Última atualização: 21/09/2020
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Prólogo

Julho, 2011
Rio de Janeiro

O ônibus tinha acabado de parar no ponto final e a garota saia atrapalhada com sua mochila pendurada em um ombro e uma mala pequena de carrinho na outra mão. Era final de período e, se ela não estivesse em 15 minutos na sala para fazer a prova de Mídias Globais, podia dar adeus ao seu CR e, consequentemente, a sua bolsa de estudos. Ninguém do setor de apoio aos estudantes bolsistas se compadeceria novamente de seus causos para manter a bolsa de 100% na PUC-Rio junto ao estágio, que mais parecia um trabalho de efetivo, na redação do telejornal carioca do Sbt, junto a alguns freelas ocasionais que ela fazia para complementar a renda. De fato, ela mais passava tempo na redação do que em casa estudando para as provas finais. Mas, não podia reclamar: afinal, era o estágio junto da pouca ajuda dos pais que mantinha o seu quarto e alimentação em uma república no Catete, para que sua locomoção ficasse um pouco melhor do que seria se continuasse na Zona Oeste do Rio.
Por isso, ela fez o possível para andar o mais rápido até a faculdade. Tinha acabado de voltar de uma reunião nos estúdios da emissora em São Paulo e não conseguira carona até a universidade ou tivera tempo de parar em casa para largar a mala. Ela só torcia para que as horas de estudo rasas no fim de semana tivessem sido o suficiente para garantir a passada para o penúltimo período. Apenas mais um ano e ela poderia dar o fora de toda aquela estrutura elitista da Puc. Por mais que aquele lugar também fosse a sua casa, ela estava louca para dar as costas para os portões da Gávea, que naquele momento pareciam muito assutadores, porque tinha apenas 7 minutos para chegar na sala.
O barulho dos seus sapatos e o das rodinhas batendo no chão enquanto ela corria era o que mais se ouvia por entre os corredores. Isso e os pedidos de desculpas que a garota soltava vez ou outra quando esbarrava em algum desavisado que não estava vendo o furacão que ela era ao passar por seu caminho. Por sorte, viu o número da sala aparecer em seu campo de visão e foi logo entrando, atrapalhando as últimas dicas que o professor dava para a turma e recebendo um olhar nada contente do mestre enquanto se sentava em uma das carteiras da frente que sobraram na sala lotada.
- , atrasada como sempre, né? - comentou o professor tirando os óculos e limpando despreocupadamente as lentes em sua camisa, que parecia caríssima.
- Desculpe, professor! Eu vim direto do Galeão para cá! Ou corria ou perdia sua prova! - explicou tirando suas anotações da mochila junto ao seu estojo e se endireitando na carteira para relaxar alguns segundos antes de despejar tudo o que sabia naquelas folhas de papel almaço na sua frente.
- Tudo bem, tudo bem! Mas que isso não se repita no próximo semestre, ! - ele disse olhando no fundo dos olhos da garota que sentia suas bochechas esquentarem e dava graças a Deus por sua pele negra ajudar a esconder o embaraço - Todos prontos? - ele agora se dirigia à turma - Vocês tem cerca de 1h40 para terminar a prova. Usem apenas suas anotações e boa sorte!
tentava manter a mão tranquila enquanto escrevia, mas se sentia suando frio. "Deve ter sido a corrida até aqui", pensava e torcia enquanto se concentrava em dizer cada palavra do que lembrava das aulas anteriores e, do que sua amiga Gabriela, que estava a algumas mesas de distância, tinha lhe passado dos dias que tinha faltado. Graças aos céus, aquele professor não cobrava presença e era empático com as questões pessoais dos alunos.
Ela olhava para o relógio preso ao seu pulso repetidas vezes, tentando espantar o nervosismo e o mal-estar que insistiam em crescer. Mas ela não podia dar ouvidos ao seu corpo agora. precisava concluir o semestre para que pouco lhe separasse da efetivação no Sbt. E foi com esse pensamento e respirando fundo a cada 10 segundos, que ela terminou de preencher o verso da última página de almaço que podia usar para fazer a prova. Olhando para os lados, ela podia ver que a sala estava quase vazia, tirando uns cinco alunos que tinham ficado por último e o professor. Ela podia ver, pelo vidro da porta, a cabeleira loira de Gabriela lhe esperando do lado de fora da sala. Então, faltando menos de 20 minutos para o fim da prova, ela se levantou com certa dificuldade da carteira, deixou a prova com o professor sem nem olhar direito para o homem e saiu da sala com sua bagagem pesada para encontrar a amiga que lhe olhava em expectativa.
Gabriela não teve tempo de lhe fazer perguntas sobre a prova. praticamente jogou a mochila e a mala aos pés da amiga e saiu correndo para o banheiro feminino mais próximo, que por sorte, ficava naquele mesmo corredor. Ela ainda colocava todo o café da manhã que mal tinha tomado no avião para fora quando Gabi chegou com dificuldade ao banheiro, sendo ajudada por Beatriz, outra amiga das duas.
As meninas falavam aos sussurros enquanto se despedia de todo o seu estômago, com o rosto quase colado ao vaso, agradecendo pelas serventes terem limpado aquele banheiro hoje mais cedo. O cheiro de desinfetante, que normalmente lhe fazia torcer o nariz, estava sendo um alívio sem tamanho.
Pareceram horas quando ela saiu da cabine do banheiro e encontrou as duas amigas com os braços cruzados e expressões preocupadas.
- Me diz que a sua menstruação não 'tá atrasada, ! - Gabriela disse sem rodeios, enquanto Beatriz lhe cutucava a cintura em um pedido mudo para que fosse mais sutil com a amiga.
apenas suspirou e se dirigiu até a pia para lavar seu rosto e tentar fazer alguma cor lhe voltar ao rosto. Ela não conseguia encarar as amigas, mas sentia seus olhares lhe perfurando através do espelho. Suspirou uma vez mais e sentiu a mão de Gabriela lhe apertar delicadamente o ombro. Foi quando a primeira lágrima caiu, seguida de outras tantas que ela se viu sendo abraçada por Bia e Gabi, em uma promessa silenciosa de que não lhe deixariam sozinha em nenhum passo a partir de agora.


Capítulo 1

Agosto, 2013
Rio de Janeiro

— Vocês só podem estar brincando — reclamou, quase chorando. estava sorrindo, contente com os desenhos que havia feito no rosto e nos braços da irmã, que também parecia feliz com o resultado.
Suspirando, ela se aproximou das meninas, tirando a canetinha das mãos de e colocando na parte mais alta do armário. Em seguida, pegou no colo e olhou para a outra filha, que rasgava as folhas de um dos cadernos que havia comprado para as duas desenharem.
— Vou limpar o rosto da sua irmã, não se mexa. – disse torcendo mentalmente para ser obedecida, mesmo sabendo que era uma batalha quase perdida.
Embora quisesse rir das duas, tentou permanecer séria até tirar o máximo de tinta possível do rosto de . Sentada na pia do banheiro, a menina tentava a todo custo mexer nas coisas ao redor, tornando o trabalho de ainda mais difícil. Ser mãe de primeira viagem já é uma tarefa árdua, de gêmeas então...
Mas ela estava dando conta, se saindo até melhor que muitas mães experientes por aí. Vez ou outra contava com a ajuda de Gabi e Bia, as madrinhas das gêmeas, ou de um familiar, mas quem nunca? Apesar do pai das meninas ser ausente - e extremamente babaca -, Marisa, a avó paterna, era um anjo na vida de e das gêmeas, sempre cuidando das meninas para que ela pudesse trabalhar, já que dona Sabrina, sua mãe, morava mais distante. Já havia cogitado deixar as meninas numa creche, mas era grande o receio de deixar suas filhas sob os cuidados de alguém novo.
Foram inúmeras vezes, tanto na gravidez quanto depois dela, que se pegou chorando pelos cantos, acreditando que não estava pronta para ser mãe. Se passaram dois anos desde que elas não passavam de enjoos matinais, dores nas costas e a sensação de que espirrar poderia fazê-la mijar nas calças. Olhando nos olhos de agora, ela não conseguia deixar de pensar que havia feito um bom trabalho com aquelas duas. Ninguém cuidaria tão bem de suas filhas quanto ela.
Terminou de limpar o rosto da menina, com álcool em gel e a levou novamente para o quarto. , por milagre, ainda estava sentada no mesmo lugar, fazendo bolas de papel.
— Agora olhem aqui. — chamou a atenção das duas. As canetinhas azul e vermelha em mãos — , você não pode rabiscar a sua irmã.
— Putê?
Ah, por um momento ela havia esquecido que um de seus bebês estava na fase dos "porquês", adorava questionar tudo, enquanto só falava quando necessário. Na maioria das vezes era fofo, outras apenas irritante.
— Porque a mamãe comprou esse caderno para vocês desenharem nele.
— Putê?
— Quem quer assistir Peppa Pig, hein? — desconversou e as duas pularam animadas, correndo para o sofá, dando a ela o tempo que precisava para arrumar a casa.

Dezembro, 2015
Rio de Janeiro

Encarando Ângelo, se perguntava em que momento ele havia se tornado um completo babaca, mas sabia que a realidade é que o pai de suas filhas sempre fora assim. Até mesmo quando ela o havia conhecido, ele era um irresponsável. Ela estava no quarto período da faculdade quando teve algumas aulas em conjunto com a turma de Ângelo. Foi na terceira semana de aula que eles começaram a sair, após rejeitá-lo duas vezes. No terceiro convite então, ela decidiu que era hora de dar uma chance ao rapaz, mesmo com suas amigas lhe alertando sobre ele.
E agora, ali estava ela, mais uma vez fingindo que o pai de suas duas filhas era um cara decente para poupar sua sogra de aborrecimentos. Ao contrário de Ângelo, a mãe dele não tinha complexo de superioridade e sempre fora uma pessoa decente tanto com quanto com as netas. Por isso, forçou um sorriso mais uma vez tentando aproveitar o momento e ficar feliz, suas filhas estavam completando mais um ano de vida e ela não poderia deixar Ângelo estragar o momento.
, querida — Marisa chamou a mãe das gêmeas que estava focada em distribuir gelatina para as crianças convidadas. Embora não houvesse muitas crianças na família, fez questão de convidar os amigos das filhas, que frequentavam a mesma creche das meninas. deu o último copinho de gelatina da bandeja para uma menina e foi até a ex-sogra. — Você está bem? Vi que parece chateada com algo.
— Não é nada, só estou um pouco cansada por conta dos preparativos. Até mesmo festas pequenas dão trabalho. — ela mentiu, colocando a bandeja na mesa mais próxima e pegando um copo de refrigerante para si.
— Se precisar de algo, sabe que pode contar comigo não é? — assentiu, sorrindo agradecida — Que bom, porque eu vou ficar para ajudar nessa bagunça.
Antes que a mais nova pudesse dizer algo, Ângelo se uniu as duas, ele havia escutado uma parte da conversa.
— A dá conta de tudo sozinha, ela não 'tá fazendo nada mesmo — ele disse, fazendo a mãe revirar os olhos e a mãe de suas filhas respirar fundo.
— Pra mim já deu. — ela respondeu se dando por vencida — Marisa, posso roubar seu filho por alguns minutos?
— É todo seu, querida.
E com a confirmação da ex-sogra, andou até o quarto, sendo acompanhada por Ângelo. Não deixando de reparar que Marisa aumentou o volume do rádio, o que tornava difícil de descobrirem caso ela tentasse matar Ângelo. Como não era o caso, assim que o homem entrou, ela trancou a porta atrás dos dois e o encarou.
— Qual é o seu problema? — ela começou e já sabendo que ele iria retrucar, levantou as mãos pedindo que ele permanecesse em silêncio — Você chega quase no fim da festa das suas filhas, não me ajuda em porcaria nenhuma e ainda quer fazer graça durante toda a comemoração? Eu juro por Deus, a minha maior vontade é entrar na justiça e arrumar um jeito de você nunca mais olhar na direção das duas.
— E elas vão viver sem um pai? — ele respondeu irritado, embora soubesse que não estava em posição de reclamar.
— Elas já fazem isso, seu idiota! — falou um pouco mais alto — Você é a porra de um pai ausente! Sua mãe busca as duas sempre e elas veem você uma vez na semana, isso quando você aparece em casa. Você esqueceu o aniversário delas, cara!
— Você não tem que me dar sermão, nós não temos nada.
— Eu estou cagando, Ângelo! — já andava de um lado para o outro, ela mordeu o lábio inferior e respirou fundo, olhando novamente para ele. — Olha, eu estou cansada de ver a sua mãe tentar compensar os seus erros. Está na hora de você sair debaixo da saia dela, entendeu? Nós temos duas filhas, não é algo que você pode ignorar. Se a partir de hoje você não se esforçar para ser o melhor pai que essas duas poderiam ter, acredite quando eu digo que dou um jeito de manter distância. E você sabe o quanto sua mãe te odiaria por isso, não sabe?
Sem esperar ele responder e nem mesmo saber se ele iria ter uma resposta, deixou o quarto aliviada. Fazia tempo que ela engolia as gracinhas do ex, mas quando o assunto era as gêmeas, o faria ouvir tudo o que ela esperou por anos para falar.

Janeiro, 2017
Rio de Janeiro

estava tentando há semanas manter a ansiedade controlada. Ela não aguentava mais checar seu e-mail de cinco em cinco minutos esperando por uma resposta que poderia mudar, não apenas a sua vida, mas a de suas filhas, que já estavam com cinco anos. Dona Marisa, sua ex-sogra e avó das pequenas, tinha lhe conseguido duas entrevistas que eram cruciais para a sua carreira até o momento. Pessoas ricas conheciam outras pessoas ricas e influentes que podiam dar momentos cruciais ao proletariado. "Se bem que qualquer coisa é crucial, em uma rotina que se baseia em cobrir notícia cotidiana do Rio de Janeiro pelo Sbt Rio", ela pensava suspirando enquanto cortava algumas frutas para o café da manhã de e . Era sábado, o único dia da semana que podia se dar ao luxo de passar o dia inteiro com as crianças, já que aos domingos elas sempre iam para a casa do pai, Ângelo.
A mulher já estava formada há 6 anos e continuava trabalhando no mesmo local em que fizera estágio durante a faculdade. Se sentia estagnada, sem perspectivas de melhora. Mas, pelo menos, o salário era o suficiente para garantir uma vida confortável para ela e as meninas em um apartamento mediano na Glória. Só que ela não estava fazendo o que queria dentro do jornalismo. queria focar em entretenimento. Desde pequena, sempre tivera o sonho de descobrir como era o tal "mundo dos famosos" por dentro. Queria ver se as pessoas eram tão perfeitas como aparentavam, saber quem odiava quem por baixo dos panos e ver as máscaras caírem. Sua mãe, dona Sabrina, dizia que ela adorava era ver o circo pegar fogo. E, bem, ela não estava tão errada assim. Mães sabem das coisas.
- Mamãe? – apareceu na sala coçando os olhinhos e com uma expressão de sono adorável – Você 'tá fazendo o quê? – ela perguntou escalando a cadeira que ficava de frente pra bancada que separava a cozinha estilo americana do espaço e se sentando.
- O café da manhã de vocês, é claro! – e, só nesse momento percebeu que estava cortando a mesma banana há uns bons 10 minutos. O que era para ser uma rodela mais parecia um purê de banana. Então, ela pegou outra fruta para começar a descascar – continua dormindo?
- Claro, mamãe! – disse em tom de obviedade – Aquela lá dorme mais que o sofá! – completou toda esperta e rindo da irmã.
- Mais que a cama, querida! – corrigiu sorrindo pra filha e se virando para deixar um beijo em sua testa – E onde a senhorita ouviu essa expressão, hein?
- Vovó Marisa que falou isso do papai e disse que a é igualzinha a ele! – ela deu de ombros enquanto observava a mãe terminar com as frutas e colocar um pratinho em sua frente com uma colher para que ela pudesse comer sozinha.
- Sua avó sabe o que fala! – concordou rindo – Mas eu vou lá acordar a Bela Adormecida antes que percamos o dia todo por aqui e está fazendo um sol lindo lá fora! – e foi se afastando para o quarto quando ouviu o telefone de casa tocar. Ela logo atendeu antes que o barulho acordasse , sabia que a filha tinha um péssimo humor logo pela manhã. "Realmente uma cópia do pai", pensou antes de tirar do gancho.
- Alô?
- Olá, será que eu poderia falar com a senhorita ? – uma mulher falou em inglês com um sotaque forte e o corpo de de repente paralisou. A pessoa teve que repetir mais umas duas vezes, sem saber se do outro lado da linha lhe entendiam.
- Cla.. Claro. – ela começou gaguejando e torcendo para que seus 7 anos de cursinho de inglês não falhassem agora – Sou eu! Me desculpe! Eu não estava esperando ligações internacionais ...
- Tudo bem, senhorita . – a mulher do outro lado foi compreensiva – Estou ligando para falar sobre a entrevista que você fez há dois meses conosco.
E, pelos 25 minutos seguintes, tudo o que pode fazer foi murmurar palavras meio desconexas de concordância e agradecer diversas vezes, se lembrando de manter a animação o mais contida possível. Ela pegara um papel para anotar as principais informações que a moça, que se identificou como Barbra Wilson, lhe dava. Naquele momento, formada há 6 anos, aos 26 de idade e com duas filhas de cinco, ela se sentiu indo para o caminho que sempre quis. Barbra Wilson ligava do escritório da Entertainment Weekly, em Los Angeles, Califórnia. E ela não estava lhe oferecendo apenas seu emprego dos sonhos como repórter da revista, mas a sua autoestima profissional de volta.


