Finalizada em: 17/06/2017




Capítulo Único


- Seja bem vinda, Reed!– aumentei meu sorriso assim que Howard Pearlman concluiu seu discurso de boas vindas para mim na frente de toda a equipe.
Esse era meu primeiro dia no set de filmagem do meu mais novo longa,Curtain Call. O filme contava a história de um universitário que tinha tudo para ser a nova estrela do baseball americano, mas descobria estar com câncer. De volta a sua cidade Natal para tratamento, reencontrava a irmã de seu melhor amigo, que havia falecido pouco antes deles se formarem no colegial. A irmã, no caso, era a minha personagem. - Melody Turner.
Eu estava empolgada com esse filme e roteiro como há muito não me sentia. Apesar dos meus 20 anos, esse não era meu primeiro filme ou trabalho diante das câmeras, já era uma veterana.
- Sra. Reed. – uma menina que provavelmente tinha minha idade, se aproximou – Sou a Poppy, serei sua assistente durante as filmagens. Prazer!
- Oi, Poppy. O prazer é meu, mas me chame de , ou apenas quando se sentir mais confortável, tudo bem?
- Pode deixar, eu estou muito feliz por essa oportunidade, sou uma grande fã do seu trabalho, obrigada por me escolher.
- Imagina, quando vi seu currículo sabia que tinha que ser você, eu tenho apenas uma regra, meus pais, eles também são meus empresários, mas adoram dar ordens as minhas assistentes sem que eu saiba, contanto que você os ignore e caso tenha algum problema venha até a mim primeiro, tenho certeza que nos daremos bem.
- Não se preocupe, espero que com o tempo você possa confiar em mim.
- Eu também.
Poppy era uma fofa. Era prática comum no mercado ter direito a uma assistente durante as filmagens. No dia a dia meus pais cuidavam da minha carreira, eu também tinha uma publicista e personal stylist para aparições públicas, e só. Não precisava, e nem gostava de ter uma equipe enorme me seguindo o dia todo.
Depois que Poppy me mostrou os estúdios onde as internas seriam feitas, ela me levou até o meu camarim e saiu para buscar alguma coisa para eu comer. Aproveitei para responder minha mãe que queria saber de tudo no WhatsApp e rever o figurino de minha personagem. Já tínhamos feito todas as provas, e eu não via a hora de começar a gravar.
Por algum motivo que eu não sabia muito bem, ainda não tinha conhecido o ator que faria meu par. Ele era nada mais, nada menos, que , um dos melhores (e mais bonitos) atores da atualidade. O cara era bom, minto, na verdade era excelente, e, saber que tinha sido escolhida dentre tantas opções para atuar em um drama ao seu lado, me deixava um pouco nervosa. Ele tinha sido descoberto há cinco anos, quando estrelou em um filme do Martin Scorsese e desde então era um dos atores mais requisitados pelos melhores diretores de Hollywood.
Eu nunca tinha tido um desafio tão grande quanto esse e tinha feito questão de me preparar para esse papel desde o momento em que recebi a ligação de Howard me oferecendo o papel.
Estava saindo do meu banheiro particular quando dei de cara com . Pessoalmente ele era ainda mais lindo, e muito mais alto também. Tive que olhar pra cima para poder encontrar seus olhos, que me fitavam impassíveis. Seu cabelo estava um pouco longo, fazendo com que a franja caísse sob seus olhos, aumentando ainda mais o estilo bad boy que ele fazia questão de manter.
- Ah, achei que estivesse vazio.
- Sem problemas. – sorri simpática, pronta para me apresentar.
- Hmm, você é nova aqui?
- Sim. – respondi um pouco confusa. Não queria me achar, mas era realmente muito raro alguém nunca ter ouvido falar de mim. – Sou a Reed, sua protagonista? Acredito que passaremos os próximos seis meses convivendo diariamente.
- Ah é, a tal sereia – quase cuspiu com desdém ao pronunciar a palavra, o que me deixou em choque. – Espero que não se esqueça que aqui, você precisa fazer muito mais do que ficar bem em um biquíni. - e dito isso me deu as costas, saindo do meu camarim.
Voltei para a minha cadeira ainda completamente chocada com sua reação, ouvira tantas coisas boas de , que nunca me passou pela cabeça que ele poderia ser difícil. Eu já tinha trabalhado com muitos atores complicados, Lea Michele havia sido uma delas. Durante toda a pré-produção do filme a vi me olhar torto, mas bastou duas semanas de filmagem e já éramos melhores amigas. Hoje mesmo tinha acordado com uma mensagem sua me desejando boa sorte. Christian Bale, apesar de toda sua fama me tratou super bem, mas ser assim era uma grande novidade para mim.
Eu estava acostumada a ser chamada de sereia, era um apelido que vinha comigo há sete anos, e que eu particularmente adorava. Por cinco temporadas fui Nixie, uma das três sereias do seriado Dream Island e, até hoje, muita gente quando me via na rua me chamava assim, principalmente as crianças. Nunca me incomodei, mas a forma que o pronunciou, me fez odiá-lo um pouco.
- Aqui está, . – Poppy entrou com minha salada e o suco de melancia que eu havia pedido. – Eu cruzei com agora no corredor e acho que esqueci de te avisar que ele estava usando esse banheiro antes de você chegar.
- Não tem problema, mas... Você sabe se ele não me queria aqui ou algo do tipo? Ele não pareceu particularmente feliz em me ver.
- Ah, bem, eu não sei muita coisa, mas ele é bem difícil, o Zack, assistente dele, está sempre andando estressado de um lado para o outro, e bem, são apenas rumores tá? Mas parece que ele estava interessado na Chantel Worf e queria ela no seu lugar, mas quando seu teste chegou, sabiam que tinha que ser você.
- Nossa, não sabia disso. Eu realmente demorei para ler esse script, por isso mandei o teste depois do prazo, mas não precisava ser um idiota, nem me conhece, espero que com o tempo ele perceba que sou sim capaz.
- Ah, com certeza, é que ele não deve ter visto o seu filme com a Lea, aquela cena em que vocês duas brigam no meio da estrada foi demais.
- Obrigada, Poppy, você pode chamar a figurinista e maquiagem? Eu estou pronta pra começar.

(...)


Nas primeiras semanas de gravação faríamos todas as cenas do passado dos personagens. Tanto eu quanto mudaríamos o visual quando as gravações terminassem para assumirmos nossos personagens nos tempos atuais. Eu tinha meu cabelo longo há tanto tempo, que não via a hora de fazer algo diferente.
A semana se passou tranquila para mim, as cenas em si iam muito bem, gravei com os atores que fariam meus pais e irmão, mas por algum motivo, estava sempre no set, mesmo quando não era necessário. Nas cenas que precisei gravar com ele, por serem pequenas e simples acabaram sendo rápidas, e em nenhuma delas estava sozinha. Nós fazíamos o nosso trabalho e quando Howie gritava corta, era o primeiro a querer ver como a cena tinha ficado.
A equipe sabia o quão importante era tê-lo no projeto, desde o início esteve envolvido em toda a produção do longa, e só por ter seu nome no cartaz era garantia de atrair multidões, fora que ele era o ator ideal para ser Josh Allen. Mas o que ninguém dizia quando ele estava perto, era o quão insuportável ele era. Tudo tinha que sair da sua forma, até parecia que ele era o diretor do longa, Howie parecia ter uma paciência extra com ele, mas muita gente saia de perto quando ele chegava. Zack só continuava em seu emprego, pois sabia o que ter esse trabalho em seu currículo poderia lhe trazer no futuro.
No final da terceira semana, finalmente gravaríamos as cenas mais importantes da primeira fase do filme. Eram externas e tínhamos passado todos os dias gravando na pequena cidade que seria o cenário da cidade fictícia do filme.
Estava em meu trailer, terminando de amarrar o tênis da minha personagem, quando entrou, sem nem ao menos bater na porta.
- Eu preciso falar a sós com a sereia. - disse olhando para Poppy, que me olhou preocupada. - Hoje ainda!
- Olha, , a Poppy não trabalha pra você, portanto eu espero que a trate com respeito, estando na minha frente ou não.Poppy, por favor, você busca pra mim o meu suco?
- Claro, volto em cinco minutos. – respondeu, saindo do meu trailer, mas ainda lançando seu melhor olhar raivoso para o meu co-star.
- Posso te ajudar? - perguntei curiosa, aquela seria a primeira vez que ele falava diretamente comigo em um mês.
- Você sabe o texto? - soltou do nada, enquanto olhava o que tinha dentro do meu trailer.
- Que tipo de pergunta é essa? Sei que você deve achar que não há ninguém no mundo capaz de ser tão bom ator quanto você, mas eu estou nesse ramo há 16 anos, eu sei o que estou fazendo.
- Hm, então você me acha bom ator? - seu olhar esnobe me fez querer ignorá-lo, mas não responderia grosseria com grosseria.
- Acho sim, não sou cega e sei apreciar a sétima arte. – respondi dando de ombros, mas assim que levantei meu olhar ele me encarava surpreso. – Eu sei o texto ok? Já pode ir latir suas ordens pro coitado do Zack.
- Sereia, eu honestamente não sei porque te escolheram para esse papel, mas... – pareceu se segurar com seja lá o que fosse falar. - Só não estrague tudo, não tenho o dia inteiro para te esperar me acompanhar. Se não estiver preparada, ainda é tempo de escolher uma nova atriz, nem que o custos tenham que sair do meu bolso.
- M...o quê?! - antes que eu pudesse lhe responder, o maldito já tinha saído do trailer.
Que atorzinho mais escroto, eu estava muito irritada, mas se ele pensou que com esse showzinho fosse conseguir me desestabilizar, estava muito enganado. Ele não sabia o que era gravar com mais duas meninas na TPM todos os meses, por cinco anos. Posso não ter feito as melhores cenas de drama durante o seriado, mas nunca deixei de estudar minha profissão e estava muito mais do que preparada para fazer meu trabalho.
Todo o set estava a postos, a cena era carregada emocionalmente, e podia ver nos olhos de que ele tinha certeza que eu ia falhar. Decidi que não deixaria seu sorrisinho vencedor no rosto me abater.
Melody, minha personagem, fugia do enterro do irmão, e, Josh, o personagem de ia atrás dela. Eu estava sentada com as costas em um túmulo qualquer e meus cabelos escondiam meu rosto:
- Sou eu, Mel. Josh. – ouvi falar por minhas costas e suspirei fundo, antes de deixar mais lágrimas caírem por meu rosto.
- Não me toca, Josh. Oliver está morto e a culpa é toda sua. – gritei o mais alto que pude e finalmente encarei , que estava com uma expressão assustada no rosto. – Se ele não tivesse saído escondido com vocêpara ir naquela maldita festa, ele estaria vivo. Eu nunca mais quero olhar na sua cara. – o empurrei com força conforme pedia o script e me levantei, pronta para sair correndo.
- Mel, por favor. – Josh segurou um de meus braços, e com a outra mão fez um carinho em meu rosto, limpando algumas lágrimas. - Você precisa me deixar explicar, você é tudo o que me restou nessa cidade, por favor, não me odeie.
Após a fala, nossos personagens se abraçariam e eu devia chorar de soluçar em seus ombros até ouvir um "corta". Para mim era fácil chorar dessa forma, eu tinha um irmão que amava, mas que me odiava, e a cada vez que pensava nele, o nó em minha garganta já começava a se formar.
Estava tudo indo bem, eu conseguia manter minha concentração intacta, mas ao mesmo tempo o perfume de estava tomando conta de mim, me fazendo apertar o meu abraço em volta dele e meu rosto ficar ainda mais próximo de seu pescoço. Poderia jurar ter sentido seu corpo estremecer.
O carinho que uma de suas mãos faziam em meu cabelo, só não era melhor que a sua outra mão em minha cintura apertando de leve meu corpo, e me trazendo ainda mais para perto dele, me causando sensações estranhas. Estranhamente boas.
- Você está bem? - ouvi sussurrar em meu ouvido, mas o ignorei, pois o diretor ainda não tinha encerrado a cena.

- Corta! - Howie finalmente falou e me soltei do abraço dele.
Me virei para o diretor e equipe quando todos começaram a aplaudir e abri um sorriso largo, fazendo uma referência de brincadeira. Olhei para o lado, e tinha um sorrisinho no rosto, mas encarava o chão:
- E aí, acha que consegui acompanhar? – imitei a cara que ele tinha feito ao falar comigo e lhe dei as costas, indo até o diretor para ver como tinha ficado a cena.
- Eu nem sei o que dizer, , se no seu teste essa cena estava impecável, agora com ao seu lado, tenho certeza que fiz a escolha certa. Vocês dois são brilhantes juntos, não vejo a hora de gravarmos a próxima fase.
- Você acha mesmo? – perguntei fazendo uma careta, mas ao mesmo tempo concordando, a cena que tínhamos acabado de fazer passava na pequena tela ao lado do diretor, e realmente, eu e o atorzinho parecíamos ter bastante cumplicidade.
- Todo mundo aqui acha, quem diria que encontraria minha estrela em uma das sereias de Dream Island.
- Howie, você assistia? – perguntei surpresa.
- Sou pai de adolescentes, nem se eu não quisesse não tinha como nunca ter ouvido falar de você. E você , assistia Dream Island? – Howie perguntou, e só então notei que o encosto estava atrás de mim, assistindo a cena.
- Nunca perdi meu tempo. – disse, dando de ombros. – Mas de qualquer forma, preferia a Sirena, por razões óbvias. – respondeu sarcástico ao imitar os atributos físicos da Zoey, atriz que fazia a personagem e tinha uma comissão de frente bem mais avançada que sua idade.
- Idiota. – sussurrei para mim mesma, mas o diretor me ouviu e começou a rir muito alto.
- O que disse? – me perguntou, desconfiado.
- Que precisamos voltar a gravar, não tenho o dia inteiro pra te esperar aprovar se o seu cabelo ficou bom nessa luz.

