Postada em: 12/11/2017

Capítulo Único

“We don't talk anymore, like we used to do”


sentia um vazio enorme corroer suas veias, todas as vezes que se dava conta de que não tinha mais seu melhor amigo, a melhor parte de si, ao seu lado. Eles costumavam se falar todos os dias, tinham regras fixas em relação aos fins de semana, e nada sobre um escapava do outro. Eles eram totalmente transparentes, como vidro cristalino, sem nenhuma mancha, até que esse vidro vá de encontro ao solo.
pensava que misturar amor e amizade era a fórmula perfeita para o melhor relacionamento de suas vidas. Ele só não esperava quebrar a cara de forma tão absurda. Ele só não esperava se quebrar no meio do caminho. Ele sabia que tinha seguido em frente, exatamente como ele tinha seguido, mas isso não diminuía a saudade da presença daquela que fora sua melhor amiga por anos. Sua melhor amiga por vidas.
Eles tinham o que os amigos chamavam de conexão interestelar. Seus mapas combinavam, suas estrelas estavam alinhadas, seus planos eram exatamente iguais. Mas, ainda assim, nem tudo o que é igual é feito para ficar junto, é feito para durar. Eles sabiam que não durariam exatamente no instante em que começaram com tudo aquilo. Eles sabiam que o fracasso era o próximo passo, era a curva adiante além da estrada, mas nem por isso eles desistiram de tentar. Ao menos morreriam sabendo do gosto que o outro tinha, da forma como o corpo alheio se conectava consigo. A forma como se preenchiam. E era perfeito. Cada contato, cada espaço, cada espasmo. Era ritmado, era pensado, era calculado. Era frequência. Era pertencimento. De uma ou outras vidas, tanto fazia. Mas eles sabiam que era.
E eles sabiam que deu certo, que foi certo, que foi além do esperado. E eles estavam juntos, ainda que já não conseguissem mais lembrar do timbre da voz do outro, da forma do sorriso, se haviam covinhas ou não. Não se lembravam se tinham a mania de tocar no outro enquanto falavam, se preferiam o quente ou o frio, se gostavam de música lenta ou agitada. Não lembravam o nome da música preferida, e muito menos da música que escolherem como a música deles. Era como se o outro nunca houvesse existido, ainda que tivessem a certeza daquilo que viveram, daquilo que passaram para ficar juntos, e daquilo que desistiram de ter para não piorar o estado do vidro já tão quebrado no chão.
Eles não se falavam mais e estavam bem com isso, podiam lidar com isso. Os fazia bem, e não havia mal algum.

“Don't wanna know
What kind of dress you're wearing tonight
If he's holding onto you so tight
The way I did before”

sabia que a atual se parecia muito com . Ela parecia ter saído da mesma forma que a ex melhor amiga e ex namorada, mas ele não se importava. Ele só queria amá-la como ela merecia, e como ele não soube fazer com a melhor amiga. Apesar de não lembrar mais os gestos e as manias da melhor amiga do passado, ele ainda lembrava bem seu rosto, lembrava bem um de seus gostos. Vestidos pretos, longos e com fendas. Ele nunca esqueceria como ela ficava poderosa daquele jeito, como se tivesse o mundo aos seus pés; Como ela realmente tinha. Todos queriam do jeito que ele tinha, e amá-la foi como uma overdose, como um surto terminal. Ele não tinha o que fazer, precisava explodir. E eles se explodiram, catastroficamente. Mas naquele instante ele não queria saber se ela usava o vestido que tanto amava, se tinha alguém a segurando bem apertado, da forma como ele amava fazer. Agora tudo o que ele via era Angélica, a razão da sua existência, aquela que o levaria até o fim. Ela não era uma overdose constante. Ela nem sequer era uma droga, como gostava de ser. Ela era a parte boa, depois de tanta cena ruim.
Ela era o seguir em frente, era o tentar de novo. Angélica era, perfeitamente, sua segunda chance, e era também a ausência de explosões. A ausência de overdoses e a caminhada em paz.
Ela era a paz.

