O nervosismo dele era notável.
Era sua primeira vez em cima de um palco e, pra piorar, estava se arriscando mais que o normal. Não era só seu talento sendo exposto a quem estava na plateia da High Gates. Era seu amor. O mais verdadeiro amor que ele já tinha sentido por alguém.

Capítulo único


Lately I found myself thinking
Been dreaming about you a lot
And up in my head I'm your boyfriend
But that's one thing you've already got

A voz do rapaz passava cuidadosamente pela orelha de e ela chegava a abrir um pequeno sorriso. Lembrava-se da época que falava daqueles sonhos que tinha com ela, mas não sabia que era daquela forma.

4 de outubro de 2014, 6:48 da manhã - rua em frente à High Gates

Andava calmamente deslizando o dedo pela tela de seu celular desligando a música que antes ouvia quando escutou um barulho estranho à sua frente. Juntou as sobrancelhas ao ver que era seu melhor amigo, , o qual estava caído no chão e não tinha uma das melhores expressões.
- Meu Deus, ! - abaixou perto dele com um sorriso engraçado no rosto e estendeu a mão, já com o celular no bolso. - O que houve com você?
- Ei, ! - ele falou já quando estava em pé. - Eu vim correndo, sem querer escorreguei e… - movimentou as mãos sinalizando o tombo que levou e ela riu, tirando um sorriso dele.
- Acordou atrasado como sempre, não é? - passou um braço no dele e arrastou o amigo escola adentro com os braços entrelaçados. O sorriso de era perceptível para todos, menos para ela.
- Atrasado por uma boa causa, tá bom? - virou de frente para ela e começou a andar de costas, chamando a atenção da menina. Preocupada, o puxou pelo braço e copiou o gesto de antes, falando, nervosa.
- Tá querendo levar outro tombo, é? - passou de leve a mão no antebraço dele antes de dar um tapa e fazê-lo rir. - Mas que boa causa seria essa, senhor ? - ele a olhou com receio de falar. Mas era só omitir algumas partes, certo?
- Tava sonhando com você! - sorriu tímido do jeito que a amiga adorava e recebeu um ‘ow’ de resposta, junto com um abraço de lado.
- Seu lindo! - ainda beijou a bochecha do amigo que fingiu nojo e passou a mão no rosto tirando a ‘baba’ dela. - E como foi esse sonho? Me conta! - estava animada demais e aquilo era um mau sinal para . Ele, simplesmente, não podia contar.
- Ah, a gente estava no… - começou a falar coçando a cabeça pensando em como iria omitir a parte que eles se beijavam, mas foi interrompido por alguns músculos e tatuagens enormes que cobriam sua visão.
- Zac! - a garota se empolgou ao ver o namorado e sorriu dando um beijo estalado nele.
- Oi, meu amor! - com os músculos, ele a tirou do chão e abraçou não tão forte para não quebrar seu ‘pequenos ossos’, como costumava dizer.
ficara mudo e queria sair dali logo. mal reparou e, quando ia se distanciando, virou o rosto para o amigo e falou, antes de partir para a primeira aula. - Depois quero saber desse sonho, viu? - deu um tchauzinho no ar para ele e sorriu. Ele nunca contaria à ela aquele sonho.

He drives to school every morning
While I walk alone in the rain
He'd kill me without any warning
If he took a look in my brain

Não podia acreditar! era realmente uma caixinha de surpresas.
O via naquele palco cantando aquela música, imaginando justamente a cena que o tinha feito fazer aqueles versos. Era claro que ela se lembrava daquele dia. Teria como esquecer?

