Finalizada em: 16/08/2017




Capítulo Único


- Só mais uma noite. – ouvi falar cansada, mas com certeza sorrindo do outro lado da linha.
- Só mais um dia. – respondi, observando o sol de Los Angeles penetrando as frestas da cortina do quarto. – Quando eu acordar finalmente poderei marcar o último X nesse maldito calendário.
- Eu estou ansiosa, foram três meses sem você ao meu lado, sem o seu rosto, seu beijo. Até da sua barba roçando no meu rosto eu sinto falta...em outros lugares também. – mordi meu lábio inferior, imediatamente levando minha mão livre para abaixo de minha cintura, a saudade que eu sentia doía ainda mais sabendo que no dia seguinte a teria em meus braços.
- E eu não sei? Minhas mãos já estão cansadas de trabalhar olhando suas fotos e vídeos.
- !!! – a ouvi rir do outro lado e não consegui não rir junto. – As coisas que falamos ao telefone e as fotos que te enviei vão bem além do que eu jamais achei que fosse fazer um dia.
- Nós combinamos, não? Quando essa distância ridícula deixar de existir vamos apagar todas.
- Eu confio em você. – sussurrou, me fazendo fechar os olhos em alegria - , eu não consigo dormir.
- Eu estou aqui, como sempre estive, sereia. - a respondi, sentindo o peso das minhas palavras.
- Eu sei, e, se é possível, eu te amo ainda mais por parar tudo que estivesse fazendo para me ajudar a acabar com essa insônia que que apareceu do nada.
- Tenta dormir, eu vou te esperar. – assegurei apertando o botão do controle para que as cortinas se abrissem.
(10 minutos depois)
-
- Sim?
- Achei que tivesse desligado.
- Teve algum dia que eu desliguei uma vez sequer antes de você?
- Não, mas…
- Não faria isso na última noite, .
- Eu te amo, .
- Só não mais do que eu, . – respondi, o que há quase um ano se tornou nossa “piada” particular.
- Acho que vou dormir. – ela disse sonolenta e me levantei da cama, vendo meu cunhado na piscina com meu cachorro.
- Boa noite, sereia. – respondi, sabendo que aquela não seria a nossa última conversa.
(20 minutos depois)
- O que você está fazendo?
- Olhando seu irmão nadar com o Pirata. – sorri, acenando para Henry que ria das tentativas do cachorro de alcançá-lo. – E você, não vai dormir?
- Eu acho que tô com medo.
- De quê?
- De acordar amanhã e ainda não ser o dia que vou te ver de novo.
- Vou estar lá, eu prometi, não?
- E os paparazzi?
- Que tenham milhares, eu preciso ser o primeiro a te ver.
- Espero que ainda me reconheça.
- Fácil, a mulher mais linda do mundo, com ou sem cabelo.
- Lindo é você.
- , fecha os olhos, são pouco mais de vinte quatro horas para eu te ter em meus braços novamente. Sei que você precisava ir nessa viagem, eu estou tão feliz em saber que foi tudo que você sempre sonhou. África do Sul, Kenya, Madagascar, Grécia, Índia, Nepal, China, Tailândia, Vietnã e Japão, eu invejo todos esses lugares por terem tido você enquanto eu estava aqui, morrendo de saudades. Eu sempre vou ficar do outro lado da linha quantas horas forem preciso para ter a certeza de que você está dormindo em paz. Eu preciso saber que enquanto estamos longe você está bem e segura. Eu não consigo nem pensar na ideia de algo acontecendo com você enquanto estou dormindo, sereia. Você é a melhor parte de mim e eu te amo tanto que faço o que for preciso pra te fazer feliz, pra te ouvir dormir em paz.
- …
- ? Dormiu. – sorri sozinho sabendo que depois de noventa e dois dias longe de minha namorada, essa era a última vez que a faria dormir através de um telefone.
Joguei o celular na cama, vendo aquele envelope jogado de qualquer jeito, ainda lacrado. Suspirei fundo, o ignorando mais uma vez.

(...)
She is the sweetest thing that I know
You should see the way she holds me when the lights go low
Shakes my soul like a pothole, every time
Took my heart upon a one way trip
Guess she went wandering off with it
Unlike most women I know
This one will bring it back whole


era uma das atrizes mais famosas do mundo, assim como eu. Ela começou sua carreira aos quatro anos de idade, já eu fui descoberto apenas com dezoito. Nos conhecemos ano passado nos sets de filmagem do filme mais importante de minha vida, Curtain Call.
O filme contava a história de Josh, um universitário que tinha tudo para ser a nova estrela do baseball americano, mas descobria estar com câncer. De volta a sua cidade natal para tratamento, reencontrava a irmã de seu melhor amigo, Oliver, que havia falecido pouco antes deles se formarem no colegial. Melody era a garota por quem Josh, meu personagem, era secretamente apaixonado.
Desde o começo, fiz questão de fazer parte da criação do roteiro, escolha de locações e atores. A única coisa que saiu do meu controle, mas que acabou sendo minha salvação, foi a escolha da atriz principal. Eu queria que uma atriz diferente fizesse o papel de Melody, mas meus diretores tinham outra ideia e sem que eu soubesse, contrataram .
Eu fiquei puto quando soube, queria minha primeira opção, uma atriz mais séria e renomada, não uma menina que era mais conhecida por ter interpretado uma sereia num seriado adolescente.
No começo eu fiz da vida dela um inferno, hoje em dia tenho até vergonha em admitir que fiz de tudo para que ela não se sentisse bem vinda. Acreditava que ela não estava preparada para estrelar um filme tão sério e importante para mim.
Certo dia gravamos uma cena crucial, que demandava muito dela como atriz e eu tinha certeza que ela falharia, mas me surpreendeu, ainda mais quando fomos ver como a cena tinha ficado e eu não conseguia fazer outra coisa, a não ser olhar para ela. Embora quisesse ver minha própria atuação, meus olhos automaticamente iam para ela, a câmera parecia amá-la e a química que vi entre nós, me assustou. Percebi ali que ela era talentosa e capaz, mas usava muita técnica, atuava de forma automática, não tinha a paixão necessária para se tornar uma grande atriz.
Foi nesse dia que me toquei que eu precisava descobrir o porque esse talento se escondia tanto. Não foi difícil nem demorado, quando conheci sua mãe e a ouvi criticar a própria filha, entendi tudo. era controlada por alguém que vivia o sonho de ser famosa através dela, algo bastante comum em nosso meio.
Demorou, mas com o tempo, eu não só vi a sereia, como a chamava apenas para irritá-la, se transformar na atriz que havia nascido para ser, como também acabei me apaixonando perdidamente.
Durante as gravações eu guardei um segredo a sete chaves que eu só pretendia revelar no último dia de gravação, mas minha namorada tinha outra ideia e algo faltando em sua cabeça. Com apenas dois meses para o final das gravações encerrarem, a personagem de , Melody, rasparia o cabelo em solidariedade a Josh. Claro que tínhamos pensado em uma maquiagem para que a fingisse ser careca, mas ela surpreendeu a todos, e principalmente a mim, ao cortá-lo de verdade, na máquina zero.
Quando eu a vi, mal pude acreditar em meus olhos, ela estava tão linda, como nunca a tinha visto antes. Acabei me emocionando e saindo completamente do script, e, quando a vi me encarar sorrindo, decidi que ali todos mereciam saber o que era tão importante naquele filme que me fazia passar quase que 24 horas no set.
A história na verdade era baseada num fato real demais para mim, ela contava como meus avós tinham se conhecido e como o câncer havia levado meu avô cedo demais de nossas vidas. Do fruto do amor deles, nasceu minha mãe, Jessica. Todas as cenas que vínhamos gravando até então eram baseadas em fotos que foram cedidas por minha mãe para que pudéssemos recriar exatamente tudo que meus avós passaram.
Nunca pensei que poderia encontrar um amor como o que eu tinha, num set de filmagem. era a pessoa mais doce que havia conhecido em toda minha vida, ela estava sempre lá por mim, em todos os meus bons e maus momentos. Sempre que a olhava sentia meu corpo se arrepiar, de tão sortudo que eu era por ter uma mulher como ela me amando. foi a primeira a quem dei meu coração, sem medo numa jornada única, pois eu sabia que mesmo que ela fosse para longe com ele, diferente de todas as mulheres que eu já tive, ela voltaria com ele intacto.

