18. All in it






Última atualização: 27/07/2017

“Don't do nothing unless you're all in it”

Eu tinha acabado de sair do palco do evento lotado onde eu tinha chorado igual um bebê. Mesmo já no backstage, eu ainda continuava a derramar uma lágrima aqui e ali. Aquela frase ecoava em minha mente como se fosse ontem que eu a tivesse ouvido. Segui o corredor até meu camarim sem falar com ninguém, andando rápido e de cabeça baixa. Apesar de ter chorado pra todo o público do VMA e, consequentemente pro mundo, eu odiava que me vissem naquele estado.
Eu não sei explicar o que foi que eu senti quando olhei aquela multidão no VMA me aplaudindo e cantando copiosamente comigo. Eu só sei que, talvez, eu me senti um pouco apavorado com o monte de câmeras, com os últimos acontecimentos, e com as coisas péssimas que eu tinha ouvido recentemente de pessoas que eu amava e de outras que eu não dava à mínima. Talvez eu estivesse me achando um lixo de ser humano, que mesmo só fazendo merdas ainda recebe amor de outras pessoas.
Entrei no camarim e fechei a porta na hora, não dando brecha pra ninguém. E eu chorei mais ainda lá dentro, até sentir minha garganta e meu nariz travarem. Eu estava confuso, com medo, não parecia que eu estava acostumado com todos os flashes e atenção exclusiva desde os meus 14, 15 anos. Naquele momento eu parecia um amador. Assim que tive esse pensamento, logo soltei um risinho, imaginando a voz de Élise me dizendo que eu não era amador, mas sim um ser humano.
Meu celular tocou em cima da bancada de maquiagem e eu me encarei no espelho, vendo meu estado deplorável antes de pegar o aparelho pronto pra desligar na cara de quem fosse. Já não bastava o mundo me ver chorando, eu ainda ia ter que aguentar ligações do tipo “Justin, você foi ótimo” ou “você entrar pendurado naquela coisa foi demais” e até mesmo “genial esse choro no fim, as pessoas vão se comover muito”. Mas quando li o nome de Élise ali no visor, eu sabia que não ia ouvir nada daquilo que tinha pensado.
- Justin – ela disse com a voz embargada e eu sorri minimamente – Justin – ela repetiu, mas eu simplesmente não conseguia responder – Justin, você foi maravilhoso e não se culpe por todas as emoções que vieram à tona naquele momento. Você merece tudo o que tem, você é amado e eu sei que é difícil passar por tudo e que eu aqui falando não adianta nada, mas, Justin, você tem total permissão para se deixar levar pelas emoções. Você não errou, você não foi amador, você foi humano, e sempre se lembre que todo mundo nesse planeta já fez merdas. Só, por favor, não esqueça que até mesmo fazer o que a gente ama traz alguns aspectos negativos – ela parou pra puxar o ar, já que tinha disparado a falar, e logo continuou - Sempre se lembre do que eu te falo, é tudo consequência. Justin, don’t do nothing unless...
-... you’re all in it – completei junto com ela
- Porque se você se entregar de todo o coração e quebrar a cara, é nesse amor que você vai se agarrar pra poder se reerguer – eu ouvi Élise ofegar e eu tinha certeza que ela esteve chorando também – Eu te amo, Justin.
E então ela desligou.

Aquele era um dos poucos dias de folga que eu tinha conseguido antes de entrar definitivamente em turnê pelo álbum novo. Minha casa estava quieta demais e então eu rolei pro lado na cama me permitindo dormir mais um pouco. Sabia que, em breve Jazmyn e Jaxon chegariam em casa loucos para passarem um pouco do tempo comigo. Olhei meu celular que marcava nove da manhã e bocejei, desbloqueando a tela, que já abriu na conversa que eu tive com Élise antes de capotar de sono na noite anterior. Tivemos uma pequena briga, mas nada demais. Élise às vezes sabia ser bem irritante, e na noite passada ela estava mais irritante que o normal. Ela não parava de me mandar mensagens dizendo umas coisas desconexas que eu não estava entendendo e aquilo me deixou possesso. Eu não tinha tempo pra TPM, ainda mais nos meus dias de folga.
A última mensagem que Élise tinha me mandado foi às 4 da manhã, e nessa hora eu já estava no meu terceiro sono. “Bom, eu tentei, mas não tenho culpa se você é um imbecil. Tchau, Bieber” era o que dizia o texto que eu tinha acabado de ler. Bufei e joguei o celular na cama. Eu me resolveria com Élise mais tarde, de qualquer jeito. Não era como se ela pudesse fugir de mim. Coloquei uma música para tocar no rádio e, então, tentei ficar deitado só curtindo o momento. Eu não fazia isso com tanta frequência, mas estava um pouco cansado da vida frenética e queria descansar um pouco.
Mas aparentemente descanso era a última coisa que eu teria. Ouvi passos rápidos ecoarem pela casa juntamente com um chorinho que eu reconheci imediatamente como de Jazzy. Só me preparei psicologicamente para o que viria a seguir. Ela abriu a porta do meu quarto de forma estrondosa e só então percebi que o chorinho dela não tinha nada de “inho”. Ela estava até soluçando. A garota pulou na minha cama, fazendo com que meu celular voasse e caísse no chão. Eu só observei e esperei. Jazmyn geralmente chorava assim quando brigava com as amigas, e eu entendia o porquê do choro. Era difícil pra uma criança de sete anos lidar com um bando de gente interesseira se aproximando dela só porque ela era uma Bieber.
Eu abri a boca pra perguntar o que estava acontecendo, quando ela me olhou com uma careta e só chorou mais ainda. Até o momento eu estava normal, controlado. Mas quando Jaxon passou pela porta chorando também, eu comecei a sentir o desespero dar as caras. Eles não tinham brigado entre si, porque se tivessem, não estariam jamais juntos no mesmo ambiente tão cedo. Tinha alguma coisa a mais ali. Jaxon fez a mesma coisa que a irmã, só que de forma mais dramática, e se jogou na cama de barriga pra baixo, chorando nos lençóis brancos.
- Vocês vão me falar o que está acontecendo, ou só vão ficar chorando aqui? Eu devo chorar também?
Vi meu pai colocando a cabeça pra dentro da porta do quarto, como se estivesse checando que as crianças estavam ali. Ele me acenou com a cabeça e depois sumiu de vista. Ótimo, eu ia ter que lidar sozinho com aquilo acontecendo ali na minha frente.
- Eu não sei o que está acontecendo aqui, mas eu queria... – comecei dizendo, mas fui interrompido pelo berro de Jazzy.
- Élise vai embora do país!
Eu só consegui rir, porque não podia ser verdade, ela teria me contado. - Quem te disse isso? Claro que não.
- A diretora da escola avisou a gente, Justin – ela disse com o rosto todo vermelho – Eles marcaram uma reunião com o papai pra avisar que vamos ter uma professora nova semana que vem – ela disse e vi o corpinho de Jaxon se remexer mais, como se ele estivesse intensificando o choro.
Rolei os olhos para aquela cena dos dois e tentei ser o mais neutro possível.
- Élise não vai embora, ela não pode. Isso foi só uma brincadeira de mau gosto.
Jaxon disse alguma coisa inaudível e eu o puxei pelo ombro pra que ele virasse de lado e eu pudesse, pelo menos, fazer uma leitura labial naquela criança.
- A gente acabou de sair da casa dela, Justin – ele disse fungando – Papai levou a gente lá pra se despedir, a casa dela parecia o Minecraft, só tinha caixas pra todos os lugares.
- Não! – foi só o que eu consegui dizer incrédulo antes de me jogar nos pés da cama pra tentar alcançar o celular que Jazmyn tinha deixado cair. Desbloqueei a tela com certa dificuldade e fui direto à conversa de Élise. E, como num universo paralelo, tudo que ela tinha me dito naquela maldita conversa fez sentido e eu senti minha garganta travar.
Pulei da cama e segui a passos firmes pela casa tentando achar meu pai, enquanto sentia que estava sendo seguido pelos meus irmãos. A mão que não estava segurando o celular estava em punho e eu senti uma leve dor de cabeça começar a surgir de tanto que eu estava pressionando minha mandíbula. Meu pai aparentemente não estava em lugar nenhum e eu berrei seu nome de forma precisa, o que até fez minha garganta arder. Fui encontrá-lo somente perto do lago de casa, jogando comida para os peixes. Seus olhos se esbugalharam em minha direção, logo desviando para um nível mais baixo, vendo meus irmãos ao meu lado.
Cheguei perto dele em poucos segundos e já descarreguei:
- Que palhaçada é essa que a Élise vai embora do país?
- Ela decidiu voltar pro país dela, Justin – ele disse sereno – As crianças já estão sentindo a falta dela, não sei o que fazer e a diretora da esco...
- Por que você não me contou? – interrompi furioso.
- Que ela ia embora? Não sei, você fala com ela todo dia, quem devia ter te contado era ela e não eu – ele constatou o óbvio.
Gritei em frustração e voltei pra dentro de casa de novo. Ouvi os passos dos meus irmãos atrás de mim, mas fechei a porta do meu quarto antes que eles pudessem chegar. Tranquei a maçaneta e me joguei na cama, eu sabia que tudo aquilo que estava acontecendo era minha culpa. Eu sabia disso.
Disquei o número de Élise, mas ela não me atendeu.
Nem naquele dia, nem em outro dia qualquer.