11 de dezembro de 2014, 6:55 da manhã - algumas ruas antes da High Gates

Era para ser apenas um dia normal. Mas claro que não foi. Quando é que teria um dia calmo se sempre tinha aqueles sonhos maravilhosos com a sua melhor amiga povoando sua cabeça?
- ! - ouviu gritar dentro do carro e parou assim que ouviu seu nome, deixando a chuva o molhar por inteiro. A menina acenou antes de perceber o erro já que o amigo estava encharcado. - Tá louco? Vai pra marquise!
Ela apontou pra uma loja de discos que havia perto do caminho da escola e ele saiu dos devaneios.
Droga, droga, droga. tinha namorado! E Zac era o dono do carro o qual a garota estava dentro. Zac era quem ela beijaria antes de entrar na sala. Zac era quem tinha noites maravilhosas com ela. E era Zac, principalmente, que fazia o coração dela bater descompassado. Não ele. Não .
Resmungava baixinho, já parando de andar, debaixo do toldo da loja de vinil, quando viu o carro estacionar na esquina. Não, ele não aceitaria carona. Não daquele marmanjo. acenou ao longe, já que não estava tão perto, e ele virou o rosto para o outro lado, fingindo que não tinha a visto.
A menina, não se dando por vencida, saiu do carro mesmo com a chuva e os protestos do namorado.
- ! Se ele não quer a droga da carona o problema é del..
- Não, Zac! O problema não é dele! Ele é meu amigo! - rolou os olhos enquanto já sentia a chuva caindo por cima do cabelo dela. - Assim como você tem ciúmes dele por ele ser meu amigo, ele também tem ciúmes de você.
Virou as costas e saiu andando atrás de , sem ouvir o que o namorado falou.
- Porque ele queria ser seu namorado. - Zac bufou, se jogando no banco.
já andava rápido para não pegar mais chuva, o que não funcionou muito já que as únicas marquises do quarteirão estavam perto da que estava embaixo.
- ! - chamou assim que estava coberta pelo toldo, apressando-se mais e com mais facilidade também. - O que deu em você?
- Nada, … - ele tentou mentir olhando pros dedos da mão. - Os sonhos, como sempre. Ou pesadelos. Sei lá. - balançou a cabeça não querendo dar a entender que era um dos sonhos que ele tinha com ela. O que era verdade, mas ele não queria que ela soubesse.
- Já disse que pode contar comigo. Deixa de ser bobo. - ela deu um tapa no braço dele e assim que o fez a olhou. Por alguns segundos, ela não viu o amigo dela de oito anos atrás ali. Era outro . Um que estava nascendo aos poucos; e ela não tinha percebido.
Balançou a cabeça espantando os pensamentos, o que fez também se afastar e procurar outro lugar para olhar.
- Vem. - ela segurou com a mão gélida o antebraço de que estava coberto por um suéter que estava encharcado. Ele foi com ela, sem fazer objeções, e entrou no carro, contrariado.
- Oi. - ele disse a Zac apenas por educação.
- Oi. - o cara aproveitou que ele não estava olhando e rolou os olhos.
Depois de uns cinco minutos, estavam no último sinal e logo depois apareceria a escola.
Ou pelo menos era para aparecer.
- O que aconteceu aqui? Por que está tudo fechado? - falou ao perceber que todos os portões da escola estavam fechados e alguns estudantes falavam um pouco mais alto por ali, sendo totalmente molhados pela chuva também.
Como ela estava com a mochila em cima do colo e as mãos por cima do bolso da frente, sentiu seu celular vibrar, a tirando do transe. Pegou o objeto e viu que era uma ligação da sua mãe. O que teria acontecido?
- Alô? - falou já com o celular na
orelha.
- Filha? - ouviu a mãe falar. - Sim, mãe, sou eu. - respondeu impaciente. - O que aconteceu?
- Acabou de passar na televisão que todas as escolas daqui do bairro estão fechadas. O temporal vai piorar e a recomendação é ficar em casa. - a menina bufou ao entender tudo e deu um tapa na testa, fazendo Zac e entender ainda menos o que acontecia.
- Tá bom, mãe. - rolou os olhos com raiva. - Não acredito que sai debaixo da minha coberta quentinha para me molhar inteira e no final saber que vou voltar pra casa! - falou ao desligar o telefone.
- Desculpa, … - começou, culpado por tê-la feito ficar na chuva por ele. - Eu te fiz ir pra chuva e - foi cortado pelos pensamentos quando se tocou das últimas palavras dela - Opa! Como assim voltar pra casa?
- Deve estar piorando o temporal. - Zac o respondeu sem paciência, como se fosse óbvio e o menino fosse muito ingênuo para perceber. - E provavelmente devem estar recomendando permanecer em casa. Dã. - juntou os olhos numa careta que viu de esguia e mandou língua pra Zac, que não pôde ver. Todavia, viu a de pelo retrovisor e repreendeu os dois.
- Estão parecendo duas crianças! - ambos rolaram os olhos. Naquele quesito, eram bem parecidos, tinha que assumir. Teimosos e implicantes. - Façam o favor de agir como adolescentes, pelo menos, e não fetos. - fora a vez dela virar o rosto e rolar os olhos.
- Eu vou para casa. - Zac falou tomando alguma atitude.
- Vamos. Por favor. - pediu, esquecendo-se que ainda estava no carro.
- Ei! E eu? - o garoto se pronunciou.
- Ah, sim. - ela voltou a se mexer e colocou uma mão em cima da perna do namorado, chamando não só atenção dele como a dos olhos atentos de seu melhor amigo. - Amor, deixe o em casa. - sorriu da forma mais gentil possível e fez com que Zac entrasse em sua chantagem mental. Ele sabia dos truques dela, mas nunca resistia.
- Onde ele mora? - falou de uma forma debochada e tinha cada vez mais vontade de bater naquele gibi ambulante.
- É do outro lado. Perto da minha antiga casa.
Foi impossível não bater um flashback na cabeça dos dois melhores amigos da época que eram inseparáveis. Dos tempos que ainda tinham 7 anos, iam pro parquinho todo dia, até mesmo do primeiro dia que se esbarraram e tornaram-se aqueles amigos que não conseguem ficar uma semana sem se ver. É, eles não sabiam como seria viver um sem o outro.

Back in my head we were kissing
I thought things were going alright
With a sign on my back saying “kick me”
Reality ruined my life

respirou fundo com a cabeça pipocando lembranças.
não estava diferente. Mas ele estava cantando e em frente toda a escola, que agora fazia uma espécie de coro. Algo como ‘aw’ improvisados e risadinhas eram escutados por todo canto. Aquela música - ou declaração - seria relembrada pra sempre entre aquelas pessoas. A única diferença é que só tinha olhos para . Enquanto ela queria focar os olhos em outro lugar e esquecer que ele não era nada mais que seu amigo, os flashs não queriam e nem podiam sair de dentro de sua cabeça.