(...)
Daisies, daisies perched upon your forehead
Oh my baby, lately I know
That every night I'll kiss you you'll say in my ear
Oh we're in love aren't we?
Hands in your hair, fingers and thumbs baby
I feel safe when you're holding me near
Love the way that you conquer your fear
You know hearts don't break around here


Cheguei ao aeroporto ao mesmo tempo que recebi sua mensagem dizendo que o avião tinha pousado. Sorri animado, mesmo sabendo que LAX era o aeroporto com a maior concentração de paparazzi por metro quadrado, hoje lhes daria um prato cheio.
Carregava comigo um bouquet de rosas brancas enorme, já estava arrependido de ter trazido, pois era bastante pesado e estava chamando ainda mais atenção para mim. Olhei pra trás, confirmando que meus dois seguranças andavam comigo e continuei meu caminho.
Por conta de tudo que passou nas mãos de Moira, sua mãe controladora, ela acabou não tendo a mesma adolescência que eu ou a maioria das pessoas de sua idade tiveram, então quando Curtain Call finalmente estreou, cumprimos nossa agenda de viagens para divulgação e assim que o trabalho finalmente acabou, decidiu tirar 6 meses de férias das câmeras.
No primeiro mês focamos nossas energias em nosso início de namoro, eu havia perdido 12kg na trajetória final do filme e aproveitei para comer tudo o que tinha direito. Passamos 30 dias longe dos holofotes, nos permitindo ser um casal “normal”.
No final do mês, resolveu realizar um sonho, mochilar pelo mundo sozinha, isso mesmo, sozinha. Eu poderia muito bem ter ido com ela ou ao seu encontro quando a saudade apertasse, e acredite, foram muitas as vezes que eu admito que chorei, ou sofri por ouvi-la chorar de medo, saudade, alegria ou apenas por ter visto algo que a chateou, mas ela precisava daquele tempo que era só dela e de mais ninguém, e eu a amava o suficiente para respeitar seus sonhos e desejos. Ela tinha recém completado 21 anos e ainda descobria sua liberdade, eu já estava com 25 e tinha aproveitado e muito minha vida até então.
Franzi o cenho impaciente, via diversas pessoas saindo com etiquetas do voo vindo do Japão e nada dela, não aguentava mais as pessoas a minha volta sussurrando meu nome e tirando fotos a cada cinco segundos, isso sem contar o constante click e flash dos paparazzis. Já estava ficando insustentável, quando finalmente a vi.
usava um vestido longo de tecido fino, seu cabelo já tinha crescido bastante, batia abaixo de sua orelha e ela havia feito algumas luzes durante a viagem que a deixaram ainda mais bonita. Sorri feito bobo ao ver a coroa de margaridas que ela usava na cabeça, tão simples, mas tão...ela.
Assim que ela me viu, seu rosto se iluminou, e, como se estivessemos em câmera lenta a vi jogar suas malas e bolsa no chão e vir correndo em minha direção. Senti um dos meus seguranças puxar o bouquet de minhas mãos e os clicks fervorosos aumentarem consideravelmente.
Abri meus braços e quando seu corpo se chocou ao meu, a abracei com toda a força da saudade que sentia. Parecia sonho, mas não, minha namorada estava finalmente de volta. Afundei meu rosto em seu pescoço para sentir seu cheiro, seu gosto, seu corpo, próximo a mim. Precisava apenas disso para ter certeza que tudo ficaria bem, de uma forma ou de outra, contanto que a tivesse ao meu lado.
Me afastei com cuidado, levando minhas mãos ao seu rosto, como se ainda precisasse ter certeza de que ela estava ali. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, assim como os meus, mas seu rosto carregava um sorriso que quebrava todas as minhas defesas. Passei meu dedão com calma em suas lágrimas antes de finalmente acabar com algo que vinha acabando comigo, a beijei como se fosse a nossa primeira vez, e meu coração, que vinha batendo apenas pela metade, hoje voltava a ser inteiro.
Depois de um tempo, peguei as flores do segurança e lhe entreguei, vendo os paparazzi se aproximarem querendo fazer perguntas. Por muito tempo os sites de fofoca arranjaram diversas notícias falsas para satisfazer a mente deles do porque tinha viajado sem mim. Por mais que nós dois tivéssemos explicado, ainda queriam achar algo para criar intriga. De acordo com eles tive vários casos, inclusive com minha prima e tinha um namorado que viajava com ela escondido. Hoje pudemos desmentir cada uma daquelas histórias absurdas.
- Não posso acreditar que você é real - falou rindo, ainda entre lágrimas.
- Eu senti tanto sua falta, sereia, nunca mais fico esse tempo todo longe de você.
- Que bom, porque eu não pretendo ir a lugar algum.
Quando entramos no carro, já seguros, liberei meus seguranças para irem embora. Eu nunca andava com eles no dia a dia, apenas quando estava a trabalho ou em locais públicos como esse. Apesar de cansada, não parava de falar, mas eu não trocaria a voz dela ao meu lado, por nada desse mundo.
- Para o carro! - pediu séria e a encarei preocupado.
- Você tá passando mal?
- Só para, , por favor.
- Mas aqui, na rodovia? - perguntei ainda estranhando, indo aos pouco para a pista do canto.
- Sim. - ela sorriu fechado e assenti.
- O que foi, sereia? - a olhei novamente, esperando uma resposta.
- Eu tava com saudade. - disse manhosa, se soltando de seu cinto de segurança e para minha total surpresa pulou em meu colo, colocando uma perna em cada lado de meu corpo. - Muita! - finalizou antes de encarar minha boca e morder seu lábio inferior, coisa que ela sabia muito bem, me deixava completamente maluco.
E aquela rapidinha, parados no acostamento de uma rodovia movimentada, em plena luz do dia, foi apenas a primeira, das muitas vezes que nos amamos naquele dia. Após a festa de boas vindas que seu irmão, Henry, preparou, a qual cedi minha casa para que coubesse todos os nossos amigos e alguns familiares, passamos a semana toda juntos, na cama.
- , depois dessa semana acho que já podemos lançar nosso próprio filme pornô. - falou, brincando quando me viu sair do banheiro. Ela chegava no quarto com uma bandeja enorme de pipoca, suco e chocolate.
- Só se eu também for o diretor e cameraman, algumas partes suas eu não divido com ninguém. - falei divertido, vendo-a me encarar com um olhar que eu sabia bem o que diziam. - , eu tô cansado, você não tem dó de mim, não? Daqui a pouco meu amigo aqui cai de tanto que o usei essa semana, não que eu esteja reclamando. – comentei, secando meu cabelo com a toalha que estava em minhas mãos. - Só preciso de um intervalo.
- Você que não tem dó de mim, está mais gostoso do que quando te conheci e ainda me sai do banheiro só de toalha e todo molhado. Impossível resistir! – sorriu, pegando o celular. - Morde o lábio , daquele jeito que eu amo.
- Mas eu só faço aquela cara quando… - nem terminei de falar e ela, sabendo o que eu ia dizer, soltou o laço de seu robe, deixando seu corpo todo a mostra e por mais irônico que isso fosse, fiz a cara que ela me pediu, sem ao menos atuar.
- Aonde foi que eu tirei essa sorte grande? - me encarou pervertida, mostrando a foto que tinha tirado. - Eu te dou um descanso, mas só por hoje, ainda não matei toda a saudade que senti de você.
- Ufa! - brinquei aliviado, terminando de me secar. - A política ainda continua? - questionei vendo-a assentir.
- Sim, foi decretado que nessa cama Reed e só podem se deitar se estiverem completamente nus, acessórios são permitidos, mais nada. Pena máxima de lavar a louça pelo resto da semana para aquele que quebrar as regras.
- Sim, senhora. - sorri balançando a cabeça, eu já nem lembrava mais o que era usar roupas.
- Vamos assistir filme ou série? - ajustou os travesseiros para que eu me deitasse na cama.
- Série? - a questionei, dando espaço para que ela se deitasse sob mim, apoiando suas costas em meu peito. Podia sentir o cheiro de seu shampoo, sorri lhe dando um beijo na cabeça e passando meus braços por seu corpo. - Ou podemos comer em silêncio, só com você aqui nos meus braços.
- Nós estamos muito apaixonados, não estamos? - sussurrou em meu ouvido algo que vinha me dizendo todas as noites. Sim estávamos e muito, não sabia se conseguiria esconder dela os meus medos por muito mais tempo. Ela merecia mais do que o meu silêncio.
- Nunca achei que fosse sentir ou falar as coisas que falo pra você. Eu previ lá no começo, você realmente me deixou viciado em você. - respondi por fim e se virou para me encarar.
- Eu não tenho vergonha de sentir ou responder a cada uma dessas coisas que você me fala, acho que entre quatro paredes todos os casais apaixonados são assim e falam essas coisas. - sorriu dando de ombros, sentando em meu colo com cuidado, devido a nossa falta de roupas.
- Só você me faz ter essa vontade, nesse quarto ou em qualquer lugar pra ser sincero. - Levei minhas mãos ao seu cabelo, mania que peguei desde o dia em que ela o raspou.
- Essa semana toda quando acordo sua mão sempre tá no meu cabelo. – disse, pegando minha mão e entrelaçando nossos dedos.
- Eu fico feliz que você tenha vencido todos os seus medos, mas confesso que quando estou com você ao meu lado, me sinto seguro, como se nada pudesse me atingir. - senti um enorme peso sair do meu peito, mesmo que ali tivessem apenas meia verdades. - Acho que por isso estou sempre te tocando, para ter certeza que você ainda está aqui comigo.
- Eu te amo .
- Só não mais do que eu, sereia. - sorri acabando com o espaço que tinha entre nós.

