Postada: 15/08/2017

Forever cursed in love are the observant
Forever a slave to the detail

Verão de 2011, Tune, Suíça


— Acampamento Lago Tune, mais um ano da mesmice de sempre. — retirando os óculos de sol, os colocou no topo de sua cabeça, forçando os olhos para enxergar a imensidão do local que seria seu “lar” nos próximos dias. Ela poderia considerar um lar, já que estava em seu segundo ano consecutivo frequentando o acampamento a pedido dos pais. Nada havia mudado desde sua última ida ali, tirando os novos rostos e a saudade de outros, tudo continuava da mesma forma.
— Atenção campistas! A lista dos dormitórios se encontram no painel principal em frente ao refeitório. Por favor, dirijam-se com cuidado até o local. Quero todos no auditório às cinco para que possamos passar o cronograma geral. — “E Judith novamente tentando conter o pessoal com seu velho alto falante”. balançou a cabeça em forma de negação, recolhendo suas malas e caminhando até o local exigido.
Assim como o ano anterior, o cronograma ainda continuava o mesmo, entretanto, a mudança de nível do curso de teatro animou um pouco a garota que se sentiu aliviada só de saber que mudaria de professora, afinal, ninguém merecia ter uma senhora de setenta anos sendo professora de atuação. O que ela fazia ali? Deveria estar curtindo a vida, viajando, ao invés de estar ensinando para um bando de adolescentes. Ao contrário dos demais acampamentos de verão onde as atividades principais se resumiam em diversão ao ar livre, o Lago Tune se resumia em arte. Muitos dos jovens ali iam em busca de aproveitar parte do verão para focar em música, teatro, pintura ou qualquer atividade ligada à arte. Seria tudo mais divertido se eles realmente parassem para entender a cabeça dos adolescentes e não colocassem um sistema onde se igualava mais a uma escola, entretanto, era um bom local para se passar alguns dias.

[...]


O dia seguinte não demorou muito a nascer, foi a última a acordar entre as outras quatro garotas que dividia o dormitório. Tomou um banho, ajeitando-se rapidamente com receio de perder o café da manhã, por sorte, conseguiu chegar trinta minutos antes que fechassem as portas. O dia ainda seria livre, já que outros campistas ainda estavam para chegar. Sendo assim, aproveitou para dar uma volta e ver o que havia de novo naquele local.
! — ouviu seu nome ser exclamado e logo virou-se para o lado, encontrando a responsável por chamar sua atenção, ou melhor, as responsáveis. Candace, Vicki, Sharon e Aubrey, o quarteto nomeado, por , de “admiradoras”. gostava de estar rodeada por pessoas, se sentia bem quando batiam um bom papo e percebia que as pessoas gostavam dela, afinal, ela era vista como uma das meninas mais influentes daquele local. Talvez por conta da sua forte personalidade e seu jeito destemido de ser, ou talvez tudo se resumisse a história da sua família que era bem conhecida pela mídia. Quem não gostaria de ter uma amiga com uma grande influência? O fato era que aquele quarteto passava dos limites quando o assunto era . Lembrava-se muito bem do dia em que elas acordaram na madrugada e pegaram o frasco do perfume importado de e colocaram um pouco em um pote. Elas queriam saber o que usava, calçava, comia… Basicamente, queriam ser a . Ela apenas forçou um sorriso amarelado, acenando sem jeito e voltando seu caminho, dando um revirar de olhos imperceptível.
Insuportáveis”, ela pensou. Mas sua tranquilidade ainda sim foi encerrada quando percebeu a rápida aproximação das quatro.
— Sério mesmo? — resmungou para si.
, quanto tempo, senti tanta falta. — Candace a abraçou, a esmagando um pouco. E assim se repetiu com as outras três. apenas deu um sorriso como resposta, apenas queria sair dali o mais rápido possível.
— Então, já soube da novidade? — Vicki perguntou.
— Que pergunta mais idiota, Vicki. É claro que ela já sabe, estamos falando de , ela é a mais informada daqui. — Sharon a repreendeu em um tom óbvio.
— Sem falar que todo mundo já sabe disso, Vicki. — Aubrey completou. possuía seu cenho franzido e logo em seguida, cruzou os braços formando uma pose de autoridade.
— Do que estão falando? — indagou, assustando-se um pouco com o olhar de espanto das garotas, tendo de complemento uma risada, que considerou falsa, de Candace. Às vezes ela tinha a impressão de que a loira tentava tirar mais sarro de sua cara do que demonstrar que gostava dela. Elas só perceberam a real situação quando não obtiveram nenhuma fala de , apenas o puro silêncio misturado com a feição irritada da garota. Por que elas não poderiam falar logo e acabar com aquela palhaçada?
— Ai meu Deus, ! Você não sabe? — Candace retornou a falar.
— Se eu soubesse, com certeza não estaria aqui, esperando você falar.
— Sem estresse, lindinha. Quer dizer, depende de como você irá reagir… — um, dois, três… contava mentalmente para não perder a paciência. Por que ela estava dando ouvidos a elas, mesmo? Ah, sim, curiosidade. — Soubemos que um dos filhos do senador chegou ontem à noite.
— E o que eu tenho a ver com isso?
— O que você tem? — Candace riu novamente. — Querida, estamos falando de , a próxima influência deste acampamento, ou você acha que o pessoal não irá correr atrás dele com fazem com você? — não sabia bem como descrever o que estava sentindo. Uma pontada no coração, uma agonia interna, mãos coçando e dedos involuntariamente contraídos em forma de punho. Talvez tudo aquilo se resumisse a raiva e aflição. Ninguém tomaria o lugar dela ali, muito menos um garoto americano. — Mas… — Candace se aproximou, pondo a mão em um dos ombros da jovem. — Ah, se ao menos você tentasse ficar com ele… — ficar com ? Até que não soava tão mal para , afinal, ficando com ele, ela mostraria ainda quem tinha o poder naquele lugar.

[...]


No terceiro dia, as aulas começaram. A sala de teatro começava a encher aos poucos. mantinha seu olhar na tela do celular, enquanto mandava algumas mensagens para sua amiga contando das poucas, porém fortes novidades. Ainda não havia visto o tal do , e por ela, nunca veria. Mas foi fácil de reconhecê-lo quando o mesmo adentrou a sala acompanhado de um grupo de meninos, atraindo a atenção de todos. Primeiro, estava quase boquiaberta por descobrir que fariam parte da mesma sala, depois, sua feição se transformou, transparecendo seu pequeno ódio por ele. Cabelos curtos, porte físico interessante, roupas até que bem e um sorriso que atraía a atenção de outros. Ele claramente estava sendo o centro das atenções.
Ridículo.
— Não sei quem você está querendo enganar, mas eu vejo que você odeia esse garoto. — o susto que sentiu por ouvir um fala repentinamente atrás de si, fez com que a mesma quase deixasse o celular cair no chão. Virou-se para trás, vendo uma garota um pouco mais baixa que ela, cabelos longos e escuro. Por sua face, parecia que a mesma tinha lá seus onze anos de idade.
— Do que você está falando, menina, bateu a cabeça?
— Ou você o odeia, ou você o ama. Observar demais tem seus mistérios. — arqueou a sobrancelha em meio a explicação da menina. — Ah, antes de mais nada, sou Marie. — estendeu a mão em direção a que apenas encarou por um segundo e depois a cumprimentou do mesmo modo.
.
— Eu sei quem você é. — Marie riu, como se o que ela dissesse fosse uma piada. — Mas então, soube que a professora vai pedir para fazer uma atividade em dupla, então se você não o odeia, chama ele para ser seu par. — o que? O que aquela garota estava falando? Antes de falar qualquer coisa, foi interrompida pela voz estrondosa da professora Wanda. E dito e certo, a atividade passada, dita como algo para conhecer melhor um ao outro, exigia um par. Marie ainda encarava com um sorriso, caracterizado por ela como algo assustador ou manipulador. Bufou, revirando os olhos, caminhando em direção a e xingando Marie de tudo quanto era nome que lembrava na hora. Mas por que ela estava seguindo as ideias daquela menina, mesmo? Afastou os amigos do garoto, abrindo passagem para ela.
? — ele o encarou com uma sobrancelha arqueada, questionando-se quem era ela. — Escolho você como meu parceiro.
Posicionados de frente um ao outro e espalhados pela vasta sala, atividade consistia em um ser o espelho do outro, onde criaria os movimentos e apenas a copiaria de frente para a mesma.
— Você não me parece ser do tipo de pessoa que curte uma estadia em acampamento. — puxou papo, fazendo alguns movimentos, não obtendo uma resposta. apenas continuava com seu dever seguir os movimentos feito pela mesma. Ele não tinha a deixado no vácuo, tinha? Ele já estava começando-a estressar mais ainda. Respirou fundo, fazendo algumas perguntas que assim como a primeira, obteve o mais puro silêncio. — Ué, o gato comeu sua língua? — viu então novamente ele arqueando a sobrancelha e movendo um pouco a cabeça em forma de negação. O que ela estava falando? — Estou vendo que o garoto então é mudo… Não fala nada, me deixa no vácuo…
— Só falo quando é coisa necessária. — respondeu soando um pouco rude aos olhos de , que automaticamente fechou a cara.
— E ser mal educado, não respondendo minha resposta não é necessário? — ele somente riu com escárnio. — Se eu fosse você, trocaria esse escárnio por gratidão, não é todo dia que alguém tem a chance de fazer dupla comigo. — esbanjou seu melhor sorriso satisfatório, mas não viu nenhuma reação extra no garoto a sua frente. Começou a perceber então que ele poderia ser alguém de poucas palavras, ou mais na dele. Talvez ele apenas estivesse se fazendo difícil, ou tentando realmente tirá-la do sério.
— Desculpa, mas não sei o que está falando. — respondeu, demonstrando um desdém que fez o sangue de subir, mas ela se controlou. Respirou fundo e continuou os movimentos até o momento em que a professora pediu para trocarem de papéis.
— Sabe, , acho que entendi o motivo de estar em uma aula de teatro, mas não precisa ter vergonha aqui. — disse seguindo os movimentos do garoto, que novamente, não falara nada. Ele novamente negou com a cabeça, parecia estar se cansando daquele todo papo, mas internamente, estava se divertindo vendo a garota sair do sério. — Garoto, você sabe quem eu sou? — já estava no seu limite, porém, sua pergunta não houve uma resposta, já que a professora havia encerrado a atividade no momento. Viu apenas fazer uma feição de desculpas e se distanciar, indo de encontro aos amigos.
— E então, como foi? — o coração palpitou com mais outro susto que havia tomado da mesma menina do início da aula. Merda, por que ela insistia em fazer aquilo?
— Garota, não preciso de testes cardíacos não, ok? — respondeu pondo a mão no coração. — E foi uma merda. Ele não fala, parece que não sabe a utilidade de boca. Acredita que ele não sabe da minha pessoa? Esse pessoal aqui não explicou sobre mim?
— Vai ver a galera não teve tempo de informar, . Mas você não vai desistir, não é? — desistir? Rá, aquela palavra não existia no vocabulário de .

[...]


O dia seguinte havia amanhecido com sol. Em plena oito e meia da manhã, aproveitando os raios solares que ainda estavam amenos, se encontrava no campo de vôlei com um grupo de garotos e garotas para uma partida amistosa. Alguns sentavam no canto da quadra para assistir, outros, se disponibilizaram para participar, porém a quantidade de pessoas ainda era pouca para se formar um time adversário.
— Quando estava indo para o dormitório, ouvi a Candace e a Vicki comentando do e do quanto ele era divertido. Estranhei pelo fato que ocorreu ontem com você, mas não somente elas, mas sim como outras pessoas estão comentando isso. — Marie comentou com , enquanto ajeitava seu tênis.
— Divertido? Ele foi um tédio! Não sei como suportei…
— Mas você não vai desistir, não é? Vai ver que você não soube chegar nele. Sempre vale uma nova tentativa. — disse animada.
— Claro que não irei, você está falando com ! — rondou com os olhos a procura de alguém, um alguém que seria perfeito para aquele momento: . Sua mira ainda estava nele e parecia que a sorte estava ao seu favor quando viu o mesmo caminhando tranquilamente com mais dois amigos próximos ao local. A mesma não perdeu tempo, o chamando de longe, vendo-o parar e a encarar. se aproximou ainda abraçada com a bola na lateral do corpo. estava ainda mais chamativo do que no dia anterior com uma regata, short e um tênis esportivo. Ótimo para o momento.
— Bom dia, meninos. — disse com charme. — Estão a fim de uma partida de vôlei? Espera, vocês sabem falar, não é? — alfinetou que olhou um pouco incrédulo.
— Não estamos a fim, obrigado pelo convite. — respondeu quase se retirando, mas seus amigos não o seguiram, fazendo-o parar imediatamente.
— Uma partida não faz mal, . — Brian, um dos morenos do grupo, respondeu. sorriu vitoriosa quando o outro, apelidado de Tom, concordou com o tal de Brian.
— Não se preocupem, garotos. tem apenas medo de perder para mim. Se puderem me acompanhar… — quando ela ia se virar, teve a ação interrompida pela voz do senhor o-gato-comeu-a-língua, como havia apelidado.
— Medo de perder? Conta outra, garota.
— Ué, então por que não aceita? — se aproximou. — Vamos fazer uma aposta, acho que fica mais convidativo e interessante. — os garotos estavam atentos a cada palavra que falava, quer dizer, não somente as palavras, quanto a mesma em si, que esbanjava um charme único e provocador. — Quem perder, fica devendo um favor ao outro. Qualquer favor. — a resposta de foi dada quando o mesmo passou por ela, sem falar nada e com uma cara que satisfez totalmente .

[...]


A galera não tirava o olho da bola que voava livremente pelo campo. A disputa estava acirrada; ou era empate, ou um avançava, mas o outro time alcançava. , por seu tamanho, era uma boa defensora, mas não poupava energia quando o assunto era atacar. Entretanto, tinha um bom reflexo e agilidade, que acabava enfurecendo . A fúria da garota foi convertida em força de vontade onde a última jogada acertou em cheio o chão adversário, marcando ponto para seu time. não comemorou, apenas olhou para com um sorriso totalmente triunfante.
— Então, o que vai ser? — ele questionou, se aproximando dela. — fez então uma cara pensativa, queria algo que envolvesse os dois e um momento em que pudesse se aproximar mais do garoto.
— Uma caminhada até o lago. Eu e você.
— O quê? Qual é, pode pedir algo melhor, como nadar no lago à noite ou levar comida para você durante o dia…
— Com medo de uma caminhada comigo, ?
— Por que você acha que eu tenho medo de algo que venha de você?
— Porque é o que parece… Você se esquiva de mim e pelo que eu sei, isso é temor, não é? Não precisa responder, nos encontramos às sete, no pequeno pier. — deu uma piscadela, se distanciando dele.

[...]


chegou em plena seis e cinquenta. A noite fria a fez colocar um casaco mais grosso, assim como sua bota de cano alto. Estava um pouco ansiosa, queria ver se realmente cumpria com sua palavra e aparecia no local. Andava um pouco de um lado para o outro, admirava um pouco o lago a sua frente que refletia nitidamente a luz da lua em suas águas calmas. Ainda havia movimentação por ali, alguns alunos de canto ensaiavam um pequeno coral onde conseguia ouvir, ao longe, as suaves vozes. Quando olhou as horas novamente no celular, sete horas em ponto. deu um suspiro e mentalizou que esperaria até às sete e dez, mas não foi preciso tanto. se aproximava vagarosamente, com sua cara ainda fechada, com as mãos escondidas em seu casaco moletom cinza.
“Uma pessoa bem pontual”, ela pensou.
— Pensei que fosse blefar. — comentou ela.
— Sou de cumprir com minhas palavras. — respondeu sem expressão. — Vamos ficar aqui parados ou andar? — aquele modo tão insensível dele já estava entediando que revirou os olhos e seguiu com ao seu lado. O silêncio já estava presente, assim como a impaciência de . Ele simplesmente não falava nada, absolutamente nada. Como poderia ser assim? Como uma pessoa dessas estava sendo tão aclamada pelo pessoal do acampamento? Só por causa do status da família dele? Tudo bem que com ela era assim, mas sabia aproveitar, agora, ele? Não passava de um simples garoto entediante. Não fazia sentido o que os outros estavam falando, mas iria descobrir esse lado dele.
— Então, gostando do acampamento? — ela quebrou o silêncio.
— Um pouco.
— O que é um pouco?
— Um pouco, ué.
— Seu primeiro ano?
— Sim. — aquele garoto possuía algum problema, só podia.
— Aqui já foi mais animado, esse ano está mais parado. — ele apenas a respondeu com um “hum”, tirando totalmente a pouca paciência que estava tendo. Ok, era lei, ela não estava mais suportando. Não entendia o motivo de ele estar sendo tão babaca e antissocial. Em um rápido ato, parou em frente ao mesmo que parou bruscamente, se assustando com o movimento repentino da garota. — Será que dá para parar de ser tão babaca e monossílabo?
— Do que você está falando, garota? Estou sendo apenas eu mesmo!
— Então você é um babaca, ignorante? Bom saber, pois não é isso que estão dizendo.
— Se dizem que não sou um babaca ignorante, logo, eu não sou. Isso é apenas sua opinião.
— É a opinião do que eu estou vendo.
— Então você está vendo algo totalmente errado, pois eu estou apenas sendo eu. Se não gosta, não posso fazer nada. — como ele podia ser tão…. Argh!
— Não, ! Você está sendo estúpido, totalmente estúpido e egoísta a ponto de não perceber que o que eu estou fazendo é apenas sendo legal com você e tentando criar uma amizade. Você não percebe que eu fui te chamar na aula de teatro para saber mais sobre você, que eu te chamei para vir passear nessa porcaria de lago, nesse frio dos infernos só porque eu queria te conhecer melhor, me enturmar com você, mas a única coisa que você tem conseguido fazer é apenas me ignorar e me fazer sentir uma completa idiota. Para mim, chega! Passar bem com você mesmo! — ela não havia dado nem brecha para o mesmo falar. Apenas saiu batendo fortemente os pés no chão, se xingando por ter gastado seu tempo com alguém como ele.

