Última atualização: 27/09/2017

Capítulo 1

- ? - ela deu duas batidinhas na porta da casa de seu primo.

Escutou algumas risadas e franziu a testa, pois sua tia tinha lhe falado que ele estava sozinho em casa.

- , você por aqui? - o rapaz arqueou as sobrancelhas, fazendo a prima rolar os olhos.

Os dois eram vizinhos e cresceram juntos, mas ele não perdia a oportunidade de fazer a mesma piada toda vez que ela ia até a casa dele.
A mãe de era irmã do pai de , ela e o rapaz tinham uma diferença de cinco anos de idade, sendo ele o mais velho. Porém, isso nunca impediu que os dois tivessem uma boa relação, além de primos, também eram grandes amigos. Só que a vida adulta impedia que eles se vissem com tanta frequência, estava no primeiro período da faculdade de Administração e vivia ocupada com livros e trabalhos universitários. , por sua vez, era músico e fazia parte de uma banda que tinha acabado de alcançar o sucesso no Reino Unido, então sempre estava na estrada fazendo shows. Os dois só conseguiam se encontrar quando as férias deles coincidiam e era o que acontecia no momento, o rapaz tinha terminado uma turnê pelo país e a moça estava de férias da faculdade, e agora eles teriam tempo de sobra para ficarem juntos.

- Vem aqui, seu idiota. - brincou, o puxando para um abraço, que foi prontamente retribuído por ele.
- Que saudade que estava de você. - a ergueu do chão, a fazendo soltar um gritinho. - Vem, entra. - a puxou para dentro de casa.

riu, ainda abraçada ao primo quando eles andaram até a sala do local, só então ela percebeu que não estavam sozinhos.

- , lembra da minha prima ? - perguntou, observando o amigo sorrir timidamente e se levantar do sofá.

Há algumas semanas a mulher tinha conseguido ir a um dos últimos shows da banda de seu primo e acabou conhecendo os outros integrantes quando os visitou no camarim, e era um deles. Mas os dois não tiveram a chance de se conhecerem melhor, pois o local estava lotado e o rapaz não parecia muito à vontade com pessoas que não tinha intimidade.

- Oi. - estendeu a mão pra ela. - Bom te ver de novo. - falou, e ela sorriu.
- Digo o mesmo. - apertou a mão dele.

soltou a prima e sentou no sofá, ao lado do amigo. olhou ao redor e notou que os dois estavam jogando videogame, riu nasalado ao reconhecer o jogo.

- Mario kart? - sentou-se no sofá que estava vazio.
- Nem ouse. - resmungou e ela gargalhou.

fitou os dois sem entender o porquê daquilo, viu a testa franzida do rapaz e resolveu explicar.

- Sou especialista em Mario kart e o nunca me venceu. - piscou para ele, que assentiu.

A mulher ficou em silêncio, apenas assistindo aos dois jogarem algumas partidas, ganhou duas corridas e , três, seu primo já estava puto por nunca conseguir vencer alguém nesse jogo, o rapaz era extremamente competitivo.

- Posso te desafiar? - ela sorriu para , tinha reparado como ele era bom jogando aquilo.
- Claro. - deu de ombros. - Quer ir com o Yoshi? - ofereceu e ela sorriu ainda mais, aquele era seu personagem favorito. - Eu vou com o Luigi.
- Beleza. - se levantou de onde estava e sentou ao lado do rapaz, pegando o controle.

Os dois perderam completamente a noção do tempo depois que começaram a primeira partida, eles praticamente revezavam em quem vencia e isso só os incentivava a jogar cada vez mais. E foi assim que nasceu a amizade mais importante da vida deles, eles tinham várias coisas em comum e foi inevitável não se tornarem melhores amigos, a conexão entre eles foi tão forte que ser tornou algo admirável de se ver.

(…)


I know that I've been messed up
You never let me give up


Três anos depois.
estava um pouco confusa, não sabia se era sonho ou se seu celular realmente estava tocando, ela se virou na cama e pegou a aparelho no criado-mudo.

- Alô? - falou, com a voz completamente rouca.
- Minha salvadora da pátria. - um homem disse, com a voz embolada.

A mulher se sentou, coçando os olhos.

- ? - perguntou em dúvida.
- Não, Jack Sparrow. - brincou, gargalhando em seguida.

Ela suspirou, sabendo que o amigo estava completamente bêbado.

- Onde você está? - perguntou, começando a ficar preocupada.
- Eu... espera um minuto.

O telefone ficou mudo e ela atendeu ao seu pedido, aguardando por ele.

