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Capítulo Único


The day I first met you
You told me you'd never fall in love
But now that I get you
I know fear is what it really was

? — me chamou, abriu a porta do nosso quarto e colocou apenas o rosto pra dentro.
— Sim? — respondi.
— Já está pronta? Estamos apenas te esperando, todo mundo já desceu. — ela entrou no quarto e parou ao meu lado em frente ao espelho, dando uma mexida em suas roupas. — tem certeza que estou bem assim?
— Só um momento — terminei de passar máscara nos cílios e fiquei pronta. — agora sim, — me virei para olhar sua fantasia de diabinha mais uma vez. — está linda, . Queria estar um terço como você.
— Obrigada! Não me venha com essa, você também está! — minha roommate sorriu, e eu a segui quarto afora, para a festa anjos e demônios de boas vindas dos novos membros. Todas as festas eram temáticas.
Eu estava me sentindo a rainha da cocada branca. era filha de algum amigo importante do meu pai que trabalhava com ele no banco, e foi uma referência para mim na Darthmout College, já que eu cheguei ali sendo um peixe fora d’água.
Ela era a mom da Alpha Theta, a melhor fraternidade do campus. Foi um pulo pra que eu entrasse para ela. Pelo menos vinte freshmen haviam tentado passar pelos testes do ritual de iniciação, mas apenas três passaram, contando comigo que teve tudo facilitado pela . Eu a conhecia apenas de vista, mas até que nos demos bem. Ela aproveitou a oportunidade para trocar de roommate, já que ela não estava dando certo com a anterior, e foi ficar comigo.
Eles viviam dando festas. Aproveitavam de qualquer desculpa para uma nova, e daquela vez, seria para darem as boas-vindas para mim e os outros dois novos garotos. Calcei meu melhor salto branco e vesti minha fantasia de anjo. Ela era um vestido branco com um leve babado no busto, deixando meus seios bem destacados. A oportunidade de ter um corpo brasileiro não era para todos dali, e era nesses momentos que eu agradecia por ter essa veia da minha mãe. Uma cinta e fitas davam a opção de apertá-lo para marcar minha cintura ainda mais. A saia curtíssima que mostrava mais do que devia com plumas em sua barra. As asas em minhas costas e uma armação para uma auréola eram apenas um mero detalhe para deixar explícito o meu lado angelical.
Que não existia, claro.
Assim que chegamos lá em baixo, e , o dad, subiram na mesa e foram nos apresentar para os convidados, e acabaram nos puxando para cima da mesa também. Eu fui na mesma hora, para balançar minha poupança meio brasileira e chamar a atenção dos rapazes que estivessem ali, e um dos garotos novatos hesitou antes de subir.
— Essa mesa não vai quebrar, não? — ele ergueu a sobrancelha.
Puta merda. Como ele era gato.
Eu fiquei perdida olhando no fundo dos seus olhos por um bom tempo, até bloquear minha visão para respondê-lo.
— Não se preocupe, não seria a primeira. Se não quebrar conosco aqui em cima, quebra quando alguém vier trepar aqui.
Eu comecei a rir e aceitei o copo que me passou, cheio de cerveja. O novato engoliu em seco e o outro novato que estava ao meu lado, o zombou.
— Deixa de ser cagão, . Sobre logo aqui.
— Gostei de você. — afirmei. Às vezes eu esquecia minha sanidade pra trás e falava em voz alta tudo que me viesse a mente. — ele, — apontei para o com a cabeça. — é muito fresco. Mas de qualquer modo, é muito gato. — dei de ombros e ele riu.
— Eu também, — sorriu — acho. — completou e eu estreitei os olhos. — prazer, . — ele me estendeu a mão, mas eu não fazia esse tipo.
. — o estendi meu copo e ele entendeu a deixa. Riu e brindamos com nossas cervejas.
Parei para observá-lo. Ele também não era de jogar fora. Sua fantasia de diabo parecia mais com um vampiro, e eu achei sexy. Mordi meu lábio fortemente, e minha perna bambeou. Droga. Eu não bambeava por homens!
Ele me segurou pelo braço e me puxou para si, impedindo que eu caísse. Quando me recompus, notei que o tal estava subindo na mesa, e por isso a sacudiu.
Ponto pra mim. Eu ainda não tinha ficado de pernas bambas por um homem.
— Agora que estão todos aqui, — começou a discursar, e a maioria dos convidados estava ao redor da mesa. Nossa casa era enorme, ele havia chamado vários alunos, até mesmo de outras fraternidades. — deêm boas vindas a , ao e ao ! — ele gritou e todo mundo levantou seus copos. havia me falado que todas as garotas do campus ficavam de quatro pra ele, e todos os rapazes o invejavam, por isso o obedeciam, na falha tentativa de parecerem com ele. — e que comece a festa!
Brindei novamente com com , e olhei de soslaio para .
, você poderia ser gato e tudo, mas minha meta naquele dia seria o . Perdão, mas eu tinha uma tara por olhos .
desceu da mesa rapidamente e eu o perdi de vista. Ok, a festa havia acabado de começar, nada de drama. Eu ainda nem tinha experimentado o efeito da magia do álcool. desceu e me estendeu a mão para me ajudar. Agradeci, e quando estava me abaixando, senti alguém passando a mão em minha perna. Olhei para trás e não era nenhum rosto conhecido, sequer bonito. Não era digno de minha atenção, mas ele deveria se achar o dono do mundo para me tocar do nada.
Recusei a mão de e me apoiei em seus ombros. Ele riu, mas me segurou pela cintura e me desceu da mesa.
Gostei demais do menino . Ele sempre sabia o que fazer. Seria um ótimo estepe, caso eu não conseguisse pegar seu amigo.
Mas antes de pegar algum dos dois, eu precisava de pelo menos mais um pouco de sustância. A festa mal havia começado... Avistei conversando com em um canto, enquanto ele descaradamente passava a mão na bunda dela. Nem me preocupei em interromper o que quer que fosse que eles estivessem fazendo.
— Com licença, garotos. — eles passaram a me olhar, ainda sorrindo, graças a deus — sabem onde eu posso encontrar vowels ou algo do tipo? — velho, eu rezei com todas as forças para que eles soubessem do que eu estava falando.
fazia totalmente o tipo de quem saberia, mas me surpreendi quando puxou-as do bolso de sua calça.
— Pra você é de graça, gata — piscou pra mim. Eu ainda estava boquiaberta — se joga! — ela pôs o comprimido em minha mão, e eu logo o engoli, tomei cerveja logo depois para ajudar a descer.
Algumas horas depois, eu já estava me sentindo nas nuvens. Era moonshine e molly para todos os lados, eu havia dançado em cima da mesa com , e , com os veteranos da casa... Eu estava eufórica demais para ficar quieta. Até avistar sentado no sofá, sozinho, com uma garrafa de cerveja. Desci da mesa e sentei-me ao seu lado, no mesmo momento em que um casal se sentou em outro de frente pra nós. Eles se devoravam, e eu sorri diabolicamente.
— Não está curtindo a festa? — comecei a puxar papo.
— Não é isso. É que eu... — ele falou, mas não completou.
— Prefere ficar sozinho? — chutei.
— Talvez. — deu de ombros, e eu passei minha unha pelo seu braço. Ele se arrepiou todo, mas me olhou com os olhos arregalados.
— Que pena. — desviei a cabeça em direção ao casal, e rezei para que ele fosse que nem , e entendesse logo o que eu queria dizer.
Ele apenas riu sarcasticamente.
Voltei minha atenção para seu corpo, enquanto passava minha mão despretensiosamente pelo seu peitoral, tomei mais um gole de minha bebida.
— Sabe...
.
— Sabe, ? Eu... não tenho paciência para... isso. — ele pegou minha mão que descansava sobre si e a tirou de lá.
— Como assim?
— Eu não tenho paciência para essas coisas. — apontou para o casal com a cabeça. — eu não acredito em amor. — deu de ombros.
— E quem está falando de romance? — estalei os dedos, tentando trazê-lo para a realidade. — uma noite só não mata ninguém. — sorri.
Ele bufou e se levantou do sofá, me largando sozinha ali.
Foi por aquele motivo que eu fiquei com raiva, e fiquei com o por um mês, para esfregar na cara do que quando eu queria algo, eu conseguia.



