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Finalizada em: 11/04/2020

Capítulo Único

relia atentamente ao roteiro que escrevera. Embora já soubesse as cenas de tanto que havia lido, queria que esse fosse sua melhor produção, afinal, era seu primeiro espetáculo na nova escola. A professora de teatro sorriu ao ver que grande parte das ideias haviam, de fato, saído do papel. Ao conseguir um emprego bom numa das escolas mais renomadas de Madrid, a francesa sabia que suas expectativas podiam e deviam ser altas. Desde que entrou na escola Santa María Del Pilar, sua vida havia mudado completamente.
A manhã estava calma até ver seus alunos entrarem correndo teatro a dentro a fim de descobrir a grande novidade da escola.
— Crianças, essa é a nossa nova professora de teatro, senhorita Bastien. — a diretora a apresentou para as turmas do sexto e sétimo ano. — Nós confiamos absolutamente em seu trabalho e temos certeza que o que será feito na escola será algo inovador e gostaríamos que vocês a recebessem com muito carinho.
sorriu ao ver que estava sendo aplaudida de pé mesmo sem a presença da diretora, que se retirou assim que deu o informe.
— Oi, gente! — ela foi simpática. — Sou a , mas vocês podem me chamar de .
, a gente vai apresentar uma peça? — Melia, sobrinha de sua melhor amiga, a perguntou.
— Sim, minha linda. — dirigir-se ao palco. — Estrelada, produzida e dirigida por vocês. Eu estou aqui para sugerir.
As crianças começaram a se animar e começaram a falar mais alto quando decidiu intervir.
— Para isso, eu preciso de dedicação de todos, atenção no que vou ensinar porque coordenar algo assim é algo legal, mas dá trabalho.
continuou dando explicações para todos os alunos e dedicou-se em mostrá-los cada elemento importante do teatro, ressaltando que não eram apenas os atores que faziam uma peça acontecer, mas sim uma equipe inteira.
*

No horário de saída, Melia esperava , que estava extremamente atrasado. A menina sabia que seu pai tinha treinos até o horário de buscá-la e sempre compreendeu os atrasos porque Valdebebas era cerca de 20 minutos de carro de distância de sua escola. Entretanto, naquele dia estava cansada e acabou adormecendo no banco.
— Ei, corazón. — apareceu na entrada. — Melia, acorda.
— Oi, tia . Meu pai chegou? — ela perguntou e coçou os olhos. Era quase sete da noite e as crianças saíram às cinco.
— Não, minha linda. Mas eu vou esperar aqui com você porque daqui a pouco vão fechar a escola e você não pode ficar sozinha. — afagou os cabelos loiros da menina.
Enquanto Melia dormia em seu colo, digitava uma mensagem para sua melhor amiga, .
: Aconteceu algo com ? Até agora não chegou para buscar Melia.
: Está um trânsito infernal na cidade. Houve um acidente na pista central perto do shopping. Nada passa. Você pode ficar com ela enquanto ele chega?
: Sim! Ela está dormindo no meu colo. Cara, nem acredito que ela já tem 12 anos… ☹️
: E eu que sou madrinha dessa criança?
: Ela é toda respondona e inteligente.
: Sim! Eu não aguento com ela, sério. Bom, tenho que voltar para as aulas aqui. Te amo!
: Também.
Em pouco tempo, apareceu nervoso na porta da escola e travou ao ver com Melia dormindo em seu colo. Fazia quase um ano desde que se viram, no aniversário de na França, mas a sensação de nervosismo ainda era a mesma. Ela estava bonita, mesmo com roupas simples e cheia de cartolinas, bolsas e tudo que uma professora tinha direito. E mesmo assim, pegou uma mecha do cabelo e ajeitou quando ele sorriu fraco pra ela.
— Oi. Acho que alguém dormiu. — ele comentou meio desajeitado. — Houve um acidente horrível perto do shopping.
— Oi, . — disse e ele estremeceu ao ouvir seu nome saindo da boca daquela menina. Lhe causava arrepios. — Sim, eu soube do acidente. Por isso que preferi esperar com ela, não queria deixá-la sozinha.
— Claro. Muito obrigado por isso. — ele pegou a filha no colo. — Você quer uma carona?
— Ah, não precisa. Eu chego em casa em 20 minutos se eu pegar um ônibus aqui na esquina. — ela dispensou a ajuda. — Obrigada pela oferta. Boa noite, .
disse e precisou de uns dois minutos pra se recompor depois de tê-la visto. teve dois grandes paixões em sua vida, e Amelie. e se conheciam desde quando a família da espanhola fora morar ao lado de sua casa em Lyon. fez com que a mulher fizesse parte da família e era assim que todos os sentiam: era um deles também. Quando tinha 18 anos, percebeu que estava apaixonado pela melhor amiga da irmã e buscou refúgio em sua melhor amiga, Amelie. Não que ele não tivesse a amado, do contrário. a amava e muito. De início, Amelie sempre soube que ela não era o grande amor da vida de , mas ele fazia questão de demonstrar que estava tentando e com o tempo acabou se apaixonando pela esposa. Dois anos depois, quando tinha acabado de ganhar espaço no Lyon, time francês, Amelie engravidou e descobriu o maior amor da sua vida: Melia.
*

