CAPÍTULOS: [ÚNICO]









Capítulo Único


Parte Um


chorava e suas mãozinhas apertavam meus braços. Eu queria saber o porquê da minha irmãzinha chorar tanto. Sua trança estava bagunçada e ela soluçava de tanto chorar, mas nenhuma palavra saía da sua boca.
— O papai não vem pro meu aniversario — minha irmãzinha diz em prantos.
Odeio termos pais diferentes e por apenas o meu ser presente e amoroso.
— E o papai tem outra filha, . E ele não me ama porque a outra é mais bonita, ela tem o papai porque é melhor do que eu.
— Você é linda, . — Acaricio seus cabelos loiros e ela me olha, seus olhos estão encharcados pelas lágrimas. — E eu duvido que exista uma menininha mais linda, mais especial do que você.
E mesmo que digam que ódio é um sentimento muito forte pra um garotinho de doze anos, eu o sinto pela criança que tirou da minha irmã a felicidade. O pai que ela tanto quer e ama.

Parte Dois


Anos depois…


Aniversário de vinte e um anos da minha irmã e como sempre permiti fazer a sua festa na minha casa.
E não importa quantos anos tiver, sempre vai conseguir arrancar tudo de mim. E essa é minha irmãzinha que a vida inteira protejo, principalmente há quatro anos, quando o seu “pai” decidiu voltar para reconquistar o amor da minha mãe e da sua filha. Na verdade, ele não passa de um aproveitador que quer viver à custa do dinheiro da minha mãe.
Mesmo não gostando da festa e dos amigos da minha irmã por eu ser seis anos mais velho do que eles e curtir outras coisas, decido ficar para monitorar a festa e as possíveis besteiras que eu sei que alguns vão fazer.
E então ela adentrou a sala da minha casa segurando um embrulho de presente e com um sorriso tímido nos lábios. Era definitivamente um peixinho fora d’água, mas pareceu feliz em estar ali.
Seus cabelos caem um pouco abaixo dos seios fartos marcados pela camiseta que usa. Os olhos intensos e escuros.
— Um peixinho fora d'água. — Sorrio e ela retribui com um sorriso doce.
E seu perfume de baunilha me deixa completamente louco.
! — Ela sorri e estende a mão, mas meu corpo paralisa ao ouvir o seu sobrenome.
Como o canalha do John ousou convidar essa garota para o aniversário da minha irmã?
— Você precisa ir embora. Agora. — Digo e empurro a garota em direção à porta.
Foda-se que você é gostosa pra caralho, mas não quero ver minha irmã triste.
— Eu acabei de chegar. — Ela sorri e pareceu não entender. — E meu pai disse que a pediu para me convidar.
Porra, eu vou matar o John.
— Seu pai é um babaca — digo e abro a porta. Puxo a garota pela mão. — E você não devia estar aqui.
— Concordo que ele é um babaca. — Ela sorri sem humor e me entrega o embrulho. — Entrega a sua irmã, por favor. Não a conheço, mas meu pai diz que devo conhecer, mas fica para outro dia.
— Você não sabe que minha irmã é…
! — grita e se aproxima.
— Você deve ser a . — sorri. — Eu sou a
— Eu sei quem você é. — Minha irmã diz rude.
! — Repreendo a falta de educação da minha irmã.
— É melhor eu ir. — A garota diz e caminha em direção ao portão.
Não acreditei que o John foi tão canalha ao ponto de mandar sua filha pra festa da irmã. E essa garota nunca soube que seu pai abandonou minha irmã quando ainda bebê?
estava sentada na calçada e olhava para o céu, parecia buscar algumas respostas paras suas dúvidas.
Sentei ao seu lado e ela permaneceu calada.
— Não tem uma festa pra curtir, garoto que não sei o nome? — Ela brinca, mas não desvia seus olhos do céu.
! — Sorrio. — São novos demais.
— O idoso tem quantos anos? — Ela brinca. E o seu bom humor me surpreende.
— 26. — Sorrio.
— Sério? — Finge não acreditar. — Olho pra você e dou uns 50 anos.
— Muito engraçada!
— É uma das minhas qualidades. — Me encara e novamente há aquele sorriso doce em seus lábios.
Merda. Não posso gostar desse sorriso porque ele causa dor a .
Eu odeio essa garota. Odeio.
— Então seu pai mandou você vir a essa festa? — Perguntei curioso em descobrir o que a levou vir até a festa de uma irmã que ela nunca soube da existência.
— Minha mãe mandou vir passar um tempo com o meu pai. — Franziu o cenho. — E mal cheguei e ele me disse dessa festa e que praticamente me obrigou a vir.
E pelo seu franzir de testa, sua relação com o pai não é a das melhores. John é um fodido mesmo. Não presta pra nada.
— Você conhece o meu pai?
— Por acaso ele é casado com minha mãe — digo.
— Sua mãe parece ser uma pessoa boa. — Sorri.
— É.
Conversamos bastante e descobrimos muitas coisas em comum, inclusive o amor da garota por Nirvana. E nessa ela ganhou muitos pontos comigo.
E eu sei não que devo estar aqui conversando com ela. Não devo ouvir suas histórias e muito menos compartilhar as minhas. Mas é exatamente isso que eu faço.
E quando dei por mim meus lábios procuraram pelos dela e para minha surpresa ela deixou dando passagem para língua.
E ela tinha um gosto doce. Suas mãos estavam apoiadas em meus ombros e as minhas apertavam firme a sua cintura.
Por impulso larguei a garota e a empurrei para longe de mim. Levantei depressa quando percebi o que eu fiz.
você pode pegar e comer quem você quiser MENOS ela. Cacete.
— É melhor você ir embora. — Digo sem dar chances para que possa falar mais nada.
Quando adentro a casa encontro minha irmã dançando com as amigas e o alívio toma conta de mim quando vejo em seus lábios um sorriso verdadeiro.
Nada, nem ninguém vai tirar a felicidade dela.

