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Última atualização: 11/11/2020

Prólogo

Quando se trata de fama, nada é fácil. Ao se tornarem mundialmente conhecidos, eles tinham consciência de que suas vidas mudariam drasticamente. Lidar com o mundo musical, agradar suas fãs, conhecer celebridades...
Contudo, o que jamais imaginaram, era que uma pequena confusão no aeroporto fosse responsável por virar suas vidas do avesso. Agora, necessitando de proteção profissional, os meninos da 5 Seconds Of Summer precisam saber como lidar com as 4 agentes contratadas para protegê-los.
Conviver com pessoas desconhecidas é uma situação estressante, mas saber que elas têm praticamente a mesma idade deles, com personalidades tão intrigantes, torna tudo mais interessante. E perigoso.

Capítulo 1

- Vocês foram muito bem, meninas! - Sra. Muller elogiou, sendo apoiada pelos outros pais ali na sala, que apenas concordaram com a cabeça. Carpentier, Tudor, Bonnet e Muller haviam terminado mais uma missão com sucesso e isso as orgulhava muito, principalmente por serem as mais jovens da agência.
Seus bisavós fundaram o lugar com o objetivo de proteger, secretamente, os países. Apesar da existência da polícia, nem tudo era resolvido por ela, afinal, há perigos envolvendo coisas que eles não estão preparados para encarar.
Já elas, foram treinadas para isso.
- Obrigada, mãe. - sorriu.
- Mas vocês sabem que não viemos aqui para elogiá-las. - a frase de Sr. Muller fez franzir as sobrancelhas, em dúvida.
- Sabemos? - perguntou. Ninguém ali estava entendendo mais nada.
- Se não sabiam, agora sabem. Nós temos outra missão para vocês. - Sr. Tudor, pai de , foi direto e fez com que elas olhassem umas para as outras, totalmente confusas. Eles nunca davam missões seguidas assim para ninguém, muito menos para elas.
- Essa missão envolve pessoas públicas, então precisamos de muita seriedade, ok? - Sr. Carpentier disse e elas concordaram com a cabeça.
- E vocês vão explicar ou vão ficar dando avisinhos e diquinhas? - questionou, sem paciência.
- Você precisa ter mais paciência, filha… - Sra. Bonnet repreendeu o comportamento da filha.
- Bom, no dia 30 de junho deste ano, uma banda chamada 5 Seconds Of Summer entrou em problemas quando um dos integrantes trocou sua bagagem de mão com a de um dos parceiros de Andrei Ekomov, no aeroporto internacional de Los Angeles. - Sr. Carpentier estava de pé, mostrando uma foto de Andrei e de seu ajudante no telão que tinha na sala, enquanto os outros sete adultos ali presentes estavam sentados nas cadeiras, no lado contrário das meninas. tentou se focar na imagem, tentando analisar e guardar o máximo de detalhes que podia daquele rosto, coisa que não era difícil graças a sua memória fotográfica. - Esse homem é um antigo chefe de uma máfia russa, que já tivemos problemas algum tempo atrás. Na época, nós conseguimos pegar os seus parceiros, mas não ele. - ao lado da foto do homem loiro com uma cicatriz que marcava metade de seu rosto, haviam vários relatos de seus crimes apareceram.
- Ok, entendi que o cara é horrível, inclusive, deu para perceber só pela foto, mas a questão é: o que tem dentro da mala que os tais meninos pegaram? - questionou.
- Dentro dessa mala tinham documentos que comprovam alguns casos de fraudes, raptos, tráficos humanos e de drogas que ele se envolveu. - Sra. Carpentier explicou.
- Mas que ser humano imbecil guardaria documentos importantes em uma mala comum? - comentou, revirando os olhos.
- Acredito que ele não contava com a falha do garoto que o ajudava. Ele já deve estar morto agora. - Sra. Tudor respondeu.
- Exato. Enfim... Jack, o segurança da banda, nos contatou após um dia do ocorrido, que foi quando os garotos contaram dos papéis estranhos que encontraram sobre coisas ilegais na bolsa de um deles, mas que já haviam sumido. Ou seja…
- Eles já pegaram de volta. - completou.
- E agora estão ameaçando-os por terem lido os tais documentos. Nós precisamos agir o mais rápido possível para que não aconteça nada com esses garotos.
- Outros imbecis que descobrem algo assim e contam apenas um dia depois. - resmungou.
- Nisso podemos concordar. - Sr. Tudor disse, os fazendo rir.
- Então a nossa missão é só vigiar eles? - perguntou.
- Não. Nós precisamos saber as informações que aqueles documentos continham, mas como sabemos que os garotos não vão lembrar de todos os detalhes, nós precisamos dos documentos também, para termos as provas e, finalmente, capturar Andrei Ekomov.
- E é aí que vocês entram.
- Agora ficou interessante! - comentou, sorrindo. Sabia que era algo sério, mas amava o que fazia e não conseguia deixar de ficar animada.
- Vocês precisam tomar cuidado com isso, meninas. - Sra. Carpentier reforçou, com olhar preocupado. - Esse homem trabalha nisso há anos. Confiamos cem por cento no treinamento que demos a vocês, mas não deem bobeira!
- Vamos tomar cuidado, mãe! - garantiu, segurando a mão da mulher loira, recebendo um sorriso como resposta.
- Bom, em primeiro momento vocês vão vigiar os garotos de longe, sem contato com deles, precisamos coletar informações e entender como Andrei está agindo. Não queremos que ele perceba que os garotos estão sendo protegidos. Após conseguirmos informações suficientes, os garotos passarão a morar com vocês, e então, vamos montar um plano para pegar os documentos, sem desviar nossa atenção dos meninos.
Conforme a Sra. Tudor dizia, ia anotando tudo em seu caderno, assim como e , enquanto ia apenas memorizando.
- Queremos que vocês peguem pesado no treino, principalmente em relação à mira, e luta corpo a corpo. Entendido? - Sra. Muller completou.
- Sim. - disseram em uníssono.
- Esse caso não vai ser esquematizado em etapas, como costumamos fazer. Vocês terão que lidar com imprevistos e problemas a todo momento, como foram treinadas. Sabemos que são capazes.
- Cada pasta tem a ficha completa sobre cada garoto, a última é sobre tudo que sabemos sobre Andrei Ekomov. Estudem. - Sr. Tudor falava enquanto entregava cinco pastas para cada uma, e um mapa. - Agora, a coisa mais importante. Eles estão na Austrália e é para lá que vocês vão, por isso, tem um mapa da cidade com pontos de entradas e saídas escondidas.
- Com a ajuda do governo, que está por dentro do caso, conseguimos uma casa para vocês. Também providenciamos equipamentos, armas e salas de treino para vocês.
- Nós vamos quando? - perguntou.
- Amanhã de manhã. Aproveitem para arrumar suas coisas e se prepararem. - Sra. Tudor respondeu a filha, que concordou com a cabeça. – Agora, venha aqui! - a senhora de cabelos escuros puxou a filha para um abraço. O verdadeiro estopim para que os outros pais fizessem o mesmo.
***

- Vocês têm noção da merda em que nos metemos? - Michael dizia, preocupado, enquanto se jogava no sofá.
- Gente raptada, tráfico humano, tráfico de drogas, fraudes… É, eu acho que tenho um pouco. - Calum respondeu, pegando mais uma mãozada de pipoca e colocando na boca.
Na realidade, nenhum deles tinha noção, afinal, quando falamos de crimes assim, nunca imaginamos estarmos envolvidos de qualquer forma.
- É tudo culpa do Ashton, que não confere as coisas que pega. - Luke acusou.
- Eu conferi! - o garoto disse, incrédulo com tais acusações.
- Um dia depois não vale, cara. - Luke o respondeu, rindo. - Pelo menos Jack disse que tinha um contato.
- Para nos tirar da merda só tendo super poder. - Michael respondeu, apreensivo. O garoto de cabelo vermelho era o mais negativo entre eles sobre essa situação, ou seja, o que estava mais preocupado. Depois do que havia lido, não conseguia parar de pensar naquilo e na forma como os papéis haviam sumido rapidamente. Eles sempre estão com seguranças, e é isso que o assustava mais.
- Relaxa, cara. - Calum disse, em uma falha tentativa de acalmar o amigo. - Vai ficar tudo bem logo.
- Consegui falar com um pessoal e eles me garantiram que a partir de amanhã vocês já vão estar seguros. - Jack dizia, enquanto saia do escritório com o celular na mão.
- Fácil assim? - Michael questionou.
- É. - era óbvio que não era fácil assim, mas, para acalmar o garoto, Jack apenas concordou.
- Viu, você não precisava ter ficado tão assustado. - Ashton disse para Michael, que apenas mandou o dedo do meio para ele como resposta.
- Vamos lembrar que ainda podemos ser assassinados entre hoje e amanhã. - Luke comentou, fazendo Michael arregalar os olhos imaginando tal coisa, e Ash bater a mão em sua testa, balançando a cabeça negativamente.
- Pensando por um lado… Se eles conseguiram passar pela nossa segurança e pegar os documentos, por que não nos mataram logo? Não era mais fácil? - Calum pensou alto, fazendo os amigos ficarem pensativos, aquilo era estranho.
- Só fiquem tranquilos. - Jack os avisou. - Vai dar tudo certo.
***

As garotas já estavam na Austrália há quatro dias. Dias esses que estavam tranquilos, sem nada ou ninguém suspeito. Elas se revezavam durante a noite e trabalhavam todas juntas durante o dia.
Por mais que a tranquilidade representasse algo bom, elas estavam ficando frustradas com isso, afinal, precisavam descobrir novas informações sobre Andrei Ekomov para seguir com a missão. Na sexta-feira, todas estavam aos redores da grande casa onde os garotos moravam.
- Todas em posição? - questionou. A garota estava sentada em um banco que tinha ao lado da mansão onde os garotos moravam, enquanto fingia ler um livro. Cada uma possuía um mini-microfone em seus colares, e uma escuta.
- Sim. - estava no 7° andar de um prédio abandonado, olhando tudo de uma forma geral, para avisar as amigas caso algo estranho chamasse sua atenção.
- Tudo tranquilo por aqui… Como sempre. - estava com algumas sacolas de roupas enquanto tomava sorvete na rua de trás da mansão.
- Atenção, meninas. Reparem em uma van preta, placa 2VEC681. Já deu três voltas pelo quarteirão. - chamou a atenção das amigas.
- Ia falar sobre isso agora. O veículo acabou de passar por aqui, mas não consigo ver nada dentro, o insulfilm é muito escuro. - disse, ela estava dando voltas de bicicleta pelo bairro.
- Eles desaceleraram assim que passaram aqui em frente. - disse, após a van passar por ela. - , fique de olho nessa van, se eles mudarem o caminho, tente ir atrás.
- Afirmativo.
- Eles com certeza estão analisando a mansão para arranjar um jeito de entrar. - constatou. A parte de trás da casa com certeza era o lugar que queriam. Os muros eram altos, e, por conta disso, não tinham seguranças ali. Algo importante a ressaltar é que muros podem ser escalados. - Precisamos avisar para que reforcem a parte de trás da casa. Se eles fossem entrar por algum lugar, com certeza seria por aqui.
- Vamos lembrá-los disso. - respondeu.
- A van está virando no outro quarteirão, vou seguir. - avisou, já seguindo-os.
- Homem loiro, cicatriz na testa. Chegou de moto e está se aproximando da casa. - disse. - Ele está usando uma blusa larga, poderia guardar uma arma facilmente. Está tirando duas caixas da mala de delivery, vou me aproximar.
- Se esses moleques pediram comida em uma situação dessas, eu juro que mato eles eu mesma. - disse.
se levantou e fingiu que estava lendo seu livro enquanto andava, então esbarrou no homem, caindo por cima dele e tentando ver se sentia algum objeto suspeito.
- Ai, droga! Me desculpe senhor! Deixa que eu te ajudo! - ela disse, pegando as caixas de pizza que estavam intactas.
- Espero que as pizzas não tenham virado. - o cara loiro, que aparentava ter uns 25 anos, comentou, preocupado. - Você deveria tomar mais cuidado.
A garota tirou uma nota de 20 dólares do bolso e entregou para o homem.
- Desculpa mesmo, viu! - ela sorriu para o loiro, que continuou seu trajeto até a grande casa com uma cara de poucos amigos.
- Filhos da puta, eles pediram mesmo comida! - xingou, já estressada com a falta de responsabilidade dos meninos.
- , como está a situação por aí? - questionou, já que as garotas não haviam dito mais nada.
- A van entrou no Hotel Doubletree. - disse.
- Okay, volta aqui e quando chegarmos em casa traçaremos um plano.
***

- Eu quero sair! - Ashton dizia, entediado.
- E eu não quero morrer! - Michael respondeu.
- A pizza chegou! - Calum disse, animado, esperando um dos seguranças pegar as caixas e levar até ele.
- Finalmente! - Luke desceu as escadas rapidamente.
- Vamos comer, depois discutimos se tem a possibilidade de sairmos daqui ou não. - Luke disse para Ashton, que estava deitado olhando para o teto.
- Já pensaram se essa pizza tem algum veneno… - Luke comentou assim que Michael deu uma mordida no pedaço que segurava, o fazendo arregalar os olhos e se engasgar. - Pega água! - ele mandou, e Calum correu para buscar um copo de água para o amigo, que não parava de tossir.
- Seu filho da puta! - Michael xingou assim que se recuperou.
- Podia ser verdade, oras. - o garoto de olhos azuis respondeu, dando de ombros. - Mas se tiver veneno mesmo, você vai ser a cobaia para descobrir. - Michael o respondeu, mostrando o dedo do meio.
- Como ele ainda está vivo… - Calum mordeu seu pedaço, assim como os outros fizeram em seguida.
***

- Agora podemos sair? - Ashton disse, após todos terminarem de comer.
- Fala com o Jack, se ele achar que tudo bem… - Luke o respondeu, sabia que o segurança diria não. Ashton então se levantou e foi até o escritório, onde o homem estava conversando com alguém por celular.
- Mais seguranças na parte de trás da casa, aham, pode deixar… - Ashton sentou na cadeira em frente da escrivaninha, esperando pelo fim do telefonema. - Só um minuto… O que você quer?
- Quero dar uma volta.
- Você é louco? Isso facilitaria muito o trabalho de quem quer te matar. - Jack disse, tampando o microfone do celular.
- Vai, Jack, por favorzinho, é só uma saída! E outra, algum dia teremos que sair daqui para trabalhar, mais cedo ou mais tarde. - ele respondeu, fazendo com que Jack pensasse.
- Eles querem sair… - o segurança voltou a falar no celular. - Eu sei. Aham, entendo. Vou dizer para eles. Okay. Aham. Okay. Tchau, até mais. - e então ele desligou, percebendo o olhar curioso de Ashton o encarando. - Vamos avisar os outros.
- Vamos sair da prisão! - Ashton voltou do escritório super animado e contente, cantarolando.
- Como você deixou uma coisa dessas?! - Michael questionou, indignado.
- Só deixei porque vocês vão ter segurança redobrada. Podem ir, mas tomem cuidado.
Assim que os garotos saíram da casa, não viram nada de diferente, apenas os mesmos seguranças de sempre, que se juntaram a eles e saíram para o tal passeio.
- Querer sair em um momento desses não é bem a melhor escolha. - repreendeu enquanto observava através da janela do prédio abandonado.
- Nem me fale… - seguia discretamente os garotos, ao lado de .
- E ainda ficamos de babás deles. - disse, revirando os olhos. Estava indignada por, após tanto treino, estar naquela posição. - Como estão as coisas aí, ? - questionou. Ela estava em seu lugar, na parte de trás da casa.
- Tudo tranquilo! - a morena respondeu, prontamente.
- Ótimo, menos mal.
***

Após o passeio, os garotos voltaram para a casa, assim como e , já que e ficariam no turno daquela noite.
- Achou alguma coisa, ? - perguntou, estavam no laboratório da nova casa em que ficariam para a missão.
Cada garota tinha uma maior afinidade com alguma área. A de era programação e tudo que envolvesse computadores, sistemas e redes. Ela impressionava até mesmo os profissionais da agência, o que era algo realmente difícil. Todos sabiam que era a melhor e não conseguiriam, nem mesmo se quisessem, negar isso.
- Consegui achar um nome por trás da van, e uma filmagem de um estabelecimento na rua do hotel. Olha. - apertou um botão, fazendo com que as imagens de seu computador fossem parar na televisão gigante no centro da parede.
- Dá zoom ali! - pediu, apontando para um homem entrando no banco de trás do carro, e fez o que a amiga pediu. Apesar de não ser quem procuravam, a loira gravou aquele rosto, sabia que seria útil em algum momento. - Mas qual foi o nome que você achou?
- Ivan Dubrov. - a morena respondeu.
- Precisamos ligar para a agência. - afirmou, discando o código para o contato.
- Alguma novidade, meninas? - Sr. Tudor perguntou através da vídeo chamada que fizeram.
- Uma van preta estava rondando o quarteirão da casa dos meninos, entrou no Hotel Doubletree. Queremos tentar entrar lá amanhã. - tomou a frente da situação, explicando. Elas não haviam conversado sobre entrar no local, mas nem mesmo precisavam, já haviam pensado a mesma coisa.
- Mais alguma informação? - questionou.
- Conseguimos um nome. Ivan Dubrov.
- O que temos sobre esse Ivan está sendo enviado para vocês nesse momento. Vocês estão fazendo um bom trabalho.
- Obrigada! - respondeu, apesar de estar preocupada com a falta de informações até o momento. Estava contando com o dia seguinte para descobrirem mais coisas.
- Ah, antes do amanhecer os garotos mudarão para a casa onde estão.
- O quê? Já?!
- Sim, acreditamos que seria melhor eles ficarem com vocês para não precisar separar a equipe, como estão fazendo agora. Isso vai facilitar as coisas. As outras meninas já estão avisadas e irão dar cobertura para eles até aí. - o pai de explicou.
- Bom… Tudo bem então. Estaremos prontas quando chegarem.
- Ótimo. Tchau meninas, até depois. - o senhor de cabelos grisalhos desligou a chamada.
- É, vai ser uma longa missão. - disse, pensativa.

