Última atualização: 02/02/2018

Capítulo Único


16:04:57.
16:04:58.
Em qualquer outro lugar do mundo, as pessoas estariam fazendo contagem regressiva duas horas antes do fim do expediente em uma quarta-feira pré-feriado. Esse, infelizmente, não era o meu caso, e minha ansiedade pelas 18h era diferente. A pilha de coisas em cima da minha mesa e na minha lista para terminar só cresciam.
“Se nós não acabarmos hoje, teremos que vir amanhã de manhã…”, Garcia, o advogado para quem eu estagiava, havia dito em tom apocalíptico um pouco mais cedo. Cada vez que eu me lembrava de suas palavras, passava a digitar duas vezes mais rápido. Era verdade que eu não tinha planos para o feriado, mas, poxa! Também não significava que eu queria passar no escritório.
Não era novidade aquele lugar sugar todas as minhas energias. Eu me sentia completamente drenada desde o meu primeiro dia ali! As pessoas até eram decentes, mas pareciam viver e respirar o trabalho, e eu não tinha certeza se aquele era o estilo de vida que queria para mim. Mesmo assim, às vezes me via reproduzindo hábitos deles que julgava ruins, por ser um parâmetro de “pessoas que merecem coisas melhores na vida”. Era meio assustador.
Suspirei, pensando que, pelo menos, não havia aula naquela noite, e eu teria a casa só para mim por todo o feriado, já que (minha housemate) iria para a casa dos pais. Não me levem a mal, era como uma irmã para mim. Eu a amava e me divertia muito morando com ela. Entretanto, minha melhor amiga era ligada no 220V! Eu não era capaz de acompanhá-la e provavelmente dormiria na mesa de algum bar esquisito tentando.
Ir para casa não estava nos meus planos até o fim do ano. Era muito demorado e caro sair de São Paulo e ir para uma cidadezinha no interior do Rio Grande do Sul. Eu já estava acostumada e meus pais também. Nada que um Skype com eles não resolvesse.
16:07:42.
Ok, talvez desse tempo de terminar tudo que eu precisava naquela tarde. Enchi-me de otimismo e organizei o que ainda faltava. Se nada mais aparecesse naquela tarde, eu acabaria até às 6h da tarde. E aí eu poderia dormir. Até a segunda-feira.

All my friends are going out
But I've been thinking
Maybe I better stay in bed
The ceiling's spinning round
Like I've been drinking
I've got this banging in my head


Eu nem acreditava que estava juntando minhas coisas para ir embora! Estupidamente, tinha esquecido meus óculos em casa, e minha cabeça parecia que ia explodir depois de um dia inteiro encarando a tela do computador. Apesar disso, não havia felicidade maior do que saber que eu não estaria de volta ao escritório pelos próximos quatro dias!
Estava tão distraída despedindo-me da recepcionista e do porteiro ao sair do prédio onde trabalhava, que nem percebi o rapaz do lado de fora das portas duplas. Coloquei a cabeça quase dentro da minha bolsa para achar meu bilhete único, quando ouvi uma risada conhecida.
– Você não enxerga mesmo nada sem óculos, né?
Virei-me para ver quem era e sorri imediatamente.
!
Voltei para abraçá-lo. Como eu não tinha o visto ali? Talvez eu estivesse mesmo meio cega. Ou completamente exausta!
! – E então sua expressão mudou para uma feição preocupada, enquanto estudava meu rosto com atenção. – Está tudo bem? Está com uma cara abatida...
– Tudo bem sim, só morta de cansada! Agora… se me permite a pergunta, o que diabos você está fazendo aqui? – Perguntei, meio rindo.
era o irmão mais velho de , mas eu não o via mais com tanta frequência, já que trabalhava e morava no Rio de Janeiro.
– Vim buscar minha irmã para irmos para casa.
– Aqui no escritório em que eu trabalho? – Zombei, apontando para trás.
Os pais deles eram abastados, por isso não precisava trabalhar para pagar o curso de Direito, como eu.
sorriu de lado e fez que não com a cabeça. Tinha me esquecido completamente como o achava charmoso.
– Não, claro que não. Ela me disse que você estaria aqui e eu vim te buscar antes de ir para lá.
Um arroubo de gratidão preencheu meu peito. Um dia sem metrô lotado! Um dia sem andar agarrada na bolsa do metrô até nosso apartamento! Sorri aliviada.
– Você é um anjo!
riu e colocou a mão nas minhas costas, direcionando-me para onde seu carro estava estacionado. Eu gostava tanto de todo mundo na família deles! Sentia-me sempre tão bem aceita. De repente, senti-me um pouco triste em pensar que passaria o feriado sozinha.
– Como estão as coisas no Rio? – Puxei assunto, enquanto íamos do escritório para casa.
também tinha feito Direito. Mas, sendo três anos mais velho que eu e , já havia terminado a faculdade, passado no exame da OAB (e na primeira tentativa; era muito inteligente e dedicado) e agora trabalhava em um grande escritório no RJ.
Ele deu de ombros.
– Tem sido difícil morar tão longe. – Respondeu. – Recebi uma proposta para voltar para São Paulo. Acho que vou aceitar.
Endireitei-me no banco do carona, animada.
– Mesmo?
me olhou de rabo de olho e sorriu.
– Sim. Tem um lugarzinho na casa de vocês para mim?
– Claro, a casa é da sua família! – Lembrei-o. – É mais fácil que eu fique desabrigada do que você.
Ele voltou os olhos para mim, sério.
– Eu jamais faria isso, !
Ri e fiz um carinho desajeitado em seu braço.
– Eu sei, estava só brincando.
– Que horas é seu voo? – perguntou, mudando de assunto. – Podemos te deixar no aeroporto antes de sairmos.
– Meu voo? – Franzi a testa.
– Você não vai para casa?
Mexi-me um pouco desconfortável no assento.
– Eu… não vou para casa nesse feriado. Vou ficar por aqui.
Ele virou o rosto rapidamente para mim mais uma vez, tentando não tirar a atenção do trânsito, mas ter certeza que eu estava brincando de novo.
– Sozinha?
Fiz que sim com a cabeça, mesmo sem ter certeza de que ele podia ver.
– Não tem nada de mais… Eu preciso colocar meu sono em dia, de qualquer forma.
Um sentimento de alívio me invadiu quando viramos na rua onde ficava o apartamento. Tentar convencê-lo de que eu estava feliz de ficar sozinha teria sido mais fácil uma hora atrás, quando eu também acreditava nisso.