Muita gente acha que gravar uma cena é fácil, apenas o diálogo sendo passado entre duas pessoas atuando, mas dependendo da cena, como essa que tínhamos acabado de filmar, era necessário gravar diversas vezes, primeiro as minhas reações, depois as de , e caso algo não ficasse 100% da forma que o diretor queria, repetiríamos a cena quantas vezes fossem necessárias.
Passamos o resto da manhã gravando e não havia feito uma reclamação sequer, até seu sorrisinho tinha sumido. Ao final do dia estava exausta, só queria minha cama e dormir por horas. Tinha chorado por toda uma vida.
Apesar de termos nossos trailers, estávamos hospedados em um pequeno hotel da cidade de Malcolm, cidade cenário do filme. Tranquei meu camarim e fui em direção a van da equipe para voltarmos para o hotel, mas fui surpreendida por Zack:
- , desculpa te incomodar, mas, está indo pro hotel?
- Estou sim, precisa de alguma coisa? – perguntei preocupada ao notá-lo bastante nervoso.
- Nossa, por que não me candidatei pra trabalhar com você? – disse num desabafo, e percebi que não esperava nenhuma resposta. – Olha, eu sei que sou um mero assistente, e você é uma das atrizes mais famosas do mundo, mas me pediu para que fizesse o que fosse necessário para você aceitar uma carona no carro dele, ou eu seria demitido. Tenho até vergonha de falar desse jeito com você, mas acordei as 5 da manhã hoje, e estou acabado, só quero dormir.
- Tudo bem Zack, obrigada por ser sincero comigo. Acho que posso aturá-lo por alguns minutos se isso vai te ajudar a manter seu emprego.
- Obrigado, sereia. Você é a melhor, te vejo amanhã, boa noite.
- Boa noite, Zack!
Caminhei em direção a saída e avisei o pessoal que iria com . Todos me olharam como se eu estivesse louca, mas apenas dei de ombros. O carro dele estava um pouco mais afastado do resto da equipe, e quando me aproximei a porta do carona abriu:
- O que você quer? - perguntei logo de cara, sem entrar no carro.
- Entra! – foi a única coisa que ele disse, ainda olhando para frente, e quando vi que ele não ia abrir a boca antes que eu tivesse com a bunda no assento, acabei cedendo.
- Feliz? - perguntei emburrada, colocando o cinto de segurança.
- Muito. – ele abriu um sorriso sedutor, antes de dar partida no carro.
- Por que você dirige aqui? - perguntei depois de um tempo em silêncio.
- Não tenho sete carros para deixá-los parados na garagem. – respondeu grosso, revirando os olhos.
- Você veio de carro até aqui? - perguntei surpresa, pois foram quase quatro horas de Los Angeles até Malcolm.
- Não estamos aqui para falar da minha vida, sereia.
- Aff! – bufei estressada. – Eu estou acabada, . Chorei a manhã toda no seu ombro, e ainda tivemos que completar a cena toda do enterro, não podemos ficar aqui em silêncio até o hotel?
- Nós não estamos indo pro hotel.
- O quê?!
- Relaxa, sereia, não vou te sequestrar, não precisa ficar nervosinha.
- Não estou nervosa. – disse, mesmo sendo óbvio que estava sim, bastante nervosa. – Você precisa mesmo estragar um apelido que tenho tanto carinho, e carrego comigo há anos?
- Você gosta?! – me perguntou, visivelmente curioso. – Achei que odiasse ser relembrada de uma das piores séries da história.
- Não era ruim. – disse ainda mais ofendida, se isso fosse possível. – Foi um dos seriados mais vistos em todo o mundo, a temporada final bateu todos os recordes de audiência pro horário.
- Pff! – fez um som de deboche com a boca. – Tudo porque vocês finalmente escaparam da grande e medonha Coralia.
- Então você assistia? – abri um sorriso vencedor e fez uma cara de quem tinha falado demais.
- Ló... lógico que não, tenho um irmão mais novo.
- Sei. – respondi levemente mais animada por tê-lo visto perder a pose. – Aonde estamos indo?
- Na verdade, já chegamos. – respondeu, puxando o freio de mão e eu encarei o nada.
saiu do carro, e confesso que estava com um pouco de medo. O local estava completamente escuro, não parecia ter nada a minha volta. Logo, minha porta se abriu:
- ... – pedi, ainda de dentro do carro. – Não é melhor voltarmos, eu...
- É seguro, estamos numa cidade que não deve ter mais de 500 habitantes. – disse, me dando a mão para que eu saísse do carro com mais facilidade. - Ei, está tudo bem, vem aqui... – disse de seu jeito curto e grosso, me guiando para a frente do carro.
- O que é esse lugar? – perguntei, esperando que meus olhos se acostumassem com o escuro e pude ver um lago a minha frente.
- É o reservatório da cidade. – me respondeu dando de ombros e colocou as mãos no bolso. Eu ri sozinha, ele não tinha como ter ficado mais sexy, nem se estivesse tentando.
- Como você achou esse lugar?
- Eu fiz parte da pré-produção, aqui que foram as cenas da festa que o Josh e o Oliver foram.
- Hm, qua... - tentei perguntar, mas me interrompeu.
- Por que você decidiu virar atriz? - o encarei, estranhando a súbita mudança de assunto, mas ele ainda continuava olhando para o lago a minha frente.
- Bom, eu meio que cai de paraquedas nesse meio, um amigo do meu pai era publicitário e precisava de uma garota com meus traços para uma propaganda de dia das mães. Eu ainda estava aprendendo a falar, e não tinha ideia do que estava acontecendo, acabou que falei tanta coisa engraçadinha aos olhos dos produtores, que eles tiraram o texto que tinham criado e usaram minhas próprias falas, a partir dai foi acontecendo.
- Quantos anos você tinha?
- Quatro, por quê?
- Hmm, entendi. – novamente havia me ignorado.
- Aonde você está tentando chegar, ? Eu estou muito cansada, não sei você, mas o dia hoje foi bem pesado, estou lutando para me manter acordada.
- Você me surpreendeu, foi bem melhor do que eu imaginava. – seus olhos me fitaram semicerrados. - Mas você não ama atuar, você apenas atua bem. – concluiu, virando seu corpo na minha direção.
- Como assim? - senti um peso bastante conhecido preencher meu peito. – Eu sei que você não gosta de mim e que queria a Chantel como sua protagonista m...
- Quem te disse isso? A Chantel jamais teve chances, ela é gostosa, mas não é atriz, eu jamais colocaria em jogo esse filme por conta de alguém que eu quero comer, alias, já comi... duas vezes.
- Eu vou embora. – disse, já sem paciência alguma, lhe dando as costas. - Não vou perder meu precioso tempo ouvindo quem você comeu ou deixou de comer.
- . – ouvir meu nome fez com que eu parasse de andar e o fitasse. Era a primeira vez que usava o meu nome. – Quando contracenamos hoje, você conseguiu ver a paixão que eu tenho por esse personagem?
- Claro que consegui, você é um excelente ator, não sou idiota igual você, sei elogiar alguém, mesmo que não seja recíproco.
- Eu não disse que você é ruim, você é boa, aliás muito boa, só que você não ama atuar, só isso. Esse filme é importante para mim, muito! – o garoto a minha frente fechou os olhos e suspirou fundo. – Por favor, não o estrague.
- Por que você acha que eu não amo atuar? Não acha que se eu odiasse, não teria perdido toda a minha adolescência me privando de um monte de coisa para ser atriz? Esse filme...eu nunca estive tão empolgada com um roteiro quanto esse, quando assinei o contrato, contratei o Hugo Syers pra me ajudar.
- O Hugo? Por quê?
- Meus pais acharam que me ajudaria a desenvolver melhor a técnica Meisner.
- Hm. – não respondeu minha pergunta, mas apenas o observando, podia ver que tinha um milhão de pensamentos rondando sua cabeça. – Seus pais trabalham pra você?
- Sim, são meus empresários, e meu pai também cuida da parte financeira.
- Hm. – ele se repetiu e eu apenas rolei os olhos, irritada. – Vem, vamos embora, você precisa descansar.
- Meu Deus, como alguém consegue conviver com você? Te fiz uma pergunta, sabia?
- Amanhã,sereia. Amanhã a gente continua essa conversa, agora estou com fome.
Como não fazia a mínima ideia de onde estávamos e como sair dali, não pude fazer nada a não ser entrar no carro de novamente. Ele rodou a cidade inteira atrás de alguma coisa para comer e eu já estava considerando chamar a polícia e acusá-lo de sequestro.
- Quer? - me ofereceu algumas batatas fritas, quando voltou pro carro.
- Jamais, está bem tarde pra comer, ainda mais fritura. – falei, mas o cheiro que saiam daquelas malditas estavam me fazendo salivar.
- Você está falando sério, sereia?
- Grrr, para de me chamar assim, ok? Meu nome é , e sim estou, como acha que mantive meu corpo dentro daqueles biquínis? Não foi comendo McDonald's, tacos e donuts.
- Quanto mais eu ouço, mais as coisas começam a fazer sentido.
- Olha só, . - disse seu nome da mesma forma que ele dizia meu apelido. – Ou você se explica, ou liga o rádio, porque eu já cansei de ser insultada por você e ouvir essa sua voz prepot...
ligou o rádio bem alto, me assustando, e pra melhorar meu humor soltou uma gargalhada alta quando viu minha cara de indignada. Estava tão exausta, que decidi ignorá-lo, me ajeitando no banco de forma a encarar a janela. Em algum ponto dormi, pois acordei com ele me tirando do carro.
- O que você está fazendo? - me desvencilhei de seus braços e levantei, ainda confusa.
- Você não queria acordar, queria que eu fizesse o quê? Te largasse aqui dentro do carro?
- De você, esperaria isso sim. – confessei batendo a porta do carro com força e saí pisando duro, mesmo sabendo que ele me seguia.
- Boa noite, sereia. - o encosto me disse quando cheguei em meu quarto, que ficava no corredor oposto ao seu.
- Não precisava ter vindo até aqui, essa cidade só tem 500 habitantes, lembra?
- Depois não pode falar que não fui um cavalheiro. Vai dormir, você está com olheiras enormes.
- Me erra, . Boa noite. - resmunguei fechando a porta.
- Pode me chamar de , sereia – o ouvi falar, rindo do outro lado.

(...)


Na noite anterior estava tão cansada, que acabei apenas tomando um banho rápido e cai na cama, sem nem ter tempo de pensar em tudo que tinha acontecido. As palavras de ficavam passando em repeat dentro da minha cabeça. O que ele quis dizer com "quanto mais eu ouço, mais as coisas começam a fazer sentido"?
Ouvi uma batida na porta e me levantei. Poppy deveria ter esquecido a chave extra do meu quarto.
- Er...bom dia, Srta. Reed. O Sr. me pediu que lhe trouxesse isso.
- Por favor. – acenei para que o funcionário do hotel entrasse e colocasse a bandeja que carregava na mesa que ficava na sala.
O funcionário se tremia todo e dei uma risadinha. As vezes me esquecia que para as pessoas eu era uma pessoa inalcançável, e ver suas reações era bastante divertido.
Quando ele fechou a porta, abri o prato a minha frente e me deparei com panquecas recheadas com frutas vermelhas e mel num potinho a parte. Ao lado do prato tinha um pequeno vaso com lavandas e um bilhete.

