Capítulo Único

Às vezes eu paro pra pensar em como a vida nos prega peças. Algo como um acontecimento estranho ali, um resquício de pessoas do passado por aqui. E milhões de pedaços que se juntam para montar um quebra cabeças.
Me deparei com aquele quebra cabeças apenas anos depois de tê-lo conhecido.
Vamos dar nome aos bodes.
O nome dela era .
Vou te falar a verdade. Nunca fui desses que deixa algo passar. Que deixa alguém passar. Pelo menos que tivesse bunda e peitos. Não, de jeito nenhum. deixando alguém passar? Pode ter certeza que meus amigos puxavam minha orelha.
Mas aquela era uma situação diferente. Ela era algo impossível pra mim. Algo que não estava a meu alcance. Algo que namorava. Com Knox Winter. E quando o ensino médio acabou eu tive certeza que nunca mais nos veríamos. Quem diria que eu estava errado, não é mesmo?

Era início de ano e eu e meus amigos resolvemos fazer aquilo que fazíamos de melhor. Juntar uma galera, arranjar violões, sacolas de dormir e ir pra praia. O calor da cidade sumia quando estava de noite e aproveitávamos pra fazer uma fogueira. Um típico lual.
- Chamou todos, Sam? - Jack perguntou enquanto tirávamos de seu baú mais um violão. Daquela vez o luau viraria logo uma festa, tamanha quantidade de instrumentos.
- Chamei - ele confirmou. - E tem gente nova também. Ou velha - tentamos entender o que ele disse, mas aquilo definitivamente não esclareceu muitas coisas. Olhei pra ele com uma devida interrogação no lugar dos meus olhos e ele deu de ombros. - Entenda como quiser.
Bom, se não era algo pra se incomodar, eu é que não iria fazer isso, certo?
Assim que terminamos de colocar pelo menos um pouco da bagunça em seu devido lugar, pegamos as mochilas que tinha comida e coisas que precisaríamos pra fazer daquilo realmente um bom luau e fomos andando pra praia, que não ficava longe dali.
- Animados? - German, um colega de escola apareceu ao nosso lado, dando um susto na gente, quando estávamos já na orla da praia.
- Ei, bro - Jack, que era o único que não tinha muitas coisas na mão, deu um abraço de lado nele e foram conversando baixo enquanto eu e Sam reclamávamos de como estavam pesadas as mochilas que carregávamos. Colocamos chumbo e não percebemos?
Assim que encontramos a fogueira que Dan disse que estaria montando, e a nossa espera, despejamos todo o peso que estava em nossas costas na areia e ele falou, logo chamando nossa atenção.
- Trouxe o que? Comida para um batalhão? - ri sem achar graça e olhei em volta, vendo se mais alguém estava chegando. Vi umas garotas desconhecidas surgindo do outro lado da praia e me animei. Realmente seria um evento muito maior que o normal.
- Bom, as bebidas vêm de todas as pessoas, mas as comidas tem que sair de algum lugar, né? - Sam disse tirando diversos tipos de comida que tínhamos conseguido, que ia desde comida japonesa a pacotes de biscoito recheado.
Dan riu e bateu com um dos ombros no do garoto ao seu lado, fazendo-o se assustar e reparar que as garotas finalmente tinham chegado perto da gente.
- Ei - uma delas falou animada.
- Ei, Lucy. Tudo bom? - o tal garoto perguntou, se levantando, indo pro lado dela e tomando distância enquanto engatavam numa conversa. Já que a amiga se foi, a outra se sentou perto de Dan e começou a papear. Pelo visto os casais estavam começando a serem formados.
Levantei as sobrancelhas levemente e Sam reparou.
- O que foi? - perguntou.
- Nada - dei de ombros. - Só tô reparando que vão ter muitos casais por aqui hoje.
Ele também olhou em ambas direções e mandou um olhar estranho pra mim.
- Eu é que não vou fazer par com você - riu da própria piada e eu fiz o mesmo, mostrando o dedo do meio pra ele. Típico de Sam.
Sentei na areia, curvado e fui vendo mais pessoas chegarem. Todos nos cumprimentavam e iam pra seus respectivos grupos, que daria no nosso grupo final. Em certo momento, senti uma dor começar a invadir cada parte das minhas vértebras e resolvi levantar. Dei um leve impulso e, sem querer, bati meu ombro contra o tronco de uma garota.
- Desculpa - falei a olhando e encontrei seus olhos. No primeiro segundo fiquei confuso. Eu conhecia aqueles olhos. Depois vi a boca. Seus lábios se expandiram e me deram um sorriso, e logo depois um “ok”, que não escutei, apenas li.
Dei um passo pra trás tentando lembrar da onde conhecia aqueles traços e então a memória veio com uma onda forte. Era ela. . O que ela fazia ali?
Ela passou pelos grupos dando a volta e, assim que virou de costas, olhou por cima dos ombros na minha direção. Ok, eu realmente não esperava por aquilo.
Meu coração batia forte pelo susto e eu os abri ainda mais tentando deixar pra lá o acontecimento. Pensando que ela foi apenas uma garota que eu curtia muito no ensino médio. Que nada iria acontecer. Aliás, ela tinha a amiga que estava com ela. E mais amigas. E também um garoto que havia acabado de chegar e foi se agrupando a elas. E sem contar que eu não teria nenhuma coragem de falar com ela. Não mesmo. Zero coragem.
Olhei pro mar na busca de respostas pras perguntas que me apareceram e ele não me deu mais nada além de mais ondas. Mais acontecimentos antigos. Droga, eu realmente não iria deixar o passado no passado.
- Ei - senti uma mão sendo pousada no meu ombro. Olhei pro dono dela e Jack me sorria. - O que faz aí? Vem se juntar com a gente! - falou apontando pra onde ele estava com meus grupos de amigos. Dei de ombros e fui me juntar a eles. Ignorar a presença da antiga crush de escola era a melhor coisa a se fazer agora.

