensão do corpo e impulsos involuntários misturados com sensações estranhas que não soube controlar o fizeram jogar o corpo para trás, buscando outro móvel do quarto para apoiar-se. — O seu sorriso, é algo que consegue fazer meu coração vacilar dessa maneira. Quem é você na minha vida? Por que eu sinto que te conheço e te amo? — O coração não respondia mais ao seu comando e ele sentia a intensidade daquele sentimento crescer conforme a imagem dela surgia em seus pensamentos. O sorriso, o olhar e um jardim enorme com um balanço em uma laranjeira formou diante dos seus olhos e precisou desesperadamente buscar por ar para conseguir respirar direito com aquela recordação. — É você, eu sei que é você! — Uma lágrima começou a escorrer por seu rosto e ele travou uma das mãos, não controlando a vontade desesperada que surgiu de chorar por aquela garota. — Por que eu não me lembro de você, garota? Por que eu estou chorando e sentindo que eu te amo tanto? — Lentamente ele fechou os olhos, não conseguindo mantê-los mais abertos. A dor invadiu seu peito e ele não foi capaz de negar que pela primeira vez o seu mundo estivesse começando a desabar. Ela tinha um significado e uma importância em sua vida e uma parte muito importante para que seu corpo reagisse dessa maneira, não era como se fosse apenas uma lembrança qualquer, era a sua busca e o seu ponto fraco?

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Duas semanas depois…

O consultório e todos aqueles detalhes brancos das paredes conseguiram deixar o ambiente sufocante para , que esperava ansioso para a sua consulta mensal. O letreiro na porta parecia mais brilhante essa manhã e as letras mostrando o nome do Dr. Tan Chen fez um contraste ao resto das letras embaixo, mostrando a especialidade que antes ele exercia e hoje não era capaz nem ao menos de recordar o que era ser um neurologista. Chen guardou anos atrás todas as informações em um pendrive para que quando passasse pela fase pior da doença, pudesse ao menos lembrar algumas coisas importantes do seu passado, profissão, ambição, família e até mesmo recordações de momentos que com certeza iriam ajudá-lo a enfrentar tudo o que estava apenas começando. E mesmo depois de dois anos ele não conseguia aceitar que suas lembranças e todos os momentos que viveu estavam ficando vagos em sua cabeça. O seu cérebro que antes era usado para operar, cuidar e ajudar as pessoas estava ficando reduzido a apenas flashbacks e fragmentos de uma vida que ele não conseguia mais lembrar. Hoje ele não tinha passado, presente e muito menos futuro. era apenas uma pessoa sem esperança, sem recordações e isolado do resto do mundo para que não sofressem com ele essa doença que a cada dia levava uma parte de sua vida.
— E o que vai acontecer comigo quando eu não me lembrar de mais nada, Doutor? — frustrado fez a pergunta que tanto lutou nessas últimas semanas para esquecer. O que aconteceria com a sua vida se ele esquecesse por completo de todas as outras coisas importantes?
, a Neurostigma é uma doença muito complexa e como você não deve recordar muita coisa sobre ela quando trabalhou na área e em pesquisas, a Neurostigma vem crescendo conforme os anos e muitas pessoas estão ficando com estados clínicos bem avançados. — Tan Chen começou a explicar ao vê-lo tão absorto e perdido com aqueles acontecimentos e explicações, hoje parecia não somente perdido, como também bastante confuso sem saber exatamente o que estava fazendo ali no consultório. — O que pode acontecer com você é somente cada dia menos você se lembrar da sua vida, recordações, lembranças e aos poucos o que você viveu em dois, três, quatro anos atrás vão desaparecer. Seu cérebro só vai ser capaz de absorver e guardar os acontecimentos recentes. — A voz de Tan Chen ficou triste de repente e os olhos de vagaram para a lâmpada no teto. Ele tentou buscar pela atenção dele e com uma batida levemente na mesa, voltou a sua concentração para os olhos do Doutor. — , aconteceu alguma coisa? Você tem sentido alguma coisa diferente?
— Lembranças, Doutor. Eu tive lembranças quando eu olhei para uma foto no chão. — Ele disse rapidamente, querendo contar para ele a novidade que estava guardando durante as semanas. — Sem querer eu vi uma foto e de repente fechei os olhos e comecei a me lembrar do balanço, da garota e do cheiro de flores que tinha nesse jardim. — Animado ele mexeu levemente no cabelo e pela primeira vez Tan Chen viu um sorriso surgir em seu rosto. Há exatamente um ano e meio não conseguia enxergar um sorriso no rosto dele e ainda lembra de como surgiu em seu escritório procurando por ajuda. — Tan, eu sinto que as vezes consigo lembrar e escutar algumas vozes, mas eu não sei de quem são ou que lembranças são essas. Minha cabeça fica tão confusa e começa a doer muito quando me esforço dessa maneira.
— Isso é maravilhoso, . — Tan comemorou, realmente conseguindo notar uma diferença em seu paciente. Ele não estava mais perdido ou confuso, apenas sentia a vontade de entender porque de repente pequenas lembranças começaram a voltar dessa maneira. — Me conte, o que mais você tem lembrado? O que você anda sentindo? Como são seus sonhos e com que frequência você vem tendo esses lapsos de memórias? — Ele quis saber curioso para todos os detalhes. Todos os avanços da Neurostigma eram discutidos pela academia de neurologistas e neurocirurgiões de diversos países pelo mundo. O estudo era bem complexo, cheio de dúvidas e curiosidades sobre o comportamento de pessoas que passaram a desenvolver a perda de memória consciente e todas as variações de humor que ela passa durante o período em que se inicia o tratamento. Tan Chen não tinha informações sobre a volta repentina de lembranças e fragmentos assim de um paciente diagnosticado e em fase de tratamento, talvez fosse o medicamento ou então algum outro quadro que estivesse desenvolvendo com o contato direto com lembranças visuais de algumas coisas que causaram uma comoção e esforço maior em seu cérebro.
— Quando eu fecho os olhos eu consigo escutar a doce voz dela... É como se eu tivesse ao seu lado, ouvindo como ela pronuncia as palavras pausadamente, o som da boca se movendo e toda a melodia que uma simples frase. — Ele fechou agora os olhos, deixando que aquelas lembranças começassem a voltar aos poucos. Em sua cabeça o rosto da garota da foto, o jardim e agora uma nova lembrança surgiu deixando os seus olhos úmidos. — Eu consigo ver o rosto dela, consigo enxergar esse jardim e ela parada bem na minha frente segurando a minha mão. Ela está vestida de branco e em sua cabeça um arranjo floral. O perfume que sai dela é adocicado, sua pele é macia e o toque dos seus dedos me causa um arrepio por toda a extensão das minhas costas. — foi contando o que estava lembrando e Tan Chen não atrapalhou aquele delírio, prestando atenção ao máximo em todos os detalhes que ele passava. — Agora ela está sorrindo, esse sorriso derrete meu coração e me causa um desconforto no peito. Sinto saudades desse sorriso, desse olhar e de saber o que essa garota representa na minha vida. A afeição, a paixão que ela me olha é algo que eu não consigo conter as lágrimas.
— Quem é ela, ? Tente se lembrar. — Tan Chen cortou o silêncio agora muito as duas mãos pressionadas contra a mesa. — Olhe ao seu redor e tente ver se lembra desse momento, o que tem mais nessa cena que te chama a atenção?
— Eu consigo ouvir uma voz, me chamando e sussurrando bem ao longe algumas coisas. — Ele fez uma pausa entortando um pouco a cabeça se esforçando para lembrar um pouco mais dos pequenos detalhes daquela cena. O sol estava bem no alto, e o jardim parecia ser um lugar que já tinha visitado em algum momento. Ele conseguia reconhecer aos poucos o canto dos pássaros, o vento forte e a posição que ele estava segurando a mão dela. — Ela, o nome dela. Qual o nome dela? — O ar começou a faltar do seu pulmão e voltou a chorar com mais força querendo ser capaz de escutar o nome da garota. — Qual seu nome? Fala comigo.
, não se esforce…
— Você me ama? — Ele abaixou a cabeça agora forçando os olhos. — Me ama? Eu também te amo. — respondia como se estivesse em um sonho. Tan Chen ficou tenso por alguns segundos, esperando que ele voltasse aos poucos daquela lembrança. Mesmo sabendo que isso era uma descoberta, ele entendia que aos poucos estava começando a lembrar de acontecimentos importantes e que talvez essa lembrança fosse de sua esposa em seu casamento. — Eu te amo, eu sei disso e eu sei que vamos ficar juntos pelo resto das nossas vidas, amor.