– Chegamos! – Anunciou ao entrarmos em casa.
As malas de já estavam na sala. Como a tristeza estava misturando-se ao cansaço e a dor de cabeça que eu sentia, despedi-me dele e fui para o meu quarto. Eu ainda precisava tomar banho, mas achei que não teria problema se eu me deitasse por 15 minutinhos.
Pareceu-me ser o caso de um piscar de olhos e ouvi uma batida na porta. Virei na cama um pouco zonza, percebendo que tinha estado ali por uma hora.
– Quem é? – Perguntei.
, está tudo bem? – chamou. – Posso entrar?
– Pode, pode sim.
Ouvi a porta se abrir e a silhueta dele ocupar a passagem de luz que vinha do corredor. O quarto estava todo escuro antes de ligar o interruptor.
– Hey, o que há com você? É só cansaço mesmo? – Ele indagou ainda da porta.
Sorri, grata pela sua preocupação.
– Só cansaço mesmo. E uma dor de cabeça insuportável…
– Eu e pensamos em te chamar para ir com a gente para a casa dos nossos pais. – Disse.
– Vamos, ! – Ouvi gritar do quarto ao lado.
Eles eram mesmo muito atenciosos e fofos, mas…
– Eu estou tão cansada, . Seria uma péssima companhia! E não é neste feriado a festa de 30 anos de casamento dos pais de vocês?
Ele balançou a cabeça em negação.
– Eu disse que ela ia falar isso! – gritou de novo, fazendo-nos rir.
– Por isso mesmo você deveria vir com a gente. Vai ser ótimo!
– Eu não fui convid...
Mas nem cheguei a terminar a frase.
– Você só pode estar de brincadeira! – Dessa vez minha melhor amiga foi pessoalmente berrar comigo. – Eu te chamei para essa festa mais de dez vezes!
Mordi os lábios. Eu não queria ficar sozinha, mas também não sabia se queria um feriado de badalações.
Não havia como vencer.
– Eu tenho prova semana que vem, preciso estudar. Garcia também me mandou umas coisas para ler e.... – Não era mentira. Eu só duvidava que fosse estudar, mesmo se ficasse em casa. Mas eles não precisavam saber.
entrou no quarto e se sentou na beirada da minha cama.
, você tem 23 anos. Você sabe que merece se desligar um pouco, né? Se deixar levar um pouco. Eu nem moro aqui e sei que você tem se matado de trabalhar o semestre todo! – Meus olhos foram até , que agora estava parada na porta com uma cara culpada, e ela deu de ombros.
– Eu agradeço a preocupação, , mas…
– Quando foi a última vez que você fez algo só por você? Que saiu para se divertir? Que agiu imprudentemente como alguém de vinte e poucos anos?
Eu nem sabia dizer. No primeiro ano de faculdade, talvez?
– Você merece esse tempo completamente off, . Sair um pouco da sua própria cabeça. – reforçou.
– Não vamos te obrigar a ir se você não quiser, é claro. – alcançou minha mão e fez um carinho breve com o polegar. – Se você preferir passar o feriado todo maratonando uma série embaixo das cobertas, então que assim seja. Mas o convite está de pé. Eu acho que tudo que você precisa é deixar São Paulo um pouco… Nós não vamos embora até você se decidir, ok? – Ele sorriu e se levantou, dando-me um beijo no rosto e levando com ele ao fechar a porta.

Boom boom boom
I need my medicine
And the cure ain't Aspirin


Não era à toa que era disputado por escritórios de advocacia, seu poder de persuasão era inegável. Eu agora me via pensando em como seria bom um feriado no interior. Ar puro, tranquilidade, aquela família que sempre me acolhia como parte deles, sair um pouco, não pensar em trabalho ou na faculdade. Eu merecia mesmo, não merecia?
Mordi os lábios, olhando em volta pelo meu quarto. Sendo bem sincera comigo mesma, eu não queria ficar sozinha, sentindo falta de todo mundo.
Levantei-me e abri a porta, quase correndo. , na sala, tirou os olhos da TV e sorriu satisfeito antes mesmo que eu dissesse minha decisão.
– Dá tempo de tomar banho e arrumar a mala? – Perguntei.
– Só saio daqui quando você estiver pronta.
– Eu acho que não tenho nada para vestir na festa dos seus pais… – Confessei, meio envergonhada. Mas, surgiu da cozinha, já vindo em minha direção.
– É claro que tem, sua dramática! Vem aqui eu te ajudo.
Antes de entrar no meu quarto, olhou de para mim e franziu a testa.
– O que foi? – Perguntei, copiando sua expressão.
– Nada… eu só… Deixa quieto. Vamos fazer essa mala!

