Postada em: 12/11/2017

Capítulo Único

andava pelos corredores do estádio do pronta para fingir um desmaio a qualquer momento. Apesar da garantia que nenhum jogador estaria presente no passeio que o casal fazia, não conseguia ficar tranquila, observava o local à sua volta com um aperto no peito e uma vontade enorme de sair correndo. Tentara de todas as formas não comparecer à reunião que seu noivo, Hassan Jameel, teria com o conselho de diretores do clube, mas, mesmo fingindo um mal estar, não conseguiu convencê-lo de que estava assim tão indisposta.
- E aqui fica o vestiário do primeiro time. - o presidente do clube lhes disse com um sorriso no rosto e a mulher correspondeu, já que sabia que assim que visse o local iriam embora e ela provavelmente nunca mais teria que voltar ali.
- Que surpresa agradável! - seu noivo falou animado e, curiosa, deu um passo à frente pra ver do que ele falava.

Se Hassan não tivesse de mãos dadas com ela, provavelmente teria desmaiado naquele momento. Diversos jogadores do time estavam no local os esperando e passou os olhos desesperada até chegar ao banco, onde viu uma foto do ex namorado e suspirou aliviada ao ver que ele não estava ali.

- Os jogadores terminaram o treino mais cedo hoje, pedi que viessem já que sabemos que é um grande fã do time.
- E como!! - ouviu o noivo exclamar animado e a encarar franzindo o cenho - Você está bem, ?
- Sim, claro. - mentiu, mas sabia que o moreno não tinha acreditado nela.

Resolveu se manter em silêncio para passar despercebida, mesmo sabendo que era impossível, afinal, era a única mulher no local. Apertou a mão do noivo, que ao notar o desconforto da mulher passou a mão por sua cintura, a abraçando de lado enquanto cumprimentava mais um jogador, esse parecia se chamar Pepe.
Do outro lado da porta, no corredor que dava ao vestiário, andava apressado, sabia que um investidor árabe bilionário estava visitando o clube e a presença de todos tinha sido compulsória. Ao passar pela porta viu Florentino ao lado de um homem que parecia ser novo demais para ser rico daquela forma, e ao seu lado uma mulher que provavelmente estava com ele por seu dinheiro.

- Cadê o ? - sussurrou para Toni ao ver que não era o único atrasado.
- Ainda não…
- Fala galera - o jogador entrou sorrindo, chamando a atenção para si - Ô , não sabia que você tinha um filho - disse rindo, mas o encarou confuso.
- Como assim?
- Tem um menininho aqui fora, olha só. - falou fazendo um gesto para alguém do lado de fora e se aproximou curioso, vendo a criança correr na direção do amigo que o pegou no colo. - Não é a sua cara? - disse, ignorando a babá que não parecia nada feliz com o que estava acontecendo.

encarava o menino à sua frente curioso, até que a criança lembrava um pouco ele mesmo, não sabia se era assim tão a cara dele como o colega de time afirmava. Abriu um sorriso, estendendo a mão ao menino que usava o uniforme do time e, quando fez menção de pegá-lo, não só ele, como todos no local ouviram um grito desesperado.

- Não!!! - se virou assustado na direção do som, com as mãos ainda no ar. O que viu, no entanto, foi algo que nunca mais pensou que fosse ver em toda sua vida. - Vem com a maman, filho. - disse apressada, seu maior pesadelo estava se tornando realidade bem diante dos seus olhos.
- ? - foi a única palavra que conseguiu sair de sua boca, num tom tão baixo que ele mesmo não sabia se as tinha pronunciado, tamanho era o choque que o jogador estava, lágrimas encheram seus olhos imediatamente.
- Tá tudo bem, mon ange. - a mulher acalmava o menino que agora chorava por conta do susto que havia tomado - Você é uma incompetente. - disse dura à babá que estava branca, antes de dar um beijo na cabeça do filho.
- A culpa foi minha. - se adiantou, olhando a mulher e o tal investidor que agora encarava a todos com a cara tão confusa quanto ele.
- Não foi mesmo, me desculpe por isso. - disse, sentindo o olhar de todos sob si e um ainda mais forte que quase lhe queimava a alma. Só ela sabia a força que estava fazendo para não olhar para o lado e ver aquele que um dia foi o seu mundo, o seu centro.
- ? - a mulher ouviu dois homens a chamarem e duas mãos a tocarem ao mesmo tempo. Seu passado e seu presente. Não sabia para quem olhar primeiro, mas o seu coração sabia e foi por isso que olhou pra frente, vendo o choque, a saudade, o desespero estamparem os olhos do ex-namorado, com certeza um reflexo dos seus. Como ele conseguia estar ainda mais lindo?
- Me desculpe. - disse para ninguém em especial e saiu correndo porta afora, segurando o filho com todo cuidado do mundo por conta dos saltos que usava.

A mulher não fazia a mínima ideia de onde estava e nem pra onde deveria ir, mas sabia que se continuasse correndo daria em algum lugar.

- ! - chamou, a assustando por conta da proximidade, fazendo com que a mulher virasse o pé e quase caísse com o filho no chão, mas o jogador foi mais rápido e a segurou - Você se machucou? - perguntou preocupado.
- Acho que sim. - falou sentindo o pé doer e já cansada sentou-se no chão, derrotada, vendo se o filho estava bem - Você tá bem, príncipe? - perguntou forçando um sorriso para não assustar ainda mais o menino.
- Sim, Maman, você machucou?
- Não foi nada, eu só v… - não conseguiu finalizar sua frase, já que havia se ajoelhado ao seu lado e tirava sua bota com cuidado - , não precisa. - disse se dando conta que há mais de quatro anos não falava esse nome em voz alta.
- Preciso... Eu preciso. - pôde ouvir dor em seu tom de voz, ele parecia precisar saber se era realmente ela ali na sua frente. - Eu te procurei, tanto. - murmurou para si mesmo, mas a mulher o ouviu.
- Ai! - resmungou em dor quando ele tocou em seu tornozelo.
- A senhora se machucou? - a babá apareceu, chamando a atenção dos três - Quer que eu segure o Luca?
- Luca??! - encarou , chocado, deixando seu olhar cair no garotinho que estava sentado no colo da mãe, se lembrando do que havia lhe dito minutos antes. ao se dar conta do que tinha acontecido fechou os olhos, suspirando fundo, queria matar Íris, mas não é como se a babá soubesse quem era aquele homem.
- Você vai ajudar a mamãe, ? - perguntou pronunciando seu sobrenome com o sotaque perfeito, fazendo o jogador sorrir de uma forma que nunca tinha visto antes.
- Ele adora futebol. - a mulher respondeu a pergunta que não fora feita - Íris, você leva ele pro carro, por favor? Seja lá onde for essa maldita saída. - pediu dando um abraço apertado no pequeno.
- É por ali. - respondeu no automático, sem tirar os olhos de Luca, que levantou do colo da mãe e correu desajeitado em direção a babá.
- A maman já está indo te encontrar, fala tchau pro , filho.
- Tchau ! - disse acenando de uma forma fofa, a qual o jogador correspondeu.
- , precisamos conversar. - encarou a mulher sério quando Luca já tinha virado o corredor
- Me ajuda a levantar. - pediu fingindo não tê-lo ouvido - Quero ver se foi só uma torção boba ou algo pior.
- , eu estou tentando me manter calmo aqui, mas… - o jogador parou a frase na metade, quando ao segurar sua mão viu um anel de noivado tão grande que se surpreendeu como não tinha notado aquilo antes.

não sabia como ainda estava se mantendo tão calmo. Quando ele acordou naquela manhã, sabia que teria que treinar e puxar o saco de um árabe qualquer, nunca que lhe passou pela cabeça que aquele era o dia que finalmente reencontraria o grande amor da sua vida. O jogador sonhara com aquele momento por tanto tempo em vão, que já tinha aceitado que nunca mais veria .

Quando a babá disse o nome da criança, ele teve certeza que iria enlouquecer. Não poderia ser, a que ele conheceu e amou por dois anos jamais esconderia algo assim dele, sentia como se seu coração tivesse sido arrancado de seu peito, ela estava noiva, noiva de um cara que não era ele. jamais aceitaria um pedido de casamento se não tivesse certeza que estava se casando com a pessoa que mais amou na vida, e se dar conta que não era ele a pessoa foi mais forte do que qualquer sentimento que já tenha sentido antes. Talvez apenas um outro poderia ser maior que essa dor, a de saber que poderia ser pai de alguém que sequer sabia de sua existência.
Anos antes o jogador já tinha percebido que deixá-la ir tinha sido o maior erro de sua vida, e até tentou repará-lo, mas era tarde demais, tinha simplesmente sumido do mapa. Ninguém sabia pra onde ela tinha ido e sua mãe Juliette o odiava tanto que se recusava a dar qualquer detalhe de como ele poderia encontrá-la.
conseguia sentir seu coração batendo mais rápido do que o normal quando a abraçou de lado para que ela se levantasse, suspirou frustrada ao ver como seu corpo ainda reagia ao do ex daquela forma. Apesar de ter fugido sem deixar nenhum rastro, depois de tanto tempo, já tinha se conformado que Luca jamais conheceria o pai, mas estaria mentindo pra si mesma se não tivesse imaginado um bilhão de vezes como seria se um soubesse da existência do outro.

- Eu sei. – disse, não mais aguentando o olhar do jogador sob si. - Eu só... preciso de um tempo. - pediu virando o rosto, se permitindo pela primeira vez naquela manhã encarar os olhos que por muito tempo assombraram seus sonhos.
- O Luca... Ele...merde, , quantos anos ele tem? - A pergunta que fez foi completamente diferente da que ele queria ter feito e ambos sabiam disso.
- É. - foi o que a mulher respondeu, deixando que algumas lágrimas caíssem por seu rosto ao que num impulso as secou com as pontas dos dedos. Sem se dar conta, ambos fecharam os olhos, se permitindo lembrar de tempos muito mais alegres.
- Acha que consegue andar? - perguntou olhando para a mulher, ainda com a mão no rosto dela.
- Acho q… ai!! - falou ao dar alguns passos tortos.
- Acho que ai? - o jogador a encarou divertido, tirando um sorriso da mulher - Eu te levo. - completou se aproximando para pegá-la no colo.
- Eu posso fazer isso. - os dois se assustaram ao ouvir Hassan falar em inglês por trás deles.
- Sim, claro. - se retraiu imediatamente, fechando as mãos em punhos. - Acho que ela precisa ir ao médico. - respondeu no mesmo idioma que o homem, mas com um sotaque claramente mais puxado.
- Eu sei como cuidar da minha noiva. - retrucou dando um beijo no rosto da mulher, que forçou um sorriso devido à situação em que se encontrava.
- . - disse simplesmente, pois sabia que ela o entenderia.
- Tudo bem. - disse vencida - Você está com seu telefone? - falou se aproximando ainda que mancando do ex-namorado.
- Aqui. - o jogador disse lhe entregando o aparelho já desbloqueado.
- Esse é meu e-mail, me manda o seu número que eu te procuro.
- , isso não é justo. - disse num fio de voz, usando sua língua materna.
- Eu te procuro, prometo - lhe estendeu o aparelho, mas quando o pegou ela não o soltou - Nunca descumpri minhas promessas, você mais do que ninguém sabe disso.
- Você disse que me amaria pra sempre. - falou baixinho, sentindo-se tão infantil como o seu...filho.
- Mais uma promessa que cumpri. - falou por fim soltando o aparelho, se virando rapidamente para não ver a reação do jogador.

ainda estava estático, não sabia se deveria ficar feliz, triste ou com raiva. Viu o noivo de o encarar com cara de poucos amigos antes de pegá-la no colo e sumir pelo mesmo caminho que Luca havia ido. Quando voltou ao vestiário, encontrou a todos com o maior ponto de interrogação na cara:
- Essa é a ? A mulher que você procurou que nem louco por quase dois anos? - um dos colegas de time lhe perguntou.
- É... E aquele garotinho é meu filho. - respondeu se sentando no banco do vestiário, vendo todo o elenco o encarar tão ou mais surpreso do que ele.



- É ele, não é? - Jameel perguntou à no caminho até o carro. - Você poderia ter me dito a verdade ao invés de inventar um mal-estar, tudo isso poderia ter sido evitado.
- Você é bem persuasivo quando quer e não aceita um não tão fácil, não foi assim que me convenceu a sair com você? - tentou quebrar o clima e a cara fechada que o noivo tinha.
- Realmente, o sim mais difícil de se conquistar - apesar de estar uma pilha de nervos, sorriu ao ver o homem à sua frente a olhar da mesma forma que a olhava há quase um ano e meio, quando finalmente aceitou seu pedido de namoro. - Vamos deixar o baixinho no hotel e vamos te levar no hospital, seu tornozelo tá parecendo uma bola de tênis.
- Hassan! - a mulher riu encarando o próprio pé - Você está bravo comigo?
- Chateado, você sabe quantas vezes perguntei quem era o pai do Luca, mas ao mesmo tempo tudo faz sentido agora, você odeia futebol, tentou me fazer procurar outro time ao invés do ... Entrou em pânico quando descobriu que eu e Luca assistimos a Champions League escondidos de você. Eu achava que o pai dele era só um torcedor fanático, não um dos melhores jogadores do mundo.
- Me desculpa, eu devia ter te contado antes, mas você tinha me dito que as chances dos jogadores estarem aqui era zero.
- Eu não podia imaginar que o presidente ia me fazer essa surpresa. Depois que você saiu correndo e ele foi atrás de você, foi bem fácil fazer a ligação. Resolvi te dar um tempo para assimilar o que estava acontecendo, acho que eu precisei desse tempo também. Aproveitei pra conhecer os outros jogadores, fiz mal?
- Não, você foi perfeito, como sempre. - sorriu quando o noivo a colocou no chão, ficando na ponta do pé para abraçá-lo e acabar com a distância que ela tinha colocado entre eles por muito tempo - Sei que temos muito pra conversar, mas estou aliviada que agora você sabe a única coisa que escondi de você esse tempo todo. Agora não temos mais segredos.
- Eu também, meu amor. - disse ainda chateado, mas bastante aliviado, parecia que finalmente a barreira que tinha entre eles havia sido derrubada.