Capítulo 2

Morar em outro país é sempre um custo muito grande, principalmente com duas crianças pequenas. tinha considerado não aceitar a proposta de emprego, que lhe pagaria em dólares e quase o dobro do que ganhava hoje no Brasil, mas sua mãe e sua ex-sogra fizeram uma intervenção junto a Gabriela e Beatriz, suas amigas de faculdade e madrinhas das crianças. Se não fosse por bem, as quatro lhe dopariam para lhe enfiar em um avião rumo a Los Angeles. Depois de uma ameaça dessas, vinda de mulheres raivosas, tudo o que a jornalista pode fazer foi começar a procurar alugueis na cidade que ficassem próximos ao trabalho.
Com muito esforço, conseguiu encontrar um apartamento de dois quartos próximo ao escritório da EW em LA e ao Dalton Academy, a escola em que as meninas começariam a frequentar. Claro que o fato dela não precisar se preocupar em pagar um bom colégio para as gêmeas era um respiro enorme no orçamento de quem estava de mudança. Mesmo insistindo com Marisa que as escolas públicas americanas tinham um padrão de ensino muito bom, a avó paterna decidira se encarregar dessa parte, já que prezava por uma educação de qualidade para as netas e as matriculara em um colégio particular. E, querendo ou não, Ângelo dava uma boa pensão para as filhas e ainda se preocupava sempre em saber se elas precisavam de algo. Como namorado tinha sido péssimo, mas conseguia ser um bom pai na medida do possível. e eram loucas por ele!
E, isso poderia ter sido um problema, já que as três estavam se mudando para outro país. A choradeira que começou uma semana antes da mudança oficial para Los Angeles tinha acabado pouco antes do voo ser anunciado – se bem que, se contar com as lágrimas solitárias que teimavam escapar dos olhos de enquanto assistia ao sono das pequenas ao seu lado, essa tristeza ia continuar por bastante tempo. “Mas é um por um bom motivo”, pensou aliviada enquanto deixava um beijo na testa de cada filha e se voltava para o livro que levou para se distrair. Seriam longas 15 horas de voo até desembarcar em Los Angeles com as crianças e teria muito tempo para ler e dormir, antes que uma das duas pestinhas resolvesse acordar e zonear o avião que estava silencioso, ainda que fosse de tarde e o voo comportasse mais crianças – outras cinco além das gêmeas, pelo que contara.

[...]

O dia de deveria ter, no mínimo, 54 horas, ela implorava. Foram muitos minutos gastos entre esperar pelas roupas restantes chegarem a Los Angeles e alguns objetos, como as camas de e , além de seus brinquedos - que viriam por uma transportadora contratada ainda no Brasil - e conseguir arrumar tudo em seu devido lugar. E, ela ainda tinha a doce ilusão de que conseguiriam visitar o letreiro de Hollywood ou a Calçada da Fama. “Iludida mesmo”, praguejava ao guardar a vigésima peça de roupa de no lugar.
Por sorte, as crianças estavam entretidas com a televisão e lhe deixaram trabalhar em paz, com um pagode esperto tocando no celular. Calmaria melhor do que essa seria difícil de achar. Mas, estava prestes a acabar, porque precisavam sair para comer. O despertador do seu telefone lhe indicava que já passava das 13h e, se demorasse um pouco mais, sabia que seria engolida pelos furacões que chamava de filhas.
— Quem quer sair para comer? — disse chegando na sala e encontrando quase dormindo no colo da irmã. Nenhuma palavra precisou ser dita, porque os gritinhos animados de preencheram o lugar, acordando e fazendo com que as duas corressem para o banheiro a fim de se arrumarem.
, que já previa a bagunça, tinha deixado uma roupa para cada uma em cima de cada cama. Ela sabia que as filhas estavam na fase da independência e que não pediam mais ajuda para o banho, mas a mulher sempre ficava atenta pro caso de precisarem de alguma coisa. A única tarefa para a qual ainda pediam socorro era pentear os cabelos. Um toque de mãe é sempre mais útil na hora de desembaraçar os cachos que, em alguns dias, ficavam mais alvoroçados.
Depois de uns bons 40 minutos, as três conseguiram sair de casa. Foram mais vinte minutos até encontrar um restaurante com comida brasileira. Apesar de ser bom acostumar as meninas com a comida local, ela sabia que teria muito tempo para isso e ouvir ambas as filhas reclamarem e se recusarem a comer era a última coisa que a mulher queria em sua primeira semana longe do Brasil. Já havia passado por um episódio numa churrascaria, com as gêmeas chorando aos 2 anos, porque ambas se recusavam a comer, pois queriam mamar. Foi um caos, mas conseguiu driblar a situação.
O letreiro do restaurante era lindo e era apenas sorrisos. Ela observava as pessoas nas outras mesas, quando um garçom veio lhe atender.
— Boa tarde, bem-vinda ao Camila's. — ele disse em português, o que fez ficar ainda mais animada.
— Obrigada, eu gostaria de uma mesa e duas cadeiras infantis, pelo amor de Deus. — ela riu, fazendo o garçom rir junto. Ele olhou para as pequenas e sorriu.
— Eu não consigo imaginar essas duas gracinhas dando trabalho. — respondeu e sorriu. O garçom fez um gesto pedindo para que o acompanhasse, guiando-a até a mesa de número 13. — Eu estarei de volta com o cardápio em um minuto.
assentiu, agradecida demais pelo ótimo atendimento. Olhou para as gêmeas, ambas sentadas nas cadeiras infantis e pegou o celular para registrar um dos únicos momentos do dia em que as duas ficavam extremamente quietas.
O garçom voltou com o cardápio e a mulher fez os pedidos, agradecendo ao homem antes dele afastar-se novamente. pegou o celular e enviou a foto das meninas para um grupo no WhatsApp com a ex sogra e o pai das gêmeas. Logo em seguida postou a mesma no grupo da família, recebendo várias mensagens de sua mãe e tias, todas cheias de elogios.
Uma voz feminina se fez presente falando em português e tirou os olhos do celular, vendo uma mulher e uma criança que aparentava ter a idade de suas filhas.
— Me desculpe o incômodo, mas podemos nos sentar aqui? O resto do restaurante está cheio. — ela sorriu um pouco envergonhada e logo retribuiu o sorriso, deixando claro que não se importava nem um pouco.
— Fica a vontade, — respondeu e a loira ficou menos constrangida — é ótimo conhecer pessoas novas. Eu sou a , essas são e .
— Eu sou a Laura — a loira se apresentou e apontou para a mais nova — e essa é a Violet, minha filha.
— É um prazer! — respondeu simpática e sorriu para Violet, que parecia ser um pouco tímida. — Uau, que garotinha linda. - e a menina apenas retribuiu olhando para o chão envergonhada.
— Ela é um pouco tímida, mas vai se soltando aos poucos. — Laura riu ao sentir a filha apertar a mão que segurava. A mulher sentou e logo o garçom estava de volta, Laura aproveitou para pedir também uma cadeira infantil, que substituiu outra de imediato. — Obrigada novamente por nos deixar ficar.
— Não esquenta, é uma ótima oportunidade para uma nova amizade. — disse mais uma vez e, assentindo, Laura sorriu. — Você mora por aqui?
— Sim, claro. Na verdade, amanhã vai fazer cinco anos desde que cheguei aqui. — comentou com um sorriso, orgulhosa de onde havia conseguido chegar.
— Isso é maravilhoso. — respondeu antes de começar a organizar a mesa para as meninas não causarem uma cena. — É difícil?
— O quê?
— Você sabe… — apoiou os braços na mesa e apoiou o queixo sob as mãos. — A saudade. Eu cheguei faz pouco tempo e já estou com uma saudade absurda da família, dos amigos, e do calor que fazia no Rio.
A parte mais difícil para estava sendo deixar a família e os amigos, mas estava confiante de que faria novos e isso serviria de consolo para que não se sentisse só.
— Ah é difícil, mas com o tempo eu acostumei e ficou bem mais fácil quando eu tive a Violet.
Laura sorriu observando a filha, que já estava brincando com uma das gêmeas. O garçom voltou com os pedidos de , logo anotando o dela também. As meninas comeram sem nenhuma birra, o que deixou muito aliviada. A mulher pediu sorvetes para as três crianças, como uma recompensa por terem se comportado enquanto ela e Laura se conheciam melhor.
As mães se despediram quando o marido de Laura veio buscá-las, cumprimentando brevemente . Laura deu seu número a ela e agradeceu pelo almoço, mandando um beijo para as gêmeas e entrando no carro, que partiu em seguida. A mãe das meninas sorriu, feliz por ter feito sua primeira amizade naquele lugar que ainda era tão novo para ela. De mãos dadas com as filhas, ela voltou para casa.



Capítulo 3

nunca foi daquelas pessoas que se assusta por algo tão fácil. Depois do parto de e , a carioca sentia que podia fazer qualquer coisa. Mas, tinha que admitir que estar junto de sua nova equipe e, claramente estar sendo avaliada mentalmente por eles, não estava sendo uma tarefa fácil. Ela podia sentir seu estômago revirar de forma desconfortável enquanto os dois homens a sua frente encaravam todo o discurso que ela tinha sido instigada a fazer.
- Você precisa relaxar mais, ! - Daniel, o operador de câmera de seu time, disse depois dela ter concluído o que parecia o quinto ensaio daquela hora. - Tenta falar com mais naturalidade para câmera.
- Fazer uma entrevista em inglês é muito mais complicado do que vocês imaginam. - a brasileira bufou e arrumou o cabelo nervosa. - Se ela fosse brasileira, tudo estava resolvido!
- A vida não é um mar de rosas, meu bem. Você sabe disso. - John, o fotógrafo da equipe, ponderou. - Se fosse, eu já estaria casado com o Michael B. Jordan há muito tempo. - eles riram juntos.
- Eu sei, meninos. Mas essa é a primeira vez que eu vou entrevistar alguém desde que entrei aqui. Precisa sair perfeito, para que a Barbra não se arrependa de ter me oferecido a vaga e eu não tenha que voltar com duas crianças para o calor absurdo do Rio de Janeiro. - fez drama.
- Não surta, ! - Daniel bronqueou, mas logo abriu um sorriso. - Você é competente e mostrou isso nesse mês de trabalho aqui. A Barbra não te mandaria entrevistar alguém para o YouTube se você não estivesse pronta para isso. – incentivou. - Vamos tentar mais uma única vez e chega. - ele disse arrumando a câmera pela sexta vez e focando no rosto da mulher. - Vai!
- Olá, pessoal! Eu sou a e estamos aqui com Alessia Cara, que lançou no final do ano passado um clipe bem legal para a sua música Seventeen … - e ela seguiu o texto que tinha em mente.
A boa da verdade era que estava mesmo insegura quanto a sua permanência na Entertainment Weekly. 2017 ainda estava em março e ela acabara de completar um mês de revista, mas ainda tinha que passar por mais dois de experiência até que pudesse cobrir eventos maiores. Por enquanto ou ela acompanhava outros jornalistas a coletivas e pocket shows para ver como eles lidavam com os famosos, ou atualizava o site da revista com o que acontecia nas redes sociais.
Mas Barbra tinha visto o esforço da mulher em se encaixar na redação da EW. Por isso lhe colocara para entrevistar Alessia Cara para o canal do YouTube da revista. Alessia era um doce, estava em começo de carreira e ganhara mais visibilidade por gravar a música tema de Moana. Barbra tinha certeza de que daria conta e foi isso o que disse a ela, mesmo que a brasileira tenha surtado disfarçadamente com a notícia. Era sua hora de provar seu valor.

[...]

