Última atualização: 15/04/2018

Prólogo

Há muitos e muitos anos existia uma flor, não uma qualquer, mas sim a flor mais poderosa que já tinha nascido naquelas terras. Seus poderes de cura eram extraordinários, mas ela não passava de uma lenda – para seus desacreditados, claro. Para nossa heroína, Thompson, ela existia e ela sabia disso. era filha de Atkins Thompson, um curandeiro que sabia todos os tipos de poções, truques e remédios, e ela aprendeu tudo que sabia com ele. Mas o que será que o destino tem preparado para nossa querida , ou melhor: A curandeira.
Os curandeiros do reino de Ártemis ganhavam uma tatuagem sob a pele em forma de flor de lótus, os homens aos 18 e as meninas aos 15. Thompson era uma jovem sonhadora e cheia de vida que almejava mais que tudo poder viver sem se esconder e ela não descansaria até ver seu sonho se realizar. Perdera sua mãe ainda muito pequena, mas isso não a impediu de manter sua memória viva dentro de seu coração, já que sua mãe havia escrito dezenas de cartas para ela ler em cada aniversário que fizesse, e seu pai, Atkins, também sempre falava de como sua mãe era linda, corajosa, esperta, de bom coração. não tinha nada, mas também tinha tudo que precisava.







Capítulo I

Do outro lado da floresta vivia a família real Linkins, a rainha Elvira, o rei Hunter e o pequeno . Hunter havia virado rei depois que seu irmão, Jeremy, foi assassinado misteriosamente. Os Linkins eram conhecidos a gerações como o tipo de família convencional que acreditam fielmente que apenas o “poder Divino”’ curava qualquer doença e seus descrentes mereciam a morte. Hunter ousaria dizer que ele é o enviado da força superior pra'quela maldita terra. Ele mandava e desmandava, dizia quando nascessem e quando morressem. E se tinha uma coisa que ele odiava mais do que qualquer coisa, essa coisa seriam os curandeiros. Atkins era o melhor do vilarejo e todos compravam suas fórmulas caseiras de poções e remédios, isso não agradava Hunter. Não mesmo. Ele jurou que um dia mataria Atkins e acabaria de vez com aquela palhaçada de “cura pela natureza”.

— Não encontramos nenhum rastro dele, senhor. – o segurança reverenciou-se ao homem sentado em seu trono com ouros grandes e cintilantes. – Ele simplesmente sumiu.
— Uma hora vocês o têm em mãos e na outra ele some?! – ele atirou uma taça em direção ao segurança que agora estava com o rosto molhado de vinho – Esse inútil tem que morrer! Eu quero a cabeça dele numa bandeja! – Hunter mais uma vez gritou fazendo os empregados se assustarem com seus gritos.
— Vamos fazer o possível. — Quero o impossível! Pode ir você e sua trupe de incompetentes atrás de informações sobre onde ele se esconde. Se voltarem sem algo que prestem, vão passar o resto das suas vidas presos. – o líder dos seguranças assentiu em silêncio e foi embora.

Hunter era um homem vingativo que não descansaria até ter Atkins em mãos. Ele não acreditava nessa bobeira toda que os pobres, ou como ele mesmo dizia, quando não havia ninguém perto, as “escórias da humanidade” acreditavam. Como uma planta qualquer iria fechar feridas de guerra, doenças gravíssimas, como? Hunter queria ver Atkins implorar pela sua vida. O curandeiro sabia que era perseguido pelos guardas do rei Hunter e por isso precisava se esconder, para se proteger e proteger a pequena . Quando Jeremy Linkins fora assassinado ele não esperava ter que sair de sua casa e se esconder na floresta por causa de Hunter. Havia acabado de perder a esposa, Elizabeth, e tinha muito pequena. A vida não estava sendo fácil para ele e ele sabia disso. já tinha por volta dos seus quatro anos de idade e era muito sabichona para alguém tão pequena. Atkins ensinava a pequena a ler e a escrever todos os dias e quando tinha certeza que não teria perigo para os dois, a levava para comprar seus vidros onde colocava o resultado de suas novas descobertas e as vendia num beco. Ganhava o suficiente pra não faltar comida em casa, às vezes comprava sementes de legumes e verduras e as plantava na pequena horta que tinha atrás da casa velha. A vida não era um mar de rosas, mas enquanto ele soubesse que tinha e vice versa, ele era feliz.