Mexi-me na cama, sentindo como se tivesse dormido por três meses seguidos. Onde eu estava mesmo? Pisquei algumas vezes e me lembrei por que aquele quarto não cheirava como o meu quarto. Eu, e tínhamos chegado à casa deles tarde da noite no dia anterior, um pouco por minha causa. Até os pais deles já estavam dormindo, e logo também fomos cada um para um quarto. Agradeci aos céus que os dois não se animaram para sair assim que chegamos, mas era provável que hoje eu não escapasse.
Saí do quarto onde estava e logo escutei vozes vindas do fundo da casa.
– Bom dia, Bela Adormecida! – saudou, acenando para mim de uma cadeira em volta da piscina.
– Bom dia! Por que você não me acordou?
– Dei-lhe uma noite completa de sono, porque não pretendo deixar você dormir daqui até domingo! – Ela brincou, mas eu sabia que aquilo tinha um fundinho de verdade.
– Ô, minha querida, bom dia! – Joana, a mãe da minha amiga, veio com os braços abertos me encontrar. – Que bom que você veio! Já estava com saudades!
Era a terceira vez que eu vinha visitá-los, mas ela sempre ia nos ver em São Paulo.
– Eu também, tia Joana. Tudo certo por aqui? Cadê o tio?
– Trabalhando, minha querida! Aquele lá não para! Vem, vamos tomar café.
Ela me levou até a cozinha, onde já estava passando manteiga em um pedaço de pão. Ele levantou os olhos e sorriu.
– Bom dia, !
– Bom dia, ! estava sem camisa, e devia ser a primeira vez em muito tempo que eu não o via de terno. Estava tentando não ser muito indiscreta ao olhar para ele, mas como era possível que sua beleza ainda me surpreendesse? Eu o conhecia há 4 anos, o mesmo tempo que conhecia . Ele sempre nos visitava em São Paulo, enquanto estava na faculdade e antes de ir morar no Rio. Nossos encontros só tinham rareado no último ano. Mesmo assim ainda me pegava de surpresa que alguém pudesse ser tão bonito, fofo, bem-sucedido e solteiro. Bom, e quem disse que ele era solteiro, não é mesmo?
E por que eu estava pensando tanto nisso? era quase como meu irmão também!
Erm… Não, não era.
Senti-me tímida com meus próprios pensamentos, como se ele pudesse lê-los, e passei o café todo de cabeça baixa.
, na mesa do café não! – Ouvi tia Joana ralhar e o encarei.
De primeira não entendi, até perceber que ele tinha um livro de Direito aberto ao lado de seu pires.
Segurei uma risadinha.
– E depois era eu quem precisava de um tempo sem pensar em trabalho, né? Você quer que eu refaça seu discurso?
riu, sem graça, e fechou o livro.
– Desculpa, mãe. – Falou e depois se virou para mim. – Vamos fazer um trato? Se eu não estudar nesse fim de semana, você aceita ir comigo e com a onde nós formos. Não importa quão programa de índio seja!
– Mas que tipo é trato é esse? Eu não saio ganhando de jeito nenhum! – Respondi.
– Claro que ganha! Vai se divertir à beça!
– Dê-me um vale ‘Passo’, então, para eu poder escolher um programa de índio para ficar de fora.
Ele semicerrou os olhos, encarando-me.
– Hum… Um vale ‘Passo’, mas você só pode usar a partir de amanhã.
Tia Joana balançou a cabeça e se levantou da mesa.
– Advogados… – Saiu resmungando.
Ri dela e estiquei o braço.
– Feito! – Falei, apertando a mão dele.
– Feito!
– Então, o primeiro programa de índio vai ser pular na piscina! – disse, já se levantando e vindo até mim. – Você pode ir por livre e espontânea vontade, ou eu posso te jogar!
, não! – Tentei, mas ele já estava pegando-me no colo e levando-me para fora.
abriu um sorriso largo ao nos ver no quintal, e só consegui ouvir sua gargalhada em meio ao barulho de água, quando pulou na piscina comigo no colo.
Aquele havia sido um péssimo trato!

I don't care about tomorrow
Here we go again, here we go again
I'll be the last one on the dance floor
When this party ends, when this party ends
I don't even care, I don't even care
Never wanna say
“I wish that I was there”