Foram três semanas que teve que esperar para sequer ter a certeza que tinha lhe passado o e-mail correto. Enviara seu número para ela no mesmo dia e repetiu o e-mail quando não havia recebido resposta alguma. Ao final da segunda semana, já agoniado e irritado escreveu um e-mail enorme para ela e enviou antes que se arrependesse, sabia que ela devia estar com medo do que iria acontecer dali pra frente, mas para nada mais importava. Nas semanas que se passaram ele teve tempo para passar por diversas fases até aceitar que tinha perdido anos da vida do filho, mas que de nada ia lhe adiantar se a xingasse, odiasse ou a acusasse, isso só pioraria a situação.
Com a ajuda dos amigos do time que já eram pais, além de Gressy, seu irmão que acompanhou de perto todo o namoro e toda a busca que ele fez pela mulher, resolveu aceitar que o passado ele não poderia mudar, o que lhe restava era ficar feliz que ainda tinha toda uma vida dali em diante para conhecer, cuidar e amar o filho. Luca . Só de pensar no menino se enchia de orgulho e não via a hora de poder chamá-lo de filho e ouvi-lo o chamar de pai.
No meio da terceira semana, quando o jogador estava no ônibus do time, saindo de mais uma vitória, recebeu uma mensagem de um número desconhecido. Era , ela dizia estar na cidade e perguntou se poderia encontrá-lo na manhã seguinte. Após responder que sim e lhe passar seu endereço, abriu a foto do perfil da mulher e seus olhos se encheram de lágrimas ao vê-la num parque usando apenas jeans e camiseta, tentando ensinar Luca a chutar uma bola.
Quando lhe questionou sobre a foto, recebeu diversas em resposta, do filho com uma bola de futebol ou assistindo a um jogo qualquer e um pequeno vídeo feito no mesmo dia da foto do perfil, nele a mulher tentava em vão explicar ao filho que estava na hora de ir embora e ele queria continuar brincando. Naquela noite não conseguiu dormir, passou o tempo todo vendo as fotos e revendo o vídeo.


- Bom dia! - disse nervosa quando abriu a porta, tão ou mais nervoso do que ela.
- Oi, . - o jogador tentou demonstrar calma ao lhe dar dois beijos no rosto e convidá-la a entrar.
- Ele não veio. - disse ao ver o jogador esperançoso - Achei melhor que fosse apenas nós dois hoje. Se você quiser brigar comigo, me xingar... Não queria que ele visse nada disso.
- Como está seu tornozelo? - perguntou alheio ao que tinha dito.
- Fiquei uma semana com o pé pra cima sem poder fazer nada, aos poucos a dor foi passando, mas fui proibida de usar salto por mais um mês. - disse dando de ombros, observando a casa do jogador.
- Eu não te odeio, - soltou do nada, “Eu ainda te amo”, acrescentou mentalmente - No e-mail eu estava com raiva, tinha acabado de te ver depois de já ter aceitado que nunca mais o faria e ainda descubro que sou pai? Você me fez esperar três semanas pra me contatar, pensei que fosse sumir de novo e acabei dizendo coisas que eu não queria. - falou indicando para que se sentassem no sofá. - Por que você escondeu isso de mim? Naquela noite, quando terminamos, foi por isso que você foi embora sem se despedir?
- Não. - respondeu sincera - Fui porque se você acordasse eu tinha certeza que não conseguiria ir embora. Eu não sei o dia ao certo, afinal, nós éramos bastante... ativos, mas eu acho que fizemos o Luca naquela noite. - disse sorrindo para o jogador.
- De todas as vezes, justo aquela. - falou se lembrando da noite que tiveram - Me parece bastante memorável.
-
- Estou sendo sincero, tivemos muitas noites e dias memoráveis, , mas a mais especial pra mim foi aquela. Msmo com toda a dor, eu podia ver o quanto você me amava e o quanto estava sofrendo com tudo aquilo, eu nunca te vi tão linda. - admitiu olhando no fundo dos seus olhos - A não ser agora, você está ainda mais linda do que antes e eu não sabia que isso era possível. - falou sem o menor pudor, não tinha a menor vergonha de passar por cima do próprio orgulho quando se tratava de .
- Obrigada. - disse emocionada - Você está muito diferente também, mesmo vendo fotos suas de vez em quando, ao vivo você sempre foi mais bonito, mas agora… - riu ao vê-lo a olhar desacreditado - Vamos combinar que seu antes e depois é bem diferente né?
- Tudo bem. - falou rindo tímido e sentiu seu coração acelerar, ele ficava tão lindo daquela forma. ficou feliz pelos momentos de sinceridade e por saber que não estava sozinho - Acho que vou aceitar como um elogio.
- Eu descobri poucas semanas depois, eu juro que queria te contar, mas... Foi bem no dia em que fiquei sabendo que você tinha sido contratado pelo . Era o seu sonho, não? Todas aquelas coisas que você tinha que fazer e conquistar... Achei que se te contasse estragaria tudo isso.
- Foi minha culpa. - se aproximou de , segurando em sua mão, tentando acalmá-la e acalmar a si mesmo - Nossos últimos seis meses foram horríveis, , eu que te fiz sentir como se você não fosse importante quando na verdade você era a única coisa que me importava.
- Não era, , o futebol era e deu certo. Você conseguiu chegar ao topo, ao menos é isso que eu gosto de acreditar, porque senão tudo o que passamos foi em vão.
- Eu te procurei, , pouco depois de chegar aqui e me adaptar, quando consegui ir pra casa te procurei na cidade toda, fui a Cartier várias vezes e em todas perdia a coragem de perguntar onde você tava por medo da resposta. Até que devem ter ficado com dó de mim e me contaram que você tinha pedido demissão no dia seguinte que terminamos e não sabiam pra onde você tinha ido. Com sua mãe, você sabe... Ela é impossível.
- Sei. - riu, limpando as lágrimas com um lenço que tirou da bolsa - Hoje em dia ela se arrepende de ter falado mal de você, tem que ver como ela odeia o Hassan. - riu ainda mais alto, fazendo com que o jogador a acompanhasse.
- Uau, achei que não era possível ela odiar alguém mais do que eu.
- Ela tentou, sabe... Me fazer te contar. Todas as vezes que você foi procurá-la ela me contou, mas eu já estava decidida.
- Pra onde você foi, afinal?
- Paris. Passei a maior parte da minha gravidez lá, mas por coincidência estava passando pela Cartier e vi que Jean-Luc estava na loja, entrei pra falar oi e quando ele me viu e entendeu o que estava acontecendo, disse que tinha algo pra mim em Dubai. Sem pensar duas vezes eu fui, era tudo que eu precisava: um novo país, um novo começo longe de você.
- Dubai? Eu sempre vou pra lá. O meu primo, o Sam, mora lá. - disse surpreso.
- Eu sei. - confessou tímida - Você foi na loja em que eu trabalhava uma vez, te vi de longe e fiquei escondida no escritório. Idiota né?
- Espera aí, naquele dia a moça disse que o gerente tinha concedido um desconto especial pra mim, achei que era por eu ser jogador, foi você?
- Foi, eu não podia te ver, mas uma parte de mim queria saber se você ainda pensava em mim. Quando você foi embora da loja eu assisti a fita da segurança umas quinhentas vezes.
- Eu sinto muito que chegamos a isso , eu passei um ano e meio tentando te encontrar, até que aceitei que merecia não te ver pelo que te fiz, só desejei que você fosse feliz e encontrasse alguém que te merecesse.
- Um ano e meio? Nossa, eu não soube disso. Eu sinto muito também, , acho que a culpa maior foi minha, de ter escondido o Luca de você. A gente sempre conversava sobre filhos, mas era tudo na brincadeira, eu não sabia se você tinha o sonho de ser pai, mas não era meu direito decidir isso por você. Acha que algum dia pode me perdoar?
- Eu te odiei muito já e acho que vão ter momentos que vou pensar no assunto e vou ficar bravo com você, mas no time tem um monte de jogador que já é pai e eles me ajudaram a entender que o que passou, passou, e eu preciso aproveitar o presente e focar no futuro. Ainda me disseram que me livrei de trocar fralda e de acordar de duas em duas horas.
- Sim. - gargalhou aliviada - Pensando por esse lado você realmente se deu bem. Olha, sei que não posso consertar o passado, mas quero tentar remediá-lo. - falou tirando um álbum enorme da bolsa que carregava - Eu fiz isso desde o dia em que descobri que estava grávida até hoje. É seu, fiz pra você. Acho que no fundo eu sempre soube que um dia você descobriria e sei que estamos fazendo isso pelo Luca, mas não queria que me odiasse. Não quando vivemos uma história tão linda e dela nasceu o meu bem mais precioso.
- Nosso. - a cortou - Eu não vejo à hora de conhecê-lo, .
- Você quer fazer um teste de paternidade? - a mulher já havia decidido que iria oferecer, mesmo se o assunto não viesse à tona - Eu entenderia e não ficaria chateada, de verdade.
- Eu até poderia pedir, mas você já olhou pro nosso filho? Se até o aquele dia já me achou parecido com ele, sem nem saber que ele era de fato meu. Pelo menos o cabelo e os olhos são iguais aos seus.
- Ele é a sua cara mesmo - disse abrindo o álbum de fotos - E tem o seu nariz.
- Coitado. - riu, olhando para a mulher ao seu lado.
- Não vejo por que, pode ser bem útil às vezes. - disse lhe dando uma piscadinha maliciosa e o jogador gargalhou ao entender o que ela quis dizer. - Não acredito que eu disse isso em voz alta.
- Apesar de tudo, ainda somos nós, , não há nada que a gente precise filtrar antes de falar pro outro - disse dando um beijo nas costas da mão da mulher em sinal de respeito. - Não se preocupe, meu nariz adorava ser útil.

pegou o álbum, o colocando no colo, e os dois passaram as próximas horas vendo cada uma das fotos. Em todas tinha uma história pra contar, não só sobre a foto, mas o que estava fazendo da vida na época. Contou como foi quando Luca nasceu, disse sua primeira palavra e andou pela primeira vez. ouvia a tudo fascinado, achou que tanto tempo longe fosse suficiente para o amor acabar e não restar mais nada, mas se no estádio já tinha percebido que nada tinha mudado, depois de passar a manhã ao lado de ele tinha a certeza que embora ela estivesse mudada, mais bonita e madura, ela ainda era a mulher que lhe tirou o chão quase sete anos antes, ao entrar na festa de aniversário do seu irmão.

observava olhar as fotos de Luca com um sorriso enorme, o jogador ia e voltava em diversas fotos que parecia ser suas favoritas. Ele tinha mudado muito, quando ele a elogiou gostaria de ter dito que nunca o tinha visto tão gostoso também, quando estavam juntos ele estava em um time menor e seu preparo físico não era em nada parecido com o homem que via à sua frente. Estava mais bronzeado, mais forte e a barba… simplesmente amava a nova imagem que ele tinha. Riu sozinha ao ver que ele ainda adorava as grandes marcas internacionais e estava vestido inteiramente por elas, mas sabia que isso já não era mais um objetivo a alcançar, apenas quem ele agora era.
Ela mesma tinha mudado muito desde que conheceu Hassan. Ele tinha ido à loja comprar um colar de presente para a mãe, imediatamente o achou interessante, ele era alto, moreno, com a barba por fazer, se fosse solteira e não tivesse um filho certamente teria lhe dado uma chance quando ao final da compra ele a chamou para sair, contudo o homem ouviu um sonoro não que se repetiu por mais três meses. Certo dia, brincando com Luca no parque, o homem se aproximou, embora tenha ficado muito brava por ele a ter seguido, com seu charme o empresário conseguiu que ela aceitasse o convite de levar ela e Luca para passear.
No começo estava receosa, mas Hassan a pegou totalmente de surpresa, ele era completamente diferente do que ela imaginara. Certo dia, quando Luca ficou doente, o empresário cancelou uma reunião importantíssima para passar o dia com ela em casa. Naquele dia que ela teve certeza que ele valia à pena e o beijou. Na mesma noite o homem a pediu em namoro.