— Eu amo.
! — Tan Chen alterou um pouco a voz e ele abriu os olhos assustado olhando em volta da sala. — Respire fundo, ok? Apenas respire e volte lentamente para o presente.
— Doutor, eu preciso lembrar se essa garota é minha mulher. — Ele segurou firme, movendo o corpo para frente olhando para dentro dos olhos de Tan. — Preciso saber quem é ela. Meu coração fica em uma pulsação fora do normal sempre que eu olho pra ela dessa maneira, não é algo que eu estou inventando é algo que eu sei que aconteceu na minha vida. Algo que eu esqueci, algo que foi importante e eu não tenho essa recordação. O que eu faço? Onde ela está? Por que eu não estou com ela? — O desespero, a busca e a confusão em seu olhar deixou Tan Chen apreensivo, ele não soube o que falar e o único conselho que teve para ele foi que se acalmasse e que desse um tempo para esse esforço. A agitação no momento não era algo que fosse ajudar em nada, a não ser que ele tivesse várias crises e insônia na esperança e luta para se lembrar dessa garota. O que o mais deixou apreensivo foi todos os ricos detalhes que ele tinha descrito a cena, o avanço inesperado do seu quadro clínico era algo importante para ser discutido com seus colegas. Por mais que fossem sintomas pequenos, o quadro dele estava mudando e a variação de humor ficando cada vez mais constante. E o que estaria acontecendo com esses escapes? Ele estava realmente se lembrando de algo ou são memórias que estão próximas de serem esquecidas? O que causaria a se ele encontrasse com essa garota? Afinal, quem era ela?

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A forte dor de cabeça impossibilitou de ir trabalhar no café La Maison que o tio era dono há mais de 10 anos e um dos mais frequentados por turistas no inverno rigoroso de Quebec. Esse ano que passou com o tio fez com que ele tirasse esse descanso necessário e iniciasse o tratamento em um dos países que mais tinham índices de pacientes com Neurostigma. acreditava que sua melhor opção era esconder essa doença e procurar por ajuda onde ele exatamente sabia que teria os melhores tratamentos e opções de remédios para evitar que suas lembranças e sua vida fossem apagadas por completo.
Quebec hoje tinha acordado com a temperatura em -9 graus e ele conseguia ver do lado de fora da janela pequenos flocos de neve caindo e pessoas correndo de um lado para o outro no parque Saint, lugar de refúgio sempre que precisava relaxar um pouco e ficar observando o mundo continuar a girar e o seu humor sair do estágio complicado onde conseguia sentir raiva e ódio por qualquer coisa simples que acontecesse no dia. Dah-Ko muitas vezes ficava preocupado com essas mudanças bruscas de humor e as vezes durante o dia procurava para que pudesse verificar se estava tudo bem com ele, a preocupação do tio que no momento era a sua única família era o controle entre a sua realidade e as crises que tinha durante as fortes dores de cabeça.
O tratamento novo teve início no começo da semana e ele conseguiu sentir a diferença no corpo com um simples comprimido amarelo. Antes suas mãos ficavam frias e vários espasmos surgiam por todos os lados sem que ele pudesse manter o controle até mesmo do seu equilíbrio. A nova medicação trouxe alguns benefícios e ele comemorou por conseguir novamente sentir o controle do próprio corpo, isso evitaria que ele sentisse a fraqueza nos joelhos e caísse em qualquer lugar que não tivesse um apoio.
O remédio era forte, porém muito eficaz no dia a dia e Tan Chen além de prescrever vários outros coquetéis, optou também por vários exercícios de concentração e físicos para que ele ocupasse a mente com outras coisas e não somente recluso à medicação e ao tratamento que com o passar dos meses iam ficam mais severos com o surgimento de várias novidades e estudos no caso da Neurostigma.
Dah-Ko tentava não demonstrar a preocupação e o que era totalmente errado, sabia que o tio estava bastante preocupado e que por inúmeras vezes deixou de abrir o café que era a única renda familiar deles para ficar em casa cuidando das fortes crises que o sobrinho tinha, em especial hoje ele sabia que Dah-Ko não podia fechar o café pela temporada de inverno ser a mais frequentada de toda Quebec.
— Tio, desculpa por ser uma dor de cabeça dessa maneira. — Ele triste baixou os olhos, se sentindo um peso morto para Dah-Ko. Era esse sentimento que ele tentava evitar todos os dias, não queria sentir que seu mundo fosse diferente dos outros. Ele queria que fosse capaz de ter recordações passadas e que pudesse principalmente lembrar como era o seu antigo emprego. A única lembrança vaga que existia era de uma sala completamente branca e alguns aparelhos apitando ao longe, Dah-Ko sempre contava a história que ele era um grande médico e isso causava um grande espanto em por não saber se era a verdade ou uma criação do seu tio para que ele se sentisse melhor. Falando em tio, ele sabia que Dah-Ko chegaria a qualquer momento para o almoço e pensou em fazer algo gostoso para o mais velho, pelo menos ainda os seus dotes culinários era algo que podia explorar todos os dias. O almoço era algo sagrado para os dois e sempre estava disposto a cozinhar para o tio e hoje não seria diferente, iria para a cozinha preparar algo muito quente e saboroso para que Dah-Ko ficasse feliz.
— Quem guardou isso aqui? Será que foi o Dah-Ko? — Ele assustou, tropeçando em uma caixa vermelha que estava no chão ao pé da cama. Interessado e curioso ao mesmo tempo com a presença daquela caixa ele agachou-se lentamente, recolhendo ela com todo o cuidado do mundo e apoio na cama para que pudesse ver o que tinha dentro dela. Rapidamente abriu sem esperar qualquer outra surpresa e se deparou com um celular preto, vários papéis espalhados e algumas pastas transparentes com vários nomes estranhos escritos. não soube da onde surgiu aquele frenesi e parecendo saber exatamente do que se tratava aqueles papéis ele pegou todos com ambas as mãos e uma tremedeira começou a percorrer o seu corpo. Ele sentou-se, abrindo pasta por pasta e percorrendo os olhos por todas as anotações.

