Última atualização: 18/10/2017

Quarto Prodígio: Colombian Mermaid

Eu havia vivido parte da minha infância na cidade de Leticia, que graças ao rio Amazonas, conseguiu se sustentar apesar dos poucos habitantes. Foi na minha adolescência que meus pais decidiram se mudar para o Brasil, me deixando aos cuidados do meu avô que morava no litoral de Santa Marta. Apesar de todo o desconforto, daquela espelunca que chamavam de edifício, por sorte meu quarto tinha uma pequena vista para o Mar do Caribe, o que fazia minha noite ser mais agradável com a brisa.

— Ah, quando poderei sumir daqui?  — sussurrei comigo mesma, sentada na janela do meu quarto.

Não gostava daquele lugar e isso, não era nenhuma novidade nem mesmo para meu avô, esses anos morando com ele tive muitos problemas de socialização, principalmente nos empregos de meio-período depois da aula. Já tinha dezesseis anos e a ideia sobre obter emancipação, estava cada dia mais e mais fixada em minha mente, devido ao sentimento que estar sempre deslocada naquela cidade.

Passei a noite em claro olhando o mar, logo pela manhã após o café, corri para a lanchonete que trabalhava, estava de férias da escola, então decidi ficar no turno integral para juntar mais dinheiro. Foi no final da tarde, que esbarrei na pessoa que mudaria o rumo da minha vida e ao mesmo tempo, me ajudaria a sair daquela cidade. Ele estava sentado no fundo da lanchonete falando ao telefone, quando me aproximei novamente para levar seu pedido, fiquei me perguntando o que um homem com trajes formais, comeria naquele lugar.

— Com licença. — disse ele num tom sereno — Não foi isso que eu pedi.
— Como? — o olhei — Foi sim, está anotado aqui.
— Não foi. — insistiu ele — Poderia levar de volta, por favor.
— Não. — cruzei os braços — Eu ouvi muito bem quando fez seu pedido, e foi exatamente uma xícara de café e dois donuts.
— Eu não pedi donuts, menos ainda um café que parece ter açúcar. — retrucou ele.
— Primeiro que todos os cafés são sem açúcar. — eu alterei minha voz, fazendo todos os olhares se voltarem para mim — Segundo que se não ficasse com esse celular no ouvido, teria dado mais atenção para mim quando estava anotando seu pedido.
— Agora o errado sou eu? — ele se levantou — Me desculpe senhorita, mas acho que está criando desculpas para justificar seu erro.
— O que? — gritei de leve.

Desta vez, ele era o errado da situação, por mais que eu sempre tivesse uma curta e ligeira paciência com os clientes, mas esse era diferente. Os outros sempre aumentavam o tom quando eu questionava, mas este senhor mantinha seu olhar sereno e sua voz baixa, porém firme, o que me deixava ainda mais irritada e nervosa, como se sua ação tranquila estivesse me colocando em dúvida, se estava mesmo certa.

— Eu já disse que foi isso que pediu. — mantive minha voz alta.
— Mas o que está acontecendo aqui? — perguntou o dono se aproximando — Está arrumando confusão com um cliente de novo Serena?

Percebi que alguns clientes, os mais frequentes se levantaram e aproximaram um pouco mais, logo o dono pegou em meu braço, começando a me xingar na frente daquele homem, relembrando todas as minhas outras brigas com clientes. Em um piscar de olhos, todos os outros clientes começaram a concordar como dono, falando sobre como eu não os tratava bem, o que era um absurdo.

No meio de toda aquela confusão armada, percebi o homem problemático encostando sua mão de leve na camisa do dono, enquanto dizia que estava tudo bem, retirando algo do bolso da camisa dele. Aquilo me deixou intrigada e sem reação, assim que me voltei para o dono, para relatar o que tinha visto, ele ainda segurando meu braço, me puxou para a cozinha.

Naquele momento, liguei meu lado desinteressado e retirando o avental, joguei na cara do dono sem o menor receio. Não aguentava mais tudo aquilo mesmo, saí pela porta dos fundos e corri para casa, aquela era a gota d’água que faltava para fugir de uma vez de casa e iria sem o menor remorso, apesar de sentir um carinho especial pelo meu avô.