XX


Olho pra todos os cantos e tem garrafas de cervejas, muita sujeira e minha faxineira vai ter um trabalho para deixar tudo impecável.
Não sei até que horas rolou a festinha da minha irmã, porque desisti de supervisionar a festa depois das 04h00 a.m. Por sorte, respeitou a minha ordem de não deixar ninguém dormir na minha casa, mas a encontrei jogada no sofá da sala.
E duas coisas são certas: vai acordar com uma ressaca horrível e com dores nas costas por dormir no sofá.
Enchi minha xícara com café puro e sem açúcar melhor forma de começar o dia. Abri a porta da cozinha e caminhei até a varanda tendo a vista mais bonita do mundo.
A praia cheia, crianças brincavam, mulheres tomavam sol, pessoas jogavam vôlei.
Fui interrompido pelo barulho da campainha e quando abri a porta dei de cara com .
O que ela está fazendo aqui? Merda. está dormindo na sala e nem em pensamentos pode pensar que está aqui ou então, vai me encher o saco o dia todo.

— Desculpa se estou te incomodando, mas quero me desculpar pela noite anterior, porque você deve ser comprometido e por isso fugiu. E eu não vou contar nada pra sua namorada e vamos fingir que isso nunca…
— Não. — Sacudi a cabeça. — Eu sou solteiro e fui embora porque eu quis.
E franziu o cenho e pareceu sem graça com minha resposta.
— Ah, então é melhor eu ir. — Sorriu. Quando está quase no chamo, por ela. Não sei por que, mas algo em mim quer conhece-la melhor.
Você a odeia . Quer conhecer ela melhor pra odiar ainda mais?
! — Chamo e ela vira para me encarar.
— O quê? — Pergunta.
— Quer conhecer a cidade? Talvez um almoço?
E ela sorri e assente que sim.
Peguei as chaves do carro e a carteira, mas antes de sair observei e notei dormir tranquilamente.
Abri a porta do carro para e a mesma entrou e afivelou o cinto em seguida. Girei a chave na ignição do carro. Quase meia hora depois parei o carro no parque da cidade e não esperou para abrir a porta e saiu rápido. Com certeza a beleza do local chamou a sua atenção. Seus olhos brilharam e a garota observou tudo completamente encantada.
E ela era tão adorável. Porra.
— Então está gostando de visitar o seu pai? — Digo quando nos sentamos debaixo da árvore para nos protegermos do sol.
E ela sorri e nega com a cabeça.
— É estranho — diz e olha fixamente para o lago.
— Por quê?
E essa foi uma ótima oportunidade de conhecer a garota que a vida inteira foi sinônimo de dor para .
— Não o conheço mais. — Ela franze o cenho. — Não é o mesmo de anos atrás sabe? O pai amoroso, carinhoso.
Talvez, não ter ele como um pai foi o melhor pra minha irmã. E me fez mal pensar que minha irmã fosse que estivesse triste.
E eu mataria aquele o infeliz do John se fizesse minha irmã triste.
— O que houve com o seu pai? — A curiosidade falou mais alto.
E ela sorriu antes de despejar o que pareceu estar preso há muito tempo.
— Sinceramente? Eu não sei. — Respira fundo e prossegue com sua explicação. — Muitas brigas por motivos bobos até que chegamos ao dia que foi embora.
Ela riu sem humor.
— Usando as palavras da minha mãe: “ele cansou da nossa vida, da gente.”
Uma lágrima rolou pelo seu rosto, mas a menina a enxugou rapidamente.
— Você sofreu muito com a partida do seu pai né? — Perguntei mesmo sabendo a resposta.
— Eu passei a ter duas imagens do meu pai: de quando foi melhor pai do mundo e do dia que se tornou o pior, o mais covarde.
O silêncio predomina o local e a puxo mais pra perto. Ela se acomoda entre as minhas pernas e deita a cabeça em meu peitoral. Distribuo beijos pelo rosto, pelo seu pescoço.
— No verão começo meu curso de administração. — Percebo o quão empolgada ela está e sua necessidade em mudar de assunto.
— Você parece muito feliz. — Sorrio e aperto um pouco mais contra meu corpo.
— É apenas uma parte do meu sonho que vai ser realizado.
— E eu fico feliz por dividir essa alegria comigo.
— Se você permitir, eu vou dividir muitas coisas com você. — Ela sorri e sela nossos lábios.
Eu sei que vai chegar o momento que essa mistura entre ódio e amor vai ter o seu fim. Mas nesse momento não cogito a ideia de tirar da minha vida, mas ao mesmo tempo não quero ver sofrer.