— Quantas moedas tem no saquinho, estrelinha? – o adulto sentou a garotinha na mesa de madeira, ele segurava um saquinho de pano escuro, o sacudindo.
— Um monte! – ela riu.
— Que bom, quer me ajudar a contar? – ele sorriu e a pequena assentiu animada começando a contagem das esferas ora prateadas, ora douradas. – Tá vendo? As amarelas valem mais que as cinzas. Hoje nós ganhamos cinquenta douradas e dez cinzas.
— Isso é bom, né, papai? – ele assentiu depositando um beijo no nariz da criança que soltou uma risadinha sapeca. – Eu posso ir lá fora?
— Pode, mas não vá muito longe. Já está ficando tarde. – a menina deu um pulo da mesa e correu até a parte da frente do casebre. não tinha luxos, mas ainda sim sabia se virar com o que tinha. Brincava de se pendurar em árvores, brincava de luta com espadas com gravetos que encontrava pelo chão onde ela era a grande heroína que salvava a todos.





Capítulo II

"Vida longa ao príncipe Linkins, viva!" Eram os gritos ouvidos a quem estivesse dentro do castelo comemorando os 18 anos de que agora era um rapaz alto, muito bonito, cabelos negros que caía pra fora de sua coroa, os olhos eram do pai igualmente castanhos e a pele branca como um copo de leite e os traços finos que davam a jovialidade que o menino transmitia. O príncipe andava pelo castelo falando com todos os convidados, sorrindo. Como lhe fora ensinado desde pequeno. às vezes se sentia sozinho por não ter tido irmãos e todos os seus amigos eram de reinos amigáveis, mas faltava algo. Sempre faltou. Ele continuou a incansável sessão de sorrisos e reverências com algumas pitadas de danças com algumas princesas. Esperou que uma quantidade certa de convidados se distraísse com algo que seu pai falava e foi até o jardim do castelo onde notou uma movimentação estranha vindo das alfazemas de sua mãe. O adolescente segurou em sua espada que ficava em sua cintura e andou cautelosamente até perto do monte de flores. se embrenhou por entre as flores torcendo que a mãe não o visse ali. Andou mais um pouco e notou um corpo escondido por uma capa vermelha de veludo de segunda mão cortando algumas das mesmas.

— O que está fazendo aí?! – ele bradou espetando sua espada ao cesto que agora continha algumas alfazemas fazendo aquele corpo se assustar e sair correndo. não perdeu tempo e correu atrás da pessoa misteriosa. Era rápido. Ou rápida. O príncipe continuou correndo até que notou que acelerou seu passo e puxou o indivíduo pelas pernas, o fazendo cair de costas pra ele.
— Diga seu nome ou serei obrigado a usar a violência.
. Meu nome é . – então a pessoa misteriosa virou em direção ao rapaz. — Eu só peguei alguns ramos de alfazema. Ninguém vai notar.
— Como entrou aqui? – ele disse guardando a espada na cintura e ajudando a menina a levantar lhe oferecendo a mão. Sentiu um arrepio passar por todo seu corpo quando tocou na mão da garota. tinha 15 anos e era linda. Tinha os cabelos ondulados caídos nas costas, traços delicados e bem marcados, que faziam seu rosto parecer uma obra de arte, tinha os olhos azuis com o mais puro oceano. E sua pele tinha a quantidade exata de melanina para deixá-la ainda mais linda.
— Esperei os guardas se distraírem e entrei junto com uma comitiva. Não vai contar pra ninguém, né? – ele negou a deixando aliviada.
— Tome cuidado da próxima vez, pode ser um guarda ou até o rei. – ele disse olhando por cima dos ombros e ainda viu a silhueta de Hunter falando qualquer coisa. – Pra que precisa de alfazemas?
— Alfazemas são ótimas. Eu peguei algumas para usar na pele, como remédio para dores de cabeça, para tomar chá. – ela deu ombros como se aquilo fosse óbvio. – Qual o seu nome?
, ao seu dispor. – ele reverenciou-se e ela retribuiu o cumprimentando com o vestido.
— Eu tenho que ir. – ela disse apressada. - A gente se vê por aí.
— Espero que sim. – ele sorriu dando um beijo na mão da jovem que saiu depressa alcançando a comitiva e se enfiando por entre eles.

já estava voltando para sua festa quando notou que havia deixado cair um dos seus brincos. Guardou o objeto dentro da bainha da espada e seguiu até o salão principal. Ele não sabia dizer, mas aquela noite iria mudar sua vida.



Capítulo III

Alguns dias depois...

não conseguia tirar a misteriosa garota da cabeça, era a primeira vez que alguém mexia assim com ele. A única pista dela era um de seus brincos que havia caído quando ele a assustou. Precisava reencontrar a menina que tinha tirado sua paz. Levantou-se depressa e foi até seu armário se trocar. Iria procurar pela garota dos brincos.