25 de janeiro de 2015, 10:01 da manhã - nos corredores da High Gates

- ? - falou quase sussurrando quando o garoto passou por ela no corredor de cabeça abaixada, sem fazer menção nenhuma de olhá-la nos olhos. Ele moveu minimamente o rosto e com uma expressão longe da que ele sempre tinha, murmurou.
- Oi, .
- Você tá legal? - a garota perguntou colocando a mão em cima de um dos ombros dele. Estava no final do intervalo, mas ela não se importava de demorar um pouco pra entrar na classe se fosse necessário de mais tempo para trazer um sorriso pro rosto do amigo.
- Mais ou menos… - ele falou incomodado lembrando do que os amigos brutamontes do namorado de sua amiga haviam feito. Imbecis.
- Porque mais ou menos? - ela perguntou.
- É só que…
Não deu tempo de responder já que um cara passou do lado deles gritando um “olha o nerdzinho, tá merecendo um chute mesmo”, enquanto ria. foi tomada pelo seu semblante preocupado e balançou a cabeça negativamente. Tinha algo muito errado.
- Vem cá. Vamos pra um lugar mais calmo. - ela puxou para sua frente e assim que ele virou as costas para ela, notou o motivo das gozações. Ele percebeu que já era tarde demais, mas queria consertar algo que nem era culpa dele.
Enquanto tirava o papel escrito “chute-me” das costas dele com um milhão de palavrões pipocando em sua cabeça, o amigo não calava a boca.
- É culpa é toda minha, , eu que deixei eles fazerem isso. Eu sou o nerd. Já deveria estar acostumado com esse tratamento. E você não devia estar aqui cuidando de mim. Seu namorado precisa mais de você do que eu e…
- Chega, ! Aí já é demais, né? - ela o olhou fuzilando-o. - Quem precisa da minha atenção nesse momento é você. Olha essa babaquice que fizeram contigo. - ela balançava o papel em frente do rosto dele, deixando ele ver o motivo da piada, que ainda não tinha visto. É, talvez um chute dado por Zac levasse ele à lua e ficaria longe daquela escola ridícula, de alunos ridículos e de pessoas ignorantes. Só não odiava mais aquele lugar por causa de e dos seus outros amigos nerds. Eles eram legais.
- Como eu disse, devia estar acostumado. Você também. - falou se referindo a e ela queria dar com a cara dela na parede.
- Quem fez isso a você? - perguntou sem paciência alguma.
- É melhor não botarmos nomes no meio disso… - resmungou, temendo mais uma das brincadeiras de mal gosto vinda dos amigos de Zac.
- . - ela continuava com aquele olhar de ‘eu não vou parar até você me contar’.
- , é sério. Melhor não…
- ! Agora!
- Tá bom… - ele falou um pouco mais forte do que na hora de dizer os nomes. - Foi Trevan. E Richard. - voltou a cabeça pra cima de novo e agora suplicava pelo olhar antes de voltar a falar. - Mas, por favor, não conte isso pra ninguém. Se souberem que foram eles, eles logo saberão e pode acontecer algo pior.
- Eu só não vou contar a diretora porque você está pedindo. Com muito carinho. - ela falou com um sorrisinho de canto. Odiava quando faziam mal a . Ele era a pessoa mais carinhosa do mundo. Como desejavam mal àquele menino? Abraçou ele brevemente e escutou ele falando perto de sua orelha.
- Obrigado.
Esperava que ele não tivesse notado seus pelos se eriçarem, mas achou que era tarde demais, já que ele não só notou como soltou um riso anasalado naquela região sensível dela. Ela se estremeceu toda ao sentir a respiração dele em sua orelha e engoliu em seco. Droga, .
- Caham. - ouviram alguém atrás de . - Atrapalho alguma coisa? - era Zac com um semblante sério. Trocava o olhar de para a namorada querendo colocar medo, o que não deu certo para nenhum dos dois. porque era namorada dele, sabia que era apenas ciúmes. porque era o amigo de que ela nunca largaria. Nem mesmo por Zac.
- De maneira alguma. - a menina sorriu roubando um selinho do namorado. Ele manteve os olhos abertos e viu rolando os olhos, tirando-o de cima do casal.
- , eu vou indo. - ele falou quando o momento a dois acabou. - Obrigada pelas palavras e por tirar o papel das minhas costas. - sorriu de canto. Ia saindo quando Zac começou a rir e ainda fez um comentário extremamente maldoso.
- Muito bom, né? Aquela plaquinha que Trevan fez. Tinha até um pé e uma bunda. Ele desenha muito bem. - continuou rindo. Não demorou muito pra desamassar o papel que tinha em mãos, antes preparado pra ir pra lixeira, e mostrar pro namorado.
- Por acaso é esse papel aqui? - o garoto se engasgou com a risada e olhou pra ela assustado.
- O que faz com isso? - perguntou com a voz esganiçada.
- Eu é que te pergunto, Zac. Da onde tirou essa ideia estúpida de colocar isso nas costas de alguém? E logo na de , que é meu amigo? - falava brava e sem vontade nenhuma de entrar numa briga, mas não via outra opção.
- Ah, , foi só uma brincadeira. Leve na esportiva. - Zac se desculpava sem nenhuma vontade daquilo também. Queria sair da frente de e ver a namorada se render a ele. O que nunca foi diferente e não seria naquele momento. Ele achava.
- Você quer que eu leve na esportiva uma brincadeira de mau gosto dessas? - ela suspendeu as sobrancelhas, não acreditando no que o namorado havia dito.
- Não foi de mau gosto, foi só… - ela arregalou ainda mais os olhos e ele que teve de se render. - Tá, tudo bem. Foi. Foi de mau gosto. Mas…
- Sem mais nem menos. - falou passando o braço por baixo do braço do amigo, dando um susto nele e fazendo Zac levantar uma sobrancelha também. - Se você não se incomoda, queria falar com sobre um trabalho que temos pra fazer. Licença.
Ela puxou com ela e foram andando até o fim do corredor, virando em outro e em outro seguidamente, indo parar em frente à biblioteca. Foi ali que eles retomaram a conversa.
- , que eu me lembre, a gente não tem nenhum trabalho a fazer. - falou assim que tirou o braço entrelaçado ao dela e ficando a frente da mesma.
- Eu sei. - ela sorriu. - Apenas me agradeça.
- Obrigado. - ele disse mais uma vez em menos de dez minutos e sorriu.
- Vem. Agora eu to falando sério. - ela o pegou pela mão e sentiu um calor gostoso sendo espalhado pelo seu corpo. Não se lembrava daquela sensação quando tomava a mão do amigo com as suas. Abriu a porta da biblioteca e ele foi certeiro.
- O que pretende fazer, dona ? - ele sorriu, maroto.
- Vou te apresentar aos meus livros favoritos. - o sorriso que ainda estava no rosto dela, se alastrou e ficou maior, indo até sua orelha.
Os olhos de brilharam ao lembrar o quanto ela amava o mundo das letras. Ele também gostava, mas preferia com alguns instrumentos no fundo. Musicalmente.
Ela também. Mas era inteiramente apaixonada por literatura.
Quase se completavam. Eram iguais e ao mesmo tempo tão diferentes… Podia imaginar o belo casal que eles fariam se fossem namorados. E desejava que ela imaginasse o mesmo.