Carboidratos não são nossos inimigos. Coma!
. x


Fechei os olhos, tentando decidir se deveria ou não comer as benditas panquecas, mas a única imagem que vinha na minha mente, era a da minha mãe me dizendo para não comer.
Normalmente, meus pais estariam acompanhando as gravações, mas eles tinham tirado dois meses para ficar na Flórida com meu irmão, Henry. Ele tinha 22 anos e cursava faculdade de administração por lá.
Desde pequena viajava o tempo todo para que pudesse fazer testes. Quando consegui o papel de Nixie acabamos morando na Florida por três anos seguidos, mas os produtores da série tiveram alguns problemas e acabamos tendo que nos mudar para o Hawaii por dois anos, e meu irmão que antes amava ter uma irmã famosa, jogou na minha cara como eu tinha acabado com sua infância e adolescência, e de quebra roubado nossos pais dele. Se ao menos ele soubesse como era viver com minha mãe.
Depois de muita discussão, ele foi morar com nossos vizinhos, pais de seu melhor amigo, Noel, mas se recusava a falar comigo mesmo sabendo que sua faculdade era paga com meu salário. Isso já fazia quatro anos e por mais que tivesse feito de tudo para me reparar com ele, desisti de tentar sozinha.
Meus pais estariam de volta na semana que vem, e se eu engordasse um quilo sequer, sabia que teria que ouvir o mês todo minha mãe falando em minha orelha. Decidi dar apenas duas mordidas nas panquecas, comi algumas frutas e fui me preparar para voltar pro set.
Aquele era o nosso último dia gravando cenas extras. tinha terminado logo na hora do almoço e ido embora. Eu fiquei o resto do dia finalizando algumas cenas sozinha. Poppy já tinha organizado para que um motorista me buscasse no dia seguinte pela manhã.
Entrei em meu quarto e tive um micro ataque cardíaco ao ver jogado no pequeno sofá que tinha em meu quarto, assistindo TV sem camisa.
- O que você está fazendo aqui?! - perguntei com a mão no peito e minha voz levemente alterada.
- Que demora, sereia, não achei que fosse ter que esperar tanto.
- Demora pra quê? Não combinamos nada.
- Por que você não comeu as panquecas? - apesar de estar extremamente irritada com o fato dele nunca responder minhas perguntas, a última havia me deixado sem resposta, encarei a bandeja ainda ali no quarto, e me arrependi de ter deixado o “do not disturb” na porta.
- Eu...não faz parte da minha dieta, achei por mel....
- . – me chamou pelo nome, e eu já estava me acostumado que sempre que ele me chamava assim era porque vinha algo sério. - Ser atriz não é sinônimo de escravidão, você precisa relaxar, se divertir, comer o que quiser, tudo isso afeta seu trabalho.
- Mas você já acha que sou ruim, que diferença faz pra você o que eu como? – respondi amarga, dando de ombros seguindo para o quarto.
- Touché - respondeu, fazendo um gesto exagerado e logo tratou de me seguir quarto a dentro, me fazendo respirar fundo.
- , ontem eu estava cansada demais para discutir com você, mas hoje eu não vou abrir a boca se você não começar a responder minhas perguntas.
- Sou todo ouvidos, sereia.
- Bom, já que você me fez esperar todo esse tempo pra conversar, acho que pode me esperar mais um pouco para eu tomar um banho. – mostrei a língua, indo para o banheiro. - Já volto!
parecia ter tirado os últimos dois dias para encher meu saco, mas ver ele sem camisa, há poucos metros de mim, tinha feito todo o cansaço e semi ódio que vinha cultivando por ele desaparecer um pouco. Ele não era o cara mais malhado do planeta, mas seu corpo era definido e as tatuagens...ah eu era completamente apaixonada por elas. Quando soube que ele seria meu co-star, decidi aprender tudo que tinha para saber sobre ele. Assisti a todos os seus filmes e me vi passando mais tempo do que gostaria no Google olhando fotos de seu torso. Não que eu jamais fosse admitir, mas acho que saberia dizer de cor aonde estavam algumas, de suas muitas tatuagens.
Ele era lindo por completo, o corpo era um complemento perfeito para um rosto ainda mais perfeito. Seus olhos pareciam ser de outro mundo, e quando te encaravam sem piscar, da forma que ele fazia quando estávamos gravando eu acabava me esquecendo que aquilo era só ficção e secretamente ansiava pelas diversas cenas em que nos beijaríamos. Aquela boca havia sido feita para ser beijada.
Acho que o fato de meu último namoro ter terminado há quase um ano, e ter um homem gostoso semi nu me esperando do outro lado da porta fez com que eu pensasse besteiras demais. Fechei o chuveiro rindo sozinha, e comecei a me secar ainda sem acreditar que teria que lidar com antes de dormir.
Sai do banheiro com uma toalha enrolada no cabelo e fui até a penteadeira que havia pedido para o hotel colocar em meu quarto e me sentei de costas para ele:
- Por que você acha que eu não gosto de atuar? – perguntei direta, mas fui ignorada. – Você disse que ia me responder. – cobrei cansada e quando me virei para ele, seus olhos desviaram dos meus, como se tivesse sido pego no flagra.
- Eu não disse isso. – respondeu depois de mais um longo silêncio. – Eu até acho que você goste, mas não tem paixão, amor pela arte, seus olhos não brilham quando estamos contracenando.
- Talvez seja porque nós não nos damos bem? – respondi sarcástica - Pelo menos o Howiee o Bryce acham que temos bastante química, e a opinião deles é a que me importa.
- Oh nós temos bastante química sim, sereia. – pelo espelho vi meu protagonista se levantar e o observei se aproximar de mim. – Mas falta alguma coisa, e eu estava tentando descobrir o que era.
- E agora você já sabe? – me virei para encará-lo, mas por estar sentada, a primeira coisa que vi foi o quão baixa sua calça de moletom estava e a única coisa que me vinha a cabeça, era em como eu queria tocar a tatuagem que ficava logo ali. fez um barulho com a boca que acabou chamando minha atenção, quando levantei meu olhar ele parecia estar me despindo com os olhos.
- Sei, vira! – pediu do seu jeito mandão, que depois de três semanas já tinha aprendido a lidar. Só entendi o que ele queria quando pegou a escova de cabelo da minha mão e começou a passar com cuidado no meu cabelo.
- Você tá penteando meu cabelo? – sei que estava perguntando o óbvio, mas estava chocada demais para acreditar
- Eu gosto dele, você vai cortar, não? – deu de ombros e continuou o penteando sem nem me olhar.
- Vou sim, quando voltarmos pra LA. Você também né?
- Vou.
- Você tá bem?
- Por que está me perguntando isso? - através do espelho nos encaramos por longos segundos.
- Sei lá, tava programado pra você ir embora hoje ao meio dia, e são duas da manhã e você ainda está aqui... no meu quarto.
- Eu não queria voltar dirigindo sozinho, achei que você podia querer me acompanhar?
- Mas eu já pedi pro motorista vir me buscar, ele chega às 10.
- Eu cancelei! – seu sorrisinho culpado me impediu de ficar ainda mais brava com ele, – O que você acha? Eu nem tenho sido assim tão insuportável.
- Então você sabe que tava sendo um?
- Esse filme é importante pra mim, e eu não queria você protagonizando comigo, queria alguém mais conhecido, mas Howie tinha o poder de decisão final e não pude fazer nada.
- Alguém que fosse levado mais a sério pelos críticos você quis dizer, né? - perguntei um pouco chateada. - Você pode até não ter visto Dream Island, mas não pode dizer que não sou conhecida.
- Isso. – deu uma risada divertida, balançando a cabeça de um lado pro outro. – Você é muito divertida, sereia. Sim, alguém que as pessoas levem mais a sério do que você, desculpa, não quero que fique brava comigo, só estou sendo sincero.
- Eu sei. – dei de ombros, mas era óbvio que aquilo era algo que me incomodava muito. – Mesmo depois dos meus últimos dois filmes, ainda faço mais testes do que ganho papéis.
- Depois dessa semana...olha, você tem talento, só precisa de uns...ajustes. Acho que finalmente vi o que o Howard viu em você.
- Como assim?
- Quando chegou seu teste, atrasado por sinal, eu não quis ver, eu já tinha minha protagonista favorita, mas na tela a gente não tinha química alguma e a produção não estava contente. Por isso o Howie e Bryce viram seu teste, sem que eu soubesse, e antes da atriz que eu queria assinar o contrato, eles a cortaram.
- Meu Deus eu não sabia de nada disso! Essa atriz deve me odiar!
- O que importa é que somos perfeitos na tela e acho que podemos ser ainda mais. Você seca antes de dormir?
- Sim. – respondi tendo total noção que nossas conversas pareciam de louco, começavam com um assunto e várias conversas depois, ainda nada tinha sido finalizado. – Tenho que concordar, as cenas ficam ótimas.
- Posso secar pra você?
- Eu tenho uma leve impressão que mesmo se eu disser não, você vai me ignorar. – disse, sorrindo pela primeira vez sincera para .
- Ainda bem que você já sabe, sereia.
Com o barulho do secador acabamos não conversando, eu ainda estava bem chocada que tinha penteado e agora estava secando meu cabelo. Se eu contasse para alguém, ninguém ia acreditar. Ele ficava uma graça todo compenetrado, parecia apenas um garoto de 24 anos, não o ator cheio de pose e marra que convivi nas últimas três semanas. Simplesmente adorável.
No dia seguinte, às dez horas, lá estava meu mais novo amigo com duas panquecas cheias de frutas vermelhas, e dessa vez não pude fazer nada, a não ser comer. E provavelmente foi a comida mais saborosa que coloquei em minha boca nos últimos cinco anos.
A viagem seria longa, mas pela velocidade em que dirigia sua Lamborghini eu tinha uma leve impressão que chegaríamos bem antes do que eu pensava:
- Não precisa ter medo, quando comprei minha primeira Ferrari eu contratei um piloto de corrida e ele me ensinou como dirigir um carro desses.
- Eu não... - olhei pra e ele me encarava como se não acreditasse nem por um segundo no que eu ia falar. – Tudo bem, eu estou morrendo de medo, é muito rápido.
- Como são seus pais?
- Você adora trocar de assunto, não? – dei um suspiro cansada, não queria falar sobre meus pais. – O que quer saber?
- Você ainda quer me fazer mais perguntas, mas eu só posso respondê-las se você responder as minhas primeiro.
- Meus pais... são meus pais, – respondi incerta.
- Você não gosta de falar deles?
- Não é isso, eles se privaram de muitas coisas para me acompanhar e estão sempre presente, mas...
- Você gostaria de ser mais independente? Eles moram com você?
- Sim, não... – falar dos meus pais era bastante complexo, me olhou com a sobrancelha erguida e eu respirei fundo antes de continuar. – Sim, eles moram comigo, eu não gosto de morar sozinha, mesmo minha casa não sendo enorme, mas também duvido que eles aceitariam simplesmente se mudar.
- Quando você faz vinte e um? - essa foi a minha vez de levantar a sobrancelha um tanto suspeita. – O que? Tá, eu li sobre você na Wikipédia, satisfeita?
- Muito! - disse presunçosa. – Em três meses, a ideia era ir pra Vegas com minhas amigas, e depois passarmos uma semana no México, mas com o filme adiei para o final das gravações. Quero me manter na personagem o máximo que conseguir, mas também ainda não comentei com meus pais, eles querem que eu vá pra casa fazer uma grande festa para toda a família – fiz uma careta revirando os olhos só em pensar no assunto.
- O que!? Nos seus 21 anos? Eu passei o final de semana todo bebendo e vomitando, a última coisa que pensei foi na minha família. – disse, gargalhando com vontade e me vi encantada com esse lado descontraído de .
- Quando você conhecê-los vai me entender.
Durante toda a viagem conversamos sobre alguns de nossos trabalhos. confessou que não tinha visto meus filmes, mas prometeu que o faria nessa semana que teríamos de folga. O resto do percurso foi tranquilo, quando já entrávamos em LA caímos em um silêncio confortável, começou a cantar baixinho uma música que tocava na rádio e eu passei a acompanhá-lo por brincadeira. Sem parar de cantar, ele me encarou divertido e aumentou o tom da voz. Acabamos entrando em minha rua cantando e gargalhando bem alto.
- Obrigada, até que você não é tão insuportável quando se esforça.
- Até que você não é tão princesinha quanto parece, sereia.
- Nos vemos semana que vem?
- Com certeza. – se aproximou e me deu um beijo na bochecha.
Entrei em casa e na hora percebi que meus pais já tinham chegado. Eu amava a minha casa, a tinha comprado da atriz Mila Kunis e era exatamente como eu sempre sonhei, ela era relativamente pequena se comparada com a maioria dos meus vizinhos e outras celebridades, tinha apenas dois andares e cinco quartos, sendo que a casa em si era distribuída em apenas um. No segundo andar tinha o quarto dos meus pais, uma pequena varanda particular e também era onde ficava o cinema. Comprei a casa assim, e decidi manter o local, era aficionada em filmes e não tinha lugar melhor para reunir os amigos e fazer maratona de filmes.
Já meu quarto ficava no primeiro andar, do lado oposto da casa, de frente para a piscina. Adorava acordar e ver a paisagem de Hollywood Hills por entre as portas de vidro.
- , que saudades, minha filha. – minha mãe se aproximou e eu a abracei. – Você está um pouco inchada, comeu alguma coisa fora da dieta?
- Caramba, mãe. Não nos vemos há quase dois meses e já vem encher meu saco?
- Reed – meu pai apareceu na porta. – Não fala assim com a sua mãe, sabe que tudo que fazemos é para o seu bem e de sua carreira. – e apesar da bronca, veio me dar um abraço apertado.
- Não adianta, a princesinha da família vai sempre pensar somente nela. – o choque que tomei ao ver meu irmão era indescritível. – Feliz em me ver?
Sim, eu estava. Não via meu irmão ao vivo há tanto tempo que tinha esquecido do som de sua voz. Eu queria correr e abraçá-lo, mas sabia que seria ignorada como sempre, então quando vi Noel sorrindo para mim, não tive dúvidas, pulei no colo dele. Noel era como um segundo irmão.
- O que vocês estão fazendo aqui? – olhei para o meu irmão e o vi desviar o olhar de mim, direto para os meus pais.
- Vocês disseram que ela sabia. – encarou meus pais, nervoso. - Vamos passar um tempo aqui, isso é, se não for um incomodo enorme para a celebridade.
- Achamos melhor evitar mais confusão e deixar para que você soubesse somente aqui, nós só queremos nossos dois filhos juntos por um tempo, é pedir demais? – essa era Moira Reed, mãe e rainha do drama.
- Eu não me importo, só se lembrem que semana que vem volto pras gravações, então sem muitas festas.
- Pode deixar, . – Noel me deu um beijo na testa. – Não vamos te atrapalhar, você nem vai perceber que estamos aqui.

(...)


Durante a semana que tive de folga, meu irmão mostrou que veio só para me irritar, ouvia música alta até tarde da noite, e quando saiu, trouxe uma garota qualquer pra casa. No dia seguinte me apareceram mais seis pessoas que comeram tudo o que tinha na minha geladeira, e ainda tive que dar autógrafos e tirar fotos com todos. Na primeira oportunidade que tive me tranquei em meu quarto e não sai mais de lá. Até Noel que geralmente adorava uma festa, estava irritado com a atitude do meu irmão e ficou comigo fazendo maratona Netflix.
- Você sabe que ele te ama, né? Isso tudo é pra chamar sua atenção.
- Até parece, passei quatro anos tentando me redimir com ele, até que cansei e desisti.
- Ele é muito orgulhoso e cabeça dura, mas assistiu seus dois filmes e ainda conta pra todo mundo que é seu irmão.
- Bela maneira de demonstrar.
Outro que me surpreendeu foi . Achei que não fossemos manter contato, mas no dia seguinte apareceu uma nova mensagem em meu WhatsApp, uma foto de suas pernas e ao fundo uma TV enorme com meu rosto pausado na tela; Era uma cena do filme que fiz com a Lea e uma legenda “E não é que até que você atua bem?”. A partir dai passamos a conversar o tempo todo, inclusive numa certa madrugada não conseguia dormir, e acabamos conversando por vídeo até as quatro da manhã.
Como seu personagem tinha câncer, e a primeira fase já estava finalizada, ele estava fazendo uma dieta radical e corria cerca de 15km todos os dias para emagrecer e perder os músculos. Passei a retribuir as fotos com minhas corridas diárias na pequena academia que tinha na minha casa, e também mostrei como era a minha dieta para que ele não se sentisse tão sozinho.
Um dia antes das gravações voltarem, chamei Marcus, meu cabeleireiro oficial para ir até a minha casa finalmente cortar meu cabelo como tinha sido aprovado pela produção do filme. Há sete anos que tinha o mesmo cabelo longo e natural e não via a hora de cortar, mesmo tendo saído do seriado, os dois filmes que fiz me pediram que mantivesse o comprimento, então acabei deixando.
sabia que iria cortar naquela tarde e me ligou no FaceTime para assistir "ao vivo". Marcus prendeu meu cabelo em um rabo de cavalo baixo e cortou mais de 30cm, aquela parte seria doada para um local que fazia perucas para pacientes com câncer indicado por . Depois de longas três horas de muitas risadas e conversa, meu novo cabelo estava pronto. Ele estava pouco abaixo de meus ombros, levemente ondulados e com as pontas loiras em ombré, para combinar com uma Melody adulta.
- Você é linda! - soltou do nada depois que Marcus foi embora.
- Obrigada. - agradeci, mas fez uma careta que não entendi.
- Você sabe que é, não?
- Eu passei a vida toda ouvindo como sou linda, como meus olhos são marcantes, meus cabelos de dar inveja. – dei de ombros. – Desculpe, eu não quis parecer presunçosa. - "só queria que também me vissem como sou por dentro", acrescentei mentalmente.
- Esse posto é todo meu. – disse, fazendo uma cara de badboy, que por mais que fosse brincadeira, me fez ficar com um calor repentino. – Bom, acho que sou apenas mais um reforçando o coro, Reed, você é linda.
- Obrigada, , até que você não é de todo mal, principalmente sem camisa. – dei uma piscadinha sexy que era para ter sido uma brincadeira, mas de repente nós dois ficamos em silêncio, encarando um ao outro através da tela.
- Posso te buscar para irmos juntos para o set amanhã?
- Pode. - sorri sem graça, antes de inventar uma desculpa qualquer para desligar a ligação.
O que tinha acabado de acontecer? Tudo o que eu menos precisava era desenvolver um crush no meu co-star. Quão clichê era isso?

