Finalizada em: 18/01/2018

Capítulo Único

Quando aquela chance de ir estudar na Ásia, mais especificamente na Coréia do Sul, apareceu, não era uma opção que agradou de início, mas a empolgação dos pais e de todos os amigos foi imensa, sabiam da dedicação e assiduidade da garota com os estudos. Não queria desperdiçar a oportunidade de fazer algo realmente importante, não se considerava a pessoa mais inteligente como muitos gostavam de enfatizar, mas sempre priorizou os seus estudos. Também não tinha ideia sobre como seria viver em outro país completamente diferente do seu, pensava na família, na irmã mais nova, os amigos. Como conseguiria sobreviver longe de sua mãe? Depois que recebeu as informações necessárias do Korean Government Scholarship Program (KGSP), programa pelo qual havia conseguido a bolsa, a ideia de viver por quatro anos e meio longe pareceu começar a ganhar forma, enfim.
Não iria desistir agora, não retrocederia, estudou para isso! Seu inglês não estava perfeito, mas foi o suficiente para atingir os setenta pontos para admissão. A ideia de que em alguns dias estaria do outro lado do mundo causava estranheza e medo, nunca havia passado tanto tempo longe de casa, tirando a vez que fora aos Estados Unidos fazer intercambio para estudar inglês.
⎼ Parece enorme olhando assim, imagina pessoalmente. – Carmem, mãe de , tentou animar a filha que olhava atenta a imagem da universidade no folder. ⎼ E você não está sendo obrigada a ir. Se quiser, acabamos com isso tudo agora mesmo, – a mulher sorriu, tomando o informativo das mãos da filha. ⎼ se você estiver feliz, eu vou ficar também. – a garota assentiu, sentindo o beijo que a mãe havia depositado no topo da sua cabeça.
⎼ Eu sei. – não foi preciso dizer mais nada além disso, a mãe dela havia entendido aquele olhar.

Sex, 19 fev. 2010
Não dava para saber as horas, o celular estava perdido em algum lugar pela poltrona. Desde que o avião havia saído do Brasil, seu corpo parecia estar passando por algo que ela denominou de “processo de reconhecimento do clima”, as comidas não caiam bem, não sabia mais que horas poderiam ser, não tinha nem ideia do que comeu quando pousou pela primeira vez em Madrid. A segunda conexão, foi em Pequim, com um atraso de quase três horas e problemas nos desembarques das cargas pesadas.
Quando a voz do piloto ecoou pela classe econômica a brasileira acordou aterrada, procurando pelo Samsung. Quando olhou o visor: “21:30”, estranhou.
─ Desculpa, - disse em inglês vizinho ao lado. – que horas são agora? Eu estou perdida com o fuso horário.
─ 9:26. – disse.
Dez horas o avião aterrissou no aeroporto de Incheon, depois da rápida conversa formal com o Controle de Fronteiras a estrangeira foi a procura de suas duas malas e seguiu caminho até uma lanchonete, precisava comer algo. Estranhou não ter alguém lhe esperando, lembrou-se de Marcela lhe entregando um chip de uma operadora sul-coreana desconhecida e falando que a líder do dormitório feminino havia ficado responsável por ir buscar as alunas estrangeiras no aeroporto.
ainda não havia prestado atenção no quão belo era aquele lugar, rico em detalhes com um design moderno, a arquitetura coreana com certeza a deixou encantada. Com certa dificuldade, conseguiu encontrar o portão de saída, o lugar estava uma loucura, esperou por alguns minutos para ver se o fluxo de pessoas diminuía e talvez conseguisse pegar um taxi. O celular estava vibrando dentro da bolsa, tomando sua atenção. Era um número diferente.
─ Alô. – disse em inglês.
─ Oi, eu sou a Hee Na, prazer. Você é a , certo? Preciso saber onde você está, cheguei no aeroporto agora e queria te localizar.
As duas se encontraram logo após a rápida conversa e seguiram para CAU (Chung Ang University). Foram conversando sobre a vida em Seoul e no Brasil, em como a viagem foi cansativa, a cultura coreana, assuntos não faltaram, Hee Na era uma boa pessoa. Quando notaram já estavam chegando na universidade e mais uma vez foi surpreendida: a universidade parecia um monumento artístico, e era na verdade. Perguntava sobre tudo, por alguns instantes chegou a esquecer que a família se encontrava do outro lado do mundo. Por saber que o prazo para a apresentação dos documentos que estavam pendentes estava quase expirando, resolveu ir com Hee Na à direção, no entanto, o caminho mais perto era o dos dormitórios, seguiu a passos rápidos a mais velha que a levou e apresentou a algumas pessoas durante o percurso, coisa rápida, tudo por ali parecia ser feito de forma a agilizar o tempo.
Queria conhecer mais lugares na Coréia, queria conhecer a cultura, e ela estava com as pessoas certas, as meninas se entenderam rapidamente, no fim da tarde saíram as quatro, não foram longe, um restaurante pequeno que ficava do outro lado da rua da universidade.
─ Então, ... o primeiro dia, como está sendo? – Hollyn lançou um olhar curioso.
─ Bem... já estou morrendo de saudade da minha família, mas eu estou gostando, na verdade eu não tenho muito o que dizer, - ela riu descontraída. ─ mas com certeza a arquitetura daqui me chamou muito atenção.
─ Desculpa perguntar, mas você deixou alguém lá? Quero dizer, um namorado? – Soo Min se lançou para frente sugestiva.
─ Não, eu nunca namorei...
─ Como assim? Nunca beijou? – Heena abafou a risada com a mão.
─ Não, eu só nunca namorei sério... com ninguém.
─ E em qual ano você nasceu? – a mais velha, Hollyn, inquiriu.
─ Em 1992, vou fazer dezoito, dia nove de março.
─ Aqui você não tem dezoito... Primeira coisa estranha sobre a Coréia do Sul, anota aí, - Hollyn disse brincalhona. – aqui as pessoas têm idades diferente do resto do mundo. Ou seja, se você é de 1992 então você vai fazer dezenove anos, e não dezoito.
─ Você explicou errado, Unnie, explique corretamente. – Hee Na implicou.
─ Espera... O quê? – olhou de uma para outra, fazendo todas sorrirem.
─ Você se acostuma.
─ Vamos com calma, ela vai ter tempo de entender esses detalhes. – Soo Min interferiu, mudando de assunto.
Faltando quase duas semanas para início das aulas, resolveu explorar os arredores da Universidade que se localiza bem próximo do centro de Seoul, inúmeras vezes saiu com o celular no Skype, quando não estava conversando com a irmã era com mãe. Foi um meio de estar mais perto e de compartilhar aqueles momentos.

