Última atualização: 21/01/2017

Prólogo

Há muitos e muitos anos existia uma flor, não uma qualquer, mas sim a flor mais poderosa que já tinha nascido naquelas terras. Seus poderes de cura eram extraordinários, mas ela não passava de uma lenda – para seus desacreditados, claro. Para nossa heroína, Thompson, ela existia e ela sabia disso. era filha de Atkins Thompson, um curandeiro que sabia todos os tipos de poções, truques e remédios, e ela aprendeu tudo que sabia com ele. Mas o que será que o destino tem preparado para nossa querida , ou melhor: A curandeira.
Os curandeiros do reino de Ártemis ganhavam uma tatuagem sob a pele em forma de flor de lótus, os homens aos 18 e as meninas aos 15. Thompson era uma jovem sonhadora e cheia de vida que almejava mais que tudo poder viver sem se esconder e ela não descansaria até ver seu sonho se realizar. Perdera sua mãe ainda muito pequena, mas isso não a impediu de manter sua memória viva dentro de seu coração, já que sua mãe havia escrito dezenas de cartas para ela ler em cada aniversário que fizesse, e seu pai, Atkins, também sempre falava de como sua mãe era linda, corajosa, esperta, de bom coração. não tinha nada, mas também tinha tudo que precisava.







Capítulo I

Do outro lado da floresta vivia a família real Linkins, a rainha Elvira, o rei Hunter e o pequeno . Hunter havia virado rei depois que seu irmão, Jeremy, foi assassinado misteriosamente. Os Linkins eram conhecidos a gerações como o tipo de família convencional que acreditam fielmente que apenas o “poder Divino”’ curava qualquer doença e seus descrentes mereciam a morte. Hunter ousaria dizer que ele é o enviado da força superior pra'quela maldita terra. Ele mandava e desmandava, dizia quando nascessem e quando morressem. E se tinha uma coisa que ele odiava mais do que qualquer coisa, essa coisa seriam os curandeiros. Atkins era o melhor do vilarejo e todos compravam suas fórmulas caseiras de poções e remédios, isso não agradava Hunter. Não mesmo. Ele jurou que um dia mataria Atkins e acabaria de vez com aquela palhaçada de “cura pela natureza”.

— Não encontramos nenhum rastro dele, senhor. – o segurança reverenciou-se ao homem sentado em seu trono com ouros grandes e cintilantes. – Ele simplesmente sumiu.
— Uma hora vocês o têm em mãos e na outra ele some?! – ele atirou uma taça em direção ao segurança que agora estava com o rosto molhado de vinho – Esse inútil tem que morrer! Eu quero a cabeça dele numa bandeja! – Hunter mais uma vez gritou fazendo os empregados se assustarem com seus gritos.
— Vamos fazer o possível. — Quero o impossível! Pode ir você e sua trupe de incompetentes atrás de informações sobre onde ele se esconde. Se voltarem sem algo que prestem, vão passar o resto das suas vidas presos. – o líder dos seguranças assentiu em silêncio e foi embora.

Hunter era um homem vingativo que não descansaria até ter Atkins em mãos. Ele não acreditava nessa bobeira toda que os pobres, ou como ele mesmo dizia, quando não havia ninguém perto, as “escórias da humanidade” acreditavam. Como uma planta qualquer iria fechar feridas de guerra, doenças gravíssimas, como? Hunter queria ver Atkins implorar pela sua vida. O curandeiro sabia que era perseguido pelos guardas do rei Hunter e por isso precisava se esconder, para se proteger e proteger a pequena . Quando Jeremy Linkins fora assassinado ele não esperava ter que sair de sua casa e se esconder na floresta por causa de Hunter. Havia acabado de perder a esposa, Elizabeth, e tinha muito pequena. A vida não estava sendo fácil para ele e ele sabia disso. já tinha por volta dos seus quatro anos de idade e era muito sabichona para alguém tão pequena. Atkins ensinava a pequena a ler e a escrever todos os dias e quando tinha certeza que não teria perigo para os dois, a levava para comprar seus vidros onde colocava o resultado de suas novas descobertas e as vendia num beco. Ganhava o suficiente pra não faltar comida em casa, às vezes comprava sementes de legumes e verduras e as plantava na pequena horta que tinha atrás da casa velha. A vida não era um mar de rosas, mas enquanto ele soubesse que tinha e vice versa, ele era feliz.

— Quantas moedas tem no saquinho, estrelinha? – o adulto sentou a garotinha na mesa de madeira, ele segurava um saquinho de pano escuro, o sacudindo.
— Um monte! – ela riu.
— Que bom, quer me ajudar a contar? – ele sorriu e a pequena assentiu animada começando a contagem das esferas ora prateadas, ora douradas. – Tá vendo? As amarelas valem mais que as cinzas. Hoje nós ganhamos cinquenta douradas e dez cinzas.
— Isso é bom, né, papai? – ele assentiu depositando um beijo no nariz da criança que soltou uma risadinha sapeca. – Eu posso ir lá fora?
— Pode, mas não vá muito longe. Já está ficando tarde. – a menina deu um pulo da mesa e correu até a parte da frente do casebre. não tinha luxos, mas ainda sim sabia se virar com o que tinha. Brincava de se pendurar em árvores, brincava de luta com espadas com gravetos que encontrava pelo chão onde ela era a grande heroína que salvava a todos.