Now here we are,
So close yet so far.
Haven't I passed the test?
When will you realize,
Baby, I'm not like the rest?


Meus olhos já estavam quase se fechando e a única coisa que me acordava era o as batidas fortes da música que vinha da TV. Estávamos assistindo O Lado bom da Vida, era um filme totalmente louco de duas pessoas problemáticas que sofreram em seu passado e principalmente por causa do amor, e em uma noite ambos se conhecem e a partir dai, começava aquele velho romance clichê. Ainda me perguntava o que eu estava fazendo aqui. Simples, resolvi ter um amigo que nas últimas duas semanas resolveu viver somente de festas e acabou devendo uma matéria, e meu outro amigo era na mais que nada menos que o dad da Alpha Theta, ou seja, reuniões inesperadas. O que me sobrava aceitar o filme com a , mas aí ela me inventava de pôr romance, algo que para mim servia como sonífero ou histórias de pura ilusões.
— Esse filme é tão lindo. — falou com uma voz de choro. Jurava que havia visto algumas lágrimas em seus olhos.
— Por que está chorando? Esse filme nem é tão triste! — apontei para a TV onde o casal finalmente se beijavam. — tá vendo, eles se beijaram.
— Não é o fato de ser triste ou não, e sim, porque o filme é lindo.
— Eles são malucos! — falei como se aquilo fosse o mais óbvio possível, e era.
— É um amor maluco e isso é lindo. — ela apertou fortemente o travesseiro contra seu corpo e suspirou.
— Você acha um romance de loucos lindo? Olha, tenho que rever com quem ando. — ri, recebendo um tapa. — tá vendo, você é maluca.
— Uma maluca a procura de um romance com alguém que o coração dela já sabe. — e novamente ela voltou a me olhar com aquele olhar que eu já conhecia. Suas mãos foram parar imediatamente em minhas coxas, e suas unhas estavam de encontro com minha pele. Respirei fundo e voltei minha atenção novamente para TV. De relance, vi um sorriso malicioso em seus lábios e sua cabeça logo foi depositada em meus ombros. Estava rezando para que aquele filme acabasse imediatamente para sair dali.
— Você não gosta de romance, honey? — perguntou com uma voz manhosa e totalmente rouca.
— Não muito. Não sou o cara que se apaixona como esses personagens em filmes. — disse rispidamente. tirou lentamente sua mão de minhas coxas e se ajeitou no sofá.
— Por quê? Você nunca me contou.
— Coisas do passado que não devem ser lembradas. — odiava agir desta maneira com ela, porém a mesma provocava isso.
— Conta, vai. Eu não passei no teste? — ela disse em um leve sussurro, aproximando seus lábios em meus ouvidos e sua mão em meu abdômen.
, por favor. Eu ainda não me sinto bem para falar disso, será que podemos voltar a assistir ao filme que você tanto insistiu?
— Cansei do filme.
— Então vamos fazer outra coisa, tipo; encontrar com a galera no parque. — ela arqueou as sobrancelhas.
— Parque? Já percebeu que está de noite? E frio?
— Uhum.
— Poderíamos aproveitar outra coisa, já que estamos sozinhos. — seus dedos passeavam levemente por cima da minha camisa.
— Já já alguém chega. Vamos assistir outro filme então. — peguei o controle remoto que estava em cima da bancada, mas a mesma fez o favor de retirá-lo de minhas mãos e jogá-lo em algum lugar do quarto.
— Cansei de filmes.
— Então não sei o quê fazer.
— Eu já disse o que podemos fazer.
— Hum... — já estava cansado de suas insistências, da maneira que ela era quando estávamos a sós, do modo que ela sempre foi. Parece que tudo o que eu falava para entrava por um ouvido e saia por outro. Foram anos assim, anos brigando, anos aguentando seus olhares, suas cantadas indiretamente... Será que era tão difícil de ela saber que o quê eu mais queria era só ter uma amiga?
— Você sabe que eu posso te fazer feliz mais do que ninguém, como sempre fiz sendo sua amiga. Mas o fato é que eu te...
— Chega, ok? — segurei suas mãos que já estavam indo para outro local. — Somos amigos e...
— Amigos... — bufou, se ajeitando novamente no sofá e cruzando seus braços.
— Estou indo, prometi que ajudaria o em algorítimo.
— Ele pode se virar sozinho. — revirei os olhos e saí do quarto. Desde aquela maldita festa, ela nunca entendeu o significado do não.