Élise estava no bar, sentada a uma mesa e com uma caneca de cerveja enorme a sua frente, lendo alguma coisa no celular. Eu demorei mais do que o normal, mas era devido ao fluxo de pessoas naquela merda de ambiente querendo vir falar comigo. Aquele não era um dia bom para vir falar comigo. Muito menos para me fotografar. Tanto que eu tinha mandado um paparazzi se foder e com certeza aquilo ia estampar algum jornal na manhã seguinte.
Era estranho me encontrar com Élise num lugar público. A gente sempre se via na minha casa, na dela ou na casa de amigos em comum. Até estranhei ela se arriscar a ser vista comigo ali naquele bar, mas relevei. Ela sabia o que fazia.
Quando Élise me viu, ela deu um sorrisinho de lado meio debochado, meio aliviado. Eu revirei meus olhos, porque sabia que ela ia fazer alguma piadinha como “chegou cedo pro próximo rolê”. Sentei-me a mesa e bebi a cerveja da caneca dela sem nem mesmo perguntar. Eu estava uma pilha de nervos e não ia pedir permissão pra beber a cerveja dela, pelo amor de Deus. Ela apenas me observou por cima da armação de seus óculos de grau e ergueu uma sobrancelha.
- Já vi que seu humor hoje está uma merda – ela disse, erguendo o braço para o garçom, indicando que queria mais uma caneca de cerveja.
- Você podia ter escolhido um lugar menos cheio pra gente sair, né?
- Quem mora em LA há mais de seis anos aqui é você, Bieber. Não eu. Eu não tenho um vasto conhecimento das atrações dessa cidade.
- Qualquer coisa ia ser menos cheio que isso aqui – falei a encarando – Da próxima vez eu escolho, então.
Élise sorriu suspirando pesadamente, de uma forma triste e pesarosa. Em seguida ela confirmou ironicamente com a cabeça. Era engraçado como ela nunca abaixava a guarda recentemente.
- Como foi à semana? – ela questionou, recebendo a cerveja do garçom com um sorriso gentil e dando um gole em seguida.
- A mesma coisa de sempre. Parece que eu não tenho um minuto de paz na minha vida, mesmo na minha semana de folga – suspirei e ela continuou me olhando – Eu tive que fazer umas fotos para a Calvin Klein que vai sair no ano que vem, eu acho. Depois eu tive que acertar umas coisas da minha apresentação no VMA, aquela mesma apresentação que você não vai e não me disse o porquê.
Élise riu, bebendo mais da cerveja.
- Eu não sou famosa, portanto consigo manter minha privacidade e alguns segredos só pra mim, sem que o mundo inteiro saiba meus motivos – ela jogou brincalhona e eu coloquei minha mão no peito dramaticamente.
- Outch! – disse e ri em seguida – Bom, depois eu fui pro estúdio terminar uns retoques pro álbum que o produtor me pediu. Fiz bastante coisa – ela concordou com a cabeça e eu continuei – E você? O que fez essa semana além de limpar meleca do nariz do Jaxon e dizer pra Jazmyn que as princesas da Disney são a cara dela?
Ela rolou os olhos brevemente dando um risinho.
- Bom, eu ajudei meus quinze alunos mais novos a pintarem lindos desenhos abstratos, depois aprendemos alguns nomes de plantas e animais e então brincamos no jardim da escola. Foi muito cansativo e eu não recebi nem um quinto do que você recebeu só por tirar uma foto de cueca na frente de uma merda de uma estátua.
- Jeremy Bieber vai ficar sabendo que a professorinha da escola que ele paga pros filhos anda reclamando do salário, Élise – brinquei e ela me mostrou o dedo do meio – Eu nunca vou entender como você aguenta isso.
- Nem eu – ela disse, dando vários goles na cerveja – Mas a gente nunca entende o amor, não é? Eu gosto do que faço e...
- Já sei, já sei. Don’t do nothing unless you’re heart is in it.
- Tá vendo como eu sou uma ótima professora? Já tá sabendo muito bem, Justin.
- Claro, com você me repetindo isso a todo o momento, quem não vai lembrar?
- Por favor, não desdenhe a pessoa que te ajudou a sair da fossa mais de uma vez, obrigada.
- Você tem razão, desculpe – disse sério e ela sorriu gentil.
- E como você está?
Aquela pergunta... Élise sempre me perguntava aquilo e era engraçado ver como minha resposta mudava de acordo com os meses.
- Hoje eu acho que estou bem. Ela me chamou pra conversar. Não foi horrível, mas também não foi super tranquilo. Eu não sei. Fiquei pensando nas coisas que você me disse.
- Eu não disse nada, você sozinho chegou às conclusões.
- Ok, Sócrates – brinquei e Élise estufou o peito de orgulho por eu tê-la chamado pelo nome do filósofo que ela idolatrava – Fiquei pensando naquilo de que eu posso me dedicar o quanto for e ganhar vários prêmios por isso, mas nem todo mundo vai reconhecer e retribuir da mesma forma.
- O que não significa que você não será reconhecido por absolutamente ninguém – ela completou.
- Sim, sim. Eu sei. Mas é que, sei lá. Você acha que a Selena não reconhece o tanto que eu me dedico a ela?
- E você se dedica a ela, Justin? – Élise questionou desafiadora e eu me irritei com aquele tom.
- Do meu jeito torto, sim – ela fez uma cara de quem não acreditava no que eu estava falando – Enfim, você acha?
- Justin, não sou eu que tenho que achar. Não sou eu quem namoro a menina desde meus sei lá, cinco anos de idade.
Ri do seu exagero e logo imergi em meus próprios pensamentos. Élise sempre me dizia que eu tinha que aproveitar o momento. E era isso que eu fazia. Quando eu e Selena brigávamos e eu ia dormir com a primeira modelo que aparecia na minha frente, eu estava aproveitando o momento. Élise costumava me dizer que eu era um imbecil que não sabia nada de Literatura. E obviamente eu não sabia mesmo. Segundo ela, o tal “Carpe diem - aproveite o momento” era pra ser feito de forma equilibrada, racional. Ela sempre me acusava de pensar mais com a cabeça de baixo, e eu concordava com ela. Mas eu era assim. E isso a levava a me dizer que eu era a única coisa que ficava no meio dos meus relacionamentos estranhos, que eu mesmo era meu oponente.
Dependendo do dia eu concordava com o que Élise dizia. Às vezes eu realmente pensava, às vezes eu cagava pra ela e só ia aproveitar a vida do meu jeito. Hoje era um dia que eu ficava no meio termo, e Élise sabia disso, por isso não forçava. Tudo que ela podia ter me dito, eu já tinha ouvido. Cabia a mim refletir mais sobre.
- A gente vai se ver amanhã – disse calmo e ela me olhou sorrindo minimamente.
Não culpava Élise por não estar feliz com aquela informação, porque nem eu sabia se estava. Nossa relação não estava lá essas coisas depois do último mês... Mas mesmo assim ela sempre, sempre me ajudava depois de uma longa conversa, briga ou recaída com Selena ou qualquer outra.
- Eu não vou falar pra você ter juízo porque é como se eu dissesse pra um cachorro que ele não pode correr atrás do próprio rabo: inútil. Mas eu também não sei até onde aguento ouvir você se lamentar sobre seu relacionamento com ela.
- Você não é obrigada a isso – respondi bravo
- Eu sei que não. Mas eu sou sua amiga – ela frisou a última palavra, remetendo a conversa que tivemos semanas antes.
Suspirei vendo Élise terminar sua cerveja e erguer o braço para o garçom novamente enquanto eu sentia meu celular vibrando em cima da mesa indicando uma mensagem do assunto daquela conversa: Gomez.
Apesar de Élise, aquela noite foi péssima.