No jantar, Melia não parava de falar o quão estava animada para a aula de teatro de . Ela contava, maravilhada, para seu pai sobre tudo que a mulher havia ensinado a eles. Luz, posicionamento, veracidade… E ele estava encantado com a animação da filha. Ela parecia cada dia mais com Amelie. Loira, respondona, animada e autoritária.
— E você tem interesse em ser a Bela? — ele a perguntou.
— Claro que não, pai! — Melia foi assertiva. — A tia nos disse que não são só os atores que fazem a peça especial. Eu acho que eu vou querer ser diretora.
— Certamente, você gosta de mandar. — ele riu. O jeito Amelie de ser.
— Eu gostaria de estudar mais com a tia sobre como é ser diretora. — ela comentou. — Ela disse que um dia podíamos marcar pra ela me ensinar mais coisas.
— Você tem o mesmo ânimo pra estudar matemática? — ele perguntou sugestivo.
— Você sabe que sim. — ela rolou os olhos como se fosse óbvio. — Me esforçar e dar o melhor de mim para depois estar orgulhosa do que eu fiz.
— Você me enche de orgulho, princesse. — disse sorridente. Melia era a sua única felicidade e ele se dedicava a ela mais que tudo nesse mundo.
— Eu te amo, pai. — a garotinha de 12 anos sentou no colo do homem e o abraçou. — Pra sempre. Mesmo quando você me chama de bebê na frente dos meus amigos.
— Quando éramos mais novos, sua avó fazia isso também. É obrigatório chamar seu filho de bebê na frente dos amigos. — ele se defendeu. — Você vai fazer isso quando tiver meus netos.
— Eu te amo, mas eu quero ser cientista. Você já viu algum cientista ter família? — a garota perguntou séria e arrancou gargalhadas do pai.
— Claro que cientistas têm família, Melia. — ele sorriu. — Família é a coisa mais importante do mundo.
— Tudo bem… Acredito em você.
— Agora vai escovar os dentes e vai dormir, amanhã você tem aula cedo. — ele a empurrou de leve e a menina seguiu seu caminho.
Enquanto lia algumas notícias, ouviu do andar de cima um "boa noite, papai!" e se sentiu bem com tudo que estava acontecendo. Embora não acreditasse que fosse conseguir criar uma criança sozinha após perder Amelie, sua filha dizia que sempre sentia que sua mãe estava com ela, independente da situação, mas ele não sentia o mesmo. Amelie se fora naquele acidente de carro que estava dirigindo. Mesmo com todos dizendo que ele não era o culpado, sentia que poderia ter desviado mais rápido, deveria ter tentado. Se ele tivesse tentado, Amelie estaria aqui e sua filha teria a presença da mãe que tanto merecia. E, naquela noite, se deixou ser consumido pela culpa de ter matado a mãe de sua filha.
*

aguardava na cafeteria próxima a escola de Melia quando a viu, extremamente desajeitada, descer do ônibus com mais de cinco bolsas no ombro.
— Meu Deus do céu, . — riu. — Só você pra andar com essas bolsas todas.
— Eu quase me esqueci da quinta antes de sair de casa. — disse ao finalmente se sentar em um lugar confortável.
— Essas crianças vão te levar à loucura. Por que você não produz e dirige a peça e põe todos como atores? — sugeriu. — Sei lá, cria mais personagens. Adapta.
— E não dar a eles o gosto do teatro? Claro que não, . — levantou a mão para chamar o garçom. — O teatro precisa ser vivido. Não são apenas os atores que devem receber o destaque. Figurino, som, iluminação, atuação, direção…
— Você é maluca. — a francesa comeu um pedaço de seu muffin. — Meu irmão me ligou ontem pra falar de quão animada Melia estava graças a você.
— Eu o vi ontem. — disse e mexeu nos sachês de açúcar que tinha na mesa. — Mas e o casamento?
— Você sabe que uma hora vai ter que lidar com isso tudo aí dentro, não sabe, ?
— Não vou. — disse e logo depois fez seu pedido. — O nunca gostou de mim, . Isso é coisa da sua cabeça. Ele casou, teve uma filha e agora é pai solteiro. Sua vida está feita.
— O precisa de alguém e nada mais justo que esse alguém ser você, Bastien. — sorriu. — Sabe, agora falando do casamento… Meus irmãos vão fazer pares entre si e, como você também é minha irmã, você vai fazer par também. Laeticia escolheu o Gressy, Sabri escolheu Lydia, Celia escolheu Farid e como Nafissa disse que reclama de tudo… Ela vai entrar com meu cunhado. Restou o pra você.
, não! — disse exasperada. — Eu não tenho coragem de ficar perto dele, você lembra do seu aniversário ano passado.
— Sinto muito, ma belle, mas isso já foi repassado para cerimonialista.
— Te odeio. — disse irritada e bebericou seu café.
As duas conversaram mais um pouco e teve que voltar para o estúdio, deixando sozinha com suas memórias.
*