[...]


O terceiro dia não estava sendo um dos melhores para . Após sua saída do lago, aproveitou a calmaria do quarto para ler um pouco, mas seus pensamentos não saíam das palavras que a tal havia dito para ele. Ela havia entendido tudo errado, ou ele apenas havia demonstrado de uma maneira nada agradável. Talvez o acontecimento do mês anterior ainda continuasse o afetando de uma maneira que qualquer aproximação, sua mente transformava em outra coisa.
Arrependimento seria a palavra certa.
Era verdade, apenas queria se aproximar dele de uma maneira amigável, mas ele não tinha visto aquilo. Por quê?
Analisando totalmente suas ações dos dias anteriores, sim, ele concluiu que havia sido idiota e agora, consumia um arrependimento que pesava em sua mente. A noite anterior havia dormido mal, e no dia seguinte, sua mente latejava sem dó nem piedade, mas ele poderia reverter aquilo. Iria atrás de e quem sabe, se desculpar, se seu orgulho não o impedisse. Acabou indo mais cedo até o refeitório pela manhã, na esperança de encontrá-la durante o café da manhã, mas a mesma não havia aparecido. Correu então até o campo de vôlei e nada. Na aula de teatro ela nem deu as caras, o deixando ainda mais frustrado. O dia passava e nada. Preferiu então ir atrás da… Qual era o nome da menina baixinha mesmo que ele havia visto um vez com ? Ma… Maria? Marlene? Marie! Isso!
— Desculpa, . Mas a única vez que a vi, foi à tarde, indo em direção à piscina, mas nem pude chamá-la, pois estava ajudando a professora de Artes. — foi sua resposta, e isso já eram sete da noite. Seria que a mesma ainda estaria lá? Já tinha muito tempo, mas não custava nada tentar.
O caminho iluminado pelos postes rústicos levava até a imensidão da área da piscina que era composta por duas piscinas, uma rasa e outra redonda que mais lembrava uma hidromassagem. Ao longe, avistou um pequeno ponto preto, que supôs ser o cabelo dela, encostado na borda da piscina. se deliciava com a água aquecida da piscina e a calmaria daquele lugar. Resolveu tirar o dia para esfriar a cabeça e aproveitar o dia somente para ela. Uma falta não lhe faria mal e por mais que soubesse que era errado estar ali na piscina à noite, ela não se importava. foi se aproximando aos poucos, sem saber realmente o que falar e como chegar.
, filha de Grace e Peter . — virou-se rapidamente, tomando um susto, vendo-o se aproximar com um sorriso sem jeito. As pessoas estavam brincando com seu coração, só podia. — Donos da rede de hospitais Rede , com sede em Londres, local na qual fui atendido uma vez por quase torcer o tornozelo em um treino para o campeonato de polo e meu irmão teve que ir no meu lugar, e até que terceiro lugar não é tão ruim. — ia se aproximando sem jeito, enquanto tentava não demonstrar uma surpresa imediata. — Meu pai já frequentou algumas festas da sua família. Bem, acho que sei quem é você. — agachou-se perto da beira da piscina, próxima a ela que ainda tentava assimilar as coisas. Como assim, ele sabia da vida dela? Ou melhor, como ela sabia de tudo aquilo?
— Bem, demorou muito para me responder. Sua arrogância já tinha feito isso por ti.
— Acho que ainda é válido, sem meu lado arrogante. Mas pode baixar a guarda, não vim aqui para discutir. Desculpa pelo jeito que fui com você, não queria ter agido daquela maneira.
— Pena que novamente está fazendo isso muito tarde.
— Qual é, . Não fiz por querer, você só…
— Eu só o que? Fui muito legal com você? Também acho isso. — suspirou. Ela era mais difícil do que imaginou, e com certeza ainda continuaria assim por um bom tempo.
— Você só foi muito intensa diante da minha situação.
— Intensa? Que palavra mais sem sentido para caracterizar uma aproximação amigável. — revirou os olhos.
, me desculpa. Quer que eu me ajoelhe e te peça perdão? — brincou. balançou a cabeça em forma de negação e caminhou até a escada, subindo em seguida e se enrolando em uma toalha. — Por onde esteve?
— Tirei o dia para espairecer a mente, estava precisando.
— Por causa de mim? — brincou novamente e a menina apenas bufou. Se aproximou, e sentou ao lado do garoto perto da borda.
— Como se você fosse meu problema. — ironizou. Não queria entrar em detalhes, queria aproveitar o momento em que o mesmo havia ido atrás dela e pelo que parecia, havia tirado a forma carrancuda, para pôr o plano em ação. — Mas então, parece que você sabe muito sobre mim e eu pouco sobre você, nada mais justo eu ter mais informações, não é mesmo?
— Não sou uma pessoa interessante.
— Bem, eu acho que você é… — ela foi se aproximando. Seus dedos, que estavam apoiados no chão, foram chegando com cautela até os dele, dando um leve toque que começou em um dos dedos, e foi subindo até a superfície da mão.
, não… — ele pedia serenamente, intercalando o olhar entre a mão da garota, ela e seus lábios um pouco provocante. Mas ele não podia. Não, não podia.
— Só quero me aproximar, , saber mais de você. — então sentiu a mão delicada do rapaz em seus ombros, afastando-a um pouco. não olhava muito para ela, evitava o famoso contato visual. Seu coração começou a apertar e o mesmo engoliu seco diante da situação.
, eu não posso. Era disso que estava falando, você é muito intensa e eu… Acabei de sair de um relacionamento não tem nem um mês e… — respirou fundo, soltando o ar em um puro desânimo. — É complicado quando você termina com sua primeira namorada na qual você tinha um forte afeto.
— Ela decidiu isso ou…
— Não, nós dois decidimos isso. Você sabe que mesmo sendo filho de senador, a mídia gosta de ficar em cima e ela era uma pessoa bem reservada. Estava sentindo que ela não estava tão confortada com tudo isso e começou a ter atitudes estranhas comigo, então decidimos terminar. — pôs a mão em cima da dele, atraindo seu olhar para a mesma. Deu um longo suspiro, procurando palavras e algo para melhorar o humor do garoto.
— Talvez o que você precise é só de um tempo para espairecer. Sei que o acampamento às vezes parece ser bem chato, antes não era assim, mas não significa que não podemos nos divertir. — seu sorriso confiante foi se moldando em seus lábios. — Você confia em mim?

[...]


A noite não perdoava com seus ventos gélidos nas faces descobertas de ambos. A luz da lua estava intensa, o que deixava mais iluminado o local, entretanto, o barulho dos galhos das árvores os chamavam atenção a cada segundo.
, será que poderia deixar parada, por um segundo, essa lanterna e focar a luz aqui? — pediu respirando fundo, já que era a terceira, ou quarta vez, que pedia para que a garota mantesse firme a luz na fechadura. Estavam na entrada dos fundos do refeitório em plena onze da noite. Não havia ninguém ali a não ser alguns guardas que rondavam pelo acampamento fazendo a patrulha. tirou sua atenção do local para encarar , que estava agachado com um grampo em mãos, tentando destrancar a porta.
— Eu estou tentando, mas é complicado quando se tem a tarefa mais difícil de vigiar ao redor e ainda ser uma luminária. — retrucou a menina, abaixando a lanterna, o que fez bufar, controlando a raiva que iniciara pelo tal ato. Ele estava tão perto de conseguir…
— Difícil? Sua tarefa? — jogou o olhar para rapidamente, vendo-a o encarar. — Por que não é você que está agachado, com uma dor infeliz nas costas tentando destrancar a porta a noite? — respirou fundo. — Menos foco ao redor e mais foco aqui, por favor! — se tinha uma coisa que odiava, era de receber ordens, mas em todo caso, a única opção que teve foi de realmente voltar com a lanterna para o local indicado por e observar todo o seu trabalho minucioso. O alívio e a felicidade em ambos chegou quando ouviram o barulho de destravamento. Ótimo, entrar no refeitório, feito! — Eu disse que eu era bom nisso. — disse esbanjando seu orgulho de um trabalho bem feito.
— Que bom, não fez mais do que sua obrigação. — disse com ironia, adentrando ao local na frente, fazendo o garoto revirar os olhos.
— De nada, . — respondeu com seu sarcasmo, a seguindo. — Aqui não tem câmera de segurança não, né?
— De acordo com a Marie, não é preciso, pois aqui não há nada de valor, então eles só trancam mesmo a porta, afinal, quem pensaria em assaltar um refeitório?
— A gente? — novamente seu sarcasmo foi dito.
— Não estamos assaltando, apenas estamos recolhendo alimentos para o nosso passeio, simples assim. E agora, mãos à obra. — entregou uma mochila a que logo foi em direção ao local onde o pessoal da cozinha deixavam os pães ou qualquer tipo de comida servido na janta guardado, enquanto ela se dirigiu a geladeira. — Tem preferência de suco?
— Não, mas gosto mais do de uva.
— Hum, vai ser laranja mesmo. — respondeu por si, retirando um dos recipientes de suco já pronto do local.
— Por que você me pergunta, então, se já sabe o que quer?
— Só para você ter uma pequena participação, gatinho. — revirou os olhos e seguiu pegando alguns salgados e fatias de bolo já cortados. Recolheram também alguns pratos descartáveis, assim como copos e talheres. Havia uma boa quantidade de comida que dava para alimentar muito bem eles durante a noite e se desse, até o outro dia. Quando retornaram ao centro da cozinha, já organizando suas saídas, viram um rápido feixe de luz passar pela enorme janela perto da entrada da frente. Ambos se olharam instantaneamente, questionando-se o que seria aquilo e logo ouviram a tranca da porta principal sendo aberta. Sem mais delongas, o único ato que pensou ali foi de se esconder debaixo da mesa metálica onde normalmente preparavam os alimentos, atrás do balcão. Puxou consigo, ficando os dois com apenas centímetros de distância no pequeno espaço. Era possível sentir a respiração ofegante de temor e os corações em um descompasso. Os passos foram ficando mais audíveis, até que pararam. Viram novamente o feixe de luz passar pelo local próximo a si. Pronto, seria o fim da linha para ambos, em sua primeira tentativa de fazer algo diferente da lista, seriam pegos e deportados para seus respectivos lugares de origens, sendo banidos oficialmente do acampamento. A tensão ainda estava instalada, mas por sorte, ouviram novamente a porta ser fechada, assim como a tranca. Foi como se tivessem em uma cadeira de massagem, recebendo o melhor tratamento do mundo. Sentiram um alívio imediato e nem quiseram conversar sobre aquilo ali, apenas se retiraram o mais rápido possível por onde entraram.

He says, "Oh, baby girl, you know we're gonna be legends
I'm the king and you're the queen and we will stumble through heaven
If there's a light at the end, it's just the sun in your eyes
I know you wanna go to heaven but you're human tonight."


— Você realmente tem certeza de que ninguém vai nos ver? — perguntou enquanto apertava seu violão às costas. Aquela fugidinha estava ficando mais perigosa exponencialmente a cada segundo que passava e ele não sabia muito bem o que pensar daquilo e como reagir. A garota parecia tão natural, acostumada com aquilo… ele não era capaz de imaginar o que ela devia fazer em casa, na escola.
rolou os olhos. Meu Deus, aquele menino era insuportavelmente cagão.
— Tenho. Eu venho pra cá toda noite. — deu de ombros.
Há! Ele sabia! Era a cara dela cheirar problema!
— Fazer o quê?
sentiu um calor subir o seu corpo e estourou, liberando-o em forma verbal.
— Não é da sua conta! — virou-se para encará-lo.
Ele ergueu os braços em rendimento. A garota suspirou e entrou na canoa, acomodou-se em uma extremidade e deixou a mochila em seus pés. Meu Deus! Se imaginasse que ele era tão enxerido assim, teria pensado duas vezes antes de levar pra frente toda aquela ideia de se aproximar. Mas quem estava na chuva, era pra se molhar. Ela percebeu que ele ainda não havia entrado e suspirou.
— Você não vem? — ergueu a cabeça pra olhar , que ainda estava no cais se perguntando que tipo de merda ele estava prestes a fazer.
— Lembrei que tenho compromisso… — ele apontou para trás e coçou a cabeça. — sabe como é, Brian não gosta de ficar esperando…
Ela rolou os olhos.
— Sabe, reza a lenda que a garota do lago vai atrás de gente infiel. — mordeu os lábios e fechou os olhos. De onde ela inventou aquilo? Que merda!
Infiel?
Garota do lago?
Ele precisava sair correndo dali. Aquela menina era doidinha de pedra.
— Você não conhece a lenda. — estalou a língua e riu.
Era óbvio que não. Era o primeiro ano dele ali e nem todo mundo acreditava ou conhecia aquilo para que chegasse ao ouvido dele. Era uma informação que apenas os tops tinham acesso.
deu mais alguns passos em direção à canoa, mas ainda não entrou.
— Que lenda?
— Só conto se você vier comigo. — deu de ombros e sorriu sem vergonha. Ele balançou a cabeça.
era impossível.
Pegou um colete e entrou na canoa com ela. Ela ergueu uma sobrancelha e ficou achando graça daquilo.
— O quê?
— Ninguém usa isso — indicou com o dedo.
— Ninguém nunca se afogou, então. É terrível, sabia? E olha pra esse lago, essa água deve ter uns dez graus.
Ele disse e começou a remar, afastando do cais.
— Você já se afogou? — assustou-se.
Jesus. Por que ela não usou colete antes? Depois ela caía naquele lago e morria igual a garota da lenda. Se arrependimento matasse, ela estaria morta. Se ela morresse ali naquele acampamento, seu pai ia ficar bem bravo. Seu pai bravo não era algo bem legal. Ele ia mexer pelo menos em cinco processos. Aquele lugar ia ter que fechar e a história se repetia.
Só de pensar que ela foi aprender a nadar só ano passado e logo ali naquele acampamento… E em uma piscina, por Deus! Não em um lago congelante!
— Você quer voltar? — ele ergueu a sobrancelha.
— Não! — gritou e engoliu seco.
— Então tá… — disse desconfiado. — pra onde vamos?
Ela virou de costas e apontou para a margem do lago do outro lado.
— Pra lá.
Pegou um outro par de remos e ajudou a guiar a canoa. Ficaram em silêncio até se aproximarem da costa. Ela pôs a mochila nas costas e deu um pulo dentro do lago, que ficou na altura de suas canelas e caminhou até a margem, ficou encarando-a de queixo caído.
— Caramba, garota.
— Achou que eu ia afogar? — riu — venho aqui bastante. — puxou a canoa pela ponta até ela subir na terra e ficar presa. então desceu e sentou-se por perto, foi até seu lado, jogou um forro sob a terra e sentou-se. Ele a encarava torto, achando graça toda a contradição que a menina era. Hora era frescura pura e hora não estava nem aí se enchesse os pés de algas na água. — e por sinal a água tá bem gostosa, na verdade.
— Ainda assim, prefiro ficar aqui.
— Ok, você que decide. — deu de ombros e se levantou.
Arrancou a camisa do Manchester United e jogou-a no chão junto à mochila. ficou olhando curioso a garota despindo-se na sua frente revelando um biquíni miúdo cor de rosa. Ele tentou desviar o olhar, mas algo mantinha seus olhos bem presos ali. Talvez fosse a maneira que ela caminhava fingindo que ele não estava por perto, talvez fosse apenas seu corpo, mesmo.
— Tem certeza que não vem? A água tá bem boa. Sabe, é verão agora. — ela tirou o garoto de seus devaneios, ele desceu o olhar e percebeu que ela já estava completamente dentro do lago com até os cabelos molhados. Ela jogou o cabelo pra trás e riu, brincando pela água, balançando o corpo.
— Prefiro tocar violão.
— Toque, então. — deu de ombros. — odeio ouvir barulho de grilo.
— O que você gosta de ouvir?
Ela pensou. Ele provavelmente não conheceria nada do seu gosto pop, ele não tinha cara daquilo.
— Não sei, o que você gosta de tocar?
— Dire Straits, Coldplay… — deu de ombros.
— Ok, quero So Far Away. — decretou. — here I am again in this mean old town and you're so far away from me — cantarolou.
— Não vai esperar eu começar a tocar? — arqueou a sobrancelha.
— Você é muito lento. — rolou os olhos.
a imitou, mas preferiu não revidar, toda vez que ele revidava ela continuava e aquilo estava ficando chato. Pegou o violão e dedilhou a melodia.
Here I am again in this mean old town and you're so far away from me.
And where are you when the sun goes down. You're so far away from me completou o refrão, dando voltas na água com os olhos fechados, sentindo a brisa bater em sua face e deu um sorriso. Era uma noite gostosa.
— Você canta muito mal.
— Você é chato pra cacete.
You're so far away from me. So far I just can't see, you're so far away from me, you're so far away from me, all right — cantaram juntos. sorria com o elogio.
A garota saiu da água e pegou um salgado na mochila e começou a comer. Estava com um pouco de fome e parecia se virar bem sozinho com a música. Ficou batendo o pé seguindo a melodia até que ele interrompeu tudo subitamente. Ela olhou ao redor assustada, pensando que o fantasma tinha aparecido ali e quase deixou sua comida cair.
— Eu tô curioso. Qual é a da lenda?
— Por quê? Por acaso ela tá aqui? — deu um pulo se colocando de pé e recuando em direção à canoa com o coração acelerado.
— Não! — riu. — mas foi engraçado ver você com medo. Eu devia ter dito que “ela” estava aqui. — desenhou aspas no ar com os dedos e rolou os olhos.
Quis tacar seu salgado nele e cogitou a possibilidade por alguns segundos, mas a comida estava boa demais para tal desperdício.
Suspirou e deixou os ombros caírem.
— Uma vez uma menina morreu nesse lago num acampamento que ficava por aqui. Ninguém nunca achou o corpo dela. Dizem que ela fica rondando por aí tacando medo nos campistas.
sentiu um calafrio na espinha enquanto encarava o lago à sua frente. Agora seria mil vezes mais difícil atravessar o lago pra voltar pra sua cama antes tão confortável.