🌊🌊🌊

Tudo errado. Eu estava extremamente errado quando achei que ignorar seria fácil. Com o tempo, os grupos foram se juntando e esquecemos que aquela barreira invisível realmente existia, rompendo-a e conversando sobre tudo. Conversa vai, conversa vem, quando percebi já estava conversando com Nico, o garoto do grupo dela.
- Chega aqui, ! - ele falou quando tinha se levantado e ido pra perto de e suas amigas. Senti minhas bochechas esquentarem quando levantei e fui pra perto dela, mas tentei me enganar pensando que era culpa do calor que a fogueira emanava. - Essas aqui são Hellen, Joan e - falou apontando pras cada uma e sorri pra todas, tentando não aumentar o sorriso quando ele chegou em .
- Prazer - falei olhando pra Joan, que parecia a mais simpática, já que tinha os olhos abaixados visualizando o celular. Era a quinta vez que ela olhava em menos de uma hora e eu pressentia que tinha algo errado. Nada eu poderia fazer, mas algo me incomodava.
Me sentei perto delas e entramos num assunto que sempre era bom pra começar a se conhecer: música. Falamos sobre nosso gosto em comum, rock, e depois fomos passando por cada gênero e frisando os que gostávamos ou não, causando pequenas discussões, mas que conseguimos manter com um certo respeito. Elas pareciam simpáticas, tirando que já estava me irritando por tirar o celular de dez em dez minutos do bolso. Nem com a minha presença ela parou.
Bom, não é como se isso fosse mudar algo, mas pensei que comigo perto dela, daria mais atenção pra conversa que ali pairava.
Percebendo que eu olhava amiga toda vez que ela fazia isso, Hellen também a olhou e a questionou, com um tom não muito agradável.
- O que tanto vê aí, ?
A garota deu um pulo de susto quando ouviu a amiga se referir à ela e ficou corada quando percebeu que a conversa parou por aquele motivo. Tínhamos todos os olhos em cima dela, acusando-a de algo, e era fácil ver que ela estava intimidada.
- E-eu - ela parou e respirou fundo - só estou vendo se tem alguma mensagem e… - dessa vez foi Joan quem a interrompeu e tirou o celular da mão dela.
- Não acredito que você ainda não superou esse garoto - falou rolando os olhos.
- Não tem nada a ver com o Knox, Jo, é sério! - ela falou olhando pra baixo e cutucando suas cutículas. Deu pra reparar bem porque eu também fazia aquilo quando estava chateado.
Por todo aquele tempo eu tentei fingir que não tinha nada de errado, mas naquele momento senti que eu podia fazer pelo menos uma pergunta.
- Está tudo bem?
Ao escutar minha voz, ela levantou os olhos e me encarou. Algo nos olhos dela brilharam, mas eu fingi que nada aconteceu e apenas esperei a resposta dela.
- Está sim, eu só… Não saia fazia muito tempo, então não sei como socializar mais - ela riu sozinha e deu de ombros, fazendo Hellen, que estava mais próxima dela, a abraçar pelo ombro. Elas sabiam o que havia e eu tinha certa noção do que podia ter acontecido também, pelo simples comentário de Joan.
