Right Things to Say

Por: Jess.
Script e betagem: Biia. (até o capítulo 46) e That (do capítulo 47 em diante)



Capítulo 41
Então, novamente como num piscar de olhos, o tempo passou e a esperada noite de sábado finalmente havia chegado. sentia um formigar de ansiedade e expectativa percorrer todo seu corpo, concentrando-se em seu estômago, não a deixando comer qualquer coisa sem sentir que iria vomitar logo em seguida. Saiu do carro com passos firmes, porém nervosos, passando os olhos pela fila de meninas que cercavam a casa de shows esperando os portões serem abertos e vendo seus próprios sentimentos refletidos em cada uma delas. Passou a mão por sua saia somente para disfarçar o nervosismo e respirou fundo antes de pegar o telefone para avisar que já estava lá fora. Ela usava uma mini-saia ovo estampada, uma camiseta branca simples, um cinto amarelo marcando a cintura onde a saia acabava, sapatos que sua mãe tinha lhe trazido de Harajuku e alguns poucos acessórios. Seus cabelos estavam cacheados de forma rebelde, porém bonita, denunciando o uso de mousse. Mordia levemente o lábio delineado por seu batom extremamente vermelho enquanto ouvia impacientemente o sinal de chamada vindo do celular, até que a voz de o substituísse.
- Oi, amiga.
- Já estou aqui fora, .
falou tentando controlar o nervosismo que tomava sua voz, ouvindo passar-lhe as instruções de onde ela estaria esperando-a. Terminada a ligação, pôs-se a andar até onde havia lhe falado, em sua cabeça apenas um pensamento gritante: “eu vou conhecer o Busted!”.
- Oi, .
Ela ouviu uma voz conhecida chamá-la e virou-se para ver de onde vinha, desejando logo em seguida não tê-lo feito. Lá estava Harry Judd a encarando sorridente, seus olhos imensamente azuis brilhando intensamente e fazendo com que se esquecesse de respirar por alguns segundos. engoliu seco, seus olhos correndo o corpo do menino deparando-se com um Harry cheio de estilo. O menino usava uma calça jeans escura, uma blusa de gola V azul marinho e um blazer detonado preto por cima, lhe dando charme, elegância e - se ainda fosse possível - mais beleza.
- Oi, Harry...
Ela respondeu tentando ao máximo não gaguejar, fitando o menino andar até onde ela estava e segurar-lhe pela cintura, virando-a na direção que ela seguia antes, passando a caminhar até lá com ela. O coração de batia vacilante, o perfume emanado pelo corpo de Harry e a proximidade que eles estavam não estavam ajudando muito na sanidade da menina, que parecia em meio transe. O nervosismo que ela sentia antes não era em nada comparado a estar ao lado de Harry naquele momento. Ela poderia jurar que elefantes estavam fazendo do seu estômago a Apoteóse no carnaval. Não demorou muito até eles avistarem parada ao lado de dois seguranças numa porta de aço pintado de preto nos fundos do local. A amiga parecia um pouco distraída até conseguir focá-los. Durante alguns segundos a estupefação tomou o semblante da menina, que procurou logo maquiar uma expressão menos surpresa.
- Oi, gatinhos.
os cumprimentou, recebendo um sorriso tenso de em resposta e um beijo na bochecha delicado de Harry. Os dois passaram na frente de para dentro do estabelecimento, olhando para trás e trocando olhares intensos com a amiga, sem precisar de palavras para transmitir o que estava sentindo.
- Os meninos estão conversando com o pessoal da banda ali, Harry... Vai indo lá enquanto eu vou mostrar a um negócio ali.
disse indicando uma porta com o indicador, assistindo o amigo sorrir e andar até lá. imediatamente puxou para a sala mais próxima, ambas se jogando em cadeiras grandes e um pouco velhas que estavam por ali antes de começarem a falar.
- , minha filha, o que é isso?!
exclamou alterada para a amiga, fitando a agonia presente na expressão da amiga.
- Por que ele escolheu logo hoje para aparecer assim...? Lindo, cheiroso e... Cara, ele tá um Jude Law!
falou em resposta, passando as mãos pelos cabelos expressando o seu nervosismo diante a situação. Harry estava lindo como ela nunca tinha visto, só ao pensar nele com todo aquele estilo e aquele perfume ela já estava perdendo o ar.
- Tô vendo que hoje vai ser tenso.
comentou risonha ouvindo um murmúrio sofrido escapar dos lábios da amiga que se encolheu em sua cadeira, segundos depois levantando com uma atitude totalmente diferente.
- Nossa, amei seus sapatos!
declarou animada, fazendo com que risse de sua súbita mudança. vestia uma blusa de chifon creme pontuada em preto, um short jeans despojado, ankle boots Givenchy com amarração similar a de coturnos e poucos acessórios apenas para complementar o ar rebelde e sexy. As meninas caíram numa conversa sobre sapatos e roupas até que voltasse ao foco inicial da conversa.
- Hm... O Edward vem?
Ela perguntou simplesmente; parou alguns segundos antes de responder.
- Acho que não. Ele não falou nada que vinha. Por quê?
encarava a amiga com uma expressão clara de preocupação e ansiedade estampada em seus olhos enquanto viajava em pensamentos tentando conter um sorriso nos lábios.
- Por que, ?
pressionou, vendo o sorriso nos lábios de se estender em deleite.
- Nada... Só estava imaginando a luta pela donzela.
Ela disse rindo, fazendo com que rolasse os olhos para ela.
- Tá... Agora vamos.
levantou e puxou a amiga pela ponta dos dedos para que fizesse o mesmo, levando-a para fora daquela sala e diretamente para onde ela falou que estavam os meninos e a banda.
- Pronta para encontrar o Busted e Harry Judd na mesma sala?
- Eu tenho histórico de ataques cardíacos na família, não sei se vai me fazer bem...
respondeu a pergunta de com uma expressão levemente apavorada e hesitante, fazendo com que a amiga risse dela.
- Você deveria me ajudar, não rir de mim!
- Querida, eu estou te levando para uma sala recheada de gatos. Quer mais ajuda que isso?
questionou retoricamente, empurrando a porta logo em seguida, fazendo com que os meninos parassem para olhar quem vinha. correu os olhos rapidamente pela sala, segurando-se para não hiperventilar por seu nervosismo. Dougie, Danny e Matt estavam parados ao lado de uma mesa lotada de todos os tipos de alimentos, comendo e conversando ao mesmo tempo, uma visão que só era bonita porque tinha um busted no meio. Do outro lado, sentados num sofá gasto de couro, estavam Tom, James e Charlie parecendo discutir alguma coisa importante com Harry parado ao lado alheio a tudo. Parado exatamente ao lado de Charlie, o que fez o coração de disparar mais ainda, coisa que ela achava impossível.
- Ai!
Ela murmurou baixinho ouvindo anunciá-la para o resto das pessoas.
- Oi.
Ela ouviu James dizer com um sorriso fofo estampando seu rosto, sorrindo de volta automaticamente e acenou para seus amigos que estavam parados ao lado dele, percebendo repentinamente a estranha semelhança entre James e Danny. Os outros dois meninos a cumprimentaram logo em seguida, fazendo com que ela sorrisse para eles também, quase derretendo ao ver Charlie sorrindo de volta para ela.
- A chegou.
avisou ao seu lado, tirando-a do transe que tinha entrado. se juntou aos meninos enquanto ela ia buscar a amiga do lado de fora. Em pouco tempo estavam todos entrosados, rindo e se divertindo enquanto o show não começava. De um lado da sala, Doug e conversavam enquanto arremessava M&M’s para o menino que tentava pegá-los com a boca; , e Harry conversavam, estampando em seu rosto expressões que vacilavam entre admiração e hesitação de forma cômica; Tom, Danny, Charlie, Matt e James tocando alguma coisa no outro canto da sala. se afastou momentaneamente, indo até onde estavam as bebidas e escolhendo uma para si, tomando um pequeno susto ao ver Matt ao seu lado.
- ... Aquele Doug é seu namorado?
Ele perguntou desconfiado, fazendo com que ficasse confusa.
- É, Matt. Por quê?
- Sei lá... Não parece muito. O James tinha falado que você estava namorando, vocês andam juntos para lá e para cá, mas... É engraçado, vocês parecem bons amigos. Daqueles que o cara tem uma queda secreta.
- Você acha?
perguntou tentando não mostrar desapontamento em sua voz, fingindo ainda estar procurando seu refrigerante. Aquela idéia vinha a assombrando há tanto tempo... Ela nunca havia sido a menina mais romântica do mundo, nem nunca havia cobrado isso de si mesma, mas com Dougie ela sentia falta disso e não sabia como agir. Ele era sempre tão fofo e ela sempre tão... Fria. Talvez ele merecesse alguém melhor que ela. Alguém que pudesse retribuir da mesma forma toda aquela fofura e devoção com a qual ele a tratava. Balançou a cabeça numa tentativa de espantar todos aqueles pensamentos, sentindo-se mal apenas em pensar sobre estar longe de Doug. Ela poderia não ser boa o bastante para ele, mas ainda assim não conseguiria seguir sem ele ao seu lado. Era um sentimento egoísta; fazia com que se detestasse, porém não havia muita coisa que ela pudesse fazer sobre aquilo. Levantou seus olhos e percebeu que Matt continuava falando, mas o menino parecia um tanto quanto distante.
- Vamos lá, tampinha. O show deve começar daqui a pouco.
Ele disse a abraçando de lado e plantando um beijo carinhoso em sua bochecha, fazendo com que ela sorrisse de lado, seu olhar cruzando-se com o de Doug, fazendo-o também sorrir para ela. Como ela poderia abrir mão daquilo?
Depois de poucos minutos todos estavam na beira do palco, assistindo os meninos levarem a platéia e eles mesmos à loucura. Danny tentava conter em seus braços, mas na maioria do tempo ela acabava entrando na empolgação de e indo pular e cantar loucamente mais próximas ao palco. e Doug cantavam baixinho um para o outro no canto, rindo das reações das meninas quando recebiam um olhar dos meninos ou qualquer coisa assim. Harry estava apenas curtindo o show na maioria do tempo, algumas vezes tentando se aproximar de , mas toda vez que ele tentava, ela corria e puxava para alguma coisa. E Tom estava apenas observando tudo, sua cabeça longe dali com onipresença de algo alcoólico em suas mãos. Repentinamente as luzes do palco baixaram-se. olhou para o mesmo, querendo saber o que estava acontecendo e acabou por cruzar olhares com James. O menino sustentou o olhar dela e não desviou, em algum lugar a voz de Charlie ecoou, mas só pode ouvir aos versos que viu o irmão cantar, seus olhos ainda focados nela.

Loving you could be so easy
(Amar você poderia ser tão fácil)

Loving you could be so great

(Amar você poderia ser tão maravilhoso)

Loving you could be so easy

(Amar você poderia ser tão fácil)

Loving you could be so great

(Amar você poderia ser tão maravilhoso)


But how can I try to explain

(Mas como eu posso explicar)

Your story never seems to stay the same

(Sua história nunca parece continuar a mesma coisa)

You had a touch and I'm out of time

(Você é desligada e eu sou sem tempo)

Just talk to me a while

(Apenas converse comigo um tempo)

And talk about the things we used to see

(E fale sobre as coisas que nós costumávamos ver)

It's so hard for me to smile

(É assim duro para mim sorrir)


I've never felt so alone

(Eu nunca me senti tão sozinho)

After all of this there's so much left to lose

(Depois de tudo isso há muito que perder)

And I'll take the pieces home

(E eu tenho que levar peças para casa)

I promise you I never meant to

(Eu prometo a você eu nunca pretendi)


But how can I complain?

(Mas como eu posso reclamar?)

When everybody seems to know my name

(Quando todos parecem saber meu nome)

You're outta luck and I'm not afraid

(Você é sem sorte e eu sou sem limite)

It's such a selfish compromise

(É um acordo tão egoísta)

Self indulgent, useless, bunch of lies

(Autoindulgente, inútil, monte de mentiras)

I never thought she would believe

(Eu nunca pensei que você acreditaria)


O menino então se virou para o lado contrário repentinamente, quebrando a profunda troca de olhares que estava tendo com , enquanto ela estava apenas estagnada. Repentinamente seus olhos estavam cheios de lágrimas, suas mãos suavam e seu coração palpitava gelado em seu peito. Ela não sabia o que aquilo significava, não sabia o que James tinha tentado falar com tudo aquilo, mas algo estava claro: alguma coisa estava muito errada.


Capítulo 42
Cerca de uma hora depois, o show havia terminado e todos estavam de volta ao camarim, apenas esperando os meninos se trocarem para irem para uma after party. e Dougie estavam sentados em um dos sofás, perdida em pensamentos enquanto brincava com a mão do namorado e o mesmo afagava seus cabelos. e Danny estavam conversando romanticamente em outro sofá, numa áurea tão apaixonada que ninguém nem se arriscava chegar perto. estava tentando conversar com Tom, mas o menino já tinha passado da conta no álcool e já não conseguia completar seus pensamentos de forma digna.
- Amor... O que aconteceu?
Dougie perguntou dando um beijo no topo da cabeça de , tirando-a de seus pensamentos confusos. A voz do menino parecia profundamente preocupada, o que fez relembrar o quanto ela não o merecia. Sentiu todo seu interior retrair, mas tentou parecer melhor quando falou.
- Nada, Doug... É só... Sei lá.
disse fracamente, dando um sorriso ao virar-se para Doug, grudando seus lábios nos do menino assim que fitou aqueles olhos azuis. Dougie pareceu ainda mais preocupado ao notar a certa urgência de , mas com o tempo relaxou e entregou-se ao beijo, depois de algum tempo puxando para o seu colo, melhorando a posição para os dois. As mãos de passeavam pelos cabelos e nuca dele, enquanto ele acariciava uma das coxas da menina e sua cintura. Os dois já estavam ficando ofegantes quando alguém pigarreou ao seu lado:
- Vamos?
James perguntou; seu rosto estava um pouco vermelho, suas mãos fechadas em punho e sua expressão sustentava uma raiva contida. Ao fitar o irmão, sentiu de volta todo aquele nervoso e angústia que vinha lhe acompanhando desde aquele momento estranho no palco. Olhou ao redor e percebeu que só estavam os três ali. Doug tirou de seu colo, levantando-se e puxando a menina com ele, entrelaçando suas mãos. olhou para Doug e reparou que ele também parecia ostentar uma raiva secreta e por algum motivo aquilo só fez com que ela se sentisse pior. Ela desenlaçou seus dedos de Doug, puxando o menino para si pela cintura, sentindo-o abraçá-la de volta e novamente afagar seus cabelos, selando seus lábios neles levemente. Ela queria se sentir protegida, mas ela sabia que, por algum motivo, não estava.
Poucas horas depois, todos estavam numa casa desconhecida, cercados de pessoas que a maioria parecia não saber quem é. Luzes coloridas e música alta preenchiam a atmosfera da festa, pessoas bêbadas circulando de um lado para outro, apinhadas no meio da pista de dança improvisada ou agarradas com outras em algum canto. e Danny dançavam juntos, assim como e Doug, mas ao contrário dos dois, eles não estavam imitando a macarena ou a boquinha da garrafa. estava encostada no portal que dividia o foyer do resto da sala da casa, conversando com outro menino, de tempos em tempos dando goles na cerveja que estava em suas mãos. Harry assistia a cena de longe, encostado sozinho na parede contrária, não sendo percebido, pois havia muitas pessoas circulando no espaço entre eles. Em nenhum momento desviou seus olhos de . Viu quando o menino passou a mão pelo rosto dela e a fez sorrir, viu quando ele a fez corar... Tentava controlar o ressentimento que vinha correndo em suas veias da melhor maneira possível, mas não conseguia. Uma bola se formando em seu peito, querendo arrastá-lo até lá e arrancar aquele menino de perto dela aos socos, porém sabia que detestaria aquilo.
- Oi.
Uma menina ruiva insinuou-se ao seu lado. Usava um vestido roxo decotado demais e brilhante demais. Seus “dotes” teriam logo lhe chamado, caso ele tivesse sequer olhado a menina.
- Hm... Oi.
Harry respondeu seco, continuando a fitar . No entanto, a ruiva não se deu por vencida. A menina agarrou o braço de Harry, acariciando-o levemente quando voltou a falar.
- Tão lindinho e tão sozinho... Por que não tomamos alguma coisa juntos?
Ela aproximou-se ainda mais de Harry, seus corpos já se tocando em algumas partes, tornando inevitável que o menino não a olhasse.
- Então?
Ela sussurrou aproximando-se ainda mais dele, seus lábios quase se tocando. Harry deu uma rápida olhadela para onde estava novamente, fitando-a ainda conversando com o outro menino. Seus olhos foram da cena para a ruiva e ficaram nesse caminho durante algum tempo, até que ele puxasse a menina até o outro lado da sala. Afinal de contas, não faria mal nenhum, faria?
Assim que Harry chegou ao balcão de bebidas, passou seus olhos pela sala, vendo-o com outra menina. Por um segundo, a voz do menino que estava ao seu lado ficou ainda mais distante e um caroço pareceu surgir em sua garganta. Harry estava seguindo-a a noite inteira, mas não interessava se ela fugisse, ele podia ficar com outra. Não era como se ela fosse diferente, insubstituível. Levantou sua garrafa para dar mais um gole, porém ela estava vazia.
- Parece que a cerveja de alguém acabou...
O menino guinchou ao seu lado, chamando sua atenção novamente para ele; respondendo com um meio sorriso.
- Faz o seguinte... Eu vou lá buscar umas para gente e você me espera aqui, tudo bem?
Ele continuou, partindo assim que viu acenar que sim. A menina suspirou profundamente, olhando para baixo assim que o menino se foi. Abaixando-se para colocar a garrafa vazia no chão, mas acabando por se sentar ali. Apenas alguns segundos se passaram até que uma pessoa parasse em sua frente. Pensou que tinha sido o menino, mas ao levantar os olhos, viu Harry parado em sua frente.
- Vamos dançar?
Ele perguntou sorrindo, sem receber um sorriso de volta. apenas desviou os olhos e mexeu no cabelo, deixando o menino intrigado. Ao invés de ir embora, ele apenas sentou-se ao lado da menina no chão, fazendo-a bufar levemente.
- Tudo bem, vamos ficar aqui sentados então.
Ele disse soando animado, rolando os olhos levemente.
- Volta para sua ruiva, Judd.
disse simplesmente, nenhum sentimento expresso em sua voz ou em seu rosto.
- Não vou voltar para ruiva nenhuma, vou dançar com você.
Harry sentenciou, fazendo olhá-lo. Os dois ficaram se encarando durante alguns segundos, antes que ela desviasse os olhos novamente.
- Não.
- ... É só uma dança, cara! Vai... Por favor! Uma dancinha com seu tigrão?
Harry pediu divertido, fazendo com que risse e olhasse para ele. Harry tinha olhos esperançosos e um sorriso convidativo nos lábios, impedindo qualquer idéia de negação que viesse a cabeça da menina.
- Como você é chato!
Ela reclamou enquanto se levantava, sendo automaticamente seguida por ele que ostentava um sorriso vitorioso, mas não convencido. Assim que os dois chegaram ao amontoado de pessoas, uma música mais lenta começou a tocar, fazendo com que risse nervosa e Harry também.
- Nossa maldição, hein...
comentou, lembrando-se da noite que os dois foram dançar em seu aniversário e a música lenta começou a tocar no momento em que eles colocaram os pés na pista.
- Minha benção, isso sim.
Harry finalizou, puxando para mais perto de si, abraçando a menina pela cintura e começando a guiá-la. abraçou Harry pela cintura, aconchegando-se no peito do menino, respirando profundamente e sentindo o perfume dele inebriá-la. Nenhum dos dois sabia exatamente o que estava sentindo, havia uma mistura de alegria e nervosismo, excitação e medo. Por fim, ambos apertaram-se ainda mais um ao outro, tentando dissolver aquela confusão e fazer aquele momento durar para sempre.
Ao mesmo tempo, e Dougie saiam da pista, jogando-se em um canto qualquer. descansou a cabeça nos ombros de Doug, brincando com a mão do menino.
- Ei, , olha aquilo!
Dougie disse animado, apontando discretamente para Harry e . Os dois pareciam um casal apaixonado na pista, estavam extremamente fofos. Porém limitou ao baixar os olhos, com apenas um pequeno sorriso forçado nos lábios. O incômodo de antes voltando de forma bem mais forte agora. Ficou pensando se algum dia tinha parecido assim com Doug, ficou pensando nos momentos que eles estiveram na pista. Em nenhum momento eles pareceram um casal... Apenas dois ridículos se divertindo. Não era justo com o menino que ela fosse assim.
- Quer que eu pegue alguma coisa para você beber?
Dougie perguntou carinhoso, vendo acenar que não e entrelaçar seus dedos nos dele. Dougie não sabia o que estava acontecendo com , mas podia sentir que algo estava errado. Durante toda noite, ela parecia estranha e hesitante, seus olhos se perdendo em Danny e ou em qualquer outro casal e ficando tristes. Dougie não conseguia entender o porquê. O menino passou seus braços pelos ombros dela, quase a prensando contra seu corpo, beijando-lhe levemente. levantou seus olhos novamente, cruzando toda sala até parar em James que a encarava. O sentimento de desconforto que a tomava tornou-se ainda pior, fazendo com que ela se aconchegasse ainda mais em Dougie. murmurou algo antes de beijá-lo, mas a música alta impediu que ele a ouvisse, deixando o menino confuso, mas correspondendo ao beijo dela. Os dois ainda não tinham se separado quando Danny veio falar com Dougie.
- Ei, cara!
Danny disse cutucando-o, fazendo com que Doug se separasse de com uma cara nada feliz.
- O que foi, Jones?
Ele perguntou impaciente, mas ficando preocupado ao ver a feição desesperada do amigo.
- O Tom tá passando mal. Bebeu para cacete. Não ta agüentando nem andar... A gente vai ter que levá-lo para casa.
- Vai chamar o Judd que eu já tô indo.
Dito isso, Dougie voltou-se para , dando um selinho da menina e permanecendo com o rosto colado ao dela enquanto falava.
- Vou lá, viu? Fica bem... E me liga se quiser contar o que está acontecendo. Não pense que eu não reparei. Eu te amo, . Não interessa o que seja, eu te amo.
Ele deu mais um selinho na menina e se afastou, sendo seguido pelos amigos. parou ao seu lado e também, todas observando enquanto eles se afastavam.
- Estamos parecendo as mocinhas deixadas pelos salvadores da pátria.
comentou depois de alguns segundos, vendo as amigas rirem e caminharem de volta para pista, começando a curtirem juntas àquela noite.
Horas depois, todos estavam voltando para suas casas, extremamente cansados. e seguravam seus sapatos e amparavam uma a outra enquanto entravam num táxi, sendo observadas tanto quanto o que restou da sobriedade de permitia enquanto a mesma esperava por James. A menina estava encostada num pequeno muro, seu olhar perdido em um ponto qualquer da rua depois de ver as amigas partirem. O mesmo incômodo que vinha a perseguindo, assolando seus pensamentos, ainda que amenizado pelos poderes do álcool. Ela passou a mão pelos cabelos, fazendo com que os mesmos caíssem em camadas sobrepostas de uma forma bonita e suspirou profundamente, assistindo sua respiração formar uma pequena fumaça quando expelida na noite fria. Em sua mente várias cenas se sobrepunham, deixando-a ainda mais confusa e tonta. Um enjôo veio subindo por seu estômago, fazendo com que segundos depois ela olhasse para baixo e colocasse para fora tudo que havia comido recentemente. Percebeu alguém segurar seus cabelos, não se importando muito com que era. Levantou a cabeça lentamente quando terminou, tentando não fazer movimentos bruscos e enjoar novamente.
- Melhor na calçada do Matt que no meu carro.
James brincou, fazendo com que sorrisse de lado falsamente, um nervosismo engolindo-a por completo ao pensar em ficar sozinha com o menino após a cena do show. A menina caminhou automaticamente até o carro, encolhendo-se no banco do carona enquanto James dirigia pelas ruas vazias.
Nenhum dos dois falou nada até chegarem em casa. andou até seu quarto em passos tortos e incertos, tentando arrancar suas sandálias sem cair no processo. Jogou-as no canto do quarto assim que chegou ao mesmo, pulando sob a cama logo em seguida. A menina deitou-se de barriga para cima, uma mão pendendo sobre sua barriga, observando atentamente o teto que parecia dar voltar sobre sua cabeça até que a náusea a atingisse novamente e ela tivesse que sair correndo para o banheiro. Levantou a tampa do sanitário, fazendo um nó com seu próprio cabelo para segurá-lo enquanto regurgitava bile e álcool. Continuou encarando o sanitário enquanto suas mãos tateavam até achar a descarga, assistindo um rodamoinho formar-se na água e levar a água suja, deixando tudo como se nada tivesse acabado de acontecer. levantou a cabeça lentamente, dirigindo-se até o lavabo, escovando os dentes e passando uma água no rosto antes de sair para seu closet, onde pegou uma camiseta grande e caminhou até de volta seu quarto vestindo a mesma.
- Belo sutiã, gatinha.
James comentou sentado na cama enquanto assistia terminar de vestir a blusa, encarando-o com uma clara interrogação e algo mais que ele não sabia dizer o que era. Algo como desconfiança.
- Qual é, ... Eu te conheço desde que você não tinha seios. Senta aqui, vamos assistir alguma coisa antes de dormir.
Ele falou tranquilamente, sorrindo para e batendo no lugar ao seu lado no colchão. Assistindo a menina caminhar parecendo relutante até o seu lado e sentar-se ali. Os dois começaram a assistir um daqueles filmes blockbuster americanos e conforme o filme passava, a tensão de se dissipava rendendo-se a sonolência causada tanto pela hora quanto pelo álcool.
- , você se lembra daquela nossa temporada juntos nos EUA?
James guinchou animado, rindo de uma cena do filme e também de suas próprias memórias. não pôde evitar um sorriso surgir em seus lábios assim que as memórias tomaram sua mente, acenou debilmente que se lembrava, seus olhos quase fechados sendo abertos pela urgência de James no assunto.
- Pode admitir, foi o melhor ano da sua vida, não? Os luais regados da Califórnia, correr para o nada, passar a noite na praia...
Mesmo tomada pelo sono, a nostalgia atingiu , fazendo-a lembrar-se dos dias que tinha passado em algum lugar bem longe dali.
- Lembra daquele dia da chuva? Foi tão... Nossa! O mundo desabando em água e a gente não ligava. Fiquei com uma puta gripe depois daquela...
falou rindo, sendo acompanhada por James.
- Tenho certeza que rendeu sérios problemas com seu pai. Lembra quando nós fomos para Frisco?
- Aquela viagem foi um fiasco.
comentou fingindo sofrer com a lembrança, colocando as mãos no rosto como se ainda se lamentasse por aquilo.
- Todo mundo avisou que não era o melhor lugar para passar o feriado. Mas não... Você tinha que teimar, né, James?!
- A culpa não foi só minha, a me apoiou.
O menino afirmou tentando esquivar-se da culpa, vendo retrucá-lo facilmente e até um pouco revoltada.
- E por culpa de vocês, nossa maior diversão foi jogar joquempô e apostar que o nevoeiro na praia sumia conforme ia ficando tarde.
- Nossa... Eu não lembro se sumiu ou não.
- É porque a gente desistiu e foi pro café que tinha na praia.
finalizou, fazendo com que James risse e acabando rindo também. Pouco a pouco a risada dos dois foi sumindo, dando lugar a um silêncio calmo que fez com que os dois prestassem atenção no filme, até que James voltasse a falar.
- Naquela época, eu acabei me apaixonando por uma garota...
Ele começou olhando firmemente para a tela à sua frente, fazendo com que deitasse de lado para poder encará-lo enquanto ele falava.
- Sabe... Aquele tipo de paixão que você não prevê nem nada... Era um pouco errado e me deixou confuso, mas não era algo que eu pudesse lutar contra. Então eu tive que ir embora e foi bem chato. Deixá-la lá, sabe?
- Foi a Rachel?
perguntou energeticamente, vendo Jimmy acenar que não.
- Não, . Posso terminar?
- Tudo bem, estou quieta.
- É claro que nós mantivemos contato, nos encontrávamos em algumas ocasiões, mas... Acho que de certa forma foi se apagando com o tempo. Eu já tinha superado toda aquela fase de ficar pensando... Erm, pensando sobre... Pensando sobre ela. Já tinha ficado com outras meninas... Nada sério. E agora ela voltou... Quer dizer, já faz um tempo que ela voltou. Todos os motivos que me deixaram acordado e odiando toda terça-feira na época voltaram a minha mente e... Eu acho que o sentimento também.
O menino parecia um pouco nervoso ao falar, suas mãos procuravam fios soltos no cobertor e seu olhar nunca encontrava o de . A menina fitou-o durante todo seu monólogo, rindo levemente assim que ele terminou.
- Pessoas normais odeiam as segundas-feiras, James.
comentou simplesmente, sem saber o que falar sobre toda aquela confissão do irmão. Então, pela primeira vez desde que ele tinha começado a falar, James a encarou. Seus olhos estavam tão emocionalmente turvos e tão intensos quanto quando ele cantara para no show, o que repentinamente fez com que se sentisse acuada.
- Terça era o dia que ela matava aula de biologia para ficar comigo atrás das arquibancadas do estádio do colégio. O Burguer King deve ter ganhado uma bela grana as nossas custas, com todo o lanche que nós comprávamos àquela hora.
Ele explicou tranquilamente, sem desviar o olhar de por nem um segundo, vendo a compreensão tomá-los a cada palavra, juntamente com um assombro digno da revelação.
- Espera...
Antes que ela pudesse falar qualquer coisa, James puxou-a para si, colando seus lábios no dela. Ele esperou algum tempo que a menina cedesse e lhe desse abertura, mas não aconteceu. Gradativamente ele foi soltando-a e tomando distância dela, que estava inerte diante a ação do irmão, lágrimas acumulando-se em seus olhos extremamente confusos.
- , eu... Eu simplesmente não posso agüentar você com esse Doug. Eu...
James parecia desesperado e continuava inerte.
- James, você é meu irmão.
A voz da menina soou ácida em acusação enquanto cortava o menino em sua fala. Os dois se encararam durante algum tempo, transbordando a confusão que tomava sua cabeça, algumas lágrimas vazando de seus olhos sem que ela tivesse o menor controle.
- Boa noite, James.
Ela disse secamente, encolhendo-se na cama para que ele pudesse deixar a mesma sem precisar trocar nenhum contato com ela.
- ... O fato de que nós crescemos juntos não nos faz irmãos de verdade. Sem sangue, sem pecado.
Ele tentou explicar, parado na soleira da porta da menina e observando-a. limitou-se a deitar e desligar a tv, sem ao menos olhar na direção do menino.
- Quando sair, feche a porta, por favor.
disse secamente, ouvindo a porta bater num baque surdo segundos depois. Sentia uma dor de cabeça que ia além da ressaca começar a afligi-la, a confusão e desespero de antes a tomando novamente de forma mais intensa, se é que era possível. Seu coração parecia estar sendo mergulhado em ácido enquanto toda aquela confusão se instalava dentro dela e era lentamente expulsa pelas lágrimas que insistiam em rolar incontrolavelmente por seu rosto. A menina abraçou suas pernas sob suas cobertas, dando graças a Deus que seu estado não lhe deixou muito tempo para pensar e poucos segundos depois ela estava entregue a seu sono.


Capítulo 43
Infelizmente, o sono de não durou tanto quanto ela desejava e logo ela estava cruelmente acordada, assombrada por pensamentos da noite passada. Revirava-se em seus lençóis procurando a solução que não viria. James gostava dela. Todas as desculpas de irmão para que ela não ficasse com Dougie eram mentiras. Quem sabe a doença que ele teve um dia também não fora mentira. Mentira. A mente de parecia uma imensa sala vazia onde alguém gritava e tinha suas frases ecoadas. Não boa o bastante. Ela abriu mão de Dougie tantas vezes por mentiras. Ela tinha estado com ele como amiga, tantas vezes ela tinha agido com James de forma tão melhor. Vocês parecem bons amigos. Daqueles que o cara tem uma queda secreta, a voz de Matt ecoava em seus ouvidos enquanto momentos dos dois juntos misturavam-se sob a espessa camada de lágrimas que corria de seus olhos. Diferentes cenas, mas com uma mesma característica: Dougie sendo extremamente fofo e ela sendo fria. Ele dizendo que amava e ela o comparando aos sete anões; ele preparando uma tarde fofa e ela querendo só tomar sorvete; ele nervoso para encontrá-la e ela pouco entendendo os sinais do menino.
Repentinamente os lençóis pareceram frios, ela se sentiu estranha de estar ali. Levantou-se, tomando um rápido banho antes de vestir qualquer roupa, colocando algumas mudas na mochila e saindo dali. Ainda era madrugada, talvez fosse perigoso andar sozinha àquela hora, mas não estava ligando. O vento gelado londrino batia em sua pele, deixando rastros de frio e corando a face da menina que apertou ainda mais seu casaco de moletom em torno de si. Não sabia para onde estava indo, não tinha lugar para onde queria ir, estava muito confusa e cheia para tudo. Sua mente tão turva e seu coração tão pesado. Depois de andar várias quadras, sentia suas pernas começarem a fraquejar e o sono começava a tomá-la novamente, arrastando os problemas para longe, mas não a dor. Sentou-se num banco que estava próximo, fitando o céu durante um tempo, mas baixando os olhos a não encontrar as estrelas esperadas. Reparou o pub que estava a sua frente, a fachada feita de janelas que a permitia assistir tudo que acontecia lá dentro. Abraçou suas pernas enquanto observava o desenrolar da vida dos outros, porém, àquela hora, as pessoas já estavam muito bêbadas para serem interessantes.
Conforme o tempo passava ia ficando mais frio e a noite parecia ainda mais escura. A chuva começou a cair, fazendo aqueles que estavam saindo do bar correr e despertar de sua inércia. Chamou um táxi procurando algo para dizer para si mesma, mas aquela altura não havia nada mais que o silêncio. Talvez por agora fosse a melhor resposta.
Então quando amanheceu, enquanto umas fugiam, outras corriam contra o tempo para ficarem prontas. estava se encarando frente ao espelho tentando se lembrar do que havia esquecido. Celular, câmera, carteira, dinheiro, batom... Foi colocando tudo na bolsa sem olhar muito, temendo que Danny chegasse antes que ela estivesse pronta. Na próxima semana haveria um importante jogo de futebol do time da escola, iniciando a temporada de jogos estudantis antes das férias. Era tradição que antes destes jogos houvesse uma grande confraternização. sabia que aquele evento seria um grande teste, já que nunca tinha estado muito com os outros amigos de Danny e não sabia como seria. Checou mais uma vez seu reflexo: usava uma blusa estampada com um índio apache, um short jeans lavado simples, sapatinhas bailarina pretas do Marc Jacobs com um detalhe na ponta, um cordão emaranhando de pequenas correntes de diferentes tamanhos variando entre cinza e preto e uma pulseira que era a mesma coisa. Para completar uma bolsa de ombro Dolce e Gabbana preta, batom vermelho e um casaco leve, afinal já era outono e apesar do sol fazia um pouco de frio. Estava começando a cogitar a idéia de trocar todo modelo quando ouviu a campainha soar, saindo correndo para atender no mesmo instante.
- Oi, amor.
Ela disse selando seus lábios no de Daniel assim que abriu a porta e deparou-se com o menino parado à sua espera.
- Deus abençoe o bom tempo!
Ele declarou adentrando o apartamento da namorada, que foi andando na sua frente e não entendeu nada da declaração do menino.
- Por que, Danny?
questionou caminhando até seu quarto, sendo seguida pelo mesmo.
- Porque só assim para você mostrar essas pernas branquelas. Já estava ficando com saudade delas.
Danny explicou malicioso, puxando pela cintura e apertando uma das coxas da menina enquanto beijava sua boca de forma intensa, recheada de desejo. As mãos de passaram para os ombros do menino, descendo rapidamente até o cós de sua blusa, subindo por dentro dela, acariciando o peito de Jones, sentindo-o reagir ao seu toque gelado enquanto o mesmo continuava apertando uma das coxas e massageando sua cintura, pouco depois procurando o auxílio de uma parede, prensando o corpo de contra ela.
- Tá legal... Assim a gente vai chegar bem atrasado.
declarou com a respiração cortada, assim que Danny liberou seus lábios, porém, o fato de que agora estes selavam beijos sobre seu colo não lhe deixava muito sã.
- Os bons sempre se atrasam.
Danny sussurrou contra a pele da menina, voltando seus lábios aos lábios dela novamente, mas sentindo afastá-lo.
- Vamos deixar nosso atraso por culpa do trânsito então.
Ela disse escapando dos braços do menino e terminando o percurso até seu quarto sozinha. Danny encostou-se na parede contrária a que prensava , observando a direção por onde a namorada fora.
- Não faz essa carinha. Mais tarde eu te recompenso.
declarou enquanto passava pelo menino, selando rapidamente seus lábios, seu batom já retocado e carregando sua bolsa, que fora o motivo pelo qual ela voltou ao quarto.
- É melhor que o faça mesmo...
Danny respondeu em leve tom de ameaça, a voz dominada pelo desapontamento, seguindo a namorada para fora do apartamento, tirando as chaves do carro do bolso e começando a girá-la entre seus dedos.
Meia hora depois, os dois finalmente chegavam à festa. A rua que parecia erma, estava agora lotada de carros; a música podendo ser ouvida no inicio do quarteirão. Pela primeira visão que se tinha já se sabia que aquela era “a” festa. Na frente da casa, algumas pessoas jaziam deitadas de bêbadas com latas vazias ou meio cheias de cervejas e outras bebidas espalhadas ao seu redor. Danny segurou a mão de levemente, guiando-a até a parte de trás da casa, onde a festa estava realmente acontecendo. Alguns meninos jogavam-se na piscina, fazendo com que as meninas que estavam ao seu redor esquivassem-se da água fria. O lado coberto se dividia entre casais se agarrando, uma pequena e improvisada pista de dança e uma área com sinuca, ping-pong e jogos do tipo. avistou um menino alto, loiro e com porte extremamente atlético caminhar até eles, segurando um suspiro, tamanha beleza do menino.
- Fala, Jones.
Ele cumprimentou, puxando Danny para um daqueles abraços desengonçados de menino. Seu sotaque australiano descontraído sendo notado assim que ele pronunciou aquelas duas palavras, fazendo-o parecer ainda mais encantador. Em seguida, ele virou-se em direção de , mordendo levemente o lábio inferior ao analisar a menina, coisa que não foi nada agradável.
- Prazer, Jack.
Ele galanteou, apertando a mão de e puxando-a para um dar-lhe um beijo na bochecha. A posição parcialmente relaxada de Danny logo se extinguiu, o menino puxando pela cintura para mais perto de seu próprio corpo.
- A bebida está ali, a comida está lá dentro e... O resto você procure.
Jack falou enquanto apontava os lugares, indicando de onde falava, saindo da frente de e Danny e indo a direção até duas meninas loiras e pouco vestidas que acabavam de chegar ao local. Danny cumprimentou alguns outros amigos antes de dar seu casaco para que segurasse e se juntasse aos outros que estavam se jogando na piscina. foi em direção de umas meninas que conhecia, ficando por ali, conversando.
- Então, Jones... Está se amarrando mesmo, não?
Um dos amigos de futebol do Danny comentou, sentando-se ao lado dele na piscina. O menino não tinha sinais de escárnio nem de crítica na voz, mas mesmo assim fez com que Danny recuasse.
- Claro que não, cara.
Danny respondeu, bufando logo em seguida como se aquela fosse a coisa mais absurda que ele já ouvira.
- Qual é, Danny? Acha que vai mesmo mentir para mim, cara? A gente se conhece desde... Acho que desde os sete anos. A é linda e super hot, mas nenhuma mulher te seguraria tanto tempo assim. A não ser que você esteja...
- Porra, Brad! Eu não estou me amarrando, droga. É só...
Danny cortou o menino energicamente, porém perdendo as palavras ao terminar sem exatamente saber o argumento que usaria para convencê-lo, assistindo o menino rolar os olhos para sua tentativa frustrada.
- Eu não entendo, cara. Eu juro que não entendo qual é a sua. Você sabe que gosta da , você sabe que quer ficar só com ela. Não é vergonha nenhuma, Daniel. Seria até legal ter mais um no lado dos seriamente compromissados.
Brad parou sua fala ao ouvir Danny bufar novamente, analisando o amigo durante alguns segundos e percebendo a frustração por baixo de sua expressão carrancuda.
- Sabe, Danny? Um dia você vai acabar perdendo-a por essa sua babaquice.
O amigo alertou antes de levantar-se da beira da piscina e ir à direção de sua namorada. Sabia que provavelmente o amigo estava falando para seu bem e apesar dos seus sentimentos por , ainda era relutante quanto à história de se prender. Sempre fora admirado por seus amigos não por seu futebol ou por sua música, mas sim pela quantidade de mulheres que o seguia. Tinha medo de que com isso fosse deixado para trás, porque, por trás de toda capa, Danny era um cara extremamente inseguro. A coisa ia além de sua insegurança, ia à sua presunção. Havia feito tanta coisa, machucado tanta gente para chegar ali... Sem contar que admitir amar seria admitir a possibilidade de ela machucá-lo um dia. Não, ninguém machuca Daniel Allan David Jones. Ninguém além dele mesmo.
Bem mais tarde e longe dali, estava se arrumando para uma pequena festa que seria dada por sua mãe para o lançamento da nova coleção da sua grife. Usava um corselet preto simples Alexandre McQueen, uma saia de cintura rosa com estampa de renda negra de uma coleção passada de sua mãe, um cinto preto marcando sua cintura, calçava ankle boots pretas também Alexander McQueen, acessórios de correntes complementando o look com mais um toque de rebeldia e para finalizar uma bolsa Hermes retangular. Seu cabelo estava meio preso, meio solto, caindo em ondas como ela sempre gostava que estivesse. Sua maquiagem resumindo-se a olhos bem marcados. Tinha acabado de passar uma última camada de rímel quando sua mãe adentrou em seu quarto como um furacão.
- Filha, você está pronta?
Ela perguntou enquanto entrava, reparando sentada em frente sua penteadeira segundos depois.
- Nossa, você está extremamente linda!
A mulher comentou graciosamente, pegando a filha pela mão e puxando-a para seus braços.
- Você cresceu tanto em tão pouco tempo... Seu internato e o meu trabalho nunca me deixaram perceber que a minha menininha já está assim tão... Mulher. Talvez até na próxima coleção você possa ficar em Londres trabalhando comigo, que tal?
Ela perguntou carinhosa, fazendo com que sorrisse em seus braços, adorando a idéia de trabalhar com sua mãe.
- Acho que o fato de que eu vou estar formada até lá vai ajudar bastante.
alfinetou, sua mãe ficando momentaneamente perdida.
- É mesmo... Você se forma este ano.
A mulher repetiu, soltando a filha e passando a mão por seus cabelos, parecendo catatônica durante poucos segundos. Seu olhar perdendo-se no chão enquanto tentava não notar que sua mãe esquecera que ela estava se formando. Era só um mero detalhe mesmo.
- Hm... Mãe, não tem problema se eu for com alguém hoje, não é?
perguntou insegura, mudando de assunto. Sua mãe recuperou a animação de antes, lançando um sorriso cúmplice antes de responder a pergunta da filha.
- Não, meu amor. O nome do Harry já até está na lista. Mandei um convite para a mãe dele também.
Ela respondeu sorrindo, como quem dizia que tinha descoberto um grande segredo da filha. Uma tristeza repentinamente abateu os olhos de antes que ela respondesse a mãe, sentindo-se ainda mais desconfortável que com a conversa anterior.
- Na verdade, não era o Harry que eu iria levar.
sussurrou, tentando não parecer triste ou coisa parecida. Respirando fundo assim que falou, sentindo uma dor incômoda atingi-la ao falar aquilo.
- Como assim não é o Harry, meu amor? Ele não é seu namorado?
A mãe perguntou num tom que oscilava entre descrença e escárnio. prensou seus lábios um contra o outro, sentindo uma leve vontade de chorar que não sabia se era causada pela notável distância entre ela e sua mãe ou pela constatação de que Harry nunca fora seu.
- Não, mãe. Nós somos só amigos.
Ela respondeu sussurrando novamente, baixando os olhos para suas mãos. A expressão que sua mãe carregava no rosto era completamente pasma. Abriu e fechou a boca à procura do que falar várias vezes, sem saber o que dizer. Por fim, levantou-se e rumou para fora do quarto, parando antes na porta.
- Bem... Eu... Hm.
Ela comprimiu os lábios um contra o outro, um gesto idêntico ao que tinha feito minutos atrás, demonstrando a tensão que sofria. Balançou a cabeça levemente, tentando esquecer o que iria dizer ou formular algo melhor.
- Vou avisar na portaria que você levará um convidado.
Ela sentenciou, por fim, caindo novamente na cadeira de sua penteadeira, enquanto ouvia o barulho do salto da mãe chocando-se contra o piso ficar mais baixo, conforme esta se afastava. A menina ficou sentada ali analisando suas mãos, uma massa desconfortável parecendo sufocá-la por dentro. Não sabia dizer quanto tempo havia passado quando sua empregada veio bater na porta, balançou a cabeça levemente tentando esquecer os últimos minutos e olhou na direção da porta, onde a empregada a esperava timidamente.
- Senhorita , o senhor Judd está te esperando na sala.
A mulher informou timidamente, fitando apenas o chão sob seus pés, um sotaque russo sendo claramente notado em suas palavras. arregalou os olhos levemente diante da notícia, levantando-se rapidamente, pegando sua bolsa em cima da cama e descendo as escadas até onde estaria o menino. A primeira visão que teve de Harry já a fez parar; o menino estava de costas sendo refletido pelo imenso espelho de sua copa. Estava em pé, uma mão no bolso, parecendo extremamente distraído. Usava um óculos aviador, usava um terno preto de corte italiano e uma camisa branca aberta nos primeiros botões. Estava tirando um cigarro do bolso quando percebeu o reflexo de ao lado do seu, sorrindo lindamente e virando-se em direção da menina, mal reparando o quase pânico refletido em seus olhos.
- Sua mãe mandou convites para o lançamento lá para casa... Achei que você gostaria de companhia.
Ele explicou ainda sorrindo para que ainda estava chocada com Harry ali. A menina fechou os olhos, respirando fundo antes de responder:
- Na verdade, eu já tenho companhia, Harry.
noticiou tensa, vendo o sorriso de Harry, que já não estava tão bonito desde que fechou os olhos, dissolver-se de vez. O menino murmurou alguma coisa que ela não pôde entender e os dois ouviram a campainha tocar novamente, permanecendo em silêncio enquanto passos eram ouvidos até eles.
- Já está pronta, amor?
Edward perguntou ao se aproximar de , abraçando-a e colando seus lábios levemente nos dele sem notar a presença de uma terceira pessoa no recinto até que Harry pigarreasse.
- Harry?
O menino perguntou, confuso, apertando seus braços ao redor de como se quisesse ter certeza que ela permaneceria ali enquanto Harry fechava seus punhos tentando segurar sua raiva.
- Ele é sua companhia?
Harry cuspiu a frase com escárnio, os nós de seus dedos estavam brancos devido à força que fazia para se controlar. Edward rapidamente tomou também uma postura rude, abraçando de lado e encarando Harry ferozmente, como se a qualquer momento ambos fossem saltar um sobre o outro para brigar. Por fim, Harry balançou a cabeça e deixou a casa, sendo atingido por antes que chegasse a seu carro.
- Harry...
Ela começou, segurando o braço do menino e fazendo-o virar em sua direção.
- Eu sempre soube que não poderia confiar neste tal de Edward. Nunca fui com a cara dele.
Harry decretou assim que se virou, parecendo falar mais consigo do que com .
- Então, vocês estão namorando, é isso?
Ele continuou. A acidez em suas palavras fazendo com que se encolhesse levemente.
- É, eu acho que é isso.
respondeu olhando para baixo, sua voz baixa e acuada. Harry observou a menina durante um tempo, até que ela levantasse seus olhos e o encarasse de volta. Tomado pela frustração, Harry chutou a grama antes de voltar a andar em direção do seu carro. já estava virando para voltar a sua casa quando sentiu uma das mãos do menino segurar seu pulso.
- , você não pode ficar com ele.
Harry decretou, exasperado, fitando intensamente e assistindo a menina encará-lo com a mesma força.
- Por que, Harry?
- Porque não pode, !
Ele justificou-se vendo puxar seu pulso de seu aperto e caminhar de volta a casa.
- , eu te amo!
Ele gritou, desesperado, na tentativa de fazer com que a menina voltasse. parou ao ouvir aquelas palavras sentindo as lágrimas brotarem de seus olhos e um ressentimento ensandecido brotar em seu peito.
- E então, Harry? O que você espera? Que só por isso eu vá correndo até você e abra mão de tudo, é isso? Eu sempre estive aqui! Eu sempre te amei e você nunca foi capaz de ver nada disto! Nunca!
Ela gritou de volta, as lágrimas cobrindo seu rosto e a raiva banhando sua voz.
- Eu te vi ficar com todas as outras meninas e então quando eu consigo alguém você vem e diz que me ama esperando que eu saia correndo ao seu encontro, é isso?
- Elas não significaram nada, .
O menino respondeu com sua voz baixa, dentro dele sentia como estivesse visitando o inferno ao ver as lágrimas de , tamanha dor que ele sentia, mas ao mesmo tempo sentia-se levado ao seu sabendo que ela se importa. Que ela também o amava.
- Pior, Harry! Muito bom saber que você trocou quem você "ama" por coisas que significaram nada. Desculpa, mas só esse amor não vai ser o bastante. Não dessa vez.
sentenciou dando costas para o menino e caminhando de volta a casa secando as lágrimas que ainda corriam por seu rosto, enquanto o menino dava costas para casa e ia embora. A menina correu diretamente para seu quarto, onde se trancou e chorou sozinha pensando em tudo que já tinha passado até ali. Soltando todo o ressentimento que guardou ao ver Harry com outras e não com ela, contando sobre outras para ela. Ao tempo que Harry dirigia de volta para sua casa, tirou o blazer ferozmente, arrebentando os botões que ficavam no pulso de sua camisa ao tentar abri-los. A raiva de não ter era sentida em todos os seus poros, porém, mais que isso a raiva de si mesmo por nunca notar que a menina o amava e por fazê-la sofrer durante todo este tempo sobrepunha. Socou o volante tentando dissipar sua frustração, mas nada parecia fazer com que aquele sentimento fosse embora.
Horas depois estava de volta a sua casa. A noite tinha sido extremamente tensa. Acabou tendo que refazer toda sua maquiagem antes de ir para a festa de sua mãe, o que a fez chegar atrasada e, além disso, o clima entre ela e Edward não estava dos melhores. O menino parecia extremamente satisfeito com sua briga com Harry enquanto ela não conseguia tirar a cabeça daquelas palavras. Sentia-se deprimida, não só por amar Harry, mas também por todos os anos de amizade que eles tiveram antes disso. Tomou um banho rápido, tirando a maquiagem e indo para sua cama. Ligou a televisão, mas nada conseguia prender sua atenção. Mal passou da introdução de My Fairy Lady. Desligou o aparelho e passou a encarar o teto, até que um barulho vindo do seu celular a tirou de seus devaneios.

