Postada em: 12/11/2017

Capítulo Único


Park City, Utah – Estados Unidos


checou sua câmera pela última vez antes de sair da pequena pousada, olhou no relógio de pulso e viu que ainda tinha uma hora antes do início das gravações, tempo mais que suficiente para explorar a região em que estava hospedada.
- Socorro! - seu coração parou por um milésimo de segundo quando seu pé direito escorregou e ela quase caiu de bunda no chão, mas conseguiu segurar em uma pilastra de madeira e se livrou de uma queda boba.
Respirou fundo e ajeitou sua postura, olhou ao redor e agradeceu por não ter ninguém ali, pelo menos sua dignidade estava a salvo.
- Ande como um pinguim. - sussurrou para si própria, lembrando-se da dica que seu pai lhe deu quando ela era adolescente, já que o homem estava cansado de ver a filha escorregar e cair por causa da neve.
Ela desceu os pequenos degraus do local cuidadosamente, pisou na neve e fez uma careta quando os flocos de gelo cobriram até sua canela, teve certa dificuldade no começo, mas após alguns minutos já andava com mais tranquilidade. A paisagem de onde as gravações aconteciam era espetacular, então qualquer outro tipo de problema ficava de lado.

River sempre quis ser atriz, desde que se entendia por gente sonhava com isso, até quando era pequena brincava de atuar com suas bonecas e brinquedos. E logo na adolescência já começou a fazer cursos de teatro, teve sua primeira oportunidade aos quinze anos, quando fez uma participação numa renomada série de comédia e sua carreira foi assim por dois anos, fazendo apenas papéis de pequeno porte e sem muita relevância.
Mas tudo mudou quando conseguiu o papel principal de um filme de suspense, onde interpretou uma menina com problemas mentais que tentava se lembrar de um ataque que tinha sofrido, mas o seu cérebro havia bloqueado todas as lembranças para que ela não tivesse traumas pelo resto de sua vida. dominou a personagem por completo, ela se entregou de corpo e alma para aquele filme, o que lhe resultou em críticas positivas e deslanchou sua carreira de atriz.
Porém, após alguns anos, sentiu que precisava de novos desafios e por isso decidiu ir para o país de origem de sua mãe: o Brasil. era filha de uma modelo Brasileira com um empresário Americano, ela nasceu e foi criada nos Estados Unidos, mas desde cedo foi inserida na cultura Brasileira e realmente amava aquele país. Ela passou quatro anos na cidade de São Paulo fazendo cursos que só acrescentariam o seu currículo e depois conseguiu alguns papéis em novelas e atuou em um filme que foi um grande sucesso no país.
Quando sentiu que tinha cumprido sua missão no Brasil ela voltou para a sua Terra natal e cursou Cinema, pois queria saber como seria trabalhar por trás das câmeras. tinha se encantado especialmente pela Direção de Fotografia e focou nessa área, logo após sua graduação ela conseguiu emprego como assistente de uma renomada profissional da área de direção, Ella Stabler, e ela sabia que estava tendo a oportunidade da sua vida ao trabalhar com Ella. A mulher era um gênio e com o seu talento deixava tudo mais fascinante, além de ser muito gentil e educada com todos que estavam em sua equipe, o que facilitava a vida de , pois as suas tarefas não eram nada fáceis, mas o amor que tinha pela profissão era tão grande que isso não importava tanto.
- Droga. - ela reclamou quando deixou sua luva cair na neve, a pegou rapidamente e a chacoalhou no ar.
Ela ouviu um gritinho de criança e franziu a testa, olhou ao seu redor e viu não muito longe dela um pontinho rosa correndo pra lá e pra cá, notou que alguém acompanhava a criança e ela se viu sorrindo diante daquela cena, posicionou a câmera e tirou algumas fotos, riu ao ver o pontinho rosa se desequilibrando e caindo sentada no chão. desviou sua atenção deles por alguns minutos, precisava se focar na paisagem ao seu redor; queria aproveitar ao máximo o tempo que tinha disponível.
- Bom, acho que agora tenho suficiente. - olhou para a câmera, percebendo que tinha tirado pelo menos cinquenta fotos.
A mulher se virou para voltar ao local onde estava hospedada e riu ao ver que o pontinho rosa ainda estava brincando na neve, notou que era um homem quem acompanhava a criança e reparou que era uma menininha loira, pois alguns fios de cabelo tinham saído da touca que ela usava. O seu sorriso aumentou ao ver a pequena correr em sua direção, mas ela olhava para trás e não percebeu que ia bater de frente com .
- Calma aí, Florzinha. - a mulher segurou a criança antes que se chocasse diretamente com ela.
- Pai! - a pequena gritou com o susto e ergueu a cabeça, encarando . - Oi.
- Oi. - tocou a ponta do nariz da menina com o seu indicador.
- Ava! - o homem que acompanhava a criança falou alto. - Me desculpe, ela ama brincar na neve e acaba exagerando.
O corpo de paralisou ao escutar aquela voz, que ela reconheceu de imediato, engoliu em seco antes de criar coragem para levantar a cabeça e encarar o homem que não via há anos. Seu corpo se aqueceu por dentro ao ver o sorriso que ele tinha no rosto, continuava do mesmo jeito que ela se recordava, seus olhos sorriam junto com os seus lábios e era uma das coisas que ela mais gostava nele.
- River? River? - ele desfez o sorriso e franziu a testa.
- Eu mesma. - abaixou um pouco o cachecol que cobria sua boca.
A mulher sentiu alguém cutucando sua perna e olhou pra baixo, a menina sorria abertamente pra ela.
- Você tá bem? - perguntou à criança.
- Tô sim.
- Você também está no filme? - a voz do homem se fez presente novamente.
- Sim, mas não atuando. - explicou sem dar muitos detalhes. - Eu não vi seu nome no roteiro. - franziu a testa, estranhando aquela coincidência.
- Faz pouco tempo que resolvi entrar no projeto.
- Ah sim. - assentiu e só então se deu conta do parentesco dele com a menina, que agora andava até ele. - É sua filha? - arregalou os olhos brevemente.
- Sim. - riu nasalado, pegando a criança no colo.
- Ela é linda. - elogiou a criança.
- Obrigado, mas de mim ela só puxou os olhos, o resto é a cara da mãe dela.
quis se enterrar na neve naquele instante, tinha se esquecido daquele pequeno detalhe, a mãe da criança devia ser alguém muito especial para ele, certamente sua namorada ou esposa.
- Pai, quem é ela?
Ele riu do jeito de sua filha.
- É a , nós trabalhamos juntos há alguns anos. - fitou a mulher nos olhos, que parecia constrangida com as palavras dele.
- Sou Ava. - a pequena sorriu.
- Muito prazer, Ava. - esticou a mão para menina, que apertou a dela com dificuldade, pois as duas usavam luvas.
- Você vai ficar aqui por muito tempo? - a questionou.
- Enquanto durarem as gravações. - sorriu e deu de ombros, o viu franzir a testa e em seguida balançar a cabeça negativamente.
- Bom, nós temos que ir agora.
- Claro, eu também. - afirmou.
- A gente se vê por aí. - assentiu, se afastando dela e a mulher sorriu ao ver Ava acenando pra ela.
sentiu como se uma tonelada tivesse saído de seus ombros, que situação inusitada ela tinha acabado de vivenciar. Não era idiota, sabia que mais cedo ou mais tarde acabaria esbarrando com ele por aí, afinal os dois trabalhavam no mesmo ramo, mas gostaria de ter tido pelo menos um aviso prévio para se preparar psicologicamente, pois não é todo dia que você esbarra com o cara que você quebrou o coração.

Era tarde da noite e estava deitada em sua cama, o dia de trabalho tinha sido muito produtivo, mas também bastante cansativo e o que ela mais desejava naquele momento era uma boa noite de sono. Só que seu cérebro e coração não conseguiam parar de pensar no encontro que ela teve naquela manhã e sabia que precisava fazer algo a respeito, então para matar um pouco de sua curiosidade ela resolveu pegar o celular e fazer algumas pesquisas, franziu a testa ao achar uma matéria que dizia: e sua trajetória solitária.

Começou a ler a entrevista, que contava um pouco da vida do ator, desde sua vida antes da fama, do início de sua carreira até os dias atuais e um pouco da sua vida pessoal. sentiu-se mal ao descobrir que e a mãe de Ava não estavam mais juntos e que tiveram problemas judiciais envolvendo o divórcio e a guarda da criança, relatos de amigos davam conta que o ator era completamente apaixonado pela filha e isso fez sorrir brevemente, nunca tinha imaginado como pai, mas parecia que ele estava fazendo um belo trabalho.
- Não diz isso. - ela murmurou quando leu ele dizendo que adoraria ter mais filhos, mas que isso não aconteceria.
A jornalista tentou reverter e disse que ele não sabia o que o futuro lhe reservava e a resposta dele destruiu um pouquinho: “Criar um filho sozinho não é legal, você quer compartilhar a experiência, você quer uma parceira. Eu já fiz muitas coisas incríveis e divertidas na minha vida. Mas acho que à medida que fico mais velho, eu percebo como é importante ter alguém ao seu lado.”

Era impossível não sentir-se um pouco responsável por isso, ela sabia que tinha sido uma desilusão amorosa na vida dele. Mas ver que praticamente não acreditava mais que teria uma companheira era desolador. Como ele poderia pensar assim? A mãe de Ava tinha o magoado tanto a ponto de ele não querer mais se relacionar com alguém? Não era possível. Mas também se perguntava qual era a parcela de culpa dela nessa história, só não queria crer que isso era possível, afinal, tinha sido apenas uma pequena atração, pelo menos sempre foi nisso que ela preferiu acreditar.

INÍCIO DO FLASHBACK - 2008

Cidade de Nova York, Estados Unidos.

- Você está bem? - ele perguntou e sentou ao lado dela, observou que a mulher apoiava os cotovelos nas pernas e escondia o rosto com as mãos.
- Não me trate como uma garotinha. Estou ótima. - ela ergueu a cabeça e o fitou, o homem rapidamente notou que os olhos dela estavam vermelhos.
- Você o matou para se defender. - explicou.
- Eu sei. - suspirou. - Mas não significa que seja fácil.
Ele colocou a mão na perna dela e fez um carinho de leve.
- Você agiu corretamente. - garantiu e se levantou.
- Obrigada. - agradeceu e o observou indo embora.
A mulher fechou os olhos novamente, sentindo as emoções dos últimos minutos tomando conta de seu corpo.
- CORTA. - o diretor gritou e algumas pessoas bateram palmas. - Essa cena final ficou sensacional. - elogiou.
abriu os olhos e aos poucos ia saindo de seu personagem, viu se aproximar novamente e riu quando ele fez joinha com a mão direita.
- Se isso fosse um filme, você certamente seria indicada ao Oscar. - piscou pra ela, que se levantou.
- E, diferente de você, eu ganharia. - respondeu e piscou de volta.
colocou a mão no peito, se fingindo de ofendido.
- Com essa modéstia nem indicação você merece. - retrucou e foi a vez de ela abrir a boca em espanto. - Melhor não ser indicada do que passar pela humilhação de ser indicado e não ganhar, né?
- Mas olha a ousadia dessa criatura! - reclamou, a puxando para si e bagunçando o seu cabelo. - Mal saiu das fraldas e já está aqui me ofendendo.
- Desculpa. - ela riu, tentando se soltar do abraço dele. - Injúria contra a terceira idade é crime? Sou muito nova pra mofar na cadeia.
- River, você me respeite. - a soltou, mas tinha um sorriso enorme estampado no rosto.
A mulher era uma das poucas pessoas que entendia o humor afiado dele e não tinha medo de devolver na mesma moeda.
- Você não se ajuda, . - riu e ajeitou o seu cabelo. - Chama a minha atenção igual meu pai faz. - deu de ombros.
nunca tinha se divertido tanto em um set de gravações, pela primeira vez ela tinha um companheiro de filmagens que era tão concentrado quanto ela e que nas horas vagas adorava fazer graça de tudo.
- Vai pra casa agora? - ele perguntou, já que aquela tinha sido a última cena que gravaram no dia.
- Vou, estou morta e só quero um banho e minha cama. - resmungou.
- Me encontre no estacionamento em quinze minutos.
A mulher assentiu, mesmo sem muita necessidade, pois quase todo dia ela ia embora com ele.

River e atuavam como detetives e parceiros numa série policial que se passava na cidade de Nova York, ou seja, as gravações eram todas na cidade de pedra. Mas ambos tinham residência fixa em Los Angeles, então acabaram alugando um local para morarem durante o tempo em que ficariam gravando a série e os produtores locais indicaram dois apartamentos para eles, que ficavam no mesmo prédio e até no mesmo andar, fazendo dos dois vizinhos de porta. O que facilitou e muito a convivência deles, pois ali acabou nascendo uma amizade que ajudava na química deles dentro da telinha.