And I've been sitting at the bottom of a swimming pool
For a while now, drowning my thoughts out with the sounds


— Acampamentos, por mais calmos que sejam, podem ser perigosos. Por isso, é sempre importante conhecer seu território. — a voz grossa e animada do inspetor Martin ecoava por toda trilha, enquanto a mediana turma caminhava atrás de si, tendo alguns prestando atenção, admirando a arbórea paisagem, enquanto outros, apenas imploravam para que aquele tormento acabasse logo. era um dos poucos últimos da trilha, assim como e Marie que vinham ao seu lado, ambos adequadamente trajados com coturnos, bermudas e uma blusa branca simples, com o logo do acampamento. — Quando o acampamento estava sendo construído, essa trilha já existia, então os fundadores resolveram utilizá-la…
— … para aumentar mais ainda o contato dos campistas com a natureza. — imitou o inspetor com uma voz afetada, o que fez Marie e rirem.
— Pelo visto, você já sabe as instruções. Poderia virar guia. — comentou, fazendo encará-lo com deboche.
— Deus que me livre, não suporto estar aqui. Ter que ouvir tudo isso pela segunda vez é uma tortura.
— E por que está aqui, já que não é novata? — aquela pergunta a pegou, por que ele tinha que ter perguntado aquilo? Realmente ela não precisava estar ali, já que era seu segundo ano e aquela trilha era sempre para novatos. Mas, porém, entretanto, todavia, como ela não havia nada naquela manhã - tirando se preparar para a audição, mas que para a mesma não era nada demais -, havia resolvido que continuaria seu plano de aproximação e nada melhor do que estar sempre presente assim que possível. apenas deu de ombros.
— Apenas quis, não posso? — viu erguer as mãos em forma de rendição.
— Tudo bem, senhorita das cortadas, não está mais aqui quem falou. Porém, acho mais fácil admitir que veio só por minha pessoa. — o sorriso vitorioso dele fez com que engolisse seco, tentando não transparecer um certo nervosismo. Ela não queria admitir para ele, não podia. O jogo não era aquele.
— Eu até que gosto, é bom passar por aqui. — Marie comentou, trazendo um certo alívio a garota por ter mudado o rumo da conversa.
— Você é louca, Marie, só pode. Como gostar de ouvir esse blá-blá-blá todo? — comentou , enquanto Marie acelerava um pouco os passos.
— Não é ouvir o blá-blá-blá e sim, vir aqui. E se me derem licença, vou adiantar. — o fato era que Marie sabia, ou tinha noção, do por que havia ido lá e com certeza sua presença ali poderia estragar o momento, sendo que a mesma era uma das únicas que tanto apoiava aquela “união”. Entretanto, após sua saída, um silêncio se instalou. realmente começou a prestar atenção no que o professor dizia, mas intercalava com o belo local que caminhavam, enquanto isso, apenas olhava com um puro tédio a sua volta. Uma pequena brecha entre as cadeias de árvores chamou sua atenção, fazendo-a parar, assim como o rapaz, que vinha ao seu lado e ficou sem entender aquela parada repentina.
— Algum problema?
— Isso aqui me parece uma trilha.
— E…? — indagou de uma maneira óbvia.
— E que trilha foram feitas para ser exploradas! Vai saber o que tem lá? — aquilo não estava lhe cheirando muito bem, por mais que já tivesse o aroma de encrenca. lhe deu um olhar suspeito, receando o que ela queria fazer e imaginando o que ela faria. Tinha até mesmo de perguntar o que a menina tinha em mente.
— Interessante, mas isso é trabalho para pessoas experientes. Vamos voltar logo, antes que a gente se perca do restante… — seu olhar estava para a trilha que seguiam, mas quando retornou para , não havia visto-a mais ali. A garota já se aventurava entre as folhagens que cobriam um pouco do chão de terra da passagem.
Ele só poderia ter jogado pedra na cruz para conhecer alguém como ela, e não teria coragem de deixá-la ali sozinha. Deu um suspiro frustrado, seguindo os mesmos passos da garota. Após um pequeno tempo caminhando, se surpreenderam por descobrir que havia, na verdade, um outro lago presente ali e em suas margens, uma construção amadeirada, cercada por pequenos bangalôs que lembravam um pouco o acampamento em que estavam.
— Um outro acampamento? — sussurrou, confusa. Tudo parecia mais novo e atual do que o Lago Tune. Alguns jovens praticavam canoagem no lago, enquanto outros estavam sentados na ponte pescando. A tranquilidade com certeza reinava ali, as pessoas caminhavam rindo, conversando uma com as outras, e todas as atividades pareciam ser extremamente divertidas. — Como isso é possível?
— Dinheiro, planejamento e divulgação. — deu uma olhada para que o fez sentir um arrepio em sua espinha. Certos momentos tinha medo daqueles olhares que a garota lhe dava. Parecia que ela conseguia lhe dar um tiro apenas o encarando sério. — Eu só disse a verdade, ok? E se você não sabia dele, deve ser por que é novo ou teve pouca divulgação. O que isso interfere em sua vida?
— Isso aqui pode ser o paraíso e apenas não sabíamos.

But do you feel like a young god?
You know the two of us are just young gods
And we'll be flying through the streets with the people underneath
And they're running, running, running


Pisando no meio dos galhos de árvores no chão, quebrando-os ao meio, dando soquinhos no ombro um do outro e fazendo farra foi a maneira barulhenta que e chegaram de volta ao Lago Tune.
— Ali estão eles! — alguém berrou.
ergueu o olhar e percebeu uma onda de gente correndo pela clareira do acampamento até eles e engoliu seco. o largou e rolou os olhos, chutando uns pedregulhos.
— Procuramos por vocês em toda parte! — um monitor berrou.
— Refizemos as contas várias vezes!
— Vocês sumiram o dia todo!
“Se eu pudesse, sumia pra sempre”, pensou. Cada hora um chato diferente com o mesmo blá-blá-blá. Por que não podia ser livre ali? Tudo cronometrado e controlado dentro de vários “conformes”.
Um homem alto de cabelos morenos e aparência impecável apareceu marchando determinadamente entre todos, que pareciam lhe abrir passagem automaticamente. soube quem ele era no mesmo instante, irritantemente similar à sua filha.
— Para a minha sala, os dois. Agora. — silabou a última palavra. Não havia um resquício de paciência sequer em sua voz. Ele mal deu o seu ultimato e já virou as costas, voltando a marchar em direção à entrada do acampamento.
sentiu a garganta secar, e quando piscou os olhos, já estava a metros de distância dela, seguindo Dannel com o rabo enfiado entre as pernas. Ela suspirou e se viu arrastar-se atrás deles, brevemente trocando um olhar com Marie. Ela tinha uma expressão tristonha e sussurrou um “eu tentei” para ela, que apenas assentiu.
A menina não tinha nada a ver com as tretas que causava e não era nada além de um amorzinho. faria de tudo para protegê-la, mas estava sendo basicamente o contrário.
Dannel abriu a porta de sua sala e deu espaço para que os dois problemas passassem e mandou-lhes se sentarem nas cadeiras à sua mesa. bufou e cruzou os braços. Deviam ter feito algo extremamente fora da lei para deixar o dono do lugar puto daquele jeito. Ela ouviu o trinco da porta e depois os passos firmes do diretor se aproximarem até ele dar a volta e sentar-se de frente para os dois. Senhor Bausilio colocou a mão na testa e depois as espalmou sob a mesa.
— Vocês sabem o que acontece quando algum campista desobedece uma regra?
jogou o corpo no encosto da cadeira, cruzou os braços e estalou a língua.
— Limpa o quarto — a garota falou.
“Já limpei umas dez vezes só esse ano”, pensou.
— Não. — ele a fitou com raiva, ela não se sentiu nem um pouco intimidada e sustentou o contato visual. — os monitores lidam com isso. — explicou. — mas sabe o que acontece quando se quebram várias regras? — ele ergueu a sobrancelha. — eu fico muito chateado e sou obrigado a lidar pessoalmente com o caso.
“Oh, meu Deus, o supremo precisa lidar com as crianças que lhe provém dinheiro. Salve-se quem puder. Deus o acuda!”
Ela desviou o olhar até os porta-retratos que estavam espalhados pela mesa e cravou o olhar na foto da garotinha morena. Marie era tão diferente do pai… Se ele ao menos fosse um pouco doce como ela…
— Vocês têm noção do problema que causaram? Imagina se sumissem duas pessoas nos Alpes? Já imaginaram que vocês poderiam não achar o caminho de volta?
Ele despejou tudo de uma vez e apenas piscou, continuou mascando seu chiclete com desdém e encheu uma bola até estourar.
Dannel fechou os olhos e balançou a cabeça, negando. Apoiou os cotovelos na mesa e escondeu o rosto atrás de suas mãos.
— Eu estive quase, quase ligando para a polícia. — repetiu enfatizando a palavra, como se eles não houvessem entendido antes. — para os pais de vocês! O que eu diria a eles? A filha de um médico empresário dono dos maiores hospitais do Reino Unido e o filho de um senador americano desapareceram juntos num acampamento de verão na Suíça? Um baita problema, não?
começou a rir.
Gargalhar.
Curvou-se sobre a própria barriga.
sentado ao seu lado lhe lançou um olhar desconfortável, ficou querendo colocar a mão em seu ombro e puxá-la de volta ao lugar, ficar numa postura correta.
Olhou mais uma vez para o senhor Bausilio e engoliu seco. Ele olhava para a menina com tanta fúria que sentiu medo por ela e não quis a tocar.
— Me desculpa, mas é sobre isso? — riu e se levantou de uma vez, jogando o cabelo grande para o lado — sobre como ia ficar a sua imagem? Alguém está precisando de aulas sobre como lidar com negócios. Clientes e tudo mais. Talvez meu pai possa ajudar, já que você parece ter tanta vontade de ligar pra ele.
deixou o queixo cair e deu um tapa em seu próprio rosto.
Aquela garota era impossível. Indomável. Ninguém botava limites nela ali. Ela era o limite.
— Vocês vão passar o próximo mês ajudando o acampamento. Judith lhes dirá a cada manhã em qual setor irão ajudar e fazendo o quê.
— O mês inteiro? — choramingou, finalmente tendo coragem pra dizer algo.
afiou o olhar para Dannel.
Era assim que ele queria?
Ótimo!
Era assim que seria!
— Você quer mais, senhor ? — Dannel desviou o olhar de até o garoto e pode senti-la vibrar por ter aguentado aquilo mais tempo.
— Na-não.
— Então estão dispensados.
se levantou de uma vez, quase jogando a cadeira no chão, e saiu em passos largos do escritório, pisando firme, bufando e pensando todos os palavrões que sabia dizer.
A clareira já estava vazia, todos os dormitórios com as luzes apagadas, todos já deviam estar dormindo. Ela descia rapidamente até o seu, que ficava mais ao fundo, próximo ao lago, e nem percebeu a silhueta que a aguardava.
! — ela gritou.
A garota parou bruscamente e se virou de uma vez, reconhecendo a voz.
Era Marie Bausilio.
A menina desceu a clareira correndo e parou de frente para a amiga mais velha.
— O quê é? — falou alto e com raiva. Marie arregalou os olhos e deu um passo para trás, levantando as mãos.
— Calma, é só eu… — disse tranquila. — eu queria te pedir desculpas… tentei conversar com ele, acalmá-lo…
— Marie, você não precisava… não tem que ficar corrigindo as atitudes de seu pai. — interrompeu. — afinal, é o negócio dele, as regras são dele.
— Convencer a não ligar pra sua casa… — a mais nova continuou dizendo como se a outra não tivesse a interrompido.
— Mas ele não ligou. — interrompeu de novo.
Marie arregalou os olhos.
— Não?! — disse no mesmo tom, surpresa — Você tem certeza? Ele estava louco procurando a ficha de vocês para achar o contato do seu responsável…
— Tenho certeza que ele me disse “estive quase ligando”.
— Que bom, então. — deu de ombros. — ele me ouviu — bateu palmas.
segurou-se pra não rolar os olhos na frente dela, afinal ela só queria ajudar, mas duvidava muito que Dannel havia dado ouvidos à filha. Simplesmente deu as costas e continuou a descer até seu quarto, mas a garota a seguiu.
— Às vezes eu penso que ele devia me ouvir um pouco, afinal um dia eu vou ser dona daqui… me deixar participar das coisas… eu gosto, sabe?
ergueu uma sobrancelha. Marie conversava como ela. Exatamente da mesma forma.
Mas ela era uma criança.
— Mas ele acha que eu sou uma menina. — quis rir, havia pensado exatamente aquilo. — minha mãe diz que eu pareço ter quatorze anos porque sou madura. Mas ele não ouve nada que eu digo.
reconhecia aquele sentimento. Queria saber as coisas do hospital. Queria aprender. Queria, um dia, ser igual ao pai. Cirurgião e dono da Rede e dos hospitais.
Mas ele parecia não achar que ela era capaz.
— Quantos anos você tem, afinal? — suspirou.
— Onze, e você?
— Quatorze. — bufou e rolou os olhos.
Tudo que ouvia dos pais era que ela parecia uma criança, que já era hora de começar a parar de arrumar problemas nas -várias- escolas e crescer, porque era mocinha. Era tachada como uma criança por suas ações, mas era uma adolescente.
Ninguém lhe dava tal respeito.
Era hora de consegui-lo.
Marie parou de andar e a mais velha continuou descendo rumo ao lago.
— Ele me disse para eu ficar longe de você. — a vozinha da menina voltou a ressoar pela clareira. cravou os pés no chão bruscamente e Marie voltou a caminhar até ela — disse que você é uma má influência pra mim. — terminou, dando a volta pela garota e a encarando de frente — eu deveria ficar?
suspirou, pesarosa. Aquilo era algo que ela definitivamente jamais queria ouvir. Ser ordenada a ficar longe de uma amiga? Era impossível imaginar um mundo sem a sua Brittany.
Aqueles três meses no acampamento de verão eram insuportáveis sem a outra ao seu lado, que estava em seu país, aguardando-a voltar. Internet não era o suficiente para manterem-se unidas.
Se Marie a tinha como amiga, e imaginava que sim, pois considerava a pequena como uma, ela não aguentaria ficar distante.
Mas, em compensação, ela não parecia alguém que devia ser “corrompida”. tinha o espírito aventureiro, pronto para virar uma lenda, como ela. Mas Marie tinha um espírito sossegado… livre, tranquilo… um bebê.
— Eu não sei, Marie.
Ela desviou da garota e continuou o caminho até seu dormitório, e a menina não apareceu mais.

But do you feel like a young god?
You know the two of us are just young gods
And we'll be flying through the streets with the people underneath
And they're running, running, running again


Uma semana havia se passado desde o último acontecimento que quase infartou o senhor Bausilio. O assunto mais falado dos sete dias havia se cessado um pouco, entretanto, as coisas ainda continuavam a mesma para e que tiveram que acrescentar atividades extras em seus fins de tardes. Tiveram que dar adeus ao seu tempo livre após as aulas de atuação, música ou produção artística, para ajudar nos recolhimentos dos barcos ou botes antes de escurecer e na limpeza do refeitório após as refeições. A rotina havia se tornado totalmente exaustiva e a única coisa que pensavam eram na maciez de seus colchões e no belo sono que teriam.
Após um banho, o corpo de implorava pela cama. O quarto estava escuro devido aos seus amigos que já estariam em seu décimo sono em plena meia noite e meia, devido ao jogo de futebol que teve horas antes. Sentia saudades de sair com os amigos, jogar futebol ou fazer qualquer coisa além de aproveitar o acampamento. Porém, por mais que sentisse falta, ele não sentia arrependimento das coisas que fizera com , sempre que passava algo em sua mente, ele ria. Iam dar boas lembranças.
Por mais que a garota, ao seu ver, tivesse um parafuso a menos e amasse dar patadas, ela era uma garota interessante, determinada, destemida… Classificava como uma boa companhia em um lugar totalmente tedioso e monótono. Bem, desde o primeiro dia ele já possuía uma certa análise dela, havia se surpreendido com o tal ato de chamá-lo para ser seu par na aula de teatro e desafiá-lo a um jogo de vôlei onde o prêmio foi bem pensado. tinha uma personalidade forte.
Voltando-se para sua cama, pegou o celular em cima da cômoda e foi procurando em sua agenda até chegar na letra.

“Será que Dannel me puniria por estar acordado a essa hora? 😉 -

O celular deu uma vibrada em cima da cama, chamando a atenção da garota que terminava de vestir seu pijama. Um sorriso brotou em seus lábios e logo se jogou na cama, apertando rapidamente nas teclas.

“Se for assim, seríamos punidos novamente e você teria que ver por mais dias minha bela face. HAHAHA -

“Por que será que cada vez que estou com você, um problema surge?
😶 -

“Porque eu sou o problema, querido
💁 Somos como Batman e Robin -

“Robin sempre se fode
😒 e não aguento mais as tias da limpeza me encarando com um certo olhar…”

“Elas querem seu corpo nu
🌚 Mas é tudo culpa de Dannel por achar que fizemos de propósito, ele deveria nos agradecer pela surpresa que nós iremos fazer ao outro camping! -

“Que surpresa?? E por que você colocou um nós ai?? -

“Não te contei? Ops, foi mal, é que normalmente o Robin não sabe dos planos do Batman, somente na hora
😉 Te encontro amanhã às 18:00 na sala de artes! -

[...]


