A Maldição de Kira

Última atualização: 31/05/2020

Capítulo 1

O som abafado que vinha do salão principal ecoava pelo corredor de uma das mansões da família Mitchel. Uma música qualquer tocava, na tentativa de entreter os convidados, enquanto os jornalistas procuravam o melhor ângulo, na esperança de flagrar um momento constrangedor ou a foto digna de capa que estaria nos tabloides, seguida da matéria tão esperada: “Herdeira da maior empreiteira da cidade doa 12 milhões de dólares”.
— Eles não sossegam, não é mesmo? — disse Richard, observando os jornalistas, enquanto passava a mão em seu cabelo negro, na tentativa de parecer relaxado.
— Nunca! — respondeu o prefeito Frederick Thomas, dando um pequeno sorriso.
Richard Mitchel era o protagonista da história inspiradora contada aos alunos do ensino médio. Nascido em uma família humilde no interior, ele se viu sem saída quando perdeu seus pais em um acidente que matou metade dos habitantes da pequena vila, onde a maior parte eram mineradores; inclusive, seu próprio pai. Em Seaville, foi acolhido por Jeff, o funcionário mais velho da construtora Inova e, então, nasceu seu interesse por construção e arquitetura. Cresceu na profissão, formando-se em Engenharia e, logo após, em Arquitetura, além de colecionar especializações; esse foi o ponta pé inicial para levantar o seu império aos trinta e dois anos, tornando-se o maior e mais jovem empreiteiro da cidade, e caminhando ao lado do governo por mais de uma década. Como o homem de 1,83m de altura e de boa aparência que era, não demorou muito para que recebesse o apoio dos cidadãos.
— Preciso dizer que estava muito ansioso por esta noite... — Richard olhou para o prefeito. — Temos guardado essa coroa por muitos anos, esperando este momento. Ver minha filha completando dezesseis anos e doando o símbolo de nossa família para a cidade que construí é como retribuir a Seaville por ter me acolhido.
— Nossa cidade é quem agradece, senhor Mitchel! — Frederick respondeu. — E acredito que, com os olhos do público favoráveis a você, sua candidatura à presidência do Conselho Regional será muito mais bem vista!
— Obrigado, Frederick! — Richard sorriu para o mais velho.
Frederick Thomas já era considerado um senhor; com seus sessenta e um anos, cabelo grisalho e olhos azuis, era visto como uma figura paterna por toda cidade. Há quem diga que nunca houve outro prefeito além dele; tamanha admiração carregava!

***


Enquanto isso, no segundo andar da mansão, ouvia-se risos vindos do último quarto de hóspedes do corredor. seguiu pelo corredor com paredes cor de vinho, onde quadros da família ficavam expostos.
— Que bagunça é essa? O que estão fazendo sem mim? — Entrou, rindo, no quarto onde a estrela da noite, Lauren, arrumava-se junto com sua mãe.
— Uau! Querida, você está linda! — disse Amelia, sorrindo e observando o vestido longo e preto que sua filha mais velha usava.
Com uma longa fenda que expunha sua perna direita, o vestido realçava as curvas de seu corpo, fazendo com que a mulher de longo cabelo negro e olhos castanhos como o do pai se destacasse por sua beleza.
— Está mesmo! Eu pensei que a farda fosse grudada no seu corpo — disse Lauren, rindo.
— Há há há! Engraçadinha! — Olhou para sua irmã com ironia. — Obrigada, mamãe! A senhora também está maravilhosa! Mas, e então, onde está a coroa? Conseguiu trazê-la em segurança?
— Ei! Ninguém vai dizer que estou linda? — perguntou Lauren, apontando para seu vestido roxo e esvoaçante com brilhos em toda a saia.
— Sim, sim, tá linda! E então, mãe?
Lauren bufou, enquanto olhava seu penteado que prendia seus fios longos e loiros em um lindo coque.
— Sim, . Hoje, você está aqui como irmã mais velha e anfitriã, não como policial! — sua mãe disse seriamente. — Eu quero que você divirta-se, ok? Se eu te ver olhando de um lado ao outro com a mão na cintura, vamos te levar amarrada até um psiquiatra!
Amelia Davis Mitchel era uma boa mãe. Criada apenas pela mãe, junto com sua irmã, percebeu que precisaria se esforçar muito para dar uma boa vida à sua família; dedicou-se aos estudos como arquiteta, e foi na faculdade que conheceu Richard, que, à primeira vista, se apaixonou pelos seus olhos azuis e cabelo loiro.
— Nossa! Sou tão ruim assim? — riu quando elas disseram “sim” com tanta certeza. — Prometo me divertir esta noite!
— Que emocionante! Então, tudo pronto! — Lauren suspirou, enquanto sua mãe e irmã a olhavam.
Amelia pegou a coroa de brilhantes que estava em cima da penteadeira, a joia mais linda que já viu em sua vida, e com cuidado, a encaixou no topo da cabeça de Lauren.
As três se olharam, sorrindo, através do grande espelho que havia no quarto e, sem saber o que a esperava, a mais nova falou com certeza:
— Está na nossa hora. Vamos lá dar motivos àqueles jornalistas pra calarem a boca!
E rindo, as três saíram do quarto para a noite que as marcariam para sempre!