— Aonde você vai? – foi surpreendido pelo pai que estava indo ao seu encontro.
— Vou passear pelo reino.
— Preciso que fique. Agora que tem dezoito anos, terá novas responsabilidades. E uma delas vai ser ir para as batalhas do reino.
— Batalhas? Disse que eu só iria com vinte e um.
— Acharam pistas daquele curandeiro que eu espero pegar. Você vai ajudar a encontrá-lo. – tentou protestar mas foi impedido pelo pai que continuou a falar. – Eles mataram seu tio, Jeremy. Sabia?
— O quê? Meu tio foi assassinado por eles? – O menino nunca soube o motivo da morte de seu tio, que até então, era o rei de Ártemis. – Eu vou atrás deles, pai. Nós vamos vingar a morte dele.


Xx


Hoje seria um dia muito importante para , dentro de sua cultura, ter quinze anos significa que você já é uma mulher e poderia usar de seu saber curandeiro para trabalhar, e como era mulher poderia até se casar*, caso assim desejasse.
Havia viajado com o pai até Prudence, onde morava uma quantidade maior de curandeiros. Para um dia tão especial, usou um vestido usado feito por sua mãe quando a mesma fizera quinze anos. O vestido era sem mangas, com uma saia longa e um cinto acompanhando a cor da saia. O local do ritual seria ao ar livre, com fogueira e música. Quando chegou ao local e se deparou com seu pai e seu povo, deixou seus olhos encherem de água ao lembrar que estava no mesmo lugar e usando a mesma vestimenta de sua mãe. Ao sentar na cadeira improvisada de madeira, viu o chefe dos curandeiros chegar com agulhas e tintas para seu ritual. A jovem esticou o braço esquerdo sobre a mesa também de madeira e sentiu a tinta manchando seu braço em formato de uma flor de lótus que tem como significado de pureza espiritual. sentiu as dores da agulha perfurando sua pele logo depois. Agora era oficialmente uma curandeira.

— Agora você é uma adulta, . E eu não poderia ser mais grato por te ver crescer, minha filha.
— Obrigada, pai. Eu juro que vou honrar você, a mamãe e o nosso povo.
Xx




Capítulo IV

despertou cedo naquele dia e foi direto para a academia dos soldados. O príncipe já era familiarizado com aquele lugar. Ao perceberem a chegada do príncipe os soldados se curvaram diante do jovem que acenou com a cabeça para que levantassem.

— Creio que sabem o motivo pelo o que eu estou aqui. – O jovem começou olhando de forma firme ao instrutor que agora estava ao seu enlace.
— Sabemos, majestade. O rei mandou treinar você para as batalhas e para a caça do tal curandeiro.
— Quero começar esse treinamento agora. – pegou montante que repousava na bainha e se colocou no lugar marcado no chão.
— Pronto?
— Pronto.

Eles se cumprimentaram. Toda arena parou para olhar a cena onde o príncipe começaria uma luta com o instrutor mais experiente do reino. Com suas armas em forma de X eles travaram uma luta. podia ser novo, mas já vira muitas batalhas daquela em treinamentos e sabia exatamente o que fazer. Ele deu o primeiro passo conforme sua espada avançava junto a ele, o barulho do ferro contra ferro ecoando pela arena. O instrutor recuou por alguns instantes, mas logo recuperou a guarda e golpeou a espada de , que se viu obrigado a travar o movimento de seu adversário. girou os ombros, sua espada passando por cima da oposta e atingindo-a na outra lateral com força, enquanto o instrutor girava sobre seus pés e aplicava um golpe por cima de , que acabou caindo para trás aos tropeços. Rapidamente, levantou-se e ajeitou a arma de ferro em suas mãos, protegendo-se de outro golpe frontal que quase lhe pegara desprevenido. Levantou-se com a agilidade de um gato avançando contra seu adversário e o desarmando com um golpe certeiro fazendo com que a espada caísse a metros de distância.

— Surpreendente, majestade. - o instrutor estendeu sua mão para um aperto.
— Foi uma boa luta, com certeza. – o jovem limpou o suor da testa e enquanto recuperava o fôlego. - Se me derem licença, eu vou me refrescar no lago.

tirou a armadura e seguiu para o estábulo onde encontrou Brutus, seu cavalo de puro sangue que ganhou quando era criança, pegou sua sela pendurada no canto da parede e começou a arrumar o cavalo. Levou-o para se alimentar e beber água, assim que o equino saciou suas necessidades, os dois partiram em direção ao lago.