- Depois eu que sou o velho. - riu quando ela bocejou pela terceira vez seguida.
- Perdi a conta de quantas vezes tive que repetir a cena de luta, tá? - se justificou.
- Você não pode ter medo, . - a chamou carinhosamente pelo apelido.
- E se eu machucar alguém? Vou me sentir culpada pelo resto da vida. - suspirou.
- Você está atuando, é o personagem quem está ali. - explicou e ela o fitou brevemente.
dirigia pelas ruas quase vazias da cidade, já que era de madrugada.
- Você já apanhou em cena? Digo, de verdade?
- Muitas vezes. - ele riu, balançando a cabeça. - Um tapa mal calculado pode deixar marcas.
- Vê? Deus me livre arrancar sangue de alguém.
- Mas não é você que está fazendo isso, é a personagem. - voltou a explicar.
entendia perfeitamente o que ele estava dizendo, mas aquilo era mais forte do que ela. Fazia parte de sua personalidade tranquila, jamais teria coragem de agredir alguém, por mais raiva que tivesse daquela pessoa.
- Mas você acha que a cena ficou artificial? - o questionou, um pouco insegura.
- Não, ficou ótima. Mas se você se soltasse mais ficaria melhor ainda.
Ela ficou em silêncio, não tinha muito que dizer na verdade, aquela não era a primeira vez que lhe aconselhava com técnicas de atuação, ela sentia-se muito grata por ter alguém com experiência ao seu lado que se preocupava em lhe ajudar.
- Descansa, viu? - ele falou assim que chegaram no andar em que moravam. - Nada de ficar nesse celular até cair no sono.
- Eu mal consigo manter os olhos abertos de tanto sono, vou tomar banho e cair na cama, não se preocupe. - riu, abrindo a porta de seu apartamento.
- Tudo bem então, boa noite. - desejou. - E sonhe comigo. - piscou pra ela.
- Credo, não quero ter pesadelos. - brincou e sorriu ao escutar ele gargalhar antes de fechar a porta.

(...)

Três dias depois, os dois conseguiram um dia de folga das gravações, eles precisavam descansar e espairecer um pouco daquele clima policial em que viviam constantemente nos últimos meses. finalmente conseguiu convencer a ir num restaurante Brasileiro e experimentar algumas comidas típicas do país.
- Como é o nome disso mesmo? Coxina? - apontou para o salgado em seu prato.
gargalhou do erro dele.
- Co-XINHA. - a mulher riu ao ver a careta que ele fez.
- Qual o significado dessa palavra?
- Literalmente seria coxa pequena. - explicou, observando pegar o salgado com as mãos.
- Por que coxa?
- O formato dela, lembra uma coxa de frango.
- Até parece, isso tem formato de gota. - retrucou e ela abriu a boca em choque.
- . - o chamou pelo apelido de família que ele tinha. - Coxinha é um patrimônio Brasileiro, não a desrespeite.
- Vocês são estranhos. - balançou a cabeça e deu a primeira mordida.
o fitava em expectativa, querendo saber a opinião do homem.
- Não é ruim. - dizia enquanto mastigava.
- Aqui. - ela lhe entregou um copo que tinha o refrigerante de guaraná mais famoso do Brasil.
- Isso lembra aquele refrigerante do Canadá. - falou após dar um gole.
- Você está comparando um refrigerante de guaraná com um refrigerante de gengibre? - arqueou as sobrancelhas.
- Tudo que eu falo é uma ofensa agora? - resmungou, mordendo a coxinha de novo. - Os gostos são parecidos, .
- Talvez de longe, muito longe. - deu de ombros. - Mas você está gostando?
- Não é ruim. - repetiu só para irritá-la. - É gostoso. - piscou pra ela, que rolou os olhos.
A garçonete se aproximou da mesa deles, trazendo o outro pedido que tinha feito, as duas conversaram em português rapidamente e focou sua atenção ali. Ele respirou fundo ao ouvir o idioma delas e passou a língua nos lábios rapidamente, balançou a cabeça e deu a última mordida no seu salgado.
- Agora teremos pastel. - ela disse a última palavra em português.
- O que seria? - perguntou, analisando o que tinha no prato que estava na mesa deles.
- Bom, aí você me pegou. - fez uma careta, ela não tinha ideia do era feita a massa de pastel.
- Quem me dera. - piscou pra ela, que ficou visivelmente constrangida.
- Tô brincando, . - riu, tentando amenizar a situação.
- Besta. - resmungou.
a observou balançar a cabeça negativamente, ele adorava deixá-la sem graça, pois ela ficava adorável quando estava envergonhada.
- Só experimentando pra saber, vai provar?
- Claro. - assentiu pegando alguns guardanapos. - É frito também?
- Sim. - respondeu, o observando dar a primeira mordida.
encostou-se à cadeira, tentando decifrar as reações de enquanto o mesmo saboreava aquele novo alimento.
- Você quer a resposta honesta? - a encarou, colocando o pastel no prato.
- Não gostou? - fez uma careta.
- Sou mais a coxina. - riu de leve e ela deu de ombros.
- Fazer o que se algumas pessoas não tem inteligência suficiente para apreciar um belo pastel. - ela fez sinal para uma das garçonetes do local.
rolou os olhos pela ousadia da piada dela, notou a garçonete se aproximando novamente e as duas conversaram alguma coisa.
- Vocês falaram em português? - questionou a amiga, assim que viu a outra se afastar.
- Sim. - assentiu, mexendo no canudinho de seu refrigerante. - Por quê? - deu um gole em sua bebida.
- É que português é um idioma muito, mas muito sexy.
se engasgou com o que bebia e tossiu de forma desesperada, riu e se levantou para ajudá-la, ergueu os braços da mulher e deu alguns tapinhas em suas costas.
- Céus! - exclamou, voltando a respirar normalmente. - Vi a vida passar diante dos meus olhos. - balançou a cabeça, passando um guardanapo em sua boca.
- Tá melhor? - ele sentou-se e um sorriso divertido brincava em seus lábios.
- Ótima. - estreitou o olhar na direção dele.
A garçonete retornou à mesa deles e trouxe alguns brigadeiros, o ator franziu a testa ao ver aquilo.
- Se você não gostar disso aqui vou fingir que nunca te conheci, ok? - piscou pra ele. - , esse é o brigadeiro.
- Você sabe do que esse é feito? - zombou, já que ela não soube lhe explicar os ingredientes do pastel.
- Claro que sei, leite condensado e chocolate. - sorriu genuinamente. - Tem gente que usa manteiga, mas nunca entendi o porquê. - mordeu o lábio inferior.
- Leite condensado eu conheço. - sorriu, dando a primeira mordida no doce.
riu da cara que ele fez, deduziu que o homem tinha gostado.
- , o que é isso? - indagou com a boca cheia. - É uma delícia.
- Melhor doce já inventado. - se gabou, pegando o próprio brigadeiro.
- Só não é melhor que sexo.
- , você tá no seu período fértil ou algo do tipo? - balançou a cabeça e ele gargalhou.
Ela soltava algumas pérolas que o faziam rir tanto que sua barriga ficava doendo.
- Não, só adoro deixar você sem graça mesmo. - finalizou o seu doce.
- Não diga? Nem deu pra perceber.
sorriu, observando a mulher se deliciar com o tal brigadeiro.
- Você vai fazer alguma coisa à noite? - ele perguntou.
- Provavelmente dormir, depois de comer tanto não sei se terei ânimo pra sair da cama. Por quê?
O ator até pensou em fazer alguma piada com a justificativa dela, mas deixou pra lá.
- Nada não, só curiosidade. - deu de ombros.
- A gente começa às seis da manhã, , nem se eu quisesse fazer algo teria como.
Ele assentiu, sabendo que a atriz tinha razão.

bebeu todo o conteúdo do copo, só aquele antiácido forte para aliviar a azia horrível que estava sentindo. O ator não estava acostumado a comer fritura, mas só naquele dia tinha comido mais alimento frito do que o normal e ainda misturou com refrigerante e doce, seu estômago não estava aceitando muito bem toda a mistureba que ele fez. Se deitou na cama, esperando que a bebida fizesse efeito logo.
- , o que eu não faço por você? - riu leve e colocou as duas mãos na barriga, fazendo uma leve massagem local.
Era incrível como conseguia ser uma pessoa tão agradável de se ter por perto, sua presença era tão acolhedora e gostosa que era impossível não querer ficar ao lado dela. já previa que muito em breve estaria em uma bela encrenca, pois sentia que a cada dia que passava se encantava mais pela mulher, mas não tinha muito o que ele poderia fazer também, afinal trabalhava diariamente com ela e ainda conviveriam juntos por várias semanas.
O ator escutou o celular tocar e sorriu ao ver quem era.
- Já está com saudades? - brincou ao atender.
- , estou morrendo. - ela dramatizou, fazendo uma voz manhosa.
- O que aconteceu?
- Comi muito. - reclamou, fazendo um barulho com a boca. - Opa, desculpa.
- , você acabou de arrotar?
Ele não precisou de resposta já que ela caiu na gargalhada do outro da linha.
- Suína.
- Tomei remédio pra má digestão e acabou de fazer efeito, ai ai ai. - continuou a rir.
- Palhaça.
- Ei, para de me xingar, eu tava morrendo até dois segundos atrás.
- Tinha que ser atriz mesmo. - balançou a cabeça negativamente. - Mas eu também não estou muito bem.
- Poxa, , desse jeito você não vai sobreviver ao Brasil. - zombou. - Mal aguentou nossas comidinhas leves, espere até o dia que conhecer a feijoada. Você é muito fraquinho para o nosso tempero.
- Nossa, , você é hilária, sabia? - rolou os olhos.
- Ai, tá bem, acho que esse remédio me drogou também e estou mais idiota que o normal. - riu de leve. - O que você tá sentindo?
- Uma azia dos infernos, mas já tomei um antiácido. - suspirou.
- Precisa de alguma coisa? - questionou prestativa.
- Que você nunca mais me deixe comer coxina. - resmungou e ela riu.
- Finjo que acredito que você não gostou. - comentou divertida. - Mas eu vou dormir agora, se precisar de alguma coisa só me ligar, tá bem? Tô falando sério.
- Pode deixar, . - sorriu genuinamente. - Boa noite.
- Boa noite, , e fica bem. - desejou, se despedindo e encerrando a ligação.
O ator suspirou, tendo a certeza que seria uma missão impossível não cair de amores por .

(…)

River don’t mean cruel
Pushing me away

Quatro semanas tinham se passado e aquele era o último dia de gravação, todos da equipe estavam um pouco apreensivos, pois eles não tinham ideia do futuro daquela série, se conseguiriam audiência o suficiente para ter uma segunda temporada ou se seria um fracasso total e não teria mais do que os dez episódios da primeira temporada.
- , você vai sentir minha falta? - ela indagou, os dois estavam no intervalo entre uma cena e outra.
- Deixe-me ver. - estreitou o olhar, como se estivesse pensando. - Sentir falta de uma garota que torra a minha paciência, não perde a oportunidade de me chamar de velho e ainda é abusada? Bem, acho que não. - deu de ombros, voltando a atenção para o seu celular.
- Quero só ver quando estiver no asilo, vai implorar por uma visita minha.
- Viu? - a fitou, arqueando as sobrancelhas. - Você é terrível, .
- , é a sua vez. - uma das assistentes do diretor a chamou, o que a impediu de dar uma resposta à altura.
observou a mulher se afastar, sorriu ao vê-la abraçar a assistente que tinha lhe chamado, uma das coisas que mais admirava em era o afeto que ela tinha com todos que estavam ao seu redor, sempre era muito carinhosa e educada, tratando cada um com muito respeito.
Era óbvio que o ator estava brincando quando disse que não sentiria a falta dela, aquela era a maior mentira do dia. sentiria muitas saudades de , pois já tinha se acostumado com a presença dela em sua vida e não seria nada fácil ficar afastado dessa mulher que tinha o conquistado de uma maneira que nem ele saberia explicar.
- , sua vez! - a voz dela o tirou de seus devaneios e a fitou, que estava do outro lado do estúdio e acenava os braços no ar, querendo chamar sua atenção.

Horas depois os dois gravavam a última cena do dia, e consequentemente a última cena deles em The Unusuals. Era uma cena rápida, onde os dois detetives conversavam como tinha sido o dia deles e a grande prisão de traficantes que tinham feito naquele dia, foi algo simples e fácil de gravar e nem precisaram repetir nada.
- Corta! - o diretor gritou.
e instantaneamente se olharam, ela mordeu o lábio inferior e ele sorriu sem mostrar os dentes, o ator tomou a iniciativa e deu alguns passos na direção dela, que apenas fechou os olhos quando sentiu o homem lhe envolvendo pelos ombros em um abraço apertado.
- Você foi a melhor companheira de trabalho que já tive. - confessou, sussurrando em seu ouvido.
- Obrigada, . - agradeceu, passando os braços pela cintura dele. - Você me ensinou tanta coisa, me tornei uma melhor atriz e pessoa por sua causa. - admitiu, escutando ele rir nasalado.
Todos que estavam no set de filmagens observaram a interação dos dois por um breve momento, eles sabiam como o homem e a mulher haviam se tornado grandes amigos. No minuto seguinte alguém começou a bater palmas, causando um efeito dominó e por algum tempo tudo o que se ouvia era uma salva de palmas.
se afastou lentamente do ator, sentindo a vergonha dominar o seu corpo por causa de toda a atenção que os dois recebiam naquele momento, sorriu abertamente e se inclinou, dando um beijo na testa dela.
Era palpável o clima de despedida no set, todos ali sabiam que o futuro era incerto, a continuação da série dependeria exclusivamente da audiência e a única coisa que poderiam fazer agora era esperar e torcer para que a série fosse um sucesso.
- Te encontro em vinte minutos? - ele fez a pergunta de sempre e a viu assentir, sorrindo brevemente.