Knox tinha a dispensado. E ela estava mal, claro. Fazia sentido até demais. Era uma pena… Ou não. Numa hora ou outra eu sabia que aquilo aconteceria. Só não sabia que ela ficaria tão mal. Que eu presenciaria ela daquela forma. E que, principalmente, eu teria vontade de abraçá-la sobre a luz da lua e fazer carinho em seus cabelos só pra deixar ela dormir ali e ficarmos o resto da madrugada ouvindo meus amigos cantarem.
Que droga. Da onde estava saindo todo aquele sentimento por ?
Espantei meus pensamentos e apenas a olhei. Nossos olhares se cruzaram e eu sorri pra ela, pensando se eu podia fazer algo. E, bom, eu podia.
- Ahn. Vocês querem conhecer meus amigos? - perguntei apontando pra eles que agora tentavam começar a primeira música de nosso luau.
- Pode ser - as amigas dela falaram sorrindo e ela deu de ombros.
Fomos na direção que Jack, Sam e os outros estavam e eu as apresentei. Foi só eu piscar que todos conversavam como se fossem amigos de infância. A não ser , que continuava recolhida e com celular na mão.
Cheguei de fininho perto dela e falei.
- Eu te juro - ela levou um susto, e um vinco apareceu em sua testa. - Meus amigos são muito mais legais que seu celular - ela sorriu e olhou pra baixo, dessa vez pra areia. Menos mal.
- Acho que o problema sou eu, mesmo - deu de ombros mais uma vez e, quanto mais ela fazia isso, mais irritado eu ficava.
- Deixa disso. Tenho certeza que você se daria bem com eles - falei e apontei com a cabeça pra eles. Ela os olhou e depois olhou pra mim, como se procurasse coragem pra falar algo.
- Prefiro ficar aqui.
Aquilo foi como mais uma onda forte e eu quis abracá-la, mas me contentei apenas em sorrir de canto pra ela. Era estranho como não precisávamos de muitas trocas de palavras pra nos conhecer. Toda vez que nossos olhares se cruzavam, eu sentia que era mais fácil descobrir todos os segredos dela daquela forma do que através das palavras. Se é isso que chamavam de conexão, pois bem, eu acho que tinha isso. Entre nós.
Quando percebeu que estávamos nos olhando por muito tempo, desviou o olhar pro outro lado e eu olhei pra frente, sem saber o que fazer.
Vim aqui para tocar e me divertir, mas estava prestes a, qualquer minuto, beijar a garota à minha frente. E eu pensando que podia ignorar aquele sentimento…
Bufei e me levantei, fazendo-a levar um susto, olhando-me novamente. Abaixei o olhar sentindo os dela sobre mim e ela perguntou.
- Tudo bem?
Eu apenas assenti e comecei a andar.
Nem tentei olhar pra trás, pois sabia que receberia olhares reprovadores dos meus amigos pedindo pra eu voltar.
Eu não queria voltar. Queria andar e esquecer dos olhos dela.
Seria muito clichê se eu falasse que queria que ela viesse atrás de mim? Quem sabe não nos sentávamos, eu faria ela esquecer de Knox, ela me faria esquecer dos meus sentimentos confusos e apenas nos concentraríamos em nos desconcentrar? Talvez desse certo.
Tanto faz. Rolei os olhos.
Depois que peguei certa distância da fogueira, resolvi me sentar na areia agora gelada, e esticar as pernas, sentindo, de leve, o mar bater ali. Nas pontas dos meus dedos. Como se ele quisesse me encontrar, mas eu só estava ali pra sentí-lo.
Olhei de volta pro luau já formado e vi ela me olhando de longe.
Eu não sairia dali. E ela não sairia de lá.