***


Os jornalistas estavam sendo alocados em seus lugares pelos seguranças, enquanto os convidados se preparavam atentamente para o grande evento da noite. Com as câmeras apontadas para o topo da escada central da mansão, Richard e Frederick se posicionaram para começarem a cerimônia. Mrs. Park, uma senhora esbelta de cinquenta e três anos, secretária e esposa de Frederick, andava de lá para cá em seus saltos pretos, enquanto preparava os últimos detalhes da escolta que levaria a coroa até a prefeitura. E longe de todo esse agito, na lateral do salão, sentada no bar, enquanto esperava seu coquetel sem gelo, observava tudo com um pequeno sorriso nos lábios.
— Você até que fica bonita sem uma arma na mão, Mitchel. — Ouviu uma voz rouca perto do seu ouvido sem se assustar.
— Eu não chegaria tão perto, se fosse você, . — Olhou-o de cima a baixo. — Mas até que você também está decente.
riu, debochado, e abriu a boca para dizer algo, sendo cortado pelo som da microfonia que vinha da escada principal.
e viraram, atentos, para ouvir o discurso:
— É com muita alegria que desejo boa noite a vocês, cidadãos de Seaville! — disse Frederick, já sentindo flashes em direção ao seu rosto. — Como muitos sabem, esta noite é muito importante para nossa cidade. Além do aniversário da pequena Lauren, também é o dia que iremos receber de presente a joia da família, que, como a história diz, foi feita pelas mãos do pai do senhor Richard Mitchel, usando pedras de lusianda encontradas nas minas em que trabalhava e ninguém lhes davam valor. Hoje, essas pedras são avaliadas em 13 milhões de dólares!
Os convidados aplaudiram, enquanto os flashes ficaram cada vez mais fortes.
— Poucos dias nos afastam do ano de 2036, e temos grandes projetos para a educação e a saúde de Seaville, sendo a Empreiteira Mitchel indispensável para as realizações que estão por vir! — Olhou para Richard, passando-lhe a palavra.
— Obrigado, prefeito! Uma excelente noite a vocês, Seaville! E, sem mais delongas, a estrela da noite... — Olhou para o topo da escada lateral junto com todos do salão. — Minha filha Lauren Mitchel!
Ao som de aplausos, gritos e flashes sendo disparados, Lauren desceu a escada com cuidado ao lado de sua mãe. A saia roxa de seu vestido escorria pelos degraus, enquanto as pedras em sua coroa brilhavam, refletindo cada luz que nelas batiam. e observavam a cena de longe, sorrindo junto com os outros convidados, e viram a aniversariante se aproximar do prefeito, que, com delicadeza, tirou a coroa de seu cabelo e a colocou em uma almofada que era segurada por uma funcionária; esta foi orientada a dar três passos para trás, conforme Mrs. Park disse.
E em apenas um passo em falso, tudo mudou.
Em todo o salão, nenhum som se ouvia. Todos os olhares estavam voltados para o chão em que a almofada estava caída de qualquer jeito, e a coroa totalmente quebrada.
No próximo segundo, o caos se iniciou.
— SENHOR MITCHEL?! SENHOR MITCHEL?! A COROA É FALSA?!
— SENHOR MITCHEL, PEDRAS DE LUZIANDA SÃO INQUEBRÁVEIS! COMO O SENHOR EXPLICA ISSO?
— A FALSA DOAÇÃO É UM GOLPE PARA FAVORECER SUA CANDIDATURA?!
Lauren e Amelia olhavam sem entender para Richard, que parecia estar em estado de choque, olhando para a coroa quebrada no chão. O prefeito e sua esposa rapidamente foram escoltados pelos seguranças, sem antes deixar de olharem, decepcionados, para Richard.
Enquanto os flashes não cessavam, e as perguntas maliciosas ficavam cada vez mais altas, rapidamente levantou e seguiu em direção ao seu pai.
— O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? ESTÁ MALUCA?! — gritou , segurando seu braço e a impedindo de ir.
— O QUE VOCÊ ACHA QUE ESTOU FAZENDO? — gritou, desesperada, mesmo sem entender como aquilo virou de cabeça para baixo.
aproximou-se e tentou dizer alto o suficiente para que ela ouvisse:
, no momento em que você passar no meio daqueles jornalistas, as coisas só vão piorar para vocês. A única coisa com o que eles estão se importando, agora, é com sua autoridade de sargento. — Eles olharam para a confusão e pôde ver sua mãe e sua irmã chorando. — Estacionei a viatura nos fundos da mansão. Corra até ela e não vá para casa. Segura. — olhou para sua mão e viu uma chave. — Você sabe onde eu moro. Vá ao meu apartamento.
— Você está maluco?! E os meus pais? E a Lauren? — disse, desesperada.
— Temos policiais lá fora. Já solicitei uma escolta! Vou levá-los ao meu apartamento também. Você precisa confiar em mim, Mitchel.
— Mas...
, AGORA!
olhou para sua família outra vez e, sem saber o que a esperava, correu até os fundos da casa, entrando na viatura. Pelas janelas da mansão, ouvia os gritos e conseguiu observar alcançando seu pai e o levando até sua mãe; com essa última visão, ligou o carro e foi em direção ao apartamento de , ansiosa para encontrar sua família.
estava confusa, com medo e surpresa pela noite que teve. Não conseguia parar de pensar nas coisas horríveis que diriam sobre sua família no dia seguinte. E com lágrimas nos olhos, sem saber o que aconteceu, jurou pelo seu próprio sangue que iria descobrir e vingar sua família pela honra que perderam naquele dia.