Seg, 01 mar. 2010

─ Eu queria mais tempo de férias... Sinceramente. – Soo Min fez cara de poucos amigos.
─ Você ainda reclama? Pelo menos pode chamar seus dias sem aulas de férias, a direção me encheu de coisas pra fa-fazer... – a líder dos dormitórios engasgou ao ver o ex conversando com outra garota.
─ Ele não presta mesmo! – em um tom ligeiramente elevado, Soo Min exclamou.
─ Shhhhh! – as outras pediram silencio a maknae que estava a ponto de ir gritar umas verdades ao Bon-Hwa.
─ Soo Min está certa, – ela engoliu em seco. ─ ele não presta, não pra mim. – dirigiu-se a passos rápidos para dentro da universidade, ele a olhou ligeiramente e voltou-se para conversa.
“Coreano é, definitivamente, a língua mais difícil do mundo.” pensava enquanto a aula prosseguia, mas lembrou também que falava o mesmo do inglês.
O professor era um senhor muito mau humorado e bastante exigente, ele escolheu os parceiros de conversa para os 20 alunos da sala, eram alunos da universidade, com esse voluntariado eles também poderiam conseguir pontos extras, caso precisassem. Quando os outros vinte alunos, homens e mulheres, entraram na sala se apresentaram um a um.
─Na próxima aula eu trago a relação dos pares de conversa. Bem, até amanhã. Boa tarde a todos.
O par de conversação de era uma menina chamada Min-Jae, até segunda ordem do professor, elas iriam conversar pelos próximos sábados, a princípio a conversa só se desenvolvia em inglês, claro, era essencial o contato com um nativo, mas dentro de sala de aula com o professor observando e dando dicas tudo ficava ainda mais interessante, tentava pronunciar imitando os sons que a mais velha fazia, algumas palavras eram impossíveis, aprendeu sobre o quanto o respeito é importante naquele país, de que precisava usar os pronomes de tratamentos de maneira correta para se dirigir aos seus superiores nas diversas áreas socais.
Estudar nunca havia sido um fardo. tinha suas metas bem definidas, estava ali para se tornar uma internacionalista. Foi o que pediu quando estava preste a apagar as velas do bolo, foi uma pequena surpresa que as suas amigas fizeram.
─Você tem que ser sincera no seu pedido. Não dá pra passar uma noite como essa em branco, entende? – Hee Na aconselhou.
─ Eu fui muito sincera. – todas riram da conotação que Hee Na quis passar. ─Aonde vamos agora? – elas já haviam planejado sair, só não sabiam pra qual lugar.
─ Hongdae, Hongdae, Hongdae... – Soo Min cantarolava de forma irritante essas palavras.
─Vocês não estão cansadas de Hongdae? – Hollyn disse, se jogando nos braços de Hee Na. ─Pensem em algo mais...
─Nós podemos ir a Itaewon, lá parece ser legal. – a maknae sugeriu a contra gosto.
─Só escolham o mais perto e vamos. – disse .
─Hongdae! – SooMin gargalhou, indo de encontro a e abraçando-a. ─Vocês já estão prontas?
─Vamos logo. – Hollyn falou por vencida.
As quatro seguiram para a linha verde do metro, minutos depois já estavam salteando pelas ruas de Hongdae, era a primeira vez de ali. Queria experimentar a maior quantidade de comida que fosse possível, mas com as outras três era difícil parar quitas para fazer qualquer coisa.
─ Me pergunto se não vai parar de comer hoje. Eu quero ir dançar. Beber...
─ Vamos logo, antes que a Hollyn comece o drama. – Heena saiu puxando Soomin pelo braço e as duas foram logo depois.
Hongdae era, incrivelmente, movimentada apenas por jovens, inclusive muitos eram universitários da CAU.
─ Você está na aula de coreano, a turma formada agora, não é? – um dos rapazes disse.
─ É, você é um dos parceiros de conversa?
─ Isso, Kim HyunSu, prazer... – de longe, era o rapaz que mais havia chamado atenção de desde que chegara a Coreia.
─ Prazer, . – todos estavam calados os olhando, quando os dois perceberam, eles riram, lançando olhares sugestivos.
─ A gente veio aqui pra espairecer ou beber? Vamos entrar? – o amigo de HyunSu pagou o ingresso a todas as meninas, a balada estava lotada, o que não impediu nenhum deles de dançarem muito.
─ Eu quero dançar com você. – HyunSu disse no ouvido de que apenas assentiu e foram até a pista. ─ Não faz assim... – ele riu quando caminhou em sua volta, parando na sua frente, ela ria brincalhona.─ Você está brincando comigo? – ele a agarrou pela cintura, seguindo a batida da música.
─ Eu não consigo te ouvir. – ele tinha um eye smile que fazia a brasileira se perder.
Ele se aproximou o suficiente da boca da brasileira, ela riu envergonhada, a música já estava acabando.
─ Quando eu entrei naquela sala eu desejei ser seu parceiro, – ele curvou-se um pouco para alcançar o ouvido da menina e sussurrou. ─ e agora eu só consigo pensar que não posso te deixar ir embora daqui sem te beijar.
Em seguida, ele se afastou um pouco para trás, olhando-a um pouco de cima e sorrindo, segurou seu rosto com suas mãos e a beijou, foi tão suave e demorado que jurava que estava em um sonho bom, todos estavam rindo e assentindo como se já soubessem que algo poderia acontecer entre eles. Quando voltaram para CAU já era mais meia noite.
As aulas de coreanos seguiram e conforme imaginava, o professor mudou por diversas vezes os parceiros, e quando finalmente fez dupla com o Hyun foi quando o relacionamento se consolidou, eles eram bastantes diferente em alguns aspectos, mas pareciam se completar de uma forma bem particular. “Em um quebra cabeça a muitas peças diferentes, mas elas se encaixam” ele costumava dizer.
A relação se tornou mais séria do que eles estavam preparados em questões de meses. Não sabiam como haviam chegado àquele determinado ponto no relacionamento, mas na mesma proporção em que o contato aumentava, os desacordos, que na maioria das vezes tinham um cunho cultural, também ficavam cada vez mais evidentes, gerando discussões e desentendimentos.

Sab, 08 jan. 2011

Os coreanos esperavam por um inverno rigoroso, entretanto, a estação chegou amena e suave. A tranquilidade do movimento das pessoas na estação chamava atenção da brasileira, frequentemente era possível vê-la saindo da universidade com a câmera que ganhara da mãe na última visita, gostava de fotografar, não era algo habitual, mas em dias como aquele em que apenas a luz que o inverno parecia dar cores novas ao mundo, saia para capturar os mais diversos momentos.
Enquanto fotografava, ou pelo menos tentava, o namorado a seguia, não tinham programado passar a manhã juntos, mas como ele havia ido a faculdade resolver algumas pendências decidiu encontrá-la.
─ O que você acha de ir passar esse fim de semana lá em casa? – o coreano sugeriu.
─ Quer dizer... dormir lá? – sentiu um receio enorme, como um muro, se formando entre eles.
─ É. Ficamos juntinhos, assistimos algum filme... – se aproximou da moça como quem queria trazê-la para o seu lado do muro. ─ não quero também que vá apenas porque eu estou pedindo, quero que vá e que se sinta bem com isso.
─ Hyun... – não, ela queria dizer que não, que sabia o que iria acontecer, mas não quis decepcioná-lo. Protelou em responder, mas o fez. ─ Eu vou. – disse com um sorriso amarelo.
Goyang não ficava tão distante, era a primeira vez que a estrangeira andava por aquele lugar, a cidade era aconchegante e muito sutil. Por alguma coincidência Bon-Hwa havia viajado, pelo menos era isso que o rapaz queria que a brasileira acreditasse.
... – Hyun Su a beijou. ─ Meu Deus, como você é linda. – a beijou mais uma vez, dessa vez a estrangeira percebeu a profundidade do ato.
─ Hyun... – subitamente deixou o beijo, sentiu-se envergonhada. ─ Eu nunca... – desviou rapidamente os olhos, ele buscou seu rosto com as mãos, a olhou de forma terna e a beijou delicadamente.
O mais intrigante de tudo era que não se sentia diferente, pensou que a primeira vez seria algo único e especial, o sentimento era contrário. Contou tudo as amigas, o quanto tinha se sentido acanhada e desajeitada. Hollyn aconselhou a mais nova, estava realmente perdida em relação a suas emoções. Não sabia se realmente amava Kim HyunSu, se a escolha de se entregar a ele havia sido a mais acertada, não sabia como tinha deixado a vida chegar naquele ponto.
─ Quando voltam as aulas mesmo? – Hyun perguntou, quebrando o silencio que havia se formado na ligação, as conversas estavam vagas ultimamente.
─ Dia sete.
─ Hum... , vou desligar agora. Nos falamos mais tarde! – eles nunca se falavam mais tarde.
─ Ok. Boa tarde.
Foi no final de fevereiro de 2011 que eles haviam se falado pela última vez. Ambos sabiam para onde estavam caminhando. O relacionamento estava, irremediavelmente, quebrado.