Agora que eu sei que você também me ama, eu vou lutar até o fim para ter você para mim. Xx, Harry

Releu a mensagem de Harry inúmeras vezes antes de fechar o celular e jogar-se na cama novamente. Não pôde conter um sorriso ao pensar que Harry a amava, mas também não pôde conter a resistência natural que se ergueu dentro dela. Precisaria de mais que uma mensagem para ele prová-la que aquilo era real.
Tom tinha passado toda madrugada acordado, pensando em . Durante grande parte da noite, tinha ficado em seu quarto. As pernas emboladas nas cobertas, a cabeça pesando pela ressaca, enquanto o céu se tornava cada vez mais escuro para depois tornar-se cada vez mais claro. Sua cabeça parecia querer explodir, uma dor imensa o atingindo pela ressaca da noite passada e fazendo-o considerar uma terceira dose de analgésicos. Mesmo sabendo que era muito tarde, ligou para casa de a sua procura, descobrindo que ela não estava em casa e, pior, que supostamente estaria com ele. Perguntou para empregada para onde eles teriam ido e agora lá estava ele parado em frente ao endereço dado. Tom estava sentado no meio fio. O sol começava a esquentar sob sua cabeça, em sua frente uma casa linda e moderna. Você não desconfiaria de nada caso não visse as garrafas que estavam espalhadas pelo gramado. Estava cogitando ir embora quando viu uma menina fechar a porta da casa cuidadosamente, como se não quisesse que percebessem que ela estava saindo. Usava uma camisa larga demais para ela, uma calça colada ao corpo, salto alto, maquiagem dormida e cabelo um pouco bagunçado. Mesmo que ela estivesse vestida bem diferente do que o habitual, muito mais Halley que , Tom a reconheceu. Não precisou se mover para que a menina o percebesse parado ali.
- O que você está fazendo aqui?
perguntou, assustada, passando a mão pelos cabelos e ajeitando-os atrás das orelhas.
- Liguei para sua casa e você não estava lá. Sabia que sua mãe achava que você estava comigo?
Tom comentou sarcástico, rindo um pouco e olhando para os lados antes de atravessar a rua e parar na frente de . A menina gaguejou levemente antes de respondê-lo, não conseguindo olhá-lo nos olhos.
- Talvez ela só tenha se confundido...
- Ou você se confundiu, afinal era mesmo para você estar comigo. Era para termos ido juntos ao show do Busted, lembra?
A voz de Thomas era cheia de acusação, enquanto encarava a calçada sob seus pés.
- Eu... Hm, a Halley meio que deu uma festa.
explicou hesitante, apontando discretamente para casa e começando a andar em direção a sua própria casa em seguida com Tom em seu encalço.
- Claro, a Halley. Santa Halley! Dane-se o mundo, só a Halley importa.
Tom continuou murmurando ironias até que parou e virou-se em sua direção.
- Cala a boca!
A menina exigiu com um tom de menina mimada imperando em sua voz, voltando a andar logo em seguida, inclusive jogando seus cabelos ao virar-se novamente. Tom ficou momentaneamente chocado com a cena, desde quando agia como uma menina metida de Chelsea? A surpresa de vê-la agir daquele jeito supérfluo fez com que a pouca paciência dentro de Tom acabasse. Não agüentava ver aquela cópia de Halley que estava em sua frente.
- Não, . Eu não vou calar a boca.
Ele quase gritou, fazendo com que a menina parasse de andar novamente, virando-se para ele levemente assustada. Tom andando até ela enquanto falava.
- Eu não vou calar a boca de novo! Não vou fingir que nada está acontecendo com você, com a gente, só porque você é incapaz de conversar!
Os dois ficaram se encarando por alguns segundos, até que voltou a andar em direção a sua casa, Tom seguindo-a novamente.
- Eu vou te ignorar porque você ainda está meio bêbado...
disse parecendo cansada da conversa repentinamente, sua voz saindo num suspiro.
- Não é muito diferente do que você faz quando eu estou completamente sóbrio.
Tom respondeu a seu comentário, dando de ombros e rindo sarcasticamente. parou para encará-lo, já podendo avistar sua casa a uma esquina.
- O que você quer de mim, Thomas?
Ela perguntou, sua voz parecendo frágil, seus olhos marejando.
- Explicações, ! Respostas! Uma ligação! Qualquer coisa...
Tom numerou, dando alguns passos para trás e passando a mão por seus cabelos numa mistura de nervoso e frustração.
- Você não entende...
murmurou, sentando-se na mureta baixa de pedras do vizinho, sua voz novamente frágil e cansada.
- Você nunca tentou explicar.
Tom acusou, encostando-se num poste que estava ao seu lado, esperando até que a menina falasse alguma coisa.
- Meu pai saiu de casa, Fletcher! E você sabe disso? Não!
acusou-o, sem elevar sua voz em nenhum momento, o que só tornava tudo pior.
- Você nunca fala, ! Caso você não saiba, eu não leio mentes, nem tenho bola de cristal para descobrir seus problemas.
Thomas explicou-se, gesticulando e levantando levemente o tom de voz com a menina.
- Você não se importa, é diferente.
decretou, colocando-se novamente de pé e voltando a andar. Somente ouvindo Tom falar atrás de si.
- E a Halley se importa, certo?
Tom perguntou retoricamente, parecendo cansado por aquela discussão, por ver tentar fugir daquela conversa novamente e ainda mais por vê-la acusando-o de não ligar, quando era tudo que ele mais fazia. Ele não a seguiu, o que fez parar novamente para respondê-lo.
- Ao menos ela tenta me ajudar.
declarou por fim, assistindo Thomas rir sarcasticamente mais uma vez.
- Como? Só me diz como. Te embebedando? Te afastando de quem te ama? Te drogando? Eu consigo sentir o cheiro da erva impregnado em você daqui, ! Ótima concepção de ajuda você tem.
Tom falou energicamente, esperava que lhe desse as costas novamente, mas dessa vez ela o respondeu.
- Ela faz alguma coisa!
Ela gritou de volta, frente às acusações do menino.
- Você nunca me deu espaço para tal...
Thomas retrucou simplesmente. Sem subir um tom de sua voz, fitando a menina e sentindo-se cada vez mais cansado daquilo.
- Sabe, talvez ela esteja certa...
comentou, tirando um maço de cigarros do bolso, trazendo um aos lábios e acendendo-o. Thomas apenas esperou com que ela concluísse, assistindo-a tragar e expirar a fumaça.
- Amor não vai levar a nada.
concluiu, continuando a fumar o cigarro sem fitar Thomas, enquanto ele a encarava sem desviar o olhar por nem um segundo. Ela terminou o cigarro, jogando-o no chão e esmagando o com o pé antes de voltar a andar. Tom acompanhou-a até sua casa em silêncio, assistindo-a virar-se em sua direção assim que pararam em frente à mesma, como se presumisse que o menino tinha algo a dizer.
- Se é assim que você vê as coisas, , eu não vejo razão para continuar com isso mais.
Ele declarou simplesmente, os olhos de arregalando-se levemente diante as palavras e seus significados. O medo de perder Thomas atingindo-a fortemente.
- Como assim, Tom?
praticamente miou as palavras, sua garganta presa pelo medo de vê-lo terminar com tudo.
- Eu só acho que se é assim que você as coisas... Talvez seja melhor, sei lá, dar um tempo. Porque depois de tudo que você disse, nem eu sei se quero continuar com isso.
Tom respondeu hesitante e pela primeira vez não olhava para , a dor que sentia ao ouvi-lo dizer aquelas palavras igualava-se a dele ao dizê-las.
- Tom, eu te...
- Não, . Não agora.
Tom cortou-a, imaginando o que a menina diria. engolindo seco ao notar a frieza nas palavras do menino e ao sentir a dor de ser rejeitada por ele. A menina tentou se aproximar dele, as mãos em direção ao rosto do menino, mas ele a segurou e a afastou antes que ela consiguisse tocá-lo.
- Acho que é melhor eu ir embora.
Ele finalizou, dando as costas para a menina e caminhando em direção a sua casa, sem olhar para trás nem uma vez, enquanto sentia as lágrimas começarem a rolar por seu rosto ao vê-lo se afastar, ainda esperando que ele voltasse e dissesse que aquilo era um erro. Chorou mais ainda quando percebeu que ele não o faria. As palavras que Halley havia dito um dia, que ela se negara a acreditar, pareciam se tornar verdade diante de seus olhos ao ver Thomas ir embora e ao sentir todas as dores que agora seu coração lhe causava, mas a única coisa que ela não pensava é que poderia estar doendo para ele tanto quanto para ela.


Capítulo 44
Era quarta-feira e até aquele ponto da semana havia chovido melancolicamente todos os dias, parecendo acompanhar os astrais dos estudantes. Não da maioria deles, já que as férias estavam a poucas semanas de distância e todos estavam extremamente excitados com isso, mas um grupo em especial. Eles ainda se sentavam juntos nas refeições. No entanto, pouco havia daquele velho companheirismo e intimidade.
Tom e mal se olhavam e quando o faziam pareciam refletir um no outro a mesma mágoa, ressentimento e orgulho que carregavam. não fugia mais de Harry, no entanto limitava-se a falar com o mesmo somente o necessário, remoendo-se ao notar o brilho que surgia nos olhos do menino a cada vez que ele a olhava... Menos quando Edward estava ao seu lado. Quando isto acontecia, o brilho encantador se transformava em flamas de raiva que pesavam o espaço mesmo que os dois não se falassem. estava sumida desde a festa, o que deixava Dougie sempre atordoado e amuado. Ele tinha chegado ao ponto de ligar para James a procura de respostas, recebendo uma nada polida resposta antes que o mesmo desligasse o telefone. Apenas Danny e permaneciam bem.
Já era hora do jantar e os alunos dirigiam-se incomumente até ao campo, ao invés do refeitório. Era o jogo de aquecimento para o fim de semana, quando aconteceria a grande partida anual contra a escola rival. Desta vez era apenas o time principal contra o time Junior da escola. Alguns meninos se alongavam no campo, as animadoras de torcida conversavam amontoadas, algumas paqueravam os jogadores... Uma típica cena escolar exaustivamente copiada pelos filmes e seriados. caminhou até os vestiários, querendo dar um beijo de boa sorte em Danny antes que o mesmo fosse para o jogo. Estranhou levemente a presença de Chuck na porta de entrada para o corredor dos vestiários, porém não deu muita importância uma vez que todos os alunos pareciam estar por ali. Usava uma camisa larga e de botão com pequenas bolinhas pretas estampadas, jeans escuro de cintura alta, sapatilhas verdes, alguns acessórios vintage e um cardigã devido ao frio que começava a soprar. Andou tranqüila até a porta do vestiário e preferiu esperar por ali, prevendo grandes problemas e/ou embaraçamentos desnecessários caso entrasse. Riu levemente ao ouvir Danny cantar ópera, sua voz parecendo aproximar-se da porta.
- Hm... Cantando é, Jones?
Uma voz masculina desconhecida perguntou, soando ligeiramente insinuativa e quase maldosa, fazendo com que uma pequena ruga de interrogação surgisse no cenho de .
- É... Algum problema?
Danny respondeu confuso, parecendo não entender o porquê da pergunta repentina.
- Nada, Nada. Sabe que as pessoas apaixonadas costumam cantar muito, não é?
O detentor da voz pareceu rir no final de sua declaração, deixando ainda mais intrigada do lado de fora do vestiário e Danny ainda mais confuso de onde ele queria chegar com aquilo.
- Gente... Está mais do que claro que nosso menino está se amarrando! O tempo inteiro atrás da americana. Inclusive, as más línguas disseram que já houve até pedido de namoro. Que bonitinho! Nosso Danny de coleira!
O menino escarnecia, abusando do sarcasmo em cada palavra, sua declaração sendo seguida por murmúrios de coisas como “que fofo” e etc. inclinou-se mais em direção a porta, esperando a resposta de Danny, porém nada ouviu além da voz desconhecida novamente.
- Na comemoração do jogo... Hm, todas aquelas meninas de outras escolas, com todos aqueles hormônios sedentos por algo novo... Animadoras de torcida sempre tão simpáticas com aqueles peitos balançando enquanto elas pulam com aqueles suéteres apertados... E você aí. Ela já fez brincos das suas bolas ou está esperando para pendurá-las na árvore de natal?
Os meninos riam e aquela foi a gota d’água para Jones. Alguns segundos depois tudo que se pode ouvir foi o estrondo de metal resultante da batida da porta do armário violentamente e Danny gritando sua resposta.
- Eu não estou amarrado!
Ele gritou, logo depois controlando sua voz e seguindo seu discurso.
- É só... Essas menininhas e masturbação para mim têm a mesma diversão. Aquele par de pernas bronzeadas... Bem, aquilo é só uma variação de cardápio.
A voz de Danny tomava um tom vulgar e debochado que só deixava mais enojada a cada palavras. Mal podia acreditar que tudo aquilo estava vindo do mesmo Danny que ela conhecia, daquele que dizia que a amava. Por um momento continuou ali, parada ao lado da porta, ouvindo as declarações de Daniel tornarem-se cada vez mais degradantes e os urros de aprovação aumentarem cada vez mais entre os amigos. Sentiu sua visão embaçar e logo depois sentiu uma lágrima correndo pelo rosto. Ouviu algo tocar na maçaneta da porta ao seu lado e, antes que alguém saísse de lá, deixou o lugar. Vislumbrou de longe o olhar de Chuck a seguir enquanto ela transpassava a entrada do corredor, porém tudo que ela queria era estar o mais distante dali possível. Então não parou e nem reparou na expressão que o menino carregava ao observá-la. Obstinada, ela só parou quando estava bem distante dali.
Pouco depois, os meninos cruzavam a mesma entrada que passara correndo minutos atrás. Danny observava as arquibancadas procurando por , franzindo levemente o cenho ao não encontrá-la. Poucos metros atrás dele, um menino entregava algo nas mãos de uma conhecida loira sem ser notado.
- Então?
Ela perguntou exasperada, depois de desvencilhar-se da boca do menino que agora explorava seu pescoço.
- Hm... Eu ainda não entendo como isso vai te ajudar com o Jones, mas eu prometi curar seu coração e você disse que isso iria fazê-lo. Está aqui.
Ele passou um pequeno aparelho para as mãos de Rose, olhando diretamente nos olhos da menina enquanto falava e assistindo um sorriso satisfeito e encantador brincar em seus olhos.
- Você vai ver como isso vai me ajudar com o Jones, bebê. Só que isso é minha conta.
Ela murmurou em resposta, usando uma voz extremamente doce, ouvindo alguém que estava próximo bufar e o menino levantar a cabeça procurando de onde tinha vindo o som. Rose rapidamente puxou-o de volta, colando seus lábios nos dele.
- Isso me lembrou... E o meu prêmio, hein?
Ele perguntou malicioso, descendo a mão até o quadril de Rose e sorrindo sagaz.
- Tudo na hora certa, bebê... Na hora certa.
Rose respondeu antes de desvencilhar-se dos braços do menino, assistindo-o correr em direção ao campo ainda com os olhos nela, que lhe lançou um beijo. Sentiu uma movimentação ao seu lado e soube que Chuck estava de volta ao lugar que ocupava antes.
- Sabe o que é isso, Chuck?
Ela perguntou retoricamente, um sorriso gelado desenhado nos lábios enquanto colocava o pequeno aparelho na altura dos olhos do menino.
- Vingança.
Ela sibilou sorrindo maliciosa, guardando o pequeno objeto no bolso e partindo na direção dos dormitórios. O jogo havia começado.
Ao mesmo tempo em que isto acontecia no campo, chegava ao colégio. A menina parecia exausta, vestia roupas básicas de outono e a área arroxeada debaixo de seus olhos era quase alarmante. A menina pensou que a viagem até a casa de sua mãe fosse tornar as coisas menos confusas, mas esta resultara em apenas mais um agravante em sua situação. Ela estava ciente de seu não merecimento de Dougie. No entanto, a idéia de deixar o menino lhe parecia tão dolorosa. E ainda havia James. E também... negou-se a pensar naquilo agora. Principalmente porque Dougie entrara em seu campo de visão. Ela sabia que toda aquela confusão e seus hormônios alterados a fariam chorar se ela ficasse pensando nisto agora. E chorar só apressaria a exigência de respostas de Dougie.
- Oi, Doug.
murmurou cansada, sua voz soando rouca e frágil. Dougie findou o espaço entre ele e , selando seus lábios rapidamente aos dela e abraçando-a. podia enxergar a preocupação que fluía deles, sentindo-se mal por isto e também que aquilo poderia ser um problema.
- Você me preocupou, boneca.
Dougie murmurou contra os cabelos de enquanto permanecia abraçando a mesma, seu tom era brando e quase frio. podia sentir uma barreira entre eles, certamente aquele sumiço não significou pouca coisa para Dougie.
- Precisava visitar a minha mãe, Doug. Tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo... Precisava fugir um pouco.
explicou acariciando a nuca de Dougie e sentindo o menino arrepiar-se pela temperatura de sua mão em sua pele quente. Os dedos da menina passaram então a desenhar o maxilar do menino, correr seu rosto delicadamente enquanto os dois apenas se entreolhavam. Depois de algum tempo, puxou gentilmente o rosto de Dougie de encontro ao seu, selando seus lábios nos dele e deixando-o aprofundar o beijo. Os dois se separaram rindo ao ouvir o estômago de roncar.
- Melhor alimentar essa solitária.
Dougie sugeriu bem humorado, entrelaçando seus dedos nos de enquanto ambos caminhavam em direção ao refeitório comentando futilidades e minúcias. sentia a barreira entre ela e Dougie se dissolvia, mas não sumia completamente e se questionou se era assim que Dougie sentia-se ao lado dela com sua permanente reserva. Engoliu seco, mas logo direcionou seus pensamentos para outras coisas, listando mais um tópico para lhe tirar o sono.

No campo, o jogo já havia começado. , , Tom e Edward estavam sentados um ao lado do outro, pouco preocupados com o jogo que transcorria em sua frente. e Tom mantinham os mesmos semblantes entediados, sendo que Tom fingia prestar atenção no jogo e parecia estar mais interessada em fingir que estava num funeral ou algo assim, comentando qualquer futilidade com assim que Edward dava oportunidade.
- Você não se sufoca, não?
perguntou em voz baixa para quando Edward levantou-se para ir ao banheiro ou algo assim.
- Ah, ... É só que... Hm, Você e o Tom também são assim.
pareceu procurar desculpas para a doçura entre ela e Edward, arrependendo-se de usar o exemplo de e Tom assim que viu o olhar azedo da amiga para o menino ao seu lado.
- É, também acho. Nem agüento tanta candura, poderíamos abastecer o mundo com o açúcar que é a nossa relação.
falou sarcasticamente, gesticulando, mas sem demonstrar nenhuma emoção específica, a não ser mágoa.
- Você vai contar o que aconteceu?
perguntou depois de alguns segundos de silêncio, quando percebeu que a onda de ressentimento e ironia havia passado.
- Implica em muita coisa, . Muita coisa que é melhor... Bom, é melhor ninguém saber.
respondeu amargurada, olhando fixamente para o campo sem ver nada.
- E por que seria assim? , nós somos amigas desde sempre. Sabe que pode dividir as coisas comigo.
declarou, virando-se sensivelmente na direção de e olhando diretamente nos seus olhos.
- Vocês iriam brigar comigo. Vejo você tendo uma síncope.
riu levemente no final de sua observação, soando sombria, o que fez ficar ligeiramente assustada. O que poderia estar acontecendo afinal?
- ... Você sabe que pode contar com a gente, não sabe? Sabe que pode contar comigo, não é? Você tem estado estranha há um tempo, mas isso não muda nada. Nada mesmo. Ainda é minha melhor amiga. Você sabe disso, não sabe?
perguntou encarando a amiga, não como um desafio, mas para ter certeza que ela estava acreditando em tudo aquilo que ouvia. Subitamente, tudo o que queria fazer era jogar-se nos braços da amiga e chorar. Sabia que a ouviria, daria-lhe um pote inteiro de sorvete para que ela comesse enquanto desabafasse, que ela deitaria a cabeça no colo da amiga e elas conversariam por toda a madrugada, como tinha sido sempre. Só que também sabia que as proporções do que ela falaria desta vez seriam bem maiores do que seus dramas adolescentes anteriores. A conexão das duas foi quebrada pelo sacolejar da arquibancada enquanto todos gritavam e pulavam comemorando o gol recém-feito. não queria deixar de olhar a amiga, sentia que ela estava precisando de ajuda, que ela estava prestes a lhe dizer algo, mas Edward estava de volta e exigia sua atenção. Olhou na direção do menino, lançando-lhe um sorriso doce e beijando-lhe os lábios rapidamente enquanto o mesmo passava o braço por seus ombros. Repentinamente, se sentiu sozinha de novo. Observou Tom ao seu lado, querendo que ele a abraçasse, que tudo fosse como antes... Ele parecia paquerar a menina que estava de seu outro lado e a lembrança da última conversa dos dois a atingiu como uma lâmina cortante. Estava pronta para levantar dali, já sabendo quais seriam suas vias de escape, quando sentiu a mão de sobre a sua na arquibancada. Segurou forte na mão da amiga, como da vez que as duas foram juntas para a Disney nos brinquedos perigosos. soube que não estava sozinha e lá dentro, desejou ter se lembrado disso desde o primeiro momento.

estava sentada há algumas horas na metade do caminho entre o campus da escola e o galpão onde os meninos costumavam ensaiar. Tinha pensado em ir lá, porém a idéia de estar em um lugar tão impregnado de Danny quanto aquele lhe pareceu tenebrosa, então parou por ali mesmo. Ignorava o medo de estar sozinha naquelas árvores, no meio do nada. Duvidava que dali alguém pudesse ouvir se ela gritasse e achava que isto era até bom. Estava se sentindo tão suja e tão enraivecida desde as declarações de Danny no vestiário, que queria explodir os pulmões em um grito se possível, para espantar todo aquele atordoamento e desapontamento que a tomou. Estava partindo para o segundo maço de cigarros quando ouviu alguns passos, sem se importar de olhar para ver quem era.
- O jogo terminou... O time sênior ganhou, caso a informação interesse.
A voz grave e conhecida de Chuck ressoou no espaço entre os dois enquanto ele se sentava ao lado de e estendia as mãos para o cigarro.
- Ferre-se o time sênior.
respondeu amarga ao comentário do amigo, expelindo a fumaça do cigarro ao falar.
- Vai me contar o que aconteceu para você sair correndo e chorando?
Chuck perguntou depois de alguns segundos, ele e fitando o nada a sua frente.
- Me sinto uma babaca com você colocando assim... “Sair correndo e chorando” é ridículo.
comentou, pareceu tentar esquivar-se da pergunta de Chuck, no entanto ele esperou até que ela respondesse.
- Daniel Allan David Jones, também conhecido como filho da puta. Esse é o motivo por qual eu... Hm, vim parar aqui.
declarou rudemente, tragando mais uma vez seu cigarro. Não sabia muito bem o que esperar de Chuck ao ouvir aquela declaração. Quer dizer, com suas amigas seria previsível: ajudaria a xingar, diria que ele não era bom o bastante e ouviria. Mas e Chuck? O quanto ela conhecia do menino que estava ao seu lado? E por que ele sempre parecia estar ali quando o problema era Daniel? Chuck mudou de posição antes de falar qualquer coisa, parecendo desconfortável.
- Babaca. Ele também é conhecido como babaca.
Chuck falou depois de um tempo, jogando longe a ponta do cigarro e deitando-se, fitando o céu cheio de nuvens e a noite pouco iluminada. deitou-se ao seu lado e os dois ficaram ali em silêncio, até que outros passos se aproximassem.
- ?
Ela ouviu Danny chamar e todos os sentimentos que pareciam ter sumido durante aquele silêncio pareceram voltar de forma ainda mais intensa. Inclusive a vontade de chorar, fazendo com que ela mordesse o lábio para controlar-se. Sentou-se calmamente, vendo o semblante anuviado de Danny ao fitá-la deitada ao lado de Chuck ali.
- Algum problema?
Ela perguntou fria. Os olhos de Danny correndo o espaço entre ela e Chuck como se quisessem checar que não havia acontecido nada ali.
- Você não foi ao jogo.
Ele acusou com um tom distante semelhante ao que havia usado com ele há pouco. A menina ficou em silêncio, fitando as unhas a procura de alguma imperfeição, fazendo com que Danny transbordasse sua impaciência pouco tempo depois.
- Você pode me explicar o que está acontecendo aqui?
Danny perguntou apontando de Chuck para ela, assistindo o menino sentar-se e fitá-lo com frieza.
- Aconteceu que eu descobri que cansei de você, Jones. Simples assim.
observou a capa de indiferença de Danny desmoronar por alguns segundos, dando lugar a uma confusão que fez com que repentinamente ela se sentisse sufocada. O menino apenas a fitou a procura de mais explicações e ela desviou os olhos dele para noite, evitando que sua voz falhasse enquanto ela continuava sua explicação.
- Percebi que o seu little cock não é uma diversão assim tão grande mais. Quer dizer, ele nunca foi uma grande distração, se é que me entende, porém estava servindo como um belo passatempo...
riu levemente no final de sua explicação sarcástica, mordendo os lábios ao olhar na direção do menino e ver sua desolação estampada nos olhos.
- O que foi, Jones? Está esperando que eu faça brincos das suas bolas?
desafiou, levantando uma das sobrancelhas, porém engolindo seco ao mesmo tempo. Danny retomou sua pose pseudo-indiferente e fechou os punhos, levantando o queixo altivo antes de deixar o local em direção ao galpão, lançando um olhar de extrema mágoa e ira para enquanto passava por ela, que preferiu tirar um cigarro do bolso e novamente encarar a noite. Assim que Danny estava longe o bastante, a capa de apatia deixou sua expressão, dando lugar à desolação. Chuck jogou-se na grama mais uma vez, sorrisos de vitória escorregando por seus lábios sem dó, fazendo com que se sentisse ainda pior. No entanto, ela sabia que Danny merecia aquilo. Ainda assim não fazia parecer certo. Levantou-se e caminhou de volta a escola vendo Chuck observá-la ir confuso, mas não o bastante para que seus sorrisos sumissem ou que fosse atrás de Naná. Colocou os braços por baixo da cabeça e continuou a observar a névoa da noite fria, o mesmo sorriso ganhador brincando nos lábios. Ele não se importava, idiota era aquele que achava o contrário.