Parte Três


No primeiro dia a levei ao cinema, e assistimos por quase duas horas um romance água com açúcar. O pior foi que saiu do cinema com os olhos vermelhos e parei de contar na terceira vez que a menina se perguntou o motivo do personagem ter ido embora. Tive que confessar, achei uma gracinha seus olhos vermelhos e sua sensibilidade.
No segundo dia fomos à praia e eu vi na garota sorrisos que não percebi quando chegou. E aquele sorriso começou a me afetar muito. E não adiantou mais tentar lembrar os motivos que me fez odiar, . Não adiantou mais nada.
No terceiro dia me mostrou mais um pouquinho das coisas que descobri guardar pra si mesma.
E ela tocava piano tão bem que podia ouvir o dia inteiro. E ela sorria tão doce que por minutos enquanto estava com ela eu me esquecia de tudo e de toda a merda do passado.
No quarto dia cozinhou pra mim e ficou toda boba por ver que realmente gostei da lasanha que preparou.
E esse sorriso me desmontava.
No quinto dia passei a manhã, tarde e parte da noite inquieto no escritório. Quis acabar com todas as reuniões o mais rápido possível para ficar com ela, mas quando cheguei em casa olhei pro o relógio que marcou 23h00 p.m e era com certeza muito tarde. E naquela noite eu percebi o quanto me apeguei a ela.
No sexto dia eu a observava por longos minutos enquanto tocava o piano. Seus cabelos estavam bagunçados e ela cantava animada uma das músicas que disse ser a sua preferida.
Me sinto mal em esconder , por não ter coragem de dizer o que eu sinto, mas entre nós nos há segredos e verdades que podem nos afastar pra sempre. E não estou preparado para perder essa mulher.
No sétimo dia percebi que a semana passou tão rápida que pareceu que foi ontem que chegou. Minha forma de enxergar essa garota mudou completamente. Comecei a enxergar a garota de outra forma e o que eu sinto por ela é algo que jamais senti por qualquer pessoa.
Eu não presto. Eu sei. Ela não me odeia, mas quando souber de tudo vai me odiar. Eu sei.