Don't wanna break your heart
Wanna give your heart a break
I know you're scared it's wrong
Like you might make a mistake
There's just one life to live
And there's no time to wait, to wait
So let me give your heart a break, give your heart a break
Let me give your heart a break, your heart a break
There's just so much you can take
Give your heart a break
Let me give your heart a break, your heart a break
Oh yeah, yeah


Peguei meus livros de neurociência cognitiva e fui para a sala de estudos, que eu quase não usava. Preferia estudar em minha cama, mas a equipe de limpeza estava faxinando meu quarto naquele dia.
Logo ao chegar, coloquei meu iPhone no iHome e deixei no aleatório para tocar uma música qualquer. Não tão alto, claro. Música me ajudava a concentrar nos estudos, mas em um volume razoável.
Me joguei em qualquer poltrona e abri um livro na página marcada e comecei a ler. Neurociência era uma matéria que eu amava, mas não chegava a ser minha favorita do curso de psicologia. Comecei a balançar a cabeça no ritmo da música enquanto comia balinhas nerds. Porém, do nada a música parou. Ergui a cabeça para olhar o que havia acontecido, e vi desligando o iHome.
— Obrigada, . Da próxima vez você pede licença.
— Você quem deveria pedir, oras. Cheguei aqui primeiro — ele saiu andando e se sentou na mesa, de volta aos seus livros. Eu nem havia percebido que ele estava ali.
— Ah, qual é! Você nunca se incomoda quando eu coloco música. — me levantei e fui novamente até o aparelho, ligando-o.
— Cacete, . — ele se levantou e voltou até o som, mas eu o barrei.
— Por que não posso pôr uma música?
— Ponha qualquer outra então. Menos essa, por favor. — ele me olhou com uma carinha de cachorrinho pidão.
— Ah, ! É só uma musiquinha de amor qualquer!
— Não é! — ele gritou e eu recuei, esbarrando no armário que o som ficava. — essa era a nossa música, tá bom? — continuou gritando.
— Eu não me lembro de ter música nenhuma com você. — cruzei os braços.
— Não digo nossa sendo minha e sua. Digo nossa sendo minha e da Karlie, satisfeita? — ele gritou e deu as costas, rapidamente de volta ao seu lugar. Meu queixo caiu, ele nunca havia sido tão grosso comigo, mas de uns tempos pra cá, ele estava se superando.
Dei play e pulei aquela música, ele remexeu desconfortável em sua cadeira e eu caminhei até minha poltrona com seu olhar queimando sob mim. Tentei me focar em meu livro, mas inutilmente li duas páginas sem entender porra nenhuma.
— Quem é Karlie? — fechei meu livro e fiquei o observando. Ele apertou sua caneta com tanta força, que ela quebrou. Mudei de posição, pegando uma almofada para me defender, caso ele jogasse algo em mim. Ele parecia outra pessoa.
— Minha ex.
Eu mal conseguia acreditar no que eu ouvi.
O todo certinho, que só bebia moderadamente, só usava blusa engomadinha e tirava apenas nota A+, mas mesmo assim me fazia pingar de tesão por ele, já teve uma namorada?
C-A-R-A-L-H-O!
Eu engasguei com uma nerds e tossi descontroladamente. Tive que sair correndo da sala para ele não falar que minha tosse o perturbava também. Aproveitei e fui à cozinha buscar um copo de água ou qualquer coisa de beber. De preferência uma cerveja, porque eu queria investigar aquela história, e precisava da minha velha amiga long neck ao meu lado.
não perdeu a oportunidade de encher meu saco quando eu falei que estava estudando. Eu mandei ele se foder, porque eu pelo menos bebia e estudava, já ele, não fazia o segundo.
Fui com minha cara e coragem de volta para a sala, e adorei o fato de não ter aparecido mais ninguém por lá. Era O momento de tirar aquilo da boca dele.
— O que aconteceu entre vocês dois? — entrei na sala dando uma golada na cerveja para disfarçar meu interesse.
— Não gosto de falar sobre isso, . — disse sério. Mas não era aquilo que me pararia.
— É por causa dela que você me disse não acreditar mais no amor? — mordi os lábios. Ele bufou e fechou seu livro.
— Caralho, . Esquece isso, vai! — guardou todas suas canetas e lápis em seu estojo. — não vale a pena ficar correndo atrás de um coração partido que não tem conserto. — ele colocou todas as suas coisas no braço e saiu da sala, me deixando sozinha completamente curiosa.

On Sunday you went home alone
There were tears in your eyes
I called your cell phone, my love
But you did not reply


Ela sempre, sempre tinha que insistir em algo, e eu, o idiota da vez, deixava aquele maldito assunto escapar. Isso , conta mais da sua vida para as pessoas, faz com que elas riem da sua cara novamente, invadam sua privacidade, seja um fracote que ainda não superou o passado. Fuja das músicas e de tudo que lembra ela.
Minha cabeça estava latejando e mal consegui estudar para a prova de anatomia, tiraria um belo C, ou quem sabe um D, até mesmo um F. Droga, F não. Havia horas que estava caminhando pelo jardim, vi ao longe o sol indo embora e dando lugar a bela lua cheia. A lua na qual a pedi em namoro, e a lua que viu o nosso terrível termino. Sacudi a cabeça para dispersar os pensamentos, precisava de uma bela dose de perda de memória. Sentei no banco mais próximo que tinha, pegando meu celular para checar as horas. Treze ligações da mesma pessoa. .
Por que ela tinha que ser tão persistente?
Deixei meu telefone de lado e abri o livro de anatomia. Precisava focar em algo para voltar a minha realidade, porém um casal que passava ali no momento me chamou atenção. Tão apaixonados, tão certos um para o outro, tão eu e Karlie.