Tinha decidido buscar Jaxon e Jazzy na escola aquele dia. Fazia mais ou menos uma semana que eu não via ou falava com Élise. Pelo que Jazmyn tinha me dito semana passada durante uma ligação pelo Facetime, ela estava tendo algumas provinhas e, com certeza, uma delas era de Élise. Juntando uma coisa na outra, ela devia estar muito atarefada com coisas de professora pra poder perder tempo falando com Justin Bieber...
Estava me achando um idiota por tentar ver se conseguia, pelo menos, ver Élise de longe. Não estava com ciúme dela não ter tido tanto tempo pra mim, mas não era como se eu fosse bater palmas praquilo. Eu mal ficava em LA, e quando estava, ela simplesmente me ignorava por dias. Aquilo não era certo... Ainda mais depois da situação que nós tínhamos passado recentemente. Élise sempre foi muito sincera comigo, e eu também, mas é que eu estava tão confuso e perdido com tudo que acabava fazendo merda ou omitindo algumas coisas. Não era por mal.
Dirigi meu carro preto pelas ruas, muito feliz por não ter chamado a atenção de ninguém. Meu pai já sabia que eu ia buscar as crianças e levá-las para minha casa, então fiz o trajeto ouvindo um rap qualquer em uma rádio qualquer. Meu coração estava palpitando e minhas mãos agarradas no volante. Eu estava parecendo um retardado, eu sei.
Virei à esquina e parei com o carro na frente da escola. Sabia que não ia ter pais de alunos ali me enchendo o saco pedindo fotos e tal porque aquela escola era meio diferenciada. Era uma escola digamos que especial para celebridades. Ou seja, não é como se Angelina Jolie fosse buscar seus filhos lá e aproveitar a saidinha pra me tietar. Quem geralmente buscava as crianças eram as babás e, quando um pai famoso aparecia, todo mundo já estava acostumado. Élise que o diga, pois foi numa dessas vezes que eu acabei a conhecendo.
Desci do carro e atravessei a rua, entrando no local. As recepcionistas me cumprimentaram por “olá, senhor Bieber” e eu me senti com a idade do meu pai. Sorri pra elas e segui reto no corredor, parando na frente da sala que eu sabia que Jaxon estava tendo aula com Élise. Não tinha mais ninguém ali além de mim, eu tinha chegado um pouco cedo demais, mas melhor assim. Tive tempo de responder alguns e-mails enquanto isso. Nem percebi o tempo passar até ouvir a porta se abrir e várias crianças passarem por mim. Algumas vinham falar comigo e me abraçar, outras saiam correndo desesperadas e outras apenas acenavam. Jaxon foi o último a sair porque tinha ficado na sala conversando com “Mademoiselle Bernard”.
Fiquei espiando pela porta Jaxon tentar conversar alguma coisa em Francês com Élise, e ela entendia perfeitamente. Eu até que compreendia um pouco daquele idioma, tanto que soube exatamente o que Élise respondeu pro meu irmão, mas sei lá... Entender crianças americanas falando Francês era demais pra mim, aquela mulher na minha frente tinha realmente um dom.
- Justin! – Jaxon berrou e correu até mim e eu o peguei no colo.
Élise se aproximou de nós sorrindo.
- Jaxon, n’oublie pas ton devoir, ça va? – ela disse, pedindo para meu irmão não se esquecer de fazer a tarefa.
- Oui, mademoiselle Bernard, ça va – meu irmão respondeu meio entediado com aquele sotaque carregado e eu ri.
- Ne fais pas ça, Justin! – ela me repreendeu, dizendo para eu não fazer aquilo de rir do sotaque do meu irmão.
- Pardon – frisei meu Francês e acabamos rindo – Já terminou por hoje? Onde está Jazzy?
Élise precisou pensar um pouco.
- Acho que na sala de música. Vamos conferir – ela disse voltando pra dentro da sala, fechando as janelas, arrumando as carteiras e pegando seu material, voltando até nós – Pronto, agora sim eu acabei por hoje.
Seguimos no corredor conversando sobre o rendimento do Jaxon e eu sabia que Élise ali era a “professora Bernard” e não minha amiga Élise. Ela estava sendo profissional demais.
Paramos na frente de uma porta que dava pra sala de música e vi Jazmyn conversando com algumas amiguinhas. Assim que ela me viu, correu até mim, me abraçando pelas pernas. Era muito bom receber aquele carinho dos meus irmãos, nós éramos muito próximos.
- Justin, vamos embora logo, eu tô morrendo de fome – ela disse urgente e Élise riu.
- Bom, meninos. Até amanhã. Não esqueçam as suas tarefas! – Élise disse e foi saindo, mas eu tive que pará-la.
- Vamos almoçar com a gente em casa – disse calmamente e os olhos dela se arregalaram.
- Justin, você não pode me tratar como sua amiga aqui no meu ambiente de trabalho. Eu não posso sair com você daqui.
- Não estou te oferecendo carona, tô te oferecendo um almoço quando você sair do seu ambiente de trabalho – disse fazendo uma careta no final ao repetir as palavras dela.
Élise pensou por um momento e então concordou com a cabeça.
- Tudo bem, por via das dúvidas vou estar na frente daquele parque na rua de baixo casualmente com o carro parado atendendo uma ligação quando você casualmente passar e eu casualmente te oferecer uma carona – disse já seguindo com Jaxon ainda em meu colo e Jazzy segurando minha mão.
Élise piscou marota e foi para a sala dos professores.
Como combinado, Élise apareceu na rua de baixo e entrou no meu carro meio rápido demais. Fomos o caminho inteiro conversando, Jaxon e Jazzy não se cabiam de alegria de ter a professora como amiga. Élise me disse que isso podia trazer problemas para ela na escola, mas segundo ela, ela já tinha tido uma conversa com a diretora explicando nossa situação.
Chegamos em casa e a comida já estava pronta porque pedi para meu chef particular ir preparando tudo. Élise odiava o fato deu ter um chef para cozinhar pra mim. Almoçamos todos juntos e em seguida passamos a tarde jogando vídeo game até a hora que Jaxon e Jazzy resolveram capotar de sono em seus quartos.
Aproveitei a ausência dos meus irmãos para poder tomar minha postura de “Justin Bieber quando está perto de Élise”, que era ser eu mesmo, sem me preocupar com os palavrões e o vocabulário meio vulgar. Deitei-me em minha cama enquanto Élise estava no meu computador escolhendo alguma música no Spotify. Ela já estava acostumada com a minha casa, e eu me lembrava constantemente da primeira vez que ela esteve lá. Era hilário.
- Por que você me evitou durante essa semana? – perguntei meio que baixo demais e ela só moveu os ombros, ainda de costas pra mim.
- Eu estava ocupada montando e corrigindo provas dos alunos – respondeu, me dando uma breve olhada por cima do ombro.
- Eu sei que tem coisa além disso.
- Então por que você está perguntando?
Rolei meus olhos em resposta e me sentei na cama.
- Eu quero saber qual era essa coisa.
- Justin – ela disse meu nome daquele jeito dela ao mesmo tempo em que revirava os olhos e virava a cadeira de frente pra mim – Eu tô fazendo nosso combinado.
- Eu nenhum momento do nosso combinado eu pedi pra você se afastar de mim.
- Mas eu não me afastei – ela falou irritada levantando os braços e se levantando na cadeira, seguindo até a janela – Eu estava ocupada.
- Não acredito em você.
Élise suspirou pesadamente e eu vi seus olhos ficando um pouco avermelhados. Não, ela não podia estar chorando bem ali na minha frente de novo. Eu já tinha começado a ficar desesperado.
- O que você quer que eu fale, Justin? Que eu tenho que ter um tempo pra mim mesma, pra me adaptar a tudo aquilo que nós combinamos? Por que você tá me fazendo dizer isso se no fundo você já sabe?
Engoli em seco, pensando como eu estava sendo babaca. Eu não respondi e apenas olhei pra baixo, porque não tinha o que ser dito. Na verdade tinha, mas nós já tínhamos estabelecido aquela coisa toda exatamente ali, no meu quarto, três semanas atrás.
- Eu vou pra minha casa, tudo bem, Justin? – ela disse indo até a porta.
- Eu te levo – falei prontamente, me pondo em pé.
- Vou pedir para Joey me levar – ela disse calma, se referindo ao meu motorista – Melhor eu não vir mais aqui na sua casa, quando quisermos sair, vamos para um bar.
Élise andou até mim e me deu um beijo macio e úmido na minha bochecha e eu fechei os olhos. Só os abri quando ouvi a porta do meu quarto ser aberta e, em seguida, fechada.
Merda.