A boate francesa que havia escolhido era bem grande, ainda mais na área VIP. Com dois irmãos jogadores de futebol conhecidos na França, ela teve que reservá-la inteiramente para si. , embora não morasse mais em Lyon, estava no país naquela noite para celebrar o aniversário da sua irmã de consideração.
— Sabri! — ela sorriu ao ver um dos irmãos de . — Quanto tempo!
— Lembrou que temos uma vida aqui na França? — o homem zombou dela. — Só quer saber da Espanha agora. Parece o .
Ao ouvir o nome dele, ela se arrepiou por completo. Era o álcool em seu corpo, certamente. Já devia ser seu quinto shot de tequila.
— Você sabe, depois que mamãe se foi, meu pai quis lembrar dela. Ainda que ela gostasse tanto da França, seu lugar era Madrid. — deu um sorrisinho e teve sua atenção desviada com um grito de ao ver chegar.
Todos os eram muito próximos, mas e tinham uma conexão fortíssima, tanto que ela era madrinha de sua filha.
— Você veio! — ela disse animada. — Deixou Melia com nossos pais?
— É claro, mané. — ele a abraçou. — Não ia trazê-la.
deu um tapa leve no ombro de e ele foi cumprimentar os irmãos. E rapidamente se levantou e foi, em passos rápidos, até ao banheiro. Depois de falar com seus irmãos, foi até a área do banheiro.
— Não falar com os outros de propósito é falta de educação, . Aposto que Marisol e Antoine não te criaram assim. — ele disse encostado na porta, que foi aberta bruscamente.
— Você não pode chegar assim todos os anos! — ela disse. — Perfeitamente lindo, cheiroso e educado.
— O quê? — ele perguntou confuso. — Você usou drogas?
— Infelizmente a única droga que eu quis usar era você! — ela disse chorosa e saiu de perto do atacante.
*

riu da lembrança estúpida e decidiu ir andando para o trabalho. Estava quase no horário de entrada das crianças quando ela adentrou o prédio, quando uma rajada loira esbarrou nela e derrubou tudo que ela segurava.
— Ai meu Deus, tia ! — Melia disse exasperada. — Eu estou atrasada pra aula de matemática e o senhor Gusmán odeia atrasos.
— Vai lá, princesse. Eu arrumo tudo aqui. — riu da euforia da menina.
Assim que se abaixou para catar os adereços da peça, os textos e exercícios que anotara, deparou-se com em sua frente.
— Eu te ajudo. — ele disse e começou a juntar os papéis de .
— O-obrigada, . — ela sorriu nervosa. Precisava recolher suas coisas o mais rápido possível para ir embora.
Antes que pudessem terminar, os dois colocaram a mão juntos num post-it roda neon. Sentiram um grande choque e se olharam. pegou o papel e o leu.
— "Pense em uma coisa que você sempre quis." — ele leu e engoliu em seco. Logo aquela citação. — "Agora a encontre com os olhos da mente e a sinta no seu coração."
Os olhos de tentaram ler a expressão de e tudo que pode ver era: desespero. Voltaram à realidade quando o sinal que dava início às aulas tocou. e a professora rapidamente se levantaram e, sem dizer nada, seguiram seus caminhos.
*

Naquela tarde, pediu que buscasse Melia para que ele pudesse resolver algumas coisas pendentes que ele e tinham. 15 para as sete, ele aguardava encostado no carro. viu um furacão cheio de cartolinas e bolsas e riu. Típico de .
— Deixa eu te ajudar. — ele pegou as caixa que tinha cartolinas e franziu a sobrancelha.
— Cadê a Melia? — ela olhou aos arredores.
— Casa da .
— Então o que você está fazendo aqui? — ela arregalou os olhos.
— A gente vai conversar, . — ele foi direto. — Não tem condições da gente ser padrinho porque se eu te tocar, você vai agir como se eu tivesse te dando um choque.
, sério. — a professora disse nervosa. — Tá tudo bem, eu juro. Você não me dá choque, eu só sinto vergonha, mas eu prometo que eu vou trabalhar isso comigo mesma, sem precisar te envolver.