Capítulo 2

Os garotos foram acordados por Jack às quatro da manhã para arrumarem suas coisas. A princípio, ninguém questionou, afinal, estavam praticamente sonâmbulos, mas pouco a pouco foram percebendo e se perguntando sobre o que estava acontecendo ali.
- Por que acordamos tão cedo? - Calum bocejou, fechando sua mala já pronta.
- Porque vocês vão se mudar.
- O quê? Como assim? - Luke arregalou os olhos, despertando de uma vez.
- É para a segurança de vocês. - Jack tentou explicar.
- Nós vamos nos mudar às quatro e meia da manhã?! - Michael questionou, indignado. - Nem amanheceu ainda!
- Parem de reclamar. Vocês acharam que estavam fazendo as malas para quê? - o segurança questionou, tentando não se estressar com os quatro meninos sonolentos em sua frente.
- Não sei, viajar? - Ashton respondeu.
- O carro de vocês já está lá fora.
- E nós vamos para onde?
- Relaxem, vocês só precisam saber que estarão seguros.
- Pelo menos isso… - Michael comentou, mais aliviado, mas ainda sim nervoso com o que os aguardava, ainda mais por não saber o que esperar.
Os garotos terminaram de arrumar suas coisas e entraram no carro. e os seguiam, prestando atenção em cada detalhe e movimento ao redor.
Calum e Luke eram os únicos acordados durante o caminho, observando tudo. A estrada era assustadora, estavam passando por uma floresta escura e cheia de árvores, com apenas um caminho de terra estreito no meio delas. Se olharam e a mensagem era clara: não faziam ideia do que estava acontecendo.
Foi então que avistaram um muro realmente alto, ele parecia impenetrável. Após Jack tocar um botão quase que imperceptível, os portões se abriram, mostrando a enorme casa. Calum e Luke acordaram Ash e Mike, afinal, chegaram ao seu destino.
- Nossa… - Calum pensou alto. Ele observava cada detalhe impressionado. A casa era gigante, poderia facilmente se confundir com um palácio.
Desceram da van preta e, enquanto os seguranças levavam suas malas para dentro da casa, duas meninas com roupas de academia surgiram de lá, e outras duas desceram do carro de trás.
Ash só conseguia pensar em como conseguiam fazer exercícios àquela hora da madrugada. Luke as olhava com atenção, elas eram lindas, algumas possuíam uma expressão simpática, e outras, nem tanto. Michael estava confuso, com sono, e com medo, não estava entendendo o porquê daquelas meninas estarem ali, e Calum, apesar de cansado, estava totalmente impressionado com o que estavam vivendo.
- Bom dia, Jack! - , a garota de cabelos castanhos claros, sorriu e apertou sua mão, o cumprimentando.
- Bom dia, meninas! - cumprimentou ela e as outras garotas com um aperto de mão. - Esses são Ashton, Calum, Luke e Michael. - apontou para os garotos, respectivamente, apenas por formalidade. Jack tinha a plena noção de que elas já os conheciam bem, elas realmente sabiam fazer o dever de casa.
- É um prazer! - respondeu, os cumprimentando. – Sou Tudor, essa é Carpentier, Bonnet, Muller. - as apresentou.
- Nós vamos cuidar para que ninguém mate vocês. - foi direta, os assustando um pouco. - Podem entrar, temos muitas coisas para explicar.
Os garotos não sabiam o que pensar diante daquilo, muito menos o que falar, então apenas assentiram com a cabeça e entraram na casa, mas assim que perceberam que seu fiel segurança não havia os acompanhado, olharam para trás, em dúvida.
- Bom, meu trabalho acabou por aqui. Venho vê-los de vez em quando! - Jack disse aos garotos, fazendo com que eles o olhassem em pânico, principalmente Michael.
- Como assim “meu trabalho acabou por aqui”? - o garoto disse, desesperado.
- Vocês estão em boas mãos, acreditem. - Jack deu uma piscadinha para as meninas. - Até mais, rapazes. Não causem tanto. - ele balançou a mão, como sinal de despedida, tendo como resposta o mesmo gesto das garotas, e olhares cada vez mais desesperados dos garotos ao vê-lo entrando no carro e indo embora.
Após passarem pela entrada da casa, chegaram na sala. Os garotos se sentaram em um sofá, e as garotas no outro.
- Bom, vamos explicar umas coisinhas. - começou, e os garotos assentiram, prestando atenção. - Nós somos do PIP, Programa Internacional de Proteção. Vamos cuidar da segurança de vocês até que o problema atual seja resolvido. Vocês estão correndo perigo porque, resumindo, trocaram a bolsa com um dos parceiros do chefe da máfia russa.
Eles arregalaram os olhos. Sabiam que estavam em perigo, mas não imaginaram isso. Máfia russa?! Após aquela descoberta, Michael apenas pensava no quão novo era para morrer. Luke estava tenso, ficava se perguntando como aquilo aconteceu justo com eles. Já Calum e Ashton não sabiam bem o que pensar, e, apesar de terem plena noção de que o negócio era sério, a ficha ainda não havia caído completamente.
- Na bolsa tinham documentos importantes sobre o que eles já fizeram, incluindo fraudes, sequestros, tráfico, etc. Coisas que acabariam com eles, caso alguém os tivesse. Por isso precisamos saber, com o máximo de detalhes possível, tudo que vocês viram naquele dia. A história completa do que aconteceu.

[Flashback On]

Ash saiu apressado do banheiro. Definitivamente não havia sido uma boa ideia comer quatro burritos antes de embarcar em um voo, ainda mais sabendo que levavam horas para sair de Los Angeles e retornar para a Austrália.
Mas quem disse que ele pensou nisso? E agora se amaldiçoava por ter sido tão desleixado. Vendo a pasta preta posicionada no chão, ele arregalou os olhos e correu para pegá-la. Haviam deixado em sua responsabilidade cuidar de onde estavam as partituras das músicas, tanto as antigas, quanto dos esboços de novas, e Ash sabia que ouviria muito se tivesse esquecido disso.
Suspirando aliviado, juntou-se aos meninos, conversando por mais alguns minutos até avisarem que o avião deles iria decolar logo.
Apesar de estarem no aeroporto internacional, totalmente lotado, a equipe dos meninos havia providenciado um jatinho particular, simples, para eles. O que, sinceramente, era maravilhoso! Jamais se imaginaram com essa fama crescente.
Tiraram mais algumas fotos com uns fãs e entraram no jatinho. Era bem aconchegante, com poltronas grandes. Sentaram-se e começaram a conversar sobre o show que fizeram. O início da carreira era uma das partes mais gratificantes, pois demonstrava que o esforço estava valendo a pena.
- Ash, você está com as partituras das músicas? Queria dar uma olhada e tentar encontrar um ritmo para algumas. - Luke perguntou, atraindo a atenção do resto do grupo, que se reuniu para conversar sobre.
- Uhum, está aqui na pasta. Peraí. - Ash então abriu o zíper e pegou o papel com as mãos. Entretanto, não era para a letra de uma possível música que ele olhava. - Puta. Que. Pariu.
- O que foi? - Mike perguntou.
- Cara, puta merda, venham aqui! - Ash elevou o tom de voz, abrindo os olhos em puro choque.
Quando Calum e Luke se aproximaram, foi difícil ter outra reação que não fosse xingar. O que diabos era aquilo? Claramente não era a pasta de música.
- Mano, tem mais disso aqui. - Ash disse, conforme tirava as folhas que demonstravam diversos crimes.
Tinham de jornais antigos demonizando a máfia russa, até esboços com dados de sequestros, invasões e assassinato. Um documento com a cronologia de acontecimentos, desde a morte de um dos grandes políticos norte-americano.
- Quem é ? - Calum perguntou. - Eles repetem esse nome três vezes, esse cara deve ser importante. Será que ele foi assassinado?
- Credo, para de falar disso! Vão falar de desgraça para atrair? Ah, parem, sério. Não tem graça esse negócio. - Mike disse, tremendo.
- Mike, a gente mal sabe sobre o que isso se trata! Mais da metade disso tá em russo, algum de vocês sabe russo?
- Eu mal sei espanhol, imagina russo…
Ainda passaram uns cinco minutos observando o que estava lá, havia fotos de pessoas deitadas no chão, mortas. Um homem estrangulado, uma mulher pelada em uma poça de sangue, e um jovem deitado em uma banheira cheia de dinheiro, com um tiro na testa. Todos mortos. As fotos, entretanto, não estavam completamente focadas.
- Jack, você sabe o que significa “zhazhda mesti”? - Luke perguntou, assim que viu o empresário retornar àquela parte do avião.
- Hm? - Jack indagou. - Não faço ideia. Vou dormir. - e cobriu-se na poltrona. Os meninos se entreolharam e deram de ombros.
- Acho melhor guardarmos e vermos depois. - Calum sugeriu, sussurrando. Eles concordaram com a cabeça e fizeram exatamente isso, mas foi impossível deixar de pensar no conteúdo visto.
O que significava “zhazhda mesti”?

[Flashback Off]


- Vingança. - foi a primeira coisa que disse, ao terminarem a história.
- O quê?
- Zhazhda mesti é “vingança” em russo. - explicou.
- Bom, é por isso que eles querem matar vocês. Nosso trabalho aqui é pegar de volta esses documentos, capturar essa máfia, e cuidar para que eles não causem nenhum mal a vocês. - pontuou.
- Se facilitar a compreensão, podemos até dizer que vocês estão como se fosse em um “programa de proteção à testemunha”. - os quatro meninos engoliram seco.
- As regras são claras e simples: vocês não podem trazer ninguém para cá, assim como não podem contar qual é o endereço. Os seus celulares foram destruídos, então vão receber novos para que não possam rastreá-los. Também recebemos a agenda de eventos e compromissos de vocês, para nos organizarmos… E, é, eu acho que é só isso. Alguma pergunta?
- Eu tenho uma. - Mike chamou a atenção. - Como vocês vão nos proteger da máfia russa? Digo... - ele não queria desmerecer o trabalho de ninguém, mas como era possível? Ele não conseguia entender, e muito menos acreditar. Qual é, elas pareciam ter a mesma idade que eles, não diria que nenhuma delas passava nem mesmo dos 20 anos!
Antes de receber uma resposta, viu Ashton batendo a mão na testa, não acreditando no que o amigo havia dito, assim como Luke, que o olhou indignado. Calum apenas balançou a cabeça negativamente, enquanto uma das meninas bufou, claramente irritada com o desdém.
- Olha, para ser sincera, vocês já fizeram merda o suficiente para um ano inteiro só de trocar aquela maldita bolsa. Não é como se eu estivesse amando estar de babá para quatro moleques, afinal, treinamos mais de 10 horas por dia para estar aqui. Espero profundamente que você não termine de falar o que está pensando, ou eu mesma pego a arma que está na minha cintura nesse exato momento e atiro em você, economizando todo o trabalho deles. - , a garota de olhos verdes, que desde o começo estava com uma cara de poucos amigos, o avisou, sem aumentar o tom de voz ou mudar a expressão, o fazendo engolir seco. - Agora que nos entendemos, vou voltar para o meu treino. - então se levantou e saiu da sala, indo em direção ao elevador ao lado da escada. Assim que encostou o polegar direito em um pequeno aparelho, as portas se abriram.
- Aqui tem um elevador?! Essa casa tem quantos andares? - Luke questionou, impressionado, tirando o foco total do último acontecimento.
- Quatro. O primeiro é esse em que estamos, no segundo ficam os quartos, no primeiro subsolo ficam nossas salas de treinamento, e o segundo subsolo é a garagem.
- Caralho… - Calum disse. Não sabia se tinha como se impressionar mais.
- Pois é, tivemos a mesma reação quando descobrimos. - sorriu para o moreno, que se perdeu temporariamente no rosto angelical que a garota tinha. - Inclusive, precisamos mostrar a casa para vocês. Vamos?
- Claro! - os garotos se levantaram e as seguiram até a cozinha. mostrou onde cada coisa ficava, já que havia decorado de primeira.
- Aqui é demais. - Luke comentou, observando cada detalhe.
- Vocês não viram nada ainda! - respondeu, e seguiram para uma sala que ficava entre a sala e as escadas para o segundo andar. - Aqui é onde vocês vão ensaiar.
Os meninos estavam surpresos, aquela sala de ensaio possuía tudo que precisavam. Então, após darem uma olhada mais detalhada, subiram para o segundo andar, onde ficavam as suítes. As dos meninos eram de um lado, e as das meninas do outro, ficando uns de frente para os outros.
A primeira porta do lado esquerdo era o de Luke, em seguida o de Calum, Ashton e, por último, Michael. Do lado direito do corredor tinham os quartos de , seguido pelo de , e .
- Agora, a melhor parte: O primeiro subsolo. - anunciou. Amava suas salas de treino, assim como as amigas, e tinha certeza que os garotos também iriam amar. Ou se assustar.
Entraram no elevador e, após colocar sua digital, começaram a descer.
Assim que a porta se abriu, havia um longo corredor com várias portas. Seguiram até o fim, entrando no último quarto.
- Essa é a sala de armas! - disse, animada. A sala era toda feita em tons de preto e cinza, dando um ar de elegância ao local. - Aqui ficam as armas de fogo. - explicou, apontando para uma parede com um armário de madeira.
Foi então que, após colocar a digital, o móvel se abriu, mostrando um quarto com vários tipos de armas de fogo penduradas.
- Cada gaveta dessas tem milhares de balas para cada arma. - indicou um grande móvel no meio do quarto, com várias gavetas.
Voltaram para a sala principal e foram para frente de outro armário.
- E aqui... - ela abriu a porta, dando passagem para uma sala igual a outra, a diferença era o tipo de arma que guardavam ali - São as armas brancas. Temos adagas, soco inglês, punhais, canivetes e enfim, várias coisas, mas essas aqui são os nossos xodós! São lindas, não é?
- Meu Deus… Que demais! - Luke estava fascinado por todos aqueles objetos. - Tem até arco e flecha! - disse, apontando para uma das paredes com vários tipos de arcos pendurados e, mais ao lado, várias flechas de pontas e cores diferentes.
- E vocês sabem usar tudo isso? - Ash questionou, bobo com a quantidade de armas que tinham ali.
- Essa é a parte divertida de trabalhar com isso. - respondeu, dando uma piscadinha para os meninos.
Seguindo o tour, saíram da enorme sala e voltaram para o corredor.
- Essa é a sala de tiro... - disse, entrando na sala. Após isso, seguiram para a sala de luta corporal (onde , que ignorou totalmente a presença dos garotos, treinava socos no saco de pancadas) – o laboratório, sala de tiro ao alvo, enfermaria, e, por fim, o escritório, que também é uma mini biblioteca.
- Gostaram? - questionou assim que voltaram ao térreo.
- Muito. - os quatro responderam juntos. Seus olhos brilhavam após ver as diversas coisas que acreditavam ter apenas em filmes. É claro que sentiam medo, afinal, estavam sendo ameaçados e moravam em uma casa cheia de armas, mas a esperança de que tudo terminaria bem era maior.
- Bom, agora que terminamos o tour pela casa, temos que voltar aos treinos, mas, se quiserem, podem voltar a dormir, os seguranças deixaram as malas em seus respectivos quartos. - comentou.
- Era tudo que eu precisava ouvir. - Ash comentou, fazendo a garota de cabelos castanhos claros rir. - Boa noite meninas, nos vemos mais tarde! - e então subiu.
- É, acho que vou também… Até mais tarde. - Calum sorriu e então fez o mesmo caminho que o amigo. Luke não foi diferente.
- Antes de ir, eu queria pedir desculpas. Estou nervoso com tudo isso, mas não deveria ter julgado vocês como fiz. - Mike comentou, sem graça.
- Está tudo bem, Michael. Estamos acostumadas com isso, apesar de não levarmos a sério tais comentários, afinal, sabemos a qualidade do nosso trabalho. - comentou.
- Mas saiba que está desculpado. - respondeu, com um sorriso nos lábios, acalmando o garoto.
- Obrigado… - ele sorriu também, feliz por ter resolvido isso. - Acho que vou dormir, então… Bom treino! - e então subiu também.
***

