Finalizada em: 18/10/2020

Capítulo Único

Verão - Melbourne, Austrália.

Passear pela praia de St Kilda com um Golden Retriever não era das tarefas mais fáceis e ela só se tornou ainda mais difícil, principalmente, quando ele conseguiu se soltar da coleira e eu tive que sair correndo atrás do enorme cachorro de pêlos dourados. A visão era um tanto quanto vergonhosa: uma jovem britânica, que saiu da grande cidade movimentada de Londres e foi passar as férias na encantadora cidade de Melbourne, correndo atrás de um cachorro que, obviamente, eu não iria conseguir pegar. Não sendo o suficiente, eu ainda gritava para alguém pegá-lo, como se isso fosse possível. Eu poderia facilmente adiantar minha passagem de volta para Londres no dia seguinte, se eu quisesse, depois dessa vergonha.
Por fim, avistei quando o cachorro foi parado próximo de um grupo que estavam jogando vôlei. Obrigada, Deus, por ouvir minhas preces. Talvez, eu desistisse se tivesse que correr mais atrás de Duque. Minha respiração ofegante, o meu cabelo desgrenhado e o meu rosto vermelho era, sem dúvida, a imagem da humilhação. O cachorro salafrário não fez nem questão de se mover e voltar para onde eu estava, lugar que ele não deveria nem ter saído.
— Duque! — Como se fosse um bom menino, ele balançou o rabo ao me ouvir gritar pelo seu nome.
— Parece que ele te deu um pouco de trabalho, não é? — O rapaz segurava o cachorro pela guia, para não deixá-lo fugir de novo, eu agradeceria por isso se as circunstâncias fossem outras. Eu estava com raiva demais do cachorro para tentar sorrir, mas Duque me desarmou quando fez sua famosa cara de cachorro sem dono. Qual é, ninguém consegue ficar bravo de verdade com um cachorro.
— Ele me dá um pouco de trabalho, mas é um bom garoto. — Disse, me aproximando de Duque. Na verdade, Duque não era meu, o que tornava tudo ainda pior se eu o perdesse. Minha amiga havia pedido para eu passear um pouco com ele, achei que a praia seria uma boa opção. Não foi. — Ah, desculpe, nem agradeci. Obrigada por ter conseguido pegar a fera. . — Estendi minha mão, me apresentando em seguida.
— Você não sabe quem eu sou?
— Por acaso eu deveria? — E foi quando ele sorriu que eu quase senti minhas pernas falharem. Mais uma vergonha, não, por favor. Ele riu, mostrando aqueles dentes incrivelmente brancos e balançou a cabeça em negação. — . Onde você mora? Eu te ajudo a levá-lo de volta.
— Não precisa, é perto. Eu consigo levar ele sozinha, obrigada de qualquer forma. — não esperou que eu colocasse a coleira no cachorro novamente, tirou da minha mão a outra parte e Duque pareceu ainda mais feliz com o seu novo amigo. Traidor.
— Acho que ele gostou de mim, agora só falta você.
— Não tenho motivos para gostar e nem desgostar. — Tentei parecer indiferente, mordi meu lábio inferior, me controlando para não sorrir junto com o sorriso que brincava em seu rosto. — Mas acho que você pode me ajudar com o Duque.
Eu queria desviar meus olhos do sorriso dele, mas era algo impossível, quase como um ímã que fazia eu me perder ali.
No caminho até em casa, descobri que também era de Londres, mas ainda ficaria por mais umas duas semanas na Austrália, junto do grupo de amigos que estava jogando vôlei na praia. Ele não quis falar de trabalho e eu agradeci por isso, eu também não queria. Eram férias, certo? Certo. As férias estavam acabando e eu só tinha mais um semana para aproveitar tudo que aquele lugar tinha pra me oferecer. Duque quis correr mais um pouco, assim que um garotinho passou com uma bola de futebol na mão, mas o puxei antes que ele pudesse me arrastar.
era legal, me fez rir a maior parte do tempo e ainda era atencioso, sempre perguntando de volta o que eu gostava de fazer, o que estava achando de Melbourne - era a terceira vez que ele estava na cidade -, e até disse que poderíamos nos encontrar em Londres. Mas eu tentava não me apegar muito, nem sabia se o encontraria no outro dia, quem dirá em outra cidade. Quando chegamos em frente a casa da minha amiga, Duque correu para os fundos da casa, enquanto continuava parado ao meu lado. Levantei uma sobrancelha, ele ia me beijar ou não?
— Obrigada por me ajudar com o Duque, a gente se vê por aí.
— Espera, me dá seu celular. — Não era uma pergunta. Entreguei o aparelho mesmo desconfiada, ele colocou o número e ainda deu um toque para o seu celular, assim ele teria meu número. Claro, como não pensei nisso antes?
— A gente se vê hoje à noite, . — Não respondi nada, sua boca estava próxima demais da minha. Entendi aquilo como um jogo de provocação, uma pena que ele iria perder.