- . - a tirou de seus devaneios - Onde você tava?
- Longe, vendo o quanto você mudou, pensando na minha vida depois de tudo isso e agora… no futuro. Já tinha aceitado que seria sempre eu e o Luca, mas agora ele tem a chance de ter você na vida dele.
- Posso te fazer uma pergunta? - a viu assentir - Esse bilionário... Você o ama? - perguntou a encarando, mas desviou o olhar com medo da resposta.
- Amo, não me casaria com ninguém por interesse. - respondeu um pouco ofendida.
- No estádio... Você disse que ainda me amava. - falou ainda sem conseguir encará-la.
- E amo, muito, mas também o amo. São amores diferentes, difícil de explicar.
- Eu só amei você minha vida inteira. – disse, finalmente a olhando, e dessa vez foi quem desviou o olhar.
- E me chutou quando eu já não era o bastante. - falou sentindo a garganta arder. Amava Hassan, mas infelizmente havia sido seu grande amor, um que a machucou como nunca ninguém o fez.
- Você sempre foi e sabe disso, só que… Eu já não estava te fazendo bem, te deixei de lado. Naquele dia, eu não queria terminar, queria fazer dar certo, te perguntar se você iria comigo caso um time grande me comprasse - disse se lembrando de como uma simples conversa tinha se tornado o dia mais triste de sua vida - Mas você estava certa. Naquela noite você me mostrou que eu estava sendo egoísta, só pensando em mim e nos meus sonhos e objetivos.
- Eu fiz por nós o que você não teve coragem, mas confesso que se você tivesse me dado uma única razão pra ficar, eu teria ficado. Minha vida é totalmente diferente agora que eu tenho o Luca, parei de trabalhar faz sete meses pra me dedicar somente a ele. Às vezes me permito imaginar como seria se nós estivéssemos ainda juntos, se seria como o que eu tenho hoje ou...melhor. Eu sei que não é certo o que vou te falar agora porque não vai mudar nada, mas... Eu nunca amei ninguém como te amei, , por tudo o que passamos e o presente que você me deu, eu sempre vou te amar.
- Por que você deixa ele cuidar de você? Até parou de trabalhar e comigo era um custo pra me deixar pagar o aluguel?
- É complicado, o Luca demanda muito de mim e o Hassan já nasceu rico, não tinha coisas a fazer, a conquistar. Claro que ele viaja muito e é um homem muito ocupado, mas... Ele nunca me deixou de lado.
- Você tá me dizendo que se eu já tivesse dinheiro na época, fosse o jogador que sou hoje, você teria ficado?
- O quê? Claro que não, me ofende uma pergunta dessa mon b… - os dois se olharam assustados e se levantou exasperada, encarando a vista do jardim - Que merda, , não quero discutir com você. Você sabe que eu trabalhava por mim, por nós dois. Só que agora, a coisa certa pra mim é me dedicar ao Luca, ele precisa de mim mais do que eu de um emprego.
- Tudo bem, me desculpe, não quero discutir. É que você falando que ainda me ama e que se pergunta como seria se não tivéssemos terminado me faz me odiar ainda mais. Nunca duvidei do seu amor e, apesar de você ter duvidado do meu, sempre foi só você. Quando eu posso conhecê-lo?
- Ele ficou em Dubai, eu só vim pra falar com você, vou embora ainda hoje, mas pensei de voltar no final de semana, se você não estiver ocupado ou tiver outros planos?
- Só os de sempre, treino e jogo. Você vai dizer a ele quem eu sou?
- Tudo bem, eu vou explicar que vamos viajar pra conhecer uma pessoa especial e vou tentar explicar o conceito de pai e mãe e o fato de ter o Hassan na minha vida, mas vou contar com você ao meu lado.
- Ele chama seu noivo de pai?
- Não, já chamou, mas eu expliquei que ele não era o pai dele. É complicado porque ele é novinho, mas já me odeio pelo que te fiz, não achei justo te tirar o que é seu por direito.
- Obrigado, , isso significa muito pra mim.



já não conseguia mais se controlar, tinha treinado pela manhã e corrido para casa para ver se tudo que tinha pedido para ser feito estava terminado. tinha lhe passado uma lista enorme de coisas que o filho gostava de comer e ele mandou providenciar todas. Sabia que tinha exagerado, mas não se importava, não via a hora de conhecer Luca e lhe mostrar uma surpresa que vinha preparando. Quando a campainha tocou, sentiu seu coração começar a bater forte, quase como se estivesse fora de seu peito.

- Oi, . Oi, Luca! - disse nervoso ao vê-la segurando o filho no colo.
- Ei, mon ange, esse é o amigo que a mamãe disse que ia te apresentar hoje.
- Não, mãe, esse é o jogador do . - disse a olhando como se ela fosse doida, fazendo os dois gargalhar.
- E por que ele também não pode ser meu amigo? - o questionou, mas sempre de olho em , queria guardar pra sempre na memória aquele momento - Você o conheceu mês passado, lembra quando eu me machuquei? Lembra o nome dele?
- . - disse todo empolgado - Posso falar oi?
- Deve. - disse feliz, se aproximando do jogador para que ele pegasse o menino no colo.
- Ei, Luca, tudo bem? - o jogador perguntou emocionado, podia finalmente criar uma memória permanente, uma que fosse só dele, sem ser através de uma foto ou vídeo. - Está cansado do vôo?
- Um pouquinho, a sua casa tem um parque? - perguntou com os olhinhos arregalados ao ver o jardim pelas grandes portas de vidro.
- Nós moramos em um apartamento - respondeu pelo menino, rindo do que ele tinha falado, e só então notou que ela ainda estava na porta, os encarando emocionada.
- Entra, , você já tirou as malas do carro?
- O quê? Não, nós reservamos um hotel, eu trouxe a babá, não queremos incomodar.
- Tem mais quartos do que pessoas nessa casa - disse colocando Luca no chão, mas deu a mão à ele - Fica, por favor? - implorou olhando o menino que o encarava de volta.
- Er, acho que tudo bem, eu vou ali fora fazer uma ligação e já volto.
- Tudo bem. - disse a vendo sair pela porta e se virou para o menino - E então, já que está cansado, o que você quer fazer pra relaxar?
- Quero ficar pelado assistindo desenho.

encarou o menino, chocado pela resposta, mas não conseguiu evitar a gargalhada que se seguiu, fazendo o menino rir também sem entender o que havia dito de tão engraçado. Se questionou de onde ele poderia ter tirado aquilo.

- E então, Luca, você gosta de jogar futebol? - perguntou levando o menino para a sala de TV para achar algum desenho que ele pudesse assistir.
- Mais ou menos, só quando a mamãe e o Hassain jogam comigo. Não gosto de jogar com meus amiguinhos, é muito difícil.
- Ah é? - o questionou confuso - Por quê?
- Porque todo mundo fica tentando tirar a bola de mim!
- Ah, aí estão vocês. - entrou, vendo o jogador olhar o filho encantando - O que foi?
- Ele é uma figurinha, você não imagina o que ele me disse. - falou se aproximando da mulher ao vê-la um pouco tensa. - Tá tudo bem?
- Tá sim, tentei falar com o Hassan sobre ficarmos aqui, mas ele tava ocupado, a babá está vindo com o motorista e as malas, tento depois.
- Obrigado, , eu preparei uma coisa e queria muito que ele pudesse ficar aqui essa noite.
- Tudo bem. - a mulher sorriu tocando sua mão - Eu entendo. Já olhou seu celular?
- Não? - perguntou desconfiado desbloqueando o aparelho.
- Achei que fosse gostar. - disse indo em direção a Luca enquanto o jogador via diversas fotos do momento em que segurou o filho nos braços pela primeira vez. - Filho, lembra que viemos no carro conversando sobre a mamãe e como você saiu daqui de dentro? - perguntou o pegando no colo e viu o menino assentir - E que eu tinha te dito uma vez que apesar do Hassan ser seu padrasto, não era certo chamá-lo de papai?
- Não. - falou sincero e sorriu pro filho, vendo se sentar de forma a ver as reações do menino, sua mão suava de nervosismo. E se o menino não o quisesse como pai?
- Tudo bem, já te disse hoje que quando uma mulher engravida e tem um bebê na barriga, igual a Tia Trisha, precisa que alguém dê de presente pra ela uma sementinha, só que não pode ser qualquer pessoa, tem que ser uma pessoa especial. - disse se odiando por não fazer a menor ideia do que estava dizendo e a encarava como se ela fosse doida. - Bom, acontece que quem deu essa sementinha pra mamãe foi o . - disse olhando para o menino que imediatamente olhou para o jogador.
- Você me deu de presente pra mamãe? - questionou confuso e viu o jogador assentir sem saber o que dizer.
- Olha! - a mulher tinha o celular em mãos - Acontece que antes de eu conhecer o Hassan, eu namorei o , nós nos amávamos muito e só quando duas pessoas se amam assim que Deus permite que o homem dê essa sementinha de presente pra mulher. - falou deixando o filho passar o dedinho na tela, vendo as imagens mudarem, mas em todas e estavam abraçados, se beijando.
- Eca, mãe, você tá beijando ele como você beija o Hassain. - embora desconfortáveis, os dois adultos riram do que o menino dizia.
- Quando se tem amor é assim que duas pessoas demonstram. A mamãe não te beija e você também não beija a mamãe? - questionou vendo o menino assentir.
- Eu posso então beijar o ? - perguntou olhando para o jogador, que tinha lágrimas nos olhos, não se aguentou com a cena.
- Bem, você tem amor pelo ?
- Ele deu a minha sementinha pra você, não deu, mamãe?
- Deu sim, príncipe, sem ela você não estaria aqui hoje. Sabe como a gente chama quem dá a sementinha?
- Como? - perguntou curioso olhando a mãe.
- De papai. - disse já consciente que lágrimas caiam pelo seu rosto, num impulso segurou na mão de , que aceitou o gesto, apertando a sua de volta.
- Você é meu papai?
- Sou sim, Luca, sei que ficamos longe por muito tempo. - disse tocando a mão do menino. - Depois que eu dei a sementinha pra sua mãe... - Encarou divertido - Eu tive que vir pra cá, longe de onde vocês moram, mas pensei que agora que você já é grande e anda de avião e tudo mais poderíamos nos ver mais vezes?
- Posso, mamãe? - olhou pra mulher, empolgado, e mesmo sabendo que o menino estava assimilando apenas parte da conversa, concordou. - Podemos brincar no parque agora? - perguntou já disperso e os dois assentiram.

ia guiando o menino até o jardim e abriu a grande porta que separava os dois ambientes e riu ao ver o menino correr desajeitado direto pro gramado.
- Sementinha? - a questionou divertido e a viu dar de ombros.
- Não é como se você tivesse dito muita coisa, foi o que saiu. - riu acompanhada do jogador - Ele entendeu parte da conversa, mas vai demorar pra assimilar essa coisa de pai, padrasto, você morar longe...
- Nós temos tempo. - sorriu vendo fechar o sorriso e assentir calada.
- Eu não pude registrar ele com o seu nome porque não éramos casados, mas trouxe toda uma documentação pra você dar pros seus advogados e eles verem como colocar seu sobrenome na certidão de nascimento. Assim que tiver tudo ok podemos combinar toda essas coisas de guarda - parecia vomitar as palavras - Eu só queria ver se no começo eu podia vir junto, nunca fiquei longe dele e não sei como vou me sentir.
- … - se aproximou da mulher a abraçando forte, os dois pareciam precisar de apoio - Eu não quero roubá-lo de você. Você pode vir todas e quantas vezes quiser. Eu posso ir pra Dubai também nas férias, não quero mudar nada pra vocês, quero apenas fazer parte da vida do meu filho.



Após e ajudarem Luca a tomar banho no quarto do jogador, ele disse ter uma surpresa, os levando para um quarto que ficava ao lado do seu e de frente para o quarto que tinha arrumado para a mulher. Quando abriu a porta, a carinha que Luca fez foi impagável, o quarto todo era em tema de futebol, com uma cama enorme no centro, caso o filho ficasse com medo de dormir sozinho, algo que fez se emocionar, já que só um pai ou mãe pensaria em algo assim. Em cima da cama, que era quase no chão para não ter risco do menino cair, tinha uma camisa do time com o número 9 e o nome Luca . assistia tudo da porta já sem saber se era possível alguém chorar tanto como ela vinha fazendo nos últimos dias. Cada nova memória que os três criavam como família preenchia o seu coração ainda mais de amor. Mesmo que não estivessem juntos, descobriu que seriam parceiros pro resto da vida.
Quando Luca finalmente dormiu, bateu na porta da frente ao ver a luz ainda acesa.
- Tá tudo bem com o Luca? - apareceu vestindo um enorme moletom e mais nada, o jogador desceu os olhos por todo seu corpo, respirando fundo antes de encará-la.
- Sim, ele dormiu, vim te avisar caso você queira vê-lo - viu a mulher assentir abatida - O que você tem?
- Eu briguei com o Hassan, ele não gostou de saber que ficamos aqui ao invés de no hotel. Acho que vai demorar um tempo até todos nós acostumarmos com essa nova rotina, mas o Luca é e sempre será minha prioridade, e eu sei que é importante pra ele conseguir passar cada minuto possível com você.
- É uma adaptação, , uma hora seu noivo se acostuma, talvez quando vocês se casarem ele se importe menos. Quando vai ser? - apesar de ter dito aquelas palavras apenas para confortar a ex-namorada, percebeu que não queria saber a resposta.
- Nós não marcamos ainda, ficamos noivos faz três meses só - disse olhando o anel - Tenho outras coisas mais importantes pra me preocupar no momento. Eu vou dar um beijinho no Luca, boa noite .
- Boa noite, ma belle. - o jogador sussurrou as últimas palavras antes de ir pro quarto.

há tempos não sabia o que era ser realmente feliz, por muito tempo acreditou que o futebol era o seu maior sonho e objetivo, mas quando fechou a porta, após ver partir seus únicos dois amores, se jogou no sofá desbloqueando o celular para rever as mais de trezentas fotos que tinha tirado durante o final de semana, parou em uma que tinha os três juntos.
No passado a havia deixado para conquistar seu maior sonho, ele só não imaginava que cinco anos depois finalmente aprenderia que e Luca eram o seu único e verdadeiro sonho. Foi naquele momento que ele tomou uma decisão, não havia nada que ele não faria para ter sendo sua. Ele jogaria seu orgulho, sua fama, o que fosse fora para tê-la em seus braços novamente. não tinha vergonha alguma de confessar que precisava dela para ser feliz e não se importava que todos soubessem o quanto ele queria sua família de volta.



Luca corria atrapalhado pelo corredor do hotel em Los Angeles, enquanto e andavam atrás rindo do jeito do menino de falar oi para todas as pessoas que encontrava. olhava para os dois e mal podia acreditar que ela tinha realmente aceitado o seu convite de passar as três semanas que o jogaria nos EUA com ele. De início ela havia recusado o convite, preocupada com o tempo que passaria longe do noivo, sem saber que ouvir aquele tipo de coisa afetava profundamente. Para sua sorte foi o próprio Jameel que incentivou a mulher a ir, ele também teria algumas reuniões nos EUA e combinaram de se encontrar durante a viagem.