- Olha aqui – Élise me disse enquanto enfiava um pedaço de papel na frente da câmera dela – Olha o que sua irmã respondeu na atividade de hoje.
Tentei focar no que aparecia na tela do meu celular, mas estava tudo desfocado além da imagem estar espelhada, me impedindo de achar a coerência naquele garrancho de letra que Jazzy ainda tinha.
- Não consigo entender, lê pra mim – pedi, bebendo minha cerveja.
Élise revirou os olhos ali na tela do celular e eu ri.
- “A lembrança mais engraçada que eu tenho do meu irmão foi quando ele caiu do palco uma vez e eu ri tanto que achei que minha barriga ia explodir”. Aí quando eu li isso, eu logo quis rir também, porque imagina que hilário ver o Justin Bieber cair no meio de um show – ela falou já tendo um ataque de risos.
Eu também ri, mas de incredulidade. Não era possível que Élise fez o que eu achei que ela faria.
- E então, - ela continuou – eu corri pro Youtube e digitei “Justin Bieber caindo” e eu juro por Deus que eu vi todos os vídeos de você caindo e foi à coisa mais acertada da minha vida – ela enxugou uma lágrima que caia de tanta risada – Por favor, não pare nunca de cair.
- Nossa, Élise. Quantos anos você tem? Ficar rindo da desgraça alheia... Sabia que cada tombo que eu levo, é uma dor que me segue por uma semana?
- Tô pouco me fodendo pra sua dor, eu quero mais é rir de você beijando o chão.
- Ainda bem que eu estou aqui em Nova York, porque se eu tivesse em LA, eu ia na sua casa agora pra te dar uma lição.
- Ah, é? E o que você ia fazer? – ela questionou erguendo uma sobrancelha.
Eu sorri malicioso, mas parece que nós dois nos demos conta do que estávamos fazendo e os sorrisos sumiram dos nossos rostos ao mesmo tempo. Élise me disse um “opa” baixinho ao mesmo tempo em que eu disse que era melhor desligar porque estava na hora de sair, já que eu tinha combinado coisas com umas pessoas de Nova York.
Finalizamos a ligação e eu me joguei na cama do hotel, olhando pro teto e imaginando se, algum dia, nós não íamos nos sentir tão constrangidos com aquela situação. Eu esperava que sim.

JB [6:17 p.m.] eu sou um babaca, me desculpa?
Élise [6:26 p.m.] ok
JB [6:26 p.m.] ok eu sou mesmo um babaca ou ok te desculpo?
Élise [6:28 p.m.] os dois
JB [6:29 p.m.] eu nunca devia ter dito aquilo pra você, eu sei
Élise [6:30 p.m.] que bom que você sabe...
Élise [6:31 p.m.] mas tudo bem, nós dois erramos, você por ser um babaca que só fala merda nas horas erradas e eu por acreditar em tudo que meu cérebro inventa
JB [6:33 p.m.] ?? como assim?
Élise [6:35 p.m.] esquece, estamos bem.
Élise [6:35 p.m.] amigos?
JB [6:35 p.m.] nos seus ou nos meus termos?
Élise [6:36 p.m.] faz alguma diferença?
JB [6:36 p.m.] sim
Élise [6:37p.m.] nos meus
JB [6:38 p.m.] e quais são seus termos?
Élise [6:40 p.m.] a gente descobre com o tempo.
JB [6:44 p.m.] ok.


Apesar de eu estar furioso, eu sabia a dimensão da merda que tinha causado. Élise me olhava descabelada e praticamente bufava, eu não estava muito diferente dela. Minhas mãos estavam fechadas em punho e eu estava tentando me controlar para não gritar com ela mais uma vez. Eu nunca tinha gritado com Élise e aquilo me assustou e a assustou. Tentei normalizar minha respiração, o que estava parecendo funcionar minimamente.
- Eu não acredito que você me disse isso – ela falou ainda me olhando com aqueles olhos vermelhos que eu sabia que iam chorar em breve – Eu... Eu não... Você é um babaca.
Puxei meus cabelos com as mãos e dei um grito abafado ao mesmo tempo em que me virava de costas pra ela. Parecia que eu estava fora de mim, era como se eu não tivesse controle e aquilo estava me deixando muito mal.
- Você nunca podia ter me dito isso, Bieber. Nunca! – ela falou enquanto me virava bruscamente pra olhar em meus olhos e aquilo tinha me matado.
Eu não queria enfrentar Élise dessa forma, não olhando praqueles olhos que transbordavam decepção ali naquele momento.
- O que você esperava de mim, Élise? – disse tentando não soar dez tons mais alto – Eu sou humano, porra!
- Isso não te dá o direito de ser imbecil!
- Sentir ciúme é ser imbecil? – eu disse e logo continuei sem dar tempo dela se defender – Eu senti ciúme daquele escroto e eu não consegui controlar. Por que você transou com ele mesmo? Qual seu problema?
- Qual o meu problema? – ela perguntou esganiçando – Eu não tenho problema, é você quem tem, Justin. Eu NUNCA falei nada das milhares de meninas que você fica. Você nunca me ouviu falar uma merda sequer pra você. E agora você quer... – eu a interrompi de novo.
- Você não podia ter feito isso!
- Como você tem coragem de dizer isso? – seu peito subia e descia freneticamente – Quantas vezes eu te ajudei quando você usava as garotas e aí dava alguma merda e você não tinha com quem desabafar? Quantas foram às vezes que... – eu avancei até Élise começando minha frase, mas ela apenas ergueu o dedo indicador e apontou na minha cara – Eu juro por Deus que se você me interromper de novo, Justin Bieber, eu arrebento a sua cara – ela parou pra respirar e eu engoli em seco – Quantas vezes você não vinha chorar PRA MIM sobre a merda que era seu relacionamento com a Selena? Quantas vezes, me fala? Sobre quantas fodas suas eu já não te ouvi comentar comigo? E eu reclamava? Questionava? Cobrava? Humilhava? Agora na primeira vez que você descobre que, olha só que surpresa, eu tenho uma vida sexual ativa por aí, você me xinga e diz essas coisas?
- Você me colocou nessa situação, Élise. Foi você quem fez isso – eu disse enquanto olhava para todos os cantos do meu quarto tentando achar as palavras – Você simplesmente despejou essa informação em mim bem no dia em que eu não estou bem.
Élise riu sarcástica.
- E quando você está bem, Justin? Você é um moleque. O seu psicológico é ridículo, já passou da hora de você amadurecer esses seus pensamentos e assumir a culpa das coisas que você faz. Você é ridículo! Você não sabe como tratar uma mulher, você acha que enfiar seu pinto no meio das pernas alheias é a solução pra tudo.
- Você não sabe de nada em relação a como eu trato uma mulher, você é só uma amiga.
Élise abriu a boca diversas vezes como se estivesse frustrada e então cruzou todo meu quarto, chegando até a porta.
- É, eu realmente não sei como você trata uma mulher porque sou mesmo só uma amiga. Aliás, eu acho que nem como amiga você me vê. Pra você eu devo ser só mais um depósito de porra, não é mesmo? – ela riu – Vai se foder, Justin.
Eu mal ouvi o baque da porta quando ela saiu do quarto, porque suas palavras tinham me acertado como um tiro.
Eu realmente era um babaca.


