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Última atualização: 17/10/2020

Prólogo

A música estava alta no salão comunal da Sonserina. Mesmo perdendo a Taça para a Grifinória, o time de quadribol se recusou a desperdiçar a festa que tinham planejado e agora estavam afogando suas frustrações nas garrafas de whisky de fogo, hidromel e nos barris de cerveja amanteigada que os alunos tinham dado um jeito de alterar consideravelmente o teor alcoólico. Na verdade, a maioria nem se lembrava mais do jogo que havia acontecido mais cedo.
se desvencilhou de Nikolas, seu ex-namorado, que parecia achar que os dois teriam um remember naquela noite. Por uns dois minutos ela também achou, mas sua cabeça tornou a voltar para aquele lugar que ela estava tentando evitar pensar. A Torre de Astronomia.
— Onde você vai, ? – O sonserino perguntou, tentando puxar a garota de volta pela cintura, mas a loira já estava longe e nem se deu o trabalho de responder, ajeitando a barra de seu curto vestido preto de seda, que era trançado nas costas em um complexo zigue-zague.
Ela parou na frente do relógio que ficava em cima da lareira, que estava acesa para aquecer o ar gélido da masmorra. Nove e cinquenta e oito. Hoje à noite, às dez, na Torre de Astronomia, ele havia dito. E ela respondera que não teria uma próxima vez.
A chama da lareira dançou e crepitou, a madeira estalando, e soltou um grunhido de frustração. Ela foi até a mesa onde as bebidas estavam dispostas, enchendo um copo de whisky de fogo e o virando de uma só vez, sentindo a garganta arder. sabia o que queria fazer, ela contorcia as pernas só de lembrar da sensação de rebolar no colo do garoto, mas seu orgulho estava gritando dentro dela. Se ela fosse, ele ganhava. E ele já teve vitórias suficientes por um dia, mesmo que não conseguisse tirar da cabeça a visão do garoto lambendo os próprios dedos depois de tê-la feito gozar.
O relógio finalmente badalou dez vezes e ela ficou curiosa. Será que ele estava mesmo falando sério? Ele estaria na Torre de Astronomia esperando por ela, achando que eles ficariam outra vez? Ela riu, descrente. Coitado.
Essa era uma coisa que queria ver: a cara de otário dele quando percebesse que ela não apareceria por lá. E foi por isso, só por isso, que ela se esgueirou pela porta da masmorra, saindo da sala comunal e caminhando atenta e silenciosamente pelos corredores de Hogwarts, as botas pretas de salto alto e que iam até a metade de suas coxas fazendo um leve baque a cada pisada.
Ela havia pensado a tarde e a noite toda sobre o que tinha acontecido no vestiário e até agora não conseguia justificar aquilo. Ok, os dois viviam se provocando, mas as coisas não terminavam daquele jeito. Tudo bem que sempre conseguia tirar o garoto do sério, ela perdera a conta de quantas vezes ele já tentara quebrar um braço dela, mas o que diabos tinha acontecido para que ele fizesse com que ela perdesse o controle daquela forma, se atracando com ele sem a intenção de deixá-lo sangrando?
Não, ela não era assim. estava muito longe de ser puritana, mas também não era do tipo que presenteava qualquer um com o que ela julgava ser a melhor coisa desse mundo: ela mesma. Mais da metade de Hogwarts já tinha tentado algo com ela e ouvido um belo não. E isso a estava incomodando profundamente. Por que ela se sentiu tão atraída de repente pelo capitão da Grifinória? Por que não o socou quando ele a beijou pela primeira vez? Nikolas tinha demorado mais de dois anos para conseguir ficar com ela e, entre as idas e vindas dos dois, ela podia até ter se divertido bastante com outros alunos, mas todos foram escolhidos a dedo.
subiu as escadas da Torre de Astronomia em silêncio, parando no vão abaixo do último andar para ver se conseguia enxergar alguma coisa lá em cima, mas não viu nada. Ninguém estava lá. Ela abriu a boca, descrente.
Como assim ele não estava lá? Ele estava planejando fazê-la de idiota ou o que? Quem aquele merdinha grifinório pensava que era?! Ela pretendia ficar com ele mais uma vez? Não exatamente, mas também não contava que ele simplesmente não fosse aparecer! Aquilo a deixou extremamente furiosa e ela se virou, pronta para descer as escadas, voltar para a festa no salão comunal da Sonserina, encher a cara até se esquecer de toda a merda daquele dia e, quem sabe, terminar a noite na cama de Nikolas. Ela não ligava, só queria extravasar sua raiva de alguma forma.
— Eu sabia que você viria, .
se virou rapidamente com o susto, tentando enxergar de onde aquela voz estava vindo, mas estava muito escuro ali embaixo. Seu coração deu um salto e ela cerrou os olhos.
— Que porra é essa? – Ela grunhiu.
Uma risada rouca preencheu o ar e ela conseguiu finalmente identificar a forma que estava sentada nos primeiros degraus que levavam até o último andar da torre. O garoto se levantou, aproximando-se dela como um leão que avalia sua presa, um sorriso que ela julgou ser ridículo nos lábios e os olhos castanhos brilhando no escuro.
— Espero que esse vestido não seja tão complicado de tirar quanto parece, , mas eu aceito o desafio.
Então Olívio Wood a puxou pela cintura sem muita delicadeza, a prensando contra a porta pela qual ela pretendia sair minutos atrás. Quando a boca dele encontrou a sua, quase riu: ah, era por isso que ela não o afastara mais cedo. E era por isso também que ela não o afastaria agora.
Ela mordeu o lábio do garoto, o fazendo soltar um leve gemido de dor, e o empurrou para que caísse sentado no degrau da escada.
— E eu espero que você não fale tanto quanto antes, Wood. Aquela merda de diálogo não é pra mim.
E sentou no colo dele, puxando de volta o rosto de Olívio em direção ao seu.


Capítulo 1 - A Copa Mundial de Quadribol

— Sorria, . Pelo menos finja que você é educada.