Suas mãos macias e delicadas estavam entrelaçadas nas minhas. O frescor de laranja do seu cabelo estava diretamente sobre meu rosto, enquanto eu servia de apoio para seu corpo. Estávamos sentados perto de um quiosque no pequeno parque que havia poucos metros de sua casa. A mesma estava concentrada em um livro que não me dei o trabalho de perguntar, enquanto eu ouvia uma música qualquer. O tempo estava tão bom, o sol não tão intenso e uma brisa levemente refrescante. Em um momento, senti Karlie se levantar, o que me fez prestar mais atenção em seus movimentos.
— Algum problema? — perguntei preocupado.
— Você acredita no amor? — ela perguntou olhando diretamente em meus olhos. Sua feição mostrava um leve desconforto, o que me fez ficar mais preocupado ainda.
— Se estamos juntos é porque eu acredito.
— E se um dia você se decepcionasse com o amor? Voltaria amar novamente?
— Botaria o dedo no fogo sabendo que ele queima? — ela parou por um minuto, e começou a olhar nossas mãos juntas. Eu não sabia o que era tudo aquilo, mas lá no fundo algo me dizia que não era nada bom. — algum problema?
— Nenhum. — E assim senti seus lábios com um sabor leve de cereja tocarem os meus.


Nenhum... Sempre houve um problema e ela omitia, sempre fomos um problema e ela nunca acreditava. Me fez cair em um jogo totalmente sem volta, jamais poria a mão no fogo novamente, mas a falta que ela me fazia, em ter sua companhia, era algo de outro mundo. Eu tentava, jurava que tentava, mas nada era capaz de fazer minha mente e meu coração esquecerem o que eu senti por ela. Quando percebi, meu rosto já estava coberto por lágrimas, tentava limpá-las a todo custo, mas isso acabava só piorando. Em largos passos, cheguei finalmente ao meu dormitório, poderia ter paz e sossego por algumas horas em meu quarto. Entretanto, mudei totalmente meu roteiro quando vi uma figura que há poucas horas estava ignorando.
estava sentada no sofá, com um copo em mãos e conversando apreensivamente com . Quando ambos perceberam minha presença na sala, levantou apressadamente vindo em minha direção e me dando um forte abraço.
— Quer me matar de susto? Tem horas que estou te ligando e você não atende! — é, havia percebido. Dei um forte suspiro ouvindo perguntar:
— Estava chorando? — se afastou de mim e começou a encarar meu rosto. Odiava quando fazia isso. Olhei para o teto tentando segurar as outras lágrimas.
— Só foi um cisco. — falei me distanciando de . — o que estava fazendo aqui?
— Queria ver como você estava, saiu feito um furação da sala de estudos e quando cheguei aqui, não te encontrei. Queria saber mais do...
— Não!
, por favor. Você sabe que pode contar comigo. — implorou.
, por favor...
— Por favor digo eu! Quem era ela e por que essa menina te deixa assim? O quê ocorreu?
— Não! — gritei. — será que você poderia ao menos uma vez na vida entender um não?
— Mas...
— Nada de “mas”, . Se você se importa comigo, pare com isso. Pronto, estou aqui, não estou? Obrigada pela preocupação, mas agora preciso estudar. — fui a direcionando até a porta.
...
— Não me faça perder a paciência que eu não tenho no momento. — após isso, ouvi o barulho da porta se fechar com força. Passei uma de minhas mãos sobre meu cabelo. Por que não posso simplesmente ter um momento de paz? se encontrava abismado, parado em minha frente com uma lata de cerveja em mãos. Céus, esse cara só pensava em bebidas, mulheres e sexo?
— Acho que você foi muito rude com ela. — ele disse tomando um gole.
— Quantas você bebeu?
— Essa é a terceira. — disse despreocupado. Me aproximei, retirando a lata de suas mãos e dando um longo gole. — se você quisesse, era só ter me falado que eu pegava outra. — ele tomou a lata de minhas mãos.
— Será que ela não percebe o quanto essas atitudes nos distanciam?
— Ele te ama, cara.
— Mas eu não estou preparado para amar. — tornei novamente a pegar a lata de suas mãos e fui para o quarto.

The world is ours. If we want it,
We can take it, if you just take my hand.
There's no turning back now.
Baby, try to understand