— Urgh, esse lugar parece mais um chiqueiro! Esse pessoal não sabe o que é ter coordenação motora em mãos, não? — indagou que em meio a sua reclamação, se viu pisando em uma poça de tinta azul e que por sorte, usava um tênis velho.
— Eu pinto melhor do que isso. — ouviu o comentário de atrás de si, fazendo-a virar e perceber um dos quadros na qual ele se referia. Não chegava a ser um iniciante, mas era perceptível de que havia diversas falhas na pintura de uma floresta iluminada pela luz do luar.
— Então quer dizer que pinta… Outra coisa interessante de saber… — a voz da jovem saiu de uma maneira provocadora, que fez com que arqueou uma de suas sobrancelhas se perguntando o que tinha de errado com ela. A única coisa errada ali era o fato de não ter conseguido alcançar seu objetivo com ele. Suas tentativas eram constantes, mas sentia-se diversas vezes frustradas quando percebia que mal notava suas investidas. Ou ele era totalmente avoado para não perceber, ou ele apenas se fazia de desentendido.
— O que tem de interessante em saber sobre isso? — bufou. Será possível que esse garoto não entendia suas indiretas? Inacreditável! Seu forte suspiro chamou a atenção do garoto que ainda sem entender nada, continuava a encarando.
— Nada, , nada… Apenas vamos começar o nosso trabalho… — o garoto não disse nada, apenas deu de ombros e seguiu em direção às estantes amontoadas de tintas, enquanto organizava os papéis soltos. A organização das estantes logo se passou para uma prateleira acima onde havia alguns potes, enquanto os limpava, percebeu que se tratava de corantes, tanto em pó quanto em líquido, e logo relacionou ao plano que havia o dito durante o caminho.
. — a jovem, que estava dispersa, demorou um tempo para raciocinar que ele o chamava, mas logo caminhou em sua direção. — Acho que isso serve para o plano…

“Corante líquido
Pigmento corante de alto poder de tingimento e resistência. Não indicado o manuseio sem luvas ou qualquer adereço de proteção. Em contato com a pele, a remoção é feita lentamente em até dez dias.”


O sorriso cúmplice de ambos foi a chave para que a ideia saísse do papel e logo colocassem a surpresa em ação. Entretanto, não pararam ali. A habilidade de abrir portas de deu a passagem para que pudessem ir ao quartinho de madeira perto do lado e retirar duas varetas de pescas com algumas iscas que estavam armazenadas nos potes de vidros. Esconderam tudo perto dos botes estacionados ao longo da margem do rio e retornaram aos seus dormitórios para mostrarem presença na nova inspeção que Dannel exigiu que um dos funcionários fizesse para checar se ambos não iriam aprontar. Pena que a inteligência do diretor não chegava aos pés dos dois. Às onze e vinte, voltaram a se encontrar na margem do lago, após terem pulado a janela do banheiro. Foram ao total de vinte peixes pequenos pescados, cinco medianos e dois grandes, tendo um bônus de três camarões que surpreendentemente conseguiram pescar.

[...]


Tudo estava programado para ocorrer no dia seguinte, mas a euforia estava mais elevada do que nunca e a adrenalina percorriam pelo seu corpo. Tento apenas a lanterna de seus celulares, ambos seguiram com os peixes distribuídos em dois baldes e um saco do corante. Iam animadamente conversando durante o caminho até a outra trilha que dava para o “novo” camp, porém foram surpreendidos pelo médio barranco que havia no meio do caminho. A estratégia foi bolada rapidamente e logo desceu primeiro, pegando em seguida, com cuidado, os baldes que entregava.
— Pula que eu te carrego. — ele disse e arregalou os olhos.
— Nem pensar! Você quer me ver caindo de bunda para filmar e postar para todos. — ele revirou os olhos.
— Deixa de coisa, . Eu demorei uma eternidade para chegar aqui sem escorregar. A terra está cheia de limo, mas se insiste de se sujar, a escolha é sua. — parou por um momento, observando-o recolher os baldes, fazendo menção de sair. Analisou novamente o barranco, vendo quais as possibilidades de passar ali sem cair. Ela conseguia, mas se sua ideia inicial era de ficar mais próxima a , ficar nos braços dele seria um belo avanço.
— Espera! — o homem parou, virando apenas o rosto para trás. — Você tem que me dar certeza de que irá me carregar. — sem dizer nada, o garoto pôs os baldes no chão, se aproximando do local onde ela estava. Esticou os braços e dobrou os joelhos, deixando a base de suas pernas firmes.
— Quando quiser.
respirou fundo, chegou perto da beirada do barranco, contou até três e depois pulou, caindo certeiramente nos braços de . Seus braços automaticamente passaram pelo pescoço do garoto e seus olhos se fecharam automaticamente, já imaginando a queda que levaria. Ficou por um tempo na mesma posição, esperando sua bunda entrar em contato com o chão, mas logo percebeu que não havia mentido para ela. Abriu devagar os olhos, dando de cara com a íris castanha do rapaz, que devido a escuridão da noite, estava meio imperceptível, mas com a ajuda da luz da lua, pôde perceber o que mesmo a encarava. era forte, não tinha músculos tão definidos, mas seu porte físico já entregava que algum esporte ele praticava. Por , ela ficaria ali por uns bons minutos, talvez horas, mas logo sentiu seu corpo sendo baixado e seus pés tocarem o chão.
— Acho que já está na hora de você confiar mais em mim. — ele soltou a frase, seguindo na frente com um dos baldes.
— Se eu não confiasse, não teria pulado.
— Se você confiasse, não pensaria duas vezes. — opa, desde quando era ele que dava as patadas por ali? estava boquiaberta, mas tentou levar na esportiva, era o que ela sempre fazia.

[...]


, se eu cair daqui, eu juro que…
— Vai logo, . Não te peguei da primeira vez? Não será na segunda que deixarei você cair no chão. — ele retrucou, observando atentamente a sua volta, enquanto subia os tão complicados degraus da escada de ferro, presa na média construção onde ficava a caixa d’água do acampamento.
— Pois bem, dessa vez vou me jogar sem aviso prévio para o senhor não achar que não confio em você. — disse com desdém, fazendo revirar os olhos. Pelo tempo que já passava com ela, já estava acostumando-se com suas ironias.
As mãos da garota iam firmes nos degraus, assim como seus pés. A subida não era tão longa e pôde perceber o quanto estava longe do chão quando olhou para o horizonte e viu o topo de algumas árvores. Tomou mais fôlego para encarar a longa subida.
Espalmou as mãos que seguravam o saco plástico com os corantes no suporte plano que sustentava o tanque de água para que pudesse finalmente subir.
Teve um pouco de dificuldade para afastar a tampa, que mesmo sendo de plástico, possuía um peso. Retirou até mesmo o conta gotas que já vinha nos potes do produto para facilitar. Os corantes líquidos avermelhados caíam de vez sobre a água, já dando uma tonalidade escura, devido a má iluminação. Quando o último foi jogado, recolocou a tampa no lugar, descendo rapidamente do local.
— Morreu? — a questionou com ironia, já pegando os baldes de peixes para agilizar o trabalho.
— Você teve sorte por eu não ter me jogado e testado suas habilidades reflexivas.
— O balde de peixes seria seu amortecedor. — riu, recebendo um tapa da garota que logo tratou de pegar o outro balde e seguir ao lado de para a piscina. A cristalinidade da água demonstrava o quão limpa estava. As bordas secas, sem nenhuma folhagem ou qualquer tipo de sujeira visível, assim como as internas que davam para ver perfeitamente o azul iluminado pelas luzes instaladas dentro da piscina. Não contaram até três, os baldes foram virados imediatamente formando uma cachoeira de água onde os peixes caíam até seu novo território. — Só espero que não tenha cloro, eles não merecem morrer lentamente.
— Seria um estrago maior; peixes mortos, mas vem, vamos dar o fora daqui antes que alguém acorde.
Correram de volta até a trilha, parando em seguida para recuperar o fôlego. Mal podiam acreditar que haviam conseguido fazer tudo o que planejavam e ainda com sucesso e sem deixar nenhuma pista para trás.
Queriam muito estar de tocaia, observando a reação de cada um ao se deparar com os presentes que haviam deixado, seria uma cena que levariam para a vida toda. Ambos riam, exalavam a alegria de se sentir vivos, com adrenalina correndo em seus corpos e um gostinho de fazer algo contra as regras.
Regras? Eles mesmos faziam as regras.
A euforia corria em suas veias, era tanta coisa que em um ato impulsivo, puxou pela cintura, surpreendendo-a com um beijo. A garota, por mais surpresa que estivesse, não hesitou, porém seus segundos de glória foram encerrados quando subitamente, se afastou.
Sua mente estava confusa e ainda tentava entender o que tinha feito. Havia sido bom, por mais rápido que tivesse sido? Sim, mas havia muita coisa em questão e tinha prometido a si mesmo que não se envolveria com ninguém após o término, entretanto, seu corpo pedia por mais, e não conseguiu negar quando percebeu a aproximação rápida de , que segurou seu rosto e colocou os lábios nos dele.
O beijo era caloroso e sem pudor. Aos mãos de já desciam para a nuca do rapaz, emaranhando-as nos fios castanhos de , enquanto o mesmo a puxava mais para si, segurando firme em sua cintura.

(And we'll be running, running, running again)
(And we'll be running, running, running)


Ela precisava correr.
O mais rápido que conseguia.
Precisava alertá-la.
Marie parou de uma vez em frente a porta do dormitório de , quase não conseguindo se frear. Espalmou a mão na madeira e começou a bater alto.
! Acorda!
E nada.
Nenhuma resposta.
Ela bateu de novo, mais alto, mais forte.
— Anda, ! É urgente! — gritou.
Do lado de dentro do quarto, Vicki abriu os olhos e resmungou.
— Anda logo, . Vê o que ela quer.
— É, deixa a gente dormir — Sharon completou.
Mas a garota não acordava de maneira alguma.
Estava cansada, destruída depois da noite passada. Tudo que ela pensava no momento em que pôs a cabeça no travesseiro era que ela queria dormir até depois do almoço.
Vicki se irritou com a insistência de Marie, que acabou acordando Candace também. Essa, por sua vez, chutou o colchão da garota que ficava no beliche acima da sua, só então a despertando. Ainda assim, ela não se levantou.
! — Marie berrou arrastadamente. A mais velha bufou e puxou o travesseiro de debaixo da cabeça e tampou a cara, fingindo que não era com ela.
— Pelo amor de Deus, viu! — Aubrey, que tinha a cama ao lado da porta, virou-se e esticou o braço para abri-la.
Marie entrou no quarto feito um furacão, ignorando todas as outras. Ela logo subiu as escadas do beliche e montou-se em cima de .
— Anda, eu sei que você está acordada. — sacudiu seus ombros.
— Não enche, Marie… achei que não estava falando comigo. — apertou o travesseiro contra o rosto ainda mais.
A mais nova rolou os olhos.
— Tenho uns assuntos urgentes! — reclamou, puxando o travesseiro da cara dela e jogando longe. — e privados! Precisamos conversar.
— Cara, são tipo… cinco da manhã? Vai dormir.
— São seis e meia! Ses amis parlent le français? — quis saber.
Pelo visto a garota não sairia dali, então conversar em outro idioma era a única opção.
arqueou a sobrancelha. Era mesmo urgente.
— Não, elas são bem bobas. — respondeu também em francês.
— Ótimo — suspirou, deixando os ombros caírem. Ainda estava sentada na pélvis da garota. — é o seguinte, Stan está aqui.
— Quem? — franziu a testa.
— Stan Canuso. É o dono do acampamento Sol Nascente.
arregalou os olhos e sentiu a bile subir à garganta e engoliu.
— Ele veio falando que um pessoal daqui fez um estrago no acampamento dele nessa madrugada.
Ela fez-se de desentendida.
— E…?
— Meu palpite é que foi você e o senhor filho do senador.
A garota arregalou os olhos.
— Você só pode estar louca! — gritou. — como você me acusa assim?
— Porque ele tem imagens da câmera de segurança! Meu pai não percebeu, mas eu reconheci vocês. Não percebeu, ainda. — acrescentou, corrigindo-se. — isso nunca aconteceu antes.
se levantou de uma vez, Marie saiu de cima dela e sentou-se no canto da cama. Ela embrenhou os dedos no cabelo e ficou os puxando, e depois arranhou seu rosto. Estava fodida.
— Hey, para com isso. — Marie a segurou pelos punhos quando percebeu que ela continuaria.
— Eu tô fodida.
— Para! Eu achei tão foda! Cara, vocês precisam fazer mais! E precisam me levar! O povo de lá é tão chato!
— Marie! — repreendeu.
— Shhh! Estamos tentando dormir, aqui. — Candace resmungou.
— Olha, vai se arrumar, talvez meu pai vá te procurar de novo… — a mais nova disse e se levantou, descendo da cama enquanto a outra pulou direto pro chão. — mas eu quero ir! Vamos hoje à noite?
— Eu… vou ver com o o que ele acha…
— Acho bom — riu e saiu correndo do quarto, do mesmo jeito que havia chegado.

[...]


soube que estava metido em confusão -mais uma vez- quando despediu-se de seus amigos e viu um pouco a frente o fitando com os braços cruzados e um bico nos lábios, batendo o pé no chão.
Ele se aproximou com medo. Não queria fugir dela, mas queria. Não queria criar climão depois da noite anterior, mas não sabia o que ela estava pensando a respeito daquilo e já se via numa situação… desfavorável.
— Meu Deus, garoto! Onde você estava? Eu te procurei a manhã inteira! — ela espalmou as mãos no peitoral dele e o empurrou.
Antes que ela pudesse fazê-lo de novo, teve o reflexo de segurá-la, impedindo.
— Alto lá! O que eu fiz dessa vez?
— Stan Canuso nos descobriu!
— Stan quem?
— O dono do outro acampamento! — bufou e colocou a mão na testa, dando as costas para ele e começou a andar em círculos. Ia acabar fazendo um buraco no chão. — Marie disse que ele chegou até Dannel com imagens de câmera de segurança, mas que ele não percebeu que era a gente. Eu fiquei o dia inteiro com o cu na mão! — estufou o peito parando novamente em sua frente — ONDE VOCÊ ESTAVA? — berrou.
Ele piscou diversas vezes, e gaguejou para responder.
— No la-lago.
A garota balançou a cabeça, sem acreditar que havia sido obrigada a passar por tudo aquilo sozinha.
— É o seguinte, — continuou. — Marie quer voltar lá.
— Mas hein?!
Ela riu.
— Marie disse que deveríamos fazer mais. E eu concordo com ela. Vamos mostrar pra Stan que nem que ele mande o Papa até aqui pra tirar satisfação com o nosso acampamento, a gente liga. Muito pelo contrário, fazemos mais.
— Você quer saber de uma coisa?
— Quero.
— Nós vamos fazer história nesse lugar.
Ela sorriu mostrando todos os dentes.
— Seremos lendas.

[...]


subiu correndo até a biblioteca, onde Marie passava a maior parte do seu tempo livre, e procurou a garota pelas janelas antes de entrar. Quando a viu, se debruçou no parapeito, cruzando os braços.
— Tenho boas novas pra você.
A menina deu um pulo e levou a mão ao peito.
— Caramba, você me matou do coração.
rolou os olhos, mas sorria e desviou o olhar para a outra menina que estava sentada com Marie na mesa, também lendo. Já havia visto as duas juntas antes, pareciam próximas, mas a loirinha não devia saber das obras de artes que ela havia andado fazendo.
— Conversei com . — falou em francês para que ninguém além delas entendessem, assim como a mais nova havia feito naquele dia mais cedo. — ele topou voltarmos amanhã. Já temos até algumas ideias, mas precisamos de mais pessoas pra podermos mostrar pro Sol Nascente com quem eles estão mexendo.
Marie riu e a outra menina tentou prender a risada, mas falhou.
— Emma sabe francês.
— Emma sabe um monte de línguas. — a própria Emma disse, em francês.
— Ai, meu Deus. — a mais velha sentiu as bochechas corarem. Estava fodida.
Pensando bem… aquela era uma péssima ideia. Um monte de gente ali deveria saber. Tinha pessoas de todos os cantos do mundo naquele acampamento e francês era uma língua oficial na Suíça, apesar do acampamento ser majoritariamente em inglês e alemão, língua da cidade.
— Mas relaxa, ela já está sabendo. — Marie mordeu os lábios.
— Digamos que eu também quero participar. — a loira deu de ombros. Ela parecia uma bonequinha de porcelana.
— Pronto, já tem mais duas pessoas.
— Não é suficiente… É algo… massivo. — escolheu a palavra.
— De quantas pessoas estamos falando?
— De umas dez, quinze — analisou.
— E aquelas meninas que ficam te seguindo?
— Vicki e companhia? Está doida? Elas nos dedariam. — negou com a cabeça. — olha, eu não sei de ninguém de confiança aqui, só você e o , então você arruma mais gente, ok? — teve a ideia na hora e gostou.
Marie deixou o queixo cair e quando ia dizer algo, acenou e saiu correndo.
Precisava acertar com as ideias para o próximo dia.

[...]