“Em meia hora chego aí.” Xx May 18:00 p.m



Chequei os últimos detalhes e aproveitei para pegar cobertores porque a noite ficou fria. Descobri a paixão da garota por How I Met you Mother a minha série preferida e combinamos uma maratona de episódios.
E tudo pronto e quando peguei o celular para ligar para a campainha tocou.
Ao abrir a porta meus olhos passeiam desde o seu rosto ao seu corpo. Os cabelos estão presos em um coque frouxo e ela está com meu moletom.
Eu amei ver a minha roupa nela.
Amava quando acordava.
Amava vê-la antes de dormir.
? — me chamou e saí do meu mundo particular.
— Linda. — A puxei pra mim e colei nossos lábios. — Linda.
E ela sorriu e me apertou forte contra seu corpo.
se enfiou debaixo dos cobertos e deixou pra mim o trabalho de fazer a pipoca. E quando voltei com a tigela, e as cervejas ela levantou o cobertor e juntei a ela. Deitou sua cabeça em meu ombro e entrelacei sua mão com a minha.
Risadas preenchiam a minha sala. E já tínhamos acabado com a primeira temporada, e era hora de parar afinal os olhos da quase se fechavam sozinhos e passava das 02h00 a.m.
— Por hoje é só — digo e desligo a televisão.
Lábios urgentes procuram pelos meus. me beija avidamente, e as minhas mãos deslizam até a cintura e suas mãos seguram a minha camisa. Nossas línguas travam uma guerra maravilhosa entre si, mas isso não é o suficiente. Tenho me segurado e me controlado por dias para não transar com essa garota, mas é impossível. A deito no sofá e me acomodo entre as suas pernas. Meus lábios distribuem beijos castos por toda a extensão do seu pescoço e ela segura firme os meus ombros.
Nesse momento ela foi minha, mas fui dela no momento que a vi.

Eu tinha que contar a ela tudo que me impediu de cair de vez nesse sentimento que tomou conta do meu coração no momento que meus olhos pousaram nela, em sua beleza única e em toda a sua doçura.
Mas então ela sorri, me abraça, me beija e eu esqueço de tudo que me lembra o porquê não posso ficar com ela.
— Você está pensativo. — sorri e suas mãos fazem carinho em meu peitoral nu.
E eu olho pra ela e Deus, como é linda! Tão perfeita, tão pura, mas que vai me odiar quando descobrir tudo.
— Observando o quanto você é linda. — Deposito um beijo em sua bochecha.
E ela sorri e suas bochechas coram.
— Você também não é nada mal. — Ela brinca.
— Obrigado, linda.
E ela me abraça ainda mais forte e minhas mãos deslizam parando em sua cintura e a apertando ainda mais contra meu corpo. E seus olhos pouco a pouco se fecham e ela adormece no calor dos meus braços. Com cuidado, a pego no colo e a deito em minha cama. É ali que ela tem ficar. É ela que eu quero na minha cama.
Tiro mina camisa, e deito ao seu lado e seus braços me abraçam. E essa é a melhor forma de terminar o meu dia.

XX


Um tapa seguido por outro foi assim que acordei, mas o pior de tudo foi encontrar minha irmã que me encarou com seus olhos cheios de lágrimas.
dormia em minha cama tranquila e tão inerte a tudo que acontecia.
Apontei para a porta e minha irmã saiu. Coloquei uma bermuda, e desci encontrando-a na cozinha de cabeça baixa e pude ouvir seu choro.
— Eu não acredito, . — Minha irmã grita e me encara com desaprovação no olhar. — Dormir com essa infeliz, por quê? Não me ama mais? Não lembra que ela tira o papai de mim?

— Meu Deus! — Ela me olha assustada.
Respiro fundo e eu sei que não vai me deixar falar até terminar.
— Você se apaixonou pela mulher que fez da vida da sua irmã um inferno? E todas as noites que chorei por culpa dela? Todos os aniversários que o papai não veio por que estar com ela? Quando eu me formei no ensino médio e não tive um pai pra me entregar o anel de formatura?
Porra.
— Chega! — Grito. — Eu lembro de tudo porque eu SEMPRE estou aqui por você, pra te proteger e fazer todas as suas vontades, mas entende que nem tudo é sobre você, o que você sente. O mundo não gira em torno da sua vida, .
— Escuta o que você está dizendo, ou melhor, a forma que está falando com a sua irmã.
Vê-la chorar partiu o meu coração, mas foi inevitável não me envolver com .
— Você a ama e não me ama mais, é isso? — Ela grita.
— Não — digo desesperado. — Eu odeio a .
Minha irmã tentou dizer algo, mas o barulho da porta batendo foi o suficiente para ela se calar. A deixei plantada na cozinha e corri paro meu quarto para pegar minhas chaves e a carteira. Por que eu não contei pra ? E ela descobriu dessa forma. Merda. E o que foi que eu disse para minha irmã? “Eu odeio a . Porra, eu sei que não odeio.