Aquela seria a sexta ou sétima manhã na qual eu colocaria o pé pra fora do quarto e trombaria com no corredor, e como sempre, ele daria meia volta e entraria novamente em seu quarto para não ter que me ver.
me contou que ele sempre esperava que eu saísse da casa para poder sair do quarto. Eu quis matar o por ter lhe dado um quarto com a janela na frente da casa, pois assim, me vigiava sair.
Eu já não aguentava mais aquela criancice dele. Ah, qual era!? Todo mundo já teve o coração partido uma vez na vida e seguiu em frente. Dois anos e meio já tinham se passado desde quando nos conhecemos, e provavelmente Karlie deve ter saído da vida dele há uns três!
Três fucking anos para não se esquecer da ex. Para não pegar nem uma mulher. Nem um beijo, ou amasso nem nada. Eu me questionava se ele tinha uma boneca inflável em seu quarto, porque garotos na idade dele não ficavam apenas batendo punheta no banheiro. Pelo menos nenhum dos que eu conhecia.
Não mesmo. Ainda mais se não fossem virgens. Porque se fossem, aí já era outra história.
Mas ele que se foda, pois naquele dia eu acordei com o pavio curto e eu não aceitaria que ele fizesse aquilo. Coincidentemente ou não, sempre abríamos as portas de nossos quartos juntos, e eu acordei determinada a colocá-lo contra a parede.
— Você tem algum álcool aí? — perguntei para assim que fiquei pronta.
— Pra quê você quer beber a essa hora da manhã? — ela arregalou os olhos e arqueou as sobrancelhas.
— Porque hoje eu faço o parar com essa veadagem.
E que se dane a aula de cérebro social. Eu já tinha passado mesmo.
— E você precisa de bebida pra isso? Sai de cabeça erguida, . Você arrasa de qualquer jeito. — deu de ombros e eu ri. Fizemos um high-five, ela me desejou sorte e eu saí do quarto.
Assim que fechei a porta do meu quarto, a do quarto a frente ao meu abriu, revelando um com o rosto amassado. Ele sequer olhou no meu rosto, mas rolou os olhos quando notou que era eu. Ele recuou, pronto para fechar a porta, mas eu pus o pé antes, impedindo-o. Totalmente surpreso, ele ergueu as mãos e soltou a porta, por isso, eu entrei com facilidade, escorando no interior da porta e fechando-a logo em seguida. Ainda bem que já havia saído do quarto.
— Até quando você vai ficar com a cueca enfiada na bunda me evitando? — cruzei os braços e estreitei os olhos. Ele não sairia dali enquanto eu não quisesse.
— Não estou te evitando e muito menos com a cueca na bunda. — devolveu no mesmo tom.
— Não, imagina! É só me ver no corredor que corre feito uma garotinha amedrontada para dentro do quarto novamente.
— Você já bebeu à essa hora da manhã? Está alucinando? Só você enxerga isso. Talvez você esteja com a calcinha enfiada na bunda.
— Eu até quis, mas não tinha nada no quarto. E não estou usando calcinha, a propósito. — firmei meu braços ainda cruzados e sorri vitoriosa.
Eu vi seu pomo-de-adão movimentando, engolido em seco. No mesmo instante ele começou a encarar minhas pernas, e naquele dia eu usava uma saia longa, infelizmente, que me cobria totalmente até os pés. Ele bufou e se jogou na cama. Caminhei vagarosamente e sentei ao seu lado. Pus a mão em sua coxa, acariciando na intenção de dar-lhe um suporte, mas ele logo a afastou, e dessa vez, quem bufou foi eu.
, eu não aguento mais! Caramba! — gritei. Ele levantou o tórax apenas o suficiente para me encarar, e se apoiou em seus cotovelos. — Já deve ter mais de três anos que “você e Karlie” deixaram de existir e até hoje você não a superou? Puta que pariu, viu?
Ele se sentou e cruzou as pernas. Tampou os olhos com a mão e esfregou o rosto com força. Quando parou, ele soltou um urro, e seu rosto estava muito vermelho. Eu fiquei com medo.
— Sera que você não entende que cada um leva seu tempo? — ele berrou, e eu me encolhi. — e eu já te disse para não falar sobre isso!
— É por isso que você não a supera. Não suporta que falem dela. — sussurrei e deixei a cabeça cair, e brinquei com meus dedos sob meu colo. — sabe, ? Vou te falar uma coisa. — respirei fundo, buscando coragem. — não é porque você teve o coração quebrado uma vez, significa que em todas as outras tentativas serão assim. Você não pode simplesmente generalizar isto! Pois sempre será uma nova experiência! E cara, puta merda, eu jamais quebraria seu coração. — completei baixo e ri fraquinho, sem vontade alguma. — Eu estive com você desde o primeiro dia de aula, sempre sua amiga, sempre ao seu lado, e nunca o desapontei. Eu acho que eu mereço algo melhor do que o gelo que você vem me dando ultimamente. Estou ficando cansada de correr atrás da pessoa que gosto para ser destratada. Acho que já te mostrei demais que além de consertar o seu coração, eu não o quebraria. Jamais. — dei de ombros e funguei, só pra aumentar o drama, porque eu não estava com vontade alguma de chorar.
— Você não pode consertar o que foi quebrado — ele sussurrou, e eu soube que era minha deixa.
Ele jamais perceberia.
Sua ficha nunca cairia.
Eu finalizaria meu bacharel de psicologia sem ter tido um namorado, porque fiquei correndo atrás de um babaca que não dava a mínima por mim, e usava outros apenas por uma noite só para me distrair.
Eu já estava farta daquilo.
Eu queria um pênis pra chamar de meu. Aliás, eu queria um coração para chamar de meu. Eu precisava de um homem para ser meu.
E não seria nada daquilo, jamais.
Ele simplesmente se recusava a enxergar as coisas.
Levantei-me da cama e fui em direção à porta. Quando a abri, ele disse com a voz serena.
, volta aqui!
Hesitei por dois segundos, mas eu não voltaria atrás. Eu não podia.
Bati a porta e corri para a cozinha, rezando para que tivesse reposto o estoque de cervejas.
Feliz ao vê-las, agarrei três garrafas na geladeira e fui para o porão. Todo mundo da casa ia pra lá quando queria ficar sozinho, e trancava a porta. Nunca ficavam dois no porão. A não ser pra foder, claro. Já perdi a conta de quantos orgasmos tive ali.

Don't wanna break your heart
Wanna give your heart a break
I know you're scared it's wrong
Like you might make a mistake
There's just one life to live
And there's no time to wait, to wait
So let me give your heart a break, give your heart a break
Let me give your heart a break, your heart a break
There's just so much you can take
Give your heart a break
Let me give your heart a break, your heart a break
Oh yeah, yeah