(...)
She is the river flow in Orwell
And tin wind chimes used for doorbells
Fields and trees and her smell, fill my lungs
Spent my summer time beside her
And the rest of the year the same


Estávamos na casa de no Hawaii, onde ficaríamos pelas próximas três semanas. Ela tinha essa casa há anos, desde quando gravava Dream Island por aqui. Era minha primeira vez na ilha e já sabia que não seria a última. Poder viver em um misto de mar e campo, acompanhado da minha namorada, era muito além do que eu imaginei que faria nesse verão. Sempre que tinha uma folga tentava visitar meus pais e irmão em Chicago, mas desde que saí do hospital, não tive coragem de encarar minha mãe.
- Parem de dar risada. - resmungou emburrada.
- Não dá, . - Henry segurava a barriga de tanto que ria.
- Pirata, até você? - ela acabou rindo ao ver nosso cachorro latir em direção a ela. - Eu tentei ok? Surf não é comigo.
- Ah, chefinha, pelo menos essa última queda não foi tão ruim. - Poppy, nossa assistente e namorada de seu irmão lhe mostrava as fotos que tinha tentado tirar dela surfando.
- Que saco, como você consegue ser tão bom, ? Não tem uma foto decente.
- Eu cresci surfando, sereia. – falei, a abraçando por trás. - Estamos só no começo das nossas férias, ainda tem tempo, eu te ajudo.
- Humpf! - murmurou ainda emburrada e eu rocei minha barba na curvatura de seu pescoço, já que sabia que fazia cócegas nela.
- Ei, , quando você fez essa tatuagem? - ouvi Poppy me perguntar e olhei para .
- Lindo demais esse meu namorado, não? - se virou, passando seus braços sob meus ombros antes de me beijar.
- Urgh! - Henry sempre fazia cara feia quando achava que eu e sua irmã exagerávamos em nossas declarações e carinhos.
- Não liga pra ele, não sabe ser cavalheiro e romântico como o . - Poppy lhe deu a língua, se aproximando para ver a tatuagem de sereia que eu tinha feito durante o tempo que ficou fora.
Eu já tinha essa vontade desde o dia que descobri que a amava, mas só a fiz de fato depois que sai do hospital. Era uma forma de eternizar tudo que Curtain Call significava em minha vida, um sonho realizado, um amor encontrado. Era a historia da realidade que virou fantasia, e agora, parecia querer se tornar realidade novamente.
- É tão linda! Parece você mesmo, , a Nixie usava esse colar.
- , menos, cara, assim fica difícil pra mim, daqui a pouco até eu quero namorar com você. - meu cunhado disse brincalhão, se aproximando e analisando a tatuagem. - Que foda que ficou, nem pra contar pro seu housemate. - me deu um soco no ombro, da forma que a gente sempre fazia para irritar um ao outro.

Com eu vinha aprendendo a ser simples, minha casa em LA era enorme, toda de vidro, impessoal. Já a dela era bem menor, mais aconchegante e me dava tão bem com Henry e seu amigo, Noel, que passei os 3 meses que ela estava longe, morando lá.
Quando comprei minha casa tinha apenas 20 anos, solteiro, fama recém chegada, dava festas toda semana e acordava com mulheres semi nuas jogadas por todo o canto da casa. Com os anos acabei amadurecendo e descobri que nem todos que pareciam ser meus amigos, eram de fato. Estavam mais interessados nos benefícios que andar comigo poderia lhes trazer.
Gosto de pensar que foi destino a Família Reed entrar em minha vida, mesmo depois de ter ajudado a se desvencilhar das garras da mãe, uma péssima maneira de tentar se ganhar a sogra, ainda assim era visível o amor que tinham um pelo outro, mesmo Henry tendo passado quatro anos sem falar com a irmã.
Demorou mais de seis meses para que Moira contatasse disposta a conversar, e, até hoje, dava para ver como as duas se olhavam incertas, sem saber serem mãe e filha, mas pelo menos haviam se perdoado e eu já não ressentia tanto a minha sogra. O resto, aos poucos ia se encaixando.
Essa união deles me fez perceber que não era tão legal assim morar sozinho, ainda mais agora com o possível diagnóstico. Pretendia fazer algo a respeito, mas queria esperar nosso primeiro ano juntos para não assustar minha namorada. O mais engraçado era que tinha comprado minha casa de Ashton Kutcher e comprou a sua de Mila Kunis, e agora estávamos nós dois em um relacionamento também.
- Ei, dorminhoco. - abri os olhos devagar, encontrando minha namorada me encarando com o cenho franzido, mas um sorriso doce nos lábios. - Está tudo bem com você? Tem dormido tanto ultimamente... Também está fugindo das nossas corridas diárias.
- Acho que peguei sol demais, aí fico sem energia pra correr. – menti, me sentindo péssimo. - Adoro deitar aqui e olhar as montanhas. – falei, encarando a vista que tinha da varanda da parte de trás da casa. - Fico tão em paz, que acabo dormindo.
A casa de era maravilhosa, a parte da frente dava para o oceano e todos os ambientes tinham enormes portas de correr ao invés de janelas. Pela manhã todas eram abertas, fazendo com que o Sol iluminasse todo o ambiente, assim que despontava no horizonte. Já a parte de trás era o oposto, um lago ocupava grande parte da vista, a sua volta um caminho rodeado de árvores e palmeiras, nos dando o melhor dos dois mundos, praia e campo.
- São quatro horas e o sol baixou, quer ir na piscina? O Pirata e o Henry já estão lá, pra variar. - rolou os olhos rindo, já que todas as tardes o cachorro se jogava na piscina e não parava de latir até achar uma companhia.
- Quero, mas antes - a puxei rápido, fazendo com que seu corpo caísse sob mim, a fazendo gargalhar. - Podemos ficar aqui um pouco?
- Com você? Em qualquer lugar. – sorriu, me dando um beijo antes de enfiar seu rosto na curvatura do meu pescoço.
- Eu só preciso disso pra viver. - fechei os olhos, tentando guardar aquele instante para sempre em minha memória. - A sua risada...me lembra aqueles sinos do vento, sabe?
- Isso é pra ser um elogio? - me encarou divertida e eu apenas mordi seu nariz em reposta.
- Sua risada. - continuei como se não tivesse sido interrompido. - Essa vista, as árvores e o seu cheiro enchem os meus pulmões, me permitem viver.
- Mais nada?
- Passar o resto do verão com você. - afirmei categórico.
- E o resto do ano também. - disse com os lábios tocando o meu pescoço, me fazendo suspirar fundo e a apertar ainda mais forte em meu abraço.
- O resto do ano também. – repeti, sentindo uma lágrima rolar pelo meu rosto.
- Como eu te amo! - falamos os dois juntos e acabamos dando risada de nossa sincronia.