(...)


- “O que você está fazendo aqui?” - disse todo afetado assim que abri a porta de casa as 7 da manhã, imitando a minha voz. – Tudo bem, sereia? - me deu um beijo no rosto e entrou na minha casa sem nem esperar ser convidado.
- Não tínhamos combinado as 8? - perguntei curiosa, olhando-o de cima abaixo. Ele usava óculos escuros, bermuda azul marinho, camiseta branca e chinelos. Simples, mas muito sexy.
- Estava entediado e com fome em casa, achei que podíamos passar fome juntos. - deu de ombros, bem mais tímido do que de costume.
- Eu acabei de treinar agora. – olhei para mim mesma com roupas de ginástica. - Vou tomar um banho e...
- . – Dona Moira saiu do escritório e tirou os óculos assim que viu quem estava comigo. – Por que não nos disse que quem viria te buscar hoje era o , meu amor? Achei que fosse o Scott.
- M... - a vi me olhar feio e me corrigi antes de cometer o "pecado" de chamá-la de mãe na frente das pessoas. – Urgh! , essa é Moira. Achei que não fosse fazer diferença, ele só ia me pegar na porta.
- Prazer, Sra. Reed. – disse galanteador, dando um beijo no rosto de minha mãe. – não me disse que tinha uma mãe tão linda.
- Ah, que cavalheiro. – minha mãe ficou toda animadinha e eu rolei os olhos, quase vomitando. – Nossa, nem acredito que está na minha casa, por favor, entre!
Enquanto fui tomar banho, deixei os dois sozinhos na cozinha, rezando para que ao menos com ele, minha mãe não fosse tão... minha mãe.
Sai do quarto e o olhar de logo encontrou o meu, como se estivesse me esperando há horas, mas eu só tinha levado vinte minutos. Ele parecia bastante ansioso.
- Eu e Tomas nos conhecemos num set de filmagem também, se você puder voltar para o jantar, podemos assistir meu filme na sala de cinema que temos aqui, o que acha? – fechei os olhos, a vergonha alheia já estava batendo forte. – Naquela época era mais difícil chamar a atenção de um produtor ou diretor, a que deu sorte de ter nascido assim, hoje em dia beleza já é mais da metade do caminho andado, e a ainda tem a sorte de contar com pais que entendem o mercado. Sei que Dream Island não é nada que possamos nos orgulhar, ela passava mais tempo na piscina do que atuando, mas vimos a oportunidade como uma porta para Hollywood, nosso verdadeiro objetivo.
- Nosso? Não foi a que decidiu que queria ser atriz? – desviou o olhar de mim para observar minha mãe, que estava distraída preparando meu café da manhã.
- Ah, , ela era muito novinha, faz testes desde os quatro anos, nos esforçamos muito para conseguirmos pagar por aulas de atuação, canto e dança para que ela chegasse nesse nível e poder ter a oportunidade de fazer um filme com um ator como você.
As coisas que minha mãe falava não eram novidade para mim. Quantas vezes durante esses 16 anos de testes, gravações e entrevistas a ouvi contar aos outros como ela e meu pai eram excelentes atores que não tiveram o mesmo apoio e “sorte” que eu tive, e que eu só aprendi a atuar bem depois de anos de aulas, e ainda assim precisava de um coaching extra deles para fazer algumas cenas.
Por mais que não fosse algo novo, não podia evitar as lágrimas querendo sair toda santa vez, ainda mais que dessa vez era o ouvinte, alguém que mexia comigo, e que ao mesmo tempo concordava com eles. Minha mãe não sabia que eu estava ali na sala ouvindo tudo, mas não é como se ela nunca tivesse dito coisas parecidas na minha frente.
Eu me virei para voltar para o quarto e pegar minha bolsa para irmos embora, pularia o café da manhã para evitar mais humilhação, quando começou a falar:
- Desculpa, Moira, mas a é uma das atrizes mais competentes que já trabalhei até hoje. Apesar de concordar que ela é absurdamente linda, a beleza fica em segundo lugar se comparado com o talento que ela tem, e eu falo de talento puro, nenhum que possa ser ensinado. Dream Island, pode até não ter sido o melhor trabalho do mundo para se mostrar como atriz, mas foi um marco na vida de muita gente, eu mesmo vi vários episódios, mesmo estando velho demais para isso. Trabalhar com a é realizar um sonho de adolescente, e com todo respeito, eu sempre fui vidrado na Nixie. – havia dito tudo aquilo me olhando, nem por um segundo seu olhar foi para minha mãe, já eu estava completamente sem reação, acho que até tinha parado de respirar.
- Ah, oh – ouvi minha mãe perder toda a compostura. – Claro que é talentosa, imagina, eu s...
- Se me permitir, posso buscá-la? Eu preciso de ajuda para passar um texto, por isso vim mais cedo. - pela primeira vez na vida vi alguém ter coragem de cortar a minha mãe.
- Cl... claro, o quarto dela fica ali naquele corredor, assim que você virar a esquerda verá uma pequena sala de estar que usa para ensaiar.
- Obrigado. – o vi se levantar e dei-lhe as costas para ir para o meu quarto antes que minha mãe me visse ali.

- Ei! - vi aparecer na porta. – Er, eu já estou pronta, você quer... quer passar o texto? – perguntei, sem graça pela forma que ele me olhava.
- Eu não preciso passar nenhum texto, vem aqui! - em dois passos curtos, senti seus braços darem a volta sob meu corpo, e me abraçar tão apertado quanto na cena que gravamos. – Me desculpe por ter vindo sem avisar.
- Obrigada. – ainda envolta em seu abraço. Olhei em seus olhos. – Por todas as coisas que você disse para minha mãe, mesmo que tudo seja mentira, eu só queria ter a mesma coragem.
- Quem disse que eu menti? - aproximou ainda mais seu rosto do meu, podia sentir sua respiração bater em meu rosto. – Se antes com o cabelo comprido já te achava linda. – disse, colocando meu cabelo atrás de minha orelha, encaixando sua mão ali. – Agora com esse novo corte, está bem difícil manter a concentração em qualquer coisa que não seja o quanto eu quero te b...
- ? - ouvi a voz de meu irmão e eu e o encaramos juntos, nos soltando. – Está tudo bem por aqui? - perguntou tentando bancar o irmão protetor e apenas dei risada.
- Isso é sério? - perguntei desacreditada. – Estamos passando o texto, posso te ajudar?
- Er, a mamãe disse que estava aqui. – disse todo sem jeito. – E cara, muito prazer, eu sou muito seu fã, meu filme favorito até hoje é Dark Clouds.
- Obrigado – respondeu, olhando de mim para meu irmão. ele sabia muito por cima que não nos relacionávamos tão bem quanto Henry tentava demonstrar. – O prazer é meu.
- Nem acreditei quando soube que minha irmã ia fazer um filme com você.
- Por quê? – vi trocar a postura relaxada para uma defensiva ao encarar meu irmão.
- Porque você só faz filme foda, e minha irmã é talentosa, merece muito mais do que só ser lembrada por um seriado que já acabou. – Henry, apesar de maior e mais forte que , estava se sentindo intimidado Seu rosto estava vermelho de vergonha. – Não que os filmes que ela fez fossem ruins. – dessa vez Henry me olhou tímido e eu não podia acreditar em tudo que estava ouvindo.
- Hm. – respirou fundo, como se tentasse se acalmar. – Realmente, esse filme é o mais importante da minha carreira, ter comigo foi uma...surpresa, digamos assim. – disse, dando uma piscadinha sexy na minha direção. - Nós precisamos ir.
- Posso tirar uma foto antes? - pediu todo sem graça, com o telefone na mão.
- Eu tiro pra vocês. - falei já com o braço estendido para pegar o celular.
- Não. - meu irmão me interrompeu. – De nós três, se for tudo bem pra você, .
Sem conseguir formar uma resposta que fosse, me aproximei dos dois. passou seu braço por minha cintura, me trazendo para perto de si e meu irmão esticou o braço para tirar uma selfie. Com tudo que tinha acabado de acontecer, num espaço tão curto de tempo, a única coisa que eu queria era sair de casa.
O caminho foi silencioso, pareceu perceber que eu precisava de espaço. Primeiro tinha minha mãe como sempre me colocando para baixo, depois o fato de ter saído em minha defesa junto com nosso quase beijo já estava fazendo com que minha cabeça quase desse um nó, e para completar vem meu irmão, depois de quatro anos, me fazer um elogio completamente inesperado.
Meu dia tinha sido uma merda, minha cabeça estava em qualquer lugar, menos dentro do set, errei o texto tantas vezes, que Howard me liberou na metade do dia para ir embora. Por mais que todos estivessem se mostrando preocupados comigo, eu não conseguia ver mais nada além de decepção nos olhos de todos, especialmente , por ver sua protagonista despedaçar quando o filme estava começando pra valer.
Tudo que eu queria era minha cama, mas o meu lugar de paz, muitas vezes era a minha prisão, e ir para casa estava fora de cogitação. Poppy a cada dia que passava me surpreendia ainda mais, e pensava seriamente em lhe oferecer um contrato para trabalhar comigo permanentemente quando o filme acabasse. Ela ficou no camarim comigo a tarde inteira, até que acabei dormindo de tanto pensar. Acordei já de noite, com deitado ao meu lado, fazendo um carinho no meu cabelo.
- Por favor, não pergunta o que estou fazendo aqui. – disse num sussurro, abrindo um sorriso lindo.
- Que horas são? - perguntei, notando que ele tinha cortado o cabelo, a lateral estava bem mais curta e a parte de cima para frente, num topete arrepiado, e aceitei o fato que não havia nada que pudesse acontecer para que eu o achasse feio, muito pelo contrário, a cada dia que passava o achava mais lindo.
- Quase sete, você está melhor?
- Você é lindo. – repeti o que ele havia me dito no dia anterior, passando a mão em seu cabelo, fechou os olhos, ainda sorrindo, e a vontade que tive era de beijá-lo ali mesmo. - Me desculpa. – pedi aproveitando que ele não podia me ver. – Eu prom...
- Shhhh. – colocou um dedo em meus lábios para que eu não continuasse. - Não se desculpe, eu estava lá, e acho que grande parte de como você está se sentindo é minha culpa.
- ...
- Não, sereia – abri um sorriso cansado ao perceber que pela primeira vez ele usou meu apelido, sem o tom pejorativo de sempre. – dessa vez você fica quietinha e eu falo, pode ser?
- Sim, senhor.
- Acho que começamos com o pé errado e a culpa é toda minha, você sabe que não queria que você fosse minha protagonista, mas hoje, não consigo ver mais ninguém a não ser Reed como Melody Turner. Eu realmente falei a verdade para sua mãe, eu assistia sim Dream Island. Não só com meu irmão, mas também sozinho. Que garoto na época não queria ver três gostosas andando de biquíni pra lá e pra cá, ainda mais a tal da Nixie. Ela era a minha favorita, cheia de atitude. Se ela ao menos soubesse quantas vezes usei essa mão para homenageá-la.
- !!! - dei um gritinho agudo o fazendo cair na gargalhada.
- Eu precisava fazer você rir, valeu ter quase ficado surdo para te ver assim. – sua mão acariciou meu rosto e sem que eu pudesse me preparar seus lábios colaram nos meus, em um selinho demorado. Nunca um beijo tão simples me fez esquecer de tudo a minha volta, como beijar tinha feito. – Eu não precisava ter agido que nem um idiota no seu primeiro dia, mas não consegui evitar, eu estava puto com o corte da minha principal escolha e acabei descontando em você.
- Acho que já superei isso.
- Na semana retrasada, na cena do enterro, eu vi uma boa atriz, mas muito técnica, seguindo script, atuando no automático, e depois que você me disse que fez aulas com o Hugo, eu o vi todinho na cena.
- Por isso a carona, e as perguntas. – pensei alto.
- Sim, ainda mais que quando fui ver como a cena tinha ficado, eu precisei rever umas quatro vezes, porque em todas elas eu só conseguia olhar pra você. A câmera te ama, e a química que nós temos na tela é incrível, foi aí que eu percebi que precisava te conhecer sem agir feito um babaca. Se Howard viu alguma coisa em você eu tinha que descobrir o que era e deixar essa minha raivinha infantil de lado. Essa semana foi uma grande surpresa pra mim, a que conversou comigo todos esses dias e está aqui deitada, em paz e feliz, não é a mesma que entra em cena, e depois de ter conhecido sua mãe... eu posso ser sincero?
- Pode, . Eu sei quanto esse filme é importante pra você, eu não quero ser a pessoa que puxa ele pra baixo.
- Seus pais estão vivendo o sonho deles através de você, eles nunca te deram a chance de escolha, deram? Digo, algum dia eles te perguntaram se esse era seu sonho? Porque está mais do que claro que sua mãe gostaria de ter sido famosa. Não conheci seu pai, mas...
- Bem, eles perguntavam sempre, mas era algo como “, vai mesmo brincar de Barbie? Achei que quisesse ser atriz”, ou “Filha, por que você está comendo esse sorvete? Achei que quisesse ser atriz, e gorda é que não vai conseguir papel nenhum”
- Eu sinto muito, você merece mais do que isso, merece a livre escolha. Você quer ser atriz? Esse é o seu sonho?
- Eu nunca tive tempo pra pensar no que eu realmente quero, eu fui criada para esse ser meu sonho, entende? Mas, eu amo sim o que faço, amei o tempo sendo uma sereia, amei ser Jen, Rose e agora Melody, mas no fundo você tem razão, sai tudo no automático, acho que fui tão condicionada a atuar da forma que meus pais querem que já nem sei onde eu começo e eles terminam, mesmo quando minha mãe não está perto eu a ouço me dirigindo, só que ninguém nunca notou isso, ou se notou nunca falou comigo.
- Posso fazer uma sugestão? – assenti. – Chega de técnica, aulas de Meisner, ouvir sua mãe... Eu quero que você ouça a , e mais ninguém. Deixa que o que você sente aqui. – apontou para o meu coração. – Dite a forma que você atua, porque se essa mulher que está aqui na minha frente aparecer na frente das câmeras, eu não vou ser o único a ver que ela é muito mais que uma sereia, mas uma atriz muito talentosa. Se depois de tudo isso quando o filme acabar, você decidir que não é isso que você quer, tire férias, vai gastar seu dinheiro, coma McDonald's, pizza e donuts. Com 21 anos ninguém pode te dizer o que fazer, nem seus pais.
- Obrigada, . Eu...
- Ei, eu não terminei, sereia. Eu também queria pedir desculpas pelo que quase aconteceu na sua casa, eu não tinha o direito de agir por impulso, ainda mais depois do que aconteceu com a sua mãe. Eu me aproveitei de um momento seu de fraqueza, se o seu irmão não tivesse entrado, provavelmente estaria te beijando até agora. Eu não vou mentir que não me sinto atraído por você, mas não quero ser mais uma coisa a ser resolvida dentro dessa cabecinha aqui. – franziu o cenho engraçado, cutucando minha cabeça de brincadeira. – Esquece de mim e foca na pessoa que mais precisa da sua atenção, você mesma.
- Eu sou grandinha, . Eu sei me cuidar, tudo aquilo não é novidade alguma pra mim, ouço isso há muito tempo, muitas vezes entra por uma orelha e sai por outra. Sabe por que meu teste chegou atrasado? – me encarou curioso. – Minha mãe colocou o script na pilha de “filmes que a ainda não está preparada”, eu achei por acaso e me encantei com a história, e mesmo sabendo que era tarde demais fiz o teste e mandei direto pro Howard. Quando ele ligou pra ela avisando que queriam conversar comigo pessoalmente ela ficou chocada e me colocou em um monte de aula. Eu não me arrependo dos dois últimos filmes que fiz, mas não foram escolhas minhas, eles assinaram o contrato por mim, e só depois me deram o script.
- Chega, não me fala mais nada se não vou perder o pingo de respeito que estou tentando manter pelo seus pais.
- Mas Curtain Call não. Esse filme foi minha escolha e eu quero muito que dê certo de verdade, eu sei que ele é mais seu do que meu, e prometo que você não vai se arrepender de ter me dado essa oportunidade, nem que ela tenha vindo através do Howie.
- Assim que se fala, sereia. Já pedi desculpas pelo modo que te tratei, mas ainda quero ser o primeiro a admitir que estava errado. Você quer ir pra casa? Eu posso te levar.
- Nem pensar, não quero ver ninguém com o sobrenome Reed tão cedo. Você acha que eles topam se voltarmos as gravações? – estava me sentindo revigorada depois de dormir, e principalmente depois da conversa que tive com .
- Eu vou ver com o pessoal. Tem certeza que não quer descansar até amanhã? – perguntou já se levantando do sofá e eu não ia aguentar mais um atitude tão fofa de , sem me deixar levar por tudo que vinha sentindo nos últimos dias.
- Tenho, me sinto pronta pra fazer a cena do bar. Era pra agora de noite mesmo. Vou chamar a Poppy e a maquiagem. – me ajoelhei para conseguir ficar do mesmo tamanho que ele.
- Eu vou confirmar se tá todo mundo aqui ainda e te aviso. – disse já pronto pra ir embora.
- Ah, . – o chamei, sorrindo ao vê-lo me encarar curioso.
- O q...
O interrompi como ele adorava fazer comigo, mas do meu jeito, com a minha boca. Por mais que eu concordasse com tudo que tinha acabado de ouvir, não beijar estava fora de cogitação. E eu não me arrependeria nunca de ter dado o melhor beijo da minha vida. Assim que nossos lábios se colaram, ele segurou meu rosto com suas duas mãos como se dependesse disso para sobreviver, aprofundando ainda mais o beijo, fundindo ainda mais nossos corpos.
Me senti como há muito tempo não sentia, como se pela primeira vez alguém me colocasse em primeiro lugar. Quando já não conseguia mais respirar tentei me soltar, mas , ainda de olhos fechados, passou seus beijos para meu rosto, descendo com calma para o pescoço, me deixando completamente anestesiada com as sensações que começavam a tomar conta de meu corpo.
Já sem conseguir me segurar, o abracei por debaixo de sua camiseta dando leves arranhões em suas costas com minhas unhas. Eu não sabia o que estava sentindo, só sabia que era muito bom e não queria que ele parasse. me apertou ainda mais forte, soltando um gemido frustrado e se separou de mim mais rápido do que eu gostaria, como se aquilo o machucasse:
- Isso é alguma espécie de tortura? – perguntou, abrindo o sorriso mais sexy que já o havia visto dar. – Quer me deixar viciado em você? – seus olhos não saiam de minha boca, fazendo com que todo meu corpo estremecesse.
- Você não é o único atraído por alguém aqui, . – disse, lhe dando um selinho e ele beijou de leve o canto da minha boca. – Eu não ia me perdoar se te deixasse sair daqui sem saber como seria te beijar.
- Eu não sei como é me beijar, sereia, mas...acho que quem precisa de foco sou eu, foco no filme e não nessa boca maravilhosa. – disse, rindo e mordendo meu lábio inferior com força, antes de me dar mais um beijo e virar-se de costas para ir embora.
Ainda rindo feito boba o vi se virar para mim, me observou por alguns segundos, chacoalhou a cabeça e saiu sem dizer nada.
“Química em frente as câmeras” pensei rindo comigo mesma “química é o que acabou de acontecer aqui”