ia pegar as cartolinas dele quando segurou seu pulso levemente e a olhou nos olhos.
— Por favor, . — ele pediu e ela suspirou.
— Tudo bem. O que quer conversar? — ela disse e ajeitou as bolsas.
— Vamos jantar primeiro, depois a gente conversa. Você deve estar cansada e com fome. — ele disse e colocou a caixa de cartolinas no banco de trás e repetiu o ato com as suas bolsas. abriu a porta do carona para espanhola entrar. — Mademoiselle.
— Obrigada. — ela esperou ele entrar e foram a caminho de um restaurante francês que havia indicado.
Quando chegaram, deu risada ao ver a fachada do local.
— A sua irmã é péssima. — ela riu e tirou o cinto de segurança.
— Terei que defender a honra dos se você ofendê-la mais uma vez, senhorita Bastien. — ele ameaçou.
— Uh, tá bem! — ela saiu do automóvel e aguardou chegar na calçada.
Ele a guiou para dentro do local e sentaram numa mesinha no canto do salão repleto de clientes. Alguns reconheceram .
— Toda vez que a gente for sair vai ser assim mesmo? — ela se referiu aos clientes os encarando.
— Então você planeja sair comigo mais vezes? — abriu um sorriso presunçoso.
— Não. Claro que não. — se enrolou. — É que eu ofereci aulas pra Melia e você sabe… Aulas. É, é isso.
— Por que você fica nervosa perto de mim, ? — ele perguntou calmamente.
Sorria e acene, pensou. Sorria e acene. E pense rápido.
— Sei lá, . Tenho medo dessa exposição toda. — ela finalmente achou uma desculpa. — Eu sou uma professora de teatro, eu não apareço nos holofotes.
— Mentira. — ele riu. — Você sempre gostou dos holofotes. Eu não vou comprar uma desculpa besta dessas.
— É diferente.
— Você ficou um mês com o rosto estampado no teatro de Lyon e toda vez que passava lá ficava animada e tirava foto do cartaz. — ele a relembrou.
, eu gostava de você. — ela foi direta. — Quando eu tinha uns 16 anos eu comecei a gostar de você e foi horrível, eu me culpo até hoje sabendo que você tinha Amelie e eu queria estar no lugar dela. E depois eu vi a Melia e me senti três vezes mais culpada. Eu não deveria querer estar no lugar dela.
precisou dar um gole em seu suco para engolir tudo que havia ouvido. Ela também gostava dele. Na mesma época. Eles se gostavam.
— Meu Deus, . — foi tudo que saiu de sua boca.
— Eu sei, é ridículo. — ela deu um gole no vinho tinto. — Me desculpa, .
A única droga que eu queria ter usado era você. — ele repetiu a frase que havia dito um ano atrás. — Nossa, tudo faz sentido agora.
— Ai, meu Deus, que vergonha. — ela tapou o rosto. — Esse dia foi tenebroso. Bebi e falei demais.
— Mas você ainda gosta de mim? Quer dizer, isso foi ano passado. — ele esperou a resposta da mulher, mas o garçom serviu a comida.
— A comida daqui é dos deuses, meu Deus. — ela resmungou. — Queria poder vir aqui todos os dias.
— E por que não vem?
— Se eu passo uma semana comendo a comida daqui eu certamente gasto ⅓ do meu salário, . — ela riu.
— Faz sentido. Mas a comida é uma delícia mesmo.
O jantar continuou sem mais delongas e gostava muito de conversar com . A coisa simplesmente fluía e nenhum dos dois sabia explicar o que acontecia, apenas fluía. Na volta para casa, deixou em casa antes de buscar Melia.
— Então é isso. — ela sorriu fraco. — A gente se vê por aí.
— A gente se vê no almoço de noivado de . — ele encostou no carro e colocou a mão dentro dos bolsos.
sorriu.
— Ou amanhã, se um pai desnaturado não atrasar pra levar a filha pra aula de matemática, sabe, ? — ela brincou arrancando uma gargalhada dele.
— Que pai terrível! Quem faria isso? — ele riu e ela beijou sua bochecha.
— Boa noite, . — ela sorriu e recebeu outro beijo na bochecha.
— Boa noite, Bastien.
*