Era como se tivessem mil pessoas dentro da minha casa naquele momento. Só que eu sabia que não tinha ninguém. Rolei na cama enquanto minha cabeça latejava de dor devido ao porre que tomei na última noite num bar. Coloquei o travesseiro por cima da minha cabeça tentando abafar o som, mas não adiantou. Suspirei frustrado e olhei as horas. Duas e quinze da tarde. Pra quem tinha ido deitar as sete, até que não tinha dormido tão pouco...
Sai do quarto e fui pro banheiro tomar um banho pra ver se eu acordava. Em seguida me perdi no meu closet tentando achar alguma coisa e, finalmente, desci as escadas de casa indo até a cozinha onde, aparentemente, o barulho estava.
A cena que vi foi diferente do que imaginava. Pensei que meus irmãos estavam jogando e se matando nas competições. Ledo engano. Jaxon e Jazzy estavam sentados na mesa da cozinha ao lado de Élise. Havia um notebook na frente dos três e meus irmãos tinham seus cadernos da escola em mãos. Percebi que um desenho animado Francês estava sendo reproduzido no computador com um som extremamente alto. Por vezes Élise dava pause para explicar alguma coisa pras crianças, e ela os ajudava a tomar notas.
Meu pai apareceu atrás de mim e me explicou que meus irmãos estavam tendo uma aula de reforço já que tinham ido mal em uma prova. Élise sempre os ajudava quando coisas assim aconteciam. Embora eu quisesse ter ido até lá falar com a francesa a minha frente, meu pai me impediu. “Ela está trabalhando, deixa ela fazer o serviço em paz”. Tive que concordar, infelizmente.
Dei a volta pela casa e resolvi tomar café em alguma cafeteria ao redor da minha casa, mesmo quase sendo três da tarde. Fiz o caminho a pé, mesmo sabendo que me arrependeria assim que virasse a primeira rua e desse de cara com um paparazzi. Dito e feito. Eles ficaram me seguindo por quarteirões mesmo que eu já tivesse pedido para que eles tirassem uma última foto e parassem de me seguir. O engraçado era que eu já conhecia aqueles rostos de cor, eles já sabiam de cor o meu discurso de “de quantas fotos vocês precisam?” e ainda assim continuavam. E aquilo era uma porra.
Depois de muito custo, consegui chegar naquele Café que eu ia às vezes e comi em paz, sem muita interação com as pessoas. Mas isso logo foi interrompido quando meu celular tocou e, um tempo depois, eu estava no escritório do meu empresário discutindo coisas referentes à turnê mundial. Eu ainda tinha uns bons meses antes de começá-la, mas já estava ansioso. O álbum novo era outro tópico de nossa conversa. Por mais que eu estivesse trabalhando nele há anos, ainda faltavam algumas coisas que me irritavam, por isso, mesmo muito perto da data de lançamento, eu ainda retocava algumas coisas aqui e ali.
O dia era pra ter sido de folga, mas acabei passando à tarde com Scooter resolvendo alguns pepinos. Tinha planejado tomar café e voltar pra casa para conversar com Élise, pois eu estava agoniado e ela era uma das poucas pessoas que conseguia me tirar da minha própria obscuridade. Algumas noites atrás eu tinha tido uma recaída e usado um pouco de alguma droga sintética que fez com que eu me lembrasse de como foi meu 2013 e tudo de péssimo que me aconteceu. Eu passei os últimos dias de mau humor, instável e chorando, sentindo cada pedaço do meu corpo se arrepender do que tinha feito durante um momento de insanidade numa balada.
Mesmo que conversar com Élise fosse à porta de saída pra minha auto depreciação, eu sabia que não teria isso nesse dia. Meus planos não tinham dado certo e o máximo que eu encontraria quando chegasse em casa era meus irmãos brincando pelo jardim ou dormindo depois do longo dia de estudos. E só isso já tinha me deixado frustrado. Élise ocupava um papel importantíssimo na minha vida. Enquanto a maioria das pessoas se aproximava de mim pelo dinheiro, ela se interessava primeiramente pelos meus irmãos e o bem-estar deles. Isso contava muito pra mim, pois estar comigo era só uma consequência do amor que ela sentia por Jaxon e Jazzy.
Voltei para casa sob a luz da lua e tudo estava silencioso. Constatei que minha família não estava lá, e confirmei isso assim que uma das governantas passou por mim se despedindo e avisando que meu pai tinha ido embora com as crianças. Agradeci à senhora e subi direto pro meu quarto. E sim, tomei um susto quando ouvi música pelos corredores e, andando até meu aposento, encontrei Élise sentada na frente do meu computador.
Bati a porta com força na intenção de assustá-la e ela quase caiu da cadeira ao mesmo tempo em que soltava um palavrão em um grito. Ela se virou pra mim já com o dedo do meio levantado e eu ri, me jogando na cama, em seguida empurrando meus tênis com meus próprios pés. Podia ouvi-la xingar baixo enquanto tentava controlar sua respiração.
- Achei que você tinha ido embora – constatei.
- Eu acho que eu devia ter ido mesmo, mas muito estranho vir na sua casa, com você em LA, e não te dar pelo menos um oi.
Ela estava agora deitando na cama também.
- Sábia escolha. Eu não ando muito bem – confidenciei enquanto suspirava – Eu queria conversar sobre o que tá me deixando mal, mas não quero te perturbar.
- Não perturba – ela sorriu gentil daquele jeito dela e eu sorri junto.
Não demorou muito e minha boca estava na dela, num daqueles beijos que ela me dava e que me deixavam tranquilos. Também não demorou muito até que estivéssemos os dois cansados e nus jogados na cama esperando que nossas respirações se normalizassem.
Jogamos conversa fora mais um tempo e, em seguida, Élise informou que precisava voltar pra casa já que, aparentemente, ela teria um encontro.
- Encontro? – indaguei vendo-a em pé já vestindo suas roupas
- Sim, com aquele cara que te disse que conheci na festa de uma amiga – ela sorriu e eu fiz uma careta lembrando daquele tipo patético que era o cara que ela ia sair – Você tem certeza que vai ficar bem? Não quer me contar o que aconteceu?
Suspirei.
- Algumas noites atrás, em D.C, eu estava em uma festa e tinha uma modelo que eu já tinha visto no Instagram. A gente ficou, rolou e ela me ofereceu alguma droga e bateu muito forte, eu passei mal e muita coisa voltou na minha mente, foi horrível – despejei.
- De novo pensando com o pau – ela constatou, meio que como se esperasse isso de mim – Quando você vai aprender a não ser escravo de vaginas, Justin? – ela disse séria.
Aquilo tinha me deixado um pouco irritado. Eu estava esperando por uma Élise compreensiva e não por uma tão acusadora quanto minha própria consciência.
- Achei que você ia reagir de outra forma, não sei. Eu não tô bem – repliquei.
- Não, Justin. Não tem como ser branda quando você ainda comete os mesmo erros de sempre, mesmo depois de todas as nossas conversas e de todas as vezes que você quebrou a cara.
- Se fosse pra você me culpar mais, eu nem teria te contado do ocorrido.
- Você só quer ouvir o que te agrada. Você sabe que eu não sou assim, Justin. Você tá sofrendo as consequências dos seus atos. Fazer uma coisa dessas não é algo inusitado pra você. Nós sabemos de cor e salteado as reações dessa ação. Não tem como eu te isentar da culpa – ela suspirou pesado – Enquanto você achar que a vida é só sair pegando mulheres por aí, se entupindo de bebida e se deixando levar por qualquer coisa que te falam pra fazer, como se você fosse um deus ou um tipo de ser intocável, imortal, você vai continuar se sentindo assim. E eu não posso mudar isso.
- Primeiro, eu não concordo com o que você disse. Eu não acho que a vida é só ficar com mulher e se entupir de bebida...
- Mas é basicamente só isso o que você faz. E faz inconsequentemente. Equilíbrio, Justin! Lembra?
- Bom, não sou eu quem está indo num encontro com um cara logo depois de umas horas de sexo comigo.
- Não tem comparação. Eu transo com você há cerca de um ano e nesse meio tempo eu só fiquei com mais quatro pessoas além de você. E outra, nós não temos nada, e ficar com essas duas pessoas não me deixou com a consciência pesada porque eu sei medir as consequências.
- Quatro? – eu questionei porque, na minha mente, aquela conta não estava certa – Quatro, Élise? – me coloquei de pé em sua frente.
- Quatro. Eu saí ontem também com esse cara de hoje, a gente transou e... – eu não consegui ouvir mais nada do que ela tinha falado. Era como se um véu negro de fúria tivesse caído sobre mim.
- Então você vai esquentar duas camas hoje, Élise?
- Cala a boca, Justin – ela disse começando a ficar vermelha.
- Você não tem vergonha? – questionei irado.
- Vergonha? De ser livre, solteira e fazer o que gosto, quando quero? Não tenho vergonha disso. Nenhuma – ela respondeu quase gritando.
- Eu sair com a modelo é motivo de culpa e vergonha, mas você não? Sei – conclui em tom alto e rindo sarcástico.
- Bieber, você faz o que você quiser, eu tô pouco me fodendo. Só que o que você faz quando está alto só vai foder com você mesmo mais tarde. Isso não me atinge. Eu não botei a culpa desse seu estado emocional em você, porque quem causou isso foi você mesmo. Eu posso sair e transar com quantos caras eu quiser porque eu tenho consciência dos meus atos e sei os meus limites, eu sei até onde eu aguento sem ter que lidar com o remorso depois.
Eu estava irado com esse discursinho dela. Como ela tinha coragem de dormir com um cara no dia anterior, dormir comigo hoje e sair mais tarde com o mesmo cara? Pelo amor de Deus, Élise estava completamente fora de si.
- É, quem aqui não sabia até onde você aguentava era eu. Dois em uma noite... Aguenta até que bastante, mais do que muita... – a continuação berrada da minha frase morreu em minha boca quando vi o olhar fulminante de Élise em mim.
Meu ódio estava refletido no rosto dela e logo constatei que talvez eu não devesse ter dito aquilo em hipótese alguma.