— Eu não acredito que estou fazendo isso… — a menina chiou, mas não parou de pincelar o melaço na porta de saída do complexo dos dormitórios.
Conversavam baixinho para que ninguém acordasse e os percebessem ali. Nem deviam, na verdade.
deu uma risadinha enquanto ajudava Emma. Ela parecia ser mais inocente que dez Nathans juntos, e era tão meiga que dava dó de corrompê-la.
— Se minha mãe descobre… E meu pai? Estou acabando com o legado dele. — lamuriou.
parou por um segundo e colocou a mão no ombro da mais nova.
— Ninguém te obrigou a estar aqui, não é?
A garota negou com a cabeça e parou para fitar a mais velha.
— É, mas… é que eu represento muita coisa.
— Hum, você não está sozinha. — deu de ombros e voltou a espalhar o melaço na maçaneta. — a maioria aqui é peixe grande, não é um acampamento pra qualquer um.
— Eu sei… mas acho que pra mim ainda é diferente.
ficou curiosa. Aquela menina devia se achar muita bosta. Que nem ela.
— Sabe, meu pai é dono de uma rede hospitalar gigante no Reino Unido. A família da minha mãe também tem um hospital nos Estados Unidos… é filho de senador americano, Marie é filha do dono do acampamento… você não pode ser tão pior assim.
Emma riu com simplicidade. Ela que bem queria ser eles. Tinham menos publicidade, sem dúvida alguma.
— Eu sou a próxima na linha de sucessão do trono do meu país.
— Uou! — deixou seu pincel cair e o queixo também. — você é uma princesa?
Parte de si achava que era mentira. Parte de si achava que era coisa de criança. A outra parte ficou admirada. Ela era tão simples… Meiga e humilde… realmente tinha finesse de princesa.
— Basicamente. Gosto de vir pra cá, pois é o único lugar onde não sou constantemente lembrada disso. — deu de ombros e terminou sua parte. — e você?
— Eu venho pra cá porque me obrigam. Sabe, um problema a menos para lidarem em casa.
— Sinto muito.
assentiu e também finalizou. Estava curiosa pra saber de qual monarquia a garota era, mas depois daquilo, percebeu que não era seu lugar em perguntar. Depois descobriria na internet.
— Deveríamos ver como os outros andam. — Emma disse e a outra concordou, assentindo.
— Mas, olha… não se preocupa em ser pega. Se na primeira vez que viemos apenas e eu ninguém nos reconheceu, não vai ser agora com quinze que eles irão perceber.
Ela assentiu.
— Obrigada, .
Ela sorriu. Quando menos percebeu, a menina havia agarrado-lhe pela cintura e lhe dava um abraço apertado. A garota ficou meio sem jeito no começo, mas depois passou os braços ao redor dela e retribuiu o gesto.
Marie estava logo atrás com a maioria dos outros garotos. Eles espalhavam milhares de copos descartáveis pelo corredor para atrapalhar a passagem de quem fosse sair dos quartos quando acordassem, e atrás alguém os enchia com água da mangueira de incêndio.
— E aí? — se aproximou com seu novo xodózinho até a amiga.
— Estamos quase lá. — murmurou.
— Certo, estaremos esperando lá fora. Vou ver como anda.
— Ok. — fez um sinal afirmativo com as mãos.
Emma saiu na frente e a seguia de perto. Do lado de fora, estava pendurando uma placa de pano com a ajuda de Brian, que os dois haviam passado a tarde inteira fazendo, onde escreveram “VENDE-SE” em caixa alta e letras enormes em vermelho, no final escreveram menor “TRATAR COM ACAMPAMENTO LAGO TUNE”.
— E aí?
O rapaz abaixou a cabeça para ver e fez o mesmo gesto que Marie.
— Tudo certo. Estamos prontos.
A garota assentiu. Os dois rapazes desceram as escadas enquanto a garota se virou para observar Marie lá dentro. Ela terminava de dar algumas ordens quando a porta de um dos quartos se abriu de uma vez, revelando um campista bem assustado.
— Mas o quê? — um menino moreno e franzino falou, deixando o queixo cair.
Marie se levantou de uma vez e todos os seus amigos que estavam lá dentro congelaram onde estavam.
Podia jurar que o conhecia de algum lugar…
— Corre! — ela berrou e saiu em disparada, passando feito um raio por .
Ela mal teve tempo de assimilar quando todo o restante também veio correndo em sua direção.
— Anda logo, ! — alguém a puxou bruscamente pelo braço e ela se virou, dando de cara com . Todo mundo já estava sumindo de vista nos Alpes, retornando, só os dois haviam ficado pra trás.
Ela assentiu e correu puxando as portas de saída, se não de nada adiantaria o melaço. Quando acabou, estava um pouco à frente a aguardando.
Eles correram como se o chão estivesse cedendo atrás deles, largando escadas e tudo mais pra trás.
— Não tivemos nem tempo de ligar o alarme de incêndio. — lamuriou quando já estavam seguros dentro da trilha.
— Quer um alarme melhor que aquele garoto? Ele vai acordar todo mundo. — riu.
A menina concordou, sorrindo.
E então eles voltaram a correr.

He says, "Oh, baby girl, don't get cut on my edges
I'm the king of everything and oh, my tongue is a weapon
There's a light in the crack that's separating your thighs
And if you wanna go to heaven you should fuck me tonight."


Talvez, se não fosse pela apresentação que estava se aproximando, nenhum dos dois teria acordado para ir à aula. Levar uma falta não mataria, já que seus corpos estavam exaustos devido ao dia anterior. Não era de considerar calor, porém o dia havia amanhecido com um vento gélido que o fizeram retirar seus casacos se suas malas. Ainda eram sete e meia e a aula começava às oito. Após o café da manhã no refeitório, e seguiram para o píer, chegando ao seu final e sentando em sua borda, aquecendo-se um pouco com os raios solares.
— Espero nunca mais ter que correr como corri ontem. Meus pés latejaram tanto que jurava que iria perdê-los. — ela comentou, jogando o corpo para trás e o apoiando em seu braço esticado.
— Uma vez na vida não mata, e também, ou era correr ou ter sua dignidade morta ao bolar um plano e vê-lo ir por água abaixo por causa de um garoto.
— Como não pensamos na possibilidade de alguém acordar e nos ver?
— Estávamos mais ligados na diversão em si do que na segurança. Mas valeu a pena, no final deu tudo certo e o pessoal se amarrou.
— Esse acampamento estava precisando disso, um pouco de diversão e adrenalina. — disse se glorificando, enquanto riu, negando com a cabeça. Voltaram a fitar então o horizonte, vendo os raios solares iluminarem a superfície do lago. O céu estava sem nuvens, com uma boa brisa e um bom calor solar. fechou os olhos por alguns segundos, absorvendo toda aquela paz e tranquilidade, afinal, eles mereciam depois de tanta aventura. Ainda tinham que se preocupar com a organização da peça e com suas falas. Não haviam pegado o papel principal, mas quem ligava quando o foco estava somente em diversão?
Entretanto, o momento de paz e serenidade foi interrompido quando ao longe, avistou um pequeno grupo de aproximadamente oito pessoas se aproximando, com dois deles vindo à frente, enquanto os seis restantes seguiam atrás. Entraram então em uma parte da mata, tirando mais a sua visibilidade. A curiosidade despertou, o fazendo cerrar os olhos para tentar enxergar melhor, mas não conseguia identificar muito bem. Retirou de sua mochila o binóculo que sempre levava em mãos, e ao aproximar melhor com as lentes, engoliu seco ao reconhecer um deles.
— Ah, não. — soltou sua fala em um puro desânimo que chamou a atenção de . Ele sabia que coisa boa não era e que provavelmente seus dias ali estavam contados.
— O que foi? — ela questionou, ainda mantendo sua serenidade.
— Acho que o garoto da sirene sabe quem somos nós. — arqueou a sobrancelha demonstrando um desentendimento diante daquela fala tão vaga, mas quando olhou em direção aonde apontava, seus olhos logo se arregalaram e em um ato, tomou o binóculo da mão do garoto, focalizando o local.
— Puta que pariu! — ela levantou em um pulo, assim como ele, já pegando os materiais do chão. — O que eles querem aqui? Se escondendo atrás das árvores? Estão brincando de esconde-esconde ou quê?
— Acho que eles estão brincando de revanche. — respondeu, já sentindo um calafrio percorrer em seu corpo. Temos que avisar aos monitores.
A promessa de nunca mais correr da maneira do dia anterior foi quebrada pelo desespero de não serem descobertos e não terem, novamente, um castigo mais severo.
O pessoal já começava a dar as caras pelo local, onde uns saíam de suas cabanas, enquanto outros seguiam em direção às suas devidas atividades. Os monitores já estavam em seus postos, recebendo os alunos, checando se estava tudo certo e monitorando o local. Avistaram o primeiro monitor, Darren, com uma papel em mãos, o riscando a medida que o pessoal entrava no refeitório e diziam seus nomes.
— Darren! — gritou, aproximando-se, vendo o rapaz fazer uma cara de espanto devido ao susto tomado. — Você precisa nos ajudar… — ela dizia ofegante. — O… pessoal… do… explica ai, . — por que as coisas sempre caíam para ele? Como ele iria explicar que o pessoal do outro acampamento estava os observando para, provavelmente, armar algo pior do que fizeram? Claro que uma surpresa de boas vindas que não era. respirou fundo, tomando fôlego.
— Achamos que o nosso acampamento está em perigo, digo, vai ser atacado. — talvez se o desespero não estivesse instalado neles, ambos se possibilitariam a rir da cara icônica que Darren fez ao rir daquela ideia. A risada alta chamou a atenção dos demais que ali estavam; e se entreolhavam perplexos. Por que ele estava rindo, mesmo?
— Perigo? — deu mais outra risada. — Essa piada foi boa… — não ligando para o que falaram, Darren apenas continuou rindo, voltando sua atenção para o papel. Se havia algo que odiava, era de ser zombada ou ignorada. Vendo os punhos já se formando na mão da garota, a puxou, a retirando do local.
— Vem, vamos falar com outra pessoa. Darren nunca leva o pessoal a sério. — disse, puxando a jovem pela mão.
A segunda pessoa a encontrarem foi Taylor, uma das mais antigas monitoras do local. Com seus cabelos ruivos acima do ombro, e seus óculos em um formato redondo, Taylor passava uma postura de seriedade, o que já dava a esperança neles de que ela iria acreditar. A mulher estava na porta do teatro, fazendo a contagem dos alunos que entravam no local.
— Monitora Taylor, precisamos de sua ajuda. — foi direta. — Vimos um grupo de pessoas do outro acampamento escondidos na floresta, observando o nosso. Achamos que eles estão planejando algo. — Taylor olhou por cima dos óculos em uma feição inexpressiva, e logo retornou o que estava fazendo.
— Acho melhor vocês dois entrarem logo para aula do que ficarem criando mais confusão do que já criaram. — não era possível! Qual era a necessidade de se basear em algo que havia ocorrido somente uma vez e nunca mais? Mania de adultos os irritavam. respirou fundo, contando até dez. também não estava lá com sua paciência em dia, mas pelo andar da carruagem, percebeu que ninguém acreditaria neles. O pessoal ainda tinha a história do dia em que demoraram de chegar ao acampamento em mente e achavam que era culpa deles. Puxando novamente a garota, eles entraram no teatro sem falar mais nada.
— Não tenho paciência para esse povo adulto! — explodiu quando chegaram a um canto mais sossegado do teatro, sem ninguém.
— Você acha que eu tenho? — questionou, coçando a cabeça, preocupado.
— Acho! Em nenhum momento você explodiu ou se exaltou, como consegue controlar sua paciência?
— Quando se tem um irmão gêmeo e as pessoas vivem confundindo seus nomes e gostos, você aprende a lidar com qualquer coisa.
— Mas o que iremos fazer? — ela suspirou, derrotada.
— Vamos apenas esperar para ver o que acontece.

[...]


A noite seguinte foi misturada com temor e preocupação. Naquele mesmo dia, ninguém havia ousado a fazer nada contra o acampamento. e ainda tentaram avisar alguns monitores, mas ninguém os dava ouvidos. Já estava se tornando uma situação estressante, e realmente a única coisa que podia fazer era esperar. Ainda retornaram para o lago, tentando identificar alguma movimentação suspeita, mas nada ocorreu. Realmente, talvez eles só estivessem ali por estar e desistiram do que iriam fazer, o que quer que fossem fazer. Talvez? Talvez…
A tranquilidade que ambos já estavam obtendo sumiu drasticamente quando no dia seguinte, foram acordados de uma forma barulhenta e brutalmente com batidas em suas portas. Dois monitores visitaram seus devidos alojamentos, exigindo a presença de cada um na sala do diretor. A única pergunta que rondava a cabeça de ambos era o que diabos eles haviam feito? Não deveria se referir ao ataque em grupo, já que ninguém do outro acampamento havia ido lá. Ou foram? Talvez alguém tivesse dedurado eles…
Não tiveram tempo de se arrumar direito, vestiram a primeira roupa que encontraram. Ao sair de seus alojamentos, a perplexidade se estampou de vez do rosto de ambos ao perceberem a situação do acampamento. Janelas e paredes estavam pichadas em diversas cores. Não se tratava de desenhos bem formados por artistas, eram risco e mais riscos. Xis em janelas em uma tonalidade forte de vermelho. Algumas mensagens estavam espalhadas nas paredes dos bangalôs. “Te avisamos”, “Estamos de olho”. Se o acampamento não tivesse um ar alegre, aquilo poderia se considerar como um filme de suspense. Enquanto caminhavam observando atentamente o local, perceberam a aproximação um do outro chegando em frente a sala do diretor.
— Que merda ocorreu aqui? — indagou .
— Nossos avisos ocorreram. E sinto que não vai ser coisa boa para nós. — ele não teve tempo de responder. A porta de Dannel foi aberta brutalmente, exibindo a mais pura seriedade, misturada com uma raiva que até mesmo , sentiu receio.
— Eu juro que não sei o que faço com vocês… — as mãos de Dannel passeavam pelo seu couro cabeludo freneticamente. — juro! — em um ato raivoso, suas mãos foram de encontro à madeira rústica de sua mesa, exalando um som estupidamente alto, o que fez ambos os jovens fecharem os olhos no momento. — O que vocês pensam que são? Ou melhor, o que tem na cabeça de vocês para destruírem o acampamento?! Se não estão gostando, apenas digam que a gente dá um jeito de levar vocês embora! — , por si, encheu o peito, cruzando os braços e se recostou na cadeira.
— Não estamos gostando. — só faltava morrer. O que ela tinha em mente? Piorar novamente mais a situação?
— O que você disse? — Dannel repetiu, incrédulo.
— Eu disse que… — a mão de foi diretamente à boca de , a surpreendendo.
— Ela não disse nada, senhor. — respondeu calmo. — Não temos nenhum envolvimento com o que ocorreu no acampamento. Estávamos dormindo no momento, pode conversar com os nossos colegas de quarto. — tentava a todo custo se manter calmo e manter calma. Sua mão foi arrancada brutalmente pela garota de sua boca. A indignação de estava estampada na sua cara, ela queria falar, e falar mesmo na cara de Dannel porque eles não tinham nada a ver com o ocorrido e ainda tentaram ajudar, informando sobre o possível ataque, mas ninguém havia dado ouvidos a eles. Aproveitando a distração do diretor, quando o mesmo encarou o teto, procurando recuperar a paciência, fez um movimento com as mãos pedindo calma a .
— Como sei que vocês não saíram escondidos à noite? Como posso confiar em duas pessoas que quase me causaram um problema? Não cansam, não? — Dannel só faltava avançar neles da tremenda raiva que estava sentindo.
— A culpa não é nossa se isso ocorreu. Seus monitores sabiam, tentamos avisá-los sobre um possível ataque, mas ninguém nos ouviu. — respondeu na cara dura. Agora, quem queria morrer era . Ele não se importaria se Dannel pegasse qualquer coisa pesada ali de sua sala e atirasse nele. A situação piorava a cada minuto. Ah, que se foda, ele estaria encrencado mesmo, não iria gastar suas palavras tentando melhorar as coisas, só não queria que piorasse, mas ela não o dava ouvidos. Era o maior defeito dela.
— O que vocês estão me escondendo?
— Estávamos no lago quando vimos um grupo se aproximar daqui e logo se esconder atrás das árvores. Percebemos que eles encaravam demais o nosso acampamento, logo, coisa boa não era. Avisamos ao Darren e Taylor, assim como outros monitores, mas ninguém nos ouvia, apenas achavam que estávamos armando! — explicou . — Não foi nossa culpa!
O silêncio perturbador que o diretor fez nos seguintes dois minutos era agonizante. Por que ele tinha que fazer todo aquele mistério de ficar os encarando? Apenas sem dizer nada, o homem virou-se para o computador, começando a digitar freneticamente no teclado sem fio.
— Suspendi as aulas de teatro de vocês até que as paredes e vidraçarias do acampamento estejam limpas. Há tintas e pincéis na dispensa perto do lago. Sugiro que não usem roupas novas, a não ser que queiram uma nova tonalidade nela. — o barulho da impressora os chamou atenção e logo dois papeis saíram de lá. Rapidamente, Dannel os pegou, assinou e os entregou.
— Desculpa, Dannel, mas não irei me responsabilizar por algo que não fiz. — a atitude de , por mais educada que fosse, chamou a atenção de . Finalmente ele havia tomado uma postura! — Até entendo sobre a trilha, mas isso aqui… Sem chances. — ele devolveu o papel à mesa, cruzando os braços.
— Vocês acham que eu irei cair nessa de grupinho de jovens de sei lá da onde fazendo vandalismo em nosso acampamento? Procurem uma desculpa melhor da próxima vez. Agora, mãos a obra. — o sorriso vitorioso estampado em seus lábios criou uma raiva em , que sem dizer nada, apenas se levantou, batendo a porta fortemente ao sair.