- Como é o nome? Mas que porra… - voltou a escutar a voz dele. - Aqui.

Uma voz completamente diferente chamou por ela, que ficou perdida por um segundo, mas depois entendeu que era um funcionário do bar onde o amigo se encontrava.

- Tá certo, você pode vigiá-lo até eu chegar aí? - praticamente implorou, sabendo que e a pessoa do outro lado da linha não tinha obrigação alguma de atender o seu pedido.

nem trocou de roupa, pois sabia como era bem louco quando estava sob os efeitos de bebidas alcoólicas. Apenas vestiu um sutiã por baixo da blusa que usava e colocou um casaco moletom, que era conjunto da calça que ela já vestia. Quinze minutos depois o táxi chegou ao local que ela tinha o endereço, pagou o taxista e xingou baixo quando saiu do automóvel, pois estavam em pleno inverno Europeu e a temperatura não era a das mais agradáveis, ainda mais de madrugada.

- O amor da minha vida chegou. - escutou uma voz dizer assim que entrou no bar, ele estava apoiado no balcão.

Ela balançou a cabeça negativamente e se aproximou do amigo, que tinha um sorriso besta no rosto.

– O que foi dessa vez? - indagou, se referindo ao motivo dele estar tão bêbado.

fez uma careta seguida de uma expressão sofrida.

- Estou solteiro de novo. - afirmou, fazendo a amiga arquear as sobrancelhas levemente. - Aquela vaca me deu um pé bunda. - reclamou.
- Vaca? - ela colocou as mãos na cintura. - Por acaso ela é obrigada a ficar com você?

fez outra careta, sem entender porquê estava defendendo sua ex.

- Achei que fosse minha amiga. - resmungou, sentando-se na banqueta.
- Pare de frescura, . - ela andou até ele e segurou seu braço. - Nem se acomoda aí porque vou te levar pra casa.

O rapaz puxou o braço de volta e a mulher sentiu a irritação começando a tomar conta de si.

- Não, você está do lado dela. - berrou, a fazendo rolar os olhos.
- Ah é? - colocou as mãos na cintura. - Onde estou agora, ? Tentando te levar pra casa ou consolando sua ex? - bufou impaciente.

Ele estreitou o olhar, tentando fazer algum senso do que ela estava dizendo naquele momento.

- Colabora comigo? - estendeu a mão pra ele, que a fitou em dúvida. - Ou te arrasto daqui à força. - o fuzilou com o olhar.

sabia que ele era bem mais forte que ela e sua ameaça era inútil, mas não tinha muita paciência com gente bêbada, então tentaria de tudo para acabar com aquela situação de uma vez.

- Tá bem. - ele cedeu, se levantando e quase caindo no mesmo instante, se não fosse pelo apoio da amiga, ele certamente teria caído de bunda no chão.

Os dois andaram com dificuldade até o lado de fora do local, não foi difícil encontrar o carro do rapaz e encostou o amigo no automóvel, ele tinha um sorriso divertido no rosto.

- Me dá a chave do carro. - pediu, o fitando.
- Claro. - riu fraco, tateando os bolsos traseiros de sua calça. - Ué. - resmungou, agora enfiando as mãos nos bolsos da frente. - Merda.
- Que foi? - franziu a testa.
- Não consigo pegar.

cruzou os braços, se questionando se aquilo era brincadeira ou verdade.

- Onde tá?
- Aqui. - mexeu o braço direito, o tirando de seu bolso frontal.
- Sério, ? Jura que não está conseguindo tirar a chave daí?
- Juro juradinho. - ele beijou os dedos de uma forma desajeitada.

A mulher olhou para o céu, querendo saber qual crime tão cruel tinha cometido para ter que viver um momento desses. Ela deu dois passos na direção dele e colocou a mão no bolso do rapaz, notou que ele ficou tenso com a ação dela e ela riu. Foi inevitável não tocar na região sensível de , que soltou um palavrão quando sentiu a mão dela roçar brevemente em seu membro.
- Prontinho. - puxou o molho de chaves com rapidez e riu novamente com a expressão do amigo. - Amanhã você não vai se lembrar disso. - comentou, abrindo a porta do carro pra ele.

Cerca de vinte minutos depois, estacionava o carro na frente da casa de , ela o ajudou a entrar no local e o levou até o quarto dele. Reparou que ele tentava ao máximo fazer as coisas sozinho, pois tentou ajudá-lo a tirar sua roupa e foi rejeitada, escutando um pedido para que não se aproximasse. deu de ombros e saiu do banheiro, voltando para o quarto do rapaz e sentou-se na cama.