Quando o relógio marcou exatamente 11 a.m, Luke acordou. O quarto era espaçoso e confortável, seria fácil viver ali. Após lavar o rosto e escovar os dentes, saiu do quarto, lembrando que Calum estava no quarto mais próximo do seu, por ser do lado, e bateu na porta.
- Levanta, princesa, precisamos ensaiar. - disse, ouvindo os resmungos de Calum afirmando que logo levantaria. Avisou que iria passar no quarto dos outros meninos, e, quando Ash pediu "mais 5 minutos", encontrou-se com os outros no corredor.
Era uma loucura tudo isso que estavam vivendo.
Calum estava inquieto, sabia que precisavam ensaiar, mas pensou em como isso seria possível com a mente tão cheia e preocupada. Nunca na vida se imaginou nessa situação.
Quer dizer, ele esperava ter fãs extremos que tirassem sua privacidade, de modo que sempre tomou muito cuidado quando saia. Saber que a ameaça de morte não veio pela fama, e sim por causa de uma droga de pasta trocada, era frustrante.
Ter que mudar toda sua rotina, abdicar do tempo, já precário, que passava com seus amigos e familiares, e viver com mil restrições a mais em uma casa gigante com garotas que ele nem conhecia, era insano.
Assim que Ash finalmente saiu do quarto e desejou bom dia, os meninos concordaram que deveriam descer e perguntar onde ficava a sala de ensaio, uma vez que nenhum deles conseguia se lembrar. Mas quem poderia culpá-los com tanta informação que receberam?
***

estava nervosa. As meninas estavam a caminho do Hotel, e, enquanto isso, ela não poderia ajudar em nada. E odiava isso. Apesar de estar acostumada com essa situação, não conseguia deixar de se preocupar, afinal, não eram apenas agentes, eram suas amigas também, expostas ao perigo.
Encarou as telas gigantes em sua frente sem ter o que fazer e decidiu que um copo d'água poderia melhorar seu estado, então caminhou até o primeiro andar, passando pela sala e indo em direção à cozinha.
Pegou um copo com água, respirou fundo, e então começou a refazer o caminho. Foi quando encontrou com quatro meninos com cara de sono e claramente perdidos.
- Bom dia! - Ash sorriu ao ver a garota ali, mas ela não parecia feliz, estava mais para… Nervosa? - Está tudo bem?
- Bom dia, meninos, estou no meio de uma outra missão, então peço, por gentileza, que não façam barulho. Preciso voltar ao monitoramento urgente, com licença.
- Caraca, outra? Essa missão é sobre o quê? - Ash continuou perguntando, impressionado, e muito curioso.
- Eu realmente não consigo explicar agora, estou ocupada. - disse, tentando não ser má educada e se esquivar logo.
- Ah, nós vamos viver nessa casa juntos! Seria legal pelo menos que soubéssemos o que vocês fazem…
respirou fundo, não querendo se irritar com Ash. Apesar de tudo, sabia que ele não tinha culpa dessa curiosidade. Ela compreendia o lado desses meninos, imaginava o quão difícil deveria estar sendo para eles. Mas precisava rapidamente voltar para a sala de monitoramento.
- Tá bom, vocês podem descer comigo. - ela suspirou, enquanto Ash e os amigos vibraram, ansiosos para ver o que quer que seja. - Mas, por favor, não me interrompam.
- Prometo não falar um pio! - o loiro sorriu, já seguindo a garota e entrando no elevador ao lado de Calum, Mike e Luke.
Entrando no laboratório, se entreolharam surpresos. Estava totalmente escura, repleta de monitores, cada um mostrando a filmagem de uma câmera diferente. Não era gigante, mas também não era pequena. sentou-se na cadeira giratória e disse que eles poderiam se sentar nas outras que estavam ali.
Sentados, observaram que estava no lado de fora de um Hotel. e estavam nos corredores, vestidas de camareiras. Não faziam nem ideia do que se tratava aquela missão, mas gostaram de ver tudo.
- , preciso que você descubra em qual quarto ele entrou. Consegue acessar as câmeras de segurança? - questionou, enquanto caminhava para o elevador do hotel.
- Consigo. Só preciso que coloquem o pen drive que deixei com vocês no monitor que tem acesso às câmeras.
- Deixa comigo. - afirmou, indo em direção à área restrita do hotel. Como estava estranhamente vazia, poucos segundos depois os arquivos já apareciam na tela de .
- Pronto. - confirmou e retirou o pen drive, saindo da sala que estava o mais rápido possível. Enquanto isso, a garota analisava as imagens das câmeras, observando o caminho que o tal Ivan Dubrov havia feito. - Quarto 385.
- , me encontra no terceiro andar. Vou entrar e você me dá cobertura. - comentou, apertando o botão do terceiro andar.
- Ok. - já estava entrando no elevador mais próximo, fazendo o mesmo que a amiga.
Assim que as garotas se encontraram, passou o cartão que tinha no bolso de seu vestido, e, após o acesso ser liberado, conseguiu entrar no quarto.
- Como estão as coisas? - questionou. Ela estava em frente ao Hotel, dentro da mini van, apenas aguardando algo acontecer.
- Fácil demais. Tem algo estranho, mas vou dar uma olhada aqui. - respondeu, olhando em todos os lugares que poderiam ter alguma informação útil. Foi quando achou um fundo falso em um dos pisos de madeira. - , me ajuda aqui.
Estava emperrado, então não conseguia abrir de jeito nenhum, o que a irritou profundamente.
- Tive uma ideia. - , que já estava dentro do quarto, pegou um punhal que tinha em sua cintura e conseguiu abrir, finalmente vendo o conteúdo.
Foi então que tudo aconteceu muito rápido.
- Merda. - arregalou os olhos dentro do quarto, praguejando automaticamente.
Se no segundo anterior a quietude reinava naquele laboratório, agora só se conseguia ouvir os gritos de ao dar as instruções, mandando que saíssem imediatamente de lá.
- Corre! - gritou e começou a se mover.
tentava fazer contato o mais rapidamente com , era necessário que todas se ajudassem naquele momento. E o carro era totalmente útil.
Porém, antes mesmo que qualquer outra palavra fosse dita, ouviu-se um barulho enorme. A última coisa vista pelos monitores foi a fumaça negra, seguida pelas chamas causadas pela explosão.

Capítulo 3

POV’s

- Merda. - arregalou os olhos assim que vimos a bomba bem na nossa frente, com a contagem regressiva.
10, 9, 8,
- Corre! - gritei para e logo corríamos lado a lado, indo em direção à sacada do quarto. Não poderíamos pular do terceiro andar, então nos jogamos na árvore mais próxima.
Segundos após nos segurarmos na árvore e descermos por alguns galhos, o quarto do hotel explodiu, levando a árvore junto, ocasionando em nossa queda. Por sorte, estávamos em uma altura razoável, logo, não tivemos grandes problemas, apenas alguns cortes e arranhões.
- Meninas, venham! - gritava da van, que estava parada a poucos passos de nós com as portas abertas, apenas nos aguardando.
Nos levantamos e corremos para o veículo, fechando a porta enquanto acelerava.
- Que porra foi essa?! Como ele sabia que entraríamos lá? - estava nervosa, não era para menos, afinal, não fazia nenhum sentido.
- Vocês estão bem? está perguntando. - questionou, sem tirar os olhos das ruas.
Há anos ela era nossa pilota de fuga, dirigia mais habilmente que até mesmo alguns policiais. Todas nós sabíamos dirigir, mas eu e éramos definitivamente as melhores em sermos discretas e botar a mão na massa.
Respirei fundo, com milhares de pensamentos rodeando a minha cabeça. Tentava encontrar uma resposta para a pergunta de , mas não vinha nada, apenas um grande sentimento de raiva.
Olhei rapidamente para a minha amiga, vendo apenas alguns cortes superficiais em seu rosto e braços. Devido ao barulho da explosão, ouvia um zunido chato, mas sabia que em pouco tempo passaria.
Senti uma ardência em minha perna e só então reparei que tinha um corte ali, provavelmente precisaria de alguns pontos. Rasguei um pedaço de pano da blusa que usava e pressionei o corte, esperando que parasse de sangrar.
- Só essa merda de barulho no ouvido, mas tudo bem. - disse com a cara fechada, dizendo exatamente o que eu pensava. Porém, sabíamos que não estava nada bem.
- É. Tudo bem também. - afirmei. - Você conseguiu encontrar mais alguma coisa além da bomba?
- Não, nada.
- Merda. - suspirei, tentando me acalmar. - Fala para que estamos chegando, precisamos rever as imagens de hoje para entender o que aconteceu.
apenas concordou e passou o recado para . Nossas escutas haviam caído durante a explosão, então apenas ela conseguia se comunicar.

***


Luke POV’s

Meu corpo estava tremendo. Eu fazia ideia de que a vida dessas meninas era completamente arriscada. Porém, é como o ditado afirma, só vendo para crer. Não tinha noção do tamanho de perigo que elas enfrentavam a cada missão.
Pude perceber, pela forma como reagiu, que era usual esse tipo de acontecimento. Qual é, a menina somente abriu a caixa e nem demonstrou tanto desespero, somente reclamou.
, no entanto, ficou desesperada para que elas saíssem correndo, e somente se acalmou quando informou que estava com as meninas no carro e voltando para cá, assegurando que elas estavam bem, mas que teria de consertar o fone delas.
Os meninos estavam tão surpresos quanto eu, Mike principalmente. Ele já era o mais assustado, agora então… Parece que a ficha da gravidade da situação caiu para o restante de nós nesse momento.
Após poucos minutos, as meninas apareceram no laboratório. Elas estavam péssimas, para dizer o mínimo. e tinham manchas pretas de queimado por todo o corpo e rosto, assim como arranhões e cortes que ainda sangravam, mas o mais impressionante é que elas pareciam bem e sem dor alguma.
suspirou, aliviada ao vê-las bem. Não vou negar que, mesmo não as conhecendo bem, também tive a mesma reação.
- Nós precisamos falar com a agência. Agora. - foi a primeira coisa que disse assim que entrou na sala. apenas concordou com a cabeça e após poucos segundos, um homem com alguns fios grisalhos misturados ao cabelo castanho escuro apareceu na tela.
- Agentes. Meninos. - nos cumprimentou, e então seu olhar focou em . - Filha…
- Oi, pai. - a garota de cabelos escuros sorriu. Encarei os meninos que tinham a mesma expressão surpresa que eu. Pai?! Ela parecia outra pessoa, mas ainda assim, era evidente a raiva em sua voz.
- Nós estamos apurando todas as informações para entender como sabiam que vocês estariam lá. - ele respondeu antes mesmo que alguma das meninas falasse algo.
- Também vou dar uma olhada nas imagens que conseguimos do hotel, agente Bonnet. - afirmou e o senhor concordou com a cabeça, agradecendo.
- Qualquer novidade, nos ligue. Em pouco tempo mandarei notícias sobre as nossas buscas.
Antes mesmo que a ligação acabasse, abriu uma das gavetas e retirou uma caixa que parecia ser um kit de primeiros socorros. Achei um lugar meio estranho para guardar isso, mas não iria dizer nada.
se sentou na cadeira ao lado de Calum, e só então percebi que sua perna ainda sangrava, mesmo com ela pressionando-a até agora. simplesmente colocou o kit sobre as pernas dele, e, sem tardar, cortou um pedaço da calça de com a tesoura. Depois, pegou a água oxigenada com uma gaze, iniciando a limpeza do local.
- Eu vou ter que dar uns pontos na sua coxa, antes que infeccione e cicatrize errado. - disse, cautelosa, enquanto fazia uma careta. Deu para ver que ela não gostava disso. - Calum, vou pedir para deixar segurar seu braço, ela detesta agulhas e morre de agonia. Normalmente alguma das meninas fica ao lado, mas não vamos atrapalhar a ligação, ok?
Calum aceitou na mesma hora e deu a mão para , que segurou firme na mesma hora e virou o rosto para cima.
- Você vai costurar a pele dela?! Eu vou vomitar… - Mike estava chocado e parecia realmente enjoado. Ele tinha sérios problemas com sangue e agulhas também, chegando a desmaiar quando uma fã tentou invadir o nosso camarim pós-show e acabou batendo a testa, que começou a sangrar na mesma hora. Foi desesperador.
- Se controla, homem! - Ash ralhou, brincando que estava irritado com a atitude de Mike.
Até mesmo eu tive de virar o rosto quando ela começou a dar os pontos, era mesmo agonizante. Se nem , depois de todo o tempo trabalhando com missões, havia se acostumado, quem dirá eu.
- Obrigada… - a garota agradeceu Calum, que apenas sorriu.
Pude perceber de canto de olho que olhou rapidamente para Mike e suspirou, negando com a cabeça. Dava para perceber mesmo o quão descontente ela estava.
- Vai ter que passar um tempo sem correr ou fazer qualquer tipo de esforço físico com essa perna. Você já sabe os procedimentos, , então tome cuidado para não abrir esses pontos. Tem que limpar bem durante o dia e deixar respirar, evite usar calça pelo menos nos primeiros dias, certo? Foram quatro pontos, tem que cuidar certinho por pelo menos 20 dias. - disse para a amiga, que apenas assentiu. Ela parecia uma médica reforçando para o paciente a necessidade de não deixar infeccionar, mesmo que já soubesse o que tinha que fazer.
Depois de guardar tudo, ficamos observando as meninas finalizarem a chamada e terminarem a conversa. parecia tentar acalmar , falando que tudo acabaria logo.
- Quer saber? Tanto faz, eu vou bater no Fred.
disse, fazendo eu e os meninos arregalarmos os olhos, nos olhando preocupados. Simples assim, ela saiu da sala e nem uma das meninas se opuseram.
- Quem é Fred? - Ash perguntou, e eu agradeci por sua coragem. Estava morrendo de vontade de saber, e aposto que eles também.
- Ah, Fred é o boneco que fica em nossa sala de treinamento. Ele é novo, mas já levou um belos socos e chutes. - explicou, o que nos tranquilizou.
- Hm, , o que eles estão fazendo aqui? Por curiosidade… - perguntou, lembrando desse fato só agora. Eu esperava que elas não tivessem ficado irritadas com isso, mas, tirando , nem uma delas parecia estar incomodada com nossa presença.
, ao invés de responder sua amiga, olhou diretamente para Ash, levantando a sobrancelha.
- Ah, nós ficamos muito curiosos sobre o trabalho de vocês e pedimos muito para assistir, até porque vamos ficar por tempo indeterminado aqui, sabe, né, aí queríamos saber como funciona. - Ash explicou e nós assentimos, concordando com ele. Esperava que não brigassem com por causa disso.
- , acho que vou precisar da sua ajuda para me levar até o quarto. - deu um sorriso amarelo para a amiga, que apenas riu e concordou.
- É, você está precisando de um banho mesmo. - a garota de cabelos escuros comentou, fazendo a amiga rir. - Está cheirando a queimado.
- Até te xingaria, mas concordo com cada palavra. - deu de ombros, nos fazendo rir.
- Bom, vamos? tem muito trabalho pela frente… - comentou e a garota concordou, dando um sorrisinho. Eu e os meninos balançamos a cabeça em aprovação, e, após a garota ajudar a se levantar, caminhamos até o elevador.
- Só uma perguntinha, nós esquecemos onde fica a sala de ensaio, podem explicar de novo onde fica? - Calum perguntou e somente com isso lembrei que deixamos de lado o objetivo do dia.
- Vem cá, vamos levar vocês até lá. - disse e agradecemos.
No final das contas, a sala ficava no primeiro andar. Era impossível não se encantar com aquilo. Jack realmente havia pensado em tudo, era perfeita para nossos ensaios! Todos os instrumentos necessários estavam lá, e as paredes tinham isolamento acústico, o que nos permitia passar horas e horas sem atrapalhar ninguém do lado de fora.
Agradecemos mais uma vez e fechamos a porta. Estávamos totalmente sozinhos agora, e eu sabia que o ensaio não iria começar nesse exato momento.

***


Calum POV’s

- Eu falei para vocês a merda que isso ia dar! - Michael não perdeu a oportunidade de dizer, afinal de contas, ele estava certo.
- Cara, até eu fiquei assustado… Imagina se tivessem botado uma bomba no nosso quarto? Tinha nem mais história para contar. - Ash disse, e apesar de eu querer discordar, sabia que era verdade.
Era muito estranho pensar em tudo que estava acontecendo. Acordamos esperando que o dia fosse tranquilo e conseguíssemos passar pelo menos umas três a quatro músicas.
A vida era imprevisível mesmo.
- Agora pelo menos você não duvida mais da capacidade delas nos protegerem, né, Mike? - zombei.
- Haha, muito engraçadinho… Eu nem falei na maldade! Só saiu, sabe.
- Então para de deixar sair, cara. Elas ficaram ofendidas na hora, e não é para menos. - Luke disse, e eu e Ash concordamos.
- Imagina que péssimo treinar por anos e aparecer alguém para questionar suas habilidades. - comentei, pensando no clima que devia ter ficado depois.
- E esse alguém ainda é o molenga do Mike, que nem sabe fazer um agachamento direito. - Ash zoou, e todos, com exceção de Mike, rimos de sua frase.
Mike detestava tudo que envolvesse atividades físicas, apesar de estranhamente aguentar ficar horas em pé ensaiando e cantando.
- Sério, ainda bem que o Jack teve essa ideia brilhante de contratar alguém para nos proteger. É chato ter que se distanciar de tudo, mas, bom, pelo menos ficamos seguros.
- Sei que estamos protegidos, mas é difícil me sentir seguro. Ainda acho que vamos morrer, anotem! - Mike comentou e reviramos os olhos.
- Depois disso tudo, eu quero ficar tranquilo, talvez até assistir TV e fingir que eu ainda estou vivendo uma vida normal e de boa. - Ash comentou, se levantando da poltrona que estava.
- Acho que vou fazer a mesma coisa… - concordei. Mike e Luke deram de ombros, mostrando que nos acompanhariam.
Assim que saímos da sala de ensaio, percebemos que as garotas estavam todas na sala de estar, elas conversavam sobre algo e riam, mas, assim que nos viram, pareceram se lembrar de algo.
- Meninos! Venham aqui, por favor. - pediu e nós caminhamos até elas.
- Queremos avisar que conversamos e concordamos que vocês deveriam aprender algumas coisinhas sobre autodefesa. Até porque, não estamos lidando com qualquer bobeira. - explicou. Engoli em seco e senti os meninos receosos, nunca tivemos de lidar com algo assim.
- Então, a partir de amanhã, vamos dar aulas e treiná-los para caso algo aconteça, tudo bem? - sorriu, mostrando que tudo ficaria bem. Olhando assim parecia super tranquilo, mas tenho noção de que, depois de hoje, tudo só iria piorar.