(...)


A segunda fase de gravações estava acontecendo conforme o planejado, desde o dia que e eu tivemos aquela conversa há um mês, conseguimos manter nossa atração física dormente, mas em compensação nos aproximamos ainda mais como amigos. Quando não estávamos gravando, estávamos conversando, rindo ou apenas em silêncio, fosse no camarim, na minha casa ou na de .
Não era fácil conviver com tão próximo a mim sem fazer nada, muitas vezes o pegava distraído olhando minha boca, outras ele me pegava o secando e acabávamos dando risada um do outro para descontrair, mas no momento, o filme era a nossa prioridade, e de quebra, minha vida pessoal.
Um dia que tive gravações sozinha, cheguei em casa e encontrei e Henry na maior folga dentro da jacuzzi, não que me surpreendesse, os dois junto com Noel passavam horas a fio jogando videogame. Eu não sei o que os dois conversaram, mas meu irmão passou a não ficar ouvindo musica até tarde, e parou de trazer a menina que estava ficando, que passava mais tempo querendo ver meu closet do que com ele. As vezes ele acordava cedo pra treinar comigo, e eu tinha certeza que ele queria falar alguma coisa, mas sempre perdia a coragem.
Minha mãe voltou a frequentar o set e pareceu criar um respeito "puxa-saco" ainda maior por . Estava sempre tentando agradá-lo, para provavelmente não ter que levar outra lição de moral de um cara, pelo menos vinte anos mais novo. Desde que a foto que meu irmão tirou nossa caiu nas graças da mídia, começaram a circular rumores que o casal protagonista de Curtain Call, estava se conhecendo além dos set de filmagens, o que era totalmente correto, menos a parte de sexo as escondidas no camarim, ou na cama dos meus pais. Bem que eu queria, mas infelizmente não era o nosso caso.
O próprio tinha me mandado a foto com um círculo onde ele estava com a mão em minha cintura, e além de apontar como formávamos um casal hot colocou "o dia que podia ter te beijado a tarde inteira", assim que vi a mensagem, o encarei do outro lado do estúdio e fiz uma cara de interrogação, mas respondi "ainda teremos muitas tardes" e levantei meu olhar o observando ler a mensagem com um sorriso safado no rosto e voltar a me encarar, mordendo o lábio inferior. Ele sabia muito bem o quanto aquilo me afetava.
ainda era bastante meticuloso e preocupado com as cenas e o filme, nesse quesito nada mudou, deixava todos os produtores de cabelos em pé, e Zack mais ainda. palpitava na luz, na posição da câmera, em tudo, eu não entendia muito o por que, mas já havia perguntado e ele sempre mudava de assunto, até quando questionei Howard ele disse que estava tudo bem, que estava apenas sendo zeloso por um projeto que tinha feito parte desde o início.
Decidi respeitá-lo e parar de perguntar, ainda mais que ele estava mais ranzinza do que o normal por conta de sua dieta bastante restrita. Ele tinha perdido 6kg em pouco mais de um mês e ainda perderia mais até o final das gravações. Eu fazia o que podia para que ele não sentisse tanto essas mudanças drásticas, mas elas eram inevitáveis.
Durante aquelas semanas gravamos a cena em que Josh entra no bar da pequena cidade que morou toda sua vida, e encontra com uma agora rebelde, Melody, trabalhando atrás do balcão, ele demorou a reconhecê-la, mas ela sabia de imediato quem ele era. Mel ainda o culpava pela morte de Oliver e ruína de sua família, os pais nunca superaram a morte do filho e nem de longe eram os pais amáveis que um dia foram.
- Mel, por favor, já estou de volta faz um mês, você vai mesmo me ignorar pro resto da vida?
- Você esqueceu de mim no mesmo dia que enterramos Oliver. Não mandou uma única notícia em cinco anos. Quer que eu faca o quê? Uma festa de boas vindas? Pois isso é tudo que você não é. Bem vindo.
- Eu sei que eu errei, ok? E estou pagando um preço muito caro por isso. Oliver era como um irmão pra mim, eu sinto a falta dele todos os dias da minha vida.
- Você não percebe, né? – passei a mão no rosto, tentando mostrar como minha personagem não queria chorar na frente de Josh. - Sempre foi um egoísta mesmo, o dia que eu enterrei meu irmão, eu não só perdi o meu outro irmão, como meus pais. Me desculpe se hoje já não preciso de mais ninguém, muito menos de você. - virei as costas para sair correndo.

- CORTA!
- Ficou bom? – sorri, limpando as pequenas lágrimas que estavam presas em meus olhos.
- Sereia. – deu os últimos dois passos que faltavam para me alcançar e me pegou no colo, fazendo com que eu desse um gritinho. – Ficou ótimo! Eu te beijaria agora se não fossemos só amigos. - sussurrou em meu ouvido para que os microfones não pegassem o som.
- E...
- , minha querida. – minha mãe se aproximou e desfizemos nossos sorrisos e desci do colo de . – Podemos conversar?
- Claro, Moira. – encarei meu co-star dando de ombros e segui com ela para um canto mais quieto. – O que foi?
- Não gostei muito dessa cena, acho que você poderia ver com o Howard de refazê-la. Lembra quando te ensinei que quando estamos com raiva, angústia, você deve tentar usar mais as mãos, mas ali no começo você só ficou com os braços cruzados, filha. Parece que nunca te ensinei nada.
- Moira. – disse, sentindo aquela ponta de decepção me atingir. – Esse foi um pedido de Howard e , queriam mostrar que Melody está se fazendo de durona.
- Você sabe que gosto muito do , e longe de mim querer...
- . – ouvi Howard me chamar e me virei para encará-lo e encontrei ao lado dele, os dois me olhavam preocupados. – Podemos continuar?
- Claro. – sorri para ele antes de me voltar para minha mãe. – Vamos fazer assim, enquanto eu termino o resto da cena você fala com ele, tá? – disse por fim, indo para minha posição e rindo sozinha. Essa eu queria ver, minha mãe sugerindo a um diretor como fazer seu trabalho.
A noite quando cheguei em casa a ouvi perguntando ao meu pai se ele achava que eu estava diferente. Claro que a mudança que eu vinha tentando trazer para minha vida não ia acontecer da noite pro dia, meus pais ainda eram meus pais e querendo ou não, parte de mim os amava. Meu pai parecia mais uma marionete nas mãos da minha mãe, ele às vezes ainda perguntava minha opinião sobre um pedido de editorial, ou o que eu queria fazer com um cache de publicidade, já minha mãe decidia tudo por mim e ainda queria controlar o que eu podia ou não gastar.
Meu pai, mais sensato, me deu um cartão de crédito e nunca mais precisei mendigar do meu próprio dinheiro para comprar algo que eu quisesse, mas me chateava como ele sempre ficava do lado da minha mãe.

(1 mês depois)

- Eu vim assim que soube. – Melody dizia para os pais de Josh ao entrar no quarto de hospital. – Eu... eu não sabia, ele não me disse... – me aproximei da cama onde Josh estava deitado, sentindo meus olhos lacrimejarem espontaneamente ao ver ali, tão frágil. Seu rosto tão mais magro, mas ainda o homem mais lindo do mundo. Passei a mão em seu rosto com delicadeza conforme pedia o script.
- Achamos que você soubesse, Mel. Ele está sempre falando de você. Não teríamos te ligado se soubéssemos.
- De mim? - me virei para Madeleine Stowe e Titus Welliver, que faziam os pais de Josh no longa. – Mas... - voltei a encarar , que agora abria os olhos.
- O... o que você está fazendo aqui? - perguntou nervoso, tentando se sentar na cama, mas fingia ter dificuldade por estar fraco. Eu estava aflita de verdade ao ver aquela cena se desenvolver na minha frente.
- Eu... seus pais me ligaram. Por que você não me contou, Josh?
- Vai embora, por favor. – disse exasperado e senti meu coração apertar. - Não quero ninguém com dó de mim, muito menos você, Mel... Eu não mereço. – disse baixinho apenas, para que as câmeras o pegassem, mas sabia que era aquilo que ele havia dito.
- Josh. – coloquei uma mão em seu ombro.
- Vai embora, Melody. – levantou o braço com força, batendo na bandeja de comida do hospital, fazendo tudo voar para todos os lados. - Não quero que me perdoe só porque vou morrer.
- Mel, vem comigo. – Madeleine me abraçou de lado, chorando como só ela sabia, enquanto eu andava olhando para trás, vendo /Josh se virar de costas, e Titus se aproximar dele.