Depois que saiu, dando uma bela batida na porta, fiquei pensando no que fazia de tão errado para atrair tantos problemas em minha vida. Um dos motivos para eu ter vindo para cá, foi para me livrar de algo que jurei que aqui seria o local certo para ter uma mente sã e salva. Mas não, infelizmente eu tinha um amigo cachaceiro, que só pensava em festas e me puxou alegando que aquela noite seria uma das melhores. Eu não estava totalmente bem para festas, mas ele não entendeu, começou com um puta drama falando o quanto eu era fraco, que era proibido homem chorar por mulher. Só sei que acabei indo por conta de não suportar mais aquela faladeira.
Já estava farto dessa ladainha.
Levantei-me e fui à cozinha preparar algo para comer. Assim que sai do quarto, um abarrotado de livros entrou pela porta principal, derramando tudo o que tinha em seus braços no chão.
— Eu não aguento mais! Cara, como você consegue ter uma boa relação com os livros? — ele me questionou, se escorando na porta.
— Simples, dou todo o amor aos livros e em troca recebo um diploma em minha vida e não um coração partido. — peguei um suco em lata na geladeira, logo após me escorei no balcão, abrindo-o e tomando um belo gole.
— Nerd romântico é foda. Ainda não sei como você se tornou meu melhor amigo.
— Os opostos se atraem. — gargalhamos, mas logo cessei lembrando do que havia ocorrido a pouco tempo.
— Ih, parou de rir rapidamente, tem caroço nesse angu. — recolheu os livros e se sentou no sofá, apoiando seu pé na mesa de cento e ligando a TV. — Conta para o titio o que ocorreu. — ele batia suas mãos no canto vago do sofá.
.
— Novamente a gata ataca. Qual foi dessa vez?
— Ela não entende que não quero nenhum relacionamento por agora. Fica se insinuando toda hora, e cara, eu sou homem! Eu sei que cedo ou tarde não vou aguentar mais, porém não quero viver com um grande arrependimento em minha vida. — sentei-me ao seu lado, dando outro gole no suco.
— Ficar com a será arrependimento? Ela te ama, por que não amar ela de volta da mesma maneira?
— Porque não dá, já disse, não me sinto preparado.
— Ouço você dizer isso já faz um bom tempo. Está na hora de se libertar, dude! Karlie está lá, curtindo a vida, indo para cama com uns, dando uns belos amassos em outros e você aqui, escrevendo poemas de amor para uma pessoa que te esqueceu faz tempo!
— Aquele poema foi para a aula de teatro.
— Tanto faz! Ela gosta de você, tanto que terminamos por isso, ou não. Esquece, o negócio é que você tem que se levantar como um arranha-céu. — imediatamente ele estufou seu peitoral, fazendo uma pose um tanto quanto superman.
— Cara, você está ouvindo muito Demi Lovato, ou é impressão minha?
— A nova gata ama ela, então, fazer o quê, né? — gargalhei alto. Enquanto assistíamos TV, fiquei pensando no que havia falado. Será mesmo que era uma boa ideia dar uma chance a ela? Precisava de mais outra opinião, e o único que poderia me ajudar era o . Sorte que o quarto dele não era tão longe do meu.
Bati três vezes na porta e logo o mesmo a abriu, apenas com uma toalha na cintura. Como gostaria de desver isso.
, você por aqui? O que manda?
— Preciso de uma opinião sua, e espero não me arrepender de ter vindo aqui.
— Entra ai. — ele deu passagem. — Deixe-me adivinhar, tem uma tal de no meio desse problema, né?
— Ela que é o problema.
— E o que a garota fez?
— O mesmo de sempre. Fica dando em cima de mim, forçando muito a barra... — sentei-me no sofá, jogando a cabeça para trás e dando um longo suspiro. — não sei o quê fazer. disse que era para eu investir, mas... Sei lá.
— Olha. — se aproximou. — eu também falaria para investir, porém ainda percebo que você vive do passado. É importante darmos um tempo a nós mesmo, não podemos sair curando coração partido ficando com outras pessoas. Se você acha que seu tempo ainda não chegou, espere. — olhei com um semblante totalmente assustado para ele. Como assim , o maior garanhão daquele lugar, estava falando coisas que somente minha mãe falaria? Estava esperando um “Ih, cara, desencana, pega ela de jeito e pronto”.
— Se ela ajudasse, tudo isso se resolveria facilmente.
— Conversa com ela, ué.
— Novamente? Já estou cansando disso tudo. Tenho até evitado vê-la.
— Você tem que acabar de vez com isso, fugir não será a melhor solução. Ou você a beija para saciá-la, ou você insiste no “não”. Só tem que ter cuidado para não magoá-la, porque mulher magoada é pior do que leão faminto. Fica uma fera e demora séculos para curar o coração. E não merece nada disso. Ela sempre deixou claro que te amava e estava disposta a tê-lo, basta saber o seu momento.

When your lips are on my lips
Then our hearts beat as one
But you slip out of my fingertips
Every time you run


Era isso, saber o momento. Precisava ter um momento só meu. Esfriar a cabeça, pensar, raciocinar e decidir a melhor opção, mas creio que o destino não estava ajudando muito, pois assim cheguei ao jardim, encontrei conversando animadamente com mais duas garotas.
Isso não estava ajudando. Estava a poucos metros dela e a mesma se encontrava de costas para mim.
era uma menina encantadora, animada e extrovertida. estava certo ao fazer que ela não merecia nenhum sofrimento. A única coisa que eu não gostava nela era sua insistência, mas eu sabia bem como era amar e querer a pessoa mais próxima de ti. Também já fui idiota por insistir em algo, e sabia a dor da falha. Não queria que ocorresse com ela.
também estava certo, eu tinha que me reerguer e esquecer certos fatos do passado.
Ex é passado, e passado não se volta, assim como ela.
Quando as duas garotas se distanciaram, a mesma continuou parada mexendo em algo no celular. Tomei coragem — não sei de onde — e caminhei apressadamente em sua direção. Peguei em seus braços e a girei para mim, colando nossos lábios e iniciando um beijo totalmente inesperado para ela.
Uma coisa que sempre odiei no ser humano era a subconsciência. Naquele momento pude sentir essa parte do meu cérebro atuando e as palavras de e ecoando em minha mente.
E não merece nada disso. Ela sempre deixou claro que te amava e estava disposta a tê-lo, basta saber o seu momento”.
Meu momento. Com toda certeza aquele não era o meu. Senti uma ponta de arrependimento cair sobre mim e logo voltei a realidade. Eu estava a beijando. Beijando minha melhor amiga que jorra sentimentos por mim, que deixou seu amor aberto para mim, enquanto eu mantenho o meu fechado a sete chaves.
Não estava certo.
Seus braços estavam em volta do meu pescoço e minhas mãos seguravam firmemente em sua cintura.
Quando paramos, um sorriso brotou em seus lábios, seu semblante demonstrava felicidade e talvez satisfação. O que eu tinha feito?
Tirei minhas mãos de sua cintura, pegando levemente em seus pulsos que ainda estavam em meu pescoço e os tirei dali lentamente, ainda fitando em seus olhos.
Logo sua feição demonstrava a mais pura dúvida, e a partir dai não percebi mais nada. Apenas dei as costas e sai apressadamente em direção ao meu quarto, com as mãos em meus lábios.
Que merda eu tinha feito?