- Desculpa. - ouviu ele dizer após entrar no local. - Fui grosso com você.

Ela o fitou, notando que agora ele tinha um conjunto de moletom no corpo, muito parecido com o dela.

- Você tá bêbado, . - deu de ombros, e ele sentou ao seu lado na cama.

O rapaz apenas assentiu, percebendo que estava muito cansado pra dizer qualquer coisa, deixou seu corpo cair no colchão confortável e fechou os olhos.
mordeu o lábio inferior, vendo que o amigo estava desajeitado na cama e usou toda a força que tinha para deixá-lo o mais confortável possível, o cobriu com o edredom e apagou a luz do quarto, saindo dali em seguida. Desceu para o andar inferior da casa e olhou em seu celular, suspirando ao ver que era quase quatro horas da manhã, agradeceu por ser final de semana e não ter aula, pois se tivesse, iria matar o amigo por fazê-la perder uma boa noite de sono.

- Que ótimo, agora estou com fome. - reclamou, entrando na cozinha.

não costumava ser a pessoa mais agradável quando estava com sono, e se tivesse com fome, era melhor evitar ficar perto dela, pois se tornava um ser bem insuportável. Ela fuçou na geladeira e na dispensa do amigo, fez um sanduíche de queijo para matar a fome que sentia, aproveitou para pegar uma garrafinha de água e levar para o quarto de , pois sabia que a dor de cabeça que ele sentiria no dia seguinte seria por desidratação. arrumou o que tinha bagunçado por ali e retornou ao andar superior, deixou a garrafa no criado-mudo e foi até o banheiro e encontrou uma cartela de analgésicos e o colocou ao lado da água. Enquanto comia o seu lanche, ela decidiu que ia dormir por ali, pois tinha medo de deixar o amigo sozinho nas condições em que ele se encontrava, mandou uma mensagem para os seus pais, explicando a situação para eles e depois fez o mesmo com o seu namorado, sabendo que esse não ficaria muito feliz com a situação, afinal, ele morria de ciúmes da amizade dela com .
se preparava para deitar na cama quando levantou bruscamente, tropeçando nos próprios pés e correu até o banheiro, ela se assustou e o seguiu com pressa. Ele estava ajoelhado na frente do vaso e jogava tudo para fora, ela fez uma careta e se aproximou com cuidado, passando as mãos nas costas dele, tentando lhe passar algum tipo de conforto. aguardou até que estivesse bem o suficiente para se levantar e ir até a pia, onde ele escovou os dentes e jogou água no rosto algumas vezes.

- Vem, vamos deitar. - serviu de apoio para ele, que andava cambaleante.
- Dorme comigo? - ele pediu num sussurro enquanto se deitava.
- Sim. - garantiu, o cobrindo novamente e viu um sorriso mínimo surgir nos lábios dele.

Andou até a porta do quarto e a fechou, em seguida apagou a luz e caminhou com cuidado e se deitou na cama. Ela sentiu o corpo de se aproximando do seu e sorriu brevemente, a intimidade entre eles era tão grande que não tinham problema algum em dormirem juntos. Isso quando estavam solteiros, o que era o caso do rapaz no momento, porém, não o dela, que estava em um relacionamento sério há quase seis meses. Mas sabia o quão importante era pra se sentir querido e amado naquela ocasião, então deixou que ele a puxasse para si enquanto envolvia os braços em sua cintura. E ela já tinha se esquecido como era bom àquilo, acabou adormecendo enquanto prestava atenção na respiração de , que batia levemente em seu pescoço.

O rapaz acordou sentindo como se sua cabeça fosse explodir a qualquer momento, abriu os olhos e notou a presença da sua amiga na cama, ela estava sentada e mexia em seu celular quando virou o rosto pra ele.

- . - sorriu brevemente e se esticou para pegar algo. - Remédio para dor de cabeça. - avisou, estendendo o comprimido pra ele.

Ele demorou alguns segundos para entender o que dizia e quando seu cérebro voltou a funcionar, ele pegou o remédio, enfiando na boca e dando um gole na garrafinha de água.

- Como você tá? - ela indagou, observando ele fechar os olhos.
- Moído. - riu fraco.

Sentiu a mão da amiga tocar em sua testa e depois descer por seu rosto, fazendo um carinho gostoso.

- Você vai sobreviver. - falou, divertida. - Vai ficar bem? Tenho que ir embora.

abriu os olhos imediatamente e fitou .

- Por quê?
- Adam está dando cria. - riu nasalado. - Ele sabe que eu dormi aqui. - explicou ao notar a confusão no rosto do amigo.
- Tão dramático. - rolou os olhos. - Como se a gente fosse fazer algo errado, eu sou seu amigo.