A garota controlou a vontade de revirar os olhos para a mãe, mas abriu um sorriso e abraçou a mulher mais velha, uma versão perfeita dela mesma daqui alguns anos. Bom, de um modo geral, era exatamente esse o plano de Regina para sua filha.
O fotógrafo do Profeta Diário tirou uma foto da família . Ah, Marcus , o rígido chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia, e sua família na final da Copa Mundial de Quadribol renderia um bom artigo, com certeza. Se o jogo fosse ruim, talvez até a primeira página.
Quanto mais pessoas enchiam o camarote de honra, mais tinha certeza de que quase nenhuma delas estava ligando realmente para o jogo daquela noite. Era apenas uma grande reunião política. Mesmo assim, ela admirou a visão privilegiada do estádio com um sorriso no rosto, os gritos das duas torcidas deixando-a arrepiada. Era seu som favorito.
Estava sentindo falta daquilo, do quadribol. Depois de se formar em Hogwarts, seus pais a forçaram a iniciar um entediante programa de estágio no Ministério, mas depois de quase uma semana ela se irritou com as tarefas chatas e, após uma discussão acalorada com o próprio Ministro da Magia, onde ela o chamou de velho retrógrado, medroso e acomodado, seu pai decidira que aquilo era suficiente e a mandou em uma viagem de autoconhecimento nas Ilhas Fiji – na verdade ele a havia despachado para uma espécie de reformatório especial, ou prisão, como ela preferia chamar, no norte da França, um que ele sempre tratava de mandar a filha durante as férias de verão para se livrar da garota, mas decidira mudar os planos usando um feitiço confundos em Kiran, funcionário de seu pai que fora encarregado de escoltá-la até o lugar. Para todos os efeitos, havia voltado ontem de uma longa estadia no internato, e não de férias paradisíacas no meio do Oceano Índico, para que a perfeita família pudesse dar as caras no jogo de hoje.
, querida, venha cumprimentar Cornélio. – Sua mãe a tirou de seu devaneio, dando um aperto nada delicado em seu ombro.
respirou fundo e se virou para o grupinho logo mais adiante, onde Cornélio Fudge, o Ministro da Magia, a encarava com um certo ar de desgosto. Ela o olhou da mesma forma enquanto caminhava até ele, sendo conduzida pela mãe, mas botou seu melhor sorriso quando todos os quatro homens se viraram para olhá-la. Imagem era tudo, sempre repetia o seu pai.
— Senhor Fudge, que prazer revê-lo. – Ela disse, o sorriso inocente nos lábios contrastando com o tom de voz irônico. – Como vai o Ministério?
Os olhos de Fudge brilharam de ódio e seu lábio superior tremeu.
— Senhoria , que surpresa... agradável. – Ele respondeu e ela soube imediatamente que sua presença ali era tudo, menos agradável. Seu sorriso aumentou.
— Soube que a senhorita atingiu a maior pontuação de seu ano nos NIEMs, senhorita , meus parabéns. Você deve estar morrendo de orgulho, Marcus. – Disse um outro homem, que ela não reconheceu. Provavelmente mais um puxa-saco de seu pai.
Marcus olhou para a filha e limitou-se a dar um sorriso comedido, mal curvando seus lábios, e balançou a cabeça brevemente para o tal homem em agradecimento.
— Como foi o estágio no Ministério, senhorita ? – Perguntou Bóris Crowly, o quarto rapaz.
O sorriso de se iluminou ao mesmo tempo em que a mão de sua mãe tornou a apertar seu ombro com mais força.
— Ah, senhor Crowly, acredito que o senhor Fudge possa responder essa pergunta melhor do que eu, não é mesmo, Ministro? – Ela virou seu olhar para Cornélio, que parecia querer expulsá-la do camarote aos chutes. Como a garota ousava desafiar o Ministro da Magia daquele jeito?! Mas era esperta e sabia que poderia ficar ali a noite toda brincando com o velhote; ele não abriria a boca e, se ela quisesse, ele até limparia a cadeira para ela se sentar. Cornélio Fudge jamais iria admitir que fora insultado por uma garotinha malcriada qualquer.
— Adorável, senhorita , muito adorável. – Ele respondeu e o lábio superior tornou a tremer. conteve uma risada, mas torceu para que o homem não tivesse um problema de coração ali. Estragaria todo o jogo.
— Muita gentileza de sua parte, Ministro. – colocou a mão no peito, teatralmente emocionada.
— Aposto que você está se preparando para uma carreira promissora. – Bóris comentou.
— Na verdade eu planejo seguir carreira jogando, senhor Crowly. – respondeu sem pestanejar, com uma confiança inabalável. A mão de Regina poderia arrancar um pedaço da carne de seu ombro agora, tamanha força que ela usava para apertar a filha. Cale a boca, era o que ela queria dizer.
— Oh, mas é claro. A senhorita era capitã do time da Sonserina em Hogwarts, não? Eu ouvi dizer que foi uma liderança brilhante. – O outro homem, que ela ainda não sabia quem era, comentou.
Antes que pudesse responder, a risada elegante de sua mãe se fez presente atrás dela.
— Apenas um passatempo que ela ainda não conseguiu se desapegar, Joseph. irá retomar suas atividades no Ministério na próxima semana.
O sorriso de vacilou. Aquilo era uma novidade. Ela sentiu o ambiente girando, as vozes gritando das arquibancadas agora a incomodando profundamente. Ela estava meio zonza.
— Se me permitem, irei retornar ao meu lugar para aguardar pelo início da partida, com licença. – Ela lançou o melhor sorriso que conseguiu para o grupo e se virou, não esperando por uma resposta, e indo até seu lugar no camarote que estava sendo guardado por Daisy, a elfo doméstico da família. a dispensou com um aceno de mão e a elfo foi correndo até Regina.
Ela se sentou e cruzou as pernas elegantemente, tentando manter o máximo da compostura em um lugar onde sabia que atraia olhares mais do que o de costume. Que merda era aquela?! É claro que seus pais não tinham desistido dessa ideia estúpida e é claro que Fudge era bundão demais para recusar tê-la trabalhando lá novamente. Ele não seria louco de dizer não para seu pai, não quando tinha medo de que ele estivesse planejando assumir o Ministério algum dia. Desgraçado filho da puta.