tinha treinado por mais alguns dias com a sua equipe, mas tinha que admitir que estava nervosa. O problema não era tanto o fato de entrevistar uma pessoa famosa do meio musical, mas o quanto ela se cobrava. Será que seu inglês seria compreensível para as pessoas? Será que seria julgada por ser brasileira? Ela não sabia, mas respirava fundo de dois em dois minutos dentro do carro a caminho do hotel onde rolaria a entrevista.
John e Daniel estavam ao seu lado quando ela entrou no Sheraton e isso lhe deixava minimamente mais tranquila. Quando os três chegaram com os equipamentos na cobertura para usar um pequeno salão do hotel, Alessia já esperava na porta com sua assessora de imprensa. As duas pareciam conversar animadas e comemorou pelo bom humor aparente da cantora.
- Olá! Sou a , trabalho na EW! Tudo bem? - achou melhor se apresentar logo, tentando deixar a timidez de lado e as mulheres a sua frente sorriram, enquanto os meninos se preocupavam em abrir o espaço e arrumar os equipamentos.
- Oi, ! Eu sou Alessia e essa aqui é a Jane, minha assessora que falou com vocês. Eu estou bem animada para essa entrevista, tenho que admitir. - a garota cumprimentou de volta.
As três mulheres começaram a conversar e , quando viu tudo pronto e teve o ok de Daniel, resolveu se posicionar em uma das cadeiras no centro da sala, levando a cantora com ela.
- Vamos fazer dessa entrevista uma conversa, tudo bem? - questionou a canadense que concordou e ela olhou para câmera, fazendo a chamada. - Olá, pessoal! Eu sou a e estamos aqui com a Alessia Cara, que lançou no final do ano passado um clipe bem legal para a sua música Seventeen e que está no meio da sua primeira turnê. Conta um pouco sobre como está sendo essa tour?
- Oi, galera! - ela cumprimentou para câmera e voltou seu olhar para . - Então, está sendo ótimo! Primeiro a gravação do single de Moana com o Lin-Manuel Miranda e agora a Know-It-All Tour está saindo do papel. É um sonho que virou realidade!
- E você pode adiantar alguma coisa para gente sobre o show daqui de Los Angeles? - perguntou a jornalista em expectativa.
- Muito pouco. - a cantora riu. - Mas, ainda que seja em um espaço pequeno, o show dessa semana terá uma grande surpresa! Só indo para conferir! - Alessia deixou no ar e deu uma piscadela esperta para a câmera.
A entrevista durou por mais 10 minutos e já parecia bem mais à vontade frente às câmeras. Ela ainda se divertiu com Alessia, fazendo um quiz com a cantora sobre qual princesa da Disney ela seria. Alessia acabou sendo Pocahontas e até cantou um pedacinho de Colors of the Wind para comemorar.
Logo depois as duas tiraram uma foto juntas e a canadense deu para cada um da equipe dois ingressos para o show de Los Angeles. Por sorte, Ângelo estava vindo para a cidade, querendo passar um tempo com as filhas. Talvez ela pudesse convidar Laura, já que as duas tinham se aproximado bastante no último mês.
, então, tratou de ligar para a nova amiga quando eles deram o expediente por encerrado.
- Laurinha, meu bem! - a jornalista saudou ao telefone em português, enquanto entrava no carro com sua equipe para lhe deixarem em casa. - Você vai fazer alguma coisa nessa sexta?
- Onde vamos, ? - a amiga questionou e soltou uma risadinha animada.
- Gosto assim! Tenho ingressos para o show da Alessia Cara no Pantages Theatre e vai ser incrível!
- Eu não tenho ideia de quem ela seja, mas por uma noite de folga, eu estou aceitando. - Laura comentou. - Vou marcar logo horário para nós duas na minha cabeleireira. Temos que ir maravilhosas. Conhecer vários famosos.
- Não viaja, Lau! Vamos só curtir umas músicas desconhecidas legais e de graça.
- Já é o suficiente para mim, querida. - ela disse e logo se despediu enquanto ouvia a voz de Violet ao fundo chamando pela mãe.
Em alguns minutos, Daniel estacionou o carro em frente ao prédio da brasileira e ela finalmente conseguiu chegar em casa. Tinha pouco mais de uma hora até que e chegassem em casa do colégio junto com a moça da Dalton Academy que era responsável pelo carro escolar.
Por isso, ela se pôs a tomar um banho relaxante e respirar um pouquinho, pensando no quanto tinha evoluído naquele mês em L.A.. sabia que ia precisar de muito mais para ser considerada fundamental pela E.W., mas se sentia seguindo um bom caminho. O pessoal da revista era bem legal e sua equipe ainda melhor. Daniel e John tinham sido dois anjinhos que caíram em sua vida. Anjos na Cidade dos Anjos. Bem clichê mesmo.
Laura também tinha sido um achado. A loira era mais do que apenas uma amiga ou uma conexão com o Brasil. Sentia que já a conhecia de outros tempos, mesmo sem saber bem. Só tinha essa sensação.
ficou mais algum tempo no chuveiro aproveitando a água morna em seu corpo quando ouviu seu despertador tocar. Ela sempre mantinha o alarme para uma meia hora antes das filhas chegarem, assim tinha tempo de preparar alguma coisa mais reforçada para elas. As duas já estavam sofrendo para se adaptar a falta de um almoço completo, já que nos EUA eles não tinham esse costume. Então, a jornalista se esforçava para montar um jantar mais farto, equilibrando a fome dos dois mini furacões.
Por isso, ela saiu rápido do banho, colocou a primeira roupa que encontrou e partiu para a cozinha. Ainda bem que deixei janta pronta, pensou enquanto abria a geladeira e pegava a lasanha que já tinha congelado no dia anterior para colocá-la no forno, além de alface e alguns tomates para uma salada. O tempo de cozimento fora o suficiente para que finalizasse a salada, desligasse o forno e ouvisse o interfone tocar com o porteiro avisando que as crianças chegavam.
e estavam esperando junto a Melanie, a moça contratada pela escola para levar algumas das crianças em casa. As gêmeas eram as primeiras a serem entregues, já que o prédio ficava próximo a Dalton Academy. Elas ainda conversavam com as outras crianças, em um inglês precário que fez se derreter por dentro quando chegou na porta para pegá-las.
Quando viram a mãe, as duas se despediram correndo e saíram apressadas ao encontro dela. O caminho até o apartamento foi cheio de novidades das meninas para , mas ela logo mandou as duas para o chuveiro, assim poderiam jantar.
- E o que vocês aprenderam hoje na escola? - perguntou quando as duas estavam devidamente vestidas com seus pijaminhas e já comendo sentadas à bancada. A mulher gostava sempre de saber o que acontecia na escola, já que a turma das filhas era própria para os filhos dos imigrantes brasileiros.
- Hoje a professora fez a gente contar, em inglês, a história de um amiguinho da sala depois de ouvir ele contar, né ? - comentou enquanto a irmã só assentiu, mais interessada na lasanha. - Mas ela não deixou a gente fazer juntas, porque já nos conhecemos demais.
- E com quem vocês fizeram o trabalho?
- Eu fiz com a Emily, mas a fez com o chato do Ronald! - disse com voz de acusação para irmã.
- Ei, o Ron não é chato! - a outra defendeu o amiguinho enquanto imitava sua frase com a voz mais fina, em pura birra.
- , não é para imitar a sua irmã! - ralhou , mas continuou a conversa. - Mas por que você acha isso desse menino?
- É porque ele não quis brincar com ela! - mostrou a língua para sua gêmea e teve que dar uma pequena bronca nela também.
- Meninas, sem brigas, por favor! - disse com a voz mais firme. - Fale, ! Por que acha ele chato?
- Ele jogou bolinhas de papel em mim, mamãe. - a pequena cruzou os braços. - Mas trata a superbem! - completou contrariada.
- E você falou com a professora? - questionou.
- Ela já falou com ele e ele disse que não ia fazer mais, mãe. - respondeu pela irmã e voltou a comer. - Você tem que saber perdoar, ! - declarou antes de colocar mais um pedaço de lasanha na boca, deixando boquiaberta com a frase.
- Bem, e o que mais aprenderam hoje? - a jornalista pigarreou, tentando chamar a atenção das duas para si, buscando dissipar o momento ruim. Demorou um pouco, mas logo elas se lembraram de mais coisas que tinham feito ao longo do dia, deixando o clima pesado para trás.

[...]

A semana tinha sido proveitosa na EW. tinha dado pitacos na edição do vídeo da entrevista e a redação estava em polvorosa com a possível volta de Justin Bieber e Selena Gomez. Lidar com as nuances do casal, além de pensar em acompanhar os outros artistas significava trabalho dobrado, algumas vezes, triplicado para a jornalista.
Por sorte a sexta terminava e ela podia se encontrar com Laura na cabeleireira antes de irem ao show da Alessia Cara, que seria em algumas horas. Ângelo tinha chegado há dois dias e estava hospedado em seu sofá, já que queria ficar o mais próximo das filhas e as meninas não queriam dormir fora do apartamento. Era péssimo para ela, mas para ver suas crianças felizes, valia o esforço.
- Finalmente você chegou, mulher! Já estava quase mandando a polícia atrás de você! - Laura cumprimentou quando viu a amiga chegando na porta do pequeno salão de beleza.
- Você tem certeza de que não quer ser atriz de novela mexicana, Lau? Com esse drama todo, a Televisa está te perdendo! - disse irônica enquanto dava um abraço na loira.
- Há, muito engraçada! - ela lhe mostrou a língua como uma criança e riu. - Agora anda logo que a Mabel vai cuidar direitinho de você! - afirmou Laura empurrando a jornalista para dentro do salão e apresentando a cabeleireira Mabel e a manicure Karen, enquanto praticamente jogava a amiga na cadeira de frente ao espelho. - Ela é toda sua, Mabel!
- Olá, querida! - Mabel cumprimentou e já foi perguntando. - Tem alguma ideia do que fazer com esses cachos maravilhosos?
- Quem sabe pintar? - sugeriu em dúvida olhando a profissional pelo espelho. - Eu mudei há pouco tempo para L.A. e não fiz nada ainda.
- Sei exatamente o que podemos fazer! - Mabel sorriu e a brasileira ficou um pouco assustada. Pensou até em pedir ajuda para Laura, mas a mulher já estava entretida em uma conversa com Karen, que já fazia suas unhas. - Confia em mim?
apenas assentiu e se deixou levar pelas mãos experientes da mulher. Qualquer mudança que viesse seria super bem-vinda e ela ia abraçar, como fizera com Los Angeles depois que chegara aqui. Ela ainda tentou se manter de olhos fechados, mas ainda bem que não o fez. Pode ver o cuidado que a mulher teve com seu cabelo. Se tivesse ficado de olhos fechados teria perdido os vídeos que Laura fizera de sua transformação. E, além disso, teria deixado de ver a maravilhosa mulher preta iluminada que lhe encarava de volta no final do processo.



Capítulo 4

Dentro do táxi, já chegando à casa de shows, ligou para Ângelo no Facetime, apenas para ter certeza de que suas bebês estariam seguras. A mulher sorriu, vendo as filhas focadas num quebra-cabeça. Ela falou com as meninas um pouco, até ouvir o motorista dizer que estavam a dez minutos do Pantages Theater e então desligou, vendo Laura lhe encarar.
- O quê?
- Larga o celular pelo menos hoje. - ela repreendeu e riu. - Me dá ele aqui.
- Nem morta, elas podem precisar de mim! - respondeu, escondendo o telefone na bolsa.
- Você precisa sair mais vezes. - a loira disse e deu de ombros. - Sério, eu sei o que é ser mãe, eu sou uma também. Eu sei o quão difícil é às vezes, na maior parte do tempo, mas precisa tirar um tempo para si.
estava de braços cruzados, fazendo bico como se estivesse levando esporro da própria mãe, mas respirou fundo e tentou aceitar o conselho da amiga. Laura estava certa, afinal. Quando as gêmeas completaram dois anos, ela se privou de uma vida pessoal e seus eventos acabaram limitados a festas infantis e reuniões escolares. Ela precisava se divertir um pouco e quem sabe agora que havia passado por uma grande mudança de país talvez outras coisas pudessem mudar também.
- Você tá certa, amiga. - disse e Laura comemorou. - Mas o celular fica comigo.
Laura deu de ombros, mas sorriu sabendo que ao menos ela iria se policiar toda vez que pensasse em ligar para o ex.
olhou pela janela, sentindo o calor que fazia do lado de fora. Nada comparado ao calor do Rio, mas estava abafado o suficiente para ela notar a diferença que o ar condicionado do táxi fazia. Ela viu o grande e luminoso letreiro do Pantages mais a frente.
- Pronta para aproveitar esse show maravilhoso de uma artista que tem metade da minha idade? - Laura questionou, um sorriso brincalhão em seu rosto fez rir alto.
- Nós temos a mesma idade! - ela respondeu indignada e pagou o motorista. - Obrigada.
As duas saíram do veículo, Laura indo direto para a fila e sorrindo ao ver que a maioria do público era jovem, mas havia alguns adultos também. Elas conseguiam ouvir um pouco do que estava rolando lá dentro, logo ficando preocupada com a possibilidade de ter errado o horário e o show já ter começado, mas perguntando a alguém na fila, descobriu que era apenas o show de abertura.
Não muito depois, as duas entraram sem nenhuma dificuldade. entregou os ingressos na entrada e um dos seguranças acompanhou as mulheres, abrindo o caminho para elas. Felizmente, o show de abertura não provocava tantos gritos da plateia, mas vez ou outra as pessoas faziam muito mais barulho que o necessário. Assim, e Laura se comunicavam por gritos, até finalmente chegar perto do palco. A plateia estava cantando junto com o artista, que nenhuma das duas conhecia, mas estava gostando da melodia.
O lugar não era muito grande e estava lotado, mas graças à estrela da noite, elas ficariam na área vip. Assim que chegaram perto do bar, o segurança apontou em que direção elas deveriam seguir. A primeira pessoa que a viu foi John e Lisa apareceu em seguida. A mulher era responsável por arranjar as entrevistas para a EW.
- ! - ele gritou ao vê-la e acenou para que ela se aproximasse logo, o que ela fez, arrastando Laura consigo.
apresentou a amiga aos colegas de trabalho que estavam visivelmente animados para o show.
- Cadê o Daniel? - ela perguntou, um pouco mais alto, assim eles poderiam ouvi-la apesar dos gritos que se iniciaram.
- ‘Tô aqui! - ele levantou a mão que segurava uma cerveja, se espremendo entre as pessoas para alcançar a mesa novamente. Ao chegar lá, ele sorriu olhando . - Ei, você veio.
Laura observou o sorriso do homem ao ver a amiga ao mesmo tempo em que quase batia nela por não ter sido informada de que tinha um pretendente super gato.
- Eu vim. - ela respondeu sorrindo e apontou para Laura. - Essa é minha amiga, Laura. Este é o Daniel.
- É um prazer, Laura. - ele se aproximou para apertar a mão dela e a mulher sorriu de volta. - Ouvi muito sobre você.
- Ah, só coisas boas, né? - Laura se viu perguntando, quando queria mesmo era dizer que não sabia quem ele era, já que sua amiga nunca citou o nome dele. Ou sim, ela buscou mentalmente em suas conversas com . - Seu sobrenome é o Crawford?
- Culpado.
- Agora sim eu posso dizer que ouço falar bastante de você. - ela respondeu, finalmente se lembrando de ouvir o nome entre as conversas com .
- Espero que coisas boas. - ele disse e olhou para que sorriu envergonhada.
- Não posso prometer nada. - a mulher avisou, fazendo John e Lisa gargalharem. Ela olhou para Laura pensando se a loira gostaria de beber algo.
Antes que pudesse perguntar, ouviu a amiga pedindo que a acompanhasse até o bar ao que assentiu. A dupla deixou a mesa e andou na direção em que viram Daniel chegando.
Estar em um show ao vivo fazia sentir apenas boas energias, sua adolescente interior que amava aquilo estava gritando e pulando.
Elas chegaram ao bar, Laura já se adiantou pedindo um drink que desconhecia e encorajando a amiga a pedir algo diferente. pediu uma bebida colorida e aproveitou para pedir por uma garrafa de vodka para os amigos.
- Amiga, me fala a verdade. - Laura começou e apoiou no bar, esperando a loira dizer o que queria. - Como assim você trabalha com aquele cara e nunca deu uns beijos nele? Você já tá aqui faz um tempinho, . Não é possível que não rolou nada!
mordeu o lábio inferior, olhando novamente para o lugar onde estavam, vendo Daniel tomar mais um gole da cerveja.
- Ai, Lau, nós somos só amigos. - ela respondeu e Laura riu. - Sério, ele só faz essas brincadeiras e tal, mas acho que não tá afim não.
- Ah, tá bom, você já reparou no jeito que ele te olha, mulher? - Laura provocou e o barman trouxe sua bebida. A loira tomou um gole, sentindo o gosto de framboesa que adorava. - Eu vou voltar para mesa e tentar me enturmar.
A mulher lhe deixou assim que aprovou sua ideia de tentar fazer amigos. sentiu alguém se aproximar e esbarrar o ombro no dela, olhando para o lado ela encontrou Daniel.
- Então… Como você tá? - ele começou e ela sorriu, apesar de agora não conseguir se conter em reparar nele. Daniel usava uma camiseta branca de manga comprida e calça jeans. se perguntou se ele ficaria mesmo bonito em qualquer coisa ou se era sua imaginação fazendo todo o trabalho.
- Estou bem e você? - o barman cutucou colocando uma taça em sua frente. A mulher sorriu e o homem foi buscar a vodka.
- Bem também, como vão as crianças? - ela fez uma careta e Daniel se perguntava o que havia feito de errado. - Alguma coisa aconteceu?
- Ah, eu realmente espero que não! - ela desabafou. - Deixei as duas com o pai e não é que eu não confie nele, eu confio, mas não estou acostumada a ficar sem elas desde que nasceram.
- Não se preocupe, eles ficarão bem. Eu te acho incrível, sabe? Você não é uma mãe ruim por querer sair vez ou outra. - ele piscou para ela, tomou a bebida em três goles. - Eita, tá querendo ficar louca?
- Era para aproveitar, né? - ela disse ainda sentindo o álcool descer quente.
- Tudo bem, vamos só diminuir um pouco a dose pro caso de as meninas precisarem de você. - eles riram e ela assentiu. - Elas não vão, não hoje, mas é sempre bom estar bem o suficiente para resolver qualquer situação.
- Você tem razão. Acha melhor eu ligar e ver como estão as coisas?
- Faça o que achar melhor, mas eu os esperaria ligarem. Vamos lá, dê a eles um pouco de crédito. Ângelo irá ligar se precisarem de algo.
concordou ainda sorrindo. Daniel era um cara incrível. O barman lhe entregou a garrafa de vodka, uma bandeja com mini copos e gelo. O homem ainda perguntou se ela preferia que ele chamasse alguém para levar a bandeja ou se ela o faria enquanto digitava a senha do cartão na máquina. Ela sorriu e dispensou os serviços do menino que pareceu aliviado.
- Eu te ajudo. - Daniel pegou a bandeja, sorriu com a bebida em uma das mãos, sua bolsa embaixo do braço e a garrafa de vodka na outra mão.
abriu caminho para ele que sorriu em agradecimento ao chegarem à mesa, causando gritos de comemoração de Josh, Lisa e Laura, que conversavam como se fossem amigos de longa data. Seria uma longa noite.