Xx


havia ficado o dia todo fora com seu pai vendendo seus vidros de essências de alfazema, essas que arrancou do palácio do rei que lhe causou problemas com seu pai durante alguns dias. As pessoas estavam fazendo fila para conseguir um frasco da essência, ouviram-se boatos que haviam feito briga na rua por causa delas. não podia não sorrir com aquilo, eram raras as vezes em que seu pai podia vender na cidade sem ser condenado por sua crença. Pouco depois da hora do almoço eles já estavam voltando para casa felizes e satisfeitos com seu dia de trabalho, se deram até ao luxo de comprar uma garrafa de vinho, mesmo sendo menor de idade, bebericava uma taça de vinho, sob supervisão de seu pai. Depois de comemorarem, caminhou até o lago e ficou ouvindo o barulho da água e o quanto aquilo a acalmava. Percebendo que estava sozinha, tirou suas vestes e entrou na água doce para um banho. A jovem conhecia aquele lago como ninguém, então ela podia nadar para as partes mais fundas e voltar como uma profissional. Logo ela ouviu uma voz masculina conversando e tinha duas escolhas. Ou sairia correndo ou se escondia entre as pedras. Optou pela segunda opção e viu quando chegou um jovem e seu cavalo, o jovem desceu do seu equino e também despiu-se entrando no lago. A garota pensou por uns bons minutos no quer fazer para não ser vista, então por impulso levantou-se o mais depressa possível e vestiu seu vestido de qualquer jeito quando foi interrompida por uma voz que lhe era familiar.

— Ei, eu acho que conheço você. – O menino anunciou quando viu que a garota tentou fugir.
— Ah, eu...Também acho que conheço você. – ela sorriu sem jeito – Você me acertou com uma espada enquanto eu tentava pegar as alfazemas do palácio.
— Nossa, é mesmo! Me desculpe. – ele coçou a nuca sem graça – Espero não ter machucado você, foi reflexo.
— Tudo bem, não precisa se preocupar. Bom, se me der licença, eu vou andando.
— Espera. Por que a gente não para pra conversar um pouco? Depois eu te dou uma carona. Eu não me lembro do seu nome, desculpe.
. Meu nome é .
— É lindo. Por favor, senta aqui. – o garoto estendeu sua capa no chão e eles sentaram-se um do lado do outro. No começo os dois adolescentes ficaram em silêncio olhando as águas do rio dançarem até que o príncipe, até então em segredo resolveu se pronunciar. - Onde você mora por aqui?
— Hm, num casebre. – ela pigarreou, mentindo. – E você?
— Perto do castelo. Meu pai é ferreiro.
— Hm, legal. Eu não sei mexer com espadas, mas queria aprender. Sabe como é, né.
— Posso te ensinar, se quiser.
— Não, imagina. Você deve ajudar seu pai, não quero incomodar.
— Não é incomodo. Eu arrumo uma espada pra você e a gente começa a treinar.
— Então combinado. Amanhã? – a menina perguntou empolgada.
— Amanhã. — Bom, pode me levar? Está ficando tarde.

O garoto levantou-se e a ajudou a levantar em seguida, colocou a capa sobre si e montou no cavalo, a ajudando novamente a montar-se sobre o animal e abraçar sua cintura. foi o mais devagar que ele conseguia para poder ganhar tempo de conversar com a menina afim de descobrir mais sobre ela. Quando chegaram até sua casa, ele novamente a ajudou a descer e ficou esperando até que ela entrasse para poder voltar ao castelo.

Xx


Alguns meses depois...

, pelo amor de Deus, assim você vai arrancar a minha orelha!
—Você me assustou!
—Vamos de novo. Você está ficando boa, mas precisa de mais concentração. Preparada? – a menina assentiu e ele sorriu.

O jovem empunhou sua espada e sorriu para a garota. A garota choramingou alguma coisa e também empunhou a espada que segurava e eles começaram a pôr suas espadas para dançarem, a garota ainda tinha dificuldades para ser precisa em alguns movimentos, mas estava no caminho certo para aprender. O barulho que as lâminas faziam a cada encontro entre si a deixava orgulhosa, pois ela sabia que estava conseguindo dominar a arma a cada dia. Hora ou outra, a menina deixava o garoto abrir vantagem, mas logo em seguida voltava a comandar como seria aquela luta, e foi num golpe rápido que ela conseguiu arrancar tanto a espada da mão de , como abriu uma linha vermelha de sangue do braço do rapaz.

, me desculpa! Foi totalmente sem querer, eu não percebi! – a menina correu até ele examinando o tamanho do corte. – Eu vou fazer um curativo aí, tudo bem?
, não me machucou, é sério. Eu já me acostumei lá no treinamento. É só lavar que melhora.
— Não! Eu vou fazer um curativo. – ela disse pegando um pedaço do tecido de seu vestido e o rasgando. – Vamos lavar isso e estancar o sangue, eu acho que vi um pé de guaco aqui, eu vou buscar umas folhas e vamos usar como pomada já que está ferido. Tira sua camisa para eu poder ver o ferimento melhor.
— Só quer ver o ferimento melhor? Sei. – ele caçoou da menina ganhando um beliscão da mesma na barriga. – Ai! Só tô brincando, irritadinha.