Por Merlim, ela botaria fogo naquele maldito Ministério se precisasse passar mais um dia trancada naquele lugar como uma idiota pomposa. Aquilo era extremamente ridículo, era absurdo, era um ultra...
Um burburinho mais alto fez virar a cabeça e ela notou que Harry Potter estava ali, junto com sabe-se lá quantos Weasleys – ela parou de contar na quinta cabeça ruiva – e agora Cornélio o bajulava como o bom cachorrinho que era. Ela estava acostumada a querer ver Potter sempre caindo de sua vassoura, mas lembrou-se das fofocas que ouvira sobre o garoto morar embaixo de uma cama, fogão, escada, ponte ou seja lá o que com sua família trouxa e, agora que não precisava mais jogar contra ele, achou até legal que ele tivesse a oportunidade de ver a final da Copa de um camarote. Devia ser alguma vantagem por ser quem ele era, ela imaginou, ou um ato de caridade. Se ela estivesse em seu lugar, usaria suas vantagens para conseguir roupas novas também, ela pensou enquanto avaliava os trapos que ele vestia.
Enquanto observava de longe, ela viu a família Malfoy adentrar o camarote. Ela revirou os olhos. Ótimo, ontem ela estava se bronzeando no paraíso e hoje estava praticamente em um passeio à Hogsmeade, com Hogwarts inteira ao seu redor. Não fazia nem três meses de sua formatura e já estava revendo todos aqueles rostinhos lindos novamente. Que felicidade. Quando Draco a viu encarando, arregalou os olhos. não o perdoara pela falha no último jogo e ele ainda não havia esquecido das palavras da ex-capitã no vestiário, mas o que mais chamou a atenção de foi a garota que vinha logo atrás de Malfoy.
Ela deu uma risadinha. Lúcio Malfoy andou pulando a cerca ou o que? Aquela garota de cabelos loiros com certeza se passaria por irmã de Draco facilmente, mas ela conseguia notar as diferenças físicas entre os dois, principalmente os olhos negros. Quando passou os olhos pelo grupo, que tinha aumentado consideravelmente de tamanho, quase sentiu falta de Hogwarts. Potter e sua ganguezinha, agora sentados um pouco mais adiante, olhavam surpresos para a garota, provavelmente com pensamentos muito semelhantes aos da própria . Ela adoraria ouvir as fofocas no corredor da escola no começo do ano, que pena.
Quando os Malfoy se acomodaram na fileira atrás dela, não se conteve em lançar um sorriso para Draco.
— Que prazer te rever, Draco. – Ela disse, se apoiando na cadeira e lançando um sorriso irônico para o garoto. – Lúcio, Narcisa, como vão?
Draco, que estava com cara de quem estava sentindo cheiro de merda o tempo todo, fechou ainda mais seu semblante. Por outro lado, Narcisa abriu um sorriso.
, pensávamos que você ainda estivesse viajando, que bom te ver. – A mãe de Draco falou.
— Retornei ontem, não poderia perder a final. – Ela sorriu.
— É claro, tenho certeza de que...
— Com licença, , Paddington chegou e eu gostaria de falar com ele por um minuto. Me acompanha, querida? – Lúcio cortou a esposa e a convidou, com um olhar sugestivo.
— Sem problemas, foi um prazer. – respondeu. Não havia sido, mas tanto faz. Ela manteve o sorriso no rosto até o casal se afastar e então se virou para Draco. – Esqueceu a educação em casa, Malfoy?
O garoto abriu a boca para responder, mas a loira ao seu lado fora mais rápida.
— Abra Eileen Malfoy*, prazer em conhecê-la. – A cópia feminina de Draco falou, estendendo a mão para . – Sou prima de Draco.
apertou a mão dela, olhando curiosa para seu rosto. Algo nas feições da garota a lembrava muito alguma coisa, ou alguém, mas ela não conseguia saber exatamente o que.
, o prazer é todo meu. – Ela franziu o cenho, algo martelando em sua cabeça. – Abra Eileen? Acho que já ouvi esse nome antes. A artilheira de Durmstrang, não? A que desistiu de entrar para a seleção? Ouvi dizer que eles iriam abrir uma exceção de idade para ter você no time.
Abra deu um sorriso orgulhoso e Draco bufou.
— Eu mesma.
arqueou as sobrancelhas.
— Eu suponho que a recusa tenha sido por um bom motivo.
Abra deu de ombros, ainda sorrindo, mas notou algo passar por seus olhos escuros.
— Decidi ir para Hogwarts e eu não poderia jogar pela Bulgária se morasse aqui.
deu uma risada alta e descrente.
— Esse é o motivo mais ridículo que eu poderia ouvir. – Abra deu uma risada. – Bom, Abra, espero que Hogwarts seja melhor do que a seleção da Bulgária, então, o que eu duvido, principalmente agora que saí de lá. Tenho certeza de que seria ótimo ter você no time se você fosse para a Sonserina.
Abra franziu a testa, mas Draco resolveu explicar, a voz arrastada.
era capitã da Sonserina até o ano passado.
O sorriso de Abra se alargou.
— Então você é a capitã extremamente irritante, porém muito acima das expectativas, que eu tanto ouvi falar?
sorriu maliciosa.
— É assim que você me descreve, Draco?
Ele revirou os olhos, mas Abra riu.
— Draco, não. Meu pai.
— Seu pai? – franziu as sobrancelhas.
Abra deu um sorriso malicioso e divertido.
— Snape.
abriu a boca, mas não saiu nenhum som. Por essa ela não esperava. Seria menos chocante se a garota revelasse que era uma irmã perdida de Draco e isso justificaria a cara de cu do garoto a noite toda. Snape. Severo Snape tinha uma filha! Uma filha com, muito provavelmente, a tal irmã de Lúcio que falecera, ela se lembrava de algo assim. Aquilo parecia uma piada. Por isso, ela gargalhou até seus olhos se encherem de lágrimas. Pelo menos agora ela entendia o porquê de o rosto da menina ser tão familiar para ela; ela tinha muitos traços de Snape, principalmente os olhos.