- CORTA!
Ao final daquela cena, que refizemos algumas vezes para que todos os ângulos fossem pegos, eu e Maddie pedimos a Howard para continuar sem pausas a gravação onde a mãe de Josh conta para Melody sobre a doença do filho, já que nós duas ainda estávamos envolta no clima do que estava acontecendo na cena anterior. Enquanto gravávamos no set da sala de espera do hospital, saiu da cama para vir nos assistir, e quando meus olhos caíram nele por alguns segundos pude reparar o quão magro ele realmente estava vestindo apenas aquele avental de hospital e boxers. Senti um aperto tão forte no peito, que acabei trazendo tudo que sentia para a personagem.
A cena era linda, duas mulheres que amavam e muito alguém que tinha descoberto estar com câncer há seis meses, e que nenhum diagnóstico parecia ser favorável. Um ano de vida. Um ano para viver uma vida inteira. 365 dias para aceitar que não viria um 366º. Quando nos abraçamos ao final, e Howie disse seu famoso corta o estúdio inteiro começou a bater palmas, nós duas nos olhamos acabadas e começamos a rir, sem entender.
- Se não são nossas duas maiores estrelas para gravarem a cena mais linda até então. - Bryce, nosso diretor de fotografia se aproximou. - Não tenho palavras, a cena ficou perfeita. , não sei o que vem acontecendo com você, mas o que quer que seja, continue fazendo. Maddie, não temos nem o que falar para você, divina.
- Obrigada, Bry - dissemos juntas sem querer, e fomos ver com a cena tinha ficado.
- Hey, sereia. – estava próximo a cadeira do diretor e segurou em minha mão quando passei por ele. – Pronta para conhecer a verdadeira Reed? - fiz uma cara de interrogação e ele apenas me direcionou para o monitor todo empolgado.
- Ei o que está acontecendo? - ouvi a voz de minha mãe, e logo ela se aproximou.
- História, Moira. - Howard respondeu ainda olhando para o monitor. – Sua filha acabou de protagonizar uma cena que vai entrar pra história da indústria cinematográfica.
Meus olhos mal podiam acreditar na cena que tínhamos acabado de gravar, me via na tela, mas ao mesmo tempo não me via. Lágrimas se formaram em meus olhos e eu segurei muito forte para não deixá-las cair me abraçou de lado e me virei para sorrir para ele, que parecia não se caber em felicidade. Eu podia ver a diferença, eu finalmente, sem perceber, tinha gravado uma cena sem pensar em técnica, na minha mãe, nada. Ali era só eu sendo Melody e mais ninguém, e o fogo que parecia estar queimando dentro de mim, estava com muita vontade de crescer.
Depois que todos nos cumprimentaram pessoalmente, minha mãe me abraçou forte, mas tudo o que senti foi gelo.

(1 mês depois)

- Oi. – Henry apareceu em meu quarto do nada. – Posso, er, entrar?
- Pode. – disse, incerta. – Precisa de alguma coisa?
- Não, eu não sei bem como falar isso. - coçou a cabeça num claro sinal de nervosismo - A mamãe é sempre assim? – soltou como se fosse uma bomba.
- Assim como? - o encarei questionadora, me sentando direito na cama.
- Controladora... desde que cheguei aqui eu tenho observado algumas coisas e quando veio conversar comigo, passei a prestar mais atenção, e... ela é assim? Esse lance de te acordar cedo, fazer uma hora na esteira mesmo quando você estava doente, controlar o que você come. - observei meu irmão se sentar no ottoman que tinha em frente a minha cama e me olhar. – Ela fica fazendo o que o dia todo no set? Porque eu vejo o papai realmente ocupado aqui resolvendo suas coisas.
- Henry, você morou com a gente até os dezoito anos praticamente, não é nada que não acontecesse antes.
- Você não entende, né? Foi sempre tudo sobre você, desde pequena. "Henry, não machuca a sua irmã, ela não pode ter nenhuma cicatriz", "Desculpa filho que a gente perdeu seu jogo, tinha uma gravação". Eu via meus pais sempre pararem tudo para te atender, mas quando eu precisava de alguma coisa, batia com a cara na porta. Eu me fechei para vocês três há muito mais tempo do que os quatro anos que fiquei sem falar com você.
- Henry. – pedi cansada. – Eu não quero brigar, se você veio aqui pra isso, p...
- , eu também não quero, eu só quero que me responda, é sempre assim?
- É. - dei um suspiro cansado. - Não me lembro de um dia sequer que não foi assim. Aliás, lembro. Esses dois meses que eles estiveram com você, mas ainda assim fazia check-in toda hora por mensagem, e-mail, pela Poppy...
- Hm. – Henry deu uma risada fraca, ao mesmo tempo que chacoalhava a cabeça em desaprovação. - E eu que pensei que era o filho azarado... Meu Deus! - vi meu irmão se levantar ficando cada vez mais nervoso. – Vem, vamos sair!
- São dez da noite, aonde você quer ir? – perguntei, assustada.
- Qualquer lugar, menos aqui, vamos. – disse, me puxando da cama, apressado, mas com cuidado para não me machucar.
Henry mal me deixou colocar o chinelo no pé, me arrastou para fora de casa aproveitando que meus pais tinham acabado de ir pro quarto dormir. Sem muito rumo, mas ainda nervosa, acabei indo para o único lugar que poderíamos ter privacidade além da minha casa, a de .
- O que vocês estão fazendo aqui? - perguntou com uma cara de cansaço que na hora me preocupou. – Ah, esqueci, essa é a sua fala sereia.
- Eu preciso conversar com a minha irmã, mas num lugar longe dos meus pais. Desculpa vir sem avisar.
- Entrem, mi casa es su casa. – disse com um sorriso que não alcançou seus olhos.
- Henry, vai indo até a sala, eu vou com na cozinha fazer um chá pra gente. – meu irmão assentiu e seguiu o caminho que nós dois já conhecíamos de cor. – O que você tem? - questionei preocupada, o observando.
- Eu não consigo dormir, estou com fome, cansado, mas desde que te dei boa noite, só rolei na cama.
- , você deveria ter me ligado. – disse emburrada. – Eu vou fazer alguma coisa pra você comer.
- não, eu...
- Eu nada, Sr. , você vai sentar e me ver preparar alguma coisa pra você, prometo que é light e não vai interferir no seu processo de perda de peso. Não esqueça que sou expert nesse tipo de comida.
- Até que essa é uma cena que eu terei o maior prazer em assistir. A sua calcinha é vermelha mesmo?
- ?!?! - dei um gritinho agudo, virando de frente pra ele ao mesmo tempo que tentava olhar pra minha própria bunda. – Esse shorts não é transparente, é? Meu irmão também, me arrastou pra fora de casa, nem consegui me trocar. – respondi exasperada.
- Um pouco, sereia, mas ainda nada bate o conjunto de seda branco que você usou naquele hotel de Malcolm, o dia mais conhecido como"o dia que fiquei completamente de quatro por você" e você sequer percebeu.
- O dia que você me surpreendeu penteando meu cabelo também. – suspirei fundo, lembrando dele apenas de calça moletom enquanto cortava algumas pepinos e acelgas. – Acho melhor a g... – até tentei falar para trocarmos de assunto, mas senti as mãos de em minha cintura, e logo seus lábios no meu pescoço e a única reação que tive foi a de encostar minha cabeça em seu ombro, dando ainda mais liberdade para que ele continuasse a me beijar.
- Mais de dois meses daquela conversa, e quando te vejo assim me arrependo amargamente de ter sugerido que fossemos só amigos. – sussurrou em meu pescoço, fazendo com que todo o meu corpo se arrepiasse. – Te beijar em cena não tem me ajudado em nada também.
- Me beija, . – pedi, virando meu rosto para ele, mas ainda sendo pressionada contra o balcão. Não foi preciso mais que um segundo para sentir o gosto que eu não conseguia parar de pensar, desde o dia que gravamos a cena do primeiro beijo de Melody e Josh.
-
***


- Estão passando o texto de novo? – meu irmão disse rindo, fazendo com que eu desse um pulo, me afastando de , mas o maldito me puxou de volta para me abraçar.
- Seu irmão sabe. – disse rindo, ainda me abraçando por trás.
- Sabe o quê? – perguntei olhando de um pra outro.
- Que ele é louco por você? Até uma porta consegue ver, . O sempre teve minha torcida para cunhado.
- C..como assim? – perguntei, finalmente conseguindo me soltar de , que ria da minha cara. – Por que você sabe disso, e eu não?
- Porque eu fui um idiota orgulhoso em não te agradecer ter pago a universidade dos meus sonhos, as minhas férias na Tailândia ou minha festa de 21 anos com doze amigos na melhor suíte de Vegas. – disse com os olhos cheios de lágrimas e os meus já não estavam diferentes. – Você tentou por anos que eu te perdoasse, mas a verdade é que sou eu quem preciso ser perdoado, eu nunca parei pra prestar atenção no que acontecia com você, minha raiva era muito maior, mas esses dois meses aqui foram desesperadores, e eu nem consigo imaginar o que você passou nos últimos anos. Era isso que eu queria conversar com você. Depois vocês podem ir pra um quarto sei lá, ver um homem olhando pra sua irmã da forma que ele te olha pode dar cadeia, e como não tenho o direito de interferir em sua vida, só não quero ter que ver algo assim de novo.
- Henry. – disse já com meu rosto completamente molhado em lágrimas. – Eu só te perdoo se você me perdoar. Eu senti muito sua falta esses últimos quatro anos. – completei, dando passos em sua direção e meu irmão me pegou no colo, me dando o abraço que eu mais senti falta na vida.
- Se você soubesse o quanto eu fiquei com ciúmes do Noel quando você fez isso com ele quando chegamos.
- Seu idiota. – ria e chorava ao mesmo tempo. – A culpa é sua por ter me ignorado, eu devia ter tentando mais também. – disse, voltando a abraçá-lo.
Naquela noite, Henry e eu a passamos acordados na sala de conversando sobre tudo e nada dos nossos últimos quatro anos, e deitado no meu colo, dormindo como um anjo, o homem que eu mais desejei chamar de meu.

(...)


Vinte e um anos, eu finalmente estava acordando em minha cama, com vinte e um anos. Apertei o botão do controle remoto que abriria todas as cortinas do meu quarto e a cara que eu fiz foi impagável. De um lado, o que antes era um muro agora eu via um outro muro, mas todo feito de flores brancas e apenas o número 21 feito de rosas e peônias num tom rosa claro. A minha frente, a piscina estava cheia de balões. Ouvi baterem na porta, e assim que falei entra, e meu irmão se aproximaram, um com uma bandeja de café da manhã enorme, e o outro com uma bola de pelo branca com apenas um dos olhos cobertos por uma mancha preta.
- MEU DEUS! – gritei animada. – É meu? – senti meus olhos lacrimejarem quando Henry me passou o filhote a minha frente para que eu o segurasse.
- Não fui eu quem pediu por cinco anos seguidos um cachorro de Natal. - deu de ombros rindo da minha reação. - e eu fomos ontem numa ONG e esse pestinha aqui não parava de pular na gente.
- Eu amei, que coisa mais linda, ainda bem que você adotou gosto de saber que podemos dar uma chance a um peludinho lindo desses. – gargalhei quando o filhote me lambeu a boca.
- Ei. – fingiu estar bravo tomando o filhote da minha mão. – Aquela boca é minha, está me ouvindo? – ri alto ao ver o filhote também lamber , e meu irmão fazer um som de vômito.
- FELIZ ANIVERSÁRIO, SIS! – Henry me deu um abraço desajeitado.
- Feliz Aniversário, sereia! – me deu um beijo e os dois se deitaram comigo na cama para comermos tudo que tinha na bandeja que trouxe.
- E a mamãe e o papai? – perguntei, estranhando.
- Eles estão na sala, pedimos para virmos primeiro. A Dona Moira não está muito contente com o Pirata aqui.
- Pirata? - o indaguei encarando o filhote. – Você tem mesmo cara de Pirata. – sorri, dando um beijinho no cachorro e vi e Henry darem um high five.
- Estávamos com medo de você querer dar um nome tipo “pompom” para ele, ficaria difícil levá-lo no parque para pegar garotas, sabe? – meu irmão falou todo sedutor, nos fazendo rir.
- Sei bem que a única que você quer pegar é a Poppy, irmãozinho. – ri ainda mais alto quando suas bochechas ficaram vermelhas.
- Eu tenho um presente pra você. – tirou um envelope de dentro do casaco e encarei os dois que me olhavam ansiosos. – Óbvio que eu tenho muito mais, mas o resto vou te dar hoje a noite quando você for lá em casa, esse eu queria que abrisse agora.
Ao abrir os papéis vi um contrato de representação com a empresa de . Ele tinha uma parte minoritária em uma empresa de agenciamento com outros dois sócios que cuidavam da carreira dele, e a quem ele confiava cegamente. Lá dizia que minha carreira seria toda cuidada por eles, mas que toda e qualquer oferta ou script que eu recebesse deveria ser entregue a mim, e somente eu e mais ninguém poderia aceitar um papel.
Outro documento tinha um contrato de trabalho permanente em nome da Poppy e Henry. Quando meu irmão chegou aqui durante as férias, não era porque ele queria passar um tempo e ir embora, ele veio com a intenção de me pedir desculpas e se tudo desse certo, ter sua família de volta. Noel veio apenas com a intenção de encorajá-lo, mas tinha se apaixonado pela Califórnia e também queria ficar. No mês que se passou os dois foram atrás de transferência da faculdade para cursarem o último ano na UCLA e Henry, como fazia administração de empresas, começou a estagiar com meu pai e ajudá-lo a cuidar da minha carreira.
Desde a noite em que me acertei com meu irmão, vínhamos conversando sobre meus pais e nossos futuros, combinamos que quando fosse a hora e o filme acabasse daria aos meus pais uma casa próxima a minha, e Henry e Noel ficariam comigo, para que não me sentisse tão sozinha, mas ao mesmo tempo teria mais liberdade para fazer o que quisesse num lugar que deveria ser meu refúgio, mas que até então, mais me parecia uma prisão.
Ainda não sabíamos como meus pais iriam reagir, mas ao abrir aquele documento, senti um frio na barriga, as coisas estavam realmente começando a acontecer e em dois meses, quando as gravações finalmente acabassem seria o inicio de uma nova jornada para toda a família Reed, uma que mudaria completamente o sentido da palavra família.
Claro que eu não era horrível ao ponto de fazer com que meus pais ficassem sem emprego, iria sugerir que minha mãe abrisse, com a minha ajuda, uma empresa para atores iniciantes, e meu pai continuaria cuidando de minha carreira, mas de Los Angeles. Henry seria meu apoio nas gravações e viagens de lançamento mundo afora. Ai que também entrava Poppy, ela me ajudaria com os compromissos e roupas e o que mais eu precisasse no dia a dia, onde for que eu estivesse. Não achava nada mal ter uma assistente e cunhada em uma única pessoa.
e eu éramos um caso a parte, desde o dia em que nos beijamos em sua casa éramos um casal, mas um casal que só existia entre as muitas paredes de nossas casas. Achamos por melhor manter o romance em segredo do estúdio, já que sabíamos que nem todo mundo ali era confiável e queríamos que o filme tivesse seu reconhecimento por tudo que ele era, não por conta do romance dos protagonistas.
Acordar e saber que era meu e eu era dele me trazia um sorriso maior dia após dia. O nosso começo estava sendo bem diferente da maioria dos casais. não estava bem, ele sofria com a falta de peso e a falta de confiança ao ver seu corpo antes todo malhado perder a forma e diminuir a cada dia mais, as vezes vinha me dizer que talvez fosse melhor se déssemos uma nova pausa e só voltássemos a ser um casal quando ele estivesse fisicamente e mentalmente bem de novo, mas eu dizia exatamente o contrário, que agora mais do que nunca estaria ao seu lado.
Os pais dele moravam em Chicago junto com seu irmão mais novo, mas estavam vindo ficar com ele na fase final do filme. Apesar das diversas amizades que tinha, ele precisava do amor que somente a família podia lhe dar num momento tão difícil para ele.
Eu o amava da forma que podia e conseguia, mas o maldito motivo pelo qual aquele filme lhe importava tanto, mas que só iria revelar no final das gravações causava algumas brigas entre a gente, já que as vezes queria que ele se sentasse e fosse descansar entre um take e outro e ele só queria saber de ver como o filme estava ficando.
Tudo isso aliado a nossa química, que parecia crescer a cada dia mais nos tornava ainda mais fortes e unidos, eu nunca soube que aquilo que era amor, que tudo que sentíamos quando estávamos só nos dois, presos em nossa bolha, era a forma mais pura, linda e intensa de amar.
Eu podia afirmar que o fim dos meus vinte anos e o começo dos vinte e um foi a ponte entre quem um dia eu fui e quem estava me tornando. Me sentia finalmente uma mulher adulta, pronta para tomar a rédea da minha própria vida e sair debaixo das asas extremamente protetora de meus pais.
Iria continuar me esforçando para reconstruir uma relação que foi prejudicada por orgulho de duas partes, a minha e de meu irmão, e não havia nada nem ninguém capaz de nos separar novamente. Tudo isso somado ao fato de que eu era muito amada e sabia disso, e sabia que o meu amor sabia que era amado, mesmo que de vez em quando precisasse de alguns lembretes.