A garota prendeu um riso e foi pegar o cantil de água do rapaz, lavou o ferimento e usando a tampa do cantil amassou as folhas de guaco e as misturou no azeite que havia começado a levar com ela desde quando começaram a treinar, molhou o pano na mesma mistura e passou devagar no braço do rapaz que sem ela perceber a olhava como nunca havia olhado para nenhuma garota rica que ele conhecia. Ela era delicada, não ligava para vestidos, ou festas, ou o quão importante seria casar logo. não podia contar agora que era o príncipe, era a primeira vez que elr tinha uma amizade onde ninguém o tratava como um bibelô por ele ser nobre, ela o tratava como um amigo e ele estava feliz assim.

— Pronto. Vai ficar bom rapidinho. – ela sorriu.
— Como sabia que aquela planta ia ajudar?
— Hm, minha mãe adorava cuidar de plantas, sabe? Então ela me ensinava quando podia.
— Entendi. Vamos para casa? – ela concordou e os dois fizeram novamente um caminho que agora não precisava mais perguntar para onde ficava, ele já havia decorado. – Boa noite, . – ele virou a cabeça para trás se despedindo da menina.
—Boa noite, . – ela disse dando um beijo estalado na bochecha do rapaz antes de saltar do cavalo, o pegando de surpresa.
— Espera. – ele disse descendo do cavalo e beijando os lábios de .

O choque da boca do na sua com certeza deixou surpresa. Ela ficou alguns segundos parada processando o que estava acontecendo antes de fechar os olhos e colocar suas mãos nas bochechas do rapaz enquanto ele abraçava sua cintura e a puxava para perto de maneira delicada. desprendeu seus lábios dos de e passou seu nariz na bochecha da garota que a fez rir em seu rosto, fazendo o mesmo sorrir tímido. Eles encostaram a testa um no outro e ficaram se encarando tendo a certeza que alguma coisa tinha mudado entre eles.

— Eu sou apaixonado por você.
— Então eu acho que é recíproco.

O nobre deu um último selinho na garota e montou de volta no seu animal cavalgando de volta ao castelo. Pediu para o cocheiro guardar o cavalo e seguiu diretamente até seu quarto, enchendo a tina com água limpa, desfazendo o curativo que havia feito e entrando na mesma após se despir. Tomou banho por uns vinte minutos, colocou uma roupa limpa e desceu para o salão principal onde encontrou seus pais cercando por seguranças que respiraram aliviados quando o viram entrar.

— Onde você se meteu, ?! – gritou Hunter, nervoso. – Sua mãe estava desesperada achando que estava machucado por aí!
— Eu estava no lago, sinto muito se eu os deixei preocupados. – ele disse tomando sua mãe nos braços e a aninhando. – Desculpa, mãe.
— Você está com o braço sangrando! Quem fez isso? – Elvira se preocupou alisando o rosto do filho.
— Eu raspei em algum galho, vou pedir para me fazerem um curativo, não foi nada. Eu ando treinando sozinho no lago, sabe? Para poder ter mais concentração. Quero ficar em forma para poder ir às batalhas com o senhor. – O rei olhou desconfiado, mas deixou passar, seu filho não mentiria. Não é?
— Você vai a uma expedição para procurar minério para termos ferro e, obviamente, mais armas. Esteja em pé assim que o Sol nascer. Entendido? – o garoto assentiu.
— Vamos jantar agora, hm? – Elvira olhou para o filho e sorriu. – Aposto que está com fome. – ela enlaçou os braços no do filho e o levou até a sala de jantar onde sempre era servindo-lhes um banquete, com todo tipo de comida e vinho. Quando se sentaram os empregados começaram a servi-lhes e o rei logo tratou de começar uma conversa.
, você precisa achar logo uma noiva. Logo vai assumir o reino e precisa estar casado, vai ter responsabilidades e precisa de uma mulher do seu lado. Temos muitos amigos que tem filhas, podemos juntar reinos e ficar mais fortes.
— Eu não quero me casar agora, pai. Acho que deveria me concentrar em achar o tal curandeiro e colocar as coisas em ordem aqui antes de pensar em compromissos mais sérios. E, também, quem sabe até lá, eu não conheça alguém que eu ame e me case.
— Casar por amor? – O rei deixou escapar uma risada. – Amor se constrói, . Não seja tolo.
— Talvez ele encontre alguém que ame para se casar, Hunter. Ele pode se casar apaixonado diferente de nós dois. Não pode impedir nosso filho de tentar. – a mãe de disse encarando o filho. – Vou te apoiar em qualquer decisão, querido.
— Elvira, não coloque coisas na cabeça de seu filho que ele não vai alcançar. Em nosso meio não existe amor. Existem negócios.
— Então eu fui um negócio? – a mulher disse pacificamente. O rei concordou. – Muito obrigada, então. Com licença, eu perdi meu apetite. – Elvira empurrou a cadeira para trás e saiu marchando para fora da sala.
— Você deveria tratar melhor a mamãe, pai. Como você mesmo disse, precisa de uma rainha do seu lado. Não contra você.
— Sua mãe vive com esses ataques, ela sabia disso quando se casou comigo, ela que lide com isso e me ajude quando eu precisar. – o rei disse com desdém e enfiou uma garfada de comida na boca.
— Por isso que eu vou me casar com alguém que eu ame, para não precisar tratar ela como o senhor trata a mamãe. – o garoto jogou o guardanapo de qualquer jeito na mesa e foi atrás de sua mãe.