Duas horas depois, os dois se encontravam no sofá do apartamento do ator, tinham pedido pizza e conversavam sobre qualquer coisa enquanto assisitiam um filme na televisão, que na verdade já tinha sido esquecido por eles.
- Não foi estranho crescer falando dois idiomas? - indagou, após dar um gole em sua garrafa de cerveja.
- Foi natural pra mim, quem sofreu mesmo foi meu pai. - riu, se lembrando dos episódios engraçados que aconteciam por seu pai ter dificuldade em aprender português. - Quando eu tinha três anos ele viu que não teria jeito e se dedicou ao idioma e agora fala português tranquilamente, não é igual um certo ator aí que fica me chamando de chica e acha que tá arrasando.
- Eu tenho culpa que espanhol e português são parecidos? - apontou pra si próprio.
- Só na cabeça de vocês mesmo. - fez uma careta. - São idiomas originados do latim, mas são diferentes… Não é porque italiano e francês vem do latim que são iguais, né? - piscou pra ele e deu de ombros, se inclinando pra pegar outro pedaço de pizza. - Mas isso nem é grave, uma vez eu estava conversando com uma senhora e perguntei se ela já tinha visitado a América do Sul e ela me disse que tinha ido ao México. - rolou os olhos e viu o amigo rir nasalado.
- Mas até eu sei que o México faz parte da América do Norte, algumas pessoas se fazem de ignorantes porque não é possível um negócio desses.
- Você se surpreenderia, . - deu um gole em sua latinha de guaraná antártica, ela tinha um estoque do seu refrigerante preferido.
- Um dia ainda vou conhecer o Brasil. - afirmou. - Principalmente se todas as brasileiras forem iguais a você. - sorriu malicioso e deu um gole em sua cerveja.
- , há quanto tempo você não faz sexo? Carência tá forte aí, hein? - riu da expressão dele.
Ele soltou um suspiro e focou sua atenção nela.
- Por quê? Que acabar com a minha carência? - soltou, a encarando.
- Você é doido pra me levar pra cama, né? - entrou na dele, o surpreendendo. - Mas sinto lhe informar que minha bondade com idosos tem limite. - retrucou completamente afiada.
- Você realmente me acha tão velho assim? Doze anos não é nada, .
De repente ele começava a acreditar que ela via a idade como um verdadeiro problema.
- Só na sua cabeça que não é. - deu de ombros.
- Em qual delas? - voltou a provocar e ela bufou.
- Você não presta. - murmurou, pegando outro pedaço de pizza.
- Não vai querer mesmo? - mostrou a garrafa de cerveja que ele bebia.
- Não, tenho voo amanhã cedo e detesto viajar de ressaca. - afirmou, o observando se levantar para ir até a pequena cozinha.
pegou sua latinha de refrigerante e calculou errado a distância até a sua boca e deixou um pouco do líquido cair na sua roupa.
- Merda. - reclamou, se levantando.
- Que foi? - indagou.
Ela andou até a cozinha e procurou algo pra se secar.
- Não tem pano aqui?
- Não, só guardanapo. - apontou para o suporte onde tinha o papel.
- Americanos e sua mania de usar papel toalha pra limpar tudo, nunca ouviram falar em meio ambiente, né? - reclamou, secando sua camiseta e em seguida seu short jeans.
- Você é Americana também, sabia? - se encostou no balcão, a fitando. - 50% pelo menos.
- Eu sei, mas amo os outros 50% Brasileiro.
- Eu também. - o ouviu dizer e ergueu a cabeça, pronta para lhe dar uma resposta à altura, mas paralisou ao notar o olhar dele em si.
a fitava com luxúria e malícia, algo que ela nunca tinha visto antes, ou pelo menos jamais o notara a desejando dessa forma. engoliu em seco e jogou o papel usado no lixo.
- , o que tá… - sua frase foi interrompida quando o viu avançar em sua direção e grudar os lábios nos seus.
River ficou sem reação, seu corpo travou ao sentir a mão de a segurando com firmeza pela nuca e a outra mão apoiada cuidadosamente em sua cintura, os lábios dele estavam nos seus, era um toque diferente, algo suave e selvagem ao mesmo tempo, como se isso fosse possível. Sentiu a língua dele acarinhar seus lábios e ela automaticamente abriu sua boca, deixando que ele aprofundasse o beijo caso quisesse, mas o resto de seu corpo ainda não sabia ao certo como reagir àquele momento.
a puxou para mais perto e mordiscou o lábio inferior dela, imediatamente sentiu o corpo de relaxar um pouco, mas ele ainda conseguia sentir que a mulher estava tensa e não queria forçar nada, por isso parou os seus movimentos e só continuou com os lábios nos dela. fechou os olhos e tentou controlar sua respiração, sabia que o ator tinha agido por impulso e agora esperava que ela tomasse uma atitude, conhecia bem o suficiente para saber que ele não a forçaria a fazer nada que não quisesse, então o que aconteceria dali em diante dependeria somente dela.
- . - ele sussurrou, desgrudando os lábios dos dela.
Ela se incomodou com a pequena distância que se formou entre eles e abriu os olhos, viu que agora o olhar dele não era de luxúria como anteriormente, seus olhos passavam algo como carinho e foi isso que a fez ceder, mesmo sem a certeza absoluta de que aquilo era certo. voltou a tocar os lábios de com os seus e o ator acariciou a cintura da atriz enquanto sua língua se encontrava com a dela, ele finalmente estava sentindo o gosto de e agora tinha a certeza de que era mil vezes melhor do que ele tinha imaginado, gemeu quando ela passou as mãos por seu pescoço e subiu para os seus cabelos, os puxando de leve. Ela estava deixando o seu instinto tomar conta da situação, sentia pressionar o corpo dele contra o seu e explorava cada vez mais o beijo que dividiam, ele virou o seu corpo e a mulher sentiu seu quadril se chocando contra o balcão da cozinha, foi a vez dela gemer quando percebeu o quão animado o ator já estava. Os lábios de saíram de sua boca e iniciaram uma trilha de beijos por seu queixo e maxilar, em seguida descendo para o seu pescoço, onde ele ficou um bom tempo investindo, a beijando e depois dando leves chupões, o que já era suficiente para enlouquecer . Quando ele desceu ainda mais, beijando delicadamente o osso de sua clavícula, e desceu a alça da blusa regata, foi quando ela se deu conta do que realmente estavam fazendo, seu cérebro tinha despertado por completo, expulsando o desejo dali.
- . - o chamou, com as mãos nos ombros dele, só teve um resmungo como resposta. - , é sério. - pediu, o empurrando de leve.
- O que foi? - se afastou rapidamente, a fitando com um olhar preocupado. - Te machuquei? Fiz algo de errado? - franziu a testa.
- Não. - balançou a cabeça. - Só acho melhor a gente parar por aqui.
- Por quê? - arregalou os olhos, perplexo.
- A gente não está na mesma sintonia.
não era burra, sabia que para ele aquilo seria muito mais que apenas uma pegação entre dois amigos.
- Você não estava gostando? - estreitou o olhar, tentando entender onde ela queria chegar com aquilo.
- Sim, mas você é um cara mais velho que se apega, não é? Eu mal tenho vinte anos, , não quero me relacionar agora.
- Isso é sério, ? Você está me rejeitando por causa da idade? - começou a se irritar.
- Não, não. - o viu se afastar dela. - Mas estamos em momentos diferentes das nossas vidas. - tentou se explicar. - Você é meu amigo e não quero estragar isso.
- O amigo mais velho, certo? - debochou e ela conseguiu ver que ele tinha se ofendido com as palavras dela. - Então não era só brincadeira quando você dizia sobre a idade. - reclamou, balançando a cabeça negativamente.
- , não é isso... Eu só não quero nada sério agora. - falou, se sentindo culpada por magoá-lo.
Ele a olhou, odiando a dor que sentia em seu peito, a famosa e horrível dor da rejeição.
- Você pode ir embora, por favor? - pediu, evitando o olhar dela.
- Claro. - respondeu, com a voz trêmula.
não queria forçar nada com o amigo e apenas atendeu ao seu pedido, pegou suas coisas e saiu dali, indo para o seu apartamento. Ela se sentia muito mal por causar aquele tipo de sofrimento em , mas seria muito pior se envolver com ele sabendo que não poderia se entregar por completo, pois estava sendo honesta quando disse que não queria se relacionar com ninguém no momento.

- Merda! - ele urrou, socando a parede em seguida.
estava odiando a sensação que passava por seu corpo naquele exato momento, não acreditava que aquilo estava acontecendo com ele. Por que diabos tinha deixado seu instinto agir e ter uma atitude tão inesperada? nunca tinha lhe dado sinais de que estava interessada nele, sempre o tratou com muito carinho e companheirismo, nada além disso. Porém ele tinha que se apaixonar por quem não queria nada com ele, tinha que ser estúpido a esse ponto.
- Porra, . - suspirou, se encostou na parede e deixou o corpo cair no chão, se sentando no mesmo.
Mas ele era homem, estava solteiro e já no primeiro contato que teve com a mulher sentiu algo diferente com ela. era fácil de lidar, não se ofendida com quase nada e adorava se divertir no set de filmagens, ele se identificou tanto com ela que praticamente via a mulher como sua versão feminina. O ator até tentou não se deixar envolver por ela, lutou por muito tempo para não se apaixonar por , mas a convivência com ela se tornou tão natural e intensa que foi impossível se controlar. O beijo foi um puro ato de desespero, sabia que ela iria embora no dia seguinte e quando se deu conta já estava com os lábios nos dela, queria sentir o gosto que ela tinha, saber como ela reagiria ao seu toque. Quando ela retribuiu ao beijo, ele se sentiu como o cara mais sortudo do mundo, ter ela em seus braços foi uma das melhores sensações que ele já tinha sentido, mas infelizmente durou bem menos do que ele gostaria.
Os dias seguintes foram horríveis para , não conseguia tirar de sua cabeça, passava boa parte do seu dia pensando nela e no que tinha acontecido entre os dois e o que ele poderia ter feito de errado, mas no fundo sabia que não podia pensar assim, afinal a mulher tinha todo o direito de não querer nada com ele, não podia obrigá-la a gostar dele da mesma forma que ele gostava dela. Só que sabia que seria difícil rever , então resolveu evitá-la o máximo que conseguia, dessa vez a sorte estava ao seu lado e ele foi chamado para fazer testes em alguns filmes, acabou sendo aprovado na grande maioria deles e iniciou uma fase louca em sua carreira, fazendo um filme atrás do outro, esperando que assim pudesse tirar de seu coração de uma vez por todas, pois se estivesse ocupado não teria tempo para pensar nela.

Meses já tinham se passado quando foi informada que The Unusuals, a série que os dois tinham gravado, não teve audiência suficiente e não seria renovada para uma segunda temporada. Ela até pensou em ligar para e tentar algum tipo de aproximação, porém logo em seguida desistiu da ideia, sabia que ele não queria ter mais contato com ela, caso contrário não teria se afastado. A mulher não guardava mágoas do ator, jamais conseguiria ter qualquer tipo de sentimento ruim em relação a ele, sabia que o homem precisava dessa distância e respeitaria a decisão dele, mesmo não concordando com ela.