Eu olhava para as roupas que tinha trazido, espalhadas pela cama, e nada parecia apropriado. Eu sabia que o lugar onde íamos não era nada especial ou chique, mas mesmo assim… Na verdade, acho que eu só estava com preguiça de sair. Alguns parentes de tinham aparecido e nós acabamos ficando na piscina com os priminhos mais novos dela durante a tarde toda. Eu estava exausta, preferia ficar em casa dormindo!
Ouvi alguém bater na porta e minha amiga colocou a cabeça para dentro.
– Oi, entra! – Falei, sentando-me na cama, meio derrotada. – Não consigo decidir o que vestir.
– Eu sabia que você ia estar aqui toda miserável, arranjando uma desculpa para não ir… Vim te avisar que você não tem opção.
me conhecia bem demais. Ri sem jeito.
– Acertou em cheio! Me ajuda, então, por favor?
Ela entrou no quarto e foi até a minha cama, analisando as peças ali. Depois de meia hora e um sapato dela, eu comecei a me sentir um pouco mais animada. tinha esse poder de transmitir um pouco da empolgação dela para todo mundo.
Encontramos na sala quando terminamos de nos arrumar. Ele levantou os olhos e sorriu.
! Você está linda!
– Nada como tomar banho, né? – Brinquei, fazendo-o rir.
– E eu? – perguntou, posando com as mãos na cintura.
– Você também, irmãzinha! – Ele disse, levantando-se e passando o braço pelos ombros dela. – Vamos?
Não dava mais tempo de desistir, né?

Eu precisava confessar: estava realmente feliz por ter me deixado convencer a não ficar em São Paulo e ter saído para dançar! Ainda bem que eu não tinha desistido. O lugar não estava insuportavelmente cheio, o DJ era bom e os amigos de eram as pessoas mais divertidas que eu já tinha conhecido.
apareceu ao meu lado e me ofereceu uma das garrafinhas de cerveja em suas mãos.
– Ah, obrigada! – Falei.
– Você está divertindo-se? – me perguntou.
Com o som nas alturas, ele precisou chegar bem perto do meu ouvido, e senti um arrepio inesperado devido a nossa proximidade. Tentei não dar muita atenção a isso e me virei para ele.
– Muito! Obrigada por me arrastarem para cá! – Respondi.
Ele riu.
– Imagina! está muito feliz por você ter vindo. – disse. – E eu também.
Uma sensação boa que eu não sabia definir passou por mim. Nós sorrimos um para o outro, mas antes que eu pudesse responder, fui puxada por Lana, uma das amigas da , para perto do bar.
– Você toma tequila? – Ela perguntou.
– Nossa, nem sei a última vez que bebi tequila!
Ela chamou o barman e fez um sinal de dois com a mão.
– Então vai ser agora o reencontro!
O líquido cor de ouro desceu queimando minha garganta, e eu me lembrei daquele gosto característico que a bebida tinha. Chupei o limão, ainda fazendo cara feia e Lana riu.
– Lá pela terceira você já não sente mais tanto…– Ela encorajou, fazendo-me rir também.
Eu ia me virar, quando senti um abraço por trás.
– Amigaaa, que bom que você está aqui!
, pelo visto, já tinha passado da terceira tequila.
– Obrigada você, por me hospedar!
Das caixas de som vieram as primeiras batidas de uma música latina, e Lana e gritaram com os braços para cima. Eu nem tive tempo de reconhecer a canção e já estava sendo puxada de volta para a pista de dança.
não estava mais ali, mas por que eu estava procurando?

As pessoas normalmente usam o ditado “O tempo passa rápido quando está divertindo-se” ironicamente, mas eu precisava concordar com aquela máxima sem um pingo de ironia. A noite estava acabando, a pista ia esvaziando-se e eu nem ao menos me sentia cansada (o que, para mim, era impensável algumas horas atrás).
tinha sumido com um garoto que eu mais tarde iria querer saber tudo sobre, mas o grupo de amigos dela era tão engraçado e receptivo que eu não me senti isolada nem por um segundo. Naquele momento, eu dançava uma espécie de lambada com um garoto que tinha se apresentado para mim como Alcatra e mal conseguia ficar de pé, ereta, por estar rindo tanto.
– Foi um prazer dançar com você, milady! – Ele falou, soltando-me quando a música acabou e fazendo uma reverência exagerada. – Mas eu preciso ir ao banheiro urgentemente!
– Vai lá. Obrigada pela aula de dança!
Ele piscou.
– Disponha!
Virei-me para ver quem ainda estava por ali e avistei apoiado no bar. Fui até lá.
– Hey, sumido! – Brinquei. – Onde você esteve esse tempo todo?
Eu esperava que a resposta não fosse “estava com uma garota”.
– Eles têm uma TV transmitindo lutas de UFC no segundo andar… – Explicou, apontando para cima. – Como eu não sou tão bom dançarino quanto o Alcatra, fiquei por lá.
Ri dele e me sentei no banquinho ao seu lado.
– Acho que agora estou ficando com sono…
fez carinho nas minhas costas.
– Você quer ir embora?
– Precisamos esperar a .
Ele tirou o celular do bolso e digitou uma mensagem. Terminou a cerveja que estava tomando e se levantou.
está voltando, quer esperar lá fora?
– Voltando? – Franzi a testa.
– Prefiro nem saber… – respondeu, e eu ri ao entender.
Do lado de fora, havia uma quantidade enorme de pessoas. Como se todos tivessem saído da casa noturna, mas ninguém realmente tivesse ido embora.
– Pipoca! – Exclamei, indo em direção ao carrinho parado do outro lado da rua. me acompanhou.
Eu estava com os pés na guia da calçada e estava embaixo, parado na minha frente. Quando ele chegou mais perto para roubar uma das minhas pipocas, seu rosto foi iluminado pela luz do poste, acentuando os traços que eu mais gostava.
Eu tinha atributos favoritos nele? Eu devia estar muito carente mesmo para, de repente, estar sensível à beleza e doçura de . Não era novidade eu o achar bonito ou ficar envaidecida com o jeito como ele me tratava, mas nunca antes isso tinha me causado frio na barriga ou me deixado sem jeito. Parecia que passar tanto tempo sem vê-lo tinha feito o crush sem pretensão virar um sentimento que eu queria perseguir.
Ele me encarou e fez cara de indagação, e eu percebi que estava olhando-o já por algum tempo. sorriu.
– Como foi a sua noite? – Perguntou.
– Tão boa! – Falei empolgada, aliviada por ele não me deixar mais sem graça. – Acho que eu precisava mesmo disso, como você e me disseram!
– Algum arrependimento em vir?
Fiz que não com a cabeça.
– Nenhum!
– Que ótimo, porque amanhã tem mais! – Ele falou e eu mordi o lábio inferior.
– Mais uma noite? Será?
Ele roubou mais uma pipoca e sorriu de lado.
– Você tem que confiar em mim… Hoje valeu a pena, não valeu?
– Valeu, mas…
– Olha aí vocês! – Ouvimos a voz de e nos viramos, ela vinha de mãos dadas com o garoto. – Onde vai ser a After?
Nós dois rimos juntos.
– Que after, maluca? – Perguntei. – Vamos devagar, que eu não tenho esse seu espírito festeiro.
Ela revirou os olhos.
– Posso chamar o Uber? – perguntou.
– Pode, vai… – se deu por vencida. – Vou levar o Felipe até o carro dele e já volto.
Ela saiu, deixando eu e lado a lado de novo.
nem apresentou meu cunhado… – Ele disse, fingindo estar sentido e fazendo-me gargalhar.
– Pelo menos é bem-apessoado. – Considerei e ele concordou.
– Vem, nosso Uber chegou!
E lá estava o frio na barriga de novo quando passou os braços pela minha cintura. O estranho era que… eu não podia negar que estava gostando.