Feels like I’m constantly playing
A game that I’m destined to lose
‘Cause I can’t compete with your boyfriend
He’s got 27 tattoos

Naquela hora, o medo de era Zac aparecer por ali. Tudo bem que aquele canalha nunca apareceria pra um show de calouros, já que, para ele, uma rave era muito melhor que uma festa de escola. Pelo menos não achava o mesmo.
Já que ela estava lá, continuava com aquilo que parecia recorrente. Lembrava-se perfeitamente do dia que seu namorado tinha feito a vigésima sétima tatuagem. E foi bem no dia que tinha a pesquisa que ia salvar seu último ano na escola. Não acreditava como pôde ser idiota em privilegiar uma tatuagem do que a felicidade de .

13 de fevereiro de 2015, 12:53 da tarde - entrada da High Gates

Em frente à escola tinha uma grande placa cheia de enfeites das cores rosa e branco, com alguns dizeres chamando a atenção pro dia dos namorados. Quem passava por lá, não tinha como desviar os olhos para outra coisa. O que foi totalmente diferente para uma manhã do dia antecessor àquele, já que Zac tinha faltado aula para fazer mais uma tatuagem já no seu corpo totalmente tatuado. A aposta da escola era se aquela era a vigésima primeira, vigésima segunda ou vigésima terceira tatuagem que ele faria. O que ninguém sabia é que ele tinha algumas tatuagens muito bem escondidas.
- Que alvoroço é esse? - passava por Regina, uma colega de sala que ela nem gostava tanto, quando fez a pergunta. Ela respondeu dando alguns risinhos com uma outra colega, nada sutil.
- Ué, pensei que você sabia. - não entendendo a resposta, a garota apenas passou pelas pessoas e desceu as escadas, parando em frente à multidão e vendo seu namorado lá, parado, exibindo sua mais nova tatuagem pra todos. Ele fazia caras e bocas e movia seus braços em diversas posições, sempre com os músculos e a tatuagem aparecendo.
Não era do feitio de prestar atenção numa coisa tão sem valor, já que aquela era mais que a vigésima tatuagem do namorado. Foi até ele com o nariz irritado e sorriu forçado quando ele a tomou pelos braços selando brevemente seus lábios.
- Gostou, amor? - esquivou-se um pouco dela e mostrou mais uma vez a tatuagem de crânio ali. Tinha até ficado legal, o tatuador fez o desenho perfeitamente, por isso ela balançou a cabeça concordando e sorriu verdadeiramente. Adorava ver o namorado contente.
- O que planeja pra amanhã? - perguntou abraçada nele enquanto algumas pessoas já se dispersavam, fazendo a grama do pátio aparecer mais.
- Surpres… - Zac tinha um sorriso no rosto que logo desapareceu quando ouviu a voz de chamando pela namorada. Rolou os olhos.
- ! - ele gritava vindo de dentro da escola com uma folha na mão esquerda, tentando sustentar a mochila com uma só mão e não dando conta. A garota riu da falta de jeito dele, mas apoiou a mão nas costas do mesmo quando ele estava ao seu lado, respirando repetidas vezes bem rápido tamanha falta de fôlego.
- Respira, ! - ela ria.
- Tô… tentando… - ele respirou muito rápido e depois profundamente, conseguindo pegar ar o suficiente e continuar falando. - Tenho uma novidade! - apontou pro papel e só faltava saltitar por ali pra demonstrar sua felicidade.
- O que é isso? - ela sorriu facilmente ao notar que todos estavam felizes por ali.
- Minha pesquisa! Foi aprovada! A professora Lins vai mandar pro Conselho! - ele quase gritava já que mal conseguia conter sua felicidade.
- Que legal, ! - ela o abraçou, tirando o corpo de perto do namorado, dando a felicidade de ver o rosto de Zac se contornando numa face de desaprovação. Tentou conter um sorriso maldoso e apenas aproveitou o abraço. Pelo menos um pouco, já que sua vontade era de sair pulando até em casa.
- Você tem alguma coisa pra fazer hoje? Quando minha mãe souber, ela vai querer fazer uma comemoração, já até sei… - ele sorria timidamente, pedindo pra que concordasse com ele. Mal sabia que quem iria se intrometer era Zac.
- Ah, … Uma pena. Eu e a vamos sair. - Zac tomou a mão da namorada, tirando ela do transe que eram os olhos de e colocando-a na realidade de novo.
- Vamos? - as sobrancelhas dela se uniram, sem entender o que se passava.
- Ah, o dia dos namorados tá aí, né. Achei que você ia gostar de uma comemoração de dois dias. - ele sorriu da forma mais convincente possível tirando até um sorrisinho da namorada. , não convencido, tentou mais uma vez.
- Mas é só no começo da noite. Depois eu deixo ela ir com você. - sua tentativa de ser amigável apenas deixou Zac mais revoltado.
- Poxa, , eu já reservei tudo, não posso dar esse furo no restaurante. - balançou a cabeça negativamente e manteve um sorriso sarcástico no rosto, deixando uma raiva subir no garoto que ele tanto achava que era um nerd que não servia pra nada.
- Tudo bem. - ele falou incomodado. - Pode ir com ele, . Vocês devem ter muito o que comemorar mesmo. - desceu as escadas batendo o tênis com força nos degraus deixando alerta a todos seus movimentos. Que droga foi essa? Ela pensava.
- Isso é verdade, Zac? Você realmente reservou restaurante pra hoje? - ela perguntava olhando fundo nos olhos do namorado, que ainda teve a capacidade de mentir, mesmo assim.
- Claro. Porque seria mentira? - ele a tomou pelos braços novamente e foi andando com ela pra calçada. tinha a cabeça abaixada e se perguntava se aquilo tudo estava certo. Se priorizar seu namoro a seu melhor amigo era o certo. Mas era só pelo dia dos namorados, certo? Era o que ela achava.