Duas semanas se passaram desde o encontro de e e ambos, por estarem enrolados com o trabalho, não tiveram tempo de se encontrar mais. Na verdade, sempre via receber seus alunos na porta da escola às terças e quintas. Desejava, no entanto, observar a cena por mais tempo.
O dia do jantar de noivado de estava próximo e toda a família estava na cidade madrilenha e, por isso, a casa de estava lotada. Seus pais, seus irmãos e sua filha faziam bagunça suficiente. Wahida e Hafid se ofereceram para ficar em um hotel, mas alegava que sua casa também era a casa de seus pais, portanto, deveriam ficar.
e Hugo haviam organizado o jantar de noivado perto do casamento, ainda que muitos casais fizessem isso logo no início. Hugo, por ser piloto de avião e quase não ter tempo de ficar em casa, pediu à noiva que esperasse o período de feriados passar para que eles pudessem dar total atenção ao casório. Todos podiam ver o quanto o casal se amava e o quanto se dedicaram para aquilo. Ainda que estivesse prestes a surtar de tão ansiosa que estava.
O salão estava repleto de mesas redondas com toalhas de seda rosa clara e rosas brancas por grande parte. A família estava alocada bem no centro do salão. adorou a decoração e sabia que havia organizado aquilo, pois estava do jeito que ela escolheria.
— Hugo, ! — Wahida abraçou os dois.
— Mãe, que saudade. Me desculpa não poder buscar você e o papai no aeroporto, eu tinha uma aula muito importante pra dar.
— Sua cara metade que buscou a gente, filha. — Hafid comentou, referindo-se a . — Ela já chegou?
— Deve estar chegando, senhor . Mas ela sempre se atrasa. — Hugo riu.
— Vem, vou mostrar o salão pra vocês! — puxou os pais para um pequeno tour e deixou e Hugo junto com os outros irmãos.
— Estou com saudade da . — Laeticia fez um biquinho que fez Gressy rir.
— Alguém lembra quando a Lae quis cortar o cabelo da por ciúme da ? — Nafissa relembrou. — A ia ficar possessa se você fizesse isso com a cara metade dela, Lae.
— Foi apenas um surto, tá ok? — Laeticia se defendeu.
— Que fez você, aos 14 anos, odiar uma garotinha de sete. — Sabri provocou.
— Primeiramente, a cara metade da sou eu! — Hugo brincou, arrancando risadas de todos da mesa.
— Não queria fazer você repensar no casamento, mas… Pra entrar na família a gente realiza um teste. Uma das perguntas é: Quem é a cara metade de ? — Antoine, o marido de Nafissa, brincou.
— Hugo Gutiérrez! — o piloto riu.
— Errado, pequeno gafanhoto. — deu risada.
— A cara metade de é o casal. — Celia o respondeu.
O casal? — Hugo perguntou. Sabia de quem estavam falando.
— Espera, quem é o casal? — perguntou, mas a atenção de todos voltou-se para entrada do salão, quando chegou.
A professora vestia uma peça longa simples, num tom azul que combinava com seu tom de pele. havia cortado o cabelo e estava com os fios na altura do ombro. a encarava encantado e Melia correu até a mulher.
— Você… — Lydia respondeu. — E aquela mulher linda que acabou de chegar. Sim, isso sim é um casal.
— Besteira! — riu e seus irmãos rolaram os olhos. Todos sabiam dos sentimentos mútuos que e sentiam.
— Pai, olha como a tia está linda! — Melia disse sugestiva.
— Sim, definitivamente você é minha sobrinha favorita! — Gressy disse entre risos.
— Meu Deus, eu estava morrendo de saudade de vocês. — abraçou cada um deles e sentou-se ao lado de Melia.
— Sentiu saudade do meu pai também?
— Melia, por Deus. — disse envergonhado.
— Que foi? Faz tempo desde o encontro…
— Que encontro? — Celia arqueou a sobrancelha.
— Fofoqueira! Não te conto mais nada. — deu a língua para a menina de 12 anos.
me levou pra jantar por eu ter ensinado algumas coisas importantes pra Melia, e também por oferecer aulas extras. — respondeu. Ela estava nervosa porque tremia a perna, mas ninguém além de havia percebido.
— Aulas extras, qual é, você já foi melhor. — Sabri brincou e lhe deu o dedo do meio.
O jantar seguiu sem mais delongas e propôs uma dança dos noivos e dos padrinhos.
— Eu vou chamar algumas pessoas muito importantes pra nós agora… A família do Hugo não pôde estar aqui essa noite, mas espero que seja tão especial quanto seria se eles tivessem aqui. — sorriu. — Meus irmãos, eu amo vocês mais que tudo.
— Ei! — Melia gritou.
— Você é a coisa que eu mais amo no mundo, princesse.
Te quiero, corazón! — Hugo disse pra Melia com seu sotaque argentino carregado.
— Gressy, Lae, Farid, Celia, Sabri, Lydia, Nafissa, Antoine, e . — ela os chamou. — Eu escolhi mais um irmão pra vocês.
— Da última vez acertou, quero ver agora. — Sabri arrancou risada de todos.
Uma melodia começou a tocar e eles começaram a formar seus pares para dançarem. se aproximou de e estendeu a mão para ela que, rapidamente, aceitou. O jogador a puxou mais para perto e colocou as duas mãos em sua cintura. , por sua vez, colocou os dois braços ao redor do pescoço de e começaram a dançar.
— Eu amo essa música. — deixou escapar e depois riu. — Não sei porque disse isso.
— Essa letra é triste. — ele comentou quando prestou atenção. — Sebastian Yatra é fenomenal.
— Mas ainda é linda, . — ela riu.
Con esa risa que a ti te da pena, pero es tan perfecta que quiero quedarme con ella… — ele cantou. não soube explicar, mas sentiu uma grande vontade de juntar seus rostos e o fez.
apenas apreciou o contato e em um momento, rodopiou a professora que soltou risinhos estridentes. gostava de dançar e a companhia do atacante lhe fazia bem. Ela se sentia livre, confortável e em casa.
Já pelo lado de , o medo era maior que muita coisa, uma vez que ele tinha pavor de novas relações. Sua culpa só não era maior do que o amor que sentia por Melia. E ele rapidamente tratou de se separar de , que percebeu o afastamento.
— Obrigada pela dança. — ela disse e dirigiu-se ao banheiro. Sozinha, falou com si mesma. — 30 anos na cara e não sabe superar um crush adolescente, stupide! — ela grunhiu. respirou fundo e ficou em silêncio quando viu que a porta de uma das cabines abriu, dela saindo Wahida.
— Dê um tempo a ele. — Wahida sussurrou para que estava paralisada. Ela se odiava cada vez mais por ter encontros embaraçosos com . Se odiava por não conseguir dizer a ele o que queria e odiava mais ainda por não entendê-lo. ainda gostava de .
*