A mulher balançou a cabeça negativamente, ela sabia que detestava quando Adam tinha crises de ciúmes desse tipo.

- Como você se sentiria se sua namorada dormisse agarradinha com o melhor amigo dela? - ela arqueou as sobrancelhas.

odiava o ciúmes que o seu namorado tinha de , mas olhando do ponto de vista dele, conseguia entender melhor o que se passava na cabeça do rapaz.

- Não faz pergunta difícil. - ele respondeu, depois de pensar por um tempo na pergunta dele.
- Viu, só? - riu, se levantando.
- Não se vá, . - choramingou, se encolhendo na cama. - Levei um pé na bunda, estou triste e carente. Preciso de você. - pediu, fazendo a típica carinha do cachorrinho que caiu do caminhão de mudança.

Ela suspirou, queria ficar e dar todo o apoio que o rapaz precisava, mas também tinha que conversar direito com o seu namorado, não podia deixar as coisas como estavam.

- Volto mais tarde, pode ser? - deu a volta na cama, parando ao lado dele.
- Não tem outro jeito, né? - suspirou alto, dando ênfase ao seu drama.

negou e se inclinou, beijando o topo da cabeça do amigo, que fechou os olhos com essa atitude.

- Dorme mais um pouco. - sugeriu e ele assentiu.

Ela saiu do quarto e em seguida da casa de , no caminho até o seu carro, aproveitou para mandar um mensagem para Adam, avisando que estava indo para o apartamento dele. Não se surpreendeu quando rapaz visualizou a mensagem e não lhe respondeu, aquelas atitudes dele a tiravam do sério.

Uma semana tinha se passado e o rapaz continuava tratando com frieza, ela já estava a ponto de cometer um assassinato de tão brava que estava. Sabia que não tinha muita razão, mas achava que Adam estava exagerando e sendo especialmente dramático, e sua paciência para esse tipo de atitude estava se esgotando.

- Já cansei de dizer que não me sinto atraída pelo . - bufou, repetindo aquela frase pela décima vez.
- Ah, claro. E eu sou o papai Noel. - rolou os olhos.

O casal tinha acabado de voltar do cinema e discutiam, pois no caminho de volta para a casa dele, atendeu uma ligação de , chamando os dois para ir numa boate. Adam até se animou, mas quando ficou sabendo quem tinha os convidado, ele fechou a cara na hora, imediatamente negando o pedido.

- Você sabe que quando eu conheci o nós dois estávamos solteiros? E que nem nessa época rolou algo? - ela colocou as mãos na cintura, o observando sentar no sofá.
- , eu também tinha amigas quando comecei a te namorar, mas eu me afastei delas em respeito a você. - acusou, aumentando o tom de voz. - O mínimo que eu esperava, era o mesmo da sua parte.

A mulher franziu a testa, então era isso? Adam queria que ela e se afastassem?

- Eu nunca pedi por isso, Adam. - se defendeu, dando alguns passos na direção dele.
- Você ia aceitar outra mulher em minha vida? - arqueou as sobrancelhas.
- Se fosse sua amiga, é claro que sim, não sou esse tipo de namorada ciumenta e possessiva. - explicou e foi a vez dele franzir a testa.

Adam se levantou, parando na frente de , que deu dois passos pra trás.

- Você está insinuando que eu sou ciumento e possessivo?
- Não, estou afirmando mesmo. - deu de ombros.

O rapaz bufou, a fulminando com os olhos e passou por ela indo em direção à cozinha. Ela fechou os olhos, tentando buscar por algum tipo de ajuda interna, mas a situação estava tão complicada que não conseguia ver uma solução.

- Você precisa me ajudar, Adam. - sussurrou, chegando à cozinha.
- Eu? - ele se virou, fechando a porta da geladeira com força. - Você dorme com o e eu preciso te ajudar?
- Estou cansada desse assunto. - passou as mãos no rosto. - Achei que a gente tava bem, mas você se aproveita de qualquer oportunidade pra voltar nisso.
- Acha que é fácil esquecer algo assim? - a encarou.
- Do jeito que você fala, parece que eu te traí.
- Dormir com alguém é mais íntimo do que fazer sexo, .

A mulher olhou pro teto, não ia entrar nessa discussão novamente, já tinha esgotado todas as desculpas ou explicações que poderia lhe dar.

- Adam, vou embora. - se virou, andando até a sala e pegou sua bolsa que estava na mesa de centro.
- O quê? Não ia dormir aqui? - a seguiu.
- Eu realmente ia, mas agora não tem clima algum, vou pra casa. - explicou, pegando o celular.
- Casa de quem?