Capítulo 45
Dois dias depois, as coisas estavam ainda piores, se assim fosse possível. A áurea que cercava ambos os quartos era pesada e melancólica com poucos pontos de alívio pelas férias que chegavam. Danny passara toda a noite acordado, escrevendo novas músicas e bebericando uma cerveja que tinha achado em meio às coisas de Tom, desejando que fosse algo mais forte. Tom parecia distante como sempre vinha sendo, a diferença foram as marcas avermelhadas que cobriam seu pescoço quando ele entrou no quarto já no meio da madrugada. Harry ajudava Danny em sua canção, sua mente escorregando para na menor das distrações enquanto ele percebia que teria de se acostumar em não tê-la. Dougie ajudava os amigos com uma palavra ou outra, o mais otimista entre os amigos e ainda assim um pouco triste. Sentia que havia algo de errado com e não saber o que era vinha o incomodando profundamente. No quarto das meninas, a coisa não estava tão diferente. estava quase o tempo todo ausente, retornando com fome, sono e pupilas do tamanho de moedas. constantemente sentia-se enjoada, parecendo sempre preocupada e triste. estava mais calada do que nunca, trabalhando mais do que o necessário nas tarefas do colégio e respondendo monossilabicamente a tudo que a perguntassem. , assim como Dougie para os meninos, era a menos abalada ali, preocupando-se mais com as amigas e seus estranhos comportamentos do que com o incômodo que vinha sentindo com Edward e suas atitudes.
Enquanto todos iam tomar café, decidiu seguir para o estúdio de dança do colégio. Extraordinariamente, não usava suas sapatilhas vermelhas ou nada do que normalmente usava para ensaiar. Estava tão normal quanto às outras meninas costumavam estar. Repetia exaustivamente os mesmos movimentos, sem nenhuma música, parecendo estar muito mais focada na confusão que estava sua cabeça do que no que estava fazendo. Não notou que estava acompanhada até ouvir a professora começar a numerar seus movimentos. As duas passaram algum tempo assim até que a mulher interrompesse e começasse a falar.
- Vai ter mesmo que trabalhar duro para manter seu solo, .
A jovem senhora sentenciou, seu sotaque francês ressoando levemente enquanto ela se punha na frente de que não baixou seus olhos até ela.
- Não sei se posso dar um solo de tamanha importância para uma aluna que está engordando tanto quanto você. Quer dizer... Não é nada que com algumas semanas de alimentação balanceada você não consiga perder. Afinal, é só uma pequena protuberância abdominal... A não ser que não seja só isto.
A mulher pareceu querer insinuar alguma coisa e naquele ponto os olhos de já começavam a marejar, porém ainda assim ela manteve o queixo alto, sem responder ou fazer qualquer menção a senhora que estava em sua frente. Mantendo a posição como se o treino não houvesse sido interrompido.
- Uma hora você sabe que vai ter de lidar com isto, não sabe?
Desta vez a senhora puxou levemente o queixo de , obrigando-a a fitar seus olhos imensamente azuis e cansados.
- Eu só sei que isto é problema meu.
respondeu severa, retirando seu rosto das mãos da senhora e voltando a praticar como se ela não estivesse ali.
- Fingir que não existe não vai fazer isto sumir, . Alguma hora você vai ter que contar para alguém. Alguma hora alguém vai perceber... Ele vai perceber. Já pensou nisto?
A senhora continuou parecendo realmente preocupada desta vez e mais uma vez ignorou-a. Já tinha ouvido tudo aquilo de alguém com mais relevância que sua professora de ballet. Já tinha tomado sua decisão. Percebendo que a menina não responderia mesmo, a mulher deixou o estúdio. A menina continuou praticando, sentindo seus pés reclamarem doloridos dentro das sapatilhas, ignorando-os tanto quanto havia ignorado a mulher. Sem que pudesse controlar, as lágrimas começaram a rolar por seu rosto; não sabia exatamente pelo que chorava, mas não se incomodou em secar as lágrimas e apenas continuou dançando. Ouviu a porta se abrir mais uma vez e, deduzindo que seria novamente sua professora de ballet, afirmou rudemente:
- Já disse que é problema meu.
- O quê?
Ela ouviu Dougie perguntar confuso atrás dela, fazendo-a prender a respiração e levar as mãos para o rosto no mesmo momento limpando as lágrimas, porém não antes que o menino as notasse.
- Você estava chorando?! O que aconteceu, ?
Dougie questionou exasperado, seus olhos azuis pareciam estar em chamas enquanto encaravam a procura de respostas e a mesma fitava o chão.
- Não foi nada, Dougie.
respondeu em um murmúrio levantando os olhos para fitar o menino de volta. Os dois ficaram em silêncio durante algum tempo, até que Dougie o partisse.
- , o que está acontecendo?
Dougie questionou mais uma vez, sua voz firme fazendo da pergunta uma exigência.
- Nada demais. É que eu estava praticando há muito tempo já...
Ela começou a explicar olhando para o chão quando Dougie a cortou.
- Você sabe que não é isso o que eu quero dizer.
O tom de Dougie era firme novamente, fazendo com que levantasse os olhos para ele em silêncio.
- Já faz tempo que você está mais distante que o normal. Você estava totalmente estranha no show, some por uns dias sem ligar nem para avisar que está viva. Agora você está chorando... E não me venha com essa de treino. O que está acontecendo, ? Me diz, porque eu estou cansado de imaginar!
O tom de Dougie beirava o grito, toda a confusão e frustração do menino estavam impressas naquelas palavras. As lágrimas já estavam rolando novamente pelo rosto de sem que ela tentasse as esconder novamente. A menina chegou a considerar mentir, mas assim que encontrou o desespero nos olhos de Dougie desistiu da idéia.
- Acho que nós temos muito que conversar, Dougie.
Ela disse num suspiro cansado, retirando as sapatilhas e jogando-as ao seu lado.
- É, eu imaginei que sim.
Dougie falou em resposta encaminhando-se para um sofá que ficava no canto da sala, perto do lugar onde os alunos costumavam deixar suas coisas, assistindo andar até o seu lado. Os dois só se olharam durante algum tempo enquanto decidia por onde começar.
- James disse que me ama. Não só como meia irmã... Amor mesmo.
O tom de fazia do fato um simples comentário, a menina encarando nada mais que suas mãos enquanto falava. Dougie emitiu um som que pareceu um riso abafado, sem humor algum apenas ódio.
- Então é isso que você tem para me dizer... Pelo menos fica mais claro por que ele me odeia agora.
Dougie continuava com o tom mórbido ressoando em suas palavras, incentivando a prosseguir em seguida.
- Ele me beijou.
adicionou, levantando os olhos para Dougie e vendo o menino enrijecer conforme absorvia a informação.
- O quê?
Ele perguntou seco, alguns segundos depois. Por algum motivo ouvir Dougie falar daquele jeito machucou os ouvidos de e a fez encolher-se sensivelmente.
- Ele me beijou, Dougie. Eu...
voltou seus olhos para suas mãos novamente, começando uma explicação vã, uma vez que Dougie a cortou sem que ela pudesse continuar.
- E foi então que você resolveu que terminaria comigo?
Dougie falou baixo e cortante, uma tensão ainda maior instaurando-se assim que a pergunta foi proferida.
- Então é isso que você quer?
murmurou de volta, ouvindo Dougie bufar em resposta.
- É isso que você quer! Está claro em cada um dos seus atos. Não tente negar, .
Ele quase gritava novamente, fazendo com que gritasse de volta.
- Não, Dougie. É você quem está sugerindo isso!
Os dois ficaram em silêncio novamente, suas respirações pesadas e olhares raivosos sendo cruzados entre os dois.
- Acho que chegamos a um consenso, então.
Dougie finalizou dando ombros e levantando-se com um sorriso amargo nos lábios. Ele lançou um último olhar magoado na direção de e deixou a sala pouco antes da menina começar a chorar copiosamente.
A manhã passou sem que ninguém quase se encontrasse; nenhum deles comendo juntos durante o intervalo. À tarde, as aulas estavam liberadas, mas ninguém iria sair da escola devido a festa que haveria mais tarde como pré-jogo. e decidiram fazer uma pré-festa como faziam quando eram mais novas, alugando filmes, enchendo o quarto de guloseimas e opções de roupas e maquiagem. Estavam começando a se arrumar quando o telefone de tocou; o visor indicando que era Harry.
- Oi, Harry.
Ela falou dando pause no filme e fazendo com que a observasse atentamente devido ao autor da ligação.
- Oi, ... Tudo bem?
Harry respondeu, sua voz entrecortada como se estivesse caminhando e falando ao mesmo tempo.
- Tudo ótimo, e você?
- Tudo bem. Então, os meninos vão fazer um último ensaio antes de tocar na festa hoje à noite, você quer assistir?
- Eu... Hm, eu até gostaria, Harry, mas eu estou aqui com a e nós vamos fazer uma pré-festa de meninas.
riu levemente no fim da sua frase. Harry ficou em silêncio durante alguns segundos do outro lado da linha, com certeza duvidando da veracidade da justificativa da .
- Ok. Você vai mais tarde, não é?
- Claro.
- Ok. Então até lá, beijos.
- Beijos.
disse antes de desligar e encarar que já a olhava antes.
- Se quiser ir, ...
começou a sugerir assistindo acenando em negação.
- Nada disso. Precisamos de um tempo de qualidade como amigas, vamos esquecer estes machos por hoje. Mesmo porque ir assistir o Harry me traria grandes problemas com o...
foi cortada pelo celular tocando em suas mãos, sorrindo levemente ao perceber quem era.
- Oi, amor. Não morre tão cedo.
disse atendendo, começando a fazer coraçõezinhos com as mãos e soltar beijinhos para de brincadeira.
- E posso saber o que a senhorita estava falando de mim?
Edward respondeu com bom humor. gelou ao seu pedido, uma vez que ele remetia a Harry e tentando controlar o nervoso em sua voz ao responder.
- Nada demais, a está aqui.
- Ah, sim... Então, eu estava querendo ir à cidade tentar arranjar uma fantasia decente para a festa mais tarde e talvez assistir um filme. Que tal?
- É que eu tinha planejado passar à tarde com a , sabe? Para nos arrumarmos juntas, como fazemos desde que começamos a freqüentar a festa.
respondeu num muxoxo, ouvindo Edward respirar fundo do outro lado da linha.
- Simples: cancela com a e vamos.
- Edward, não posso!
- , você mesma disse que vocês fazem isso todo ano! Eu sou seu namorado, tenho prioridade.
A voz de Edward era possessiva e impaciente, deixando irritada.
- Edward, eu já tenho passado a maior parte do meu tempo com você. Eu quero ficar um pouco com a minha amiga.
argumentou e sentiu-se culpada ao fitar a amiga.
- Porra, !
O menino esbravejou do outro lado, murmurou um “tchau” e desligou o telefone. fitava a amiga cautelosamente, percebendo o olhar chateado de para o aparelho que estava em suas mãos.
- ... Não tem problema se você achar que deve ir com ele.
propôs com cuidado, vendo negar enquanto colocava o celular em cima da sua mesa de cabeceira.
- Não, . Ele tem que entender que eu não sou propriedade dele. Não é porque ele é meu namorado que eu tenho que abrir mão de tudo para ficar com ele.
falou num tom sóbrio, mas que lá no fundo mostrava o quanto a menina estava chateada com ele.
- Você quer conversar sobre isso?
perguntou sentindo que havia mais do que aquela ligação magoando , vendo a amiga morder levemente o lábio inferior e dirigir seu olhar para outro lado do quarto.
- É só que... O Edward é super fofo, sabe? Porém tem dessas. Eu sei que ninguém é perfeito, mas toda vez que ele começa com essas crises possessivas a única coisa que eu consigo pensar é que com o Harry não seria assim.
parecia estar se segurando para não chorar. permaneceu em silêncio e esperou que ela continuasse.
- E eu gosto do Edward. Gosto mesmo. Só que é tão diferente do que eu sinto pelo Harry... Depois do que ele disse, então. Minha cabeça se enche de “e se” toda vez que o Edward começa com essas coisas possessivas, com muito ciúme, com atitudes idiotas. Se eu realmente gostasse dele, eu sei que eu agüentaria isto. Mas...
- , o que o Harry disse?
perguntou cortando a amiga e observando o olhar de voltar a encará-la.
- O Harry disse que me ama, .
respondeu simplesmente enquanto ficava boquiaberta.
- E por que você não me falou nada disso antes?
exigiu, vendo parecer sem jeito antes de falar.
- Ah, ... Você não tem estado muito você na maior parte do tempo e estava toda abalada com o Tom. Não era tão importante assim. Mesmo porque, como eu estou namorando o Edward, não faz tanta diferença o que o Harry diz.
tentou parecer indiferente, fazendo com que rolasse os olhos após sentir uma pontada de culpa no fundo do peito. Estava sendo tão egoísta com as amigas, tão focada nos seus próprios problemas que mal percebera precisando de sua ajuda logo ali. Não podia comparar a dimensão de seus problemas aos dela, no entanto deveria estar ali para apoiá-la tanto quanto sempre esteve ao seu lado.
- Você é apaixonada pelo Harry desde sempre, sabe que faz diferença sim.
sentenciou, observando respirar fundo, dar de ombros e voltar-se ao filme que estava pausado na TV. “Vamos fingir que não”, ela respondeu mentalmente. Com o tempo a história do filme acabou prendendo a atenção das meninas, parando por algum tempo só para responder umas mensagens que chegavam em seu celular. No meio do filme, a porta do quarto se abriu revelando carregada de potes de dois potes de sorvete Häagen-Dazs.
- Hm... Oi, meninas.
Ela disse depois de engolir uma colherada do pote aberto, caminhando para o lado das amigas e entregando o pote que ainda estava fechado para as duas.
- Chocolate belga.
Ela noticiou, observando as amigas comemorarem e sorrindo frente a isso.
- E o seu é de quê?
perguntou e passou o pote até ela.
- Pistache.
recusou o pote, fazendo uma careta para o sabor vendo dar de ombros e voltar a comer de seu pote.
- Häagen-Dazs é tão sorvete para fossa, não é? Além de te deixar gorda, também te deixa pobre pelo preço.
comentou rindo levemente, sendo seguida por , mas não por que se limitou a uma tentativa de sorriso.
- Aconteceu alguma coisa, ?
perguntou depois disso, não querendo ser egoísta com como tinha sido com . Enchendo-a de seus problemas e esquecendo que as pessoas têm seus próprios.
- Doug terminou comigo.
riu sem humor, afundando sua colher no sorvete novamente e colocando na boca.
- Como assim? Por quê?
oscilava entre a estupefação e revolta, reparando as bolsas inchadas abaixo dos olhos de denunciando que ela havia chorado muito assim que a amiga a olhou.
- Longa história. Talvez seja melhor assim.
disse num suspiro, olhando para frente novamente e as meninas preferiram não pressioná-la a maiores respostas. Perguntaram-se onde andaria e até mesmo tentaram ligar para a amiga, sem conseguir resposta.
Já era inicio de noite quando as meninas começaram a se arrumar. tomava banho, enquanto colocava as suas opções de fantasia em cima da cama e espalhava suas maquiagens sobre a escrivaninha que usavam para estudar.
- Você vai de quê, ?
perguntou quando acabou de arrumar as opções sobre a cama, vendo a amiga dar ombros.
- Não sei nem se vou, . Não estou com ânimo para festas.
respondeu parecendo cansada.
- Nada disso, ! Você vai sim. É uma festa, ótima oportunidade para tirar as coisas tristes da cabeça.
falou segurando os ombros de e encarando-a, como se tentasse passar um pouco de animação para a amiga; sem sucesso. As duas continuaram rodando por ali, esperando que vagasse o banheiro até a chegada de .
- Olá, meninas.
disse sorrindo, carregando um cabide com as roupas protegidas por uma capa colocando-o ao lado das fantasias de .
- Tentamos te ligar à tarde, .
comentou e justificou-se dizendo que estava atrás de sua fantasia perfeita, fazendo com que as amigas ficassem perturbando-a até que ela tirasse da capa.
- Homem?
questionou franzindo o cenho para a roupa a sua frente.
- Hitler?
especulou, os lábios formando uma linha tensa em desaprovação da escolha da amiga.
- Charles Chaplin, gente!
explicou estupefata pela incompreensão das amigas ouvindo as duas murmurarem qualquer coisa em entendimento. Pouco tempo depois, deixou o banheiro, tomando seu lugar no mesmo. Cerca de duas horas depois as meninas estavam todas prontas: era Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo, usava um casaco camurça roxo e saia de cintura alta verde com meia calça rendada também verde numa releitura feminina do Coringa, usava sua fantasia de Charles Chaplin ainda que ninguém reconhecesse até que ela explicasse e remetia a rainha vermelha de Alice. As quatro deixaram o quarto juntas, indo no mesmo carro até a casa onde aconteceria a festa.
Enquanto isso, os meninos arrumavam os instrumentos, já no local da festa. A casa utilizada anualmente para as festas dos alunos era grande, afastada do centro de Surrey. No primeiro andar estava a cozinha, duas grandes salas, um escritório e alguns banheiros enquanto em cima ficavam os quartos. A cozinha era onde ficava a comida e a bebida da festa, uma sala sendo utilizada por bandas ao vivo e a outra por um DJ, o escritório não abrigava nada e os quartos eram usados por casais que quisessem alguma privacidade. O local já estava relativamente movimentado, algumas pessoas fantasiadas tradicionalmente como princesas, fadas, personagens de desenhos animados e outros sendo mais exóticos com fantasias que variavam de bombom até absorvente interno. Tom estava fantasiado de Jedi, Harry de James Bond, Danny de Mario Bros e Dougie de zumbi.
- Acho que está tudo pronto.
Danny avisou checando um último cabo e vendo os amigos acenarem em confirmação. Os quatro direcionaram-se à cozinha, já encontrando alguma dificuldade para se mover pelo espaço lotado, notando a presença de quatro meninas recém-chegadas à festa antes de atingirem a cozinha e paralisando frente à visão. , , e encaravam de volta sem saber muito que fazer. Da sala com o DJ, uma música começou a soar:
- Now, let’s party.


Capítulo 46
A festa já havia começado há algumas horas e a casa estava apinhada de pessoas, tornando o simples ato de andar desafiador. Os grupos não se cruzaram muito, agindo como se não se importassem com o que o outro fazia, mas reagindo as ações um dos outros.
Enquanto de um lado da sala, perto de um barril de cerveja, Tom e Danny enchiam a cara acompanhados de algumas meninas pouco vestidas, dançava sensualmente com um menino de sua sala de filosofia e ficava com um desconhecido. As expressões dos meninos não eram as melhores, músculos tensos e olhares de ódios, raiva extravasada em beijos e toques indiferentes nas garotas que estavam ao seu lado.
Harry se encontrava na outra sala da casa, observando atentamente e esperando um momento de separação dela e de Edward para poder ir até ela. Fingia estar conversando com seus amigos, sentindo-se enciumado a cada toque, beijo, carinho e dança trocados entre e seu namorado e odiando-se ainda mais por não ter percebido antes como se sentia sobre sua amiga e como a mesma se sentia em relação a ele. Colocou as mãos nos bolsos, amassando um pedaço de papel que havia em um de seus bolsos ao ver Edward murmurar algo no ouvido de que a fez corar logo depois da menina dizer-lhe alguma coisa. Pouco tempo depois, plantou um rápido beijo nos lábios do menino e andou em direção ao banheiro sendo seguida por Harry.
- Você não é Alice, mas me leva ao país das maravilhas...
Harry falou no ouvido de quando a mesma já estava na fila para usufruir do toalete. A menina virou-se pronta para dar um fora no dono da cantada barata quando o encontrou a centímetros de seu rosto, encostado na parede de forma desleixada e um sorriso maroto brincando em seus lábios.
- Ah... Hm, oi.
Ela disse temporariamente desnorteada pela beleza do menino e sua proximidade, dando um pequeno passo para trás e assistindo o sorriso de Harry alargar-se.
- Você também não está nada mal, Bond.
continuou a brincadeira, olhando Harry dos pés a cabeça e piscando um de seus olhos para ele, a tensão que a invadira quando percebeu o menino ali se suavizando aos poucos. Antes de ser o garoto ainda mais sexy e charmoso do que o normal, que ela sempre amou e que agora descobriu que a amava também, ele era Harry. Harry Judd, seu melhor amigo e ponto.
- Meu nome é Judd, Baby... Harry Judd.
O menino brincou passando a mão nos cabelos e puxando a gola da camisa que ele estava usando, fazendo sorrir e enlouquecer por dentro.
- Então... A festa está legal, não é?
puxou o assunto ao ouvir uma nova música tomar o ambiente, não tão alta quanto estava em outros cômodos da casa.
- É... Música, cerveja...
- Mulheres.
complementou a fala de Harry arrependendo-se de tal logo em seguida, quando sentiu os olhos azuis de Harry se incrustarem nos seus de forma intensa e profunda, aprisionando-a a eles e partilhando certo ressentimento que o menino sentia em não tê-la.
- Na verdade, faz um tempo que para mim a única que importa é você.
Harry afirmou dando de ombros, desviando os olhos de e acendendo um cigarro que tirou de seu bolso.
- Então... Vocês vão tocar hoje ou o quê?
perguntou depois de um tempo assistindo Harry divertir-se com a fumaça que saía de seus pulmões, expelindo-a em arcos.
- Ah, é. Sim, nós vamos.
Harry parecia ter sido lembrado daquilo naquele momento, parecendo subitamente ansioso.
- O que foi? Você nunca ficou nervoso com uma apresentação! Estão aprontando alguma coisa especial desta vez, é?
insinuou com um sorriso, assistindo Harry lançar-lhe um sorriso carinhoso enquanto respondia segurando levemente seu queixo.
- Você deveria ter vindo de Sherlock! Encaixaria bem melhor em você.
Ele sugeriu com a voz mais baixa e aveludada do que o necessário, fazendo com que mordesse seu lábio inferior e desse mais um passo de segurança para trás.
- Então eu estou certa?
Ela retomou a conversa e Harry sua postura anterior.
- Na verdade, só acho que “elementar, meu caro Watson” combina bem mais com você que “cortem as cabeças”.
cruzou os braços ao ouvir a resposta do menino, encarando-o desafiadoramente até que ele se rendesse.
- É... Você acertou, admito. E já que você tocou no assunto, eu tenho algo para te entregar que você só vai abrir na última música, tudo bem?
Harry começou a dizer olhando fundo nos olhos de assistindo a menina assentir que faria como ele estava pedindo. Ele tirou um pequeno pedaço de papel amarrotado do bolso e entregou a ela, observando-a guardar dentro do decote coração formado por seu vestido.
- Desculpa, não tenho bolsos.
Ela justificou com um sorriso sem graça e Harry deu ombros, mostrando que não tinha importância, deleitado pela visão que lhe rendera. Antes que eles pudessem falar qualquer outra coisa, a porta do banheiro se abriu e a vez de chegara.
- Harry, o que tem de tão importante na música?
perguntou séria antes de fechar a porta do banheiro.
- É uma música nova. Só promete que não vai ler o bilhete até lá.
Ele pediu e iria contestar, só que a menina que vinha a seguir dela na fila começou a reclamar sobre sua demora fazendo com que a menina fechasse a porta e Harry se afastasse a contra gosto.

Pouco tempo depois, os meninos estavam no palco, prontos para sua apresentação. Danny e Tom estavam tão sóbrios quanto todas as cervejas consumidas permitiam, Harry parecia um tanto nervoso em sua bateria e Dougie encontrava-se cheio de marcas de batom por todo seu maxilar e pescoço, ainda assim parecia melancólico e extremamente irritado pela menina que dava pulinhos e acenava na beira do palco improvisado.
O show transcorreu maravilhosamente bem. As pessoas cantavam algumas músicas junto com os meninos e respondiam bem as canções tocadas por eles, que apesar de não estarem em sua maioria tristes ou ressentidos, estavam dando suas almas e arrasando no palco.
- Bom, pessoal, esta é nossa última música hoje.
Tom começou a dizer, seus olhos passeando pela plateia aparentemente só por hábito, porém ele estava à procura de que assistia ao show de um dos cantos da sala.
- E talvez ela tenha algumas coisas a dizer... Nós chamamos de “Too Close For Comfort”.
Danny completou antes de começar a tocar, sendo acompanhado por seus amigos. O clima da sala anuviou-se, afinal de contas os meninos eram um pouco populares e ainda que as pessoas não soubessem de toda sua vida, perceberam o quão estranho tudo estava para eles. Alguns começaram a cochichar procurando as meninas pela sala. engoliu seco, sentindo o braço de Edward apertar-se ao redor de sua cintura e encontrando o olhar de alguém que ela não via há muito tempo. Annie a encarava diretamente há uma certa distância, seus braços cruzados sobre o peito e uma expressão amedrontadora em seu rosto. Enquanto isso, afastava o menino que estava consigo ao ouvir as palavras de Danny e fazia o mesmo. Já ouvia o show do lado de fora da casa, próxima a uma das janelas, abraçada as suas pernas e sentindo as lágrimas correrem por seu rosto, antes mesmo que Danny falasse qualquer coisa.

I never meant the things I Said
(eu nunca quis dizer às coisas que eu disse)

To make you cry

(para fazer você chorar)

Can I say I'm sorry

(eu posso dizer que sinto muito?)

It's hard to forget

(É difícil esquecer)

And yes I regret

(E sim, eu me arrependo)

All these mistakes

(De todos estes erros)


Tom começou a cantar, sendo acompanhado por Harry que murmurava a letra da música em sua bateria olhando diretamente para que começava a sentir-se mal por estar ali.

I don't know why you're leaving me
(Eu não sei por que você está me deixando)

But I know you must have your reasons

(Mas eu sei que você deve ter suas razões)

There's tears in your eyes

(Há lágrimas em seus olhos)

I watch as you cry

(Eu assisto enquanto você chorar)

But it's getting late

(Mas está ficando tarde)


Dougie não levantou os olhos de seu baixo, mas a tristeza que cruzou seus olhos ao ouvir o amigo cantar aquela parte da música, tornava inquestionável que aquilo havia sido escrito para .

Was I invading in on your secrets
(Eu estava invadindo seus segredos?)

Was I too close for comfort

(Eu estava perigosamente perto?)

You're pushing me out

(Você está me afastando)

When I'm wanting in

(quando eu quero entrar)

What was I just about to discover

(O que eu estava a ponto de descobrir?)

When I got too close for comfort

(Quando cheguei perigosamente perto)

And driving you home

(Levando você para casa)

Guess I'll never know

(Acho que eu nunca saberei)


Os olhos de Thomas encontraram o de na multidão naquele exato momento, sem desviarem dos dela por nem um segundo depois; as acusações feitas em um tom doce tomando um gosto amargo e tocando feridas que ambos carregavam. Lembravam do dia em que Tom a levara para casa após a festa de Halley, da discussão, das perguntas não respondidas, do fim.

Remember when we scratched our names into the sand
(Lembra quando nós escrevemos nossos nomes na areia)

And told me you loved me

(E você disse que me amava?)

And now that I find

(E agora que eu descubro)

That you've changed your mind

(Que você mudou de idéia)

I'm lost the words

(Perdi as palavras)



Danny começou a cantar, fazendo com que recordasse o dia em que ela e Doug haviam ido à praia quando estavam na Itália e o quanto aquela felicidade parecida distante agora, ao mesmo tempo em que Dougie olhava para seu lado sentindo aversão a menina que dava pulinhos de animação ao vê-lo no palco porque não era ela quem ele queria que estivesse ali. Rindo amargamente ao pensar que agora ela estaria ali por James, mas ainda assim desejando tê-la de volta.

And everything I feel for you
(E tudo que eu sinto por você)

I wrote down on one piece of paper

(Eu escrevi em um pedaço de papel)

The one in your hand

(Este na sua mão)

You won't understand

(Você não entenderá)

How much it hurts to let you go

(O quanto dói te deixar ir)


Não foi preciso nada para que soubesse que aquela parte era para ela; o bilhete parecia pesar quilos contra sua pele, enquanto ela mordia os lábios tentando evitar as lágrimas e a vontade de fugir que aquilo provocava. No entanto, a mão de Edward continuava ali a prendendo junto a ele e fazendo com que ela percebesse o que vinha tentando sempre esconder: ele era perfeito, mas não era para ela. Se fosse, ela se sentiria confortável e protegida ali, porém a vontade que a consumia era exatamente ao contrário.

Was I invading in on your secrets
(Eu estava invadindo seus segredos?)

Was I too close for comfort

(Eu estava perigosamente perto?)

You're pushing me out

(Você está me afastando)

When I'm wanting in

(quando eu quero entrar)

What was I just about to discover

(O que eu estava a ponto de descobrir?)

When I got too close for comfort

(Quando cheguei perigosamente perto)

And driving you home

(Levando você para casa)

Guess I'll never know

(Acho que eu nunca saberei)


All this time you've been telling me lies

(Todo este tempo você esteve me contando mentiras)

Hidden in bags that are under your eyes

(Escondidas em bolsas que estão debaixo de seus olhos)

And I when I asked you I knew I was right

(E quando eu te perguntei, eu sabia que eu estava certo)


But if you turn your back on me now

(Mas se você descontar em mim agora)

When I need you most

(Quando eu mais preciso de você)

But you chose to let me down, down, down

(Você escolheu me desapontar, desapontar, desapontar)


Wont you think about what you're about to do to me

(Você não vai pensar sobre o que está prestes a fazer comigo)

And back down...

(E voltar?)


O ressentimento corria pela voz e olhar de Thomas, enquanto ele cantava cada palavra correndo como ácido por , mas suas lágrimas não pareciam intimidar Thomas em momento nenhum. Pelo contrário, mesmo quando Dougie começou a cantar ele permaneceu olhando em sua direção sibilando a canção para ela, uma esperança quase morta, tocando sua expressão ao murmurar os últimos versos.
O refrão foi repetido mais algumas vezes e para amenizar o clima, eles tocaram mais uma música animada antes de deixar o palco. As pessoas pareceram esquecer, mas as meninas estavam claramente abaladas. O fósforo acabara de ser aceso ao lado do barril de pólvora.
Depois de descerem do palco, nenhum dos integrantes do McFLY pareceu estar mais no recinto, deixando as meninas numa mistura de alívio e incômodo, mas ainda assim voltaram a agir como antes. voltara a seu acompanhante, mas perdera de vista. Os dois já não se agarravam tanto como antes, certo torpor vindo da bebida já a alcançava deixando ambos sonolentos.
- Que tal uma dose para saideira, hein?
O menino sugeriu com um sorriso cúmplice nos lábios fazendo com que sorrisse em resposta.
- Adorei a idéia. Vou lá pegar alguma coisa.
disse antes de plantar um beijo no maxilar do menino e se levantar, partindo em direção a cozinha da casa. O local não estava tão lotado quanto antes, visto que já era tarde, ainda assim restavam alguns dançando ou simplesmente caídos, dormindo pelo chão, fazendo com que caminhasse com cuidado entre os corpos. Sua cabeça estava girando pela bebida que fora ingerida. Apertou os olhos ao chegar à cozinha escura e procurou alguma garrafa cheia entre as vazias que preenchiam a bancada, a mesa e a pia do local.
- Sabe, é bem característico você escolher um fingidor como fantasia.
Ela ouviu a voz familiar emergindo do escuro do cômodo e parou automaticamente, sentindo todo seu corpo arrepiar-se. Respirou fundo antes de virar na direção de onde viera a voz; a adrenalina amenizando os efeitos do álcool em seu sangue.
- Não tanto quanto a sua. Só não decidi se você é um jogador ou uma marionete...
murmurou de forma arrogante e desdenhosa, agarrando a garrafa que achara e apressando os passos para sair do local.
- Isto! Arme seu palco, se faça de vítima! Você nunca é a culpada, certo? Não foi você que acabou com tudo, não é mesmo?
Daniel gritou aproximando-se da menina, encurralando-a entre a parede e seu corpo e, com isto, começando a assustar .
- Olhe ao redor, Daniel. Se existe alguém armando palco e se fazendo de vítima aqui, é você.
retrucou tentando esconder o nervosismo de sua voz com raiva, apertando mais a garrafa entre seus dedos pronta para usá-la como objeto de defesa. Os dois se entreolharam profundamente, lendo a mágoa, ressentimento e certo desprezo mútuo.
- Como você pôde? Por que o Chuck? Eu... Eu te amava.
Danny murmurou quase inaudível, fechando seus olhos pouco depois de desviá-los para o chão.
- Eu não tive nada com o Chuck.
afirmou em um suspiro, ouvindo uma risada debochada e descrente de Danny.
- Mentirosa.
Ele adicionou afastando-se da menina sem olhar para trás, vendo uma garrafa quebrar-se ao bater numa parede bem próxima a ele pouco antes de gritar:
- O único mentiroso aqui é você! Eu ouvi, Daniel. Eu ouvi tudo o que você disse para os seus amigos no vestiário antes do jogo com os juniores. Eu ouvi e me senti suja... Usada. E você tem a cara de pau de me dizer que me amava. Você é um galinha idiota e eu não sei por que um dia acreditei que você mudara... Que você estava mudando por mim. Você é o fingidor aqui! E você é tão bom que poderia escrever um livro de como ser um mentiroso!
gritava com toda raiva e dor que sentia, suas lágrimas lavando seu rosto eram como ácido que instigava as feridas de seu coração a sangrarem mais e mais.
- Mentirosos acabam sozinhos, Daniel. Mas você não vai me ouvir quando eu disser isto, porque eu fui só mais uma... E eu nem sei por que me importo. Eu só... Eu só queria que você sumisse. Eu me arrependo de cada segundo que eu passei acreditando que você era meu.
Ela continuou com a voz mais controlada, passando as mãos pelos olhos e tentando controlar suas emoções enquanto terminava de deixar o recinto.
- !
Daniel chamou, porém ela apenas o ignorou seguindo a direção contrária a que tinha vindo e partindo em direção à noite pela saída detrás da casa.
Enquanto isso, estava no jardim de entrada da casa. Primeiramente, tinha tido a intenção apenas de tomar um ar, porém, quando checou seu celular, percebeu várias chamadas não atendidas de Halley e preferiu ver do que se tratava antes que a prima acabasse magoada com ela.
- Halley?
Ela perguntou quando alguém atendeu ao celular, abraçando seu próprio corpo, tentando afastar o frio e assistindo sua respiração formar uma fumaça enquanto ela falava.
- ! Por que você não me atendeu antes? Olha, eu preciso muito de sua ajuda.
A menina cuspiu exasperada do outro lado da linha, deixando instantaneamente alerta e preocupada.
- O que aconteceu, Halley?
quase gritou, aproximando o celular de seu rosto e começando a andar pelo gramado a procura de um lugar com o sinal melhor.
- Lembra da festa de eu te falei hoje? Bem... Eu estava indo embora quando os policiais chegaram. Estava meio alta e com algumas coisinhas... Enfim, nós fomos presos. Preciso que você me busque antes que minha mãe ou a imprensa descubra. Nós não podemos lidar com uma dor de cabeça dessas agora!
Halley parecia realmente temerosa sobre as consequências de sua prisão por provável posse de drogas. Rapidamente anotou o departamento de polícia onde a amiga estava e partiu antes mesmo de avisar as amigas que estava indo embora.
Não muito tempo depois, os meninos também estavam deixando o local. Nenhum deles parecia realmente capaz de dirigir, porém Harry foi em direção ao lado do motorista, enquanto Tom e Dougie carregavam Danny que estava inacreditavelmente bêbado.
- Sabe em quem você pode confiar? Nos amigos! Os amigos não te desapontam!
Ele dizia com a voz enrolada e mole, característica de todos aqueles que passaram do ponto.
- Dougie! Ei, Dougie, você sabe que pode contar comigo, não sabe? Amigos não magoam, cara... Agora as mulheres.
Ele continuou dizendo até que os meninos o colocaram dentro do banco detrás com murmurações de afirmação. Dougie estava ajeitando o retrovisor para Harry quando viu sentada na grama, parecendo olhar diretamente para ele no espelho, como se o mundo quisesse lhe lembrar o que Danny estava dizendo não era apenas conversa de bêbado, era a pura verdade.

Capítulo 47
O sol estava começando a aparecer no horizonte, quando finalmente chegou ao posto policial onde Halley dissera estar. Conseguira chegar a Londres rapidamente, porém precisara deixar o efeito da própria ressaca, e zica, passarem, antes de ir buscar a prima, caso contrário as duas estariam encrencadas. Caminhou decididamente no chão de linóleo, pouco notada pela policial, que estava atrás do balcão, entretida por algo que passava na televisão. O que poderia ser tão interessante àquelas horas da manhã, era o mais intrigante.
- Bom dia, senhora. Meu nome é Soares e eu estou aqui em busca de minha prima, Halley Soares.
disse com a voz firme e educada, assistindo os olhos da mulher a fitarem, preguiçosamente, antes de checar o nome que ela lhe dera no computador.
- A senhorita Halley Soares foi presa por posse de substâncias ilegais e também por estar alcoolizada. Como é a primeira passagem dela, a liberação depende apenas de pagamento de fiança.
A mulher informou , com sua voz nasalada mergulhada em tédio. Liz abriu a pequena bolsa de mão que trouxera consigo, retirando da mesma seu cartão de débito e entregando para a mulher. Os olhos da mesma foram do cartão para e de para o cartão, provavelmente ela não era acostumada a ver pessoas tão jovens, portadoras de contas que pudessem ter tantas cifras quanto aquele cartão indicava. Ela analisou mais uma vez, certo brilho de reconhecimento alcançando seus olhos e fazendo-a arregalar os olhos.
- Senhora?
chamou e a mulher pareceu despir-se de seu cansaço, como se o fato de ser importante fosse como cafeína em suas veias. Pouco tempo depois, Halley saía por uma das portas do local acompanhada por outro agente. Seus cabelos ruivos estavam bagunçados, olheiras se prenunciavam sob a maquiagem borrada. Seus olhos transmitiam alívio enquanto fitavam a prima e as duas estavam prontas para deixar o local, quando voltou ao balcão tirando algumas notas de sua pequena bolsa.
- Por favor, não deixe que a mídia saiba de nossa presença aqui.
Ela sibilou para a mulher, que rapidamente acenou em afirmação. O caminho de volta a sua casa foi mergulhado em silêncio, na contra mão do tráfego que começava a se formar.
- Obrigada.
Halley murmurou, pouco antes de deixar o carro, parecendo um pouco envergonhada e assistindo sorrir levemente para ela, antes de sair com o carro em direção a sua própria casa e seus próprios problemas.
Ao tempo que se preparava para buscar Halley na delegacia, estava insone em seu dormitório, sentada no parapeito da janela e dali observando a noite tornar-se mais negra até o sol começar a dar sinais de sua chegada. A menina havia tentado dormir, mas todo torpor e sonolência causada pelo álcool ingerido evaporaram- se, quando ao tirar sua roupa um pequeno pedaço de papel caiu no chão relembrando- a de todos os acontecimentos da noite. O bilhete, a música e a confusão que ela sentia agora. Mordeu o lábio inferior insegura ao abrir o bilhete mais uma vez, certa que daqui a pouco já teria decorado seu conteúdo.

“Oi, , eu só queria que você soubesse, que há várias madrugadas eu não consigo dormir e a várias aulas eu não consigo prestar atenção em nada, porque a única coisa que vem em meus pensamentos, é você. Fecho os olhos e posso te ver aqui perto, seus olhos lindos, o sol refletindo em sua pele, seu sorriso brilhando para mim e enchendo o mundo de beleza. Às vezes é tão real, que eu te sinto aqui em meus braços e sei que sou o cara mais sortudo, porque tenho o mundo entre meus braços.
Mas a ilusão não dura para sempre e também não faz tanto jus a sua beleza verdadeira. Enquanto escrevo este bilhete (no meio da aula de biologia, por um acaso) você sorriu e brilhou mais que o sol. Então eu percebo, que todo o tempo do mundo, não seria suficiente para estar ao seu lado e o quanto a distância (além do cara sentado ao seu lado) me incomodam, por não me deixar estar tão perto quanto eu desejo. E meu coração bate trêmulo, engasgado, balbuciando aquela palavra... Aquela que eu tanto reneguei em admitir sentir por você e por isto acabei te perdendo. Agora tenho que ficar aqui, imaginando beijos, escondendo desejos e agüentando a saudade que dá de você. Eu te disse antes, que as outras meninas eram nada e você se magoou. Tenho que dizer que elas eram alguma coisa, elas só não eram você e isso faz uma puta diferença.
Eu desejaria ter as coisas certas para dizer, mas não sei que palavras usar, porque tudo que eu falar se resume em: eu te amo. Eu te amo, . Cuide bem do coração que você roubou, porque ele faz eu e você sermos nós.”


Um nó pareceu formar-se bem na garganta de , prenunciando as lágrimas que viriam pouco depois. A confusão que se formara era demais para ela, que não tinha a mínima idéia de como desfazer aquilo. Amava Harry e ele a amava, mas não queria magoar Edward simplesmente colocando-o de lado, porque quando ela precisou, foi ele quem esteve ali. E lá no fundo também tinha medo de que todas aquelas declarações e todo aquele amor vindo de Harry, não fosse nada mais que ciúmes da menina que não estava mais todo tempo ali ao seu lado e a sua disposição.
No entanto, permanecer longe de Harry, parecia um castigo maior do que conseguiria agüentar. Por mais que o lado pessimista de seu coração a dissesse para deixar de acreditar naquilo, todo seu corpo e alma clamavam por ter o menino ao seu lado. Porque ele era e sempre tinha sido quem ela queria. Ele e mais ninguém. Sorriu enquanto algumas lágrimas escapavam de seus olhos, ao notar os pontos onde Harry colocara mais força na caneta, o quanto ele tentou deixar sua letra desleixada mais legível e alguns rabiscos nos cantos da folha denunciando que a caneta havia falhado em alguns momentos. Ficar com Harry não era racional, ela sabia. Pelo simples fato de que ela o amava demais e ainda não tinha tamanha certeza dos sentimentos do menino por si, porém se não fosse certo, ela não sentiria cada célula de seu corpo gritar em concordância numa silenciosa e uníssona canção de amor. Ela não sabia como faria isto, provavelmente, morreria em ter de terminar com Edward e, por mais egoísta que isto soasse, alguém sempre acaba infeliz nas histórias. E Edward encontraria alguém que fosse perfeito para ele, que fosse dele. Assim como ela era de Harry e Harry era dela, mesmo com o fato não consumado ainda.
Tomada por aquela certeza que a inundava, deixou o quarto, nem notando que ainda estava de pijamas. Ela sabia que se esperasse, não teria coragem de dizer para Edward que havia acabado. É lógico que ser acordado para ter uma notícia dessas, também não seria a melhor coisa a lhe acontecer, mas cedo ou tarde teria de ser feito. Estava quase alcançando as escadas do dormitório quando ouviu um barulho de porta abrindo-se atrás de si. Olhou curiosa para saber aquele que teria acordado tão cedo num sábado e acabou por ver quem menos esperava.
- Edward?
O menino olhava para baixo, seu cabelo bagunçado, sua camiseta aberta e os sapatos pendurados nos dedos. Pareceu extremamente surpreso com a imagem de confusa em sua frente. caminhou vacilante em sua direção, assistindo Edward parecer cada vez mais nervoso.
- Ei, ...
Ele cumprimentou inseguro, olhando pelo canto dos olhos a porta da qual acabara de sair.
- O que... O que você está fazendo aqui?
perguntou passando a mão pelos cabelos, sem saber o que pensar daquela situação.
- Belos trajes.
Ele comentou, apontando para a roupa de e fazendo olhar seu próprio corpo por alguns segundos, quase caindo na tentativa de desviar o foco da conversa do menino.
- Não tenta mudar de assunto, Edward.
- ...
Assim que ele começou a falar, a porta abriu-se revelando uma Annie em trajes bem menores do que os que vestia. A menina encostou-se no batente da porta, cruzando os braços sobre seu peito e encarando os dois com a expressão mais esnobe que alguém poderia produzir, enquanto Edward olhava para ela com desespero e com incredulidade.
- Será que os dois podem discutir a relação na porta de outro quarto? Eu ainda não consegui dormir esta noite...
Ela perguntou, sorrindo maliciosamente na direção de Edward ao falar, enquanto o mesmo a encarava nervoso. Levou menos de um segundo até que entendesse o que estava acontecendo, partindo na direção de Edward e dando-lhe um tapa na face direita, que deixou a marca de seus dedos em sua pele branca. Annie riu sob um olhar furioso do menino, que levou pouco tempo para começar a seguir pelo corredor, chamando por seu nome.
- Por que, Edward?!
Ela perguntou, virando-se na direção dele seus olhos transbordando raiva e desapontamento.
- Você foi embora da festa cedo! E... Sei lá, talvez seja coisa da minha cabeça, mas faz um tempo que eu tenho te sentido distante. Daí aquela garota veio...
Ele começou a tentar se explicar, sendo cortado por uma risada amarga de .
- Você nem sabe o nome dela?!
- , por favor... Foi um deslize.
Edward murmurou puxando-a para mais perto de si, afundando seu rosto em seus cabelos e beijando a orelha de que, por um momento, deixou-se levar.
- Está acabado, Edward.
Ela murmurou em resposta algum tempo depois, afastando seu corpo dele e partindo em direção a seu quarto. Já estava próxima a porta quando ouviu a voz do menino ressoando atrás de si.
- Não é só por isto, não é?
Ele perguntou, sem aparentar nada em especial, observando virar-se em sua direção, já com as mãos na maçaneta de sua porta.
- Não.
respondeu seca, vendo o menino colocar as mãos na cintura e morder os lábios olhando para o chão aos seus pés.
- Então, depois de tudo, você decidiu acreditar que ele te ama?
- Edward, você acabou de sair da cama com a Annie. Quer mesmo falar de amor?
Ambos abusavam do sarcasmo em seus tons, seus olhares tão densos de ressentimentos, tão fortes, que poderiam queimar.
- Você fez de propósito! Você me fez fazer isto! Você queria um motivo!
Edward acusou quase aos gritos, apontando para .
- Eu nunca quis um motivo extra!
Ela gritou acima da voz do menino, mergulhando o corredor em silêncio logo em seguida.
- Eu só não te amo. Eu tentei, mas não consigo.
admitiu em um tom mais baixo, cruzando os braços como se para manter-se inteira e respirando fundo, ao tentar conter as lágrimas que se formavam em seus olhos, sufocando sua respiração e trazendo de volta o nó a garganta, agora por outro motivo.
- E eu te amo demais.
O menino admitiu derrotado, caminhando até a saída logo em seguida preenchendo o ar com suas passadas ritmadas e fortes sobre o linóleo enquanto as lágrimas silenciosas corriam sob o rosto de .
Algumas horas depois, as meninas já estavam de pé encaminhando-se para o refeitório onde tomariam café da manhã. Todo o campus parecia estar fervilhando de alunos pintados com suas cores, planos para o jogo que aconteceria dali a pouco tempo e de malas dos que partiriam antes que ele acontecesse. Ainda que um pouco menos animadas que o resto das pessoas, as meninas compartilhavam seus planos para as férias.
- Ok, , o que está acontecendo?
perguntou depois de um tempo, quando já estavam sentadas em sua mesa usual com suas bandejas cheias. A menina parecia aérea, remexendo seu iogurte com a ponta da colher sem parecer ter muito interesse em comê-lo, sobressaltando-se ao ver as amigas lhe encarando.
- Terminei com o Edward.
Ela respondeu rapidamente, voltando a encarar a tigela que estava a sua frente e não vendo o olhar surpreendido das amigas a sua frente.
- Como assim?! Você terminou com ele na festa?
perguntou, assistindo a amiga morder o lábio inferior insegura.
- Não, foi hoje de manhã... Eu não consegui dormir pensando na carta que o Harry me entregou, antes do McFly cantar ontem... Sei lá, decidi que não podia continuar assim. Só que quando eu estava saindo do quarto, o encontrei saindo do quarto da Annie.
afastou de uma vez a tigela que estava a sua frente, observando a incredulidade tomar as expressões das amigas pouco antes da indignação.
- Que bostinha! Não acredito que ele te traiu com aquela cadela de quinta! Mas este menino vai sentir a minha fúria.
se sobressaltou, fazendo menção de levantar-se e sendo segurada por .
- , eu sou do grêmio, a gente pode colocar ele em grandes problemas por isto... Quero dizer, o Dougie pode reportar isto para a diretoria... A gente não está realmente se falando agora, mas acho que sendo para você ele faz.
disse, olhando a amiga com preocupação e recebendo um sorriso tímido de gratidão.
- Não gente, eu to bem. Só... Só não queria que as coisas terminassem assim.
admitiu com um sorriso, esticando-se até o prato de e capturando um pedaço de manga, vendo a amiga apertar os olhos para ela de forma falsamente ameaçadora.
- Pensa pelo lado bom: agora você está livre, leve e solta para o Mr. Judd!
declarou, levantando as sobrancelhas para a amiga e sorrindo marota, o que acabou fazendo rir.
- Eu sei... E isto está me matando de medo!
desabafou subindo algumas oitavas, escondendo o rosto com as mãos logo em seguida.
- Medo? Medo de quê?
- Ora, medo, ! Não posso simplesmente chegar para o Harry e dizer: “Bom dia, terminei com o Edward, porque resolvi que quem eu amo mesmo é você e vi que você me ama também.” Não rola, né?!
falou sarcasticamente, suspirando longamente depois de seu pequeno discurso.
- Na verdade pode, . Qual é o sentido de ficar aí se martirizando, quando você já poderia estar com o cara que você gosta? Quando não existe nada mais que te impeça?
arguiu distraidamente, enquanto fisgava frutas em seu prato.
- E isto vem da menina que terminou com o namorado e vem fazendo-o sofrer por nenhum motivo aparente.
acusou com certa rispidez, levantando os olhos para , assim que percebeu o que disse, encontrando olhando-a abismada e mordendo o lábio inferior entristecida.
- Ai, , desculpa! Desculpa! É que eu fiquei com raiva... Falei sem querer, juro! É só que... Você está tão certa! Eu... Droga, desculpa!
pedia repetidamente, olhando engolir seco e apenas assistir a cena. mal ouvia as desculpas que a amiga lhe direcionava, mas entendia os motivos que a levaram falar aquilo. Porque falar era fácil. Quando não há sentimentos, nem pessoas, nem você na situação. É fácil decidir assim. Era isto que queria lhe mostrar quando falou, porém ainda que entendesse os motivos, não fazia a acusação doer menos.
- Meninas, eu to com uma cólica chata... Acho que vou pro quarto, tudo bem? Vou aproveitar e terminar de arrumar as coisas para ir, antes que o James chegue por aí.
avisou simplesmente, levantando-se da mesa logo em seguida.
- ... É sério, desculpa.
pediu, segurando no braço de , antes que a mesma pudesse se afastar.
- Tudo bem, . Só vou porque não estou me sentindo bem, ok?
explicou, voltando a caminhar, assim que liberou seu braço e ouvindo brigar com a mesma após poucos passos. A verdade era que, apesar do que falou tê-la machucado, a dor crescente que sentia em seu abdômen começava a lhe assustar. O que significava aquilo? Carregando suas dores psicológicas e físicas, encaminhou- se para o quarto.