Would he say he’s in l-o-v-e?
Well, if it was me then I would (I would)
Would he hold you when you’re feeling low?
Baby, you should know that I would (I would)

Ela não queria se permitir lembrar. Não daquele dia. Não daquela vez que ouviu aquelas palavras saindo pela primeira vez da boca de . Que agora ele repetia naquela música.
Droga! Eram tantos detalhes… Tantas coisas que significavam o mundo para ela…
Como ela foi tão estúpida sem nunca perceber que aquela amizade não teria futuro? Como ela nunca notou os motivos que tinha para sempre estar receoso em permanecer perto dela? E pior: como ela pôde esconder que não sentia o mesmo? Que nunca quis beijá-lo? Que nunca quis tocar em seu maxilar e fazê-lo apertar os olhos tentando resistir àqueles toques? Pois agora era impossível fingir. Era tudo que ela mais queria.
A lembrança já tinha sido puxada e ela não tinha muito o que fazer. Só queria estar naquele momento, naquela hora, naquele instante novamente.

30 de abril de 2015, 4:15 da tarde - nos fundos do palco da High Gates

- That’s what going oooon...
A cada passo que ela dava mais perto dos fundos do teatro, escutava mais algum verso da música que tanto gostava. Da voz que ela tanto amava.
Estranhou aquele pensamento e só continuou andando. Procurando.
- Nothing’s fine, I’m toooorn. - agora ela estava mais perto, com os dedos sobre a cortina vermelha que os alunos tinham terminado de cortar e só faltava pendurá-la. Abriu uma fresta e viu de costas, sozinho, cantando a todos os pulmões. - I’m all out of faith, this is how I feel… I’m cold and I’m shamed, lying naked on the floor...
notou a voz dele embargada e viu o rosto dele brilhando. Esperava ser suor, devido ao trabalho que ele tinha ao pintar a árvore. Uma grande bosta aquele cargo que deram a ele, mas pelo menos ele não tinha que suportar nenhum valentão que sempre tirava uma com a cara dele. Menos uma preocupação.
Não queria atrapalhá-lo, mas foi mais forte que ela.
- Illusion never changed into something real...
se sobressaltou ao ouvir uma voz a mais. A voz de . Ela, por acaso, tinha saído diretamente de seus pensamentos? E, afinal, o que ela fazia ali?
Não importava muito naquele momento já que agora ele estava virado a vendo fazer sinais com a mão para que ele continuasse a cantar. E estava com aquele sorriso maravilhoso, brilhante, que só ela tinha. Droga. Seu coração agora palpitava e sua respiração logo começaria a descoordenar. Ele sabia que era tudo culpa da presença dela, mas não podia mandá-la embora. E nem queria.
- I’m wide awake and I can see the perfect sky is torn... - ela tinha a voz de anjos, notou. Percebeu a deixa, puxou ar e continuou.
- You’re a little late, I’m already tooorn. - deu alguns passos a frente quando já tinha dado vários. Estavam bem perto um do outro e queria abraçá-lo. Não sabia o que tinha dado nela. Ela só precisava daquilo. Então não receou.
foi pego desprevenido, mas não recusou o abraço. Apertou a melhor amiga em seus braços e desejava não ter de soltá-la. Porque era tudo sempre tão difícil?
Por mais que seus pensamentos reforçassem a dor que ele sentia em não poder tê-la, seus lábios curvavam-se em um sorriso, denunciando sua felicidade genuína em poder ficar abraçado com ela sem ficar constrangido. Pelo menos não até escorregar o rosto junto ao dela e parar a centímetros do mesmo. A cena que estava na sua mente já se tornando realidade e os olhos dela também pedindo para que ele fizesse aquilo.
não podia negar. Seus olhos não mentiam. Mas ela não sabia da onde aquela vontade havia saído. Tudo bem. Não era a primeira vez. Porém, isso não queria dizer que não podia se controlar. Ela tinha um namorado, ora essa.
Respirando fundo e evitando morder os lábios inferiores, manteve os olhos na boca de , mas se afastou, espalmando a mão no peito dele. Notou que tinha algo de errado com sua respiração, por isso virou o rosto e fingiu estar limpando o rosto, quando na verdade percebeu que seu coração também batia rápido, no mesmo ritmo que o ar saia de seu peito.
, sem entender o que se passava, ficou na dúvida se ia até ela ou fingia que não tinha uma tensão no ar. Engoliu em seco e esperou se virar novamente.
- … - ela começou, já com outra ideia na cabeça para tirar aquele ar amoroso no ar, o qual ela nunca sabia como agir. - Como você canta bem!
O garoto deu um meio sorriso e levou uma mão à nuca, sem saber o que responder.
- Obrigado?
- Não! É sério! - deu mais um passo a frente. - Você tem uma voz tão boa… Porque nunca me mostrou seu talento? - os olhos dela brilharam naquele momento.
- Porque eu não acho que cantar é meu talento? - ele falou da mesma forma que a anterior, sem certeza nenhuma do que falava.
- Só pode estar de brincadeira, né? - ela sorria. - Queria eu cantar como você!
- Que exagero, . - riu olhando pro chão. Voltou a cabeça para cima e afirmou. - Você canta bem também. Deixa de bobeira.
- Claro que não! Eu pareço uma hiena! - ela também ria.
Continuaram fazendo piada um sobre o outro, mas logo estariam entrando no clima que nenhum dos sabiam como agir. Por isso, resolveu voltar a se sentar e terminar de pintar pelo menos aquela árvore e ir pra casa. Não conseguiria ficar muito tempo do lado da amiga tendo de controlar todos seus mínimos movimentos.
- O que faz aqui, aliás? - perguntou na hora que ela se sentou ao lado dele.
- Ah, - ela colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, chamando a atenção dele - vim ver se ainda tinha vaga pra equipe de dança. Mas, pelo visto, já acabou o ensaio, né?
Ela se referia ao evento que tinha todo fim de ano o qual qualquer pessoa podia participar, devido ao leque enorme de áreas que o evento abordava. Ia de pintura a atuação, tendo até exposições de faixas coloridas por todo colégio, pra chamar todos alunos pra participar. Era aquele típico evento que fazia toda escola se reunir.
- Hoje só veio o pessoal da pintura. - ele coçou gentilmente o nariz, irritado pelo cheiro forte da tinta, fazendo os olhos atentos da amiga brilhar. parecia cada vez mais bonito aos olhos dela, e ela ao menos sabia por quê. - Os caras que estão organizando a dança e o teatro conseguiram um outro lugar pra ensaiar também. Como resolvemos marcar hoje pra pintar tudo, conseguiram reservar o local pra ensaiar por lá, também.
