Última atualização: 30/08/2018

Prólogo

- Eu não acho que isso seja uma boa ideia.- o soldado falou, quebrando o longo silêncio que se instalara após a frase de seu superior.- Nós somos superiores a eles, não devemos igualar nossas ações as deles.
- E o que nós fazemos para honrar nossos antepassados? E todo o sangue derramado?- o mais velho de todos questionou.- Nós vamos pagar com a mesma moeda.
- Eu não acho que elas irão aceitar isso, você sabe como elas são sentimentais.- outro soldado falou, questionando as ordens do superior.
- Elas não irão saber, faremos tudo por baixo dos panos, não tem como elas sequer desconfiarem.- o superior sorriu, fazendo as rugas que possuía do lado dos olhos tornarem-se ainda mais visíveis.
- E como nós faremos isso?- o primeiro soldado falou novamente. De todos os presentes, ele era o único que não aprovava aquela ideia.
- Sempre que eles entrarem em nossos territórios estarão entregando suas vidas e decretando suas mortes.- o superior abriu um sorriso sádico, fazendo os soldados se questionarem se o homem ainda possuía um perfeito estado mental.- Vão, avisem-nas que está na hora, elas devem partir agora e fazer o que é o esperado.- abanou a mão, dispensando os homens.- Só mais uma coisa, nada do que foi comentado aqui, deve sair daqui.
Os soldados apenas concordaram com a cabeça e saíram o mais rápido possível dali, questionando entre si se o líder ainda possuía sanidade para lidera-los. Decididos a não desobedecerem às ordens e a não quererem ver com seus próprios olhos como a mente do líder funcionava, os soldados foram de porta em porta, avisando as moças que a época que elas mais esperavam em suas vidas, estava prestes a se tornar realidade.


Capítulo 01 - The Arrival

Revenge is the act of passion, vengeance is an act of justice...


olhou o relógio em seu pulso e respirou fundo ao ver que já estava quase chegando à pequena cidade litorânea que chamaria de lar pelos próximos meses. Por mais que ele amasse o clima da capital e tudo mais, ele estava feliz por poder exercer seu trabalho ali em vez de ser afastado.
A criminalidade em Olympia estava crescendo mais a cada dia, o detetive já não tinha mais um horário fixo de trabalho e isso começou a influenciar o modo como se portava no trabalho. A paciência do detetive que já não era algo usual tornou-se ainda mais rara ao interrogar as pessoas. Após longos minutos interrogando um homem que não estava disposto a contribuir, o detetive
surtou e usou a força física para fazê-lo falar. Os superiores decidiram o mandar para uma cidade mais calma, ainda em Washington em vez de mantê-lo afastado por longos meses.
O detetive passou pela placa da cidade e não conseguiu conter o sorriso cético e debochado ao ler as palavras da placa:

“Bristol Cove, a capital das sereias do mundo”