(...)


Faltando pouco menos de uma semana para o fim das nossas férias prolongadas, eu tinha saído com Henry, para que ele me ajudasse a preparar a surpresa que tinha criado para o meu primeiro ano de namoro.
- Você tem sorte de ter irmão, é muito esquisito sair com o namorado da sua irmã para comprar pétalas de rosa e ainda ajudá-lo a colocar em todo o quarto...e em cima da cama.
- Jura que você ainda tá com isso? Estamos juntos há um ano, fora o tempo que eu passei só a querendo de longe, nao é melhor que seja só eu que a amo mais do que tudo no mundo, do que vários caras diferentes?
- Ainda é esquisito... mas sim, saber que vocês dois nasceram um para o outro me deixa mais confortável. Foi difícil, sabe, ver ela crescer através da TV ou das notícias de jornal. Eu sempre quis perdoá-la, mas era um babaca, ainda sinto que não fiz por merecer o seu perdão, não depois de ver tudo que ela passou ao lado da minha mãe.
- Você não teria mudado muita coisa, Henry, agora já foi, ela sempre te amou e sofreu por não te ter ao lado dela, mas agora você está aqui e isso é o que realmente importa. Fico feliz que se um dia eu não puder estar ao lado dela, saberei que você sempre a protegerá.
- E por quê você não estaria? - meu cunhado me olhou esquisito e eu apenas dei de ombros.
- Nós podemos terminar, sua irmã pode cansar de mim. - encarei minhas mãos, dando de ombros e ignorando completamente os olhos suspeitos de Henry, que logo teve que voltar a focar na estrada.
- O dia que minha irmã cansar de você o mundo acaba. - senti minha garganta arder em fogo. - E o dia que você cansar dela é o dia que eu desisto de acreditar no amor, cara. ... você não está escondendo nada da gente não, tá?
- Claro que não! - e ali, naquele momento, numa estrada qualquer em Honolulu, eu desabei.
Me permiti chorar pela primeira vez em três meses, chorei como há tempos não o fazia, de medo, da incerteza, da saudade que sentiria de coisas que ainda nem tinham me acontecido. Nem eu sabia que tinha tanto guardado dentro de mim. Em certo momento, Henry parou o carro em um ponto qualquer e me abraçou forte e eu acabei chorando ainda mais, soluçava feito uma criancinha de quatro anos que se machucou e não sabia como expressar sua dor em palavras, então a traduzia em ações.
- Você quer conversar? - Henry me encarou depois de muito tempo em silêncio.
- Agora não. – falei, sentindo minha garganta raspar.
- Não vou te forçar, mas saiba que estamos todos aqui por você, especialmente minha irmã.
- Eu sei, como sei. Querendo ou não já tenho vocês como minha família.
- Nós te amamos como se você fosse um de nós mesmo, aliás, você já é.
- Eu só quero comemorar meu primeiro ano de namoro da forma que sempre planejei.
- Eu não vou contar nada pra .
- Obrigado.
- Por enquanto. Quando voltarmos pra Los Angeles você vai ter que me contar o que está acontecendo.
- Tudo bem.

(...)


Agradeci mentalmente por ter uma cunhada e assistente como Poppy, que tinha saído com a tarde toda para que eu pudesse fazer tudo que tinha planejado para ela. Ela e Henry passariam a noite em um hotel que eu havia reservado, para que eu pudesse ter liberdade e privacidade o suficiente para ser o namorado mais brega e apaixonado do mundo.
amava a natureza e por estarmos no Hawaii, decidi transformar a frente de sua casa em um verdadeiro paraíso havaiano.
Uma equipe enorme trabalhava há horas no jardim, plantando todas as flores nativas do local. Assim que ela saísse do carro veria Plumerias, Hibiscus, Estrelícias e Naupakas por todo o gramado, formando um caminho natural, que rodeava a borda da piscina e parava na entrada da casa, a que dava para o oceano.
Henry já tinha feito uma pequena mala e esperava por Poppy na garagem junto com Pirata, eu me apressei em tomar banho e deixar minha barba e cabelo da forma que ela mais amava, essa noite seria somente nossa.
- ! - caminhava, admirando todo o jardim e mesmo de longe eu podia ver que ela tinha lágrimas nos olhos, já eu só conseguia olhar para ela, sempre mais linda e de tirar o folêgo do que da última vez que a vi. - Eu sabia que essa ida ao cabeleireiro bem no dia do nosso aniversário de namoro era muito suspeita, mas isso… - ela rodopiou com os braços abertos, apontando para todo o local. - Isso supera toda e qualquer expectativa que eu tinha para essa noite.
- Eu só quero demonstrar um pouco o quanto esse último ano me fez feliz.
- A mim também. - se aproximou com um sorriso no olhar e passei por seu pescoço, o famoso colar havaiano, feito de Pikakes rosa claro, para combinar com o vestido que tinha dado a ela de presente naquela manhã. - Estou me sentindo na final do The Bachelor. - finalizou me dando um selinho.
- Se fosse isso, posso afirmar que você sempre foi a única concorrente.
A casa estava toda a meia luz e velas faziam um caminho até o pequeno espaço aberto que tinha do lado de trás da casa, local que eu tinha elegido como o meu favorito. Ali, além do sofá que eu costumava passar meus finais de tarde, tinha também uma pequena mesa para dois, com o nosso jantar já servido.
- Hummm. - a observei saborear seu prato favorito. - Isso está sensacional, uma cópia fiel do prato do L'eglise.
- Não tão cópia assim. - provei do meu próprio prato a encarando com minha sobrancelha enviesada.
- Mentira?! - a vi me olhar surpresa. - Tem alguma coisa que você não faça? Como você fez isso?
- O Antoine ficou honrado com o meu pedido, levou ao aeroporto pessoalmente e Poppy arranjou alguém pra trazer até a casa agora há pouco.
- Ah, sabia que tinha dedo dela no meio, você não conseguiria planejar tudo assim sozinho.
- Ei! - disse ofendido. - Eu que planejei tudo ok, só precisei de uma ajuda aqui e ali, já que sou apenas um.
- Eu sei, meu amor, só preciso lembrar de agradecê-la depois, realmente contratá-la foi a melhor coisa que fiz, ela é sensacional.
- Não é a toa que comecei a dividir o salário dela com você.
- Ainda assim, eu adorei a surpresa, você sabe como amo todo e qualquer prato que o Antoine cria.
- Acho que você vai ficar ainda mais contente ao descobrir que depois do meu pedido, ele disse que se sentiu inspirado pelo nosso amor á comida dele e criou uma sobremesa para o novo menu e seremos os primeiros a provar, se chamará Mélodie de Chocolat.
- Acho bom você começar a planejar o que fazer no nosso segundo aniversário desde agora, porque esse já é oficialmente o melhor encontro que já tive na vida.