Capítulo 2

— EVACUEM O LOCAL! RÁPIDO! ISOLEM A ÁREA! NINGUÉM TOCA NESSA COROA! OUVIRAM? — gritou o tenente aos policiais em ação, na tentativa de tirar os jornalistas de seu caminho, alcançando Richard. — O senhor precisa vir comigo.
— Quê? Ah, tenente ... — Richard olhou, perdido, para , desviando o olhar da coroa no chão pela primeira vez.
— O senhor e a sua família precisam vir comigo agora. — Segurou-o pelo braço e o levou em direção à sua esposa e à sua filha, que estavam abraçadas atrás da escada.
— O que está acontecendo? Onde a está? — perguntou Amelia, abraçando a filha, que chorava.
está bem. Eu lhe pedi para ir ao meu apartamento e vou levar vocês até ela. Não é seguro vocês irem a nenhuma das residências de vocês agora. Alguns jornalistas já foram vistos saindo da mansão e, provavelmente, estão tentando prever onde vocês irão passar a noite.
— Tenente, não podemos ir à sua casa assim. Eu não entendo o que está acontecendo. A coroa do meu pai, ela...
— Querido... — Amelia o interrompeu. — Eu sei... Mas acho melhor nós ouvirmos o tenente agora.
— Tudo bem. — Richard suspirou e encarou . — Vamos! Por favor, nos tire daqui!
— Sim, senhor!
os levou à parte de trás da mansão, enquanto os outros policiais cercavam os jornalistas, entraram em uma das viaturas estacionadas no jardim e seguiram em direção ao seu apartamento.