— Eu não... acredito... – Ela tentava dizer, no meio das risadas. – Eu não sabia que Snape era capaz disso!
A garota olhou confusa para .
— Disso o que?
— De transar. Sem ofensas.
Abra riu, acompanhando , e Draco finalmente soltou um risinho, ainda que bem sem graça.
— Não ofendeu, mas eu definitivamente não precisava dessa visão na minha mente.
Antes que pudesse responder, a voz de Ludo Bagman, que ela nem tinha notado que estava ali, tomou conta do estádio, fazendo-a se virar rapidamente para frente e percebendo que agora seus pais ocupavam os lugares ao seu lado.
O bruxo fez um discursinho de abertura que demorou tempo demais na opinião de , mas ela se distraiu com as apresentações de cada time e o barulho da torcida voltou a animá-la. O que ela não daria para voltar a voar em sua vassoura, jogar e sentir aquela animação vindo das arquibancadas? Ela se sentia inútil e vazia sem o quadribol e aquilo a estava consumindo desde que saíra de Hogwarts, mas só agora ela estava sentindo o real peso que a falta do esporte tinha em sua vida, principalmente depois do que sua mãe dissera.
Ela não conseguia se ver fazendo qualquer outra coisa que não fosse aquilo.
gritou e se levantou quando o time irlandês entrou no estádio, mas recebeu um olhar cortante de seu pai e se calou imediatamente, se sentando. Eles não poderiam demonstrar seu favoritismo por nenhum dos dois times, ela havia se esquecido. Sua mãe a havia feito trocar de roupa antes de saírem de casa, e ela teve que encantar o vestido verde de mangas longas para que se tornasse preto. Pelo menos conseguira manter a discreta tiara verde de veludo, um discreto protesto no meio de seus cabelos loiros. Eles deviam tê-la levado numa coleira de uma vez.
O time búlgaro entrou, fazendo o camarote tremer de tanto entusiasmo, e algo curioso aconteceu. Depois que o famoso Viktor Krum, o apanhador da seleção da Bulgária, deu sua volta pelo estádio, disparando pelo ar, ele se aproximou do camarote e, antes que qualquer um entendesse o que estava acontecendo, a garotinha Snape foi levada pelo bruxo em sua vassoura. A torcida búlgara foi à loucura com os dois e se lembrou de que Abra era conhecida no país. Que grande idiota ela era por desistir do quadribol por causa de Hogwarts. trocaria sua própria alma por uma chance como aquela.
Quando Abra retornou ao camarote, ainda sob gritos, uma ideia surgiu na mente de . Hm, por que não?
— Ei, Snapezinha. – chamou a garota, que se virou para ela ainda sorrindo pelo o que tinha acabado de acontecer. – Talvez você possa me apresentar ao seu namorado no final do jogo, o que acha? Sou uma grande fã dele, é um dos meus apanhadores favoritos.
Era mentira. achava Krum um bom jogador, mas superestimado.
Abra gargalhou, mas Draco estreitou os olhos. Ele conhecia bem demais a ex-capitã para saber que nada do que ela fazia era sem motivo.
— Ele não é meu namorado, é meu melhor amigo, mas é claro, apresento sem problemas.
deu seu melhor sorriso em agradecimento e se virou para o jogo que havia acabado de começar, ignorando o olhar atravessado da mãe.



A vitória dos irlandeses fez o estádio explodir e aproveitou o grande tumulto que aquilo causou para pular e comemorar junto com algumas pessoas, já que nem mesmo seus pais conseguiram se livrar dos abraços calorosos. Que jogo! Ela estava acostumada a estar dentro do campo, mas a sensação de estar na torcida também era inebriante. A expectativa, a tensão, a alegria, a tristeza, todas aquelas milhares de emoções eram viciantes. Como poderia viver sem o quadribol?
O camarote havia se transformado e agora as cadeiras onde todos haviam assistido ao jogo tinham se transformado em mesas com comidas e bebidas, uma festa se iniciando no local logo após os irlandeses pegarem sua taça. estava apoiada na beirada do camarote, observando as arquibancadas esvaziarem e bebendo alguma coisa com gosto de cereja, quando ouviu uma voz atrás de si.
— Esta é a amiga que eu queria te apresentar, Krum.
se virou e deu de cara com Abra acompanhada de Viktor Krum, que estava com o nariz inchado pela pancada que recebera no jogo e o deixara jorrando sangue. Ainda assim, ela conseguiu perceber que a carranca do garoto era algo comum, e não do momento. Ela achou aquilo sexy. Ele usava um uniforme da Bulgária, mais simples do que o outro que havia usado para jogar.
— Abra, oi! – Ela deu seu melhor sorriso para a garota, que ficou incrivelmente pequena ao lado do jogador. – Krum, é um prazer te conhecer. . – Ela deu ênfase na palavra prazer e estendeu sua mão.
Krum a avaliou por dois segundos e um pequeno sorriso surgiu em seu rosto fechado.
— O prrrazer é todo meu. – Ele respondeu com um sotaque búlgaro fortíssimo e pegou a mãe de , beijando-a. O sorriso de se abriu ainda mais e ela achou engraçadinho a forma como ele arrastava a letra r ao falar.
— Eu preciso ir agora, mas acredito que você esteja em boas mãos, Viktor. Nos vemos em breve, tudo bem? Eu estou morrendo de orgulho de você. – Abra abraçou o jogador, que a envolveu rapidamente, fazendo a garota sumir, e então ela se voltou para . – Foi um prazer, . Espero que você tenha uma ótima noite. – Ela piscou para , que deu uma risada e devolveu a piscadela.
Krum acompanhou Abra com os olhos até a garota sumir de vista e imaginou que talvez o jogador tivesse puxado a garota para sua vassoura mais cedo por algum motivo a mais além da amizade, mesmo que ela aparentasse ser alguns anos mais nova que ele, mas precisava arriscar. Não tinha nada a perder.
— Foi muito corajoso o que você fez hoje.