(...)
She is the flint that sparks the lighter
And the fuel that will hold the flame
Oh roses roses laid upon your bed spread
Oh my, hold this, oh this, I know
That every night I'll kiss you you'll say in my ear
Oh we're in love aren't we?
Hands in your hair, fingers and thumbs baby
I feel safe when you're holding me near
Love the way that you conquer your fear
You know hearts don't break around here


Assim que terminamos nosso jantar e provamos da sobremesa exclusiva, que era realmente uma delícia, levei para o quarto. Deixei que ela fosse a frente e segurei em suas mãos, caminhando logo atrás.
Nas paredes tinham diversas fotos nossas ao longo dos meses e embaixo músicas que traduziam por mim, algumas das coisas que sentia por ela. Pétalas de rosas preenchiam a enorme cama e pequenas velas estavam estrategicamente espalhadas pelo quarto. Me encostei na parede, a observando ver cada foto e frase com calma, dando atenção a todos os detalhes do meu trabalho.
A grande porta de correr estava aberta, deixando a brisa da noite entrar, e ali, tinha colocado uma cortina de Pikakesbrancas, nos garantindo certa privacidade, mesmo que por hoje, a lua e o mar fossem testemunhas do nosso amor.
- , tudo está tão lindo, nem sei o que falar, óbvio que te comprei um presente e preparei uma coisa fofa, mas nada pode bater isso aqui, o jantar, meu jardim… - a vi caminhar até a grande porta de vidro e com cuidado abrir a cortina de flores. - Você é muito mais do que eu mereço.
- ,você que é a chama que acende esse amor em mim, o combustível que o mantém aceso, a força que me move a sempre tentar ser e fazer o melhor que posso, porque sei que no final do dia eu volto para os seus braços, para o seu amor.
- Eu te amo, .
- Só nao mais…
- Shhhhh. Vem aqui. – pediu, me levando para a cama e se ajoelhando sob as muitas pétalas que ali se encontravam. - Eu andei pensando, faz quase dois anos que nos conhecemos e hoje fazemos um ano de namoro. Nós brigamos, mas sempre nos entendemos no mesmo dia, e meus dias ao seu lado sempre são melhores dos que te tenho longe de mim. Desde que te conheci todas as minhas melhores memórias tem o seu nome e sobrenome escritos...todos gravados aqui - apontou para sua cabeça. - Mas principalmente, aqui. - e para o seu coração. - Você me encontrou quando eu estava perdida, me ajudou a ver o que estava diante dos meus olhos e a conquistar todos os meus medos. E o principal, a encontrar forças para ser quem eu sou hoje, uma mulher segura e realizada em todos os campos da minha vida, mas principalmente no pessoal, porque eu sei que pertenço e sempre pertencerei a você, pra sempre. - meus olhos se encheram de água em questão de segundos e já não sabia se conseguiria segurá-las ali por muito mais tempo.
- … - respirei fundo, mudando mentalmente todo o discurso que tinha preparado. Precisava ser sincero, esquecer os meus medos e aceitar que veria meu maior amor sofrer por mim. Como dizer a quem se ama que provavelmente não haverá um pra sempre, a não ser aquele dentro de nossas memórias e corações? - Eu…
- Eu quero saber se você quer morar comigo! - soltou animada e senti meu coração se quebrar em milhões de pedaços, aquele sorriso, aquele rosto, era a única coisa que ainda me fazia sorrir, dia após dia, desde o dia que me entregaram aquele maldito envelope. - O que você me diz? Você passa mais tempo lá em casa do que na sua de qualquer forma, sem contar as brigas sobre quem vai ficar com o Pirata. Que tal unirmos o útil ao agradavel e me ter todas as noites na nossa cama, na nossa casa? - ela sorriu tão empolgada, tão cheia de esperanças, tão linda, que mais uma vez a coragem se foi.
- Você leu a minha mente, sereia. - apesar de tudo fui sincero, já que pretendia fazer a mesma coisa. - Nada me faria mais feliz. Eu na verdade, ia te fazer o mesmo pedido, acredita? Logo, logo seremos um daqueles casais que terminam a frase um do outro.
- Nós estamos realmente muito apaixonados, não estamos? - aquelas palavras que tanto me afetavam, hoje pareciam ainda mais profundas.
- Muito. Eu já vinha pensando nisso há meses, mas fiquei com medo de você achar que era cedo demais, não quero que se sinta pressionada, sei que você é nov..
- Cedo é muito tarde quando estou com você , nada vai mudar, ainda teremos nossos trabalhos, nossa liberdade, só quero poder voltar pra casa a noite sabendo que você está comigo.
- Sempre, meu amor. - encostei nossos lábios, sentindo o gosto de chocolate ainda em nossas bocas, aquele era o nosso dia, eu não iria deixar que nada estragasse aquele momento, aquela noite. - Acho que podemos deixar presentes para amanhã. - falei a deitando com cuidado sob a cama, mordendo seu lábio inferior, meu maior vicio. - Essa noite eu só quero ter você aqui, nessa cama, fazendo amor comigo a noite inteira.
- Fazendo amor, ? - me zombou com os olhos semi cerrados, já que minhas mãos passeavam por suas pernas e subiam lentamente conforme trazia seu vestido junto comigo, parando em suas coxas, quando encontrei o que estava procurando.
- Bom, eu queria dizer te comendo a noite inteira, mas não quis ser...indelicado com minhas palavras, não no nosso aniversário de namoro, sereia.
- Ah! Aí está o meu namorado, um romântico incurável, mas um pervertido de primeira. - disse, colocando as duas mãos em minha nuca, me puxando para um beijo cheio de paixão e amor. Era ali, dentro do seu abraço, o único lugar no mundo onde eu me sentia seguro, onde nada poderia me atingir.

(...)
Well I found love in the inside
The arms of a woman I know
She is the lighthouse in the night that will safely guide me home
And I'm not scared of passing over
Or the thought of growing old
'Cause from now until I go