se concentrou em pintar as folhas pra não ter de pensar nas loucuras que queria fazer no momento. Tentava evitar e ela bem notava.
O olhar da garota não descansou até ele notar que estava sendo encarado todo aquele momento. Sem graça e confuso, virou pra amiga e perguntou.
- Que foi? Tô sujo? - começou a puxar uns pedaços da blusa procurando por algumas manchas e ela apenas riu, vendo que ele também fazia graça. Foi pro lado que tinha a lata de tinta e pôs a pontinha do indicador dentro, chamando a atenção de quando falou.
- Não. - ele virou o rosto pra ela. - Mas vai ficar. - e então encostou o dedo na bochecha dele, escorregando mais um pouco e deixando uma linha vertical na pele do garoto. - ! - se irritou falsamente e começou a rir da brincadeira. - Agora você vai se ver comigo! - colocou três dedos dentro da lata, também, e assim que a amiga começou a correr gritando vários “não faça isso”, ele começou a persegui-la. - Volta aqui! Acha que vai se safar, é? - começou a correr mais rápido e conseguiu segurar a barra da camiseta dela com a mão limpa, fazendo não só ela cair como ele também. Assim que os dois se viram no chão, com ele quase em cima dela, começaram a rir desesperadamente daquela brincadeira de criança. Aquele tipo de brincadeira que eles nem tinham tempo pra fazer mais.
Assim que as risadas cessaram e os olhares pesaram, cerrou os lábios e, respirando calmamente, levou os três dedos pintados bem próximos do rosto dela. Com um ele fez um traço horizontal numa bochecha, outro ele fez a mesma coisa, mas na outra bochecha, deixando parecer uma índia. Por fim, colocou o terceiro em cima do nariz dela, fazendo o coração dela bater mais forte e a respiração voltar a ficar dessincronizada. Ele não pôde evitar. Quando deu por si, já estava com o polegar, um dos dedos limpos, por cima do lábio inferior dela, com o olhar repousado lá também. sabia o que viria a seguir, mas não conseguiu se mover, não conseguiu impedir. Ela também queria.
Ele chegou o rosto perto do dela devagarzinho, não tirando o olhar da boca dela, querendo sentir o gosto dela, querendo beijá-la pra sempre sem ao menos tê-la beijado uma única vez.
As respirações se misturaram e bateram uma contra o rosto do outro, mostrando a proximidade que eles estavam. Ele encostou de leve os lábios beijando o lábio inferior dela, pra depois dar mais um selinho no de cima e, só com um olho aberto, notar que ela tinha sido tomada pelo momento. Repousou a mão na bochecha dela e enquanto beijava devagar os lábios dela, pedindo passagem com a língua, fez um carinho ali, esquecendo que tinha acabado de pintar aquele local.
O beijo era calmo. Eles procuravam se conhecer daquela forma mais íntima, cada parte um do outro, sem pressa nenhuma de fazer aquilo acabar. tinha as mãos inquietas, apesar de elas estarem segurando seu corpo contra o chão. Queria percorrer os dedos por todos os fios de cabelo do amigo. Queria que ele chegasse seu corpo mais perto, o que ele não estava fazendo, e ela queria fazer por ele.
Quando perceberam que o ar faltava, retiraram o contato labial pra respirar fundo. estava em transe enquanto uma única imagem aparecia na cabeça de . Zac.
Incomodada, ela rapidamente se levantou, ainda de olhos fechados, e passou as mãos por cima do rosto. Onde ela estava com a cabeça? Porque fez aquilo?
- … - ela começou a falar, sendo impedida de começar pelo amigo já estar de pé e bem próximo dela de novo.
- , por favor… - ele chegou ainda mais perto dela e tirou a mão dela de cima do rosto, podendo ver a sujeira que tinha feito. Riu baixinho, o que fez ela abrir os olhos.
- O que…? - ela falou sem entender.
- Seu rosto… Eu… - ele mostrou, apontando pro próprio rosto, que tinha o sujado de tinta.
- Ah! - exclamou e olhou pra baixo. Não sabia o que falar.
, não vendo outra oportunidade melhor, levantou o rosto dela e, olhando bem fundo nos olhos confusos da garota, falou.
- Você talvez não saiba, mas agora que isso tudo já aconteceu acho que está mais do que na hora de você saber. - não sabia como, mas estava tranquilo. Talvez por finalmente conseguir falar tudo o que sentia. Ele pelo menos tentaria.
- Do que você está faland… - a cortou.
- Estou dizendo que estou apaixonado por você, . Eu não consigo mais esconder isso de você nem de ninguém. Eu quero você pra mim. - ele falou dando mais um passo a frente querendo tomar os lábios dela com os seus mais uma vez.
- , eu namoro o Zac e… - ele a interrompeu de novo.
- Acho que você sabe muito bem que eu gosto de você antes mesmo do Zac aparecer. Que eu faria você feliz muito mais do que ele faz. Eu faria qualquer coisa por você. - ele não parava de andar pra frente enquanto ela cada vez mais tentava recuar.
- Eu não posso… - tentava negar aquilo, mas ela sabia que estava mentindo. E pior do que mentir pro seu melhor amigo, era que ela estava mentindo pra ela mesma. Por mais que aquilo a incomodasse, ela saberia que o incômodo de ter traído o namorado seria pior. Ela não podia deixar na mão, mas também não podia fazer aquilo com Zac.
Depois de muito recuar, as costas dela encontraram a parede percebendo que não tinha saída.
- … - depositou mais uma vez a mão no rosto dela, sentindo que os olhos dela estavam confusos, refletindo o que ela tinha na mente. Ele sabia que o problema era Zac. Mas ele queria enfrentá-lo. Pelo menos indiretamente.
- Desculpa, . Mas você é meu melhor amigo. E Zac é meu namorado. - ela continuava tentando encontrar desculpas. Ela queria encontrá-las antes que entrasse em contradição.
- Mas a gente pode resolver isso. Juntos. - ele segurou a mão da garota, fazendo ela olhar pra baixo e seus olhos se encherem de confusões. Cada lágrima por um caminho.
- Não. Nós não podemos. - ela deu um passo pro lado e saiu o mais rápido que podia dali.
Logo estava na rua com algumas lágrimas ainda saindo pelo seu rosto e cheia de perguntas na mente. O que estava havendo com ela? Desde quando tinha aquelas atitudes? Desde quando ele gostava dela? E, o pior, desde quando ela gostava dele?