Ela ergue a cabeça, chocada com aquela insinuação dele, segurou a língua para não dar a resposta que ele merecia.

- O dia que você aprender a me respeitar, a gente volta a conversar. - disse, controlando sua raiva.
- Você que sabe. - ele deu de ombros, a observando se virar e sair de sua casa.

(…)


And yet you understand
Yeah like no one can


A faculdade estava acabando com , eram inúmeras matérias para estudar, diversas provas para fazer e ainda tinham os trabalhos que lhe davam notas extras. Tinha uma admiração imensa por quem estudava e trabalhava para pagar pela faculdade, jamais seria capaz de fazer tal coisa e sabia que era privilegiada por ter pais que podiam bancar por seus estudos.

- Filha. - escutou sua mãe a chamando. - está aqui. - avisou e ela franziu a testa, não tinha combinado nada com o rapaz.
- Mãe, pede pra ele subir? - pediu, andando até a porta do quarto e abrindo a mesma.

Ela voltou a sentar em sua cadeira e organizou a bagunça que estava em sua mesa, eram tantos papeis que quase se perdia neles.

- Fala, Einsten. - o rapaz adentrou no quarto. - Atrapalho? - perguntou, notando o que ela fazia.
- Você não quer a resposta sincera, quer? - riu fraco, se levantando e andou até ele.
- Melhor não. - deu um beijo em sua testa, em seguida a abraçando. - Mas é por isso mesmo que vim aqui. - sorriu, se afastando dela.
- Como assim? - franziu a testa.
- Te tirar um pouco dos livros, . - indicou a mesa dela com a cabeça. - Quando foi a última vez que você fez algo que não fosse estudar?
- Ah, , não posso. - suspirou, dando de ombros. - Tenho uma prova semana que vem e um trabalho para entregar.

O rapaz a fitou da cabeça aos pés, era visível o cansaço da amiga.

- Não aceito não como resposta, além do mais, você precisa espairecer. - a segurou pelos ombros. - Tira esse pijama que nós vamos sair. - praticamente ordenou.
- , eu… - ia protestar, mas ele colocou o dedo indicador na boca dela.

Ela rolou olhos e, finalmente, cedeu ao pedido dele, pois no fundo sabia que precisava de uma pausa, já estava começando a ver as letras dançando na sua frente.

Os dois caminhavam pelo parque tinha perto da casa dos pais de , ela estava com o braço enganchado em e até agora permaneciam em silêncio, apenas aproveitando a companhia um do outro e o som ambiente. Mas a calmaria foi interrompida com um toque vindo do celular de , que parou de andar e pegou o aparelho que estava no bolso de sua calça.

- Quem é? - o amigo perguntou curioso como sempre.
- Adam. - ela suspirou, lendo a mensagem dele.
- Ainda não se acertaram? - indagou, notando a feição dela.
- Nem sei se vamos. - guardou o celular. - Cansei de andar, vamos sentar?

Apontou para um banco que não estava muito longe deles, o rapaz assentiu e seguiram até lá.

- Quer conversar? - Ele perguntou assim que os dois se sentaram.
- Não sei, . - fechou os olhos brevemente. - Será que estou tão errada assim? O ciúme do Adam me sufoca, não sei o que fazer.

franziu a testa, começando a ter certa raiva do namorado de sua amiga.

- Se ele te faz tão mal, não seria melhor terminar? - sugeriu sem medo, sabia que tinha total liberdade para falar coisas do tipo.
- Talvez. - deu de ombros. - O foda é que eu penso que ele pode voltar a ser o cara legal de sempre, que até gostava de você. - riu fraco.

Ela não estava mentindo, logo quando começaram a namorar, Adam adorava e a presença dele, mas depois de um tempo ele começou a se incomodar com a proximidade do rapaz com .

- Acho difícil. - fez uma careta.
- Podemos mudar de assunto? - ela pediu, sentindo que a vontade de chorar estava voltando.
- Tudo bem. - assentiu. - Quero que você adivinhe algo.
- Adivinhar o quê? - arqueou as sobrancelhas.
- Uma tal ex pediu pra voltar comigo. - informou e ela arregalou os olhos.

quase riu, a ex namorada de era uma mulher extremamente indecisa e nunca teve muita certeza dos sentimentos dela pelo rapaz, então aquela era a segunda vez que ela terminava com ele e depois pedia pra voltar.