- O que está acontecendo? - ouvi perguntar atrás de mim e me virei assustado, encontrando seus olhos curiosos passeando entre Henry e eu. - Vocês estão discutindo de novo por videogame?
- Não, . - me levantei do balcão da cozinha para ir ao seu encontro. - Não é nada importante… - encarei meu cunhado duro e esse deu uma gargalhada sarcástica.
- Tem razão, não é nada...importante, ninguém tá morrendo. - Henry retrucou na mesma moeda, socando o balcão. - Você não vai mudar de ideia mesmo?
- Por enquanto não. - mesmo tendo explicado meus motivos, meu cunhado parecia não entender.
- Então não tenho mais nada pra falar com você.
- Henry! - nos olhava chocada e eu estava morrendo de medo de Henry não cumprir nosso acordo. - O que aconteceu? Vocês se amam!!
- Desculpa, , mas no momento não quero nem olhar pra cara do . – respondeu, batendo o ombro com força em mim antes de ir em direção ao seu quarto.
- Você vai manter sua promessa? - perguntei alto antes dele sumir de vista.
- Provavelmente não. - resmungou alto, batendo a porta de seu quarto com força.
- … o que foi isso?
- Seu irmão quer que eu faça uma coisa que simplesmente não é possível, eu já disse que vou fazer em breve, mas agora não dá.
- O que é?
- Coisa de trabalho, não se preocupa, não é a primeira vez que brigamos e provavelmente não vai ser a última. Você sabe como sou exigente como chefe.
- Tem certeza? - perguntou desconfiada, mas nunca demos motivos para não acreditarmos um no outro.
- Tenho.
- Você é realmente insuportável como chefe, eu ainda não sei como você conseguiu convencer Henry a também trabalhar pra você. – finalmente, um sorriso despontou em seu rosto e suspirei aliviado. - Eu trouxe um presente pra você, passei na pop up store da LV x Supreme... me ajuda a tirar do carro?
- O que você conseguiu? - perguntei animado, a seguindo.
- Acho mais fácil você perguntar o que eu não consegui. – disse, mordendo os lábios segurando uma risada de quem tinha aprontado.
A primeira coisa que eu fiz quando cheguei das nossas férias no Hawaii duas semanas atrás, foi me mudar para a casa de . Foi complicado juntar todas as nossas coisas em um único quarto, tivemos que transformar sua antiga antesala em um closet para mim, que ainda estava sendo feito e havia caixas espalhadas por todos os lugares, mas estava valendo e muito toda a bagunça, eu já não me sentia mais sozinho.
Hoje eu tinha certeza que felicidade não estava nas coisas materiais, mas sim em acordar ao lado da pessoa que se ama, com um cachorro lambendo sua cara e um cunhado que faz barulho demais na piscina as 6 da manhã... todos os dias.
Henry realmente cumpriu o que disse, assim que chegamos ele tentou me encurralar para que eu contasse o que estava acontecendo comigo. Consegui despistá-lo por um bom tempo, mas essa manhã ele já estava acordado quando saiu para ir até os nossos empresários e não teve jeito, tive que me abrir com ele, não sem antes fazê-lo me prometer que não contaria nada a sem antes ouvir a história toda.
Contei como durante nossa viagem de divulgação notei que algumas vezes que ia ao banheiro via sangue em minha urina e, apesar de achar estranho, não comentei com ninguém, porque logo parou, só que não em definitivo. O problema ia e vinha muitas vezes e quando percebi já tinha dois meses que estava tendo os sintomas. Só me preocupei pra valer, quando eu não só vi que tava parecendo uma mulher grávida, indo ao banheiro de 15 em 15 minutos, como um dia ao fazer xixi, só saiu sangue.
já vinha pedindo para que eu fosse ao médico, já que eu acordava diversas vezes a noite para ir ao banheiro, mas como ela estava finalizando sua programação para a viagem, não quis preocupá-la. Marquei o médico uma semana antes dela viajar e fiz um check-up geral. Enquanto aguardava os exames, ele também me deu alguns remédios para combater a possível infecção urinária, que claro, nunca foi embora.
Quando os exames todos chegaram ele pediu que eu voltasse a seu consultório com urgência, pois o meu exame de urina não estava nada bom. Ao me examinar, vi seu cenho mudar de relaxado para preocupado e quando ele me disse que precisava que eu fizesse naquele mesmo dia uma cistoscopia transuretral e tomografia eu sabia que a coisa era séria. Ele já tinha me dito que eu tinha possivelmente um tumor, o que eu não sabia e me recusei a saber, era se ele era benigno ou maligno.
A maior ironia da minha vida seria se eu realmente estivesse com câncer.
Naquele dia, no estacionamento do hospital, ao invés de chorar, eu na verdade gargalhei, ri até não conseguir mais respirar. Tinha acabado de lançar um filme contando a história de amor de um casal que se separou cedo demais por conta da doença e aqui estava eu, apaixonado como nunca estive antes, a mercê de um resultado.
Era a vida que imita a arte, que imita a vida.
O envelope com o resultado chegou pouco depois em minha casa. Por semanas o carreguei comigo aonde quer que eu fosse, dormia com ele ao meu lado, o encarava quando conversava com , sempre tentando criar a coragem para abri-lo. Eu já tinha passado horas e horas na internet pesquisando possíveis respostas, mas só de imaginar a dor que causaria em minha mãe e minha namorada, desistia de saber qual seria o meu futuro.
Meu médico vinha me ligando há meses e por muito tempo o ignorei, bloqueei todos os seus números para que ninguém suspeitasse de nada, só que recentemente além do sangue, que ainda ia e vinha, comecei a sentir uma ardência e a cada dia que passava estava mais e mais difícil esconder o que sentia, ainda mais morando com minha namorada, dividindo o mesmo banheiro.
Henry me ouviu em silêncio, tentando absorver tudo o que eu lhe dizia. Quando finalmente terminei de lhe contar tudo, ele só teve tempo de me perguntar o porquê de sua irmã não poder saber.
Era simples, estava esperando o resultado de um teste para um filme que tinha tudo para ser um blockbuster. Eu tinha lido o script e ensaiado com ela e a forma que seu rosto todo se iluminava ao falar do filme me impedia de me abrir com eles, havia prometido a mim mesmo que abriria o maldito envelope na frente de todos, quando ela assinasse o contrato do filme, a impedindo de desistir do projeto, por conta da multa milionária que geralmente os estúdios colocavam em nossos contratos e eu poderia me tratar sabendo que minha namorada estaria ocupada e não constantemente se preocupando e sofrendo por mim.
O vi abrir a boca para falar alguma coisa, mas era tarde demais, tinha chego.
Depois que ajudei a levar todos os meus presentes para o nosso quarto, me troquei, pois tínhamos combinado de levar o Pirata para passear em uma trilha próxima a nossa casa. Quando sai do quarto, a encontrei encarando algo do lado de fora, acompanhei seu olhar e vi Henry nadando na piscina furiosamente, Poppy estava do lado de fora tentando chamá-lo em vão.
Era isso, era exatamente isso que eu tentara evitar, ver as pessoas que eu mais amava nesse mundo sofrendo por mim. Eu não tinha medo da doença, não tinha medo de morrer, porque eu sabia que se o que eu tivesse fosse incurável, estaria rodeado de pessoas que me amavam e me amariam para o resto de suas vidas. Saberia que vivi minha vida conquistando meu maior sonho, de poder viver de minha paixão e de ter tido a chance de amar da forma que amei.
O meu medo era deixá-los para trás, sofrendo por não me ter mais ao seu lado. Se tinha uma coisa que eu tinha aprendido durante os meses de gravações de Curtain Call era que todos nós deixamos uma marca na vida das pessoas, como meu avô deixou na minha. Nunca o conheci, mas seu legado viveria para sempre em mim.
Claro que doía e muito pensar em seguindo com sua vida, dizendo eu te amo para outro cara, entrando na igreja e não me vendo a esperando no altar. Ou pior, sendo mãe de filhos que não eram meus. E minha mãe...só de pensar em vê-la sofrendo por mim já me fazia odiar aquele envelope maldito com todas as minhas forças.
Sai para caminhar com , e ela, já sabendo que eu havia mentido sobre o motivo da minha briga com o Henry, nada falou, apenas me deu a mão e não a largou por um segundo sequer. Parecia até que ela sabia.
Quando voltamos pra casa Henry estava sentado no sofá segurando o rosto com as mãos, enquanto Poppy o confortava preocupada. Assim que soltei a coleira, Pirata saiu correndo e enfiou seu rosto entre seus braços o fazendo sair do transe em que se encontrava.
e Poppy me encararam e desviei o olhar, encarando o chão, sem saber o que fazer.
- Agora você vai contar pra minha irmã, agora, ou quem vai contar sou eu. Não fiquei quatro anos longe dela para colocar tudo a perder um ano depois. - levantei meu olhar e o que encontrei foi dor. Lágrimas grossas caiam do rosto do meu cunhado.
- Você não me entende...
- Não, não mesmo. Eu tentei, cara, tentei respeitar a sua vontade, mas olhei pra Poppy e pensei que se o mesmo tivesse acontecendo comigo, eu ia querer ela ao meu lado, assim como eu sei que a vai estar ao seu… e eu também. Nós te amamos, , você é um de nós lembra? Deixa a gente te ajudar.
- Vocês estão me deixando com medo. - me encarou já pronta pra chorar e meu coração se apertou, tudo que eu mais queria evitar, estava agora me atingindo como um furacão. - , o que..
- Tudo bem, eu... preciso pegar uma coisa no quarto, já volto.
- Eu vou com você.
- Henry… - pedi ao meu cunhado que se levantou secando as lágrimas, antes de puxar a irmã para um abraço, me dando os cinco minutos que eu tinha para me preparar mentalmente para o que ia acontecer.
Meus passos pareciam pesados, como se eu tivesse indo para a minha sentença de morte. Abri o cofre, encarando o objeto que por semanas foi o meu maior inimigo e aceitei que era hora.
Liguei para o telefone que estava impresso no papel e logo fui atendido pelo Dr. Olsen, meu médico. Pedi que ele viesse a minha casa na manhã seguinte e ele prontamente me atendeu. Respirei fundo, voltando pra sala e ri sozinho de Poppy servindo chá a todos nós. Sempre eficiente e profissional, mesmo que ali estivessemos apenas em familia.
- O que é isso? - perguntou quando me sentei ao seu lado, lhe entregando o envelope.
- Lembra quando fiz meu check-up e disse que estava tudo bem?
- Não...estava?
- Não. Você está com o resultado na sua mão, mas eu sei que coisa boa não é
- Você quer que eu abra?
- Quero. – pedi, pegando meu chá antes de me sentar um pouco mais distante, lhe dando espaço para ler o documento com calma.
- O que... o que é isso? Eu não entendo nada do que está escrito, , o que você tem? - seus olhos já estavam cheios de lágrimas e ela parecia finalmente entender o peso do que acontecia.
- Eu não sei, eu sei que tem algo na minha bexiga, que não é uma simples infecção que não passa, mas estou com medo de descobrir quão ruim é.
- Seja lá o que for, vamos passar por isso juntos. – afirmou, limpando as lágrimas dos olhos, antes de segurar em minha mão.
- Você nao tá brava comigo? – questionei, estranhando ao vê-la tão calma e decidida.
- Lógico que estou. - sua voz se exaltou, assustando a nós três. - Muito magoada também, mas do que me adianta sentir tudo isso agora? Há quanto tempo você está com isso?
- Três meses. - respondi desviando de seu olhar, pronto para ouvir seu sermão.
- Três meses!? Por quê você não me disse ? Eu teria voltado antes.
- É por sua causa. - Henry entrou no meio da conversa e virou o rosto para o outro lado para encará-lo. - Ele não quer que você desista do seu filme, da sua vida, para cuidar dele.
- Meu Deus, . - me encarou tão brava que até me encolhi no sofá. - Nós somos Melody e Josh, ou você se esqueceu?
- Eu s…
- Não. - tirou a xícara da minha mão e se ajoelhou a minha frente, segurando o meu rosto. - Se fosse comigo, se eu tivesse com algum problema, você ficaria ao meu lado?
- Claro que sim!
- E se você tivesse prestes a assinar contrato com um filme que te interessa muito, você aceitaria, ou desistiria de tudo para ficar comigo?
- Desistiria de tudo. - afirmei me sentindo um completo idiota, deixei que algumas lágrimas caíssem, enquanto me fazia perguntas sem tirar os olhos dos meus.
- E como você se sentiria se soubesse que escondi de você por três meses que posso ou não ter algum problema serio de saude?
- Decepcionado... magoado, eu…
- E por que você achou que merecia passar por tudo isso sozinho, sem dividir seus medos comigo, com minha família… sua mãe! Ela sabe? - eu apenas neguei, encarando meus próprios dedos.
- Me desculpa, achei que estivesse fazendo a coisa certa...eu não quero que você perca uma oportunidade por algo que nem sabemos se é sério.
- Mas é por isso que nós vamos descobrir o quanto antes o que é que você tem e se não piorou com essa sua demora em abrir esse maldito envelope.
- Eu liguei pro meu médico, ele vai vir aqui amanhã de manhã.
- Nós todos estaremos aqui. - Poppy se levantou e se agachou próxima a mim, segurando em minha mão, apenas lhe dei um sorriso em agradecimento. Uma ação tão simples, mas carregada de boas intenções.
- Não fica bravo comigo, , você é meu irmão já, não ia conseguir viver comigo mesmo escondendo algo tão grave assim dessas duas. Depois de ter a de volta em minha vida, eu me recuso a perder qualquer pessoa importante pra mim por orgulho. - Henry se levantou vindo em minha direção e sorri para ele, também me levantando.
- Eu te amo, Henry. – disse, o abraçando feliz por termos acabado com uma briga que não tinha a menor necessidade de existir.
- Só não mais do que eu, . - o filho da mãe respondeu tão espontâneo que o encarei completamente chocado e de repente nós quatro começamos a rir feito loucos. – Sempre quis falar isso.
Após aquela revelação eu me sentia leve, era bom poder olhar para os quatro sem o peso na consciência. Já nem conseguia entender porque demorei tanto para lhes dizer o que estava acontecendo, o apoio que recebi foi além do que eu esperava. concordou em esperar eu falar com o médico, antes de comentarmos com nossos pais o que estava acontecendo.
Cancelamos todos os nossos planos para o dia seguinte e fomos para a cozinha preparar a quatro mãos um jantar entre amigos com muita música, risadas e algumas lágrimas. Era exatamente daquilo que eu precisava para aguentar a ansiedade até o dia seguinte.