And I've been sitting at the bottom of a swimming pool
For a while now, drowning my thoughts out with the sounds


— Vamos, só faltam aqueles dois. — chamou o garoto que estava com o corpo atirado no chão, cansado. Ela pegou um balde de tinta e seu rolo e começou a caminhar. Percebendo que não a acompanhava, ela virou-se. — você não vem?
— Estou morto.
— Também estou. Mas quero acabar isso hoje para não ter que passar mais um dia da minha linda vida fazendo coisas que Dannel bem quer. Não o darei esse orgulho.
O garoto riu e se sentou.
— É sobre isso, então? Orgulho? Desafiá-lo? — ele ergueu a sobrancelha — achei que era para divertir. — deu de ombros e estalou a língua.
A menina rolou os olhos.
— Estou falando de corrigir cagada que não é nossa. Mas quanto às nossas aventuras, claro que é. — retrucou e voltou a caminhar. — eu pinto um dormitório e você o outro, vamos separar pra acabar mais depressa.
ficou assistindo a garota se distanciar e jogou a cabeça para trás.
Se sentia perdido, sem rumo, com um conflito interno.
O que representava para ele? Aquele tempo todo no acampamento que havia começado como algo entediante e depois se transformou em prazer? Se ela nunca houvesse aparecido e lhe proposto tudo aquilo, será que ainda estava aguentando a mesma rotina de todos os dias, imersa em puro tédio? E por que ele aceitou, afinal? O que nela havia lhe convencido de tal coisa? Ela parecia capaz de convencer qualquer um de tudo…
Suspirou e se levantou, pegou seus materiais e foi até o último dormitório pichado.
Eram muitas perguntas para poucas respostas.
E ele precisava se conformar em ficar sem elas.
Quando encostou o rolo de tinta na parede de madeira, foi surpreendido pelo monitor Darren.
? Dannel está procurando você. Está o aguardando em seu escritório.
Ele engoliu seco e abaixou o rolinho.
— Estou acabando e já vou.
— Ele disse que é urgente e não precisa terminar a pintura. — deu de ombros, sem entender. — o que quer que seja que você tenha se metido, fica esperto. Você é um bom rapaz.
E deu as costas, saindo.
Bom rapaz.
Riu.
Deixa ouvir aquilo…
Ultimamente já não andava sendo o exemplo… Com todas aquelas aprontações… Com certeza, uma das últimas palavras para defini-lo seria bom garoto, pelo menos nos padrões deles… Mas ele sabia que não era uma pessoa ruim, também.
Começou a subir a clareira e já avistou a colega na porta da diretoria, batendo o pé no chão, olhando para os lados. Quando o viu, suspirou e deixou os ombros caírem.
Será que ele havia dito o mesmo para ? Ele também não a via como alguém ruim, só um pouco… perdida, talvez. Rebelde, confusa. Devia ter problemas em casa, também.
— Ele também te chamou, né? — soou preocupada. assentiu — acho que estamos oficialmente expulsos. — ela indicou com a cabeça a janela do escritório e espiou lá dentro, vendo Marie sentada na cadeira que eles já haviam cansado de sentar pra levar sermão.
— Você acha que ela nos dedou sobre o outro dia no acampamento Sol Nascente?
suspirou.
— Já não sei de mais nada…
No mesmo instante, a porta foi aberta pelo homem que os chamou para entrar. foi a primeira e travou o olhar com o de Marie, sendo inexpressiva. Não sabia se sentia raiva, desgosto ou o quê. Havia praticamente treinado aquela menina nas artimanhas.
— Marie me disse que na noite anterior viu o pessoal do acampamento Sol Nascente degradando o nosso.
desviou o olhar de uma vez para o pai da menina e tombou a cabeça.
— É o quê? — berrou.
— Eles estavam de uniforme. — a mais nova justificou. franziu a testa.
Ela era leal.
Havia sido desde o começo.
Por que duvidaram logo agora? Quando ela já havia comprado briga com o pai por causa da amiga anteriormente?
Talvez a adrenalina estivesse começando a esvair e o medo estava tomando conta… se recusava a deixar aquilo acontecer. Precisava tomar uma atitude urgentemente.
— Gostaria de me desculpar por ter mandado vocês consertarem tudo mais cedo. — Dannel voltou a falar, e arregalou os olhos. — estou suspendendo quaisquer atividades que vocês ainda tinham para ajudar do restante da punição. — sorriu, como se o perdão fosse fácil assim. abriu a boca para retrucar, mas percebeu e tomou a frente, antes que ela pudesse piorar tudo novamente.
— Obrigado, senhor.
— Estão dispensados. — gesticulou com a mão para que saíssem. foi a mais rápida porque já não aguentava mais ficar no mesmo ambiente que aquele homem. — ah, já estava me esquecendo… por terem cuidado da pintura que não cabia a vocês, pedi a Wanda que liberasse a sala de teatro para vocês assistirem algum filme. Aqui está a chave. — estendeu para eles. a pegou da mão do mais velho.
achava que aquilo tinha cheiro de Marie. Ele jamais faria isso.
Se virou para a amiga e soltou um “obrigada” sem som, apenas labialmente para só ela ver. Marie assentiu e sorriu.
— Estou confiando em vocês. — Dannel completou quando estavam prestes a fechar a porta.
Nenhum dos dois disse mais nada e saíram, já caminhando rumo ao teatro.
— Puta merda.
— Eu que o diga. — riu, descrente.
— Sabe, se eu tivesse que ser expulsa, não queria que fosse por algo que eu não fiz.
— E quer ser por algo que fez? — arregalou os olhos.
— Ah, você entende o que eu quis dizer… — suspirou e mudou o rumo, caminhando até o refeitório.
— Onde vai? Temos uma sessão cinema agora só para nós dois.
fincou os pés no chão e sentiu o coração dar um pulo.
Só. Para. Nós. Fucking. Dois.
Aquele não era o propósito de tudo aquilo?
Conquistar o garoto? Melhor, mostrar pra todo mundo que jamais deveriam desafiá-la? De que ela conseguia pegar quem ela bem quisesse porque ela simplesmente podia?
Deu um sorriso travesso.
— Vamos lá pedir pipoca, o que é um bom filme sem uma pipoca?
— Não temos essa moral toda…
— Muito pelo contrário… temos essa moral toda. — gesticulou com a cabeça para os outros campistas que adentravam o refeitório, todos apontando para a dupla e falando sobre eles.
Eram lendas.
estufou o peito e riu.
— É… vamos! — animou-se e passou na frente da garota, correndo.

[...]


— Só de pensar que Capitão América: O Primeiro Vingador está em cartaz no cinema e eu tenho que me contentar com o fato de que estou presa nesse acampamento enquanto poderia ter ido à estreia é bem triste…
riu.
— O que há de errado com Homem de Ferro 2? — perguntou, mastigando a pipoca, que estava no fim, e o filme quase acabando também.
— Nada, é meu herói favorito. Mas eu só queria ver o filme novo. — deu de ombros e suspirou.
— Não me fala que você também gosta do Robert Downey Jr.… — lamentou e começou a balançar a cabeça.
— Ah, qual é? Ele é super gato! — fingiu estar revoltada e deu um pulo na cadeira, dando-lhe um soquinho no ombro.
, achei que você tinha gosto melhor para homens…
! Você está falando isso só porque ele é velho pra mim? — assentiu, fazendo careta. — não acredito! — deu outro soco, o garoto riu. — não vejo nada disso, gosto mais de homens velhos, mesmo. — estalou a língua, provocando. — estou curiosa para saber o quê você considera bonito.
— Eu mesmo. — deu de ombros.
— Hm… você é mais velho que eu, é bonitinho…
— Bonitinho? — chiou. — qual é, eu sou lindo!
deu gargalhadas.
— Tá, eu até te pegava… — confessou, sentindo as bochechas esquentarem.
parou de pegar a pipoca e ficou fitando a garota.
— Você já me beijou antes.
— Eu digo pegar no outro sentido… Mais profundo, sabe… — ela esticou a mão e dedilhou o bíceps dele, depois deixou-a escorregar. — sabe, a gente nunca mais falou sobre aquele beijo.
— Tem que falar? — ele ergueu as sobrancelhas.
— Tem ué. Ainda mais que não aconteceu outro, sabe. Ficou parecendo que ele nem aconteceu. — deu de ombros.
assentiu, mas ficou calado.
Ele não sabia o que pensar sobre aquilo, talvez nem devesse pensar… talvez por isso não havia pensado, dado muita atenção.
Havia sido bom, digno de querer mais…
Definitivamente ele queria mais.
Olhou para a tela do teatro e viu Tony Stark puxar sua parceira para um beijo repentino, calando-a de uma vez. Deus, ela falava demais. Era igual .
Ele se levantou da cadeira e ficou em pé na frente da garota, estendeu o braço e lhe ofereceu sua mão.
— Você tá na minha frente.
— Ai, garota. — perdeu a paciência e fez igual o herói, puxou sua mão e deixou a menina de pé. Colocou a outra em sua cintura e a puxou até colarem seus corpos. colocou a mão em seu ombro e ergueu o olhar até encontrar-se com o dele. deixou suas pálpebras caírem e inclinou-se em direção à garota, seus lábios se tocando brevemente, roçando um ao outro com cuidado, explorando o novo território.
— O que é isso? — ela sussurrou.
— Isso é a gente conversando sobre o primeiro beijo. — riu de levinho.
— Gosto dessa conversa.
Ela soltou sua mão da dele e entrelaçou seu pescoço, unindo suas bocas mais uma vez, despertando uma euforia áreas inexploradas. Aos poucos eles se recuaram até trombarem no palco, onde o garoto se sentou e puxou a menina pela cintura, fazendo-a montar em seu colo. Continuaram se beijando e cruelmente se esfregavam na região pélvica, soltando leves gemidos. então se conteve repentinamente e cortou o contato labial, afastando a cabeça para observá-la.
, eu… — tentou falar, mas foi interrompido.
— Gosto de olhos castanhos. — elogiou.
— Gosto de olhos azuis. — retribuiu.
— Eu quero ficar com você. — confessou, enquanto suas mãos deslizaram pelas costas do garoto, descendo, ela raspava a unha pela pele dele e contornou o cós de sua calça — digo, tran-transar. — apertou os olhos e balançou a cabeça. Aquilo havia soado patético.
— É sobre isso que eu queria falar com você… — tentou, mas foi interrompido mais uma vez.
— Mas, ?
— Sim? — fechou os olhos, sabia que não conseguiria mais contar porque ela não o deixava falar.
— Eu nunca fiz isso antes. — confessou, unindo sua testa à dele e abriu os olhos.
— Nem eu.
Soltou de uma vez. Havia dito. Exatamente o que queria.
Ela suspirou aliviada e deixou os ombros caírem, tirando um peso enorme das costas. voltou a rebolar, sentindo uma pressão gostosa em sua intimidade e desejando que as barreiras sumissem.
— Quero que seja memorável.
— Eu também. — sua voz saiu contida, estava perdendo o foco, a fala. Só precisava… dela.
— Que tal se a gente filmar pra poder ver depois?
— É o quê? — falou mais alto, arregalando os olhos.
— Estou com meu celular aqui. — o tirou do bolso da calça, — ninguém precisa saber.
Ele ponderou por um único segundo e lhe deu a resposta antes do que se orgulhava. Queria pensar mais sobre aquilo, mas não aguentava mais retardar. Seu corpo pedia por e nada além disso.
— Tudo bem. Ninguém vai saber. — assentiu.
sorriu e se levantou devagar, abrindo a câmera e colocando em modo de vídeo, ela se afastou andando de costas e o ligou, deixando-o apoiado no braço dos assentos, apontado para no palco.
Ela deu dois passos à frente e desceu a mão pelos seus seios até sua cintura, puxando a barra da blusa e brincando com ela, levantou-a aos poucos, revelando sua pele. Removeu a peça e a jogou no chão, voltou a caminhar até e subiu em seu colo mais uma vez, puxou suas mãos e as guiou até o fecho de seu sutiã. Enquanto o garoto o tirava de seus braços, ela deslizou os lábios pelo pescoço dele e uma vez sem a peça, afastou-se para que ele pudesse observá-la.
Sentia-se exposta, vulnerável, mas no ápice de sua beleza. Nada mais justo que ele fizesse o mesmo… levou as mãos à camisa dele e a puxou rapidamente, e o garoto apenas manteve o olhar cravado nos olhos cor de céu da outra, com certa vergonha de encarar seus seios, mas quando ficou igual a ela, foi mais fácil. Suas mãos subiram pelo quadril da garota até seus peitos e acariciou os mamilos, sentindo-os nas palmas de suas mãos. Ela mordeu os lábios e inclinou-se ao seu encontro, incentivando a carícia.
sorriu e devagar guiou-a para trocarem de posição, deixando-a deitada no chão do palco, ele se sentou sobre sua pelve e colocou as mãos na sua legging, puxando-a devagar, meio incerto, e deixando a garota apenas de calcinha. Era rosa choque e lisa, ele observou. respirou fundo.
— Tira a sua também. — pediu, querendo rir. Não sabia o que fazer.
Onde estava com a cabeça quando tomou aquela decisão louca? Não era possível. Será que ainda dava tempo de voltar atrás?
assentiu e se levantou, tirando a calça e a cueca de uma vez, engoliu seco ao descaradamente fitar o pênis do garoto, rijo.
Aquilo ia entrar nela? Ai, que dor. Esperava que valesse a pena como todos diziam. Afinal, uma hora tinha que entrar para os negócios… Que fosse ali, no fim do mundo. Com um amigo, alguém que ela confiava.
se ajoelhou e ficou com o rosto acima do dela, tirando um tempo para observar cada mínimo detalhe e guardar na memória, afinal, só se tinha uma primeira vez.
— E a minha também… — sussurrou.
Ele assentiu e recuou, observando o corpo todo da menina, que começava a ganhar curvas e volume. Então ele colocou a mão em sua pelve e sentiu cada um dos pelos de seu corpo se arrepiar, fazendo-a fechar os olhos. dedilhou a calcinha rosa e aos poucos a tirou fora, com a menina movendo as pernas para ajudar, seu corpo totalmente eletrizado.
Estavam pele com pele, sem barreira alguma.
— Você tem camisinha, né?
arregalou os olhos, engolindo seco. Como estava se esquecendo daquilo? Era o principal!
— Tenho, pera aí… — ele se virou e pegou no bolso da calça. deixou a cabeça deitar ao chão e suspirou. Ainda bem.
Foi ali que ela se deu conta. Não queria voltar atrás. Não ia permitir o medo tomar conta, e ia aproveitar o máximo possível do momento.
estava demorando demais. Ela estava ficando louca. Resolveu erguer o tronco novamente e ficou o observando.
— Pera — ele murmurava sozinho.
— Você sabe colocar isso?
— É, eu tive uma aula disso na escola, eles mostravam como fazia. Parecia mais fácil.
Ele então se virou e ela não se conteve e olhou. Parecia correto.
— Eu realmente não quero ficar grávida.
Ele assentiu.
— Você não vai.
Aos poucos, voltou a se aproximar e deu um beijo na testa dela, antes de descer até seus lábios novamente, até sentir a garota relaxar mais um pouco, retomando a urgência do contato, a vontade de sentir um ao outro. Ela ergueu as pernas e o envolveu na cintura, até ele se abaixar cada vez mais e sentir uma pressão em sua entrada. A expectativa tomou conta de si e ela focou em pensamentos felizes, garantindo a si mesma que seria bom. A pressão aumentou cada vez mais, ficando muito desconfortável. Ela queria gritar com o menino e meter um tapa nele, talvez empurrá-lo para longe… Mas o simples fato de ter aquela memória horrorosa pelo resto da vida a fez engolir seco e seguir em frente.
— Você quer que eu pare?
— Definitivamente não. — o agarrou pelas costas, cravando as unhas nele, — prossiga. — riu sem humor.
foi gentil e preocupado, a última coisa que podia esperar dele, mas ela tinha certeza que era porque ela estava deixando transparecer seu incômodo que só aumentava com os movimentos dele. Ela desejou ser homem, por um instante. Ele parecia bem pleno, tirando a preocupação. Não conseguia relaxar.
Aquilo era uma bosta, na verdade. Até então, preferia mil vezes os seus próprios dedos pra lhe dar prazer. Será que era assim que as pessoas percebiam que não gostavam do sexo oposto? Meu Deus, a vida inteira ela idealizou que adorava paus, não podia ser que aquilo ia acabar com sua expectativa.
estava gemendo. Não estava sendo nada mal, mas também não era as mil maravilhas que ele esperava. Não culpava a menina, de forma alguma, sabia que com o tempo melhorava, mas olhar para ela, ele se sentia com uma parcela de culpa. Esperava que melhorasse para ela também.
— Ajudaria se eu mexesse no seu clitóris?
— Talvez. — riu. — você sabe onde ele fica, né?
— Não piora as coisas. — riu e desceu a mão pela barriga da menina, parando o dedão em cima do clitóris dela.
começou a esfregá-lo e em seguida ele começou a sentir que estava praticamente acabando. Colocou mais um dedo e pareceu relaxar, fechando os olhos e deixando-se levar. Seus instintos o fizeram aumentar o ritmo e a pressão familiar acumulou-se em seu pênis, esvaindo-se de uma vez. A menina ainda não havia terminado ou sequer parecia que conseguiria, mas não a deixaria na mão. Ele saiu de dentro dela e recuou, ela soltou um suspiro sôfrego. Usou três dedos para continuar estimulando-a, girando-os por toda sua vagina, estimulando toda a área. se sentia mais relaxada e a dor aos poucos diminuía, dando-lhe um fio de esperança. Com o tempo, conseguiu fazer com que ela se relaxasse ao ponto de dar um último suspiro e perder todas as forças que tinha no seu corpo.
Ele deixou o corpo cair sentado para trás e ficou encarando-a.
Haviam feito sexo.
Num teatro de um acampamento de verão.
E haviam filmado tudo.
Ele riu e se levantou, indo desligar a câmera. ergueu o tronco e apoiou os cotovelos no chão, enquanto espiava o garoto. Então era aquilo? O tal e tanto falado sexo era só aquilo? Ele voltou e apanhou suas roupas no chão e a entregou, junto com o celular.
não deixou de notar sangue em seus dedos, desviando o olhar para o chão entre suas pernas, onde também havia um pouquinho de sangue.
— Meu Deus do céu, eu tô sangrando. Que porra!
sentou-se ao seu lado e riu, enquanto se desfazia da camisinha apropriadamente.
— É normal.
— É claro que eu sei que é normal. Eu gosto de biologia. Eu vou estudar medicina, sabia? — chiou e vestiu a calcinha logo, desejando ter algo pra colocar nela e não vazar mais sangue, caso acontecesse.
Ela terminou de se vestir muito antes dele e aguentou a tentação de olhar o vídeo em seu celular. Será que teria coragem de assistir aquilo com ele depois?
— E então, o que você achou disso? — ele apontou para o chão e depois para eles, indicando toda a situação.
— Não foi cem por cento… Diria uns quarenta por causa da performance final.
— Obrigado. — foi sarcástico.
— É o maior elogio que vai arrancar de mim. Doeu pra porra. Não imaginava que seria tudo isso — deu de ombros.
A única coisa que ela pensava era que não havia durado nem dez minutos e já havia acabado. Simples assim. E complicado assim.