I sleep through the alarm
Head under pillow
I know I'm gonna pay for this
I can't stand missing out
So when you call me, call me
I say okay if you insist


– Churrasco às 2h da tarde. Acordaaaa.
– Bela adormecida?
, está viva?

Eu estava fingindo não ouvir o celular apitando, mas estava cada vez mais difícil ignorar as mensagens de . Eu não lembrava de ter bebido o suficiente para toda aquela ressaca que estava sentindo! Como ela ainda tinha pique para sair de novo?
Mulher, empreste-me essa Duracell que você usa! – Mandei em resposta.
Ouvi sua gargalhada em algum lugar além da porta. Dois segundos depois, ela bateu na porta e se jogou sobre mim na cama.
– Bom dia, princesa! – Falou, fazendo-me rir.
– Bom dia! Que churrasco é esse?
– Na casa do Felipe.
– Huuuum… Você quer me contar mais sobre esse Felipe? – Perguntei e ela escondeu o rosto no edredom que me cobria.
– Os pais dele se mudaram para cá faz pouco tempo. Ele faz faculdade em Campinas, Engenharia Química.
– E você gostou de ficar com ele?
Bom, se a gente estava indo para um churrasco na casa dele, eu acho que sim, né? Mas a cara de apaixonadinha da minha amiga valeu a pergunta idiota.
– Ele é muito gracinha, !
– Torcendo por vocês, então.
– E vai torcer pessoalmente no churrasco, né?
Cobri a cabeça e choraminguei.
– Mas eu estou de ressaca!
– Eu também estou, . Vamos!
– Mas você tem um motivo maior para ir, eu não tenho.
– É só você arranjar um motivo também, oras…
Meu pensamento foi imediatamente para e eu escondi o rosto de novo, caso acontecesse de eu ficar corada por isso.
E eu então eu me lembrei.
me deu um vale para negar um dos eventos desse fim de semana. Posso usar agora? – Falei.
– Não acredito que o fez isso!
– Eu prometo sair com vocês à noite, … – Tentei, para deixá-la menos brava, mas ela já estava levantando-se e saindo do quarto.
! – Saiu, gritando.
Tentei me ajeitar na cama para dormir de novo, mas não tinha certeza se seria possível.

Levantei um pouco mais tarde e encontrei assistindo TV na sala. Sentei-me ao seu lado.
– Minha irmã tentou me matar porque você não vai com a gente hoje… – Contou e eu ri.
– Desculpe-me, , mas eu estou acabada!
Ele fez um beicinho charmoso, fazendo meu coração apertar.
– Você precisa ir, . Por mim? Meus amigos de infância não estão aqui nesse feriado. Se você não for, não vou conhecer ninguém! Por favor?
inclinou a cabeça fazendo mais cara de pidão e eu não resisti.
– Tá bom, vai! Já que você insiste… Que horas vamos?
– Depois do almoço. Sabe como são esses churrascos, né? Nada de comida…
– Ótimo!
sorriu para mim e continuamos assistindo televisão. Eu gostava de não precisar preencher silêncios com ele.