Jazmyn me encarava pela tela do meu celular com um olhar de muita felicidade. Deixar crianças lerem os jornais devia ser proibido. Ela me ligava sempre que eu aparecia estampado na capa de algum tabloide com uma manchete afirmando que eu estava namorando a “morena de cabelos curtos que já fora vista inúmeras vezes com o Biebs”. Claro que do meu lado na foto estava Élise e é por isso que minha irmã estava surtando no Facetime.
Era o sonho dela e de Jaxon que eu namorasse aquela francesa. E sempre que manchetes desse tipo apareciam, eles me ligavam perguntando se era verdade. E eu sempre tinha que negar. E eles sempre brigavam comigo. Mas como explicar o conceito de amizade com benefícios pra crianças? Não tem como, eles iam demorar uns bons anos pra entender tudo...
- Mas você gosta dela – Jaz disse fazendo biquinho
- Gosto, Jaz – respondi suspirando – Mas gosto dela do mesmo jeito que você gosta dela.
- Claro que não, Justin! – ela ergueu as mãos, o que fez com que eu pudesse ver tudo que tinha atrás dela, já que ela segurava o celular – É diferente, você é um garoto, ela é uma garota e vocês tem a mesma idade – seu rosto agora estava focado novamente.
- E garotos só podem namorar garotas? – questionei,
- Não, Justin – ela respondeu como se aquilo fosse óbvio e eu ri, pois estava conseguindo deixar Jazmyn irritada – Todo mundo pode namorar todo mundo, contanto que tenha amor e você ama a Élise e ela te ama também.
- Sim, a gente se ama, mas como amigos.
Ouvi minha irmã bufar e revirar os olhos. Ela fez uma pausa e me encarou com um semblante que beirava a pena e a derrota.
- Tanto faz, Justin. Você é um bananão mesmo. Um dia você vai ver como eu estava certa. Tchau, eu vou fazer tarefa. Bom show.
Desligamos e eu fiquei pensando como crianças eram criativas... Ainda bem que essas ideias malucas passavam com o tempo.