Would he please you?
Would he kiss you?
Would he treat you like I would?
(Like I would?)
Would he touch you?
Would he need you?
Would he love you like I would?

É, ela sabia. Ela tinha traído pelo menos um pouquinho da confiança de Zac. Ela queria se matar por aquilo. Se matar por ter descoberto tão tarde gostar de .
Aqueles últimos versos da música eram lindos. Ela teria visto eles dessa forma se o namorado não tivesse aparecido bem naquela hora.
Assim que Zac passou pela entrada do auditório e viu cantando aquela música, resolveu ficar parado escutando. Podia ser pra outra pessoa, certo? Ele não teria a coragem de fazer aquela música pra sua namorada, que era a melhor amiga dele. Ou ele achava que iria correndo ao seu encontro imaginando ser uma cena de filme? Zac quase gargalhou com aquele pensamento se não fosse cada verso que ele escutava daquela música. Droga. Era mesmo pra sua namorada. E ele queria acabar com aquele showzinho de uma figa.
Foi batendo pé até onde a namorada estava e pousou uma das mãos num dos ombros dela, chamando a atenção da garota.
- Zac? - os olhos dela denunciaram o susto que ela levou ao ver o namorado ali.
- Estou atrapalhando o show desse seu melhor amigo? - ele cuspiu as últimas palavras fazendo sentir um certo receio, pela primeira vez, dele.
- C-claro que n-não… - ela tentava se redimir, o que não deu certo, visto que já tinha notado o que se passava e saía do palco irritado com aquela visão. Então o bendito acerto de contas estava ali. Na sua frente.
Depois de sair do palco, foi andando até eles cantando aqueles versos como se perguntasse a se era Zac mesmo quem ela queria. Se ela não achava que ele podia fazer muito melhor do que aquele cara que se escondia atrás de tatuagens e músculos.
- I would, yeah. - ele falou seu último verso bem perto dos dois que agora o enfrentavam. Assim que a música acabou, ele deixou o microfone rente a seu corpo, sem querer esbarrando na outra mão e fazendo um barulho horrível ecoar pelo local, espantando a todos que logo colocaram as mãos sobre as orelhas.
- Essa é a hora que você resolve ter uma atitude? - Zac soltou o braço de enquanto ia em direção de , com raiva e vontade de fazer o garoto desaparecer da terra. - Quando é que você vai entender que ela é minha namorada? - ele falava já bastante alterado.
- Ei, Zac. - foi quem não entendeu o que o namorado queria dizer. - Eu não sou de sua posse, ok? E deixa o .
- Deixa o ? - ele a imitou, ainda não entendendo. - Você ainda o defende?
- , pode deixar que isso eu… - tentou tomar partido, mas decidiu que aquela era uma hora vital. Hora dela colocar todos os pontos nos is.
- Chega! Vocês dois. - ela apontou pros dois, com a mesma mão, alternando os corpos. - Se eu comecei, eu vou terminar. - todos a olhavam sem entender nada, como se ela escondesse muitas coisas que ninguém sabia. Molhou os lábios com a língua antes de voltar a falar. - , eu sou sua amiga. Quando você vai entender isso? Eu amei a música, mas… - dessa vez foi Zac quem a interrompeu, devidamente irritado com aquilo tudo, os pulsos cerrados, dizendo que ele não concordava em deixar acabar com aquele assunto, ao invés dele e , que era os que lutavam pela garota.
- Para, . É sério? Você amou a música? - olhava-a intrigado.
- Zac, pare de me interromper. E, sim. Eu amei a música. Ele compõe bem e canta bem. Você devia tentar escutá-lo pelo menos uma vez na vida. - falava como aquilo fosse simplesmente entrar na cabeça do namorado e ficar por lá. Como se ele quisesse realmente ser amigo de um dia. Como se pra ele não houvesse os grupinhos. O que era uma grande mentira.
- Eu não quero escutar isso. É melhor você ficar com ele mesmo. Pra mim, chega. - Zac falou aquilo possesso, mas preferiu deixar pra lá. Foi se retirando do local pensando que era melhor até pra ele. já estava estranha fazia um tempo. Talvez fosse o motivo.