Capítulo 48
e permaneceram no refeitório, até que praticamente todas as pessoas tivessem ido. Todos estavam se encaminhando para o campo, onde aconteceria o último grande evento do semestre, celebrando a abertura das pequenas e ainda assim muito aguardadas férias de inverno. No entanto, as duas permaneciam ali, completamente envolvidas em suas conversas e nos sucos que haviam comprado.
- Acho que vou assistir ao jogo... Torcer pro Daniel quebrar a perna.
comentou, ao ver uma animadora saltitante passar pelas duas, com grandes pompons e uma roupa bem pequena para aquela época do ano.
- Cara... Quando nós embarcamos nesta novela sentimental, hein? Quero dizer, você e o Jones, a Liz e o Tom, e Doug... Ninguém está bem!
declarou, fazendo com que respirasse fundo, encarando a parede branca do refeitório como que a procura de uma resposta.
- Acho que escolhemos os caras errados.
disse conclusiva, dando de ombros e levantando-se.
- De qualquer forma, eu vou lá. Vai também?
- Não, não... Vou ao quarto ver como a está e pegar minhas coisas para ir logo. Não quero ver esta escola mais por um bom tempo.
explicou, seguindo até a saída, ouvindo a amiga mais uma vez dizer-lhe o quanto ela pisou na bola, de ter tocado na questão Dougie com . Como se ela por si só não soubesse o quão mal fez.
andava em direção às arquibancadas, reparando nos rostos vindos da outra escola que encontrava pelo caminho. Sua mente distraída entre os problemas das amigas, o que faria nas férias e os seus próprios problemas. Observou sem muita atenção um trailer onde dois adolescentes, desorientados com tantos pedidos e notas sendo estendidas em sua frente, tentavam vender comida, sentindo certa pena dos dois. Só parou quando viu Chuck sobressair-se sobre os outros estudantes, caminhando em direção a cabine de narração e resolveu seguir o menino. Ele aparentemente tentava não ser notado. Agia quase como um agente secreto, abrindo a porta da pequena sala com cuidado, sua testa vincando-se em concentração, enquanto mexia na complicada mesa de som da escola. Plugou um mp3 meio surrado na entrada de som e estava prestes a dar play quando chamou- o da porta.
- Ei, James Bond, não vá queimar o cérebro só para colocar uma música.
provocou divertida, apoiada na parede atrás de Chuck, vendo o mesmo virar-se em sua direção com um olhar nervoso e culpado, instintivamente abrindo os braços como se quisesse proteger o aparelho que estava atrás dele.
- Bass, que você estava fazendo merda eu já sei, agora compartilha o que era, vai.
exigiu ainda rindo, porém diminuindo sua descontração, ao perceber a tensão emanada pelo garoto a cada passo que ela dava em sua direção.
- Que isto, não estava fazendo nada demais...
Chuck disse, dando de ombros e balançando a cabeça, ainda assim parecendo inquieto.
- Então vamos ver o que você estava aprontando!
replicou curiosa, esticando-se sobre o corpo de Chuck, que havia se colocado entre ela e a mesa e retirando o mp3 do cabo que o conectava a mesa de som, automaticamente acionando sua saída alta, uma vez que não haviam fones conectados. Poucos segundos se passaram até que a voz de Danny ressoasse, repetindo tudo aquilo que para doera tanto ouvir.
- Onde você conseguiu isto?
perguntou falsamente controlada, encarando o menino a sua frente, com frieza.
- Rose. Ela pediu para um menino para fazer o Danny dizer estas coisas.
Chuck respondeu sem expressão, vendo um sorriso sarcástico desenhar-se nos lábios de .
- Então foi ela o tempo todo?
- É... A idéia foi praticamente toda dela.
Um silêncio instaurou-se por alguns segundos, antes que continuasse a falar. Sua frieza inicial agora misturada com raiva e frustração.
- Como você pode, Chuck? Eu te considerava meu amigo! Eu fui me consolar com você e você sabia disto tudo o tempo todo! Eu imaginei que você se importava e você só estava rindo nas minhas costas!
O tom de aumentava a cada afirmação, acabando aos berros no final.
- Eu não coloquei palavra nenhuma na boca dele, !
Chuck gritou acima da voz da menina, seu tom firme e controlado a despeito do dela.
- Mas estava pronto a me expor para escola inteira!
respondeu, caminhando de um lado para o outro e passando as mãos pelos cabelos, tentando dispersar um pouco da raiva que carregava.
- Acredite, , eu nunca quis magoar você. Foi sempre sobre este idiota! E sobre ela. Eu a amo! Não posso fazer nada contra isto!
gargalhou falsamente, enquanto o menino justificava- se desesperado, a porta abrindo-se bem neste momento e chamando atenção dos dois para o recém chegado.
- E você ainda me disse que vocês não tinham nada!
Daniel acusou, só segundo depois percebendo a distância que os dois estavam e o quão desnorteados ambos pareciam. riu novamente, desta vez parecendo beirar a histeria.
- Sabe, Chuck, acho que quando o seu colega falou de levar as bolas em brincos, acho que ele se inspirou em você. Porque é exatamente o que a Rose faz. Afinal, o que adianta fazer isto tudo pela sua imaculada deusa? Ela nunca te quis de verdade e agora, mesmo que ela não tenha o cara que ela sempre quis, ela continua indo para cama com outro. Alguém que não é você. Você é só um capacho idiota... Será que nunca percebeu isto antes?
monologou antes de deixar o local, seus olhos pairando nos de Danny por alguns segundos. Não era um olhar de perdão, amor ou mesmo compreensão. Um olhar profundo, porém vazio. Como conhecidos que depois de décadas se cruzam rapidamente pela rua, num rápido flash de reconhecimento que assim como vem, vai. Danny permaneceu ali parado por alguns segundos, tentando entender o que acabou de acontecer até que o aparelho voltou a reproduzir o que tinha acabado de ouvir. Em um piscar de olhos, Danny estava sob Chuck, seus punhos alcançando o maxilar do menino e fazendo o estrago que desejara, mas não tivera forças de fazer.
Enquanto isso, estava sentada numa mureta perto ao estacionamento, suas malas coloridas pendendo aos seus pés, ao tempo que a menina abraçava as próprias pernas tentando amenizar a dor que sentia em seu ventre. Mordia os lábios ao sentir as pontadas, alternando olhares entre a tela do celular e a estrada que estava há alguma distancia. Seus olhos já marejados pela dor que sentia, fazendo com que ela reconhecesse, apenas pela voz, o dono dos passos que se aproximavam.
- Algum problema, ?
Dougie perguntou, com certa frieza, parado há alguns passos de distância da menina, observando-a com as mãos nos bolsos. sentiu todo seu interior estremecer ao som da voz do menino, olhando em sua direção pouco tempo depois e vendo certa preocupação tocar-lhe os olhos.
- Eu só estou sentindo um pouco de dor...
murmurou fracamente, respirando fundo logo em seguida, pois sentira mais uma pontada em sua barriga. Dougie a observava parecendo preocupado, segurando o rosto da menina em sua mão delicadamente para olhá-la nos olhos.
- Não parece só um pouco de dor, .
Ele afirmou sentando-se ao lado dela, assistindo-a morder o lábio inferior e encolher-se ainda mais.
- Você deveria ir à enfermaria.
Dougie sugeriu depois de poucos segundos, a frieza inicial sendo deixada de lado, por uma real preocupação pelo estado da menina.
- Eu já liguei para o James... Ele está vindo para me levar pro hospital.
explicou, começando a bater o pé contra a grama como forma de aliviar a tensão que sentia, tanto pela dor quanto pela presença de Dougie, que balbuciou algo sarcástico ao ouvir a justificativa de . Os dois permaneceram ali em silencio por algum tempo. perguntando-se por que Dougie não ia embora ou a ignorava como vinha fazendo, mas ao mesmo tempo desejando que ele não fosse. Seja lá o que estava lhe causando aquela dor, a assustava e tê-lo ali, era tranqüilizador. Mesmo que não da forma que ela gostaria que ele estivesse.
- Chega, ! Eu estou te levando pro hospital agora mesmo.
Dougie avisou, levantando-se da mureta e tirando a chave de seu carro do bolso, onde mantinha as mãos, após ouvir murmurar de dor mais uma vez. Rapidamente colocou as malas da menina na traseira do carro, ajudando-a a caminhar e sentar-se em seu carro em seguida.
Nenhum dos dois tentou iniciar uma conversa, as únicas coisas ouvidas eram o motor do carro, o rádio ligado baixo, a chuva que agora caía e as reclamações baixas de , quando a dor apertava muito. Estas acabavam por chamar atenção de Dougie, que a encarava num misto de preocupação e cuidado. Quando as lágrimas começaram a correr pelo rosto de , já não era apenas a dor física que a causava. A acusação de rondava sua mente, enquanto ela encarava os olhos piedosos e até um pouco assustados de Dougie em sua direção.
- Calma , a gente está chegando.
Ele falava, ao tempo que levava sua mão ao rosto da menina, secando algumas lágrimas que corriam ali e tentando prestar atenção na estrada ao mesmo tempo. aproximou- se mais dele, colocando os pés no banco do carro e abraçando as próprias pernas, ao mesmo tempo em que Dougie englobava-a com um de seus braços. Sim, Dougie, vocês estavam chegando e tudo estava há um ponto de mudar.
Horas depois, estava sentada na frente do piano, que ficava no galpão de ensaio dos meninos. Mirava a página surrada do caderno em que estava escrevendo, lendo sua dor e raiva nas palavras que escrevera ali. Mal podia acreditar em tudo o que descobrira pouco antes. Era tão livro adolescente... No entanto, real. Seu melhor amigo a traíra, em favor de alguém que ela desprezava. E no final, Danny aparecera com toda sua história de “você estava com ele”. Tão patético que fazia sentir-se mal. Mordeu o lábio e balançou a cabeça, tentando afastar os pensamentos que lhe vieram e voltando a murmurar a melodia que criara, concentrando-se em terminar a canção que havia começado, pouco depois voltando a tocá-la.

I wish I could Bubble Wrap my heart,
(Gostaria de poder embrulhar meu coração em plástico bolha)
In case I fall and break apart,
(Em caso de eu cair e quebrar)
I'm not God I can't change the stars,
(Eu não sou Deus, eu não posso mudar as estrelas)
And I don't know if there's life on Mars,
(Eu não sei se existe vida em Marte)
But I know you're hurt,
(Mas eu sei que você está magoado)
People that you love and those who care for you,
(Pessoas que você ama e aqueles que se importam com você)
I want nothing to do with the things you're going through
(Eu não quero ter nada a ver com as coisas pelas quais você está passando)

tocava concentrada, a tristeza que sentia, pontuando seu rosto e anuviando seus olhos. E naquele momento, ela desejou mudar as estrelas. Mudar o fato de ter se apaixonado logo por Danny. Porque assim como disse Chuck, ninguém colocou as palavras na boca dele. Rose pode ter sido suja, mas quem falou tudo foi ele. Esta era uma culpa da qual ele não podia ser isento.

This is the last time,
(Essa é a última vez)
I give up this heart of mine,
(Eu desisto desse meu coração)
I'm telling you that I'm,
(Estou te dizendo que eu sou)
A broken girl who's finally realised,
(Uma menina quebrada que finalmente percebeu)
You're standing in moonlight,
(Você está em pé sob o luar)
But you're black on the inside,
(Mas você é negro por dentro)
Who do you think you are to cry?
(Quem você pensa que é para chorar?)
This is goodbye.
(Isso é adeus)

Ela continuou, lembrando-se do dia em que ouviu aquelas palavras pela primeira vez e encontrou Chuck na colina, a caminho do lugar onde estava agora. Quando ela achou ter encontrado refúgio, mas na verdade estava encontrando mais um lugar para se machucar.

I'm a little dazed and confused,
(Eu estou um pouco tonta e confusa)
Life's a bitch and so are you,
(Mas a vida é um lixo e você também)
All my days have turned into nights,
(Todos os meus dias viraram noites)
Cos living without, without, without you in my life,
(Porque vivendo sem, sem, sem você na minha vida)
And you wrote the book on how to be a liar,
(E você escreveu o livro sobre como ser um mentiroso)
And lose all your friends,
(E perder todos os seus amigos)
Did I mean nothing at all?
(Eu não signifiquei nada?)
Was I just another ghost that's been in your bed?
(Eu fui só outro fantasma que esteve na sua cama?)

A melodia doce parecia cortar o coração de , recheada de sua tristeza e desapontamento. Não só com Danny, mas com ela mesma. Porque ela também não conseguia se livrar daquele sentimento. Da saudade que tinha de Danny, apesar de tudo que ele havia feito.

This is the last time,
(Essa é a última vez)
I give up this heart of mine,
(Eu desisto desse meu coração)
I'm telling you that I'm,
(Estou te dizendo que eu sou)
A broken girl who's finally realised,
(Uma menina quebrada que finalmente percebeu)
You're standing in moonlight,
(Você está em pé sob o luar)
But you're black on the inside,
(Mas você é negro por dentro)
Who do you think you are to cry?
(Quem você pensa que é para chorar?)
This is goodbye.
(Isso é adeus)

cantou mais uma vez, observando com certo desalento o caderno a sua frente, sentindo que ainda faltava um pedaço naquela canção. Porém, antes que ela pudesse continuar, uma voz a sobressaltou vinda do final do galpão.
- Não sabia que você compunha.
Danny declarou simplesmente, caminhando até a menina, que parecia quase petrificada por descobrir que ele estava ali e perguntava-se a quanto tempo ele a estivera ouvindo.
- Eu estudei numa escola de artes...
Ela explicou, antes de balançar a cabeça e mudar o rumo da conversa.
- O que você está fazendo aqui, Daniel?
- Acho que vinha fazer o mesmo que você... Usar a música como escape.
Danny afirmou, sentando-se no chão sujo do palco e pegando um violão que estava a seu alcance.
- Me desculpe.
Daniel disse, depois de alguns minutos de silêncio, quando começou a recolher suas folhas, fazendo menção de retirar-se do local.
- Você ouviu aquilo que eu disse e não merecia isto.
- Então a questão toda é que eu não deveria ter ouvido?
perguntou, sarcástica, levantando uma sobrancelha em dúvida, vendo Daniel quase desesperar-se, ao ver que ela não o havia entendido.
- Não! Você não merecia tudo o que eu disse. Isto que eu quero dizer.
- Não muda o fato que você falou, Danny.
acusou, levantando-se e descendo do palco.

And I'd give up forever to touch you
(E eu desistiria da eternidade para tocá- la)
Cause I know that you feel me somehow
(Pois sei que você me sente de alguma forma)
You're the closest to heaven that I'll ever be
(Você é o mais próximo do paraíso que chegarei)
And I don't want to go home right now
(E eu não quero ir para casa agora)

And all I can taste is this moment
(E tudo que eu sinto é este momento)
And all I can breathe is your life
(E tudo que eu respiro é sua vida)
Cause sooner or later it's over
(Porque mais cedo ou mais tarde isso acabará)
I just don't want to miss you tonight
(E eu não quero sentir sua falta esta noite)

And I don't want the world to see me
(E eu não quero que o mundo me veja)
Cause I don't think that they'd understand
(Porque não creio que eles entenderiam)
When everything's made to be broken
(Quando tudo estiver destruído)
I just want you to know who I am
(Eu só quero que você saiba quem eu sou)

Danny começou a tocar, fazendo pará-la no meio do caminho e observá-lo. O menino a olhava, como se quisesse garantir que ela estava entendendo tudo que ele queria dizer com aquelas palavras. O quanto ele a queria, o quanto ele se sentia um idiota... sorriu, antes de olhar para o chão, após ele ter parado.
- Esta foi injusta.
admitiu, fazendo com que Danny sorrisse. Ele sabia que aquela era uma das músicas favoritas de , ela havia lhe contado em uma das primeiras conversas que tiveram e aquilo nunca lhe saíra da mente.
- Você disse que quem cantasse esta música para você, seria dono do seu coração para sempre...
Danny lembrou-a divertido ,com um sorriso brincando nos lábios, assistindo o sorriso de anuviar-se com certa dor.
- Danny...
- , eu te amo! Sei que eu fui um idiota, mas sou assim desde que me conheço. Eu nunca deveria ter dito aquelas coisas. Porque eu menti! E este nem foi o meu maior erro... Meu maior erro foi só perceber o quanto te amava, depois de não te ter aqui. Eu não ligo pro babacas do futebol. Eu não quero nenhum deles do meu lado. Não se isto significar que eu não vou te ter aqui...
O menino desabafou, seus olhos transbordando uma emoção indescritível, enquanto encarava desejoso que ela entendesse o tamanho de seu amor e desespero pela possibilidade de perdê-la.
- Daniel, eu não posso fazer isto... Não posso deixar você me magoar outra vez!
afirmou com a voz embargada, mordendo o lábio inferior e olhando para o chão que estava ao seus pés.
- Eu não vou te magoar, !
- Você já prometeu isto antes e olha onde estamos.
retrucou, olhando diretamente nos olhos do menino desta vez, permitindo que ele percebesse sua face ligeiramente avermelhada como prelúdio das lágrimas que ela segurava.
- Ouça o seu coração, ... Se você não me quisesse tanto quanto eu te quero, não estaria aqui até agora. Por que não dar uma chance?
- Ouvir o coração já me magoou demais, Danny. E eu já te dei uma chance antes. De quantas mais você precisa?
perguntou retoricamente, respirando fundo e deixando o local sem que Danny a seguisse. O menino sabia que fazê-lo só serviria parar irritar , sabia que deveria dar um espaço para que ela pensasse, mas não desistiria.
- Eu vou lutar por você, .
Murmurou para si mesmo e com aquela promessa, voltou-se ao violão.


Capítulo 49

estava deitada em sua cama, bebericando seu chocolate quente e assistindo ao reality show que passava na TV. Trajava pijamas de moletom largos, seus cabelos presos num coque desleixado, que deixavam escapar alguns fios que emolduravam seu rosto. Não queria fazer nada além de relaxar esta noite... Finalmente, as férias de inverno haviam chegado. Neve, natal, passar duas semanas esquiando na Suíça... Nenhuma idéia lhe parecia mais aconchegante depois daquele semestre conturbado que tivera. Sentiu um aperto no coração ao lembrar-se da ausência do pai e tentou ignorar o fato deste aperto piorar quando pensava em Thomas. O que ele estaria fazendo agora? Ela se perguntava, olhando pela janela e encontrando a escuridão da noite sem luar quebrada pela iluminação das ruas. Sentiu seu celular vibrar pouco tempo depois, adiantando-se para o mesmo e não evitando um muxoxo de frustração ao perceber que não se tratava de quem ela queria.
-Oi, Halley... Está melhor?
Perguntou sem muita emoção, ouvindo o ruído de vento do outro lado e perguntando-se onde a prima estaria.
-Sim, mon amour. Graças a você!
Halley respondeu divertida, gargalhando logo em seguida e franziu o cenho, questionando-se se aquilo era efeito de mais um uso de drogas. No entanto, Halley não deu tempo para que pensasse muito, voltando logo a falar.
-Então , lembra aquela minha amiga francesa? A Margot? Bem... Ela vai dar uma festa hoje e eu estou passando aí para te buscar.
A menina comunicou, rindo mais uma vez só que não para , ao que parece conversava com um outro alguém ao mesmo tempo.
-Halley, eu...
começou a dizer em tom de justificativa, sendo cortada rudemente.
-Não, não! Você vai sair comigo, ok? Cinco minutos e eu estou na sua casa.
Halley ordenou, desligando logo em seguida. encarou o aparelho em sua mão, oscilando entre atender ou não o pedido da prima, arrastando-se para fora da cama em seguida. Sim, queria descansar de toda tensão psicológica que havia tido naqueles últimos meses e talvez fosse bom ir a uma festa descontar tudo aquilo em bebida mais uma vez. Dirigiu-se a seu closet, tomando um banho rápido e escolhendo um corset preto de coração, uma calça jeans, ankle boots pretas camurças Yves Saint Laurent e um casaco de pele preto que havia ganhado da mãe. Mal havia acabado sua maquiagem e a prima entrou em seu quarto acompanhada por sua mãe.
-Isso porque você não estava a fim de sair...
Halley guinchou em um tom simpático, sentando-se próxima a que escolhia seus acessórios enquanto a senhora observava as duas. As três conversavam sobre assuntos aleatórios, olhando a mãe através do espelho e perguntando-se o que estaria acontecendo. Tinha um ar sonhador, um sorriso esboçando-se nos lábios e uma satisfação enquanto falava que a inquietava de uma forma boa. O que estaria acontecendo? Há tanto tempo não via a mãe daquela forma...
Não teve muito tempo para refletir sobre aquilo, pois segundos depois, Halley estava a puxando pelas mãos para fora de casa em direção a seu já conhecido conversível vermelho. As duas não se importavam com o vento gelado que soprava contra seus cabelos enquanto aceleravam pelas ruas londrinas, apenas riam e conversavam coisas aleatórias ou referentes ao local que iam. Fecharam a capota apenas quando começou a chover, no entanto já estavam na frente da casa de Margot.
Os copos, garrafas e outros objetos espalhados pelo jardim frontal da casa denunciavam que a festa já havia passado por ali enquanto as luzes coloridas que refletiam de dentro da casa o guiavam para onde ela continuava. Alguns convidados parados na porta fumando, se pegando, discutindo ou apenas descansando por ali acenavam para e Halley que cada vez mais se misturavam a centena de pessoas que apinhavam o local. Encontraram Margot sem nenhuma dificuldade, Jeremiah e os outros amigos próximos a circundando numa mesa em evidência na imensa sala de estar modificada da menina.
-Agora a festa pode começar de verdade!
Alguém exclamou enquanto e Halley se assentavam, sorrindo e cumprimentando os que já estavam ali.
-Eu estava particularmente ansioso para sua chegada.
Jeremiah falou no ouvido de , puxando-a para sentar-se ao lado dele com um sorriso malicioso brincando nos lábios, enquanto parecia levemente desorientada e Halley os observava pelo canto dos olhos. A menina agarrou a garrafa de tequila que estava em sua frente, dando um gole e colocando-a sobre a mesa de novo, sobressaltando a todos.
-Parece que alguém aqui quer ficar louca hoje...
Margot comentou sugestiva, rindo com os outros amigos ao tempo que Halley encarava firmemente, um sorriso perverso nos lábios e uma das sobrancelhas arqueadas deixando a prima confusa com seu ato.
As horas iam passando conforme eles iam curtindo a festa com suas danças, azarações e risos. Figuras que havia quase se esquecido como o botânico, surgindo na mesa de tempos em tempos trazendo a alegria de seus amigos. Depois de algum tempo, nenhum deles aparentava mais nenhuma sanidade. Margot quase engolia o menino com quem estava ficando, as coisas tornando-se um pouco quentes demais para o público e Halley encontrava-se sem sua blusa brincando de body shot com desconhecidos. apenas assistia as duas, rindo sem razão pela onda que começava a bater.
-Por que você não curte um pouco a festa ao invés de ficar aí só olhando as duas?
Jeremiah perguntou a , mais uma vez em sua orelha mordendo levemente a mesma e assistindo rir enquanto se virava em sua direção.
-E o que você sugere para minha diversão?
Ela perguntou insinuativa, já claramente bêbada e chapada. Colocando-se na frente do menino, tentando olhá-lo nos olhos, suas mãos apoiadas nos joelhos dele e rendendo-lhe uma bela visão de seu decote, visto que ela estava abaixada.
-Primeiro, uma dança... Depois nós vemos onde isto vai dar.
O menino respondeu-lhe malicioso, adiantando seus lábios na direção dos de , mas não os alcançando, pois ela voltara a sua postura correta. Puxou-a pela mão até o centro da sala, a batida melódica sendo trocada por algo mais picante como se adivinhasse a intenção dos dois. balançava seus quadris no ritmo, levantando suas mãos sob sua cabeça, um biquinho involuntário formando-se em seus lábios enquanto ela dançava sensualmente, sendo acompanhada por Jeremiah, que roçava seu corpo no da menina, puxando-a pela cintura para aproximar-se mais de seu corpo. Abraçou-a por trás e começou a beijar sua nuca, sentindo estremecer sobre os toques precisos dos lábios e das mãos do menino. Tentou continuar a dançar como antes, porém era distraída pelos lábios dele que rapidamente virou-a de frente para si e selou seus lábios. As mãos do menino cruzavam todo seu corpo, enquanto ela acariciava sua nuca e arranhava sob a roupa suas costelas e costas.
-Acho que está na hora de irmos embora.
Ele noticiou quase sem fôlego depois de separar-se da menina, assistindo-a assentir. Halley observou de certa distância o menino entrelaçar seus dedos aos da prima, abrindo caminho entre a multidão até que conseguissem chegar a saída. E sob seu olhar de raiva, os dois foram embora.

Dougie permanecia no hospital a espera de respostas. Observava as pessoas chegando correndo até o balcão de atendimento enquanto seus queridos eram colocados em macas e encaminhados para a emergência, exatamente como fizeram com . Via alguns correrem a procura de respostas até os doutores e enfermeiros que passavam apressados por ali e tinha vontade de lhes dizer para desistir, já havia tentado várias vezes e nada. Começava a sentir-se oprimido pelo ambiente anti-séptico, desesperador e triste do hospital quando sentiu uma mão tocar-lhe o ombro. Virou-se esperando encontrar algum médico, mas avistando James claramente impaciente.
-Lá fora, Poynter.
Ele exigiu apontando com a cabeça a direção da porta de saída e encaminhando-se para a mesma, sendo seguido por Dougie que esperava que ele tivesse notícias de .
-O que você está fazendo aqui?
James perguntou contendo certa raiva enquanto apertava a ponte do nariz, como se quisesse evitar uma grande dor de cabeça ou um descontrole. Dougie o olhava sem entender onde o menino queria chegar com aquilo, mas respondeu a sua pergunta.
-Vi a passando mal na escola e a trouxe para cá. Ficar lá te esperando só iria a fazer piorar.
-Claro... Como se você não tivesse nada a ver com a dor que ela está sofrendo agora.
James comentou sarcástico, bufando logo em seguida. Uma repentina onda de raiva percorreu o corpo de Doug: como ele sugeria que ele havia causado dor a ? Ao contrário, ela era quem o havia feito sofrer. Não fisicamente, mas às vezes as dores que nós não vemos doem mais do que as visíveis. Porque elas não têm tratamento. Não tem aspirina para o coração. Além do que, se fosse à intenção de Dougie machucá-la, por que ele estaria ali desesperado por notícias como um bobo apaixonado?
-Quer saber? Eu nem sei por que te dou ouvidos, Bourne.
Dougie cuspiu as palavras antes de dar as costas para o menino, caminhando de volta para o hospital.
-Ela está em processo de aborto espontâneo, Dougie. Aborto da porra de um filho seu.
James noticiou num quase grito, congelando Dougie num passo e isto quase o fizera ser atropelado por uma ambulância que chegava naquele momento. Dougie pode sentir a Terra girar sob seus pés, uma convulsão de pensamentos convergindo em sua mente enquanto a fala de James repetia-se como um disco arranhado.
-A não estava grávida.
Dougie retrucou com pouca convicção, ouvindo os passos de James aproximarem-se as suas costas.
-Então por que ela fugiu, Dougie? Não foi por mim. Foi porque ela estava morrendo de medo! Ela até perdeu o solo de balé no recital da escola, sabia? Você conseguiu ferrar com tudo que ela mais gostava e ainda a deixou.
James acusava tornando Dougie cada vez mais confuso. Em sua cabeça, tentava reconstituir as semanas que passara sem e as semanas que vieram antes delas. Os enjôos da menina, sua estranheza, sua fuga, a briga na sala de balé. O medo ia tomando o corpo de Dougie como se cada coincidência e fato fosse uma onda gelada chocando-se violentamente contra a praia.
-Eu não a deixei.
Dougie falou convicto e resignado. Olhou mais uma vez na direção de James e encontrou o sarcasmo estampado ali mais que claramente.
-É mesmo, Dougie? Tem certeza? Não foi você quem não a ouviu até o fim?
Ele perguntou retoricamente, bufando ao cruzar novamente as portas do hospital, trombando com Dougie de propósito no processo. No entanto, o menino estava demasiadamente paralisado para revidar. Enquanto parte de sua cabeça tomava ciência da gravidez de , outra gritava que aquilo era impossível. Aquilo tinha que ser um pesadelo, não estava acontecendo. Culpa, raiva, medo, rancor, desespero convergiam dentro de Dougie e faziam-no querer gritar ou qualquer coisa que pudesse jogar todo aquele sentimento para fora. Desnorteado, saiu correndo dali. Não sabia para onde ir, mas foi assim mesmo. Só que não importa o quanto você corra, não pode fugir para sempre.

Algum tempo depois, já bem longe daquela festa, Jeremiah prensava contra a lataria de seu carro. O vento batia na pele na menina a arrepiando, o menino a pressionando ainda mais em resposta, suas mãos alcançando tantos lugares que ela já nem poderia dizer onde estavam. separou seus lábios dos dele por algum tempo, respirando com dificuldade e observando a fumaça escapar de seus lábios quando expirava o ar.
-Posso saber por que você veio para cá? Eu tô congelando...
perguntou, olhando ao redor, confusa ao ver quão ermo e até sombrio era o lugar, assistindo Jeremiah sorrir malicioso em sua direção.
-Você sabe muito bem porque eu te trouxe para cá.
Jeremiah respondeu descendo beijos pelo pescoço da menina, suas mãos gélidas subindo por baixo de sua blusa fazendo com que arrepiar-se.
-Só que não vai rolar assim.
declarou decidida, espalmando as mãos no peito do menino e afastando-o de seu corpo.
-Ah, vai sim...
Ele afirmou reaproximando-se dela, assistindo sair de sua direção.
-Jeremiah, eu estou falando sério. Me leva embora daqui!
exclamou olhando ao redor assustada e engoliu seco quando viu a expressão quase irada que o menino usava para observá-la.
-Depois que você me der o que eu quero.
Ele exigiu pausadamente, aproximando-se novamente de a cada palavra.
-Vai dizer que você não fica excitada com a possibilidade de qualquer um te ver aqui... Com a estranheza deste lugar...
Jeremiah afirmou, afastando o cabelo de de seu pescoço, novamente subindo beijos por ali, enquanto a menina encontrava-se petrificada de medo.
-Eu quero ir embora.
o afastou de seu corpo com força, fazendo com que ele caísse no chão e a olhasse irado.
-Quer ir embora? Vai!
Ele gritou para ela, levantando-se raivoso e indo em direção ao carro. o seguiu, observando-o trancar as portas do carro assim que ela fez menção de abri-las e arregalando levemente os olhos com a surpresa.
-Você não queria ir embora? Pois então vá sozinha.
Jeremiah afirmou já dentro do carro, mordendo os lábios não sabendo ao certo se ele estava brincando ou não.
-Jeremiah, é sério...
-Eu também estou falando sério, . Tem um preço pra quem não faz as coisas do jeito que eu quero. Talvez você queira fazer as coisas do meu jeito na próxima vez...
Ele afirmou ligando o carro, prestando continência antes de arrancar com o carro, fazendo com que pulasse para trás. A menina observou o carro sumindo na noite escura, parando para observar os prédios abandonados ao seu redor só depois, seus olhos já embaçados pelas lágrimas. Ele havia a deixado ali. Um vento soprou, lembrando-a do quão suas roupas eram inadequadas para aquela temperatura invernal e reafirmando isto quando os primeiros flocos de neve começaram a cair. Caminhou até a esquina para perceber que não tinha a mínima noção de onde estava. Para sua sorte, um bar próximo ainda estava aberto e encaminhou-se para lá. A garçonete olhou-a de cima a baixo assim que adentrou o local, expressando algum desgosto enquanto secava copos de chopp. passou as mãos pelo rosto, secando as lágrimas e sentou-se nas cadeiras próximas do balcão só ali percebendo que estava sem dinheiro. Saíra da festa sem sua bolsa.
-Por favor, eu posso usar seu telefone?
Ela perguntou insegura a garçonete que se encaminhou preguiçosamente até ela.
-Olha, na verdade eu não posso. E até agradeceria se você fosse embora, porque não tem ninguém mais aqui e eu quero fechar.
A menina afirmou rispidamente com uma voz incrivelmente nasalada e um sotaque quase incompreensível. observou a menina com um olhar cansado, mordendo os lábios e sentindo as lágrimas frustradas começarem a brotar em seus olhos.
-Seus sapatos são bem bonitos, sabia?
A garçonete comentou um tempo depois, fazendo propositalmente ou não que uma idéia crescesse na cabeça de . Hesitando um pouco ao ver seus Yves Saint Laurent.
-Te dou eles em troca de uma ligação.
Barganhou, vendo a mulher estender-lhe um aparelho antigo logo em seguida. Não pensou duas vezes antes de ligar para a prima, certa que ela lhe tiraria daquela cilada assim como ela havia feito na noite passada. A cada toque não atendido, o coração de gelava.
-Alô?
Halley quase gritou do outro lado da linha, uma música alta ecoando no fundo sinalizando que ela continuava na festa.
-Halley, é a ! Eu... Você pode vir me buscar, por favor? O Jeremiah me deixou num lugar...
começou a explicar sua voz começando a tremer ao lembrar-se de ter sido abandonada, sendo cortada gelidamente por Halley.
-Não.
-Como?
-O que foi, ? Não sabe mais inglês?! Eu não vou te buscar em lugar nenhum. Eu gostava do Jeremiah, sabe? Você não pensou nisto. Agora se vira.
A menina continuou acidamente, enquanto ouvia suas palavras bestificada. Sua prima nunca lhe dissera que gostava de Jeremiah. No entanto, não era este choque o que a mais a machucava, mas perceber que Halley não estava nem aí para ela quando, há tão pouco tempo, havia lhe tirado de uma barra. Pressionou seus lábios em uma linha, pensando em para quem ligar desta vez quando teve seus pensamentos interrompidos pela mulher do bar.
-Tudo bem, fez sua ligação. Agora me dê seus sapatos e vá embora.
Ela ordenou rispidamente, apontando para a porta da rua enquanto retirava o aparelho de frente da menina que o segurou como se sua vida dependesse disto, alarmando a mulher.
-Eu preciso fazer outra ligação.
-E eu preciso fechar, meu amor.
-Eu te dou o casaco!
apelou, vendo-a dar de ombros, largar o aparelho e ir verificar uma parede de bebidas que estava ali próxima. Pensou em para quem ligar e somente uma pessoa lhe passava pela mente, fazendo seu coração traído arder e bater ao contrário contra as paredes do peito. Lembrando-a de outra ligação desesperada enquanto discava os números.
-Alô?
Uma voz masculina aveludada respondeu do outro lado da linha, fazendo-a soluçar em meio a suas lágrimas e ficar em silêncio até que quase desligasse.
-Tom?
chamou baixinho, causando arrepios por todo corpo do menino ao ouvir sua voz tão fragilizada. Grudou seu telefone a orelha como se aquilo fosse aproximar-lhe dela, amaldiçoando sua fraqueza por aquela garota, que vinha o fazendo sofrer tanto.
-O que foi, ?
Respondeu da forma mais fria que conseguiu, causando mais lágrimas ainda da parte de .
-Tom, eu estou perdida... Eu... Aconteceu uma coisa e me largaram aqui... Eu preciso que você me busque. Por favor, você é minha última esperança. Não me nega isto.
implorava em meio as lágrimas, tentando esconder o que lhe havia acontecido e passando o telefone para a mulher do bar assim que ele pediu que ela lhe explicasse onde estava, uma vez que ela não sabia dizer. Estendeu as mãos para o aparelho depois que esta terminou de explicar, assistindo-a chocá-lo contra seu gancho.
-Ele não pediu para falar com você de novo.
Ela explicou friamente, dando de ombros e esticando as mãos para que a menina lhe passasse seu casaco e sapatos. esfregou os braços de frio mesmo na calefação, o que a fez se perguntar como estaria lá fora.
Cerca de trinta minutos depois, o carro de Tom parou na frente do bar. O menino parecendo um pouco transtornado ao deixar o mesmo e adentrar no pequeno comércio. o observou caminhar em passadas fortes, pensando que ele vinha em sua direção dar-lhe o abraço que sentia necessidade, porém Thomas apenas lançou-lhe um olhar indiferente enquanto estendia algumas notas na direção da mulher. Nenhum dos três falou nada enquanto encaminhavam-se para fora e o mesmo silêncio perdurou durante quase toda a viagem.
-Você não demorou...
comentou com o menino, deixando de observar Londres que corria por sua janela para olhar para Tom que parecia tenso ao volante.
-Já estava fora de casa.
O menino respondeu rápido e ríspido, fazendo com que engolisse seco.
-De qualquer forma, obrigada. Eu...
-, eu realmente não quero saber como você foi parar ali, tudo bem?
Tom a cortou asperamente, fazendo com que novamente desviasse seus olhos dele e esfregasse seus braços nus como se para espantar o frio. Por dentro, sentia-se desolada. Tudo que ela tinha parecia estar aos pedaços, fazendo questão de cortá-la o mais profundo possível. Seus pais, Halley, Tom... Segurou as lágrimas que ameaçaram rolar, como se daquilo dependesse sua vida. Sentia que já havia chorado demais.
Algum tempo depois, observou o carro parar na garagem da casa de Thomas sobressaltando-se ligeiramente ao pensar que o menino poderia fazer como Jeremiah fizera. A final, não tinha nenhuma obrigação de fazer ao contrário e nem parecia tentado a isto.
-Pensei que você não quisesse que sua mãe te visse neste estado.
Tom explicou antes de sair do carro, apontando para que tinha seus cabelos um tanto desalinhados e sua maquiagem borrada. Acompanhou Tom para dentro da casa com passos silenciosos, seus olhos sempre em direção ao chão.
-Você pode tomar um banho, enquanto eu ligo para pizzaria. Não se preocupe, não tem ninguém aí e meus pais te adoram de qualquer jeito.
Ele admitiu dando ombros, fazendo com que a sombra de um sorriso brincasse nos lábios de , que logo depois se encaminhou até o quarto do menino para tomar banho.
Enquanto a água quente acariciava seu corpo, pensava em tudo que havia acontecido. Não só naquele dia, mas em toda sua vida. No quão a ajuda estava vinda de um alguém que ela realmente não esperava. Quer dizer, Thomas tinha todos os motivos para fazer com ela exatamente o que Halley fizera. Halley. Pensar no nome fazia com que todo seu interior queimasse. Ela havia lhe negado ajuda quando ela mais precisou. Independente dos motivos, aquilo doía em . O pior era pensar na bagunça que sua vida tinha se tornado desde a chegada da prima. Por ela havia se afastado das amigas, havia piorado suas notas, havia perdido Tom. Desejava fechar os olhos e nunca mais acordar para aquela realidade, descobrir que tudo não havia passado de um pesadelo. A água fria que repentinamente começou a atingi-la veio como um lembrete de que as coisas nem sempre são como se quer.
Na manhã seguinte, acordou os raios de sol batendo nos olhos. Sua cabeça doía como numa ressaca só que ainda pior. Virou para o outro lado, tentando voltar a dormir e só aí perceber a diferença do lugar onde estava. Aspirou profundamente o perfume dele que impregnava o travesseiro onde agora repousava sua cabeça enquanto as imagens da noite passada rodavam como um filme por sua mente. Pensou em voltar a dormir, mas sentia que era impossível. Sentou-se lentamente na cama, puxando o lençol para cobrir-se. Observou uma cadeira confortável entre a janela e uma mesinha, onde pendiam um copo e uma garrafa de whisky. Lembrou de ter adormecido observando Tom bebericar o líquido quente enquanto a neve caía pacificamente do lado de fora. Saiu da cama em direção ao andar debaixo, ouvindo um som de piano ecoar enquanto descia as escadas já sabendo de onde vinha. Encarou novamente a sala típica do século XV: a lareira acesa, os tapetes, quadros, sofás... Sentou no mesmo lugar que o fizera meses atrás, sentindo que desde aquela manhã havia decorrido toda uma vida. Reconheceu a melodia que Tom dedilhava, deixando com que a nostalgia a tomasse enquanto esperava que a voz do menino começasse a narrar sua dor. Uma leve mudança no ritmo fez com que abrisse os olhos, alerta ao que estaria por vir, a voz de Tom declamando versos diferentes dos que ela queria ouvir.