Krum virou a cabeça para encarar a loira, que o olhava agora com um sorriso de lábios fechados.
— Pegar o pomo de ouro para finalizar a partida porque sabia que era o melhor para seu time. Nem todos teriam essa coragem. – Ela completou e bebericou da taça que segurava.
Krum deu uma risadinha.
Pom, nós perdemos de qualquer forma.
concordou com a cabeça.
— Com honra, e eu acho que é isso o que importa. No seu lugar, eu teria feito a mesma coisa pelo meu time, se quer saber.
— Então focê entende de quadribol? – Ele tinha um olhar surpreso no rosto e tornou a avaliar da cabeça aos pés.
— Fui capitã da Sonserina em Hogwarts por quatro anos. Sei que não é a mesma coisa, mas... – Ela deu de ombros e deixou a frase no ar, tentando fisgar alguma reação do rapaz.
Focê acabou de dizer que terria pegado o pomo pelo bem do seu time.
— Sim, eu teria.
Krum deu um sorriso atravessado.
— Então é a mesma coisa.
sorriu. Ele havia fisgado. Ela pegou uma taça da bandeja de um garçom que passava por ali e entregou para Krum, piscando.
— Ao quadribol, que seja sempre jogado com honra, garra e paixão.
Krum se perdeu por alguns instantes nos olhos verdes da garota, mas ergueu sua taça de volta.
— À honra, garra e paixão. – Ele brindou e os dois beberam, deixando seus olhos pararem por alguns segundos na boca do rapaz e depois voltando aos seus olhos castanhos. Ele reparou.
— Foi um prazer, Viktor Krum. Espero um dia ter a oportunidade de entrar para algum time grande e, quem sabe, jogar contra você. Acho que já tomei demais seu tempo, com licença. – Ela deu um último sorriso contido, depositando toda a intensidade em seus olhos verdes, e se virou.
Se tudo desse certo, ela pensava enquanto andava, apreensiva, ele a chamaria em três, dois...
— Eu gostarrria de jogar contra focê, .
Ela mordeu o lábio, contendo o sorriso vitorioso, e se virou com sua melhor expressão de surpresa.
— Então eu realmente espero conseguir um teste em algum time, apanhador. Agora mais do que nunca. – Ela o fitou, deixando o rapaz novamente desconcertado, e resolveu jogar mais fundo ainda. – Se souber de alguma coisa, vou deixar meu endereço com você para que possa me mandar uma carta avisando, ou então ir me contar pessoalmente.
Krum sentiu um calor subir pelo seu pescoço e quase se esqueceu da dor que estava sentindo no nariz. Ele tinha perdido a Copa, Abra tinha desaparecido e ele acreditava que nada naquela noite seria capaz de deixá-lo animado. Até agora.
— Acho que focê se darria muito bem nas Holyhead Harrrpies, soube que elas farrão um teste aberto na sexta-feirra. Mas eu fou aceitar seu enderreço, só por precaução. – Ele piscou para e ela sentiu seu coração parar.
Não, não por causa da piscadela e da cantadinha barata, mas por causa da informação. Era exatamente isso o que ela queria ouvir. Um teste.
Ela forçou uma risadinha, balançando a cabeça em negação.
— Acho que você está botando mais expectativas em mim do que mereço. – Ela abaixou o olhar, sem graça. Tinha que continuar jogando, mesmo sabendo que estava ganhando. Era uma pena ela não ter se lembrado ali na hora algum feitiço para deixar as bochechas coradas.
Krum se aproximou e, muito galante, ela precisava admitir, ele lhe lançou um sorriso torto e levou uma mão até uma mecha do cabelo de , na altura dos ombros, e a observou entre seus dedos antes de voltar o olhar para a garota.
— Ninguém é capitã de um time por quatro anos seguidos sem merrecer, . – Ela sorriu para ele, não contendo dessa vez a expressão orgulhosa. Ele estava certo, é claro. – O que acha de continuarmos essa conversa na minha tenda? – Ele sugeriu, um pouco nervoso, e ela notou que ele era até um pouco tímido para um astro do quadribol mundial. Ela achou aquilo fofo.
— Eu não sei se deveria... digo, você acabou de jogar, deve estar cansado, querendo um pouco de paz, e não ficar perdendo tempo comigo e com coisas sem importância. – mordeu o lábio e franziu a testa, como se a ideia a incomodasse.
Serrá um prazer perder tempo com focê, . – notou que gostava muito do modo como ele pronunciava seu nome. Era quase sensual no sotaque búlgaro, e ela aprovava aquilo. – O que me diz?
Ela abriu um sorriso, finalmente genuíno e sem nenhuma outra intenção por trás além de realmente querer bambear as pernas do búlgaro de vez.
— Eu adoraria.
Krum sorriu, parecendo aliviado por não ter sido rejeitado, o que só faria se fosse louca. Tudo bem que ela teria que largar o garoto lá de qualquer forma para ir embora com seus pais, mas aquilo era apenas um detalhe.
— Eu só fou falar com algumas pessoas antes. Se importa de esperrar?
— Estarei aqui, apanhador.
Krum se aproximou da garota e depositou um beijo na bochecha dela antes de se afastar.
virou para o outro lado, deixando sua boca se abrir e gritou em silêncio para o estádio já vazio. Isso, isso, isso!!!! Bendita hora em que conhecera a garotinha Snape.
Um teste para as Holyhead Harpies na próxima sexta-feira. Puta que pariu. Aquilo era demais para o coração dela. Não, não era, na verdade. Aquilo era exatamente o que ela sonhara desde o dia em que subiu em uma vassoura pela primeira vez na vida: um teste para seu time favorito. Se Krum estivesse falando sério, ela não deixaria aquela oportunidade escapar, não mesmo.
respirou fundo, tentando controlar os pensamentos. Se ela passasse, finalmente teria sua liberdade. Poderia sair da casa dos pais, viver sua vida, ser quem ela quisesse. Ela precisava disso. Aquela era sua chance.