- Se você aceitou, te deserdo como amigo. - brincou, o empurrando levemente pelo ombro.
- Agora eu sou esperto, . - piscou pra ela. - Não é você que diz que eu preciso ter um pouco de amor próprio?
- Finalmente. - bateu palminhas, claramente zombando do amigo.
- Ela também precisa se decidir, né? Não dá pra ficar brincando com os seus sentimentos dessa forma, nunca vi. - balançou a cabeça negativamente.

assentiu, desejando que a amiga também fosse capaz de ver o quanto o relacionamento dela com Adam lhe prejudicava, ultimamente ela só sabia chorar por causa dele, isso não era certo e merecia alguém muito melhor que aquele cara.

- O papo tá ótimo, mas eu preciso voltar. - avisou e ele fez um bico adorável, que a fez rir.
- Pelo menos consegui te tirar de casa um pouco. - deu de ombros.
- Obrigada, . - agradeceu, o abraçando de lado.
- Estou sempre aqui por você. - a apertou contra si e depois cutucou a barriga dela, o que a fez soltar um gritinho, o fazendo gargalhar.

I'm amazed by the things that you would sacrifice
Just to be there for me


Era sexta-feira à noite e estava a caminho da casa de seu namorado, na manhã daquele dia tinha recebido uma ligação dele pedindo pra ir lá, pois ele queria resolver a situação dos dois de uma vez por todas. Mas o combinado era que ela iria no sábado, só que ela decidiu fazer uma surpresa e apareceu no dia anterior.
Agradeceu por já ter a chave da casa do rapaz e não precisar esperar por ele para entrar no local, não demorou muito até chegar na residência dele, entrou na casa e deixou suas coisas na sala.

- Adam? - chamou por ele.

A mulher que estava na cama cutucou o rapaz ao seu lado.

– Adam, acorda.
- O que é? – ele resmungou piscando os olhos e de repente arregalou os mesmos. – O que você ainda está fazendo aqui? Eu falei pra você ir embora. – disse, se levantando rapidamente.
- Peguei no sono. – sorriu culpada.
- Então vá logo.

Adam notou a preocupação estampada na cara da ruiva que estava em sua cama, e a frase que ela disse em seguida explicou o motivo.

- Acho que a sua namorada está aqui.

Então ele ouviu a voz de chamando por ele.

- O que vamos fazer? – ela dizia caçando suas roupas pelo chão.
- Não faço ideia. – passou as mãos pelos cabelos em sinal de desespero.

O rapaz suou frio quando ouviu passos no corredor e buscou em sua mente algo que pudesse lhe salvar da enrascada em que havia se metido, mas nada passava por sua cabeça. Saiu do quarto antes que a namorada entrasse e resolveu apostar na sorte.

- Caramba, Adam, que susto! – colocou a mão no peito ao ver o namorado.
- Oi. – falou visivelmente nervoso e a beijou. - O que está fazendo aqui? Não combinamos amanhã?

sorriu e franziu a testa ao mesmo tempo, primeiro pelo beijo e o segundo pelo barulho que veio do quarto.

- Você ouviu isso? – perguntou ao namorado que balançou a cabeça em sinal de negação.
- Não ouvi nada, até porque estamos sozinhos aqui. – tentou beijá-la de novo, mas ela desviou quando o barulho se fez presente outra vez.
- O que está acontecendo no quarto? – o fitou desconfiada e seu sexto sentido lhe dizia que havia algo errado ali.
- Certo. – ele suspirou e encolheu os ombros. – Eu preciso te contar algo.

Ela até ia esperar pela explicação dele, mas quando ouviu o barulho pela terceira vez, desistiu e o empurrou pro lado, invadindo o quarto em um rompante.
Paralisou quando viu uma mulher procurando por algo no chão, ela não usava blusa alguma, somente o sutiã.

- O que é isso? – gritou e sentiu Adam colocando a mão no seu ombro e se virou bruscamente na direção dele. – Você me... – ela não conseguia completar a frase, apertou as mãos com força e teve vontade de socar o homem à sua frente. – Seu desgraçado! – rosnou e sentiu algumas lágrimas descendo por suas bochechas e as limpou rapidamente.
- Eu posso explicar. – ele tentou iniciar alguma desculpa, mas foi interrompido quando a mão de estapeou seu rosto.
- Cala a boca. – ela berrou e ameaçou dar outro tapa no rosto dele, só que dessa vez ele conseguiu prever e segurou sua mão. – Me solta. – puxou rapidamente o braço de volta pra si.

se afastou dele e o encarou por longos segundos, ela estava incrédula, não queria acreditar que o homem que dizia lhe amar tinha feito sexo com outra mulher, ainda mais na mesma cama que eles já tinham se amado diversas vezes. Ela estava enojada com aquela situação, não conseguia raciocinar direito e gritou quando dois braços a seguraram pelos ombros.