- A gente pode ficar a sós, agora? - pedia com o olhar pra , quase implorando.
- Tudo bem. - a garota falou reparando nos olhares dos outros enquanto iam pra área externa do local que tinham alugado pras apresentações de final de semestre.
Saíram de lá ainda sob olhares e cochichos e resolveram não ficar por ali. No meio do caminho, percebeu que estava levando o microfone e sorriu meio sem graça, voltando e deixando em cima do palco, indo ligeiro ao lugar que ela estava. Sentada no meio fio.
- Me desculpa, , eu não pensei que fosse dar nessa confusão e… - começou a rir, achando graça em como tudo pra se resolvia com desculpas. Movia a cabeça em negação e depois olhou pro rosto dele, tentando decifrá-lo.
- Você tem que parar de se desculpar a todo momento. Sério. - falou resolvendo tomar alguma atitude certa pelo menos uma vez na vida. Colocou sua mão sobre a dele, que logo se sobressaltou, tentando entender o que acontecia. Com o olhar sob o acontecido, falou.
- Isso quer dizer que… - não conseguia terminar a frase, tamanho sorriso crescia em seus lábios. No rosto de tinha o mesmo sorriso. Como um perfeito reflexo.
- Que pode ser cedo. Mas eu sinto o mesmo. - ela se aproximou dele, sem sentir medo. - Que o sentimento é recíproco e… - levou a mão até a bochecha dele, fazendo um leve carinho ali. Antes de fazer o que tanto queria, frisou a parte que ela mais gostou de tudo aquilo. - Eu realmente amei a música. - eles sorriram soltando uma leve gargalhada e ela, por fim, acabou com toda a distância. Seus lábios se chocaram e ela o beijou com saudades. Daquele único beijo que não saciou sua sede.
- Eu te amo. - ele falou de olhos fechados. - E não é só como amigo.
Ela sorriu e beijou a ponta do nariz dele.
- Eu também, seu bobo. - encolheu-se no ombro dele. - Talvez seja eu quem deve te dar umas desculpas. Por ter notado isso quase tarde demais. - sorriu perto da orelha dele, fazendo alguns pelos do garoto se eriçar.
- Que tal a gente começar com alguns beijos? - ele recuou, sorrindo travesso.
- Acho que essa é uma ótima ideia. Estou louca pra conhecer esse seu lado. - ela sorriu encarando a boca dele, tão apetitosa...
- Vem provar. - ele apontou pros próprios lábios, ainda com o mesmo sorriso. Assim que ela ia alcançar, ele resolveu brincar e saiu correndo.
- Volta aqui! - ela se levantou gritando e rindo enquanto ele já estava longe. Saiu correndo, sentindo que seu amigo estava de volta. Como se aquilo sempre estivesse ali e ela nunca tivesse percebido. E ela amava se sentir daquele jeito. Finalmente era ali. E seria pelo resto de sua vida.

FIM



Nota da autora (31/08/15): E aí, galeeera? Nem acredito que consegui terminar o/ Curtiram?
Tentei fazer algo mais fofinho nessa fic e quem leu antes adorou as ideias dos flashbacks. E vocês? O que acharam? O final tá muito dramático? Espero que tenham gostado, viu?
Acabei a fic bem no dia do aniversário do meu pp (ei, Liam!) e não podia estar mais feliz que isso! Gostei muito de escrever essa, muito mesmo. Vou deixar minhas outras fanfics aqui embaixo, caso vocês queiram ler, e podem me procurar lá no @thamsanchis, ok? Não deixem de deixar aquele comentário lindo! Beijosss <3

Outras fanfics minhas:

Uma noite de natal em Alavus (Especial Extraordinário II/Em parceria)
A Song About Love (Jake Bugg/Shortfic)
Second Meeting (Outros/Em andamento)
15. Room On The Third Floor (Ficstape #11/McFly: Memory Lane)



Nota da Beta: Gente, que fic mais fofa, mais linda!! Amei muito, parabéns Tham, arrasou! Foi um prazer betar essa fic, quando quiser me mandar outras fique a vontade ok? hahaha E comentem muitoooo eim gatas, a fic merece. Xoxo-A




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