Capítulo 4

Ashton POV’s

- Se eu precisar entrar nesse quarto, você vai se arrepender, pode ter certeza! - abri os olhos ao ouvir bater na porta do quarto pela terceira vez. Tenho tanta sorte que mandaram logo ela para me acordar.
- Você sabe que horas são?! - perguntei ao abrir uma frestinha da porta, indignado por ser acordado às cinco e meia da manhã.
- Eu sei, mas parece que você não. Vamos logo, está na hora do treinamento, bela adormecida.
- Chata. - resmunguei ao vê-la perto do elevador, esperava que ela não escutasse, mas como eu disse anteriormente, tenho muita sorte, especialmente hoje.
- Torça para que eu não te treine hoje, Irwin. Caso contrário, você vai ver o quão chata eu posso ser. - ela respondeu ainda de costas, e então entrou no elevador de braços cruzados. Revirei os olhos pela sua ameaça e levantei logo.
Antes de descer para a sala de treinamento, decidi passar na cozinha e tomar pelo menos um suco.
- Você é devagar demais. - pulei ao ver sentada, me olhando.
- Deus, você me assustou! - respondi, abrindo a geladeira e pegando o suco de laranja após me recuperar do susto. - Você não deveria estar treinando?
- Deveria, mas aparentemente um preguiçoso se atrasou, e como ele não tem o acesso liberado, tive que esperar por ele. - ela cruzou os braços.
- Me falaram que esse preguiçoso é um gato também. - dei de ombros, tomando um gole do suco. Mas foi então que algo aconteceu, eu escutei o som de… Risada? - Eu te fiz rir! Eu te fiz rir às cinco e meia da manhã!
Qual é, elas pareciam robôs. Não riram uma vez sequer de alguma piada minha, e olha que eu estava me esforçando aqui.
- Você é um idiota! Vamos logo… - voltou a ficar séria, não sem antes revirar os olhos. Balancei a cabeça positivamente e terminei de beber o suco, colocando o copo na pia.
- Tá legal, vamos.
Em poucos minutos estávamos caminhando em direção à sala de treinamento. Assim que passamos pela porta pude ver meus amigos - que pareciam zumbis, devido ao sono -, e as meninas. Recebi alguns olhares irritados, principalmente de , mas apenas ignorei e andei para perto de Calum.
- Com todos vocês reunidos aqui, podemos explicar então como funcionará a dinâmica dessa semana. montou as planilhas com os horários e treinos de cada um durante esses primeiros dias. A partir deles, então, poderemos explorar os pontos fortes e fracos de vocês e nos aprofundar no que for mais rápido e prático. - começou a explicar e nos entregou as folhas.
- Hoje todos farão o aquecimento juntos. Depois disso, cada um vai ficar uma de nós, queremos avaliar seus conhecimentos individualmente em nossas melhores modalidades. - disse. - Sabemos que vocês não foram treinados desde novos, mas precisamos que levem isso a sério! Não é somente a vida de vocês que está em jogo, mas a nossa também, assim como toda a reputação da Matriz.
Dito isso, ela virou as costas e foi beber água. Eu realmente me impressionava com o quão amedrontadora e, ainda assim, aleatória, ela conseguia ser.
- Para resumir, Calum começará tendo aulas de primeiros socorros comigo. Ash ficará com e treinará a resistência física. Luke vai acompanhar e treinará pontaria e, por fim, Michael vai aprender autodefesa com .
Eu estava fodido? Sim. Mais fodido que Mike? Nunca! E essa era a motivação da semana.
- Alguma dúvida? - questionou, nos olhando com atenção. Apenas balançamos a cabeça negativamente. - Então vamos começar!
Nos afastamos um pouco e começamos a acompanhar as meninas, que passavam os alongamentos. explicou que é importante para o bom funcionamento do corpo, proporcionando maior agilidade e elasticidade dos músculos, além de prevenir lesões.
- Amanhã vocês ainda vão acordar com dores, mas pensem que poderia ser pior. - e foi com esse pensamento motivacional de que continuei aquela série de exercícios.
Após vinte minutos, cada dupla foi para um canto da sala de treinamento - que era enorme. e Mike entraram no ringue, no centro. Luke e foram para uma parede de alvos com formas humanas - assustador e legal ao mesmo tempo -, Calum e foram treinar primeiros socorros em um boneco, e eu e nos aproximamos de uma pista de corrida com alguns obstáculos.
- Eu vou ter que escalar isso aí?! - questionei ao olhar o tamanho da parede de escalada.
- Isso. Mas antes quero que corra o máximo que puder, quantas voltas aguentar. - ela indicou a pista que contornava a sala toda. - Pode começar. Boa sorte.
E eu com certeza precisaria.

***


POV’s

Eu não gostava de muitas coisas na vida, mas amava luta corporal. Tudo que envolvesse bater - principalmente em pessoas que detestava -, me trazia uma satisfação tão grande.
Sempre fui a melhor da turma nessa área, de modo que os professores me pediam para auxiliar os alunos com maior dificuldade. Então, mesmo que interação não fosse exatamente minha praia, eu era boa em dar aulas e conseguia ver qual era o problema.
Estava em pé no ringue de luta, esperando Michael aparecer para ensinar alguns golpes, pensando em quando minha vida virou ser babá. De repente, senti uma mão segurar meu braço, e, automaticamente, entrei em alerta. Eu estava tão distraída e com a guarda tão baixa que me assustei. Minha primeira reação foi segurar essa mão e torcê-la, girando meu corpo, e, consequentemente, virando o braço de quem me segurava.
Quando dei por mim, Mike estava com a cara no chão e eu cruzava seu braço pelas costas, imobilizando-o enquanto sentava sobre suas pernas.
- Eu só queria pedir desculpas. - ele disse e eu soltei-o, passando as mãos pelo meu rosto. Saí de cima dele e me levantei, esticando minha mão para ajudá-lo a levantar.
- Por me assustar? Porra.
- Não, mas posso pedir por isso também. Era mais pelo o que eu disse ontem, não quis passar a visão de que duvidava da capacidade de vocês, é que é tudo muito novo, e para falar a verdade, eu estou assustado para caralho e não consegui pensar antes de falar. Acontece quando estou muito nervoso.
O encarei por alguns segundos, tentando identificar suas emoções. Eu sabia que ele estava sendo sincero. Quer dizer, dava para ver na cara desses meninos que eles estavam apavorados com tudo que estava acontecendo.
Não cabia a mim julgá-los por isso, mas eu poderia, sim, criticá-los por serem desatentos e bagunçarem - ainda mais - minha vida.
- Tudo bem. Imagino que esteja sendo uma situação difícil, então é só não falar mais esse tipo de coisa. Treinamos realmente muito duro e eu não vou aceitar nem uma crítica que não seja, realmente, construtiva. - eu disse e ele agradeceu, dizendo que não iria se repetir.
Eu esperava que não, porque, se acontecesse, todas as meninas teriam de me impedir de meter um soco na cara desse menino. Sei perdoar, mas não sou otária.
- Peço desculpas por te jogar no chão, meus reflexos às vezes são difíceis de controlar.
- Tudo bem. - ele disse, parecendo surpreso com meu pedido. Tentei não revirar os olhos, mesmo, mas foi impossível. Céus, eu era meio dura, mas meu pai não me educou mal. Resolvi ignorar e manter-me calma, o dia seria extenso.
- Ok, eu vou começar fazendo alguns movimentos e quero que você repita depois. Estarei avaliando primeiramente sua rapidez, agilidade, força e posição. Com os dias, poderemos ver qual seu corpo melhor corresponde e montaremos a autodefesa baseada nisso, certo?
Mike assentiu e, então, iniciamos a aula.

***


Luke POV’s

- O que vamos fazer? – questionei, ao pararmos em frente à parede com formas humanas. Tinham cinco alvos e todos eles estavam marcados em três áreas específicas: a cabeça, o pescoço, e o coração.
- Atirar facas! - sorriu. Ela carregava um estojo de pano, e assim que perguntei, o abriu, mostrando as seis lâminas que tinham ali. - Quero que tome muito cuidado ao pegá-las, elas cortam fácil.
Engoli seco. É claro que eu não ficaria brincando com as facas, mas estava assustado por simplesmente precisar segurá-las.
- A primeira coisa que vou explicar, é a posição. - explicou. - Quero que me copie, ok?
- Tudo bem… - concordei, ficando ao seu lado.
- Primeiro, coloque seu peso sobre a perna dominante e posicione o pé não dominante à sua frente. Assim. - ela demonstrava enquanto explicava, o que realmente me ajudava a entender melhor. - Agora estique o braço dominante à sua frente e dobre o cotovelo, para que a faca fique levantada ao lado da cabeça. É importante manter a faca a uma distância confortável da cabeça, para que você não acabe se cortando quando arremessá-la. - se aproximou e arrumou a posição do meu braço.
- Agora vamos treinar o arremesso, tudo bem? Quando você se acostumar com o movimento, te entrego a faca.
- Você faz isso desde quando? - perguntei, enquanto ela me ajudava com o ângulo.
- Isso tipo… tudo isso? - balancei a cabeça, confirmando. - Desde os seis anos.
- Nossa… É muito tempo! Você praticamente nasceu com uma arma! - ela riu alto e eu a acompanhei. - Mas sério, nunca teve vontade de…
- Ser alguém normal? Sempre pensei sobre isso e só recentemente cheguei em uma resposta. Confesso que adoraria viver uma vida adolescente normal, mas a adrenalina que sinto toda vez que estou em uma missão, ou até mesmo a confiança que ganho quando venço um desafio pessoal, significa bem mais, sabe. Eu realmente amo o que eu faço.
- Admito que vocês são fodas. Não sei se teria o jeito para a coisa. - disse, após arrumar novamente minha postura, e a garota riu.
- Se treinar direito, tenho certeza de que se sairá bem. - ela pegou uma das facas no estojo e colocou em minha mão, se afastando um pouco. - Quando o braço apontar em direção ao alvo, e o pulso estiver perfeitamente em linha reta, deixe que a faca simplesmente escorregue da mão.
E assim fiz. Me surpreendi ao ver a faca presa no rosto do alvo. Olhei para e ela estava com um sorriso, mostrando que estava feliz com o resultado.
Eu também estava.

***


Calum POV’s

Por sorte, eu nunca tive problema em lidar com sangue. Sempre fui uma criança tranquila, não dava chilique na hora de fazer exames com agulhas, e o fato de ter feito diversas tatuagens, me deixava tranquilo suficiente para não me amedrontar.
estava há uns dez minutos explicando como eu deveria agir em casos de fratura. Consegui entender que o ideal era cobrir com um pano limpo, se possível, e deixá-lo apoiado em uma superfície dura para servir como tala.
- É importante que você se lembre que não pode, de modo algum, tentar realinhar o membro ou osso, por você ser leigo e não ter conhecimento necessário para fazer sem que possa acabar agravando a situação. Nem mesmo as meninas, com todos esses anos que estivemos treinando, tentam fazer isso. Eu, por ter paixão por essa área, fiz cursos a mais e me especializei, então, machucou e o osso saiu do lugar? Faz o que eu mandei e vem correndo para eu arrumar. - disse, seriamente.
Assenti, fazendo careta ao imaginar essa situação. Não fazia ideia de como alguém poderia realmente se apaixonar por aquela área, mas tudo bem. Pelo menos eu entendia bem o que ela estava falando, e a reanimação cardíaca, apesar de extremamente perigosa, deveria ter sido ensinada em escolas comuns.
Fiz algumas perguntas relacionadas às intervenções provisórias e tive todas minhas dúvidas sanadas, ela me explicava melhor como prestar assistência, dizendo que a atenção era o passo mais importante.
me reforçou que eu deveria estar preparado para enfrentar qualquer tipo de situação e me elogiou quando fizemos alguns testes nos bonecos de treino. Conheci o Fred, mas somente com aprenderia a bater nele.
Estava gostando bastante dessa aula, a teoria era legal e eu gostava de aprender sobre essas coisas, apesar dos pesares. Queria saber como Mike lidaria só de ouvir falar de sangue, suturas, cortes e fraturas. Seria engraçado, e, infelizmente, uma dor de cabeça a mais para .

***


POV’s

Apesar de não conseguir pesquisar tanto, o dia foi produtivo. Percebi que Ash conseguiu prestar atenção nas dicas que eu passava, e seu desempenho melhorou cada vez mais. Espero que ele continue assim durante essa semana.
Assim que terminamos o treino, fui direto para o quarto tomar um bom banho e tinha certeza de que minhas amigas fariam o mesmo. Não demorei no chuveiro, apesar de ser um bom lugar para pensar.
Saí do boxe e coloquei uma roupa simples, torcendo para que nada acontecesse nessa noite. Após secar os fios de cabelo, desci e me joguei no sofá. Poucos minutos depois, apareceu, e logo em seguida, e também.
- Eu não aguento mais ter esse corte na perna! - resmungou. - Sinto falta de chutar o Fred…
- Amiga, eu sinto tanto! - colocou a mão em seu braço, como forma de apoio.
- Como vocês são dramáticas! - comentou, rindo, revirando os olhos.
- Falando em chutes, como foi o treino de vocês com os meninos? - perguntei, curiosa. Apesar de não querer admitir, estava achando divertido treiná-los.
- Luke e Calum são bons em mira, fiquei tão orgulhosa de vê-los acertando a cabeça do alvo de primeira! - comentou, sorridente, enquanto enrolava no dedo uma mecha de seu cabelo castanho claro.
- O Luke até que não é tão ruim quanto eu imaginava… - respondeu, dando de ombros. É claro que isso, vindo dela, era um elogio, então ele realmente deve ter se saído bem.
- Ash prestou atenção em cada coisinha que eu falei, tudo bem que ele precisou cair dois metros de altura para isso acontecer, mas ainda assim, foi ótimo! - comentei, lembrando do tombo dele. Eu realmente ri muito, não consegui me segurar. - Mike também não ficou para trás, o que me surpreendeu muito. Ele foi super rápido nos obstáculos.
- Todos se saíram bem nas aulas de primeiros socorros. Acho que se der merda, pelo menos continuam vivos. - disse, nos fazendo rir. - Só o Michael que tem um certo problema com sangue e quase desmaiou três vezes durante o teste com o boneco, ele deve ter odiado a aula, mas no fim, o boneco sobreviveu e é o que importa.
- Tadinho! - gargalhou ao lembrar da cena. Não pude deixar de acompanhá-la, até mesmo riu do menino. Ele fez o maior drama com o sangue falso.
- Acho que vou fazer pipoca. O que acham de assistir algum filme? - deu a ideia. Não demorou para todas aceitarmos, procurando filmes nos catálogos.
- Podíamos chamar os meninos também, né… - comentou e fez careta.
- Eu acho uma boa ideia, vai ser bom nos aproximar um pouco deles! - apoiou e eu concordei. Vamos passar muito tempo juntos, é importante ter uma boa convivência, mesmo que para isso eu precise aguentar as piadinhas de Ash. Ou a cara fechada de .
- Tá legal. Mas vai chamá-los antes que eu mude de ideia! - após o aval de , se levantou e foi correndo até o segundo andar.
Levantamos e nos preparamos para ir até a cozinha separar as comidas, bebidas, e depois, escolher o filme.