Enquanto isso dentro da floresta havia uma apaixonada que não conseguia parar de sorrir sozinha do lado de fora de casa. Ela finalmente tinha sido beijada pelo garoto que vinha roubando seu sono. Ela entrou em casa completamente aérea com o que tinha em sua volta, ele estava apaixonado por ela. A menina foi para seu quarto e se jogou na cama olhando para o teto e sorriu.
Xx


, que saudades! – o garoto abraçou a menina escondendo o rosto na curva de seu pescoço, sentindo seu perfume leve e fresco – Sempre as alfazemas, né?
— Eu também senti sua falta. Onde você foi? Você sumiu. Fiquei preocupada com você. Ouvi que o rei tinha mandado os jovens irem a uma expedição, como foi?
— Foi bem. Encontramos o minério e mandamos para o ferreiro. – ele pegou a mão da garota e eles seguiram até o rio onde sentaram lado a lado, no qual pode descansar o corpo no peito do mesmo. – E você? Você está bem?
— Sim. – ela sorriu.
— Que bom. – ele retribuiu o sorriso dando um beijo calmo nos lábios de .

A plebeia correspondeu outra vez ao beijo que recebera de enquanto ele a segurava pela cintura com uma das mãos e a outra segurando seu pescoço. Ele sentiu os braços da garota abraçarem seu pescoço e a puxou para mais perto dele sentindo sua respiração bater no seu rosto. Ele partiu o beijo e encarou a garota na sua frente. Ele não sabia como alguém conseguira conquistar seu coração como ela fazia. Ele sabia que se quisesse ficar com ela, ele teria problemas com seu pai. Ele rico, ela pobre, tudo que seu pai não queria para ele.

, a gente tem que conversar. – ele começou – Eu tenho escondido uma coisa de você que eu não deveria. Mas eu não contei antes por medo. Meu nome é . Herdeiro do trono e não o filho do ferreiro como eu te contei. O ferreiro é meu amigo, ele disse que me ajudaria a sustentar a mentira se um dia você o encontrasse ou perguntasse por mim.
— Vo-você é filho do rei? Do homem que mandou matar todos os curandeiros da região por acharem que eles são hereges? Como pode mentir pra mim?! – ela levantou-se rapidamente saindo dos braços do garoto. – Nunca mais fale comigo, . Nunca mais!



Capítulo V

Meses se passaram e e não se encontraram mais como de costume. A menina agora trabalhava o dobro que o normal para manter sua mente longe daquele sorriso lindo que aquecia seu coração. Havia contado para o pai sobre seu envolvimento com o príncipe e ele a entendeu como um pai faria, e ouviu seu choro durante várias noites seguidas até ela se conformar que não poderia viver daquele jeito. Por de trás de montanhas e árvores tinha um jovem que não entendia porque a garota que ele amava o desprezou daquela forma. Ele precisava saber o motivo dela ter o abandonado. Ele sabia que havia errado em mentir, mas ele queria se proteger, e proteger . Ele sabia que uma vez que eles descobrissem que ele namorava uma plebeia, eles nunca mais a deixaram em paz.

