Fanfic finalizada
Contador:

Capítulo Único


Boulder – Colorado – 2008
A música tocava alto e todo mundo estava dançando ou se agarrando. Exceto o nosso grupo. Pensamos que fazendo uma festa conseguiríamos nos despedir do de maneira feliz. Mas não tinha como, era muito triste. Para mim, mais ainda.
Todos nós nos conhecíamos a vida inteira, estudamos e crescemos juntos. Imaginávamos que também iriamos para a universidade juntos. Mas o destino tinha outros planos.
— Eu não consigo acreditar que você tá indo embora, cara – Chase disse, abraçando a Annie, sua namorada, que não parava de chorar. Brian e Rose só ficaram calados, com olhares tristes.
— Nem eu – fala – tudo culpa do filho da puta do meu pai. - ele completa.
... - falo, mas ele me interrompe.
— Não, , é isso mesmo que ele é: um filho da puta. Estragou nossa família, arruinou com a minha mãe e ainda vai me afastar de todos meus amigos! Eu o odeio. - ele fala, chutando algumas latas que estavam no chão.
A mãe do descobriu que o seu marido a estava traindo e pediu o divórcio. Agora estava se mudando para Flórida, para morar com a avó do .
E isso frustrou todos os planos do nosso grupo. Claro que ela estava sofrendo e queria sair da cidade em que todos sabiam que ela tinha sido traída, a parte ruim é que ela sair daqui, significa que o também iria e os planos do nosso grupo de nunca se separar, tinha ido por água abaixo.
Claro que tenho noção que em algum momento iríamos acabar seguindo caminhos diferentes, mas não imaginava que seria tão cedo.
Eu amo todos meus amigos. Mas o e eu temos algo diferente. Uma conexão de almas. No início pensei que me sentia assim por ele ser meu melhor amigo, mas desde que ele me beijou na festa da Rose há três meses, percebi que, na realidade, sou apaixonada por ele. E ao que tudo indica, ele também é por mim.
— Vamos dar uma volta, ? - fala comigo, me retirando dos devaneios.
— Claro! - Falo me levantando e o sigo.
A festa está sendo na casa do Brian, os pais dele viajaram. A casa dele é enorme, com um grande quintal com piscina, churrasqueira e uma casa de hóspede, e é em direção a ela que o está indo bem apressado, tenho que quase correr para acompanhar.
Chamo por ele, quando entramos na casa, ele vira para mim, com os olhos vermelhos, como se fizesse força para não chorar e me abraça. Eu o abraço de volta e quando dou por mim, estamos nos beijando.
Nos beijamos fortemente, passando para o beijo toda a saudade que sabemos que vamos sentir. Toda a ansiedade da paixão adolescente.
Nos beijamos por um tempo que parece horas, mas sei que foi só alguns minutos. Ao nos separarmos, o se deita em uma manta que tem no chão, o acaompanho e me aconchego nele.
— Eu vou sentir muito a sua falta. - digo – e tão injusto isso tá acontecendo conosco. - fungo, segurando as lágrimas.
— Eu sei, , eu sei. Mas não há nada que possa ser feito. A mãe do Chase disse que eu poderia ficar na casa deles até acabar o ano letivo, mas minha mãe não aceitou. Eu a entendo, sabe? Ela quer esquecer que essa cidade existe. - ele diz.
— Sim, eu sei. - falo – Mas você ainda vai estudar na Universidade do Colorado, certo? - ele assenti e eu continuou - Então todos nós vamos estar juntos novamente em breve. Não mais do que dois anos! E eu sei que vai ser como se nada tivesse mudado. - concluo.
— Sim! - Ele diz – Ainda seremos o melhor sexteto de todo Colorado. E você ainda será a minha . - fala, virando para ficar de frente a mim.
— E você também será o meu . - falo, olhando em seus olhos. Ele se aproxima e me beija.
Nos beijamos por bastante tempo e as coisas começam a esquentar. Sinto a mão do subindo a minha camisa, mas não peço para parar. Sei que ele pararia se eu pedisse, mas quero isso. Quero senti-lo o mais perto o possível, para guardar essa lembrança pelos próximos dois anos.
E assim foi.