“Don’t wanna know
If you're looking into her eyes
If she's holding onto you so tight
The way I did before”

encarava o atual como se ele fosse a personificação de todos os seus desejos. Ele era sim uma ótima razão para seguir em frente, e para dançar a noite toda, ainda que não houvesse música. Ele era uma ótima razão para sorrir, uma ótima razão para festejar. Ainda que ele se parecesse muito com , ex melhor amigo e ex namorado, ele era totalmente diferente. Como se aquele tipo de insanidade pudesse ser possível. Ela encarava o atual e, ainda que sentisse um pouco de falta do ex, não o desejava de volta. Ela se entregava para ele, e era extremamente prazeroso a forma como ele a aceitava como sua overdose particular. Era prazeroso como ele aceitava explodir ao seu lado. Ela sabia que tinha a mania de encarar as pessoas nos olhos, de desvendá-las no olhar. Essa era uma das poucas — senão a única — coisas que ela se lembrava. Mas ela não queria se lembrar de mais nada. Ele era passado. Seu presente atendia por Pedro, um homem com um lindo sorriso nos lábios e que adorava as fendas dos vestidos que ela usava. Pedro havia reconhecido nela o que ela própria não reconhecia. Pedro aceitava que ela fosse e voltasse, que ela caminhasse desapressada pelo mundo, como quem leva a lentidão de uma vida inteira para chegar na próxima página. Ela adorava saber que ele a aceitava como overdose, que ele a respeitava como tal, e que a mantinha com ele e para ele.
Ela finalmente respirava tranquila, dormia tranquila e sonhava tranquila, para o que universo havia conspirado. Não estava escrito nas estrelas, mas sim na lua. Eles eram o certo mais errado do universo, e era disso que ela gostava.
Ela gostava que Pedro tirasse sua paz e sua sanidade.
Ela gostava que eles estivessem escritos na lua sua paixão particular.

“Oh, it's such a shame
That we don't talk anymore”

Tanto quanto adoravam aquela festa, adoravam aquela música, adoravam aquele lugar. e sempre foram tão parecidos, à ponto de se encontrarem no mesmo lugar de sempre, ainda que não fosse combinado.
acompanhado de Angélica.
acompanhada de Pedro.
A música — que era a dos dois — tocava como plano de fundo, quando eles finalmente cruzaram o olhar. achou o homem conhecido, teve uma ideia de já ter visto aquele sorriso antes. Mas eles não se falavam mais, eles não se encontravam mais, eles não se pertenciam mais. Então aquilo ficou no achismo, ficou na questão. Ainda que o inconsciente soubesse que era o outro ali, eles não ligariam. Porque eles não se falavam mais, eles não se gostavam mais, eles não se viam mais.
O amor dos dois era um jogo, no final das contas, mas conseguiram sim apagar o outro de sua memória, venceram as trapalhadas do cérebro e agora estavam em paz.
para ser o observador nato da verdadeira mulher dos seus sonhos.
para ser a overdose necessária na vida do homem dos seus sonhos.
E eles já não se importavam mais de estarem tão distantes. Era triste, em algum lugar era terrivelmente triste. Era uma pena que eles não tivessem durado, mas eles nem poderiam, porque eles — ou nós já não conversavam mais.


Fim



Nota da autora: Ah Oi gente linda, tudo bom?!
Olha eu aqui com mais uma fic inesperada e quase de última hora… Se tem uma coisa que eu posso garantir pra vocês é que eu adoro essa bagunça de escrever super em cima do prazo e então depois respirar fundo e ter a sensação de dever cumprido. Queria agradecer a Ba do fundo do meu coração por ter me atentado, dizendo que essa música estava vaga, e por ter confiado em mim também. As coisas acontecem né?! (Como se eu não tivesse mais nada pra escrever na vida)
Queria pedir desculpas se alguém achou que eles iam ficar juntos… Acho que a essência da música é essa, um casal que tinha tudo pra dar certo, que tentaram, porém não conseguiram. Eles não se falam mais, e cruelmente já se esqueceram… Mas eu espero de coração que vocês tenham gostado!
Bom, caso queiram conversar, falar sobre a fic, ou, simplesmente, divulgar algo que vocês escrevam, é só me mandar nas redes sociais aí embaixo. Vou ficar muito honrada com o retorno!
Vejo vocês na próxima!
Um beijo, um queijo e um cheiro,
Ju ❤





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Nota da beta: Eita que me iludi mesmo achando que iam se ver, lembrar um do outro, sentir aquela avalanche de sentimentos passados voltando, largariam os atuais namorados e viveriam felizes para sempre. Fui bem trouxa mesmo né hahaha
Mas como amo essa música de paixão, socorro!! Selena e Charlie dois amorzinhos da minha vida 💜

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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