🌊🌊🌊

Devia ser 4h da manhã quando reparei que poucas pessoas ainda estavam lá. Até Jack já tinha ido embora com os meus amigos, então me surpreendi quando vi que um dos únicos que sobraram foram Sam, Kiegran, Polly e… ? Ela definitivamente não combinava com aquele grupo. Tinha visto ela conversando com Polly durante a madrugada, enquanto eu conversava com Nico e Sam, mas não imaginava ela conversando com meu melhor amigo.
Estava deitado na areia devia fazer meia hora e me surpreendi quando desviei o olhar das estrelas e senti alguém perto de mim. Pensei em Sam. Vi .
- Oi - ela falou sentando-se ao meu lado.
- Oi - falei apoiando-me num cotovelo, pensando se devia me sentar de vez.
Ela me olhou, intrigada, e abriu a boca pra falar. Fechou e abriu de novo, agora certa de que devia falar, o que quer que fosse.
- Porque está aqui sozinho faz… - pareceu pensar rápido e falou - duas horas?
Ri em como ela foi precisa quanto ao horário e dessa vez me sentei. Ela queria conversar, então? Ok, iríamos conversar.
- Estava contando o tempo? - abri um sorriso e ela sorriu de lado, olhando pra baixo. Sempre encantadoramente tímida. Adorava isso nela.
- Só… reparei, mesmo - falou olhando pro mar, agora. Também olhei e fingi que não tava com vontade de perguntar o que ela estava fazendo ali. - Você gosta de ficar sozinho? - ela perguntou antes que eu pudesse pensar em falar qualquer outra coisa.
- Acho que sim - pensei nos poucos momentos que fazia aquilo, mas que realmente me faziam bem. Devia fazer mais. - É, acho que sim - concordei mais uma vez. - E você?
Dessa vez falei olhando pra ela, que logo sentiu meu olhar e devolveu o seu.
- Mais do que o normal - riu, constrangida, e eu achei adorável. Lembrei que, mais cedo, ela estava ainda mais retraída e resolvi questionar.
- Hm… Posso te fazer uma pergunta? - ela pareceu pensar se devia deixar eu fazer a pergunta mas finalmente sorriu e assentiu. Alinhei meus lábios antes de perguntar, mas soltei rápido antes que me arrependesse. - Você e o Knox acabaram o… namoro?
Ela não pareceu se sentir incomodada com a pergunta, mas sim triste. Olhou pra areia antes de olhar pro mar de novo e respondeu.
- Sim - e depois olhou pro outro lado, pra mim e voltou olhar pro mar, como se agora sim estivesse incomodada. - Podemos mudar de assunto?
- Oh, desculpa - falei quando percebi que não devia mesmo ter falado aquilo. Ela sorriu forçada e falou.
- Tudo bem, eu só… não estou preparada pra uma conversa sobre isso agora.
Repuxei um sorriso desinteressado e ela olhou pra onde Sam e Polly estavam, agora sem Kiegran para interromper as outras coisas que eles faziam.
pareceu ter uma ideia e foi até eles, de fininho, e pegou um violão, que descobri quando ela voltou que era o meu mesmo. Entregou-me quando voltou e falou.
- Eu sei que você toca bem - falou sentando-se de novo e cruzando as pernas. - Vou ser chata se pedir pra você tocar alguma música agora? - ela me olhava parecendo tentar ler meus pensamentos. Sorri com o que ela falou e balancei a cabeça.
- Não, mesmo. Vai ser um prazer tocar agora - sorri e repousei o violão nas minhas pernas, deixando-a na posição certa e lembrando de uma música quando reparei que o céu mudava de cor mostrando que logo seria 5h da manhã.
Toci um pouco ajeitando minha voz e comecei a tocar, logo depois cantando.
- When you’re on a holiday, you can’t find the words to say, all the things that come to you, and I wanna feel it too… - senti os olhos dela sobre mim e sorri com os meus pra ela também, continuando a cantar. - On an island in the sun, we’ll be playing and having fun, and it makes me feel so fine, I can’t control my brain.* Continuei a cantar e reparei que ela mexia a cabeça no ritmo, o que me fez sorrir ainda mais e cantar outras músicas da Weezer. Ela pareceu ter gostado e depois entramos numa conversa sobre música, dessa vez sobre nossa música.
Quando reparei já eram quase 6h da manhã e ela tinha a cabeça apoiadas nas minhas pernas, e eu as mãos em seus cabelos, fazendo um leve carinho. Foi questão de horas pra nos sentirmos mais próximos do que nunca e tentarmos fazer o que sempre queríamos. Ou pelo menos o que eu sempre quis e ela correspondia toda vez que me olhava.
E como se não tivesse oportunidade melhor, ela falou.
- Obrigada.
- Pelo quê? - perguntei.
- Pelo final de noite - respondeu desviando o olhar.
- Mas não acabou… - falei dando a entender alguma coisa e dessa vez ela me olhou.
- O que? - seus olhos demonstraram a confusão que devia estar em sua mente. Tirei um pouco do cabelo que tapava seus olhos e cheguei meu rosto perto do dela, que moveu o dela pra cima e me roubou um beijo. Foi um simples selinho mas que me fez despertar.
Ela também queria. Claro que ela também queria.
A noite foi rápida, a madrugada também e, provavelmente, a gente também. Mas não nos importávamos. Tínhamos deixado tanto tempo passar que só queríamos recuperar ele.
E ficamos ali. Nos beijando debaixo do sol que nascia e rolando pela areia. Brincando um com o outro e mantendo aqueles olhares que nasceram com a gente pra ficar sempre com a gente também. Queria que tudo parasse ali, que aí não precisaria voltar pra casa. Voltar pro mundo em que ela não fazia parte da minha vida.
Mas ela me seguiu e fomos parar na porta da minha casa ainda nos beijando.
- Tchau - eu disse sem deixar ela sair do contato de nossas mãos.
- Tchau - ela falou sorrindo e me dando um selinho. Saiu correndo até o fim da rua e depois de um tempo já não estava mais no meu campo de visão.
Fui andando pra dentro de casa com meu violão e pedindo, desejando, para que aquilo não tivesse sido um sonho. Não podia ter sido um sonho. Não podia.