Capítulo II

"Vida longa ao príncipe Linkins, viva!" Eram os gritos ouvidos a quem estivesse dentro do castelo comemorando os 18 anos de que agora era um rapaz alto, muito bonito, cabelos negros que caía pra fora de sua coroa, os olhos eram do pai igualmente castanhos e a pele branca como um copo de leite e os traços finos que davam a jovialidade que o menino transmitia. O príncipe andava pelo castelo falando com todos os convidados, sorrindo. Como lhe fora ensinado desde pequeno. às vezes se sentia sozinho por não ter tido irmãos e todos os seus amigos eram de reinos amigáveis, mas faltava algo. Sempre faltou. Ele continuou a incansável sessão de sorrisos e reverências com algumas pitadas de danças com algumas princesas. Esperou que uma quantidade certa de convidados se distraísse com algo que seu pai falava e foi até o jardim do castelo onde notou uma movimentação estranha vindo das alfazemas de sua mãe. O adolescente segurou em sua espada que ficava em sua cintura e andou cautelosamente até perto do monte de flores. se embrenhou por entre as flores torcendo que a mãe não o visse ali. Andou mais um pouco e notou um corpo escondido por uma capa vermelha de veludo de segunda mão cortando algumas das mesmas.

— O que está fazendo aí?! – ele bradou espetando sua espada ao cesto que agora continha algumas alfazemas fazendo aquele corpo se assustar e sair correndo. não perdeu tempo e correu atrás da pessoa misteriosa. Era rápido. Ou rápida. O príncipe continuou correndo até que notou que acelerou seu passo e puxou o indivíduo pelas pernas, o fazendo cair de costas pra ele.
— Diga seu nome ou serei obrigado a usar a violência.
. Meu nome é . – então a pessoa misteriosa virou em direção ao rapaz. — Eu só peguei alguns ramos de alfazema. Ninguém vai notar.
— Como entrou aqui? – ele disse guardando a espada na cintura e ajudando a menina a levantar lhe oferecendo a mão. Sentiu um arrepio passar por todo seu corpo quando tocou na mão da garota. tinha 15 anos e era linda. Tinha os cabelos ondulados caídos nas costas, traços delicados e bem marcados, que faziam seu rosto parecer uma obra de arte, tinha os olhos azuis com o mais puro oceano. E sua pele tinha a quantidade exata de melanina para deixá-la ainda mais linda.
— Esperei os guardas se distraírem e entrei junto com uma comitiva. Não vai contar pra ninguém, né? – ele negou a deixando aliviada.
— Tome cuidado da próxima vez, pode ser um guarda ou até o rei. – ele disse olhando por cima dos ombros e ainda viu a silhueta de Hunter falando qualquer coisa. – Pra que precisa de alfazemas?
— Alfazemas são ótimas. Eu peguei algumas para usar na pele, como remédio para dores de cabeça, para tomar chá. – ela deu ombros como se aquilo fosse óbvio. – Qual o seu nome?
, ao seu dispor. – ele reverenciou-se e ela retribuiu o cumprimentando com o vestido.
— Eu tenho que ir. – ela disse apressada. - A gente se vê por aí.
— Espero que sim. – ele sorriu dando um beijo na mão da jovem que saiu depressa alcançando a comitiva e se enfiando por entre eles.

já estava voltando para sua festa quando notou que havia deixado cair um dos seus brincos. Guardou o objeto dentro da bainha da espada e seguiu até o salão principal. Ele não sabia dizer, mas aquela noite iria mudar sua vida.



Capítulo III

Alguns dias depois...

não conseguia tirar a misteriosa garota da cabeça, era a primeira vez que alguém mexia assim com ele. A única pista dela era um de seus brincos que havia caído quando ele a assustou. Precisava reencontrar a menina que tinha tirado sua paz. Levantou-se depressa e foi até seu armário se trocar. Iria procurar pela garota dos brincos.

— Aonde você vai? – foi surpreendido pelo pai que estava indo ao seu encontro.
— Vou passear pelo reino.
— Preciso que fique. Agora que tem dezoito anos, terá novas responsabilidades. E uma delas vai ser ir para as batalhas do reino.
— Batalhas? Disse que eu só iria com vinte e um.
— Acharam pistas daquele curandeiro que eu espero pegar. Você vai ajudar a encontrá-lo. – tentou protestar mas foi impedido pelo pai que continuou a falar. – Eles mataram seu tio, Jeremy. Sabia?
— O quê? Meu tio foi assassinado por eles? – O menino nunca soube o motivo da morte de seu tio, que até então, era o rei de Ártemis. – Eu vou atrás deles, pai. Nós vamos vingar a morte dele.


Xx


Hoje seria um dia muito importante para , dentro de sua cultura, ter quinze anos significa que você já é uma mulher e poderia usar de seu saber curandeiro para trabalhar, e como era mulher poderia até se casar*, caso assim desejasse.
Havia viajado com o pai até Prudence, onde morava uma quantidade maior de curandeiros. Para um dia tão especial, usou um vestido usado feito por sua mãe quando a mesma fizera quinze anos. O vestido era sem mangas, com uma saia longa e um cinto acompanhando a cor da saia. O local do ritual seria ao ar livre, com fogueira e música. Quando chegou ao local e se deparou com seu pai e seu povo, deixou seus olhos encherem de água ao lembrar que estava no mesmo lugar e usando a mesma vestimenta de sua mãe. Ao sentar na cadeira improvisada de madeira, viu o chefe dos curandeiros chegar com agulhas e tintas para seu ritual. A jovem esticou o braço esquerdo sobre a mesa também de madeira e sentiu a tinta manchando seu braço em formato de uma flor de lótus que tem como significado de pureza espiritual. sentiu as dores da agulha perfurando sua pele logo depois. Agora era oficialmente uma curandeira.

— Agora você é uma adulta, . E eu não poderia ser mais grato por te ver crescer, minha filha.
— Obrigada, pai. Eu juro que vou honrar você, a mamãe e o nosso povo.
Xx






Continua...




Nota da autora: Sem nota.



Nota da beta: Céus, o rei causou a fúria no príncipe e isso, definitivamente, será um problema! ;/

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.




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