2 meses depois
Já se passaram dois meses desde que o foi embora. Logo de início, foi difícil de adaptar, mas caímos em uma rotina. Conversamos cerca de três vezes na semana por telefone e sempre trocamos e-mail.
Hoje ele estaria me ligando a qualquer minuto e eu aguardava ansiosamente essa ligação. O telefone tocou e eu corri para atender.
— Olá! - digo.
Oi, ! Como estão as coisas? - fala.
— Estão ótimas. Todos morrendo de saudades sua, claro. Eu mais ainda. - falo, um pouco envergonhada. - E por ai? Mais algum amigo, Sr. Popular?
Muitos! É bem difícil a vida de uma pessoa carismática - ele ri. - E muitas meninas, também. Mas rejeito todas, sabe? Tem uma garota do Colorado que fisgou meu coração.
— HAHAHA! Você é muito engraçadinho, estou morr-
Não consigo terminar de falar, sinto o cheiro da sopa de peixe que minha mãe está fazendo e meu estômago embrulha.
...?
Escuto o perguntar enquanto corro com o telefone pra o banheiro, lá, levanto a tampa da privada e vomito.
, O QUE ACONTECEU?
— Oi, – volto a falar no telefone, ainda enjoada. - Acho que comi algo estragado no refeitório hoje, acabo de vomitar.
Eu sempre falei que a cozinheira cospe no teu prato, desde o dia que você perguntou de quanto tempo ela estava grávida - ele fala rindo.
— Ai, seu porco! - digo, também rindo. - Hey, , vou desligar, ok? Realmente não estou me sentindo bem.
Ok, ! Melhoras, tá? Qualquer coisa, me liga. Te amo.
— Também te amo.
Desligo o telefone e vou para o meu quarto. Vou para o banheiro, passar água em meu rosto e tomar algum remédio para o enjoo, abro o armário e não encontro a caixa de remédios, ao revirar um pouco, a encontro atrás dos pacotes de absorventes, mas antes de pegar o medicamento eu congelo. Estou com quatro pacotes de absorventes intactos. Corro para olhar o calendário e quando checo, sinto que posso desmaiar.
Corro novamente para pegar o telefone e disco o número da Rose.
— Amiga, preciso de ajuda.

XxxX


— Você tem certeza que entendeu como usar, né? Comprei de quatro marcas diferentes pra termos certeza. — Annie fala.
— Annie, tem certeza que ninguém viu? - Rose pergunta.
— CLaro, eu não sou boba! Fui em uma farmácia de um bairro diferente. E comprei a dinheiro, para minha mãe não perguntar o que foi. - ela diz.
Eu só consigo ficar calada e sentir vontade de chorar. Dependendo do resultado desses testes, toda a minha vida irá dar uma reviravolta.
Depois de escutar a Annie repetir pela centésima vez as instruções, vou para o banheiro e faço xixi em quatro potinhos diferentes, coloco a paletinha e chamo por minhas amigas.
Fico de olhos fechados, não querendo saber o resultado.
... - Escuto a Rose falar. E pelo tom da voz dela, sei o que aconteceu.
Abro os olhos e me deparo com paletas e em todas elas tem duas listras.
Abre um buraco embaixo de meus pés e eu começo a chorar.

Xxx


Já se passaram cinco dias desde que descobri que estou grávida. Só de pensar nisso, meu corpo todo se arrepia.
E simplesmente não sei o que fazer.
As meninas tentam me aconselhar na escola, mas eu sempre peço para me deixarem sozinha. Eu não quero ouvir ninguém além do , mas faz cinco dias que ele não atende minhas ligações.
Tenho que contar a ele, sei que ele vai pensar em algo para resolver essa situação, como não estou conseguindo por telefone, resolvo enviar um e-mail.