(...)
Every night I'll kiss you you'll say in my ear
Oh we're in love aren't we?
Hands in your hair, fingers and thumbs baby
I feel safe when you're holding me near
Love the way that you conquer your fear
You know hearts don't break around here
Oh yeah yeah


A noite, quando estávamos apenas nós dois em nossa cama, ao invés de me fazer milhares de perguntas, apenas me amou, me cuidou, me protegeu. Ali estava eu, dentro do abraço da pessoa que me fez descobrir o amor verdadeiro. era o farol que me guiava com segurança de volta para casa, noite após noite. Eu sempre soube que podia contar com ela para estar ao meu lado, o que eu não sabia até então, era a força que a mulher que eu amava tinha. Nunca a vi tão linda, poderosa e obstinada antes e essa sua nova versão, era ainda mais maravilhosa do que a anterior.
- .. - a chamei, sem saber se ela já dormia. Estava encostado na cama e ela tinha suas costas em meu peito, estávamos assim há quase uma hora.
- Oi.
- Você sabe que eu te amo muito, não?
- Eu nunca duvidei do nosso amor, , eu sinto que é você sabe? O meu único. Dizem que a gente só ama uma vez na vida e depois passamos o resto dela tentando encontrar algo parecido, mas eu sei, aqui dentro de mim, que não vou te perder. Você não vai a lugar algum.
- Me ama? - pedi suspirando fundo, lhe dando um beijo no topo de sua cabeça.
- Hoje e todas as noites, . - respondeu antes de se virar para mim e sentar em meu colo, já tirando sua camisola.
- Você vive dizendo que tirou a sorte grande comigo, mas você não sabe quanto tempo passei pedindo para você aparecer. Você me deixa maluco com esse corpo, mas eu completamente enlouqueço com o seu coração.

(...)