- Você vai vir em casa hoje mesmo? – Élise perguntou no telefone enquanto eu estava saindo do estúdio – Porque olha, eu não tenho nada pra comer e eu tô cansada.
- Vou – respondi simplesmente, nem ligando pro que ela tinha dito sobre estar cansada e eu a ouvi bufar – Você quer pizza ou comida chinesa?
- Que pergunta inútil – eu pude visualizá-la revirando os olhos
- Ok, pizza de queijo? Eu chego depois das nove. Até mais.
Desliguei nem dando tempo dela responder. Assim que Élise me visse, ela ficaria bem. Era sempre assim. E eu também estava ansioso pra poder passar umas horas tranquilas sem ter de me preocupar com gravações, turnês, comerciais e tudo mais. Por isso que resolvi meus problemas com certa pressa e as nove e meia eu estava no sofá da casa da francesa, enquanto devorávamos a pizza e assistíamos qualquer coisa na Netflix.
Élise tinha me contado do seu dia me dizendo que tudo estava bem, mas eu tinha certeza que algo estava fora do lugar. Ela aparentava estar triste e aquilo não era só cansaço. Tentei tirar algo dela, mas não consegui. Então resolvi dar o espaço que ela queria e mudei de assunto.
- Acho que eu vou comprar um carro novo.
- Pra quê? – foi tudo que ela disse
- Pra dirigir?
- Justin Bieber você já tem zilhões de carros. Pra que mais um?
- Por que sim?
- Você não consegue dirigir mais de um carro ao mesmo tempo, Justin. Pra que esse exagero? Isso não vai te fazer mais feliz...
- Você é muito chata, Élise. Eu não estou te pedindo permissão.
- Ai, você é muito materialista, Justin. Às vezes eu tenho a impressão que você quer provar algo para as pessoas o tempo todo, sabe? Que você tem que mostrar que é o melhor, o mais rico, mais bonito. Mas sabe, a vida não é assim.
- Élise, eu tenho dinheiro pra comprar um carro e se eu quiser, eu vou comprar a porra do carro. É pra isso que a gente tem dinheiro, pra comprar coisas, não é?
- Materialista e imbecil – ela disse tirando as pernas que estavam esticadas em meu colo e se levantando, indo até a cozinha – Não sei por que eu tenho algum vínculo com você. Não sei por que você está aqui. Não era pra você estar em cima de um palco em algum lugar do mundo ou por aí comendo mulheres?
- Eu não sou materialista – falei firme enquanto entrava na cozinha.
- Imagina se fosse. Onde estão aqueles animais de estimação que você comprou? Aquele macaco? Aquele pássaro estranho? Cadê?
- Élise, por favor. Não vamos começar.
- Vamos começar sim, Justin! Parece que você está perdido na vida, sabe? Você não sabe aproveitar o que tem de forma equilibrada, você só quer se mostrar e não pensa com moderação. É como se você não se aceitasse e precisasse ficar provando as coisas, sei lá.
- Eu sou famoso no mundo todo, Élise – falei em um tom de voz mais alto – Eu preciso me impor, as pessoas cobram de mim, o tempo todo. Você sabe como é não ter mais privacidade? Como é não poder ir até a esquina sem que te sigam? Sabe como é ter gente te cobrando trabalhos novos, shows novos, fotos, atenção, carinho tudo isso muitas vezes de forma rude e mal educada? É horrível! Eu tenho que atingir as expectativas das pessoas, é o meu trabalho, eu...
- Justin – ela me interrompeu, colocando as mãos no meu rosto. Eu estava desesperado, perdido em meio aqueles pensamentos – Você acredita em Deus? – balancei a cabeça afirmativamente – Você sabe que, independente de você ter casas, carros, fãs, ser famoso ou não, Deus te ama e Ele te acha perfeito, não sabe?
Eu não respondi. Na verdade, eu nunca tinha sequer parado para pensar nisso. Élise esperava uma resposta de mim, mas eu realmente não sabia o que responder.
- Bom, saiba disso. Ele te ama independente do que você tem ou é. E é nisso que você tem que se apegar, sabe? Porque esse mundo aqui é cruel, mas ele passa. Mas se tem uma coisa que não passa nunca, essa coisa é o amor. E Ele te ama.
Élise sorriu tranquila e eu me acalmei. Ela me puxou pra perto dela pela nuca e eu só acordei no dia seguinte, sozinho na cama bagunçada dela, sentindo seu cheiro e lembrando de toda a paz que ela me trazia.


Élise tinha começado com um papo de que a gente não devia se ver com tanta frequência porque isso podia ser prejudicial tanto pra ela quanto pra mim. Mas claro que no fim das contas, a gente nunca realmente fazia o que falávamos. Sempre que eu estava em LA, dava um jeito de aparecer na casa dela, ou chamá-la para a minha casa, ou até mesmo buscar Jaxon e Jazzy na escola. Meu pai e meus irmãos já estavam até que acostumados com a presença da professorinha sempre presente em nossas vidas e eu achava aquilo ótimo. Era sempre bom ter uma amiga por perto.
Eu entendia o lado dela, entendia que se a diretora da escola soubesse que uma das professoras dormia com o irmão de um dos alunos, a história não terminaria nada bem. Eu não achava justo que Élise sofresse por algo que nós dois fazíamos e, por isso mesmo, eu tinha dito para ela conversar com a diretora e explicar que nós éramos um casal. “Mas nós não somos um casal” foi o que Élise me disse na hora. Eu tive que explicar que era melhor mentir do que deixar que a diretora descobrisse nossa “relação” por meio da capa de um jornal.
A francesa compreendeu e optou por ter essa conversa com a chefa. Eu me sentia mais tranquilo agora que nossos encontros não eram mais em segredo e as coisas fluíram mais fáceis. Era ótimo ter Élise comigo.


- Aquela banda The Cure tem uma música que chama “Letters to Elise”, você já ouviu? – ela me perguntou enquanto mexia no meu computador
- Não – disse meio que sem me importar – Coloca aí pra gente ouvir – demandei e, logo depois, ouvi o som de uma música agradável ecoar no quarto.
- Quando você vai fazer uma música pra mim? – ela disse brincalhona
- Um dia, mas não vai ter seu nome na música porque eu acho isso brega.
- Meu Deus do céu, como você é chato, Bieber – ela falou rindo.
Nesse instante meu celular começou a apitar e eu li o nome de Selena na tela. Meu coração apertou e eu não sabia se atendia ou não. Élise me olhava, já entendendo o que estava acontecendo, e ela sorriu doce pra mim, me incentivando a atender o telefonema. Foi o que fiz, indo até a sacada, mas me arrependi no mesmo instante.
Falar com Selena sempre me deixava angustiado. Nosso caso sem fim e mal resolvido só fazia mal para nós dois, mas era como se nós fossemos imãs que se atraem incessantemente. A gente já tinha conversado sobre não ficarmos mais juntos, mas a saudade era sempre maior. Élise compreendia nossas idas e vindas e, quando eu estava com Selena, Élise mal falava comigo. Ela era muito correta e eu admirava aquilo, já que não era algo que eu conseguia ser.
Selena queria combinar alguma coisa comigo, para sairmos e conversamos sobre nós. De novo. Eu até poderia ir, mas ali, naquele momento, observando Élise pelo vidro da sacada enquanto ela estava compenetrada ouvindo a música do The Cure com seu nome, eu percebi que talvez não era com Selena que eu queria estar naquele momento. Ainda assim, concordei em encontrar minha ex-ou-não-tão-ex namorada. Desliguei o telefone e voltei para meu quarto. Élise me encarou sorrindo fraco como se já previsse o que ia acontecer.
- Acho que vou para minha casa – ela se apressou em dizer e eu suspirei. Odiava me sentir confuso.
- Ela quer me ver hoje, eu disse sim, mas na verdade eu não sei se quero. Vai ser a mesma coisa, eu já estou cansado, sabe?
- Você não precisa fazer nada que não queira – Élise disse se sentando ao meu lado e colocando a mão em meu joelho, acariciando-o.
- Vai ser a mesma coisa, vamos sair, a saudades vai bater, vamos nos beijar, ir pra casa dela, vamos resolver voltar, depois vamos magoar o outro de novo e... Eu não quero isso.
- Você não deve fazer nada a não ser que o seu coração esteja nisso que você quer, Justin.
Élise já tinha me dito essa frase algumas duas vezes antes, mas dessa vez eu tinha realmente compreendido o que ela queria dizer com aquelas palavras. Com isso, mandei uma mensagem para Selena cancelando nosso encontro e resolvi aproveitar que meu coração estava todo e inteiramente focado em passar aquela noite com Élise.
- Vou fazer uma música para você, não vai ter seu nome, como eu já disse, mas vai ter a frase que você mais fala pra mim.
- Don’t do nothing unless your heart’s in it? – ela questionou
- Essa mesmo – sorri beijando seus lábios.