Eu deveria saber que havia algo errado com ele, desde o início havia sido avisada e, ainda assim, insisti naquela história que eu achei que era amor. Os olhos verdes do homem que me encarava naquele momento eram tão desconhecidos, que por algum momento, nem eu mesma me reconheci. Me deixei levar por uma ladainha barata e por um romance que eu queria que fosse real. Os livros de romance da minha estante me enganaram direitinho, ou talvez eu só estivesse inventando uma desculpa para não admitir que eu havia sido fraca, me deixando levar por todas suas mentiras.
As luzes da casa noturna voltaram a brilhar mais uma vez, a música alta estourando das caixas de som e o chão quase vibrando com todo aquele barulho, mas nada disso era capaz de me fazer voltar para a mesa onde minhas amigas estavam, ele também deveria voltar para o lugar que estava antes. Mas nossos olhares não conseguiam desviar um do outro, uma adrenalina corria em meu corpo como se eu estivesse fazendo algo de errado, sua boca entreaberta e os lábios carnudos era uma tentação e tanto, seus olhos brilhando com o efeito do álcool eram ainda mais tentadores.
— Uma cerveja e um Cosmopolitan para a senhorita. — O barman atrás do balcão entregou as duas bebidas para mim, quebrando a tensão que se instalara entre nós. Peguei as bebidas e saí sem olhar para novamente. Meu corpo implorava por um contato maior com o dele, mas eu não podia voltar atrás e enterrar o restinho da minha dignidade apenas por alguns minutos de prazer. Infelizmente, o filho da mãe sabia fazer tudo que era preciso muito bem, eu queria aquilo, mas não podia. O doce do Cosmopolitan desceu tão rápido pela minha garganta antes mesmo que eu pudesse chegar até a mesa, encontrando com minhas amigas, que eu quase não senti o gosto da bebida. Deixei a taça vazia em cima da mesa e abri a garrafa de cerveja, eu sabia que a combinação não era das melhores e a probabilidade de tudo se transformar num verdadeiro desastre no final daquela noite era grande, eu sabia.
está aqui. — Anunciei, assim que sentei no estofado ao lado de Megan.
— E nós estamos aqui para aproveitar e vamos fazer isso muito bem. Ele que vá para o inferno. — Eu, com certeza, tinha as melhores amigas do mundo.
— É isso aí, vamos dançar.