Dom, 06 mar. 2011

Não era mais segredo para ninguém que estava desconfiada de uma provável gravidez, o desespero da garota assustou as amigas no dia que a estrangeira expôs o teste de farmácia. Teria de lidar com a situação, contar a família, contar a HyunSu. Durante dois dias a brasileira tentou comunicar-se com o rapaz, no entanto, ele parecia não ter interesses em ouvir o que ela tinha a dizer.
O metrô estava com poucas pessoas naquele dia, talvez por causa do horário, por ainda ser cedo da manhã, “melhor assim”, entre tantos pensamentos, aquele passou pela sua cabeça em uma fração de segundos, as lágrimas que desciam incansavelmente só pararam quando ela desceu em Goyang, a cidade não ficava longe, pela linha 3 não demoraria mais do que 15 minutos para o destino. Inúmeras vezes a estrangeira tentou controlar o choro, estava começando a chamar atenção daqueles que estavam no mesmo vagão. Da estação, pegou um taxi e saiu em direção a casa do namorado, não sabia se ainda poderia chamá-lo assim, já fazia alguns dias que eles quase não se falavam, tudo estava estranho.
─ Por que ele não responde a minha mensagem? – o taxista, percebendo a impaciência e o choro da menina indagou:
─ Está tudo bem, criança? – ele a olhou pelo retrovisor com um olhar amistoso. – Talvez você precise de um copo de água antes de continuar. – quem sabe, pelo fato das mãos da estrangeira estarem tremendo ele fez a sugestão.
─ Eu aceito. – a sensação de incerteza era o que mais a angustiava e seus nervos inflamados a levava ao choro por menor que fossem as palavras que eram dirigidas a ela, o taxista parou o carro no acostamento e se virou para entregar a sua garrafa térmica e um copo. – Obrigada! - ainda seguiram por mais quase dez minutos até encontrarem o endereço de Kim HyunSu.
─ Chegamos... esse é o endereço.
─ Obrigada, o senhor não precisa esperar por mim, talvez eu fique por aqui. De toda forma, aqui está... – ela lhe entregou com as duas mãos a quantidade de wons que lhe foi cobrada e se dirigiu até os apartamentos do outro lado da rua.
Com passos firmes ela atravessou cuidadosamente a rua segurando fortemente a bolsa, as mãos suavam e tremiam ao pensar na reação do rapaz. Tentou se controlar para não chorar, para ser o mais racional e honesta possível nas suas palavras seguintes, o nervosismo poderia atrapalhá-la a se expressar. Ficou por alguns minutos relutando para chamar o interfone, mas o fez num ímpeto de coragem, logo após uma voz atendeu, era ele:
─ Yoboseyo? – suas emoções pareciam ter ido ao chão apenas com o “alô” do rapaz, mas como o planejado, não iria mostrar-se vulnerável.
─ Você pode conversar comigo agora? – a voz tremula denunciava seu medo.
─ Oh! Você não avisou que viria... Claro, estou indo até aí. – se antes a ideia de ficar frente a frente com HyunSu a deixava confusa, agora lhe causava enjôos, ou talvez aqueles enjôos já fossem da gravidez, não tinha mais certeza de nada.
Ele estava com um ar disperso, como quem não estava dando tanta importância para a situação, mas agiu de forma educada e até depositou um beijo rápido em seus lábios ao chegarem ao pequeno apartamento. Tudo estava arrumado e bem limpo, poderia jurar que era um apartamento habitado por alguém organizado se não conhecesse bem o namorado e seu pouco senso de limpeza.
─ Gostei que limpou bem seu espaço. – a moça comentou, sentando-se no puff com um meio sorriso, era nervoso, na verdade.
─ Sim, isso... A minha mãe está aqui esses dias, ela o limpou, na verdade. Ela deve está voltando, foi à feira. – ele estava em pé e parecia impaciente agora. ─ Sobre o que você quer conversar, An? E por que não me avisou que estava vindo? São nove horas e...
─ Eu sei... eu tentei avisar, mas você não me respondeu, na verdade, você não me responde há alguns dias. – estava difícil para entender toda aquela formalidade também, toda aquele peso que se formou desde a sua chegada, como se os dois não fossem próximos o suficiente ou ela fosse uma visita indesejada. – Eu não estou cobrando nada, se foi isso que pareceu, - ela se ergueu e foi até ele abrindo a bolsa. – Na verdade eu estou aqui por outro motivo... – jurava que ficaria aflita para lhe dar essa notícia, mas não, estava preparada para aquilo. Só não esperava ouvir o ouviu.
, eu tranquei a faculdade, - HyunSu a fitou e a segurou pela mão – eu estou indo pro exército em dez dias. Eu estava procurando uma forma para te contar, mas não existe outra além dessa. Desculpa. Se eu não fizesse isso agora meu pai me obrigaria a fazê-lo de toda forma. – a estrangeira segurou fortemente as lágrimas, não se mostraria fraca, faria isso por ela e pela criança.
─ Quando... quando você recebeu a carta? – a voz estava embargada, ela em momento algum perdeu os olhos deles de vista, com a demora ela insistiu – QUANDO, HYUN SU?
─ Há um mês atrás... Me alistei logo depois... – sobressaltado, ele respondeu.
─ Eu tô grávida, Kim HyunSu. – não existiam mais palavras a serem ditas além das que ela disse.
Aquelas palavras pareciam ecoar infinitamente pelo apartamento, HyunSu não falava nada há quase cinco minutos, apenas a observava sentada no sofá. Parecia exausta. Em quase vinte e quatro horas ainda não tinha pensado em como iria falar sua atual condição a sua família no Brasil, pensava em todos, mas em especial em seu pai, pensava no quão arrasado ficaria, no tamanho da vergonha que havia causado a ele. Aquilo a fazia se sentir a pior pessoa e agora aquilo, sentia-se perdida e sozinha.
─ Eu vou embora. – ele não disse absolutamente nada, apenas a acompanhou até a porta com o olhar, ele estava chorando.
O teste de gravidez havia ficado em cima da mesinha do lado do sofá, quando o portão de entrada fechou atrás de si parecia que o mundo havia se fechado para ela, foi quando as lágrimas foram mais uma vez desatadas, nem ao menos sabia andar naquele lugar, não conhecia ninguém e quando ela já estava levantando-se para ir embora da frente do prédio uma senhora a abordou.
─ Desculpe, mas eu acho que conheço você. – a senhora estava com algumas sacolas de compras e lembrou da conversa com HyunSu, a mãe havia ido a feira.
─ Você é mãe do Kim HyunSu. – ela tentava limpar as lágrimas.
─ E você a namorada dele. Mas o que aconteceu? – por mais simpática que a mãe dele parecesse, tudo que queria era voltar pro seu dormitório.
─ Eu não quero ser grossa com a senhora, mas se senhora perguntar a seu filho, ele lhe dirá. Bom dia.

Os pais da brasileira já estavam tomando as devidas providencias para o retorno da filha, a faculdade não teria condições de disponibilizar dormitório depois do nascimento da criança, e ficar em um país do outro lado do mundo era algo impensável. HyunSu havia se apresentado às forças armadas, o serviço militar não é algo desejado pelos casais daquele país, e sabia bem o porquê. Seus sonhos pareciam estar cada vez mais longe, fora do seu alcance.
─ Não acredito que tudo vai acabar assim... – a garota riu fraco. ─ Eu não quero voltar! Não sem concluir meu curso, meu sonho.
─ E quem disse que precisa? – Hollyn estava observando a amiga, já tinha um tempo. ─ Se você quer ficar, fique! – não fazia nenhum sentido, Hollyn era a única de quem ela não esperava aquelas palavras. ─ Eu sei, eu sei... O certo seria você voltar e ficar com sua família, mas isso é correto pra quem?
─ Hollyn... – a mais nova se lançou nos braços da amiga com os olhos vermelhos. ─ Eu quero isso... mas... – ela olhou pra barriga, ─ Ele já está crescendo, e... – a mais velha interrompeu.
─ Isso é insano. Mas... Se você quiser você pode vim morar comigo e com a HeeNa, sozinha você não vai estar se escolher ficar, amiga. – em um gesto de consolo ela envolveu os braços na brasileira.

- 6 anos após –

Qui, 28set. 2017

Em todo esse tempo não tinha se arrependido de nada, nem da escolha de ter o filho, nem de ter permanecido na Coréia e muito menos de ter feito aquele seletivo da Unicef. O inicio do trabalho seria apenas como suporte diplomático do Brasil na Coréia, mas com o tempo e com o esforço colocado, se tornou bem mais que isso, conseguiu um lugar na Unicef Coréia, não havia sido fácil passar por uma massa dominada por gente preconceituosa e egoísta, mas os frutos daquele penoso e árduo trabalho vieram.
─ E como está o papai? – disse ao telefone com a mãe. ─ Coloca no lugar, Jung Su. – inquiriu ao filho que brincava com o telefone da irmã mais nova.
─ Ele está fazendo bagunça, não é? Ele não para! – Carmem riu divertida. ─ Seu pai está bem, até falou de ir comigo nas férias que vem, disse que já estar na hora de conhecer a Coréia do Sul. – a mais velha entonou a voz como a do marido, fazendo a filha sorrir.
─ Oh, mãe, como é bom falar com você. Sinto sua falta! Meu Deus, como eu sinto.
─ Eu também, querida. Mas vou deixar você ir trabalhar, liguei apenas para falar com o Jung e parabenizá-lo. Fique com Deus.
A vida de havia mudado por completo, a irmã mais nova, Giovanna, decidiu tentar cursar Comercio Exterior em terras coreanas, a brasileira ainda morava com Hollyn, uma grande arquiteta, a casa não parava, e desde a chegada de Jung Su a intensidade do lugar aumentou. O trabalho da estrangeira proporcionava a estabilidade financeira, mas tomava boa parte do tempo que tinha com o filho, e naquele dia em especifico, era o aniversario de 6 anos do pequeno.
─ As relações precisam ser estabelecidas a partir de você, Na Ri, só então eu posso entrar em contato com os internacionalistas americanos, a propósito, você recebeu o e-mail convite da abertura do Centro Escolar dos Refugiados?
─ Acho que todos os internacionalistas receberam ele, Ji Sung. - ela rolou os olhos em desagrado. ─ queria que apenas alguns setores recebessem. Às vezes me pergunto: "será que ele acha que só existe ele no mundo?" Não é possível.
─ Você poderia falar um pouco mais baixo? - a olhou risonha e fitou celular, a reunião já havia acabado há mais de quinze minutos, mas ela ainda estava esperando alguns documentos da Cúpula de proteção às crianças Refugiadas. Sua irmã estava ligando. ─ Oi, tudo bem? Olha, eu já estou saindo, o Jung Su está se comportando bem? - a mais velha falava sem muita atenção na mais nova.
... me ouve... o Jung Su, ele não ta conseguindo respirar, é a asma...