O velocímetro do carro marcava 120 km e eu precisava ser rápido ou então não sabia o que podia acontecer. Minha mãe morava a quase meia hora da minha casa, mas com essa velocidade pretendia chegar até mesmo antes que .
Sou tomado por uma dor que eu nunca sinto, não sei como definir, mas eu sei que dói forte e intensamente.
E como previ não chegou e tive algum tempo para pensar nas palavras certas. E decidi esperar por ela na sala. E quando ela entrou na casa notei seus olhos vermelhos e ela soluçou devido as suas lágrimas.
O que eu fiz, meu Deus?
! — chamo e ela não me encara.
Sobe as escadas apressada e volta com a sua mala.
— O que você quer? — grita.
— Eu quero conversar com você e…
— Agora? — Uma risada sem humor sai dos lábios. — Por que você fez isso comigo? O que eu fiz pra você?

Uma longa pausa e ela se aproximou de mim, mas deixando uma distância entre a gente.
— Eu não tinha nascido — ela gritava. — Não tinha culpa por meu pai ser um escroto, mas você não quer pensar nisso, né?
E seus olhos tristes me matam pouco a pouco.

— Cala a porcaria da boca! — Cospe as palavras. E percebo a dor com misto de raiva em sua voz. — Agora você vai me escutar e não vai dizer nada. Porque essa é a última vez que falo com você.
Analiso sua aparência cansada e triste e apenas faço o que ela me pede. O mínimo que posso fazer por ela é escutar tudo que quiser dizer.
— Tudo bem.
— Meu pai abandonou a sua irmã quando ainda criança, quando precisou dele e eu sinto muito de verdade.
Uma longa pausa e vejo dor em seus olhos.
— Ele me privou de conhecer minha irmã, ele privou ela de ter o amor de um pai… Mas, por favor, não me rotule como algo que causou dor a sua irmã porque minha mãe engravidou pouco tempo depois do casamento, pouco tempo depois que ele foi embora. Sua irmã precisou de alguém pra odiar, pra culpar e eu fui a escolhida. Mas o meu pai ela recebeu de braços abertos, mas fui eu que ela escolheu para odiar, culpar e o pior? Você também.
— Eu te amo, por favor, não me deixa. — Praticamente imploro. A odeio, mas não consigo pensar na possibilidade que ela me deixe. Não.
— Você me odeia, é isso que disse pra sua irmã. — Diz e seus olhos ficam cada vez mais tristes. — Mesmo que não faça diferença na sua vida eu preciso dizer que nunca vou sentir isso por você. Nossa história não pode existir, porque você, assim como sua irmã, me culpa e me odeia por algo que eu não tenho culpa.
E ela segura firme sua mala assim como no primeiro dia, mas dessa vez ela caminha em direção a porta e eu sei que se ela passar por ela nunca mais vou ver, tocar, sentir e vai ser o fim definitivo para a gente.
— Quando olho para a minha irmã, lembro todas as vezes que a vi sofrer, aí eu te odeio. — Digo alto e ela paralisa, mas não vira para me encarar. Não quero justificar o que eu sinto com o que eu digo, mas quero que ela tente entender um pouco do dilema que eu vivo desde a sua chegada. — Mas aí eu olho pra você e eu te amo cada vez mais.
E sem largar a mala ela vira e me olha.
— Você não vai me amar mais — despeja e sinto uma pontada com o que está por vir. — Eu estou te deixando, . E agora tudo volta a ser como era antes. Você olha pra sua irmã e me odeia. E eu vou lembrar de tudo e pensar em meus sonhos onde ficamos juntos.
E quando ela sai pela porta da casa da minha mãe algo dentro de mim morre. Pra sempre. Não tenho forças pra correr, não tenho argumentos que a faça ficar, que faça com que sinta vontade de estar comigo, que a faça sentir todo o amor que eu sinto por ela. Não tenho nada.
E quando cheguei perto de ter algo eu perdi pra sempre.