[...]

- O que foi isso? - Laura perguntou a , um sorriso que não cabia em seu rosto e os olhos lacrimejando. - Essa garota é maravilhosa!
O show foi simplesmente maravilhoso. Alessia era tão jovem e tão talentosa, Laura já estava pensando se Violet seria como ela, a loira estava completamente fascinada com o talento de cantora e buscando no Spotify as músicas que mais havia gostado. John, aparentemente, estava tentando permanecer calmo, talvez com medo de que algum dos amigos zombasse dele. Suas tentativas em vão, ninguém iria zombar dele, mas todos o viram gritando e pulando durante todo o show.
A multidão já havia se dispersado, pelo menos uma boa parte dela. John teve a ideia de sair um pouco depois, sabendo que teria um monte de adolescentes chorando ou gritando do lado de fora. não se importava de ficar um pouco mais, seria até bom sair quando os adolescentes fossem embora e não ter que se espremer entre as pessoas para sair da casa de shows.
Alessia estava no backstage quando sua assessora disse ter visto a equipe da EW. A garota saiu imediatamente de onde estava para a área vip, cumprimentando no caminho algumas pessoas que, assim como eles, também não haviam ido embora. Quando ela acenou para eles, podia jurar que John iria desmaiar ou gritar a qualquer momento. Talvez os dois ao mesmo tempo.
- Vocês vieram! - ela sorriu, e se aproximou para abraçar um por um, por último.
- Obrigada pelo convite, o show foi maravilhoso. - ela respondeu e olhou para Laura. - Essa é minha amiga, Laura.
- Prazer, Laura. Espero que tenha gostado do show.
- Garota?! - Laura quase gritou e todos olharam para ela se divertindo com a reação da loira. - Eu simplesmente amei. Você é muito talentosa!
- Obrigada! - Alessia sorriu e olhou para trás onde seus amigos haviam ficado - Esses são Shawn e Connor. - Os dois adolescentes acenaram para todos com sorrisos simpáticos em seus rostos. - Connor está tirando algumas fotos do show. Se importam se ele tirar uma de nós?
- Não mesmo! - Lisa disse apressada e o grupo riu, John e Lisa estavam quase brigando para saber quem ficaria mais próximo de Alessia na foto.
- Esse não é meu lado bom, Carter! - Lisa reclamou e John bufou. Pareciam duas crianças. decidiu intervir.
- Gente, a Alessia não tem o tempo de vocês não. Vamos lá, um de cada lado e se reclamarem nenhum dos dois vai sair na foto. - a mulher avisou e logo os dois se posicionaram, com Alessia no meio.
Daniel ficou atrás deles fazendo uma careta engraçada. se aproximou também, ficando ao lado de Lisa.
John viu a oportunidade de ter uma foto não só com Alessia Cara, mas também com Shawn Mendes e decidiu agarrá-la.
- Ei, Shawn, vem você também! - o homem gritou e o garoto se aproximou. Apesar de jovem ele era um pouco mais alto que e se abaixou na frente dela, o que fez com que ela se apoiasse nele para a foto.
Antes que eles pudessem ver a foto, o segurança de Alessia chegou e disse que era hora de ir. A cantora pediu mais um minuto e começou a se despedir, abraçando novamente um por um.
- Eu tenho que ir, gente. Mas estou muito feliz que todos vocês puderam vir hoje. - ela sorriu e acenou, antes de se afastar com os dois amigos.
John olhou para o relógio em seu pulso, ainda estava muito cedo para ir embora.
- Ainda são dez, onde vai ser o after? - ele perguntou, aguardando ansiosamente alguém sugerir algo que lhe agradasse.
- Se quiserem, podemos relaxar lá em casa. - Daniel disse, tomando outro gole de cerveja em seguida. Por dentro, estava esperando que gostasse da ideia também. Já fazia um bom tempo que ele não se interessava por alguém, na verdade desde o término com a noiva, e era uma pessoa extremamente agradável que ele gostava de ter por perto. - Eu tenho vinho suficiente para umas dez festas e podemos pedir ou preparar algo para comer.
- ‘Tô dentro! - John disse e o sorriso no rosto de Lisa dizia que ela também estava de acordo. - E vocês duas? Vamos? - perguntou a e Laura.
- Eu adoraria, mas hoje não tem como. Violet ficou com o pai e Nate precisa descansar um pouco, já que vai trabalhar amanhã. - Laura explicou e todos assentiram compreendendo a situação. - Mas a vai.
- Eu vou? - perguntou confusa, uma parte dela achou que iria para casa e dormiria pelo resto do fim de semana. - Quero dizer, você não quer companhia na volta?
- Nem pensar, eu vou ficar bem. - Laura respondeu e John quase chutou Daniel, para que o homem tomasse uma atitude.
- Nós podemos deixá-la em casa, se você quiser. Aposto que ninguém se importaria de perder cinco minutos do John bêbado, né?
- Você me respeite viu, Daniel! - John retrucou, arrancando risadas do grupo.
olhou para a amiga, buscando algum sinal de desconforto ou qualquer coisa que a fizesse não querer ir. Laura sorriu e pegou a bolsa.
- Vamos lá, então.

[...]

A casa de Daniel era enorme, elegante e, acima de tudo, aconchegante. Havia uma quantidade razoável de pinturas abstratas nas paredes da sala e o lugar estava mais limpo do que esperava. Não que ela pensasse que a casa estaria imunda ou algo do tipo, era só porque ela estava acostumada a pensar que homens não se importavam tanto com limpeza quanto as mulheres. Então, ela esperava encontrar ao menos uma ou duas peças de roupas fora do lugar, mas não havia nada. Nem mesmo a louça estava na pia. Parecia uma das casas que ela costumava ver em catálogos imobiliários.
Eles foram direto para a cozinha, onde Daniel abriu a porta dos fundos e um pequeno filhote veio correndo a seu encontro.
- Meninas, conheçam a Hela. - ele disse, acariciando o cachorro em seguida. - John já a conhece.
- E nós concordamos que foi ódio à primeira vista. - John disse, atraindo a atenção do cão que rosnou. Lisa riu e se abaixou para brincar com o filhote, mesmo não sendo muito fã de cães. Daniel levantou e foi até um armário, pegando uma caixa de ração.
- Ela é tão fofa. - Lisa disse. Daniel colocou um pouco de ração para o animal, deixando o pote no quintal da casa. Hela seguiu o dono e ele voltou sem ela que estava ocupada devorando seu jantar.
Fechando a porta novamente, Daniel apoiou no balcão e olhou para os três colegas de trabalho.
- Eu tenho vinho e cerveja, Doritos no armário e algumas pizzas de forno. Quais são nossos planos? - o anfitrião disse e, por último, olhou para John sabendo que era ele quem iria responder sua pergunta.
- Bom, primeiro nós vamos encher a cara e depois vamos para piscina. - Carter respondeu.
- Parece um bom plano para mim. - disse animada.
adorava ser mãe, faria de tudo pelos dois pedacinhos de gente que saíram dela e ficar longe parecia horrível na maioria das vezes. Naquele momento, porém, ela estava gostando de fazer planos com outros adultos que não fossem pais. Ela precisava repetir a dose para quando quisesse relaxar da rotina de mãe solo.
- Nós podemos jogar algo, assim não vamos apenas beber à toa. - Lisa sugeriu e concordou. John e Daniel se entreolharam, ambos sabendo qual era a verdadeira intenção de Lisa.
- Tudo bem, eu vou pegar o vinho e colocar uma pizza no forno. Vocês podem se acomodar na sala enquanto isso. - o anfitrião disse, John e concordando de imediato.
- Eu vou te ajudar. - Lisa avisou enquanto os outros dois deixavam o cômodo.
Após Dan colocar a pizza no forno, eles ficaram conversando na sala enquanto bebiam e o homem precisava ficar revezando entre conversar com os amigos e vigiar o forno.
Não fazia mais que dois minutos que ele havia ido até a cozinha buscar mais vinho e Lisa se ofereceu para acompanhá-lo. John pensou em impedir a amiga de ficar o seguindo como um cachorrinho, mas infelizmente ela adorava demonstrar interesse por pessoas que não sentiam o mesmo. Ao menos ele achava que Daniel não tinha interesse, já que o homem ficava todo pomposo perto de .
Não muito depois, Lisa voltou com cara de quem comeu e não gostou, avisando que Daniel havia ido tomar uma ducha rápida e que logo estaria junto deles. Ela colocou o vinho na mesa e abriu a garrafa, enchendo o próprio copo sob o olhar duro de John. O homem serviu a si e colocou um pouco na taça de também.
Vinte minutos depois, a pizza estava quase pronta. Quem chegasse ali provavelmente pensaria que conhecia o dono da casa desde sempre, já que ela estava confortavelmente deitada no sofá, com as pernas no colo de John, enquanto mexia no celular. Ela havia acabado de receber uma foto das gêmeas dormindo quando sua amiga enviou mensagem. A mulher sentou para beber, empolgando-se na conversa com Gabi.
- Você tá maravilhosa, amiga. Me ensina a ser assim. - ela disse enviando um áudio no WhatsApp que John ouviu, mas não entendeu nada. Ele podia apostar que ela estava falando em sua língua materna.
- O que você tá fazendo? - ele perguntou e mostrou a foto de Gabriela que estava finalmente aproveitando suas merecidas férias. A mulher estava de biquíni na foto, deitada de costas para o mar. - Que lugar é esse? Eu quero!
- É Ipanema. Minha amiga tá aproveitando as férias para colocar o bronze em dia. - explicou e John sorriu rolando o feed da mulher. - Eu estava dizendo que ela tá maravilhosa.
- E tá mesmo, arrasou demais. - riu e John devolveu o celular. - Mas você não fica atrás não, amiga. Você tem uma senhora bunda.
- Carter! Mostre um pouco de respeito, eu sou mãe de duas. - reclamou, mas não conseguia parar de rir.
- Com um corpo maravilhoso, se me perguntam. - Daniel completou, se aproximando enquanto secava o cabelo. Ela podia ver algumas gotas de água descendo pelo tronco desnudo dele, então desviou o olhar e tomou um gole de vinho.
- Ninguém perguntou. - respondeu divertida e John riu do amigo. Lisa forçou um sorriso, tentando se enturmar.
- Não é como se a opinião dele valesse de muita coisa, Crawford é muito suspeito para falar. - John alfinetou e jogou uma almofada no amigo. - Veste uma camisa, homem. - agradeceu mentalmente, embora não se importasse de olhar mais um pouco e voltou a tomar o vinho em sua taça até o líquido ir todo embora. Lisa rolou os olhos, repetindo o ato de .
A pizza logo ficou pronta e Daniel colocou na mesa de centro. Por mais que eles tentassem evitar, o grupo se separou um pouco nos minutos seguintes. Lisa e de um lado, falando de uma loja de roupas que segundo a mais nova, precisava conhecer.
Do outro, John e Daniel assistiam um jogo. Ao menos Carter realmente assistia, já que Daniel vez ou outra olhava para o outro lado, onde as mulheres estavam.
Ela era uma pessoa muito mais transparente quando levemente bêbada e parecia extremamente entediada com o assunto de Lisa, por esse motivo Daniel chamou a atenção de Carter e apontou para . Nada discreto, John riu da cara de tédio dela, fazendo as duas olharem para eles. Lisa e ela sorriram mesmo sem entender e voltaram a olhar para o celular.
- Cuidado para não babar. - John brincou dando um tapa no ombro do amigo, que apenas riu e fingiu assistir ao jogo. - Chama ela para sair.
- Assim do nada? - Daniel perguntou encarando o amigo, incerto de que aquilo era uma boa ideia. - E se ela não quiser sair comigo?
- Ela vai dizer não e vocês agirão como dois adultos, seguindo em frente sem ressentimentos. - Carter o aconselhou.
- Você sabe que é bem provável que ela pense que eu ‘tô brincando, né? Não seria a primeira vez.
- Crawford, ela também 'tá interessada, por mais que negue. - John bufou, irritado com o tanto de obstáculos que o ser humano conseguia colocar no caminho para conseguir algo desejado. - Vou chamar as duas aqui e a gente inventa algum motivo para vocês ficarem sozinhos.
- Já falei que te amo hoje?
- Você ser hétero deve ser algum tipo de castigo na minha vida, sabia? Vê se toma coragem, senão eu arrumo outro para ela. - Carter reclamou e os dois riram. – Aí, meninas, vamos jogar "eu nunca".
Com o aviso de John, as duas se aproximaram sorrindo, prontas para tornar aquela noite mais interessante.

[...]