Era sempre assim, Jung Su estava bem, aparentemente saudável e em questão de segundos já não conseguia respirar, conviviam com aquilo a quase três anos, mas como se acostumar a ver o desespero do filho buscando por ar?
─ Mamãe está aqui. Cadê a sua bobinha? - tentava se comunicar com o filho.
─ Ele não sabe, antes nós estávamos na recepção, o rapaz foi até lá ver se encontrava...
─ Não é culpa sua, Gi. - a mais velha disse, tentando acalmar a irmã. ─ Filho, respire como nós aprendemos com o tio JungHee? Você sabe, nós nos saímos bem da outra vez... - o segurou pela mão e começou a fazer junto com o filho o exercício de respiração como foram ensinados. ─ Isso, você está indo bem.
─ Liga pro 119, agora, Giovanna. - tentou não se desesperar na frente de Jung Su.
─ Ma... mãe... - os pulmões do pequeno pareceram comprimirem ainda mais, quando ele indicou perder a consciência o deitou.
─ Você não pode fechar os olhos, olhe pra mamãe e continue respirando, entendeu, amor?
─ Estava na recepção. - o rapaz adentrou a sala ofegante com a bombinha nas mãos.
─ Meu Deus, obrigada. - ele sentou Jung Su no sofá e borrifou o aerosol broncodilatador no filho, alguns minutos depois o remédio começou a limpar as vias aéreas da criança. olhou para o rapaz que também estava apreensivo e o encarou, ela o conhecia. ─ Obrigada! Muito obrigada! - ela riu entre lágrimas.
─ Foi o mínimo que eu podia fazer. - ele devolveu com outro sorriso aliviado.
Não demorou muito para que o serviço de emergência chegasse na sede da Unicef, Jung Su foi levado ao hospital. Há três anos atrás ele havia sido diagnosticado com asma quando tinha quase três anos, desde então a rotina foi se transformando para que ele se adequasse ao tratamento. A bombinha com o aerossol bucal dilatador passou a ser o item principal para tudo, não sabia o que faria se tivesse acontecido algo com o filho.
A campanha estava sendo construída com os grandes nomes artísticos da Coréia do Sul e americanos, era algo global, o discurso em pauta era o fim do trabalho escravo infantil e o representante da Unicef Coréia era Lee Min Ho, a pouco tempo que havia saído do serviço militar e estava, desde a sua ida ao serviço, envolvido com projetos sociais, e, graças a Deus, ele estava na mesma sala que Jung Su.
─ Obrigada. - a brasileira se curvou rapidamente para enfermeira. Eles já estavam deixando o quarto, depois de Jung Su inalar o remédio solicitado pelo pediatra eles poderiam deixar o hospital, quando foi surpreendida.
─ Tudo bem, campeão? – Giovanna segurou na mão do pequeno, lançando um olhar rápido para irmã. ─ Eu já volto. – assentiu observando os dois. ─ Ei aniversariante, a tia não teve como te dar o presente mais cedo, mas ele está lá no carro, vamos abri-lo? – Giovanna o pegou no colo e se dirigiu até a parte externa do local.
─ Ele vai ficar bem! – com o susto se afastou, olhando para trás um pouco sobressaltada e sorrindo em seguida.
─ É o que eu mais quero, a propósito, obrigada, não sei o que teria acontecido se você... – parou subitamente, não queria nem cogitar a ideia que lhe passou em frações por seus pensamentos.
─ Jung Su é um rapaz forte. Ele está completando quantos anos hoje? – ele riu.
─ Seis anos, na idade coreana, sete.
─ Na idade dele minha irmã também teve dias complicados com a asma, mas atualmente ela tem uma vida tranquila, conseguiu controlar as crises.
─ Você está doente? – observou a quantidade de remédio que ele levava consigo.
─ Ah, isso, - Min Ho riu desajeitado. ─ Não, são apenas vitaminas. Eu preciso muito delas.
O tempo estava esfriando consideravelmente, o que não faria nada bem aos pulmões de Jung Su, se despediu formalmente do ator, estava ligeiramente encantada com a humildade e gentileza do rapaz, um simples “obrigado” não era suficiente. Naquela noite seus pensamentos iam e voltavam e sempre parava se perguntando como seria a vida de um famoso, suas prioridades, como lidava com sua fama, fãs, mas no fundo aquelas indagações tinham um porquê.
O telefone estava vibrando em algum canto da bolsa, mas os documentos que a internacionalista lia estavam requerendo sua atenção, os dois últimos dias não havia sido fáceis, tinha pedido uma pausa para cuidar do filho, o aparelho insistia em pleitear sua atenção, num suspiro ela o procurou e atendeu, era Soo Min.
─ Unnie, – disse espalhafatosa. ─ não sei se vou ser a primeira a dizer isso, mas... – sua voz não parecia a habitual, estava quase histérica. ─ eu estou olhando pra você conversando com o Lee Min Ho em uma foto. – disparou em seguida.
─ Como assim? – levantou sobressaltada. ─ Do que você está falando?
─ Você está com ele, parados na frente de um... – ela pausou por um instante verificando se realmente se tratava de um hospital. ─ hospital universitário, tem uma matéria sobre o Lee Min Ho: “Ele não cansa de ajudar!” Está no site KrGossip – ela leu manhosa o nome da matéria do site, estava tudo descrito no site.
─ Isso é aterrorizante, eu não vi ninguém, não falei nada do que aconteceu com pessoa alguma. – a brasileira procurou o site e leu a matéria, era daquela forma, então que ele vivia, exposto a tudo e a todos. ─ O que você está fazendo agora? Pode vir aqui?
Aquilo poderia prejudicar a campanha, sua maior preocupação naquele momento era saber se algum outro site de fofoca teria tomado nota da situação, foi por isso que pediu ajuda a maknae, também não se sentia bem, precisava de colo, Hollyn quase não parava em casa, estava sempre em viagens de negócios.
A matéria destacava como Lee Min Ho era um homem cheios de encantos e gentilezas e como havia ajudado uma mãe estrangeira e seu filho doente, encerrando o assunto com um questionamento: “Quem será essa mulher?” e logo em seguida uma foto aparentemente tirada de um lugar não muito distante. No final de tudo resolveu acreditar nas palavras da amiga:
“─ Ele é famoso, é claro que ele é caçado e vigiado por esses sites de fofocas, são uns abutres, eles estão apenas esperando uma escorregada na vida dele, ou um novo drama, projeto, para que ele seja alvo desse tipo de exposição. – Soo Min tentou explicar confortavelmente”
Não era como se a vida de fosse algo tão grandioso ou espetacular que tivesse que ser noticiado sempre que ela fizesse algo novo, era mais uma em milhares que havia lutado para chegar onde estava, e talvez fosse essa sua maior qualidade: era esperançosa. A campanha estava gerando resultados significativos e os indicadores de denúncias contra o trabalho infantil em todo mundo aumentou, fazendo, assim, com que houve intervenções e investigações em apenas dois meses de lançamento.
─ Solicitei todos aqui porque tenho algo a dizer, - BaeKyungo, coordenador da Unicef Coreia e ativista nas causas trabalhistas, se mostrou empolgado. Estava mais sorridente que o normal. ─ antes quero agradecer a presença do nosso querido embaixador Lee Min Ho, que tem contribuído gratuitamente na campanha mundial, o trabalho árduo tem rendido bons frutos, e um deles é que seremos a sede da IV Conferencia Global sobre o Trabalho Infantil no próximo mês. – todos aplaudiram a notícia, aquilo significava mais trabalho, e todos estavam disposto a realizá-lo. ─ Muito obrigado a todos, suas ações tem mudado a vida de muitos. – Kyung encerrou suas palavras e se dirigiu rapidamente a Lee Min Ho, logo após o trouxe até os internacionalistas.
─ Incrível, sunbaenim! – ele ouviu de e se curvou agradecendo.
─ Os trabalhos de vocês têm gerado esse reconhecimento, isso quer dizer que são mais recursos e subsídios para a Coréia continuar colaborando de forma global.
─Os dias já estão dispostos? – Kim Dong Sun indagou
─ É exatamente essa a pauta que eu quero tratar com a equipe de marketing e com vocês, - ele se referiu aos internacionalistas. ─ precisamos entrar em contato com todas as esferas institucionais dos países com os quais temos diplomacia...- Soo Na o interrompeu.
─Sunbaenim, você disse: todos? – enfatizou incrédula.
─ Não é um problema, ou é? – seu semblante esmaeceu dramaticamente, arrancando risadas de todos.
─ Não! – a equipe respondeu animada e em coro.
─ Estou aqui para o que precisarem! – Min Ho falou timidamente, entrando na conversa, até então ele observa cada movimentação.
─ Claro, - Kwang se voltou para ele. ─ Lee Min Ho! – exclamou animado. ─ Quero ele em todos os canais falando sobre nosso trabalho, se não for incomodo, é claro. – riu desajeitado. ─ Você está em ótimas mãos, meu amigo. – o coordenador se afastou ao telefone.
─ Está tudo bem? – perguntou inseguro, quase todos já haviam deixado a sala. ─ Desculpa! Não era mesmo para nada daquilo ter acontecido, aquela exposição logo após do que aconteceu com seu filho... – disparou, estava visivelmente preocupado.
─ Você está se desculpando por algo que está totalmente alheio ao seu querer, está tudo bem. – a morena curvou-se rapidamente e ameaçou deixar o lugar, mas ele lhe tomou o seu caminho, parando na sua frente.
─ Seria muito estranho se eu convidasse você para tomar um café comigo um dia desses? – não sabia o porquê, mas desde que a viu pela primeira vez com o filho naquela situação, desenvolveu uma empatia por ela.
─ Lee Min Ho-ssi, eu lamento, mas eu teria que recusar. – não entendeu ao certo o motivo daquela abordagem, mas não se sentiu confortável o suficiente para aceitar tal convite.
─ De toda forma, isso aqui é para o Jung Su, da última vez que nos encontramos ele estava aniversariando, então... – ele tirou uma caixa de dentro do bolso do casaco que usava. ─ Acredito que ele goste de vídeo games, é um console, já vem com alguns jogos instalados... Enfim. - ele riu desconcertado entregando o presente.
─ Ele vai amar, tenho certeza. Obrigada! – ela devolveu o sorriso e seguiu para sua sala. Por que ele se importaria de comprar algo para o menino, ou por que ele a chamaria para sair? Nada parecia fazer sentido.
Intensamente os trabalhos eram realizados, as equipes estavam desempenhando o melhor para que tudo saísse de acordo com as metas preestabelecidas, faltando alguns dias para a Conferência o ator Lee Min Ho estava com a agenda lotada, estava acertando os últimos detalhes do mais novo drama, e precisava cumprir com a agenda exclusiva da Unicef Coréia.
─ Hyung, não se preocupe! – riu descontraído. ─ Eu não tenho me alimentado normalmente esses dias, por isso passei mal. É apenas isso!
─ É claro que me preocupo, a saúde precisa vir em primeiro lugar. Se você não está se sentindo bem, não precisa ir no programa de sábado, você já nos ajudou o bastante. – Kyung falava ao telefone com o ator, ele estava no hospital, foi necessário passar por um tratamento intravenoso com soro fisiológico. ─ E você ainda está tossindo! – o Hyung completou insatisfeito.
─ Eu vou ficar bem! Obrigada pela preocupação, Hyung.
─ Não importa o quê, me liga se precisar de mim. Se bem que você tem o Kevin. – eles se divertiram.
─ Vou desligar primeiro.
─Fighting, dongsaeng!