estava feliz por não ter sido afastado do trabalho de uma vez, mas ele não entendia a necessidade de terem lhe mandado justamente para aquela cidade litorânea onde nada acontecia, era praticamente o mesmo que lhe deixar ausente do trabalho.
A cidade era praticamente cercada pelo mar, porém quanto mais dirigia até o centro, menos mar aparecia.
logo chegou ao centro da pequena cidade e estacionou seu carro na vaga livre próxima a delegacia. Livrou-se do óculos escuro que estava em seu rosto, levando em conta que o sol já começava a se pôr e saiu do carro.
A delegacia não chegava a ter um terço do tamanho da delegacia da capital, mas isso não era algo que incomodasse o detetive.
subiu os poucos degraus e logo adentrou ao seu novo local de trabalho, atraindo a atenção dos poucos policiais ali presente.
O maior questionamento dos policiais era o que aquele homem fazia ali. Bristol Cove possuía uma taxa de criminalidade pequena e uma taxa de mortes menor ainda. Os maiores problemas que eles precisavam enfrentar eram mercadorias roubadas dos barcos de pescas e brigas de bar entre os marinheiros, eles não viam a mínima necessidade para um detetive metido a superior estar ali.
O xerife estranhou ao não escutar mais o usual barulho que os policiais faziam e levantou o olhar de sua papelada para a janela que o deixava ver a sala dos policiais, vendo um homem diferente por ali. Saiu rapidamente da sala e atraiu a atenção do homem desconhecido, que o xerife associou como o detetive .
- Seja bem vindo, detetive .- o xerife estendeu a mão da direção do mais novo assim que parou próximo a ele, sentindo apertar fortemente.- Fico muito feliz de ter você aqui conosco.
- Xerife West, certo?- o detetive questionou enquanto cruzava os braços na frente do corpo, uma mania que tinha adquirido e fazia sempre que conversava em trabalho, e observou o xerife concordar com a cabeça.
- Nós nunca tivemos detetives aqui, pois não é como se realmente tivessemos casos.- apenas concordou com a cabeça.- Por isso nós não temos uma sala para que você passe seus dias lá, mas temos uma mesa maior do que a dos outros policiais bem ali.- apontou com a mão para um canto, fazendo o detetive seguir com o olhar.
- Não vejo nenhum problema nisto, senhor.
sorriu sem mostrar os dentes.
- É muito raro termos uma ocorrência ou algo do tipo, então seu trabalho aqui será algo bem calmo.- o xerife falou enquanto começava a caminhar na direção contrária da qual tinha entrado.- Aqui nos temos um pequeno refeitório que na verdade é uma cozinha.- parou na porta de entrada do pequeno cômodo e o detetive fez o mesmo, olhando os poucos objetos ali dentro. Algumas bancadas, uma geladeira, uma micro-ondas e uma cafeteira eram o que ocupavam a sala.- Você pode usá-la sempre que quiser. No horário do almoço você pode sair para comer ou trazer algo de casa e deixar na nossa geladeira, que é o que a maioria faz.
- Provavelmente vou fazer isso.- o detetive falou voltando a seguir o caminho que o xerife fazia.
- Aqui nós temos os banheiros.- apontou para as portas que possuiam as identificações de sexo caminhou mais um pouco.- Aqui são as celas que normalmente são usadas apenas com os bêbados.
- É tudo sempre tão calmo assim?
questionou estranhando que ainda não tinha ocorrido nenhum chamado ou acontecido alguma prisão.
- Sim, é muito raro termos problemas por aqui.- Byron West falou enquanto refazia o caminho.- É uma cidade pequena e turística, é difícil qualquer coisa de ruim acontecer aqui.
- Certo.- o detetive murmurou descontente percebendo que ficar ali não era muito diferente de ser afastado.
- Pode chegar aqui amanhã por volta das oito da manhã.- o xerife falou assim que os dois pararm próximos a porta.- Se tiver algum problema, o que eu duvido muito, eu te ligo imediatamente.
apenas concordou com a cabeça e saiu da delegacia, descendo as escadas enquanto encarava a enorme estátua de sereia no meio do parque. O detetive abriu um sorriso de escárnio ao ver a quantidade de turistas que tiravam fotos com a estátua, ele não conseguia entender como certos humanos eram tão estúpidos.
Entrou rapidamente no carro e colocou no gps o endereço de sua nova casa, dirigindo até lá de modo calmo enquanto observava os diversos locais da cidade feitos em homenagens aos seres aquáticos que sequer existiam.
Passou o cartão de identificação assim que entrou na garagem do prédio e estacionou o veículo na vaga com o número de seu apartamento. Pegou a mochila e mala de mão sacou o celular do suporte, saindo do carro e trancando-o.
passou na recepção apenas para avisar que já tinha chego e entrou no elevador, saindo do cubículo de metal apenas quando chegou ao nono e último andar. A porta do elevador abriu e
saiu, ficando praticamente de frente para a outra única porta ali. O detetive pegou o cartão que tinha usado na garagem e passou na maçaneta da porta, destrancando sua nova casa.