Anotação: Neurostigma
A doença Neurostigma é uma doença hereditária que provoca a degeneração progressiva de células nervosas do cérebro, o distúrbio tem sido amplamente estudado nas últimas décadas e foi inclusive em 1995, pouco mais de um ano após o primeiro caso oficial da doença, que os cientistas descobriram o gene causador da afecção. Localizado no cromossomo 3.

Anotação: Sintomas de Neurostigma
Os sinais e sintomas característicos da doença surgem em decorrência de perda progressiva de células nervosas que ficam em uma parte específica do cérebro, os ganglios de base. Essa perda afeta a capacidade cognitiva (associada à memória, lembranças e ao pensamentos, por exemplo) e o equilíbrio emocional.


— Essa é minha letra. — Ele ficou chocado com a recordação ao saber que tudo o que estava escrito ali tinha exatamente a sua caligrafia. Antes de tudo acontecer e antes de saber sobre a doença, em algum momento ele estava pesquisando e escrevendo sobre isso. O bloco de anotações e o celular chamou a sua atenção e ele pegou o aparelho com receio de descobrir alguma coisa que afetasse ainda mais as suas emoções. Descobrir que ele pesquisava sobre a doença e encontrar todas essas anotações fez com que sua cabeça começasse a doer novamente e dessa fez mais forte. — Eu realmente sou um médico? O que eu procurava com todas essas anotações? Será que eu consegui descobrir algo? — remexeu um pouco mais na caixa, descobrindo outras pastas e dessa vez com nomes de pessoas e fotos que ele não conseguia reconhecer. Talvez fossem pessoas próximas, amigos ou até mesmo a família que o adotou quando tinha apenas cinco anos de idade. Ele sentia esse vazio e essa tristeza sempre por não se recordar como era o rosto da sua mãe, Dah-Ko sempre contava histórias dela e diariamente ele surgia com algo novo para que ele pudesse ao menos ter a sensação de que alguém era familiar, um rosto ou até mesmo alguma imagem perdida em sua cabeça que pudesse trazer de volta a pequena sensação e aconchego e carinho.

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! Está muito frio lá fora! Está nevando! — praticamente gritou enquanto olhava para a janela da sala e via a neve cair pela cidade deixando as árvores, carros, chão e tudo bem branquinho. Ela gostava de olhar para a neve caindo do céu, contra a luz dos postes, mas não gostava muito de ficar debaixo dela.
— Oh, sério? Eu vejo isso, meu amor. Vem, vamos.
.
Ele riu do muxoxo da garoto e a ignorou. colocou uma touca na cabeça de , ajeitou a peça e deu um selinho nos lábios dela que tinha um biquinho.
nunca foi boa em negar as coisas para ou em não fazer algo que ele pedia tão animado, e ela teve a certeza de que isso jamais mudaria quando se viu andando debaixo da neve com ele ao seu lado.
— O pode acordar. — Ela sussurrou e riu.
— Ele não vai. Nosso garoto não acorda durante a noite. E, você sabe disso. - Ele piscou para ela e ergueu uma mão para a mulher que franziu o cenho. - Vamos dançar. Me conceda essa dança, meu amor.
— Eu não acredito que com tanto lugar pra dançar, você quis dançar na neve! De madrugada! !
— Por favor.
— Eu te odeio. — Ela mostrou a ponta da língua para o marido como faria o filho deles.
— Eu também te amo.
sorriu antes de ter a mão de colocada em cima da sua e poder colocar sua outra mão na cintura dela. colocou sua outra mão no ombro de e continuou olhando o rosto do homem à sua frente. Era impossível explicar como conseguia ser tão lindo. Como se seu rosto tivesse sido moldado por anjos. Ele parecia um anjo. A luz que ele dava na vida dela, a energia nos dias difíceis, as palavras certas nas horas certas, o abraço capaz de tirar deste mundo e seus toques sempre tão suaves. era um anjo, não tinha muita dúvida em relação a isso. E o amor que ela sentia por ele, as batidas que seu coração errava sempre que o encontrava, as borboletas nervosas em seu estômago e o orgulho que tomava conta de si sempre que o via, explicava um pouco da imensidão do que ela sentia por ele.
era a melhor parte de fora dela.
— Eu te amo tanto que às vezes sinto que há mais amor por você do que por mim mesmo. — Ele confessou em um tom baixo, o suficiente para que o escutasse e sorrisse envergonhada como sempre fazia todas as vezes em que ele se declarava do nada. - Eu tenho medo de te perder. Tenho medo que um dia a vida resolva nos separar e eu tenha que viver sem você. Eu tenho medo de ter que ficar sem você. Eu vou ficar perdido sem você, . Você é o meu maior presente. O meu maior presente que me deu outro presente. . O nosso menino. - Ele riu baixo, e fungou ao que fechou seus olhos quando as lágrimas saíram deles e molharam seu rosto. Aquela declaração de estava lhe provocando uma nova sensação. Algo que nunca sentiu enquanto o escutava dizer que a amava: Medo. - E a vida vai nos separar. Ela vai me levar pra longe de você. Muito longe. Um lugar inalcançável. Eu não vou mais te ver. Eu não vou ver o seu sorriso, o seu olhar. Não vou ouvir a sua risada ou a sua voz. Eu vou acabar sem você. E isso dói. Dói ficar sem você. Não existe vida sem você!
, amor, ei, olha pra mim. Ei, calma. — segurou o rosto dele com suas duas mãos, tentou olhar nos olhos deles e dizer que ela estava ali com ele. Que estava tudo bem. Que toda aquela preocupação era desnecessária, tentou. Porém, não conseguiu. — ?!
tinha desaparecido. Bem diante dos olhos de . Ele foi embora. Ele sumiu. Como se nunca tivesse estado ali. Como se tivesse o tempo todo sozinha naquela neve. As pegadas dele haviam desaparecido da neve.
estava sozinha debaixo da neve que ainda caia.
Enquanto havia ido embora.
desapareceu.
Para sempre.