Cause you've been hurt before
I can see it in your eyes
You try to smile it away, some things you can't disguise
Don't wanna break your heart
Baby, I can ease the ache, the ache
So let me give your heart a break, give your heart a break
Let me give your heart a break, your heart a break
There's just so much you can take
Give your heart a break
Let me give your heart a break, your heart a break
Oh yeah, yeah


Os livros de plasticidade e comportamento neural estavam entediantes como o inferno. Eu estava deitada na minha cama cercada por eles há três horas, e não havia entendido sequer um “a” daquela bosta. E para ajudar, a professora era uma mosca morta cuja ninguém gostava da aula dela.
dormia na cama ao lado desde quando comecei a estudar, e os roncos dela não estavam colaborando para que eu concentrasse. Mas a droga da prova era amanhã e eu definitivamente me lascaria, já que aquilo não entrava na minha cabeça.
Eu estava muito cansada, fisicamente e mentalmente, por isso nem cogitei a possibilidade de ir pra a sala de estudos, me joguei de cara na cama. Mas já não me restava outra saída no momento. Juntei meus livros e peguei meu celular e fones de ouvido, já que aparentemente eu não podia mais usar o iHome sem alguém meter a mão para interromper.
Assim que abri a porta do meu quarto, dei de cara com com a mão fechada em punho, pronto para bater na porta. Ele ficou sem graça e coçou a cabeça, um pouco corado. Eu quis rir. encabulado era muito fofo.
— Ah, você está ocupada. — seu olhar pairou sob os livros em minhas mãos — volto depois. — ele deu as costas e já ia entrar em seu quarto.
Eu ainda estava chateada por ele ter me beijado e ter saído correndo logo em seguida, me largando com cara de vaso no meio do campus. Então eu hesitei antes de inventar uma desculpa qualquer para impedi-lo de ir.
— Não! — ele parou e me olhou de lado. — quero dizer... estava indo à biblioteca devolver estes livros. — dei de ombros.
De onde saiu aquilo? Por Deus, eu não podia devolver aqueles livros! Eu precisava deles para não tirar um F na prova de amanhã!
— Ah... — ele se virou de volta e me encarou, deixando os ombros caírem. — eu ia te chamar para darmos uma volta... eu queria... conversar com você. — ele falou hesitando, olhando para o chão. — posso ir com você até a biblioteca, então? — voltou a me olhar nos olhos, e eu quase fiz xixi nas calças. Ou melhor, na saia.
Fiquei sem saída, apenas acenei com a cabeça concordando. Eu definitivamente tiraria um F na prova.
Assim que botamos o pé para fora de casa, começou a despejar informações pra cima de mim.
— Primeiro, eu queria te pedir desculpas por ter feito aquilo... — eu quis perguntar “aquilo o quê?” apenas para que ele admitisse, mas considerando a maneira fria que ele me tratou nos últimos tempos, aquilo já era um enorme avanço. — e depois, te contar uma história. Se você quiser ouvir, é claro.
— Tudo bem, . Só espero que se você for me fazer de sonsa novamente, me avise antes, ok? — eu provoquei sem pensar. Era automático, infelizmente eu não tinha muito controle sob aquele lado de mim.
— Não era minha intenção, . Eu estava muito confuso... Bem, logo você entenderá o porquê, se quiser ouvir minha história...
— Pode contar. — dei de ombros. Desde quando ele precisava de autorização pra me falar algo?
— Bem, era uma vez...
— Misericórdia! É algum filme da Disney? — o interrompi, rindo.
— Tudo bem, tudo bem... Tudo começou quando...
— Ai meu Deus, , vá direto ao assunto! — supliquei rindo. Odiava quando alguém começava a dar voltas antes de contar algo.
— Ok! — respirou fundo e soltou o ar de uma vez. — AKarliemetraiu.
— An? — ele disse tão rápido que eu não entendi nada.
— A. Karlie. Me. Traiu. — ele arranhou o rosto e eu tive que segurar suas mãos. Ele cravou as unhas tão fortemente em sua face que fiquei com medo de que se machucasse.
Meu queixo caiu, as palavras sumiram. Parecia que eu tinha tomado um soco no estômago.
Como uma pessoa tinha coragem de trair um homem que nem o ? Logo o ! Fofo, estudioso, e nem era vida louca feito o resto da Alpha Theta!
Como?!
— É, eu sei. É inacreditável. Mas vi com meus próprios olhos.
“Eu tinha acabado de voltar de viagem. Fiquei duas semanas com minha família em um cruzeiro por Bahamas e ilhas Caribenhas. Meus pais até quiseram pagar o pacote pra ela ir conosco, mas ela não quis de maneira alguma. Antes disso, ela já vinha agindo completamente estranha comigo. Era fria, seca, grossa... Totalmente o contrário do que ela costumava ser. Eu era muito tolo, cara. Nem desconfiava de nada, para mim era apenas uma crise. Mas no dia em que cheguei, fui direto a casa dela. Eu tinha a chave de lá, porque ela morava sozinha com umas amigas e elas concordaram em dar as chaves para todos os namorados. Assim que fui atrás de Karlie no quarto, eu a vi transando com meu ex-melhor amigo.
“Foi horrível. E a cada vez que uma menina tenta se aproximar de mim, eu revivo aquele momento. A cena se passa tão clara em minha mente, e eu fico puto de ódio. Essa é a razão que fico grosso quando você investe. É meu instinto, mas me perdoe.
“E eu sequer consegui tirar satisfações com os dois. Na verdade, eles nem me viram. Estavam sozinhos em casa, entrei e saí calado. Mais tarde ela me procurou, pois sabia que eu chegaria naquele dia, e eu apenas perguntei por mais quanto tempo ela ficaria me corneando. Ela teve a capacidade de se fazer de vítima, mas quando narrei para ela, ela ficou encurralada e sem escolhas. A larguei falando sozinha e nunca mais vi nenhum dos dois.
Eu mantive minha mão firme, segurando os pulsos dele para evitar que outra crise lhe atingisse. Mas meu queixo caiu, eu até pensei em ter deslocado a mandíbula. Eu não tinha palavras. Eu olhava para e pensava como uma pessoa tinha coragem de fazer algum mal a ele.
Depois de um tempo, ele me olhou e sorriu desapontado.
— Não precisa ficar assim, eu já superei. — fez carinho em minha bochecha e em um segundo eu me vi inclinando na direção de sua mão.
— Não superou não.
— Superei sim.
— Porra, . — falei baixinho. — se tivesse superado não teria me beijado e saído correndo.
— Droga, . Você fala demais. — ele bufou e me puxou de uma vez pela cintura, colando nossos corpos e logo em seguida nossos lábios.
E daquela vez ele não saiu correndo.