Ter, 07nov. 2017

Ver que todo o trabalho estava faltando pouco para ser concluído gerava uma atmosfera de satisfação e fraternidade que davam o toque final para a Conferência, líderes mundiais, autoridades sindicais, presidentes de grandes empresas multinacionais estavam presente no hotel que recebera o encontro.
─ Deixa isso como estar, Hollyn! – arrumou novamente o laço do vestido da amiga que insistia em mexer, alegando não estar confortável com o acessório da roupa.
─ Não acredito que eu vou ter que aturar você babando aquele atorzinho durante todo esse evento. – a amiga já havia percebido desde quando chegaram no hotel anfitrião da convenção os olhares da internacionalista para Lee Min Ho. ─ E então? – a mais velha lhe chamou atenção.
─ O quê? Do que você está se referindo? – desconversou.
─ Pra cima de mim não, né, ? Quando foi a última vez que vocês se falaram? – ela maneou a cabeça na direção do rapaz, fazendo rolar os olhos risonha.
─ Já tem um tempo... Ele não falou mais comigo desde... – ela foi cortada.
─ Eu também não falaria mais com você. Você deu um fora nele! , você precisa se permitir conhecer alguém, minha amiga. 6 anos! – sabia do que ela estava tratando.
─ Em primeiro lugar, eu não dei fora nele, e em segundo, isso não quer dizer nada.
─ Quer dizer que você está enferrujada. – concluiu.
A IV Conferencia começou pontualmente as quinze horas, Lee Min Ho estava na programação como um dos oradores, seguindo o cronograma, sua fala seria a terceira, estava se dirigindo ao local externo do evento, BaeKyung estava delegando algumas funções para equipe técnica do hotel, ele era impecável em tudo que fazia. Ele chamara a internacionalista para ajudá-lo.
─ Obrigado por sempre estar disposta, . Realmente preciso de alguém que fale espanhol para essa conversa, não é nada formal, mas os assuntos são relevantes. – Bae explicava sobre o porquê de tê-la chamado.
─ Certo, você me liga quando estiver pronto. – depois da breve conversa seguiu de volta para o grande auditório.
Logo na entrada pôde ouvir os aplausos que eram dirigidos ao embaixador da Unicef daquele ano. A brasileira sentiu-se frustrada por não ter chegado a tempo de prestigiar suas palavras, mas felizmente Hollyn havia gravado o breve discurso, ela o viu seguir para o backstage. Não podia acreditar nas suas próprias atitudes: ela estava tentando arranjar pretextos para poder ir até aos bastidores, por um momento parou avaliando a gravidade daquele jogo que ela havia começado a jogar consigo mesma, era ridículo.
─ Para. , PA-RA. – repetia como um mantra.
─ Preciso de você! – o olhou sobressalta com o susto, ele riu em seguida da feição que se instalou na amiga. ─ Desculpa! – riu divertido. ─ Podemos ir agora?
─ Ainda bem que eu não tenho problemas de coração. Vamos!
Como BaeKyung havia dito a conversa fluiu da melhor forma possível, as autoridades se divertiram muito com o humor de Bae, seu carisma pareceu ganhar todos que estavam ali, a internacionalista tinha que manter a diplomacia até mesmo em momentos como aquele, mas não conseguiram mais que apertos de mãos e dois tapinhas nas costas, o coordenador sabia que não seria tão fácil recursos para o projeto da Escola para Crianças Refugiadas.
Após o encerramento da convenção os convidados foram direcionados ao salão de festas do Hotel que os esperavam com um coquetel. Os funcionários não eram obrigados a permanecerem depois do evento, mas muitos deles queriam ir fora o sucesso que havia sido, no entanto os planos de estavam todos voltados para seu filho, todos tinham ganhado um dia de folga.
─ Assim está melhor. – encarava o espelho depois de um retoque na maquiagem, estava saindo do lavabo quando ouviu alguém tossir forte no banheiro ao lado, provavelmente não estava passando bem. ─ Tudo bem? – se aproximou da porta, não queria cometer a indelicadeza de entrar.
─ Está sim! – a voz do rapaz tremulou.
─ Tem certeza? Eu posso chamar alguém para ajudar... - agora ela sabia de quem se tratava.
─ Não precisa! – seus olhos estavam vermelhos e ele segurava um lenço. ─ Eu estou bem.
─ Claro! Eu não queria parecer intrometida. - ela riu sem graça, porque disso aquilo mesmo?
─ A propósito, eu gostaria de me desculpar formalmente pelo meu comportamento impetuoso, é provável que você seja comprometida e eu apenas a convidei para sair sem ao menos me atentar para isso, por isso peço desculpas. – ele se curvou.
─ Eu não sou comprometida. – ela procurou seus olhos, sorrindo, rapidamente ele a fitou envergonhado.
─ Bem, sendo assim eu acho que posso refazer o convite? – divertiu-se.
─ Faça! – levou uma mecha do cabelo para trás da orelha, estava ligeiramente envergonhada.
─ Aqui nesse hotel tem um restaurante incrível, - ele apontou na direção do restaurante. ─ você gostaria de jantar comigo? – completou.
─ Sim. Confesso que estou com fome. – os dois se divertiram com o comentário da brasileira e seguiram até a entrada do sofisticado restaurante, ele a guiou até uma mesa, foi surpreendida quando ele cuidadosamente puxou a cadeira e deu espaço para que ela sentasse.
Ainda era cedo, a música ambiente os envolveram em uma conversa divertida e informal, riam muito, era bom conhecer alguém com pensamentos tão abertos e gentis, por algum tempo esqueceu o que aquela figura na sua frente representava para boa parte do país, naquele momento ele era apenas Min Ho, um homem encantador.
─ Inacreditável, - comentou com um meio sorriso. ─ você não desistiu do que você acreditava e isso é louvável! – a brasileira tinha contado sua história de como havia ido morar na Ásia.
─ Até porque eu não sonhava mais apenas por mim. – referiu-se ao filho. ─ Jung Su é tudo na minha vida.
─ Como é a relação dele com o pai? – ele não pareceu desconfortável em perguntar e não se sentiu incomodada em responder.
─ Eles quase não têm contato, HyunSu ligava nas datas especiais, mas isso também mudou, mas nós temos uma ótima relação com a mãe dele, ela é uma avó adorável para Jung Su, sempre me ajudou, até mesmo financeiramente. – ela concluiu quando o prato principal havia sido servido.
─Não deve ter sido fácil. Você merece estar onde estar. Acho que nunca ouvi algo parecido, é quase o roteiro de um drama. – ele a fez sorrir com o comentário, Lee Min Ho se sentiu desconfortável com um gosto diferente que surgiu em meio a comida, engoliu com dificuldade, tossindo.
─ Está muito picante? – cerrou os dentes em um sorriso.
─ Você se importa se eu for ao banheiro? – pareceu desconfortável com algo.
─ Não. – maneou a cabeça. ─ Você está bem? – perguntou gentilmente.
─ Sim! Eu não demoro. – ele seguiu em passos rápidos até a saída, o banheiro não ficava tão distante, a brasileira estranhou não vê-lo ir até os banheiros do próprio restaurante.
Qual a probabilidade de algo como aquela situação acontecer? estava se questionava. Já fazia mais de trinta minutos que esperava o retorno de Lee Min Ho, ele provavelmente não estaria passando bem, a comida não havia feito bem, era isso, uma indigestão inapropriada.