A respiração acelerada e completamente desregulada de a deixava de boa aberta a procura de ar. Os batimentos cardíacos acelerados e o coração prestes a sair de seu peitoral, a faziam colocar a mão em cima de seu peito enquanto tentava, inutilmente, acalmá-lo. Sua pele soava ao mesmo tempo em que lágrimas deixavam seus olhos.
Aquele havia sido o pior sonho que tivera com desde que ele fora embora. Nenhum outro se compara com aquele. Porque a realidade se misturou com o sonho. se lembra da noite em que dançou debaixo da neve com . Se lembrava da linda declaração, uma entre tantas, que ele a fez. E se lembra de como se sentiu amada por ele naquela noite.
Mas, depois daquele sonho. Pesadelo, na verdade. Ela estava com medo, aterrorizada e com um péssimo pressentimento. E na escuridão do quarto, no meio daquela madrugada, esperava que aquele pesadelo não significasse nada. Ela esperava que não tivesse ido embora para sempre de sua vida.
não iria aguentar viver o resto de sua vida sem notícias de . E principalmente, sem ele.
Ela precisava de seu anjo ao seu lado para continuar vivendo.

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O celular em sua mão começou a ligar e ele soube que aquele aparelho realmente era seu ao ver a foto de proteção de tela. A imagem dele abraçado com uma garota e novamente os seus olhos estavam perdidos e apaixonados por ela, que parecia tão feliz. Em todas as fotos em que a encontrava, estava sorrindo tão alegre que seu coração palpitava só com a sensação de saber que ela estava bem. E aquele sorriso era tão importante para ele que buscou em todo o aparelho alguma ligação que pudesse trazer lembranças, acontecimentos ou qualquer outra coisa que o levasse a essa garota da foto. Ele precisava de algum contato, de algum sentimento e de alguma sensação nova para que pudesse lutar contra essa angústia por não conseguir sonhar mais com ela todos os dias. Mesmo sabendo o quanto o esforço era inútil, buscava trabalhar a sua mente para que pudesse segurar todas as recordações e sonhos com a esperança que um dia pudesse novamente lembrar de tudo sem precisar de todo esse esforço.
Por mais alguns minutos começou a olhar para a tela do celular e ficou impressionado ao ver a agenda pessoal e notar que existia ali apenas um número. O único número marcado como importante e em letras simples o nome “amor” ganhou destaque e ele sentiu as pontas dos dedos começarem a formigar. O que aconteceria se ele ligasse para essa pessoa? Quem era ela? Qual era o seu nome e sua relação com ele?
Encarou por mais alguns segundos e resolveu criar coragem de uma vez para ligar. Buscou o celular de Dah-Ko na beirada da cama e discou no aparelho o número com o DDD correto. Ele tentou uma, duas, três vezes e o celular a todo momento parecia ficar sem área. Julgou melhor deixar guardado essa vontade de falar com aquela pessoa e não atrapalhar quem fosse atender essa ligação. Ele não tinha mais o direito de entrar em contato seja com quem fosse, já havia se passado cinco anos e nada mais estava do mesmo jeito. Ele nem ao menos conseguia ter uma vida normal diante de todas aquelas crises e tratamentos intensivos. A sua vida era em Quebec ao lado de Dah-Ko e nessa nova vida ele não tinha a permissão para amar, sentir saudades ou deixar seu coração acelerado daquela maneira sempre que uma foto dela aparecesse no seu campo de visão e mesmo sabendo de tudo isso os seus dedos tremeram e novamente sem controlar o impulso ele estava ligando novamente para o número. Ele não conseguia controlar aquela necessidade que estava sentindo de falar com a pessoa do outro lado e dizer tudo o que estava guardando durante tanto tempo, todos os seus sonhos, todas as suas angústias e tristezas. De alguma maneira, por alguma razão isso traria paz para o seu coração e ele precisava disso.
— Olha, eu sei que deve parecer confuso quando você escutar essa mensagem e espero que minha voz seja familiar. Não quero te assustar e nem quero que você fique pensando que eu sou um maluco que está te perseguindo. Ao contrário, eu me chamo e eu tenho certeza que você me conhece muito bem. — Ele disse com o coração acelerado e respirando fundo várias vezes, controlando o tremor que surgia em sua voz toda vez que ele tentava completar uma frase. não sabia o que estava fazendo e nem o que essa gravação faria com a pessoa do outro lado, ele apenas estava falando tudo nesse momento o que estava sentindo. Todas as suas emoções e vontades. Ele apenas queria falar, expressar e mostrar para aquela pessoa do outro lado o tanto que ele sentia saudades e o quanto ele estava triste por não estar ao seu lado. Essa garota era o seu passado e talvez fosse o seu futuro. — Essa gravação é algo que eu fiquei pensando durante vários dias, e o engraçado é que eu me lembro do seu rosto, do seu sorriso e do seu cheiro do seu perfume. — Ele fez uma pausa para respirar fundo e escolher direito as palavras. Afinal, tudo levava ele a acreditar que ela era sua esposa e que aquele menino da foto era seu filho. Seu filho o coração acelerou com essa possibilidade e o controle que antes não existia passou a ser usado para que ele terminasse exatamente o seu objetivo, falar o que estava sentindo com aquela pessoa que só de falar seu nome em voz alta fazia o seu corpo todo estremecer. — Não lembro como foi a minha vida com você nesses últimos anos e isso me deixa muito triste e abalado. Queria realmente ter essa recordação tão importante que deixa o meu coração acelerado ao olhar para a sua foto e ver esse sorriso lindo. O perfume é algo que eu consigo ainda sentir, mesmo