Oi, , tudo bem?
Aconteceu algo terrível. Não lembro se na noite da nossa despedida você usou camisinha. Mas se usou, acredito que ela estourou, pois estou grávida!
Desculpa jogar isso dessa forma, mas é que não sei como falar sem ser assim.
Preciso muito falar contigo e ouvir tua voz.
Acho que teu telefone tá com algum problema, então, assim que der, me responde por aqui mesmo!
Te amo.
Sua


Enviei o e-mail e aguardei.
Aguardei por 3 dias e nada de resposta. Seja por e-mail ou por ligação.
No sexto dia, finalmente, consegui uma resposta.
E senti pela segunda vez no mês um buraco abrir a meus pés.

Oi,
Se você está realmente grávida, como posso saber que eu sou o pai?
Afinal, eu me mudei há quase três meses. Não sei o que você andou fazendo nesse tempo.
Enfim, se decidir ter o seu filho, após ele nascer, posso fazer um teste de DNA e cumprir com minhas possíveis responsabilidades.
Antes disso, não me procure mais.


Chorei por uma noite inteira.
Chorei pelo que aconteceu na minha vida.
Chorei por ter achado que tinha um amor para a vida.
Mas ao acordar na manhã seguinte, resolvi não chorar mais.
Liguei para as minhas amigas e marcamos de nos encontrar. COntei o que aconteceu. Elas choraram e se iraram junto comigo. As fiz prometer nunca mencionar com ninguém que o era o pai e falei que iria conversar com minha mãe.
Criei uma coragem que nunca pensei que teria e falei com minha mãe.
A reação foi o que imaginava: ela gritou e chorou ao mesmo tempo. Disse que a decepcionei, mas depois me abraçou e falou que sempre estaria comigo.
Quando perguntou quem era o pai, contei o que o fez. Ela chorou novamente comigo e depois ligou para a operadora de telefone, pedindo para cancelar o nosso antigo número. Depois foi para o computador e cancelou minha conta de e-mail.
Disse que enquanto vivesse, jamais me magoaria novamente.
No intervalo de uma semana, ela arrumou tudo para irmos morar com sua irmã, no Kansas. Colocou nossa casa para alugar e partimos.
Deixei o telefone e endereço da minha tia com minhas amigas, com a condição de que nunca passasse o contato para o .
E vivemos lá por sete anos. Até minha mãe falecer, então decidi que já era hora de voltar para casa.

Boulder – Colorado – 2017
Estávamos na casa do Chase, era meados de agosto e estávamos em um dia quente, o que era perfeito para aquela piscina incrível deles.
O Peter brincava na piscina com o Luke, filho da prima da Rose. E estava tudo tranquilo enquanto discutíamos os detalhes do casamento do Chase e da Annie.
— Não sei como vocês conseguem fazer esses detalhes parecerem legais – disse o Brian, enquanto folheava o arquivo que fizemos com todos os detalhes.
— Porque é maravilhoso, Bry! Só não vê quem não quer! O Chase fica fingindo que não está nem ai, mas a Annie disse que a noite, quando ela comenta as coisas com ele, ele fica extremamente empolgado. - disse.
— Ah, , não acho que seja com os detalhes do casamento que ele fique empolgado, não. - A Rose disse, fazendo um gesto obsceno.
— Sua porca! - falei, rindo. - Chase, você tá bem? Parece um pouco tenso.
— Eu convidei o .
Ele soltou e todos ficamos em silêncio. Todos nós agíamos como se o não existisse. Ele não voltou para o Colorado, a não ser para visitas ocasionais, mas os meninos mantiveram contato com ele. Nos dois anos que voltei a morar em Boulder, ele não voltou a aparecer por aqui.
— O QUE VOCÊ DISSE? - O silêncio foi rompido pelo grito da Annie. - VOCÊ CONVIDOU AQUELE IDIOTA PARA O MEU CASAMENTO?
Nosso casamento, Annie. E sim, o convidei. Ele é meu amigo. Sei que ele foi escroto em duvidar de você, , mas ele falou que se fosse dele ele assumiria, não é? Você que optou por ele nunca saber. E sempre ele pergunta por você, mas você nos proibiu de sequer mencionar seu nome na frente dele.
— Proibi e ainda proibo, ok? Quanto ao casamento, é o seu casamento, Chase. Você tem o direito de convidar quem quiser.
— Desde que eu aceite também. Afinal, também é MEU casamento. - a Annie disse.
— Annie, vamos conversar lá dentro, por favor. Vem também, Rose. - me virei para piscina e falei com o Peter – Peter, a mamãe vai lá dentro conversar com as tias, ok? Se comporte. Chegando lá dentro falei com a Annie – Amiga, muito obrigada por me proteger, tá? Mas esse momento tinha que chegar e fico feliz que seja em um dia que estarei belíssíma. - falei, tentando brincar para amenizar a situação.
— Mas, amiga, o que ele fez com você foi horrível, ele não merece perdão.
— COncordo com a Annie, mas acho certo que esse encontro tem que acontecer. É algo que já devia ter acontecido. Só fico preocupada, , com o que vai acontecer quando ele ver o Peter, afinal, ele é a cara dele. - Rose falou.
— Bem, ele perdeu todo e qualquer direito com o meu filho quando enviou aquele e-mail. Consegui fazer minha vida sem ele. Consigo que meu filho tenha tudo de melhor sem ele. E a nossa vida está ótima sem ele.