O quintal da casa de Felipe era enorme! Assim que entramos, avistamos a piscina e alguns rapazes jogando futebol no gramado mais à frente. A música estava alta e reconheci ser um pagode dos anos 90, que me fez rir.
Felipe veio nos cumprimentar e se apresentar para mim e para . Dava a impressão de ser mesmo um garoto legal, como merecia. Pelo menos ele parecia ter o mesmo nível de energia dela.
A segunda pessoa que vimos foi Alcatra, e ele me tirou do chão com seu abraço.
– Que bom que você veio, gatinha!
Logo estávamos sendo levados até onde meia dúzia de linguiças assavam na churrasqueira, mas o arsenal de bebidas parecia infinito, sendo jogados na piscina e dançando em uma roda com as outras amigas da . Lana puxou um drinking game que ficava mais difícil a cada rodada e a cada dose.
Eu estava voltando do banheiro quando esbarrei em , nenhum de nós dois estava 100% mais.
– Hey, desculpe-me! – Falei, rindo frouxo.
– Está tudo bem? Você está bem? – perguntou.
– Sim, estou sim. E você? Onde estava?
– Jogando futebol com meu futuro cunhado. – Respondeu e nós dois rimos.
estava usando o boné para trás, e quando dei por mim já estava com as mãos para cima, ajeitando sua franja molhada. Ele soltou um suspiro e passou os dedos pelos passadores de cinto do short que eu estava usando. Meu coração martelou no peito, enquanto estávamos naquela posição. Ele não me puxou para perto, mas eu ainda podia sentir seu polegar gelado na minha cintura, e parecia ser um contato tão pequeno, mas que estava desestruturando-me gravemente.
Ok, era hora de assumir que aquilo não era normal, e eu não estava sentindo tudo aquilo porque gostava dele como amigo. Eu sempre tinha achado que o carinho que vinha da parte de era algo fraternal, por ser tão amiga da , mas talvez eu tivesse entendido tudo errado até ali. Seus olhos estavam devorando-me, e eu esperava que ele o fizesse. Pousei as mãos em seus ombros e retribuí seu olhar.
– Posso te pedir uma coisa? – Ele disse, finalmente.
– Claro!
– Não fica com o Alcatra.
Ri do seu pedido, porque eu em momento algum tinha considerado ficar com ele.
– Você não quer que eu fique com ele? – Perguntei, a respiração ficando mais profunda como se eu tivesse dado duas voltas correndo no quarteirão. – Ele não é boa pessoa?
continuou encarando-me.
– Ele é sim, eu só…
Alguém deu uma tossida forçada perto de onde estávamos, e eu tive vontade de berrar um palavrão.
– É, desculpa atrapalhar… – Era Lana, e ela parecia mais sem jeito que nós dois por estar ali. Com certa decepção, senti os dedos de soltando meu short. – Mas a está meio passando mal. Acho que bebeu demais.
Não havia o que fazer, nós dois saímos às pressas atrás de Lana e fomos até onde minha amiga estava, parecendo meio verde.
Ah não, ! Bem agora?