Jaxon desceu as escadas e tomou um susto quando observou sua professora de Francês sentada na mesa da cozinha tomando café da manhã comigo. A cara que ele fez foi impagável. Seus olhinhos se arregalaram e ele tombou a cabeça, abrindo a boca levemente tentando falar alguma coisa. A essa altura Jazzy já estava gargalhando do irmão (o que eu não entendi, porque minutos antes ela estava na mesma posição de Jaxon, fazendo uma cara de dúvida ainda maior do que a dele).
- Eu juro que eu não fiz nada. O estojo do Tom que sumiu, eu coloquei atrás da lixeira, eu não joguei fora, se você for lá, vai achar – ele disse correndo até mim, abraçando minhas pernas.
Élise abriu a boca fingindo estar chocada com o que tinha ouvido e eu comecei a rir junto com Jazmyn. Meu irmão era muito burro, meu Deus do céu.
- Quer dizer que foi você, então, Jaxon? – Élise demandou num falso tom de acusação e meu irmão deu um risinho safado de quem sabe que fez merda e ainda estava orgulhoso disso – Vou lembrar disso amanhã na aula!
- É, seu bobão – disse tirando Jax de trás de mim – Élise não veio aqui por causa disso, agora você já se entregou!
- Não foi por causa disso? Então foi por quê?
- Ela veio passar o dia com a gente – Jazzy respondeu por nós – Papai disse que ela dormiu aqui porque tinha perdido a chave da casa dela – nessa hora, Élise corou fortemente e eu segurei uma risada – Ela dormiu no quarto de hóspedes.
- Ela poderia ter dormido com a gente – Jaxon interviu - Eu deixava você dormir na minha cama e eu dormia no chão porque é horrível dormir sozinho naquele quarto de hóspedes feio...
- Merci, Jaxon – Élise agradeceu sorrindo – Mas eu dormi muito bem, nem vi a hora passar. Achei o quarto super bonito. Só o colchão que era duro – ela disse me olhando com malícia e, pasmem, eu fiquei vermelho. Ainda bem que meus irmãos ainda eram crianças puras...
- Da próxima vez, você avisa a gente e dividimos nosso quarto com você! – Jazzy concluiu e Jaxon concordou.
- Não sei se volto a dormir aqui, meninos. Mas obrigada pela educação e hospitalidade.
Jax e Jazzy sorriram e voltaram à atenção para a comida, enquanto eu desci minha mão pelo tronco de Élise até chegar na parte interior de suas coxas e dar um apertão, tirando um suspiro baixo dela.
- Vamos ver se você não volta – sussurrei no seu ouvido e como resposta percebi sua pele se arrepiar.


Já fazia um mês e pouco que eu tinha conseguido levar a professora de Francês dos meus irmãos para sair. Desde então, a gente se via com certa regularidade. Era muito bom ter alguém legal e inteligente que topava sexo sem compromisso. Élise era uma mulher muito decidida e aquilo me atraia demais. Ela também não estava buscando relacionamentos sérios, então era a junção do útil ao agradável. Eu tinha uma parceira fixa sem ter que me envolver emocionalmente. Não que eu já havia exposto para ela minha aversão a relacionamentos nessa fase da minha vida, porque a primeira coisa que ela me disse depois da primeira vez que transamos foi “você é famoso, eu sei da sua vida. Sei que a Selena vai e volta e eu não quero de jeito nenhum estar no meio disso. Então, por favor, não faça merda”.
Clara e direta. Assim como eu gostava. E, se tudo desse certo, eu com certeza ia ter uma nova amiga com benefícios e isso me deixava animado até demais. Fazia tempo que não me sentia assim.


Jazzy e Jaxon não entendiam porque eu estava indo buscá-los na escola com tanta frequência. Mas eu simplesmente não podia dizer “ei, irmãos, vocês tem uma professora de Francês muito gostosa que eu queria conhecer melhor e, pra que isso aconteça, eu preciso estar presente aqui, pra ela me notar e eu começar a investir”. Então, eu simplesmente respondia que era porque papai estava ocupado e não podia estar em LA. Por incrível que pareça, eles acreditavam na minha história...
Há umas duas semanas eu tinha trombado com aquele pedaço de carne francesa maravilhoso enquanto ia buscar meus irmãos. Aquele cabelo preto ondulado até a altura do queixo, aqueles olhos verdes enormes, aquele quadril deliciosamente largo que andava rebolando de lá pra cá, aquela cintura que pedia por minhas mãos, tudo... Tudo naquela mulher me atiçava. Eu não sabia mais o que fazer para chegar até ela. Ela era a professora dos meus irmãos e não uma famosa ou uma fã que eu sabia que seria mais fácil conquistar, pois minha família não estaria envolvida. Já pensou que desespero se meus irmãos soubessem que eu estava querendo entrar dentro da professorinha deles? Ia ser até humilhante. Mas eu já tinha me decidido, eu ia chegar na professora de alguma forma e chamá-la para sair. E não ia demorar.
E lá estava eu, no corredor da escola esperando meus irmãos. O sinal soou, a multidão de crianças apareceu no corredor correndo para a saída, loucos para irem pra casa. Eu avistei meus irmãos e eles vieram correndo até mim, abraçando minhas pernas e cintura. Pedi para que eles esperassem um pouco porque eu queria conversar com a professora deles. Jaxon já me olhou torto e Jazzy estava com cara de dúvida. Deixei os dois nos banquinhos e segui até as salas procurando pela exuberante francesa. Não foi difícil encontrá-la. Bati na porta e ela ergueu o olhar pra mim, se assustando levemente quando constatou que eu era Justin Bieber.
- Pode entrar – ela disse, agora sorrindo.
- Boa tarde! – soei educado, estendendo minha mão – Sou Justin, irmão do Jaxon e da Jazmyn. Gostaria de saber como está o rendimento deles.
- Élise Bernard – ela apertou minha mão – Seus irmãos são excepcionais! Jazmyn não me da um pingo de trabalho. Jaxon às vezes apronta algumas peripécias, mas nada que eu não consiga resolver.
- Acho que ele puxou a mim – falei coçando minha nuca e dando meu famoso sorrisinho lateral sexy. Élise nem se abalou, apenas riu da minha constatação.
- Teremos uma reunião de pais em um mês, e aí já teremos as notas das avaliações e dos trabalhinhos – ela disse serena, não me dando nenhuma brecha – Com Jaxon ainda estamos começando o trabalho de alfabetização, tanto na língua inglesa quanto na francesa. Jazmyn está um pouco mais a frente. Ambos se expressam muito bem oralmente, embora só Jazzy consiga, de fato, escrever coisas em Francês. Jaxon ainda é muito pequeno para isso e...
Eu me perdi no que ela falava porque não era como se eu estivesse realmente me importando com o fato dos meus irmãos saberem ou não escrever “abajour”.
- Tudo bem! Eu, hmm... – comecei sem nem saber o que dizer.
- Me desculpe por isso, mas vou deixar de ser a professora Élise para ser a fã Élise – ela sorriu e eu me senti aliviado por saber que aquele era o momento que eu precisava – Adoro suas músicas. Parabéns!
- Muito obrigada, Élise – disse galanteador e, por um segundo, tive um pequeno vislumbre de malícia nos seus olhos. Mas tão rápido quanto apareceu, sumiu – Hoje eu vou tocar numa festa privativa às onze da noite. Você quer ir?
Eu esperava do fundo do meu coração que Élise tivesse entendido o que estava implícito no meu pedido. E quando ela sorriu de lado, os olhos piscando calma e sedutoramente, enquanto ela tombava a cabeça para o lado sugestivamente, eu sabia que eu tinha conseguido.
- Sim, eu quero.



FIM!



Nota da autora: Olá pessoas! Espero que vocês tenham gostado dessa fic doida e toda ao contrário que eu fiz. Ela não ficou exatamente como eu queria porque me perdi no prazo e a vida também cobra da gente, mas acho que gostei do resultado final. E se você ficou com aquela duvidazinha sobre o que aconteceu com o casal-não-tão-casal Justin e Élise, vai ali na página da Ficstape – Purpose e clica em “14. Been You”. Espero que eu não tenha decepcionado vocês hahaha Obrigada por lerem e até a próxima! Qualquer dúvida eu estou no Twitter como @_mesaventures! Obrigada e até a próxima!

Outras fics no site:
Garotos não choram - primeira fic no site
My Psycho Killer Girl - segunda fic no site
Em Fogo - terceira fic no site
Uma Estória da Realeza - quarta fic no site (essa é restrita!)
Quebrando a porra do protocolo - quinta fic no site
14. Been You (Ficstape – Purpose) – sexta fic no site





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