[...]


— Bom dia, primaveras. — sorriu quando colocou sua bandeja de café da manhã na mesa de Emma e Marie, sentando-se de frente para as duas.
— O que aconteceu de errado? — a loira perguntou.
— Nada, ué. — abocanhou sua maçã. As duas mais novas continuaram a encarando com uma interrogação gigante estampada na cara. — tá bom, vocês estão me assustando. — pôs a fruta de volta na bandeja. — o que houve?
— Eu que te pergunto. — Marie devolveu. — você está sorridente em excesso.
— Você quase não sorri. — Emma completou.
— Mas o quê? — riu sarcasticamente. — vocês estão viajando. — voltou a comer, agora o cereal com leite.
Emma balançou a cabeça em negação, não comprando aquilo, mas também voltou a lanchar. Marie não fez nada, apenas ficou ligando os pontos.
— Ai meu Deus! — berrou e depois tampou a própria boca com as mãos. e Emma desviaram o olhar até ela. — você e o
— O quê? — a princesa perguntou.
— Ficaram? — ela completou, meio sem jeito.
— Marie! — repreendeu.
— Vocês ficaram mesmo! — e completou gritando um “ah” longo, chamando a atenção de todo mundo ao redor. bateu a mão no rosto, sentindo-o corar.
— Aquele menino da brincadeira? — Emma perguntou e Marie assentiu, contendo sua voz.
Eu filmei no meu celular. — confessou baixinho.
— Ah, me deixa ver? — Marie pediu toda esperançosa e iluminada.
— Não! Você é menor de idade!
— Você também! — e então o queixo da morena caiu, entendendo que não era uma ficada qualquer. — você fez aquilo com ele? — sussurrou.
Aquilo o quê? — Emma perguntou no mesmo tom de voz.
quis se matar. Elas eram inocentes pra caralho. Não era de menos. Naquela idade ela mal começava a aprender teoria na escola. E a princesa?
Sexo. — Marie falou baixinho no ouvido da amiga, que também ficou boquiaberta.
! — gritou!
— Meu pai do céu, o que eu fui arrumar? — falou consigo mesma, rolando os olhos.
Onde estava com a cabeça em falar aquilo com duas crianças? Enfiada dentro da privada, só podia ser. Ainda bem que elas não tinham inventado em perguntar se havia sido bom. Aparentemente ela era péssima em guardar segredos.

[...]


— CADÊ A PORRA DO MEU CELULAR? — gritou. — vocês viram? — jogou todos os travesseiros do quarto para o alto, fazendo a maior bagunça.
— Olha a minha cara de quem sabe das coisas dos outros. — Candace disse e rolou os olhos. Isso era o que ela mais sabia, fofocar. Era a rainha.
— EU PRECISO DO MEU CELULAR. — continuou gritando.
Ela não podia perder aquele aparelho. Havia coisa muito comprometedora nele.
— Alguém faz o favor de achar o celular dessa menina. — Vicki reclamou, rolando os olhos enquanto penteava seus cabelos molhados pós-banho.
— Se eu tivesse visto ele largado por aí, ficava com ele pra mim. — Sharon disse, todas as outras desviaram o olhar até ela. — queria eu ter um iPhone. — justificou, dando de ombros enquanto terminava uma trança em Candace.
— Cadê a Aubrey? Será que ela o viu por aí? — perguntou, falando da colega de quarto restante, que não havia as acompanhado para o quarto pós as atividades da tarde.
— Disse que ia encontrar com o Brian — deu de ombros.
— Brian como Brian amigo do ? — arregalou os olhos.
— É. — assentiu.
No mesmo instante, a porta do quarto praticamente foi jogada no chão e Aubrey a atravessou correndo até a .
— Que vídeo é esse seu que tá rodando o celular de todo mundo do acampamento? — ficou boquiaberta. — garota, você se superou! — estendeu a mão para fazer um high-five, mas apenas tomou o celular dela e olhou do que ela estava falando.
Sentiu seu mundo cair. Seu estômago afundou na hora, ficando gelado. O coração havia parado de bater por uma fração de segundos, apenas para retornar às atividades mais rápido do que nunca.
— COMO QUE VOCÊ ARRUMOU ISSO? — gritou e tacou o celular de volta na mão da menina com força.
— Você, ué. Foi enviado do seu celular, o acampamento quase todo já viu… — deu de ombros.
— Meu celular nem está comigo! Ele sumiu!
Nisso os celulares de todas as outras começaram a apitar, e elas voaram neles como alguém que havia acabado de descobrir ouro.
As reações foram em cadeia. Uma gritou “como você pôde!”, a outra “não imaginei que você levaria isso tão longe”, “meu Deus, que puta você é!”.
— É o quê, Candace? — deu passos firmes em direção à menina. — repete, meu amor. Me chama de puta. — peitou.
A loira deu um passo para trás, recuando e afastando-se de , engolindo seco.
Ela respirava veneno. Bufafa, exalava ódio. Pela primeira vez, Candace ficou com medo dela.
— Você é puta. — repetiu de qualquer jeito.
Vicki se levantou de uma vez, deixando a cadeira cair no chão e correu para segurar , enquanto Aubrey se jogou na frente dela e a parou pelos ombros, ambas impedindo-a de bater na outra.
Nisso, alguém parou na porta e raspou a garganta, todas desviaram o olhar e depararam com a monitora Taylor.
— Meninas, devido aos últimos acontecimentos, a diretoria determinou que todos os aparelhos que tenham acesso à internet sejam recolhidos. Conto com a colaboração de vocês para me entregarem os seus agora. — cruzou os braços.
Elas soltaram devagar e a garota deu as costas, foi até o beliche e chutou seu pé.
— O meu celular sumiu. — disse, enquanto gotas de suor frio pingavam em suas pálpebras.
— Ah, não se preocupa. Ele foi o primeiro que apareceu na diretoria. — Taylor esclareceu.
Aubrey e Vicki entregaram seus iPhones e iPads para a monitora sem oporem, Sharon demorou um pouco para obedecer, sentindo um pesar em ficar sem seu aparelho. se sentia traída por todas elas. Ficavam andando atrás dela, praticamente lambendo seu cu, implorando favores, idolatrando, mas quando precisava de um ombro, todo mundo saía fora.
Candace fez com Taylor igual fez com Aubrey momentos atrás, jogou o celular e um iPod com força dentro da cesta que a monitora carregava, bufando de ódio.
— Tá vendo o que você fez? Não basta causar problemas só para si mesma, precisa causar pra todo mundo. — provocou, sentando-se em sua cama.
— Menina, vai se foder!
! — Taylor repreendeu. — venha comigo, Dannel quer falar com você.
— Mas é claro que ele quer! — bufou.
Saiu pisando forte, nem esperando Taylor e já indo direto para o escritório do dono do acampamento.
A porta estava aberta e a sala cheia, com todos os monitores do acampamento, cada um carregando uma cesta igual a de Taylor. entrou sem se anunciar, mas freou ao ver já sentado na mesma cadeira de sermão de sempre.
, sente-se. — Dannel indicou.
. De alguma forma, sua voz não estava tão odiosa como sempre esteve em todas as outras chamadas de atenção.
então se virou para observá-la. Estava desapontado. Havia sido traído. Era a primeira vez que se viam depois da noite anterior… Ele sabia que não devia ter deixado-a filmar… por que não preveu que ia dar errado? Sempre dava!
Ela sentiu alguém atrás de si e viu Taylor.
— Obrigado, Taylor. Este é o último. Feche a porta, por favor — Dannel disse, e a indicou para que ela ficasse junto aos outros monitores. Taylor obedeceu.
Martin encarava e fez um sinal negativo com a cabeça, como se tivesse desapontado.
Quem ele pensava que era pra achar alguma coisa daquela porra toda? Ela mesma ainda nem tinha tido tempo para lidar com o fato que o momento mais íntimo da sua vida agora era de conhecimento de um acampamento inteiro… provavelmente até fora dele!
— Eu os entrego a chave de uma sala e digo que estou confiando em vocês, vocês vão e fazem o que? Me apunhalam pelas costas! — socou a mesa, fazendo os objetos nela pularem, e também.
— Dannel, me faça o favor, todo mundo transa aqui. Só porque o meu foi parar na internet você faz esse auê todo? — ficou balançando a cabeça.
— Como é que é? — ele silabou, e esticou o pescoço em direção à garota.
— É isso mesmo que você ouviu. — ela se levantou na cadeira e peitou o diretor. — se você acha que o pessoal aqui é santinho, sinto muito em te dar a notícia… Experimenta passar perto do dormitório dez por volta das onze da noite pra ver. Mas alguém pegou meu celular, estou o procurando há horas, pode perguntar pras meninas do meu dormitório. — indicou o lado de fora, com raiva. — não vem pagar pau pra mim, nós que somos as vítimas dessa história. Não tinham o direito de invadir nossa privacidade e vazar o vídeo pra todo mundo.
E se sentou novamente. A sala ficou imersa no silêncio.
Dannel havia acabado de levar um tapa na cara imaginário vindo de uma campista na frente de vários empregados. Era show que ele queria? Era show que ele teria. Com ela era assim, oito ou oitenta. Definitivamente ele precisava de aulas administrativas com Peter .
Todo mundo na sala prendia a respiração.
Ele encheu o peito e soltou o ar de uma vez.
— Tenham certeza de que esse vídeo seja destruído. — apontou para os monitores. — descubram todos os lugares que ele foi enviado e eliminem, contratem profissionais se preciso. Daqui para frente, será proibido os campistas terem acesso à internet dentro do acampamento e a entrada de aparelhos eletrônicos… Podem ir. — dispensou os empregados com a mão. fitou o seu próprio celular na mesa dele, bem na sua frente, a centímetros de distância dela. Quando todos saíram e ficaram apenas os três dentro da sala, Dannel voltou a falar. — Quanto a vocês dois… — suspirou e sentou-se. — eu mesmo liguei para a casa de vocês. Suas mães estão a caminho para buscá-los.
— O quê? Você contou pra minha mãe? — deu um pulo na cadeira.
— Graças a Deus! — jogou os braços para o alto, falando no mesmo momento que o amigo.
e Dannel a olharam de forma curiosa, a garota nada disse sobre aquilo.
— E o meu celular? — apontou para ele com o queixo.
— Bem, o vídeo é seu… — ele colocou o dedo na tela do aparelho e o empurrou até a garota. — você decide.
Ela o pegou em suas mãos e olhou para . Ele também estava confuso.
— Vemos isso depois.
assentiu.
— Senhor , acredito que sua mãe ainda demorará um pouco para chegar aqui, por morar mais longe, então está dispensado para ir arrumar suas coisas.
— E eu? — se pronunciou logo, se perguntando por que diabos tinha tratamento diferenciado ou era obrigada a passar mais tempo com uma pessoa detestável igual aquele homem. ia se retirar, mas parou quando percebeu a preocupação da garota.
— Acredito que sua mãe chegará de Londres dentro de poucas horas. Elas pegariam o primeiro voo até Bern. Nossos motoristas as buscarão no aeroporto, para que possam assinar termos sobre a expulsão de vocês. Está dispensada também. — mostrou a porta.
Ela assentiu.
Quando estava saindo e puxando a porta para fechá-la, a voz de Dannel ecoou pela sala.
? Melhor ficar longe da Marie.
A garota fingiu que nem ouviu e fechou a porta sem hesitar por um segundo sequer.
Senhor Bausilio ainda não havia percebido que ela era péssima em obedecer ordens.

But do you feel like a young god?
You know the two of us are just young gods
And we'll be flying through the streets with the people underneath
And they're running, running, running


Paz, era tudo o que ele queria, mas sabia que não teria por um bom tempo, principalmente quando sua mãe chegasse. Ele iria ouvir umas poucas e boas, e como! Já começava a desejar ter um tampão no ouvido só para não ouvir os belos sermões vindo de sua mãe. Ela não era do tipo de pessoa que falava e pronto, passaria dias e mais dias e ela ainda tocaria no assunto. Fodido era a palavra certa para ele.
Havia insistido tanto a Helena, sua mãe, para ir ao acampamento, alegando que queria espairecer a mente após seu término com Jesse. Logo de início sua mãe havia sido contra, por causa da distância do local em relação onde moravam, mas vendo a situação do filho, logo seu coração amoleceu e dias depois já estavam vendo sua inscrição.
Decepcionada, irritada, com vontade de matá-lo, de um jeito ou de outro, ele estava fodido.
— Dude, que situação. — ouviu Brian dizer atrás de si, entregando-lhe o restante das suas coisas que estava no banheiro. — Mas pense pelo lado bom, vocês marcaram esse acampamento, você não é mais virgem, e ainda foi com a . — às vezes ele se perguntava o que tinha na cabeça de Brian, porque cérebro que não era. Apenas revirou os olhos, terminando de ajeitar a mala.
— Brian, deixa o cara, não percebe que a cada palavra que você fala, ele quer te matar? — Tom disse, se aproximando. Pelo menos tinha alguém sensato naquele quarto. — Espero que achem quem fez isso com vocês, cara. — suspirou.
— Eu também, mas por parte, foi minha culpa de ter aceitado aquela ideia idiota de gravar.
— Mas vocês nunca imaginariam que iria vazar. Querendo ou não, é uma intimidade sua e dela. — Tom rebateu, pondo a mão no ombro do amigo. — Mas bem, vou sentir sua falta.
— Tom, você mora na rua de trás da minha. — disse em um tom óbvio, vendo o amigo dar de ombros.
— Eu sei, deixa eu só ter meu momento, posso? — o amigo disse, fingindo uma mágoa diante das palavras, o que fez rir um pouco. O abraço inesperado partiu de Tom, e logo em seguida Brian fez o mesmo, despedindo-se do amigo.
— Bem, minha mãe chega em poucas horas e queria dar uma volta pelo acampamento.
— Vamos com você, para não correr o risco de se meter mais em confusão. — ouviu Brian dizer, já caminhando em direção a porta. Revirou os olhos, seguindo os amigos.

[...]


Nem acreditava que teria que ir embora na metade do acampamento, entretanto, os dias ali até que valeram a pena. O que era para relaxar havia se tornado uma aventura única que além de marcá-lo, havia marcado o acampamento Lago Tune. Por onde passava, ouvia os murmúrios das pessoas e seus olharem nele. Alguns demonstravam que se importavam com o fato ocorrido, chegando nele e agradecendo pela aventura no dia da surpresa no acampamento vizinho, já outros apenas encarava-o.
Ele e haviam se tornado lendas naquele acampamento. Haviam feito história, com certeza os fatos iriam rolar por meses e meses, mesmo que Dannel tentasse evitar.
… Não que estivesse magoado com ela, pois sabia que a culpa não era somente dela, porém ele não queria ir embora sem se despedir dela. A jovem havia, querendo ou não, se tornado importante para ele, ambos não mereciam uma despedida qualquer.
Enquanto seu foco estava longe da conversa que Brian e Tom mantinham, sua atenção involuntariamente se voltou em um papo de duas garotas em uma das árvores, perto do teatro.
— Estou mal pela e , eles não mereciam ser expulsos assim. Eu tentei falar com meu pai, mas ele não me ouviu. — percebeu então que a voz era de Marie. Queria se despedir dela, a garota tinha sido uma pessoa maravilhosa com ele e sentia-se mal por não ter colocado-a em certas situações. Queria pelo menos despedir-se dela. Foi então caminhando em sua direção, sem que ela e a outra garota percebesse, enquanto isso, o diálogo continuava.
— Pena de que? Ela conseguiu o que queria, não conseguiu? Ela não está saindo daqui em desvantagem.
— Eu sei, Candace. Digo em relação ao vídeo, não foi justo ter vazado.
— Claro que foi, burrinha. Isso foi a prova de que ela cumpriu a aposta e ficou com ele. — a feição de tranquilidade que antes estava estampada na face de , aos poucos ia se transformando em uma pura confusão. Do que elas estavam falando? Aposta? Que aposta? E com quem? — Ela apostou que ficaria com o filho do senador, e ficou. Fim de papo.
— Apostar com quem? — a voz irritadiça de assustou as duas, que ao ver a feição do rapaz, sentiu as pernas estremecerem.
… Qu-que surpresa você aqui. — Marie logo se pôs a frente. — Eu tentei fazer o que pude, mas…
— Marie, não muda de assunto. — disse o garoto com a voz grossa. — Quem apostou o quê?
— Na-nada, você ouviu errado. Esquece isso…
— Marie…
— Ai, que drama vocês. — Candace deu a voz, bufando em seguida. — Já está tudo em uma merda mesmo, não tem como piorar. — ela deu um passo para frente, jogando Marie para atrás de si. — Então, bonitinho, a fez uma aposta com a gente de que ficaria com você, e bem, ela conseguiu. Sinta-se como um prêmio para ela. — a loira disse na lata, estalando a língua no céu da boca. estava pasmo, ficou processando por um tempo toda a informação, e direcionou seu olhar para Marie.
Não, ela tinha que dizer que Candace estava tirando sarro com sua cara, como ela sempre fazia com o pessoal. Mas ao contrário do que esperava, Marie apenas suspirou fundo, já dando a entender de que aquele assunto era verdadeiro.
, eu não sei o que dizer, mas tenho total certeza de que gosta de você. Ela não fez por mal, apenas queria ficar com você e… — ele sentiu sua veia estremecer. Uma raiva súbita tomou conta de si e logo suas mãos formaram um punho.
Ela havia brincado como ele, brincado com tudo o que eles passaram e com o que ela havia se tornado para ele.
— Gostar de mim? — soltou seu sarcasmo. — Você acha que uma pessoa que brinca com a outra tem um sentimento de gostar?
… Por favor… — Marie implorava, mas o garoto não deu ouvidos. Precisava ir a procura de o mais rápido possível para tirar satisfações daquilo. Saiu em largos passos, deixando os dois amigos, Candace e uma Marie preocupada para trás.