***


andava de um lado ao outro, segurando um copo com água, enquanto tentava miseravelmente ligar para . A televisão ligada mostrava repetidamente a imagem da coroa se quebrando no chão de madeira, e a expressão chocada de seu pai a fazia se sentir nauseada.
Ouviu o som da maçaneta e correu até a porta.
— FINALMENTE! — Sentiu Lauren abraçá-la fortemente, enquanto observava seu pai entrar de mãos dadas com sua mãe. — Entrem rápido! Sentem-se no sofá! Vou pegar uma água para vocês! — Observou sua família se dirigir à sala e voltou seu olhar a . — Obrigada, ! Não sei o que aconteceria se não fosse por sua ajuda. Eu te devo essa!
— Uau! Mitchel me agradecendo com essa carinha?! — Sorriu de lado, na tentativa falha de descontrair a situação. — Não há de que! É meu trabalho manter a segurança e a ordem em Seaville, mas vou aceitar sua dívida!
— Ridículo! — tentou sorrir de lado e observou se dirigir ao outro cômodo.
?! — Ouviu sua irmã chamá-la.
— Estou aqui, meu amor! — Sentou-se ao lado dela. — Pai, como o senhor está?
— Não sei dizer, minha filha — respondeu Richard, olhando para o chão. — Eu não entendo o que pode ter acontecido... A coroa de lusianda estava guardada há anos e sempre foi totalmente protegida. Não havia rachaduras, nem nada.
— Querido, você acha que a coroa pode ter sido trocada? — Amelia lhe perguntou.
— Impossível! A coroa ficava no cofre do meu escritório há anos e, a não ser que arrancassem meu olho, o cofre não poderia ser aberto. Nunca.
— Papai, o que vai acontecer com a gente agora? — Lauren perguntou com lágrimas nos olhos.
— Eu não sei, querida. Amanhã, eu vou entrar em contato com Frederick e ver o que posso fazer.
— Mas, e quanto a coroa? — Amélia indagou. — O que nós vamos fazer?
— Não se preocupem! — disse. — Eu vou descobrir!
— Desculpem-me por interromper a conversa! — chegou à sala, vestido com uma blusa de manga e calça de moletom, segurando algumas roupas nas mãos. — Senhor Mitchel, eu preparei estas roupas para o senhor se trocar. Como temos a mesma altura, acho que vai servir. Para a senhora Mitchel e as meninas, vou procurar algo no apartamento da minha irmã. Ela mora aqui ao lado.
— Muito obrigada, mais uma vez, tenente! E mil desculpas pelo incômodo! — disse Amelia.
— Sem problemas! — Seguiu em direção à porta.
— ESPERA! Eu vou com você para escolher a minha! — se apressou para alcançá-lo no corredor.
— Mitchel, a resposta é não! — disse assim que ouviu fechar a porta atrás de si.
— Do que você está falando?
— Você acha mesmo que eu acredito que você me seguiu só porque queria escolher um pijama? — perguntou ironicamente, vendo bufar, e virou as costas, indo em direção ao apartamento de sua irmã.
, eu quero participar da investigação. Você viu que o que aconteceu, hoje. Com certeza, não foi por acaso! Eu preciso estar junto! É a minha família! — falou, segurando seu braço e o impedindo de tocar a campainha.
— Não, Mitchel. Você não pode se envolver justamente porque é sua família. O que você acha que a mídia vai pensar, sabendo que você está participando da investigação? Nós vamos investigar esse caso com muito cuidado. Confie em nós.
— Tenente... — o encarou seriamente. — Estou te pedindo como filha, mas também como policial. Eu quero estar nesse caso.
— Olha, você sabe que não depende só de mim. — suspirou. — Fiquem no meu apartamento. Vocês podem ficar, enquanto a poeira não baixa. Amanhã, eu vou falar com o capitão e ver o que ele pensa. Você sabe que ele gosta muito de você e da sua família. Vocês têm o apoio da corporação.
— Muito obrigada, ! — deu um pequeno sorriso.
— Não me agradeça. Mais uma dívida para a conta! — Sorriu, vendo rolar os olhos.
— Ei! Vocês aí! — Ouviram a voz de dentro do apartamento. — Quanto tempo pretendem ficar aí, conversando, sem tocar a campainha?