- Eu nunca… - Lisa sorriu, olhando para - tive filhos.
Os quatro explodiram em risadas, tomou o shot e quase cuspiu o mesmo.
- Isso foi maldade! - acusou a colega de trabalho que deu um high-five com Carter. Este último não parava de rir. mordeu a fatia de pizza que havia deixado de lado por alguns segundos.
- Come logo, . É sua vez. - John avisou, apressando a mulher.
- Tá bom, meu Deus. - reclamou, ainda rindo. - Eu nunca… Nunca transei com alguém do trabalho!
sorriu confiante quando os outros três tomaram os shots, não percebendo o clima tenso entre Lisa e Dan, já que a mulher tomou sua bebida encarando o dono da casa.
Seus dois colegas de trabalho tiveram algo casual muito antes de ser contratada. Daniel não gostou muito de como Lisa misturou vida pessoal e profissional, sugerindo que eles continuassem apenas colegas de trabalho.
John, que ficou sabendo de tudo, ficou ao lado do amigo. Ele já era amigo de Lisa muito antes, então estava ciente de que Daniel apenas tentou terminar de um jeito amigável e a amiga levou direto para o coração. Foram quase dois meses de implicâncias, por parte dela, no ambiente de trabalho. Até que a mulher finalmente ouviu alguns conselhos de John e eles três puderam estar no mesmo ambiente sem querer cometer um homicídio.
Carter estava de frente para , a mesa de centro estava entre eles e um copo de plástico que ele havia usado para tomar o vinho estava bem próximo da mulher. John sorriu, já com uma ideia que julgava ser maravilhosa.
- , essa blusa é maravilhosa. Que tecido é esse? - dizendo isto, John se apoiou na mesa de um jeito nada cuidadoso e, esticando o braço para supostamente tocar na blusa preta dela, empurrou o copo direto na blusa de .
olhou para ele, nada surpresa em um amigo bêbado derramando bebida nela, já havia passado pela mesma situação algumas vezes. Ela não estava nem um pouco preocupada com a blusa, para o azar de John.
Daniel levantou o copo rápido para que o líquido não continuasse caindo. Mesmo não estando tão sóbrio quanto gostaria, ele pensou rápido.
- Vocês podem limpar isso para mim? - ele apontou para o chão, onde um pouco de vinho havia sido derramado. - , vamos colocar essa blusa na água antes que manche.
A mulher levantou, acompanhando o homem até a lavanderia. Lisa observou os dois deixando a sala e bufou, era ela quem deveria ter derramado vinho. Daniel abriu a porta do cômodo, acendendo as luzes e indo direto na prateleira, tentando encontrar o produto que eliminava manchas.
- Tá tudo bem, a blusa nem é nova - avisou e ele encontrou o que buscava.
- Eu acho que você vai ter que… - o encarou, fazendo com que ele se distraísse antes de terminar a frase - A blusa, . Vou precisar que você tire.
- Ah, a blusa. Sem problemas.
- Você quer que eu me vi-
Antes que ele terminasse de falar, ela tirou a blusa e entregou para ele. Daniel colocou a peça de roupa num balde com água e jogou o produto. Ele tirou a camisa que usava e entregou a ela, Crawford podia jurar que havia visto a mulher sorrir.
- Dan, eu não acho que o John tenha jogado vinho na minha blusa para gente ficar conversando. - se aproximou, deixando de lado a camisa que ele havia emprestado para ela vestir. A mulher o olhou de cima a baixo e apoiou as duas mãos nos ombros dele. Daniel sorriu, suas mãos geladas tocaram a cintura dela, fazendo-a sentir um arrepio.
Ele buscou os lábios da mulher com uma urgência que ela também sentia, já que fazia algum tempo que ambos esperavam por esse momento. Uma das mãos dele passeava pelas costas de , enquanto a outra segurava sua nuca lhe trazendo mais para perto.
Antes que se afastassem, John abriu a porta depressa e sem se importar com o casal que lhe olhava como se ele estivesse atrapalhando. De fato, ele estava.
- Saiam logo, a Lisa tá enchendo o saco na sala e eu juro que vou matá-la.
O casal assentiu, ainda sem desgrudar um do outro. colocou o rosto no ombro de Daniel, beijando o pescoço do homem antes de se afastar completamente. Carter sorriu apesar de querer que os dois fossem mais rápidos. Ela vestiu a camisa que Crawford tinha oferecido antes e acompanhou o outro amigo, deixando Daniel sozinho e com um sorriso que não cabia em seu rosto.
A noite foi menos longa do que eles esperavam. Por volta de três da manhã, Lisa acabou dormindo num sofá e John no outro. Dan e ficaram acordados até mais tarde conversando e trocando alguns olhares que facilmente poderiam ser substituídos por beijos roubados, mas que preferiam continuar num dia em que os amigos não estivessem por perto.
Ela bocejou e deu uma olhada no celular. Eram quase cinco, não havia nenhuma chamada de Ângelo, mas havia uma mensagem de duas horas antes, garantindo que estava tudo bem com as meninas. Daniel se levantou, notando o quanto ela estava cansada.
- Vem, vamos cair em outro lugar. - ele disse apontando para os dois sofás ocupados, ela assentiu e se levantou, pegou apenas o celular e o seguiu escada acima.
reparou em como o quarto tinha muito mais a essência de Daniel do que a sala. Havia uma parede com alguns troféus de campeonatos de futebol e inúmeras fotos dele e seus familiares.
Ela sentou na cama, ativou o despertador do celular e deixou o aparelho no modo vibratório. Dan se aproximou e deitou do lado oposto, fazendo com que ela deixasse o celular no armário ao lado da cama e deitasse de frente para ele, que a observava sorrindo.
Ela chegou mais perto dele, buscando os lábios do colega de trabalho mais uma vez em um selinho rápido antes de virar para o outro lado e se deixar levar pelo sono. Sentiu quando Daniel cobriu os dois e lhe abraçou por trás. sorriu. Há tempos que não dormia de conchinha e a sensação era tão boa quanto da primeira vez.



Capítulo 5

Pouquíssimas horas depois, o celular da brasileira não foi necessário. e Daniel acordaram às 07h40 com várias panelas caindo e só conseguiram correr até a cozinha, encontrando uma Lisa extremamente constrangida e um John vermelho de tanto rir.
- Desculpa, gente! Eu só queria fazer um café da manhã legal para todo mundo. - Lisa justificou enquanto juntava as panelas do chão sendo ajudada por Dan. - Não era para ninguém ter acordado agora.
- Tá tudo bem, Lisa. Foi até bom, porque assim posso chegar mais cedo em casa. - sorriu para mulher que ficou mais aliviada. - Mas esse café da manhã sai ou não? Quer ajuda? - ela logo se prontificou, prendendo os cabelos e passando a mão no rosto para dar uma despertada.
- Não é por nada não, mas acho que é melhor a gente tomar café na rua, viu. - John sugeriu. - Se ela já derrubou tudo só pensando no que fazer, imagina se resolve cozinhar de verdade. - disse implicante e logo levou um tapa da amiga. - Sem contar que é bom para conhecer as cafeterias dos arredores. - completou maldoso e a brasileira logo tratou de esconder o rosto. Daniel tentava, em vão, disfarçar um sorrisinho no canto da boca. Queria mesmo que ela conhecesse tudo por ali.
- Então vamos logo nos aprontar, né? - resolveu intervir antes que John soltasse mais alguma indireta desconfortável e foi logo juntando os próprios pertences. - Dan, se importa se eu tomar uma ducha antes de a gente sair?
- Não, não. Vem comigo. - disse já se levantando. - John, Lisa, vocês podem tomar banho no banheiro do quarto de hóspedes. - o homem pegou pela mão e saiu andando ouvindo baixos resmungos de Lisa. Achou melhor tirar a brasileira dali antes que a outra mulher falasse algo que não devia.
O banho de não demorou muito e logo ela saiu com a mesma roupa que tinha dormido e encontrou Dan sentado na cama esperando por ela. Ele segurava uma nova camisa para que ela pudesse vestir e lhe entregou quando a viu.
- Não precisava de uma nova, eu podia ir embora com essa e te devolver lavada durante a semana. - sorriu achando fofa a preocupação dele.
- Achei que você gostaria de voltar para casa com uma blusa sem cheiro de álcool. - ele deu de ombros. - Crianças têm um ótimo olfato.
- É, você tem razão! - ponderou já tirando a blusa que estava e colocando a que Daniel lhe oferecia. O homem não conseguiu evitar encará-la. - A sua cara quando eu tiro a blusa é hilária, sabia? - ela riu apertando as bochechas dele tranquilamente graças a pouca diferença de altura.
- Não é todo dia que uma mulher maravilhosa começa a tirar a roupa na minha frente, né?
- Você precisa começar a rever os seus dias. - ela fez piada e ele logo capturou sua cintura, puxando-a para mais perto.
- Eu posso me acostumar com você tirando a roupa todos os dias na minha frente. - ele disse baixo, aproveitando para colar os corpos o máximo que conseguiu e deixou um beijo no pescoço dela. - Você só precisa dizer que sim. - sussurrou no ouvido da brasileira.
- E qual a pergunta? - ela questionou no mesmo tom de voz, se deixando levar pelas sensações que Daniel lhe provocava.
- Você topa sair comigo? - ele afastou um pouco o rosto para poder olhar nos olhos de e viu a mulher alargando o sorriso leve que já tinha. Ela não respondeu, mas beijou Daniel com vontade fazendo com que o homem sentisse o pulso acelerado.
- Ainda precisa de uma resposta? - questionou quando eles se separaram, trocando alguns selinhos demorados.
- Eu vou precisar do seu consentimento verbal, sabe como é? Quero saber se estou interpretando os sinais da forma correta. - ele riu e ela revirou os olhos, divertida.
- Eu quero sair com você, Daniel Crawford. Feliz?
- É, eu posso me acostumar. - ele se fez de superior e a mulher deixou um tapa em seu braço voltando a beijá-lo. Eles tinham alguns poucos minutos antes que John ou Lisa batessem na porta do quarto.

[...]

Daniel tinha deixado na porta do prédio há poucos minutos e a mulher estava se preparando psicologicamente para entrar em casa. Ela sabia que o seu bom humor poderia acabar num piscar de olhos, principalmente considerando a quantidade de mensagens que Ângelo tinha mandado para o celular dela desde às 7h quando as meninas acordaram da primeira vez.
- Apareceu a margarida! - Ângelo saudou irônico quando a mulher abriu a porta e ela teve que respirar fundo três vezes para controlar a resposta malcriada. - Suas filhas já perguntaram por você.
- Não sabia que as meninas eram só minhas filhas. Achei que para fazer um filho eram necessárias duas pessoas. - ela debochou indo tomar uma água na cozinha - Acho que faltei a essa aula de biologia que só você fez. - se apoiou na bancada olhando para o homem.
- A questão não é essa, . Eu não sabia que você ia dormir fora de casa. Achei que fosse chegar antes delas acordarem. - ele tentou suavizar o tom. - Você não tem o costume de dormir fora.
- Eu te falei que não tinha hora para voltar ontem, Ângelo. Mas disse também que se a e a precisassem de qualquer coisa era para me ligar na hora que eu vinha sem pensar duas vezes. - ela foi sentar perto dele, já que não havia sinal das filhas. Elas certamente tinham caído no sono de novo. - E quando eu te perguntei se estava tudo sob controle ontem, você disse que sim. Qual o problema de deixá-las com o pai por uma noite?
- E foi só por uma noite? - ele devolveu a pergunta tratando de voltar para a postura ofensiva. - Porque essa sua camisa nova aí me diz outra coisa. - Ângelo olhou para ela sugestivo e a mulher não conseguiu não rir, incrédula.
- É disso que se trata, Ângelo? Ciúmes a essa altura do campeonato? – questionou, descrente. - Quer dizer que eu não posso chegar em casa com uma blusa diferente da que saí que você começa a surtar?
- N-não estou com ciúmes, - retrucou fraco e se mexendo desconfortável no lugar - só estava preocupado com você ficando longe das meninas. Só isso.
- Então tá, - concordou sem acreditar - enquanto você fica aí pensando se está ou não com ciúmes, eu vou ver as nossas filhas, ok? - ela se levantou e foi indo pro quarto das meninas, mas parou para falar com o homem. - Ah, e como eu sei que você quer saber: a noite foi maravilhosa! - jogou um beijinho no ar e uma piscadela para ele antes de entrar no quarto e ver as filhas dormindo juntas na mesma cama. Ainda que Ângelo lhe tirasse do sério com essas insinuações fora de hora, ela só conseguia pensar em agradecer a ele quando olhava para esses dois pingos de gente.

[...]

- Sim, a gente se beijou, Laura! - disse ao telefone, em português, para a amiga enquanto esperava que o seu almoço esquentasse na copa da EW. - Nada mais aconteceu além disso.
- Como assim, ? E você me conta com essa voz tranquila? Por que você não está surtando? - perguntou a loira do outro lado da linha em euforia.
- Porque você está fazendo isso muito bem por nós duas! - riu enquanto pegava sua comida no micro-ondas e sentava mais afastada das outras pessoas para ter privacidade. - Foram alguns beijos apenas…
- Beijos bons?
- Talvez. - fez suspense.
- ?!
- Tá, você venceu! – suspirou, derrotada e abaixou o tom de voz para ter a certeza de não ser ouvida. - Ele tem uma pegada de tirar o fôlego e se faz isso só beijando, eu estou muito ansiosa para saber o que ele faz na cama. Satisfeita?! – perguntou, rindo e teve que afastar o celular levemente da orelha pelos gritinhos empolgados de Laura. - Desse jeito parece até que você ficou com ele, não eu.
- É que eu não sei por que você não está mais animada com isso. - Lau comentou, impaciente. - Você não disse que ele te chamou para sair?
- Chamou! E não é que eu não esteja animada, mas não nos falamos ainda, sabe? Ele só mandou um meme no grupo que temos com o John, mas nada além disso o resto do final de semana inteiro. E ainda não o vi hoje, acho que ele tá numa externa.
- Você tem duas opções: pode esperar ele ir falar com você ou mandar uma mensagem para ele, . Não é um pecado estar insegura, mas não precisa esperar ele tomar a iniciativa, se você também quiser.
- Eu já disse que detesto quando você tem razão?
- Já, mas eu não ligo! - Laura riu e teve que acompanhar. - Agora vai, manda uma mensagem para ele. Você não perde nada.
Elas continuaram conversando até que o horário de almoço de acabasse e a mulher logo estava juntando as suas coisas para voltar a sua mesa. A jornalista já estava sentada encarando as matérias que tinha para revisar antes de subir para o site, quando focou rapidamente no celular. Ela podia continuar remoendo aquela situação ou simplesmente mandar uma mensagem. Uma parte da cabeça dela insistia em dizer que podia ser mal interpretada, enquanto outra dava forças ao que ela queria fazer.
Suspirando impaciente, ela mandou as duas vozes na sua mente à merda e abriu o celular, procurando o contato de Daniel e mandando um “Tem planos para amanhã?” antes que desistisse. Ela queria aproveitar enquanto Ângelo estava na cidade para que ele pudesse ficar com as meninas.

[...]