Parte Quatro


Dois anos depois…


Não consegui superar a partida da única mulher que eu odiei e amei ao mesmo tempo. A procurei por tantos anos, mas não a encontrei e desperdicei a chance de ter a minha história de amor. Por culpar alguém que na verdade, nunca teve culpa.
Tudo que eu tenho dela são as lembranças e essa foto que carrego comigo todos os dias.
E foi preciso ela ir embora, me deixar sozinho pra perceber que foi um erro odiar a única mulher que eu amei.
Meu maior erro: desperdiçar tudo o que algumas pessoas passam a vida inteira procurando e não encontram.
E no meu caso foi diferente; eu não quis encontrar, mas ela caiu de paraquedas na minha vida e a deixei ir embora.
… — Escuto a voz da minha irmã.
Nos afastamos bastante desde a partida de . Minha irmã não quis enxergar que John nunca prestou, que ele fodeu a vida das duas.
Porém, quando encaro minha irmã, ela segura uma garotinha em seus braços. Os traços daquela criança me lembra alguém muito especial. .
A criança dorme no colo da minha irmã e percebo os olhos marejados dela.
? — perguntei preocupado. — Aconteceu algo?
Minha irmã se aproxima cada vez mais até ficar de frente pra mim.
— Estende os braços — diz e faço o que ela pede.
E ela aconchega a garotinha em meus braços. Vejo minha irmã chorar compulsivamente e analiso com calma os cabelos do bebê em meu colo, a pele branquinha com um tom rosado, mas o que faz meu mundo parar e ver naquela criança a mesma marca de nascença que eu tenho.
, o que significa isso? — junto todas as minhas forças e consigo pronunciar algo.
— A vida inteira você não mediu esforços pra me ver feliz. Cuidou de mim, me abraçou, foi o melhor irmão. — Minha irmã continuou chorando. — , você quis socar o primeiro idiota que me magoou, você me buscou na escola quando tive minha primeira menstruação, você me protegeu por todos os anos, fez as minhas vontades e eu precisei te devolver toda essa alegria.
… — Meus olhos se fixaram na bebê acomodada em meu colo.
Minha irmã enxugou as lágrimas e prosseguiu.
— E nesse momento eu devolvo a você através dessa criança tudo aquilo que sempre fez por mim. — Acariciou os cabelos da bebe. — Há dois anos uma parte de você nasceu e essa é a Cecilia, minha sobrinha, sua filha e da .
Meu mundo paralisa e tudo o que importa é a criança em meus braços. As lágrimas rolam e molham todo o meu rosto mundo por ver a parte mais importante de mim dormindo em meus braços. Pensar que há tenho por tanto tempo, mas que não pude cuidar, abraçar, não pude acompanhar a gravidez da , fazer suas vontades...
Eu sei que eu não mereço essa alegria, mas, mesmo assim, eu vou cuidar dessa criança com todo o meu amor. Eu a conheço há cinco minutos e amo mais que tudo na minha vida. Cecilia a minha menina, minha princesa, minha filha.
… — A voz de é como música para meus ouvidos.
A analiso e ela continua a mesma, apenas mudou o corte cabelo, mas continuou perfeita.
Seus olhos assim como os meus estão encharcados pelas lágrimas. E a cada passo dela meu coração parece que vai sair do meu peito. E eu só me dou conta que não é um sonho quando eu sinto seus lábios procurar pelos meus.
— Não é um sonho… — Digo quando abro os olhos.
— É a sua realidade, ou melhor, nossa realidade. — Ela sorri e beija a testa da nossa filha.
Talvez foram todas as vezes que chamei por ela, por procurar essa mulher em todos os países, em meus sonhos, por chorar todos os últimos dois anos de saudade, de dor por perder quem eu amo.
E eu não sei o porquê mereço ter de volta em minha vida o amor, mas eu vou agradecer todos os dias da minha vida.



Fim!



Nota da autora: (22/08/15) Adivinha quem está chorando? Essa autora vulgo manteiga derretida.
Bom… Aos 45 do segundo tempo surgiu essa música vaga e não me controlei(eu preciso me tratar porque ficstape é um vicio que tomou conta de mim) e aí peguei essa música para transformá-la em uma história. E eu simplesmente amei o resultado.
As minhas leitoras quero deixar meu agradecimento por todo o carinho e atenção. Jujubinhas vocês são as melhores.
Ah, tem outras duas histórias minhas no ficstape(Warrior, In Case) As futuras leitoras agradeço por dar uma oportunidade a história. E torcendo para que a história agrade vocês.
A beta, linda quero deixar meu agradecimento pela atenção em betar as histórias e fazer a sua mágica. Vocês são os anjinhos das autoras.
Qualquer crítica construtiva(sem insultos, por favor), opinião, elogio ou algo que achem válido dizer logo abaixo tem uma caixinha de comentários, ok?
Beijinhos e até o próximo ficstape.

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