─ Min Ho? – Kevin o chamou na porta do banheiro.
─ Estou aqui, estou no primeiro box.
─ O que aconteceu? Por que me ligou daquela forma? – Min Ho abriu a porta fazendo o manager dar um passo para trás. ─ Vamos pro hospital! Agora! – ele o viu com um lenço sujo de sangue. ─ De onde veio esse sangue? – Kevin havia levado uma camisa limpa para ele, já estavam no carro.
─ Preciso que você me faça um favor. – ator disse, decepcionado com o que o encontro agradável havia se tornado.
Trinta minutos! Não iria mais esperar, o ambiente agradável havia se tornado constrangedor, não acredita no que estava acontecendo. Pegou a bolsa, checou as mensagens no celular, ainda estava cedo, podia chegar a tempo de ainda ver o filho acordado. Procurou ligeiramente o metre do restaurante, iria pagar a conta.
─ Boa noite. – Kevin disse ao se aproximar.
─ A conta, por favor. – riu sem graça.
─ Eu sou o Kevin, - ele se sentou. ─ Manager do Lee Min Ho, ele precisou sair as pressas, aconteceu um imprevisto, e... – ela o cortou.
─ Pare. Isso é ridículo! Não preciso que me dê uma desculpa, eu entendi. –sem nem ao menos dar atenção alguma para o que ele tinha a dizer se levantou,estava saindo.
─ Ele me pediu para dar isso a você. – estendeu um bilhete.
─ Obrigada! – depois de lê-lo ela apenas o jogou em cima da mesa e saiu, não acreditaria nem em mil anos no que estava escrito naquele maldito bilhete: “Não passei muito bem, desculpe. Esse é meu número pessoal.”
A bateria de exame foi realizada, Min Ho iria esperar para recebê-los em casa, também não tinha tempo para se preocupar com outras áreas de sua vida a não ser sua carreira, estava voltando com mais força do que o habitual, já tinha um drama para começar as gravações, outro no gatilho e mais um filme, sua vida estava voltando para os trilhos, ou talvez fosse ao contrário.
─ O que você acha que pode ser? – Kyung falava ao telefone com Kevin, manager de Lee Min Ho.
─ Não sabemos ainda, na próxima semana saberemos. – a preocupação real era se aqueles sangramentos se tratavam de algo mais sério do que esperavam.
evitava o máximo qualquer relação com o ator, o que se tornou quase impossível, o drama dele estava próximo de ser lançado e todos só falavam nisso e em como o novo enredo era excelente e que, no futuro, lhe garantiria muitos prêmios. “Ele parece bem”, pensou ao vê-lo dando uma entrevista em um programa. Devido ao tratamento do filho, todo mês se ausentava um ou dois dias do trabalho, as idas ao hospital ficaram mais frequentes desde que Jung Su havia mudado o tratamento.
─ É isso aí, campeão, você foi ótimo hoje. – Jung Su segurou na mão da mãe envergonhado com as palavras do médico.
─ Obrigada, Dong Sun, eu estava preocupada, mas agora estou mais tranquila, principalmente por saber que esse tratamento já está quase no fim.

Seg, 11 jan. 2018
O ano mal havia começado e já tinha duas viagens internacionais importante marcadas, odiava ter que deixar o filho para fazer essas viagens, Giovanna era uma ótima irmã, mas como mãe não se sentia segura para confiá-lo a qualquer outra pessoa por tanto tempo. Os dias de inverno eram sempre os mais difíceis para o pequeno, já no final do Soo Min e HeeNa haviam combinado de sair com a amiga estrangeira, HeeNa estava dando inicio na organização do seu casamento.
─ Minha cabeça vai explodir e eu apenas comecei. – a unnie se debruçou sobre a mesa, rendendo-se a quantidade de informações contidas naqueles papeis.
─ Calma, unnie! – sorriram do drama da mais velha.
─ Não se preocupe, estamos aqui para ajudar. – Soo Min consolou a amiga. ─ E vamos parar com o drama.
─ Você fala assim porque não é com você, é muito pressão!
─Não vejo Taeyang com esse desespero... – a conversa foi interrompida pelo toque do celular de , não conhecia o número. ─ Alô?!
... – depois de tanto tempo, ele havia ligado novamente, era Kim HyunSu.
─ Ah, sim. – rolou os olhos. ─ Só um momento, vou chamar Jung Su.
─ Bem, primeiramente eu queria falar com você. Eu estou em Seul, . – impeliu.
─ O quê? – a brasileira engoliu em seco. ─ Você está aqui?
─ Quem está aqui? – as amigas questionaram.
, eu quero conhecê-lo. Quero vê-lo. – ele riu empolgado.
─ HyunSu, pare de cinismo. – disparou.
─ HyunSu! – as duas meninas exclamaram incrédulas.
─ Por favor, . Me deixe vê-lo, eu sou o pai dele. – suplicou.
─ E quem disse que você está qualificado para usar esse termo? Quando você foi um pai pra ele? Quando você manda dinheiro mensalmente ou quando você ligava esporadicamente? – não quis parar por ali, mas o filho estava se aproximando.
─ Não faz isso, . Nós precisamos conversar pessoalmente, eu preciso ver o Jung Su, preciso pedir desculpas. – falou insatisfeito. ─ Pondere na sua decisão, eu estou aqui pelo nosso filho.
Não seria algo fácil ou repentino. O ponto era esse, o filho não era apenas dela. Tinha uma história ao lado de Kim HyunSu, não poderia privar o filho da convivência com o pai. Ele ligou mais algumas vezes para marcar o encontro, não tinha muito o que dizer, foi um cretino e sabia disso, não teve coragem de assumir as consequências das atitudes tomadas.
Já frente a frente com HyunSu, temeu desconhecer os seus próprios sentimentos, ficou aliviada quando o olhou, depois de tanto tempo, e seu coração manteve-se calmo, Hyun estava radiante, Jung Su não o deixava quieto em nenhum momento era incrível vê-lo se divertindo daquela forma, nunca tinha visto o filho assim antes, HyunSu aproveitou a oportunidade para falar de como seguiu com a vida em Londres e de como tudo no início parecia impossível. Houve perdão, por mais difícil que tudo parecesse, tentaram o máximo pelo filho.
─ Estou de casamento marcado. – ele comentou aleatoriamente. ─ Ela é inglesa, descendente de coreanos, vamos morar aqui, aliais.
─ Parabéns! Faça ela feliz! – ela o fitou com um meio sorriso.
Jung Su quase não conseguiu pegar no sono naquela noite, no dia seguinte iria sair novamente com o pai, mas dessa vez acompanhado da avó NaEun. Olhar nos olhos do filho e ver o brilho e a empolgação do pequeno davam a certeza que tinha tomado a decisão correta.
Depois das duas viagens se permitiu curtir dois dias com o filho, ele nunca pareceu tão saudável, estava fazendo aulas de judô e música, acordar cercada por aquela energia lhe dava uma dose de animo diária, nasceu para ser mãe, definitivamente.
─ Na Ri-ssi, como está sendo feita a seleção dos voluntários? Eu queria ver os currículos deles. – Ji Sung, ou o “dono do mundo” como Na Ri havia o apelidado, solicitou.
─ Claro. está com uma equipe analisando um a um, caso queira saber.
─ Perfeito. Assim eu leio apenas os relatórios que forem feitos. Obrigada! – ele levantou os documentos no ar notificando pelo que estava agradecendo.
─ Mala, folgado! – Na Ri desdenhou.
O trabalho era dobrado quando chegavam a época de avaliar currículos voluntários que eram enviados de todos os países, era satisfatório saber que muitos sentiam o desejo de colaborar com o voluntariado, e os internacionalistas da Unicef tratavam de analisar e escolher seus voluntários de acordo as demandas daquela realidade ao cruzarem com as competências de casa inscrito no programa voluntário.
─ Quantos vagas teremos esse ano? – Bae perguntou lendo o relatório.
─ Na Coréia, em torno de 250, apenas nesse primeiro semestre. Em várias áreas de atuação. Acredito que no segundo semestre esse número aumente. – Na Ri respondeu.
─ Desculpa incomodar, a porta estava aberta. – o rapaz disse ainda do batente da porta, não olhou para trás, sabia de quem se tratava e orou aos céus para BaeKyung sair com ele.
─ Sem problemas, pode entrar.
─ Boa tarde! – ele sentou-se no sofá ao lado de . – Olá! – curvou-se ligeiramente.
Constrangedor. Sem dúvida alguma toda aquela situação se resumia nessa palavra. Todos perceberam quando, no meio da reunião, ele deixou a sala com alguém no telefone, e não retornou mais, talvez isso fosse um habito dele. deixou rapidamente a sala após a reunião, tinha que buscar Jung Su na casa da avó antes do horário do inicio do culto, a senhora era assídua nas programações da Igreja.
Ao longe a brasileira viu o filho com NaEun, eles estavam se divertindo com a recepcionista, acenou na direção deles chamando a atenção do pequeno que saiu correndo para alcançá-la, abraçou o filho dando-lhe vários beijos o fazendo sorrir empolgado. A surpresa foi imensa quando viu que a ex-sogra estava acompanhada da última pessoa que imaginou, Lee Min Ho estava divertindo-se com Jung Su.
─ Vou levá-lo ao banheiro. – a criança disse estar apertada a avó que se prontificou a ajudar deixando-os sozinhos.
─ O que você quer? – foi ríspida. Ele a olhou sem respostas, abriu a boca para falar algo, mas não o fez. ─ Foi o que eu imaginei! – ela deu as costas e seguiu em direção aos banheiros. Sua mão foi pega de repente por ele, a fazendo parar.
─ Desculpa, mas eu não podia voltar da forma que eu estava... A minha camisa estava suja, eu não podia voltar.
─ Você acha que eu vou realmente acreditar naquele bilhete? Você passou mal e teve que ir... – ele a cortou.
─ É ridículo, eu sei. Mas... – foi a vez dela de interrompe-lo.
─ Que seja! Nós não devemos explicação um ao outro, mas você não podia ter feito o que fez, eu fui uma idiota. – quando ela fez menção de sair ele a puxou para um abraço.
─ Desculpa. A minha intenção não era colocar você em uma situação assim. – ele apoiou o queixo na sua cabeça, não sabia como reagir àquela ação.
─ Por que você está brincando comigo? – ela saiu do seu abraço, desarmando-se diante dele, deu um passo para trás para encará-lo.
─ Não, não. Não entenda dessa forma!
─ Então o que é tudo isso? O que significa? – ela sustentou o seu olhar no dele. Quando ela o viu se aproximando temeu pelo que viria depois, ele colocou uma mecha do cabelo dela para trás da orelha, sorrindo em seguida ao perceber que o dente incisivo era levemente torto. sabia no que aquilo culminaria, fechou lentamente os olhos como se esperasse por ele, seus lábios se tocaram por alguns segundos eternos, o corpo da brasileira rapidamente respondeu com uma descarga de eletricidade, fazendo-a ficar arrepiada. Ele, por sua vez, lhe contemplou, depois do beijo, por frações de segundos enquanto ela ainda estava de olhos fechados, tentando organizar os seus pensamentos para ato seguinte.
─ Essa sensação... – ele riu. ─ Eu nunca tinha sentido antes.
─ Eu também não. Mas isso está errado. – levou as mãos a cabeça. ─ Você sabe!
─ O que eu sei é que eu estou apaixonado por uma mulher incrível.– sem muita pressa ele depositou outro beijo nos lábios de , como era possível se perder tão facilmente apenas com um toque seu?