— Se você estava espionando, podia ter aproveitado e aberto a porta, não acha? — disse , tocando a campainha.
— Eu sei, mas gosto do som da campainha. Você sabe que é raro eu receber visitas! — disse a mulher, sorrindo, enquanto se levantava na ponta dos pés e puxava para um abraço. — Oi! Tudo bem? Prazer! Meu nome é Alice. Sou a irmã mais velha deste traste.
— Traste? — colocou a mão no peito, fingindo-se de ofendido, com um sorriso no rosto. — Onde está o pequeno?
— Está no meu quarto. — Alice falou e se voltou à .
— Oi... É um prazer! Meu nome é . — Estendeu a mão para cumprimentá-la, mas Alice a puxou para um abraço.
— Sim, Mitchel, sinto muito pelo que aconteceu hoje.
— Ah, obrigada! — sorriu, sem graça. — Acho que todo mundo já viu, né?
— Fica tranquila! Eu e meu irmão conhecemos o caráter do seu pai. Ele nos ajudou muito no passado! Sabemos que ele é um bom homem.
— Muito obrigada, Alice! — disse.
Não sabia que seu pai os conheciam.
— Eu não posso sair por um minuto que você começa o show de inconveniência?! — entrou na sala, sorrindo, sem jeito, e carregando um pequeno menino no colo.
— Eu não estava sendo inconveniente, só estava apoiando minha nova amiga.
riu para Alice, acenando com a cabeça.
— Bom, sua nova amiga precisa de roupas para ela, a irmã e a mãe dela dormirem no meu apartamento esta noite.
— Por que você não falou antes? — disse Alice, correndo para seu quarto, sem deixar de dar um tapa na nuca de seu irmão. — Já volto!
— Tudo bem! Muito obrigada!
— Tio, quem é ela? — ouviu o menininho de pijama branco com pequenos foguetes azuis perguntar. O pequeno aparentava ter, no máximo, cinco anos e, assim como a mãe e o tio, possuía o cabelo castanho claro e olhos tão azuis quanto o céu durante o dia.
— Esta é a , uma amiga do trabalho. Dá oi a ela.
A mais velha se abaixou calmamente de frente para o menino.
— Oi! Eu adorei o seu pijama! Qual é o seu nome? — perguntou, sorrindo.
Amava crianças!
— Meu nome é Henry. Henry Thomas ! — o pequeno falou, sorrindo.
— É um prazer, Henry Thomas ! — Sorriu, apertando a mão do menino, enquanto sorria, observando a cena.
, desculpe-me pela demora! — Alice chegou apressada com várias roupas em mãos. — Não sei o que você iria gostar.
— Ah, não... Não precisa se preocupar com isso! Nós só queremos tomar um banho e descansar deste dia! — sorriu, cansada, e pegou três blusas e três calças. — Muito obrigada, Alice!
— Não precisa agradecer! Relaxa!
— Mas essa é a terceira dívida do dia! — sorriu, levantando-se. — Nós temos que ir, agora. Boa noite pra vocês! Tchau, pequeno! — Deu um beijo na testa de Henry.
— Boa noite, tio! Boa noite, tia! Amanhã a gente brinca de pijama! — falou e pulou para abraçar , surpreendendo-a.
— Boa noite, Adam! — Abraçou-o forte. — E boa noite, Alice! Amanhã nosso motorista trará roupas pra nós, e te devolverei as suas limpas, tudo bem? Parece que vamos ser vizinhas por um tempo.
— Lamento que seja nessas circunstâncias, mas as coisas vão se ajeitar! Tenha uma boa noite! — Alice sorriu, tentando tranquilizá-la.
— É lindo, emocionante, mas, realmente, temos que ir! Qualquer coisa, liga pra mim! — guiou até o lado de fora e atravessou o corredor. Quando estava prestes a abrir sua porta, ouviu a voz baixa dizer:
— As coisas vão se ajeitar, não é? — perguntou baixo, parada no meio do corredor, que já não estava tão iluminado por já ser quase dez horas da noite.
olhou para trás e a viu como realmente estava: tentava a todo custo parecer forte pela sua família, mas o coque bagunçado, o vestido amassado e os pés descalços diziam o quanto estava cansada.
— Sargento Mitchel... — olhou para . — Confie em mim, ok? As coisas vão se ajeitar. Eu prometo!
E juntos, entraram no apartamento.

Continua...




Nota da autora: (31/05/2020) Sem nota.

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