...


tentou conter a animação ao saber que iria, finalmente, para a terra firme. Desde pequena, o sonho da jovem sempre foi conhecer melhor o mundo dos humanos, mas como o pai sempre a proibia, ela apenas os observava de longe. Ela sabia que se seu pai soubesse que ela também iria para a superfície, ele a proibiria, então não foi difícil para ela chegar à conclusão de que iria escondida. Era óbvio que seu pai sentiria a sua falta, mas quando ele notasse sua ausência, ela já estaria longe o suficiente.
A jovem saiu da loja onde estava e tentou agir normalmente enquanto nadava pelo centro de sua cidade. Assim que saiu do núcleo, aumentou o nível do nado, sempre seguindo por trás de construções, para que ninguém lhe avistasse. Quando a cidade não passava de um ponto pequeno as suas costas, nadou o mais rápido que podia, tentando controlar a ansiedade que corria por seu corpo. Seria sua primeira vez em terra firme, sua primeira transformação, e ela não sabia se estava preparada.
nunca tinha ido para a superfície, pelo menos não ao ponto de ver ou ter contato com os humanos, porém a jovem sereia já tinha emergido no mar algumas vezes apenas para sentir a sensação acolhedora que era ter o sol sob sua pele.
A voz no interior de sua mente repetia as coordenadas que ouviu o homem dizer para a mulher, coordenadas desconhecidas por ela. Por mais que nunca tivesse conhecido os lugares da superfície, a jovem passou boa parte do tempo gravando as coordenadas que seus antepassados tinham visitado.
A sereia já tinha perdido noção de quanto tempo estava nadando, porém a animação que percorria seu corpo não lhe deixava sentir cansaço. Assim que percebeu que a profundidade já não era a mesma da qual estava acostumada, ela emergiu, vendo o sol começar a se por no horizonte e bem mais a frente à extensa faixa de areia. Submergiu e aumentou ainda mais a velocidade do nado, parando apenas quanto sentiu a areia bater em sua cauda.
Emergiu novamente e encarou a faixa de areia já extremamente próxima, não vendo nenhum humano pelas proximidades. Apoiou os dois braços na faixa de areia abaixo de si e começou a se arrastar para fora da água, mordendo o lábio inferior fortemente devido a dor causada pelo atrito da areia em sua cauda.
O oxigênio entrava rapidamente pelas brânquias da sereia, causando dificuldade em sua respiração. tirou seu corpo completamente do mar e sentiu sua calda se retrair com a falta de água. Sua pele começou a seca e a areia que roçava por seus braços e barriga pareciam cortar a pele sensível da sereia. Sentiu sua respiração começar a falar e respirou fundo, puxando o máximo de oxigênio que conseguia, arrependendo-se no segundo seguinte ao sentir-se completamente sem ar enquanto todo o oxigênio circulava por seu corpo.
gritou. Gritou o mais alto que podia enquanto sentia sua cauda desgrudar-se de si. Rolou na areia enquanto gemia de dor ao sentir toda a mudança que acontecia. E tão rápido como começou, acabou.
O oxigênio já não irritava mais , a areia não cortava sua pele e sua cauda não lhe causava mais dor. As brânquias já não estavam mais em seu pescoço e as guelras não existiam mais em nenhuma parte de seu corpo, a areia que roçava em suas costas lhe dava vontade de rir ao descer a mão por seu, ela possuía aquilo que os humanos chamavam de pernas.
levantou-se vagarosamente do chão enquanto tentava se acostumar com as pernas humanas. Encarou a cauda azul e tocou delicadamente, vendo-a tornar-se cinza e esfarelar em questão de segundos, misturando-se com a areia da praia.
O sol já tinha sumido no horizonte e a luz brilhava no céu límpido onde as estrelas pareciam brilhar. A brisa fazia os pelos de arrepiar, fazendo a sereia andar de modo bambo enquanto abraçava seu corpo com seus braços. Viu um local com algumas roupas e pegou um casaco de moletom e um short masculino, saindo rapidamente dali e começando a vagar pelo mundo humano sem saber como agir realmente.


Continua...



Nota da autora: Aqui estou eu com mais uma história, mas eu não conseguia mais guardar AT. O primeiro capítulo é bem curtinho, mas os próximos serão maiores, até porque eu não planejei essa história para ela ter mais de 10/15 capítulos. Espero que vocês gostem e não deixem de comentar.
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