Did the best that I could
(Fiz o melhor que pude)
Said I'd die for you and I would
(Disse que eu morreria por você e iria)
But I drowned all those feelings in the flood
(Mas eu afoguei todos esses sentimentos na inundação)

Need to know if you're there
(Preciso saber se você está lá)
If you're listening to my prayers to my tears
(Se você está escutando minhas preces, as minhas lágrimas)
Feel like raindrops through the mud
(Parecem pingos de chuva na lama)

soube que aquilo era sobre ela a partir das primeiras palavras, abraçando as próprias pernas para sentir-se inteira. Observava os lábios de Tom abrirem-se sem dizer nada doce, estranhando aquela sensação. Não sentiu como se fosse chorar, apenas respirou fundo e sentiu cada palavra do menino queimá-la como lava quente.

How was I to know that a year ago I'd need to read between the lines
(Como eu saberia que um ano atrás eu teria que ler nas entrelinhas)
And every lie and that’s why
(E cada mentira é por isso que)

Every time I fall asleep my dreams are haunted
(Toda vez que adormeço meus sonhos são assombrados)
And every time I close my eyes I'm not alone
(E toda vez que fecho meus olhos não estou sozinho)
And every time I cry I'm right back where you wanted
(E toda vez que choro estou de volta onde você queria)
I try to drown you out so down goes another one
(Eu tento te afogar então outro que se vai abaixo)

As imagens de tudo que havia vivido, iam repassando-se na mente de numa convulsão de sentimentos e dores tornando-a entorpecida. Não por ser pouca dor, não porque havia alguém para ajudá-la; Por ser dor demais e ela estar sozinha.

Living Fast
(Vivendo velozmente)
Dying young
(Morrendo jovem)
But I'm living with what you've done
(Mas eu estou vivendo com o que você fez)
Now I face accusations
(Agora enfrento acusações)
I won't run
(Eu não fugirei)
No
(Não)

Olhou com um sorriso amargo para o copo de whisky, semelhante ao que estava no quarto pendendo ao lado de Thomas. Ela não era a única que estava se perdendo. Machucando o físico em memória ao espírito morto.

I'm starting to remember things that you said
(Eu estou começando a lembrar de coisas que você disse) I'm unravelling what they meant
(Eu estou desvendando o que elas significavam) But the world moves on
(Mas o mundo continua)
You're just another one
(Você é apenas mais uma)

And how can I go on
(E como eu posso continuar?)
'Cause when I'm in the sun I see your shadow on the ground
(Porque quando estou no sol eu vejo a sua sombra no chão)
But you're never there when I turn around
(Mas você nunca está lá quando me viro)

Every time I fall asleep my dreams are haunted
(Toda vez que adormeço meus sonhos são assombrados)
And every time I close my eyes I'm not alone
(E toda vez que fecho meus olhos não estou sozinho)
And every time I cry I'm right back where you wanted
(E toda vez que choro estou de volta onde você queria)
I try to drown you out so down goes another one
(Eu tento te afogar então outro que se vai abaixo)

Tom tocou as últimas notas olhando para e sendo encarado de volta. A expressão da menina era rígida, porém sem lágrimas, como um soldado orgulhoso numa batalha perdida.
-O que você está fazendo, Thomas? São onze da manhã.
Ela perguntou, ao vê-lo reabastecer seu copo com o liquido âmbar que estava próximo dali, logo em seguida virando-o como se não passasse de água.
-Eu estou te afogando, ! Porque eu não consigo te tirar daqui, então eu tento te matar um pouquinho todo dia...
Ele admitiu, apontando para o próprio peito nu, levantou o copo como num brinde e virou-o de novo sob o olhar entorpecido de .
-Eu queria não ter feito tudo isto, mas ela...
confessou algum tempo depois, observando a neve derreter do lado de fora pela janela, porém sendo interrompida por Thomas.
-Não a culpe. No fim, foi você quem escolheu isto tudo. Ela não tem impôs nada, você fez por sua própria vontade.
-E quem teria feito diferente?! Tom, você sabe pelo que eu passei!
-, você não é a única com problemas! Já pensou se todos nós decidíssemos enlouquecer, a cada coisa errada que acontece na vida?
-Como se você estivesse fazendo diferente, Fletcher!
-Você me fez fazer isto!
-Porque eu posso seu um álibi para você, e a Halley não pode ser para mim? O que, nas nossas situações, é tão diferente?
Os dois já gritavam um com o outro sem se importar com a dor que sentiam, gesticulando furiosos. Encararam-se, vendo refletido um no outro o medo e a mágoa que carregavam por diferentes motivos. foi a primeira a desviar os olhos, passando as mãos pelos cabelos e levantando-se do sofá onde se encontrava sentada. Deu as costas ao menino e encaminhou-se até a porta, uma única música ressoando em sua mente até que ela chegasse a sua casa.

Now you say you're sorry
(Agora você diz que sente muito) For bein' so untrue
(Por ter sido tão falso) Well, you can cry me a river, cry me a river
(Bem, você pode chorar-me um rio, chorar-me um rio) I cried a river over you
(Eu chorei um rio sobre você)

You drove me, nearly drove me out of my head
(Você me levou, quase me levou à loucura) While you never shed a tear
(E você sequer derramou uma lágrima) Remember, I remember all that you said
(Lembre-se, lembre-se de tudo que você disse) Told me love was too plebeian
(Disse-me que o amor era plebeu demais) Told me you were through with me and
(Disse-me que estava cansado de mim e)

Now you say you love me
(Agora você diz que me ama) Well, just to prove you do
(Bem, só para provar que sim) Come on and cry me a river, cry me a river
(Venha e me chore um rio, chore-me um rio) I cried a river over you
(Eu chorei um rio por você)

No entanto, sua fonte de lágrimas parecia estar temporariamente fechada.


Capítulo 50

Passaram-se dois dias antes que Dougie tivesse coragem de voltar naquele hospital. Observava a figura de adormecida naquela cama pouco confortável, raios de sol ultrapassando as cortinas finas e dançando sob sua pele enquanto Dougie segurava a mão da menina dentro da dele, brincando com seus dedos. O ambiente era silencioso e pacífico, antagônicos aos pensamentos de Dougie mais confusos e altos do que nunca. Olhava a procura das respostas que ele não tinha, encantado pela despreocupação de seu semblante adormecido e completamente desorientado por aquela calmaria. Como se toda sua vida tivesse sido posta num liquidificador e constantemente batida. Rodando, confundindo-se, homogeneizando-se... Nada mais parecia fazer sentido.
-Hei.
balbuciou enquanto abria os olhos, socorrendo Dougie de um naufrágio em seu maremoto de pensamentos.
-Hei.
Ele respondeu sentindo o coração acelerar no peito. Era agora. Ela estava acordada, ele sabia de tudo. E mesmo que ele tivesse passado todo um dia organizando seus pensamentos e todo outro formulando as perguntas que faria, agora ali, diante de , tudo parecia ter sumido. Tudo que se ouviu durante algum tempo foi silêncio. Um silêncio covarde. A calmaria antes da tempestade.
-Por que você me escondeu isto?
Dougie exigiu enquanto afastava sua mão da de , apoiando seus antebraços nas pernas e encarando a menina com o máximo de sobriedade que ainda detinha.
-Eu não sabia como falar. Fiquei confusa.
respondeu sinceramente, baixando os olhos e encarando Dougie enquanto mordia o lábio por dentro, descontando no mesmo, sua insegurança quanto aquele assunto.
-, eu... Eu realmente não entendo! Onde você queria chegar? Eu... É tão frustrante não conseguir entender nada do que você fez este tempo todo. Você beijou o James, terminou comigo, fugiu! Só me diz o que você pretendia fazer, . O que está se passando na sua cabeça. Porque eu não entendo!
Dougie desabafou tentando conter a raiva causada por toda aquela perturbação mental. As coisas já não andavam muito bem desde que o deixara, agora ele realmente não sabia mais o que fazer. De um dia para outro, a coisa que ele mais amava não estava ali e isto deixou um buraco imenso no lugar de seu coração. Então quando ele começava a achar que ele poderia seguir em frente, que já não era tão ruim assim, tudo muda. E o buraco está reaberto, ardente, urgente, dolorido...
-Eu tive medo, Doug!
gritou em resposta, sua voz embargada por lágrimas ao tempo que Doug levantava-se da cadeira onde antes estava sentado, passando as mãos nervosamente pelo cabelo e deixando-os bagunçados.
-Medo?
Dougie repetiu acompanhado de um riso cínico.
-Medo, Dougie! Eu só tenho dezessete anos, droga!
exclamou, vendo o menino bufar em frustração e raiva.
-Não venha com esta, ... Então este era o motivo para você não me contar? Você tem dezessete anos. Eu também! E como pai, eu tinha o pleno direito de saber. A não ser que...
Dougie insinuou e cortou-o imediatamente, uma quase fúria crescendo em seu tom.
-Nem ouse começar com isto. Você acha que seria tudo perfeito, não é? E se eu te contasse, Dougie? Se eu tivesse te contado assim que eu descobri, o que teria mudado?
-Eu teria te ajudado.
-Como, Dougie? Aparecendo para tocar a minha barriga e fazer pose de família precoce feliz?! Eu carregaria o bebê, eu sentiria as dores, seria o meu corpo a estar mudando, não o seu.
acusou furiosa e o silêncio de Dougie a incentivou continuar.
-Então, enquanto você estivesse lá fora bancando o rockstar com o McFLY, fazendo faculdade e vivendo sua vida, eu estaria em casa sozinha trocando fraldas e ouvindo choro.
-Você não tem como saber isto.
Dougie interrompeu-a, seu tom baixo tomado de tamanha irritação e ressentimento que quase se tornou um rosnado.
-Eu tenho, Dougie. Tenho porque foi exatamente assim que aconteceu com minha mãe quando me teve.
confessou sem mais resquícios de raiva ou fúria em sua voz, limpando as lágrimas que escorriam por seu rosto.
-Você nunca me contou isto.
Dougie retrucou alguns segundos depois, seu tom vazio enquanto encarava um canto aleatório do quarto.
-Dougie, eu tenho dezessete anos e sonhos para cacete. Se põem no meu lugar e pensa em como você se sentiria! Nós estamos prestes a nos formar, finalmente livres para fazer o que bem entendermos desta vida. Eu senti como um muro me separando de tudo que eu sempre quis. Eu não sabia o que fazer, como te contar e depois nós terminamos...
explicou com certa aflição em seu tom, fitando continuamente Dougie, enquanto o mesmo sentava-se na mesma cadeira de antes, seu olhar vidrado na parede que estava em sua frente e não na menina que falava com ele.
-Só me diz... Você provocou isto?
Dougie perguntou encarando nos olhos de forma tão profunda que a menina sentia que ele poderia ler sua alma se quisesse.
-Não.
respondeu firmemente, o silêncio que seguira depois sendo cortado pelas lágrimas e soluços dela.
-Porque mesmo com isto tudo, às vezes eu imaginava que nós teríamos uma chance. Eu, você e ela. Imaginava que nós poderíamos fazer melhor que eles... Eu estava tão perdida, Doug. Eu não sabia o que fazer.
confessava baixinho, suas palavras engasgadas por soluços enquanto Dougie sentava-se na cama ao lado dela, encostando a cabeça da menina em seu ombro, acariciando seus cabelos e murmurando que tudo ficaria bem. A confusão em sua cabeça ligeiramente aplacada, quando ele notou que não era só ele quem sofria com tudo aquilo. No maremoto de sua mente, alguém se afogava junto a ele.

Longe dali, Harry caminhava em passos incertos pela rua com seus olhos fincados no chão que pisava, porém sua mente estava longe dali. Sentia as mãos suarem dentro do bolso, o coração batendo mais rápido do que seu ritmo de caminhada exigia e os pulmões sugando mais oxigênio do que realmente necessitavam. Ainda estava incerto pelo que iria fazer, mas ainda assim continuava caminhando com o violão a tiracolo, pouco satisfeito com a ausência de Danny, mas o amigo tinha seus próprios problemas para resolver. Estava tão ansioso que quase passou direto por seu destino final, notando seu estado de nervos piorar ao vislumbrar a casa de .
Tocou a campainha e a demora em atender a porta quase o fez desistir do que iria fazer. Já estava andando de volta a rua quando abriu a porta, olhando-o com certa surpresa.
-Harry?
Chamou observando o menino virar-se em sua direção e sorrir sem graça, já caminhando em sua direção. Adentrou a casa, seguindo em direção a seu quarto para que ela pudesse terminar a arrumação que estava fazendo em seu closet enquanto os dois conversavam.
-O que exatamente você está fazendo?
Ele perguntou já mais relaxado, sentado numa poltrona recém adquirida de assistindo a menina atirar várias peças de roupa numa pilha já consideravelmente grande.
-Abrindo espaço para mais coisa e separando o que vou doar pro bazar.
respondeu simplesmente, colocando a cabeça para fora do closet e franzindo levemente o cenho suspeitando da estranheza de Harry ali.
-Harry... Por que você está carregando um violão, hein?
Perguntou indo em direção a sua cama e sentando-se de frente ao menino a espera de uma resposta.
-Eu estava indo ensaiar com os meninos.
Ele respondeu começando a sentir as mãos suarem novamente e desviando seus olhos de para que ela não notasse que estava claramente mentindo. Tinha ido ali com uma idéia em mente, mas no momento em que vira perdera toda sua coragem.
-Você é o baterista.
afirmou olhando-o como se ele tivesse algum tipo de problema.
-E?
-E que você está carregando um violão!
constatou o óbvio, apontando para o objeto que se encontrava encostado em um dos braços da poltrona. A menina continuou a encarar Harry, enquanto o mesmo mordia o lábio e encarava as próprias mãos sem saber o que fazer. -Na verdade, eu vim aqui com um propósito.
Confessou depois de ouvir bufar frustrada e levantar-se da cama novamente em direção a seu closet. A menina voltou lentamente à cama, sem tirar os olhos de Harry enquanto o fazia.
-Hm... Tenta não rir, por favor.
Harry pediu, enquanto tirava o violão da capa, posicionando-se para tocar e respirando fundo antes de começar a fazê-lo.

I'm sittin' here all by myself
(Eu estou sentado aqui completamente sozinho)
Just tryin' to think of something to do
(Apenas tentando pensar em alguma coisa para fazer)
Tryin' to think of something, anything
(Tentando pensar em alguma coisa, qualquer coisa)
Just to keep me from thinking of you
(Apenas para deixar meu pensamento distante de você)
But you know it's not working out
(Mas você sabe que isso não está funcionando)
'Cause you're all that's on my mind
(Porque você é tudo na minha mente)
One thought of you is all it takes
(Um pensamento em você é tudo que preciso)
to leave the rest of the world behind
(Para deixar o resto do mundo para trás)

Harry começou a cantar, tendo certa dificuldade para tocar e nunca olhando para , enquanto a menina não tirava os olhos dele, mal acreditando no que ele estava fazendo. Quer dizer, Harry tinha quase uma fobia de cantar e ali estava ele não só cantando, mas também tocando para ela. Ela que, aliás, nem sabia que ele tocava violão.

Well I didn't mean for this to go as far as it did
(Bom eu não pretendia que isso fosse tão longe quanto foi)
And I didn't mean to get so close and share what we did
(E eu não pretendia ir tão perto e dividir o que nós dividimos)
And I didn't mean to fall in love, but I did
(E eu não pretendia me apaixonar, mas eu me apaixonei)
And you didn't mean to love me back, but I know you did
(E você não pretendia me amar de volta, mas eu sei que você me amou)

sorria, sentindo seu coração bater mais forte em seu peito, encantada pelas palavras de Harry e por quão fofo ele estava com todo aquele nervosismo enquanto tocava.

I'm sittin' here tryin' to convince myself
(Eu estou sentado aqui, tentando me convencer)
that you're not the one for me
(Que você não é a única pra mim)
But the more I think, the less I believe it
(Mas quanto mais eu penso, menos eu acredito nisso)
and the more I want you here with me
(E mais eu quero você aqui comigo)
You know the holidays are coming up
(Você sabe que os feriados estão chegando)
I don't want to spend them alone
(Eu não quero passá-los sozinhos)
Memories of Christmas time with you
(Memórias do natal com você)
Will just kill me if I'm on my own
(Irão apenas me matar se eu estiver sozinho)

And I didn't mean for this to go as far as it did
(E eu não pretendia que isso fosse tão longe quanto foi)
And I didn't mean to get so close and share what we did
(E eu não pretendia ir tão perto e dividir o que nós dividimos)
And I didn't mean to fall in love, but I did
(E eu não pretendia me apaixonar, mas eu me apaixonei)
And you didn't mean to love me back
(E você não pretendia me amar de volta)

Harry tentava não pensar na vontade que tinha de olhar na direção de , pois tinha medo de acabar errando a música. Perguntava-se se ela estava sorrindo ou indiferente, imaginando as diferentes reações que a menina poderia estar estampando agora, ignorava a vontade de largar tudo aquilo e sair correndo. Se aquilo o fizesse ter , então nada mais importava.

I know it's not the smartest thing to do
(Eu sei que essa não é a coisa mais inteligente a se fazer)
We just can't seem to get it right
(Nós apenas não podemos fingir que está tudo certo)
But what I wouldn't give to have one more chance tonight
(Mas o que eu não daria para ter mais uma chance essa noite)
One more chance tonight
(Mais uma chance essa noite)

I'm sittin' here tryin' to entertain myself with this old guitar
(Eu estou sentado aqui tentando me entreter com esse velho violão)
But with all my inspiration gone it's not getting me very far
(Mas com toda a minha inspiração acabando isso não está me levando muito longe)
I look around my room and everything I see reminds me of you
(Eu olho em volta do meu quarto e tudo que eu vejo me lembra você)
Oh please, baby won't you take my hand
(Oh, por favor, querida por que você não pega minha mão?)
We've got nothing left to prove
(Nós não temos nada para provar)

Lembrou do dia em que escrevera a canção. Estava no dormitório da escola, tinha acabado de conversar com a menina sob os olhares desconfiados e debochados de Edward. Tinha tanta vontade de seqüestrar a menina, tirá-la dos braços daquele outro e, no entanto, nada fizera. Danny monologava algo sobre que ele deveria estar prestando atenção, mas não o fazia. Tudo que passava em sua cabeça era e mais . Correu até sua escrivaninha e atirou-se em palavras, resultando na canção que agora cantava.

Well I didn't mean for this to go as far as it did
(Bom eu não pretendia que isso fosse tão longe quanto foi)
And I didn't mean to get so close and share what we did
(E eu não pretendia ir tão perto e dividir o que nós dividimos)
And I didn't mean to fall in love, but I did
(E eu não pretendia me apaixonar, mas eu me apaixonei)
And you didn't mean to love me back, but I know you did
(E você não pretendia me amar de volta, mas eu sei que você me amou)

And I didn't mean to meet you then
(E eu não pretendia te encontrar naquele tempo)
We were just kids
(Quando nós eramos apenas crianças)
And I didn't mean to give you chills
(E eu não pretendia te causar arrepios)
The way that I Kiss
(Do jeito que eu te beijei)
And I didn't mean to fall in love, but I did
(E eu não pretendia me apaixonar, mas eu me apaixonei)
And you didn't mean to love me back but I know you did
(E você não pretendia me amar também, mas você me amou)
Don't say you didn't love me back 'cause you know you did
(Não diga que você não me ama também, porque eu sei que você me amou)
No, you didn't mean to love me back
(Não, você não pretendia me amar também)
But you did
(Mas você me amou)

Com ambos ainda perdidos em meio a memórias de todo tempo que passaram juntos, Harry terminou de cantar sem nenhuma coragem de olhar para cima e encarar enquanto a mesma ansiava que ele o fizesse logo.
Alguns segundos se passaram até que ele tivesse coragem de olhá-la, encontrando a menina sorrindo terna em sua direção e só tendo tempo de tirar o violão de seu colo rapidamente quando ela veio em sua direção, atirando-se em seu colo e colando seus lábios. Os dois sorriam em meio ao beijo, sentindo suas línguas acariciarem uma a outra, cheias de paixão, ternura e alegria. -Você escreveu isto?
perguntou quando os dois separaram-se, acariciando a nuca de Harry e vendo seu sorriso espelhado nos lábios do menino.
-Com alguma ajuda dos meninos.
Harry respondeu entre beijos espalhava pelo rosto e pescoço de , sorvendo ao máximo o perfume doce da menina e apertando-a em seus braços. -Namora comigo?
Ele sussurrou em seu ouvido, sentindo afastar seu corpo do dele para olhar dentro de seus olhos antes de atirar seus lábios contra os dela.
-Vou considerar isto como um sim!
Harry disse entre risos após os dois separarem-se sendo acompanhado por , antes que Harry acabasse com a distância que havia entre os dois em mais um beijo dos muitos que trocariam aquela noite.


Capítulo 51

A senhora estava em casa tomando café sozinha, o ambiente em completo silêncio. Estava sentada no lugar que sempre ocupara, seus olhos alternando da louça intocada deixada para e o vazio na cabeceira da mesa, onde seu marido deveria estar sentado. Colocou uma camada extra de geléia em sua torrada, mas nem o mais doces dos sabores iria aplacar o gosto amargo do erro em que se transformara sua vida. Sentiu as lágrimas começarem a se formar, ao tempo que um nó subia por sua garganta dificultando sua respiração, mas continuou a fazer exatamente o que estava fazendo, limpando os lábios com um guardanapo antes de bebericar um pouco de seu suco. As lágrimas caíam enquanto ela pensava na piada que sua vida se tornara. Ela que tanto fizera para manter as aparências de uma família perfeita, via tudo ruir diante de seus olhos. Quando as coisas começaram a dar tão errado? O que eu fiz de tão errado? Frustrada, sozinha e absolutamente infeliz ela levantou-se, caminhando em direção ao segundo andar da casa quando ouviu a porta de abrir e uma quase irreconhecível irromper por ela.
A primeira coisa que ela notara foram os olhos avermelhados desnorteados da menina e que ela ainda não estava totalmente livre dos efeitos da droga. Carregava os sapatos em suas mãos, seus olhos confusos e surpresos enquanto passava as mãos pelo cabelo tentando amenizar a bagunça em que ela se encontrava. A mãe de sentiu como um soco no estômago ao ver a filha naquele estado, seus olhos novamente enchendo-se de lágrimas.
-Hm... Oi mãe.
balbuciou fechando a porta atrás de si e passando pela mulher para alcançar a escada, sentindo-a segurar seu braço quando ela estava a caminho da mesma.
-O que foi?
perguntou estupefata com a atitude da mãe que desde que seu pai se fora quase não lhe dirigia a palavra. Olhou nos olhos da mulher na sua frente vendo um brilho quase insano no fundo daqueles olhos e sentindo um frio na espinha ao assistir aquilo.
-Onde você estava?
A mulher perguntou e rolou os olhos, libertando seu braço num puxão.
-Como se você se importasse. Faça-me o favor.
respondeu sarcástica depois de uma risada irônica, partindo em passos largos para seu quarto sendo seguida pela mulher.
-Volte aqui, ! Você não pode falar comigo assim! Eu sou sua mãe e você me deve respeito.
A mulher gritava em seu encalço, fazendo com que caminhasse cada vez mais rápido. Planejava trancar-se no seu quarto assim que chegasse lá, no entanto sua mãe alcançou o cômodo no mesmo momento que ela e não teve outra opção senão confrontá-la.
-Respeito? Você não se respeita continuando com um homem que você sabia que te traía na sua própria cama. Não me venha pedir respeito.
vociferou de volta, esperando que a mulher se acuasse e a deixasse em paz. Deu as costas à mesma, mas não a ouviu recuar olhando então na sua direção.
-Mas o que vale é você continuar perfeita, não é? Nas suas fotos de coluna social e eventos comunitários. Aliás, por que você não arranja um para melhorar esta sua vida miserável? Quem sabe alguém doa um pouquinho de amor próprio, de orgulho. Coisas que você está precisando há algum tempo.
continuou num tom mais baixo, mas nem por isto menos afiado. A maldade contida em suas palavras alimentada pela raiva que sentia em seu âmago por sua mãe sujeitar-se aquela situação patética com medo apenas do que as pessoas iriam dizer. Um silêncio instaurou-se no local até um grande soluço escapou dos lábios da mais velha, surpreendendo que se precipitou em sua direção assim que a vira começar a chorar.
-Calma mãe...
murmurava incerta repetidamente enquanto acariciava os cabelos macios da mãe e encaminhava-se para cama, puxando a mais velha com ela. As duas ficaram assim por um tempo incontável, até que a mulher estivesse suficiente recomposta para falar.
-Por que você está fazendo isto, ? Por que você está acabando com você mesma?
A mulher perguntou entre soluços, fazendo com que congelasse e afastasse seu corpo do dela, mas não de uma forma agressiva, apenas para que as duas pudessem conversar olhando uma nos olhos da outra.
-Por que você faz isto, mãe? Por que você sujeita si mesma a isto tudo?
Ela perguntou em resposta, sentindo a mão de sua mãe acariciar seu rosto carinhosamente. As duas encaravam-se em silêncio, observando os traços que o tempo deixara em sua mãe e percebendo o quão mais velha ela parecia agora. Nada que seu esteticista não resolvesse com algumas sessões de mágica, como ela dizia.
-Eu conheci seu pai enquanto era modelo. Seus avós não gostavam da profissão, não tinha tanto glamour como hoje, então estar com alguém que eles aprovavam tanto era maravilhoso. Seu pai era maravilhoso. Charmoso, inteligente, bonito... A idéia de um título real vir acompanhado disto tudo também me deixava maravilhada.
A senhora começou a dizer nostálgica, rolando os olhos na última frase e fazendo sorrir com aquilo.
-Nós casamos e eu parei de trabalhar. Seu pai era mais velho e eu estava apaixonada, então ele conseguia me controlar muito bem. Era até meio absurdo! Eu tinha tanto medo de ferrar as coisas... Eu perdi a mim mesma em algum momento sem nem perceber. Não sabia mais ser alguém sem seu pai. Sabemos onde isto me levou...
Ela continuou, um sorriso amargamente triste esboçando-se em seus lábios quando terminou seu discurso acariciando o rosto de .
-Mas eu não me arrependo. Eu tive você. E eu e seu pai tivemos nossos momentos; Continuamos tendo. Eu sei que você não aprova o jeito que eu levo as coisas, mas cada um vive do jeito que pode . Eu o amo, também sei que ele me ama também. Mas isto não é algo que eu espero que você entenda.
A mulher finalizou, tomando o rosto da filha em suas mãos e plantando um beijo em sua testa antes de prosseguir.
-Agora eu quero falar de você, querida. Por que você está fazendo isto consigo mesma?
Ela perguntou carinhosa e mordeu o lábio antes de falar, vendo a mãe pedindo para que ela esperasse um momento antes que ela começasse a falar e ficando confusa. A mulher caminhou até a penteadeira da menina, pegando um pente e voltando para onde estava com um sorriso cúmplice esboçado nos lábios, assistindo sorrir timidamente de volta e sentar-se já sabendo o que a mãe tinha em mente. Sentiu-se de volta a sua infância, desabafando com a mãe enquanto a mesma penteava seu cabelo carinhosamente. Contou tudo que sentira e acontecera com ela desde o dia que vira seu pai com a empregada, até mesmo toda pressão que sentia antes disso com toda aquela coisa de Cambridge e tudo mais.
-Nós sempre quisemos te dar o melhor... Inclusive quiseram fazer um episódio de “bebês luxuosos” com você quando nasceu. Claro que seus avós acharam de péssimo gosto e não permitiram. Não ia ser diferente na faculdade, só que isto só dependia de você. Não queria colocar nenhuma pressão... Eu só te queria o melhor.
A mãe disse apologética, colocando a escova de lado e voltando a sentar-se ao seu lado puxando-a para um abraço, aconchegando a filha em seu peito.
-Sobre o resto... Meu amor, eu... Não imaginava que você estivesse se sentindo assim. Eu achei que você ficaria melhor se soubesse que seus pais não iriam se separar. Não é este o trauma da maioria das crianças de hoje, separação? Eu não queria que fosse assim para você.
Ela explicava trazendo a menina para mais perto de si, acariciando o cabelo da mesma enquanto chorava silenciosamente, percebendo só ali o quanto sentia saudades do carinho de sua mãe.
-E Halley... Você está proibida de vê-la, entendeu?
-Engraçado, até ontem você me incentivava a sair com ela. Fazer laços com a família.
-Isto foi ontem, quando eu não sabia tudo que ela te influenciou a fazer. Que ela abandonou o meu bebê quando mais precisava.
A senhora falou afetada, fazendo com que risse daquela preocupação e cuidado, não com escárnio, apenas feliz de saber que aquilo estava ali.
-E o que você vai fazer sobre o Fletcher?
A mais velha continuou cuidadosa, sentindo respirar profundamente antes de respondê-la.
-Eu não sei.
respondeu simplesmente, mordendo o lábio em seguida. As duas continuaram conversando carinhosamente durante algum tempo, até que a empregada bateu na porta estendendo o telefone para a mais velha sob o olhar surpreso das duas. Tinham passado tanto tempo e tantas emoções ali que mal se lembravam que o mundo existia.
-Eu vou atender, meu amor. Natal é a temporada dos eventos de caridade, você sabe.
A mãe de disse depois de plantar um beijo em sua testa e afastar-se para atender o telefone, parando ao ouvir o chamado da filha quando chegou a porta.
-Obrigada, eu estava realmente precisando disso... E eu te amo.
confidenciou ligeiramente corada, vendo a mãe sorrir docemente na porta e murmurar um “eu também” com um sorriso antes de voltar ao telefone, afastando-se. A menina mordeu os lábios e olhou pela janela onde a neve começava a cair, pensando no que acabara de acontecer e percebendo que sentia falta de conversar com outra pessoa. Esticou o braço e pegou o celular que estava na cabeceira da cama, discando rapidamente o número de .

Longe dali, acordava no hospital com uma enfermeira checando pela última vez seu estado, já que a menina deixaria o local naquele mesmo dia. Conversou amigavelmente com a mulher durante todo tempo que ela esteve ali, até que James entrou no local anunciando que o médico já estava pronto para liberá-la. Os dois terminaram de juntar as coisas de que estavam no local, sentando-se quando terminaram o trabalho e o médico ainda não chegara ao quarto.
-... Eu acho que a gente tem que conversar, não é?
James começou quebrando o silêncio que os envolvia já há algum tempo, fazendo engolir seco.
-Talvez não seja estritamente necessário.
Ela sugeriu incerta, vendo o menino balançar a cabeça negativamente.
-Eu não posso ignorar isto.
-Pode sim... A gente ignorou até agora!
sugeriu veemente, um tanto embaraçada de conversar sobre aquilo com James, ainda mais agora que as coisas estavam melhores.
-... Só deixa eu me explicar, tudo bem?
James pediu e mordeu o lábio, desviando os olhos dele e esperando que ele falasse.
-Eu realmente acreditei estar apaixonado por você nestes últimos tempos. Acho que isto surgiu quando você foi para a Califórnia para morar com seu pai e eu também estava lá.
Ele começou, fitando a parede a sua frente como se fizesse um esforço para lembrar-se.
-Quando você tinha acabado de terminar com a Britney?
perguntou incerta assistindo James acenar que sim antes de continuar a falar.
-Você me ajudou tanto! Eu... Nossa, aquele término realmente acabou comigo e você sabe disto. Então quando você foi embora, eu senti tanta falta de você. Eu sempre sentia sua falta quando tinha que ficar longe por causa do Busted, mas daquela vez foi tão diferente...
James confidenciou com a voz baixa encarando continuamente o mesmo ponto do chão, sendo cortado por momentaneamente.
-Que você achou que fosse amor.
sugeriu com a voz um pouco presa, ainda mordendo seu lábio que a esta altura já se encontrava avermelhado.
-Me desculpe. Acho que isto só ferrou ainda mais com a sua cabeça.
James desculpou-se, levantando os olhos para que apenas sorriu levemente em sua direção. Os dois se entreolharam durante algum tempo, até James levantar-se e caminhar em direção a menina, envolvendo-a em um abraço.
-Eu encontrei uma menina nova agora. Ela tem um sorriso lindo e é tão doce... Mal posso esperar para te apresentá-la!
Jimmy disse animado fazendo com que a irmã sorrisse com ele, soltando de seus braços. Os dois começaram uma conversa sobre a nova garota de James, ficando extremamente feliz que o irmão já tivesse superado o estranho sentimento que tivera por ela e que tinha encontrado alguém que ele gostasse.
-Agora eu só desejo que você e o Poynter fiquem bem de novo... Sabe, eu até gosto dele.
James adicionou fazendo o sorriso de diminuir afetada pelo pensamento de que Dougie não estava mais com ela. Naquele momento, o menino abriu a porta entrando no quarto como se respondendo aos pensamentos de que sorriu brilhantemente ao vê-lo, recebendo de volta um sorriso com o mesmo calor.
-Acabei de falar com o médico, ele disse que você já pode ir para casa. As coisas estão um pouco perturbadas na emergência então ele não vai poder passar aqui.
Dougie explicou e sorriu ainda mais, James apressando-se para pegar a pequena bagagem de mão da menina enquanto ela e Dougie começavam a conversar deixando o quarto.
-O que acha de almoçar com a gente, Poynter?
James sugeriu fazendo com que Dougie estranhasse o convite, mas aceitasse mesmo assim. Os dois tinham passado todo o tempo junto com no hospital revezando-se para tomar conta da menina e talvez deste tempo uma amizade tivesse começado a surgir. Dougie aproximou-se de quando já estavam fora do hospital hesitando em passar seu braço pelos ombros da menina, como tinha sido quando começaram a ter alguma coisa, assistindo sorrir travessa e abraçar o menino pela cintura, fazendo Dougie sorrir também.

Algum tempo depois, estava na casa de assistindo filmes como costumavam fazer a algum tempo atrás e alternando entre conversas sobre coisas aleatórias e suas próprias vidas. quase não conseguiu esconder a surpresa quando viu o nome da amiga no visor de seu celular, já que fazia algum tempo desde que vinha mantendo uma distância quando estavam fora do colégio e ela já estava de certa forma acostumada com isto. Ainda assim recebeu a amiga de braços abertos quando ela disse que precisava conversar, tudo ocorrendo tão naturalmente quanto sempre.
-Tenho que te dizer que estou morrendo de ódio da Halley. Desculpa, mas nunca fui com a cara dela.
admitiu rolando os olhos com certa raiva e sorriu ao ver a expressão da amiga. sempre fora super protetora com suas amizades, se alguém machucasse alguém que ela realmente gostava, teria de enfrentar a sua fúria.
-E o Fletcher... Wow.
finalizou incerta, mordendo o lábio e assistindo o sorriso de virar uma linha tensa e triste.
-Você ainda gosta dele, não é?
perguntou e sinalizou que sim.
-Muito. Eu sempre gostei dele e você sabe disto. Só que agora parece estar maior, sabe? Como se o sentimento tivesse amadurecido. Mas eu não me sinto mais certa para ele. Quando ele cantou tudo aquilo... Acabando comigo, eu acabei com ele também. Não foi nem um pouco justo. E, além do mais, acho que ele não me vê mais assim.
falou amargurada e mordeu o lábio observando a tristeza da amiga, sentindo-se de mãos atadas para fazer qualquer coisa e ainda assim querendo fazer algo para ajudá-la. Odiando a tristeza que seus olhos transmitiam.
-Claro que vê, ! Ele só está triste com tudo isto e tão perdido quanto você. Se coloca no lugar dele... Se fosse ele se afundando e você não conseguisse fazer nada. E talvez ele esteja com um pouco de raiva também, afinal de contas ele queria te ajudar e você ficava empurrando o menino para fora da sua vida. Mas isto passa, amiga. Daqui a pouco vocês voltam a ser o mesmo casal água com açúcar que todo mundo adora, só não agüenta ficar perto pro muito tempo.
brincou assistindo um tímido sorriso brincar nos lábios de antes que ela lhe mostrasse a língua. As duas conversaram durante mais algum tempo, até que Harry surgisse na porta com um sorriso doce surpreendendo-se em seguida ao perceber que estava ali com que adiantou-se até o menino, colando seus lábios nos dele num beijo apaixonado, porém rápido já que eles tinham espectadores.
-Ok, acho que eu perdi alguma coisa aqui.
guinchou balançando levemente a cabeça, seus olhos alternando entre e Harry que a observavam com um sorriso.
-Nós estamos namorando.
Harry noticiou, apertando o braço ao redor da cintura de aproximando-a de seu corpo e mordendo levemente a bochecha da menina que riu tentando afastá-lo.
-E o Edward?!
perguntou estupefata e Harry rolou os olhos, bufando em seguida e segurou seu rosto para plantar um pequeno beijo em seus lábios antes de responder à amiga.
-Longa história.
estava pronta para fazer outra pergunta quando Harry a cortou.
-Então, senhoritas, vamos ou não almoçar?
Ele perguntou olhando todo momento para .
-Vamos sim.
-Hã... Acho melhor deixar vocês dois irem sozinhos, né. Não to afim de ficar de vela.
justificou-se descendo da cama da amiga e calçando suas sapatilhas, vendo rolar os olhos impaciente para ela.
-Você vai com a gente sim! E todas as horas que eu passei de vela para você e o Fletcher?
-Pensa nas batatas com queijo e bacon do Outback e na companhia ótima que você vai ter!
Harry continuou, os dois sorrindo como atores de publicidade fazendo com que risse de suas expressões.
-Eu vou pelas batatas.
noticiou e bateu palmas animada.
-Eu também só vou por elas.
confessou a amiga, assistindo Harry fingir ultraje e caminhando até o namorado, colando seus lábios rapidamente num selinho até Harry aproximar seus lábios novamente a procura de outro.
-Depois eu e o Fletcher somos o casal água com açúcar, .
alfinetou vestindo seu casaco e assistindo a amiga mostrar-lhe a língua, uma tristeza atingindo a menina quando percebeu que usara o presente para descrever o relacionamento que ela mesma terminara.
-Sem inveja, .
Harry disse passando um braço pelo ombro da amiga e outro pelo braço da namorada, encaminhando-se para fora do carro e da casa. Seguindo em direção ao carro e dali partindo em direção ao restaurante, mandando sem que percebessem uma sms para um amigo seu.

Capítulo 52

Noites depois, do outro lado do mundo, se arrumava para ir à boate com as amigas. Já fazia alguns dias que ela havia voltado aos Estados Unidos e ainda assim sentia um vazio em seu peito. Pensava que seria preenchido pela presença dos pais e da gente que ela não via há tanto tempo, no entanto ainda que a saudade que vinha a acompanhando há um tempo agora estivesse sanada, uma lacuna ainda persistia em seu coração.
Respirou fundo terminando de afivelar sua sandália e levantou-se para encarar o espelho. Mordeu o lábio enquanto procurava alguma falha em seu visual impecável. Um sorriso desenhando-se em seus lábios quando percebeu o quão londrina parecia, praticamente uma Daisy Lowe. Borrifou o perfume em sua pele e pegou a bolsa, descendo em direção a saída da casa.
-Filha, onde você vai?
Ouviu a mãe chamar quando já estava alcançando a porta, dando alguns passos para trás na direção de onde vinha a voz da mãe.
-Comer alguma coisa e depois dançar com as meninas...
Ela respondeu simplesmente, assistindo a mãe caminhas até ela e arrumar alguns fios rebeldes de seu cabelo.
-Estava sentindo falta de te ter aqui. Até mesmo destas suas saídas com as amigas! Tenha juízo, por favor. Não queremos te ter mais uma vez nos tablóides.
A mais velha advertiu de forma leve, fazendo pressionar os lábios um contra o outro levemente tensa.
-Pode ficar tranqüila, mãe. Aquela fase passou...
Ela disse calmamente, sorrindo ao final da frase e recebendo um sorriso terno da mãe em resposta. Ouviu um carro buzinar do lado de fora e deu uma olhada no relógio que pendia na parede, pela hora deveriam ser suas amigas.
-Bom, tenho que ir.
noticiou se afastando rapidamente e jogando um beijo no ar para a mãe.
-Ah! Um amigo seu ligou...
A senhora começou a dizer, sendo cortada por que já estava com a porta aberta e quase do lado de fora.
-Diz que eu fui para a Hype!
Gritou em resposta caminhando em direção ao conversível vermelho que a esperava estacionado em sua entrada. Sorriu para as amigas, acompanhou as músicas que tocavam na rádio esquentando o corpo para a boate, mas a lacuna continuava lá; E ela não sabia dizer exatamente porquê.