***


Mike POV’s

- Eu tô exausto, a é doida, juro! Eu devo estar todo roxo. - reclamei quando saí do banho, encontrando os meninos sentados em minha cama. Eles afirmaram com a cabeça, concordando comigo.
- Só estou surpresa em como ela consegue ensinar bem! Assim, ela parece ser tão… Estourada. Esperava ouvir vários gritos enquanto ela nos ensinava, mas não foi o que aconteceu. Ela foi até de boa. Tirando que derrubou o Mike logo no começo. - Luke comentou, rindo da última parte.
- Aliás, o que foi que você fez? - Calum perguntou, receoso, me julgando com o olhar.
- Ela só estava distraída e acabou se assustando comigo! Inclusive, ela até me pediu desculpas. Por que vocês sempre acham que sou eu quem faço merda? - revirei os olhos.
- Porque você sempre faz merda, Wazowski. - Ash brincou comigo e eu mostrei o dedo do meio. Ele me chamava assim desde que nos conhecemos, disse que amava Monstros S&A e falava que eu deveria voltar a pintar o cabelo de verde. Apesar de ter curtido muito essa época, eu amava a cor vermelha do meu cabelo, combinava com a minha personalidade. Isso somado ao fato que eu não gostava de repetir a cor das tintas.
- Acho que o que eu mais gostei foi arremessar as facas. - Calum disse e eu concordei, achando que era a melhor parte.
De longe, eu detestava ter que correr quando mandava - apesar de ter me dado razoavelmente bem com os obstáculos -, mas preferia isso a pensar em ter que retirar uma bala. Se eu tinha sido capaz de estressar com minha falta de habilidade, nem queria imaginar do que eu seria capaz de fazer ao longo das aulas dadas por .
era a mais comunicativa de todas, disso concordamos. E dava para ver o quão empolgada ela ficava atirando facas. Era meio estranho, mas engraçado ao mesmo tempo.
- Eu amei autodefesa, não achei que fosse gostar tanto. E ela disse que começou com o básico do básico hoje, mas eu não sabia nem um movimento. Acho meio doido entrar nesse "mundo da fama" sem nem saber como se defender. Imagina, sei lá, um louco nos sequestra e pede dinheiro? - Luke comentou.
Em qualquer outra situação, eu sei que Ash daria um tapa em sua cabeça e diria que ele estava sonhando acordado. Mas, depois de tudo que nos aconteceu, era uma hipótese plausível.
- Bom, mas o que vocês acharam das meninas?
- Acho que a odeia a gente. - Ash disse. - Mas é engraçada, de certo modo. Já me acordou hoje na base da ameaça, pelo menos não entrou no quarto gritando e me batendo. Cara, eu fico muito puto se alguém faz isso.
- Nem dá para culpar ela, você é horrível para acordar! - Calum disse. - Lembro do dia que perdemos a merda de um voo porquê você não soube sair da cama no horário certo.
- Tá, tá, entendi que vocês só me criticam… Enfim, a é muito gente boa, né?
- Achei ela bem didática, pelo menos durante as aulas teóricas. Acho que ela é uma das mais simpáticas das meninas. - disse. Mesmo com o meu problema com sangue, ela foi super paciente e me ajudou a finalizar o procedimento.
- Gostei da , ainda mais porque ela vive dando patada no Ash. Adorei assistir a missão das meninas de ontem, cara, é loucura esse tipo de coisa! - Luke disse e todos concordamos. - me disse que está nisso desde os 6 anos, é muito tempo, sério!
- Será que elas sempre treinaram juntas? Porque parece que elas têm a mesma idade, mas o sotaque francês da é tão forte quanto o da .
- Elas disseram que trabalham para a Matriz, onde será que fica? Ou vai ver tem uma em cada canto do mundo... - Ash comentou. - Que doideira!
Sem saber o que responder, dei de ombros. Observei eles curiosos, eu não estava muito diferente, também queria saber.
- É o seguinte. Vamos escrever todas essas dúvidas e depois perguntar para elas! Pronto, resolvido. - Ash disse e rimos com a ideia.
Antes mesmo de continuarmos a conversa, ouvimos batidas sutis na porta do quarto.
- Entra! - Ash gritou e eu o olhei, indignado. Alô, aquele era meu quarto?!
- Oi! - colocou apenas metade do corpo para dentro do quarto. - Eu e as meninas vamos assistir filmes, querem nos fazer companhia? - ela deu um sorrisinho. Nem preciso dizer que todos concordamos no mesmo minuto.
Descemos e já tinham quatro potes com pipoca. Nunca fiquei tão feliz em fazer algo normal assim…
- Que filme vocês pensaram em assistir? - Calum questionou.
- Na verdade, ainda não escolhemos um filme, temos duas opções! - apontou para a televisão. - A ideia é escolher alguma saga para sempre que der assistir a sequência. Então pensamos em Sobrenatural ou Harry Potter!
Por fim, os filmes escolhidos foram da série Sobrenatural. Eu não era grande fã de terror, mas a opinião da maioria venceu. Só esperava que não tivesse pesadelos com esse filme, ainda mais lembrando que teria que acordar cedo.
Sentamos nos espaços disponíveis do sofá, ainda surpresos pelo repentino convite.
Naquele momento, não imaginávamos que "as noites de cinema" viriam a se tornar uma tradição entre nós.

Capítulo 5

Duas semanas depois…

Ash POV’s


- Ash, está quase na hora! - ao escutar a voz de e as batidas na porta do meu quarto, abri os olhos assustado. Eu havia sonhado com ela, mas foi tão real…
Não precisei pensar muito para lembrar do nosso encontro na cozinha durante a madrugada. Nossa conversa realmente aconteceu.

[Flashback on]

Me virei na cama mais uma vez naquela noite e não sentia nem um pouco de sono. Desbloqueei o celular que estava em cima da mesa ao meu lado para conferir a hora.
Três da manhã. Droga.
Seria um inferno para acordar, sabia disso. Sempre que tínhamos uma entrevista, eu dormia extremamente mal por conta da ansiedade, e é claro que dessa vez não seria diferente.
Cansado de olhar para o teto, respirei fundo e me levantei da cama. Talvez tomar um pouco de água me ajudasse.
Como era apenas um andar, optei pela escada. Em pouco tempo estava na cozinha, mas para a minha surpresa, eu não era o único ali.
- Você parece uma assombração, sabia? - comentou com um olhar divertido, dando um gole em seu chá. Ela estava sentada na bancada da cozinha e observava a área externa da casa pela janela.
- Acho que pela aparência, você pode me classificar como anjo. - dei uma piscadinha, a fazendo rir. - Estamos fazendo um progresso, hein, Muller.
- Rir das bobagens que você fala é considerado progresso então? Essa é nova… - revirou os olhos. - E para a sua informação, eu só estou rindo assim por lembrar do seu tombo na parede de escalada no nosso primeiro treino.
- Mas antes você ficou toda preocupada para saber se eu estava bem. Só cuidado para não se apegar no estilo Irwin de ser, pode acabar se acostumando com coisa boa demais.
- Você é ridículo! - ela gargalhou. - E é claro que fiquei preocupada, não poderia matar quem eu devo proteger…
- E o que a minha segurança pessoal está fazendo às três horas da manhã aqui na cozinha? - questionei, enquanto abria a geladeira e pegava água.
- Insônia. E você?
- Ansiedade. - respondi, me sentando ao seu lado na bancada. - Sempre que temos entrevistas, eu fico nervoso. E agora com essa história toda da máfia então…
- Entendo. Fazia um tempo que eu não conseguia dormir assim, mas a falta de informações me deixa preocupada.
- Você não conseguiu encontrar mais nada? - ela balançou a cabeça, respondendo que não.
- Já estamos aqui há duas semanas e eu realmente pesquisei muito! Entrei em todos os sistemas e servidores que poderia ter alguma resposta e nada. Totalmente frustrante.
- Você é tipo… Uma hacker?
- Uhum. Sabia que hacker é uma profissão? - perguntou e eu afirmei com a cabeça. - Nesse caso, eles têm documentos e são licenciados, é o hacker quem faz esse acesso de extração. Por outro lado, existem os “crackers”, que são os peritos em informática que usam seus conhecimentos para violar sistemas e redes de computadores.
- Entendi, mas a diferença é só a licenciatura? - perguntei, achando interessante sua explicação.
Eu nunca fui o melhor aluno na escola, muito menos ligava para essas coisas de computador, mas se empolgava tanto falando sobre esse assunto que parecia ser a melhor coisa do mundo. Era contagiante.
- Não! Eu chamo de “O Lado Negro” da tecnologia. Existe uma divisão em ambas dessas denominações, eu faço parte dos hackers White Hat, que são éticos e rastreiam e monitoram ativamente ameaças, logo, a maioria trabalha dentro da lei. Agora, os crackers são criminosos! Eles operam em fraudes bancárias e eletrônicas, furto de dados, golpes e afins. Tem diversas categorias também. - aumentava o tom de voz conforme ia explicando e dava para ver o brilho em seu olhar conforme ela falava sobre os hackers, dava para perceber que ela era apaixonada pela computação e esse tipo de invasão.
- A máfia russa trabalha com crackers? Porque você descreveu tudo que eles fazem…
- É, eles trabalham sim. Também existem os hackers contratados por eles, conhecidos como Black Hat, que têm más intenções e não respeitam diretrizes de um órgão ou empresa. Já sei! - ela exclamou. - Sabe quando as informações de uma empresa são divulgadas na internet e todos dizem que foi “trabalho dos hackers”?
- Sei sim, mas não foram os hackers então, né? Parece muito mais trabalho de cracker, ainda mais pelo descuido… - eu comentei, tentando adivinhar com o conteúdo que acabei de aprender.
- Exatamente isso, boa, Ash! - ela levantou a mão e eu bati minha palma contra a sua, animado por vê-la assim.
Seu sorriso era gigante, demonstrando que ela estava realmente contente de me ver acertando, mostrando até mesmo seus dentes brancos. Suas bochechas estavam rosadas, resultado de sua empolgação e falta de fôlego ao falar sem parar sobre essas áreas. Ela estava linda assim. Feliz.
- Eu poderia ouvir suas explicações por horas, sabia? - não tive tempo nem mesmo de pensar se era uma boa ideia falar isso, apenas saiu. Não me arrependi nem um pouco, principalmente após vê-la com as bochechas ainda mais vermelhas e um sorriso tímido aparecer em seu rosto.
Passamos mais um tempo conversando e resolvemos subir e tentar, definitivamente, dormir. Amanhã seria um longo dia e eu precisava de toda disposição para aguentá-lo.
Antes de nos despedirmos, pedi para me acordar amanhã cedo, pois era horrível acordando alguém e provavelmente sairíamos no tapa, o que não seria legal porque deixaria meu lindo rostinho vermelho e machucado.
Sim, eu usei essas palavras.
Ela riu disso e concordou comigo.
- Boa noite, Ash. Foi bom conversar com você. - e então entrou no seu quarto, que era bem em frente ao meu.
Deitei na cama novamente e, em poucos minutos, finalmente peguei no sono.

[Flashback off]


A ansiedade voltou logo após, quando lembrei da entrevista que teríamos hoje cedo. Eu adorava falar com os fãs e responder perguntas, mas morria de medo de falar algo e ser mal compreendido.
Luke era o mais tranquilo de nós nessa questão, sua confiança era invejável. Calum era bem relaxado também, mas eu e Mike éramos os piores nessa parte de comunicação.
Pelo menos, todo mundo ria das minhas piadas, o que aliviava a pressão.
Me troquei rapidamente após o banho, tentando não me atrasar. É, eu sempre atrasava. O importante era estar bem vestido e cheiroso.
Encontrei os meninos na sala, todos vestidos adequadamente para a entrevista, sentados no sofá. Tínhamos ainda mais 10 minutos para sair, mas precisava terminar de esconder nossos microfones. Realmente micros, até mesmo eu que estava acostumado em usá-los achei esses minúsculos.
- Prontinho. - ela disse, enquanto ajeitava o meu. Como fui o último a descer, fui o último a ter o microfone instalado.
- Certo. Vamos andando, no caminho explicamos como serão escoltados.
Começamos a andar até uma van preta, de modelo extremamente comum às utilizadas na Austrália. Jack estava no carro quando entramos e nos entregou uma espécie de roteiro.
Não que fossemos precisar muito, acabamos nos acostumando, as perguntas geralmente eram bem repetitivas.
- , como vocês sabem, vai dirigindo o carro. Ela vai estacionar alguns quarteirões antes, vocês vão descer do carro junto a mim. - iniciou a explicação, ela estava séria. Usava um óculos, que, por sinal, a deixava profissional e, ao mesmo tempo, bonita. Sua roupa era básica, uma camiseta branca e uma calça preta. - Estarei fingindo fazer parte da equipe, então conversarei com vocês durante os intervalos e ficarei de olho. Quando descermos, vamos entrar no outro carro estacionado lá, temos de ser rápidos!
- Enquanto isso, eu farei parte da equipe de produção. Depois que vocês descerem, vai estacionar essa van na rua do estúdio. Ela será nossa pilota de fuga, caso necessário. - disse. Ela estava incrível, parecia outra pessoa. Com os cabelos presos em um rabo de cavalo, a roupa social lhe caia bem. - continuará aqui dentro, ela vai acessar as câmeras para garantir que não haja imprevistos.
- Meninos, por favor, não batam no peito! O microfone vai chiar e eu não conseguirei ouvir vocês. - pediu e assentimos, fazendo uma anotação mental para não esquecer disso.
- Entenderam tudo? Na próxima rua vocês já descem, só ajam naturalmente. - Jack nos pediu e concordamos com a cabeça.
Cara, eu nem sabia como agir naturalmente com tudo aquilo.

***


POV’s

Assim que os meninos desceram, continuei dirigindo até o local combinado. Enquanto isso, terminava de acessar o sistema para ficarmos de olho nas câmeras do programa.
- Tudo pronto. - comentou e se aproximou, sentando ao meu lado para assistirmos juntas.
O programa demoraria para entrar no ar, então ficamos conversando enquanto isso. Até fiquei sabendo do encontro noturno com Ash!
- Ele é engraçado, apesar de se achar um pouco… - ela comentou e eu gargalhei.
- Um pouco?! - ela riu também. - Mas todos eles são legais, tivemos sorte com isso, pelo menos.
- Imagina se fossem pessoas metidas? acabaria com todos em dois dias. - não pude deixar de concordar.
Em poucos minutos a luz vermelha se acendeu no estúdio de gravação, mostrando que estavam ao vivo.
As pessoas na plateia gritavam e aplaudiam os meninos, enquanto eles entravam e cumprimentavam a apresentadora, Ellen.
“- Tem sido incrível, para todos vocês, ver o quão rápido cresceram. - Ellen começou a falar assim que todos se sentaram no sofá branco ao seu lado. - De verdade, vocês colocavam suas músicas na internet, faziam covers de músicas de outras pessoas, né?
- Sim, esses dois últimos anos tem sido estranhos e bastante divertidos. - Luke a respondeu. Eu e rimos quando o garoto enfatizou o “estranhos”. - Tipo, nós começamos na escola e por diversão. E isso acabou se tornando algo sério…
- É! Foi se amontoando como um Tumbleweed, ou uma bola de neve, não sei, qualquer coisa que cresce rápido serve. - Ash completou o amigo.
- Tumbleweed seria triste, mas uma bola de neve é melhor… - Ellen o respondeu, fazendo todos rirem.
- Até a puberdade nos atingiu duramente. - o comentário de Mike fez com que todos rissem novamente. - Estar em uma banda faz os anos passarem muito rápido!
- É o estresse. - Ash respondeu. - Você passa pela puberdade e não fica bonito na frente das câmeras se estiver com a pele ruim.
- Bom, eu acho que vocês estão ótimos! - Ellen respondeu e eles sorriram, agradecendo.”

- Eles falando sobre puberdade é o meu novo passatempo favorito! - comentei e gargalhou. Aquilo estava muito bom. Eles eram ótimos respondendo às perguntas.
“- De verdade, vocês estão fazendo as coisas tão bem, e todo mundo estava muito animado, nós temos tantas fãs que queriam conhecer vocês… - as pessoas da plateia gritaram. - Então tivemos a ideia de sortear o número de algum assento para isso acontecer!
Após mais gritos, os meninos sortearam um número e uma garota loira, que usava saia azul claro se levantou, com a mão em frente a boca. Ela parecia estar sonhando.
Assim que ela se aproximou, Calum foi um pouco para o lado e Luke também, dando espaço para ela bem no meio dos dois. Ela se sentou e o loiro entregou uma xícara com água para ela se acalmar. Eles realmente não sabiam lidar com meninas.
- Você já assistiu algum show deles? - Ellen perguntou, enquanto entregavam o microfone para a menina.
- Sim! Recentemente fui para Nova York, quando eles estavam no Today Show, e eu passei a noite fora por 24 horas! E eu nem consegui vê-los então… - ela explicou e Ash soltou um “Awn”.
- Olhe para nós agora! - Mike a respondeu.
- É! Olhe para você nesse sofá. Tudo valeu a pena, não é?
- Sim! - ela respondeu, sorrindo.
- Mas você não tem nenhuma história positiva? - a apresentadora questionou.
- Tenho! - ela riu. - Eu vi vocês no House of Blues e no show do One Direction.
- Yay! - Ash esticou a mão, fazendo um high-five com a menina.
- E agora está sentada no sofá com eles! Isso é um presentão, mas o que faria se ganhasse outro presente? Vocês têm outra coisa para ela? - Ellen perguntou aos meninos.
- Não. Não temos. - Ash respondeu e todos riram. - É brincadeira, temos alguns shows pela frente, então trouxemos ingressos para ela!
Os meninos entregaram os ingressos para a menina, que parecia que desmaiaria a qualquer momento.
- Mas acho que não é justo isso. Todos aqui deveriam ganhar ingressos para vê-los!
E então o programa foi finalizado, com todos gritando e uma boa parte chorando também.”

- Até que eles foram fofos… - comentou e eu concordei.