não sabendo de onde eu consigo buscar essas recordações. Eu imagino como é ter você em meus braços todos os dias. — agora estava sério e uma forte dor começou a surgir na sua nuca. Ele balançou a cabeça de um lado para o outro tentando controlar essas emoções para que conseguisse terminar o que estava precisando desabafar. — É estranho, não é? Em todas essas fotos eu não consigo achar o seu nome e parece que eu me privei de todas essas informações para que não fosse capaz de ir atrás de você e desistir do tratamento. — Ele agora iniciou o assunto que talvez fosse o mais delicado de toda a ligação. Contar para essa pessoa sobre a sua doença e sobre a sua situação atualmente. — É triste saber que eu tenho uma doença que a medicina ainda não tem muito conhecimento a respeito e que muitos casos ainda estão sendo estudados. A Neurostigma é algo que vem atingindo muitas pessoas e em todo o caso eu fui a vítima desta terrível doença que tirou todas as minhas recordações, memórias e tudo da minha vida. — O choro parou na sua garganta e ele não queria chorar, não queria demonstrar que estava derrotado ao falar da doença, ele tinha esperanças que um dia tudo voltasse ao normal. E ele precisava dessa esperança para que continuasse essa luta que travava todos os dias ao acordar pela manhã. Era disso que ele necessitava, esperança e forças para continuar com o tratamento o tempo que fosse preciso e necessário. — Sinto muito por ter deixado você, acredito que eu tenha deixado você e o nosso… — Ele parou nesse momento, imaginando como seria o choque ao falar pela primeira vez o nome que estava escrito atrás de uma foto de um bebê na maternidade. — Como está o ? Ele cresceu? Na foto ele parece um meninão e eu tenho a impressão que ele vai ser jogador de basquete. Fala pra ele seguir todos os sonhos e ser um bom garoto. E também cuidar da mãe dele muito bem, agora ele é o homem da casa. — Involuntariamente o choro surgiu e dessa vez nem o seu auto controle foi capaz de segurar essa dor que invadiu seu peito ao saber que não existia nenhuma parte do seu cérebro que lembrasse do nascimento do filho. Apenas uma foto dele segurando a criança nos braços na maternidade de um hospital. — Me desculpe por chorar dessa maneira, não consigo controlar essa dor que é tão profunda, sinto que estou morrendo todos os dias com essa solidão. — Ele limpou os olhos afastando o celular do ouvido e jogando ele em cima da cama não conseguindo mais condições de falar nada. O desespero invadiu todo o seu corpo e um grito misturado com uma crise de choro deu espaço para o vazio que ele tanto lutava em não sentir todos os dias. Esse vazio de não saber quem ele era, suas lembranças e partes da sua vida passada. E se ela não soubesse quem era ele? E se realmente foi esquecido com o tempo? — Alguma parte de mim ainda lembra da sua voz e do seu toque e essa pequena parte consegue mandar recordações para o meu coração. Me salva desse vazio, não me deixe desaparecer dessa maneira. Sinto dor, sinto angustia e desespero por não saber mais nada da minha vida. Eu preciso de você e preciso do . — correu agarrar o celular e dizer essas últimas palavras até que outra crise de choro o atingiu novamente. Dah-Ko surgiu no quarto desesperado com os gritos e rapidamente envolveu o sobrinho nos braços, tentando protegê-lo de todos aqueles espasmos e crises. Ele estava ali para ser o seu porto seguro e sua família. Tudo o que ele desejou naquele momento fosse que parasse de chorar e que Deus não fosse tão cruel com ele dessa maneira.

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? Alô? ! - gritou ao celular enquanto as lágrimas molhavam seu rosto e seu coração se encolhia cada vez mais dentro de seu peito. O aperto no peito e a dor que sentia eram tão reais que ela conseguia sentir seu corpo ficando fraco por conta disso. A dor de ouvir a voz de depois de tanto tempo, era demais. Ouvi-lo lhe dizendo todas aquelas coisas fora demais. Ouvi-lo chorar sempre fora demais.
O som de ligação encerrada ecoava por seu ouvido e em seu cérebro se misturava com as palavras dele.
Ele havia aparecido, então.
ainda estava vivo. Por Deus!
soltou o celular em cima do colchão da cama e se permitiu chorar. Chorou de saudades da voz dele. De felicidade por saber que ele está vivo. De tristeza por ainda tê-lo longe. De nostalgia por escutá-lo falando de do mesmo jeito que falou quando o menino nasceu “ele vai ser jogador de basquete”. De impotência por não poder abraçá-lo até que parasse de chorar. E de dor por não poder estar ao lado dele. E por ele ter ido embora e agora não se lembrar de muita coisa graças a Neurostigma.
Neurostigma. Doença.
se levantou as pressas da cama e quase caiu quando foi para a mesa que ficava encostada em uma das paredes do quarto e pegou seu notebook. Ligou o aparelho e passou suas mãos pelo o seu rosto enquanto ele ligava.
Os dois minutos que esperou até que o notebook estivesse completamente ligado pareceu horas.
E as palavras que começou a ler em um site de um famoso neurocirurgião após ter digitado “Neurostigma” no Google, fizeram o seu mundo parar.
Saber que estava com aquela doença fez o mundo de parar.
Neurostigma era algo cruel demais. Severo demais para alguém tão maravilhoso como .
Ele não merecia aquela doença!
Ele não merecia nenhuma doença!
sempre foi do tipo que tira as doenças das pessoas e que se sentia mal quando não conseguia curar um de seus pacientes. Saber que agora ele estava com uma doença sem cura, fez com que o choro de se intensifica. Fez com que o chão do quarto, e o mundo saíssem debaixo de seus pés.