Enquanto isto, do outro lado do mundo, Harry e chegavam à casa do menino. Os dois caminhavam abraçados, ligeiramente bêbados, mas esse não era o motivo pelos sorrisos que escapavam de seus lábios. Sorriam apenas pela alegria de ter um ao outro ali.
-Cause even when I dream with you, the sweetest dream would never do…
Harry cantarolava sensivelmente desafinado para enquanto tentava abrir a porta, arrancando algumas risadas ternas da menina e alguns beijos aleatórios por seu rosto.
-Eu estou tão cansada!
comentou jogando-se na cama de Harry assim que alcançaram o quarto do menino, o mesmo observando-a cuidadosamente ainda de pé.
-Também. Arrasamos na pista hoje!
Harry concordou com ela, fazendo uma pose brega de dança ao terminar de falar arrancando algumas risadas de .
-Fazia tempo que eu não dançava assim... Doug e também estavam animados.
continuou, rindo ao lembrar-se dos amigos que haviam saído com eles e o quanto os dois se transformavam com um pouco de álcool.
-Tão legal ver que os dois estão voltando. Não agüentava mais ver o Doug triste.
-Nem eu a .
completou sua fala, fechando os olhos ao sentir as mãos de Harry massageando levemente seus pés após ter retirado suas sandálias.
-Em compensação a e o Tom...
Harry guinchou e mordeu levemente o lábio, lembrando do almoço drástico que os quatro tiveram juntos.
-A coisa está pior do que eu pensava. Talvez seja melhor nem se envolver... Deixar os dois se resolverem por si só.
finalizou ouvindo um murmúrio de concordância de Harry e os dois caíram em silêncio.
-Tenho que tirar a maquiagem antes que acabe dormindo assim... Aliás, já deve estar toda derretida e eu devo estar horrível!
murmurou depois de alguns minutos, fazendo menção de levantar da cama e sendo segurada por Harry que havia se deitado ao seu lado.
-Você está linda como sempre. Fiquei até preocupado quando te busquei em casa com a quantidade de caras que ia ficar te olhando.
Ele confessou após beijar o pescoço da menina, sentindo-a arrepiar-se sensivelmente.
-Pensa que nenhum deles tem acesso ao que está debaixo dessas roupas...
instigou maliciosa assistindo um sorriso lascivo surgir nos lábios de Harry antes que ele a beijasse apaixonadamente, instigado a descobrir o que a namorada estava até aquele momento o escondendo.

Já fazia algumas horas que estava na boate com as amigas, dançando loucamente. A garrafa de vodka que haviam comprado já estava quase no fim e apesar dos caras lindos que a cercavam, tudo que ela queria era continuar curtindo a música que ecoava em seus tímpanos. Esquivou-se de um menino que acabara de se aproximar de seu corpo sem nem mesmo perceber como era o mesmo.
-Uh, você mudou mesmo, hein.
Sua amiga gritou em seu ouvido olhando na direção que o menino tomara depois e fazendo com que também olhasse naquela direção observando o menino que agora estava de costas para ela.
-Eu só não estou afim hoje...
Ela respondeu sem deixar de dançar, recebendo um olhar desconfiado e ignorando-o solenemente.
-Será que com uma tequila a que eu conheço volta?
Outra menina disse num certo convite e todas se dirigiram para o bar. Ver a velha garrafa de Cuervo na mão do barman enquanto o líquido dourado era derramado em pequenos copinhos trouxe uma nostalgia imensa ao coração de . Quantas vezes fez aquilo na companhia daquelas mesmas pessoas. A quantas enrascadas aquilo a havia levado. Quanta história para contar também já tinha ganhado.
-Você toma uma extra em homenagem a que não veio...
A amiga continuou e deu de ombros. Com certa expectativa nos olhos, as três encaravam os copos que pendiam em sua frente.
-Ao lado, ao lado, arriba, abajo!
As três disseram juntas antes de engolirem o conteúdo de uma vez e partirem para o limão que estava ao lado de seus copos.
-Que você também esteja se divertindo, !
disse olhando para cima enquanto adiantava-se para o segundo copo que as amigas tinham comprado para ela. Olhou para os lados depois de ingerir o líquido, sentindo o olhar de alguém em suas costas, mas sem poder ter certeza se alguém a olhava mesmo ou não pela escuridão do lugar. Mais risonhas, as meninas voltaram para a pista.
Alguns minutos depois, suas amigas já estavam enroscadas a caras desconhecidos e ela ficara sozinha na pista. O terceiro DJ da noite assumiu com uma música nem tão envolvente e ela aproveitou o momento para ir ao banheiro. Atravessou a pista cheia de gente, subindo os degraus ao lado da pista vip e seguindo por um canto mais escuro até o banheiro do local. Vislumbrava algumas pessoas se pegando sem reconhecer nenhuma delas, sentindo alguém observá-la, porém sem dar muito atenção a sensação. O banheiro estava milagrosamente vazio, a senhora que deveria monitorá-lo dormindo serenamente apesar da música alta. Não demorou muito estava saindo dali e voltando a pista. No entanto, quando estava quase a alcançando sentiu um par de mãos subirem por debaixo de sua saia sem nenhum pudor. Virou-se para trás possessa de raiva, observando um menino meio nerd e tonto a olhá-la.
-Babaca! Por que você fez isto seu idiota?
começou partindo para cima do menino que agora a olhava levemente assustado. Estava pronta para deferi-lo o primeiro tapa quando alguém lhe afastou e lançou o punho contra a face do menino, fazendo com que ambos caíssem no chão. Ficou olhando para os dois confusa de quem seria aquele garoto, encontrando alguma dificuldade pela escuridão do local e por sua pouca sobriedade.
-Danny!
Ela exclamou quando viu o menino receber um soco e alguns dos amigos do cara aproximarem-se com caras nada satisfeitas.
-Larga ele, seu idiota!
começou a gritar depois de alguns segundos de choque, socando as costas do nerd e chutando-o quando possível. Os seguranças da boate logo surgiram separando os dois. Danny gritando um sonoro palavrão quando foi atingido pela arma de choque para que se soltasse do outro cara. e o mesmo sendo guiados para a saída da boate logo em seguida.
-Mas ele quem estava errado! Aquele tarado veado de bosta!
reclamava estupefata sendo solenemente ignorada pelos seguranças que continuavam a empurrá-la. Evitava olhar para o menino ao seu lado, enquanto tudo que o outro fazia era observá-la.
-Droga, as meninas não vão saber que eu saí...
Ela continuou do lado de fora, após ter pagado sua conta e ter deixado o local.
-Você não vai mesmo falar comigo?
Danny disse depois de algum tempo, chamando a atenção dela para o menino. Os dois se observaram em silêncio durante algum tempo, antes que ela sobressaltasse-se em sua direção.
-Você está bem?
Perguntou preocupada, analisando algumas marcas vermelhas que sobressaíam no rosto branco do menino.
-Estou. E você?
Danny perguntou fechando os olhos ao sentir o toque delicado da menina em sua pele.
-To bem... Você não precisava ter se metido. Eu tinha tudo sob controle.
afirmou e Danny rolou os olhos, sabendo que discordar da mesma naquele momento não ia fazer bem nenhum.
-Quer uma carona?
Ele sugeriu e olhou para os lados como que a procura das amigas, dando ombros em seguida.
-Vamos.
Ela respondeu por fim, passando a caminhar ao lado do menino enquanto deixava uma mensagem para as amigas dizendo que já tinha ido para casa. Os dois ficaram em silêncio durante grande parte do trajeto, só voltando a falar quando estavam num fast-food vinte e quatro horas que Danny parara.
-O que você está fazendo aqui, Danny?
perguntou subitamente requisitando a atenção do menino que no momento estava focada apenas no sanduíche que estava a sua frente.
-Comendo?
Danny respondeu evasivo, sabendo que não era aquilo que a menina intencionava ao perguntá-lo.
-Você sabe que não é isto que eu quero dizer.
prosseguiu e Danny terminou de mastigar antes falar.
-Eu estava sentindo a sua falta.
Respondeu seco, amassando o guardanapo que havia usado para limpar os lábios.
-Como?
-Eu preciso de você, . Não só romanticamente falando. Sinto falta de conversar com você. Da amiga que você foi para mim.
Daniel explicou sem esboçar nenhuma expressão, ao tempo que dentro dele um turbilhão de sentimentos o consumia. Observou morder o lábio inferior enquanto seu coração apertava-se no peito. Também sentia falta dele, mais do que gostaria de admitir, na verdade. Já a sentia todas as vezes que o ignorava na Inglaterra e ali só sentira mais. Percebeu isto ao reparar em si mesma e sentir a lacuna de antes preenchida.
-Como você me encontrou?
perguntou com a voz arranhando levemente e os olhos desviados para a mesa.
-Liguei para sua casa e sua mãe disse onde você estaria.
Danny respondeu e lembrou-se vagamente da mãe comunicando-lhe que um amigo havia ligado. O silêncio reinando durante algum tempo antes que o quebrasse.
-Eu também senti sua falta, Daniel.
Adicionou simplesmente, seu olhar fixo nos olhos imensamente azuis de Danny a procura de algo que ela não sabia exatamente o que era. Um sorriso esboçava-se nos lábios de Danny enquanto um misto de alívio e paixão o atingiam. Poderia procurar outros olhos como os dela, outra risada como a dela, uma risada como a dela e tinha o feito. No entanto, sem sucesso porque era ela e somente ela quem ele amava. Naquele restaurante vazio e até um pouco sujo do outro lado do mundo ele pode ter certeza disto.

De volta à terra da rainha, acabara de acordar. Estranhou momentaneamente a parede azul que encarava até lembrar-se de que havia estado com Doug no dia anterior. Apalpou a parte da cama onde o menino dormira, percebendo-a gelada, sinal que ele se levantara bem mais cedo que ela, demorando-se um pouco mais para respirar o perfume do menino impregnado em suas cobertas. Tinha sentido tanto sua falta.
Pensou por um minuto em apenas esperar o menino ali, mas certa impaciência a fez levantar-se e procurá-lo pela casa encontrando-o apenas de boxers na cozinha. Assobiou como os caras costumam fazer quando vêem uma garota bonita na rua e observou Dougie virar-se em sua direção sobressaltado.
-Ah! Você estragou a surpresa.
Disse num muxoxo, deixando que percebesse no que ele trabalhava tão concentrado: uma bandeja de café da manhã com waffles, mel, nutella, suco e uma tulipa negra, sua flor favorita.
-Desculpe!
lamentou, encaminhando-se até Dougie e abraçando-o pelas costas antes de plantar um pequeno beijo e uma mordida em seu ombro.
-Bom dia, mon amour. E obrigada pela surpresa que eu sem querer estraguei.
A menina continuou e um sorriso tranqüilo estampou os lábios de Dougie por tê-la ali de volta. Mudou de posição para ficar de frente para ela, dando um ligeiro beijo na ponta de seu nariz antes de falar.
-Bom dia, amor.
Terminou de falar num meio sorriso terno, acariciando o rosto da menina enquanto olhavam-se nos olhos com carinho, num daqueles momentos em que milhares de palavras são ditas no silêncio. E aquele só deixava mais claro o quanto um estava feliz com a presença do outro ali.
-Eu estou com fome...
admitiu sem graça depois de seu estômago roncar, quebrando o momento e os dois riram. Dougie pegando a sua mão e a guiando até a bancada da cozinha, sentando-se imediatamente a sua frente.
-James te ligou. Disse para retornar quando acordasse.
Dougie noticiou e arregalou os olhos sensivelmente, lembrando do compromisso que tinha marcado com o irmão.
-Eu marquei de comprar o presente de natal da agora ‘quase namorada dele’ com ele!
Explicou sobressaltada, respirando profundamente depois.
-Eu não estou podendo confiar neste meu celular! Já faz uma semana que eu o coloco para despertar e ele simplesmente não desperta. Isto porque esta porcaria é nova e cara, imagina se tivesse caído tanto quanto o outro que eu tinha...
começou a reclamar, olhando para o celular com certa raiva que fazia Dougie querer rir antes de interrompê-la.
-, o celular despertou sim. Você nem olhou pro coitado antes de desligar. Foi o que me acordou para sua pequena surpresa.
Dougie explicou segurando o riso, enquanto o encarava com ares de quem finalmente compreendia o sentido de todas as coisas.
-Faz sentido.
A menina disse por fim e os dois permaneceram comendo em silêncio até que terminassem.
-Eu estava pensando: nós não dissemos que iríamos devagar?
disse ao tempo que Dougie levava a louça utilizada pelos dois para a pia.
-Acho que não deu muito certo.
Doug respondeu com um riso nervoso, tinha medo de onde aquela conversa poderia levá-los. Medo de que se afastasse dele novamente.
-Eu acho que nós deveríamos só deixar acontecer...
Dougie continuou, virando a cadeira alta onde estava sentada para frente de Dougie e o menino parando encaixado entre suas pernas, ao passo que a menina abraçava-o pelo pescoço quase da sua altura.
-Eu concordo. Eu te amo, você me ama, por que não tentar de novo?
finalizou com um pequeno sorriso, a apreensão sendo expulsa do corpo de Dougie enquanto o mesmo encaminhava-se para os lábios dela selando um beijo apaixonado. Tudo estaria certo enquanto ainda estivessem juntos.


Capítulo 53

Alguns dias depois, as meninas conversavam, riam e implicavam umas com as outras sentadas no chão da sala de enquanto preparavam as coisas para a festa surpresa de Harry que seria dali a dois dias. De início, os planos de eram de apenas convidar os amigos para um pub com música ao vivo que estava famosinho entre as pessoas de sua idade, mas quando a mãe de ofereceu a estrutura que havia usado poucos dias atrás para um de seus jantares beneficentes, ela não teve como não aceitar. Mesmo que organizar uma festa não fosse nada fácil, ainda mais quando se começava tão próximo da data e quando a data é próxima do natal. Ainda bem que contava com a ajuda das amigas e também dos meninos.
-Quer dizer que o Jones foi atrás da na Califórnia?
perguntou interessada, enquanto esperava no telefone com o Buffet.
-Sim. Socou um nerd bêbado que passou a mão nela numa boate e desde então está seguindo ela por todo estado.
adicionou olhando para as amigas que analisavam as chances de vida de Danny quando ficasse realmente irritada com aquilo.
-Depois do que a passou por ele, é bom que ele esteja correndo atrás.
finalizou, sendo apoiada por e recebendo uma expressão incerta de . Minutos depois os meninos adentram as portas da casa de carregados de caixas com as mais diferentes bebidas alcoólicas que conseguiram encontrar; e foi bastante coisa.
-Missão cumprida, senhoritas!
Dougie anunciou batendo continência como um soldado na direção das meninas logo depois de ter colocado as bebidas no chão. Caminhou na direção de em seguida causando um sorriso inconsciente nos lábios da menina.
-Vocês conseguiram bastante coisa.
falou surpresa olhando para as caixas aos seus pés, abrindo a que estava mais próxima e encontrando variados tipos de garrafa e conteúdo.
-Ainda tem mais no carro.
Tom adicionou incerto e ficou ainda mais surpresa com a eficiência dos meninos em sua tarefa.
-É, agradeça ao senhor birita.
Dougie brincou apontando para Tom que apenas rolou os olhos. Do outro lado da sala, encarou Thomas. Estava claramente incomodado de estar em sua casa e durante todo dia tinha tentado ignorá-la sem ser rude; o que era quase uma missão impossível, mas que ele estava cumprindo de forma brilhante. A forma que Dougie o chamara já era uma comum piada entre os amigos, já que a família de Tom possuía uma destilaria, porém ela percebeu que no contexto soara diferente aos ouvidos dele. Assim como para ela.
-Agora, se vocês não se importam, eu vou seqüestrar minha namorada antes que você, , resolva a roubar de mim mais uma vez.
Dougie noticiou, rodando , surpresa e curiosa, em seus braços e depois a direcionando para a porta bem na hora que Harry aparecia ali.
-Resolveram dar uma festa e não me chamaram?
Harry perguntou fingindo traição ao ver que todos os amigos estavam ali exceto ele. A cara de surpresa e temor que todos estampavam naquele momento quase gritava de volta que era bem o caso.
-Na verdade, eu os chamei aqui para me ajudar com as coisas arrecadadas na festa beneficente. disse que você foi jogar cricket.
justificou rapidamente e todos respiraram aliviados, não tinham idéia de como iam justificar aquilo para Harry. Já o mesmo tinha acreditado totalmente na desculpa de , ele mesmo tinha estado no jantar acompanhando dias atrás. A única coisa que o intrigava era o fato de ter convidado Tom e mais ainda dele ter aceitado o convite e estar ali. Talvez eles estivessem começando a se entender, afinal.
-Vocês ainda vão demorar muito?
Harry perguntou com uma expressão de tortura, demonstrando o quão animado ele estava para ajudar.
-Não. Inclusive, já estávamos de saída.
Dougie disse dando um tapa na testa de Harry enquanto passava por ele e fazendo uma reverência exagerada aos outros já na varanda, acenando atrás do menino.
-Então podemos ir, ? Sua mãe me ligou pedindo para você não chegar depois das sete em casa.
Harry explicou e franziu o cenho, já recolhendo suas coisas.
-Por que minha mãe te ligou ao invés de ligar para mim?
Perguntou confusa.
-Aparentemente, estava dando ocupado. O que é estranho já que as meninas estão todas aqui.
Ele disse suspeito, tentando o máximo maquiar seu nervosismo.
-A não! E você sabe como minha mãe é com tecnologia, deveria estar fazendo alguma coisa errada e culpando o aparelho. Vamos?
perguntou, parada ao lado de Harry, colando seus lábios rapidamente antes de despedir-se de e Tom. Ambos permaneceram em silêncio durante algum tempo.
-Você...
começou sendo cortada por Thomas rudemente.
-Eu já estou de saída.
O menino noticiou ríspido e mordeu os lábios.
-Qual é, Thomas, não precisa sair correndo! A empregada já tinha preparado o lanche... Tem queijos quentes!
convidou tão simpática quanto conseguia ser, observando Tom balançar e realmente acreditando que ele aceitaria o convite até seus olhos tornarem-se gélidos novamente. Endureceu suas feições e despediu-se da menina, quase correndo em direção a seu carro, acelerando o mesmo mais que o necessário. Ele já estava distante quando finalmente fechou a porta.

Dougie e brincavam de pular no elevador enquanto o mesmo os levava em direção ao apartamento dela. A menina estava curiosa quanto aos planos de Doug para a noite, porém como ele não tocou no assunto no carro, chegou à conclusão que simplesmente o deixaria mostrar. Podia ver que era algo importante pelo nervosismo que o menino tentava esconder.
-Estou entrando e acompanhada!
noticiou ao entrar no apartamento, só depois de ter tocado a campainha. Desde que voltara do hospital, a namorada de James era presença constante no local e não queria ver mais do que o desejado entre os dois. Só imaginar como eles haviam ficado tão amarrotados, vermelhos e descabelados como estavam agora na sua frente já era quase mais que o limite.
-Janis!
Cumprimentou sorridente, indo abraçar a menina que em pouco tempo havia se tornado uma amiga. Não sabia exatamente o que era. Janis tinha olhos castanhos gentis, um sorriso acolhedor e era tão legal que, mesmo que não quisesse, não havia como não simpatizar com a menina.
-James, estou seqüestrando sua irmã. Tudo bem?
Dougie perguntou como se fosse uma coisa super normal. A amizade entre James e ele só havia crescido desde que deixara o hospital, deixando a menina imensamente feliz. James analisou os dois fingindo um inquisidor por alguns segundos.
-A casa vai ser só sua por dois dias.
Dougie argumentou e foi o bastante para James ceder. A curiosidade de só crescendo mais ainda.
-A traga a tempo para o natal, ok? Mamãe enlouqueceria se a não fosse à ceia.
James disse por fim, Dougie sinalizando que havia entendido e arrastando em direção ao seu quarto.
-Você não vai me contar para onde vamos, não é?
mais afirmou que perguntou enquanto pegava uma mala média vermelha no canto do closet e começava a selecionar as peças que levaria.
-Provavelmente não.
Dougie respondeu ajeitando-se na cama da menina na certeza de que ela iria demorar.
-Nem uma dica?
perguntou depois de algum tempo colocando a cabeça para dentro do quarto e observando Dougie acenar de olhos fechados que não.
-Chato.
Ela disse voltando a suas roupas.
-Também te amo.
Dougie respondeu ainda de olhos fechados.

Para o dia havia começado com uma ligação de Danny. Talvez em qualquer outro dia ela ficasse apenas meio boba e sem saber o que fazer quando visse o nome no menino em seu visor, mas naquele dia em especial tinha vontade de fazer Danny engolir o aparelho. Tinha viajado seis horas de São Francisco à Los Angeles no dia anterior para acompanhar as amigas em uma festa e estava morta. Ainda assim, atendeu a ligação com medo de que Danny continuasse ligando e acabasse com seu sono.
-É melhor você ter um bom motivo para estar me ligando as...
começou com raiva, ouvindo Daniel tranqüilo do outro lado da linha.
-É meio dia. Hora de levantar!
Danny noticiou e apertou os olhos, rolando na cama do hotel para poder ver as horas no relógio de cabeceira.
-Danny, eu fui dormir tarde. To cansada.
argumentou com uma voz torturada, ouvindo o menino bufar do outro lado da linha.
-Eu sei que você dormiu tarde. Estava com você, lembra?
Danny respondeu. cogitou apenas desligar o telefone, fingir que Danny simplesmente não havia ligado e dormir pelo resto da tarde, mas duas coisas atrapalhavam seu plano brilhante: Jones não iria desistir tão facilmente e ela não queria que ele desistisse. A verdade é que, apesar de ter detestado a constante presença de Danny no início, estava até se sentindo bem agora. Longe da escola, de Rose e Chuck, do time de futebol, os dois tinham bem menos dramas. Não tinham passado de nenhum limite ainda, apenas festejavam como dois bons amigos em férias e estava adorando isto. Adorando a companhia do menino como pouco se lembrava de ter feito.
-Você dormiu?
Danny perguntou gargalhando do outro lado tirando de seus devaneios e a trazendo de volta a Terra.
-Não, mas quero.
respondeu sincera, seu lábio inferior sobressaltando-se sobre o superior como uma criança contrariada mesmo que Danny não pudesse ver sua expressão.
-Passo aí em duas horas.
Ele finalizou, não deixando escolhas para que encarou incrédula o visor do telefone por algum tempo até resolver chutar as cobertas e começar a se arrumar.
Em Londres, jantava na companhia da mãe. As duas estavam bem mais próximas desde que conversaram dias atrás. estava adorando ter tanta atenção e carinho da mãe, mas naquele dia especial preferia a distância. Extraordinariamente, as duas não estavam na mesa de jantar e sim na sala. Um filme romântico antigo passava na TV e as duas faziam constantes comentários sobre o protagonista. Pelo menos dividindo as atenções da mãe com a TV, ela não perceberia suas mãos levemente trêmulas por abstinência. Sabia que aquilo era em partes motivado pela rejeição de Thomas mais cedo. Sentia-se tão doente. Mal conseguia engolir com o nó que se instalara em sua garganta ao segurar as lágrimas.
-Mãe, eu não estou me sentindo muito bem... Vou lá para cima, ok?
Justificou deixando rapidamente a sala, passando pela cozinha antes de partir em direção a seu quarto. Parecia idiota tentar curar aquela dor com chocolates, mas era sua melhor opção no momento. Não queria deixar a mãe decepcionada, apelando para as drogas novamente. Ela teria que ser forte e resistir. Nunca havia utilizado muito das substâncias, então sabia que se quisesse sair, aquele era o momento. Talvez fosse doer um pouco mais, mas era hora de encarar os problemas que ela mesma criara.

Mais tarde, amparava Danny enquanto o mesmo vomitava copiosamente numa lata de lixo do Six Flags de Los Angeles. Tinha passado o dia alternando comida e montanhas russas, o que claramente não fez nada bem ao menino. poderia jurar que ele estava até um pouco verde.
-Está melhor?
perguntou tentando esconder seu nojo, entregando um guardanapo e um copo de coca cola para Danny, quando o mesmo finalmente levantou a cabeça.
-Acho que sim.
Danny respondeu, ainda parecendo um pouco enjoado e tomou uma distância segura do menino caso ele começasse a vomitar do nada.
-Isto é castigo por me tirar da cama.
A menina sentenciou levantando uma das sobrancelhas, observando Danny fazer uma cara engraçada e fofa de desculpas.
-Juro que nunca mais faço isto!
Danny falou meio exasperado como se fosse fazer seu enjôo ir embora e riu do menino.
-Vamos embora?
perguntou num tom neutro, mas carregando certo pesar. Queria passar mais tempo com o menino.
-Dá tempo de ir assistir o pôr do sol na praia. Que tal?
Danny sugeriu e não pode segurar um sorriso.
-Está frio!
Ela argumentou divertida. Cruzou os braços sobre seu peito e Danny considerou passar os braços ao redor da menina, porém tinha medo de sua reação. Até ali, tudo estava indo de acordo com que ele queria. Tinha reconquistado a amizade de . Mas e seu coração? Ainda era dele? Incerto, Danny mordeu os lábios e encarou o chão.
-Starbucks?
sugeriu depois de ver o menino em silêncio por algum tempo, Danny levantando seus olhos até ela com um sorriso esboçado nos lábios.
-O Fletcher te influencia demais.
Implicou rindo, observando rolar os olhos e os dois começarem tentar adivinhar o que os amigos estariam fazendo do outro lado do mundo àquela hora. Sorridentes e leves aproveitaram juntos aquele dia até o fim.

Já Harry e estavam na casa da menina desde que ele a buscara na casa de . A casa estava vazia, uma vez que a mãe de tinha um evento do trabalho para comparecer. Alugaram filmes, comeram pizzas e principalmente ficaram juntos. Harry se sentia tão feliz que chegava a ser engraçado. Não conseguia parar de sorrir ao ver a menina em seus braços. Sentia-se completo e em casa acolhido nos braços de .
-Ai, este sotaque do James McAvoy!
comentou em uma das cenas que o escocês aparecia e Harry apertou os olhos fingindo ciúmes. E talvez verdadeiramente sentindo também.
-Eu nem acho nada demais.
Harry desdenhou retirando seus braços do corpo da menina e encarando a televisão medindo seu “oponente”.
-Harry?
chamou algum tempo depois e o menino não a atendeu. Tentou mais algumas vezes sem resposta, passando então a dispersar beijos pelo pescoço, maxilar, rosto de Judd enquanto chamava por seu nome. Senti-o sorrir, sorriu junto com o menino e antes que percebesse Harry a havia puxado para seu colo.
-Se eu falo da Katie Holmes você reclama.
Ele constatou roçando seus lábios nos de . Um sorriso brincando na boca de ambos.
-Eu já disse que te amo hoje?
perguntou observando o sorriso do menino aumentar ao dizer que a amava também. Mais que dizer, demonstrar. Em cada olhar, cada toque, cada palavra, beijo, sorriso, Harry deixava claro seus sentimentos pela menina. havia achado seu paraíso na Terra e ele atendia por Harry Judd.

Bastaram pouco mais de uma hora e meia para Dougie finalmente contar a onde pretendia levá-la. Não que tivesse cedido as milhares de tentativas da menina de fazê-lo contar, mas sim porque haviam chegado a casa de sua avó. Doug sempre amara o lugar. Talvez por parecer uma casa antiga e isto ter exercitado tanto sua imaginação quando criança. Tinhas ótimas lembranças do lugar e compartilhá-lo com por dois dias tinha sido uma experiência ótima. Desde que sua avó e seu avô aposentaram-se, quase não passavam mais tempo na propriedade e não se importaram de emprestá-la para alguns dias românticos do neto.
-O que você está fazendo aí?
Dougie perguntou rindo ao sair do quarto e quase tropeçar em sentada no batente da mesma.
-Te esperando!
A menina respondeu com um sorriso, beijando Dougie rapidamente.
-Não quero ir embora.
confessou, abraçando Dougie pela cintura e aconchegando sua cabeça na curva do pescoço do menino, que a abraçou de volta.
-Nem eu.
Dougie concordou. Afagava os cabelos ainda úmidos de , respirando seu perfume doce e leve, seu coração e corpo aquecidos por ter a menina ali.
-Tenho uma surpresa para você.
noticiou numa voz tranqüila levantando a cabeça e olhando Dougie nos olhos. Contra vontade, desfez o abraço dos dois, puxando Dougie até a sala que tinha vista para o jardim da casa. Seu plano inicial era fazer alguma coisa no jardim que tinha sido a parte da casa que ela mais gostara. No entanto, a fria noite de inverno não os permitiria tanto. A acolhedora e morna sala vitoriana teria de ser seu cenário, então. Preparara um jantar para os dois. Não sabia onde estavam as coisas, o que podia usar e não poderia perguntar para Dougie para não estragar a surpresa, ainda assim conseguira arrumar a mesa razoavelmente bem e o prato parecia apetitoso. Encarou Dougie com um sorriso de expectativa, sentindo os braços do menino apertarem-se ao redor de seu corpo guiando-a em direção a mesa.
-Parece delicioso, .
Dougie comentou puxando a cadeira para que ela se sentasse e respondeu com um sorriso. Jantaram em meio a sorrisos e conversas despreocupadas. Dougie colocando alguma música em algum momento e depois, já um pouco altos de vinho, os dois dançaram pela sala uma versão lenta de um clássico melódico. O amor não os separaria. O amor havia os mantido juntos.

Capítulo 54

De volta a São Francisco, e Danny festejavam sem parar. Já estava até familiarizado com os amigos de que faziam certa campanha em seu favor, como se precisasse de mais provas que o sotaque e o charme de Danny eram capazes de enfeitiçar qualquer uma. O menino, por sua vez, começava a ter uma noção de como era a vida de e antes de se mudarem: festas legais, viagens constantes, pequenas loucuras e extravagâncias... Apesar de estar aproveitando, a idéia de quantos caras poderiam ter acompanhado nas mesmas festas que ele agora freqüentava, o incomodava.
Cruzou o bar segurando duas garrafas de cervejas, desviando das pessoas que dançavam, entregando uma das garrafas a assim que chegou a mesa onde a menina estava sentada sozinha.
-Hm... Onde foi parar todo mundo?
Daniel perguntou mais para puxar assunto do que por real curiosidade, vendo apontar com a garrafa a pista em frente ao pequeno palco onde o grupo que os acompanhava estava dançando entre si ou com estranhos.
-Quer dançar também?
O menino sugeriu depois de alguns segundos e negou veemente, como se ele estivesse lhe pedindo um grande absurdo.
-Deixa de ser molenga!
Ele provocou sem muito sucesso.
-Eu não sei dançar, Daniel. Não isto.
argumentou séria, sem conseguir manter sua postura muito tempo, já que Danny fazia uma cara de criança desolada, seus olhos azuis faiscando e perdendo-se nos olhos da menina que se sentia aquecida só por ter o olhar do menino em si.
Estava cada dia mais difícil resistir a Danny e sua fofura, seu companheirismo. Era um Danny tão diferente do que ela conhecera... Era o Danny de quando os dois estavam sozinhos, só que agora cem por cento do tempo. O Danny que ela mais amava. Mordeu o lábio, temerosa, pois sabia que estava a ponto de ceder e sabia que não era só em relação à dança.
Ao perceber sua hesitação, Danny largou a garrafa na mesa e fez com que fizesse o mesmo com a dela, guiando a menina em direção a pista logo em seguida. Puxou pela cintura até que o corpo de ambos estivesse quase colado, seus quadris movimentavam-se no ritmo animado e de certa forma lascivo da melhor forma que um britânico conseguiria, uma das mãos firmes nas costas da menina, guiava-a para frente e para trás de acordo com a canção enquanto ainda estava tonta com a proximidade repentina. Os olhos de Danny brilhando próximos daquele jeito, o meio sorriso desavergonhado e ao mesmo tempo levemente inseguro que se desenhava em seus lábios finos, seu corpo tão próximo... Nada contribuía com a pequena resistência que tentava manter sem nem mais saber por quê.
-O que você está esperando?!
Uma das amigas de sibilou para mesma enquanto passava rodando por ela na pista, recebendo um sorriso incerto da menina em resposta. Sem que percebesse, já era a terceira música que dançava com Danny, em meio a sorrisos divertidos e provocativos. Em certos momentos, ela chegava a pensar que causava nele os mesmos efeitos que ele causava nela, mas logo depois rolava os olhos para o absurdo. Duvidava mesmo que qualquer um pudesse sentir-se como ela se sentia com Danny; ainda mais agora.
A rapidez da música foi suavizando-se até tornar-se uma balada romântica. O aperto de Danny ao corpo afrouxou-se sensivelmente, sua mão escorregando das costas até a cintura da menina, a outra acariciando seu rosto e colocando atrás da orelha uma das mechas de cabelo que haviam coberto seu rosto. Nem em um milhão de palavras conseguiria descrever o olhar que Danny a lançava naquele momento. Havia carinho, cuidado... Amor. Era idiota, mas a fazia querer chorar. Uma confissão tão intima de tanto sentimento. Escondeu o rosto na curva do pescoço do menino, respirando calmamente seu perfume inebriante, enquanto ele acariciava os cabelos dela eventualmente plantando beijos ali.
-Você sabe que eu te amo, não sabe?
Danny perguntou baixinho no ouvido de , sentindo-a assentir que sim.
-Sabe, queria ouvir que você também.
Ele comentou um pouco depois, quando não demonstrou mais nenhuma reação. A menina separou-se dele para poder olhá-lo nos olhos. Ele realmente precisava de palavras? Qualquer um reconheceria muito bem os sentimentos de por ele, mesmo que talvez ela não os expressasse tão constantemente. Era tão difícil proferir aquelas três palavras. Porque, uma vez que elas deixassem seus lábios, ela estaria o permitindo machucá-la novamente. Mas até quando ela mentiria para si mesma? Até quando iria ignorar o amor que ardia em seu peito, que a fazia se sentir tão completa e especial.
-Eu te amo. Porra, eu te amo, Daniel.
balbuciou e Danny sorriu brilhantemente em resposta como se as palavras inspirassem mais ar em seus pulmões, mais cor em sua vida. Sem demora, colou seus lábios nos da menina com urgência, saudade, paixão. E amor. Muito amor.

Um dia mais tarde, a festa de Harry acontecia no quintal de , na mesma tenda que sua mãe utilizara para um jantar beneficente. Já era madrugada e apesar do frio, ninguém parecia ter a mínima intenção de ir embora. Um pop chiclete estourava as caixas de som, luzes brilhavam de acordo com a batida e o álcool, que já nem mais queimava as gargantas enquanto era bebido, davam a sensação de leveza e bem estar que todos precisavam antes da temporada de festas familiares.
Harry e Dougie estavam numa mesa mais afastada jogando pôquer e bebendo com alguns amigos. Judd já não fazia a mínima questão de esconder seus sorrisos por uma festa nada relacionada ao natal. Ele até mesmo arrancara a cabeça de um papai Noel que um dos amigos levara para o atazanar. Já as meninas não deixaram a pista nem por um segundo. Tentavam levantar o astral de , mostrá-la que ela não precisava nem de Halley ou de drogas para se divertir. Não deixaram a amiga chegar perto nem mesmo de álcool, elas mesmas não o consumindo também. A tentativa não poderia dar mais certo. sentia-se tão especial e amada como em muito tempo não fazia.
-Meninas, eu realmente preciso de um descanso...
confessou prendendo os cabelos em um coque com os próprios fios e caminhando para a mesa vazia mais próxima enquanto a música mudava para algo mais trance.
-Isto é porque você não está usando saltos. Juro que vou ficar sem conseguir andar por alguns dias!
acrescentou risonha sentando-se ao lado da amiga e aproveitando para se livrar dos sapatos por alguns minutos. Estava usando uma camisa rosa goiaba confortável de mangas longas com um detalhe na gola, uma saia vermelha de cintura alta com o tecido trabalhado para formar rosas, um cinto discreto e um scarpin de bico redondo com a cor similar a da blusa. O casaco pesado que viera usando a muito já havia sido dispensado.
-Ai, vocês parecem duas velhas. Por mim em ainda estava dançando!
disse animada balançando o corpo no ritmo da música que agora estava tocando, fazendo com que as amigas rissem. A menina usava um vestido de renda branca com o fundo preto, sapatos que lembravam os de bonecas só que bem mais altos e com várias fivelas da Asos e meia calça preta.
-O que o Judd não faz nesta vida, hein...
provocou rindo, a acompanhando e lhe mostrando a língua. usava um vestido preto simples, uma jaqueta de couro e botas Jeffrey Campbell que Dougie havia lhe dado como presente adiantado de natal, já que não poderiam se ver na data.
-Falando de mim, senhoritas?
Harry perguntou aproximando-se, indo logo em direção a que o recebeu de braços abertos e com um sorriso imenso nos lábios.
-Ai, vocês são muito doces!
Dougie disse franzindo o cenho, ao tempo que arrastava uma cadeira até ao lado de e a abraçava pela cintura. Logo em seguida, descansou sua cabeça no ombro do menino que começou a acariciar seus cabelos.
-O amor está no ar.
disse desenhando um coração no ar e as amigas rolaram os olhos, sem coragem de negar aquela afirmativa.
-Ok, acho que vou ao banheiro e depois pegar alguma coisa para nós bebermos.
noticiou depois de algum tempo de conversa e as amigas precipitaram-se em acompanhá-la, mas ela disse que não era necessário.
A música já não estava tão alta devido ao horário, ainda assim algumas pessoas dançavam enquanto as outras estavam espalhadas pelo local conversando, bebendo ou se pegando. O banheiro estava um lixo maior do que o esperado e mal teve coragem de utilizá-lo. Ainda estava tomada pelo nojo quando deixou o local e percebeu uma figura conhecida cambaleante do lado de fora da tenda. Mordendo o lábio inferior incerta e temerosa logo em seguida.
Thomas vomitava copiosamente e parecia muito mal. sempre soube que ele não lidava muito bem com bebidas, mas nunca tinha visto o menino daquele jeito. Apesar de terem se falado nos últimos dias por causa da festa de Harry, as coisas ainda não estavam nada boas entre ela e o menino e era isto que ainda a segurava de ajudá-lo. Tinha medo de ser repreendida. No entanto, também não podia ficar ali vendo o menino passar tão mal sem ajudá-lo. Por fim, respirou fundo e cruzou o espaço que os separava.
-Tom, você está bem?
A menina perguntou em um suspiro, seus braços firmemente cruzados contra o peito pelo frio que a atingia.
-O que você está fazendo aqui?
Tom retrucou mal levantando o rosto para olhá-la, vomitando mais uma vez em seguida.
-Ai, meu Deus. Volta comigo lá para dentro... Eu vou pegar um pouco de água e... Não sei, procurar ajuda.
falou um pouco exasperada pelo estado do menino, sem saber realmente o que fazer, puxando-o pelo braço para que a seguisse.
-Eu não quero sua ajuda!
Thomas gritou de volta, arrancando seu braço das mãos da menina com certa violência deixando-a surpresa e até mesmo um pouco assustada. o encarou com os olhos levemente arregalados enquanto Thomas ria acidamente.
-Tom...
A menina chamou baixo, mal reconhecendo aquele menino que agora estava em sua frente.
-Você está feliz, ?
Tom perguntou ríspido parando de rir e olhando na direção da menina com certa raiva nos olhos.
-Você está feliz com o que fez comigo?!
Ele continuou, agora com um grito e as primeiras lágrimas começaram a rolar pelo rosto de .
-Tudo! Tudo isto é sua culpa! Você está feliz com o quão miserável eu estou? Porque é sua culpa! Eu te amava e você jogou tudo isto fora! E por quê? Porque queria algum baseado e umas trepadas com estanhos.
-Cala a boca!
conseguiu gritar de volta, sua voz arranhada pelas lágrimas que corriam livremente de seus olhos.
-Por que eu deveria? A verdade te machuca, é?
Thomas continuou num sarcasmo ácido.
-Você não sabe pelo que eu estava passando.
retrucou num grito vacilante.
-E isto deveria te inocentar, certo? Mais uma verdade para você, , no final foi tudo sua escolha. Detesto estragar seu mundo do drama, mas você não é a única a sofrer. Seu pai não te empurrou cocaína nariz adentro. Você escolheu o caminho errado e acabou ferrando com todo mundo no caminho, inclusive com você. Eu fico curioso... Você se reconhece quando se olha no espelho? Pois eu não vejo nem a sombra da menina que eu amei um dia.
Tom continuou gritando, externando toda sua mágoa e dor enquanto tudo que conseguia fazer era chorar. Mal conseguia encarar a feição do menino, o vento frio cortava sua pele exposta, mas nada comparado ao que as acusações de Thomas agora faziam.
-Eu te liguei tantas vezes... Quanto tempo eu passei preocupado em onde você estava, o que você estava fazendo. Você só me ligava quando estava bêbada demais a ponto de esquecer qualquer outro número. Quer saber o que eu descobri, ? Eu te odeio.
Desta vez, Tom falou devagar e baixo o que só acentuava os péssimos sentimentos que suas frases carregavam. Não estava preparado para receber o tapa que o deu, mal percebera a menina aproximar-se de si e aquilo o deixou desorientado. Tudo que ela queria era que ele sentisse a dor que a infligira. Observou-a correr em direção a sua casa, pouco antes de e aparecerem preocupadas do lado de fora. Seus olhares vacilavam entre Tom e , olhando incriminadoramente antes de partir atrás da amiga e demonstrando claramente sua infelicidade em ajudá-lo.