Desde a dança fatídica com , estava estranho. Vivia no mundo da lua que só existia para ele, vivia pensando na professora de teatro de sua filha e vivia pensando em como afastaria aquele sentimento de si. Tirara a vida de Amelie e poderia machucar .
— Cara? — Courtois, o goleiro do time do Real Madrid, chamou . — Você está aí?
— Sim, estou. Foi mal. — ele sacudiu a cabeça como se aquilo fosse afastar seus pensamentos. — Pensando demais.
— Tá nervoso pro jogo? — Valverde perguntou. — Você tá aéreo.
— É, claro. — ele decidiu mentir. — Vem, Marcelo. Vamos treinar.
O lateral brasileiro ficou em silêncio por um tempo, até que se sentiu na necessidade de falar.
— Desembucha. — Marcelo disse e deu um toque na bola para que ela fosse até .
— Nervosismo de sempre. — tentou desconversar, mas Marcelo o conhecia há 11 anos para comprar aquela desculpa esfarrapada.
— Não adianta mentir pra mim, irmão. São 11 anos.
contou a Marcelo sobre toda história com e sobre como se sentia culpado em relação a Amelie.
— Cara… Eu nunca passei por uma situação semelhante, mas eu acho que você não deve se sentir culpado pela morte de Amelie. — Marcelo fez uma pausa. — Você estava bêbado? Não. Então não é sua culpa. Na estrada essas merdas sempre acontecem, o cara tentou ultrapassar e infelizmente você não conseguiu desviar. Você acha que sua filha te culpa pela morte de Amelie? De jeito nenhum. Melia tem o maior orgulho do pai que tem e grita isso aos quatro cantos.
— Eu só queria tirar isso de mim.
— É foda pra tirar isso de você, . Arrisco dizer que você nunca vai se sentir 100%, mas não é sua culpa. Dê uma chance a . Ela não tem mais 16 e se ela quiser ficar, ela vai ficar. E você só vai se desgastar tentando afastá-la, vai deixar a menina assustada.
— Eu gosto dela, Marcelo. — foi o que ele conseguiu dizer.
— Isso eu já sabia, irmão. Já sabia. — Marcelo deu dois tapinhas e uma caneta em . — Fica esperto.
*