XxxX

Estava atrasada para deixar o Peter na escola, esquecemos de colocar o despertador e o resultado foi uma correria só. Meu filho acabou tendo que tomar café no carro.
— Filho, cuidado para não derrubar o leite no banco! - falei – E ai, o que tem de legal na escola essa semana?
— Vai ter feira de profissão dos pais. Em que os papais vão e dizem o que fazem. - ele falou.
— E você esqueceu de me avisar? - perguntei sorrindo, enquanto estacionava em frente a escola.
— É só para os papais, mamãe. - ele disse. - Mamãe, por que eu não tenho papai?
— Ah, filho... - falei triste. E ao perceber que tinha me deixado triste ele emendou.
— Mas eu não ligo, mamãe. Prefiro uma super mamãe e uma super vovó do que um papai. - falou e depois desceu correndo do carro.
— Cuidado! - gritei.
Apesar de ter sorrido com a resposta dele, fiquei apreensiva.
Eu não falava do pai dele, pois, para mim, ele não existia. Mas o Peter precisava de uma resposta.
Balancei a cabeça e decidi pensar nisso depois.

XxxX


A semana passou correndo e chegou o fim de semana, e com ele o casamento do Chase e da Annie. E também a chegada do . Esse último é o que me deixava mais ansiosa.
Enquanto terminava de me arrumar para jantar de ensaio, tentava imaginar o que ia acontecer quando o encontrasse.
Se ele ia falar comigo como se nada tivesse acontecido ou se ia me ignorar. A perspectiva das duas situações me incomodava.
Ao terminar de me arrumar, dei um beijo no Peter e um tchau a Amber, que cuidaria dele essa noite, já que a Annie optou por não ter crianças no ensaio.
Peguei o carro e fui para o jantar, pensando em todas as respostas que daria ao .
Chegando lá, me esforcei para não o procurar, mas falhei. A cada passo que dava, olhava para o lado a procura dele. Me recriminei por isso e fui para a sala dos fundos, onde estavam as meninas.
Estava uma loucura na sala, todo mundo falando alto e rindo. Passar um tempinho ali me acalmou e tirou o um pouco da minha cabeça.
— Amiga! Tinha esquecido, comprei esse batom e pensei que ficaria perfeito com o teu vestido – Rose disse. Me passando um batom.
— Ah adorei! Inclusive, vou trocar agora. - Retirei o meu batom e comecei a passar o novo. Estava passando quando o cerimonialista chegou chamando - vão indo que eu já chego lá. - falei.
Terminei de passar o batom e já estava de saída quando alguém falou.
— Olá?
— Sim? - Me virei e congelei quando eu vi o dono da voz: . Fiquei o fitando, de olhos arregalados e tudo que tinha para dizer, nada saiu. Só sabia sentir: uma mistura de raiva e saudades.
? , é você? - Ele falou – Imaginei que ia te encontrar hoje aqui, mas não queria acreditar nisso, afinal, você sumiu nos últimos 9 anos.
Isso me despertou.
— Sumi só pra você, não é? Para os meus amigos sempre estive a uma ligação de distância. - falei e me virei, indo embora.