- Maman, Papai ! - disse empolgado assim que viu a piscina - Eu queroooooo! - falou puxando a camiseta e jogando o chinelo pro lado.
- Que pressa. - se abaixou rindo do menino, colocando o boné com motivos náuticos que combinavam com o short, igual ao do pai. - Vocês estão tão lindos, deixa eu tirar uma foto.
- Estamos mesmo, não é, papai ? - Luca disse já pulando no pai, que prontamente o pegou no colo, ainda encantado em como o menino tinha pego a mania de chamá-lo de papai .

Quando e Luca foram embora combinaram de todas as manhãs se ligarem para que pudesse conversar com o filho. Não era sempre que o menino estava com paciência para conversar através de uma tela, mas o ajudou a se tornar uma pessoa constante em sua vida. Já tinha se acostumado com algumas coisas que ele falava, mas ainda não se aguentava quando ele dizia pérolas, como quando certa vez que apareceu no meio da conversa, tentando fazê-lo tomar um remédio.

- Vamos filho, você precisa tomar remédio para a tosse.
- Não preciso não, maman, eu já sei tossir sozinho. - disse emburrado, fazendo os dois se olharem pela câmera e caírem na risada.

estava estirada em uma cadeira à beira da piscina, aproveitando o sol fresco da Califórnia. Luca e o pai estavam na piscina brincando com outros jogadores e seus filhos, ela sorria feliz para a cena tirando algumas fotos ocasionais, mas não conseguia não se afetar ao ver como os outros meninos pareciam tão mais ágeis que o filho.
observava sem acreditar que a tivera por dois anos e foi idiota o bastante de deixá-la partir, estava aproveitando todos os momentos ao seu lado e, apesar de querer beijá-la por inteiro o dia inteiro, a respeitava demais para fazer qualquer coisa que pudesse estragar as suas chances em tê-la de volta. Apesar de ter tido muitas namoradas ao longo do tempo que não tiveram contato, desde que os reencontrou só tinha olhos para aquela que sempre povoou seus sonhos e, embora ainda tivesse toda uma agenda telefônica apenas esperando uma ligação sua, só conseguia pensar no prazer que tivera com ela, que o conhecia como ninguém e que nunca nenhuma outra o conseguiu fazer sentir.



- Aconteceu alguma coisa? - abriu a porta, preocupada, usando o já rotineiro moletom que fazia contar até dez e pensar em qualquer coisa que não fosse a mulher à sua frente.
- , será que vai ter um dia que não vou bater na sua porta quando estou com nosso filho que você não vai me perguntar isso?
- Não posso evitar. - riu olhando pra baixo - O que foi então?
- Vamos assistir Carros, quer ver com a gente? - era uma chance que vinha há dias tentando conseguir, sempre tinha seus momentos a sós com o filho quando não tinha compromissos com o time, mas ela sempre se mostrava reticente em fazerem algo em família quando envolvia estar no quarto um do outro.
- Eu…
- É só um filme, com o Luca no meio, mais nada. - pediu sorrindo de lado.
- Tudo bem, eu só vou me trocar... - fechou a porta em busca de um short para vestir e acabou não vendo o sorriso de felicidade que deu ao retornar pro quarto.

Luca assistia ao desenho sem piscar, sorria vendo-o tão atento às aventuras de Lightning McQueen, o menino tinha a cabeça na barriga da mãe e os pezinhos no colo do jogador que os segurava como se fossem as coisas mais preciosas do mundo. até que tinha aguentado bastante, assistira metade do filme, mas tinha dormido pouco depois e mesmo que não devesse iniciou um carinho em seus cabelos, algo que ele sabia que ela adorava.

acordou assustada e reparou que estava tudo escuro, Luca estava deitado ao seu lado e o outro lado da cama estava preenchido por travesseiros. Percebeu que não estava em seu quarto e logo viu uma silhueta na sacada, foi em direção ao local e viu com o celular em mãos olhando uma foto dos dois. Não uma qualquer, mas a que tinham tirado na primeira vez que ele havia dito que a amava. Fora um dos dias mais especiais de sua vida. Logo o jogador passou o dedo na tela e a foto que apareceu era uma dela e Luca dormindo abraçados, provavelmente tirada quando eles caíram no sono naquela noite. Se ele ao menos soubesse que ela também passou mais tempo que o necessário olhando fotos dos dois juntos... Aquilo era a tradução de uma simples, porém poderosa palavra: amor.

- Maman? - a mulher se assustou ao ouvir a voz de Luca, fazendo com que notasse que ela estava atrás dele, pior não foi nem ser pego vendo as tais fotos, foi o choque que passou no olhar de quando notou que ele tinha lágrimas nos olhos - Cadê o papai ?
- Tá aqui, filho - a mulher sorriu, se agachando para pegá-lo no colo - Te acordamos?
- Não sei, eu vou dormir com o papai hoje? - perguntou com os olhinhos coçando e se colocou atrás de , segurando na mão do menino.
- Você quer tentar? - o jogador questionou, já que Luca sempre acordava em algum momento da noite e pedia para ver a mãe.
- Mamãe, por que você não dorme aqui também? - perguntou inocentemente ao que a mulher o levou de novo pra cama.
- Porque a mamãe e o papai não são namorados, príncipe, não é certo. - falou ajeitando os travesseiros para o menino se deitar.
- Você namora o Hassan, né?
- Isso, meu amor. - disse sorrindo para o menino, mas com a consciência dolorida por saber que os encarava do outro lado da cama.
- E você não ama o papai, ?
- Claro que amo.
- E o papai te ama?
- Acho q…
- Muito. - se ajoelhou na cama, se aproximando do menino já deitado e lhe deu um beijo no rosto. - Tanto quanto eu amo você.
- Então por que vocês não namoram pra eu dormir com vocês?
- Vamos fazer assim, vamos todos deitar aqui e tentar dormir. O que você acha? - disse apressada, não querendo confundir o menino - Vou fazer seu leite.

se levantou para esquentar o leite, sabendo que observava todos os seus passos, podia senti-lo segurar as palavras que pelo visto estavam prontas para serem ditas há dias, mas ela não queria ouvi-las. No passado ele já havia tentado e falhado, só ela sabia o quanto tinha sofrido quando terminaram, foram meses para que conseguisse dormir sem chorar, anos para que as lembranças dos dois virassem memórias que já não lhe incomodavam mais. Sentia-se fracassada por deixar a dor que sentiu voltar com tudo, vê-lo daquela forma na varanda havia acabado com ela. Por muito tempo se permitiu pensar só nela, em sua dor, no seu amor que foi deixado para trás em busca de uma carreira, mas depois desse tempo conversando com o jogador todos os dias e agora o vendo praticamente o tempo todo, ela finalmente conseguia entender que ela não sofreu sozinha. Enquanto ela ainda o amava, ele ainda a procurava.
Era difícil assimilar que ele a procurou, que ele sofreu por um ano e meio. Se achava tola por se sentir mal por ele, na época tentou acreditar que no minuto que saiu do apartamento, a esqueceu e seguiu sua vida, foi a forma mais fácil que encontrou para curar a própria ferida. Mesmo quando soube que ele a procurava, se dava desculpas para acreditar que ele nunca a acharia suficiente, que ele nunca amaria o próprio filho como amava o futebol, mas agora, agora já não conseguia evitar pensar o que poderiam ter sido. Será que apesar de tudo os dois ainda poderiam ser felizes, mesmo sem ter lhe contado tudo que precisava? merecia saber, mas ele também merecia um tempo de plena felicidade com o filho, ela já o privara por tanto tempo que queria que criasse memórias antes de arrancá-las dele.

- ? - tocou de leve em seu braço, a trazendo de volta para a realidade.
- Você me deixou uma vez, , me deixou ir sabendo que eu te amava mais do que qualquer coisa no mundo. Você sabia que eu mudaria pra Rússia, se fosse para estar ao seu lado, não quero que me diga essas coisas na frente do Luca, ele pode entender tudo errado. Nós nos machucamos demais no passado, eu não quero nunca mais sentir o que senti e não quero que você também se machuque, vamos deixar o presente como está, é o melhor para todos.

Quando Luca finalmente dormiu, se levantou da cama em silêncio, da mesma forma que estava desde que tinha se deitado ali. Saiu do quarto sem nem dar boa noite ao jogador. Ao passar o cartão que abria a porta de seu quarto ouviu a voz de :
- Eu fui um idiota por te deixar ir e eu sei o quanto estraguei o que fomos e o que poderíamos ter sido, mas não tire de mim o direito de te amar. Eu te amo não só porque temos um filho juntos, mas confesso que te amo ainda mais por causa dele. Eu te amo porque amar você é quem eu sou. Depois daquele final de semana que conheci o Luca, descobri que ainda tenho muitas coisas a fazer e a resolver, mas todas elas envolvem ter você de volta. Eu sei que o que tivemos não acabou e que você acha que o certo é continuar com esse cara, mas eu vou te provar que não é. Sou eu , eu sou o seu final feliz, o seu futuro. E vou te provar isso nem que eu tenha que ir ao banco sacar todo o dinheiro que ganhei nesses últimos anos, juntar tudo no jardim e queimar nota por nota, só pra te provar que tudo o que conquistei não faz o menor sentido se não for pra dividir com a pessoa que esteve lá por mim nos meus piores momentos, a pessoa que se anulou para que eu pudesse seguir o meu sonho. Eu sei que eu pareço um louco falando isso, mas é porque eu sou louco por você e se é isso que eu preciso fazer pra você voltar pra mim, eu faço.

entrou no quarto se permitindo respirar aliviado, como se todo o peso que vinha carregando consigo desde o dia que a mulher apareceu no vestiário do seu clube finalmente tivesse ido embora. Apesar da dor na garganta e a vontade de chorar, olhou para o filho em sua cama e só conseguia pensar no quanto o amava e o quanto queria poder ter aquela visão todos os dias de sua vida.

Do outro lado do corredor a situação era um pouco mais complicada, estava embaixo das cobertas chorando tanto ou mais do que quando terminaram anos atrás. Estava grata pela presença de na vida do filho, mas sentia-se numa montanha russa de emoções, sabia que ele havia sido seu único grande amor e que todos que viessem depois dele jamais chegariam à altura, mas Hassan estava quase lá, ele era o seu futuro, ao menos era o que tentaria se convencer depois de ouvir a declaração de amor mais linda que já ouvira em toda sua vida.



Na manhã seguinte, bateu na porta do quarto de , Luca usava o uniforme do time e a camisa com o número do pai. Achou estranho ela não atender a porta correndo e perguntar se Luca estava bem, voltou ao quarto para pegar o cartão do quarto dela que tinha para qualquer problema com o filho.

- ? - a chamou cauteloso ao notar um monte cobertor na cama - Ma belle?
- Hm - a mulher abriu os olhos cansados e tomou um susto ao ver o jogador ali - O que aconteceu? - perguntou se sentando apressada e suspirou aliviada ao ver Luca a olhando de forma fofa - Ei, bom dia, príncipe.
-
Bom dia, maman, papai disse que já sou grandão, dormi com ele sem chorar nenhuma vez.
- Eu sabia que você ia conseguir, meu amor, afinal você já tem quase quatro anos, um homenzinho. - falou o pegando no colo e o enchendo de beijos.
- A gente tem um presente pra você. - disse atrapalhado tentando pegar algo na cama, rindo o ajudou a pegar o presente.
- Ah é? - encarou desconfiada e ele tinha um sorriso fofo no rosto. - O que é?
- Pra gente usar no jogo, olha! - disse entregando a camisa e sorriu orgulhosa ao ver seu nome e o número do jogador estampado nas costas.
- Com certeza vamos usar, obrigada vocês dois. - sorriu dando um beijo no menino e segurando de leve na mão do jogador.
- Filho, quer ver um desenho enquanto sua mãe termina de acordar?
- Querooooo! - disse animado correndo para o sofá do quarto.

Assim que o jogador colocou o desenho no iPad, voltou a sentar ao lado de na cama.
- Me desculpa por ontem, não pelas minhas palavras, porque não me arrependo do que disse, mas pelo momento.
- Tá tudo bem. - segurou novamente a mão de , ela o vinha fazendo com frequencia e o jogador não entendia o porquê, mas também não seria tolo de questionar - De verdade...
- Sei que te fiz chorar. - disse passando de leve as mãos sob os olhos da mulher, ela nunca conseguiu esconder os sentimentos dele.
- Não foi você... Quer dizer, foi, mas esqueci o celular aqui no quarto e quando cheguei tinham diversas ligações e mensagens do Hassan. Acabamos discutindo e... você não quer saber de nada disso… - falou se dando conta do que estava fazendo.
- Quero, . Sei que sou suspeito, mas acima de tudo quero ser seu amigo, pode me contar qualquer coisa, mesmo que me doa. Saber o que se passa aqui... - apontou para sua cabeça - É importante pra mim.
- Obrigada por isso, por ontem. Por ser um pai ainda melhor do que eu imaginei, ver você vestindo essa camisa é um orgulho enorme pra mim, mesmo não tendo acompanhado sua carreira de perto eu sabia que você estava no topo e fiquei feliz por saber que era mais do que merecido. Quem diria que um dia você estaria aqui?
- Você. Você sempre acreditou em mim.
- Apesar de tudo, eu não escolheria outra pessoa pra ser pai do Luca.
- Eu vou entrar em concentração daqui a pouco, mas posso levar vocês pra tomar café da manhã antes?
- Pode, vou me arrumar.
- E você, Luca, está pronto pra sair? - questionou o menino que estava de barriga pra cima vendo o desenho.
- Não!
- E o que falta, além de pôr o tênis?
- A vontade de sair.

e se olharam mais uma vez, um olhar cheio de cumplicidade que vinham criando sem perceber nesses últimos dez dias que passaram juntos em Los Angeles.