Outono - Londres, Inglaterra

Entrei na cafeteria a fim de pedir um café e sair dali o mais rápido possível, mas o dia não estava a meu favor. O local estava lotado de adolescentes tentando controlar seus hormônios, porque controlar a voz era uma missão impossível para elas. Eu só precisava de um café, elas poderiam me ajudar liberando o caminho, não é mesmo? Não, elas não queriam me ajudar. Depois de longos quinze minutos, a fila de meninas começou a ficar menor e eu pude perceber por quem elas tanto surtavam. Espera, eu conhecia aquele rosto. Mas por que raios todas aquelas meninas estavam em cima dele?
— Você sabe me dizer quem é aquele ali? — Me virei para uma menina atrás de mim, ela aparentava ter uns quinze ou dezesseis anos. Com certeza, ela saberia me dizer quem ele era afinal de contas.
— Você não sabe mesmo quem ele é? — Céus, por que eu deveria saber? Era só falar quem era de uma vez por todas. Me dei por vencida e neguei com a cabeça, a menina pareceu ainda mais irritada comigo. — , todo mundo sabe quem ele é.
— Ok. — Voltei minha atenção para a atendente e pedi um café forte. O murmurinho a minha volta diminuía a cada minuto, agradeci mentalmente por isso. Quando meu nome foi gritado pela atendente, peguei meu café e dei o fora daquele lugar. Eu já estava atrasada dez minutos, graças ao pequeno movimento do local.


...


— Então, quer dizer que você costuma resgatar cachorros na praia, mostrar esse sorriso Colgate e sair com garotas do outro lado do oceano sem contar quem você é? — Eu tentei controlar uma risada, mas foi impossível ao lembrar do incidente na Austrália. Estávamos caminhando próximo ao rio Tâmisa, num cenário quase romântico, devo confessar.
— Não, mas o cachorro foi uma boa desculpa. E eu falei quem eu sou, você que não sabia.
— Você tem razão, mas gostaria que tivesse me contado. Economizaria o tempo que eu fiquei pesquisando na internet hoje a tarde. Agora faz todo sentido eu não saber que você é.
— Por quê?
— Eu não gosto de boybands.
— Mas eu não faço mais parte de uma.
— É, mas eu ainda não sabia quem você é e ter feito parte de uma ajudou nisso.
— Agora que você já sabe sobre mim, o que eu preciso saber sobre você?
— Nada que eu já não tenha dito. Não se preocupe, eu sou não a Hannah Montana. É só mesmo. — Fiz uma careta com a péssima piada que saiu da minha boca.
— Isso quer dizer que eu ainda posso te beijar?
— Isso quer dizer que você deve me beijar.

Minha mente parecia querer brincar comigo a cada dois minutos, me trazendo todas as lembranças de volta. O tempo que eu havia passado com tinha sido ótimo, não podia negar, mas não era mais minha realidade e ele não fazia mais parte da minha vida. As batidas de Ambiente do J Balvin começou a tocar e eu sabia muito bem o que fazer, eu amava aquela música. Matt se aproximou de nós e bastou um sorriso para ele entender o recado. Ele sabia dançar e digamos que nós já tínhamos feito isso nos últimos meses.
— Parece que alguém está morrendo de ciúmes essa noite. — Senti a respiração de Matt na minha nuca, aproveitando pra dançar ainda mais quando suas palavras soaram em meus ouvidos.
— Não me importo mais, Matt. É passado. — Uma hora ou outra ele seria, não havia mais espaço para Harry na minha vida. O sorriso de Matt aumentou, mesmo sabendo que minhas palavras não soaram cem por cento verdadeiras. Entrelacei meus braços em seu pescoço quando senti suas mãos apertando minha cintura, ainda no ritmo da música.
— É agora que você vai me dar uma chance? — Matt era uma ótima pessoa, teria sido fácil se eu tivesse me apaixonado por ele, mas a vida nem sempre era justa.
— Eu não posso te dar o que você quer.
— Só existe uma coisa que eu quero. — Não neguei o beijo que veio, eu também queria que aquilo acontecesse, por mais errado que fosse.