— Posso saber o que tira atenção do meu menino? – Elvira sentou-se do lado de em sua cama. – É a tal garota? O que houve?
— Ela me odeia por causa do papai. Pelas coisas que ele propaga sobre o Curandeirismo.
— Bom, seu pai é contra, mas eu não. Acho que devíamos deixar as pessoas serem o que quiserem, faz parte de ser um rei respeitar o povo. Eles não foram os culpados pela morte de seu tio, querido. Não deixa seu pai envenenar você com seus delírios. — Como não, mãe?! Assim que meu tio morreu, eles também sumiram! Óbvio que foram eles que mataram meu tio, e com medo de retaliação, foram embora! E, agora por culpa deles outra vez, eu perdi a !
— O corpo dele nunca foi encontrado, e se ele sobreviveu, hm?
— Ah, mãe não vem com essa. – ele bufou. – Preciso falar com a . Mas ela não vai querer falar comigo. – ele murmurou derrotado.
— Talvez ela esteja esperando você. Vá atrás dela. – ela deu um beijo na têmpora do filho e o deixou sozinho pensando.

Xx


O mundo pode ser um lugar muito injusto, mais injusto ainda para quem se ama. No caso de e , havia o abismo de culturas separando os dois. No lado dele, o pai que não aceita a fé da menina. No lado dela, o medo de ser julgada ou morta pelo pai de seu amado. Ela não entendia porque precisava ser tão difícil. passava os dias na beira do lago esperando que o voltasse, a apertasse nos braços e falasse que não importava quem eles eram, eles iam passar por isso juntos.

. – ela reconheceria essa voz em qualquer lugar que ela fosse.
. Oi. – ela sorriu e correu até o garoto, o abraçando apertado e afundando o rosto na curva do seu pescoço. – Me desculpa, . Me desculpa ter falado aquelas coisas pra você....É que você não entende. Eu... Eu... Eu sou uma deles, . Eu também sou uma curandeira.
— Que brincadeira mais boba é essa? – ele empurrou a menina de leve – Como você é um deles? Esses assassinos mataram o meu tio!
— Nós nunca matamos ninguém, ! Nós salvamos as pessoas, como vamos matar quem nos apoiava?! Todos os curandeiros mais velhos falavam de como seu tio nos deixava andar pela cidade sem medo de morrer e depois que ele, supostamente, morreu, nós fomos banidos pelo seu pai!
— Como eu não notei quem você era de verdade? – ele olhava a menina de um jeito que ela nunca pensou que ele olharia. Era uma mistura de raiva com desprezo – Você sabia de coisas demais para não ser uma deles!
— É. É verdade. Eu sou uma deles! Só porque eu não compartilho da mesma fé que você, não significa que seja melhor que eu. Ou vice-versa. Que bom que eu percebi quem era você. Você é igual ao seu pai. – ela pegou sua capa que estava perto da beira do rio e rumou para longe do garoto com seu coração despedaçado.

xx


”Você é igual ao seu pai” Foram as sentenças que ecoaram na cabeça de todo o trajeto de volta até o castelo. Ele não era igual ao pai, mas não podia continuar envolvido com alguém como . Eram muitos diferentes um do outro e isso nunca funcionaria entre eles. Quando chegou ao castelo, entregou seu cavalo ao cocheiro e seguiu diretamente até o quarto, pedindo para não ser interrompido por ninguém. Precisava pensar se ele abandonaria o amor da sua vida ou se abandonava sua família. Seus pensamentos foram interrompidos quando o menino ouviu batidas insistentes em sua porta.

— Disse que não queria ser interrompido por ninguém! – ele esbravejou.
— É sua mãe, ! Abra essa porta imediatamente! – ele bufou e destrancou a porta. – Por Deus, que cara é essa?
— Lembra da menina que comentei mais cedo? – ele disse fechando a porta. – Ela é uma deles, mãe. Ela é uma curandeira.
— Como assim, ? Você mesmo disse que seu pai lhe contou que todos eles fugiram quando o Jeremy desapareceu.
— O pai da não. Ele conseguiu fugir e se esconder aqui, pelo o que parece. E agora eu não sei o que fazer, mãe. Eu a amo tanto. E ela mentiu pra mim, ela não me contou que era uma curandeira!

Nessa hora ouviu um estrondo abrir sua porta e lá estava seu pai furioso indo em sua direção.

— Você estava envolvido com uma curandeira e não me contou?! – ele gritou ao bater com as costas da mão no rosto do garoto. – Quer ser deserdado, moleque?!
— Hunter, pare já com isso! – Elvira disse se metendo entre o filho e o marido – Se bater novamente no meu filho, eu juro por Deus que você vai ver um lado meu que nunca conheceu! Eu já estou farta de você!
—Me leve até eles. Agora. – ele disse encarando o garoto que o olhava assustado com as mãos até o rosto. – Vá aprontar seu cavalo , eu exijo que me leve até eles!