O dia estava quase no fim para , mas ao contrário do que geralmente acontecia, ela continuava com gás. Por isso, mesmo que o relógio anunciasse que ela tinha só mais meia hora de trabalho, ela continuou a revisão e edição de uma entrevista exclusiva e completa com a Lady Gaga. A cantora falava animada sobre a sua ida ao Brasil para participar do Rock in Rio 2017 e sobre como tinha sido sua apresentação às pressas no Coachella para substituir Beyoncé.
Ela estava concentrada quando o celular da EW apitou anunciando uma marcação no Instagram e uma mensagem no direct. Quando abriu, não conseguiu esconder o sorriso, mas teve que controlar o surto. Alessia Cara tinha postado as fotos que eles tiraram no final do show na sexta e marcado a revista, mas essa não era a coisa mais impressionante: a cantora tinha enviado também uma mensagem pedindo os @’s das pessoas na foto para que pudessem ser marcadas propriamente.
Claro que estava acostumada a estar perto de famosos. Já tinha feito algumas entrevistas a celebridades brasileiras em sua época de Sbt e durante o seu curto período de EW tinha podido conhecer algumas pessoas, mas ser marcada em uma foto com um artista famoso - Um não, dois, já que Shawn Mendes também aparecia - era algo que ainda não entrava muito bem na cabeça dela.
Por isso, a brasileira logo tratou de tirar um print do pedido de Alessia e enviar no grupo dos jornalistas e para Laura - já que a amiga também estava na foto. As respostas não demoraram a pipocar e logo Daniel, John, Lisa e Laura estavam mandando seus @'s e pedindo que a mulher mandasse qualquer notícia. Eles pareciam um bando de adolescentes que conheceram o ídolo e ganharam uns minutinhos de atenção. O que era bem contraditório, já que de todos, apenas John conhecia as músicas da garota. , antes do show e da entrevista que fez com a cantora, só sabia da existência de How Far I'll Go porque e adoravam Moana. Mas tudo bem, ainda era exposição internacional. Que atire a primeira pedra quem ia se manter calmo numa situação dessas.
Assim que respondeu, Alessia alterou as marcações na foto e a jornalista sentiu o próprio celular vibrar. A cantora tinha mandado um direct para o seu Instagram agradecendo pela presença da equipe naquela noite e dizendo ter visto o vídeo final da entrevista nas redes da EW. sabia que seus chefes tinham curtido o trabalho, mas ter esse feedback de uma entrevistada foi muito bom. Ela se sentia estando no caminho certo.
A jornalista levou um tempo a mais para terminar a edição da entrevista de Gaga e logo soltou no site antes de se preparar para ir para casa. Ela estava cansada, mas feliz com o dia de trabalho e louca de vontade de chegar em casa e encontrar suas meninas. Daniel, até o momento, não tinha respondido a mensagem que a brasileira mandara na hora do almoço e ela estava vendo a "relação" que eles nem tinham ainda terminar antes de rolar.
Isso foi antes dela passar pela porta da revista e ver Crawford esperando por ela encostado em seu carro. O sorriso dele abriu assim que viu a brasileira e se alargou mais quando ela foi em sua direção.
- Eu espero que tenha uma excelente desculpa para ter me dado um vácuo durante todo o dia! - ela arqueou uma sobrancelha, mas ele viu o sorrisinho no canto dos lábios querendo nascer.
- Eu estava em uma externa, você sabe. - ele deu de ombros. - Lisa conseguiu uma exclusiva com Shawn Mendes já que ele está na cidade, para falar sobre a ida dele ao Rock in Rio desse ano. Já suspeitávamos dele em Los Angeles, mas quando ele apareceu no show da Cara, foi uma confirmação e tanto.
- E ele é legal? e gostam de algumas músicas dele.
- O garoto é muito bom e bem humilde também. Ele ainda tá aprendendo a lidar com toda essa fama. Você ia gostar dele.
- Ele é bem gato mesmo… - disse sugestiva e Daniel riu.
- Você é um pouquinho mais velha do que ele, sabe. Não sei se ia dar muito certo. - fez piada e cruzou os braços sem gostar muito do rumo da conversa.
- Se fosse ao contrário e eu fosse mais nova que ele, ninguém faria nenhum tipo de comentário. - ela apontou. - Isso é bem machista da sua parte, sabe?
- Talvez eu só esteja tentando tirar o foco do Mendes para que você não me troque por ele. - Dan deu de ombros. - Porque ele seria um sortudo se tivesse uma mulher como você do lado.
- Ah, isso é. Shawn Mendes seria o homem mais sortudo do mundo ao meu lado, não duvide! - ela voltou a brincar e Daniel ficou mais aliviado que a brasileira não tivesse ficado chateada.
- E eu posso tentar ser sortudo também? - o homem pediu se aproximando. - Podemos sair para jantar hoje?
- Hoje eu vou ficar te devendo… - ela se desculpou. - Prometi para as meninas que eu faria uma macarronada e já estou atrasada.
- Eu não posso competir com elas! - riu e a mulher assentiu. - Posso te levar em casa então?
- A carona eu vou aceitar sim! Bem melhor do que pegar um táxi ou ônibus.
- Então vamos, porque eu conheço um atalho. - eles riram e entraram no carro. Daniel aproveitou a proximidade dos dois para roubar um beijo da mulher e logo foi correspondido. O entrosamento entre eles era muito bom, era incrível e ele estava gostando ainda mais de estar envolvido.
O caminho até a casa de não demorou muito e logo Daniel estava estacionando o carro. A mulher ainda ficou uns minutinhos conversando com ele, mas logo deu tchau para que pudesse entrar no prédio. Mas antes que ela pudesse sair, Crawford fez questão de refazer o pedido de encontro, que foi aceito para o dia seguinte.
entrou no prédio, deu boa noite ao porteiro e logo subiu para o seu apartamento. Foi só abrir a porta e seus dois mini furacões já largaram o pai e vieram correndo para se agarrar a suas pernas.
- Mamãe, mamãe! - as duas gritaram animadas em inglês e o coração de ficou quentinho. Elas estavam se adaptando aos pouquinhos e a jornalista não podia estar mais feliz. - Você vai assistir A pequena sereia com a gente, né? - completou mantendo a conversa em inglês mesmo, mas falando o nome do filme em português, já que não sabia traduzir.
- The little mermaid, querida. - ajudou e sorriu repetindo o nome do filme. - E podemos assistir sim! Vocês comeram desde que chegaram? Não consegui vir antes para fazer a macarronada para vocês, mas vou deixar pronto para que jantem amanhã.
- Não vai comer com a gente amanhã, mamãe? - perguntou e resolveu abaixar na altura das duas e segurar suas mãozinhas.
- A mamãe vai sair com um amigo, meus amores. - ela olhou para as duas e viu Ângelo se aproximar das três pela visão periférica. - Vocês podem aproveitar para ficar mais tempo com o papai, já que ele não mora aqui.
- É seu namorado, mãe? - perguntou e riu, sem graça.
- Não é meu namorado, filha. É só um amigo, eu juro. - ela se aproximou das filhas e sussurrou como um segredo. - Se isso mudar, eu prometo que vocês vão ser as primeiras a descobrir, ok?
As duas assentiram e abraçaram a mãe que aconchegou a duplinha em seus braços. e deixaram um beijo em cada bochecha da mulher e voltaram para o quarto para continuar brincando. Quando levantou, deu de cara com Ângelo lhe observando, cauteloso. Ela sabia que ele queria falar algo, só estava sem coragem. Já era muito tempo de convivência para saber ler as expressões dele.
- Você pode falar, Ângelo! - disse enquanto ia até a cozinha pegar uma maçã para comer antes do banho.
- Eu quero me desculpar. - falou baixo aproveitando que a mulher estava de costas e não podia ver a sua falta de jeito. - Não deveria ter me metido na sua vida dessa forma, nós não temos nada. - ele suspirou.
- Nós não temos! - ela concordou e se virou para o homem sem desviar o olhar do dele. - Mas nós temos duas filhas e podemos nos dar bem por elas. Não precisamos de uma relação ruim. - deu de ombros. - Podemos ser amigos ou algo parecido.
- Não deu muito certo quando tentamos ser amigos há uns anos, . - ele riu e ela acompanhou, contida. Quando eles tentaram uma amizade, e foram o resultado.
- A gente não está mais com os hormônios a flor da pele, Ângelo! - revirou os olhos, mas manteve o tom leve. - E já vimos que não funcionamos como um casal. Podemos tentar ser amigos de verdade dessa vez, sem sexo no meio.
- Que pena! - ele soltou sacana e ela não conteve a gargalhada. - Tudo bem, tudo bem! Eu posso aprender a me colocar no papel de parceiro para vida e pai das meninas. Sem sexo! - ele beijou os dedos juntos como em uma promessa.
- Você parece uma das nossas filhas fazendo isso!
- Com quem você acha que elas aprenderam? - ele sorriu. - Trégua? - ele ofereceu a mão e ela foi se aproximando, cautelosa.
- Para sempre?
- Até eu achar a próxima coisa que vá te tirar do sério. - ele deu de ombros e ela apertou a mão estendida.
- Posso lidar com isso.

[...]

- Esse tá bom? - disse para a câmera experimentando o quinto look para sair com Daniel. Ela estava em uma conversa de vídeo com Laura, Gabi e Bia para que as três pudessem lhe ajudar com a roupa. A mulher tinha apresentado Lau para suas amigas de faculdade e o encaixe entre elas tinha sido imediato.
- É sério que você só vai colocar roupa preta, ? - Bia ralhou e foi acompanhada pelas outras duas.
- É que eu fico muito bem de preto. - ela tentou justificar, mas suspirou, derrotada. - Ok, eu posso trocar por um vestidinho branco.
- Por que você não pega aquele vestido que roubou de mim ano passado? - Gabi sugeriu.
- Ei, eu não roubei nada! Ele apenas veio acidentalmente na minha mala para Los Angeles. - ela deu de ombros e as outras mulheres riram da cara de pau.
- , deixa de ser mentirosa e anda logo. Vai trocar de roupa. - Gabriela brigou e despachou a amiga que foi se trocar. Enquanto esperavam, as três continuaram conversando e Laura contava para as outras tudo o que sabia sobre Daniel.
- Voltei! - anunciou se posicionando na frente da câmera mais uma vez com um vestido branco de botões enquanto arrumava o volume de seus cachos no black agora loiro. As três logo bateram palmas aprovando a escolha e a mulher pegou o celular, levando para o banheiro onde poderia se maquiar enquanto as amigas falavam. tinha pouco mais de meia hora antes que Daniel chegasse para buscá-la.

[...]

- Eu já disse que você está linda hoje? - Daniel elogiou olhando para enquanto ela pensava no que pedir do cardápio. Ele tinha escolhido um barzinho com música ao vivo para que os dois pudessem aproveitar a companhia um do outro.
- Umas dez vezes desde que me buscou. - disse brincando e não conseguiu evitar um sorriso ao olhar pro homem. - Você também está lindo. - e era verdade. Daniel estava maravilhoso com uma blusa azul marinho que contrastava tanto com sua pele clara quanto com seu braço esquerdo que era fechado em tatuagens.
- Eu sei, eu sei. - ele deu de ombros se fingindo de metido e os dois riram - Você está gostando da EW? - o homem se chutou mentalmente por começar logo com um papo de trabalho, mas ele não sabia para onde ir.
- Estou amando! - disse animada e Crawford ficou mais aliviado. - Acho que o ponto alto até agora foi aquela foto com Alessia e Shawn. Meu número de seguidores no Instagram subiu consideravelmente - ela riu. - Espero fazer valer toda essa fama momentânea. – brincou.
- Não se preocupe! Eles vêm pelos artistas, mas ficam pelo conteúdo. - piscou para a mulher e ela não pôde deixar de considerá-lo mais atraente com o riso fácil nos lábios.
Os dois continuaram a conversa de forma bem leve. Falaram sobre família e tentou se policiar muito para não babar enquanto falava de suas crias. Ela era uma mãezona coruja, não podia evitar quando o assunto era e . A brasileira também contou para Daniel sobre o Brasil e como era a sua vida por lá antes de ser chamada para trabalhar na EW.
Crawford, por sua vez, ficou animado em contar para sua vida por trás das câmeras. Contou de sua paixão pelas câmeras e dos freelas de fotografia que fazia, quase obrigando a mulher a aceitar posar para suas lentes, o que aprovou na hora. Ela adorava modelar, já tinha ajudado Gabriela no Brasil e estava com saudades de uma câmera.
Eles tinham muita afinidade e a noite só comprovou o que já sabiam: estavam afim um do outro. Os beijos não demoraram a acontecer e Daniel estava nas nuvens por estar com . A brasileira também estava feliz, mas queria apenas curtir o momento. Precisava de muito mais que uma boa pegada para se deixar levar, principalmente porque ela tinha que se preocupar em não magoar as filhas em qualquer relacionamento que entrasse.


Capítulo 6

Daniel e estavam numa praça andando lado a lado. O pôr do sol iluminava o sorriso de e Daniel ficou feliz por estar usando óculos escuros, assim ele poderia admirá-la o quanto quisesse, sem que a mulher ficasse constrangida. Apesar de ser confiante, ele notava ficar embaraçada toda vez que o flagrava. A ideia dele para aquele encontro era fazer um pequeno passeio pela feira livre - o que achou interessante já que desde que se mudou não havia encontrado nada daquele tipo - e então assistir ao pôr do sol antes de irem para o bar que ele queria levá-la.
- Então, esse é o… - Daniel começou, estava olhando para o sorvete em suas mãos e parou para observar os olhos do homem ao seu lado - quarto encontro?
estava segurando uma bolsa com dois bichos de pelúcia. No momento em que bateu os olhos, soube que as gêmeas iriam adorar o presente. Daniel tentou pagar por eles, mas ela recusou gentilmente. Uma das coisas que mais lhe dava prazer era pagar por algo com o próprio dinheiro.
- Você tá contando? – perguntou, brincalhona e ele sorriu, em seguida mordeu o lábio inferior. tinha um adorável bigode de sorvete e ele tentou não rir, falhando miseravelmente. - O quê?
Ela parou de andar sem aviso, fazendo Daniel reparar somente três passos depois. o encarava, tentando analisar o homem.
- Por que tá segurando o riso, Crawford? Eu disse algo errado?
- Não ‘tô segurando riso nenhum, eu saberia se estivesse. - ele provocou.
- Você tá sim. - ela insistiu e ele deu de ombros, rindo da reação dela. - Tá vendo? Eu estava certa.
- Okay, me desculpa. - ele se aproximou novamente e a pegou pela mão. – Oh, Deus, eu não consigo aguentar toda essa beleza na minha frente. Vem cá. - a mão dele contornou a cintura de , puxando ela para si e a outra segurou seu rosto, onde ele passou o dedão por cima dos lábios da mulher, tirando o bigode de sorvete.
Antes que pudesse dizer algo, Dan roubou um beijo que durou alguns segundos antes de se afastar, rindo. estava se sentindo em um dos romance piegas que costumava ler, até mesmo em um filme clichê americano, mas era tão bom que ela não poderia evitar dançar conforme a música. É, estava se deixando levar mesmo com seus receios.
Ela o alcançou, sorrindo e voltaram a andar, desta vez de mãos dadas, assistindo ao sol dizer adeus e a pequena feira se desmontar, até que finalmente chegaram ao bar.
estava olhando para figuras coladas na parede enquanto Daniel conversava com uma funcionária do local, quando reconheceu a melodia que soava ao fundo. Ela sorriu para o homem que estava genuinamente feliz em ser capaz de fazê-la sorrir daquele jeito.
- Tenho certeza de que você tá muito orgulhoso de si, não é mesmo? - ela disse e ele assentiu, segurando novamente sua mão para que pudessem entrar juntos.
A garçonete se aproximou e guiou o casal até sua mesa que descobriu ter sido reservado três dias antes. Quando chegou o menu, Daniel parecia exatamente como um peixe fora d'água. ofereceu ajuda que ele aceitou sem pensar duas vezes, já que não conhecia a composição de nenhum dos pratos brasileiros e não fazia ideia de como pronunciar seus nomes. A mulher riu do esforço que ele fez ao tentar pronunciar ou entender o que significava uma feijoada.
Eles ficaram conversando até que a comida chegasse, tinha pedido um churrasco misto para os dois. “Nada melhor do que essa oportunidade para aprender que churrasco de verdade é mais do que uns hambúrgueres na grelha”, foi o argumento de quando ele disse que podia ser muito apenas para os dois.
- Acho que nem preciso perguntar se você gostou, né? - comentou, rindo quando viu que Crawford repetia pela terceira vez.
- Não pode me crucificar quando eu encontrei o paraíso. - ele riu comendo mais um pedaço de linguiça. - Só vamos comer em restaurantes brasileiros a partir de agora.
- Você vai acabar se arrependendo disso, a culinária brasileira não tem limites.
- Se o preço a pagar for essa maravilha, eu estou pronto, meu Deus! - ele disse clamando aos céus e a jornalista riu da cena. - Mas, agora que estamos devidamente alimentados, eu queria te fazer uma pergunta. Se importa? – começou, cauteloso e esfregou as mãos nos jeans tentando secar o suor.
- Sabe que pode me perguntar o que quiser.
- Bem, ok. - ele suspirou. - É que eu queria saber se você pensa em me apresentar para as meninas. Você fala tanto delas, parece que já as conheço. - o sorriso de se desfez a medida que Daniel perguntava e ele se chutou internamente. A mulher agora lhe encarava mais séria. - Desculpe, não quis parecer apressado.
- Não é isso, Dan. Você pode perguntar essas coisas. - ela riu, meio sem graça. - É só que é meio difícil para mim, sabe. Eu não gosto de envolver as meninas nas minhas relações até ter 100% de certeza, entende?
- Claro, claro. Eu entendo completamente.
- Obrigada por isso, Dan! - a brasileira deixou um selinho nos lábios do homem que soltou a respiração mais tranquilamente.
- Que tal me contar sobre essa sua recente amizade com a Alessia Cara então? - brincou trocando de assunto e agradeceu mentalmente. Nada pior do que brigar já nos primeiros encontros.
No entanto, antes que os dois voltassem a conversar, o celular de começou a tocar insistentemente em sua bolsa. Quando ela pegou o aparelho, o nome de Ângelo brilhava e ela sentiu um ligeiro incômodo na boca do estômago. Ângelo sabia onde ela estava e só ligaria se acontecesse algo. Ela se desculpou com Daniel e atendeu a chamada.
- Ei, tá tudo bem? - disse em português mesmo e ouviu Ângelo suspirar do outro lado da linha.
- , eu preciso que você vá para Dalton Academy agora. Eu também estou indo para lá. - disse tentando manter a calma. conseguia escutar a buzina do carro de longe e alguns xingamentos do homem.
- O que aconteceu? - questionou já preocupada e sussurrando um “pede a conta” para Daniel que olhava para ela sem entender, mas que não hesitou em atender ao seu pedido, chamando a garçonete no mesmo instante.
- Eu não sei bem, a diretora ligou pro telefone de casa, achando que fosse te encontrar e me disse que eu deveria ir o mais rápido possível. e estão no escritório dela. A mulher falou algo sobre uma das duas ter batido em alguém ou apanhado, não entendi bem, ela não deu muitos detalhes. - contou apressado e ouviu uma freada brusca.
- Ângelo, desliga esse telefone antes que te aconteça algo. – ralhou. - Eu estou indo para lá. Se você chegar antes, me avisa. - disse desligando e olhando para um Daniel que lhe encarava em expectativa.
- Não tá tudo bem, né? - ele sugeriu e negou com a cabeça. Ela procurou a carteira para poder pagar a metade da conta, mas Crawford chamou a sua atenção. - Nem se importe com a conta, já está paga. Vamos para onde você tem que ir.
- Bem, obrigada então! – sorriu, nervosa. - E, você não precisa se incomodar, Dan. Eu posso pegar um táxi até a escola das meninas. – avisou, já se levantando. Os dois foram saindo do bar, mas Daniel a pegou delicadamente pelo braço.
- Não se atreva a me deixar ir sozinho para escola das suas filhas, . Eu te levo e não aceito não como resposta. - disse firme e a brasileira assentiu, aliviada.
O caminho até a Dalton Academy não foi longo, o trânsito não estava ruim graças a hora. O carro mal parou e saiu na pressa, se despedindo de Daniel com um beijo na bochecha e acabando por esquecer a sacola com as pelúcias no banco de trás. Daniel não sabia se deveria ir para casa ou esperar, mas sendo uma pessoa que se importa demais com os outros ao invés de si, ele decidiu ficar um pouco mais.
marchou pelo longo corredor, apenas para encontrar suas filhas em frente à sala da diretoria. Ela se apressou ao ver as crianças que se levantaram ao ver a mãe se aproximando e estavam prestes a correr em sua direção, mas ficaram de pé em seus lugares assim que a professora apareceu. teve uma sensação ruim ao ver as mãos da mulher apoiada nos ombros de suas filhas. Ela tinha um sorriso que tinha certeza de ser completamente falso.
Ela se aproximou das três, sorrindo apenas por educação.
- Como vai, senhora Sharpe? - disse para a professora e a mulher se limitou a um aceno com a cabeça. Ela parecia tão gentil quando se apresentou como professora das meninas há algum tempo, se perguntou o porquê de não estar recebendo o sorriso amigável que conhecia, ao invés do forçado que estava encarando. - Pode me dar a honra de saber o que aconteceu?
- Não se preocupe, a diretora Becker está aguardando no escritório. Eu ficarei com as meninas. O pai delas já está lá dentro, chegou alguns minutos atrás.
- Obrigada. - respondeu se esforçando para não revirar os olhos, e se abaixou, ficando na altura das filhas para sussurrar em seguida. - Eu vou conversar com a diretora. Vocês duas fiquem aqui e se comportem, ok? Não se preocupem, eu estarei de olho em vocês.
A última frase, disse alto o suficiente para que a outra adulta pudesse escutar, tendo certeza de que a mulher entendeu sua intenção quando ela deu um passo para trás, tirando as mãos das meninas.
bateu na porta duas vezes antes de ouvir a voz da diretora pedindo que entrasse. Ângelo estava sentado de frente para Agnes Becker e a encarava como se ela tivesse dito algo para irritá-lo, então sabia que havia algo muito errado.
sentou na cadeira ao lado do ex, o que chamou sua atenção, já que até então ele não havia notado sua chegada.
- Me desculpe o atraso, se importa em me dizer o que houve? Por que minhas filhas estão ali fora? - “Junto com aquele cão de guarda”, ela evitou dizer.
- Eu vou deixar a senhora Becker te contar, já que ela controlou muito bem a situação. - ele disse debochado, fazendo os olhos de se arregalarem um pouco. Nunca o havia visto tão estressado.
- Como eu estava dizendo antes de você chegar, senhorita ... - a diretora disse e respirou fundo. - deu um tapa no braço de uma das coleguinhas.
- Ela fez o quê? - quase gritou, estava dividida entre confusão e descrença. - Por que ela faria isso?
- Ah, agora vem a melhor parte. - Ângelo voltou a falar, um sorriso debochado em seu rosto enquanto encarava a mais velha da sala, claramente a desafiando. - A outra criança estava puxando o cabelo da e dizendo que era feio.
olhou de Ângelo para a diretora que apenas balançava a cabeça em negação.
- Bom e por qual motivo nós somos os únicos pais aqui? É óbvio que apenas tentou defender a irmã.
- Porque, senhorita, isso foi o que nos disse - a diretora pontuou e agora o pai das meninas não era o único que se encontrava irritado - e a outra aluna vem de uma boa família, ela não faria isso.
- Como é que é? - disse, impaciente e pronta para levantar. Ângelo segurou a vontade de sorrir, por mais que ele e não se entendessem sempre, era lindo ver a mulher defendendo as filhas. A diretora não teve tempo de falar nada quando olhou para Ângelo. - Eu vou meter a porrada nessa filha da puta! - ela disse em português e ele riu.
- Eu te ajudaria, pode ter certeza. Mas trocar as meninas de escola novamente só complicaria as coisas e se não encerrarmos esse assunto de maneira legal, só provaremos o ponto dela. - ele respondeu e ela assentiu, talvez fosse a primeira vez que notava como o ex havia se tornado um homem responsável.
Voltando a encarar a diretora que esperava que ambos voltassem a falar em inglês, respirou fundo antes de dizer.
- Não nos leve a mal, senhora Becker. - começou educada, fazendo a mulher baixar a guarda. - Nós pagamos o mesmo valor que os outros pais, até em dobro já que temos duas filhas, e fazemos isso para que ambas possam ter uma boa educação enquanto estamos lá fora trabalhando. Se você e sua equipe não conseguem lidar com crianças e tem o hábito de tratar casos de bullying e racismo com tamanha injustiça, ficarei feliz em reportar isso não apenas na porra de uma delegacia, mas na mídia também. - completou em voz ameaçadoramente mais baixa.
- Senhorita , isto não é sobre racismo. Não vamos nos exaltar por um mal entendido como esse.
- Ah, jura? Porque minhas filhas, que são negras, estão sentadas do lado de fora dessa sala e sendo vigiadas como se fossem criminosas enquanto a garotinha, que provavelmente é branca, está na sala de aula brincando com as outras crianças. Você tem certeza que isso não é sobre a palavrinha com R?
- Eu tenho certeza de que esse problema pode ser resolvido de modo que não envolva a mídia ou a polícia. Irei falar com a professora das meninas e contataremos os pais da outra aluna envolvida. Eu sinto muito por todo o transtorno.
- Claro que sente. - Ângelo disse sarcástico e se levantou, fez o mesmo. - E por favor, se a senhora ou a professora forem mudar o tratamento com as nossas filhas que seja para melhor. Elas são crianças adoráveis que não merecem qualquer tipo de retaliação. Se vier a acontecer, nós saberemos e eu garanto que você verá esse rosto inúmeras vezes na frente de um juiz.
- Garanto que não será necessário. - a mulher disse tentando conter o nervosismo, mas falhando um pouco já que suava frio. - As meninas estão liberadas por hoje, já que estão aqui. Tenham uma boa tarde.