— Nesta cidade não fico mais, e se der sorte eu vou sumir de uma vez da Colômbia, este país não tem nada para mim. — disse em nervos jogando algumas roupas na minha mochila.

Olhei para o armário e caminhei até ele, escrevi um bilhete para meu avô, pela hora do dia, certamente estava em seu tratamento de fisioterapia, pelo menos ele teria a ajuda do síndico que o tratava como um pai. Respirei fundo assim que fechei a porta ao sair, desta vez não desistiria de tentar encontrar meu lugar neste mundo, seguiria em frente.

- x -

— Acho que teria sido melhor se eu tivesse pegado o ônibus de viagem. — murmurei ao parar após uma longa caminhada, pelo acostamento da rodovia nacional — Mas não posso gastar, se quero sair do país.

Me sentei no meio-fio e respirei fundo, felizmente já eram quase quatro da tarde e o sol estava fraco, foi neste momento que um carro passou por mim e estacionou mais a frente. Olhei sem dar a menor importância e após alguns minutos, a porta do motorista se abriu e ele saiu, deu alguns passos até mim e permaneceu parado em minha frente.

— Não está longe de casa? — perguntou ele.
— O que você quer? Outro café? — o olhei com certa ironia.
— Não. — ele sorriu de canto, parecia querer rir — Percebi que você é uma garota muito observadora, mas não imaginaria que fugisse de casa só por perder o emprego.
— Não perdi, saí porque quis. — me levantei — Mas o que isso tem a ver com eu ser observadora?
— Você viu o que tirei do bolso daquele homem?
— Rodriguez?! — cruzei os braços lembrando — Talvez sim, talvez não.
— Você viu, impressionante. — ele manteve o sorriso no rosto — Talvez você possua um talento incomum.
— Eu?! — por essa não esperava.
— Sim. — ele desviou seu olhar para minha mochila — Poderia até te levar para casa, mas tenho uma leve impressão que não vai querer.
— Não mesmo, já fiz minha escolha e a Colômbia não é meu lugar. — respirei fundo — Mas você não tem nada a ver com isso.
— Calma, você é uma garota um pouco estressada. — riu de leve — Acho que posso te ajudar, em troca, você me ajuda também.
— Ajudar? O que você quer? Quem é você? — o olhei confusa.
— Meu nome é Dean e no momento, só quero ter uma família. — ele pegou minha mochila tranquilamente — Você gostaria de se juntar a ela?

Aquela simples pergunta, foi o que mudou minha vida.

Surreal e irônico, eu estava deixando minha família, como poderia entrar em outra?!

“Sabe, eu sempre fico acordada sem dormir,
E penso comigo mesma,
Onde eu pertenço para sempre,
Em que braços, o tempo e lugar?”
- My world / Avril Lavigne





The End...




Nota da autora:
Eis aqui mais um ficstape, espero ter conseguido pegar a essência da música e feito algo legal... Resolvi fazer outro spin-off de My Little Thief, contando sobre como nosso misterioso Dean conheceu a prodígio Sery, espero que tenham gostado!
Me desculpem qualquer erro de gramática ou betagem, eu só vejo isso depois que a fic entra no site, não desistam de mim, kkkk... Críticas e elogios sempre serão bem-vindos!!

Principais fics no FFOBS:

| 05. Así Soy Yo (Ficstape RBD) | 05. Sweet Creature (ficstape Harry styles) | Beauty and the Beast (Contos Dia dos Namorados) |
| Beauty and the Beast II | Coffee House | Cold Night | Crazy Angel | Destiny's | É isso aí (mixtape Brasil 2000) | First Sensibility | Genie |
| I Am The Best (mixtape Girl Power) | I Need You... Girl | My Little Thief | Noona Is So Pretty (Replay) | Piano Man (mixtape Girl Power) |
| Photobook | Quem de Nós dois (mixtape Brasil 2000) | Smooth Criminal | TVXQ: Tohoshinki |


Bjinhos...
By: Pâms!!!!
*Ps.: as outras fics vocês encontram na minha página da autora!!

Jesus bless you!!!







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