🌊🌊🌊

Pensei que seria tudo coisa de um dia. Que eu e não iríamos nos encontrar mais.
Todavia, de alguma forma, eu também estava errado quanto àquilo. Quando meus amigos descobriram que eu finalmente tive coragem para tomar uma iniciativa, e beijá-la, eles não perderam uma oportunidade de nos colocar no mesmo ambiente.
Já tínhamos ido à todos lugares da cidade possível.
Barzinhos, casas de shows, ao jardim, parque de diversão, pontos turísticos, e todas as vezes eles conseguiam me deixar sozinho com ela e trocar vários beijos e mãos bobas. Nunca havia passado daquilo e não é que eu não quisesse, mas eu sabia quando poderia passar.
O último convite deles havia sido para formatura da última turma da nossa antiga escola, a qual nunca tinha dado dinheiro pra nenhuma formatura, na verdade. Todos ficamos bem chateados quando lembramos que não tivemos nenhuma comemoração quando saímos da escola e agora todas as turmas tinham. Mas George, um colega nosso que estava se formando lá, não perdeu a oportunidade de chamar toda a turma para a formatura dele.
Estávamos todos sentados numa mesa, conversando sobre como aquelas festividades haviam mudado. Antes era uma formalidade que só. Aquela estava uma verdadeira bagunça.
Havia tema e todos foram fantasiados, já que era à fantasia. Eu e meu grupo evitamos micos e resolvemos apenas levar apetrechos. Não queríamos que rissem da gente.
Eu também havia levado um violão, já que estava aprendendo a tocar uma música que havia achado na internet naquela semana e queria cantar pra . Mas o que eu não esperava é que meus amigos se animassem mais que eu pra aquilo.
- Vai pedir ela em namoro? - Jack perguntou com a boca perto do meu ouvido pra ninguém mais escutar, enquanto conversavam sobre outra coisa. Meus olhos saltaram, não por surpresa, mas pela ideia boa que Jack me deu.
- Não, mas… Boa ideia! - eu sorri pra ele o abracei pelo ombro, que sorriu e piscou pra mim. Tirou algo de dentro do bolso dele e logo reparei que era uma bolinha com um anel em volta. Olhei pro rosto dele sem entender e ele falou.
- Não? E o que foi isso que encontrei no seu quarto esses dias? - perguntou levantando uma sobrancelha, o que me pegou desprevenido. Era um anel velho que havia comprado pra dar à uma antiga namorada minha, mas que acabou o que tínhamos começado no mesmo dia que eu ia pedi-la em namoro.
- Não é pra ela… - falei sentindo meu rosto ficar quente. Ele me olhou confuso.
- Mas você não… - o parei quando vi que ele entendeu errado e consertei o que ele havia pensado.
- Jack, isso é antigo. Não é pra ela - falei fechando a boca e olhando pra baixo.
- Ah - ele começou a entender. - Mas porque não dá à ela? - dessa vez levantou as duas sobrancelhas e me fez olhar pro objeto. Realmente, era mil vezes mais a cara de do que de Halsey. Talvez estivesse o esperando para colocar no dedo da pessoa certa.
Uma sensação estranha, que eu só tinha quando beijava , passou pelo meu corpo e eu soube o que fazer. Era a oportunidade perfeita.
Peguei-o da mão de Jack, que sorriu, e agarrei meu violão. Tirei a coroa que tinha na cabeça e deixei em cima da mesa, chamando a atenção de quem estava conversando. Fique em pé e senti os olhos de em cima de mim.
- O que foi? - ela perguntou, com as sobrancelhas próximas.
- Você vai ver - falei indo pra onde o DJ estava e pedindo pra ele abaixar a música que queria fazer uma coisa importante. Ele me olhou estranho mas só fez o que eu pedi.