Inverno - Londres, Inglaterra

A televisão do meu quarto estava ligada e com o volume um pouco mais alto que o normal, enquanto eu terminava de fazer babyliss no meu cabelo. Megan, minha melhor amiga, estava na minha cama, prestando atenção no talk show que passava, enquanto eu terminava de cachear o cabelo.
— Olha, vai aparecer o agora. — Ela aumentou ainda mais o volume, como se eu já não estivesse escutando.
— Eu estou escutando daqui. — Gritei de volta, mas minha amiga manteve o volume alto.
O programa começou normalmente, a plateia foi à loucura com gritos ensandecidos e logo a melodia de Watermelon Sugar começou a ser tocada. Eu já tinha escutado aquela música, e gostava dela.
— Será que ele vai falar de você?
— Espero que não. — As últimas fotos jogadas nos sites de fofocas e no twitter na última semana fez eu me afastar da internet, eu não estava pronta pra ser comentada em um programa de televisão com o seu público, majoritariamente, de adolescente raivosas.



...


Megan me sacudiu mais uma vez, ela estava parada ao meu lado no sofá, enquanto eu atônica olhava para a televisão, agora, desligada. — , responde, por favor. — Ouvi minha amiga implorar, mas eu não conseguia mover um músculo sequer. Maldito dia que meu caminho cruzou com o de .
— Nós vamos nessa festa hoje. —. Minha voz saiu firme. O que me assustou um pouco.
— Espera, você tem certeza?
— Sim. Você chegou aqui pedindo pra gente sair, então vamos fazer isso. — Terminei de arrumar meu cabelo e peguei o estojo de maquiagens, precisava dar um jeito da minha cara e esquecer aquela entrevista.
"Ela é apenas uma fã"
A frase ecoava na minha cabeça, após ele falar para a apresentadora em um mais um dos vários programas que participava. Enquanto uma foto nossa competia espaço com a foto dele e de sua namorados abraçados, mais uma coisa que ele não havia me contado. Entretanto, eu só tinha que ignorar e esquecer tudo que havia acontecido nos últimos meses. As mensagens trocadas, os presentes recebidos e as trocas de carinhos que aconteceram simplesmente não passavam de um passatempo para . Eu tinha que esquecê-lo.


Eu mal sabia que tinha sido meu primeiro erro naquela noite londrina, tudo podia ter acabado muito bem na Austrália e eu não teria saído machucada nessa história toda. Agora, estar sentindo o gosto de Matt era uma sensação de alívio e segurança. Os arrepios pelo meu corpo podiam ser um sinal que eu estava fazendo a coisa certa dessa vez.
Tomei mais algumas cervejas, me deixando mais leve por poder aproveitar aquela noite com pessoas que me faziam bem. O propósito da noite estava sendo cumprido, eu precisava beber até esquecer meu nome, dançar até que meus pés não aguentassem mais e me divertir com quem e do jeito que eu quisesse. Que se foda .
— Eu preciso ir ao banheiro.
Me afastei sem esperar resposta, torcendo para que a fila não estivesse grande. O erro de começar a tomar cerveja e ir ao banheiro era que depois da primeira vez, você não conseguia segurar mais. Mas eu estava muito, muito apertada.
— O que você pensa que está fazendo? — Senti meu braço sendo puxado, com uma força maior que o necessário.
— O que você pensa que está fazendo? Agora solta o meu braço, tenho certeza que a sua namorada não vai gostar do que você está fazendo. — Senti meu rosto esquentar tamanha era raiva que eu estava sentindo naquele momento.
, eu te amo.
— Não, . Nunca foi amor, apenas uma perfeita ilusão. E qualquer coisa que tenha existido entre nós, acabou.
Me senti aliviada quando as palavras saíram da minha boca, eu estava de fato me iludindo a dias com uma realidade que não era minha; embora eu estivesse gostado mais do que deveria. Mas agora tinha acabado, não importava mais o quão difícil era a vida real, eu estava de volta a minha realidade.


Fim



Nota da autora: Olá, primeiro eu peço que não me matem, por favor! Eu sei que o pp acabou sendo um pouco babaca, mas não consegui imaginar de outro jeito e, infelizmente, essa pessoa teve que ser nosso amado Harry Styles. Eu sei que ele é uma pessoa maravilhosa, lembrem que é apenas uma fanfic.





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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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