Era dia do segundo jogo do em LA, e Luca vestiam a camisa do time e estavam sentados logo atrás do banco de reservas, ela sempre assistia a seus jogos dali, e saber que ela e seu filho estariam tão perto dele o deu uma motivação a mais para ser ainda melhor do que já era.

parecia reviver dois anos de sua vida, as idas ao centro de treinamento e estádios, o grito apaixonado da torcida e o principal: ver fazer o que mais amava, de perto. Ela sentiu todo seu amor pelo homem voltar como se nunca tivesse se machucado, como se nunca tivessem dito adeus. era completamente transparente quando estava em campo, seu corpo podia estar mais forte, mais bonito, mas o interior ainda era o mesmo e para , era o homem mais lindo do universo.
O jogo não estava sendo muito favorável ao , mas nada impedia mãe e filho de torcerem pelo jogador como se ainda fosse possível uma virada. Faltando apenas um minuto para o final da partida, de fora da grande área, chutou ao gol, fazendo o único gol do time, encerrando uma partida que tinha tudo para ser triste, mas para três pessoas naquele estádio tinha sido o melhor jogo de todos.
tinha feito um gol para eles e usado a comemoração que há anos não fazia, no passado era a primeira letra do seu nome que o jogador usava, mas dessa vez foi um L, resultado do amor que um dia tiveram.

- O papai fez um gol pra mim, maman.
- Eu vi, meu amor. Foi lindo, não foi? Daqui a pouco ele vem aqui te buscar pra vocês comemorarem juntos.
- Eu amo o papai . - "eu também, meu anjo, eu também" pensou ao vê-lo vir correndo na direção deles com um sorriso maravilhoso.



O final do mês trazia não só a última semana do time nos Estados Unidos, como também o fim de seu tempo a sós com e Luca, já que todos seguiam para Miami e Hassan os estaria esperando no aeroporto. O homem teria reuniões por lá e aproveitou para conciliar com a chegada do time. sentia-se sufocada, tinha sentido falta do noivo e estava empolgada para vê-lo, mesmo confusa com seus sentimentos. Só que ela não esperava que seria recebida de forma tão fria, Luca alheio ao que acontecia contava diversas histórias para Hassan e a babá. Foi só quando entraram no quarto do hotel que o homem passou seu celular para a mulher e nele continham diversas reportagens dela e , fosse no estádio ou andando de bicicleta. Em algumas Luca estava na foto, outras tinha sido cortado, mas a principal, que por mais que a tenha feito sorrir por dentro, se segurou para não demonstrar, era uma foto de pegando o filho no colo atrás do banco de reserva enquanto lhe dava um beijo na bochecha. Pareciam uma família feliz.

- Eu não sei mais o que te dizer, Hassan, a ideia de vir nessa viagem foi sua. Eu disse que entenderia se você não quisesse que eu viesse, mas você insistiu e eu vim, agora me culpa por ter me divertido? Não posso sorrir ou ter um bom relacionamento com o pai do meu filho? Você sabe como a mídia adora uma WAG.
- O Luca é a coisa mais importante da sua vida e eu faço tudo pra te ver feliz, mas não imaginei que ele ainda te amasse. Enquanto estou trabalhando longe de vocês, tenho que ver essas fotos dele te olhando como se você ainda o pertencesse.
- Você está dando atenção demais a fotos sensacionalistas. Nós não planejamos que isso fosse acontecer, mas estou fazendo o melhor para o Luca no momento, sempre me dediquei a você e estive ao seu lado em diversas viagens e reuniões insuportáveis com empresários machistas. Na única vez que eu preciso que você fique ao meu lado sou tratada com desconfiança. Depois de 15 dias longe, ao invés de estarmos transando até amanhecer tenho que ficar me repetindo. Eu vou dar boa noite pro Luca e dormir com a Íris, espero que amanhã esteja disposto a conversar direito comigo, como dois adultos que se amam e se respeitam.

Como ficariam em Miami apenas três dias, não teria muito tempo para passar com Luca ou , já que estava ocupado demais treinando para enfrentar o maior rival do seu time. O que o jogador não imaginava era que aqueles três dias fariam por ele o que ele jamais poderia. sentiu sua falta todas as horas de todos os dias.
Com o tempo ela se esquecera de como amava conversar com ele, aquele que fora um dia o seu melhor amigo, sentia que com ele era uma relação fácil, descontraída. Com Hassan ela tinha uma imagem a seguir, não que não gostasse de estar sempre bem cuidada e bem vestida, mas às vezes queria sair com o noivo para ir ao cinema de tênis e moletom, mas por conta de quem ele era qualquer tipo de encontro se transformava em um evento. Há tempos a que era ficava confinada entre quatro paredes e ela só se deu conta do quanto se sentia presa até se ver sem maquiagem e descalça, deitada no chão do quarto gargalhando até chorar ao ver Luca usar toda sua maquiagem em , algo que Hassan nunca permitiria. O que ela não sabia era que o jogador só estava deixando que tudo aquilo acontecesse porque sentia falta da risada dela, um dos sons que ele mais amava ouvir na vida.

não podia negar que estava com medo do que aconteceria quando Hassan e se conhecessem oficialmente, havia pedido que todos saíssem para jantar juntos para se conhecerem e acabar com o clima que estava surgindo entre os dois homens e, apesar de ter prontamente aceitado, Jameel logo arranjou uma desculpa para não comparecer e ainda deu um jeito de levá-la com ele. Convenientemente ele havia sido convidado a atender um baile de gala na única noite em que o jogador poderia passar com eles.



jantava com o time no restaurante do hotel quando notou alguns jogadores o olharem rindo. Acabou se engasgando com a visão que caminhava em sua direção, arrancando uma risada de todos e um sorriso tímido de . A mulher estava simplesmente deslumbrante, usava um vestido longo de cetim vermelho rodado, com um decote em V que deixava seus seios ainda mais deliciosos do que ele podia se lembrar. A fenda que aparecia quando ela andava fez como que ele mal se lembrasse qual era o próprio nome.

- Posso falar com você?
- Cl..claro, eu já volto. - disse consciente de que parecia um otário.
- Me desculpa vir aqui assim há essa hora, sei que não deveria, mas…
- Não se desculpe, eu acho que nasci para te ver nesse vestido. Você sabe qual a minha versão favorita de você... - "nua, gemendo o seu nome", o respondeu mentalmente, ela pôde ver desejo nos olhos do homem à sua frente e, embora tenha descido sem muitas pretensões, ao vê-lo encarar seu decote sabia que tinha o procurado àquela hora de propósito, queria que ele a visse assim - Mas essa acaba de se tornar a segunda, você está absurdamente linda. - completou segurando de leve o colar de diamantes que a mulher usava, digno de uma rainha, assim como ele tinha certeza que era a sua rainha.
- Obrigada, eu queria me desculpar por ontem e hoje, esse encontro era importante para mim, para o Luca. Queria que ele entendesse como as coisas funcionam, ele está bem confuso do por que não temos nos falado e isso me parte o coração, mas o Hassan não está aceitando nossa relação tão bem quanto eu pensei. Ele diz que você me olha como se eu ainda te pertencesse. Estou tentando fazer dar certo, mas está mais difícil do que imaginei.
- Ele não está errado, quer dizer, eu não sei se você ainda me pertence, mas eu gostaria muito que sim. - falou deslizando seus dedos pelo braço descoberto da mulher até chegar em sua mão, a colocando sob a sua.
- O Hassan precisa ir embora no mesmo dia em que chegamos a Chicago, será que podemos conversar lá? Eu tenho uma coisa importante pra te contar, que pode afetar como você se sente por mim.
- Eu adoraria. - não sabia o que queria contar que era assim tão importante, mas duvidava que qualquer coisa que viesse dela poderia mudar a forma dele se sentir, se nem esconder um filho havia sido capaz de fazer isso.
- Ah, aí está você ma belle! - e viraram o rosto vendo Hassan se aproximar após chamá-la daquela forma em alto e bom tom. estava chocada, irritada, já profundamente magoado.
- Hassan! - foi dura em sua voz e mesmo assim o homem a ignorou.
- - disse estendendo a mão ao jogador, por um segundo pensou que fosse virar um soco em seu noivo. - Me desculpe por hoje, sabe como é, temos esse leilão beneficente, mas gostaria muito de tentar um encontro entre nós três para que eu possa te conhecer além de suas habilidades em campo. em breve será minha esposa e quero ter uma boa relação com o pai do meu enteado.
- Só marcar. - disse com o sotaque ainda mais carregado por estar em choque de tê-lo ouvido usar o seu apelido para ela - A me falou que você só fica um dia em Chicago?
- Sim, tenho uma reunião lá e logo volto pra Dubai. - estava quieta, observava a conversa sem saber como agir, queria desesperadamente desfazer o mal entendido com - Mas talvez possa acompanhar a e o Luca na próxima vez que forem te ver em Madrid.
- Eu preciso voltar agora - o jogador disse encarando a mulher com dor, não lembrava de uma vez sequer que tenha passado por algo parecido e estava odiando cada segundo daquela tortura.
- Bom jogo amanhã, hala madrid! - Hassan falou pegando na mão de para que seguissem seu caminho.
- … - tentou chamá-lo, sentindo a mão do noivo a segurar - Er, nos falamos amanhã? Para você conversar com o Luca, digo…
- Eu falo com a Iris. - respondeu na língua materna dos dois - Nem precisa me procurar, vou estar ocupado. - terminou dando as costas...
- Eu não sei o que você pretendia com esse showzinho, mas me chamar na frente dele de ma belle não te faz "ganhar a competição", me faz questionar quem é você, porque o homem que me conquistou no passado jamais faria uma coisa dessas comigo. Você traiu a minha confiança.

voltou para o seu jantar praticamente espumando, tamanha era a sua raiva naquele momento, imaginava diversos mundos em que nunca tivesse ido embora, que ele tivesse lutado por ela e que estivessem juntos, cuidando de Luca e se amando como nunca. Mas a realidade era muito diferente, estava magoado. Sentia como se tivesse fazendo papel de trouxa, todo esse tempo se declarando para ela sem saber que ela permitia que alguém usasse o apelido que era só deles. Sabia que ela era comprometida, mas aquilo lhe parecia e sentia como uma traição.



estava nervoso, não tinha falado com desde a última vez que se viram ainda em Miami. Por mais que ela tenha tentado pedir desculpas pelo ocorrido ele se recusou a lhe dar atenção, depois de tudo que vinha fazendo para que ela lhe desse uma chance, merecia que ela pensasse um pouco em suas ações. Ele podia aparentar ser durão, mas também tinha sentimentos, principalmente quando ela estava envolvida.