Dentro da casa, partiu diretamente a seu quarto. As palavras de Thomas giravam em sua cabeça e tudo que ela queria era alguma coisa que a fizesse esquecer daquilo. Esquecer dele. Estava ferida, magoada por cada palavra proferida por Tom. Estava tão afetada que mal percebera atrás de si. Esbarrava em móveis, o que acabou chamando atenção de sua mãe.
-O que...
Ela começou a formular a pergunta, mas simplesmente a ignorou. Chegando a seu quarto, fora direto a uma gaveta onde ainda tinha resquícios das coisas de Halley. Não demorou muito até achar um pequeno pacotinho recheado com aquilo que ela precisava.
-!
A senhora e gritaram ao mesmo tempo, vendo a menina afastar-se do conteúdo e cair em lágrimas novamente. livrou-se daquilo enquanto a mais velha abraçava a filha, ninando-a e chorando junto com ela; Assim ficaram por bastante tempo.
-Eu preciso de ajuda, mãe. Eu preciso ir embora daqui... Por favor.
disse entre soluços algum tempo depois fitando o semblante preocupado e machucado da mãe.
-Claro, meu amor. Claro...
A mulher respondeu calmamente enxugando as lágrimas que corriam nos olhos da filha e murmurando outras coisas para acalmá-la. Mas ela só se sentiria segura quando estivesse longe dali.

Enquanto isto, dirigia ao encontro de Danny. Era a última vez que poderiam se encontrar antes que o menino voltasse para casa para passar o natal. Podia sentir seus medos tentarem infestar seu coração, mas tentava mantê-los longe de seus pensamentos. Danny estaria de volta a Inglaterra, mas próximo de Rose, de seus outros amigos... Tinha medo de que aquilo significasse o velho Danny de volta. Tentava manter em mente que ele era seu de novo e que nada mudaria aquilo, mas achava difícil manter as perturbações fora de seus pensamentos. Por isto, desde que Danny a deixara em casa na noite anterior, seu humor oscilava entre extremamente alegre para terrivelmente assustada. Tentava espantar tudo aquilo cantando uma música pop que tocava no rádio, encontrando algum sucesso.
Cobriu a distância até o restaurante onde o menino a esperava sem nem perceber, retocando a maquiagem no espelho do carro antes de sair. A noite estava fria e ela abraçou seu próprio corpo enquanto caminhava até o restaurante. Nunca havia estado ali, apesar de ter passado por aquelas vitrines várias vezes. Na verdade, achava desconfortável a exposição que as grandes janelas de vidro descobertas propiciavam, mas não quis contrariar a Danny quando ele escolheu levá-la ali. E fora graças aquelas vitrines que ela conseguiu avistá-lo antes de entrar no restaurante.
Esperava no bar, um copo de qualquer coisa em suas mãos e seus olhos bem concentrados numa loira que estava sentada ao seu lado e falava animadamente. mal conseguia acreditar no que seus olhos estavam vendo enquanto Danny ria abertamente do lado de dentro do restaurante. Sentiu um nó aperta-lhe a garganta, seus olhos marejarem e abraçou-se, porém não mais pelo frio. Em sua cabeça, todos os seus velhos medos se libertaram. Ele não havia mudado e ela havia sido tola de acreditar naquilo de novo. Deu as costas a cena, demorando alguns minutos encostada a parede que estava ao seu lado abraçando a si mesma, não mais pelo frio, tentando não chorar enquanto resmungava como um mantra o quanto havia sido idiota de acreditar nele novamente.
-Planejando me dar um bolo?
Ela reconheceu a voz que menos queria ouvir dizer de forma divertida, segurando-a pelo braço delicadamente. Pode perceber a confusão nos olhos de Danny ao ver os seus marejados e decepcionados.
-O que foi?
Danny perguntou preocupado e riu com sarcasmo e raiva.
-Volta para sua loira, Jones.
Sugeriu arqueando uma das sobrancelhas e puxando seu braço, voltando a caminhar para longe do menino e na direção de seu carro.
-, por favor...
Danny tentou argumentar, sendo cortado pela menina.
-Eu estou falando sério, Daniel! Eu estou cansada disto! Cansada de ceder a você só para ter meu coração quebrado outra vez.
quase gritou, sua voz embargada pelo choro que prendia, pela decepção que a tomava.
-Você está entendendo tudo errado, . Ela é minha prima. Pelo amor de Deus!
Danny se explicou e ela simplesmente rolou os olhos.
-E você espera que eu acredite nisto? A Rose, a Rachel, a Ellie... Suponho que elas sejam todas da sua família também. Quer saber, Daniel, vá se ferrar você e todas elas.
faz menção de se afastar, mas é detida pela risada incrédula que saiu dos lábios de Daniel.
-Eu não consigo acreditar nisto...
-Você não consegue acreditar nisto, Daniel? Não consegue acreditar no quão estúpida eu fui de cair no seu joguinho de novo?
-Não, . Eu não consigo acreditar que depois de tudo que eu fiz você ainda não consegue confiar em mim.
Danny disse sinceramente, a incredulidade misturada à conformidade em sua voz.
-E o que você fez, Daniel? Se gabou sobre mim para seus amigos? Me tratou mal todas as vezes que eles estavam por perto?
-Cruzei metade do mundo, me desculpei, estou tentando provar que eu mudei e ainda assim você não consegue acreditar em mim.
Daniel listou ainda no mesmo tom, não deixando de olhar nos olhos de em nenhum momento.
-Eu só queria... O que eu não daria para ter as palavras certas agora? Para te fazer esquecer o idiota que eu fui e acreditar quando eu digo que eu...
Daniel parecia falar mais consigo mesmo que com , ainda assim a minha o silenciou quando percebeu o que ele queria dizer.
-Não, , eu vou falar. Eu te amo! Isto me confunde e me amedronta, mas é o que eu sinto. E agora eu não estou certo se deveria.
Danny confessou e a menina levantou os olhos em sua direção, machucada por suas últimas palavras.
-Não deveria por que eu não vou ignorar as menininhas que você come no tempo que te sobra?
destilou ácido em suas palavras desta vez mantendo seu tom baixo, sendo surpreendida pelo quanto o sorriso amargo e machucado de Danny a feriu.
-Porque você não consegue confiar em mim, não importa o que eu faça; e amar é confiar. Como você acha que eu me sentia quando você estava com Chuck por todos os lados? Ainda assim, eu confiava em você. Parece que eu nunca vou ser suficiente para merecer sua confiança.
Danny explicou calmamente, o que só expunha sua dor e aumentava a de . Avançou alguns passos em direção a menina, abraçando-a e escondendo seu rosto entre seus cabelos, respirando o máximo de seu perfume. Sem Danny no caminho, agora podia ver dentro do restaurante, a loira que antes o acompanhava abraçada a um homem e ninando um bebê que parecia ser seu filho olhando meio preocupada na direção dos dois.
-Danny...
chamou e o menino parou no mesmo momento.
-, eu nunca vou desistir de você. Eu vou te provar que mereço a sua confiança... O seu coração. Eu preciso que você prove que me quer também. Eu estou passando por cima de vários dos meus medos para ficar com você, mas eu não percebo você tentando passar por cima dos seus. Eu fiz várias merdas, eu sei. Mas eu também mudei e preciso que você reconheça isto. Nunca vai dar certo se você enlouquecer toda vez que me ver conversando com outra garota. E eu preciso saber que você quer isto tanto quanto eu. Eu vou esperar por você, . Mas você é quem precisa dar o primeiro passo agora.
Danny falou com um tom extremamente magoado beijando seus cabelos antes de afastar-se dela, seus olhos marejados enquanto os dela já transbordavam suas lágrimas que ele secou antes de se afastar. Ela se sentiu ainda mais estúpida, se é que aquilo era possível. Daquela vez quem colocara tudo a perder fora ela.

Era véspera de natal e ninguém parecia imune ao espírito do feriado. Crianças brincavam em seus quintais a despeito do frio, as mães ocupavam-se de suas ceias e os maridos faziam sala para os familiares que chegavam. A cena repetia-se casa após casa por onde Harry Judd passava, exceto uma que era exatamente para onde o menino caminhava. Carregava um presente nas mãos e um sorriso esboçado nos lábios. Surpreendeu-se quando quem atendeu a porta fora um homem robusto ao invés de , sua mãe ou de uma de suas empregadas. Qualquer um que visse o senhor acharia que se tratava de um homem extremamente sério e rígido, mas não era o caso. Não em sua casa, pelo menos. Conhecia o pai de muito antes de namorar a menina, afinal de contas eles tinham sido amigos bem antes disto, ainda assim não conseguia deixar de ficar um pouco nervoso em sua presença. Conversou um pouco com o homem antes de subir as escadas em direção ao quarto de , onde ele lhe disse que ela estaria.
-Bom dia, bela adormecida.
Cumprimentou após dar suas duas batidas características na porta do quarto e colocar a cabeça para dentro do cômodo.
-Bom dia, amor.
A menina respondeu carinhosa, estendendo os braços como se fosse abraçá-lo apesar da distancia entre os dois, observando o menino aproximar-se para se aconchegar entre eles e trocar um beijo rápido.
-O Grinch está de bom humor numa manhã natalina?
perguntou com uma desconfiança divertida observando Harry sorrir brilhantemente em sua direção.
-É... Tem alguma coisa a ver com a namorada perfeita ter preparado uma festa de aniversário perfeita.
Ele disse com um sorriso, aproveitando para beijar a menina mais uma vez.
-Você ta bem? Não é de ficar na cama até tão tarde...
Harry perguntou ligeiramente preocupado em seguida enquanto colocava uma mecha de cabelo de atrás de sua orelha e acomodava-se na cama ao lado da namorada.
-Eu acho que nunca mais vou conseguir andar.
explicou num tom falsamente desesperado, jogando a cabeça para trás e sendo abraçada pelos ombros por Harry.
-Tão dramática!
-Dramática? Tente dançar horas num salto fino.
Ela retrucou falsamente aborrecida, ficando em silêncio por alguns segundos depois.
-E teve tudo aquilo com a ...
completou depois com a voz mais fraca e chateada, descansando a cabeça no ombro de Harry que automaticamente começou a acariciar seus cabelos.
-Ela está melhor?
Harry perguntou e acenou que sim.
-Está indo para França com a mãe... Lá ela vai conseguir ficar longe da imprensa e ter ajuda. A mãe dela me disse que o pai dela vai estar lá com elas. Eu sei que a vai ficar bem, mas ainda assim é difícil.
A menina desabafou sendo consolada por Judd que só então se lembrou de suas reais intenções ali.
-Acho que eu tenho algo que pode amenizar esta tristeza...
Harry falou mostrando o embrulho que antes carregava observando franzir o cenho.
-Isto é para mim?
perguntou confusa e Harry acenou que sim, um sorriso de expectativa em seus lábios enquanto observava abrir seu presente. Um sapato alto de couro quase laranja, scarpin com várias abotoaduras revelou-se e pareceu ainda mais feliz do que Harry esperava.
-São os Jeffrey Campbell que eu vi no shopping estes dias!
exclamou animada, abraçando o par de sapatos e Harry ao mesmo tempo, fazendo Harry rir de sua animação.
-Eu estava tendo problemas em escolher seu presente e você pareceu tão apaixonada por eles...
Harry explicou e aproximou-se ainda mais dele, selando seus lábios apaixonadamente.
-Eu deveria te dar sapatos novos toda semana...
-E eu deveria namorar mais caras que comemoram natal.
acrescentou divertida, vendo Harry fazer uma expressão nem tão fingida assim de ciúmes e beijá-la novamente.

Capítulo 55

Os dias passavam rapidamente e antes que todos estivessem completamente curados de suas ressacas de natal, o ano novo chegou. Sorrisos, olhares esperançosos e ansiosos pareciam cobrir toda Londres assim como a neve que não tinha dado trégua desde o início daquela manhã. Alguns partilhavam destes sorrisos, como Harry e que estavam almoçando juntos na casa da família da menina, aproveitando para fazer planos sobre o que fariam no final daquelas férias e e Dougie que se limitavam a conversas pelo skype, já que a menina estava passando a última semana com o pai nos Estados Unidos. Já para Danny e Tom as coisas estavam um pouco mais complicadas. O natal, que costumava ser a data mais esperada do ano para Fletcher, havia passado de forma estressante e sem graça. A culpa pelo que havia dito a o corroia juntamente com as lembranças de outros natais que os dois tinham passado juntos. Enquanto para Danny, persistia uma dor incomoda sobre o que poderia ter feito para ser diferente. Não num passado recente, mas lá atrás quando tudo começou a dar errado. Pensar nisto só o fazia sofrer mais, mas não conseguia se conter. Qualquer segundo de solidão parecia ser uma desculpa para pensar em e ele estava tendo dias bastante solitários.
E a única coisa para qual aquela tristeza estava sendo boa era a criatividade. Talvez ambos nunca tenham escrito tantas coisas em um período tão curto de tempo. Algumas coisas eram muito boas e outras nem tanto, mas pelo jeito que ia o McFLY teria um repertório bastante novo para as festas quando as aulas voltassem. Tom apareceu na casa de Danny sem avisar com seu violão e um novo jogo para Xbox, o que serviu para distrair os dois.
-Ganhei... De novo.
Danny noticiou, enquanto o resultado do jogo brilhava na imensa tela em frente aos dois garotos.
-Isto é porque eu...
Tom começou sendo interrompido pelo amigo.
-Você vai mesmo continuar se justificando? Primeiro foi minha sorte de principiante, depois foi porque o Bruce apareceu e te atrapalhou... Agora o que é? Fala sério, Fletcher, admita que eu sou o bom.
Danny zoou o amigo, estufando o peito e fazendo uma pose de fortão que arrancou algumas risadas de Tom.
-Agora me diz qual é o problema. Você nunca apareceu aqui por nada.
Danny iniciou o assunto da forma mais leve que encontrou, observando o amigo morder o lábio incerto e deitar-se no chão para encarar o teto.
-Não é nada. Eu to escrevendo bastante coisa... Queria que você desse uma olhada. Só isto.
Thomas omitiu descaradamente e Danny bufou não acreditando nem um segundo na história do amigo.
-Ok e por que isto?
Danny perguntou não convencido em simplesmente esquecer porque o amigo parecia realmente mal.
-Resposta simples: . Eu... Acho que eu fui realmente um merda desta vez, Danny.
Thomas finalmente confidenciou, parecendo realmente sentido, engolindo seco em seguida e encarando continuamente o teto do quarto de Danny.
-Você sendo um idiota? Esta é minha função, Tom!
Danny tentou brincar apenas para que o amigo se sentisse confortável de continuar falando.
-Desculpe, cara... Parece que eu roubei seu posto.
-E o que você fez de tão ruim?
Daniel perguntou e Thomas sentou-se parecendo desconfortável em simplesmente lembrar o fato. Contou toda a situação para Danny, começando bem antes da cena fora da festa de Harry ao passo que Daniel procurava apenas ouvir o amigo, sem esboçar nenhuma reação.
-Eu... Ela estava parecendo tão feliz, sabe Danny? Dançando com as meninas como se nada estivesse acontecendo. Eu já fui para aquela festa me sentindo uma merda, na verdade, eu estou me sentindo assim há tanto tempo... E eu não estou sendo injusto ao dizer que é culpa dela. Só que também não justifica tudo que eu falei. Eu estava me sentindo tão miserável e queria que ela sentisse o mesmo. Queria que ela sentisse tudo que ela causou. Deus, como eu sou estúpido!
Thomas continuou expressando toda raiva que sentia de si mesmo.
-Eu a amo tanto, Danny! Chega a ser injusto.
Ele confessou num tom quase de sussurro finalmente encarando o amigo com vestígios de lágrimas em seus olhos e Danny não pode fazer nada além de olhá-lo com pena. Não sabia o que dizer e qualquer coisa que dissesse não aplacaria o sofrimento que o amigo parecia estar passando e que ele mesmo se causara. Um silêncio denso e opressor instalou-se entre os dois antes que Thomas falasse novamente.
-E você? Teve alguma sorte com a na Califórnia?
Tom perguntou parecendo genuinamente interessado e Danny rolou os olhos.
-Não realmente.
Afirmou, mordendo os lábios em seguida, seus olhos vagando pelo quarto enquanto o amigo o esperava prosseguir.
-Nós estávamos lá felizes e tudo mais. Amigos, sabe? Foi perfeito ter aquela parte da de volta. E eu realmente achei que nós tínhamos superado tudo. As confusões com outras garotas, aquela história com a Rose e o Chuck e aquilo do vestiário...
-Bastante coisa para superar, não?
Tom intrometeu divertido e Danny respondeu com um meio sorriso.
-Ninguém disse que seria fácil. No entanto, eu estava tão certo de que a tinha de volta. Até que a Melanie, uma prima que você não conhece, apareceu num restaurante que eu marquei de jantar com a . Ela nos viu conversando pelo lado de fora e confundiu tudo.
Danny parou de falar com um suspiro alto e desta vez era Tom quem não sabia o que dizer.
-Eu não poderia continuar deste jeito, sabe, Fletcher? Sem confiança. Eu vivi a vida dela lá por algum tempo, eu não teria razões para confiar nela também, ainda mais porque quando eu errei a primeira coisa que eu vi foi ela se atirar nos braços do Chuck. Ainda assim, eu confiei nela. E aquela cena toda... Se nós continuássemos ali, bem, não duraria muito mais de novo. Eu preciso que ela confie em mim de verdade. Está doendo um inferno tê-la longe e pensar em tudo que eu poderia ter feito de diferente, mas eu realmente preciso que esta novelinha entre a gente acabe de vez.
Danny confidenciou e Tom sorriu amargamente sinalizando que o entendia.
-Por que a vida não pode ser simples, uh?
Tom perguntou meio que retoricamente assistindo o amigo repetir seu sorriso triste.
-Queria muito saber, meu amigo...
Os dois permaneceram em silêncio durante mais algum tempo, até que Danny pegasse o controle do vid eo game ajeitando-se para voltar a jogar.
-Pronto para eu chutar seu traseiro mais uma vez?
O menino perguntou tentando parecer mais alegre vendo Tom posicionar-se para jogar também.
-Vamos ver, Jones... Sua sorte de principiante acabou.
Tom ameaçou já escolhendo o próximo time que jogaria.
-Ainda tenho a sorte do quase irlandês.
Danny brincou e os dois continuaram jogando, conversando e depois tocando até que fosse tarde o suficiente para a mãe de Tom ligar para conferir se ele iria a ceia ou tinha novos planos.

A noite estava extremamente fria na capital francesa. Apesar disto, as pessoas reuniam-se animadas em frente a torre Eiffel a espera dos últimos segundos deste ano e os brindes que iniciariam o outro. observava o movimento de pessoas da janela de seu hotel, onde sua mãe estava reunindo alguns poucos amigos que também estavam na cidade. Já era uma boa diferença das extravagantes festas que ela costumava dar. Apenas uma mesa para doze pessoas, trajava um simples vestido preto com decote nas costas e sapatos que ganhara de presente de Tom em seu último aniversário. Tom. Pensar neste nome estava acabando com ela. Tentava manter-se otimista e feliz, seu tratamento estava dando bem mais certo do que o esperado, a imprensa não havia descoberto nada, tinha finalmente conversado com seu pai depois de todo aquele tempo. Ainda assim, pensar no menino trazia um incomodo tão grande a ponto de fazer tudo isto parecer nada.
-Está tudo bem, meu amor?
A senhora perguntou ao aproximar-se, acariciando o braço da filha e fitando a janela procurando o que havia captado a atenção da menina, sabendo de certa forma de que não estava ali. Nunca havia reparado o quão profunda era a relação de com Thomas e aquilo a torturava. Queria poder ajudar de alguma forma, mas também se sentia insegura pelas coisas que Tom tinha dito para a menina. Afinal de contas, aquilo quase a levara a ter uma recaída depois de tanto tempo. Ainda assim, sentia da falta de quando a filha estava simplesmente apaixonada e profundamente encantada. De quando tudo era mais simples.
-Está sim, mãe.
respondeu com um sorriso fraco e sua mãe assentiu, ambas sabiam a verdadeira resposta para aquela pergunta.
-Algumas coisas para resolver quando voltar para Londres, não?
A mulher continuou acariciando o rosto de , ajeitando seus cabelos carinhosamente e a menina mordeu os lábios para não deixar as lágrimas virem a tona e estragarem ainda mais a frágil capa que tentava manter. As lembranças dos momentos que havia passado com Tom pareciam moer seu coração, as palavras recentes dele ecoavam em sua mente e, infelizmente, ela tinha que admitir a verdade nelas.
-Amanhã nós podemos sair, comer alguns croissants naquele lugar que você adora e comprar alguns sapatos. Talvez roupas também. Principalmente, deixar o que só podemos resolver mais tarde para depois.
A mãe terminou apertando a ponta de seu nariz como costumava fazer quando ela era criança, fazendo com que a menina sorrisse levemente. Entendeu o que a mais velha tentava lhe dizer. Relembrar, desejar voltar no tempo e fazer escolhas diferentes, torturar-se com futuros encontros não iriam ajudar em nada. Tudo que ela poderia fazer era pensar melhor em suas escolhas daqui para frente.

Do outro lado do mundo, estava na companhia de suas amigas. Mais ou menos, já que todas continuavam a dormir enquanto ela estava desesperadamente acordada. Deveria acordar pelo menos três horas mais tarde, quando já seria aceitável tomar seu banho e arrumar-se para a festa de ano novo que seus pais dariam num restaurante com uma ótima vista longe dali. No entanto, nada na vida parecia estar funcionando a seu favor, nem mesmo seu próprio corpo. Levantou-se com cuidado para não acordar nenhuma das meninas que estavam deitadas ao seu lado ou pisar em outra que estivesse dormindo no colchão colocado ao lado de sua cama. Uma vez fora de seu quarto, dirigiu-se para a cozinha esperando que ainda houvesse algum doce restante do natal.
-Olha quem está acordada!
Ouviu uma voz masculina dizer atrás de si enquanto vasculhava a geladeira e levantou-se alerta, um sorriso surgindo em seu rosto espelhado ao do menino que a esperava no canto da cozinha.
-Luke!
Ela chamou antes de correr até o irmão e abraçá-lo, o peso de meio ano de saudades dissolvendo-se naquele contado.
-Eu achei que você não fosse vir...
disse ao se separar do menino, um sorriso ainda em seus lábios.
-Depois de ter passado o natal fora de casa, mamãe iria me matar. Aliás, como ela está?
O menino perguntou meio sufocado pelo abraço de .
-Me mimando bastante. Acho que é um efeito de não ter nós dois em casa.
respondeu voltando a geladeira e puxando o irmão para o centro da cozinha com ela, assistindo-o sentar-se a mesa enquanto ela colocava sanduíches congelados no microondas para os dois.
-Deus, eu achei que não iria sentir sua falta!
confidenciou e os dois riram. Lembrava da relação de quase ódio mútuo que os dois costumavam ter quando moravam juntos. Era tão diferente agora... Quando ele estava na faculdade e ela estudando do outro lado do mundo. Em segundos, os dois estavam envoltos numa conversa divertida sobre como suas vidas estavam.
-Um passarinho verde me contou que o senhor está finalmente namorando... É verdade?
guinchou, piscando dramaticamente e juntando as mãos como uma menininha apaixonada fazendo com que o irmão rolasse os olhos, sem esconder um sorriso.
-Aposto que este passarinho atende por senhora .
Luke retrucou e sorriu.
-Exatamente. Agora me explique esta história.
ordenou e o irmão mordeu o lábio inferior na tentativa de encobrir um sorriso.
-O que eu posso dizer? Ela é... Perfeita. Sério, . Você sabe que eu não me amarraria por qualquer uma.
Luke afirmou num misto de embaraço e encantamento.
-Wow, parece sério.
disse em resposta observando-o sorrir ainda mais.
-Porque é sério! Eu até passei este natal com a família dela em Ohio. Nunca pensei que fosse dizer isto, mas eu realmente amo esta garota.
Luke completou e sorriu tenramente ao perceber o quão sinceramente apaixonado o irmão estava.
-Ai que bonitinho isto... Meu irmãozinho apaixonado. Nunca achei que fosse viver para ver esta cena.
aproveitou o momento para zoá-lo, observando-o rolar os olhos enquanto buscava pratos para os hambúrgueres que haviam ficado prontos.
-E você, hein? O passarinho verde também me contou que você estava tendo alguma coisa séria.
O menino guinchou arqueando uma de suas sobrancelhas como em desafio para a irmã que apenas rolou os olhos parecendo impaciente.
-Alguém tem que manter a mamãe calada.
reclamou voltando a sentar-se.
-E, não importa, porque não deu certo.
Finalizou dando de ombros, mordendo seu hambúrguer ainda quente e queimando a língua.
-Claramente você ainda não superou.
Luke afirmou encarando a irmã que tentava não olhar para ele.
-Por que você não me fala sobre isto, hein?
Luke continuou percebendo que a irmã precisava de alguém para conversar e sabendo que maioria das amigas que ela tinha aqui não seria de muito uso para isto.
-Porque não tem nada para se falar, Luke. Eu dei uma crise idiota e ele foi embora.
despejou raivosamente, dando goles na bebida que havia pegado para si antes de continuar.
-É engraçado porque ele é tão parecido com você, Luke! Com seu antigo eu...
-E, no entanto, foi você a idiota desta vez?
Luke argumentou interrompendo a irmã.
-Como eu iria saber que era a prima dele?!
perguntou retoricamente, voltando a comer seu hambúrguer, desta vez com mais cuidado.
-Você poderia ter perguntado... Sei lá, confiado nele.
Luke argumentou e olhou para o lado sem querer encará-lo ou continuar aquela conversa.
-Eu já tinha confiado nele antes e ele não mereceu.
disse algum tempo depois como se finalmente tivesse achado o argumento para sua atitude.
-Antes não é agora. Se você resolveu dar outra chance, pelo que eu te conheço, é porque ele fez por merecer. Além do mais, todo mundo muda. Para mim você está com medo.
Luke declarou por fim, dando um longo gole em seu refrigerante enquanto apenas o encarava com o lábio inferior sobressaltando-se sobre o superior como sempre ficava quando ela estava triste ou contrariada. Sem aviso, começou a contar a história dela e de Danny desde o início sem olhar para o irmão que a ouvia com atenção.
-Sério que tudo isto aconteceu só neste semestre?
Luke perguntou meio abismado, vendo acenar que sim com a cabeça afundada entre os braços apoiados na mesa.
-Sabe, , acho que seria assim se a Alicia tivesse me conhecido no ensino médio. O que eu fui ou fiz antes não muda o que eu sinto por ela hoje. Acho que é o mesmo para este Danny, sabe? Depois de tudo que aconteceu, se ele está tentando voltar para você é porque ele percebeu que é de você que ele precisa. Agora é você provar que você também precisa dele tanto quanto... O que você não fez muito durante este tempo todo.
Luke terminou seu monólogo encarando estupefata do outro lado da mesa.
-Eu me senti uma droga este tempo todo e você diz que eu não fiz muito?
Ela perguntou parecendo profundamente ofendida e ele acenou que sim.
-É sempre ele quem se desculpa.
-E sempre ele que erra.
-Realmente não vai funcionar se isto é tudo que você espera.
Os dois ficaram calados durante algum tempo apenas se encarando como que para ver quem cederia primeiro até que Luke se levantou e começou a caminhar para fora do cômodo.
-Onde você vai?
perguntou confusa, já caminhando em seu encalço.
-Se você não vai admitir seus erros, então não tem mais o que se conversar. Além do mais, eu tenho que me arrumar.
Luke explicou rapidamente subindo as escadas que levavam a seu quarto.
-Eu tenho que conhecer esta Alicia.
disse por fim parada na porta do quarto de seu irmão, percebendo por suas palavras o quanto ele realmente estava mudado e ouvindo-o gargalhar.
-Sem problemas, ela vai estar na festa mais tarde. Agora é melhor você ir se arrumar também ou o passarinho verde vai mostrar toda sua fúria mais tarde.
Luke comentou divertido, plantando um beijo na testa de antes que ela deixasse seu quarto. Na cabeça da menina, tudo estava uma bagunça. Aquele cara que estava no quarto do outro lado do corredor era tão diferente do Luke que ela conhecia. Será que era possível que Danny mudasse assim também? Será que ela poderia ser o motivo desta mudança? No fundo começava a crescer um medo de que já fosse muito tarde para descobrir.

Enquanto isto, Dougie já um tanto bêbado lutava para digitar o número de em seu celular, tendo sucesso depois de algumas tentativas. Não precisou esperar muito até que a menina atendesse do outro lado, um sorriso bobo desenhando-se nos lábios do menino assim que ouviu sua voz.
-Feliz ano novo, amor.
Dougie desejou animadamente fazendo com que sorrisse do outro lado da linha e que as pessoas ao seu redor o observassem por alguns segundos.
-Já passou da meia noite em Londres?
Jessica perguntou tentando calcular o fuso horário rapidamente.
-Sim... Faz meia hora que o big bem deu suas doze badaladas.
Dougie explicou e ali Jessica percebeu o quão alterado o menino estava.
-E você demorou a me ligar por que estava brindando, eu suponho.
Jessica meio implicou, meio brincou fazendo com que Dougie se divertisse com sua preocupação.
-Mais ou menos isto. Mas só tem família aqui, não se preocupe.
Dougie falou carinhoso e deu um muxoxo, desejando estar perto do namorado.
-Queria estar com você.
disse simplesmente depois de algum tempo, cortando o assunto que conversavam antes subitamente.
-Eu também, ...
Dougie acrescentou e os dois caíram em um daqueles silêncios cheios de saudades.
-Sabe, nós estamos quebrando as leis da física.
voltou a falar fazendo com que o Dougie franzisse o cenho ao tentar acompanhar o pensamento da garota.
-Como assim?
-Já é ano novo aí. Tecnicamente, você está me ligando do futuro.
Ela finalizou com um sorriso brilhante que Dougie não pode ver.
-É... Engole esta Marty McFLY.
Dougie continuou a brincadeira fazendo com que risse e rindo com ela. Os dois continuaram conversando durante um tempo até que precisou desligar para que terminasse de se arrumar para a festa que teria de ir com seu pai e sua madrasta. Ambos prosseguiram bem a noite, mas sempre com aquela sensação lá no fundo de que só estaria completo se tivessem um ao outro ao lado.



Capítulo 56

Assim que as festas acabaram, os meninos marcaram de se reunir para um ensaio. Parecia que fazia anos desde que eles não faziam isto, e eles realmente sentiam falta de tocar juntos. Além do mais, a volta às aulas significava algumas festas e eles sempre acabavam tocando na maioria delas.
- Deus, como eu senti falta disto! - Harry disse depois de acabarem de tocar uma música nova, segurando os pratos para que eles parassem de ecoar e sorrindo para os amigos que pareciam dividir aquela sensação.
- Eu me sinto um preguiçoso frente a vocês dois. Mal escrevi uma linha e vocês fizeram quase um CD inteiro. - Dougie comentou com Danny e Tom fazendo com que os dois sorrissem meio desanimados.
- Você estava ocupado demais com a . - Danny disse num tom malicioso fazendo com que Dougie sorrisse travesso.
Eles continuaram conversando e tocando por bastante tempo. Por milagre e para desespero dos vizinhos, haviam acordado cedo para ensaiar, e já na hora do almoço tinham duas novas músicas completamente prontas e ainda tinham gás para finalizar as outras até o fim do dia. Resolveram almoçar juntos seu cardápio clássico: pizza de calabresa.
Tudo estava como sempre foi: muita comida, brincadeiras, arrotos, protestos e risadas. Inclusive muita zoação quando o telefone de Dougie tocou e era , Tom e Danny piscando e fazendo corações com as mãos para Poynter, enquanto o mesmo tentava se focar na namorada do outro lado da linha.
- Os meninos estão aí? Isto é ótimo. Coloca no viva-voz. - pediu ao ouvir a barulheira no fundo da ligação e Dougie franziu o cenho sem saber o que a menina queria com aquilo, ainda assim fez o que ela pedia.
- Pronto, , está no viva-voz. - Dougie avisou colocando o celular no centro da mesa, sobre a pilha de caixas de pizza vazias.
- Então, meninos, eu estava falando com o James hoje e o Busted está precisando de algumas músicas. Sabe, eles já estão no prazo final do lançamento do CD e ainda faltam algumas faixas. Eu estava pensando se vocês não poderiam mostrar algumas músicas suas para eles. Eles vão ter uma reunião com o empresário amanhã e eu acho que seria uma oportunidade maravilhosa para vocês. - explicou animada do outro lado da linha e os meninos se entreolharam num misto de excitação e cautela. - Eu não quero dar falsas esperanças a vocês, meninos, mas vão ter produtores lá. Acho que é uma ótima chance para o McFLY. - continuou tentando persuadir os meninos e Danny foi o primeiro a se manifestar.
- Eu não preciso pensar! É uma ótima oportunidade e, por mim, nós vamos. - o menino falou animado com um sorriso ansioso brilhante.
- Você está brincando? É claro que eu estou dentro! - Harry seguiu Danny, os dois batendo as mãos para cumprimentar-se.
- É o tipo de oportunidade que a gente estava esperando, . - Tom continuou, todos olhando para Dougie com expectativa.
- Você é a namorada mais maravilhosa de todo o planeta Terra! Claro que nós vamos, . Só diz o horário e o lugar. - Dougie declarou animado fazendo com que a menina gargalhasse do outro lado e os amigos começassem a planejar o que fariam e o que tocariam. Se já estavam animados para ensaiar antes, imagine depois daquela notícia. Só pararam porque os dedos já estavam extremamente doloridos e eles deveriam se poupar um pouco para o dia seguinte. Nenhum deles dormiu na madrugada do dia que poderia mudar completamente suas vidas.

Do outro lado do mundo, fitava as malas prontas no canto da sala. Não previa ir embora assim tão cedo, sua passagem havia sido originalmente comprada para o final daquela semana, chegaria à Inglaterra para o começo das aulas. Só que seu coração tinha planos diferentes. Cada instante que ela passava em São Francisco parecia enchê-la de mais tristeza e saudades. Estar ao redor de um casal tão apaixonado quanto Luke e Alicia não ajudava em nada também. Parecia que o mundo convergia para lembrá-la de Danny. A cada momento era bombardeada com lembranças de seus sorrisos, da cara de concentrado que ele fazia quando compunha, da gargalhada espalhafatosa que sempre a fazia rir junto, do olhar lascivo e devoto que ele a lançava quando os dois estavam sozinhos, do quão ele podia ser carinhoso e simplesmente perfeito para ela. Mesmo os lugares aonde ela iria já não eram mais seguros, tinham lembranças das semanas que ele passara com ela ou músicas ambiente do Bruce Springsteen, Beatles e Queen. Ao ver as malas, ela percebeu que aquela decisão já tinha sido tomada por seu coração fazia bastante tempo.
- Certeza que quer voltar mais cedo, filhinha? Estava gostando tanto de ter você e seu irmão de novo aqui. - a mãe perguntou com os olhos marejados fazendo com que o coração de se apertasse. Aquele era um contexto tão diferente de seis meses atrás. Quando ela queria ir, a mãe queria que ela ficasse.
- Tenho, mãe. Eu ainda tenho umas coisas para resolver antes das aulas voltarem... - explicou num tom paciente abraçando a mais velha enquanto a empregada colocava suas bagagens no carro do irmão que a levaria até o aeroporto.
- Eu não sei onde estava com a cabeça quando inventei isto de te colocar num internato tão distante! - a senhora ralhou e rolou os olhos rindo.
- Nas festas e nas más influências, mãe. Era nisto que a senhora estava pensando. - explicou, mas a mulher não pareceu ouvir. - A senhora só está com a síndrome do ninho vazio. Vai passar. - a menina continuou para consolá-la, despedindo-se da mesma e do pai logo em seguida. Em menos de vinte minutos, já estava a caminho do aeroporto.
- Cadê a Alicia? - perguntou ao entrar no carro e sentar-se no banco da frente que vinha sendo utilizado pela namorada do irmão.
- Shopping. - ele explicou simplesmente, voltando a acompanhar a música que tocava no rádio e prestando atenção no trânsito meio complicado do horário. -Então... Você está voltando por ele, não é? - Luke puxou o assunto ao pararem num sinal como quem comentava que o dia estava bonito fazendo com que ficasse um pouco perdida antes de responder.
- Não. - ela falou só por orgulho e o irmão bufou. - Que droga, o que você está aprendendo nesta faculdade para andar por aí se achando o guru do amor? - quase gritou, cruzando os braços e passando a observar a paisagem que passava pela janela como uma criança faria.
- Você estava triste quase o tempo todo. Achei que era isto. - Luke explicou na defensiva e seu tom fez perceber o quão idiota tinha sido sua reação. Era só que ela estava uma pilha de nervos.
- Desculpe... Eu estou nervosa. Tentando me convencer que isto não é uma estupidez sem tamanho. - disse e o irmão assentiu, mostrando que a entendia. Os dois permaneceram conversando sobre outros assuntos durante o resto do trajeto. Ao chegarem ao aeroporto, foi logo despachar suas malas e não levou muito até que seu vôo fosse chamado.
- Não se preocupe sobre a estupidez, faz parte de estar apaixonado. - Luke disse ao seu ouvido enquanto se abraçavam pela última vez em frente ao portão de embarque. A menina respirou seu perfume e apertou-o mais ainda buscando coragem. Sorrindo, embarcou convicta de sua decisão.

Enquanto isso, caminhava sozinha pelas ruas de Paris. Tinha acabado de voltar de uma sessão com sua terapeuta, já que sua mãe tinha medo de que uma internação chamasse atenção da mídia britânica e a resposta tinha sido bastante favorável. Não precisava de um laudo para saber disto, no entanto. Desde a última vez, do discurso de Tom, da chegada da mãe, tudo parecia um tanto repulsivo para ela. Duvidava que isto fosse mudar um dia e agradecia por isto. A dor no coração, porém, continuava a mesma. Gostava de estar numa cidade diferente, as lembranças de Thomas vinham com menor freqüência por isto, mas ainda assim era o menino que ela via a cada vez que fechava os olhos. Não aguentava mais o olhar de impotência e quase pena que a mãe lhe lançava todas as vezes que a via pelos cantos pensando nele. Por isto, estava andando por ali sozinha. Parou num café que não conhecia, pedindo um quiche e suco.
- ? - uma voz desconhecida chamou, e levou um tempo até que respondesse, já que estava perdida em pensamentos. Seu corpo todo gelou ao erguer os olhos e ver quem estava na sua frente. Margot carregava um sorriso de quem realmente estava feliz em vê-la, sua pele café tomando um tom ainda mais bonito na meia luz do lugar enquanto ela puxava uma cadeira da mesa de . - Se importa se eu sentar com você? Não sabia que você estava em Paris! Por que não me ligou? - a menina bombardeava com perguntas enquanto tudo que ela pensava era no quanto queria sair dali e no quando Margot lhe lembrava Halley.
- Eu... Eu não acho que eu seja mais o tipo de pessoa que você sai, Margot. - disse por fim, sem querer ser rude, mas sem saber explicar-se de uma melhor maneira.
- O que você quer dizer com isto? - ela perguntou arqueando as sobrancelhas e pedindo ao garçom num francês perfeito que lhe trouxesse um prato semelhante ao de .
- Estou evitando festas... E drogas. - continuou num tom baixo e ligeiramente inseguro. Margot pareceu perceber o estado de espírito de , diminuindo sua animação e olhando-a realmente preocupada.
- O que aconteceu, hein? - ela disse num tom quase maternal acariciando a mão de sobre a mesa e percebeu que aquela era uma pessoa na qual ela poderia confiar. Ou talvez ela só estivesse tão cheia que falaria sobre sua vida com a primeira pessoa neutra que parecesse realmente se importar. E foi isto que ela fez. Falou sobre tudo que havia acontecido, coisas que pareciam pertencer a séculos atrás: Thomas, Halley, Jeremiah...
- Wow! - Margot falou simplesmente, respirando fundo e bebericando seu refrigerante assim que terminou sua história. - Jeremiah... Eu sabia que ele poderia ser idiota, mas não a este ponto. E a Halley, bem, ela gosta dele então é uma atitude que eu esperaria.
- Eu nunca soube disto até aquele dia. Eu nunca faria nada parecido com ela, mesmo se ela estivesse saindo com o Tom! - disse com um pouco de raiva em seu tom, seus olhos marejados.
- Nós não agimos todos da mesma forma, ... Sabe, eu nunca entendi muito bem o que você fazia com a Halley, o quanto ela te controlava. Agora eu entendo por quê. Estou feliz de saber que você saiu disto. Eu mal consigo esperar o dia que ela vá sair também. Porque você pode vê-la como uma super vilã, e realmente ela não foi a melhor pessoa com você, mas no final ela só está tão perdida quanto cada um de nós. Pressionada por ser filha de um aristocrata, exposta muito cedo a um mundo muito podre. - Margot explicou e, por mais que ela estivesse defendendo a pessoa para qual atribuía todos seus problemas, ela conseguiu entender onde a menina queria chegar. Ela e não tinham passado por problemas tão diferentes afinal.
- E enquanto eu tinha o Thomas...
- Ela tinha o Jeremiah. - Margot concluiu a fala de , sorrindo levemente para a menina.
Elas mudaram um pouco o assunto enquanto comiam a sobremesa, conversando e rindo como velhas amigas que sentiu que poderiam ser.
- Era minha mãe... Ela está preocupada. Acho melhor ir para casa. - explicou depois de desligar o telefone, vendo Margot lançar-lhe um sorriso compreensivo. Pediram a conta e caminharam juntas até o hotel onde estava que ficava próxima ao apartamento de Margot.
- , você pode achar que nada tem solução agora, mas as coisas vão encontrar seu jeito. Às vezes de forma que você nem imagina. - Margot falou ao despedir-se da menina e tentou ao máximo não demonstrar o quão pouco acreditava naquilo.
- Obrigada, Margot. Foi realmente um prazer te encontrar. - disse sinceramente ao despedir-se e foi puxada pela menina para um abraço apertado.
- Digo o mesmo, . Ligue-me se precisar de alguém para conversar, uma companhia para comer ou uma parceira para compras. Você sabe que eu adoro as três coisas! - ela disse divertida voltando a caminhar em seguida, sumindo da visão de ao dobrar a esquina. O encontro inesperado causou a uma sensação que não tinha há muito tempo: bem estar, esperança.