Por sorte, os pais de e estavam fora naquela noite. Aquele era o dia real do aniversário de casamento deles, e por isso tinham tirado o dia todo em um hotel fazenda e só voltariam amanhã para a festa. Voltamos com a nossa bêbada para casa, e agora ela tomava um banho para tentar melhorar. Como eu estava com medo de que desmaiasse ou algo assim, estava sentada no vaso dentro do banheiro com ela, ouvindo-a contar casos de pessoas que haviam estado no churrasco.
– Aí o Felipe disse que ele não batia o bolão que todo mundo dizia que batia, e eu respondi: “Eu sei, né Fefe? Namorei o cara dois anos!”. Mas ele estava só falando de futebol. Falei demais à toa… Merda!
Acabei rindo, mesmo sem saber se devia. Eu não tinha reparado que o ex-namorado dela tinha estado na festa, mas isso explicava aquele grau alcoólico todo. desligou o chuveiro e eu estendi a toalha a ela.
– Seca direito esse pé para você não escorregar, ô canabrava. – Aconselhei, em tom de gozação.
– Sabe o que mais? – Ela falou, saindo de dentro do box. – Alcatra está afim de te pegar, pediu a minha ajuda e tudo.
Lembrei-me do que havia dito.
– O que você falou para ele? – Perguntei na defensiva, já me preparando para inventar uma desculpa para dar um fora nele.
– Para ele eu disse que ia ajudar. Mas, sinceramente? – Ela se endireitou e perdeu cerca de um minuto inteiro tentando passar a gola da camiseta de pijama pela cabeça.
– O quê, criatura? – Indaguei, impaciente.
Ela finalmente terminou de se vestir e se virou para mim.
– Você sabe que meu irmão é apaixonado por você, né? Não posso fazer isso com ele.
Meu coração disparou em algo entre o choque e a felicidade.
– Do que você está falando, ? Está muito bêbada!
– Ah, ! Fala sério, você nunca reparou? O jeito como ele te olha!
Nós saímos do banheiro e eu fui com ela até a sala de TV, onde já tinha colocado um colchão de casal no chão. Ainda bem que ele não estava por ali. bêbada era uma bomba relógio, pronta para explodir vergonha para todos os lados.
– Ele é legal comigo e com todo mundo. É o jeito dele.
– Claro que não! te adora. Você devia ficar com ele e entrar para a minha família.
Meu estômago afundava mais e mais com aquela conversa, porque aquilo era exatamente o que eu queria ouvir, mas colocava um elefante branco no meio do cômodo. Eu não queria que minhas interações com deixassem de ser naturais como eram até então.
– Vou pensar no seu caso… – Falei, mais para colocar um fim no assunto. – Deita aí e eu vou na cozinha pegar algo para você comer.
É lógico que já estava na cozinha, mexendo uma panela no fogão. Sorri, observando suas costas e o boné para trás que ele ainda usava. Senti-me ruborizar quando ele se virou e me pegou observando-o.
– Estou fazendo uma canja para . Comida de doente. – Brincou.
Além de tudo, ele cozinhava! Aproximei-me e parei na bancada no meio da cozinha.
– Ela já está de banho tomado e deitada na sala. Acho que não vamos sair hoje, né? – Falei, e para provocá-lo, acrescentei. – Que pena!
sorriu de lado, entendendo a ironia.
– Parece que essa noite você venceu.
– Você precisa de ajuda? – Ofereci.
– Já estou quase terminando. Você pode pegar os pratos fundos naquela porta, por favor? – Ele pediu, apontando um armário alto a sua direita. Fiquei na ponta dos pés para alcançar, e quando me virei, foi a minha vez de pegá-lo olhando-me. As palavras de minutos atrás dançando na minha cabeça “Você sabe que meu irmão é apaixonado por você, né?”.
Comemos por ali, enquanto a canja para esfriava. O silêncio entre nós agora não era mais tão pacífico quanto mais cedo. Vinha carregado de coisas não ditas e tensão sexual. Eu tinha a impressão que só levaria um toque entre nós para tudo ir pelos ares.
Voltamos para a sala para encontrar nossa paciente pinguça adormecida no sofá. Coloquei a sopa na mesinha de centro que havia sido empurrada para perto da janela, e me virei para com as mãos na cintura.
– Acordamos ela? Levamos para o quarto?
Ele abanou as mãos, indo até o colchão e sentando-se. Engoli em seco.
– Não, vamos deixar aqui. Daqui a pouco ela acorda. – E então colocou a mão ao seu lado no colchão. – Você… quer assistir alguma coisa? Senta aqui.
Eu não podia e não queria fugir. Sentei-me ao seu lado, as costas no sofá, e esperei até que ele achasse algum canal passando um filme decente. Mais silêncio. Talvez ele até pudesse escutar meu coração batendo a mil por hora.
– Está com frio?
colocou a mão sobre a minha, provavelmente para medir minha temperatura, mas eu involuntariamente virei a palma para cima para tocá-lo também. Nossas mãos agora roçavam e se dedilhavam.
– N-não. – Respondi. Um pouco dominada pelas ondas de calor que vinham da direção das nossas mãos.
Atrevi-me a olhá-lo e lá estava ele, tão perto, os olhos encarando-me e indo descaradamente para minha boca. Eu só esperava que não acordasse agora.
?
– Hum? – Eu estava desorientada.
– Eu… gosto muito de você. – disse, fazendo-me sorrir com a sua doçura. – Mas… você sabe? Talvez mais do que como amigo.
– Uhum.
– E eu não sei se é recíproco, mas se for…
Precisei interrompê-lo antes que meu coração não aguentasse mais bater feito um doido como estava. Ajoelhei-me no colchão e segurei seu rosto com as mãos, trazendo-o para mim e beijando-o. Suas mãos me seguraram pela cintura e me puxaram para perto, como eu desejava desde a tarde. Acabei sentada em seu colo, beijando-o como se só houvesse nós dois na sala. Nós dois no mundo.
Talvez estando mais atento do que eu ao que acontecia ao redor, não avançou o sinal ou tentou nada mais ousado. Ficamos beijando-nos por sabe-se lá quanto tempo, e toda vez que parávamos, eu sentia seus lábios sorrindo sobre os meus. Como alguém podia ser tão encantador?
– É totalmente, completamente recíproco. – Finalmente respondi quando nos separamos.
Seu sorriso era tão grande e lindo que acabei levando os braços até seu rosto e fazendo carinho em sua bochecha.
O resto da noite passou do jeito mais irreal que podia ter acontecido. Eu e abraçadinhos, deitados na sala, assistindo filmes e seriados e perdendo cenas importantes quando nos beijávamos. Às vezes, ele soltava um “Não acredito que isso está acontecendo!” e eu tinha mais vontade de beijá-lo todo.
acordou mais ou menos às 2h da manhã e comemorou a cena como a final de uma copa do mundo, fazendo-nos rir.
Antes de irmos dormir (cada um no seu quarto, claro), ainda me fez gargalhar uma última vez, dizendo que eu tinha razão. Noites em casa eram muito melhores do que noites em baladas.

I don't even care, I don't even care
Never wanna say
“I wish that I'd been there”