- Oi. - atendeu a porta e na hora notou que tinha alguma coisa errada, ela tinha o sorriso automático, um que não lhe alcançava os olhos - Obrigada por ter vindo.
- Eu estou esperando por esse dia há tempos, .
- Ah, você chegou. - ele sentiu seus ombros caírem e teve certeza que não conseguiu esconder o descontentamento ao ver Hassan - Eu adiei meu vôo para termos essa conversa, acho importante estarmos os três juntos.
- Claro. - encarou , que desviou o olhar do seu. - O que é de tão importante assim que você precisou ficar aqui?
- O Luca. - a mulher respondeu se sentando ao lado de Hassan e pedindo que se sentasse no sofá ao lado, de modo que ficassem bastante próximos.
- Ele está bem? - questionou preocupado procurando pelo menino, mesmo sabendo que se ele estivesse ali já teria corrido até ele.
- Sim, ele está com a Íris na piscina, mas a verdade… É que ele está longe de estar bem. - se moveu de forma a se aproximar do jogador para segurar em sua mão ao mesmo tempo em que sentiu a mão de Hassan lhe fazer um carinho nas costas.
- Como, como assim?
- Ele… - suspirou, vinha se preparando para essa conversa desde que reencontrou , mas agora que o dia tinha finalmente chegado, parecia não encontrar as palavras.
- Você já reparou como ele corre desajeitado? - Hassan tomou a frente, olhando para a noiva, preocupado. - Ou como a sempre o ajuda a se levantar?
- ? - soltou a mão da mulher, sem entender aonde os dois queriam chegar e o porquê dela estar deixando alguém que não tinha nada a ver com o filho deles tomar as rédeas da situação.
- Bom, o Luca começou a andar bem mais tarde que as crianças d...
- , eu não quero saber mais nada agora além de que porra vocês estão falando, não precisa enfeitar a verdade.
- Ele tem uma doença chamada distrofia muscular… - a mulher soltou num fôlego só, sentindo o peso das próprias palavras. - E não tem cura.
- O que é isso? - perguntou depois de um tempo com as mãos na cabeça. - E por que não tem cura?
- É uma doença genética que afeta só homens, quer dizer, mulher pode ter também, mas são casos raríssimos, como o meu caso. O Luca só tem isso por minha causa, a culpa é toda minha... de tudo. - confessou baixinho com os olhos cheios de lágrimas enquanto via o jogador se retrair, assustado.
- Você também tem isso? - perguntou sem saber como ainda estava ouvindo tudo aquilo sem desmoronar, seu filho e a mulher que amava tinham uma doença que ele nem sabia que existia?
- Tenho, mas eu só carrego o gene, eu tenho uma vida normal, eu nunca soube disso antes, descobri faz pouco tempo, junto com o diagnóstico do Luca. Se eu soubesse, , se eu soubesse que eu tinha isso, eu… - não aguentando mais o olhar duro do homem sob ela acabou deixando a tristeza tomar conta. Vinha chorando por meses, dias e noites se culpando por não poder ter dado o que tem de mais importante no mundo para o próprio filho: saúde. Mas ver o olhar de decepção de era ainda pior, tinha falhado não só com Luca, mas com o homem da sua vida.
- Não fala uma besteira dessas, . - Hassan falou nervoso, oferecendo um lenço para mulher - O Luca pode não viver para sempre, mas ele é o que tem de mais importante nas nossas vidas, ele merece todas as chances que nós podemos oferecer a ele.
- E o que essa doença faz? O que vai acontecer com nosso filho, ?
- Nossos músculos nascem com uma proteção, a distrofina, ela que os mantém fortes, mas... com essa doença, o Luca nasceu sem ela, por isso ele acaba se machucando mais fácil. O músculo vai morrendo, um a um, até chegar nos mais importantes que nós temos... Os que ficam no pulmão e no coração.
- Quanto tempo de vida ele tem?
- Ninguém sabe, o Luca tem acesso aos melhores médicos desde que descobrimos isso. Há dois tipos da doença, uma que é mais agressiva e outra menos, não sabemos ainda qual ele tem, estamos esperando alguns resultados médicos que ele fez antes de virmos pra cá, mas pode ser 15 anos, pode ser 30, a gente não sabe ainda.
- Quê? - parecia ter finalmente acordado - 15 anos? Você tá me falando que o meu filho pode não completar 18 anos de vida?
- ... - se levantou de seu sofá para sentar ao lado do homem - O Luca está se tratando há sete meses, ele sempre terá o melhor de tudo, há uma grande chance dele viver até os vinte e cinco, talvez até trinta.
- Até? - o jogador deu uma risada sarcástica, a olhando com nojo - Como você pode falar isso como se fosse normal viver até os trinta? Eu tenho 29 anos, , não fiz metade do que queria fazer na vida ainda e você tá aí me contando isso como se fosse normal?
- Claro que não é, , mas estou tentando te explicar da melhor forma possível. Eu sei disso há sete meses e venho tentando aceitar o fato, mas você está ouvindo isso pela primeira vez só agora.
- Eu não acredito nisso, ele é...perfeito.
- … - tentou mais uma vez se aproximar do homem, mas ele se levantou nervoso, andava de um lado para o outro esfregando as mãos na cabeça sem acreditar no que estava ouvindo.
- Não! Você sabia disso há sete meses, eu sei da existência dele há dois, por que não me contou isso antes?
- Porque eu queria que vocês criassem memórias felizes, que você o amasse antes de olhar pra ele como se ele fosse uma sentença de morte. Eu fiz isso por você, , não por mim ou por ele.
- Pra depois arrancar tudo de mim, de novo? Eu tinha feito as pazes com o fato de não estar ao seu lado no dia em que ele nasceu porque sabia que eu teria uma vida inteira pela frente. Agora você tá me dizendo que se ele morrer com 15 eu perdi quatro anos da vida dele? - já nem sabia o que pensar ou falar, tudo que ele queria fazer no momento era destruir qualquer coisa que aparecesse em sua frente.
- … - se levantou indo ao seu encontro, preocupada.
- Não, não chega perto de mim - falou impedindo a mulher de se aproximar e Hassan se levantou, preocupado - O que você está fazendo? Acha que eu vou bater nela? Ficou maluco? - gesticulou nervoso para o homem - E você tá fazendo o que aqui ainda? Não vê que esse é um assunto de família e você claramente não faz parte dela?
- ! - se aproximou cautelosa, não tinha medo dele a bater, sabia que ele jamais faria isso, ela só queria fazer uma coisa, abraçar como ela gostaria que ele a tivesse abraçado quando saiu do consultório médico em prantos ao descobrir sobre o filho. ouviu o homem chorar abraçado a ela por minutos, ou horas, não saberia dizer.
- Como você pôde, ? Você tirou de mim quatro anos da vida do Luca, quatro anos que eu nunca vou ter de volta, eu achei que eu tivesse significado alguma coisa pra você, eu te amo tanto, eu faria tudo por você, tudo, mas isso...muda tudo. - falou duro antes de se levantar e ir em direção à porta - Eu quero a guarda compartilhada, não vou perder um dia mais sequer da vida do meu filho por sua causa.



sempre soube que o dia que ela contasse para sobre Luca, que ela era portadora de uma doença que mataria o filho deles, ela o perderia para sempre e já tinha aceitado isso, mas vivenciá-lo foi ainda mais doloroso do que imaginou. Naquele dia, já sem forças para sequer levantar da cama, deixou que Hassan tomasse a frente da situação.

- Nós estamos indo embora, agora - disse para o jogador quando o encontrou brincando com Luca e pediu a babá que levasse o menino para tomar banho - Não é uma punição a você, eu quero que os dois possam pensar no que foi dito e esfriar a cabeça antes de se verem de novo. Você tem jogo e imagino que não foi fácil ouvir essas coisas. Peço desculpas por ter que levar o Luca, mas ele precisa da mãe.
- Tudo bem - disse por falta de saber o que falar. Talvez um tempo longe o ajudasse a colocar as coisas em perspectiva, queria tentar esquecer nem que fosse por um segundo tudo que ouviu para poder tentar focar em seu trabalho.
- Sei que aos seus olhos sou apenas uma terceira pessoa que não devia estar no meio da sua família, mas eu cuido do Luca há dois anos, ele é tão meu filho quanto seu. - disse duro, mesmo sabendo que isso poderia piorar ainda mais a situação - Eu também sou homem o bastante pra admitir que eu sei que a ainda te ama, eu sempre soube, mas nunca imaginei que um dia você fosse reaparecer em nossas vidas. O que você fez pra ela hoje, pra uma mãe que já se culpa todos os dias da vida dela por ter passado pro filho uma doença que ela nem sabia que carregava... Eu deveria te agradecer, porque eu não falaria isso nem pros meus piores inimigos. A é a melhor mãe que o Luca poderia ter e a mulher mais maravilhosa que existe no mundo, se um dia você falar com ela dessa forma de novo na minha frente, eu não vou responder por mim. - finalizou lhe dando as costas, mas logo voltou - Ah! Quando eu chamei a de ma belle, foi pra te afetar, ela nunca me permitiu chamá-la assim. Mesmo depois de você ter deixado ela de lado para seguir seu sonho, ela nunca falou mal de você, sempre te colocou em um pedestal. Eu prometi a ela que te pediria desculpas por ter falado isso, mas eu não vou.

nada disse, apenas saiu em direção ao filho para aproveitar cada segundo antes que ele fosse embora. Dedicou seus últimos dias nos Estados Unidos para treinar, se tinha uma coisa que o ajudava a clarear a mente era fazer o que mais amava. Já tinha lido milhões de sites sobre a doença e pedido a um dos médicos do time para explicar melhor o que ela era e se realmente não havia cura. Ele sabia que iria ao inferno para buscá-la se houvesse, mas não tinha.

Luca tinha chegado em sua vida para colocá-la no lugar, para lhe ensinar o que realmente importava. Luca era o significado da palavra amor, uma mistura exata e perfeita dos dois, e se recusava a acreditar que uma pessoa que tinha um poder tão grande em sua vida não estaria com ele até o fim da sua. Desde que o segurou pela primeira vez passou a ter muitos sonhos, queria levá-lo pra conhecer o resto de sua família, onde cresceu e jogou bola pela primeira vez e seu primeiro time. Chegou até a sonhar com o dia que sairiam juntos para comprar o primeiro carro, quando o ensinaria a dirigir, mas o mais importante, permitiu-se imaginar o menino crescendo feliz. Mas depois de tudo que havia descoberto nos últimos dias, ele queria apenas uma coisa, queria um futuro ao seu lado.
Mesmo absorto em pensamentos ouviu seu celular tocar.

- Oi, , tudo bem? Sou eu, Juliette Marceau
- Juliette? - disse ainda chocado com a ligação da pessoa que mais o odiou no mundo: a mãe de . - Eu não sei o que dizer, nunca achei que um dia você fosse me ligar. - ouviu a gargalhada da mulher em resposta.
- Tá tudo bem, eu imaginei mesmo que fosse ser uma surpresa, será que podemos conversar? Não quero te atrapalhar.
- Acredite, de tudo que tem acontecido na minha vida falar com você é uma das coisas mais simples do mundo.
- Eu queria te pedir desculpas por todas as vezes que te tratei mal, por não ter dito onde a estava, que você era pai... Eu tentei, desde que ela me contou que estava grávida eu tentei, mas ela sempre deu mais importância a sua felicidade. Ela dizia que te ver feliz era o que a fazia feliz e ela queria que você alcançasse seu sonho.
- É, parece que quando você alcança tudo percebe que não tem o menor sentido se você deixou partir a única mulher que amou na vida.
- E por que está deixando ela partir de novo então? - falou séria - , eu sei que disse que você não era homem para ela, que ela sempre seria só uma wag ao seu lado e que minha filha merecia muito mais, mas parece que o destino se encarregou de mostrar que é você e mais ninguém... muito menos ele. - a mulher deu uma risada fraca do outro lado da linha - Não deixa minha filha casar com aquele homem.
- Por que você tá falando assim? Ele não trata ela bem?
- Trata, até demais, mas se você acha que eu era uma péssima sogra é porque não conheceu a sogra da , desde a doença do Luca ela o trata como se o que ele tem fosse contagioso. Você sabe como as coisas são por lá, a pressão para que ele se case com alguém da religião dele, pra que se tenha filhos homens... Vocês se reencontraram por um motivo, eu sinto isso. Desde que vocês terminaram, eu nunca a vi tão feliz como no dia que ela te viu, apesar de tudo, disse que você estava ainda mais lindo do que já era e que percebeu que nunca amaria o Hassan como te amou.
- Ela... te disse isso? - sempre soube que entre mãe e filha não havia segredos, ouvir aquilo o fez sorrir como há dias não fazia. - Então por que ela aceitou se casar com ele?
- Porque você ainda não estava de volta na vida dela, ela teve que se contentar com o que apareceu de melhor depois de você.
- Ela não parece me amar mais, não como eu ainda a amo.
- Você é um grande idiota se acreditou que minha filha um dia te esqueceu. Desde que descobrimos essa doença nossas vidas mudaram muito, esse reencontro foi a certeza que eu precisava para finalmente entender que você é o homem certo pra minha filha.
- Eu nunca imaginei que um dia fosse ouvir sair isso da sua boca - confessou feliz, porém chocado - Eu não sei, Julie, ela me escondeu algo importante demais, duas vezes.
- Ela não fez de propósito, , ela te deu a chance de ter momentos com o Luca que agora que você sabe não poderá ter. Talvez ela tenha agido de forma errada, mas ela fez isso porque não há nada no mundo que ela não faria pelos dois homens mais importantes da vida dela, ela prefere sofrer do que ver vocês dois sofrendo. Você mais do que ninguém deveria saber isso.
- Ele parece tão perfeito… Eu o amo tanto.
- Ele é perfeito, com ou sem essa doença o Luca ainda é o filho de vocês e ele precisa dos dois juntos, não em continentes diferentes, se odiando, quando tudo que vocês querem é se amar.
- Eu não sei o que fazer.
- Você sabe, porque eu não estaria te ligando se não soubesse que só você tem o poder de mudar tudo isso. Quando você estiver em Madrid, liga pra ela, pede pra levar o Luca até você e não a deixe escapar de novo.



estava mais uma vez na porta da casa de , estava nervosa como há tempos não ficava, o jogador tinha pedido para ela levar o filho para que o pudesse ver e aquele era o primeiro contato que tinham desde o fatídico dia onde tudo havia desmoronado.

- Oi. - o jogador disse cauteloso e logo se abaixou para dar um abraço e beijo no filho – Oi, campeão, que saudade de você!
- Eu também, papai, mas a mamãe tava dodói, não podia vir antes.
- Doente? - encarou preocupado, com Luca já em seu colo.
- Não é…
- É, ela tava na cama chorando, dizia que doía aqui. - o menino tagarelava como sempre, apontando para o coração.
- Ele está exagerando - logo tratou de tentar corrigir o que Luca tinha dito, mas já era tarde, tinha um sorriso de lado ao vê-la corar - A mala dele está aí, eu trouxe a Íris, você quer que ela fique ou vá comigo?
- Vai aonde? - o jogador a olhou confuso.
- Pro hotel, onde mais? Eu e o Luca já conversamos sobre como agora que ele é grande pode ficar a sós com o pai dele. - falou firme para que o homem entendesse, sem confundir o menino.
- ... Espera aí. - foi até o carro e conversou com a babá, pedindo que ela saísse e levasse Luca para o quarto, voltando a se aproximar da ex-namorada que encarava o chão - Eu não quero que você vá a lugar algum, o seu quarto está feito.
- Eu achei que…
- Eu ainda quero você aqui. - falou ciente da ambiguidade da frase - Entra, vai ficar com o Luca, eu levo suas coisas.

havia deixado passar algumas semanas antes de finalmente responder as mensagens da mulher. Mesmo com a ligação de Juliette, precisou colocar a cabeça em ordem e, o principal, precisou de tempo para finalmente aceitar que aquele era o seu destino, havia perdido quase quatro anos da vida do filho e de quebra cinco anos sem , mas não mais, estava pronto para tomar uma atitude definitiva. Após ter certeza que Luca estava bem acomodado, assim como Íris, que descobriu ser uma enfermeira qualificada para cuidar do filho até quando fosse necessário, seguiu para o quarto da frente, que estava com a porta aberta. Fechou-a atrás de si, fazendo com que se assustasse.

- Eu não acredito que você guardou isso - ela disse quando ele parou ao seu lado. Ele tinha deixado sob a cama dela o moletom dele que ela usava quando ainda eram um casal.
- É a melhor lembrança que eu tenho de você. - admitiu encarando a peça na cama.
- Um dia você foi viajar quando eu estava trabalhando e não pudemos nos despedir, quando cheguei em casa tava largado na cama e dormi com ele, acho que nunca mais tirei.
- Eu só fui entender sua fixação com ele quando você foi embora e deixou isso para trás, foi a minha vez de usar ele para te sentir ainda perto de mim.
- … - lhe fez um pedido mudo, um que ele não ia acatar.
- . - o jogador a fez se virar de frente pra ele, pôde ver que seus olhos estavam vermelhos, cheios de dor.