Na manhã seguinte quando acordei, minha namorada ainda dormia, seu rosto marcado pelas lágrimas que tinha derrubado durante a madrugada. Tinha acordado assustado no meio da noite ao notar que ela não estava na cama. A encontrei sentada na poltrona que tinha no quarto, computador em uma mão e meus exames em outra. Assim como eu, ela passara horas tentando entender o que eu poderia ter.
Ás oito em ponto o Dr. Olsen apareceu em casa com um outro médico ao seu lado, o Dr. Petersen, especialista em urologia oncológica. O clima na sala parecia de enterro.
- E então, Dr., o que o tem? - foi a primeira a questioná-lo. - Eu vi ontem na internet que o caso dele não me parece muito ruim, essa sigla “Ta” quer dizer não invasivo, correto?
- . - Henry deu uma risada, puxando a irmã da ponta do sofá, para que se sentasse conosco. - Eles são os médicos, deixa eles explicarem.
- Me desculpe. – disse, sorrindo triste e eu segurei suas mãos, ela parecia precisar de mim mais do que eu precisava dela naquele momento.
- Não há problemas, Srta. Reed, você está com razão. O problema é que o Sr. fugiu da gente por meses e esses exames já estão velhos, vamos ter que refazer todos e ver se não houve piora no quadro. - Dr. Olsen falou e eu concordei, sabendo que poderia ter piorado ainda mais as coisas.
- Mas qual o quadro, Dr., como estava há 3 meses? - Poppy era uma fofa quando entrava em seu papel de nossa assistente.
- Como a Srta. Reed…
- Me chame de , por favor.
- Pois bem, como disse, o tumor do está em fase inicial, foi essencial ele ter nos procurado, aqui nos exames dá pra ver que ainda está no Estágio 0, o melhor caso que poderíamos querer, isso quer dizer que as células cancerosas estão somente no revestimento interno da bexiga.
- A nossa esperança. - Dr Petersen continuou. - É que o tumor não tenha avançado para um T1, que significa que o tumor aumento e chegou na camada muscular da bexiga, não que seja ruim, há ainda os estágios de II a IV e esses são consideravelmente piores, mas de todas as opções, de acordo com esses exames estamos lidando com o melhor deles. Mesmo sabendo que não se há “melhor” quando estamos falando de câncer. – o outro médico complementou.
- E qual o prognóstico, doutor? - perguntou ao meu lado, provavelmente sabendo que eu não tinha forças para fazer uma pergunta sequer.
- Com os recursos que temos no Cedars-Sinai e o Dr. Petersen, o melhor oncologista que temos na Costa Oeste, estamos bastante confiantes.
- A taxa de sobrevivência em 5 anos, se detectado e tratado imediatamente, é de 98%. - Dr. Olsen disse e senti um alívio percorrer o meu corpo.
- Qual o tratamento, qual o nosso próximo passo assim que os novos exames saírem?
- Se o quadro não tiver se alterado significamente, faremos uma cirurgia para retirada do tumor e imunoterapia direto na bexiga, injetamos uma vacina chamada BCG para complementar o tratamento.
- Dr., sei que estamos falando de tumor, câncer, mas depois de tudo que conversamos posso assumir que se tudo correr bem, estará livre dessa doença?
- Em tumores não invasivos, pode acontecer de voltar em outros locais diferentes na própria bexiga, mas contanto que faça exames regulares e a gente sempre pegue no início, vocês podem respirar aliviados.
- Mas vamos antes ver esses novos resultados. - Henry falou por mim, antes que se empolgasse além da conta.
- Tudo bem. Quando podemos fazer esses exames? – questionou animada.
- Nós já limpamos nosso calendário hoje entre 15h e 18h para atendê-los, temos uma área de entrada pela parte de trás do edifício e separamos apenas as pessoas de maior confiança para iniciarmos o seu tratamento, conforme o pedido de sua assistente. - eu e encaramos Poppy que apenas deu de ombros.
- Nos vemos entao ás 15h em ponto Doutores, muito obrigada por terem vindo até aqui. - parecia minha porta voz, o sorriso em seu rosto me fazia sorrir, mesmo estando bastante nervoso com mais um exame, mais uma espera.
- É normal, . - Dr. Petersen apertou minha mão. - As mulheres sempre são mais fortes ao lidar com esse tipo de coisa. - terminou me dando uma piscadinha divertida. - Algo me diz que você está em excelente mãos.
- Como estou. – concordei, vendo abraçar o outro médico.

(...)
Every night I'll kiss you you'll say in my ear
Oh we're in love aren't we?
Hands in your hair, fingers and thumbs baby
I feel safe when you're holding me near
Love the way that you conquer your fear





Epílogo



Por



Jessica, mãe de , me abraçava forte enquanto encaravamos o túmulo a nossa frente.
- Querida, não era hoje que iam anunciar os indicados ao Oscar?
- É sim.
- E por que deixou o celular desligado no carro?
- Eu amo minha carreira, nunca deixarei de ser atriz, de fazer o que amo, mas nada me importa, filmes, fama, prêmios se isso significa não estar ao lado dele. Hoje, ele é a minha prioridade, amanhã eu me reconecto com o mundo.
- Meu filho tirou a sorte grande no dia que te conheceu.
- Acho que nós dois tiramos. – sorri, sentindo as lágrimas querendo cair de meus olhos.
- Vocês não estão chorando de novo, estão? - se aproximou de nós a passos lentos. - Eu estou, por hora, curado, eu nunca vi duas mulheres chorarem tanto. – sorriu, passando os dois braços por nossos ombros. - Podemos ir. – disse, encarando uma última vez o túmulo de seu avô.
- Larga mão de ser bobo, . - disse lhe dando um beijo e logo o vendo receber um beijo no topo da cabeça, de sua mãe. - Não podemos estar felizes em ver o homem de nossas vidas saudável e feliz?
- Até podem, mas sem chorar, agora eu entendo porque demorei tanto pra contar pra vocês que estava doente, me evitou ver essas caras me olhando como se eu fosse um cachorrinho perdido no canto da estrada.
- Bem que você gostou de ter toda sua família e amigos praticamente morando naquele hospital e na sua casa, não? Atendendo aos seus pedidos 24 horas por dia.
- Não vou negar. - ele fez uma cara de metido, que só ele conseguia fazer. - Eu adorei.
- O que foi, Henry? - vi meu irmão vir até nós correndo, deixando a porta do carro aberta.
- Olha isso, olha isso!! - gritava animado sem nem se importar que estava no meio de um cemitério em Chicago, me passando seu iPad todo apressado.

e Reed indicados ao Oscar de melhor ator e atriz pelo brilhante longa, Curtain Call.


Li em voz alta, aumentando meu sorriso ao ver lendo a notícia no aparelho.
- Eu te amo, , só não mais do que eu, , blá blá blá - Henry dizia todo animado nos imitando. - Vocês são nojentos, mas não acredito, olha isso, vocês foram indicados ao Oscar, dá pra acreditar?
- Até parece um filme de romance, não? - Jessica tinha lágrimas nos olhos e abraçava o filho emocionada.
- O melhor e mais bonito deles. - disse, me estendendo a mão para que eu me aproximasse.
- Pra sempre. - respondi em um sussurro antes de abraçá-lo, comemorando mais uma vitória em nossas vidas.

You know hearts don't break around here
Yeah yeah yeah



Fim.



Nota da autora: Oi meninas, por favor não me matem com essa última cena. Eu mesma me achei bem fdp ao escreve-la, mas como diz minha amiga, sou aprendiz de Shonda Rhymes hahah
Espero que tenham gostado e que eu tenha feito justiça a 12.Truth, uma fic que mexeu muito comigo. Sou apaixonada nesse casal.
Se voce não sabe do que estou falando, essa fic é uma continuação de uma outra do ficstape do Zayn e caso tenha interesse em saber como foi que esse casal se conheceu, é só clicar aqui.
Abaixo tem algumas fics minhas que já estão no FFOBS.

01. Mark my Words
10. Life is worth Living
12. Truth
7 da Sorte (Long – Am Andamento / Jogadores – Cristiano Ronaldo)

E o link para o meu grupo no facebook para ficar de olho no que mais escrevo: https://www.facebook.com/groups/119933601928371/
Beijos e se puderem (e quiserem) façam uma autora feliz deixando um comentário :D
Carol F.




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