FIM DO FLASHBACK

Park City, Utah – Estados Unidos


- CORTA. - o diretor falou, finalizando as gravações daquele dia.
suspirou, alongando suas costas e fechou os olhos por um momento, a última cena tinha sido especialmente cansativa para o ator, estava emocionalmente esgotado e não via a hora de deitar em sua cama.
Ele saiu da casa onde as gravações tinham sido feitas e a conversa de alguém do lado de fora atraiu sua atenção.
- Você está bem? - a voz masculina indagou.
- Quê? Eu? Tô ótima, por quê? - ele imediatamente reconheceu quem era.
- Você pareceu abalada.
- Quem não ficaria, Ian? Foi uma cena linda. - ela afirmou e pelo barulho que fez parecia estar fungando.
- Vocês estão liberados por hoje. - uma outra voz feminina falou, interrompendo a conversa. - Amanhã começamos às oito, não se atrasem.
- Te vejo amanhã? - o homem indagou.
O silêncio se fez presente e o ator decidiu que era hora de ir para o seu hotel, precisava descansar e repor suas energias, ele caminhou até o carro da produção e notou que alguém o seguia de perto, se virou a ponto de ver que era .
- Oi. - ela sorriu e parecia sem graça. - Só queria dizer que você foi muito bem hoje.
sorriu brevemente, era tão estranho perceber que os dois não tinham mais intimidade como antigamente. Aquele tinha sido o quarto dia de gravação do filme Wind River e era apenas a segunda vez que os dois conversavam, claro que ele a via trabalhando pelo set, mas nunca se aproximava dele, parecia até que estava o evitando.
- Muito obrigado. - agradeceu e notou que ela abaixou a cabeça, fitando o chão.
O ator franziu a testa e decidiu tentar entender o que estava acontecendo.
- Você está bem? - perguntou e ela ergueu a cabeça rapidamente.
- Eu? - apontou pra si própria. - Cansada e congelando. - deu de ombros. - Sabe como é, sou uma garota da California que detesta neve.
- Somos dois. - afirmou e ela riu nasalado. - Tirando a parte da garota, é claro. Se bem que garota não é uma palavra que se encaixa mais a você. - resolveu brincar, tentando quebrar aquele clima estranho.
- Você está me chamando de velha? - arregalou os olhos e abriu a boca.
- Parece que o jogo virou, não é mesmo? - piscou pra ela, que continuou com o seu olhar indignado na direção dele.
aproveitou para olhar mais atentamente a mulher naquele momento, ela usava uma calça preta e um casaco vermelho, os dois sendo adequados para o frio e a neve, ela também usava gorro, cachecol e luvas.
- Vai me zoar também? A primeira coisa que o Ian perguntou quando me viu era quando que sairia a expedição para Antártida. - rolou os olhos.
Ele quis rir da cara brava que ela fez, mas se controlou ao máximo.
- Eu não disse nada. - fez um sinal de zíper na boca.
- Só quero me prevenir de pegar uma gripe, pneumonia ou morrer congelada.
se arrependeu no mesmo instante em que disse as últimas palavras, não tinha sido uma brincadeira ou proposital. Wind River era um filme de drama e suspense, onde era investigada a morte de uma jovem que tinha sido brutalmente espancada e deixada para morrer ao relento, e ela acabou falecendo devido ao clima hostil do local.
- Desculpa. - fez uma careta.
- Tá tudo bem, é só ficção. - ele afirmou.
Só pelo pedido de desculpas sabia que não havia sido de propósito, muito pelo contrário, isso só provava que ainda tinha alguma dificuldade em separar a realidade da ficção.
- Tudo bem, eu tenho que ir agora. - ela disse, olhando ao redor.
- Quer ir comigo? - perguntou.
Todos da produção do filme estavam hospedados no mesmo local, então fazia sentido ir com ele.
- Você não se incomoda?
- Claro que não. - afirmou, já abrindo a porta da Ranger Rover preta pra ela.
se ajeitou no banco traseiro e fechou a porta, indo se sentar no banco do passageiro.
- Podemos ir. - ele avisou ao motorista, que assentiu e iniciou o carro.

Maybe you should fall
That’s what rivers do

Cerca de quinze minutos depois o carro era estacionado em frente à pousada, os dois agradeceram ao motorista e desceram do automóvel. ainda estava com os pensamentos que rondavam sua mente, aquela entrevista não saía de sua cabeça e ela precisava urgentemente saber se tinha algum tipo de ressentimento com ela.
- A gente poderia conversar? - perguntou e ele parou de andar, a fitando. - Em particular? - mordeu o lábio inferior, demonstrando o seu nervosismo.
- Pode ser no meu quarto? - perguntou.
- Pode. - assentiu.
Os dois seguiram em silêncio até o quarto em que o ator estava hospedado, ele estava intrigado, pois não tinha certeza sobre o que ela queria conversar, até suspeitava de algo, mas fazia tanto tempo que duvidava que fosse aquilo.
- O que aconteceu? - a questionou, assim que fechou a porta atrás de si. - Foi algo que eu disse? - se virou.
- Não, não. - ela balançou a cabeça. - É que eu estou pensando em algo desde que te vi novamente. - explicou e o viu franzir a testa. - , do jeito que tudo terminou... Eu me senti culpada, principalmente pelo nosso afastamento.
- , eu precisava de um tempo. - a interrompeu rapidamente.
- Eu sei. - voltou a falar. - Mas eu gostava muito da nossa amizade, da sua companhia.
- Eu também. - afirmou, ele não tinha problema algum em admitir isso. - Você não era obrigada a corresponder ao que eu sentia, mas eu tive que me afastar pra recuperar da rejeição. - riu nasalado.
- Sabia que não eram só os filmes que atrapalhavam os nossos encontros, né? - fez uma careta.
- No começo não foi mesmo. - confessou, ainda se sentia imaturo por ter inventado mentiras para não vê-la. - Mas depois mal tive tempo pra respirar, minha vida ficou impossível.
- Eu posso imaginar, me desculpa. - suspirou. - Eu nunca quis te magoar, de verdade.
Ela estava sendo completamente sincera.
- É passado, não se preocupe.
- É mesmo? - retrucou, tocando no assunto que ela queria.
- Como assim? - ele franziu a testa.
respirou fundo, sabia que era prepotente de sua parte achar que tinha algum tipo de influência nos sentimentos dele hoje em dia, mas sua mente não lhe deixava em paz e ela precisava saber disso.
- Eu li uma entrevista sua... Aquela sobre e sua trajetória solitária.
- Leu? - estreitou o olhar.
- Sim, eu li no dia em que te reencontrei. - confessou a sua curiosidade e ele amenizou a expressão em seu rosto, quase sorrindo.
Não podia negar que ele também ficou extremamente curioso quando a viu depois de tanto tempo.
- Por que você acha que não terá outra companheira em sua vida? - soltou de uma vez, já que aquela dúvida rondava na sua cabeça há dias.
arregalou os olhos com a pergunta de , completamente surpreso com aquilo, não imaginou que ela o questionaria sobre isso. Até porque o ator não tinha usado essas palavras na entrevista.
- Desculpa, eu sei que não temos mais intimidade. - ela se apressou em dizer, notando a falta de atitude dele. - Não devia ter perguntado nada, eu…
- Por que você quer saber disso? - a interrompeu.
ia lhe responder, porém agora não tinha tanta certeza se sabia a resposta para a pergunta dele.
- Isso não parecia tão ridículo na minha mente. - murmurou para si própria. - Eu sinceramente nem sei mais. - suspirou. - Acho que não tenho o direito de saber.
Ela estava se sentindo tão tola e infantil naquele momento, nada fazia muito sentido e estava confusa com toda a situação. O ator a fitou atentamente, a mulher parecia estar em uma luta interna e aquilo o incomodou mais do que ele gostaria.
- , eu só acho que é mais fácil continuar sozinho. - respondeu a primeira pergunta dela. - Cansei de me decepcionar, Ava é minha única prioridade no momento.
- Eu te decepcionei? - perguntou de uma vez, antes que perdesse a coragem.
- Você? O quê? Mas… - então como um clique ele percebeu do aquilo tudo se tratava. - Você acha que a sua rejeição me traumatizou?
A mulher arregalou os olhos, era estranho ouvir aquilo vindo da voz dele.
- Um pouquinho? - mordeu o lábio inferior. - Eu não quero ser pretensiosa, mas confesso que sinto que tenho uma parcela de culpa nisso tudo. - suspirou, finalmente despejando o que vinha lhe perturbando.
passou a mão pelo seu maxilar, tentando decifrar as intenções de , mas não conseguia identificar nada de errado nela, a mulher parecia genuinamente preocupada.
- Você quer a resposta verdadeira ou a que te faça dormir bem à noite? - ele quase riu ao ver a expressão assustada dela. - Relaxa, . Doeu ser rejeitado por você? Pra caralho. Mas você não me traumatizou, pois foi sincera desde o início e não me enganou. - afirmou, a observando suavizar a feição em seu rosto.
- Obrigada pela honestidade. - agradeceu, sorrindo verdadeiramente pra ele.
- Você quer uma segunda chance? - brincou, tentando quebrar o clima que tinha se formado.
- Quê? - ela arregalou os olhos.
- Pode desistir, você não quis ficar comigo porque eu era velho, então agora é tarde demais.
- , eu não... Nossa, não foi por isso que perguntei e… - ela se atrapalhou nas próprias palavras e franziu a testa quando ele gargalhou. - Você está zombando de mim? - indagou e ele assentiu.
Ela se irritou, parecia uma adolescente perto dele e não uma mulher de quase trinta anos de idade, nunca tinha ficado tão insegura perto de um homem antes e isso a perturbava mais do que devia.
- Era por isso que você estava fugindo de mim? - ele a questionou, querendo sanar aquela dúvida.
- Fugir não seria a palavra que eu usaria, mas eu não sabia se você gostaria de me ter por perto, afinal faz tanto tempo… - deixou no ar.
- Quase uma década. - suspirou, se recordando da época em que trabalharam juntos.
- Oito anos. - olhou ao redor, sentindo falta de algo, mais especificamente de alguém. - Cadê sua filha?
- Está com a mãe. - explicou e ela assentiu.
- Entendi. - suspirou. - Eu já vou indo então, a gente se vê por aí? - deu alguns passos na direção de porta.
- Claro. - sorriu.
- Boa noite, . - desejou.
- Boa noite, River.

estava deitado em sua cama, pensando na conversa que teve com há algumas horas, ele achava que reencontrá-la depois de tanto tempo já tinha sido uma baita surpresa, mas o questionamento dela o surpreendeu ainda mais, isso significava que ela ainda se importava com ele, mesmo que fosse um pouco.
O ator tinha sido honesto com ela, mas não totalmente porque se sentia no direito de reservar algumas coisas para si próprio, não se sentia a vontade para revelar que depois de ter sido rejeitado por ele se fechou por completo para qualquer tipo de relacionamento amoroso e focou 100% em sua carreira, pois essa foi a maneira que ele encontrou para tentar arrancar a mulher de seu coração e cabeça.
Anos depois ele conheceu a mãe de sua filha no set de um filme e achou que era o destino brincando com ele e que estava vivendo algum tipo de dejà vu, mas resolveu se arriscar e teve certeza que era real já que dessa vez não teve rejeição alguma, ele engatou um romance com a mulher e um ano depois descobriu que seria pai, tudo aconteceu tão rápido e quando viu já estava casado e com uma linda família, mas sua felicidade foi por água abaixo quando sua esposa pediu por divórcio após sete meses de casamento, o que ele não suspeitava era que o pior ainda estava por vir, foi acusado de ser um pai negligente e teve que lutar na justiça para conseguir ver a sua filha. Sua ex ainda tentou lhe tirar uma boa quantia em dinheiro, mas ele a derrotou legalmente e não teve que lhe pagar nada além da pensão para a criança, no fim ele se considerou vitorioso, pois agora tinha a guarda compartilhada de Ava e conseguia acompanhar o desenvolvimento de sua filha.
Mas todo esse inferno que ele viveu com sua ex tinha o fechado novamente e agora possivelmente em definitivo, tinha aceitado que o seu destino era ficar sozinho. Afinal, todas as vezes que tentava se relacionar com alguém era ele quem acabava saindo brutalmente machucado, o ator não aguentava mais tanto sofrimento, queria apenas viver tranquilamente com sua filha, que atualmente era a única mulher que ele queria ter em sua vida.

(…)

Duas semanas tinham se passado e as coisas entre e tinham evoluído um pouco, eles até tentavam conversar algumas vezes, mas não era sempre que tinham muito tempo, pois o ritmo das gravações era intenso e não sobrava muito tempo para diversão.
sorriu ao ver um rostinho conhecido aparecer no set, a menina usava um conjunto cinza e corria pela neve, soltando alguns gritinhos, de longe viu observando a filha e tirando algumas fotos dela com o celular.
- River, uma mãozinha aqui? - Ian a chamou, ela se virou e viu o rapaz atrapalhado com os equipamentos.
- Ella não devia ter contratado um frango igual você, viu? - brincou, o ouvindo bufar.
- Na verdade acho que estou adoecendo, meu reflexo e força não são mais os mesmos.
- Ah, Ian. - pegou um dos tripés que ele segurava. - Já tomou algum remédio?
- Um monte. - garantiu, espirrando em seguida.
- Não quer ir descansar? - mordeu o lábio inferior, notando que o companheiro de trabalho estava pálido.
- Você dá conta de carregar tudo sozinha? - ele sabia a resposta dela, por isso não se surpreendeu quando a viu franzir a testa. - Eu aguento, não se preocupe.
assentiu, sabia que era inevitável pegar uma gripe no clima em quem eles gravavam, a sorte era que tinha parado de nevar e a temperatura tinha subido um pouco, mas não mudava o fato de que continuava muito frio.