- Me larga. - berrou e empurrou Adam com toda a força que tinha.

A única coisa que ela precisava fazer naquele momento era ir embora dali, aquele ambiente estava a deixando sufocada. Saiu na rua completamente transtornada e entrou no primeiro táxi que parou para ela, o motorista lhe perguntou o seu destino e ela passou o endereço do único lugar que ela gostaria de ir nesse momento.

Vinte minutos depois o taxista estacionou o carro em frente a casa de tijolos à vista, que era tão conhecida pela moça. pagou pela corrida e desceu do carro, já procurando pela chave da casa do amigo em sua bolsa transversal e ela se deu conta que estava realmente mal quando deixou a chave cair duas vezes no chão e teve muita dificuldade em destrancar a porta.

- ? - ouviu dizer assim que ela apareceu na sala.

O rapaz estava arrumado, vestia uma calça jeans de lavagem escura e uma camisa social.

- Você vai sair? - indagou num fio de voz.

Ele se aproximou da amiga e a preocupação tomou conta de si, de perto ele conseguia ver claramente que ela tinha chorado, notou que suas mãos e lábios tremiam.

- Você está bem?

não conseguia expressar o que estava sentindo dentro si, talvez estivesse tão chocada com o que descobrira que seus sentimentos deixaram de existir.

- O que aconteceu? – perguntou e então ela se jogou sobre ele o agarrando pelo pescoço com força, por pouco os dois não caíram, mas foi forte o suficiente pra se equilibrar e retribuiu o abraço dela, mesmo sem entender o que estava acontecendo.

No instante seguinte sentiu todo o carinho do amigo, ela deixou aquele sentimento que estava entalado dentro de si extravasar e chorou como se sua vida dependesse daquilo.

- Meu Deus, o que fizeram com você? – ele perguntou e sentiu o coração apertar ao sentir o corpo da mulher tremer contra o seu, ela soluçava alto quando ele a abraçou com mais força tentando confortá-la de alguma forma.

Passaram-se alguns minutos até conseguir se acalmar, mas para , pareciam horas infinitas e torturantes, era demais pra ele ver a amiga nesse estado. Ainda mais que não fazia ideia do que estava acontecendo ou o que tinham feito com ela, o rapaz não conseguia imaginar quem seria capaz de magoar dessa forma, que era um doce de pessoa e o melhor ser humano que ele conhecia.
Saiu de seus devaneios quando a ouviu fungar baixinho e desencostar a cabeça de seu pescoço.

- O que aconteceu? – ele acariciou o rosto, passando os polegares em suas bochechas e limpando suas lágrimas.
- Você vai sair? - repetiu a primeira pergunta que tinha feito quando chegou à casa dele.
- Não importa, meu anjo.

se afastou, reparando que ele estava todo arrumado e pronto para ir a algum lugar.

- Eu não quero te atrapalhar, me desculpa... eu vou embora e...
- Pare com isso. - ele deu dois passos e a puxou para si. - Não há nada nesse mundo que me faça sair por aquela porta. - apontou para a saída da casa.

Ela suspirou, sentindo-se mal pelo amigo que estava desistindo de seus planos por causa dela.

- Me diz, o que aconteceu? - ele voltou a perguntar, segurando o rosto dela em suas mãos.

fechou os olhos, mas se arrependeu no mesmo instante, pois a lembrança do que tinha visto mais cedo preencheu sua mente.

- Adam me traiu. - soltou de uma vez, e abriu os olhos.

a encarou, perplexo com o que tinha acabado de escutar.

- Cheguei na casa dele e tinha uma mulher na cama com ele. - a mulher mordeu o lábio inferior, tentando controlar o choro.
- Ele é um babaca. - rugiu, sentindo a raiva tomar conta de si.

Se tinha uma coisa que ele nunca entenderia, era como alguém seria capaz de trair a pessoa com quem você tem um compromisso. Se o relacionamento está tão ruim a ponto de você querer ir para cama com alguém, é melhor terminar tudo de uma vez do que magoar a pessoa que está com você. sabia o que era ser traído, o seu primeiro relacionamento terminou por causa disso, então tinha total consciência do que sua melhor amiga estava sentindo no momento.