Ela contou os dias rapidamente. A próxima sexta-feira seria dali oito dias e isso a deixou nervosa. Não havia treinado nem um dia sequer depois que saíra de Hogwarts e aquilo era um problema gigante. Ela soltou um grunhido, se odiando por ter sido tão imprudente consigo mesma. Ela estava fodida. Não conseguiria treinar em casa, não com sua mãe por perto e muito menos se tivesse de ser obrigada a voltar para o Ministério. Por mais que pensasse, não conseguia achar nenhuma solução, nenhuma forma de treinar ou participar do teste. Ela quis se jogar dali de cima.
— Eu pensei que você fosse preferir os búlgaros aos irlandeses, .
Ela congelou. O que? Estava alucinando?
Devagar, ela se virou e encarou o garoto que estava parado ali, em choque.
— O que? – Ela repetiu, sem saber o que dizer.
Olívio Wood apontou para a tiara verde da garota.
— Se eu tivesse que apostar, apostaria que você fosse torcer para os búlgaros, não para os irlandeses. Mas vejo que finalmente escolheu um time vitorioso. – Ele finalizou, um sorriso presunçoso nos lábios.
O cérebro de voltou a funcionar e ela olhou Wood de cima a baixo. O garoto estava ligeiramente diferente da última vez em que eles tinham se visto, no dia da formatura. A barba estava rala e não conseguiu ignorar o quão atraente aquilo o deixava, além do cabelo que crescera. Notou também que o vermelho lhe caia muito bem fora dos uniformes da Grifinória, já que ele ostentava uma camisa da Bulgária por baixo de uma jaqueta preta. Ela realmente odiava o quanto ele passara a ser bonitinho depois que ela descobriu as outras habilidades do goleiro.
— Resolveu brincar de penetra, Wood? O que diabos você está fazendo aqui?
Wood riu.
— Eu fui convidado, . Aliás, todo o meu time foi convidado. – Wood apontou discretamente para um grupo que conversava em um canto. franziu a testa quando reconheceu pelo menos três jogadores do... Espera, o que?
— Espera, o que? – Ela verbalizou seus pensamentos. – Seu time?
A postura de Wood mudou e, pelo sorriso malicioso, soube que qualquer coisa que ele diria a irritaria profundamente. Bonitinho? Sim. Um grande idiota? Com certeza.
— Eu consegui entrar para o time reserva do Puddlemere United, . Começo na próxima temporada.
Ela estava certa, aquilo a tinha irritado. Wood estava na porra do Puddlemere United, que ótimo. A merda de um dos mais famosos times de quadribol da Liga Britânica e Irlandesa, além de um dos maiores rivais das Holyhead Harpies. Perfeito.
No fundo, ela não estava surpresa. Wood não era ruim, ela sabia muito bem disso por experiência própria. Era óbvio que ele seguiria carreira no quadribol e que seria aceito por qualquer time que o visse jogando. Saber que Wood merecia aquilo só a deixava mais brava ainda, mas ela não seria despeitada só porque estava na merda.
respirou fundo, engolindo todos os palavrões que queria proferir.
— Parabéns, Wood. – Ela disse, tentando não revirar os olhos.
Wood arregalou os olhos ligeiramente.
— Uau, você passou as férias em um retiro zen ou o que? Eu estava esperando alguns xingamentos.
Finalmente ela revirou os olhos.
— Não, idiota, só estava tentando manter a porra do espírito esportivo que você tanto gosta, mas espero que você faça o Puddlemere passar alguma vergonha e se tocar da burrice que é ter você no time. – Ela sibilou, irônica.
Os olhos de Wood faiscaram com a menção ao espírito esportivo, mas ele sorriu.
— Obrigado, . Estou surpreso que você ainda não tenha jogado na minha cara para qual time irá jogar na próxima temporada.
foi pega de surpresa. Então Wood acreditava que ela jogaria profissionalmente? Aquilo era... ela não sabia exatamente o que aquilo lhe fazia sentir, mas sentiu um profundo desespero ao lembrar da sua situação. Não iria desabafar com Wood sobre as merdas de sua família e os planos que seus pais tinham para ela, mas aquilo estava começando a sufocá-la.
— Minhas férias foram um pouco... conturbadas. – Ela fez uma careta, tentando procurar as palavras certas. Wood franziu o cenho e ela respirou fundo. Foda-se. – Eu não entrei para nenhum time, Wood. Não sei se vou... seguir com o quadribol.
sentiu o coração tropeçar. Falar aquilo em voz alta foi como concretizar seu pior medo e agora não tinha mais volta, ele era real.
A boca de Wood se abriu tanto que ficou surpresa de não ter se descolado do resto do rosto.
— O que? Você não entrou para nenhum time?! Isso é impossível, , isso seria...
— Eu nem fiz teste nenhum, Wood. Tecnicamente, o mais próximo que eu tenho de uma carreira no momento é no Ministério. – Ela o cortou, sentindo o estômago se revirar.
Wood fechou a boca. Ele realmente estava surpreso com aquilo. Nunca imaginou que poderia se interessar por um trabalho administrativo no Ministério. Sabia quem era o pai dela, mas sempre imaginou, pelo jeito que a garota jogava e de dedicava, que o futuro dela estava no quadribol.
— Eu... espero que você tenha sucesso, , com seja lá o que você for trabalhar. Ministério, hm? Legal. – Ele tentou soar o mais educado possível, mas sentia que cada palavra que saia de sua boca estava errada.
quase gritou com o garoto.
— Ah, por Melim! Faça-me o favor, Wood! – Ela exclamou, fazendo o garoto tornar a arregalar os olhos. – Que porra de legal, você está louco? Para o inferno o Ministério!
— Mas você disse que...
— Eu sei o que eu disse, mas não quer dizer que seja o que eu quero. No momento, a única coisa que eu quero é a droga de um lugar onde eu possa treinar para o teste das Holyhead Harpies.
Wood franziu o cenho.
— Teste das Holyhead Harpies? Então você tem um teste?
respirou fundo para se acalmar. Seria ótimo se tivesse passado as férias no tal retiro zen.