A vida tinha seguido o seu próprio curso, e para , era novidade aquelas vivencias, esconder um namoro, cuidado dobrado com o filho, com a imagem de Lee Min Ho, não se sentia bem tendo que fugir de situações cotidianas, caso estivesse com o namorado. Não ia reclamar para ele, entendia, mas não era confortável. Mensagens, chamadas de voz, de vídeo, viviam tendo que adiar encontros pessoais e terminavam se rendendo ao relacionamento a distância, muitas vezes, mesmo morando na mesma cidade.
─ Nós vamos sair, claro. Sabe, eu nunca comemorei esses cem dias de namoro. – comentou divertido ao celular.
─ Eu não tenho certeza se essa ideia é confiável...- soltou um longo suspiro, seguido de uma risada. ─ Da última vez eu tive que sair pelos fundos ou então eu seria linchada.
─ E o que você sugere? Não vamos ficar em casa!
─ Tem uma exposição de arte de uma amiga minha, poderíamos ir, separadamente, nos encontraríamos lá. Ela vai expor as esculturas no espaço que fica no térreo, a mãe dela tem um restaurante no andar de cima. – sugeriu empolgada.
─ Incrível. Até lá, eu vou enlouquecer. – foi sugestivo, ele a ganhava com sua sutilidade.