The day I first met you
You told me you'd never fall in love


Depois daquela tarde, pude perceber o quanto valia dar uma chance ao amor. Por causa das provas e atividades, não tivemos ainda um tempo para digamos, um encontro. Só conseguíamos nos ver nos intervalos e a noite. Ainda me sentia estranho por ter outra pessoa comigo. Karlie foi meu primeiro amor e esperava que fosse o último da qual teria uma terrível decepção.
É aquela coisa, aquilo que te destruir, será aquilo que te curará.
Dei duas batidas em sua porta. Jamais havia visto tão linda e deslumbrante. Seu sorriso encantador era a chave para sua beleza.
— Te disse que nunca me apaixonaria novamente, mas acho que você acabou invertendo todas as minhas palavras. — estendi o buquê de rosas e a mesma pegou no mesmo instante, levando-as até o nariz e sentindo o perfume.


x Roommate= colega de quarto
x Darthmouth College= Universidade estadunidense situada na cidade de Hanover, no estado de New Hampshire
x Alpha Theta= Co-educational Fraternity da Darthmouth College. Aceita tanto homens quanto mulheres.
x Freshmen= Plural de freshman. Estudantes que estão no primeiro ano da Universidade.
x Vowels, Molly= Outros nomes para a droga ecstasy.
x Moonshine= Bebida álcoolica.


Fim!



Nota da autora: (21/08/2015)

Nota da Berrie: Sabe aquela autora louca que não pode ver uma vaga de ficstape e mesmo sem ter tempo, corre e pega a música para escrever? Prazer, essa sou eu. Acho que solução pra mim é só tratamento intensivo anti ficstape.
Mas quem disse que eu quero? HSUSHSUSH Ainda virão muitos outros por aí!
Falando em outros, leiam 02. Who's That Boy, também do Unbroken, e 04. Neon Lights e 06. Nightingale, do DEMI.
Espero vocês em minhas atuais e futuras fics ;)
Links: Ask / Grupo no Facebook (Onde você pode acompanhar todas as novidades :D)

Minhas fics:

Vide — Restrita / Finalizada
Vide 2 - Meilleure Journée — Restrita / Em andamento
Sleeping in Wonderland — Outros / Em andamento
1989 Diaries — Outros / Finalizada (shortfic)
01. Best Song Ever, com Mayara Braga — Ficstape Midnight Memories, One Direction — Restrita / Finalizada
02. Story of my Life — Ficstape Midnight Memories, One Direction / Finalizada
08. Happily, com Mandie — Ficstape Midnight Memories, One Direction / Finalizada
05. Unconditionally — Ficstape Prism, Katy Perry / Finalizada
02. Who’s That Boy — Ficstape Unbroken, Demi Lovato / Finalizada
10. Give Your Heart a Break, com Mandie — Ficstape Unbroken, Demi Lovato / Finalizada
04. Neon Lights — Ficstape DEMI, Demi Lovato / Finalizada
06. Nightingale — Ficstape DEMI, Demi Lovato / Finalizada Spin-off de Vide!
11. Witchcraft — Ficstape Fifty Shades of Gray — Restrita / Finalizada
07. Fearless — Ficstape Fearless, Taylor Swift — Restrita / Finalizada
08. Never Grow Up — Ficstape Speak Now, Taylor Swift / Finalizada Spin-off de Vide!
17. Superman — Ficstape Speak Now, Taylor Swift — Restrita / Finalizada
06. From Eden — Ficstape Hozier, Hozier — Restrita / Finalizada

Beijos mil,
Berrie.

Nota da Mandie: De uma coisa eu sei, sou péssima com notas! Mas em todo o caso, essa é uma das minhas músicas favoritas do CD e fiquei bem empolgada em escrevê-la! Espero que vocês gostem, assim como eu gostei! Só não espero me viciar nessa coisa chamada Ficstape hahaha!

Outras histórias:
Game of Fame - Outros / Em Andamento
Last Kisses - Outros / Finalizada (Shortfic)
08.Happily, com Berrie - Ficstape Midnight Memories, One Direction / Finalizada.
01. Heart Attack - Ficstape DEMI, Demi Lovato / Finalizada.
05. Two Pieces - Ficstape DEMI, Demi Lovato / Finalizada.
10. Give Your Heart a Break - Ficstape Unbroken, Demi Lovato / Finalizada.
08. Fifteen - Ficstape Fearless, Taylor Swift / Finalizada.
15. Ours - Ficstape Speak Now - Taylor Swift / Finalizada.

Contatos: Twitter / Ask / Grupo no Facebook Beijooocas, até as próximas!
xoxo Mandie.




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