— Eu ainda não sei, mas acho que sim. De qualquer forma, eu não vou conseguir participar porque sei lá quando foi a última vez que eu voei e provavelmente devo estar jogando que nem você agora e não tenho nenhum lugar decente para praticar e... Espera aí. – Algo surgiu na mente da garota, que borbulhava.
Ela se lembrou de Wood treinando sozinho no campo em Hogwarts, muitas vezes os dois discutindo para ver quem iria usar o espaço que, tecnicamente, não estava liberado para nenhum deles, já que os treinos oficiais muitas vezes nem tinham começado ainda. De qualquer forma, Wood sempre dava um jeito de treinar em algum canto; sabia pois ela vivia jogando isso na cara de seus jogadores, cobrando mais empenho do time. Se Wood fazia isso em Hogwarts, imagine só o que não estava fazendo agora que estava no Puddlemere.
Ela olhou para Wood e ele deu um passo para trás, involuntariamente. Ela o estava encarando da mesma forma como fazia nas partidas antes de jogar a goles com toda a força em direção aos aros que ele tentava proteger.
? – Ele questionou.
— Wood! – Ela avançou para cima do garoto, que precisou se apoiar no murinho do camarote para não se desequilibrar. – É isso! Wood, onde você tem treinado? Os treinos da temporada ainda não começaram, não é? Eu duvido que você esteja esperando os treinos oficiais começarem para se preparar.
Wood deu de ombros, ainda confuso.
— Estou, é claro. Tem um campo do lado da casa dos meus pais que...
— Onde fica isso?!
— Em Inverness, . O que diabos você está querendo?
grunhiu. É claro que ele morava na maldita Escócia.
— Ok, eu posso dar um jeito. Eu só preciso pensar em...
Wood a segurou pelos ombros e, por um segundo, ele vacilou em sentir a garota em suas mãos outra vez.
, para! Do que você está falando?!
— Eu preciso de um lugar para treinar, Wood. É só por essa semana, até eu conseguir fazer o teste para as Holyhead Harpies. Você precisa me deixar usar o campo!
Ele a olhava como se ela estivesse falando em outra língua.
— Você quer treinar na minha casa?
— Foi o que eu acabei de dizer, idiota.
Olívio deu uma risada. Ele sabia que a garota era uma bomba de surpresas, boas ou ruins, mas era simplesmente inacreditável o que estava pedindo.
— Você bebeu?
— Sim, mas estou falando sério.
, qual a chance de isso dar certo?
— Toda chance do mundo! Vai ser ótimo para você treinar também, olha só que perfeito, eu treinando como artilheira e você como goleiro.
— Qual é, . Você quer que eu acredite que logo você não tem um lugar para treinar? Por quê?
se irritou.
— O porquê não é da sua conta, Wood. Eu só preciso e pronto.
Olívio revirou os olhos.
— Você só pode estar maluca se acha que existe a mínima possibilidade de isso ser uma boa ideia. Por que você não pede pro seu pai te comprar um campo para treinar ou um time só seu?
A realidade atingiu como um soco na cara. Era Olívio Wood com quem ela estava falando, e não um amigo. Ela poderia engolir a merda do seu orgulho e implorar qualquer coisa para ele e de nada adiantaria. O fato de eles se sentirem atraídos um pelo outro algumas vezes, mesmo que nenhum dos dois conseguisse explicar aquilo, e terem transado, outra coisa completamente sem explicação, não mudava absolutamente nada. Ela sabia que ele continuava a odiando e que a trégua entre os dois era só quando precisavam usar as bocas para se beijarem. Ela não esperava nada dele, realmente, mas achou que, depois do vestiário e da Torre de Astronomia, um pedido como aquele não seria tão absurdo assim. Mas ela se enganara.
— Quer saber, Wood? Vai se foder. Eu espero que a sua carreira seja tão longa quanto seu pau.
Wood cerrou os dentes.
— O que você quer dizer com isso, ?
— Que eu espero que ela acabe antes de começar, seu babaca.
O rosto de Wood ficou vermelho de raiva e ele empertigou a postura, pronto para responder, mas uma terceira voz o cortou.
. – Um homem elegante, de cabelos negros e olhos verdes, estava parado atrás dela, com uma expressão indecifrável. A garota virou-se para trás, surpresa. – Sua mãe e eu iremos acompanhar Cornélio em um jantar. Daisy estará esperando por você na saída do camarote para retornarem para casa.
Wood identificou imediatamente Marcus , o chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia e pai de . A garota olhou para ele, subitamente confusa.
— Eu pensei que fossemos juntos, pai. A mamãe mencionou o jantar hoje cedo e eu...
A feição de Marcus não se alterou quando cortou a filha.
— Achamos melhor você não ir. – Ele disse, simplesmente. ficou imóvel, sem saber o que responder, mas seu pai logo virou para Wood, que acompanhava a conversa calado. entendeu o olhar e, a contragosto, respirou fundo antes de falar.
— Este é Olívio Wood, papai. Ele foi capitão do time da Grifinória, acho que você deve se lembrar dele do último jogo.
Olívio estendeu a mão, dando um sorriso contido, ainda irritado pela discussão com .
— É um prazer, senhor. – Ele disse educadamente, enquanto o mais velho apertava firmemente sua mão.
— É claro que me lembro, , você perdeu a taça nesse jogo. Foi uma bela partida, garoto.
Wood tentou controlar a surpresa pela rispidez do homem, vendo se encolher ligeiramente e desviar o olhar para algum outro lugar, o que era inédito para ele. De repente, ele se sentiu muito incomodado com a situação.
— Obrigado, senhor, mas devo dizer que foi o jogo mais difícil de toda minha vida. A é uma ótima capitã e por pouco não levou a taça. O senhor tem uma ótima jogadora em casa.
voltou o olhar para ele, inexpressiva. O que diabos Wood estava falando?
Seu pai deu um sorriso duro, sem abrir a boca.