Algum tempo depois Ella chamou os dois, pois iriam gravar cenas externas e eles seriam essenciais para a diretora de fotografia, principalmente, já que era a primeira assistente da mulher. Estava anoitecendo quando voltaram para o local onde estavam hospedados, Ian ainda continuava na mesma, então sua chefe pediu que ele visitasse o médico que acompanhava a equipe de produção, queria garantir que o rapaz ficasse bem. acabou acumulando obrigações e quando terminou o seu serviço e o de seu companheiro de trabalho ela estava exausta e desejou profundamente um banho e sua cama.
- Droga. - reclamou quando alongou suas costas e sentiu uma dor em seu quadril.
Ela entrou no elevador e já foi se encostando e fechando os olhos, escutou um risinho e franziu a testa, abrindo os olhos em seguida.
- Oi, . - a pequena a cumprimentou, a surpreendendo por ainda se lembrar de seu nome.
- Oi. - ela disse e bocejou em seguida. - Ava, né? - olhou para a menina e depois para o pai dela.
- Isso. - sorriu.
Ela sentiu que a fitava atentamente.
- Alguém trabalhou muito hoje. - comentou, notando a cara de cansada de .
- Nem me fala. - bocejou novamente e se xingou mentalmente por estar com tanto sono.
- Você devia dormir. - a menina disse, arrancando um riso da mulher.
- É o que eu vou fazer. - piscou pra ela.
As portas do elevador se abriram ao chegar em seu andar e ela tropeçou nos próprios pés quando deu o primeiro passo.
- Opa. - agiu rapidamente, a segurando pelos braços. - Tem alguém aqui praticamente bêbada de sono, hein? - riu, a observando balançar a cabeça.
- Meu cérebro tá meio lento, só isso. - riu nasalado.
- Ava, é melhor a gente acompanhar a até o quarto dela, não acha? - a menina apenas assentiu.
A mulher nem retrucou, não tinha forças suficientes para isso. Os adultos andavam pelo corredor enquanto Ava praticamente saltitava por ali, a menina era a alegria em pessoa.
- Tô muito velha pra isso. - reclamou e encostou na porta de seu quarto. - Não sei como Ella aguenta.
- Você continua sedentária? - arqueou as sobrancelhas. - Eu avisei que um dia seu corpo ia te cobrar.
A mulher ia dar uma bela resposta, mas se lembrou da criança ao lado do homem.
- Quem me dera ter a sua energia. - olhou para Ava, que riu.
- Eu posso te emprestar um pouco se quiser. - disse inocentemente e sorriu.
sentiu uma vontade imensa de apertar as bochechas da menina.
- Você é adorável, sabia?
- Meu pai vive dizendo isso. - ergueu a cabeça, olhando para .
- Teve a quem puxar. - ele deu de ombros.
River o fitou e rolou os olhos.
- Certas coisas nunca mudam, não é mesmo? - piscou para o ator, que riu. - Bom, eu vou entrar e dormir feito um anjo, muito obrigada pela companhia, Ava.
- De nada. - sorriu um pouco tímida.
- Boa noite, . - fitou o homem, que assentiu brevemente.
- Boa noite, .

conseguiu dormir por sete horas seguidas, o que era muito já que nos últimos dias não dormia mais que quatro horas. Ela saiu de seu quarto sentindo-se bem melhor do que na noite anterior. A mulher estranhou a movimentação na pousada, então olhou pela janela e notou que nevava, o que não fazia sentido algum já que a previsão do tempo dava conta que os próximos dias continuariam frios, mas sem neve.
- Parece que não teremos trabalho hoje. - uma voz fanhosa disse atrás de si e ela se virou, notando Ian ali.
- Como você está? - o questionou, preocupada.
- Como se tivesse sido atingido por uma avalanche. - respondeu, espirrando em seguida.
- Ian, volte para o seu quarto. - Ella se aproximou dos dois. - , você está bem para trabalhar?
A mulher notou que sua chefe não parecia muito bem.
- Sim. - assentiu.
- Ótimo, eu preciso que você adiante algumas coisas, tudo bem? Estou me sentindo mal e por causa de toda essa neve as gravações externas foram canceladas.
Aparentemente a mulher tinha pegado a gripe de Ian e agora os dois estavam um caco.
- Deixa comigo. - afirmou, sorrindo.
se encaminhou para o quarto que Ella havia transformado em um pequeno laboratório e primeiramente começou a verificar todos os equipamentos que usavam, fez a limpeza deles e checou a bateria de cada um, queria ter a certeza de que ainda estavam funcionando perfeitamente. Analisou atentamente o roteiro do filme e fez algumas anotações em um caderno, já que ela tinha uma noção de como Ella gostaria que cada cena fosse gravada, checou outros detalhes e corrigiu alguns erros básicos e finalizou aquela parte de seu trabalho. estava tão concentrada que nem percebeu o tempo passar, quando olhou em seu celular viu que já era quase uma da tarde e não tinha mais o que fazer ali, então mandou uma mensagem para sua chefe querendo saber o que poderia fazer pra ajudar, a resposta não demorou a vir e ela fez sorrir. Ella lhe deu o resto do dia de folga, o que era praticamente um milagre.
- Você não deveria ir descansar? - escutou assim que saiu do pequeno estúdio em que se encontrava.
se virou e viu com um papel em suas mãos, ele passava pelo corredor e parou de andar ao ver quem saía por uma das portas.
- Preciso comer antes. - o informou. - Estudando suas falas? - ela se aproximou dele.
- Meu personagem não é o mais falante, mas sim. - respondeu, com um meio sorriso. - Sua equipe inteira caiu de cama? - olhou ao redor.
- Minha equipe? - riu de leve. - O correto seria dizer a equipe que faço parte… Mas você está certo, estão gripados.
- Acho que se empacotar toda deu resultado, hein?
- Não é? Sou a única que não ficou doente. - sorriu, dando de ombros. - Cadê a Ava? - perguntou, dando falta da pequena.
- Voltou pra Los Angeles. - fez uma careta. - Ela já perdeu muitos dias de escola.
assentiu e sentiu-se mal por ele, não devia ser fácil ficar tanto tempo longe de sua filha.
- Você já almoçou? - ela perguntou.
- Ainda não e você?
- Eu estou indo agora, mas vou procurar algum restaurante aqui por perto. - o informou, sabia que o restaurante do local sempre ficava lotado. - Você acha que a neve pode atrapalhar?
- Creio que não, ela só é problema para os equipamentos mesmo. - explicou. - Posso te acompanhar? - o ator a fitava. - Só preciso guardar esses papeis.
- Tudo bem, eu te espero. - sorriu minimamente.

Dez minutos depois os dois entravam em um restaurante que não ficava muito longe de onde estavam hospedados. Não demoraram a fazer os seus pedidos e enquanto aguardavam pela chegada da comida se atualizavam sobre o tempo em que ficaram afastados.
- Você realmente foi para o Brasil? - perguntou, curioso com aquela informação.
- Fui, passei quatro anos lá. - respondeu, agradecendo ao garçom que tinha colocado a bebida deles na mesa.
- Você estava infeliz aqui?
- Quase isso, sabe o hamster que fica correndo naquela roda e não chega a lugar algum? - indagou e ele assentiu. - Era assim que eu me sentia, precisava de desafios, sabe? Aí fui pro Brasil.
- E como foi?
- Interessante. - riu leve. - É uma experiência completamente diferente, lá eu tive que inovar e me adaptar a forma deles de trabalharem. Fazer novela é exaustivo, saí esgotada.
- Por isso decidiu fazer cinema? Sair da frente das câmeras?
estava genuinamente interessado na vida dela, queria saber o que ela tinha feito todo esse tempo em que ficaram longe um do outro.
- Foi também, mas eu queria conhecer mais sobre o processo de fazer um filme, o que normalmente um ator não tem muito conhecimento e é um mundo completamente diferente, que estou amando descobrir pra ser bem sincera.
- Então não pretende voltar a atuar?
- Nunca diga nunca. - sorriu, piscando em seguida. - Acho que essa nova experiência vai me ajudar a ser uma atriz melhor.
- Com certeza. - garantiu. - Você está expandindo os seus conhecimentos.
O garçom chegou com a comida dos dois, que ficaram em silêncio por alguns minutos, apenas apreciando a refeição que tinham pedido.
- Eu preciso confessar que nunca te imaginei como pai. - falou, sorrindo timidamente. - Fiquei bem surpresa quando conheci a Ava.
- Ser pai foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. - afirmou, com um sorriso lindo no rosto. - Ava é tudo pra mim.
- É visível como você ama aquela menina. - garantiu, o vendo assentir.
- E você? Não tem filhos?
- Eu? - apontou para si própria, rindo em seguida. - Não.
- Não quer? - franziu a testa.
- Quero, mas acho que...
- É muito nova? - a interrompeu, brincando.
- Não é isso. - riu de leve. - Ainda não é o momento, olha a doideira que é minha vida.
- Entendo. - assentiu. - Mas e o estado civil? Tem alguém? - perguntou curioso.
- Não, tive um namorado no Brasil, mas não deu muito certo. - balançou a cabeça negativamente.
- Acho que não temos muita sorte em relacionamentos, hein? - brincou.
Ela o encarou, sentindo um estranho aperto em seu peito, depois de tanto tempo ainda era difícil de reconhecer a burrada que tinha feito.

(…)

Don't want to get hurt
Saw you hurt me first
With the words you say

fechou a porta de seu quarto e sentiu uma imensa vontade chorar, seu coração estava tão machucado, era tão difícil ver todo dia e não ter tanta liberdade com ele. Sentia que o ator a tratava com educação e até fazia algumas brincadeiras, mas não como antes quando ainda eram amigos e colegas de profissão. não podia voltar no tempo e mudar o que tinha feito, mas sentia-se tão arrependida por ter rejeitado , claro que naquela época ela realmente não queria nada com ele e só o via como um amigo, mas depois do afastamento e falta de notícias ela começou a sentir muita falta dele, a presença do ator em sua vida era tão constante e gostosa que nada parecia mais o mesmo. Ela nunca tinha se apaixonado e não tinha muita certeza como era esse sentimento, mas conforme foi amadurecendo acabou por perceber que era isso que sentia por , mas naquela época a juventude e imaturidade não a deixaram notar aquele sentimento.
- Você é uma estúpida. - se xingou, sentando na cama.
Ela sabia que precisava fazer alguma coisa, deixar tudo como estava a enlouqueceria, então tinha que arriscar a sua sorte. Mas como lidar com o medo de ser rejeitada? O que era uma baita ironia do destino, afinal era o que ela tinha feito com ele. Realmente, o jogo tinha virado mesmo.
- Covarde! - resmungou, dando um tapa na própria testa.
sentiu o celular vibrar no bolso de sua calça e checou o e-mail que tinha acabado de receber, eram algumas informações profissionais sobre o próximo filme que ela trabalharia. Notou que tinha algumas notificações em seu instagram e abriu o aplicativo, quase engasgou com a própria saliva quando viu o que era. tinha acabado de seguir o seu perfil profissional e repostado uma de suas fotos, ela não tinha fotos pessoais naquela rede social, era exclusivamente profissional e sempre postava as fotos que tirava nos set de filmagens em que trabalhava e nesse filme não foi diferente, ela tinha postado duas fotos de . Percebeu que ele também tinha lhe mandado uma mensagem agradecendo pelas fotos e viu ali a oportunidade perfeita, ela tinha algumas fotos de Ava e queria mandar pra ele, mas não possuía mais o número pessoal dele, então aproveitou para pedir, já que não tinha coragem suficiente pra fazer isso pessoalmente. Sorriu quando ele lhe passou o número e ela não demorou a mandar as fotos pra , mas seus olhos se arregalaram quando viu que ele estava lhe ligando.
- Você está stalkeando a minha filha? - não conseguiu decifrar o tom de voz que ele usou.
- Claro que não, eu… - começava a se explicar quando ouviu ele gargalhar do outro lado da linha. - Ah, você estava tirando com a minha cara?
- Poxa, . - e pela primeira vez desde que se reencontraram ele usou o apelido dela. - A idade acabou com o seu humor afiado, é isso mesmo? Estou decepcionado.
- , você me deixa confusa. - reclamou, passando a mão esquerda no rosto.
- Eu? Como assim? - e agora foi ele quem ficou perdido. - O que aconteceu?
- A gente pode conversar? - pediu, aproveitou que estava com coragem o suficiente.
- Claro. - o ator franziu a testa. - Daqui a pouco chego aí. - avisou.
encerrou a ligação e fechou os olhos por um momento, se questionando se aquela era a atitude certa. Mas não aguentava mais aquela confusão emocional na qual se encontrava, tinha que resolver a situação logo e precisava aproveitar enquanto tinha coragem.
- Você está bem? - perguntou assim que ela abriu a porta.
- Acho que a gente precisa conversar, de novo. - riu nasalado.
- O que você tem? Parece que está prestes a ter um ataque nervoso.
Ela se afastou, sentando em sua cama e ele a observou de longe.
- É impossível voltar a ser o que a gente era antes, né? - olhou para as próprias mãos. - Eu sinto falta de nós, agora nunca sei direito como agir quando estou perto de você.
- Eu percebi. - confessou, dando alguns passos na direção dela. - Antigamente você raramente caía nas minhas brincadeiras. - sentou ao seu lado. - O que te perturba?
suspirou fundo, agora era a hora, certo?
- Eu me arrependi, . - admitiu, olhando para o chão. - Se eu pudesse voltar no tempo faria tudo diferente, mas eu era uma menina naquela época, que só tinha tido um namorado sério na vida e não queria se envolver com ninguém.
O ator arregalou os olhos brevemente, digerindo o que ela estava lhe contando.
- Sei que agora não faz muito sentido dizer tudo isso, mas eu precisava te contar porque não aguentava mais guardar isso só pra mim.
- Quando você percebeu que tinha se arrependido? - indagou, agora ele estava extremamente curioso.
- Quando a gente parou de se falar, você não tem ideia da falta que me fazia. Eu pensei em te procurar, mas você andava tão ocupado e eu não queria atrapalhar.
Ele assentiu, sabendo que naquela época não adiantaria muito ela o procurar de qualquer forma, ele estava completamente focado em sua carreira.
- E o que mudou agora? - se virou, a fitando.
- Eu te reencontrei. - o encarou rapidamente. - E o sentimento que estava adormecido se aflorou com força total e eu precisava te contar antes de me sufocar com isso. - confessou, respirando fundo. - Agora entendo o porquê quis se afastar, não é fácil conviver com a pessoa que você gosta.
- , eu não sei o que…
- , eu sei. - o interrompeu, colocando a mão em seu braço. - Não espero nada em troca, ok? Só queria que você soubesse.
Ele assentiu e os dois ficaram em silêncio, em dúvida do que poderiam dizer sobre o que estava acontecendo.
- Preciso pensar. - ele se levantou, passando as mãos no rosto.
- Tudo bem. - sorriu fraco.
- Depois a gente se fala. - garantiu, andando na direção da porta e ela permaneceu sentada na cama, apenas o observando se afastar.
A porta se fechou e ela soltou um suspirou, deixando o corpo cair na cama.
- Isso é o que você ganha por se apaixonar. - cantarolou, fechando os olhos em seguida.