[...]


— Merda de acampamento. Graças a Deus vou me livrar disso aqui. Até nunca mais. — jogou a pedra na superfície do lago que deu três pulinhos e logo afundou. Dava graças a Deus de que nunca mais veria Dannel, odiava com todas as forças aquele cara e se dependesse dela, aquele acampamento iria à merda. Tinha pena de Marie ter um pai tão… Ela não tinha nem adjetivos para complementar. Fazia alguns minutos que ela estava ali, sozinha, apenas com aquela magnífica vista do lago. Talvez somente aquilo ela sentiria falta, e claro, e Marie. E que por falar neles, ela ainda teria que ir atrás deles para se despedir.
Uma despedida não tão agradável para ela. Fechou os olhos tentando permanecer calma e não pensar tanto no quanto iria ouvir de sua mãe. Mas logo seu ponto de paz foi interrompido por uma voz firme e sarcástica.
— Então seu plano todo era se aproximar para ficar comigo? — assustada, a garota virou-se rapidamente, dando de cara com , que tentava a todo custo controlar sua raiva. Ele ainda possuía a esperança de que Candace só falara aquilo para afetar, de alguma maneira, ambos, entretanto, parte dele acreditara que realmente podia ser verdade. De , ele esperava tudo.
Mas a garota não disse nada, havia sido pega de surpresa e a única coisa que fez foi apenas se levantar, para encará-lo melhor diante daquela situação. riu, mas não uma risada com humor, seu riso era de puro sarcasmo.
— Quando você veio até a mim, me puxando para ser seu par na atividade de teatro, eu deveria ter recusado. — começou a explicar com sua voz firme. — Não entendia por que diante de tantas pessoas, você escolheu a mim para ser seu par. Aquilo me intrigou e mesmo sabendo quem era você, queria saber até onde você iria com todo aquele papo de me conhecer mais. Você foi a fundo com isso, me fazendo perceber que eu estava sendo um completo idiota por ter agido tão friamente com uma garota que apenas queria ser minha amiga.
... — ela tentou falar, mas logo foi interrompida.
— Eu não acabei, . — … por que sempre que ouvia esse nome ela sentia que coisa boa não era?
— Eu confiei em você, me abri para uma estranha, coisa que eu não faço. Eu fui seu parceiro, seu amigo… — a cada palavra dita, seu tom ódio e sua firmeza só aumentavam. — para no final descobrir que tudo isso era parte de uma aposta para você ficar comigo?
Já não bastava ter passado por tudo o que passou naquele dia, a chave de ouro havia chegado com . estava incrédula diante das palavras dele, não queria perder aquela amizade. Como ele havia descoberto tudo aquilo? Seria possível que Marie tivesse dito a ele? Não, não podia, ela não seria capaz…
, não é bem assim… — tentou-se explicar, vendo o rapaz revirar os olhos em um puro sarcasmo.
— Não é bem assim… Que piada boa… — ele riu. — Vai me dizer que suas amigas estão mentindo? — engoliu seco. Tudo já estava uma merda, tinha que piorar tanto assim?
— Elas não mentiram, mas… — tratou de dar ênfase na última palavra. — Eu não fiz por mal. No início, sim, eu queria só ficar com você, mas depois as coisas foram ficando tão boas que…
— Eu não acredito em você, . Você… Você me enganou, me usou, eu estou me sentindo… Usado por uma pessoa que eu considerava amiga!
, não precisa… — tentou se aproximar, mas o garoto recuou. — Não acredito que você vai me tratar assim! Estou sendo sincera com você! Eu errei, me desculpa, mas não podemos terminar desse jeito!
— Você deveria ter sido sincera comigo desde o início! — seu tom de voz já estava elevado, assim como o de .
— Mas eu estou sendo agora, não percebe?! — ambos já estavam gritando, no píer. Sorte que ninguém passava por ali naquele momento, não seria bom ter uma plateia.
— Você é um problema, ! Um problema! Eu dediquei boa parte do meu tempo aqui para ficar com você, para entrar em suas aventuras… — pôs as mãos nas têmporas, massageando-as em seguida. — Céus, como fui tão estúpido?!
— Você não é estúpido, foram ótimos momentos, em minha opinião. — ela tentou se aproximar novamente. — Nunca mais iremos nos ver, não percebe que não podemos terminar assim? — o olhar seco que ele deu para ela, a estremeceu internamente. Ele estava puto, com raiva, se sentindo traído. Odiava quando alguém brincava com seus sentimentos, e não havia respeitado isso. Continuar aquela discussão não iria adiantar em nada. Apenas abaixou os braços, suspirando em seguida. Seu olhar para a garota não transparecia mais a raiva, mas sim indignação, decepção.
— Eu pensei que tivéssemos criado uma amizade, mas você conseguiu transformar tudo isso em desgosto. E assim como você disse lá na sala, eu repito: graças a Deus que estou indo embora. — sem dizer mais nada, ele apenas se virou, deixando apenas observando sua imagem sumir em meio ao acampamento.

But do you feel like a young god?
You know the two of us are just young gods
And we'll be flying through the streets with the people underneath
And they're running, running, running again

14 de fevereiro de 2016, Nova Iorque, Estados Unidos


— Como se sente? Voltando onde tudo começou, no desfile da minha mãe, um ano depois? — ele perguntou, finalmente conseguindo um pouco da atenção da namorada, puxando-a pela mão até um canto após a mulher dar algumas entrevistas.
— Estou em êxtase. — soltou o ar de uma vez. Sentia seu interior todo tremer, queria dar pulinhos de alegria e tudo mais.
— Fico feliz por você — colocou a mão na cintura da modelo e a puxou para perto, unindo seus corpos e lhe deu um beijo no queixo. Ela fechou os olhos, aproveitando as borboletas no estômago que aquele garoto lhe causava.
Quando voltou a encará-lo, viu uma pessoa atrás dele que capturou totalmente sua atenção.
? — desviou-se de e caminhou até o homem, com o coração acelerado e desviando-se de outras pessoas no caminho.
! — ele acenou e a garota parou em sua frente. — estava atrás de você! Cara, não conseguia acreditar que era você mesma quando te vi na passarela!
— Meu Deus, quanto tempo! — levou as mãos à cabeça. — espera, é você mesmo, não é? Ou é o gêmeo? — ela estendeu os braços para lhe abraçar, notando que agora era mais alta que ele. Quando ele soltou a mão de uma criança ao seu lado para abraçá-la, foi que a modelo notou-a ali.
— Sou eu mesmo. — riu.
— Quem é essa coisa mais linda? Não me diga que você teve uma filha! — disse animada e se abaixou para falar com a pequena, nem ligando para o quê havia dito. a conhecia, pelo menos conheceu, sabia como ela era direta.
O homem caiu na gargalhada.
— Não, não… Essa é Luna, minha irmã.
— Oi, lindinha!
— Oi! — disse timidamente, levando uma mão à boca e se aproximando das pernas do irmão. — você também é linda.
— Obrigada! Seu irmão teve bom gosto — ela se levantou e piscou para ele com um olho só, deixando-o ruborizado. — meu Deus, como você mudou… está mais…
— Velho? — sugeriu.
— Eu ia dizer “homem”.
— Eu não era homem antes?
— Você era um rapaz. — fez careta e ele riu com gosto, dando um longo suspiro depois. — o quê faz aqui?
— Ela gosta de moda. Estávamos na vizinhança, achei legal trazê-la. — deu de ombros. — oh, olá. — estendeu a mão para alguém ao lado da mulher e ela se virou, vendo seu namorado ali.
, esse é meu namorado, . — sorriu de um para o outro. estava com a cara fechada, mas retribuiu o cumprimento. Ela já conhecia aquela feição séria muito bem e adorava demais quando ela aparecia, porque era o momento que ela mais podia provocá-lo. — ele é filho da Victoria .
— Oh! Prazer em conhecê-lo.
— Igualmente. — sorriu sem mostrar os dentes, soltando as mãos.
— Outro dia estava lembrando do acampamento… do vídeo e tudo mais. — a garota riu e arqueou as sobrancelhas, voltando a encará-la. Ela estava tão diferente, tão radiante… Parecia outra pessoa por dentro, mas por fora era a mesma gostosa do acampamento.
— Nossa, é verdade… Também já pensei muito nisso… Nunca chegamos a descobrir quem o vazou. — lamentou, pegando a irmã no colo.
— É verdade… — falou no mesmo tom.
— Não foi você, né?
arregalou os olhos e começou a rir.
— Claro que não, ! Socorro! — pôs a mão em seu ombro, rindo, e ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços. Ela não conseguia evitar, adora vê-lo com ciúmes.
— Me desculpa, mas era uma dúvida que eu tive na época… Fiquei com tanta raiva do quê aconteceu que… Ah, deixa.
— Eu também fiquei. Quando você me largou no píer, eu corri até o depósito, deletei o vídeo e depois esmaguei meu celular com um martelo.
— Você o quê? — virou o ouvido pra ela, tentando ver se havia ouvido direito.
— Pois é…
— Uou! Isso foi fodão.
— Você sabe que eu sou foda. — deu uma piscadela, deixando-o corado mais uma vez. Ela aparentemente havia elevado o nível de seu jogo exponencialmente.
— E você manteve contato com alguém?
— Marie me mandou mensagem quando a temporada acabou, me falando que o pai dela estava atrás de ideias para manter os clientes, já que havia banido aparelhos eletrônicos, e que ela havia sugerido levar uma celebridade artística diferente a cada ano. Aparentemente ele gostou da ideia. Depois ele descobriu que ela conversava comigo e perdemos o contato.
— Sério? — arregalou os olhos e a modelo assentiu. Às vezes tinha vontade em saber como ela estava, mas não tinha tempo para procurá-la. Sua vida era outra.
— Sim…
— Acho que fomos os primeiros. Você, na verdade. Você é famosa agora, já joguei seu nome no Google agora há pouco. Eu continuo sendo eu. — deu de ombros.
— Bem, seu pai agora é o presidente, você é bem famoso também.
— Não tanto quanto você.
— Você é filho do Presidente ? — disse, surpreso, mostrando-se presente mais uma vez. assentiu. — Uau.
— Olha quem fala, .
— É, talvez. — deu de ombros sorrindo, adorando toda aquela atenção.
— De qualquer forma, parabéns pelas conquistas. — deu dois tapinhas no ombro da modelo.
— Obrigada, . — sorriu.
— Você foi incrível hoje.
Ela fingiu estar envergonhada e percebeu a postura de mudar ao seu lado, passando a mão na sua cintura.
— Eu realmente aprecio isso. — sorriu, agradecendo, — agora, se me der licença… Ainda tenho algumas entrevistas.
— Foi bom revê-la. — sorriu e acenou, a modelo retribuiu o gesto e saiu andando com o namorado.
— Quem é aquele? — perguntou, passando o braço pelos ombros da mulher. Ela riu.
— Alguém que eu já peguei. — deu de ombros.
— Sério?
— Sério. — assentiu.
— Não gostei dele. — deu de ombros também, e passou a encarar as coisas à sua frente. riu.
— Aparentemente você não gosta de nenhum deles… Talvez você devesse saber que eu perdi minha virgindade com ele e agradecê-lo por ter me iniciado no ramo. — provocou, jurando a si mesma que seria a última que diria em relação a .
— Se for assim, eu deveria agradecer Anthony por te deixar uma deusa do sexo. — retrucou, finalmente percebendo o jogo da namorada.
Ela travou os pés no chão e entrelaçou seus dedos.
— Eca. Você sabe mesmo acabar com o clima, não?
— Aprendi com a melhor. — piscou provocativo e riu.

(And we'll be running, running, running again)
(And we'll be running, running, running)


Fim


Nota das autoras: ACAMPAMENTO LAGO TUNE IRÁ RETORNAR.

Berrie

Livzinha tem instinto maternal desde sempre, né, amores? Quem gostou da Marie levanta a mão! E não se preocupem que ainda ~planejamos~ tê-la por aqui de novo! não prometo nada porque cês me conhecem
Gostaram de saber como a deusa do sexo do BB começou no ramo? Eu adorei escrevê-la, apesar da enorme dificuldade que encontrei em lidar com um personagem que não é meu, o Nathan. E também com o fato que eu não via química neles porque eu só ficava pensando no Brooklyn. Mas gostei muito dele, é uma personalidade quase igual a da nossa babá-modelo, então foram muitas faíscas every now and then.
E pra quem não leu BNE e/ou AB ainda, aqui fica um convite. Aguardamos vocês lá! Só espero que vocês não tenham se afeiçoado com o ship errado. Beijos!
PS: GENTE, QUEM LEMBRA DA EMMA? DE FALECIDA SLEEPING IN WONDERLAND? ME CONTA SE ESSA FIC NÃO FOI O MAIOR CROSSOVER QUE VOCÊ JÁ VIU?

Fanfics: Best Nanny Ever (Restrita - Em Andamento)
If Every Day Was Christmas (Outros - Shortfic) Especial de Natal de Best Nanny Ever
Vide (Restrita - Finalizada)
01. Best Song Ever (Ficstape Midnight Memories, One Direction - Restrita, Finalizada)
02. Send My Love (To Your New Lover) (Ficstape 25, Adele - finalizada)
02. Story of My Life (Ficstape Midnight Memories, One Direction - Finalizada)
02. Who's That Boy (Ficstape Unbroken, Demi Lovato - Finalizada)
04. Neon Lights (Ficstape DEMI, Demi Lovato - Finalizada)
05. Run Wild (Ficstape 24/Seven, Big Time Rush - Finalizada)
05. Unconditionally (Ficstape Prism, Katy Perry - Finalizada)
06. Nightingale (Ficstape DEMI, Demi Lovato - Finalizada) Spin-off de Vide
07. Fearless (Ficstape Fearless, Taylor Swift - Restrita, Finalizada)
08. Confetti Falling (Ficstape 24/Seven, Big Time Rush - Finalizada) Spin-off de Best Nanny Ever
08 Forget Forever (Ficstape For You, Selena Gomez - Finalizada) Spin-off de Best Nanny Ever
08. Happily (Ficstape Midnight Memories, One Direction - Finalizada)
08. Never Grow Up (Ficstape Speak Now, Taylor Swift - Finalizada) Spin-off de Vide
09. Olivia (Ficstape Made in the A.M., One Direction - Restrita, Finalizada) Especial de Ano Novo de Best Nanny Ever
10. A Year Without Rain (Ficstape For You, Selena Gomez - Finalizada)
10. Give Your Heart a Break (Ficstape Unbroken, Demi Lovato - Finalizada)
11. Witchcraft (Ficstape Fifty Shades of Grey - Restrita, Finalizada)
11. You're Not Alone (Ficstape Elevate, Big Time Rush - Finalizada) Spin-off de Best Nanny Ever
15. Young God (Ficstape Badlands, Halsey - Restrita, Finalizada) Spin-off de Best Nanny Ever, crossover com American Boy, da Mandie
17. Superman (Ficstape Speak Now, Taylor Swift - Restrita, Finalizada)
18. The Best Day (Ficstape Fearless, Taylor Swift - Finalizada) Spin-off de Vide

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Mandie

Se tem uma coisa que mais me prende do que escrever cenas durante o meu bloqueio, é escrever notas de autora, mas bem, vamos lá! Como sempre, gostaria de agradecer do fundo do meu core as leituras e comentários que vocês deixaram - vocês irão deixar, certo? rs - e dizer que foi muito divertido voltar um pouco no passado do meu personagem principal, escrever em uma outra perspectiva dele (quem lê American Boy sabe do temperamento deste ser) e ainda por cima entrar mais no mundo de Best Nanny Ever! Espero que tenham gostado e fiquem ligados, pois as inscrições para o acampamento Lago Tune irão retornar ❤

Fanfics: American Boy {Outros/Em Andamento}
Game Of Fame {Outros/Finalizada}
Rota 66 {Outros/Shortfic}
01. Heart Attack {Ficstape DEMI, Demi Lovato}
03. All Over Again {Ficstape Elevate, Big Time Rush}
05. Two Pieces {Ficstape DEMI, Demi Lovato}
05. Love Bug - continuação de 05. Two Pieces {Ficstape A Little Bit Longer, Jonas Brothers}
05. Run Wild {Ficstape 24/Seven, Big Time Rush}
06. My Dilemma {Ficstape For You, Selena Gomez}
08. Happily {Ficstape Midnight Memories, One Direction}
08. Fifteen {Ficstape Fearless, Taylor Swift}
10. Give Your Heart A Break {Ficstape Unbroken, Demi Lovato}
14. Lost In Love {Ficstape 24/Seven, Big Time Rush}
15. Ours {Ficstape Speak Now, Taylor Swift}

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