- Ele ainda queria se explicar, como se transar com outra pessoa tivesse algum tipo de justificativa. - voltou a se aninhar no peito do amigo.
- O que você quer fazer? - perguntou, acariciando as costas dela.
- Esquecer que ele existe. - confessou.

deu alguns passos para trás, sentando-se no sofá e trazendo para o seu colo, era extremamente doloroso para ele ver como sua melhor amiga estava fragilizada, faria o que fosse necessário para que ela se sentisse melhor.

- Posso dormir aqui hoje? - ela perguntou baixinho.
- Claro. - beijou o topo da cabeça dela, estreitando o aperto que dava em sua cintura.

Ele perdeu a noção de quanto tempo ficaram naquela posição, mas percebeu que já fazia muitos minutos quando sentiu o corpo dela amolecer em seus braços, ela tinha adormecido. se levantou com cuidado e foi até o seu quarto, colocando em sua cama e depois a cobrindo com o edredom, fez um carinho em seu rosto e em seguida saiu do quarto. O rapaz voltou para sala e ligou para os pais de , contando brevemente o que tinha acontecido e avisando que ela dormiria na casa dele, o que não foi surpresa alguma para o casal, pois era praticamente da família.

- Que merda. - ele suspirou após a encerrar a ligação.

Tinha se dado conta das coincidências da vida, há algumas semanas esteve ao seu lado quando tomou um pé na bunda e agora ele estava cuidando dela porquê tinha sido traída. E outro pensamento passou por sua cabeça: que os dois não tinham muita sorte no amor.

(…)


We both know what they say about us
But they don't stand a chance because...


Um mês já tinha se passado desde a traição de Adam, e ele era página virada na vida de , que se recusou a conversar com o rapaz todas as vezes que ele tentou se aproximar, a mulher não via motivo algum para tentar qualquer coisa com o seu ex-namorado, ele tinha a traído, isso já era mais do que suficiente para ficar longe dele uma vez por todas.
e nem conversavam mais sobre os seus últimos relacionamentos, aquilo já era passado e nem desperdiçavam o seu tempo para falar sobre isso, eles queriam é aproveitar a vida de solteiro e era exatamente o que faziam no momento, estavam no show da banda preferida de ambos e cantavam, gritavam e dançavam em todas as músicas.

- So here I am... I'm trying, so here I am. Are you ready? - cantaram ao mesmo tempo, se encarando.
- Come on let me hold you, touch you, feel you… Always – continuaram em sua animação louca, pulando juntos.

A música não demorou a acabar e eles só sabiam rir, abraçou o amigo pelo pescoço e beijou a bochecha dele.

- Melhor noite da minha vida. - falou em seu ouvido.

se afastou um pouco e mordiscou a bochecha dela, que gritou em protesto e puxou os cabelos dele. Os dois tinham tanta intimidade que se permitiam esse tipo de brincadeira, muitas vezes até ultrapassavam alguns limites da amizade, só que nunca se importaram com isso, ainda mais agora que ambos estavam solteiros.
soltou um grito quando a última música do show foi anunciada, ela ficou na frente de e sentiu o rapaz lhe abraçando pela cintura, então colocou as mãos sobre as dele, em um carinho gostoso e eles balançavam o corpo no ritmo daquela melodia que tanto amavam, apenas curtindo cada segundo daquele momento tão especial.

Meia hora depois, estacionava o carro em frente a casa de e desceu do automóvel para abrir a porta pra ela, que sorriu com a gentileza do amigo.

- Muito obrigada pela noite. - o abraçou, sentindo as mãos dele rodearem o seu corpo.
- Obrigado pela companhia. - falou em seu ouvido.
- Você é o melhor amigo que eu poderia ter, . - se afastou lentamente e beijou seu rosto.
- Você sabe que o sentimento é recíproco, né? - ele sorriu e se inclinou, lhe dando um beijo de esquimó, que a fez sorrir.

Eles se encaram por alguns segundos, ambos com um sorriso bobo no rosto. Os dois sabiam como eram importantes um na vida do outro, não fazia diferença alguma quanto tempo passasse ou quantos obstáculos enfrentariam na vida, se estivessem juntos poderiam enfrentar tudo.

When I'm with you
I'm standing with an army




FIM




Nota da autora: Como assim eles não ficaram juntos? hahaha
Eu queria uma história sobre amizade e ainda acho que poderia ter sido melhor, mas na pressa foi o que consegui escrever, espero que tenham gostado.
E querem saber o que aconteceu com esses dois? Então corram pra ler a história 05. Around U desse mesmo ficstape, é a continuação de Army, espero que gostem.

Outra fanfic aqui no site:
- Coração de Ouro [Outros/Em Andamento]



Qualquer erro nessa fanfic e reclamações somente no e-mail.




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