retornou ao seu quarto ainda incrédulo com aquela novidade, então era por isso que vinha agindo de maneira estranha quando estava perto dele? O ator tinha notado que a mulher não parecia muito à vontade ao seu redor, como se estivesse incomodada com algo. não fazia do tipo vingativo ou que brincava com os sentimentos dos outros, mas era impossível não pensar na palavra karma com toda essa situação.

“Para toda ação existe uma reação de força equivalente em sentido contrário.”

Ele riu nasalado e balançou a cabeça negativamente, era incrível como o destino gostava de pregar algumas peças, justo agora que ele tinha decidido ficar sozinho e não se envolver com alguém.
- poderia ter mudado de ideia mais cedo. - suspirou, passando as mãos no rosto.
Depois de tantas decepções amorosas havia criado uma armadura em torno de si, precisava se proteger de alguma forma, pois já estava cansado de sofrer por amor, seja pela rejeição ou traição. Era sempre uma luta para se recuperar dessas dificuldades e após a sua última experiência ele não tinha tanta certeza se teria forças ou disposição para se arriscar novamente. Ainda mais com , que ele não sabia se ainda a conhecia, já que passaram oito anos distantes. Muita coisa pode acontecer em tantos anos, as pessoas mudam tanto, ele próprio tinha amadurecido muito e era um homem bem diferente do de 2008.
- Que merda. - bufou, se jogando na cama e tentando refletir no que estava acontecendo.

- Não espero nada em troca, ok? Só queria que você soubesse.

Se lembrou das palavras dela e duvidou muito que isso fosse verdade, sabia que bem lá no fundo ela tinha alguma esperança, mesmo que mínima. O problema era que suspeitava que não seria capaz de corresponder a esse sentimento e também não sabia se queria que fosse recíproco da sua parte, ainda tinha certo receio sobre o que ela sentia por ele.

(…)

Dois dias tinham se passado e sentia-se leve como um beija-flor. Ter desabafado com havia a libertado da angústia que vinha sentindo desde o dia em que o reencontrou. Ela sempre deixou aquele sentimento muito bem guardado dentro de si, sabia que era o melhor que poderia fazer para se proteger, em um ato de tolice ela até tentou se envolver com outros homens, se entregar de corpo e alma para eles, mas nunca conseguiu já que sentia que faltava algo. Como se sua vida amorosa fosse um quebra-cabeças e faltasse uma peça e ela sabia o nome e sobrenome daquela peça: .
- Terra chamando . - dois dedos estalaram na frente do rosto dela, a fazendo piscar algumas vezes. - Está aqui? - Ian sorriu, notando a cara de perdida dela.
- O que foi? - franziu a testa.
- Vamos para as montanhas. - sorriu, animado.
Ir para as montanhas significava andar de snowmobile e o rapaz era simplesmente fascinado em andar nas motos da neve.
- Vamos? - indagou.
Quando a equipe precisava ir para as montanhas gravar alguma coisa eles raramente levavam todos da produção, pois era muito trabalhoso, levavam somente quem era essencial. Não que e Ian não fossem importantes, mas Ella conseguia fazer algumas sozinha por pouco tempo.
- Sim, a chefe nos quer com ela. - sorriu, ele parecia uma criança de tão feliz.
não estava tão contente assim, não se sentia tão confortável em andar numa moto da neve com um desconhecido.
- A gente precisa se vestir, vamos lá. - deu dois tapinhas nos ombros dela e saiu quase correndo.
Vinte minutos depois todos já estavam se preparando para sair, foi informada que seria gravada uma das cenas finais do filme, onde o personagem estava no topo de uma montanha e interrogava um dos suspeitos de ser o assassino.
A mulher riu ao ver a cara de cachorro sem dono de Ian quando ele foi informado que não poderia pilotar o snowmobile, pois não tinha experiência o suficiente.
- Quer carona? - passou por ela, já devidamente vestido.
A mulher o fitou e sorriu, ele já tinha pilotado a moto da neve diversas vezes durante as gravações, então tinha total liberdade para andar sozinho.
- Se não for incomodar. - mordeu o lábio inferior, ajeitando a mochila nas costas.
O ator balançou a cabeça negativamente e subiu na moto, esperou por River que por causa do peso que carregava teve um pouco mais de dificuldade.
- Segura forte, tá? - pediu e ela nem o questionou, apenas envolveu os braços na cintura dele e segurou o mais forte que conseguia.
O percurso até o topo da montanha durou por volta de quinze minutos, suspirou quando estacionou a moto, ela agradeceu mentalmente por ele não ter ido tão rápido já que sabia do medo dela.
O ator não podia negar para si próprio que tinha adorado sentir o corpo de tão perto do seu, as mãos dela envolveram sua cintura de uma forma tão gostosa que ele se sentiu estranho quando ela se afastou.
Enquanto a observava descer da moto franziu a testa ao vê-la fazer uma careta.
- Tudo bem? - perguntou, a analisando.
A mulher assentiu, tirando a mochila das costas e deixou um gemido escapar de seus lábios, estava carregando muito peso.
- Estou ótima. - assentiu. - E você, pronto para a cena? - o questionou, pois sabia que seria uma filmagem difícil e pesada.
Ele se sensibilizou com a preocupação dela, era reconfortante ver uma mulher se importando com ele novamente.
- Sempre. - garantiu, piscando pra ela, que sorriu de volta.
Os dois se olharam por mais um momento até que o diretor chamou para acertar os últimos detalhes, caminhou até Ian e eles preparam tudo o que seria preciso para a gravação, pouco tempo depois todos ficaram em silêncio enquanto e o outro ator iniciavam sua cena.
O diretor gritou ação e a partir disso foi extremamente difícil para se concentrar em outra coisa que não fosse a atuação visceral de . A cena exigia muito do ator e ele cumpriu o seu papel com excelência, dando uma veracidade para o personagem que ela nunca tinha presenciado antes. Seus olhos estavam marejados e sua garganta trancada, ela buscava forças para controlar suas emoções naquele momento, sabia que precisava ficar em silêncio para não atrapalhar. Notou que algumas lágrimas escorreram pelas bochechas de e ela teve que morder o lábio inferior para não deixar um soluço escapar.
agradeceu imensamente quando a cena foi encerrada, respirou fundo e se afastou.
- Você está bem? - Ian tocou o ombro dela. - Já reparei que você sempre fica abalada nesse filme.
- Como não ficar? - se virou, o choro já tomava conta de seu rosto.
- É só um filme, não precisa ficar desse jeito. - franziu a testa.
arregalou os olhos e balançou a cabeça negativamente.
- Um filme? Você não viu essa cena de agora? Como não se emocionar? Será que a neve já congelou o seu coração? - se exaltou, apontando o dedo na direção dele.
- Ei, calma . - ergueu os braços em sinal de rendição. - Não quis te ofender, só queria ajudar.
Ela bufou, não acreditando na insensibilidade do colega de profissão.
- Bom, da próxima vez é melhor que fique calado. - cruzou os braços e saiu de perto dele, voltando para onde tinha deixado o seu equipamento.

observou aquela pequena discussão em silêncio, era visível que estava completamente abalada e que o rapaz tinha ultrapassado o limite quando não levou a sério o que ela sentia no momento. a viu se afastar e seu instinto lhe disse para ir até ela e checar se estava tudo bem, mas ele permaneceu na mesma posição, apenas a fitando de longe. Se havia uma coisa que não tinha mudado em era que ela raramente conseguia separar a realidade da ficção e isso nem sempre era bom, mas algumas vezes poderia lhe ajudar a entrar melhor num personagem. De certa forma, o ator admirava isso na mulher, pois mostrava que ela tinha muita sensibilidade e se importava com os outros, o que já revelava muito da personalidade dela. se questionou se talvez isso fosse o suficiente para confiar no sentimento dela por ele, afinal sabia que jamais mentiria para ele, nem quando ela o rejeitou fez isso, sempre fora muito honesta com o que sentia, tinha que dar esse crédito a ela.
- A carona também conta para a volta? - o ator nem tinha percebido que ela estava ao seu lado.
- Claro. - balançou a cabeça. - Você está bem? - notou que os olhos dela estavam vermelhos.
- Tô. - fitou o chão. - Só um pouco emocionada com toda essa situação. - sorriu timidamente.
analisou o rosto dela, notando como ela continuava linda, era possível ver algumas marcas de expressão em seu rosto, mas nada que tirasse sua beleza. Ele nem se deu conta de quando sua mão foi até a bochecha dela e com o polegar limpou uma última lágrima que estava ali, foi algo automático e até natural para ele, que detestava ver uma mulher chorando, principalmente .
- Obrigada. - ela agradeceu sorrindo minimamente.
O ator assentiu e se afastou apenas para subir em sua moto, ela não demorou a se juntar a ele e juntos voltaram para onde estavam hospedados.

estava no conforto de sua cama e embaixo dos cobertores, o dia tinha sido cansativo emocionalmente e tudo o que ela mais desejava no momento era ficar sozinha, precisava recuperar o seu psicológico, por isso ela bufou quando ouviu duas batidas em sua porta.
- Quem é? - perguntou, saindo da cama.
- Ian. - respirou fundo ao ouvir a resposta e abriu a porta.
- O que você deseja? - indagou educadamente.
Ian estava sem graça diante da mulher, sabia que tinha sido insensível já que na hora nem se tocou como o assunto da cena poderia ser algo difícil de se falar, principalmente para mulheres.
- Eu fui indelicado, . - admitiu. - Devia ter respeitado o seu momento e não ter feito um comentário idiota como aquele. - fitou o chão e depois a mulher, que analisava o rapaz.
- Tudo bem, Ian. - suspirou, fechando os olhos por um momento. - Talvez eu tenha exagerado também, mas no calor do momento nem consegui pensar direito. - sorriu sem mostrar os dentes.
- Não precisa se desculpar, eu entendo. - assentiu. - Espero que não fique um clima estranho entre nós. - sorriu de lado.
- Não vai ficar. - garantiu, o encarando. - Pode ficar tranquilo que não vou guardar mágoas e nem nada do tipo.
- Que ótimo. - ele suspirou. - Então estamos tranquilos? - perguntou, só para ter certeza mesmo.
- Sim. - balançou a cabeça positivamente. - Nos vemos amanhã? - esticou a mão para ele.
- Claro. - apertou a mão da colega rapidamente.
Ian estava mais do que satisfeito por ter se acertado com , ela era uma pessoa maravilhosa que o respeitava como indivíduo e o ambiente de trabalho dos dois era perfeito, jamais faria algo propositalmente para estragar isso.