— Isso mesmo! Sumiu para mim e eu nunca entendi isso! Você me abandonou e cortou toda relação e contato comigo! Só descobri que você tinha se mudado por terceiros e ninguém tinha teu endereço ou telefone para me passar. Até o seu e-mil você trocou! - Ele disse, com o tom alterado.
— EU TE ABANDONEI? - ri debochada – Coitada do , gente. A mocinha aqui foi cruel e o abandonou. Você é uma piada! E isso que você fala para si mesmo? Para se justificar e não assumir o babaca escroto que é?
— Do que você tá falando, garota? Você some porque ficou puta porque fique uns dias sem ligar e eu que sou a piada? Cê jogou fora uma relação de anos por uma birra. A piada aqui é você. - disse de forma agressiva.
— Eu podia falar muitas coisas, mas quer saber? Vai se foder. Você sabe muito bem o motivo de toda minha raiva, mas se quer se fazer de otário, fique a vontade. Não vai ser preciso muito esforço.
Falando isso, me virei e fui embora da sala. Queria me jogar no chão e chorar, mas fui forte, pois hoje era o dia da minha amiga.
O ensaio ocorreu perfeitamente, com olhares tensos entre mim e o , mas nada preocupante. Assim que finalizou, dei uma desculpa e fui logo para casa. Queria chorar.
Ao estacionar em frente a minha casa, ouvi um carro parando e me virei, e claro que era o .
— O que você quer? - perguntei.
— O que eu quero? Quero entender o que foi de tão grave que fiz para você me odiar tanto? Eu senti tua falta todos os dias, até que a saudades se tornou raiva por você ter ido embora da minha vida. - disse.
, qual o seu problema? Só quero saber isso! Sempre pensei que ia gritar e te xingar horrores quando finalmente te confrontasse, mas eu só quero chorar, principalmente por você agir como se eu fosse louca! Não basta o que você fez comigo há 9 anos? Ainda quer me torturar mais?
— O que foi de tão grave que eu fiz, ? Eu não pude te ligar...
— Você me abandonou, . Me abandonou grávida aos 16 anos! Você me humilhou, você sabia que eu era virgem quando dormi contigo, mas me tratou como se eu fosse um lixo, no momento que mais precisei de você. - falei com os olhos fechados, as lágrimas escorrendo.
— Do que você tá falando, – ele perguntou com um tom confuso e segurou meu braço.
— NÃO ME TOCA! - gritei.
A luz da minha varanda acendeu e a Amber saiu, com o Peter atrás dela.
— Tudo bem, Sra. ? - Amber perguntou, com o telefone na mão.
— Tudo ótimo, querida, pode entrar que eu já tô indo. - falei, tentando sorrir.
O Peter correu e me agarrou.
— Mamãe, o que que há? - ele perguntou, com o rostinho preocupado.
— Mamãe? Você tem um fil- AH MEU DEUS. - falou, ao olhar o rosto do Peter.
O Peter é idêntico ao quando era criança. Não existia teste de DNA mais preciso.
— Não era o DNA que você queria? Então toma! - falei de forma debochada, levando o Peter para dentro, ele olhava para trás.
— Mamãe, quem é esse? - meu filho perguntou.
! Espera... - falou, se aproximando.
— SE AFASTA! Se afasta de mim e do meu filho. Não quero nada seu. Me esquece. - falei e entrei em minha casa. Deixando para trás um com olhar desesperado.