Quando Wahida e Hafid voltaram para França, levaram Melia com eles, pois sairiam de Madrid na sexta de tarde e ela ficaria o final de semana e segunda com os avós, já que era feriado em Madrid.
estava pensando sobre sua conversa com Marcelo e considerando tentar com , isso é, se ela o quisesse. Quando ele disse a ela que gostou dela quando era mais novo, ela não havia dito que também gostou dele ou coisa parecida. Ele também estava assustado.
estava na conta de Melia no Instagram e acabou vendo um comentário de .
@bastien: volta logo! Preciso da minha diretora, tudo um caos por aqui… Linda, princesse! <3
O jogador não hesitou em abrir o perfil de . Fotos com as crianças, com , do jantar de noivado, com seu pai, com seus gatos… , sem pensar duas vezes, mandou uma mensagem no direct.
@karimbenzema: Oi, … Quer fazer alguma coisa?
@bastien: Dormir y dormir, hahaha
@bastien: Brincadeira. O que você quer fazer, senhor ?
@karimbenzema: Já que você deve estar cansada, pode vir aqui pra casa e a gente pede comida e assiste um filme
@bastien: Conte comigo. Me passa o endereço e a hora.
@karimbenzema: Pode vir agora, se quiser. Vou deixar sua entrada liberada, a porta também tá aberta. É só entrar. :D
O atacante passou seu endereço e avisou que chegaria em pouco tempo. O jogador decidiu tomar um banho rápido e, ao sair, ouviu uma música vindo da cozinha.
— Isso é invasão de propriedade privada! — disse e assustou , que mexia numa panela que estava no fogão.
— Merda, . Por que fez isso? — abaixou o fogo e, ao virar-se para encarar o atacante, se surpreendeu ao vê-lo só de bermuda. Era claro para ela que o físico de era de dar água na boca, até porque parecia que ele havia sido esculpido.
— Tudo bem? — ele a tirou do transe quando se aproximou da professora e ela sentiu o aroma da sua loção. — ?
— Oi! Desculpa… — ela riu. — A resposta sobre sua afirmação é: não é invasão de propriedade privada se você deixou meu nome na entrada do condomínio e também deixou a porta aberta.
— Faz sentido… — ele riu. — O quê você está fazendo?
— Derretendo queijo… Trouxe nachos.
— Céus, eu te amo, mulher. — ele disse animado. era um dos jogadores que seguia sua dieta à risca, mas como vivia com uma criança, ele tinha seus dias do lixo.
— Ama, sim… — ela riu. — Só não vai postar isso em lugar nenhum pra eu não ter minha cabeça desejada pela equipe médica do Real Madrid.
— Eles não desejam tanto a sua cabeça quanto a da Melia, lhe garanto.
— Também não consigo dizer não a ela. — a professora fez careta. — No teatro ela tem mais voz que eu. Ela manda, eles obedecem. Parece muito com a…
— Amelie. — ele completou risonho. — Falo isso sempre.
— Sinto muito pela sua perda. — estendeu a mão para , que apertou a dela. — Eu não sabia muito bem o que dizer, mas tinha consciência que qualquer coisa que eu falasse você não ia levar a sério.
— Tudo bem, o pensamento me atormenta… Os pais dela nunca apoiaram. A Melia gostaria de conhecê-los, mas eles seguem a ignorando.
— Eu sinto muito por isso. — ela o abraçou. — Sinta-se à vontade o suficiente para falar comigo sobre o que precisar.
sorriu e agradeceu, mentalmente, o apoio de . O francês teve a lembrança de quando a mãe da menina morreu e lembrou como foi ruim para todos. passou cerca de um mês na casa ao lado da dos pais, consolando a melhor amiga. O quarto de e Gressy era o de frente para o de e os dois ouviam seus choros à noite.
Os dois organizaram as coisas para irem para sala de estar e sentou-se encolhida no canto oposto de . O clima ainda estava pesado e ela sentia que ele queria conversar, mas tinha medo de que ele se sentisse pressionado.
— Eu sinto que eu podia ter evitado. — ele comentou quebrando o silêncio que pairou entre os dois. Ela entendeu.
— Acho que faz parte de perder alguém que a gente ama tanto tão repentinamente. — ela tomou um pouco do vinho que trouxe.
— Eu tenho muito medo de perder a Melia também. De, sei lá, ela ter raiva de mim por ter matado a mãe dela. — ele gesticulou, como se suas mãos fossem dar sentido ao que ele falava.
— E você a matou? — o questionou, mesmo sabendo a resposta.
— Não. Mas eu devia ter tentado desviar. — mexeu na barba.
— Então por que você prefere se culpar de algo que você não tem culpa? Ainda que o motorista tenha sido preso.
— A Melia é tudo que eu tenho, . Se eu perco a minha filha…
— Você sabe o que ela fala de você na escola? — disse indignada. Como um pai daqueles não reconhecia o quão bom era? — "Meu pai é a pessoa mais legal que eu conheço. Ele cuida de mim, me trata bem e ainda é o meu melhor amigo".
riu ao ver afinar a voz para tentar imitar sua filha.
— Ela te ama, te admira e estará com você pra tudo, . — se aproximou do atacante. — Além disso, ela não é tudo que você tem. Você tem seus pais, seus irmãos, eu…
— Eu tenho você? — ele zombou. — Há duas semanas atrás você estava fugindo de mim.
— Me senti ofendida e vou sair por aquela porta agora mesmo, boa tarde, . — levantou na brincadeira e ele a puxou de volta, mas, pelo impulso, a professora caiu em seu colo.
— Eu sei que eu tenho vocês. — ele sorriu e beijou o ombro dela. — É tudo que eu preciso, no entanto.
— Muito bem. — ela sorriu. — Agora, daqui em diante, me diga tudo que você está sentindo que eu vou tentar te ajudar.
— Tudo bem, muito obrigado. — ele sorriu. Nenhum dos dois fez questão que saísse de seu colo.
— Queria muito poder tirar essa dor de você, . — ela sorriu fraco, como se quisesse conforta-lo. — Queria que se visse como eu, sua família e sua filha te vemos, como uma ótima pessoa, um ótimo pai e um jogador mediano.
gargalhou com a piada. — Você consegue me relaxar, . Mesmo falando mentiras a meu respeito.
— Não menti em nada. — ela riu. — Você é sim um jogador meia tigela.
— Eu vou te beijar agora. — aproximou o rosto ao dela e não fez nada, como se esperasse uma resposta da professora. alternava o olhar entre a boca de e seus olhos. Ele é tão lindo, droga. Sem demonstrar nenhuma resistência, o jogador juntou os lábios dos dois calmamente. esperou anos por aquilo, embora quisesse conhecer cada parte de , ele fez tudo com calma. Não estragaria aquilo.
Sentiu as unhas da mulher arranharem levemente sua nuca e sua resposta para foi apertar sua cintura e puxá-la para que ela ficasse, de fato, de frente pra ela. A professora usava um vestidinho florido que mostrou bastante de suas coxas quando ela colocou uma de cada lado do corpo de . Os dois pararam porque estavam completamente sem fôlego e se encaravam com o peito subindo e descendo, ofegantes.
— Eu… — começou a falar, mas precisava de ar. Ela estava muito feliz por aquilo. Ela desejou aquilo por anos. — !
deu um tapa no braço do homem que a encarou confuso. estava completamente entregue a e ele sabia disso, sabia que a partir dali, tudo havia mudado.
— Você me faz perder os eixos e quem apanha sou eu, que ironia. — ele riu, ainda segurando-a na cintura.
— Você é irmão da minha melhor amigo e pai de uma aluna minha. — disse em êxtase.
. 32 anos, pai solteiro. Jogador de futebol, oito irmãos. — ele completou. — Completamente perdido numa professora de teatro.
queria sorrir. Estava explodindo. E então, o beijou novamente.
*