A mulher voltou para sua cama e notou que alguém estava ligando em seu celular, pegou o aparelho e sorriu ao ver que era , atendeu a ligação rapidamente.
- Oi. - mordeu o lábio inferior, se enfiando embaixo das cobertas.
- Oi, . - a voz rouca dele estava tão calma, o que ela simplesmente adorava. - Como você está?
não estava muito diferente da mulher, também estava confortavelmente deitado em sua cama, mas não conseguia parar de pensar em e em como ela havia ficado mexida com a cena que ele tinha gravado, então decidiu falar com ela para saber como a mulher estava se sentindo.
- Eu tô bem.
- De verdade? - ele duvidou da resposta dela.
respirou fundo, sabia que poderia ser honesta com ele.
- . - o chamou pelo apelido. - A sua atuação me tocou profundamente, por alguns minutos eu senti que tudo aquilo era verdade, não consegui me controlar. - confessou, fechando os olhos momentaneamente.
- Não foi fácil de gravar. - admitiu com a voz baixa. - Eu quase saí do personagem quando ele confessou o que tinha feito.
Os dois ficaram em silêncio por alguns instantes, apenas digerindo o assunto que conversavam.
- Você está bem? - ela perguntou, querendo saber dele.
- Agora sim. - sorriu para si mesmo. - E quero que você esteja também.
River sorriu toda boba com as palavras do homem, era tão bom saber que ele ainda se importava com ela.
- Daqui a pouco passa. - garantiu.
ainda precisava saber sobre a briga dela com Ian, o outro assistente da diretora de fotografia.
- Eu vi você discutindo com aquele rapaz, está tudo bem?
- Ah sim, a gente conversou e já está tudo resolvido.
- Então não vou precisar acertar as contas com ele? - brincou, a fazendo rir.
- Poxa, se eu soubesse que você ia me defender nem tinha conversado com ele. - entrou na dele. - Mas Ian é tão magrinho que era capaz de morrer com um soco seu.
- Não sei, , não se esqueça de que agora estou ainda mais velho.
A mulher gargalhou, estava tão feliz por ter esse tipo de liberdade com novamente, e o melhor era que ele quem tinha dado o primeiro passo.
- Você sempre pode usar sua bengala. - comentou e se ainda o conhecia bem o suficiente sabia qual seria a resposta dele.
- Não acho que ela seja tão longa, só é grossa mesmo.
riu junto com ela, adorando que o clima da conversa estava mais leve e que estavam voltando aos velhos tempos.
- Propaganda enganosa é crime, hein? - soltou, ainda rindo.
- Não estou enganando ninguém, minha querida. - fez um barulho com a boca, como se estivesse bocejando. - Qualquer dia te mostro para provar que não estou mentindo.
- Ah é?
- Se você quiser, é claro. - riu, adorando que aparentemente ela não ficava mais envergonhada com esse tipo de conversa.
- Olha que não vou esquecer disso, viu? - ela mordeu o lábio inferior.
sorriu, adoraria continuar a conversar com por mais algum tempo, mas seu corpo gritava por descanso naquele momento, agradeceu quando ela foi a primeira a dizer que precisava dormir.
- A gente se fala amanhã? - perguntou e ouviu um resmungo em resposta.
- Boa noite, . - ele desejou.
- Boa noite, . - respondeu, esperando ele encerrar a ligação.
Mas o ator não podia perder a oportunidade.
- Sonha comigo?
- Quem sabe? Talvez você esteja com sorte. - afirmou, o fazendo abrir um sorriso enorme antes de desligar o aparelho e cair num sono profundo.

(…)

Aquela era a última semana das gravações de Wind River, estava um pouco melancólica com todo aquele clima de despedida, tinha adorado participar da produção desse filme, que tratava com tanto respeito os indígenas e sua história. A mulher se sentia orgulhosa por fazer parte de um filme que daria visibilidade para as minorias, sabia como aquilo era importante nos dias atuais.
franziu a testa quando sentiu algo batendo em suas costas e se virou ao escutar a risada de uma criança, sorrindo ao ver Ava correndo na direção do pai, que fingia estar distraído com outra coisa. A mulher estreitou os olhos, sabia muito bem que tinha sido quem jogou a bola de neve nela.
- Oi, florzinha. - sorriu para a menina, que voltou a andar até ela.
- Posso te chamar de ? - pediu, visivelmente envergonhada. - Meu pai disse que é o seu apelido.
se agachou na frente da pequena e acariciou o seu rosto com cuidado.
- É claro que sim. - sorriu, tocando a ponta do nariz dela com o seu indicador.
se aproximou das duas, fazendo um carinho na cabeça da filha.
- Quer ir lanchar com a gente? - fitou , que se levantou.
Os dois estavam numa pausa da gravação do filme, que durava em torno de uma hora.
- Claro. - assentiu, então ela se surpreendeu quando a menina segurou sua mão.
- Acho que alguém gostou de você. - comentou, admirado com a atitude da filha.
ainda não acreditava, elas tinham se encontrado poucas vezes e nunca tinham passado muito tempo juntas, então era uma novidade para ela saber que a filha de gostava dela.

Os três se acomodaram na pequena lanchonete local, o ator pediu por um sanduíche natural para ele e um de pasta de amendoim para Ava, a mulher acabou pedindo o mesmo que ele. Eles comeram tranquilamente enquanto a criança contava para como era a sua vida em Los Angeles.
- Eu faço balé. - informou, com a boca cheia. - E futebol, papai diz que preciso fazer de tudo. - deu um gole em seu suco.
A mulher sorriu e fitou , que deu de ombros.
- Eu joguei futebol quando era pequena, mas sou péssima em qualquer atividade esportiva.
Ava riu da resposta da mulher.
- Adoro desenhar também. - sorriu, empolgada.
- Poxa, Ava. - fez um bico. - Você é tão pequena e já é cheia dos talentos.
A criança sorriu, toda feliz com a atenção que recebia da mulher.
- Tenho um monte de desenho em casa, você não quer ver?
River olhou para o pai da menina, que sorriu pra ela e assentiu.
- Eu ia amar. - respondeu.
sempre adorou crianças, amava estar perto daqueles pequenos seres humanos e interagir com eles, se encantava com a inteligência e esperteza deles.
- Um dia o papai te leva, né? - ela olhou para o lado e sorriu quando o seu pai concordou.
estava completamente deslumbrado com a forma que sua filha caiu de amores por , pensou que a pequena era muito parecida com ele, pois era a segunda a gostar tanto da mulher. O melhor era que retribuía o carinho com a mesma intensidade, a essa altura o ator já sabia diferenciar quando alguém estava fingindo gostar de sua filha e quando gostavam de verdade, e não tinha dúvidas de que River realmente queria estar perto de Ava e saber mais dela.
Naquele momento, se deu conta que alguns de seus receios a respeito de estavam desaparecendo, conseguia até sentir uma coragem invadir o seu corpo, como se algum tipo de força o incentivasse a se arriscar novamente. Talvez devesse dar a devida atenção ao seu coração e fazer o que ele tanto pedia, afinal agora ele sabia que não podia se prender ao passado e deixar a oportunidade passar.


(...)


Aquele tinha sido o penúltimo dia de gravação, estava em seu quarto se preparando para a sua última noite naquele local, que de certa forma já tinha ganhado um lugar em seu coração, escutou duas batidas em sua porta e estranhou, pois não esperava por visitantes.
- Quem é? - perguntou antes de chegar até a porta.
- Sou eu. - era aquela voz rouca que ela já conhecia.
Mas ela achou que seu cérebro estava lhe pregando uma peça, então precisou confirmar.
- ? - indagou.
- Sim. - ele respondeu simplesmente.
olhou para o seu corpo rapidamente e fez uma careta ao ver o pijama que usava, um short de moletom e uma camiseta surrada, suspirou e deu de ombros, não tinha muito o que fazer agora.
Ela abriu a porta e viu o homem a fitar com curiosidade, antes de dar um risinho.
- Eu já estava indo dormir. - se justificou.
- Não tem problema. - entrou no quarto e fechou a porta atrás de si.
- Aconteceu alguma coisa? - perguntou, enquanto o observava olhar o quarto ao seu redor.
voltou a sua atenção para ela, sabia muito bem por que estava ali e o que queria, pelo menos naquele momento tinha deixado sua razão de lado e agia totalmente com sua emoção. O ator deu alguns passos na direção dela e colocou as mãos no rosto da mulher, que franziu a testa, confusa com o que ele estava fazendo.
- Eu vou te beijar, River. - falou o nome dela completo e a fez arregalar os olhos brevemente. - Não ouse me rejeitar. - riu nasalado e ela negou rapidamente.
encurtou o espaço entre eles e tocou os lábios dela com os seus, quis sorrir com a facilidade que ela se entregou ao beijo, era maravilhoso ser tão bem recebido assim. Suas línguas se encontraram depois de tanto tempo e sentiu os braços de envolvendo sua cintura com força. Uma de suas mãos foi para o cabelo dela, se embrenhando nos seus fios que ainda estavam úmidos, ele mordeu o lábio inferior dela e se controlou quando ela gemeu contra os seus lábios.
- Você ainda me deixa louco. - separou de sua boca e grudou a testa na dela. - Mesmo depois de tanto tempo. - a respiração dele estava ofegante.
- Isso significa que você gosta de mim? - perguntou esperançosa e o fitou nos olhos.
- Nunca deixei de gostar, . - acariciou o rosto dela. - Só enterrei esse sentimento dentro do meu peito.
deixou suas mãos entrarem por debaixo da camiseta dele e alisou as costas do homem.
- Você não sabe como eu senti sua falta. - admitiu, o encarando. - Fui tão idiota e…
- Shiu. - a interrompeu, colocando o indicador nos lábios dela. - Antes de vir pra cá eu prometi a mim mesmo que ia esquecer o passado, todo o sofrimento que eu passei, que ia focar exclusivamente no agora. - lhe deu um beijo rápido.
- O que te fez mudar de ideia? - indagou, curiosa.
- Ver você lidando tão bem com a Ava. Vi que ali ainda estava aquela garota sensível que eu conheci há alguns anos, mas que hoje se tornou uma mulher que não tem medo de reconhecer que falhou e lutar por aquilo que deseja. Eu confesso que estava indeciso, mas não tenho dúvidas de que eu quero você, .
Ela sorriu genuinamente, feliz por receber esse tipo de elogio vindo de . tinha amadurecido muito com o passar dos anos, mas sempre fez de tudo para manter a sua essência.
- Então quer dizer que você vai me dar uma chance? - mordeu o lábio inferior.
- Você quer? - perguntou brincalhão.
- Claro que sim. - riu nasalado.
- Então eu sou todo seu, minha querida.
não precisou de mais nada, pulou no colo dele e os dois gargalharam quando ele quase perdeu o equilíbrio, mas rapidamente a segurou junto de si. Voltaram a grudar os lábios, mas dessa vez num beijo muito mais cheio de desejo e vontade que o anterior. deu alguns passos até chegar na cama e sentou-se com a mulher em seu colo, que fez questão de rebolar contra o seu corpo, apenas para lhe provocar.
- Não comece o que não pode terminar. - rosnou e ela riu, rebolando novamente.
- Quem disse que não posso terminar? - mordiscou seu lábio inferior. - Só tem um problema. - fez uma careta.
- Eu tenho camisinha na minha carteira.
- Não é isso. - riu divertida. - Normalmente uso lubrificante e não tenho nada aqui.
arqueou as sobrancelhas, completamente surpreso e um pouco confuso com aquela informação.
- Lubrificante? - indagou, franzindo a testa.
- Sou ressecada...– pausou por um momento antes de continuar. - Lá embaixo. - admitiu e ele estreitou o olhar, em seguida lambendo os lábios. - , o prazer que vou te dar vai te deixar tão encharcada que não terei problema algum em deslizar pra dentro de você. - mordeu o queixo dela, que arregalou os olhos e engoliu em seco, na expectativa pela promessa dele.
- Você seria o primeiro a se preocupar com isso. - confessou.
franziu a testa e se levantou, a colocando deitada na cama.
- Então vai ser a sua primeira vez com um homem de verdade? - se inclinou sobre o corpo dela. - Homens colocam o prazer da mulher em primeiro lugar, sabia? - lhe beijou.
- Homens mais velhos, você quer dizer. - ela não podia perder a piada.
- Acho que chega de conversa. - se afastou rapidamente, apenas para tirar os sapatos e colocar sua carteira no criado mudo.
o fitava com atenção, observando cada ação do homem.
- Pronta? - a olhou e se juntou a ela na cama.
a beijou com calma, querendo aproveitar cada sensação que aquele beijo poderia lhe proporcionar. Uma de suas mãos desceu para a camiseta que ela usava, apertando de leve o seio direito dela, que gemeu em resposta. Ele continuou o percurso e alisou a barriga dela por um tempo antes de chegar até o seu short, onde sua mão entrou com cuidado. Ainda por cima da calcinha ele lhe acariciou lentamente, a fazendo gemer outra vez e morder o lábio dele.
- Gosta, é? - sorriu maroto e sugou o lábio inferior dela. - É só o começo.
Sua mão voltou a subir e no caminho levou a camiseta dela consigo, o ajudou no processo de tirar a peça de roupa, que voou para longe. passou alguns segundos observando o tronco nu da mulher, lambeu os próprios lábios em expectativa e os dois se beijaram novamente. As mãos do ator agora percorriam o corpo do , que tentava controlar sua respiração, gemeu novamente quando os lábios de foram para o seu pescoço e uma das mãos até o seio que ele tinha acariciado anteriormente, o polegar dele rodeou o seu mamilo que já estava enrijecido, ela arqueou seu quadril quando o sentiu chupando a pele de seu pescoço.
- . - agarrou a camiseta dele, se deliciando com o prazer que sentia.
O homem já sentia o jeans extremamente justo e aquilo começou a lhe incomodar, então parou o que fazia por um momento, apenas para se livrar de sua calça e meias. Ao voltar para cama, sua boca foi de encontro ao seio já rígido de , que soltou um grito de surpresa, as mãos dela seguraram sua cabeça em um pedido silencioso para que ele não saísse dali, sua língua trabalhou cuidadosamente no mamilo dela, enviando sensações maravilhosas por todo o seu corpo. desceu as mãos, aproveitando para tirar o short e calcinha que usava, ela finalizou a retirada das peças com as pernas.
- Céus. - murmurou quando sentiu os lábios de dando atenção ao seu outro seio, enquanto a mão dele descia para sua intimidade, tocando o seu clitóris que já estava desesperado por atenção. - … - ela choramingou, arqueando o seu quadril e rebolando contra a mão dele.
estava sentindo tanto prazer que não conseguia focar em nada. Suas mãos agarraram o lençol da cama e ela o puxava com violência, ter a boca de em seu seio e a mão dele em sua intimidade era de enlouquecer qualquer uma.
- Você é deliciosa. - afirmou, logo após sugar o seio em que dedicava tanta atenção.
Ela o fitou e o viu tirar a camiseta rapidamente, ficando apenas de cueca boxer. Notou o homem se afastar um pouco e resmungou quando ele tirou a mão de seu clitóris, mas mal teve tempo de protestar porque ele substituiu os dedos com os lábios.
- ! - seu corpo inteiro arqueou com o toque da língua dele em sua região tão delicada, aquele nível de prazer não poderia ser normal, sentia que iria desfalecer a qualquer momento.
A língua de a rodeava por todos os lados possíveis, não conseguia mais controlar os sons que saíam de sua garganta, gemeu mais alto quando dois dedos do ator brincaram em sua entrada, apenas provocando aquela região. Sua respiração ficou descompassada e ela começou a sentir espasmos descendo de seu quadril até os seus pés, tinha perdido completamente o controle de seu corpo, estava totalmente entregue ao prazer que lhe proporcionava, nunca tinha sentido nada do tipo antes, pelo menos não nessa intensidade. O ator tirou os dedos de sua entrada e subiu uma de suas mãos para o seio dela, massageando o mesmo, sua língua continuava a acariciar seu clitóris, que já estava mais do que sensível, o chupou delicadamente e sentiu se contrair por inteira, soltando um gemido quase sofrido, ela tinha atingido o seu ápice.
depositou alguns beijos no local e ergueu a cabeça, vendo uma completamente enfraquecida na cama, com a respiração ofegante, ele distribuiu beijos pelo corpo dela até chegar em seus lábios, onde lhe deu um selinho.
- Você está bem? - sussurrou.
- Uhum. - murmurou em resposta e ele sorriu satisfeito.
Ela foi recuperando as forças e o envolveu em um abraço, descendo suas mãos até a boxer dele, onde notou o membro dele completamente duro.
- . - gemeu rouco.
Ela desceu a cueca dele com as mãos, apertando a bunda dele no processo.
- Não quer esperar? - a questionou, sabendo que ela ainda estava sensível.
A resposta que teve foi uma negação com a cabeça.
- Quero você todinho dentro de mim. - mordeu o lábio inferior. - Agora. - ordenou em um fio de voz.
queria retribuir a altura, então só desejava que ele tivesse o mesmo prazer que ela teve. beijou a testa dela e se afastou lentamente, indo até a sua carteira e retirando a camisinha dali, retornou para a cama e se acomodou entre as pernas da mulher, que fechou os olhos ao sentir o pênis dele em sua entrada, ele foi colocando seu membro aos poucos para que se acostumasse com o seu tamanho, ergueu uma das pernas dela para conseguir mais acesso e a viu abrir os olhos enquanto o envolvia com seus braços.
- Você não estava mentindo quando disse que era grosso. - ela mordeu o lábio inferior e ele riu nasalado.
começou a se movimentar lentamente, procurando um ritmo que fosse prazeroso para os dois, mas ele sabia que não aguentaria por muito tempo e aumentou a velocidade gradativamente, olhou para tentando detectar qualquer sinal de incômodo, mas ela era puro êxtase. se movimentava com mais rapidez e força, sentindo que o orgasmo estava se aproximando, a mulher fincou as unhas nas costas dele no mesmo instante em que ele atingiu o seu clímax, gemendo o nome dela em seguida.
esperou alguns segundos para sair dela e foi até o banheiro, se livrando da camisinha rapidamente, quando voltou para o quarto estava deitada de lado e com os olhos fechados, ele se deitou atrás dela, encaixando o corpo dos dois.
- Obrigada por cumprir a promessa. - ela disse, sentindo um beijo em seu ombro.
Não demorou muito para os dois caírem no sono, dormindo feito conchas perfeitas.