XxxX


foi embora naquela noite e não foi para o casamento. Ele fugiu, mais uma vez.
O Peter fez perguntas sobre o homem estranho, mas consegui desconversar. E voltei a normalidade da minha vida.
Estava na loja organizando umas prateleiras quando ouvi a porta abrir.
— Bom dia... - falei sorrindo, mas o sorriso morreu ao ver de quem se tratava. - Eu pedi para me deixar em paz.
, me escuta...
— Como você sabia onde eu trabalhava?
— O Brian contou. Que você abriu uma livraria na cidade. A sua cara isso.
— Ok, e o que você quer?
— Quero que você me escute.
— Depois vai me deixar em paz?
— SIm. - Ele disse.
— Então você tem 5 minutos. - falei de forma dura.
— Na outra noite, quando você falou que eu te abandonei grávida, foi a primeira vez que ouvi sobre isso. Ninguém nunca me disse que isso aconteceu, . Acredite em mim.
— Eu tentei falar com você durante dias, quando não consegui, te mandei um e-mail, . E você respondeu. Lembro com exatidão cada palavra, . Não tente me fazer de boba. - falei, me virando.
— Foi minha mãe que respondeu. - tornei a olhar para ele – Ela me disse. Essa semana fui a clínica em que ela está internada e contei o que você disse e que vi o menino. Ela chorou e disse que respondeu um e-mail seu. Disse que teve medo, que pensou que você queria me levar dela também. Ela tem depressão, , depois que deixou meu pai piorou. - falou. - Depois disso, eu não consegui contato com você, passei um tempo sem poder usar o telefone e computador porque andei brigando e quando voltei, você já tinha sumido. Ninguém me passava informações sobre você e eu não compreendia, agora entendo. Me perdoa, por favor. Eu devia ter tentado mais.
Tive dificuldade para processar o que o estava falando. Toda minha vida tinha sido moldada por uma mentira. Toda raiva e tristeza que senti, eram para a pessoa errada.
— Não justifica o que ela fez. Eu passei mal bocados, . Demorei anos para me recuperar emocionalmente falando. Se eu não tivesse minha mãe, não sei o que teria acontecido.
— Não justifica mesmo. Mas eu não posso mudar isso e nem posso me afastar dela no momento. Só peço uma chance para tentar reaver todo mal que ela causou. Me perdoa, por favor.
— Eu percebo que não tenho que te perdoar, afinal, você não fez nada. Mas tenho muita mágoa guardada e vai levar um tempo para conseguir organizar tudo aqui dentro. - falei, apontando para minha cabeça.
— Eu entendo e respeito isso. Mas quero ser um pai para o Peter, o Brian também me disse o nome dele, sei que você foi tudo que ele sempre precisou, eu só quero agregar mais ainda a isso. Se você permitir, é claro.
— Permito sim, mas vai ser aos poucos, ok? Irei te apresentar como um amigo e só depois contarei a ele. Você mora na Flórida e tudo isso é novo para você. O Peter é uma criança, não entenderia essa bagunça.
— Eu não vou desistir, ! Vou pedir transferência para a filial da empresa em Denver eu quero tá junto com e de você.
— Estou uma bagunça, , não estou disponível para um relacionamento. Se você quer uma relação com o Peter, podemos tentar construir isso, mas eu não vou no pacote.
— Ok, eu entendo, , mas eu também quero você. - as palavras me surpreenderam – E vou esperar o tempo que for necessário. Eu sempre te amei e nunca teve outra pessoa como você para mim. Quando você sentir pronta, eu estarei aqui, por você.

Assenti para ele e sorri.
A história deu uma reviravolta que eu nunca esperaria, mas foi um peso tirado. No fundo, nunca tinha conseguido associar aquela atitude ao meu , então tinha criado um mal em minha cabeça e atribuído a ele toda a maldade.
Reconstruir toda minha história com o não seria algo que aconteceria de uma hora para outra, mas se ele está disposto a esperar o tempo que fosse preciso, eu estou disposta a tentar.
É, isso mesmo, eu tentaria.




Fim!





comments powered by Disqus