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estava sentada no chão ao lado da cama de . Seu choro sendo controlado com a vontade de não acordar o menino e nem assustá-lo por vê-la naquele estado. Sua mão fazia carinho no rosto dele enquanto seus olhos o observava atentamente.
Em meio a lágrimas, sorriu ao notar, mais uma vez, a imensa semelhança entre seu filho e o pai dele.
— Ei, campeão… Ele ainda está vivo. Ele está vivo, . Ele está além dos nossos sonhos, meu amor. Ele ainda é real. — Ela murmurou com a voz embargada e com o resto de seu autocontrole para não fazer barulho. — Você acredita? Ele me ligou. A sua voz ainda é a mesma... E o jeito de falar também. Seu pai estava chorando. Ele sofre sem a gente, sabia? A vida dele é tão vazia quanto a nossa. Ele está tão triste, amor. Tão triste… — O choro se intensificou e para não acordar o menino, ela mordeu sua mão livre e fechou os olhos. Doía tanto falar da ligação que recebeu de . Tanto. — Ele está doente, . A doença é séria. Tão séria e tão dolorosa. Mas, mesmo doente ele lembra da gente, você acredita? Uma doença que deveria tirá-lo todas as suas lembranças, ainda nos deixou nele. Ele não lembra o meu nome, mas lembra de mim. E ele lembra do seu nome e de você, campeão. E disse, pra você cuidar de mim. Como se você já não fizesse isso, não é mesmo? Como se você já não fosse o homem da casa, e toda a minha força. — Ela riu fraco e olhou para o menino que dormia tranquilo como se o mundo fosse um lugar seguro para se estar. — Ele pediu pra você continuar seguindo os seus sonhos. Ele precisa da gente, . disse que precisa da gente. — abaixou a cabeça mais uma vez e suspirou profundamente. O ar parecia tão pesado. - Ele precisa da gente, e eu não sei o que fazer. Eu nã-
— Vamos atrás do papai, mamãe. — A voz de assustou . - Vamos procurar por ele!
A mulher encarava o filho que a olhava de volta. tinha um sorriso se formando em seus pequenos lábios a medida que via os olhos dele ganharem um brilho diferente. Lágrimas.
...
— Por favor, mãe. O papai disse pra eu seguir os meus sonhos. Ele é o meu sonho, lembra?

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— Patrick? — mordeu a ponta de seu dedo enquanto andava de um lado para o outro no quarto de . — Alô? Ah, oi, sou eu. Sim, tudo, quero di...
— Vai, mãe! — gritou enquanto pulava em cima de sua cama e ria feliz. Pela primeira vez em anos, ele se sentia verdadeira e completamente feliz.
— Eu preciso da sua ajuda. O me ligou. Ele está doente, Patrick. Está sozinho e precisa de mim. Do . Da gente! — Ela jogou tudo de uma vez em cima do melhor amigo de seu marido. As lágrimas voltaram a molhar seu rosto mais uma vez. — Ou você me ajuda a encontrá-lo ou eu vou fazer isso sozinha.
Quando ouviu Patrick dizer com todas as letras que ela teria sua ajuda e que ele já estava indo até ela, sentiu suas pernas cederem a levando a uma queda de joelhos. Os soluços saiam de seus lábios enquanto lágrimas saiam de seus olhos que estavam fechados. Seu coração estava cada minuto mais acelerado.
— Vamos achar o papai, mamãe. Nós vamos! - afirmou quando abraçou a mulher que sabia que deveria ser ela quem o abraçava naquele momento. Porém, não era parecido com só na aparência. Ele também cuidava dela como sempre fez.
— Nós vamos, meu amor. Nós vamos.
garantiu ao pequeno e o abraçou de volta.
Não importava quantos profissionais da saúde tivesse que visitar para saber mais sobre a Neurostigma, para quantos parentes de ela teria que telefonar ou quantos dias e noites em claro ela teria que ficar para encontrar o seu marido. Nada parecia o suficiente para pará-la em sua busca por . Se em todos esses anos sem notícias dele, ela não desistiu dele. Não seria agora, após a ligação, que ela desistiria.