Duas semanas se passaram e e se viam na maioria dos dias. Quando ele, e Melia não jantavam juntos, eles se viam no final de semana. A filha do jogador havia feito questão de contar para toda família do lance dos dois. Isso causou confusão, uma vez que nenhum dos dois havia contado para .
Jantavam com Antoine, pai de , Melia e os dois gatos de .
— Papai, eu quero um gatinho. — Melia pediu.
— Como vou cuidar de um gato se mal cuido de você? — o pai retrucou.
— Por favor, por favor… Eu prometo tirar dez em tudo.
— Uh, proposta tentadora. — riu.
— Desista, filho… Elas sempre ganham. — Antoine riu enquanto Melia piscava em agradecimento para ele.
— Você já tira notas dez, filha. Sem condições.
O jantar aconteceu sem mais delongas. Melia estava com um grande bico e não quis falar com pelo resto da noite, ainda que ele soubesse que aquilo era passageiro. achava engraçado a situação porque ela franzia o nariz igual fazia.
Mais tarde, quando Melia dormia no quarto de hóspedes e o pai de havia se retirado, os dois estavam quietos na sala de estar, enquanto a professora brincava com Harry e Rony.
— Por que você não dá um a ela? — o questionou. — É provado cientificamente que crianças que crescem com animais de estimação são mais saudáveis.
— Eles sujam muito. Dependem muito de mim. Eu viajo muito e já é ruim o suficiente deixar Melia com .
— Pode deixar comigo. Harry e Rony são super amigáveis. — ela sugeriu.
— Não quero incomodar. — ele se juntou aos gatos, deitando no colo da professora.
— Não é incômodo. De maneira alguma.
— É uma batalha perdida, né? — ele olhou pra cima e viu o sorriso da mulher.
— Ela franze o nariz igual você. — riu. — Quando você negou, ela fez logo aquela sua cara de bravo. Acho fofo.
— Ela se parece comigo fisicamente.
— Não acho, ela é toda linda. — disse descontraidamente. — Já você…
— Que namorada eu fui arranjar, meu Deus! — fez drama. rapidamente se ajeitou ao ouvir o termo.
— Sou sua namorada, então? — ela perguntou.
— Não sei, depende… Você só é se disser que eu sou o melhor jogador do mundo. — ele brincou.
— Meu pai me ensinou a não mentir, . — riu.
O jogador começou a fazer cócegas na professora que, euforicamente, dava gritinhos na sala.
— Tá bom, tá bom! Você é o melhor jogador do mundo. — ela sorriu e segurou os braços do atacante. — Meu namorado é o melhor jogador do mundo.
*
O dia da apresentação exigiu muito trabalho de , que levou quase toda casa de para o colégio. A família estava toda lá, junto de Antoine e Hugo. Marcelo, melhor amigo de e padrinho de Melia, também estava lá acompanhando de sua esposa e seus dois filhos, Enzo e Liam.
— Elas estão muito nervosas, eu também estou. — ele admitiu e riu.
— Você daria uma ótima fera. — Nafissa implicou.
— Vá à merda! — ele resmungou. Farid tossiu em advertência e revirou os olhos. — Desculpa.
— Vamos nos sentar, a peça vai começar. — Antoine chamou a atenção de todos que o seguiram.
O teatro da escola se escureceu e um holofote no meio do palco. Os sons do chão de madeira foram notórios e geraram mais um suspense. Rapidamente, o furacão favorito da família se pôs na luz.
— Boa noite. — Melia cumprimentou o público. — Meu nome é Melia e sou a diretora da peça, junto da tia . Como vocês podem ver em seus papéis, darei início aos três atos da peça. Esperamos que gostem, esse é o Ato Um: O encontro.
Após ser aplaudida, a filha de se dirigiu à coxia e uma melodia no piano começou a tocar e foi o centro de atenções. Rapidamente, uma menina que era a Bela, entrou no palco. A peça ocorreu sem mais delongas e todo efeito musical foi mérito de e de um professor de música da escola. Os dois revezavam e, durante todo espetáculo, a música estava presente. No fim, falar com Melia foi um grande desafio, uma vez que elas eram o centro das atenções.
— Meu filho, vá pegar suas meninas de volta. — Hafid disse a . O jogador riu e foi organizar a surpresa das duas. Em menos de 10 minutos, buscou a gata, os buquês e o presente de .
A família de e a de Marcelo serviram como uma boa distração para as duas que mal perceberam quando o jogador apareceu.
— Cadê as minhas estrelas? — ele perguntou e pegou Melia no colo. — Você estava perfeita, princesse. Tenho orgulho de você.
— Obrigada, papai. — Melia o beijou na bochecha. — Tia que me ensinou tudo.
— Vocês duas me enchem de orgulho. — ele sorriu. — Eu trouxe presentes para as duas.
! — exclamou. — Não precisava.
O argelino ignorou o comentário da professora e se abaixou na altura da filha, encarando-a.
— Preciso que repita comigo duas coisas: responsabilidade e companheirismo.
— Responsabilidade e companheirismo, papai. — Melia disse animada. Ela amava ganhar presentes do pai. O jogador lhe entregou um pequeno buquê com flores silvestres e depois a entregou uma caixa cheia de furos.
— O que é isso? — Melia o perguntou e abriu o pacote.
— Sua nova amiga. — ele sorriu e esperou a reação da criança.
— MEU DEUS! É uma gatinha, meu Deus! Papai… — Melia o encarou. — Você é incrível e eu te amo muito. Melhor pai do mundo.
— Também te amo muito, princesse. — ele sorriu e Melia rapidamente saiu gritando por Liam e Enzo, seus primos de consideração, animada para mostrar-lhes a gata. se levantou e encarou a professora com um sorriso bobo no rosto.
— Por que tá me encarando assim, meia tigela? — ela o provocou.
— Porque eu amo você, professora. — ele sorriu e a beijou. — Parabéns por hoje, foi ótimo.
— Obrigada, meia tigela. Eu também te amo.
— Agora vamos aos presentes, assim como na peça, no ato um, temos o reencontro. — ele a deu um buquê de peônias, uma de suas flores favoritas. o encarava encantada, ele era perfeito. — No ato dois, temos a luta. — ele entregou uma caixa cheia de chocolates mentolados que sempre gostou. — No ato final, temos a felicidade.
a entregou uma caixinha aveludada que continua um colar em formato de coração, cravejado com alguns diamantes
— Meia tigela… — o encarou chorosa. — É lindo.
— Abre. — ele indicou e o fez, deparando-se com uma foto dela acompanhada de , Melia e seu pai.
— Meu Deus, você é o melhor namorado do mundo, meia tigela. — ela deu beijos estalados por todo rosto do jogador. — Te amo, te amo, te amo.
— Eu também tenho o meu. — ele sorriu e mostrou seu cordão com a foto dos três, mas com .
estava encantada com o gesto carinhoso de , ela o amava na forma mais pura que já sentiu em sua vida. Já o jogador, a amava da forma mais arrebatadora possível, ela o bagunçava.
— Obrigado por ser meu recomeço, Bastien. — ele sorriu.
— E se tudo der certo, em breve, né, tia ? — Melia apareceu, arrancando risos de todos, e abraçou os dois. A verdade era que aquele não era, de fato, o ato final dos dois. A família só havia sido oficializada, porque , , Melia e os três gatos, Harry, Rony e Hermione, já eram uma família há muito tempo.




Fim.



Nota da autora: Sem nota.

Nota da beta: Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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