Danny estava extremamente pilhado desde que acordara. Mal conseguira dormir durante aquela noite tentando prever o que poderia acontecer durante a audição deles com o Busted. Mesmo que eles só conseguissem vender as músicas que eles precisavam, seria um passo importante na carreira de todos eles. Em um momento crucial, afinal de contas se formariam naquele ano e depois disto teria ainda mais problemas com seu pai se persistisse na música. Segundo o mais velho, Daniel deveria seguir uma carreira de verdade, tocar os negócios da família, o que não parecia uma perspectiva ruim para o menino, mas não era seu sonho. Respirou fundo enquanto tomava café encarando o relógio da cozinha. Como sempre acontece quando se está ansioso, os ponteiros pareciam rodar ao contrário. Ao terminar a refeição, ainda estava cedo demais para que ele partisse. No entanto, já estava tão enjoado das paredes da casa que decidiu antes passar em qualquer lugar para matar tempo até que fosse aceitável ir ao estúdio. Dirigiu-se para a porta apressado, vestindo o casaco enquanto abria a porta, porém congelou ao ver quem o esperava do lado de fora dela.
- Oi. - disse parecendo sem graça, suas mãos a meio caminho da campainha e Danny continuou encarando-a estupidamente. Com toda a confusão em sua cabeça por causa da audição, mal pensara em durante aquelas últimas hora. Para ele era tão surreal que ela estivesse ali logo hoje. Subitamente, sentiu-se mais preenchido. Como se só com sua presença ele estivesse completo. Todas as sensações que sua presença lhe causava lavava os medos que vinham povoando seus pensamentos como se fosse seu calmante, sua droga, seu remédio.
- ... - o menino começou a dizer, mas foi silenciado pela mesma que posicionou seu indicador contra seus lábios finos.
- Eu preciso dizer isto antes que eu perca a coragem. - explicou rapidamente sua atitude, olhando para baixo e parecendo buscar mais do que ar quando respirou fundo antes de falar. - Danny, eu te amo. E eu fui realmente muito estúpida de desconfiar de você nesta última vez e mesmo nas outras. Você estava certo, nunca daria certo se eu continuasse a agir daquela forma. Era injusto com você... Com a gente. Eu... Eu só espero que você possa me dar mais uma chance. Uma chance de te provar que eu também mudei e que eu te quero tanto quanto você me quer. Talvez até mais, porque desde que você foi embora, tudo que eu consigo pensar é você. Não vai ser fácil, mas eu estou caminhando sobre os meus medos porque ter seu amor vale bem mais que todos eles. Eu te amo, e isso é a única coisa da qual eu tenho certeza e... Droga, isto foi tão mais fácil enquanto eu ensaiava no avião! - tentava expor da melhor maneira, gesticulava, passava os olhos ao redor como se aquilo fosse lhe trazer as palavras que precisava para provar a Danny que tudo que dizia era verdadeiro. Provar que o merecia de volta. Estava tão nervosa e agitada que não percebeu o sorriso que crescia nos lábios do menino e foi pega de surpresa por seus braços repentinamente ao redor de seu corpo, levantando-a do chão e selando seus lábios.
- Eu te amo. - ela repetia para ele entre beijos, fazendo que o sorriso dos dois crescesse ainda mais.
- Eu te amo mais. - Danny disse num último beijo, retornando a menina para o chão e juntando seus lábios novamente, num beijo lento e demorado como se para dissolver toda a saudade que sentiam um do outro, mesmo que fizesse pouco mais de uma semana desde que estavam separados. Era como se aquele beijo estivesse derrubando todas as paredes dentro deles e deixando-os ainda mais próximos um do outro.
- Deus... Eu ainda estou sonhando, certo? - Danny perguntou separando-se dela ouvindo rir enquanto ele distribuía beijos por todo seu rosto, terminando com um beijo carinhoso em sua testa e abraçando a menina forte contra seu peito. Ficaram assim durante mais algum tempo até que lembrou-se de um fato importante.
- Você estava indo onde quando eu cheguei? - perguntou sem qualquer sinal daquele antigo ciúme, apenas numa curiosidade natural vendo Danny parecer lembrar-se de algo importantíssimo, o que realmente era o caso.
- Nós temos que ir! - o menino exclamou puxando-a pela mão em direção ao carro, tendo o cuidado de abrir a porta para ela antes de direcionar-se para o lado do motorista.
- Como assim, Danny? Onde nós vamos? - perguntou rindo com o jeito esbaforido do menino, já ajeitando o cinto de segurança na frente de seu corpo.
- É uma coisa muito importante! Te conto durante o caminho. - Danny prometeu e acenou que tudo bem.
- Mas será que dá para gente comprar alguma coisa para comer no caminho? A última coisa que eu engoli foram as torradas do avião. - a menina perguntou numa certa manha ouvindo Danny concordar em passar em algum lugar para comprar algo para que ela comesse. mal acreditou quando Danny lhe contou do que se tratava seu encontro de hoje, ficando quase mais nervosa do que o menino, mas tentando não transparecer aquilo e acalmá-lo o máximo possível.

Não demorou muito até que chegassem ao estúdio onde dissera que a audição aconteceria. Era um lugar bem maior e mais elegante do que os que estavam acostumados, em um prédio elegante no centro de Londres. Antes do estúdio, havia uma sala de convivência. O chão era de madeira escura, as paredes tinham um tom de palha combinando com a madeira que emoldurava as portas e a janela que dava para o estúdio de gravação e para a house-mix propriamente. Os amigos reunidos em um dos sofás de couro creme não perceberam a chegada de Danny e , do outro lado da janela que dava para o estúdio Danny viu os caras do Busted prepararem-se para começar a tocar e sentiu um nó subir-lhe a garganta.
- Oh Deus, finalmente! - exclamou aliviada quando percebeu Danny no local, jogando as mãos para o alto como se estivesse agradecendo a Deus, congelando assim que viu ao seu lado e ficando ainda mais confusa quando percebeu que os dois estavam de mãos dadas. - ... O que está acontecendo aqui? - a amiga perguntou com o cenho franzido olhando sorrir em sua direção.
- É uma longa história... Para resumir, nós estamos juntos de novo. - explicou com um sorriso bobo, abraçando Danny pela cintura em seguida e recebendo um beijo do menino entre seus cabelos.
- Sério? Isto é tão demais! - falou animada, emergindo dentre os meninos que estavam sentados no sofá parecendo prestes a ter um ataque do coração.
- Eu não estou tão atrasado, estou? - Danny perguntou ao ver a expressão dos meninos e Harry acenou que não.
- Só perdeu o Dougie vomitando. - Tom implicou vendo Doug lançar-lhe um olhar mortal.
- Thomas, pare de mexer com ele. Dougie está nervoso, só isto. - ralhou como uma mãe, caminhando na direção de Dougie para abraçá-lo e sendo recebida de braços abertos. Ficaram conversando por mais algum tempo, tentando afugentar o frenesi que a aproximação da hora lhes causava. Não demorou muito até que James surgisse na sala chamando os meninos para o estúdio.
- Calma... Você vai se sair bem. - afirmou para Dougie, segurando seu rosto para que ele olhasse dentro de seus olhos e depois beijando o menino rapidamente.
- Arrasa com eles, meu tigrão! - falou simultaneamente para Harry também colando seus lábios aos dele por poucos segundos.
- Há, você vai ser maravilhoso como sempre. - disse derretida para Danny dando-lhe um beijo rápido assim como as amigas e acenando para o namorado até pouco antes de ele cruzar a porta que levava à house-mix e depois ao estúdio.
Vendo aquilo, foi impossível para Thomas não sentir-se sozinho. Mais do que antes, se é que era possível. Pensou em , em onde ela estaria agora, no que lhe diria se tudo fosse como antes, se estaria pensando nele. Não encontrou resposta para nenhuma das perguntas sobre a menina, mas em sua mente ecoou uma certeza. Reuniu os amigos depois de plugar e checar a afinação de sua guitarra.
- Tem certeza que você quer logo esta música, Tom? - Danny perguntou um pouco preocupado vendo o amigo acenar veemente que sim.
- Vamos lá, então! - Harry disse com o máximo de confiança que conseguia ao terminar de atarraxar seu último prato e sentar-se em seu banquinho para tocar.
- Nós somos o McFLY e esperamos que vocês gostem. - Danny disse em uma voz firme assim que todos estavam devidamente posicionados, ouvindo Harry fazer a tradicional contagem de ritmo atrás de si e começando a tocar logo em seguida.

Sitting here alone thinking it through
(Sentado aqui sozinho pensando nisto)
Trying to convince myself that I’m not losing you
(Tentando me convencer que eu não estou te perdendo)
Why can’t you just forget the things i said?
(Por que você não pode apenas esquecer as coisas que eu disse?)
I was angry at the time but now I've cleared my head.
(Eu estava naquele momento mas já voltei ao normal)
It was so strong, where did it all go wrong?
(Era tão forte, onde tudo deu errado)

Tom começou a cantar com os olhos fechados, todo o nervosismo o deixando assim que começou a tocar as primeiras notas. Tudo em que conseguia pensar era em e no quanto queria que aquilo se resolvesse. Imaginou ter a oportunidade de falar tudo aquilo para ela, imaginou se um dia ela poderia o perdoar.

So tell me why...
(Então me diga por que)
I’m swimming against the tide
(Eu estou nadando contra a corrente)
And I’m praying for a lifeline
(E eu estou rezando por uma corda salva vidas)
‘Cos I’m losing you
(Porque eu estou perdendo você)
So tell me why
(Então me diga por que)
You don’t care enough to try
(Você não se importa o bastante para tentar)
Are you giving up this fight?
(Você está desistindo desta luta?)
I can’t stand, won’t stand losing you.
(Eu não suporto, não suportarei perder você)

As meninas observavam o desempenho dos meninos pela janela que dava para a house-mix. dividia seus olhares entre Danny e os produtores que a cercavam. tinha dado sua mão para e esmagava a mão da amiga sem dó em seu nervosismo. Já dividia as atenções entre o Busted e o McFLY, pela expressão dos meninos sabiam que eles estavam gostando da música.

You don’t have to say a word it’s in your eyes
(Você não precisa dizer uma palavra, está em seus olhos)
What can I do to convince you we need more time?
(O que eu posso fazer para convencê-la que nós precisamos de mais tempo?)
And i know i may have made a few mistakes
(E eu sei que eu posso ter tido alguns erros)
But losing you is just too much for me to take
(Mas perder você é muito para eu aguentar)
It was so strong, where did it all go wrong?
(Era tão forte, onde deu tudo errado?)

- Você acha que é para a ? - perguntou num sussurro para fazendo com que a amiga franzisse o cenho durante alguns segundos considerando a possibilidade.
- Não sei, ... O Tom parece tão triste que eu estou quase me sentindo tocada. Mas é só quase. Nada justifica o que ele disse para na festa do Harry. - respondeu no mesmo tom parecendo ainda bastante magoada pela ação de Thomas semanas atrás.
- Calem a boca vocês duas. - sussurrou para as meninas fazendo com que comprimisse seus lábios um contra o outro e pedisse desculpas silenciosamente.
Os meninos continuaram tocando brilhantemente e mais do que nunca desejavam poder ler mentes para saber o que se passava nas dos homens que estavam os julgando agora do outro lado da parede de vidro. No fim de quatro músicas, três animadas e a que iniciaram, ouviram Fletch, o empresário do Busted, dizer que era o suficiente. Ninguém disse nada naquele momento, mas todos deixaram o estúdio com um bom pressentimento. E alguns, como e Danny, com motivos para comemorar.

Capítulo betado por Natyh Vilanova


Capítulo 57

As férias pareceram não durar nada quando as aulas voltaram. Ninguém parecia pronto para começar tudo aquilo de novo, mas não havia muita opção. Apesar disto, certa ansiedade pairava no ar. Aquele seria o último semestre deles. Depois disto, restava apenas o mundo adulto para caminhar e pouco a pouco os alunos pareciam estar tomando consciência disto.
Ainda assim, ninguém parecia extremamente animado para aquele semestre. As árvores que cercavam a escola permaneciam sem folhas, a neve ainda cobria o chão enquanto os alunos arrastavam suas malas de grife e seus sapatos caríssimos pelo caminho até os dormitórios. estava encostada a uma mureta de pedras que ficava próxima ao refeitório, bebericando um chocolate quente e esperando Dougie aparecer entre os alunos que chegavam. ainda parecia adormecida por trás de seus óculos de sol, usava um vestido branco que ia até o meio de suas pernas, meias calça pretas grossas por causa do frio, um casaco cinza na mesma altura do vestido, coturnos e uma touca preta. Nada super elaborado como as meninas ao seu redor ostentavam, mas extremamente confortável. Mal ouviu passos aproximando-se ao seu lado.
-Oi, .
Tom disse amistoso, sorrindo para a menina que pareceu surpresa ao vê-lo ali.
-Hei, Tommy. Tudo bem?
falou carinhosa, dando um gole em sua bebida depois de falar, vendo Tom tentar sorrir e colocar as mãos nos bolsos antes de falar.
-Eu to legal... E você?
Thomas respondeu enquanto encostava-se a mesma pilastra que , fitando também a entrada do colégio.
-Ainda to dormindo.
completou rindo levemente e fazendo com que o menino sorrisse com ela. Os dois permaneceram ali conversando sobre futilidades durante algum tempo, até que Thomas tomasse coragem para perguntar aquilo que o vinha incomodando.
-Vocês não vão me falar sobre a , né?
O menino mais afirmou que perguntou, observando franzir o cenho desconcertada.
-Tom...
começou, olhando para cima para evitar os olhos do amigo e tentar achar alguma resposta que lhe servisse.
-, você não tem idéia de como tudo tem sido para mim! Eu me sinto horrível pelo o que eu fiz, horrível por não tê-la ao meu lado, horrível por saber que eu posso tê-la feito sofrer!
Tom externou sua frustração enquanto a amiga o olhava com certa pena nos olhos. Conhecia o que Tom estava sentindo e ficava mal por ver o amigo passando por aquilo.
-Todo mundo erra, Tom... As coisas vão se acertar.
tentou consolá-lo, desolada ao ver o olhar desesperançado do amigo.
-Eu queria que as coisas se acertassem, ! Eu faria qualquer coisa por isto! Eu só não sei o que fazer... Eu nem sei onde a está.
Thomas falou num tom desanimado, mas no fundo sugerindo uma idéia a fazendo-a sorrir assim que percebeu suas intenções.
-A me mata se eu te contar qualquer coisa!
Ela explicou simplesmente levantando a mão vazia num sinal de desculpas.
-Ela está realmente irritada comigo, não é?
O menino perguntou cauteloso vendo acenar que sim.
-Elas são amigas desde sempre... É meio natural que a esteja assim protetora.
tentou explicar as atitudes da amiga, sorrindo apologética para Tom em seguida.
-Eu só queria consertar as coisas.
Tom comentou mais para si mesmo do que para e a frase ficou ali pairando no ar por alguns segundos.
-Ela não vai voltar para as aulas?
Ele perguntou e acenou que não.
-Não agora.
A menina finalizou, olhando para seus pés e depois voltando a procurar Dougie entre os alunos que chegavam. A conversa com Tom invocou em sua memória os tempos que estava separada de Doug. O quanto sofria ao ver o menino triste e saber que era culpa dela. Lembrou da desesperança, da tristeza, do quanto desejava resolver aquilo. Não para tê-lo de volta, mas pelo menos para trazer de volta o sorriso que tanto amava nos lábios do menino. A vida fora boa o suficiente em devolver-lhe os dois. Depois, fora inevitável não se perguntar se era assim que Tom se sentia. O que ela faria no lugar dele? Certamente, se tivesse alguém que pudesse ajudá-la na época de seus problemas com Doug, ela iria gostar que este alguém o fizesse. Então por que negava ajuda ao amigo que estava ali ao seu lado? Sabia que estava sofrendo sem ele também. Percebia isto a cada webchat que tinha com a amiga.
-Ela está em Paris.
falou rapidamente, olhando para frente e esperando não estar tomando a decisão errada.
-O que?
Tom perguntou parecendo um pouco atordoado, virando o corpo completamente na direção de .
-Ela está no Hôtel de Crillon, em Paris, Tom. Na suíte Louis XV.
falou novamente e Tom repetiu as palavras da menina para memorizá-las, tendo em seguida a brilhante idéia de anotar a informação em seu celular.
-Não deixa a saber que fui eu que te contei, eu ainda sou muito nova para morrer.
A menina continuou, observando o amigo terminar de anotar o endereço e sorrir.
-Não vou.
Ele prometeu, um sorriso satisfeito desenhando-se em seus lábios. Pouco tempo depois, viu Dougie chegar à escola e já se apressou em sua direção. Mal conseguia entender aquelas saudades que sentia do namorado.
-, por que você resolveu me ajudar?
Tom perguntou intrigado e parou de andar por alguns segundos.
-Se fosse comigo e com o Dougie, eu ia querer que alguém ajudasse. Além do mais, eu sei que vai ser o melhor pros dois.
explicou simplesmente, sorrindo ao tentar passar segurança para Thomas. O menino sorriu de volta, aproximando-se da amiga e envolvendo-a num abraço apertado.
-Obrigado.
Tom agradeceu e sorriu com o gesto do menino.
-Não precisa agradecer, Tom... Agora vai lá resgatar sua garota!
brincou, piscando cúmplice para Tom fazendo o menino rir.
-O que é tão engraçado?
Dougie perguntou alguns passos atrás de , abraçando-a pela cintura e plantando um beijo em sua bochecha.
-Nah, é um plano secreto.
brincou, ficando de lado para poder abraçar Dougie e olhá-lo nos olhos enquanto falava. O menino pareceu um pouco confuso, alternando o olhar entre e Tom que ainda sorriam como crianças sapecas.
-Vamos esperar que funcione!
Tom desejou antes de se afastar, deixando para as dúvidas de Dougie, que deram lugar a outros assuntos assim que os dois começaram a trocar os primeiros beijos.

Pela primeira vez em sua vida escolar, não demorou a chegar ao colégio. Andava tão animada que parecia saltitar pela neve que cobria o alojamento com seus coturnos cremes de salto. Usava uma calça de veludo molhado vinho, uma blusa de tricô branca, um casaco preto para neve e um cachecol também preto. Seu cabelo estava preto num coque e seus olhos eram protegidos por óculos de sol redondos parecidos com os que John Lennon costumava usar. No entanto, o que mais impressionava naquela cena não era seu figurino ou o fato dela estar chegando cedo, mas o sorriso satisfeito e feliz que ela carregava no rosto e ninguém menos que Danny Jones estar ao seu lado segurando a sua mão.
-Eu acho que eles estão mais impressionados que o pessoal quando a gente chegou ao estúdio.
Danny confessou para ao perceber mais um grupo de pessoas os encararem enquanto passavam, fazendo a menina rir e dar língua para as pessoas.
-Eu deveria ter fotografado a cara da .
comentou rindo ao lembrar-se da expressão confusa da amiga ao vê-la novamente ao lado de Jones.
-Realmente impagável...
Danny concordou, agarrando Anais pela cintura e puxando-a para ficar a sua frente.
-O importante é que a gente está junto, não importa a cara que as pessoas façam.
O menino completou observando a namorada sorrir e colar seus lábios aos dele enquanto o abraçava pelo pescoço.
-Você é meu e ninguém mais muda este fato.
afirmou possessiva e Danny rolou os olhos fingindo indignação, mas beijando-a logo em seguida. Os dois ficaram ali curtindo um ao outro por algum tempo, até que Danny sentiu uma bola de neve estourar nas suas costas e sentir uma em sua cabeça logo em seguida.
-O que...
começou mal humorada, desviando os olhos de Jones para procurar quem havia feito aquilo, não tendo dificuldades de achar quando ouviu começar a rir atrás de uma árvore que ficava perto dali. Ao seu lado, Doug fazia o melhor para se conter, não conseguindo ao perceber o olhar confuso e irritado que Jones e agora os lançavam. e Danny trocaram um olhar cúmplice durante alguns segundos, abaixando-se para recolher alguma neve logo em seguida.
-Droga...
-Corre, !
Doug e começaram a correr pouco depois, parando apenas para recolher um pouco de neve que os defenderia. A bola de Anais atingiu a perna de enquanto a de Danny passou longe de Dougie, o que foi motivo de zoação geral. Os quatro ficaram brincando como crianças por ali até atingirem sem querer um dos professores que passava e terem de se esconder para não ganhar uma suspensão logo no primeiro dia de escola.

Enquanto os amigos arrumavam encrenca e brincavam como crianças, e Harry não tinham nem acordado. Na verdade, não havia acordado e Harry se recusara a levantar. Ficou na cama observando o semblante despreocupado da namorada enquanto dormia. Seu cabelo estava levemente bagunçado espalhado pelo travesseiro, suas mãos agarravam o lençol que a cobria, seus lábios pareciam estar curvados num pequeno sorriso fazendo com que Harry se perguntasse com o que ela estava sonhando e desejando que fosse com ele. Não aguentou somente olhar por muito tempo, estendendo uma de suas mãos para acariciar os cabelos de e colando seus lábios na testa da menina num gesto carinhoso.
-Bom dia...
sussurrou com a voz ainda embargada de sono antes que o menino se afastasse.
-Desculpa, não queria te acordar.
Harry falou apologético ao se afastar e balançou a cabeça, demonstrando que não se importava.
-Já deve estar na hora de levantar mesmo.
Ela falou simplesmente enquanto se espreguiçava preguiçosamente. Voltou a sua posição inicial, encarando os olhos extremamente azuis de Harry brilharem para ela e não conseguindo conter o sorriso que aquilo lhe causava.
-Há quanto tempo você estava acordado?
perguntou curiosa e Harry voltou a acariciar seus cabelos, aumentando a preguiça que a consumia.
-Não muito...
Harry respondeu mordendo levemente seu lábio inferior ao continuar observando .
-O que foi?
perguntou rindo, as bochechas corando sobre o olhar do namorado.
-Você é linda.
Judd sentenciou simplesmente, sua mão livre indo para o rosto de para acariciá-lo enquanto a mesma tentava se esconder.
-Ai, como você é bobo!
falou desistindo de cobrir o rosto, mas olhando para outra parte do quarto ao invés de encarar os olhos de Harry que ainda estavam grudados nela.
-Fica ainda mais linda com vergonha.
Harry continuou, desta vez implicando com ela e apertando sua bochecha, assistindo rolar os olhos como se não acreditasse naquilo.
-Vou levantar.
Ela avisou tentando arrastar seu corpo para fora da cama, porém foi impedida pelo braço de Harry que a agarrou pela cintura e aniquilou qualquer vontade que ela tinha de sair dali.
-Não, fica aqui comigo vai.
Harry pediu dengoso, seu lábio inferior sobressaltando-se sobre o superior como costumava fazer quando pedia alguma coisa e olhando-a como uma criança pidona.
-E eu é que sou linda.
comentou ao voltar para perto do menino, aninhando-se em seu braço, seu rosto descansando no peito de Harry, as batidas ritmadas do coração do menino acalmando e trazendo de volta o sono.
-O que você quer dizer com isto?
Harry perguntou maroto e sustentou-se em seu cotovelo para poder olhar o menino nos olhos.
-Você tem este rosto maravilhoso, este corpo sem nenhum esforço, estes olhos que fariam qualquer uma derreter e eu sou a linda?
explicou colocando as mãos no peito de Harry e deitando a cabeça sobre elas de modo que conseguisse continuar encarando Harry quando cansou de apoiar-se em seu cotovelo.
-Então foram meus olhos que te conquistaram?
Harry continuou com o mesmo tom, um meio sorriso travesso desenhando-se em seus lábios.
-Seu tanquinho ajudou.
brincou sorrindo tão marota quanto ele e vendo-o abrir um sorriso completo agora. Harry girou os dois, fazendo com que caísse de costas no colchão, abaixando-se para beijá-la em seguida.
-E o que te conquistou em mim?
A menina perguntou com um meio sorriso e Harry fingiu parar pra pensar.
-Peitos.
Judd disse depois de alguns segundos, sentindo um tapa de em seu braço logo em seguida.
-Harry!
exclamou estupefata.
-To brincando, amor...
Harry desculpou-se com um pequeno beijo.
-Eu amo seus olhos, sua boca, o jeito que você fica corada quando eu te elogio, o quanto você é mulher e menina ao mesmo tempo, o quão bonito seu sorriso é. Amo que você joga vídeo game comigo, amo suas comemorações bobas quando eu te deixo ganhar, amo você imitando a Britney Spears, amo o quão linda você é, amo o jeito que você fala meu nome mesmo quando é para brigar...
O menino começou a numerar, sendo calado pelos lábios de nos seus. As mãos da menina em sua nuca enquanto ele acariciava sua cintura num beijo lento e doce.
-Eu te amo, seu bobo.
falou depois que os dois se separaram, ainda de olhos fechados, sua testa encostada na testa de Harry.
-Hm... Eu amo quando você fala isto também.
Harry continuou fazendo a menina sorrir e sorrindo também enquanto acariciava o nariz de com o seu, voltando a beijá-la logo em seguida. Quase não lembraram que deveriam voltar para escola aquele dia e quando o fizeram, decidiram declarar aquele dia como uma folga.

Portanto, os amigos só conseguiram se reunir no jantar do outro dia, ainda assim sem Tom e . Riam, brincavam e implicavam um com o outro como antigamente, sem mais nenhuma novela ou tristeza rondando por ali. Uma áurea de felicidade circundando todos eles, um sorriso não deixando nenhum daqueles lábios.
-Tudo que eu pensei foi: realmente, este ano é o do apocalipse! Porque a chegou cedo e você e a não vieram no primeiro dia!
falou brincalhona implicando com , e a olhando como se ela tivesse falando um absurdo enquanto os meninos acenavam que concordavam.
-Eu acordei atrasada... Além do mais, eu e Harry decidimos nos dar uma folga. Ninguém dá nada no primeiro dia mesmo.
se justificou cutucando sua comida, sem perceber os olhares maliciosos que e trocaram.
-Folga, é? Sei bem a folga...
comentou num tom despretensioso, mas com uma malicia escondida. riu e a olhou estupefata.
-Caramba! Não foi por isto... Quer dizer, não só por isto.
explicou sem graça, corando no final, o que fez as amigas rirem ainda mais.
-Ponto pro Judd!
Danny exclamou no final da mesa como se estivesse comemorando um gol, corou ainda mais e Harry a abraçou dando um beijo em sua bochecha.
-Bom, perderam a guerra de neve mais épica de todos os tempos.
Dougie disse e Danny, e riram ao lembrarem.
-Aposto que o Sr. Brown está procurando quem jogou aquela bola nele até agora.
comentou fingindo inocência enquanto mexia em sua comida.
-Vocês acertaram o professor de álgebra?!
perguntou achando aquilo um tanto inacreditável e hilário.
-Eu juro... Juro que foi sem querer!
Daniel explicou-se parecendo um tanto desesperado, fazendo com que os amigos rissem. Os seis continuaram ali rindo e se divertindo até que acabassem suas refeições depois indo para o galpão onde os meninos ensaiavam e terminaram aquela noite com música.

Capítulo 58

Ninguém sabia o que era, mas os dias pareciam estar passando mais rápido. Apesar de ser apenas a primeira semana de volta as aulas, os professores já os haviam bombardeado de trabalhos e as visitas aos campus universitários logo começariam. Era como se todos os alunos estivessem segurando suas respirações juntos, apreensivos com o que viria a seguir. Portanto, o fim de semana chegou como um maravilhoso presente.
No entanto, e Harry resolveram não voltar para casa aquele fim de semana. O menino havia planejado uma surpresa, o que deixava com um frio na barriga de expectativa. Encarava seu guarda roupa sem ter certeza sobre o que vestir, afinal de contas não sabia o que iria fazer e Harry era muito bom em inventar encontros inusitados. Toda informação que ele havia dado para ela era que seria ao ar livre, o que de certa forma a desanimava porque a temperatura lá fora não era das mais agradáveis e a coisa mais quente que ela tinha na escola era uma parca verde musgo. Balbuciou uma reclamação aos céus, como se esperasse que Deus a providenciasse algo mais decente para usar. Não funcionou. Deu de ombros e pegou o casaco mesmo, complementando seu visual com uma calça jeans por dentro das botas de montaria, uma blusa branca simples, um casaquinho cinza, um lenço cinza cobrindo o pescoço e a parca. Estava terminando de se maquiar quando Harry bateu na porta do quarto.
-Pronta?
Ele perguntou após abraçá-la pela cintura e beijar rapidamente seus lábios. Harry encarou animado e viu a namorada render-se a um sorriso, beijando-o demorada e apaixonadamente em seguida.
-Ok... Eu estou quase me rendendo a ficar aqui ao invés de encarar o frio lá fora.
Harry falou baixinho depois que os dois separaram-se, ainda com os olhos fechados e a testa colada na de .
-Não, amor. Você planejou isto a semana inteira! Vamos sim. E, pensa nisto, o frio é só mais uma desculpa para a gente ficar ainda mais colado um no outro...
sugeriu com um sorriso travesso fazendo com que Harry sorrisse de volta e volta-se a colar seus lábios.
Em pouco tempo, eles estavam no carro de Harry. A cesta de piquenique dava a uma idéia do que iriam fazer, mas ela não conseguia pensar muito além daquilo. Já estavam há quase meia hora dirigindo por esta estrada no meio da floresta de pinheiros pela qual nunca havia passado e a curiosidade da menina parecia aumentar a cada minuto. Harry observou a namorada olhar para o lado de fora com expectativa, buscando a mão dela e afagando-a por uns segundos, fazendo sorrir com o carinho. E então, eles chegaram. Um lago prateado brilhava para os dois no fim da estrada, a neve e as árvores ao seu redor faziam-no parecer um cenário de filme. olhou intrigada para Harry e então de volta para a paisagem, na beira das águas não congeladas um barco pequeno.
-Eu sei que é um programa um pouco mais verão...
Harry começou a desculpar-se, coçando a nuca demonstrando nervosismo e encarando com ansiedade.
-É tão fofo! Eu me sinto como num filme! A gente vai andar de barco?
perguntou parecendo uma criança animada e Harry riu de seu entusiasmo.
-Só se você quiser...
O menino propôs e acenou que sim. Os dois foram em direção ao barco, Harry ajudando a a embarcar e entregando-lhe a cesta que levara com comida. Em pouco tempo, os dois estavam no meio do lago, aninhada entre as pernas de Harry e envolvida por seu abraço.
-Você fica tão lindo assim vermelhinho de frio.
comentou com uma voz fofinha, olhando para o namorado e beijando a ponta de seu nariz.
-E você está tão linda sempre...
Harry continuou, acariciando o rosto da namorada como se fosse o objeto mais precioso e delicado da Terra. Os dois se beijaram novamente. Um beijo calmo, cúmplice, doce para preencher as lacunas que as palavras deixam e que só os sentimentos podem completar.
-Eu te amo.
disse simples e sinceramente olhando fundo nos olhos do namorado e vendo o sentimento que sentia espelhado. Não demoraram muito mais ali por causa da temperatura, mas por todo tempo continuaram colados um no outro, abraçados e esbanjando a alegria que um causava no outro.

Enquanto isto, Dougie e estavam no apartamento da menina, muito bem acolhidos debaixo de suas cobertas. Doug estava doente e estava aproveitando o fim de semana pra mimar seu namorado. Tinha feito (ou secretamente pedido) todas as comidas que ele gostava, checava sua temperatura e cobria-o de beijos sem nenhum medo de adquirir a gripe que atingira o menino. Já fazia algum tempo que estavam assistindo a um filme, sentados numa posição estranha no sofá. estava sentada de lado, suas pernas sobre o colo de Dougie e abraçadas pelo mesmo enquanto ele estava de frente para TV quase dormindo com acariciando seus cabelos. Não estava muito ligado no filme, ao passo que a namorada estava completamente perdida nele.
Acabou dormindo. Acordou meio confuso, olhando para tela que começava a mostrar os créditos e só depois ouvindo um pequeno choro ao seu lado. Sabia que só estava comovida pelo filme, que não estava triste de verdade, mas ainda assim ver a namorada chorar o cortava o coração. Pra piorar, a fragilidade que as lágrimas traziam a menina era linda. Despertava ainda mais o amor em Dougie, fazia querer abraçá-la até que toda dor fosse embora. E foi o que ele fez. Puxou a namorada para seu colo, para o qual ela foi sem resistência, aninhando-a em seu peito até que as lágrimas diminuíssem.
-Minha manteiga.
Dougie brincou sorrindo para a menina enquanto beijava suas lágrimas antes de colar seus lábios nos dela.

Chovia na França e isto combinava muito bem com o sentimento tanto de quanto de Tom. O menino havia chegado à cidade no meio da semana, mas ainda não tinha tido a coragem de ir atrás de . Enquanto ela parecia afundar numa tristeza sem fim, cada dia acordando para encarar o que ela fez a si mesma e perguntando o que a fizera chegar a este ponto. Tinha saudade dos amigos, da escola, até das antigas cobranças e principalmente de Tom. Saudade de como os dois eram amigos, de conversar como se não houvesse amanhã, de rir, de ouvir as canções doces do menino, de perder-se em seus braços. Odiava-se por ter jogado tudo aquilo fora por tão pouco e a recém volta de seu pai ao seio familiar só a fazia sentir-se pior. Adorava tê-lo de volta, mesmo com todas as dúvidas e incredulidades que continuavam a rondar sua mente sobre o casamento dos pais, mas acabava lembrando que havia desperdiçado a própria felicidade. A única felicidade era sua alta do tratamento e, mais do que isto, a bruta certeza em si de que nunca mais voltaria a fazer nada daquilo.
-Mãe, vou sair, ok? Lembrei que queria comprar umas coisas... Não demoro.
Avisou antes de deixar o quarto, ouvindo a mãe responder alguma coisa sobre o jantar. Caminhava em passos firmes pelo saguão, encarando chão ao pensar em onde iria. O paradoxo de seus desejos não adiantava em nada: queria pensar e distrair-se, voltar para casa e fugir de tudo. A colisão com um senhor acabou retirando-a de seus devaneios e, ao levantar os olhos para pedir desculpas, acabou vendo-o no final do hall. Thomas Fletcher a encarava com uma expressão tão surpresa e temerosa quanto a dela. Os sintomas também eram os mesmos nos dois: corações acelerados, o ar parecia rarefeito, as mãos suavam e repentinamente borboletas dançavam por todo seu corpo, principalmente por seu estômago. A verdade é que Thomas estava se escondendo no hotel desde que chegara a Paris. Simplesmente não sabia o que dizer para , como se desculpar, como tê-la de volta. O medo de que suas ações tivessem encerrado de uma vez o romance dos dois também o impedia de agir. E, agora que ela estava em sua frente, qualquer pobre fórmula que ele tenha inventado para tê-la foi perdida na simples alegria de vê-la de novo.
-Tom?
A menina perguntou só para garantir que era mesmo ele que estava ali e não sua imaginação lhe pregando peças, enquanto o menino caminhava em sua direção. Os dois ficaram apenas encarando um ao outro por algum tempo até que começassem a rir timidamente com a situação.
-Eu planejei tanto o que eu queria te dizer e agora que eu estou na sua frente...
Tom começou sem graça, as mãos nos bolsos para tentar esconder o quão inseguro e nervoso ele estava.
-Ahn...
começou a dizer, seu sorriso perdendo-se numa máscara de melancolia. Porém, Tom a cortou, acariciando seu rosto delicadamente e levantando-o para que pudesse olhar nos olhos que tanto sentira falta.
-Me desculpe, . Eu fui um idiota. O que eu te disse... Eu espero que você entenda que eu estava magoado, mas, ainda assim, nada justifica o que eu disse e nem a forma que eu o fiz. Eu confundi você com seus erros e... Você é tão mais que eles! Eu... Eu espero que você também já tenha percebido isto a este ponto.
Tom começou, visivelmente tocado por cada palavra que dizia, tentando transmitir da melhor maneira o que sentia e extirpar de vez a tristeza que percebia nos olhos de .
-Não, Tom... Sou eu quem tem que pedir desculpas. Por não ter confiado em você, por ter te magoado como eu fiz. Eu estava tão confusa... Tão amedrontada que descontei na única pessoa que não tinha nada a ver com aquilo, na única que tentava me fazer bem e eu não via isto.
respondeu, segurando a mão de Tom que estava em seu rosto e acariciando a mesma demonstrando o quanto sentia falta daquilo. Não demorou muito para as lágrimas começarem a descer por seu rosto e cada uma parecia sufocar ainda mais o coração de Thomas.
-Eu preciso de você. E eu te amo muito mais do que eu pensava... Desde que eu cheguei aqui parece que ficou mais óbvio, sabe? A falta que você me faz. A falta dos seus olhos, do seu carinho, de você meu. Amar você me faz uma pessoa melhor, Tom... Só que eu não sou o melhor pra você e acho que isto já está provado.
falou sincera, o coração de Tom acelerando ao ouvi-la dizer que o amava. A voz da menina foi morrendo no fim, seus olhos fugindo dos de Tom quando tudo que o menino queria era que ela continuasse olhando pra ele e percebesse o absurdo de suas últimas palavras.
-... Vamos esquecer tudo! O passado, os erros. Eu não ligo pra nada do que aconteceu, desde que você seja minha. Daqui pra frente, eu e você... Se possível, pra sempre.
Fletcher propôs com um sorriso brincando no canto dos lábios, aproximando-se de e levantando seu rosto para ele novamente.
-Eu nem sei como dizer o que sinto... Eu te amo? Eu já te falei isto tantas vezes e ainda assim não parece suficiente. Eu te amo, .
Tom falou emocionado, sorrindo junto com e, surpreendentemente, ajoelhando-se na frente dela o que chamou atenção não só da menina, mas das pessoas que passavam pelo local.
-Eu não vou te pedir em casamento... Ainda.
Ele brincou ao ver a expressão da menina que riu ainda mais em meio a suas lágrimas.
-Esquece tudo e volta a ser minha, ?
Tom perguntou sério e comovido, vendo a menina acenar que sim.
-Eu vou sempre ser sua, Tom.
acrescentou, praticamente pulando no pescoço de Tom assim que ele colocou-se novamente de pé e selando seus lábios nos dele, o que causou uma comoção entre os presentes. Palmas, assovios e suspiros acompanhavam o beijo cheio de saudade e reencontro dos dois. Mas eles não ouviam nada disto. O mundo não importava, desde que os dois estivessem um ao lado do outro.

De volta à Inglaterra, Jones pagava o mico mais monumental de sua vida. Anais tinha acordado com vontade de fazer alguma coisa diferente e o menino resolvera acompanhá-la, como o bom namorado que estava tentando ser. Por isto, estava há praticamente meia hora agarrado a barra de ferro que circundava a pista de patinação de gelo onde estavam, equilibrando-se precariamente enquanto tentava avançar alguns passos. Bem diferente de Anais que patinava graciosamente por toda pista, sorrindo ao encorajá-lo a tentar mover-se mais um pouco.
-Oi.
Uma menina cumprimentou ao lado de Danny, enrolada por todos os tons de rosa que a Terra pode abrigar.
-Oi.
Danny respondeu com um sorriso simpático que a menina não devolveu.
-Qual é o seu nome?
-Danny e o seu?
-Stella. Quantos anos você tem?
-Dezessete e você?
-Nove. Sei patinar até de costas.
Stella afirmou, manobrando rapidamente e começando a acompanhar Danny de costas com um olhar superior, dando língua ao fugir do garoto quando percebeu sua fúria. Na ânsia de alcançar a garotinha, Danny esqueceu sua barra e acabou por cair não muitos metros depois dela, o que só o deixou mais frustrado.
-A gente já pode ir embora?
Danny perguntou quando viu Anais chegar ao seu lado, rindo do incidente que presenciara de longe.
-Pode, meu amor. Não acho que aqui está muito divertido pra você...
constatou sem querer implicar nem nada, dando a mão para que o namorado se levantasse e aproveitando para puxá-lo para um abraço.
-Te amo, pior patinador do mundo.
A menina declarou-se simplesmente, rindo ao perceber o falso olhar de irritação que Daniel a lançara pouco antes de colar seus lábios nos dela.

N.a.: Olá, meus amores! Desculpem este tanto de tempo sem atualização... Mais fiquem felizes porque foi dupla! E não vai demorar muito antes da próxima chegar. Sério! É que RTTS ta acabando e dá um dó que vocês não têm idéia... Estou tentando protelar este final.
Olha, espero que vocês gostem do que eu escrevi desta vez. Quis colocar uma coisa fofa pra todo mundo e também já era mais que a hora dos Fletchers se entenderem. Aliás, esta atualização é dedicada a todas as Fletchers, em especial minha amiga , que estão com o coração na mão pelo casório. Eu nem sou Fletcher e estou assim! Sei lá, é meio estranho porque, quando eu conheci o McFLY, o Tom ainda era um gordinho desajustado e agora ele está lá todo gostosão casando! Me sinto uma mãe vendo os filhotes crescerem... Sou a única? E agora o Harry que resolveu pedir a Izzy! O amor está no ar... Mas eu espero que ainda leve um tempinho até atingir o meu Doug. Kkkk
Não vou responder os comentários desta vez, mas na próxima eu respondo um por um, mesmo porque, muito provavelmente, a próxima atualização vai ser a última. Ai deuses! Brigada por serem tão fofoletas sempre, meninas. Se não fosse pelos comentários lindos que eu recebo em cada atualização, RTTS teria parado há muito tempo atrás. Vocês são uns amores! Brigada também pra minha beta linda, que sempre faz um trabalho impecável com RTTS e nem se esquece de mim, mesmo minhas atualizações chegando de três em três meses – com sorte. OPASKASO’
Vou-me embora que isto aqui já está grande demais. Beijos e comentem.

P.s.: Não se esqueçam de ler Nicest Thing!



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