Perguntei se tinha algum microfone lá e ele disse que sim, entregando-me um. Fui até a pista de dança, que agora estava limpa, já que a música havia acabado e sorri, criando coragem pra fazer o que eu tinha em mente.
- Ca-ham - testei o microfone e todos presentes me olharam. Senti os olhos dela em cima de mim também, mas tentei não ligar. - Boa noite.
As pessoas responderam meu boa noite e algumas que estavam levantadas, se viraram, me vendo parado ali com uma luz em cima de mim. Ok, não tinha do que ter medo, certo?
- Bom, eu não sou muito bom falando, então só quero tocar uma música, tudo bem? É pra uma pessoa em especial e espero que ela saiba que é pra ela - falei antes de olhar pra , que entendeu o recado e sorriu pra mim. Droga, como eu faria isso?
Respirei fundo e deixei o microfone com o rapaz, indo pro centro de novo e agora vendo as pessoas se levantarem pra escutarem melhor. Não, não tinha do que ter medo.
Posicionei o violão da maneira correta, fechei os olhos e comecei a tocar, logo sentindo minhas cordas vocais vibrarem cantando a música.
- Lately when the sun falls down in LA, it’s the summer of our love, thought that I’d been trying hard enough but somehow it still came undone… - cantei de olhos fechados e assim que abri, foquei seus olhos no meu e cantei. - I miss your bones, now I’m a ghost… - indo pro refrão e finalmente sorrindo quando vi ela sussurrando a música que passei a semana toda escutando. - I know, I know, I know, I know I said, I can’t believe my eyes, I won’t drop it, she got me twisted in love, I’m tangled in a roooooooooope.
Depois daquilo eu perdi totalmente a vergonha e comecei a andar por ali, indo até ela e cantei olhando ainda pros seus olhos.
-Damn, this is rough now my target is locked, and soon enough she will get hers, but now I know it’s just a matter of time until I make her come… - rodei ela, que ria com a minha apresentação boba e depois, de frente pra ela, repeti. - I miss your bones, now I’m a ghost…
E então o refrão fez parte de mim de novo e pude ver algumas pessoas dançando também. A música continuou e até o final fiquei perto de , vendo seus olhos faiscarem pra mim. Sabia que ela estava gostando e queria fazer ainda melhor. Assim que terminei a música, ouvi várias palmas. Mas todos começaram a gritar quando me viram ficando de joelhos pra ela, que me mostrou sua boca formada em ‘o’ e seus olhos agora marejados. Botei a mão dentro do meu bolso e puxei a bolinha com o anel. Ela sorriu vendo aquilo, mas logo voltou a expressão anterior quando eu falei.
- , você aceita ser minha namorada?
Ouve mais gritos do que ainda tinha. Ela abriu o sorriso mais lindo que eu havia visto em seu rosto e eu me levantei, ficando quase do seu tamanho, já que eu era maior, e ela me abraçou pela cintura, falando contra meu tórax.
- Claro que eu aceito!
Então eu tirei seu rosto que estava afundado ali e tomei seus lábios, antes mesmo de colocar o anel em seu dedo. Aquele sentimento que havia acrescendo cada vez mais, agora parecia conectar nossos lábios ainda mais, e eu pude sentir sua língua pedindo espaço. Nos beijamos apressadamente, mas também, intensamente, e ela logo tinha o anel na mão. Quando percebi que não tinha nenhum pra colocar no meu, falei em seu ouvido:
- Vou comprar um pra mim também - e escutei ela revidar:
- Não precisa - ela pausou. - Não precisa de nada pra simbolizar tudo que eu sinto por você.
E aquilo fez minha noite. Meu dia. Minha semana. Meu mês. Meu ano.
Eu não queria soltá-la. E não iria soltar.