Saindo da sala, o casal encontrou as filhas e sorriu debochada para a professora.
- Vamos lá, meninas. A diretora pediu para avisar que elas podem sair mais cedo hoje. - disse para Sharpe. Tanto , quanto ficaram felizes, mesmo que ainda parecesse meio abalada e correram para a sala de aula para recolher suas coisas. Ângelo olhou para a professora, medindo a mulher de cima a baixo e fazendo uma cara de desgosto em seguida. As gêmeas voltaram em menos de dois minutos e os quatro se dirigiram à saída. Os dois adultos exaustos enquanto as duas crianças pulavam, ansiosas para chegarem em casa ao ouvir Ângelo dizer que passariam a tarde juntos.
Ao colocar o pé fora da escola, por instinto, olhou para o lugar onde Daniel havia estacionado, não ficando surpresa ao notar que o carro ainda estava lá. Ângelo também notou o olhar da ex não muito longe dali, onde um homem estava encostado no carro e olhava na direção deles. Antes que ela pudesse dizer algo, o pai das meninas sorriu, compreensivo.
- Te esperamos no carro? - ele perguntou e ela assentiu, se afastando do trio, que caminhava em direção ao carro que Ângelo alugou durante sua estadia.
não demorou a se aproximar de Daniel, que sorria um pouco sem graça em não saber se havia feito bem em ficar. A mulher sorriu de volta e encostou no carro, parando ao lado dele.
- Você não precisava ficar. - ela sorriu e ele assentiu. - Obrigada.
- Não se preocupe, apenas achei que você pudesse precisar de carona de volta. - ele começou e abriu a porta do veículo, pegando a sacola com as pelúcias. - Além do mais, você esqueceu isso. - entregou a ela que sorriu deixando um pouco de lado o peso que sentia nos ombros desde que chegou ao colégio. - Elas estão bem?
- Sim e não. - disse não sabendo se era o melhor momento para explicar. - Ângelo e eu precisamos ter uma conversa com elas.
- Relaxa, tudo vai ficar bem. - ele a confortou e os dois sorriram. - Preciso ir agora, tente não se cobrar tanto. Aposto que seja lá o que tiver acontecido, você dá conta.
respirou fundo, absorvendo as palavras de Crawford como se fossem exatamente o que ela precisava ouvir, porque eram mesmo. A mulher o acompanhou até o outro lado do carro, observando Daniel abrir a porta e sentar no banco do motorista. Ela se aproximou e aproveitando que suas filhas estavam consideravelmente longe dali, selou os lábios dele uma última vez naquela tarde, vendo o homem sorrir de olhos fechados. Daniel fazia isso frequentemente e ela achava adorável.
- Até mais, Crawford. - ela se despediu e andou o caminho de volta para o estacionamento da escola em direção ao carro de Ângelo.



Capítulo 7

Maio, 2017
Los Angeles

- , será que podemos conversar rapidinho antes de você voltar a trabalhar? - Barbra Wilson se aproximou da brasileira depois do horário de almoço.
- Claro, Barbra. Vamos lá! - concordou seguindo a chefe, mas não sem antes mandar um olhar alarmado para Daniel e John que também não sabiam o que acontecia. tinha acabado seu período de experiência há poucos dias e sabia que tinha feito um bom trabalho. Mas isso não deixava de ser assustador, afinal ainda podia ser mandada embora e, na pior das hipóteses, deportada. É, talvez ela fosse um pouco pessimista. Seus amigos tinham razão.
- , você pode sentar, querida! - Barbra apontou para o sofá ao lado da poltrona que ela ocupava. A mulher tinha estancado na porta como um dois de paus e, só depois disso, se mexeu para se sentar. - Vou ser bem direta com você, ok? Nós estamos gostando bastante do seu trabalho aqui na EW e o seu período de experiência foi um completo sucesso. - ela sorriu e finalmente soltou a respiração que nem sabia que estava prendendo. - Queremos ver mais de você por aqui.
- Isso quer dizer que eu não vou ser demitida?
- No que depender de mim, você fica com a gente por muito tempo, ! É uma jornalista muito talentosa e a câmera te adora, mulher! Deveria considerar modelar também. - Barbra riu e ficou envergonhada, mas sorriu. - E justamente por a câmera te amar, eu te chamei aqui. Quero que você lidere uma das equipes que vai cobrir o iHeartRadio Much Music Video Awards. Não é uma premiação muito grande em escala internacional, mas vai te dar experiência para coisas maiores. O que me diz?
- Claro! - disse logo, empolgada, aumentando o tom, mas se recompôs. - Desculpa, é que eu não estava esperando essa proposta! - a outra mulher só riu da animação. Era compreensível, ela também agia assim em alguns casos. - Mas, quando é essa premiação? Se não me engano, é no Canadá, né? Preciso me organizar quanto às minhas filhas.
- A premiação é daqui a um mês, mais ou menos. Acha que pode ajeitar tudo e conseguir alguém para ficar com elas? Você ficaria uns quatro dias fora.
- Posso pedir para uma amiga cuidar delas, sem problemas. - ela sorriu e torceu mentalmente para que Laura e Nate pudessem ficar com e . Eles eram a única possibilidade, se Ângelo não pudesse voar para Los Angeles novamente. - Mas como vai funcionar? Eu nunca estive num red carpet ou algo do tipo.
- Crawford e Carter irão te acompanhar, como sempre. Percebi que vocês formam um bom trio. - Barbra sorriu e ficou aliviada por ter John e Dan lhe dando suporte. - E para te deixar mais tranquila, também vou mandar Georgina e Macy com vocês. Assim vocês duas podem se dividir para as entrevistas enquanto Macy e Daniel gravam e John tira as fotos. O que acha?
- Parece perfeito! - e elas continuaram a falar sobre os detalhes, afinal tinha várias perguntas. Não era nada do que ela já tivesse feito e, a experiência dela com premiações e eventos maiores se resumia a cobertura de filmes pequenos durante a faculdade e estreias de novelas no Sbt.
Alguns minutos depois, saiu da sala da chefe e encontrou Daniel e John sentados próximos a sua mesa. Os homens lhe olhavam em expectativa e ela teve que se controlar para não sair correndo até os dois.
- Quem aí quer dar um pulinho no Canadá? - a mulher disse quando chegou mais perto dos dois e teve que explicar o que aconteceria daqui a um mês. Seria um grande passo para ela e nada melhor do que dividir com os dois.

[...]

- Tem certeza de que não é um problema, Lau? São quatro dias com três crianças dependendo de você. - disse ao telefone mais tarde naquele dia. - Ângelo me disse que não vai conseguir vir para L.A. por mais dois meses, porque está atrapalhado na agência e ficou bastante tempo da última vez.
- Fica tranquila, amiga. São três crianças que ficam um bom tempo na escola em dois dos quatro dias. Nate e eu damos conta, Violet vai adorar ter e para brincar por mais tempo.
- Você vai me prometer ligar se tiver qualquer problema?
- Mulher, ainda falta um mês pro evento e você já está assim? - Laura riu da preocupação da outra. - Eu sei que nos conhecemos há pouco tempo e que você está preocupada em deixar as suas crias comigo, . Mas você vai poder falar com elas sempre que quiser e eu vou te ligar para tudo o que não conseguir resolver sozinha. Sabe disso.
- Eu confio em você, Lau. De verdade. Eu tenho medo é das minhas filhas começarem uma revolução na sua casa. - ela fez piada, mas ficou aliviada por saber que a amiga entendia seu ponto de vista.
- Eu também me preocuparia com isso se fosse você. Violet sempre acaba descobrindo onde eu guardo os doces que uso para moeda de troca. - as duas riram e foi ficando mais tranquila. Era o bastante por agora e ela teria um mês para lidar com a ideia de viajar para outro país sem suas meninas.
A jornalista estava insegura de deixar as filhas sozinhas depois dos últimos acontecimentos na escola, mas confiava que suas meninas tinham entendido um pouco mais sobre como se posicionarem. Pelo menos, o máximo para duas crianças tão pequenas. Quisera Deus que ela pudesse colocá-las em um potinho pro resto da vida e poupá-las de toda a maldade do mundo.

[...]

- Meninas, a mamãe precisa falar com vocês. - chamou as filhas aproveitando que elas tinham terminado os deveres de casa. Por mais que ela não admitisse, sentia falta de Ângelo lhe ajudando com os mini furacões. A sala estava uma pequena bagunça, entre as mochilas, lápis de cor e livros de histórias.
- O que foi, mãe? - perguntou sem tirar os olhos do desenho que pintava. A garota era bem perfeccionista quando queria. lhe olhava, interessada.
- , presta atenção aqui! - pediu e a menininha lhe encarou. conhecia a filha, estava só esperando um momento de desatenção para voltar ao desenho. A jornalista riu. - Ok, eu vou ser rápida. Daqui a alguns dias, eu vou precisar viajar para trabalhar.
- Você não pode trabalhar daqui? - questionou já ficando emburrada.
- Infelizmente não dá, querida. - ela se abaixou e sentou no chão com as filhas, abraçando uma de cada lado. - Vai acontecer um evento e a mamãe precisa estar lá.
- A gente não pode ir com você? - sugeriu baixinho e sentiu o coração ficar pequeno. - Porque o papai não vai poder voltar tão cedo.
- É coisa de adulto, meu bem. - beijou o alto da cabeça das duas e suspirou. - Vocês vão poder ficar esses dias com a tia Laura e o tio Nate. Lá vocês terão a Violet para brincar, não é divertido?
- Você vai demorar muito? - estava mais apegada a mãe nos últimos tempos graças ao que acontecera.
- Prometo que vai ser tão rápido que vocês não vão sentir tanto a minha falta. - ela sorriu para as duas. - E sempre que eu puder, vou ligar para vocês e podem pedir para tia Laura me ligar também.
- Vai trazer presentes? - perguntou esperta, um sorrisinho nascendo no canto dos lábios e gargalhou fazendo cosquinhas na menina.
- Sua interesseira! – ralhou, sem conseguir deixar de rir. As três ficaram brincando por um tempo até que as gêmeas começaram a bocejar e as colocou para dormir. Já estava sentindo falta delas.