Capítulo VI

O ambiente dentro do quarto do jovem era hostil. Hunter tinha os olhos queimando de raiva. O fato de conseguir colocar as mãos em algum curandeiro, em sua mente, era algo inexplicável. Ele usaria qualquer meio que ele pudesse para tal ato. Inclusive seu próprio filho.

— Não me ouviu, garotinho insolente? – o rei levantou a mão mais uma vez querendo acertar o rosto do rapaz quando o mesmo sentiu as mãos da esposa irem de encontro ao seu rosto. – Está louca, mulher?! Quer que eu acabe com você aqui mesmo?
— Se tocar em meu filho ou em mim, vai se arrepender do dia em que nasceu, Hunter! Você nunca mais vai encostar no , entendeu? Eu não vou mais aceitar me rebaixar por causa dos seus caprichos.
— Tudo bem, mãe. – Eu te levo até eles se prometer que nunca mais vai destratar minha mãe, ou algo do tipo, com qualquer pessoa. E, por favor, por favor, não machuca a .
? Então esse é o nome da garota? É o que nós vamos ver.

Xx


estava colhendo os lírios que ela e seu pai vinham plantando há algum tempo. A coisa que mais gostava de fazer era mexer com plantas e flores. E era realmente boa nisso. A menina já havia se esquecido da briga com , focava somente nela e em seu pai. Depois que colheu os lírios, os colocou numa cesta limpa e caminhou calmamente até sua casa. Quando estava chegando mais perto de seu destino, a jovem avistou o príncipe com uma feição triste indo ao seu encontro.

, mas o que você está...- segurou seu rosto e beijou-lhe com todo amor que ele podia transmitir. Mas ele sabia que aquele beijo tinha culpa, sofrimento. – , o que está acontecendo? Por que você está aqui?
, eu te amo. Me perdoa, por favor. Me perdoa.- ele ajoelhou-se diante da menina, abraçando suas pernas. – Eu imploro por todos os Santos, todos os Deuses, por quem você quiser que eu jure, mas me diz que me perdoa. – os olhos do menino estavam embaçados pelas lágrimas que tomavam conta do seu rosto.
, se não me falar o que houve, como eu vou te perdoar? Aliás, como eu poderia ter raiva de você, meu amor? – ela ajoelhou de frente para o menino secando suas lágrimas. – Eu te amo. – ela sorriu.
— Meu pai está vindo pra cá com a guarda real atrás de você. Ele descobriu sobre nós dois e me obrigou a vir até aqui... - a garota levantou de supetão, ignorando o rapaz e seguiu correndo o máximo que suas pernas podiam aguentar até que parou quando viu sua casa pegando fogo e nenhum rastro do seu pai.
— O que foi que você fez com ele, ?! – batia no peito do rapaz desesperada. – Você acabou com a minha vida! Achei que tinha voltado atrás em tudo o que disse, que você me amasse, eu....Você me usou pra raptarem o meu pai, como pode?
— Ora, ora, ora, então nós temos outra dele por aqui. Bom trabalho filho. Vai ser muito bem recompensado quando eu acabar com esses dois. Se continuar assim, vai ser um rei tão bom quanto eu. – ouvia tudo isso de cabeça baixa, não iria conseguir encarar e muito menos, sendo levada amarrada pelas mãos por um dos guardas. Ele entregou o amor da sua vida nas mãos de seu pai, e Deus sabe-se lá se ela iria continuar viva.

Xx


— Povo de Ártemis, eu, rei Hunter, declaro que oficialmente nosso reino está limpo de curandeiros. Graças ao meu filho, , nós pegamos esses boçais e os prendemos em nossa masmorra. Por favor, daremos uma festa aberta ao povo regada de vinho e comida. – Hunter saiu vitorioso de sua sacada.
— Fiz minha parte do nosso acordo, agora me prometa que não vai machucar a , pai.
— Eu não me lembro de ter apertado sua mão, . Acho que tive algum lapso devido à euforia do momento. – ele sorriu em escárnio.
— Você vai pagar muito caro pelo o que está fazendo, pai, tudo que vai, volta. – o garoto disse saindo marchando para dentro da masmorra.

xx


desceu até a masmorra onde encontrou uma cuidando do pai que ainda estava desacordado. Ele ficou observando a menina cuidar do mais velho e respirou fundo sabendo que parte daquilo era sua culpa. Ele tinha traído e tudo o que viveram.

— O que tá fazendo aqui, majestade? Veio tripudiar em cima de mim e do meu pai? – ela disse com o ar cansado.
—Não. Eu vim tirar vocês daqui. Eu te prometo que vou fazer a gente valer a pena.





Continua...




Nota da autora: Sem nota.



Nota da beta: Céus, o rei causou a fúria no príncipe e isso, definitivamente, será um problema! ;/

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.




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