(...)


Na reta final das gravações havia chegado o momento mais difícil do filme até então, o dia em que Melody iria raspar o cabelo e visitar Josh no hospital de surpresa. A ideia desde o inicio não era eu raspar meus cabelos de verdade, faria como Cameron Diaz tinha feito em Uma Prova de Amor, colocaria uma espécie de peruca para fingir ser careca, mas, há muito tempo uma ideia vinha martelando em minha cabeça e ela parecia finalmente ter tomado forma.
Curtain Call e seu protagonista eram os grandes responsáveis por todas as mudanças que passei nos últimos meses. Se hoje eu conseguia diferenciar a atriz que fui, para a atriz que estava me tornando, era única e exclusivamente por causa de , o homem que estava aos poucos mudando minha vida. acreditou em mim nem quando ele mesmo acreditava, por mais confuso que isso possa parecer, e ele merecia que eu estivesse tão mergulhada nesse projeto quanto ele.
Poppy, Henry e Liz eram os únicos que sabiam o que ia acontecer e tentavam fazer de tudo para me acalmar, pois meus pais, os de e até quem não ia fazer parte daquela gravação tinha ido ao estúdio para acompanhar a cena, e usei isso como desculpa para impedir que me visse antes. Disse a todos que precisava me preparar para o momento em que minha personagem aparece no hospital e todos pareceram entender. Eu vinha fazendo isso nos últimos meses, me trancava em meu camarim por 10 minutos antes de gravar, para que eu deixasse de ser e me transformasse em Melody e hoje, mais do que nunca, isso precisava acontecer.
Olhei para meu irmão através do espelho e apenas acenei para que ele prosseguisse, Henry então ligou a maquininha e eu fechei os olhos, finalmente entendendo que aquilo iria sim acontecer. Uma lágrima solitária caiu de meu rosto e me questionei se entenderia o que fiz e se ainda se sentiria atraído por mim da mesma forma que era agora. Ri sozinha, me questionando se era assim que ele se sentia por estar tão mais magro do que quando o conheci. Para mim ele era lindo de todas as formas, magro como estava hoje só me mostrava quem ele era por dentro, determinado e apaixonado por sua profissão e isso fazia com que eu me apaixonasse ainda mais por ele. Por mais que fosse difícil a competição, sua beleza interior conseguia de alguma forma, superar a exterior.
Suspirei fundo, tomando o resto de coragem que me faltava, e encarei meu irmão com uma determinação que nem eu sei de onde saiu. Poppy estava com o celular a postos, ela iria gravar tudo, pois eu tinha certeza que iria querer ver quando soubesse.
Caminhei em direção ao set em silêncio com Henry de um lado e Poppy de outro, já estava com as roupas de Melody e ouvia música nos meus headphones sem fio com o capuz do moletom que usava para cima. Sabia que todos estavam curiosos pra ver como eu ficaria careca, mas a pessoa que a veria antes de qualquer outra era .
Assim que me posicionei na minha marca no chão, olhei para deitado na cama e ele me deu uma piscadinha divertida antes de se ajeitar da forma que era preciso. Mais uma vez naquele dia puxei todo o ar dos meus pulmões e fiz o sinal para meu irmão, que veio até mim, pegou meu iPod e os headphones e voltou para seu lugar. Fechei os olhos esperando Howard dar a deixa, e ali eu não vi mais nada, a não ser o papel que tinha que desempenhar, naquele momento me transformei em Melody.
- AÇÃO!
- Mel. – Josh sorriu fraco para mim, trazendo sua mão em minha direção. Eu dei os dois passos cronometrados conforme o ensaio, e depositei um beijo em seus dedos frágeis. - Achei que não fosse vir me ver hoje.
- Era mentira. – sorri fraco, dando o último passo para que com minhas duas mãos segurasse a sua e a apertasse onde fica o meu coração. - Não te prometi que vamos passar todos os seus últimos dias juntos?
- Eu gostaria que eles fossem eternos. - /Josh me olhou com dor e já não conseguia mais segurar as lágrimas que caíam de meu rosto.
- Mas eles são. - respondi ainda, com sua mão em meu peito. – Aqui dentro. – apertei sua mão contra meu corpo ainda mais, ao mesmo tempo que coloquei a minha mão em seu coração.
- Eu te amo, Mel.
- Só não mais do que eu, Josh. – respondi, olhando para , não Josh, e ali, naquele momento, eu sabia que ele sabia que aquilo era pra ele.
- Mel, o...seu cabelo - Josh, com dificuldade se sentou na cama, olhando para minha cabeça, fazendo com que eu sentasse a sua frente.

Fechei os olhos, deixando com que abaixasse o meu capuz com calma. Levantei meu olhar, vendo-o me encarar assustado, em dúvida. Acredito que meus olhos refletiam os mesmo sentimentos, pois na mesma hora saiu do roteiro e passou a mão na minha cabeça, uma, duas vezes, e vi seus olhos se encheram de lágrimas.
- . – sussurrou, se ajoelhando apressado e ficando ainda mais próximo a mim. Olhei para cima, pois agora ele estava bem mais alto do que eu, e suas mãos ainda estavam na minha cabeça, abri um sorriso, estampando toda a felicidade que sentia naquele momento. – Você não fez isso...
O que está acontecendo? Ouvi alguém perguntar, mas não prestei atenção na resposta.
- Eu sou a Melody. – respondi simplesmente, e vi segurar meu rosto da forma que sempre fazia, seu olhar ainda desacreditado passeava de meu rosto para onde antes havia cabelo.
- Como eu te amo, sereia!
- Só não mais do que eu, – sussurrei as falas da minha personagem antes dele acabar com a pouca distância que nos encontrávamos, e me empurrar para que eu caísse com as costas na cama, e me beijou como se fosse o último beijo que Josh daria em Melody.
O som de aplausos começou a preencher o local e terminamos nosso beijo rindo. tinha suas mãos apoiadas cada uma de um lado do meu corpo, me olhando da mesma forma como tinha feito em Malcolm, como se estivesse me despindo com os olhos. O vi morder o lábio inferior como sempre fazia quando me fitava em nossos momentos de intimidade e senti todo meu corpo se aquecer ao ter certeza que nada tinha mudado entre nós.
- Finalmente!! - Howard gritou e todos começaram a gargalhar, quando me virei para encarar as pessoas, vi que muitas tinham lágrimas nos olhos.
- Ninguém aguentava mais apostar se vocês estavam ou não se pegando. – Bryce continuou, aumentando as gargalhadas. - Alguém me deve 100 pratas!
Nos levantamos da cama e agora permanecia mudo ao meu lado encarando sua mãe. Ela não conseguia parar de chorar. Observei ele ir até ela, dando-lhe um beijo na testa, antes de puxá-la para o meio do set e abraçá-la de um lado e me estender a sua outra mão para que eu a segurasse.
- Isso está totalmente fora do script! – soltou nervoso, mas mesmo assim conseguiu com que todos dessem risada. – Ao meu lado estão as mulheres mais importantes da minha vida, uma me deu a vida e me apoiou em todos os meus bons e maus momentos, mas o que ninguém aqui sabe é que minha mãe é a maior responsável por esse filme estar se tornando realidade. – disse sem tirar os olhos dela e embora não visse seu rosto, sentia no tom de sua voz o orgulho com que falava de Jessica. - A outra eu ainda estou tentando descobrir o que eu fiz para merecer, as vezes acho que vou acordar e descobrir que foi só um sonho – seu rosto voltou-se para mim e sorri levemente envergonha por ter toda a atenção em mim, se aproximou me dando um selinho rápido - Até careca você é a mulher mais linda do mundo , digo sereia, você foi o erro mais certo da minha carreira, e acho que já deu pra perceber que eu sou completamente maluco por você, eu te amo demais.
- Eu também, . - respondi baixinho tímida por conta das palmas, gritos e assobios que inundavam o ambiente, que só aumentaram ainda mais, quando me puxou para um beijo de cinema.
- Eu sei que para vocês e para minha namorada eu passo mais tempo do que o necessário aqui no set, e que nem sempre sou o mais agradável. - disse olhando para toda a equipe e sorriu quando os viram concordar. – Mas todos vocês já me ouviram falar o quanto esse filme é importante para mim, e a verdade atrás disso tudo é que o Josh Allen de vocês é apenas Peter para mim, meu avô, e por esse motivo gostaria de apresentar para todos vocês, Jessica, a verdadeira filha de Josh e Melody. – disse fazendo um gesto grandioso com as mãos, apontando para sua mãe, que me abraçava de lado. – Esse roteiro foi todo desenvolvido por mim, e escrito maravilhosamente por David e Cassie. – completou, fazendo com que tudo começasse a se encaixar na cabeça das pessoas, inclusive a minha. - A minha intenção com isso tudo era entender o que as pessoas sentiriam quando o filme acabasse, e antes dos créditos subirem vissem as fotos dos momentos em que meus avós passaram juntos, antes do meu avô morrer.
- Muitas dessas cenas que gravamos. – Howard agora mais próximo a nós iniciou. – Foram criadas a partir das fotos que Jessica nos cedeu, e apesar de ter sido bem difícil aguentar todos vocês me questionando porque tinha tanto poder sobre mim, sendo apenas um ator, eu sabia que no final tudo valeria a pena.
- Hoje, depois de ser surpreendido dessa forma pela sereia, a única atriz que consigo ver interpretando minha avó. – eu o encarei sarcástica e deu uma risada alta. – Ok, ok, esse crédito fica todo para o Howie e o Bryce, obrigado por passarem por cima de mim e a contratarem, vocês estavam certos, se não fosse vocês, teria perdido também a chance de conhecer a mulher da minha vida. Mas o que eu quero dizer é que quando a vi assim, fazendo algo tão difícil para alguém que foi conhecida por tantos anos pelo tamanho do cabelo, me dei conta de que todos vocês estão fazendo um trabalho fantástico e queria aproveitar a oportunidade para agradece-los por terem embarcado nesse projeto comigo, e darem o sangue dia após dia para que o resultado fique da forma que eu sempre imaginei. Obrigado, de verdade! – finalizou colocando a mão no coração em sinal de respeito a todos os profissionais da equipe.
Assim que terminou seu discurso, a primeira coisa que ele fez foi abraçar a mãe dizendo o quanto a amava, Jessica me chamou com os olhos para que eu me juntasse naquele abraço.
- Se antes eu já queria te conhecer por ser essa atriz incrível, e que sem saber, estava representando tão bem a essência da minha mãe, agora que eu também vejo o quanto você faz bem ao meu filho, e o quanto você o ama, sei que posso ficar tranquila por estar tão longe. Eu nunca vi tão feliz e apaixonado, e isso para qualquer mãe é um sonho. Graças a Deus ele largou mão daquelas namoradinhas dele e encontrou uma mulher de verdade.
- Mãe! - resmungou com vergonha e eu a agradeci extremamente tímida.
- Você é linda de qualquer forma, . Cabelo cresce rápido. - complementou do nada, o que me deixou bastante surpresa, já que agora que o segredo tinha sido revelado eu estava me sentindo bastante insegura.
Logo toda a equipe se juntou a nós, e muita gente queria passar a mão na minha cabeça e me parabenizar por ter sido tão corajosa. conversava com todos agradecendo um a um pelo trabalho feito, mas toda vez que o encarava, lá estava ele me olhando de volta.
Jessica e Michael, pai de , iniciaram uma conversa com Henry, Poppy e Zack e automaticamente comecei a procurar por meus pais sentindo meu coração aumentar consideravelmente seus batimentos. Quando os encontrei mais distantes, dei de cara com o olhar mortal de minha mãe, fechei os olhos criando coragem para ir até eles, e dei uma última puxada de ar, antes de me aproximar dos dois.
- Oi. – disse incerta. – Vocês não querem conhecer os pais do ? - perguntei, pois apesar de já ter conhecido os dois, adiei o máximo esse encontro entre eles e meus pais.
- Será que podemos ir até o seu camarim? - observei Moira falar entre dentes, e meu pai tinha uma de suas mão em sua cintura, como se a estivesse segurando.
- Claro – dei de ombros, mas por dentro estava uma pilha de nervos.