***


POV’s

Apesar de estar acostumada em aparecer em muitos desses eventos, inclusive até uns mais chiques, eu não conseguia deixar de ficar indignada com a falsidade das pessoas.
Mas até que eu gostava da Ellen.
Devido às aulas que tivemos na Matriz, sabíamos de linguagem corporal. Ainda assim, era evidente que a assistente da entrevistadora, acho que seu nome era Mary Anne, estava dando descaradamente em cima de Luke.
Era uma cena até que irônica, ainda mais porque ela nem fazia questão de disfarçar e ele nem ao menos parecia ter se tocado do que acontecia, conversando normalmente.
Tudo parecia extremamente normal durante as primeiras perguntas, dava para sentir a compaixão pela música e pelos fãs que os garotos transmitiam.
Eu conversava algumas vezes com a real equipe dos meninos, fazendo as funções que eles teriam de fazer. Coisas simples como pegar as águas.
Se meu pai queria me castigar, ele havia conseguido.
Como alguém acostumada a colocar “a mão na massa”, era totalmente tedioso e sem graça estar no papel de vigilante. Eu não fazia ideia de como e gostavam dessa parte.
Pelo menos a entrevista estava sendo divertida.
Pouco tempo depois, notei uma movimentação estranha no set. Um homem que parecia ser da produção estava indo em direção ao camarim deles. Bufei, cansada de gente enxerida.
Alertei , que estava do outro lado da sala, discretamente, e fiz sinal que iria até lá, deixando com ela a responsabilidade de observar os meninos.
Caminhando sem chamar atenção e, ao mesmo tempo sendo rápida, abri delicadamente a porta do camarim deles, olhando para os lados e estranhando.
Dois segundos depois, a porta foi fechada pelo homem e ele tentou me dar um chute, o qual defendi com o meu braço. Ele estava enfurecido e eu tentava decorar as características físicas enquanto ele vinha para cima de mim.
Após uma sequência de três socos, fui atingida na barriga pelo quarto, ofegando e pressionando-a com minha mão. Levantei rapidamente a perna e tentei chutá-lo, mas ele segurou com força. Utilizando um dos golpes mais básicos que ensinei para os meninos nesses dias, girei meu corpo e recuperei o movimento da perna, aproveitando para chutá-lo com a outra.
Seu nariz começou a sangrar e ainda assim, ele me batia fortemente. Eu defendia e revidava com toda agilidade que tinha.
Obrigada mão pesada por nunca me abandonar.
Rolamos pelo chão quando ele me deu uma rasteira, girando os corpos várias vezes, tentando ficar por cima e obter vantagem, enquanto iniciamos uma série de socos.
Porra, ele era muito forte e eu sabia que estava sangrando também pelo gosto de ferro em minha boca.
Isso sem contar que, apesar de eu ser alta, ele tinha quase que o dobro da minha altura, então eu precisava priorizar a velocidade dos meus movimentos.
Meu óculos sem grau tinha caído e quebrado.
Com um soco em minha costela e uma cabeçada, resmunguei de dor e vi tudo ficando preto, enquanto minha cabeça parecia latejar.
Rapidamente, ele saiu de cima de mim e eu tive tempo de ver acertando-o com seu chute. Eles iniciaram uma batalha e, logo após conseguir levantar, me envolvi na briga, dando suporte para e distraindo-o.
deslizou por baixo da mesa para fugir de um soco dele, e eu aproveitei esse momento para dar uma joelhada suas partes inferiores. Pois é, o homem gritou.
- Vadia, eu vou matar vocês! - ele exclamou.
subiu na mesa e pulou em cima dele, o que dificultava sua concentração. Ele estava perdido, sem saber se dava atenção a mim ou a minha parceira, o que nos garantiu vantagem por um tempo.
Infelizmente, por ele ter quase 2 metros e parecer fundador de 3 academias, tão enormes eram seus músculos, ele bateu as costas contra a parede, de forma que bateu fortemente a cabeça e se desequilibrou, caindo de seus ombros.
Achando que ela estava desmaiada, partiu para cima de mim, mal me dando tempo de planejar um contra-ataque. Ele segurou-me pelo pescoço com uma mão e me pressionou com força contra o espelho, quebrando-o com meu peso.
Senti minhas costas serem arranhadas enquanto ele me enforcava e, por mais que eu tentasse tirar sua mão, ele era mais forte e conseguiu imobilizar minhas pernas. Cacete, que droga.
Eu estava perdendo o fôlego ouvindo-o falar que iria me matar de vez quando vi se levantando e afastando a saia, de modo que eu soube o que iria acontecer.
Distraindo-o o máximo possível, vi jogar a faca e acertá-la com precisão sobre sua mão esquerda livre, apoiada no espelho quebrado. Ele se soltou e retorceu, e eu não tardei em revidar.
O sangue escorrendo em sua mão manchava minha roupa branca e eu revirei os olhos, pensando que nossos responsáveis não ficariam muito contentes em saber que eu joguei umas quatro camisas fora neste mês.
Arrancando a faca de sua mão, soquei-o com tanta vontade que machuquei minhas próprias mãos. Ele estava deitado no chão novamente, mas eu só parei os socos quando consegui desacordá-lo com um no pescoço.
Arremessei a faca de volta para e suspirei, passando a mão pelos meus cabelos. Meu suspiro de alívio não durou muito, pois logo ouvimos a porta do camarim ser aberta.

Capítulo 6

Calum POV’s

Ellen era incrível, hilária e maravilhosa. A entrevista tinha sido extremamente divertida, sem nenhum momento maçante ou constrangedor.
Sem falar que ela sabia entreter o público, não era à toa ser considerada uma das melhores entrevistadoras! Ficamos super contentes pelo seu convite.
- Mary Anne disse que a Ellen estava querendo muito fazer uma entrevista conosco, por isso não pensou duas vezes quando veio para a Austrália. - Luke explicou.
A estagiária de Ellen era bacana, mas achei meio chato que ela focalizou toda atenção em Luke. Entendo que ela queria o número dele, mas profissionalismo deveria vir em primeiro lugar.
- E aí, chamou a Mary para sair contigo, garanhão? - Ash brincou, nos arrancando algumas risadas.
Luke continuava confuso, olhando-nos com cara de bobo.
- Hey, vocês esqueceram que não podemos sair com ninguém? Sem falar que ela nem queria nada comigo, caras.
- Credo, Luke, você é muito lerdo! Só faltava a menina se jogar para cima de você, sério. Depois que te chamamos de Miss Simpatia você reclama. - Mike disse e concordamos.
- Apesar de que você, Michael, não pode falar muito sobre ser lerdo. Estudamos juntos desde pequeno e minha memória é ótima! - Ash disse, ridicularizando o Mike.
- Não sei do que está falando. Quero tomar um banho e voltar para casa, estou exausto.
Quando a entrevista acabou, conversamos pouco mais com Ellen para agradecer a oportunidade, até ela se despedir e ir embora. Aproveitamos para agradecer a equipe e conversar com Jack.
Achei estranho não ter visto ou quando terminamos, mas imaginei que elas estariam procurando algo dentro desse estúdio e dei de ombros.
Jack nos disse para irmos para o camarim nos trocar e depois veríamos como voltar para casa, já que haviam alguns paparazzi na rua. Assentimos e iniciamos a caminhada.
- Nem me fala, eu amo conversar, mas ao tempo é muito cansa-
Luke nem conseguiu terminar sua fala. Mike abriu a porta do camarim e a imagem que tivemos foi de surpreender, fazendo nosso queixo cair.
- Fecha essa porta logo! - repreendeu e nos entreolhamos, fechando a porta rapidamente e observando tudo.
O camarim estava destruído. As mesas e poltronas bagunçadas, algumas cadeiras quebradas e o vidro do espelho destroçado.
Além disso, havia um homem deitado no chão!
- O que aconteceu aqui? - perguntei assim que reuni coragem.
- Esse otário aí... - apontou para o cara desfalecido. - Aconteceu. Tentou matar a gente, não sei se queriam roubar algo ou só esperar a entrevista acabar e pegar vocês de jeito.
Era quase cômica a raiva e naturalidade com que falava isso. Ainda mais quando ela estava com a perna apoiada no sofá, limpando a faca na parte de dentro da saia e guardando-a em um prendedor na sua coxa.
- Dica do dia: não saiam de casa sem uma abraçadeira de nylon. Famoso “enforca gato”. - disse e levantou os braços do cara, demonstrando que havia prendido ele assim. Ela logo se levantou e ajeitou sua roupa, toda ensanguentada.
Ok, seu humor era estranho demais.
- Que merda, não vou conseguir sair daqui usando essa camiseta. Algum de vocês tem uma blusa ou jaqueta na mochila? - perguntou e Luke abriu sua mochila, jogando uma camiseta preta da nossa banda para ela. - Valeu.
Ash, que eu nem havia percebido ter saído, voltou com uns panos molhados e me entregou um, apontando com a cabeça para enquanto ia em direção à .
- É, realmente as aulas de compensaram. - eu disse, limpando o rosto de . Seu nariz tinha sangrado e tinha um corte bem pequeno em seu supercílio. Higienizei bem o local para não infeccionar.
- Obrigada. - ela sorriu enquanto me respondia. Eu a admirei por alguns segundos, mas logo voltei minha atenção para a situação em que estávamos.
- , a vai te matar quando souber que você quase enforcou o homem com essa perna! O corte abriu? - perguntou, preocupada. Eu nem queria imaginar como tinha sido essa cena antes de chegarmos.
- Incrivelmente, não! Ainda bem, né? Aposto que ela deve ter me xingado horrores no carro. - riu, achando graça no comportamento de sua amiga.
Esperava me acostumar logo com esse tipo de acontecimento, era estranho tentar agir naturalmente com um cara nocauteado e ensanguentado no chão.

***


POV’s

- Até que eles foram fofos… - comentei e concordou.
- É engraçado vê-los assim, com fãs e tudo mais. - ela comentou, pensativa. Sem ter tempo para respondê-la, percebi um movimento estranho no camarim dos meninos. Logo, reparou também.
- , a está sendo atacada no camarim! - avisei pelo microfone.
- Estou indo!
Em poucos segundos, também havia se juntado na briga.
- Se esse corte na perna dela abrir, eu vou matá-la! - comentou, vendo a garota subir na mesa e pular no cara.
Eu ia responder quando algo atingiu o carro e, pelo som, era tudo que não precisávamos naquele momento.
Olhei para trás, a tempo de ver outro carro se aproximando. Uma pessoa de dentro dele esticava o braço para fora da janela, segurando uma arma, e começou a atirar em nós. Não precisei falar nada, já havia ligado o carro e agora enfiava o pé no acelerador.
- Meninas, se vocês estiverem pensando em sair, não venham agora! Estamos sendo atacadas. - avisei no microfone e saquei a arma que estava em minha cintura.
Posso não ser a melhor em pontaria, mas era boa o suficiente para, ao menos, matar um daqueles caras.
Pulei para a parte de trás da van e me preparei para abrir a janela. Analisei quantas pessoas haviam dentro do carro e, assim que tive a resposta, apertei o botão, descendo o vidro.
Mirei no cara que estava no banco do passageiro e atirei três vezes seguidas. A última pegou em sua mão, o fazendo gritar e voltar o braço para dentro do carro. Mas como a vida não é fácil, outra pessoa, agora no banco de trás, começou a atirar também.
- Nós fomos atacadas também. Precisamos tentar sair com os meninos pela outra saída. Nos espere lá. - a voz de surgiu.
virou o carro bruscamente para voltar e buscá-los. Conseguimos alguns segundos de vantagem, já que minha amiga os despistou. Era exatamente o que precisávamos.
Atirei mais algumas vezes, deixando marcas na lataria do carro. Quando percebi que estávamos chegando no portão onde os meninos, e estavam, fechei a janela e fui para a porta, me preparando para abrí-la no momento certo.

***


POV’s

Meu nariz ardia e minha cabeça doía devido a batida. Por sorte, Calum me ajudou e limpou os cortes em meu rosto, enquanto Ash fazia o mesmo com .
Eles eram uns fofos.
- Precisamos pegar a digital desse cara. - lembrou, pegando um aparelho do bolso.
O objeto lembrava bem um celular, a diferença é que a tela, na verdade, era um scanner. Nós o usávamos para pegar as digitais sem comprometê-las.
se aproximou do cara forte, agora desmaiado, e segurou sua mão, apoiando o dedão na tela do aparelho. Após alguns segundos, o botão verde acendeu e ela largou o braço, que pelo barulho, era bem pesado.
Ela pareceu ter reparado em algo no bolso do casaco do homem, então enfiou sua mão e tirou um pen drive de lá.
- Espero que tenham algumas respostas aqui. - ela comentou, guardando consigo o objeto.
- Meninas, se vocês estiverem pensando em sair, não venham agora! Estamos sendo atacadas. - a voz de surgiu no fone. Olhei preocupada para .
- Precisamos ter cuidado ao sair daqui.
Logo expliquei o que estava acontecendo para os meninos e qual era o plano para sair de lá. Enquanto isso, contava para as meninas que tínhamos sido atacadas também - descobrimos que elas inclusive haviam assistido - e que não poderíamos ficar mais tempo por lá.
- Mas o que vamos fazer com esse cara? - Luke questionou. Um bom ponto, eu diria. Era tanta confusão que nem ao menos havia passado pela minha cabeça.
Mais uma vez naquela tarde, a porta se abriu, nos assustando. Fiquei aliviada ao ver Jack entrando na sala.
Ele observou cada detalhe, desde o espelho até nossos machucados. Não precisamos falar nada para que ele entendesse que queríamos sair de lá.
- Não se preocupem, chamem reforços e eu os espero aqui. Podem ir. - suspirei, contente com a resposta do segurança. não perdeu tempo e discou o código para a Matriz local, explicando tudo. Logo eles enviariam pessoas para cuidar daquele cara, e, se possível, tentar descobrir o máximo de informações possíveis dele.
Agradecemos Jack e corremos para a saída dos fundos, onde deveria estar. Avisei rapidamente como eles deveriam subir no carro, já que não teria tempo para estacionar, e então esperamos.
Assim que avistei a nossa van, me preparei para pular. A porta de correr foi aberta e esticou a mão. Mandamos os meninos entrarem primeiro, em seguida , e, por último, eu. Corri e me segurei nela enquanto atirava nos pneus do carro que já estava logo atrás, nos dando ainda mais tempo.
- Eu só queria saber de onde está saindo tanta gente assim para matá-los. - comentei enquanto aproveitava para atirar mais algumas vezes. Por sorte, os quatro pneus haviam furado e agora o carro não nos seguia mais.
Eu e ainda estávamos observando através da janela, caso algo acontecesse. conseguiu pegar alguns atalhos, e em poucos minutos estávamos em casa novamente.
Eu e realmente precisávamos de um banho, então combinamos de nos encontrar no laboratório de logo em seguida. Ela faria alguns testes e tentaria acessar o pendrive que pegamos do cara que nos atacou. Estávamos ansiosas por novas informações.
Não demorei muito no banho. Nem me dei ao trabalho de secar o cabelo, apenas coloquei uma roupa leve - incluindo um short, graças ao corte que tinha em minha perna - e entrei no elevador, apertando o botão para o subsolo.
Não me surpreendi ao ver as três apenas me esperando.
- Conseguiu? - questionei, me sentando na cadeira livre. e estavam com uma expressão estranha. Boa coisa não era.
- Consegui. - ela passou as imagens do computador para as telonas que tinham na sala e comecei a olhar com atenção o conteúdo. Era uma lista com vários nomes, alguns deles já estavam riscados.
- Aparentemente é uma lista de pessoas para matar. - explicou, direta.
- Isso. O cara que tentou matar vocês era um assassino de aluguel. Encontrei vários registros dele através da digital. - completou. - O problema é que nenhum deles o liga com a máfia russa.
- Mas isso não é possível… - minha cabeça estava uma confusão. Foi então que apontou para alguns nomes específicos na lista.
Tudor”, “ Bonnet”, “ Carpentier” e Muller”
Agora não apenas os meninos corriam perigo, mas nós também. Porém, os problemas não pararam por aí. rolou a página e eu e nos olhamos, totalmente em choque. As lembranças me atingiram como um soco.
Bonnet” e Carter” também estavam ali.
Riscados.