acordou horas depois, sentindo um peso em sua cintura, notou que era o braço de que a envolvia em um abraço. Ela se remexeu um pouco e o escutou resmungar e a puxar mais para si, conseguiu se virar e ficar de frente pra ele, se inclinou e lhe deu um selinho carinhoso.
- Não foi um sonho? - sussurrou para si mesma.
- Deve ter sido o melhor sonho da minha vida. - ele abriu os olhos, sorrindo em seguida.
- Posso garantir que foi o melhor sexo da minha vida. - afirmou, se aninhando ainda mais no corpo dele.
- Ah é? - arqueou as sobrancelhas. - Então isso significa que vai querer repetir?
- Sem dúvidas. - se apressou em confirmar.
- Que ótimo. - beijou a testa dela e a apertou mais contra o seu corpo. - Agora volte a dormir. Não se esqueça que sou um velho que não tem o mesmo fôlego que você.
não conseguiu segurar a risada, balançando a cabeça negativamente.
- Velhote que meu deu o melhor orgasmo da minha vida.
- Eu prometi, não foi? - sorriu com os olhos fechados. - Agora volte a dormir se quiser que isso se repita.
- Seu pedido é uma ordem. - riu baixinho, fechando os olhos em seguida.

EPÍLOGO


Abril de 2019

- , o que você acha? - Ava apareceu no quarto, usando a camiseta que tinha ganhado da mulher.
- Ficou linda, meu amor. – sorriu se aproximando da criança. - Você está gostando disso, né?
- Eu amo surpresas. – sorriu toda empolgada.
- Então vem me ajudar a terminar de enfeitar isso aqui. - apontou para a cama, onde ela ajeitava a pequena caixa.
Ava subiu na cama e observou o pequeno objeto, pegou o conteúdo que estava ali dentro e sorriu.
- Não vejo a hora. - garantiu.
- Eu também. - a mais velha concordou.
- Ainda acho que a gente devia escrever no espelho. - Ava opinou, ela tinha visto aquilo em um vídeo na internet e tinha achado a ideia genial.
- Seu pai me mata. - a outra riu. - Sem contar que dá muito trabalho pra limpar.
- Tem certeza?
olhou para a criança, a felicidade da menina era tão grande que surpreendeu a mulher.
- Tenho sim, você vai ver que o seu pai vai amar isso aqui. - apontou para a caixinha.
e estavam juntos há quase três anos, o relacionamento deles não poderia estar melhor. Os dois combinavam tanto que sabiam apenas pelo olhar quando o outro estava mal ou queria lhe contar algo. A conexão deles parecia coisa de outra dimensão, como se tivessem se conhecido em outras vidas. Raramente tinham algum desentendimento e quando isso acontecia já conversavam para resolver a situação logo, para que nenhum dos dois ficasse magoado.
Quando completaram dois anos de namoro, o ator a chamou para morar com ele, que aceitou de imediato o pedido. Afinal, já passava por boa parte do tempo na casa dele mesmo, não faria muita diferença se mudar pra lá de vez.
Ava adorava a companhia de , as duas sempre se deram muito bem, a mulher tratava a criança com muita educação e carinho, o que facilitou a boa convivência das duas. não escondia sua satisfação em ver as duas mulheres da sua vida juntas, amava que a filha nunca teve ciúmes de , às vezes era ele quem tinha inveja da cumplicidade delas.
- Pronto, terminei. - a mulher fechou a caixa.
- Ainda bem, acho que é ele. - Ava falou, escutando a porta da casa sendo aberta.
- Vem, vamos. - se levantou, esticando a mão para a menina.
As duas andaram pelo corredor que levava aos quartos e entraram em um que estava vazio.
- ? Ava? - as chamou, deixando suas malas ao lado da porta e a chave do carro e da casa no balcão da cozinha. - Cadê vocês?
- Aqui. - escutou a voz da namorada e franziu a testa.
- Aqui onde? - andou pela casa.
- Pai? - agora foi a vez de Ava se manifestar.
balançou a cabeça, suspeitando que as duas estivessem aprontando com ele. Passou pelo corredor e notou a luz de um quarto aceso, estranhou, pois aquele quarto tinha sido reformado recentemente e ainda não tinham decidido o que fazer com ele.
- O que as senhoritas estão aprontando, hein? - cruzou os braços, se encostando no batente da porta.
tinha as mãos nos ombros de Ava, que segurava uma pequena caixa em suas mãos, o que também escondia o que estava escrito em sua camiseta.
- Vai lá. - incentivou a menina, que andou até o pai com um sorriso no rosto.
a olhava com curiosidade, estreitou o olhar quando ela lhe entregou a caixa.
- É pra você, papai. - o fitou em expectativa.
O ator ajeitou a postura e desfez o laço amarelo e tirou a tampa da caixinha, tirou os papeis que escondiam o que tinha ali dentro e sua feição mudou por completo. Ele arregalou os olhos enquanto seu cérebro ainda assimilava o significado daqueles pequenos objetos. Ava o cutucou na barriga e ele desviou a atenção para filha por um momento, ela apontava para a camiseta dela que dizia: Vou ser irmã mais velha.
- Isso é sério? - olhou para a namorada e depois para a caixinha em suas mãos, analisando o teste de gravidez e um par de sapatinhos de bebê. - Você está grávida? - voltou sua atenção para , que já tinha os olhos marejados.
- Sim. - assentiu freneticamente.
entregou a caixa para Ava e andou com passos firmes até a namorada, envolveu o rosto dela com as mãos e lhe beijou intensamente, fazendo até perder um pouco de seu equilíbrio. Ela riu contra os lábios dele e o envolveu pela cintura.
- Eu sou o homem mais feliz do mundo. - gritou após se afastar dela brevemente.
Ava correu até os dois e se enfiou no meio do abraço que eles davam, querendo fazer parte da comemoração. beijou o topo da cabeça da menina, acariciando os cabelos dela.
- Quando você descobriu? - perguntou, olhando para a namorada.
- Tem três dias. - sorriu, sentindo Ava a abraçar pela cintura. - Você estava viajando, não queria te contar pelo telefone. - se explicou.
assentiu e se afastou um pouco, se ajoelhando na frente dela e ergueu a camiseta dele que ela estava usando, notou Ava o fitando e sorriu para filha.
- Oi, pequenina ou pequenino. - se inclinou, beijando a barriga de , que nessa altura já estava chorando. - Eu ainda não acredito. - fechou os olhos por um momento e beijou novamente o ventre da namorada. - Meu amorzinho, saiba que aqui do lado de fora você já tem o amor de três pessoas que vão cuidar de você com todo o carinho do mundo. - acariciou a barriga de , agora ele também já chorava.
- E uma irmã pra brincar. - Ava se pronunciou, arrancando risadas do casal.
- Acho que sou a mulher mais sortuda da Terra. - fungou, observando os dois conversando com sua barriga.
se levantou e pegou Ava no colo, envolveu a namorada com o outro braço e olhou ao seu redor.
- Por que estamos aqui?
- Vai ser o quarto do bebê. - a menina o avisou.
- Ah é? - encarou , que assentiu.
River se aninhou mais no corpo de e suspirou, colocando sua mão no peito do homem, ela conseguia sentir o coração dele batendo de forma acelerada, sorriu e lhe deu um selinho, tinha a certeza que ali era o seu lugar, a sua casa.

My heart is your home


Fim.



Nota da autora: Oi gente, cheguei com mais uma história pra vocês.
O que acharam? Posso confessar que me diverti muito enquanto escrevia essa história? Amei a interação dos personagens e o humor afiado que usei neles kkkkkkk
Espero que tenha conseguido passar para vocês o que eu realmente queria e o enredo tenha ficado bom.
Nada me fará entender o que faz alguém rejeitar o Jeremy Renner, né? Mas fazer o que, gosto não se discute hahaha

E eu queria agradecer minha amiga Carol, que foi uma luz no fim do túnel para essa história e me ajudou a clarear muita coisa, suas dicas e ideias foram essenciais para que River finalmente fosse criada, muito obrigada.
Um muito obrigada a senhorita Babi que também sugeriu algumas coisas e teve muita paciência com o meu atraso =)
Até a próxima gente.





Outras Fanfics:

Coração de Ouro
Minha Garota
05. Around U
12. Army

Nota da beta: Ahhh, que amorzão! Eu adoro esse homem, socorro. E adorei esse casal divertido, com a pitada de fofura que é essa criança chamada Ava 💙 Adorei, Li, parabéns, ficou uma graça!!! Xx-A

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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