— Se fosse tão boa, não teria perdido. – Wood não tinha uma resposta para aquilo e não se surpreendeu, apenas deu um sorriso fechado, muito parecido com o do pai. – Encontre Daisy e não chegue tarde. Wood. – Ele acenou para o rapaz e se virou, saindo sem dizer mais nenhuma palavra.
deu uma risada sem humor, balançando a cabeça como se não conseguisse acreditar naquilo. Depois, deu de ombros. Na verdade, aquilo era exatamente o que ela estava esperando. Ela se virou, pronta para sair dali sem dizer mais nada, quando Olívio segurou seu braço.
Olívio não acreditava no que estava fazendo e nem sabia por que estava fazendo aquilo, só sabia que algo dentro dele dizia que era a coisa certa. Ele conhecia o suficiente para saber que ela não pediria para ele nem um gole d’água se não fosse caso de vida ou morte e ele teve a impressão, depois de vê-la com seu pai, de que talvez essa fosse a situação. Então, antes que pensasse mais e desistisse, ele respirou fundo.
— Pó de Flu. – Ele disse, olhando nos olhos dela.
franziu a testa, puxando o braço de volta rispidamente.
— O que?
— O meu pai faz alguns trabalhos para o Ministério e nossa casa é conectada à rede de Flu. Você pode usar Pó de Flu para ir treinar.
piscou os olhos por um instante, confusa e desconfiada.
— Por que está fazendo isso?
Wood deu de ombros e, tirando a varinha do bolso da calça, conjurou um pedaço de pergaminho. Com outro movimento da varinha, um endereço apareceu nele e ele o entregou para .
— Espírito esportivo. – Ele respondeu, arrancando uma risadinha genuína da garota, que dobrou o papel e o guardou no decote do vestido. Wood sorriu com a visão, lembrando-se instantaneamente do que tinha ali embaixo do tecido. Ele também reparou que ela usava as mesmas botas pretas da noite da Torre de Astronomia, o que lhe trouxe muitas outras lembranças.
Famos? – Uma voz grossa e carregada esse fez presente antes que pudesse responder alguma coisa e ela desviou o olhar de Wood para Krum, que agora estava parado ao seu lado.
Por alguns minutos ela até se esquecera do rapaz, mas se deu conta de que seus pais a tinham deixado para trás e que ela não precisaria mais dispensar o búlgaro. Aquilo a fez sorrir.
— É claro! – Ela abriu ainda mais o sorriso e percebeu que Wood endireitou a postura, ligeiramente surpreso com a intromissão inusitada. Muito inusitada. – Ah, Krum, este é Olívio Wood, um grande fã seu. Ele entrou na reserva do Puddlemere United deste ano.
Wood controlou a vontade de rosnar para com o grande fã, ligeiramente arrependido de ter escolhido a camisa da Bulgária naquela noite, mas colocou de volta seu sorriso educado no rosto e estendeu a mão para Krum, que a apertou com uma força considerável.
Parrrabéns. – O búlgaro disse, simplesmente, e Wood deu um sorriso fechado.
engoliu a risada.
— Bom, vamos, Krum. – Ela se virou para o apanhador. – Sempre quis saber como seria o alojamento de um jogador profissional como você. Tenho certeza de que o vestiário deve ser muito melhor do que o de Hogwarts. – Ela brincou com um sorriso inocente nos lábios, mas os olhos extremamente provocativos.
Wood se engasgou com a própria saliva, tossindo, e Krum passou a mão pela cintura de , a conduzindo enquanto andavam.
— Ah, Wood. – se virou por um instante, o mesmo sorriso casto ainda em seu rosto. – Você estava certo antes. Eu realmente prefiro os búlgaros.
E os dois saíram, Olívio agora completamente arrependido pela escolha da camisa, enquanto observava o casal descer as escadas do camarote.



*Abra Eileen Malfoy é a personagem principal da fanfic Chosen Blood, da autora G.K. Hawk. Abra é filha de Severo Snape com Kathrina Malfoy, irmã de Lúcio, e estudou em Durmstrang até ser transferida para Hogwarts. Você não precisa ler Chosen Blood para entender A Cobra e o Leão II, a participação de Abra aqui é apenas um mimo que as autoras acharam que seria interessante, embora eu recomende sempre a leitura dessa história incrível.



Continua...



Nota da autora: Sim, isso está acontecendo. Temos uma segunda parte de A Cobra e o Leão!
Olá, Marotos! Como estão? Essa fic é a prova viva de que, quando os leitores comentam pedindo desesperados por uma continuação de alguma história, os autores ouvem! Vocês gostam de uma safadeza, né?! HAHAHAHA
Eu gostaria de agradecer a toooooodo mundo que leu a primeira parte dessa história e gostou tanto a ponto de querer que ela continuasse. Obrigada! Essa continuação é para vocês e eu espero do fundo do meu coração que vocês gostem de ver um pouco mais da nossa cobrinha e do nosso leãozinho, agora fora de Hogwarts (mas nem tanto, rs). Um ENORME obrigado também para a artista & amiga & musa incrível por trás da arte da capa e aesthetic dessa fic (e da parte I também) e que me aguentou sendo um belo de um pé no saco, tanto com a história quanto com as artes. Clara, você é demais, eu nunca vou te agradecer o suficiente.
Bom, além e reencontrar a e o Wood, tivemos também uma participação muito especial nesse primeiro capítulo, não é mesmo? Sim, senhoras e senhores, Abra Malfoy! Essa ideia surgiu depois de um surto entre a G.K. Hawk e eu, onde imaginamos como seria se a e a Abra fossem amigas. Aguardem por mais algumas pequenas participações da garotinha Snape nessa história e também fiquem ligados nos próximos capítulos de Chosen Blood: The Veredict, a segunda parte de CB, pois sinto que a , e até mesmo o Wood, podem dar as caras por lá também.
É isso! Eu espero que vocês tenham FINALMENTE se sentido realizados sabendo um pouco do que rolou na tão falada Torre de Astronomia (e eu prometo que saberemos direitinho nos próximos capítulos) e que estejam curiosos para saber o que vai rolar entre os dois eternos capitães daqui para frente.
Não deixem de comentar, por favor! Um beijão! Com todo amor, Zurc <3
Malfeito, feito.






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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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