Capítulo 7

POV’s

Desde que fomos avisadas dessa missão, eu me encontrava em um estado de pura irritação, e deixei bem claro.
A raiva, mesmo que odiada pela maioria das pessoas, era meu combustível. Eu perdi tanto na minha vida ao decorrer dos anos que era isso que me restava.
Eu não podia parar e pensar, porque doía demais, eu não queria que continuassem me olhando com dó, não era indefesa e muito menos uma pobre coitada.
Crescemos ouvindo que poderíamos ser mortas a qualquer momento, arriscamos nossa vida toda vez que saímos para uma missão. Mas era diferente agora, saber que alguém tem um alvo na sua cabeça e que seu objetivo é, especificamente, te matar.
Morrer não era mais a droga de um dano colateral pelo o que fazíamos.
Detestava demonstrar, mas temia pela vida de minhas amigas. Não aguentaria mais uma perda.
- Sabe, eu sinto saudades do . É difícil para caramba olhar para você e não lembrar dele. - começou a falar. Respirando fundo ao sentir meu nariz arder, meti um soco no Fred com todo nervosismo contido em mim.
- Odeio clichês, isso é tão ridículo!
Provavelmente a Matriz me mataria se tivesse que enviar outro boneco por minha causa, mas eu não tinha culpa. Era a minha vida virando do avesso.
- Você pode falar disso comigo, se quiser. - disse. De canto de olho, vi ela se posicionar e arremessar uma faca, acertando o alvo com precisão.
Descemos para a sala de luta após a conversa com as meninas, visando aliviar a raiva de alguma forma. Não queria gritar, nem surtar, só queria bater no Fred com essa luva enorme de boxe até que tudo isso passasse.
- Não quero falar.
- , eu te conheço há anos, sei o que você está sentindo. - disse, terna, mas eu não aguentei a pressão.
Foi aí que eu explodi.
- Você sabe o que estou sentindo, , mas a porra do mundo não! Passei anos achando suspeita a morte deles e agora isso só prova que eu estava certa! Se a Matriz tivesse me ouvido, se meus pais tivessem me ouvido… - a cada palavra socava mais e mais. - Eu só… Estou exausta disso tudo.
E então comecei a chorar, desesperada.
parou seu arremesso e veio me abraçar, sem dizer uma palavra. Ela sabia que não estava tudo bem, tentar me convencer disso seria inútil.
Alguns minutos depois, recuperei o controle e disse que ela podia voltar para seu lugar, que eu queria dar uns chutes agora.
Ela concordou com a cabeça e voltou a arremessar.
- Deveríamos ter matado aquele desgraçado! - recomecei a falar, a ira presente em minha voz, relembrando do homem que nos atacou no camarim. - Juro por tudo, se eu soubesse quem ele era, teria feito! Aquele merda não merecia estar respirando! Não depois do que ele fez, porra!
Estava descontrolada, gritando aos quatro ventos o quão morto queria que ele estivesse, falando para que mataria quem estivesse envolvido com essa merda. Que vingaria a morte de e .
Graças ao meu ótimo reflexo e percepção de ambiente, além de ouvir alguns passos, soube que um dos meninos tinha descido e estava lá fora.
- Incrível, eu não tenho a merda de um minuto de paz! - gritei, estressada.
- Luke, o que você quer? - perguntou, com a voz cansada. Me perguntava de vez em quando se realmente foi uma boa ideia dar o acesso desse andar para os meninos uma semana atrás. Agora eles achavam que podiam simplesmente descer assim? Tudo bem que realmente nos economizou tempo, já que sempre precisávamos ajudar eles com isso.
O garoto saiu de trás da porta e entrou na sala, receoso, ele segurava uma sacola preta.
- Vim te trazer sua roupa, guardei na sacola, mas está toda ensanguentada. Se quiser, eu posso subir e te entrego depois.
Eu respirei fundo, não queria ser má educada com ele só porque apareceu em péssima hora. me avisou que iria para o quarto dela porque estava exausta e precisava pensar. Com pensar, ela queria dizer chorar. Avisei que passaria lá mais tarde e ela concordou, saindo da sala.
- Agradeço por guardar para mim, infelizmente vou ter que jogar fora. Aliás, sua camiseta está no meu quarto, vou mandar lavar e depois te devolvo, ok?
- Claro, não se preocupa. - ele disse.
Sabia que ele queria me perguntar algo pelo jeito que me encarava. Droga. Tirei as luvas e peguei a sacola de sua mão, tremendo. Só de lembrar o motivo de estar assim…
- O que foi? - perguntei logo, sem paciência para aguentar mais dramas.
- Não quero ser intrometido, mas acabei ouvindo um pouco da conversa… Hm, eu só queria ver se você está bem, sei que estão atrás de vocês.
- Ah, estou ótima, melhor que nunca! Um imbecil foi contratado para me matar, não poderia estar melhor! - disse, ironicamente.
- Desculpa, e-eu… Desculpa. - Luke gaguejou, parecendo envergonhado, e me deu as costas.
De certa forma, aquilo me atingiu.
Não queria ficar sozinha agora. Não queria mais ninguém me deixando.
- Espera! Sinto muito, não quis ser grossa. Não precisa ir embora.
Surpreso pela minha reação, Luke virou e me encarou. Concordou com a cabeça, receoso, e voltou a se aproximar.
- Quer contar o que aconteceu? - ele me perguntou e eu concordei com a cabeça. Sentei no tapete e esperei ele fazer o mesmo.
Eu precisava daquele momento.
- Há dois anos, aconteceu um acidente que abalou a Matriz inteira. Lembro como se fosse hoje… Acordei um dia e todos olhavam para mim e para estranhamente. Normalmente chamávamos atenção mesmo porque, além de filhas dos organizadores, convenhamos que somos bonitas. - eu ri e Luke me acompanhou, concordando. - Enfim, alguns minutos depois, nos chamaram na sala de reuniões. estava quase vomitando, ela sabia que algo errado tinha acontecido e passou mal por isso.
Fiz uma pausa, respirando fundo, tentando não chorar enquanto meus olhos ardiam. Tinha a sensação de que uma mão invisível apertava meu peito, tirando meu fôlego e não deixando nada além da dor.
- Nossos pais estavam lá, somente os quatro, o que era bem incomum. Achei que seríamos expulsas ou algo assim. Eles disseram que aconteceu um acidente com o carro que alguns agentes estavam e isso acabou custando a vida de dois que estavam lá. Eu tremia enquanto eles contavam que havia sido e . Só eles tinham saído nos últimos dias. Na hora eu nem consegui acreditar, paralisei enquanto fez mil perguntas. Aquilo não poderia ser real, sabe?
Luke pegou em minha mão assim que eu falei das mortes, tentando me passar apoio. Estava tão quebrada que acabei aceitando sem pestanejar. Ele estava quente e eu sabia que estava gelada.
- Depois disso, eu gritei e esperneei. era meu namorado na época, ele era uns dois anos mais velho que eu e uma das melhores pessoas que eu conheci na vida. Foi um baque enorme. Mas saber que perdi, também, … Foi como se tivessem arrancado uma parte de mim. Ele era meu irmão gêmeo, minha cara metade, meu melhor amigo. Éramos idênticos fisicamente, mas sempre foi doce e gentil com todos, era minha inspiração. Ele era engraçado e me fazia sentir tão segura, todos o amavam. - foi impossível controlar as lágrimas. Detestava chorar, detestava que me vissem chorando. Mas ali, com Luke, eu mandaria todos para o inferno. Era uma cena deplorável enquanto eu limpava minha cara nas partes limpas da camisa. - namorava com , eles eram maravilhosos juntos. Nunca vi meu irmão tão feliz. Quando ouvimos aquilo, foi impossível acreditar, sabe? Nic era incrível dirigindo, inclusive ele quem ensinou a a realizar muitas manobras, então parecia ridícula a hipótese de terem batido o carro e morrido com uma explosão. Mas nossos pais insistiram que havia sido isso...
Quando terminei esse parte, ele fez algo que eu nunca imaginei que faria. Ele me abraçou, pressionando meu rosto contra seu peito e fazendo carinho no meu cabelo. Eu parecia uma criança de tanto chorar, mas foram anos de mágoa acumulada e não poderia ligar menos.
- Hoje, sabe aquele homem com quem lutamos? Ele é um assassino de aluguel, foi contratado para matar eu e as meninas. Achamos a ficha dele com uma lista com vários nomes. Não bastasse os nossos, ainda tive que ler os de e . Foi como se tivessem pisado em cima de mim. É cruel descobrir a verdade agora, anos depois de ser convencida que eu estava errada. Passei seis meses sem me encarar no espelho, eu detesto meu aniversário, o que é irônico, porque quando mais nova, eu e brigávamos para ter mais atenção nesse dia. Eu só quero entender o que está acontecendo. Estou cansada dessa merda.
- , eu realmente sinto muito pela sua perda. Não consigo imaginar o que faria se perdesse algum familiar ou amigo próximo, o máximo que posso dizer é que entendo a sensação de ter alguém tentando te matar. É frustrante e doentio. Não foi justo você sofrer dessa forma, mas também não é justo você deixar te tratarem assim. Qual é, você enfrentou o Mike logo após chegarmos aqui! Mostrou a garra e determinação, se compromete com os compromissos que assume, seja nossas aulas ou nos defender. Não abaixe a cabeça e entregue a vitória fácil assim. Você é, com certeza, a pessoa mais forte que eu já conheci!
Luke falava com determinação e pude perceber uma pitada de admiração em sua voz. Ninguém nunca me disse isso, que eu era a pessoa mais forte. Acho que negligenciei tanto tempo essa parte, parecia errado me sentir forte quando eu estava somente sobrevivendo.
- Se até o Fred está quase destruído por sua causa, o que são assassinos, sabe? - ele abanou a mão, fazendo pouco caso. Ri pelo nariz com sua tentativa, me sentindo um pouco melhor após suas palavras. - Eu acredito na sua capacidade e estarei aqui para o que precisar, sempre que precisar.
Sua voz terna firmava uma promessa silenciosa conforme ele acariciava minha bochecha, limpando as lágrimas que corriam livremente pelo meu rosto. Eu concordei com a cabeça, acreditando em Luke.
Pela primeira vez em anos, me permiti abraçar alguém além das meninas e de meus pais.

***


POV’s

Sentia um nó em minha garganta. Só de lembrar de , sentia uma dor gigante, era como se tivesse uma ferida aberta e, apesar de tê-la ignorado durante dois anos, hoje eu percebi que ela não poderia estar pior.
Assim que entrei no elevador, respirei fundo e olhei para cima, em uma falha tentativa de não deixar as lágrimas escorrerem. Cobri meus olhos com as mãos e desisti de tentar ser forte. Fiquei ali por alguns segundos, deixando alguns soluços escaparem.
Foi então que lembrei onde estava e reparei que eu nem havia apertado o botão. Após ver a luz laranja do primeiro andar se acender, o elevador começou a subir. Olhei para o espelho e vi meus olhos inchados e meu nariz vermelho. Algumas lágrimas ainda insistiam em cair, então as sequei com a mão e tentei me recompor, respirando fundo.
Mudei o rumo assim que passei pela cozinha. Minha garganta estava seca, então decidi tomar um pouco de água. Ao ver o jardim, decidi que ficaria um pouco por lá.
Deixei o copo na pia e andei calmamente até a grama. O que me surpreendeu mesmo foi o fato de Calum estar ali também. Ele estava com um violão, dedilhando alguma melodia.
Pensei em voltar e me trancar no quarto, mas após vê-lo ali, a vontade de ficar era maior. Ele me olhou e indicou um espaço ao seu lado. Foi exatamente onde me sentei.

***


Calum POV’s

Desde que chegamos, as meninas estavam estranhas. Assim que e se limparam e desceram para o laboratório, eu não as vi mais. e subiram, mas estavam péssimas. Apenas entraram em seus respectivos quartos e não saíram mais.
Como precisávamos ensaiar, eu e os meninos ficamos um tempo na sala de música, mas o clima não estava tão bom, afinal, aconteceram muitas coisas durante o dia, então Ash e Mike foram jogar videogame no quarto de um deles, Luke disse que procuraria para entregar sua blusa e eu fui para o jardim.
Estava com uma melodia na cabeça desde ontem e acabei levando o violão para ver se conseguia algo novo. Dedilhei algumas notas, gostando do resultado e fiz uma anotação mental para mostrar para os meninos mais tarde e ver o que conseguíamos a partir daquilo. Foi então que vi se aproximando.
Ela estava mal, parecia ter chorado recentemente. Ao me ver, olhou para a cozinha de novo, talvez pensando em entrar novamente. Apenas indiquei um lugar ao meu lado, esperando que ela se sentasse.
Não fazia ideia de como conversar com alguém triste assim, principalmente com ela. Seus problemas eram bem diferentes dos que estava acostumado, eles envolviam mortes, lutas e coisas que só duas semanas atrás eu passei a entender um pouco.
Admito que fiquei surpreso quando a vi se sentando ao meu lado. O sol batia em seu rosto e ela fechou os olhos por alguns segundos, respirando fundo.
Eu não conseguiria ficar lá e fingir que não me preocupou vê-la triste assim. Então deixei meu violão de lado e a olhei, procurando as palavras certas para começar uma conversa.
- Está tudo bem? - questionei, me xingando por dentro. É claro que não estava tudo bem.
apenas balançou a cabeça, negando. Vi uma lágrima escorrendo de seus olhos marejados e aquilo me atingiu em cheio.
Nunca soube lidar com garotas e era ainda pior quando elas estavam chorando. Na verdade, eu tentava fugir de situações como essa, por justamente não saber o que dizer.
Naquele momento foi diferente, em nenhum momento pensei em sair, queria ficar e fazê-la sorrir novamente. Não esperei ou pensei em mais nada, apenas passei meu braço ao redor de sua cintura e a puxei para mais perto, a abraçando.
Ela poderia ter me empurrado, mas ao senti-la corresponder aquele gesto, enquanto chorava cada vez mais, comecei a fazer carinho em seus cabelos castanhos claro.
Aos poucos, foi parando de chorar.
- Se quiser conversar sobre o que aconteceu, eu estou aqui. – disse, assim que ela se afastou um pouco.
- Obrigada… E desculpa por molhar sua blusa. - ela riu com o nariz e eu a acompanhei, dando de ombros.
A vi respirar fundo, provavelmente pensando em como começaria a falar sobre o que a deixou mal.
- Você já se apaixonou, Calum? - perguntou.
Admito que fui pego de surpresa. Pensei na resposta por alguns segundos, mesmo já a tendo desde o começo.
- Nunca. - dei um sorriso, tímido. - Tenho medo. - admiti, a vendo sorrir em apoio.
- Não tenha. É a melhor coisa do mundo! É um desafio que, com certeza, compensa no final. Sentir o frio na barriga, aquela paz em estar com a pessoa… - suspirou, parecendo se lembrar de algo. - Mas também pode ser muito difícil se ela vai embora, e é pior ainda quando ela é arrancada da sua vida, sem ao menos querer isso. Bom, foi o que aconteceu quando conheci Bonnet.
- Ele é… - deixei a pergunta incompleta. Nem precisei terminá-la para obter uma resposta, de qualquer forma.
- Irmão de . Sim. - eu estava surpreso. Nunca pensei que ela poderia ter um irmão, e ainda mais que namorasse . - Apesar dela ser estressada desde sempre, nunca demonstrou nenhum tipo de incômodo pelo nosso relacionamento. Bem pelo contrário. Quando contamos, ela ficou tão feliz. Foi um alívio!
Ela sorriu, enquanto encarava as próprias mãos.
- Mas então um dos dias mais difíceis, se não o pior, chegou. Sabe quando você sente que algo não está certo?
Balancei a cabeça, confirmando. Eu a olhava, realmente interessado na história. Queria conhecê-la melhor, e por saber que isso era algo importante em sua vida, não conseguia prestar atenção em outra coisa a não ser nela.
- Durante aquela madrugada, havia me mandado uma mensagem, dizendo que chegaria em pouco tempo, que mal via a hora de nos encontrarmos de novo. Ele e , o namorado de , foram mandados para uma missão e já estavam fora por dois meses. Então quando acordamos e todos nos olhavam como se estivessem com pena, eu já sabia que tinha acontecido algo.
Eu já havia me surpreendido tanto durante essa história, mas vê-la sofrer assim era horrível.
- Eu passei tão mal naquele dia. Foi então que nos chamaram para uma reunião. Normalmente e estavam juntos, e naquela em especial, não. Quando entramos na sala e vimos nossos pais... Quando vi os pais de … Eles estavam destruídos. Nunca os vi daquele jeito. Eu não queria ouvir o que tinham para dizer, eu já sabia.
Coloquei minha mão sobre a sua, a segurando com carinho. me olhou um pouco surpresa, mostrando que não esperava essa atitude. Eu apenas sorri, a incentivando a continuar. Ela retribuiu o gesto e voltou a falar, dessa vez, olhando para mim.
- Contaram que eles sofreram um acidente de carro durante a volta, mas hoje descobrimos que não foi como falaram. E sim um crime, feito pela mesma pessoa que tentou nos matar hoje. Encontramos uma lista com alguns nomes, os nossos estavam lá também, mas os deles já estavam riscados.
- E como você está se sentindo com tudo isso? - ela me olhou por alguns segundos, parecendo pensar em uma resposta.
- Eu não sei. - suspirou. - Dói lembrar das coisas que eu tentei esquecer por dois anos, mas estou aliviada, de certa forma, por descobrir a verdade, sabe?
- Não consigo entender completamente o que você está sentindo. Deve ser uma confusão aí dentro agora. - apontei para a sua cabeça e ela riu enquanto secava uma lágrima. - Às vezes, o melhor que podemos fazer, é sentir a dor. E cada um tem uma maneira de lidar com isso.
- Eu choro, bate em quem estiver na frente… - ri com o exemplo que ela deu, concordando. - se isola de todos e gosta de ter gente por perto… Mas, e você?
- Coloco tudo no papel e crio músicas. - respondi, olhando para o violão que estava ao meu lado. Era o melhor jeito de desestressar.
- Se importa de tocar alguma coisa? - neguei e então peguei o instrumento, o segurando da forma correta.
- Qual você quer escutar?
- Uma que você escreveu recentemente. - sorri ao ouvir sua resposta. Logo comecei a dedilhar a melodia calma de Invisible.

Another day of painted walls and football on the TV… (Outro dia de paredes pintadas e futebol na TV)


Comecei a cantar, a vendo me olhar surpresa.

No one sees me
(Ninguém me vê)
I fade away, lost inside a memory of someone's life
(Eu desapareço, perdido dentro de uma memória da vida de alguém)
It wasn't mine
(Não era meu)
I was already missing before the night I left
(Eu já estava perdido antes da noite que deixei)
Just me and my shadow and all of my regrets
(Apenas eu e minha sombra e todos os meus arrependimentos)
Who am I? Who am I when I don't know myself?
(Quem sou eu? Quem sou eu quando não me conheço?)
Who am I? Who am I?
(Quem sou eu? Quem sou eu?)
Invisible
(Invisível)


Toquei mais um pouco da melodia e parei antes da segunda parte começar.
- Você é… Nossa. - ri com sua resposta. - Incrível!
Sorri verdadeiramente pela primeira vez após duas semanas cheias de tensão e medo.