Junho, 2017
Canadá

tinha passado, então, o restante dos dias até sua viagem pesquisando com Georgina Lewis sobre os indicados, já que a mulher tinha ido no ano anterior. Barbra tinha amenizado o susto para a brasileira. O iHeartRadio Much Music Video Awards era uma das principais premiações canadenses. Era grande coisa sim! Ela só tinha que se controlar e fazer um excelente trabalho.
O evento era completamente voltado ao mundo da música, o que facilitava muito o campo de pesquisa das jornalistas. Eram tantos bons artistas que a competição ficava difícil. Esse ano, Joe Jonas e Alessia Cara seriam os apresentadores e a mulher ficou feliz pela conquista da cantora. Apenas três anos de carreira e ela já estava no Much Music Video Awards - MMVAs - como anfitriã. Vitória para qualquer artista canadense.
Além de Alessia, ela sabia que deveria prestar bastante atenção em Drake, Justin Bieber e em Shawn Mendes. O último era um dos favoritos para ganhar a categoria de “Melhor Vídeo Pop”, então Georgina lhe deu a dica de que deveria tentar interceptá-lo quando chegasse ao evento. Laura tinha pedido um autógrafo de Shawn para Violet e estava torcendo para que pudesse agradar a garotinha.
A brasileira agora se encontrava em um avião sentada com a cabeça recostada nos ombros de Daniel esperando o pouso no Aeroporto Internacional de Toronto. Ela ainda tinha as filhas na cabeça, houve muita choradeira durante a despedida e ela só conseguiu deixar as duas com a promessa de que traria alguns presentinhos de volta, mais do que ela já tinha dito que levaria. Só esperava ter tempo para cumprir.
- Elas vão ficar bem, ! - Dan disse como se lesse os pensamentos da jornalista e ela lhe dedicou um sorriso cansado, sem dizer mais nada. Não havia palavras para descrever o aperto no peito por ficar longe de suas gêmeas.
Depois de bons quarenta minutos, o desembarque foi liberado e a equipe da EW pegou suas coisas, saindo do avião junto aos demais passageiros. Os cinco foram em direção ao carro que já lhes aguardava para levá-los ao Sheraton Centre Hotel, onde se hospedariam para facilitar a movimentação até a premiação.
O hotel não demorou a aparecer e logo os cinco já estavam fazendo check-in. As três mulheres dividiriam um quarto, enquanto John e Daniel ficariam em outro. Nada diferente do esperado. Eles estavam tão cansados que só conseguiram se despedir e cair na cama. O domingo seria longo com todos os preparativos para o MMVAs.
mal dormiu e logo o dia estava amanhecendo, seu despertador tocando incessantemente pelo quarto que dividia com Macy e Georgina. As mulheres lhe agradeceram por ter lembrado do despertador e logo elas se dividiram para que pudessem se arrumar. Teriam um tempinho para conhecer o lugar do evento antes que voltassem de noite.
Quando as três já estavam devidamente arrumadas, desceram para o café da manhã esbarrando com John e Daniel no corredor. Os cinco comeram o mais rápido que conseguiram e entraram novamente no carro que lhes levaria ao prédio do evento. Não era uma caminhada de 500 metros, mas como estavam com os equipamentos, preferiram não arriscar.
Ao chegarem, Georgina que tinha coberto o evento no ano anterior, foi mostrando para eles o que se lembrava do lugar. O tapete vermelho já estava devidamente estendido, assim como a área dos fãs e da imprensa separadas. Marcações no chão mostravam mais ou menos o espaço de cada veículo e a EW possuía um campo privilegiado, um pouco distante dos fãs o que facilitava as conversas com os artistas.
Macy e Daniel testaram as câmeras, tripés e microfones. e Georgina estavam adorando os flashes de Carter e não se faziam de rogadas para o fotógrafo. O nervosismo de ia passando a medida que a hora da premiação chegava, o que era estranho. Ela devia estar com os nervos à flor da pele, mas se sentia no lugar certo. Talvez isso estivesse ajudando.
Assim que todos se deram por satisfeitos com os testes, voltaram para o hotel para que pudessem ter algumas poucas horas de descanso antes de começarem a se arrumar para a noite. Eles tinham que estar no evento duas horas antes do tapete vermelho começar, muita coisa ainda deveria ser feita. No entanto, nem , nem Georgina conseguiram descansar. Ficaram vidradas nas redes sociais dos famosos para pescar alguma nova informação que pudessem perguntar. Bateram informações o restante do tempo.
Elas só pararam quando Macy implorou para que se arrumassem logo, já que a maquiagem das duas precisava estar impecável e ela era a responsável por essa parte. Duas horas foi o tempo que as três levaram para se vestir e maquiar. John e Daniel já estavam batendo na porta e tiveram uma ótima surpresa quando o trio saiu de lá.
Por mais que Georgina também estivesse maravilhosa com seu vestido grafite e os cabelos presos em um rabo de cavalo, John teve que cutucar Crawford para que ele não babasse em cima da brasileira. A mulher estava com os cachos loiros soltos, seu cabelo armado modelava perfeitamente seu rosto junto a uma franja. Ela usava uma calça estampada com vários círculos coloridos, uma blusa preta justa, mas de manga e dois colares grandes. Se existia uma mulher mais bonita naquele lugar, Daniel não saberia dizer.
No entanto, antes que ele pudesse falar alguma coisa, Carter apressou a todos para que pudessem ir logo para o evento. Alguns fãs já estavam presentes quando eles entraram, então Lewis e se separaram junto a Macy e Daniel para que pudessem entrevistar alguns deles. Perguntaram sobre os palpites da noite, quem eles esperavam ver. Podia ser protocolo, mas elas estavam animadas. Afinal, quem não ficaria em uma atmosfera tão positiva?
Julia Michaels foi uma das primeiras a chegar e Georgina logo indicou para a garota quando viu que ela já tinha se afastado dos fãs. Sentindo que essa era a sua noite, foi entrevistar a cantora que seria uma das apresentações da premiação e foi muito bem recebida pela loira para que pudessem gravar a entrevista. Ainda que ela não estivesse concorrendo a nenhuma das categorias, já estava mais do que feliz por estar ali.
Post Malone, Jessie Reyez, Lorde e Camila Cabello foram entrevistados por enquanto ela via Georgina fazendo a mesma coisa não muito longe de onde estava. Ela ficou ligeiramente nervosa quando Ed Sheeran se aproximou com um sorriso leve no rosto e quase pulou nos braços do ruivo quando ele começou a brincar com ela durante a entrevista como se a conhecesse de longa data. A brasileira não controlou o lado tiete e teve que pedir para Daniel, que operava a câmera, tirar uma foto dela ao lado do cantor quando pararam de gravar. Ed apenas riu com o entusiasmo e logo abraçou a mulher para posarem. Ela desejou boa sorte para ele que agradeceu e prometeu uma palavrinha antes de ir embora.
Foi entre tantos artistas que Alessia Cara chegou entusiasmada até o espaço da EW e abraçou que só conseguiu corresponder.
- Não acredito que você veio até o Canadá! - comentou feliz e riu. - É sempre bom ver mulheres no topo, então fico feliz que tenha vindo cobrir o evento.
- Isso dito de alguém que está apresentando o evento é um elogio e tanto. - a mais velha sorriu e apontou para Crawford. - Você se importa?
- Claro que não, vou adorar! - aceitou e as duas começaram a conversar para câmera. Alessia comentou brevemente da responsabilidade de ser anfitriã do evento e admitiu achar que estava sonhando quando descobriu que faria junto a Joe Jonas. “Ele é um dos meus crushes da adolescência, não podem me culpar”, ela disse e as duas riram.
Antes de ir embora, mas fora das câmeras, Alessia perguntou a se ela estaria no after party que aconteceria no salão de um hotel a poucas ruas de distância e a jornalista não soube responder. John que estava próximo confirmou antes que a mulher negasse e ele só piscou para ela antes de continuar a fotografar os famosos que chegavam.
Poucos minutos depois de Cara ter seguido o caminho para dentro do evento, e Daniel viram um burburinho ainda maior na área dos fãs. Shawn Mendes e Justin Bieber tinham acabado de chegar e estavam terminando de cumprimentá-los antes de vir para a parte da imprensa. olhou para os lados procurando Georgina e a mulher deu uma corridinha até ela antes que os dois se aproximassem. “Você fica com o Mendes e eu com o Bieber, ok? Ele é meio temperamental, então me deve uma”, comentou rindo antes de ir andando junto a Macy para onde o loiro já se encontrava.
Shawn veio caminhando com um sorriso no rosto até a jornalista e tinha que admitir que estava nervoso. Ele preferia estar em cima de um palco do que sendo entrevistado, sem dúvidas. Mas precisava seguir as recomendações do seu empresário. Andrew Gertler que já estava lhe esperando dentro do evento lhe mataria se ele passasse pela imprensa sem falar uma palavra.
Quando chegou mais perto e viu o rosto da mulher, o sorriso aumentou. Era um rosto conhecido! Ele se lembrava vagamente do show de Alessia em Los Angeles e depois da foto que viu nas redes sociais da amiga. Shawn já tinha achado a mulher bonita quando viu a imagem, mas agora estava ainda mais impressionante.
- Ei, Shawn. Tudo bem? - ela cumprimentou e lhe ofereceu a mão que foi logo aceita por ele. - Eu sou a , mas pode me chamar de . Esse é o Dan, mas acho que você já conhece. - comentou e o garoto deu um aceno para Crawford que foi correspondido.
- Eu lembro de você! - Shawn afirmou e a mulher fez cara de confusa. - Do final do show da Alessia com a foto. - ele disse e ela concordou.
- Sim, sim. Era eu. - riu, surpresa. - Mas como você lembra disso? Estava escuro e nem nos falamos.
- Sou bom com rostos. - deu de ombros e olhou bem para jornalista. - E eu não esqueceria uma mulher tão bonita. - ela ofegou e o garoto ficou preocupado. - Passei dos limites, né? Desculpa, não quis ser babaca. - falou apressado.
- Não se preocupe, Shawn. - ela sorriu ainda meio afetada. - Só fiquei meio surpresa com o elogio. Bem, vamos começar? - sinalizou para Daniel que já olhava para o cantor com cara de poucos amigos por ter ouvido a cantada.
Ela perguntou a ele sobre como estava se sentindo por concorrer em uma premiação em seu país de origem e ele desenrolou o assunto parecendo animado, sempre agradecendo aos fãs por onde estava. Os dois conversaram por mais um tempo frente a câmera, mas quando finalizou a entrevista ele não se afastou.
- Espero que me desculpe por ter sido grosseiro, eu não sei o que me deu. - se desculpou mais uma vez e a brasileira apenas balançou a cabeça.
- Fique tranquilo, Shawn. Tá tudo bem, de verdade. - ela garantiu. - Podemos começar de novo, que tal? Me chamo e você? - perguntou estendendo a mão ao cantor novamente que apertou de leve e riu hesitante.
- Shawn, prazer!
- Como o cantor? - ela brincou.
- Exatamente como ele! - eles sorriram um pro outro e Shawn se despediu prometendo voltar para falar com ela antes de ir embora. Ela ficou observando-o se afastar até o próximo jornalista e quando voltou seu olhar para Daniel, ele a olhava, contrariado. Ela ainda tentou perguntar se estava tudo bem, mas ele apenas virou a cara na direção de John. O fotógrafo via tudo de longe e tentava se concentrar nas fotos quando tinha vontade rir.
O evento correu sem muitas surpresas, Joe Jonas comentando sobre a vez que apresentou o evento junto aos irmãos e o discurso do rapper Narcy sobre diversidade na hora de ganhar o prêmio de vídeo do ano com RED foram os pontos altos da noite. Shawn Mendes tinha correspondido ao título de favorito da noite e garantido “Melhor Vídeo Pop” com Mercy. Alessia e Jonas comandaram muito bem o MMVAs. Georgina e fizeram algumas poucas inserções para a transmissão que rolava ao vivo nas redes da Entertainment Weekly.
Logo que a última apresentação finalizou, a equipe da EW voltou ao espaço inicial para que pudessem conseguir entrevistas com os artistas já com as considerações sobre a noite. John, no entanto, se manteve junto aos demais fotógrafos para garantir os melhores cliques das estrelas.
Ed Sheeran, como prometido, tinha ido direto falar com e ela se sentiu nas nuvens conversando com o ruivo mais uma vez para a câmera de Crawford. Ele estava segurando o prêmio de “Melhor Artista Internacional Digno de Atenção” e comentou com ela sobre a surpresa que tinha sido ganhar, principalmente quando se concorre com Lady Gaga e Kendrick Lamar.
Depois de algumas celebridades, Alessia Cara e Shawn Mendes foram juntos até onde estava terminando de conversar com Drake e a jornalista os colocou em uma só entrevista. Shawn ainda estava meio tímido, mas a brasileira fazia com que ele se soltasse aos poucos.
- Eu detesto abusar, mas posso pedir um favor? - perguntou aos dois assim que Daniel parou de gravar e Alessia e Shawn assentiram - Eu tenho três crianças esperando um videozinho de vocês, será que poderiam? - ela ofereceu o celular a eles que logo perguntaram os nomes. comentou que tinha gêmeas e falou da filha da amiga que também tinha implorado por um autógrafo ou vídeo.
Shawn e Alessia focaram animados o celular da jornalista, mandando beijos e prometendo logo conhecer as pequenas. Mendes até mandou um “cobrem a sua mãe para nos conhecer, qualquer coisa é culpa dela” antes de piscar para câmera e riu negando com a cabeça e agradecendo ao mesmo tempo.
Na hora de se despedir, Alessia fez prometer que estaria na after party para lhe ensinar algumas dancinhas brasileiras. não sabia como a canadense tinha criado tanta intimidade entre as duas, já que foram poucas as interações, mas estava curtindo. Ela era tão alegre que a jornalista não conseguia dizer não e ia na onda da mais nova.
- Eu estou te devendo uma bebida por ter passado dos limites antes. - Shawn falou baixo para que ouvisse.
- Você não é menor de idade, Mendes? - ela brincou e ele passou a mão no pescoço, desconcertado.
- Só nos Estados Unidos, aqui não. - ele piscou esperto e o sorriso da mulher aumentou.
- Mas o after não é open bar?
- Eu não disse que precisava ser no after. - ele deu de ombros enquanto sorria e meneou a cabeça se despedindo. só conseguiu rir. Shawn Mendes estava mesmo flertando com ela?!
Se a mulher tivesse olhado um pouco mais para o lado, teria visto John zoando o acesso de ciúmes de Daniel. Ela não tinha sido a única a perceber que o cantor estava tentando investir.





Continua...



Nota da autora: CHEGAMOS COM OS REFRIS, RAPAZIADA! Já dizia o menino Ney e estamos prontas para continuar com essa história maravilhosa. Quatro capítulos novinhos para vocês! Esperamos que nos desculpem por essa demora e a próxima atualização promete! O que estão achando até aqui? Nos contem nos comentários. 💜

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Nota da beta: Ameeei esses quatro capítulos, meninas, sério! Primeiramente, eu tô shippando ela com o Dan, ele é muito fofinho, gente, e um homão mesmo, mas o Shawn nesse finalzinho ganhou o seu espaço hahahha, todo afim, já marcando território, socorro, quero também.
Pode nos refrescar sempre, viu? Vocês arrasaram nessa atualização, ansiosa por mais! 💜💜

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa linda fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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