*Island In The Sun - Weezer



FIM


Nota da autora: Meu Zeus! Foi! Não acredito que finalmente acabei NTL! Vontade de gritar de alegria! Pensei que esse dia nunca iria chegar. Obrigada a todos que presenciaram a loucura que foi eu escrever essa fanfic - oi? alguém? - e obrigada a todas as betas lindas que ajudaram a fofa da Anny que também me ajudou muito nesse ficstape. Agradecendo todo mundo nas minhas notas porque sim. Vamos lá:
Obrigada Isy, Anny, as meninas que participaram do ficstape, que sofreram junto comigo até o último minuto para colocar ele no site, pras betas, pra Anny - repetindo - pras amigas que leram antes - Isy de novo, hehe -, pra miga que fez as capas lindas e que tem um talento maravilhoso pra isso - oi, Isy! - enfim, muito obrigada! Vocês foram maravilhosas <3
Agora chega que essa nota já está enorme.
Espero que todas que leram tenham gostado e deixem um comentáriozinho que for só pra colocar um sorrisinho no meu rosto?
Agora sim! É isso! Beijinhos, babes <3



Nota da Beta: Ai, gente, Tham é a pessoa mais fofa e linda da face da terra. Vontade de morder e colocar num potinho! 💜 E as fics dela fazem jus sempre, coisa mais fofa também. Esse ficstape foi uma lindeza de betar, tenho certeza que vai ser uma lindeza de ler pra vocês também, por isso leiam as outras fics desse ficstape, sempre lembrando de deixar um comentário para a autora, pra colocar um sorrisinho no rosto dela, como Tham disse hahaha Mas quero comentários LINDOS aqui, porque essa fic, e principalmente essa autora maravilhosa e organizadora desse ficstape maravilhoso, merece muittttto. 💜💜 xoxo-A



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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