Sex, 18 mai. 2018

Até então Lee Min Ho ainda não tinha mencionado nada sobre tratamento que havia iniciado e subitamente parado, a princípio se tratava de uma broncopneumonia, o caso não tinha gravidade se o tratamento fosse seguido e concluído, os muitos compromissos o levaram a pará-lo antes mesmo da metade, mas se sentia bem. Quando perguntado por Kevin ele sempre enfatizava que não era algo necessário fazer menção.
─ Nós estamos a caminho do Hospital, Jung Su não está respirando bem hoje, já tentamos o broncodilatador, mas ele continua com dificuldades para respirar. – informou chateada, sofria junto com o filho, aquele não estava sendo um dos seus melhores dias.
─ Estou saindo da KBS agora, vou até vocês. – ele seguiu até o carro, tinha que avisar ao Kevin, queria ter certeza que não seria seguido e Kevin o ajudava com a localização dos plantonistas fofoqueiros.
Logo após a nebulização Jung Su já não sentia o mal estar, já havia pesquisado e comprado um desses aparelhos, mas a medicação só poderia ser receitada e administrada no Hospital.
─ Seria ótimo poder fazer essa inalação em casa. – rendeu-se ao sofá ao lado do médico e amigo que observava o pequeno.
─ Essa medicação só é administrada porque ela pode ter um efeito adverso, ele sendo assistido é mais seguro. – Dong Sun explicou.
─ Obrigada! – ela reclinou a cabeça sobre o ombro do amigo. ─ Você é um grande amigo!
─ Mãe... Já está acabando? – o pequeno inquiriu impaciente.
─ Quase. – o médico sorriu pro “sobrinho”.
Min Ho apressou-se para chegar a tempo de levá-los para casa, tinha um carinho especial por Jung Su, ele também havia ganhado o coração do coreano. DongSu estava completando o plantão e resolveu permanecer ali que acordasse, ela havia adormecido ali mesmo, com a cabeça repousada sobre o ombro dele, quando Jung inalou a dosagem do medicamento, Dong Sun precisou deitá-la, delicadamente, a cabeça sobre o encosto do sofá.
─ Doutor... – Lee Min Ho estava aparentemente contrariado com a situação que presenciou. ─ ...
─ Ela acabou dormindo e eu... bem... eu... – gesticulava entre as palavras, não tinha a intenção de levá-lo a entender de maneira errônea a situação.
─ E aí, campeão? Acabou tudo por aqui? – se voltou para Jung Su, ele estava entretido com o aparelho e apenas acenou que sim.
─ Acabou? – despertou sobressaltada, não tinha mais um sistema nervoso estável a muito tempo. ─ Lee Min Ho? – surpreendeu-se, não entendeu a expressão que estava instalada no seu rosto. ─ Está tudo bem?
─ Sim. Eu vim buscar vocês, vamos? – ela apenas assentiu, curvou-se rapidamente para Dong Sun, segurou os filhos no braço e o seguiu.
Queria entender porque aquela expressão ainda estava ali. Solidificada.
─ Okay. O que aconteceu? – impeliu, por fim.
─ Você tem o costume de dormir nos braços dos seus amigos? – ele inquiriu sem olha-la.
─ Espera, o quê? – Giovanna já havia levado o pequeno para o quarto. ─ Você ta se ouvindo? – disse indignada.
─ Eu vi ele tirando sua cabeça do ombro dele e recostando no sofá... – a voz tremulou quando ela o interrompeu.
─ E só foi isso que aconteceu... Eu não acredito que eu ouvir isso. Você está sugerindo que eu... – ela riu incrédula, ele, no entanto não quis deixar que ela concluísse, levantou-se rapidamente seguindo até a porta. ─ Isso é bem típico, você vai embora agora...
─ Eu estou irritado, não quero discutir com você assim, meu dia foi bastante estressante.
─ E o meu dia não foi cansativo? Eu tive que sair correndo do meu trabalho porque meu filho estava com uma crise, - ela pausou chateada. – sem respirar... eu estou cansada. – jogou-se no sofá com as mãos na cabeça. ─ Quer saber, vai embora, é melhor. – ele a olhou confuso, encarou a porta e se dirigiu até o carro.
Kevin estava sempre entrando em contato com e contando sobre o dia a dia do ator, eles estavam distantes desde o que aconteceu no Hospital, Min Ho sentia-se envergonhado, não poderia ter sido mais idiota com , sabia das suas lutas diárias e de como as coisas ficaram ainda mais complicada desde que eles haviam começado a namorar, foi egoísta e insensível. Queria recuperar-se daquela maldita gripe para ir vê-la.
─ Você não fala comigo direito há quase uma semana, quer dizer, nem comigo e nem com ninguém, depois eu que resolvo suas cagadas. – Kevin desabafa por telefone. ─ A propósito, você falou com hoje? Não dá pra acreditar nesse seu orgulho idiota!
─ Eu ainda sou chefe, não sou? – ele tossiu. ─ Você foi ensinado sobre respeito? – falava ironicamente.
A conversa rápida durou tempo suficiente para Kevin perceber que o amigo não estava bem. Por estava atolado com o novo trabalho do ator, só poderia ir vê-lo quando remarcasse todos os programas e remanejasse todas as gravações do novo drama para o mês seguinte, isso renderia uma certa burocracia e acordos.
─ Ele bem que poderia atender o telefone, mas não... – Kevin estava tentando ligar para o amigo, mas decidiu entrar no apartamento com a chave reserva. ─ Você tem sorte de ter um amigo como eu... – a sala em conceito aberto dava uma visão de toda a casa, Lee Min Ho estava caído perto da cama, o amigo correu para ajudá-lo, ele não estava inconsciente, mas sua respiração não era boa.
O quadro era de pneumonia bacteriana, com a infecção já avançada instalada nos pulmões os procedimentos foram tomados para que ele passasse imediatamente pelo tratamento, chegou no hospital já inconsistente por causa do mal funcionamento dos pulmões e do oxigênio que não chegava até eles, foi necessário o apoio de uma cânula para ajudá-lo a respirar.
O telefonema de Kevin não era claro, sua voz estava embargada, ele parecia nervoso, desligou a ligação e ligou novamente, poderia ser a operadora, pensou, as batidas descontroladas do coração apontavam seu desespero, Lee Min Ho não atendeu nenhuma de suas ligações, mas enfim conseguiu conversar com o amigo sem interrupções. “Ele está inconsciente, não consegue respirar sozinho”. As palavras de Kevin vagavam por seus pensamentos enquanto ela acelerava até o Hospital.
─ Onde ele está? – tudo estava confuso, não parecia real. ─ Kevin? – buscou explicação no amigo que apenas maneou a cabeça negativamente, preocupado. ─ Eu posso vê-lo?
─ Receio que não. Mas você entende, ainda ta recente... – Kevin disse insatisfeito, o médico, Dong Sun, se aproximou-se quando viu a internacionalista.
... Posso ajudar?
─ DongSun-ah, o que aconteceu com o Lee Min Ho?
─ É um quadro de pneumonia bacteriana, ele provavelmente não vinha se cuidando bem desde que saiu do exercito, muitos trabalhos, e ele também parou o tratamento pela metade, já foi um fumante, que é um fator que influencia na deficiência dos pulmões...
─ Doutor... Por favor, seja mais direto. – ela o cortou.
─ Por já está num grau avançado existe alguns riscos... , faremos o nosso melhor, ele ficará bem. Não posso autorizar que você entre no quarto dele agora, veremos como reagi ao medicamento, tiraremos a cânula e você poderá vê-lo.
Dong Sun sempre foi um bom amigo, o admirava, era um ser humano incrível e dedicado, sua paixão pela medicina e por salvar vidas o fazia um dos melhores médicos voluntários da Unicef. Foram dois dias assustadores, os pais deles também estavam o tempo todo no hospital. Quando Dong Sun permitiu a entrada dos pais, e logo após , ela usava uma espécie de avental e estava de máscara e toca, procedimento padrão.
Seu semblante calmo e sereno angustiou o coração da brasileira, não queria vê-lo assim, não daquele jeito, as máquinas ligadas ao seu corpo faziam um barulho incomum, sentiu sua espinha dorsal enrijecer ao percebê-lo de mais perto, ele respirava com ajuda de aparelhos e aquilo a destruiu.
─ Por favor, Oppa. – riu fraco, era a primeira vez que o chamava assim. ─ Seja forte e levante-se logo dessa cama. – limpou as lagrimas insistentes. ─ Eu queria poder ficar aqui até você acordar. - ela segurou na mão dele como se não fosse mais soltar.
Não tinha ninguém ali além deles dois, ela então desceu a máscara o pegou pela mão e a beijou: “Estou indo, meu amor” ela sussurrou. Antes de pousar a sua mão novamente na cama, quando ela voltou a olha-lo, o viu a encarando com os olhos sonolentos. Ele fez menção ao aparelho que estava ligado a ele, estava incomodado.
─ Oppa... - sua voz tremulou preocupada. ─ Eu vou chamar o médico.
Sentia sua boca seca, mal conseguia conversar, o aparelho havia agredido a garganta, entretanto sentia sua respiração melhor, não esperou que Dong Sun saísse para que ela retornasse para o quarto.
─ Desculpa... – ele engoliu em seco.
─ Nós teremos tempo pra isso. – sussurrou em um sorriso, saiu em seguida, o doutor conversaria a sós com o ator.
Depois de alguns minutos a sós com o Min Ho, DongSun saiu do quarto aparentemente preocupado, o paciente ainda não tinha condições de respirar sem ajuda dos aparelhos e havia apresentado uma tosse atípica, os exames diriam mais sobre a situação dos pulmões. queria voltar novamente e conversar com ele, saber como ele estava se sentindo, mas era provável que não deixariam.
─ Então... – ela estava aflita pelos resultados dos exames. ─ Os resultados... o que eles dizem?
─ Como eu já havia dito antes, - disse num suspiro. – é uma pneumonia bacteriana, causada por causa da nicotina e de gripes, é sério, mas ele é um homem forte e procurou o hospital a tempo.
─ Me alivia saber que ele está sendo tratado por você.
Não havia um dia que não pensava naquele beijo, naquelas palavras, queria tê-lo; recuperado e pronto para ouvir o que ela tinha a dizer, na verdade, não queria dizer muito, apenas deixá-lo saber da sua importância, que os dias sem ele pareciam ser temperados amargamente. Todas as mídias coreanas anunciaram o estado de saúde do ator, quase duas semanas depois Kevin ligou, pelo menos pensava ser Kevin:
─ Hi, oppa!
─ Oi, . – ele disse, parecia rouco. ─ Você chama o Kevin de Oppa, mas eu não, como explica isso?
─ Não faça mais isso comigo, nunca mais! – ela ignorou totalmente a reclamação, sentiu suas mãos tremendo, o coração parecia que ia parar. ─ Você me ouviu? Não saia dai. Eu estou indo.
Suas mãos não paravam de tremer, decidiu deixar de lado o pó compacto, de toda forma não conseguiria retocar a maquiagem mesmo, o cordão dele ainda estava com ela, iria devolver, não queria esperar mais.
─ Como eu farei isso? – estava parada na frente do hospital, ainda faltava alguns minutos para o horário de visitas. ─ Meu Deus, eu amo esse homem. – respirou fundo tentando acalma-se.
Bateu levemente na porta, vagarosamente empurrou-a, observando o quarto branco e em seguida o viu deitado, parecia estar dormindo, caminhou lentamente até a cama, não queria acordá-lo.
─ Você é linda. – fitou-a, ele parecia descobrir cada detalhe do seu rosto enquanto acariciava.
─ Deus! – maneou a cabeça levemente ─ Eu tive medo... medo de não poder te dizer... – ela ainda estava segurando a sua mão. ─ Dizer que eu te amo, - Min Ho riu levemente. ─ Eu quero que saiba, Min Ho: Eu amo você. Desculpe por não ter dito antes, eu...
─ Eu sei! E você não precisa pedir desculpa, eu amo você justamente pelo que você é, por ser a mãe incrível que é. – ele levantou, aproximando-se o suficiente para sentir a respiração de . ─ Eu nunca quis viver e dividir a minha vida com alguém como eu quero com você, . – ela o olhou e sorriu lançando seus braços em volta do pescoço do rapaz. ─ Sabe, eu amo esse seu dentinho torto... – nesse momento ele tirou a cânula que ainda usava e a beijou, a sintonia entre os dois parecia emitir um som único, era música que sempre buscou encontrar, ela só tocava quando estavam juntos.
─Você devia fazer isso mais vezes. – ele riu da proposta da brasileira.
─Tipo assim... – ele a beijou novamente entre risos.
A tarde poderia continuar daquela forma pra sempre, eles conversaram, riram, ela deitou-se sobre seu peito e ficou ali por horas.
? – ele sussurrou.
─ Hum?
─ Casa comigo? Seja minha mulher! – ela levantou-se risonha e o beijou.
─ Pra sempre sua!


Hongdae: é uma região de Seul, Coreia do Sul, situada próxima à Universidade Hongik, de onde deriva seu nome. É conhecida por sua arte urbana e música indie, clubes e entretenimento.
Itaewon: um famoso bairro de Seul, tem crescido na popularidade entre os jovens que buscam relaxar e se divertir aos finais de semana.
Hyung: pronome de tratamento usado por garotos mais novos para chamar um rapaz mais velho que ele.
Unnie: pronome de tratamento usado por garotas mais novas para chamar um moça mais velha que ela.
Oppa: se você tem um amigo, ou um irmão mais velho, pode chamá-lo de oppa. Além de amigo e irmão, este pronome também é muito usado pelas namoradas para com seus namorados, também mais velhos.
Yoboseyo: é a forma romanizada para “Alô”.
Wons: o won sul-coreano, oficialmente apenas won ou, na sua forma aportuguesada, uone, é a moeda da Coreia do Sul desde 1962.


Fim.



Nota da autora: Olá!
Eu realmente não sei se fiz um bom trabalho, mas me esforcei bastante para que a estória ficasse menos cansativa e longa possível, foram dias corridos, mas depositei todo meu amor nessa fic, deem muito amor a essa fanfic e as outras que fazem parte desse ficstape, eu espero que gostem e se emocionem. Beijos de luz.



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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