Capítulo 8

No dia seguinte, o clima ainda estava pesado. Ignorando a programação matutina organizada por , e ficaram trancadas em seu quarto, dormindo para recuperar as energias. Nem ela e nem se opuseram a isso, entendendo o momento das meninas.
Dividiram os meninos em duplas, então, e ensinaram o planejado, fazendo-os trabalhar em conjunto. Apesar da falta das outras instrutoras, a aula foi um total sucesso. Os meninos perguntaram se elas viriam ou estavam bem e deu uma desculpa qualquer, falando que precisavam descansar por causa dos machucados.
Liberando-os mais cedo, as duas foram para o laboratório. Era cerca de 10 a.m quando elas ligaram para e e pediram para que elas comparecessem lá, pois a reunião agendada com a Matriz iria começar logo.
Quando as quatro se reuniram, perguntou se elas estavam melhores. respondeu que sim com a cabeça, mas continuou imóvel, encarando o monitor. Elas cobriram os cortes e olheiras com maquiagem, haviam conversado antes e decidiram não contar para a equipe que acharam a lista.
Sabiam que não era o certo a se fazer, mas também tinham noção que, provavelmente, seriam afastadas do caso por também correrem perigo.
Não precisaram esperar por mais tempo, assim que se sentaram ao redor do monitor, a notificação de ligação apareceu no meio da tela.
Elas se olharam, nervosas, e então apertaram o botão verde.
— Boa tarde, meninas! — Sr. Tudor as cumprimentou.
— Estão bem? — Sra. Carpentier perguntou, olhando para a perna da filha, preocupada.
— Estamos sim. está sendo uma boa médica por aqui. — sorriu, olhando para a amiga com carinho. A mulher loira do outro lado da tela suspirou, aliviada por falar com a filha e vê-la bem.
— Bom, temos novidades sobre o homem que encontraram. — Sr. Bonnet iniciou a reunião. — A primeira coisa que descobrimos é que ele se chama Joseph Ramirez, tinha vinte e sete anos e era um assassino de aluguel. Informações que agora não são tão importantes já que ele morreu.
— Ele o quê?! — questionou, indignada.
— Enquanto vocês saíam do estúdio, ele não resistiu. Nossa equipe chegou no lugar em poucos minutos, mas ele já estava morto. Analisamos o corpo e constatamos como morte cerebral, devido a batida que teve em sua cabeça.
parecia ter gostado da notícia, mas para era bem o contrário. Queria que ele acordasse para caçá-lo e, aí sim, matá-lo como merecia.
— Já estava na hora, depois de tudo que fez conosco… — as meninas conseguiram ouvir a mãe de resmungar. Todos os outros adultos que estavam ali, a olharam, repreendendo a fala totalmente.
— Vocês o conheciam? — perguntou, em choque. — O que ele “fez conosco”?!
Ninguém respondeu, apenas olharam para as filhas como se dissessem “sinto muito”.
— Eu estou esperando uma resposta. — disse, claramente nervosa.
— Nós não… — Sra. Bonnet tentou se explicar, mas a filha a interrompeu.
— Eu só quero que respondam.
— Sim. Ele… Ele matou e . Não queria que soubessem assim, sinto muito.
Aquela resposta foi um baque para todas na sala. Não pela notícia, até porque já sabiam que o tal Joseph havia os matado, mas sim pelo fato de seus pais estarem cientes disso o tempo todo e nunca terem contado para elas.
— E vocês nunca pensaram em nos contar, sabendo que nós poderíamos ser as próximas? — questionou os pais, decepcionada.
— Pois é! Nós encontramos uma listinha bem interessante no bolso desse cara, onde os nomes de e estavam riscados e os nossos eram os próximos. — o sarcasmo na voz de era única coisa que todos ouviam ali, já que estavam em um silêncio profundo.
— Vocês são nossos chefes e pais. Precisam ter o mínimo de responsabilidade em vários quesitos! — falou pela primeira vez naquela conversa. Ela encarava seus pais, deixando claro o que estava sentindo, assim como todas: decepção. — Lamento dizer que, dessa vez, vocês falharam como os dois.
Ela não aguentava mais ficar ali, então se levantou e saiu do laboratório. Precisava ficar sozinha.
— Realmente sentimos muito, não queríamos esconder de vocês, mas sabíamos que era algo que iria desestabilizar demais a saúde mental de vocês. — Sra. Carpentier respondeu, com a voz alterada. Todos estavam nervosos.
— Não podíamos arriscar. Conhecemos vocês bem o suficiente para saber que tentariam ir atrás desse homem.
— A morte do foi tão pequena para vocês? — perguntou, chocando todos os adultos. colocou a mão em seu braço, tentando acalmar a amiga. — Não, agora eu vou falar! Levou dois anos até que ele nos atacasse novamente e vocês sabiam o perigo que já corríamos ao nos enviarem para essa missão! O que, perder um filho foi pouca coisa? Eu estaria morta se não tivesse entrado naquela sala! Não bastava um, vocês queriam perder dois filhos?
, querida, por favor, tente entender nosso lado. — a Sr. Bonett disse, dava para ver o esforço que a mulher fazia para não chorar.
— Quer saber? Só falem comigo quando aprenderem a trabalhar profissionalmente. — disse, cruzando os braços.
— Vocês têm mais alguma informação para nós? — perguntou, tentando finalizar aquela conferência o mais breve possível.
— Não, é somente isso.
— Certo. Tchau.
E encerrou a chamada, sem ao menos desejar boa tarde. Aquilo tudo era demais. seguiu os passos de e saiu quase correndo do laboratório, enquanto e ficavam e tentavam processar toda informação juntas.

***


Luke POV’s

— Qual o prazo mesmo que a gravadora estabeleceu para entregarmos todas as músicas desse álbum? — Mike perguntou, ele estava sentado no chão olhando as partituras.
Após as aulas de escalada e primeiros socorros, foi difícil voltar a dormir. Em partes por estar começando a me adaptar com essa rotina, mas por pensar se e estavam melhor.
Eu realmente torcia para estar certa e elas estarem dormindo mesmo, o dia ontem foi extremamente pesado, principalmente para as duas.
Era meio doido viver com esse tipo de coisa agora e saber desse tipo de informação. Não havia contado aos meninos sobre elas terem virado um alvo, uma por não querer que Mike ficasse mais desesperado e outra por respeitar o momento delas.
Sem contar que seria demais expor depois de seu momento de fragilidade, se ela sentiu segura na hora para desabafar comigo, eu deveria esperar para que ela fizesse com os outros meninos. Não era um segredo meu para que eu contasse.
— Era até o final desse mês, mas disseram que vamos entrar de férias antes da nova turnê, então temos umas semanas a mais. — Calum respondeu, dedilhando uma melodia no violão.
Era impressionante o quão conectados com a música éramos. Além de amar cantar e tocar, amávamos escrever músicas.
Algumas para esse novo álbum estão prontas, até tínhamos marcado as datas de gravação para lançar o videoclipe. Infelizmente, com toda confusão, também adiamos isso.
— Só fico meio chateado que não vamos realmente aproveitar nossas “férias”. Estamos aqui há pouco mais de duas semanas, mas morro de saudades de poder sair na rua mais tranquilo, ir para a praia ou aproveitar as After Parties de alguns cantores. — Ash disse e não pude negar, seria a primeira vez que não relaxaríamos na praia com nossas famílias. Além de que nós sempre aproveitávamos muito essas festas.
Até tinha piscina aqui e pudemos ir duas vezes, mas era exaustivo viver longe da comunicação. Estávamos com novos celulares, mas não tínhamos o número de nossa família para não nos rastrearem. O que restava era usar um chip descartável toda vez que fazíamos uma ligação.
Antes que levantássemos para voltar a ensaiar, uma vez que o tempo de pausa havia acabado, a porta foi aberta rapidamente, com tamanha força que Mike pulou no sofá.
Ri dele quando aconteceu, mas minha risada morreu quando olhei para a porta. estava parada, com o rosto vermelho e parecia muito brava.
— Luke, preciso falar com você. — e me encarou. Se ela tivesse falado isso há dois dias, eu estaria com a espinha toda gelada e tremeria dos pés à cabeça.
Porém, depois da nossa conversa de ontem, entendi um pouco melhor seu jeito e soube que coisa boa não iria vir.
Concordei com a cabeça, tirando a corda da guitarra do meu pescoço e pendurando-a na parede.
— Vejo vocês depois. — disse, sem saber se a conversa iria ser longa ou não.
Caminhei tranquilamente ao lado de , sem nem abrir a boca, apenas esperando pelos seus próximos passos. Entramos na cozinha e ela abriu as portas do armário e pegou uma barra de chocolate com amendoim.
Depois disso, encheu um copo d’água e me entregou enquanto abria a geladeira e pegava um pote enorme de sorvete de pistache.
Eu estava confuso, mas resolvi continuar em silêncio, somente observando ela colocar as coisas na mesa, se sentando. Fiz o mesmo.
— Meus pais mentiram para mim, eles sabiam que a morte deles não tinha sido um acidente.
Respirei fundo com aquela notícia, tentando controlar a emoção que senti ao ter certeza que realmente confiava em mim. Ela havia levado a sério a sessão de desabafo, o que me deixava aliviado porque fazia mal guardar tanta mágoa para si.
— Eles sabiam que queriam matar vocês? — perguntei, assistindo-a balançar a cabeça.
— Disseram que não, mas não sei se consigo realmente acreditar. Foi uma conversa muito difícil, eu nunca havia gritado dessa forma com meus pais. É só que…
— Tinha muita coisa entalada, né?
Ela concordou, colocando uma colher de sorvete na boca. Me entregou a outra colher e eu experimentei esse sabor. Sempre fui de escolher o clássico morango.
— É, eu fiquei puta para caramba quando descobri que eles sabiam. O pior de tudo é que eles nem iam nos contar! As meninas também ficaram muito putas, só soubemos por causa de um deslize. Luke, o que mais estão escondendo da gente?
Ela quase gritava, seu rosto ficou mais vermelho e as lágrimas começaram a cair. Abri o pacote de chocolate e dei um pedaço para ela, que comeu, chorando.
, eu também ficaria puto se descobrisse dessa forma, depois de tanto tempo. Sei que não conheço os pais de vocês, mas não creio que tenha sido na maldade, foi besteira eles terem subestimado vocês, ainda mais depois de tudo que têm mostrado ser. Pelo menos sabe o motivo deles terem escondido isso?
— Aham, eles disseram que não queriam contar porquê tinham certeza que iríamos atrás desse desgraçado. — ela revirou os olhos.
— Nem imagino porque pensaram isso... — perguntei, deixando bem claro que já sabia sim. Minha voz repleta de ironia e minha cara de deboche demonstravam bem.
comeu um pouco mais de sorvete e me olhou divertida, ao mesmo tempo que me recriminava com os olhos.
— Isso é detalhe.
— Se ontem você quase morreu, anos atrás acha que teria tido condições de ter se dado bem nessa missão? Entendi que você é doida, mas nunca pensei que fosse suicida.
— Haha, que engraçadinho. Eu só… Não sei, foi péssimo descobrir dessa forma. Não acredito que sofri todos esses anos para tentarem me matar só agora, custava ter sido junto com e ? — ela estava fazendo graça da situação horrível que enfrentava, mas dava para ver que essa pergunta era séria.
E eu lidei do melhor jeito possível.
— Ah, para de ser dramática, garota! Se tivessem te matado antes, você nunca mais poderia comer esse sorvete horroroso.
Ela me olhou indignada, alternando o olhar entre o pote de sorvete e eu. Abriu e fechou a boca várias vezes, apontando a colher para mim.
— Repete!
— Juro, eu não sei como gosta desse troço. Prefiro mil vezes um sorvete de morango, chocolate… — disse, mudando o foco da conversa. Era até que engraçado ver a garota chorando enquanto discutia comigo sobre o sabor de um sorvete.
— Isso é blasfêmia! Céus, como te aguentam? Bom, só por isso então não vai comer mais nada dessa delicinha, vou levar para comer durante o filme. — ela disse, tirando a colher da minha mão e colocando direto na mesa.
— Ótimo então, que filme vamos ver?
me olhou surpresa.
— Quando foi que eu te chamei para ver comigo?
— Meu bem, já passamos dessa parte. Até parece que não gostaria da minha presença.
Ela pareceu pensativa por alguns segundos e bebeu um gole d’água. Depois, deu de ombros.
— Tanto faz, mas eu escolho o que veremos. Vem, vamos subir. — ela chamou.
— Subir para que? A sala não fica nesse andar?
— Eu tô com tanta dor nas costas que se eu deitar nesse sofá, vou parar no hospital. Vamos para o meu quarto.
Confesso que não estava esperando esse convite. Até hoje eu não havia realmente conhecido o quarto de nem uma delas, acho que nenhum dos garotos tinha entrado.
Mas não me opus, caminhei com ela até o elevador, segurando o sorvete. Sendo sincero, era até que gostoso, mas era legal ver como se irritava fácil com coisas bobas.
— Vamos ver “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”, se é para chorar, que eu ao menos tenha uma desculpa. — ela disse quando entrou no elevador. Ri alto de sua conclusão.
— Viu? Eu falei que você era doida.

***


POV’s

Assim que e saíram do laboratório, eu e permanecemos sentadas, em silêncio.
Nós estávamos exaustas com as coisas que aconteceram nas últimas semanas. Desde a falta de informações para seguir com a missão, pessoas nos perseguindo e atacando, nossos nomes estarem em uma lista de um assassino de aluguel que matou duas pessoas importantes para nós e, por fim, nossos pais mentirem durante dois anos sobre tudo isso.
Nós precisávamos de um tempo, ou então nós acabaríamos explodindo de tanto estresse. Nem na Matriz tinha toda essa tensão!
— Sabe do que precisamos? — questionou, me olhando.
— Um tempo para relaxarmos? — respondi, em dúvida. Minha amiga apenas balançou a cabeça, confirmando.
— E a melhor coisa para isso é…? — eu a olhei, com cara de tédio. Ela sabia o quanto eu odiava essas perguntas de adivinhação. — Tá legal, tá legal.
Ela levantou as mãos, como se tivesse se rendido.
— Álcool e piscina! — deu um sorrisinho, tentando me animar com a ideia. Mal sabia ela que eu já havia topado assim que escutei a palavra “álcool”.
Não estávamos acostumadas a beber, longe disso! Sempre tomamos muito cuidado e eram raras as vezes que nos permitíamos aproveitar dessa forma. Apesar de ficarmos mais extrovertidas bêbadas, nossas habilidades com armas e lutas continuavam excelentes, mas tentávamos não arriscar tanto.
— Acho que foi a melhor coisa que eu ouvi em dias! — bati palmas, animada. — Finalmente vamos aproveitar um sábado como pessoas normais e esquecer um pouco esse drama que vivemos!
— Só tem um detalhe… — a olhei, curiosa. — Precisamos comprar as bebidas.
— Então vou aproveitar a deixa e ir ao mercado. Você vai comigo? — questionei, já me levantando.
deitou a cabeça no encosto da cadeira, demonstrando o quão preguiçosa ela conseguia ser.
— Chama um dos meninos, eles vão adorar te ajudar! — ela deu um sorrisinho amarelo, o que me fez revirar os olhos. — Devem sentir falta de curtirem também… Podíamos fazer como uma surpresa!
— Gostei… Então vou procurar alguma vítima para me acompanhar, o único detalhe é não contar o que estamos planejando, né?
— Isso mesmo, Agente Tudor. Bom passeio! — ela mandou um beijo e eu a respondi com um dedo do meio, saindo da sala logo em seguida.
Estava sem paciência para procurar aqueles garotos por toda a casa, então a primeira pessoa que aparecesse em minha frente, eu levaria comigo.
Andei pelo primeiro andar, tentando escutar alguma coisa para ver se alguém estava ali. Estava tudo muito silencioso.
— O que estamos procurando? — uma voz sussurrou em meu ouvido. O que, claramente, me assustou profundamente.
Sem ter tempo para raciocinar, me virei, passando um braço ao redor de seu pescoço, enquanto o outro estava posicionado na frente, o deixando imobilizado.
— O que eu fiz para merecer isso?! Toda santa vez! — Michael estava com os olhos arregalados, me encarando, assustado.
— Céus, você me assustou, Mike! — o soltei e me afastei um pouco, o deixando respirar.
— Nem me fale! — ele passou a mão pelo pescoço, fazendo carinho em si mesmo. — Você quase me matou! Qual a cisma de vocês comigo?
Não consegui controlar, apenas revirei os olhos com tamanho drama. Um movimento desses não mataria ninguém.
— Sabe que se eu quisesse te matar, eu realmente teria te matado, não é? Bom, mas agora vem comigo. Nós vamos sair!



Continua...



Nota das autoras: Oiii, lindinhas, como estão após essa revelação enorme?
Sério, nem sei como agiríamos se descobríssemos uma coisa dessas!Gente, os próprios pais esconderam delas... Difícil essa situação, não tem muito como defender sendo que elas trabalham com isso né...
Mas queremos muito saber quais as expectativas de vcs pra essa festa!! Comentem aqui o que vcs acham que vai acontecer rs. O capítulo já está pronto e com MUITAS polêmicas, quem chegar mais perto ganha um beijo desses meninos HAHAH.
Esperamos muito que tenham gostado!
Não esqueçam de entrar no grupo de atualizações das fanfics no Facebook, vamos soltar uns spoilers lá... O link está aqui embaixo! Também criamos uma página no tumblr onde tem um resuminho sobre cada personagem, fotos da casa, e playlist do spotify, então dêem uma olhadinha. (recomendamos entrar pelo computador!), o link está aqui embaixo também <3
Comentem para sabermos o que estão achando!
Até o próximo capítulo!
Xx. - Gi e Ju




Outras Fanfics:
Heartbreak Girl - 5SOS, Em Andamento.
Fallen Angels - One Direction, Em Andamento.
Lawrence Charterhouse Academy - One Direction, Em Andamento.


Nota da beta: EU TÔ É MUITO PUTA COM ESSES PAIS, NOSSA! Sério, não tem desculpa, na minha opinião, nem quero entender o lado deles porque tô puta da vida HAAHAHAH Eu quero é saber dessa festa e dessas polêmicas, PODEM MANDAR O CAPÍTULOOOOOOOOOOOOOO hahahaha <3

Qualquer erro nessa atualização ou reclamações somente no e-mail.


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