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esqueceu a maneira de respirar no momento que os seus olhos se encontraram novamente com os dele. O mesmo olhar que buscou durante tanto tempo em seus sonhos e delírios enquanto estava sozinha em seu quarto nutrindo a esperança e a fantasia que um dia fosse novamente aparecer em sua vida. E agora essa fantasia estava bem diante dos seus olhos, e ela não soube exatamente como se comportar ao perceber a realidade daquilo tudo. Ela nem ao menos sabia se ele iria reconhecê-la. Ele tinha o mesmo sorriso, ainda o mesmo corpo e os seus olhos pareciam bem perdidos e ao mesmo tempo atentos ao grupo de pessoas que caminharam em sua direção ao balcão. O coração dela foi capaz de bater em vários ritmos diferentes ao vê-lo sorrir de maneira tão sincera e tudo nele era exatamente do que ainda vivia em seu coração e em suas recordações, ele tinha sido moldado para completá-la e hoje, depois de cinco anos esse mesmo sorriso era capaz de fazer com o que mundo parasse de girar e seu corpo estremecer sabendo que não escolheria outra pessoa no mundo a não ser somente ele, .
— Meu deus, é ele… — A voz fraca que saiu por sua garganta deu a certeza de que ela não iria conseguir segurar por muito tempo todas as emoções que começaram a surgir enquanto observava a atenção dele sendo requisitada para o grupo que agora estava fazendo um pedido enorme de café, rosquinhas e bolos para a mesa 12. parecia completamente envolvido com o trabalho e apesar de saber sobre a sua especialidade ela tinha certeza que ele era bom em qualquer coisa que estivesse disposto a aprender.
Aquela vida em Quebec era com certeza totalmente diferente do que ele vivia há anos atrás, e ela nem ao menos sabia se ele ainda conseguia lembrar de todas as cirurgias e todos os prêmios que teve ao longos dos anos quando ainda exercia a atividade de neurocirurgião em dos hospitais mais requisitados do país. não era qualquer pessoa do comum, sempre dotado de grandes influências e o coração era do tamanho do mundo para ajudar quem fosse preciso a qualquer momento e era essa a diferença que ele tinha sob todas as outras pessoas. Ele não tinha limites para as suas conquistas e o seu coração era tão verdadeiro e único que ela não conseguia expressar sobre esse grande amor que sentia transbordar por seus olhos em forma de lágrimas. Ela finalmente tinha encontrado o que tanto buscou durante todos esses anos, e dessa distância também conseguiu contemplar ainda mais o formato dos seus lábios e o leve avermelhamento das suas bochechas por causa do enorme frio que estava fazendo em Quebec nos últimos dias.
Ela não soube ao certo o que fazer e ao julgar pelo andamento da cafeteria, sabia que tinha que agir de maneira natural para que não chamasse a atenção de todos a sua volta. estava trabalhando e ela não podia chegar jogando todas as coisas dessa maneira em cima dele. Não podia simplesmente chegar e falar que era sua esposa e a mãe do seu filho, talvez esse choque causasse ainda mais uma crise e ele ficasse ainda mais abalado emocionalmente falando ao trazer a tona pequenos fragmentos do seu passado. O olhar dela se fixou em seu rosto e caminhando lentamente aproximou-se do balcão. Quando o olhar dele cruzou com o dela, o impacto daquele olhar o fez andar alguns passos para longe do balcão e colocar a mão na cabeça como se tivesse sentido uma pontada.
— Bom dia. — Ela disse tão direta que ele tomou um susto ao vê-la parada ali. — Tudo bem? Algo de errado? — Ela perguntou preocupada ao vê-lo reagir tão estranho ao escutar a sua voz.
— Quem é você? Qual o seu nome? — Ele perguntou de repente quando seu coração ficou acelerado ao olhar diretamente para o rosto da mulher que estava parada do outro lado. Sua cabeça começou a girar e seu estômago pareceu embrulhar só de escutar aquela voz que ainda estava ecoando por toda parte do seu cérebro. O timbre, a doçura e a maneira arrastada de falar todas as palavras fez com que ele começasse a se sentir desesperado. E tudo só piorou quando ela nesse momento começou a sorrir e aquele sorriso foi como um soco em seu rosto. Esse sorriso, esse sorriso era o seu sorriso o único no mundo que ele não seria capaz de esquecer. Como era possível ela estar ali? Quem era ela?
, sou eu a . — Ela contendo as lágrimas disse de maneira calma e tranquila, recebendo o choque de saber que ele realmente não a reconhecia. O olhar estava preso ao seu rosto e a todo momento ele parecia buscar em seus pensamentos alguma coisa, ao julgar por todas as expressões e o esforço em seu rosto. — Talvez você reconheça a minha voz ou o meu rosto, eu só quero que você fique calmo e que respire de maneira correta. — estava certa de que ele não sabia quem ela era, mas apenas com aquela troca de olhares algo dentro dele parecia gritar que aquele rosto fosse familiar. A esperança em seu coração foi renovada ao saber que ainda existia em alguma parte dele a lembrança de que ela era alguém importante. Talvez dentro do seu coração ainda existisse algum amor e torceu para que esse amor fosse tão real e verdadeiro para que ele pudesse sentir de maneira intensa.
— Eu conheço essa voz… — cambaleou um pouco trás, colocando a mão na cabeça e baixando-a em seguida com a dor forte que o atingiu na nuca. Essa voz era familiar, esse sorriso e a maneira que ela o chamou de amor, doce, suave e tão delicada que não foi possível negar que seu coração estava começando a quase sair por sua boca. Essa garota era importante e aquela voz era a mesma voz que escutava todas as noites em seus sonhos, era ela, só podia ser ela. E esse sorriso, esse mesmo sorriso de todas as fotos e do jardim. Do balanço e de todas as outras pequenas recordações. , seu nome era .
— Sou eu, amor.
? O seu nome é ? E eu sou o seu amor?
— Você sempre foi meu amor e todos os dias eu tenho a certeza que eu nasci para te amar e em qualquer lugar do mundo e em qualquer situação. Não importa o que esteja acontecendo com você, não me importa o que aconteceu e nada mais tem sentido pra mim se eu não estiver com você, . — Ela declarou, agora deixando que suas emoções tomassem conta do seu corpo. Os olhos começaram a ficar encharcados de tantas lágrimas e o desespero em suas reações quase chegaram ao limite de atravessar o balcão e abraçá-lo de uma vez por todas e dizer a saudades que estava queimando em seu peito e a necessidade de sentir novamente os seus lábios massageando suavemente os dela. O gosto da sua língua e a forma que seus braços a envolviam por completo. Esse amor que ela tanto lutou para esquecer e hoje estava mais presente do que nunca, ela o amava da mesma maneira e com a mesma intensidade, dois, três, quatro e até mesmo cinco anos depois. — Olha pra mim, escute a minha voz e se lembre o tanto que eu te amo e o quanto fomos felizes todos esses anos. O tanto que eu sinto a sua falta. Eu preciso de você, nós precisamos de você, .
— Não, eu não consigo me lembrar…
— Amor, amor fique calmo. Eu entendo que você não consegue se lembrar de tudo e que muitas coisas são estranhas, principalmente o meu rosto, mas procure dentro de você, em alguma parte do seu coração eu tenho certeza que ele vai te trazer a certeza de todos esses sentimentos. — determinada lutou contra as lágrimas sabendo que esse momento de choque faria com que se sentisse ainda mais perdido do que em qualquer outra situação. A pressão e o baque que foi ao escutar a sua voz trouxe a sensação involuntária para que ele se afastasse dela no momento que a dor começou a surgir em sua cabeça. — Não se esforce, por favor. Eu não vou a lugar nenhum e nem vou desistir de lutar por você, eu estou aqui e sempre vou estar ao seu lado. Eu te amo, sempre vou amar e meu lugar é estar com você.
— Por favor, me ajude. — Ele implorou, agora ajoelhando-se no chão. A dor em sua cabeça foi aumentando gradativamente e várias imagens começaram a surgir diante dos seus olhos. O sorriso, o choro de uma criança, o barulho de uma sala de cirurgia e o barulho do vento soprando em um jardim. O mesmo jardim da foto, o balanço agora estava em sua mente e ele conseguia escutar todos os outros barulhos em sua volta. E ela, sentada no balanço falando sobre a paisagem e de como o dia estava lindo. Sua voz era tão suave que parecia não importar com nada mais que estivesse acontecendo, ele apenas queria ficar naquela recordação durante todos os próximos minutos. A maneira que o chamava tão carinhosamente fez o seu coração querer saltar do seu peito. Era intenso, forte e impactante.
! — Ela gritou, correndo para o outro lado desesperada ao vê-lo no chão. O pânico em sua voz assustou a todos os clientes e Dah-Ko surgiu nesse instante da cozinha e correu para perto do sobrinho. Ele não a reconheceu de imediato, mas depois de alguns segundos ao vê-la assim tão de perto o tio de sentiu também um choque ao saber que a ela era a esposa do sobrinho. — Amor, por favor. Acalme-se, . Fique comigo e não tenha uma crise, por favor, por favor!
— Fique comigo, me proteja e não me deixe sozinho. — Ele pediu, não conseguindo sentir forças para se levantar daquele chão. Os braços dela agora estavam por todo o seu corpo e daquele distância ele conseguiu sentir o cheiro daquele perfume, do mesmo perfume que sempre gostou e desejou um dia sentir novamente. Era ela, esse perfume e todas essas sensações que apareceram com o andar dos segundos só o levou a ter certeza que aquela garota era não somente alguém importante para o seu corpo, mas também para o seu coração. Nada pareceu tão certo do que esse momento que estava ao seu lado, sentindo e compartilhando aquele contato carinhoso que seu corpo tanto buscou durante os anos. era sua paixão, seu amor e a parte que estava faltando em sua vida. Ela era o seu anjo e sua luz em meio a toda aquela escuridão. — Amor, eu preciso de você. Me faça te amar novamente, me ame novamente e traga para a minha vida todas as sensações e emoções que estou perdendo. Eu preciso de você, preciso do e preciso novamente me sentir completo. — Conseguindo forças ele a envolveu com os seus braços, o choque daquele contato fazendo começar a chorar novamente e tocou em seu rosto, acariciando levemente suas bochechas. A ternura em seu olhar trouxe para a garota novamente a esperança e certeza que não existia outra pessoa no mundo para amar a não ser somente ele. — Não consigo me lembrar de tudo o que passamos e nem tenho outras recordações importantes, mas tudo o que eu quero é viver com você todos os dias da minha vida. Meu cérebro pode não te reconhecer, mas o meu coração sabe exatamente o tanto que te ama.