Nos poucos meses que se passou desde que a reencontrou, via a mulher chorar mais do que vira em dois anos de relacionamento e ele estava disposto a fazer o que fosse para não vê-la chorar nunca mais. Antes que ela dissesse qualquer coisa, a abraçou, deixando que ambos pudessem fazer o que nunca puderam. Choraram a dor de se separar, a saudade que sentiram ao se ver, mas choraram principalmente como um pai e uma mãe que tinham o filho mais perfeito do mundo, mas que por algum motivo muito bizarro ficaria na terra muito menos tempo do que eles mereciam, mas, envoltos naquele abraço, os dois entenderam que Luca estaria pra sempre ao lado deles, em seus corações.
puxou para a cama, se sentando com as costas na cabeceira até que os dois pudessem se acalmar. Ficaram ali por muito tempo ainda, com a mulher deitada entre suas pernas enquanto ele fazia um carinho em seu braço.

- Eu te amo, mon beau - ouviu depois de um longo silêncio e fechou os olhos, saboreando o gosto das palavras que diziam tanta coisa.
- Je t'aime, ma belle! - ele devolveu sorrindo, sem acreditar como um simples apelido poderia mudar ainda mais aquelas palavras mágicas.
- M…
- Não diz mais nada, , não hoje. Hoje eu só quero nós dois como há muito não somos.
- Tudo bem, eu... Posso ficar aqui mais um pouco? - pediu o abraçando ainda mais forte.
- Pode ficar pra sempre, ma belle.

acordou feliz, tinha finalmente admitido para si mesma e para que ainda o amava, e não somente como o pai de seu filho, ela queria mais, queria por inteiro, pra sempre, mas ainda tinha seus medos e suas inseguranças. Tentou conversar com ele, mas a coragem lhe impedia todas às vezes. O "e se" a estava consumindo a ponto de se sentir claustrofóbica em sua própria mente. Tinha acabado de desligar o telefone com sua mãe, ouvi-la dar forças para que ela finalmente revelasse seu maior medo para o homem a fez rir, quem diria que a maior inimiga do casal seria a maior torcedora para que eles voltassem. O mundo realmente dava voltas.

- ? - ouviu o homem bater com cuidado em sua porta.
- Oi. - ela abriu, dando espaço para que ele entrasse - O Luca já está acordado?
- Já, está tomando café da manhã, eu disse que você estava no telefone com a sua mãe, mas que vinha te chamar.
- Tudo bem, eu queria falar com você - disse fechando a porta e se virando para o jogador que estava muito mais perto do que ela imaginou.
- Meu moletom. - encarava a peça no corpo da mulher da mesma forma que a encarou semanas atrás naquele vestido vermelho. Ele tinha muitos pontos fracos quando se tratava de , mas isso... tinha que significar alguma coisa.

Cansado de esperar, de conversar, não queria mais nada, ele queria somente ela, por isso deu um passo decidido para frente, encurralando a mulher entre a porta e seu corpo e a pegou no colo, finalmente se permitindo beijá-la com a saudade de cinco anos atrasados. Era como se o passado e o presente se misturassem e um amor que ele sempre soube que era poderoso e único se tornasse ainda maior do que já era. tinha se esquecido do gosto do homem à sua frente, do cheiro da sua pele, sua barba roçando em seu rosto e de como só ele a amava como ninguém. Conseguia sentir naqueles beijos como havia nascido para ser seu, assim como ela sempre fora dele. Se antes ele já era perfeito, os anos separados o fizeram ficar ainda melhor e a mulher sabia que ali selavam um futuro, o qual ela sequer poderia imaginar que um dia teria. Quando o ar finalmente faltou, separou seus lábios do dela notando o quanto estavam inchados, o quanto ela sorria e chorava ao mesmo tempo. Ele não pôde evitar sorrir junto, eles finalmente estavam se dando a chance que nunca deveria ter existido, porque a grande verdade era que eles nunca deveriam ter se separado.

- Como eu senti sua falta, mon beau.
- Como eu senti falta de te ouvir me chamar assim, de te ter no meu colo contra uma parede, usando a minha blusa e mais nada. - falou secando as lágrimas da mulher com os dedos, antes de beijar seu rosto - , nós precisamos conversar e acabar com isso, não dá mais pra mim, te ver dia após dia e não poder fazer nada está acabando comigo. Eu tentei aceitar que talvez a gente tivesse ficado no passado, que talvez ele fosse a pessoa certa pra você. Depois que você me contou sobre o Luca eu tentei te odiar...de novo, te deixar ir, mas não dá, você está aqui dentro de uma forma que ninguém nunca esteve. Eu te disse no passado que eu não sabia se um dia eu amaria alguém e eu estava certo, não amei, foi sempre você.
- Eu também nunca amei ninguém dessa forma, mas isso não está certo, , eu tenho um noivo. - disse vendo-o murchar e soltá-la com cuidado - Não é certo nem justo com nenhum dos dois, eu não sou assim. Por favor, não faz essa cara
- Não dá, eu tento fazer você se abrir, ontem você já fez a maior parte, dizendo que ainda me ama. E esse beijo, , não foi um erro, eu me recuso a deixar que você estrague o meu ontem e o meu hoje.
- Eu não vou - Ela disse decidida, colocando a calça que tinha separado para usar - Eu tomei uma decisão agora de manhã, eu vou voltar pra Dubai.
- Quê? - viu o olhar do jogador se transformar em dor e ela se recusava a ser a causadora daquilo mais uma vez. - Você tá indo embora, de novo?
- Não, mas preciso ir por uns dias. Você confia em mim?
- Eu quero muito, mas eu não sei o que você tá pensando.
- A grande verdade é que eu tenho muito medo do que vai acontecer daqui pra frente entre nós.
- Ma belle, você me escondeu um filho e uma doença, se até nisso meu amor por você falou mais forte... Peraí, você não está escondendo mais nada não né? Porque eu não sei se aguento.
- Não. - a mulher riu da cara que ele fez - Eu tô indo, mas o Luca vai ficar, eu volto essa semana e, quando eu voltar, eu prometo que vou te contar tudo que se passa aqui. - disse apontando para o peito e viu o homem assentir.
- Tudo bem, mas eu quero que você vá ciente do que se passa aqui - o jogador apontou pro próprio peito - Eu te amo e muito, e quando você voltar eu quero que você volte pra mim.

não se lembrava de ter se sentido tão feliz e certa do que deveria fazer como nas últimas 24 horas, se via com esperanças de finalmente conseguir seu final quase feliz, mas antes que ela pudesse tomar uma decisão sobre sua vida, ela precisava voltar para Dubai. Seu plano era ir embora apenas no último dia, com Luca, mas depois do beijo e da conversa que tinha tido com sua mãe e com , ela sabia que precisava fazer aquilo mais do que nunca, ou se arrependeria para sempre.



e estavam finalmente frente à frente. A mulher estava apreensiva, tinha demorado mais do que pretendia para voltar e agora sentia-se com medo de se abrir completamente, pois sabia que o jogador teria jogo no dia seguinte e que se ela falasse tudo que tinha para falar poderia influenciar em sua performance. Desde sempre aprendeu a filtrar as palavras e aguardar os melhores momentos para lhe contar coisas importantes, mas sabia que não conseguiria fugir dele até ele ter que ir para a concentração no final do dia, por isso tinha planejado exatamente o que dizer. Tinham passado o dia com Luca em um parque na cidade e agora o pequeno estava descansando. Os dois foram para o lado de fora da casa, se sentando nos confortáveis sofás que ficavam de frente para a piscina.
- Eu tenho medo. - soltou depois de dar um longo suspiro, buscando coragem.
- Medo de quê? - a encarou confuso, se aproximando para segurar em sua mão.
- De um dia você me odiar - confessou encarando o próprio colo - O dia em que o Luca acordar sem conseguir se levantar, o dia em que tivermos que comprar uma cadeira de rodas. Você vai me olhar e ver que fui eu a pessoa que causou isso tudo a ele. - terminou se permitindo olhar o jogador.
- Você tá brincando comigo né? - segurou em seu braço, ainda sem acreditar no que estava ouvindo.
- Claro que não estou. Você vai me olhar e me culpar por ter tirado esses anos dele ao seu lado e se lembrar que tudo o que está acontecendo é minha culpa. Culpa de não conseguir sequer ser uma boa mãe por passar pra ele uma doença que não tem cura, eu não mereço, você não entende? Eu não mereço ser feliz pelo que fiz a ele e a você. - disse levando sua mão ao rosto do homem, que fechou os olhos ao sentir seu toque. - Por isso achei que estávamos melhor separados. Quando penso no futuro, no dia em que o Luca não estiver mais aqui...você vai me culpar.
- ... Você está se ouvindo? - finalmente entendeu o que se passava na cabeça da mulher todos esses meses em que se declarou e ela nada falou - Não há nada que você poderia ter feito, você acha que eu não me culpo? Fico me questionando se eu tivesse ao seu lado talvez a gente tivesse descoberto antes, talvez se soubéssemos desde o começo a gente poderia ter tentando alguma coisa diferente, mas você , você me deu o maior presente que alguém poderia me dar. Sei que eu plantei a sementinha... - falou tirando um sorriso da mulher - Mas sem você não seria o Luca, seria outro e eu não quero outro, eu quero ele e eu quero você. Ele nasceu assim por um motivo, sei que parece injusto, mas tem que ter um motivo pra tudo isso e pra mim é pra que a gente fique junto de novo. Eu não te culpo, você não tem culpa de nada, ma belle - falou fazendo um carinho em seu rosto - O Luca tem a sorte de ter uma mãe como você, que mesmo sem o apoio do pai criou uma criança incrível. Eu tenho certeza que se ele pudesse, ele te escolheria mil vezes, assim como eu só escolheria você.
- Você acha? - perguntou parecendo uma criança e pôde sentir a dor que a mulher carregava consigo há oito meses.
- Eu tenho certeza, mas por que a gente não pergunta pra ele? - falou vendo o menino aparecer na porta do jardim com Íris ao seu lado.
- Ei, meu amor, descansou? - perguntou feliz pelo breve intervalo na conversa, nem tinha chegado à parte mais difícil de todas e podia sentir que o jogador estava ansioso pelo final.
- Ele não conseguiu dormir, , estava com saudade da mamãe ainda, né? Desculpe por atrapalhar, mas...
- Não tem problema, Íris. Filho... - o pegou no colo chamando sua atenção - Tenho uma pergunta: você ama a mamãe? Porque ela tá achando que não.
- Mãe, eu te amo do tamanho de um gigante assim ó. - falou abrindo os bracinhos.
- E eu te amo duas vezes o tamanho de um gigante, Luca. - sorriu para , que olhava os dois com amor e certeza.
- Eu te amo três vezes o tamanho de um gigante.
- Eu te amo cinco vezes o tamanho de um gigante. - provocou vendo o filho parar pra pensar com o cenho franzido.
- Eu te amo sete vezes o tamanho de um gigante.
- Então eu te amo cem vezes o tamanho do gigante. - falou rindo, vendo Luca parecer derrotado.
- Maman? - ele a chamou depois de um tempo em silêncio.
- Oi, meu príncipe?
- Eu te amo sete vezes o tamanho de um gigante.
- Mas sete é menor que cem, Luca! - disse rindo junto com e Íris.
- É que meu gigante é maior que o seu, mãe! - falou como se fosse óbvio, sem perceber que três adultos se encaravam emocionados. piscou pra como se dissesse "eu não falei".



tinha acabado de fechar a mochila que levaria para a concentração, sua conversa com não estava nem perto de terminar, mas foram interrompidos por Luca e ambos sabiam que ele sempre seria a prioridade. O menino tinha ficado bem sem a mãe, mas sentiu sua falta todos os dias e assim que ela passou pela porta não desgrudou dela um segundo sequer. O jogador entendia, ele mesmo queria grudar nela e nunca mais largar. Mesmo já tendo se despedido de e Luca, não se aguentou e resolveu falar com eles mais uma vez. Ao passar pelo quarto da mulher ouviu um barulho, estranhando entrou no local. O jogador a ouvia, mas não conseguia vê-la, caminhou em direção ao som e a encontrou sentada no chão escondida do outro lado da cama, chorando como nunca vira antes.
- O que foi? - perguntou preocupado, se aproximando da mulher.
- Ai que susto! - falou limpando o rosto rapidamente - Achei que você já tivesse ido. - disse se levantando, fingindo olhar alguma coisa no criado mudo para que pudesse se acalmar.
- Você tá me escondendo alguma coisa, não tá? - a mulher fechou os olhos ao sentir o toque do jogador em seu braço - Você me prometeu, , sem mais segredos.
- Não é de propósito, só estou pensando em você, mon beau. Vai lá fazer o que você ama, amanhã nós conversamos - falou abrindo um sorriso ao encará-lo.
- Fazer o que eu amo, nunca mais vai vir antes de quem eu amo. - disse se aproximando e segurando o rosto da mulher a sua frente, que presa em seu olhar voltou a deixar que lágrimas caíssem. - Me conta, mon amour, divide comigo essa dor, eu estou aqui por você.
- O resultado, o resultado saiu , o Luca tem a distrofia de Duchenne, a mais agressiva. Eu, me desculpa, por favor, eu peguei os resultados antes de vir e tentei segurar até amanhã, eu não sabia que você ainda tava em casa e ver ele assim, correndo feliz, me corta o coração. Por que ele?
- Xiii - a puxou para mais um abraço, mesmo sabendo que ele também precisava de apoio, mas sabia que só de estarem ali um para o outro, como há muito não estavam, já tornava aquela nova descoberta menos dolorida do que antes. - Tá tudo bem, , nós vamos passar por isso juntos dessa vez.
- Me perdoa, por favor? Se eu pudesse eu trocava a minha vida com a dele agora mesmo, eu faria qualquer coisa…
- Nós dois faríamos, mas agora o que nos resta é sermos fortes por ele e o ajudarmos a enfrentar todas as batalhas que virão por ai. Não há nada para perdoar se você nunca fez nada, não vamos encarar isso como um fardo, mas como o nosso destino. Luca será a criança mais feliz e amada do mundo.
- Ele já é. - sorriu trazendo o rosto do jogador para si, tudo parecia mais fácil ao seu lado - Vai lá ou você vai se atrasar. - disse selando seus lábios aos dele num gesto rápido, que deixou o jogador um pouco atordoado.
- Tem certeza? Eu posso lig…
- Tenho, a gente se fala à noite e amanhã por mensagem. Vai! - riu empurrando o homem em direção à porta.