estava no quarto onde eu estava dormindo, ajudando-me com a maquiagem. A festa dos pais dela começaria em uma hora, mas como seria em um salão de festas, precisávamos ser eficientes quanto ao tempo, e ela era bem melhor nessas coisas do que eu. A única desvantagem era que ela não parecia querer mudar de assunto.
– Meu irmão, ! Meu Deus, isso é tão incrível!
– Mas você já sentia algo por ele?
– Vocês vão ter o mesmo aniversário que os meus pais!
– Não foi esquisito?
– Eu te falei que ele era apaixonado por você ontem? Que horas?
Nem conseguia responder uma e já me bombardeava com a seguinte. Mas eu não estava realmente irritada. Como estaria? Eu mal tinha conseguido dormir pensando em como tudo tinha acontecido tão perfeitamente!
Nossos encontros naquele dia tinham sido corridos, já que ele estava de motorista dos pais, o que só aumentava minha expectativa pela festa.
– Pronto! Está lindíssima! – Ela disse, dando um passo para trás para analisar meu rosto.
Olhei-me no espelho e sorri.
– Ficou ótimo, ! Muito obrigada!
– Imagina, cunhadinha! – Zombou, fazendo-me rolar os olhos.
Ela foi para o próprio quarto para terminar de se arrumar, e eu, ansiosa para encontrá-lo, resolvi dar uma volta pela casa. estava no hall de entrada, ajeitando a camisa em frente a um espelho, e eu sorri ao vê-lo. Ele percebeu minha presença e sorriu de volta.
– Caramba, você está maravilhosa! – Disse, fazendo-me corar.
– Obrigada! Você também está! Cadê seus pais?
– Já foram. Fiquei para trás para levar vocês.
Eu não sabia bem o que fazer. Queria ir até lá e beijá-lo, mas não sabia se era apropriado ou mesmo se era o que queria. Mas todas minhas dúvidas foram sanadas quando ele mesmo veio andando até mim e colocou as mãos na minha cintura.
– Se eu te beijar vai borrar o seu batom? – Perguntou.
– Eu aplico de novo… – Falei, dando de ombros, e ele deu uma risadinha quando passei meus braços em volta do seu pescoço.
– Prometo ser delicado.
Como se ele não fosse sempre…

A festa estava linda, e os pais de e eram as pessoas mais felizes que eu já tinha visto na vida. Naquele momento, eles dançavam alegremente, seguidos de outros casais da mesma idade, na pista de dança.
– Eles são mais animados que você, ! – brincou, fazendo todo mundo em nossa mesa rir, inclusive eu.
– Contra fatos, não há argumentos… – Respondi e senti a mão de alisando a minha, despreocupadamente.
Nós tínhamos assumido um comportamento de casal completamente voluntário, e era tão natural e talvez tão esperado, que não alarmou ninguém.
Uma música mais lenta começou e ele se virou para mim.
– Quer dançar?
Sorri e fiz que sim com a cabeça.
– Vou ver se acho uns parceiros de bingo. – Falei para antes de sair, fazendo-a gargalhar.
– Tia Marieta vai adorar te carregar para umas matinês que acabam antes da novela começar!
Paramos de frente um para o outro na pista de dança e ele começou a me conduzir.
– Quando você volta para São Paulo? – Perguntei ao me lembrar que teríamos que nos separar no dia seguinte.
– O mais rápido possível! – Ele falou e eu sorri. – Mas acho que não vai acontecer pelos próximos três meses. – Concluiu, com uma carinha triste.
– Aaah. – Lamentei.
fez carinho no meu rosto, olhando-me com carinho.
– Mas eu venho te ver antes disso. Com certeza! – Assegurou-me, fazendo meu coração dobrar de tamanho.
– Eu jamais imaginei que meu fim de semana acabaria assim quando te vi parado na porta do escritório, na quarta-feira à noite. – Confessei, rindo.
– Espero que tenha sido uma surpresa boa.
– Foi uma surpresa maravilhosa! Você sendo a melhor parte, claro.
abriu um sorrisão e me deu um beijo demorado no rosto. Por mais que eu estivesse adorando a festa, agora eu desejava ir para casa e poder dar um beijo de acordo nele.
tinha me perguntado mais cedo se era estranho estar “romanticamente” com ele, e para mim, estranho era ser tudo tão “era para ser desde sempre”; como se eu estivesse andando vendada todo esse tempo até chegar ao destino, e agora me deparava com uma paisagem linda.
– No que você está pensando? – indagou.
– Que eu não sei bem o que fiz para merecer tudo isso que me aconteceu nesse feriado.
– Você disse “sim”. – Ele explicou, com simplicidade.
E era verdade.
Nada teria acontecido se eu não tivesse dito sim aos pedidos deles de me deixar levar, ser menos séria, sair para dançar nem que fosse uma vez. Eu precisava daquela leveza para enxergar o que estava bem embaixo do meu nariz, mas que eu nunca prestava atenção quando colocava uma pilha de afazeres na frente.
e eu dávamos voltinhas no mesmo lugar, dançando uma música lenta antiga, da época dos pais dele.
Sair para me divertir era ótimo e tinha me feito muito bem. Eu devia praticar mais vezes.




Fim.



Nota da autora: Oi oi!! Eu normalmente sou mega falante nas minhas notas da autora, mas nessa não sei bem o que falar. Mas tô feliz com o resultado final dessa fic e dessa vez me pareceu mais natural escrever uma estória no Brasil… Acho que é questão de prática mesmo, né?
Quero agradecer um milhão de vezes a Thatha, que sempre é uma ajuda tão maravilhosa enquanto eu estou escrevendo e já faz parte do meu processo todo de criação.
Espero que vocês tenham gostado e, pelo sim ou pelo não, não deixem de comentar o que acharam, ok??
Até a próxima ;)



Outras Fanfics:
On the third floor (1D/Em andamento)
Trap (1D/Finalizada)
06. Glasgow (Ficstape The Ride/Finalizada)
08. Sound of Reverie (Fictape Lovely Little Lonely/ Finalizada)
09. Then there’s you (Ficstape Nine Track Mind/Finaliada)
04. When we were young (Ficstape 25/Finalizada)
Daydreamer (Outros/Finalizada)
Someone like you (Outros/Finalizada)
While my guitar gently weeps (Outros/Finalizada)

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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