A DOENÇA “NEUROSTIGMA” NÃO EXISTE, ELA FOI CRIADA ESPECIALMENTE PARA ESSA FANFIC.


Fim



Nota da autora:
VIVI: Stigma é uma shortfic que eu nem tenho estruturas emocionais para falar alguma coisa. O que eu consigo expressar é somente o tanto que eu sofri, chorei e foi uma das fanfics mais complicadas e mais demoradas que eu já fiz na vida. A história, a emoção e todos os acontecimentos tinham que ser bem elaborado e a responsabilidade de escrever sobre uma música que é um HINO?
Chamei a melhor parceria de crime, amo tudo o que a OTP escreve e somos uma dupla que não tem pra ninguém. AMO AMO escrever com ela e tudo dessa dupla fica maravilhoso. Espero que vocês gostem de Stigma de todo o coração.
Não deixem de comentar é muito importante pra gente, ok?
Amamos vocês!



JOZI: Stigma foi sem sombra de dúvidas a fic que mais chorei escrevendo. Essa estória mexeu comigo de um jeito que não sei descrever. Obrigada, OTP, por me permitir fazer parte da criação dessa estória tão linda e preciosa. Obrigada por confiar a mim o papel de sua parceira nessa fic. Obrigada de verdade. Mesmo te odiando por ter me causado tanto sofrimento e dor, eu te agradeço. E, leitores: Espero que vocês gostem de STIGMA tanto quanto eu e a Vivi gostamos. Que vocês se emocionem e chorem DO JEITO QUE EU CHOREI, OU SEJA, MUITO!!!!!!!!!!!!! X <3



OUTRAS FANFICS: VIVI

FICSTAPES:
01. Call Me Baby [Ficstape #062: EXO – Exodus]
03. Best Of Me [Ficstape #070: BTS – Love Yourself: Her]
03. This Is How I Disappear [Ficstape #068: My Chemical Romance – The Black Parade]
04. Permanent Vacation [Ficstape #067: 5SOS -Sounds Good Feels Good]
05. Stigma [Ficstape #080: BTS – You Never Walk Alone]
05. I'm Sorry [Ficstape #084: The Maine – Pioneer]
07. Let’s Dance [FICSTAPE #065: Super Junior – Mamacita]

SHORTFICS:
Hug Me [Doramas – Shortfics]
It's You [EXO – Shortfics]

MUSIC VIDEO:
MV: Don't Forget [Music Video - KPOP]
MV: One More Chance [Music Video - KPOP]
MV: That One [Music Video - KPOP]

EM ANDAMENTO:
I NEED U [KPOP – Restritas – Em Andamento]
Love Is Not Over [KPOP – Restritas – Em Andamento]
Let Me Know [KPOP – Restritas – Em Andamento]
Time To Love [KPOP - BTS – Em Andamento]

OUTRAS FANFICS: JOZI
Cause You’re the Only One – One Direction/Em andamento
Meeting – Cause You’re the Only One – One Direction/Finalizada
03. Evanesce – Super Junior – Ficstape/Finalizada
12. The End – Little Mix – Ficstape/Finalizada
02. Sign of the Times – Harry Styles – Ficstape/Finalizada
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06. I Don't Love You - My Chemical Romance - Ficstape/Finalizada
04. Dimple - BTS - Love Yourself: HER - Ficstape/Finalizada
10. Skit: Hesitation and Fear - BTS - Love Yourself: HER - Ficstape/Finalizada


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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