***


- Me diz o que você tinha na cabeça!!! - minha mãe literalmente berrou assim que fechei a porta do meu camarim. – Como você me faz uma coisa dessas, sem nem me consultar antes? E todos seus trabalhos publicitários, eu faço o que com os contratantes? – disse, segurando em meu braço com força.
- Moira, se acalme. – ouvi meu pai falar para ela, tentando em vão segurá-la.
- Como eu vou me acalmar, Tomas. Essa menina está completamente louca e é tudo culpa daquele atorzinho, eu sabia que você não estava preparada para esse papel, havia um motivo pelo qual não te mostrei o script e agora está tudo arruinado. – finalizou, soltando meu braço com um leve empurrão, fazendo com que eu tropeçasse ao tentar manter meu equilíbrio.
- O que está acontecendo aqui? - abriu a porta com o semblante preocupado e seu olhar caiu direto no meu.
- O que está acontecendo, grande – dizia em voz alta no seu maior tom sarcástico. - É que minha filha acabou de arruinar toda sua carreira com essa "surpresa", como eu vou explicar aos diretores do filme que eu estava prestes a assinar o contrato que você não tem mais cabelo?
- Filme? - que agora estava ao meu lado me encarou. – Que filme?
- Eu... eu não sei. – respondi sincera, mas sem olhar pra ninguém. Minha mãe tinha o dom de acabar com toda a felicidade que estava sentindo momentos antes.
- A não participa de todo processo criativo que planejamos para ela. Recebemos uma proposta para um filme interessante que topou pagar o cache que cobramos e eu já até recebi o contrato, mas depois disso, como vou tentar vender uma coisa ridícula como essa, careca?
- CHEGA! - me assustei com o grito que deu ao meu lado. – Ol...
- Não! - Henry apareceu na porta junto com Poppy. – , isso é comigo agora. – falou, nervoso.
- Eu vou manter todos longe desse corredor. – Poppy me lançou o seu olhar mais preocupado ao fechar a porta, nos deixando com o mínimo de privacidade.
- Moira. – meu irmão cuspiu seu nome. – Eu não vou admitir que você fale com a minha irmã dessa forma, não depois de tudo que ela fez por você todos esses anos.
- Ela?! - minha mãe o encarou chocada. – Eu e seu pai passamos os últimos dezesseis anos nos privando de tudo para ajudá-la a ter a carreira que tem hoje, tivemos que fazer duras escolhas para que pudéssemos ter tudo o que conquistamos em todos esses anos, mesmo quando os produtores quiseram acabar com Dream Island por conta dos altos custos da série. Eu movi mundos e fundos e consegui fazer com que a produção fosse pro Hawaii, diminuindo o orçamento em 35%.
- O QUÊ!? - eu e meu irmão a encaramos completamente chocados. – Você mudou toda uma série para uma ilha na puta que pariu para que continuasse sendo atriz? - Henry os encarava com nojo.
- Nós tentamos conseguir outros papéis para ela, mas a não estava preparada, e não podíamos simplesmente deixá-la cair no esquecimento.
- Mas você me disse que no contrato teríamos que pagar uma multa gigantesca caso ela não fosse. – meu pai a olhou visivelmente abatido. – Você até me mostrou o contrato, pois eu não lembrava dessa cláusula.
- Ah, meu bem, foi apenas uma mentirinha. Substituí uma página pensando no bem maior. – depois que ouvi isso, senti meu mundo desabar. me abraçou com força, também chocado com o que estávamos ouvindo.
- Você sempre soube que eu queria fazer faculdade na Flórida, que era o meu sonho. – Henry parecia um menininho de quatro anos quando não ganha presente do Papai Noel. – Você está me dizendo que a culpa de eu ter ficado sem falar com a minha irmã por quatro anos é sua? E que vocês nem precisavam ter se mudado para tão longe?
- Henry, se não fosse a fama da sua irmã você nunca teria entrado na faculdade, por que você acha que ela se tornou estudante honorária? Fora que o salário dela que pagou todos os seus cursos...
- Meu Deus! - senti minha visão ficar fora de foco e meu corpo enfraquecer.
- Não se preocupem, eu como sempre vou dar um jeito nisso tudo.
- NÃO! - Disse firme, olhando para e Henry ao meu lado. Sabia que a hora tinha chegado. – Eu não vou permitir que tudo isso continue. Você está falando da minha vida, uma que talvez se eu tivesse tido a chance não teria escolhido para mim. Ser famosa foi sempre o seu sonho, mãe, não o meu. Mas eu não vou apontar dedos, não vou te culpar por tudo que aconteceu em nossas vidas porque querendo ou não, tudo que conquistei – disse, a encarando firme - Sim, que EU conquistei, não você mãe, foi fruto do meu esforço, da minha adolescência perdida, das aulas que não fui, da formatura que eu perdi. Eu reconheço que você e o papai tem um papel fundamental em tudo isso, e que no fundo eu e Henry fomos apenas pegos nesse jogo, mas não quero apontar os culpados, eu também estava lá sentada na primeira fileira, vendo tudo isso acontecer sem falar nada. Eu vou deixar com que a vida aconteça e com o tempo quem sabe, você veja a verdade mãe. Henry, você pode chamar a Poppy? – meu irmão assentiu, abrindo a porta.
- O que você está querendo me dizer? - Moira me perguntou visivelmente mais calma, mas com o cenho ainda franzido.
- Eu estou querendo te dizer que acabou, que eu não sou mais uma peça de um jogo que você decide quando começa ou acaba. Quando eu fiz vinte um anos mês passado eu tomei algumas decisões de vida, revi minhas prioridades e meus sonhos, e... - sorri ao ver Poppy me olhar incerta. – Onde você guardou aqueles documentos que te dei?
- Ah, estão aqui. – sorriu, abrindo um armário que somente ela tinha acesso e me entregou os três envelopes.
- Pode ficar. – sorri ao ver confusão em seus olhos. – Você também faz parte disso tudo. Moira, eu te amo de verdade, apesar do seu jeito você ainda é minha mãe, mas é somente isso que a partir de hoje eu quero que você seja, apenas minha mãe. Esses documentos comprovam que desde o meu aniversário vocês não tem mais nenhum poder de decisão sobre minha carreira. - entreguei um envelope para cada um, segurando o de Poppy.
- O q... mas, você não pode fazer isso, quem vai cuidar da sua carreira?
- Eu mesma. – disse e senti um peso que nem sabia andar comigo sair de meu corpo. – Eu vou assinar com os empresários de , e Henry vai começar a trabalhar comigo, aí nesse envelope tem tudo explicadinho, inclusive uma oportunidade para você continuar nesse meio, mas sem que tenha meu nome envolvido, uma chance para você criar sua própria carreira na indústria cinematográfica. – sorri, observando ela e meu pai lendo os documentos. – Pai, eu sempre confiei na forma que você lida com meu dinheiro, eu gostaria que você continuasse desempenhando esse papel junto a Henry, mas não mais de casa. Aquela casa é minha, não nossa. Eu achei uma casa um pouco menor, mas com espaço suficiente para vocês dois há dez minutos de casa. Estou terminando de reformá-la e já separei uma parte de um investimento para que vocês a decorem da forma que quiserem.
- Minha filha. – meu pai se aproximou emocionado. – Eu tenho tanto orgulho de você, eu nunca imaginei que era assim que você se sentia todos esse anos, eu amo muito você, seu irmão e sua mãe, e tudo que fiz foi para ver vocês felizes. Me perdoa se muitas vezes fechei os olhos para o que estava acontecendo, sempre acreditei que sua mãe estava trabalhando para o melhor de nossa família, mas hoje eu consigo ver que ela se perdeu em algum momento e eu deixei com que isso acontecesse, mas não mais, eu quero que você saiba que apesar de você estar careca, você ainda é a minha princesinha e te acho tão linda agora como em todos os outros dias da minha vida. E sei que o vai saber fazer com que você se sinta tão especial quanto você é, é uma honra ser pai de duas pessoas tão maravilhosas e é uma honra maior ainda trabalhar para você.
- Obrigada, pai. Eu também te amo muito, acho que hoje podemos iniciar uma nova fase para a família Reed, o que acha? - disse o abraçando e logo senti Henry nos abraçar juntos.
- Eu não vejo a hora dela começar. - meu pai respondeu e acabamos nos soltando.
- Isso só pode ser uma piada. – minha mãe chamou nossa atenção para ela ao jogar com força os documentos no chão e sair pisando duro, batendo a porta com tudo.
- Deixa comigo. – meu pai nos deu uma piscadinha. - São vinte sete anos ao lado dela, eu sei que ela sabe que errou, ela só vai precisar de um tempo.
Dito isso meu pai saiu, e as quatro pessoas que estavam no camarim se entreolharam sérias por um longo tempo, eu fui a primeira a começar a rir, quando finalmente me vi dona do meu próprio destino, e logo nós quatro estávamos abraçados e gargalhando.
- Ah espera. – disse chamando a atenção de todos – Poppy esse envelope aqui, na verdade, é seu.
- Meu? - ela me encarou curiosa e o abriu com cuidado. – O... o que é isso? – disse, emocionada.
- Eu só espero que você tenha renovado seu passaporte, porque assim que as gravações terminarem, se você aceitar, é claro, você fará parte da minha nova equipe e quando o filme estiver pronto, irá viajar com a gente mundo afora para a campanha de promoção e premières.
- Se eu aceitar? - ela disse, rindo e emocionada. – Aonde tem uma caneta?! – soltou animada, vindo me abraçar. - Obrigada , eu, nem sei como agradecer, você é a melhor chefe do mundo.
- Você só está dizendo isso porque não sabe as coisas que preciso sair pra comprar quando a sereia está de TPM. – riu baixo, me abraçando por trás. – Bem vinda, Poppy. Fico feliz que fará parte de nossas vidas por muito mais tempo.
- Quem sabe assim meu irmão larga a mão de ser tonto e te pede logo em namoro. – gargalhei ao ver Henry arregalar os olhos e ficar imediatamente vermelho.
- Como estragar uma surpresa, por Reed. – disse divertido. – Eu queria ter feito isso com calma, sem duas velas nos olhando. – Henry pegou as mãos de Poppy. – Mas Penélope, você aceita ser minha namorada e de quebra ter sua cunhada como chefe.
- Aceito. – ela respondeu toda fofinha e e eu apenas os observamos celebrar um novo amor que acabava de nascer.
-
(...)


- Eu não sei do que estou mais orgulhoso, sereia, se é do seu ato de coragem. – disse, passando a mão na minha cabeça, mania que tinha pego desde o dia que raspei o cabelo. – Da forma que lidou com os problemas com seus pais, ou da atuação brilhante que fez no meu filme. Eu nunca imaginei que um dia amaria alguém da forma que te amo, e se um ano depois do nosso primeiro beijo, esse sentimento só cresceu, eu nem consigo imaginar como vai ser daqui uns anos. – disse, me abraçando em meu quarto.
- Bobo. – sorri, lhe dando um selinho rápido para não estragar minha maquiagem. – Eu devo tudo a você, . Você me colocou em primeiro lugar e acreditou em mim antes de eu mesma fazê-lo. Colocou seus sentimentos de lado para que eu pudesse me tornar minha melhor versão, e essa versão é completamente apaixonada por você. Você fecha o zíper pra mim? - virei de costas para ele.
- Sempre, sereia, mas estou mais interessado em abri-lo hoje a noite, isso sim. – sorri, sabendo que ele estava fazendo a maior cara pervertida atrás de mim enquanto fechava meu vestido.
- Não se preocupe, eu até estou usando a sua calcinha favorita para te fazer querer tirá-lo mais rápido. - sorri vencedora antes de sair do quarto.
- Isso é alguma espécie de tortura? – o ouvi dizer atrás de mim. – Quer me deixar viciado em você? - gargalhou ao relembrar algo que tinha me dito um ano antes.
- Eu acho que você já está, meu amor. – me virei, lhe dando um beijo mais profundo, e como sempre, finalizou mordendo meu lábio inferior, promessa de uma noite que não teria hora para acabar.
- Vocês não cansam nunca? - meu irmão perguntou com sua costumeira cara de nojo.
- Nunca. – sorri, olhando para Noel, Henry, Poppy e meus pais, todos vestidos para a première mundial de Curtain Call.
- Você está linda, . – minha mãe veio até mim, ajeitando a pequena presilha que segurava o pouco cabelo que tinha crescido durante esse último ano. – Prontos?
- Sempre. – eu e falamos juntos, antes de darmos as mãos a caminho da limusine que nos aguardava do lado de fora.
- Sempre. – eu e murmuramos um para o outro, antes de seguirmos minha família porta a fora.
- Eu te amo, sereia!
- Só não mais do que eu .



Fim.



Nota da autora: Oi meninas,
Eu sou suspeita, mas eu estou muito apaixonda por esse casal, e vocês?
Eu tinha uma idéia de fazer uma longfic para essa história, mas quando vi essa música disponível sabia que tinha que pegá-la , já que sempre imaginei o Zayn como o pp.
E vocês com quem leram? Me contem o que acharam.
E caso queiram ficar por dentro do que mais escrevo, aqui está o link para o meu grupo no facebook
Beijos.




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