Naquele dia tentou, ele fez tudo o que pôde para não desmoronar na frente dos dois, ele sentia que dali em diante as coisas seriam ainda mais difíceis, tristes e precisaria ser a força a qual e Luca se apoiariam. Mas o que nem ele poderia prever foram as lágrimas que caíram no segundo que entrou no carro, longe dos dois. chorou feito uma criança, tanto quanto no dia em que descobriu sobre a doença de Luca. Se antes o tempo já parecia curto, agora ele era raro. Ele não sabia qual seria o último dia que teria com o filho, mas ele viveria todos os próximos como se fossem aquele, porque tinha como nova meta de vida guardar. Guardaria cada momento ao lado de Luca, cada risada, cada frase, superariam juntos cada novo obstáculo que aparecesse. Cinco anos antes, se viu com muito tempo e mais nada a perder e agora ele tinha pouco tempo e tudo a perder, e ele sabia o que ele devia fazer. Ele perderia o que fosse, mas nunca mais os perderia de vista.
Naquela noite, no jogo contra o Valencia, perdeu, ele perdeu sua cabeça, o seu foco, sabia o quanto ele era vital naquela partida em especial e que todos contavam com ele, mas sua cabeça pela primeira vez não estava ali, estava no filho que o assistia em algum ponto do estádio. O garotinho que tinha lhe trazido tudo de volta. Ele tentou. Deu tudo de si, mas foram inúmeras tentativas de fazer um gol que nunca veio. Cada chute que dava parecia ser uma frustração que queria mandar ir embora, mas elas não iam, porque ao final daquele jogo, daquele mês e daquele ano, seu filho ainda teria uma vida muito menor que merecia. Ao chegar em casa naquela noite, acabado, com vergonha de sequer olhar os colegas de time, quem dirá e Luca, foi para o quarto e por lá ficou.
- . - era a terceira vez que a mulher batia na porta - Mon beau, eu sei que você está frustrado, mas você é pai agora, o Luca não entende porque você não quer dar boa noite pra ele.
- Me desculpa, eu vou lá agora, ele tá dormindo? - perguntou ao abrir a porta, abatido.
- Tá esperando você. - disse com um sorriso doce nos lábios. - Boa noite. - lhe deu um beijo no rosto.



estava na cama lendo um livro quando a porta se abriu com força, a assustando. a encarava, mas tudo que ela conseguia ver era a calça de moletom cinza que ele usava e mais nada. Absolutamente delicioso. Ela mesma só usava o moletom dele, quase como se suas peças de roupa formassem o mesmo quebra cabeça que eles eram, onde uma peça só encaixaria com a outra e mais nenhuma.
- Tá t… - sequer conseguiu terminar seu pensamento, pois num segundo a encarava da porta, no seguinte viu seu livro voar para qualquer canto do quarto, quando a tomou em seus braços, a beijando com toda a força de quem nunca mais iria deixá-la partir.

Aquela era a sua chance, o seu gol. O jogador sem pudores ou calma puxou o moletom da mulher por sob seu corpo, revelando seus seios que ele tanto amava ter em sua boca. Tinha sentido falta de cada parte, cada centímetro daquele corpo e ele não perderia mais um segundo sequer da sua vida do outro lado da porta. Era ali que ele pertencia e dali que ele nunca mais sairia. o encarava um pouco assustada, mas o desejo, a saudade, o tesão que ela sentia... ele podia ver em seus olhos, sentir em sua respiração. se moveu na cama de forma convidativa, engatinhou felino em direção a ela, como um tigre prestes a encurralar a presa.
- Eu preciso de você - suplicou com o olhar, sabia que aquele precisar era de corpo e alma.
- Eu estou aqui.
- Eu sei - disse olhando em seus olhos antes de se mover de forma que deitasse sob suas pernas e suas mãos segurassem as finas tiras de sua calcinha.

Antes de tirá-la, levou seus lábios à sua barriga, deixando um trilho molhado de beijos por todo o local, descendo com calma até suas coxas, revezando entre roçar sua barba e seus lábios na pele quente da mulher, como se tivessem a noite inteira. Porque ele sabia que tinha. Sem permissão, abriu as pernas da mulher para que tivesse ainda mais acesso ao seu corpo, passando suas mãos por baixo das coxas de , se ajeitando de forma a estar de frente pra ela, olhando no fundo de seus olhos quando finalmente deu atenção a sua virilha, se revezando entre mordiscar, lamber e beijar o local. A mulher que já estava com todo o corpo quente, arqueou as costas tentando aproximar ainda mais seu corpo ao do homem à sua frente. Puxou seu cabelo tentando demonstrar o quanto estava amando tudo aquilo, até sua barba raspando em sua pele estava a deixando ainda mais excitada, ainda mais pronta. Parecia que os anos longe um do outro não foram suficientes para acabar com aquela química, era como se uma velha chama tivesse sido reacendida e a cada beijo que ele lhe dava, ela aumentava ainda mais, queimando cada parte que o corpo dele a tocava.
- ... - murmurou seu nome sob um gemido e não conseguiu evitar outro, quando em resposta, ao ouvir seu nome saindo da boca da mulher daquela forma, fez com que ele finalmente lambesse toda extensão de sua intimidade ainda por cima da calcinha.
- Porra, , você está tão molhada, eu consigo sentir mesmo com você de calcinha.
- E por que isso te surpreende? Você viu o que está fazendo comigo? - falou apoiando os cotovelos no colchão para olhar em seus olhos.
- Eu nem comecei ainda, ma belle - respondeu abafado por ainda estar com a boca sob o tecido da lingerie - Mas pode ter certeza que vou te fazer gozar a noite inteira. - terminou mordendo de leve seu clitóris, antes de com um ágil movimento rasgar a peça que já se tornava coisa demais a cobrir o corpo da mulher.

ficaria a noite inteira ali se pudesse, chupando sua intimidade até que ele sentisse seu corpo todo tremer, para então começar tudo de novo, mas eram cinco anos separados, ele precisava muito mais do que aquilo, ele queria estar dentro dela de uma forma que nunca estivera antes. Introduziu dois dedos em sua vagina, antes de começar o trajeto de volta a seu rosto, não sem antes parar em seus seios que pareciam ainda mais convidativos do que nunca. Enquanto se ocupava em deixá-la ainda mais molhada, seus dedos foram até a boca da mulher, dividindo com ela o seu próprio gosto. Poucas coisas eram mais sexy do que ver chupando seu dedo sensualmente, o encarando como se tivesse com seu pênis na boca, por alguns minutos se permitiu admirar a cena, a mulher era pura luxúria e prazer, prato cheio para o seu membro que ficava cada vez mais duro. sentia-se entorpecida com a troca intensa de olhares que davam, desceu seu olhar pelo corpo do homem, tão gostoso, sabia que precisaria de meses com ele dentro dela até se acostumar que tudo aquilo era seu de novo. Suas mãos alcançaram o volume que a calça já não conseguia esconder, sorriu maliciosa ao puxar com calma a peça para baixo, fazendo com que seu maior objeto de desejo em toda vida aparecesse. nu era a visão mais linda do mundo, ele era glorioso, poderoso, uma clara afirmação de que tamanho e qualidade podiam sim andar juntas, e como andavam. Começou a masturbá-lo, observando o jogador fechar a mão junto à dela, não porque ele queria que ela o fizesse diferente, apenas porque queria sentir sua mão junto à dela. decidiu se livrar da calça, a jogando em um ponto qualquer da cama, rapidamente se colocando por cima da mulher de novo. Para deixá-la ainda mais cheia de tesão, pressionou seu membro contra a sua intimidade, lubrificando a si mesmo com o liquido que parecia escorrer por entre as pernas de .
- Eu vou te comer, , eu vou te amar como há cinco anos eu não faço, não me peça pra parar, por favor.
- Eu não quero que você pare. - disse firme, decidida.
- Mas...e isso? - apontou para o anel que tinha no dedo da mulher.
- Isso?! - disse misteriosa, encarando a própria mão - Isso eu esqueci de tirar. - falou finalmente tirando o anel do dedo, o jogando no chão de qualquer forma.
- V...você…
- Sou sua. Pra sempre.
Com aquelas palavras, ao invés de sorrir os olhos de escureceram um tom, ela era sua, finalmente sua e de mais ninguém. A penetrou sem aviso, olhando no fundo dos seus olhos, sem piscar nenhuma vez. entendeu que ele queria que ela também não perdesse um segundo sequer do que acontecia naquele quarto àquela noite. Ele era dela, só dela, nunca tinha pertencido a mais ninguém. poderia ter passado anos comendo muitas mulheres, mas só ela lhe causava aquele sentimento, aquele olhar. Um olhar que ele dava quando estava onde sempre quis estar: dentro dela. A saudade que sentiam um do outro era tanta, que nem perceberam quanto tempo ficaram naquela ação e, ainda assim, queriam ficar ali pra sempre.
- Antes de você gozar pra mim - riu ao notar a irritação da mulher quando ele parou de se movimentar sob ela - Não fica brava, ma belle, eu só quero te fazer uma pergunta - disse voltando a se movimentar lentamente dentro da mulher e, para provar que a faria ver estrelas, se apoiou na cama apenas de um lado e com a outra mão tocou seu clitóris já inchado, pressionando-o, fazendo a mulher fechar os olhos em prazer. - Casa comigo? - falou baixinho num sopro, sua boca a milímetros da dela, ainda se movimentando com calma, apreciando o momento em que ele se lembraria pro resto de sua vida. O dia em que ele conquistou sua família de volta.

não conseguia focar em mais nada, parecia que tudo ao seu redor estava desfocado, menos ele. Ele que sempre foi o seu ponto de partida e agora era o seu ponto de chegada. Ele continuava a se movimentar dentro dela enquanto seu dedo circulava seu clitóris, aumentando ainda mais o prazer que ela teria. Ela iria gozar em breve, dos seus dois pontos ao mesmo tempo. Se tinha um homem que sabia como fazer isso com ela, era .
- Eu te amo tanto, , você é a pessoa mais especial em minha vida, a responsável por tudo que eu sou e tenho. Sem você eu não seria nada, eu fui um nada. Casa comigo, ma belle, vamos ser uma família, me deixa ser seu pro resto da minha vida?

viu seus olhos se encheram de lágrimas e ele entendeu o que aquilo significava, às vezes quando estava prestes a ter um orgasmo ela chorava. Nas primeiras vezes que isso aconteceu ele se assustou, mas quando passou a conhecê-la percebeu que aquilo significava que ele estava dando a ela algo tão único e especial que a fazia chorar de prazer. Ela assentiu sorrindo, puxando o rosto do homem para si o beijando com força, murmurando um sim abafado antes de morder seu lábio inferior em desejo, amor e paixão, fazendo com que ele voltasse a aumentar a velocidade em que a penetrava, sentindo todo seu corpo estremecer. Era um sim, era o sim mais esperado de sua vida.

Muitas pessoas diziam que futebol era sua religião, para o jogador realmente fora por muitos anos, mas ao finalmente se aliviar dentro dela, descobria que na verdade aquela mulher na sua frente era a sua religião. A única a qual ele se dedicaria pro resto de sua vida.


Fim.



Nota da autora: Eu estou muito curiosa para saber o que acharam, foi um custo conseguir fazer tudo caber em 40 páginas e tive que deletar mais de 10 já escritas para conseguir fazer caber o final. To aqui morrendo de medo de com isso ter tirado parte da essência do que eu queria passar e triste por não ter conseguido escrever tudo o que queria.

Sobre a distrofia muscular:
Eu resolvi abordar a doença porque faço trabalho voluntário em uma ONG para crianças e adolescentes com doenças que encurtam suas vidas e pra mim a distrofia é uma das mais tristes, pois você nasce saudável e vê seu corpo te falhar até que a única coisa que resta é a sua mente, e não a nada que ninguém possa fazer para te ajudar.

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Beijos,

Carol.





Outras Fanfics:

7 da Sorte (Cristiano Ronaldo - Em Andamento)
01. Mark My Words (Ficstape Justin Bieber - Purpose)
10.Life is Worth Living (Ficstape Justin Bieber - Purpose)
12.Truth (Ficstape Zayn - Mind of Mine)
09. Hearts Don't Break Around Here (Ficstape Ed Sheeran - Divide, continuação de 12.Truth)
03. Beautiful to me (Ficstape Olly Murs - Never Been Better)
04. Losing My Mind (Ficstape Charlie Puth - Nine Track Mind)

Nota da beta: Ai gente, eu ri e sofri demais da conta nessa fic. Morri de amores e de tristeza muitas vezes ali. Mas o que importa é a existencia de Luca... Eu quero essa criança pra mim!!!! E MEU CASAL ACABOU JUNTO, GLÓRIA, GLÓRIA!!! Queria agradecer primeiramente a Deus e segundamente a Carol mesmo hahaha Parabéns, Carol, foi lindo! Xx-A

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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